Logo Passei Direto
Buscar
Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

2 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 4 
2 CONCEITO ............................................................................................................... 5 
3 CONCEITO DE BEM ................................................................................................ 5 
4 BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS ................................................................ 6 
5 PATRIMÔNIO .......................................................................................................... 7 
6 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS ................................................................................ 9 
6.1 Bens considerados em si mesmos ...................................................................... 10 
6.1.1 Bens imóveis e bens móveis ............................................................................ 10 
6.2 Bens fungíveis e infungíveis ................................................................................ 17 
6.3 Bens consumíveis e inconsumíveis ..................................................................... 19 
6.3.1 Bens consumíveis ............................................................................................ 19 
6.3.2 Bens inconsumíveis ......................................................................................... 20 
6.4 Bens divisíveis e indivisíveis ............................................................................... 21 
6.4.1 Bens divisíveis .................................................................................................. 21 
6.4.2 Bens indivisíveis ............................................................................................... 21 
6.5 Bens singulares e coletivos ................................................................................. 24 
6.5.1 Bens singulares ................................................................................................ 24 
6.6 Bens coletivos ..................................................................................................... 24 
6.7 Universalidade de fato ......................................................................................... 25 
6.8 Universalidade de direito ..................................................................................... 25 
 
3 
 
6.9 Bens principais e acessórios ............................................................................... 26 
7 O PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA ........................................................ 27 
8 AS PERTENÇAS ................................................................................................... 31 
9 AS BENFEITORIAS ............................................................................................... 31 
9.1 Benfeitorias necessárias ..................................................................................... 34 
9.2 Benfeitorias úteis ................................................................................................. 35 
9.3 Benfeitorias voluptuárias ..................................................................................... 35 
9.4 Benfeitorias, acessões industriais e acessões naturais ...................................... 35 
10 BENS QUANTO AO TITULAR DO DOMÍNIO: PÚBLICOS E PARTICULARES 37 
10.1 Bens de uso comum do povo ............................................................................ 38 
10.2 Bens de uso especial ......................................................................................... 39 
10.3 Bens dominicais ................................................................................................ 39 
11 A INALIENABILIDADE DOS BENS PÚBLICOS ................................................. 40 
12 BENS PÚBLICOS E A NÃO SUJEIÇÃO A USUCAPIÃO ................................... 40 
13 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................... 42 
 
 
 
 
 
4 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno, 
 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
 
Bons estudos! 
 
5 
 
2 CONCEITO 
O Código Civil trata na parte geral, das pessoas, naturais e jurídicas, como 
sujeitos de direito, e trata dos bens como objeto das relações jurídicas que se formam 
entre os referidos sujeitos. Como o direito subjetivo é o poder outorgado a um titular, 
todo direito requer um objeto, por ele desenvolver o poder de fruição da pessoa. Na 
relação jurídica o objeto é tudo o que se “pode” submeter ao poder dos sujeitos de 
direito, como instrumento de realização das finalidades jurídicas. 
Esse conjunto em sentido estrito, compreende os bens objeto dos direitos reais, 
e também as ações humanas, denominadas como prestações. Já no sentido amplo, 
o objeto poderá consistir em: coisas (nas relações reais); ações humanas (prestações, 
nas relações obrigacionais); em certos atributos da personalidade, como: o direito à 
imagem. E em determinados direitos como: o usufruto de crédito, a cessão de crédito, 
a tutela, o poder familiar, etc. 
3 CONCEITO DE BEM 
No sentido filosófico, bem classifica-se como tudo que satisfaz a necessidade 
humana. Juridicamente, o conceito de coisas corresponde ao de bens, mas nem 
sempre há uma perfeita sincronização entre essas expressões. 
O conceito de “coisa” pode ser definido como gênero do qual bem é espécie. 
Ou seja, é tudo que existe objetivamente com exclusão do homem. Já “bens” são 
coisas que por serem úteis e raras são suscetíveis de apropriação, e por isso tem um 
valor econômico. Só interessam ao direito coisas suscetíveis de apropriação exclusiva 
pelo homem, as que existem em abundância no universo, como por exemplo: a água 
dos oceanos e o ar atmosférico, que deixam de ser bens em sentido jurídico. 
O Código Civil atual, utiliza sempre na parte geral a expressão bens, evitando 
o vocábulo coisa, por ser um conceito mais amplo do que o de bem. Bens, portanto, 
classificam-se como: coisas materiais, úteis ao ser humano, concretas, e de 
 
6 
 
expressão econômica, suscetíveis de apropriação. Assim como as de existência 
imaterial economicamente apreciáveis: direitos autorais, de invenção, e etc. 
São classificadas como coisas comuns, as coisas insuscetíveis de apropriação 
pelo ser humano, como por exemplo: o ar atmosférico e o mar. Não podendo ser 
objeto de relação jurídica, e sendo assim, sendo possível sua apropriação em porções 
limitadas, que tornam -se objeto do direito (gases comprimidos, água fornecida pela 
Administração Pública). 
4 BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS 
Os bens corpóreos são definidos como os bens materiais (tangíveis), e 
incorpóreos são os bens imateriais (intangíveis). Os bens corpóreos ou materiais, 
podem ser objetos de contratos de compra e venda, ao passo que os bens incorpóreos 
ou imateriais só podem ser transferidos por meio de cessão, mas não podem ser 
objetos de usucapião. 
 
