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algum vínculo com o fato investigado. 
 
2.2 Tipos de Investigação 
 
José Frederico Marquesesclarece que há três categorias de investigação que 
são: 
a) Administrativas: com auditorias e levantamentos internos, mediante 
procedimentos administrativos; 
b) Legislativas: no Poder Legislativo, nos termos da legislação, com as Comissões 
Parlamentares de Inquérito, apurando fatos que envolvam a função do parlamentar; 
c) Judiciárias: apuração de faltas funcionais de seus servidores, utilização de bens 
confiados a eles. 
Enfim, esses são exemplos da abrangência investigativa inserida em todos os 
campos da atividade humana. 
Mas, dentro dessa abrangência, não se pode deixar de citar os métodos de 
investigação que são: lógica, dedutivo, analógico indutivo, intuitivo, da lógica absurda, 
presunção, hipótese, convicção e certeza, e, segundo Luiz Carlos da Rocha: 
“Na investigação de natureza policial, metodologia é a técnica de 
adestramento do agente, civil ou militar, para o desenvolvimento pleno de 
suas potencialidades psíquicas e de ação, de observar e raciocinar sobre um 
fato que está apurando e de realizar o seu trabalho com segurança e 
precisão.” 
Dentro da investigação, através da metodologia, ou seja, do caminho a se 
chegar a um fim, nada se consegue quando se age de maneira desordenada. A 
investigação policial necessita, portanto, de um método orientador e disciplinador para 
se chegar ou se concluir o trabalho. 
6 
 
 
Pode-se então compreender que a investigação policial utilizará os seguintes 
métodos de raciocínio: 
a) Lógica: é um método que se utiliza da ciência que ensina a pensar 
corretamente. 
b) Dedutivo: análise de premissas (raciocínios elementares). Cobra explica, por 
meio de exemplos, que: “a descoberta de determinado tipo de poeira, no calçado de 
alguém ou num veículo, pode autorizar a conclusão de que aquela pessoa ou veículo 
passaram por determinado local.” 
c) Analógica: conforme Cobral, raciocina-se por analogia, fazendo-se 
comparações. As semelhanças de circunstâncias entre casos distintos podem 
conduzir a resultados idênticos, razão pela qual o investigador deve examinar o modus 
operandi dos delinquentes, pois criminosos habituais agem frequentemente do mesmo 
modo, com o emprego de semelhantes recursos, propiciando o emprego do método 
analógico. 
d) Indutivo: Esse método desenvolve-se através de um raciocínio que parte do 
particular para o geral, porém qualquer conclusão obtida por esse método pode acabar 
sendo refutada, por generalizar. 
e) Intuitivo: explica Rocha[7], intuição é a visão direta de alguma coisa, o 
conhecimento de algo independentemente de raciocínio lógico, porém, que não pode 
ser confundido com palpite, devendo seu emprego ser reservado para situações 
ausentes de outras possibilidades. 
Cobra define como pressentimento, que pode ser sensível: ocorre através da 
comunicação do homem com o meio, através dos sentidos ou insensível: um 
presságio, palpite ou adivinhação. 
f) Da lógica absurda: é um método aplicado em situações que são apresentadas 
de forma insólitas ou alegóricas, estranhas, como em depoimento ou denúncias sem 
nexo, ou utiliza referências a apelidos ou gírias de outras regiões do país, ou, crianças 
que não se expressam bem, nesses casos, o investigador deverá ficar atento, com a 
mente aberta e intuitiva, para captar e entender as mensagens ou informações que 
lhes chegam codificadas. 
g) Presunção: é a operação mental baseada nos aspectos do que se vê, ouve e 
sente, levando o interessado a elaborar uma proposta que o induz a seguir para 
determinado caminho, tendo-o como verdadeiro, desde que não haja prova segura em 
https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/as-modernas-tecnicas-de-investigacao-policial/#_ftn6
https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/as-modernas-tecnicas-de-investigacao-policial/#_ftn7
7 
 
 
contrário, é um juízo baseado nas aparências e que conduz a uma suspeita, o 
investigador aceita determinada conduta. 
h) Hipótese: é uma conjectura não muito segura, dúbia, contudo, poderá ser 
considerada provável se relacionada com a questão em apreço. Segundo instrui 
Coriolano Nogueira Cobra “excluídas as hipóteses repelidas, ficam aquelas 
correspondentes com a realidade. Destas, algumas vão permitir convicção e outras, 
certeza”. Ao tomar conhecimento de circunstâncias ou detalhes o policial convence-
se de que fato ocorreu ou teria ocorrido desta ou daquela maneira. 
É uma suposição duvidosa, mas não improvável. 
i) Convicção: diante de dados ou matérias subjetivas como suporte à conclusão 
das investigações, tais como depoimentos das testemunhas ou confissões dos 
interrogandos, por mais claros ou detalhados que possam ser, tem-se a convicção, 
pela falta de elementos materiais, que servirão de apoio àquelas peças, ou seja, 
quando os elementos probatórios forem de ordem subjetiva. 
j) Certeza: Ocorre quando o conjunto de provas materiais conduz à conclusão 
absoluta sobre aquele caso estudado ou investigado; podendo, inclusive, os 
elementos subjetivos se somarem aos elementos objetivos. Aí sim, os depoimentos e 
confissão, agregados ao estudo, coroarão com êxito os trabalhos de Polícia Judiciária. 
 
