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ROTEIRO DE LEITURA SOBRE A INTRODUCÃO DA TESE DA LUCIANI DALMASCHIO (2013) SOBRE PREDICAÇÃO DIRIGIDA E PREDICAÇÃO CENTRADA-valor:1,5 1) Leia o “Resumo” (p. 10-15) da tese e monte 5 (cinco) tópicos que sintetizem todas as informações trazidas nele. (0,3) Redefinição do conceito de transitividade: A proposta central da tese é revisar e ampliar a compreensão sobre a noção de transitividade, ultrapassando as interpretações clássicas das gramáticas tradicionais. Essas gramáticas frequentemente explicam a presença de um objeto na sentença com base na classificação do verbo como transitivo, enquanto atribuem a ausência desse complemento à natureza intransitiva do verbo. A autora, contudo, busca redimensionar esse conceito, argumentando que a sustentação do lugar sintático de objeto não se restringe à estrutura argumental do verbo. Ela sugere que outros fatores, especialmente relacionados aos domínios discursivos e enunciativos, devem ser considerados para uma análise mais abrangente do fenômeno da transitividade. Dois domínios para a ocupação do lugar sintático de objeto: A ocupação do lugar sintático de objeto é analisada com base em dois domínios distintos e complementares. O primeiro é o domínio orgânico, que se refere à dimensão material da língua e trata da projeção estrutural de um lugar-complemento pelo verbo. Esse domínio estabelece regularidades na constituição das sentenças e reflete a historicização dos usos do verbo. O segundo domínio é o enunciativo, que organiza a discursividade responsável por determinar a ocupação ou não desse lugar-complemento. Esse domínio enunciativo é essencial para explicar os efeitos de sentido gerados pela relação entre as sentenças e os campos de pertinência semântica aos quais estão vinculadas. Associação entre predicação dirigida e centrada com modos de enunciação: A tese distingue dois tipos de predicação (dirigida e centrada), e os associa aos modos de enunciação especificador e genérico. A predicação dirigida é caracterizada por estar orientada para um objeto, direcionando a significação do enunciado para um complemento específico. Já a predicação centrada desloca o foco da significação para o verbo, dispensando a necessidade de um objeto explícito. Esses dois tipos de predicação estão diretamente conectados aos modos de enunciação: o modo especificador delimita um domínio de sentido preciso, marcado por uma referência pontual e específica, enquanto o modo genérico é mais aberto e permite a inclusão de diversas ocorrências no lugar sintático de objeto, configurando campos de referência mais amplos e generalizadores. Essa relação evidencia como as condições enunciativas moldam a ocupação ou não do lugar sintático de objeto. Função do lugar sintático de objeto na progressão textual: No texto, a função do lugar sintático de objeto na progressão textual é apresentada como essencial para o avanço temático, mesmo quando esse lugar não está preenchido de forma explícita. Ele é descrito como um espaço que possibilita o surgimento do novo, funcionando como um motor para a progressão referencial do texto. O lugar sintático de objeto, mesmo quando vazio, agrega sentido e permite que o texto evolua. Assim, as regularidades formais da língua, em conjunto com uma memória discursiva, tornam esse lugar capaz de sustentar o avanço textual, sendo um ponto de apoio fundamental para a construção temática e semântica. Proposta de um contínuo de predicação: No texto, a proposta de um contínuo de predicação surge como uma tentativa de aprofundar a análise dos fenômenos linguísticos ligados à ocupação do lugar sintático de objeto. O autor sugere que essa abordagem permite categorizar as predicações em diferentes níveis, explicando as condições enunciativas que regulam o preenchimento ou não desse espaço na sentença. O contínuo de predicação busca evidenciar a complexidade desses fenômenos, mostrando como os lugares sintáticos projetados pelos verbos podem ser ocupados de maneira variável e como isso influencia a completude do enunciado. Essa proposta amplia as possibilidades de análise da predicação, trazendo novos insights para os estudos de transitividade verbal. 2) Na página 11, a autora explica qual é o seu posicionamento em relação ao estudo da ocupação do lugar sintático de objeto e em relação à noção de transitividade verbal. Comente o que você compreendeu dessas explicações. (0,3) A ocupação do lugar sintático de objeto é analisada com base em dois domínios distintos e complementares. O primeiro é o domínio orgânico, que se refere à dimensão material da língua e trata da projeção estrutural de um lugar-complemento pelo verbo. Esse domínio estabelece regularidades na constituição das sentenças e reflete a historicização dos usos do verbo. O segundo domínio é o enunciativo, que organiza a discursividade responsável por determinar a ocupação ou não desse lugar-complemento. Esse domínio enunciativo é essencial para explicar os efeitos de sentido gerados pela relação entre as sentenças e os campos de pertinência semântica aos quais estão vinculadas. A proposta central da tese é revisar e ampliar a compreensão sobre a noção de transitividade, ultrapassando as interpretações clássicas das gramáticas tradicionais. Essas gramáticas frequentemente explicam a presença de um objeto na sentença com base na classificação do verbo como transitivo, enquanto atribuem a ausência desse complemento à natureza intransitiva do verbo. A autora, contudo, busca redimensionar esse conceito, argumentando que a sustentação do lugar sintático de objeto não se restringe à estrutura argumental do verbo. Ela sugere que outros fatores, especialmente relacionados aos domínios discursivos e enunciativos, devem ser considerados para uma análise mais abrangente do fenômeno da transitividade. 3) Ainda na página 11, Dalmaschio (2013) apresenta dois domínios distintos para explicar a ocupação e a não ocupação do lugar sintático de objeto. Explique, com suas palavras, quais são esses dois domínios: (0,3) Dalmaschio (2013) apresenta a ocupação e a não ocupação do lugar sintático de objeto como fenômenos que se baseiam em dois domínios distintos. O primeiro é o domínio orgânico da predicação, que está relacionado à estrutura material da língua. Nesse domínio, o verbo projeta um lugar-complemento que é constitutivo das regularidades estruturais e históricas da língua portuguesa. Ainda que esse lugar-complemento não seja preenchido lexicalmente, ele mantém sua funcionalidade e continua a produzir efeitos na organização sintática e semântica da sentença. O segundo domínio é de natureza enunciativa e está vinculado às condições discursivas que determinam a ocupação ou não do lugar-complemento. Esse domínio considera os efeitos de sentido gerados a partir da relação entre o enunciado e o contexto discursivo em que está inserido, permitindo que o lugar sintático de objeto seja ocupado ou deixado vazio com base nas pertinências semânticas e discursivas do enunciado. Dessa forma, os dois domínios, o orgânico e o enunciativo, interagem para explicar como o verbo e o contexto discursivo moldam o preenchimento ou a ausência do complemento, indo além das explicações tradicionais da gramática e ampliando a compreensão da transitividade verbal. 4) Nas páginas 12 e 13, a autora discorre sobre o que é predicação dirigida e o que é predicação centrada. Apresente as definições trazidas por ela: (0,3× 2 = 0,6) a) Predicação dirigida: A tese distingue dois tipos de predicação (dirigida e centrada), e os associa aos modos de enunciação especificador e genérico. A predicação dirigida ocorre quando a significação do enunciado está orientada para um objeto. Nesse caso, o objeto desempenha um papel central na construção do sentido, sendo indispensável para completar a predicaçãodo verbo. b) Predicação centrada: Por outro lado, a predicação centrada é caracterizada pela orientação da significação para o próprio verbo, dispensando a necessidade de um objeto explícito. Nesse tipo de predicação, o foco recai sobre a ação ou estado descrito pelo verbo, sem que haja a obrigatoriedade de um complemento para a completude do enunciado.