Os romanos usavam como critério de distinção
a tangibilidade ou possibilidade 
de serem tocados. Porém, nos dias atuais, esse procedimento tornou-se inexato, por 
excluir coisas perceptíveis por outros sentidos, como por exemplo os gases, que não 
podem ser atingidos materialmente com as mãos, mas nem por isso deixam de ser 
 
7 
 
coisas corpóreas. Consideram-se bens materiais ou corpóreos as diversas formas de 
energia, como por exemplo: a eletricidade, o vapor, o gás, etc. 
Na lei não há dispositivo específico para a classificação dos bens corpóreos e 
incorpóreos, mas há de se destacar a sua importância, levando-se em conta que a 
relação jurídica poderá ter por objeto uma coisa de existência material, ou ter um bem 
de existência abstrata. 
Os direitos reais em geral, têm por objeto bens corpóreos. Em relação à forma 
de transferência, estes são objeto de compra e venda, ou doação, ou permuta. Quanto 
à alienação de bens incorpóreos, entretanto, se faz pela cessão (cessão de crédito, 
cessão de direitos hereditários, etc). Na cessão, se faz abstração dos bens sobre os 
quais incidem os direitos que se transferem. A expressão propriedade é mais ampla 
do que domínio, porque no direito abrange também os bens incorpóreos. 
5 PATRIMÔNIO 
Os bens corpóreos e os bens incorpóreos compõem o patrimônio da pessoa. 
Para a doutrina o patrimônio consiste nas relações jurídicas de uma pessoa que tenha 
um valor econômico, e compreendem-se no patrimônio tanto os elementos ativos, 
quanto os elementos passivos. Ou seja, os direitos de ordem privada economicamente 
apreciáveis, e as dívidas. Sendo que é a atividade econômica de uma pessoa sob o 
seu aspecto jurídico, ou a projeção econômica da personalidade civil. 
Nos bens avaliáveis em dinheiro o patrimônio se restringe, pois, nele não se 
incluem as qualidades pessoais, como por exemplo a capacidade técnica ou física, a 
força de trabalho ou o conhecimento, por serem considerados simples fatores de 
obtenção de receitas quando utilizados para esses fins, malgrado a lesão a esses 
bens possa acarretar a devida reparação. Também não integram o patrimônio as 
relações afetivas da pessoa, nem os direitos personalíssimos, públicos não 
economicamente apreciáveis e familiares, que se denominam direitos não 
patrimoniais. 
 
8 
 
No artigo 841 do Código Civil menciona que “Só quanto a direitos patrimoniais 
de caráter privado se permite a transação”. O fundo de comércio e o nome comercial 
integram o patrimônio porque são direitos, salvo a clientela que embora com valor, 
não o integra. 
Muitos autores entendem que o patrimônio da pessoa não inclui o seu passivo, 
já a doutrina, entende que abrange ele tanto o ativo como o passivo, o que constitui 
uma universalidade de direito. Sendo o patrimônio a projeção econômica da 
personalidade, e, por não se admitir a pessoa sem patrimônio, não se pode dele 
excluir as suas obrigações, ou seja, o seu lado passivo. 
Um exemplo é o art. 1.784 do Código Civil, que em sentido global estabelece 
que, “Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos 
e testamentários”. E o art. 1.997 proclama que “A herança responde pelo pagamento 
das dívidas do falecido; mas, feita a partilha, só respondem os herdeiros, cada qual 
em proporção da parte que na herança lhe coube”. 
De acordo com a teoria subjetiva ou clássica, o patrimônio é unitário e 
indivisível, por se apresentar como projeção e continuação da personalidade. Dispõe 
o seguinte o art. 91 do Código Civil: “Constitui universalidade de direito o complexo 
de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico”. 
Sobrepõe-se a importância da noção de patrimônio quando se observa que 
nela se baseia um princípio norteador do direito das obrigações: o patrimônio do 
devedor responde por suas dívidas. Com efeito, é o patrimônio do devedor que 
responde por suas obrigações e, que estabelece a garantia geral dos credores, 
independente se elas se originaram da prática de atos lícitos, assim como os contratos 
e declarações unilaterais da vontade (ou de atos ilícitos). 
Em relação ao patrimônio, há uma forte tendência no sentido de se adotar uma 
postura nova, cuja tutela jurídica precisa ter como escopo precípuo: a dignidade da 
pessoa humana. Na lei 8.009/90, e no Código Civil nos arts. 1.711 a 1.722, a proteção 
de um patrimônio mínimo vai ao encontro dessa tendência, na proteção ao bem de 
 