2.3 Dos Meios Dinâmicos da Investigação 
 
A investigação tem por finalidade o alcance de informações sobre determinados 
fatos ou coisas, o mesmo ocorre na investigação policial que detém sua essência e o 
exercício da inteligência para chegar à autoria de um crime, diante de tal informação. 
Consideram-se fundamentais os recursos de “campana” ou vigilância, pois, 
segundo o professor Coriolano Nogueira Cobra campara: 
“É expressão de gíria que significa observação discreta, para conhecer os 
movimentos de pessoa ou pessoas ou para fiscalizar a chegada ou aparecimento de 
alguém, ou ainda, seguimento de alguém de modo discreto para conhecer seus 
movimentos e ligações.” 
Na campana também há a vigilância discreta que nada mais é do que o 
acompanhamento reservado, na condução para obter dados de hábitos, amizades, 
postura, lugares que frequenta a pessoa que está sendo investigada, sendo 
necessário promover ações para não se perceber a conduta investigatória, portanto, 
8 
 
 
campana ou vigilância tem as seguintes finalidades: observação discreta nas 
imediações de um lugar para conhecer; Movimento de pessoas; fiscalização de 
chegada ou aparecimento de alguém. 
Este tipo de atividade pode ser utilizado por policiais ou marginais: 
Por policiais – para o deslinde de uma investigação ou constatação de 
procedência de informação. 
Por marginais – para outros fins, angariar vítimas em potencial ou em imóveis 
para empreitada criminosa. 
Quanto à dinâmica da campana, ela pode ser: Campana estática ou 
parada: observância de um lugar através de outro lugar, no intento de lograr êxito em 
atitudes provenientes ou indicadoras de prática criminosa, pode também ser Campana 
móvel ou de segmento: na vista de suposto agente criminoso, parte-se ao seu 
encalço. Pode ser: a pé ou com veículo. 
Outro meio dinâmico de Investigação é a Penetração e a Infiltração. 
Luiz Carlos Rocha esclarece que “penetração é a tática de ingresso em 
determinados recintos, mediante vários artifícios, a fim de obter informações ou 
provas”. 
Já a infiltração é a introdução do policial em determinados meios, onde 
conviverá temporariamente, em busca de elementos úteis para as investigações. 
Também são recursos que o policial civil pode fazer uso, mas ambas são 
atividades de alto risco. 
A diferença entre elas é que na penetração o policial não mantém 
relacionamento com as pessoas, enquanto na infiltração mantém-se este 
relacionamento. 
Segundo o Manual Operacional do Policial Civil, a infiltração divide-se em 
simples e complexa. 
A infiltração simples ocorre normalmente nos estabelecimentos industriais e 
comerciais, sempre com o conhecimento da vítima, tendo como finalidadeidentificar 
funcionários que praticam furtos continuados ou forneçam informações técnicas para 
concorrentes da firma em que trabalham ou que sabotem equipamentos, produtos etc. 
A infiltração complexa, é empregada nas investigações contra a criminalidade 
organizada, deve ser realizada por policiais experientes e treinados, com alta 
presença de espírito, corajosos e conhecedores de técnicas de defesa pessoal. 
9 
 
 
Com o advento da Lei 10.217, de 11 de abril de 2001, a infiltração por agentes 
da Polícia em investigações passou a ser permitida, desde que mediante autorização 
judicial, estritamente sigilosa e que permanecerá nesta condição enquanto perdurar a 
operação, preservando o sigilo até final da conduta. Técnica está prevista atualmente 
na Lei n° 12.850/13 que prevê o conceito de Organização Criminosa e demais meios 
extraordinários de investigação que será objeto de estudo em momento oportuno. 
 
2.4 Da Nova Tecnologia 
 
Um novo equipamento vem sendo utilizado em cenas de crimes. Desenvolvido 
nos Estados Unidos da América, Reino Unido e Japão, tem se popularizado no Brasil 
à medida que vem se tornando realidade para os diversos institutos de identificação 
de cada Unidade Federação. 
É o que pode revolucionar as técnicas investigativas atuais. 
Essa Tecnologia é chamada AFIS (AutomatedFingerprintIdentification), ou seja, 
Sistema de Identificação automatizada de Impressões Digitais. O AFIS é usado para 
comparar uma impressão digital com impressões previamente arquivadas no banco 
de dados do sistema. 
O Sistema AFIS é exclusivo para impressões digitais, promoveu uma quebra 
de paradigma no contexto da perícia papiloscópica, ele substitui a pesquisa manual 
pelas pesquisas automatizadas, ou seja, as pesquisas de impressões digitais 
tornaram-se mais céleres e o banco de dados mais seguro. Esse equipamento 
tecnológico visa garantir maior precisão das cristas papilares das impressões digitais, 
através de um escaneamento (equipamento Live Scan), dispensa o uso de papel. 
A parte mais importante do AFIS é a conversão, ou seja, a digitalização por 
dispositivo óptico específico e arquivado na base do sistema. Envolve milhões de 
impressões digitais. Há dois tipos de registros na base de dados do AFIS: 
1) Milhares de impressões que estão arquivadas no sistema convencional; 
 2) novas impressões adquiridas diariamente. 
Ambas agrupadas numa única base de dados. Duas funções podem ser 
executadas pelo AFIS: 
1) pesquisar registro de prisão de uma pessoa; 
2) pesquisar com habilidade banco de dados de impressões similares a cópias 
latentes encontradas em locais de crime. 
10 
 
 
Segundo a Senaspos sistemas biométricos são “os métodos automatizados 
para a verificação ou reconhecimento da identidade de uma pessoa viva baseado 
numa característica física ou comportamental.” 
Os sistemas biométricos não são capazes de determinar uma identidade 
verdadeira, mas são capazes apenas de relacionar uma pessoa a um determinado 
padrão biométrico, isso quer dizer que não é um substituto dos serviços papiloscópicos 
ou dos serviços periciais. 
 