9 
 
família; no óbice à prodigalidade mediante a vedação da doação da totalidade do 
patrimônio, sem que se resguarde um mínimo, assim dispõe o art. 548, CC; na 
previsão da impenhorabilidade de determinados bens CPC, arts. 833 e 834; e em 
outros dispositivos que aceitam como necessária tal proteção para o desenvolvimento 
de atividade humana. 
6 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS 
A classificação é feita através de determinados critérios que tem importância 
científica, ao qual considera a inclusão de um bem em determinada categoria, e que 
implica a aplicação automática de regras (específicas e próprias), uma vez que, não 
podem ser sobrepostas as mesmas regras a todos os bens. 
Dentre esses critérios que são usados, o legislador classifica leva em conta as 
suas características particulares. Um desses critérios podem ser: as qualidades físicas 
ou jurídicas que revelam (fungibilidade, mobilidade, divisibilidade, consuntibilidade); 
as relações que guardam entre si (principais e acessórios); a pessoa do titular do 
domínio (públicos e particulares). Um bem poderá se enquadrar em mais de uma 
categoria, isso dependerá das características que ostenta. Com efeito, será possível 
determinado bem ser concomitantemente móvel e consumível, como: a moeda, imóvel 
e público (a praça). 
O Código Civil de 2002, disciplina os bens em três capítulos diferentes: 
I — Dos bens considerados em si mesmos; 
II — Dos bens reciprocamente considerados; e 
III — Dos bens públicos. 
 
 
 
10 
 
Observe abaixo o esquema de classificação esquematizada: 
 
 
6.1 Bens considerados em si mesmos 
6.1.1 Bens imóveis e bens móveis 
É considerada a classificação mais importante, por ser fundada na efetiva 
natureza dos bens. Podemos entender como imóveis (denominados bens de raiz), 
assim determina o art. 79 do Código Civil “São bens imóveis o solo e tudo quanto se 
lhe incorporar natural ou artificialmente” (BRASIL, 2002) Ou seja, são os bens que não 
 
11 
 
podem ser removidos de um lugar para outro sem que haja danificação. Podemos 
apresentar quatro categorias de bens imóveis que o Código Civil de 1916 apresentava 
como classificação: por natureza; por acessão física; por acessão intelectual; e, por 
fim, por determinação legal (art.43 e 44). 
Também há casos em que determinado bem apresenta características físicas, 
ao qual permite seu transporte de um lugar para outro sem que isso acarrete sua 
destruição, entretanto, em razão de sua destinação, é tido como bem imóvel. O art. 
80 do Código Civil de 2002, leciona que: 
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: 
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; 
II - o direito à sucessão aberta. (BRASIL, 2002) 
Os bens imóveis em geral podem ser classificados desta como: imóveis por 
natureza; imóveis por acessão natural; imóveis por acessão artificial; e imóveis por 
determinação legal. 
O mencionado código, segue a doutrina moderna, com o conceito de 
“pertença”, disposto no art. 93 que diz “São pertenças os bens que, não constituindo 
partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao 
aformoseamento de outro”. (BRASIL, 2002) 
Os bens imóveis por natureza, a rigor, somente o solo, com sua superfície, 
subsolo e espaço aéreo, é classificado imóvel por natureza, e tudo o mais que a ele 
aderir deverá ser denominado como imóvel por acessão. No art. 1.229 do CC fica 
disposto: 
Art. 1.229. A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo 
correspondentes, em altura e profundidade
úteis ao seu exercício, não 
podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por 
terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse 
legítimo em impedi-las. (BRASIL, 2002) 
 