2.5 Recognição Visuográfica de Local de Crime 
 
Outra técnica imprescindível de investigação nos tempos de hoje é o relatório 
da Recognição Visuográfica, essa técnica é a semente da futura investigação, 
levando-se em consideração o seu dinamismo e praticidade. 
Traz em seu bojo desde o local, hora, dia do fato e da semana como também 
condições climáticas então existentes, além de acrescentar subsídios coletados junto 
às testemunhas e pessoas que tenham ciência dos acontecimentos. 
Traz ainda à colação, minuciosa observação sobre o cadáver, identidade, 
possíveis hábitos, características comportamentais, sustentadas pela vitimologia, 
além de croqui descritivo, resguardados os preceitos estabelecidos no artigo 6º, I, do 
Código de Processo Penal. 
 
3. DAS FERRAMENTAS DISPONÍVEIS 
 
Na Polícia Civil existe várias ferramentas disponíveis de aplicabilidade para a 
investigação policial. Todas elas aptas a enriquecer o Inquérito Policial e os Relatórios 
de Investigação. 
São ferramentas que permitem a extração de elementos informativos, sobre o 
envolvimento em delitos anteriores de suposto infrator, veículo envolvido em certas 
ocorrências, características de certas pessoas, modus operandi etc. 
São elas: 
a) RDO (Registro Digital de Ocorrência): principal fonte de alimentação de 
dados da Polícia Civil. É o sistema de elaboração e armazenamento de Boletins de 
Ocorrência. Geralmente é através do Boletim de Ocorrência que se inicia uma 
11 
 
 
investigação, por isso, deve ser devidamente preenchido, ricos em detalhes, tais 
como: inserção de testemunhas, objetos relacionados com o crime, telefones dos 
envolvidos, endereços completos, cautela e inserção correta da localização do fato 
etc. 
Esse sistema é interligado ao sistema Prodesp que é detentor da base de dados 
da Polícia Civil. Todos os Boletins de Ocorrência registrados ficam gravados em rede 
e não apenas em um computador, inclusive os Boletins de Ocorrência elaborados pela 
própria vítima através da internet, estes denominados BOE (Boletim de Ocorrência 
Eletrônica), que é elaborado pela própria vítima, através do sítio eletrônico 
(www.policiacivil.sp.gov.br). 
O RDO é, portanto, um sistema para as investigações, tendo em vista que 
através da inserção dos dados preliminares na sua confecção, é possível verificar 
informações exatas, referentes a pesquisas e registros civil, criminal sobre os 
envolvidos bem como veículos ou armas. 
b) PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São 
Paulo): empresa de longa parceria com a Polícia Civil. Realiza o gerenciamento de 
diversos bancos de dados de informação, tais como: cadastro criminal, civil, Detran, 
permitindo consultas de CNH (Carteiras Nacionais de Habilitação), placas de veículos 
e situação administrativa dos mesmos etc. 
A Prodesp, também permite certas consultas de dados cadastrais de outros 
Estados, por exemplo; numeração de motor, placas de veículos para verificação de 
queixa de furto ou roubo. 
c) ÔMEGA: é um programa que unifica as doze principais bases de dados do 
país, usa o banco de dados do RDO, DETRAN (CRLV, CNH e multas), DE (Delegacia 
Eletrônica), Junta Comercial, Disque-Denúncia, Infocrim, Phoenix, cadastros civil e 
criminal e outros. Possui uma ferramenta chamada “investigador virtual”, na qual são 
inseridos os dados que o policial está procurando e, quando surgir determinada 
ocorrência, envolvendo aquela informação que foi registrada, o policial solicitante será 
informado. 
Também analisa na pesquisa o “modus operandi”, logradouros, tipos de crimes, 
pessoas etc., ou seja, é possível ainda realizar uma pesquisa de referência geográfica, 
ou seja, um mapeamento regional de crimes. 
d) PHOENIX: é um sistema de cadastro estadual de fotos criminais acessado 
pela intranet, alimentado com os dados inseridos no equipamento denominado 
12 
 
 
SPISPHOTO disponível em todas as seccionais e sedes de departamentos. Nessa 
máquina são coletadas fotos de frente e perfil, impressões digitais, dados somáticos, 
sinais peculiares e amostras de voz, além de criar retrato falado de criminosos. 
O indivíduo ao ser fotografado tem dez pontos em seu rosto considerados 
imutáveis, mesmo com cirurgias plásticas ou envelhecimento. 
O programa permite também a inserção de dados somáticos, incidência penal 
do indivíduo, características físicas básicas, tais como; tatuagens, deformações no 
corpo, cor da pele, olhos, tipo de rosto, cicatrizes juntando-se à base de dados do 
RDO, que por sua vez gera o Boletim de Identificação Criminal Eletrônico (BICE) que 
é enviado ao I.I.R.G.D. (Instituto de Identificação Ricardo GumbletonDaunt). 
e) INFOSEG: Rede Nacional de Informações de Segurança Pública, Justiça e 
Fiscalização, seu objetivo principal é a integração dos dados de indivíduoscriminalmente identificados, de armas de fogo, de veículos, de condutores, de 
Cadastro de Pessoas físicas (CPF) e de Cadastro de Pessoas Jurídicas (CNPJ), entre 
todas as Unidades da Federação. É um programa do Ministério da Justiça, que permite 
o acesso ao cadastro de contribuintes da Receita Federal. 
f) ALPHA: é acessado também pela intranet da Polícia Civil. Esse sistema 
contém a base de dados civil do estado e exclusiva da Polícia Civil de São Paulo. 
Contém os dados para a emissão da Cédula de Identidade, a fotografia e a ficha 
decadactilar, ou seja, as impressões digitais do indivíduo e endereço. 
Possibilita a pesquisa através do nome do pai, mãe, nome e número de cédula 
de Identidade, além disso, caso o indivíduo seja preso em São Paulo, conterá o 
número de identidade criminal, que fica vinculado ao número de identidade civil. 
Esse sistema tem por finalidade servir de confronto das impressões digitais 
colhidas em qualquer unidade policial com aquelas arquivadas na base de dados do 
sistema. 
g) INFOCRIM: é o Sistema de Informações Criminais, gerador de estatísticas 
criminais, com opção de buscas por logradouros, partes e delitos, sendo alimentado 
pelos dados inseridos no RDO. Este programa pode gerar mapas indicativos dos 
logradouros onde ocorrem os delitos, indicando também dia da semana e horário de 
maior frequência norteando, com isso, as ações preventivas especializadas. 
Esse programa permite às polícias o mapeamento das regiões com maior 
incidência criminal. Juntos RDO e INFOCRIM criam para as polícias o chamado mapa 
13 
 
 
da criminalidade, pelo qual é possível estabelecer os pontos onde há maior ocorrência 
de crimes, separando por cidades, bairros, ruas, dia e horário. 
Com base no mapa da criminalidade, a Polícia Militar realiza o Plano de 
Policiamento Inteligente (PPI) e, então, traça o roteiro de cada viatura após consultas 
dos dados armazenados e distribui, portanto, o Cartão Prioridade de Patrulhamento 
(CPP), para que as viaturas patrulhem a área com maior incidência criminal. 
A Polícia Civil com base no RDO, Infocrim e demais sistemas inteligentes, atua 
com o cruzamento desses dados na busca de suspeitos que têm a mesma forma de 
atuação. 
h) FOTOCRIM: Esse programa foi criado pela Polícia Militar do Estado de São 
Paulo e é alimentado com qualificações e fotografias de frente e de perfil dos 
criminosos bem como com fotografias de tatuagens e cicatrizes registradas de ângulos 
diferentes. Indicando também o crime que cometeram e se agiram com parceiros. É 
possível o acesso pela Polícia Civil do Estado de São Paulo através do Infocrim. 
i) DETECTA: É um sistema inteligente de monitoramento de crimes do Estado 
de São Paulo, que emite alarmes automáticos e traz avanços em agilidade e 
cruzamento de informações. O Detecta foi desenvolvido pela Microsoft e pela polícia 
de Nova York, para ações contra o terrorismo na cidade americana e também passou 
a ser utilizada no combate a outros tipos de crime. 
É a primeira vez que o sistema é utilizado fora de Nova York. 
Um dos pontos importantes desse sistema é que o alerta para a polícia civil 
pode decorrer em razão da existência de um crime com as mesmas características 
dos outros que já estão sendo investigados, mesmo que ocorra em regiões diferentes 
ou em outras cidades. Esse sistema integra todas as informações criminais que estão 
à disposição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
 
4. LEGISLAÇÃO 
 
O texto constitucional é claro ao referir que, como regra, a apuração de 
infrações penais e a execução das funções de polícia judiciária competem à Polícia 
Federal e às Polícias Civis, reservando às Polícias Militares o policiamento ostensivo 
e a preservação da ordem pública. 
Cabe à Polícia Federal, órgão mantido pela união, “apurar infrações penais 
contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da 
União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras 
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo dispuser em lei”, bem como “exercer, com exclusividade, 
as funções de polícia judiciária da União”. 
Quanto à Polícia Civil, menciona a Lei Maior o seguinte: “às polícias civis, 
dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência 
da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as 
militares”. 
As atribuições dos órgãos de segurança pública estão elencadas, de forma 
clara, no texto constitucional, não deixando margens para dúvidas de qual é o papel 
de cada instituição na tarefa de prevenir e reprimir as infrações penais, de modo que 
a atividade de investigação criminal pertence à polícia judiciária. 
Nessa esteira, ainda, refere o artigo 4°, caput, do Código Penal que “a polícia 
judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas 
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria”. 
Cumpre enfatizar, também, a redação legal do artigo 2°, caput, da Lei 
12.830/13, o qual refere que "as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações 
penais exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e 
exclusivas de Estado", bem como do seu §2°, de onde se extrai que "ao delegado de 
polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal 
por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como 
objetivo a apuração das circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações 
penais" . 
Repare que tanto a regra prevista no caput do art. 4° do Código de Processo 
Penal, quanto as regras inseridas no art. 2° da Lei 12.830/13 mantém uma relação 
15 
 
 
harmônica e simétrica com a Constituição Federal, ao passo que corroboram a sua 
opção pela condução da investigação criminal pela polícia judiciária, e, para nós, nem 
poderia ser diferente, pois a Constituição representa o “topo hermenêutico que 
conformará a interpretação jurídica do restante do sistema”. 
É necessário reconhecer, assim, que, com base nas normas acima referidas, a 
investigação criminal é atribuição da polícia judiciária, representada por organismos 
sociais cuja função, por excelência, é a apuração da materialidade e autoria das 
infrações penais. 
Veja-se que quando a Lei Maior faz essa afirmativa, de forma clara, ela está 
dizendo que a atividade investigativa, no âmbito criminal, será realizada pelas 
instituições que carregam em seu bojo as atividades de polícia judiciária, i.e., a Polícia 
Federal e as Polícias Civis, nas suas respectivas áreas de atuação. 
Cumpre referir que, mesmo diante dos comandos constitucionais que definem 
as atribuições dos órgãos estatais, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento 
de que o Ministério Público pode conduzir investigações de natureza criminal, por 
meios próprios[14], sendo que, conforme demonstramos, ao nosso ver, inexiste 
comando legal autorizando tal inferência. 
a) Investigação criminal autêntica ou pura: Insere-se nesta classificação a 
investigação criminal autorizada e legalizada pela Constituição Federal, conduzida 
pela polícia judiciária, sob a presidência de um delegado de polícia de carreira. Diz-se 
autêntica ou pura porque se trata do modelo padrão de investigação criminal adotado 
pela Constituição. É a investigação criminal genuína. 
b) investigação criminal derivada: Insere-se nesta classificação a investigação 
criminal igualmente prevista no texto constitucional como exceção ao modelo padrão. 
Conforme sinalizamos, a Constituição não conferiu o monopólio da investigação 
criminal à polícia judiciária, havendo duas exceções, nas quais a atividade de 
investigação criminal poderá não ser desempenhada pela polícia judiciária, quais 
sejam: a apuração das infrações penais militares e as apurações das comissões 
parlamentaresde inquérito. Diz-se derivada porque deriva do modelo padrão e possui, 
igualmente, sustentação constitucional. 
c) investigação criminal não autêntica ou impura: Enquadra-se nesta 
classificação qualquer outra forma de investigação criminal levada a cabo fora dos 
padrões estabelecidos pela Constituição Federal, independentemente da instituição 
que a realize, pois, diante da inexistência de mandamento constitucional que lhe 
16 
 