 
12 
 
E o art. 1.230, ajustado ao art. 176 da Constituição Federal, ressalva que: 
Art. 1.230. A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais 
recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos 
arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. 
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos 
minerais de emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos 
a transformação industrial, obedecido o disposto em lei especial. (BRASIL, 
2002) 
Os bens Imóveis por acessão natural, inclui: a classe das árvores, dos frutos 
pendentes, como também todos os adjacências naturais e acessórios; e as pedras, 
as fontes e os cursos de água (superficiais ou subterrâneos), que corram 
naturalmente. Nos casos de destinação do corte de árvores, serão consideradas bens 
móveis por antecipação. 
Vale frisar, que nos casos em que tenha sido o próprio homem quem plantou a 
árvore (acessão artificial), deitando suas raízes no solo, ainda assim, são imóveis, ou 
quando a raiz não tenha brotado porque semeador intencionalmente desejava obter 
plantas que produzissem utilidades, ainda assim, a semente desde que é lançada na 
terra para germinar, é considerada incorporada ao solo. Os tesouros, mesmo que 
estejam enterrados no subsolo, não se caracterizam, por não constituírem partes 
integrantes dele, e sendo assim não serão imóveis as árvores plantadas em vasos, 
pois são removíveis. 
A natureza, também pode fazer acréscimos ao solo, que serão tratados 
juridicamente como acessórios dele. Esse fenômeno se dá pela formação de ilhas, 
avulsão, abandono de álveo, e é considerado modo originário de aquisição da 
propriedade, pelo fato de que tudo o que se incorpora a um bem fica pertencendo ao 
seu proprietário, determinado por lei no art. 1.248 do Código Civil: 
Art. 1.248. A acessão pode dar-se: 
I - por formação de ilhas; 
II - por aluvião; 
 
13 
 
III - por avulsão; 
IV - por abandono de álveo; 
V - por plantações ou construções. (BRASIL, 2002) 
Os bens Imóveis por acessão artificial ou industrial, significa a aderência de 
uma coisa à outra. Um indivíduo pode incorporar bens móveis, como por exemplo a 
partir do momento que une material de construção e sementes ao solo, pois assim 
dará origem às acessões artificiais ou industriais. As plantações e construções, 
denominam-se assim por proceder de um comportamento ativo do homem, ou seja, 
do seu trabalho (ou indústria), constitui modo originário de aquisição da propriedade 
imóvel, assim define o art. 1.253 do Código Civil “Toda construção ou plantação 
existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se 
prove o contrário.” (BRASIL, 2002) O artigo 81 dispõe: 
Acessão artificial ou industrial é o que o homem incorporar permanentemente 
ao solo, como os edifícios, a semente lançada à terra, e as construções, de maneira 
que não se possa retirar sem destruição, ou qualquer tipo de danos. Portanto, não se 
se incluem nesse conceito as construções provisórias que se destinam à retirada ou 
remoção, alguns exemplos são os parques de diversões, barracas de feiras, etc. O 
artigo 81 dispõe: 
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: 
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, 
forem removidas para outro local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se 
reempregarem. (BRASIL, 2002) 
Leva-se em consideração a finalidade da separação e a destinação dos 
materiais. Ou seja, o que é retirado de um prédio, para novamente nele incorporar 
pertencerá ao imóvel e será imóvel. O art. 84 diz que “Os materiais destinados a 
alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de 
 
14 
 
móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio”. 
(BRASIL, 2002) 
Os Imóveis por determinação denominam-se também como imóveis por 
disposição legal, ou, por determinação legal. O art. 80 do Código Civil diz 
“Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I - os direitos reais sobre imóveis e as 
ações que os asseguram; II - o direito à sucessão aberta.” (BRASIL, 2002) refere-se 
à bens incorpóreos, imateriais (direitos), que não são, em si, móveis ou imóveis. Para 
maior segurança das relações jurídicas, o legislador os considera imóveis. 
No entanto, a importância do bem móvel tem tido grande relevância nos dias 
atuais no mundo dos negócios, pelo fato da livre circulação de papéis e valores dos 
grandes conglomerados econômicos. Sendo de grande importância para a economia: 
o crédito, as energias, as ações de companhias particulares, os títulos públicos, as 
máquinas, os veículos, dentre outros. 
Dentre os efeitos práticos dessa distinção, que evidencia sua importância, 
pode-se dizer: em regra, que os bens móveis são adquiridos por simples tradição, 
enquanto o imóvel faz-se necessária à sua escritura pública e o registro no Cartório 
de Registro de Imóveis. Já a propriedade imóvel poderá ser adquirida também pela 
acessão, pela usucapião e pelo direito hereditário, e a mobiliária, pela usucapião, 
ocupação, achado de tesouro, especificação, confusão e adjunção. 
O Código Civil em seu art. 82 do Código Civil considera que “São móveis os 
bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração 
da substância ou da destinação econômico-social”. (BRASIL, 2002) Significa que se 
trata dos móveis por natureza que se dividem em semoventes e propriamente ditos 
(ambos são corpóreos). Já o art. 83 deixa claro que os demais são móveis para os 
efeitos legais, considerando que a doutrina menciona a existência de móveis por 
antecipação. 
 