 
confire legitimidade, se apresenta como forma de flexibilização negativa das garantias 
fundamentais. Diz-se não autêntica ou impura porque não possui previsão 
constitucional. 
Artigo 144, §1°, incisos I e IV, e §4°. 
Artigo 4°, caput. 
Artigos. 1° e 2°, caput, e §§1° e 2°. 
Parte da doutrina entende que a Constituição Federal estabelece uma distinção 
entre as funções de polícia judiciária e as funções de polícia investigativa. Entretanto, 
sedimentou-se na doutrina e na jurisprudência a utilização da expressão polícia 
judiciária para se referir ao exercício de atividades relacionadas à apuração das 
infrações penais. 
A observância da Constituição Federal é uma exigência impreterível em um 
Estado Democrático de Direito, razão pela qual a eficácia da investigação estatal penal 
não pode estar desassociada das garantias individuais fundamentais. 
Artigo 144, §1°, I, CF. 
Artigo 144, §1°, IV, CF. 
Artigo 144, §4°, CF. 
No julgamento do HC 149.250 o Superior Tribunal de Justiça considerou ilegal 
a participação de servidores da ABIN nas investigações da Polícia Federal. 
 Insta referir que a Constituição Federal prevê apenas duas exceções à regra 
dos §§1° e 4° do artigo 144, nas quais a "atividade de investigação criminal" poderá 
não ser desempenhada pela polícia judiciária: a apuração das infrações penais 
militares (art. 144, §4°) e as apurações das comissões parlamentares de inquérito (art. 
58, §3°). 
Nos termos do art. 124 da CF, infere-se que as infrações penais militares serão 
julgadas pela Justiça Militar. E, nos termos dos artigos 7°, 8° e 9° do Código 
de Processo Penal Militar, extrai-se que a apuração das infrações penais militares será 
feita por autoridades militares que atuarão fazendo as vezes de polícia judiciária. 
Trata-se, portanto, de verdadeira investigação criminal. Assim, classificamos 
como investigação criminal derivada própria ou propriamente dita. 
 O inquérito parlamentar, referimos, não é um inquérito criminal típico, pois pode 
visar a apuração de fato de qualquer natureza, não apenas penal, i.e., pode apurar 
fato político, administrativo, responsabilidade civil, e, também, criminal, conforme se 
verifica da parte final do artigo 58, §3°, da CF. 
17 
 
 
Ressalte-se, inclusive, que as conclusões dos inquéritos parlamentares, nem 
sempre dispensam investigações pela polícia judiciária, como a realidade tem nos 
mostrado, diante dos diversos interesses que se encontram por trás desse expediente 
investigatório. Assim, por não se constituir em uma investigação criminal propriamente 
dita, classificamos como investigação criminal derivada imprópria. 
 Enquadram-se nesta categoria, por exemplo, investigações criminais feitas e 
formalizadas diretamente por instituições militares (relativamente a crimes comuns), 
ou pelo Ministério Público. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 
5. TÉCNICAS 
 
O inquérito policial é um procedimento preparatório da ação penal, de caráter 
administrativo, conduzido pela Polícia Judiciária e voltado a colheita preliminar de 
provas para apurar a prática de uma infração penal e sua autoria. Não se trata, pois, 
de processo, instrumento, que é voltado a prestação judicial do Estado diante de uma 
ação ajuizada. Trata-se de um procedimento. 
Como tal, por não ser processo, não se faz presente o princípio da publicidade, 
que é próprio dos processos, assim como outros princípios balizares como o da ampla 
defesa e do contraditório, que são garantias norteadoras de um Estado Democrático 
de Direito. 
Seu objetivo é a formação da convicção do representante do Ministério Público, 
titular da ação penal pública, ou a vítima, nas ações penais privadas, e ainda a colheita 
de provas urgentes necessárias ao esclarecimento dos fatos investigados. Sendo 
assim o inquérito é o conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária, para 
apuração de uma infração penal e sua autoria, para que o titular da ação penal, seja 
pública ou privada, possa fazer um juízo de valor sobre ele, pedindo a aplicação da 
lei. É, portanto, o inquérito policial uma peça investigatória que é preparatória da ação 
penal. 
O inquérito é procedimento preparatório formador da opinião do titular da ação 
penal. Pode ele aceitar ou não as conclusões trazidas por ele. É o inquérito um 
procedimento facultativo e dispensável para o exercício da ação penal. 
Aliás, o Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/94, em seu artigo 7º, inciso XV, estatui 
que é direito do advogado examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem 
procuração, autos de flagrante e de inquérito policial, findos ou em andamento, ainda 
que conclusos a autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos. Ali não se 
faz qualquer distinção entre inquéritos sigilosos e não sigilosos. 
O advogado do indiciado, como já salientou o Supremo Tribunal Federal, no 
julgamento do HC 82.354 – PR, 10 de agosto de 2004, Relator Ministro Sepúlveda 
Pertence, em inquérito policial, é titular do direito de acesso aos autos respectivos, 
verdadeira prerrogativa, que lhe é dada por lei, não lhe sendo, em hipótese alguma, 
repito, oponível o sigilo. Aliás, se até à imprensa livre, numa democracia, salvo os 
casos de sigilo decretados pelo Judiciário, não se pode negar acesso aos resultados 
da investigação, então qual a razão de negá-lo, por absurdo, a seu defensor? 
19 
 
 
A Súmula Vinculante n. 14 do Supremo Tribunal Federal disciplina que é direito 
do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova, 
já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com 
competência de polícia judiciária. Deve ser facultada à defesa a consulta dos autos do 
inquérito policial e a obtenção de cópias pertinentes, ressalvando que não há 
obrigação de comunicação prévia à defesa sobre as diligências que ainda estejam 
sendo efetuadas, como se lê do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, no HC 
87.827 – RJ, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, julgado em 25 de abril de 2006, 
Informativo 424. 
Mister se faz a participação do advogado em todos os atos do inquérito, desde 
que tenha procuração para tanto. O advogado pode participar da produção da prova, 
em seu desenvolvimento, em seu acompanhamento. 
O artigo 6º do Código de Processo Penal prescreve(functor deóntico) à 
autoridade policial, logo que tiver conhecimento da infração penal, que tome as 
seguintes providências: 
a) Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e 
conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; 
b) Apreender os objetos que tiverem relação ao fato, após liberados pelos peritos 
criminais2 ; 
c) Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas 
circunstâncias; 
d) Ouvir o ofendido; 
e) Ouvir o indiciado; 
f) Proceder o reconhecimento de pessoas e coisas e as acareações; 
g) Determinar, se for o caso, que se proceda o exame de corpo delito e outras 
perícias; 
h) Ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e 
fazer juntar aos autos a sua folha de antecedentes; 
 i) Averiguar a vida pregressa do indiciado, consoante o inciso IX. 
O suspeito, sob o qual se reuniu prova de autoria, tem de ser indiciado. 
O indiciamento somente poderá ser realizado se há, para tanto, fundada e 
objetiva suspeita de participação ou autoria nos eventuais delitos investigados, como 
se lê de entendimento do SuperiorTribunal de Justiça no HC 8.466 – PR, Relator 
Ministro Felix Fischer, DJ de 24 de maio de 1999. O indiciamento é ato exclusivo da 
20 
 
 
autoridade policial que forma seu convencimento sobre a autoria e a materialidade do 
crime, elegendo o suspeito da prática criminosa. 
Pode o Promotor denunciar pessoa que não foi objeto de indiciamento, pois é 
titular da ação penal pública, ficando a sua discrição, dentro da visão que tem dos 
fatos investigados no inquérito, qual a solução a apresentar. 
De toda sorte, a requisição de indiciamento é procedimento equivocado. Aliás, 
assim o entendeu o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do HC 35.639 – SP, 
Relator Ministro José Arnaldo da Fonseca, 21 de outubro de 2004, quando se disse 
que a determinação de indiciamento formal, quando já em curso ação penal pelo 
recebimento da denúncia, é tida por desnecessária e causadora de constrangimento 
ilegal. 
O sistema jurídico brasileiro não exige motivação do indiciamento, a exceção, 
é certo do que é exposto no artigo 52, I, da Lei 11.343/06, quanto a classificação feita: 
se tráfico ou porte de arma, por exemplo. Ora, o Parquet não está vinculado a 
classificação penal que venha ser apresentada pela autoridade policial. Quanto muito 
a autoridade judicial, como se vê do instituto da emendatio libelli, previsto no artigo 
383 do Código de Processo Penal. 
 Mas o indiciado tem o direito de silêncio(artigo 5º, LXIII), de não se autoacusar, 
merecendo ter a sua integridade física preservada, podendo constituir advogado para 
acompanhar a investigação e ter a sua imagem preservada. O seu silencio não poderá 
ser interpretado contra si, daí porque a antiga redação do artigo 186 do Código de 
Processo Penal choca-se com a Constituição, quando dizia que ¨o seu silêncio poderá 
ser interpretado em prejuízo de sua própria defesa¨. 
 A teor do artigo 5º, LVIII, da Constituição Federal o civilmente identificado não 
será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses determinadas por lei. Pois 
bem, o artigo 2º da Lei 12.037/2009 determina que a identificação civil é atestada por 
qualquer dos seguintes procedimentos: 
a) Carteira de identidade; 
b) Carteira de trabalho; 
c) Carteira profissional; 
d) Passaporte; 
e) Carteira de identificação funcional; 
f) Outro documento público que permita a identificação do indiciado. 
O artigo 3º da Lei 12.037/2009 determina as hipóteses em que se destaca o fato do 
21 
 
 
documento apresentar rasuras ou tiver indícios de falsificação ou ainda, dentre outras 
hipóteses, for insuficiente para identificar, de forma cabal, o indiciado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
6. COMPETENCIA 
 