 
 
15 
 
Observe o esquema da classificação dos bens móveis: 
 
As principais características dos bens móveis, se dá pelo fato de serem 
adquiridos por simples tradição, invenção ou ocupação, sem a necessidade de 
outorga uxória, de escritura pública e/ou registro; ter o lapso de prescrição aquisitiva 
inferior ao da usucapião de bens imóveis; por se sujeitarem a penhora e não a 
hipoteca; por não serem suscetíveis de direito real de superfície (porém de mútuo); e, 
por se sujeitarem ao ICMS, e nunca ao ITBI. 
Os bens móveis por natureza, são aqueles bens sem deterioração na 
substância, que podem ser transportados de um lugar para o outro, seja por força 
estranha ou própria. 
 
16 
 
 
 
Dispõe O art. 84 do Código Civil dispõe que “Os materiais destinados a alguma 
construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; 
readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio”. (BRASIL, 
2002) 
Os móveis por determinação legal estão determinados no art. 83: 
 
São classificados como bens imateriais, ao qual adquirem essa característica 
jurídica por disposição legal. Podendo ser cedido independentemente de outorga 
uxória ou marital. Estão incluídos nessa relação: o fundo de comércio, as quotas e 
ações de sociedades empresárias, os direitos do autor (Lei n. 9.610/98, art. 3º), os 
 
17 
 
créditos em geral, entre outros. A lei que dispõe sobre a propriedade industrial (Lei nº 
9.279/96) também a considera, no art. 5º, coisa móvel, envolvendo os direitos oriundos 
do poder de invenção e criação do indivíduo. 
Os direitos reais mencionados no inc. II do mencionado art. 83, alcança tanto 
os de fruição e gozo sobre objetos móveis (usufruto, propriedade, etc.), como os de 
garantia (hipoteca, penhor etc.) e também as ações a eles correspondentes. Já o 
inciso III se refere aos direitos de obrigação ou direitos pessoais, de caráter 
patrimonial, que são suscetíveis de circulação jurídica, e respectivas ações. Trata-se 
também como bens
móveis, as ações que os asseguram pelo nosso direito positivo e 
não apenas elementos tutelares dos direitos. São citadas porque o direito a elas é um 
direito material, que se inexistir, a decisão será pela ausência ou carência do direito. 
Bens móveis por antecipação, são bens incorporados ao solo, mas quando há 
intenção de separá-los oportunamente, e transforma-los em móveis (árvores 
destinadas ao corte, e frutos ainda não colhidos). Também são incluídos nesta 
categoria os imóveis que por sua ancianidade, são vendidos com a finalidade de 
demolição. 
6.2 Bens fungíveis e infungíveis 
A característica dos bens móveis é a fungibilidade. Pode ocorrer, no entanto, 
em certos negócios, a fungibilidade poderá alcançar os imóveis, como por exemplo, 
no ajuste entre sócios de um loteamento sobre eventual partilha em caso de 
desfazimento da sociedade, quando o que se retira receber certa quantidade de lotes. 
E sendo assim, será ele credor de coisas fungíveis enquanto não lavrada a escritura, 
determinadas apenas pela: espécie, quantidade e qualidade. 
O resultado da comparação entre duas coisas que se consideram equivalentes, 
é a característica da fungibilidade. São substituíveis os bens fungíveis, pelo fato de 
serem idênticos, econômica, juridicamente, e social. 
 
18 
 
 
No entanto, também poderá resultar da vontade das partes. A moeda por 
exemplo, é um bem fungível, porém, pode se tornar infungível para um colecionador. 
Um boi por exemplo é infungível, se emprestado a um amigo para serviços de lavoura, 
deverá ser devolvido. Porém, se foi destinado ao corte, poderá ser substituído por 
outro. Uma garrafa de vinho nobre e uma cesta de frutas, são bens fungíveis, mas, 
se emprestados para uma ornamentação, se transformam em infungíveis. Não 
podendo ser substituídos por outros da mesma espécie, o que configura na hipótese 
o comodato ad pompam vel ostentationem, segundo a linguagem dos romanos. 
O art. 586 do Código Civil dispõe que “O mútuo é o empréstimo de coisas 
fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa 
do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” Ou seja, o bem fungível e infungível tem 
importância prática, como dispôs o mencionado artigo. Por exemplo, na distinção 
entre mútuo, que só recai sobre bens fungíveis. E o art. 579 diz “O comodato é o 
 
19 
 
empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto.” 
(BRASIL,2002) que tem por objeto bens infungíveis. 
6.3 Bens consumíveis e inconsumíveis 
6.3.1 Bens consumíveis 
O art. 86 diserta que “São consumíveis os bens móveis cujo uso importa 
destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os 
destinados à alienação.” (BRASIL, 2002) Infere -se do conceito de que os bens podem 
ser consumíveis de fato (materialmente consumíveis ou natural), que são aqueles cujo 
uso importa destruição imediata da própria substância (como os gêneros alimentícios), 
extinguem -se pelo uso normal num só ato. 
 