O fato é que no sistema de persecução criminal brasileiro, a Polícia Judiciária 
(Civil ou Federal) investiga, o Ministério Público requisita diligências e/ou instauração 
de inquérito, exerce o controle externo da ação policial (fiscaliza os atos e correção 
da polícia) e, obviamente privativamente, oferece denúncia junto aos Juízes 
Criminais, quando o fato e sua autoria estão devidamente comprovados; cabendo 
por fim ao Juiz Criminal, o julgamento, mediante o contraditório e a ampla defesa. 
E, nos estritos termos e limites constitucionais - a Polícia Judiciária investiga, 
se submetendo-se a todo tipo de controle: interno, externo e da sociedade e, assim 
deve cumprir sua missão, mesmo diante de reiteradas medidas visando seu 
enfraquecimento, sobretudo a partir da Constituição de 88. 
Qualquer ação ou decisão contrária ao sistema terá uma vigência efêmera ou 
condicionada por sua inaplicabilidade fática ou jurídica, que será submetida a 
sucessivas mudanças que somente trarão prejuízos ao sistema, senão o caos como 
estamos vivenciando em cores trágicas. 
A investigação criminal é indubitavelmente uma das atividades mais 
apaixonantes e por isso mesmo mais cobiçadas, seja na esfera pública ou privada. 
Essa constatação, somada a uma carência de aprofundamento no estudo de certos 
institutos afetos à fase inicial da persecução penal, tem ensejado afirmações 
imprecisas e que induzem ao erro. 
Com efeito, diferentemente do que costumeiramente é propagado, a 
investigação criminal no Brasil é, sim, tarefa exclusiva da polícia judiciária, porquanto 
a vontade do legislador constituinte foi expressa no sentido de que a essa instituição 
incumbe a apuração de infrações penais comuns. 
Não se desconhece que o artigo 4º, parágrafo único do CPP dispõe que a 
competência de apuração de infrações penais “não excluirá a de autoridades 
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função”. Uma leitura rasa e 
isolada do dispositivo da Lei de 1941 levaria a acreditar na existência de diversas 
leis que autorizam outros órgãos a realizarem investigação criminal. 
Contudo, não é o que estabelece a Constituição e a legislação 
infraconstitucional. O ordenamento jurídico permite que órgãos distintos da polícia 
judiciária façam apenas investigação de infrações não penais (apuração de ilícitos 
financeiros, econômicos, ambientais, disciplinares, fiscais, civis ou administrativos 
23 
 
 
em geral). 
Segundo a Lei Maior, a polícia judiciária (Polícia Federal e Polícia Civil) é o 
órgão vocacionado para realizar apuração de infrações penais comuns (artigo 144, 
parágrafos 1º e 4º), atribuição confirmada pela Lei 12.830/13 e por diversas outras 
normas. 
Considerando a evolução histórica do sistema processual penal, entendeu por 
bem o legislador constituinte separar as funções dentro da persecução penal, 
outorgando a investigação criminal a um órgão imparcial desvinculado da acusação 
e da defesa. A divisão de atribuições, portanto, nunca foi fruto de distribuição 
aleatória de poderes, mas de especialização de atividades e contenção do arbítrio 
estatal. 
Aliás, diferentemente do que pensam alguns, o modelo brasileiro de 
repartição de tarefas na persecução penal é mais avançado do que outros de 
festejados países desenvolvidos. A Constituição brasileira não permite nem que o 
Ministério Público (órgão acusador) investigue crimes, como na Espanha, nem que a 
polícia judiciária (órgão investigativo) oferte ações penais, como na Austrália. 
No Brasil existe maior limitação do poder e o cidadão não pode ser 
investigado pelo acusador nem acusado pelo investigador, ao contrário de sistemas 
alienígenas. Se na prática falta eficiência à investigação criminal (mal que também 
atinge a acusação e o julgamento), o problema decorre da falta de investimentos do 
Estado, e não do modelo em si, que nunca foi implementado em sua plenitude. 
De outro lado, a apuração de ilícitos não penais pode ser feita por diversos 
órgãos públicos. Evidentemente, a investigação não criminal é bem diferente da 
investigação criminal. Não cabe, por exemplo, a adoção de medidas cautelares 
como a prisão e a liberdade provisória, técnicas investigativas como a interceptação 
telefônica, e decisões como o indiciamento. Claro que ambas consistem em 
atividade de coleta de informações a fim de demonstrar um fato; mas os 
mecanismos e requisitos legais para essas tarefas são distintos e inconfundíveis. 
Não altera essa conclusão o fato de eventuais provas de crimes poderem 
casualmente ser colhidas nas apurações não criminais, como por exemplo uma CPI 
que angaria prova de delito de peculato praticado por parlamentar. Isso ocorre 
quando surge, no curso da investigação não criminal, indícios da prática de crime, 
hipótese em que as provas podem ser emprestadas a uma persecução penal. Fácil 
notar que o procedimento continua sendo inicial e diretamente voltado à elucidação 
24 
 
 
de ilícitos não penais, e a descoberta de vestígios delitivos não autoriza o órgão não 
policial a dar enfoque criminal à apuração como se polícia investigativa fosse (os 
elementos colhidos devem ser remetidos à polícia judiciária ou diretamente ao 
MinistérioPúblico). 
Nesse sentido, é correto afirmar que vários órgãos desenvolvem investigação 
(em sentido amplo), mas errado dizer que diversas instituições fazem investigação 
criminal. 
Podem ser mencionados como órgãos investigativos em sentido amplo (não 
criminais): Ministério Público (MP), Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), 
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central (BC), 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Conselho Administrativo de Defesa 
Econômica (Cade), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Ibama), corregedorias, Controladoria-Geral da União (CGU), 
administração tributária (Receita), particular e detetive profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Com o intuito de encerrar o presente artigo, procurou-se demonstrar de maneira 
sucinta relacionados com a investigação policial bem como as modernas técnicas de 
investigação para coleta de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva. 
Ademais, demonstrou-se também a importância da investigação policial e sua 
fundamentação jurídica, no contexto constitucional, penal, juntamente com a simetria 
da Constituição do Estado de São Paulo. 
Foram demonstrados os métodos de raciocínio investigativo, bem como a 
consciência do profissional em saber operar os sistemas ou ferramentas disponíveis 
em âmbito de atuação investigativa. 
Explanou-se também, no contexto de locais de crimes, nova tecnologia 
derivada dos sistemas de biometria: sistema AFIS e o novo instrumento de 
formalização da prática de investigação – RecogniçãoVisuográfica do Local de Crime, 
instrumento que valorizará muito o trabalho prestado pela polícia. 
O exercício da investigação policial também é um ato de cidadania, com o qual 
a Polícia Civil faz prova da existência de um crime e de sua autoria. A atividade 
investigativa deve ser realizada com conhecimento e aprimoramento e, só assim, será 
possível conseguir uma melhor apuração da verdade real dos fatos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987. 
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico – 
Século XXI. Versão 3.0. Editora Nova Fronteira &Lexikon Informática, 1999. 
 