 
Estas qualidades consideram-se pelo sentido econômico dos bens. A lei 8.078, 
de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), deu importante 
destaque aos bens consumíveis. Por dispor exatamente sobre as relações de 
consumo na economia de massa, visando exclusivamente à proteção do consumidor. 
 
20 
 
6.3.2 Bens inconsumíveis 
São os bens que são usados continuadamente, melhor dizendo, são os que 
permitem a utilização contínua sem a destruição da substância. A utilização mais ou 
menos prolongada acaba por consumir qualquer objeto, embora leve bastante tempo. 
Já no sentido jurídico, o bem consumível é apenas o que desaparece (acaba) com o 
primeiro uso, não sendo, portanto, juridicamente consumível a roupa, que lentamente 
se gasta com o uso ordinário. 
A influência da destinação econômico-jurídica do bem, decorre da 
consuntibilidade, podendo ser: da natureza do bem; ou da vontade das partes. A 
consuntibilidade pode resultar da vontade das partes, assim dizendo, da destinação 
econômico -jurídica que é conferida ao bem. Desse modo, o bem consumível de fato 
se tornar inconsumível pela vontade do dono, como uma garrafa de bebida rara 
emprestada para uma exposição ad pompam vel ostenta tionem, que deve ser 
devolvida. Poderá também, um bem inconsumível de fato transformar-se em 
juridicamente consumível, como por exemplo os livros, que não desaparecem pelo 
fato de serem utilizados, ou colocados à venda na prateleira de uma livraria. 
Em regra, certos direitos não podem recair, sobre os bens consumíveis, um 
exemplo é o caso do usufruto. No entanto, quando tem por objeto bens consumíveis, 
passa para a denominação de usufruto impróprio, ou quase usufruto. Nesse caso, o 
usufrutuário será obrigado a restituir, findo o usufruto, os que ainda existirem, e dos 
outros, o equivalente em gênero, quantidade e qualidade, caso não seja possível, será 
o valor estimado ao tempo da restituição, conforme dispõe o art. 1.392, § 1º do Código 
Civil: 
Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos 
acessórios da coisa e seus acrescidos. 
§ 1º Se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá 
o usufrutuário o dever de restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, 
das outras, o equivalente em gênero, qualidade e quantidade, ou, não sendo 
possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição. (BRASIL, 2002) 
 
21 
 
A consuntibilidade diz respeito ao uso a que o bem se destina, não se 
confundindo com a fungibilidade, que é o resultado da comparação entre duas coisas 
que se consideram equivalentes. Têm se confundido os dois conceitos, pois, em geral 
os bens consumíveis são fungíveis. As bebidas e os gêneros alimentícios, são 
naturalmente consumíveis e, fungíveis ao mesmo tempo. O dinheiro é fungível e 
juridicamente consumível. Entretanto, há bens fungíveis não naturalmente 
consumíveis, como móveis e livros didáticos por exemplo. 
6.4 Bens divisíveis e indivisíveis 
6.4.1 Bens divisíveis 
No que se refere à divisibilidade, os bens se classificam em: divisíveis; e 
indivisíveis. Sobre os bens divisíveis o art. 87 disserta que “Bens divisíveis são os que 
se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de 
valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. ” Portanto, são divisíveis os bens que 
podem ser partidos em porções distintas e reais, formando cada qual um todo perfeito, 
na dicção do art. 52 do Código de 1916. 
O atual Código na divisibilidade dos bens, introduziu o critério da diminuição 
considerável do valor, seguindo a melhor doutrina e por ser socialmente o mais 
defensável, no entendimento da Comissão Revisora, cujo relatório adverte que: 
 “Atente -se para a hipótese de 10 pessoas herdarem um brilhante de 50 
quilates, que, sem dúvida, vale muito mais do que 10 brilhantes de 5 quilates; 
se esse brilhante for divisível (e, a não ser pelo critério da diminuição sensível 
do valor, não o será), qualquer dos herdeiros poderá prejudicar todos os 
outros, se exigir a divisão da pedra”. (ALVES, p. 137, 1986) 
6.4.2 Bens indivisíveis 
O art. 88 do Código Civil dispõe que “Os bens naturalmente divisíveis podem 
tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes. ” (BRASIL, 
 
22 
 
2002) Desta forma, verifica-se, que os bens podem ser indivisíveis por natureza 
(indivisibilidade material ou física), que são os que não podem ser fracionados sem 
alteração na substância; diminuição de valor ou prejuízo do uso 9como um animal, um 
relógio, um quadro, um brilhante, entre outros). Podendo as obrigações também 
serem divisíveis, ou indivisíveis, conforme seja divisível ou não o objeto da prestação: 
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação 
divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, 
quantos os credores ou devedores. 
Art. 258. A obrigação é indivisível quando
a prestação tem por objeto uma 
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de 
ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. 
(BRASIL, 2002) 
 
 
 
 
 
23 
 
 
No direito, a importância da distinção entre bens divisíveis e indivisíveis, 
repercute em vários setores, principalmente no que concerne aos condomínios. Pois, 
conforme a divisibilidade ou indivisibilidade da coisa, será diferente o procedimento 
para a sua extinção, conforme dispõe os arts. 1.320 e 1.322 do Código Civil: 
Art. 1.320. A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa 
comum, respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da 
divisão. 
§ 1o Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por 
prazo não maior de cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior. 
§ 2o Não poderá exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador 
ou pelo testador. 
§ 3o A requerimento de qualquer interessado e se graves razões o 
aconselharem, pode o juiz determinar a divisão da coisa comum antes do 
prazo. 
Art. 1.322. Quando a coisa for indivisível, e os consortes não quiserem 
adjudicá-la a um só, indenizando os outros, será vendida e repartido o 
apurado, preferindo-se, na venda, em condições iguais de oferta, o 
 
24 
 
condômino ao estranho, e entre os condôminos aquele que tiver na coisa 
benfeitorias mais valiosas, e, não as havendo, o de quinhão maior. 
Parágrafo único. Se nenhum dos condôminos tem benfeitorias na coisa 
comum e participam todos do condomínio em partes iguais, realizar-se-á 
licitação entre estranhos e, antes de adjudicada a coisa àquele que ofereceu 
maior lanço, proceder-se-á à licitação entre os condôminos, a fim de que a 
coisa seja adjudicada a quem afinal oferecer melhor lanço, preferindo, em 
condições iguais, o condômino ao estranho. (BRASIL, 2002) 
6.5 Bens singulares e coletivos 
6.5.1 Bens singulares 
O art. 89 do Código Civil preceitua “São singulares os bens que, embora 
reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais”. (BRASIL, 2002) 
Portanto, serão considerados singulares pela sua individualidade, como uma 
árvore, um cavalo, uma caneta, um crédito ou um papel “verbi gratia”. A caneta só 
pode ser bem singular, pois a reunião de várias não daria origem a um bem coletivo. 
Já a árvore pode ser bem coletivo ou singular, depende como será encarada 
individualmente, ou, agregada a outras, formando assim um todo (uma floresta). 
Em espécie de bens singulares, a doutrina os classifica como simples, quando 
suas partes da mesma espécie estão ligadas pela própria natureza como um: cavalo, 
uma árvore; em compostos, quando as suas partes se acham ligadas pela indústria 
humana, como um: edifício. Ou seja, as coisas simples que formam a coisa composta, 
e mantém a sua identidade, se denominam partes integrantes. Caso percam a 
identidade, se denominam partes componentes. 
6.6 Bens coletivos 
Também são chamados de universais ou universalidades, abrangendo as 
universalidades de direito e as universalidades de fato. São os que se consideram em 
 
25 
 
conjunto por serem compostos de várias coisas singulares formando um todo, uma 
unidade, e passa a ter individualidade própria, distinta da dos seus objetos 
componentes, um ótimo exemplo é um rebanho, ou uma floresta, etc. 
6.7 Universalidade de fato 
O art. 90 do Código Civil considera “Constitui universalidade de fato a 
pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação 
unitária”. (BRASIL, 2002) Um exemplo é uma biblioteca, ou uma galeria de quadros. 
Levando em conta que determinados bens, só têm valor econômico e jurídico quando 
agregados. 
No parágrafo único do mencionado dispositivo legal acrescenta-se que “Os 
bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas 
próprias”. (BRASIL, 2002) A universalidade se distingue dos bens compostos, pelo 
fato de ser uma pluralidade de bens autônomos a que o proprietário dá uma 
destinação unitária, ao qual poderão ser alienados conjuntamente em um único ato, 
ou individualmente, como mencionado acima. 
6.8 Universalidade de direito 
O art. 91 considera que “Constitui universalidade de direito o complexo de 
relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico” (BRASIL, 2002) é a 
hipótese: do fundo de comércio, da herança, do patrimônio, etc. O que diferencia uma 
da outra é que a universalidade de fato, se apresenta como um conjunto ligado pelo 
entendimento particular, pois decorre da vontade do titular; e a de direito decorre da 
lei, ou seja, da pluralidade de bens corpóreos e incorpóreos, a que a lei para certos 
efeitos, concede caráter de unidade, como na herança, no patrimônio, na massa falida 
etc. 
 