MARQUES, José Frederico. Estudos de direito processual penal. 2ª ed. São 
Paulo: Millennium, 2001. 
 
QUEIROZ, Carlos Alberto Marchi. Manual operacional do policial civil: 
doutrina, legislação, modelos. São Paulo: Delegacia Geral de Polícia, 2002. 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003. 
 
SENASP. Curso de perícia papiloscópica em identificação humana 1. Módulo 
3, p 31 Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/304212710/23/Aula-1-Introducao-
aos-Sistemas-Biometricos. Acesso em: Acesso 31 ago. 2017 
 
SENASP. Curso de perícia papiloscópica em identificação humana 1. Módulo 
3, p 29. Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/304212710/23/Aula-1-Introducao-
aos-Sistemas-Biometricos. Acesso 31 ago. 2017 
 
SENASP/MJ. Curso de Investigação Criminal 1 – Módulo 2, p. 3 última 
atualização em 13/02/2009. Disponível 
em: https://pt.scribd.com/doc/228183235/InvestigacaoCriminal1-Completo. Acesso 31 
ago. 2017 
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico – 
Século XXI. Versão 3.0. Editora Nova Fronteira &Lexikon Informática, 1999. 
 
SENASP/MJ. Curso de Investigação Criminal 1 – Módulo 2, p. 3 última 
atualização em 13/02/2009. Disponível 
em: https://pt.scribd.com/doc/228183235/InvestigacaoCriminal1-Completo. Acesso 31 
ago. 2017 
 
MARQUES, José Frederico. Estudos de direito processual penal. 2ª ed. São 
Paulo: Millennium, 2001, p. 54. 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003, p. 
31-32 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987, p. 162. 
 
27 
 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987, p. 163 
 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003, p. 
37. 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Op. cit. p. 162. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28Público). 
Nesse sentido, é correto afirmar que vários órgãos desenvolvem investigação 
(em sentido amplo), mas errado dizer que diversas instituições fazem investigação 
criminal. 
Podem ser mencionados como órgãos investigativos em sentido amplo (não 
criminais): Ministério Público (MP), Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), 
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central (BC), 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Conselho Administrativo de Defesa 
Econômica (Cade), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Ibama), corregedorias, Controladoria-Geral da União (CGU), 
administração tributária (Receita), particular e detetive profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Com o intuito de encerrar o presente artigo, procurou-se demonstrar de maneira 
sucinta relacionados com a investigação policial bem como as modernas técnicas de 
investigação para coleta de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva. 
Ademais, demonstrou-se também a importância da investigação policial e sua 
fundamentação jurídica, no contexto constitucional, penal, juntamente com a simetria 
da Constituição do Estado de São Paulo. 
Foram demonstrados os métodos de raciocínio investigativo, bem como a 
consciência do profissional em saber operar os sistemas ou ferramentas disponíveis 
em âmbito de atuação investigativa. 
Explanou-se também, no contexto de locais de crimes, nova tecnologia 
derivada dos sistemas de biometria: sistema AFIS e o novo instrumento de 
formalização da prática de investigação – RecogniçãoVisuográfica do Local de Crime, 
instrumento que valorizará muito o trabalho prestado pela polícia. 
O exercício da investigação policial também é um ato de cidadania, com o qual 
a Polícia Civil faz prova da existência de um crime e de sua autoria. A atividade 
investigativa deve ser realizada com conhecimento e aprimoramento e, só assim, será 
possível conseguir uma melhor apuração da verdade real dos fatos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987. 
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico – 
Século XXI. Versão 3.0. Editora Nova Fronteira &Lexikon Informática, 1999. 
 
MARQUES, José Frederico. Estudos de direito processual penal. 2ª ed. São 
Paulo: Millennium, 2001. 
 
QUEIROZ, Carlos Alberto Marchi. Manual operacional do policial civil: 
doutrina, legislação, modelos. São Paulo: Delegacia Geral de Polícia, 2002. 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003. 
 
SENASP. Curso de perícia papiloscópica em identificação humana 1. Módulo 
3, p 31 Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/304212710/23/Aula-1-Introducao-
aos-Sistemas-Biometricos. Acesso em: Acesso 31 ago. 2017 
 
SENASP. Curso de perícia papiloscópica em identificação humana 1. Módulo 
3, p 29. Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/304212710/23/Aula-1-Introducao-
aos-Sistemas-Biometricos. Acesso 31 ago. 2017 
 
SENASP/MJ. Curso de Investigação Criminal 1 – Módulo 2, p. 3 última 
atualização em 13/02/2009. Disponível 
em: https://pt.scribd.com/doc/228183235/InvestigacaoCriminal1-Completo. Acesso 31 
ago. 2017 
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Eletrônico – 
Século XXI. Versão 3.0. Editora Nova Fronteira &Lexikon Informática, 1999. 
 
SENASP/MJ. Curso de Investigação Criminal 1 – Módulo 2, p. 3 última 
atualização em 13/02/2009. Disponível 
em: https://pt.scribd.com/doc/228183235/InvestigacaoCriminal1-Completo. Acesso 31 
ago. 2017 
 
MARQUES, José Frederico. Estudos de direito processual penal. 2ª ed. São 
Paulo: Millennium, 2001, p. 54. 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003, p. 
31-32 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987, p. 162. 
 
27 
 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Manual de Investigação Policial. 7ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 1987, p. 163 
 
 
ROCHA, Luiz Carlos da. Investigação Policial. São Paulo: EDIPRO, 2003, p. 
37. 
 
COBRA, Coriolano Nogueira. Op. cit. p. 162. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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