 
26 
 
Confira o esquema abaixo: 
 
6.9 Bens principais e acessórios 
Os bens considerados uns em relação aos outros, são classificados como: 
principais e acessórios. Veja o conceito de cada um: 
 
27 
 
O art. 92 do Código Civil determina que “Principal é o bem que existe sobre si, 
abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.” 
(BRASIL, 2002) Pode existir a acessoriedade entre: coisas e direitos; pessoais ou 
reais. Os contratos de compra e venda e locação por exemplo, são principais. A 
cláusula penal e fiança neles estipuladas são acessórios. Já a hipoteca e outros 
direitos reais, são acessórios em relação ao bem ou contrato principal. 
7 O PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA 
Como regra, em consequência da mencionada distinção, o bem acessório 
segue o destino do principal acessorium sequitur suum principale. Para que tal não 
ocorra, é imprescindível que tenha sido convencionado o contrário (venda de veículo, 
convencionando-se a retirada de alguns acessórios) ou que, de modo contrário 
disponha algum dispositivo legal. Como o art. 1.284 do Código Civil, dispõe “Os frutos 
caídos de árvore do terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde caíram, se este 
for de propriedade particular”. (BRASIL, 2002) Porque os frutos pertencem ao dono 
do solo onde caírem, e não ao dono da árvore. São consequências que decorrem da 
referida regra, podendo ser apontadas: a natureza do acessório é a mesma do 
principal, se o solo é imóvel, a árvore a ele vinculada também é. Diz respeito ao 
princípio da gravitação jurídica, ao qual um bem atrai outro para sua órbita, que 
comunica seu próprio regime jurídico. 
 
 
28 
 
 
 
Sobre as diversas classes de bens acessórios, o art. 95 do Código Civil dispõe 
que “Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem 
ser objeto de negócio jurídico.” (BRASIL, 2002) 
Os produtos, basicamente, são utilidades retiradas da coisa, diminuindo a 
quantidade, porque não se reproduz periodicamente, é o caso das pedras e metais, 
que se extraem das minas e pedreiras. Que diferencia dos frutos pelo fato de a colheita 
destes não diminui o valor, nem a substância da fonte, e a daqueles, sim. 
Em matéria de usufruto, o art. 1.394 diz “O usufrutuário tem direito à posse, 
uso, administração e percepção dos frutos. ” (BRASIL, 2002) Porém, quando os 
produtos são utilidades provenientes de uma riqueza posta em atividade econômica, 
segue-se a natureza dos frutos. Por isso os produtos precisam ser tratados como 
frutos, a que tem direito o possuidor de boa-fé, assim determina o art. 1.214: 
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos 
percebidos. 
 
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé 
devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e 
custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação. 
(BRASIL, 2002) 
Já o art. 1.232 do CC prescreve “Os frutos e mais produtos da coisa pertencem, 
ainda quando separados, ao seu proprietário, salvo se, por preceito jurídico especial, 
 
29 
 
couberem a outrem.” (BRASIL, 2002) A legislação
especial transformou os minerais 
em bens principais. 
O art. 176 da Constituição Federal dispõe que “As jazidas, em lavra ou não, e 
demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem 
propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e 
pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.” 
(BRASIL, 202) Sendo assegurada ao proprietário deste, participação nos resultados 
da lavra (§ 2º) “É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da 
lavra, na forma e no valor que dispuser a lei.” (BRASIL, 2002) 
Os frutos são utilidades que uma coisa periodicamente produz, que nascem e 
renascem da coisa, e não acarreta a destruição no todo, ou em parte fructus est 
quidquid nasci et renasci potest. Como as frutas brotadas das árvores, e os vegetais 
espontaneamente fornecidos pelo solo, ou o leite dos animais, são alguns exemplos. 
Há três elementos para sua definição: a periodicidade, a inalterabilidade da substância 
da coisa principal, e a separabilidade. 
Quanto à origem os frutos se dividem em: 
 
 
30 
 
Já o art. 1.216 do Código Civil “O possuidor de má-fé responde por todos os 
frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, 
desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção 
e custeio.” (BRASIL, 2002) Ou seja, o indivíduo que possuir através de má -fé não terá 
direito aos frutos, e ainda deverá restituir os percebidos e colhidos. 
Para memorizar, observe atentamente ao quadro demonstrativo: 
 
 
 
31 
 
8 AS PERTENÇAS 
As pertenças entraram no rol dos bens acessórios no Código Civil de 2002, e 
se classifica pelos bens móveis que, não constituindo partes integrantes, como os 
frutos, benfeitorias e produtos. Os tratores destinados a uma melhor exploração de 
propriedade agrícola é um exemplo. 
Com efeito, o art. 93 do Código Civil diz: “São pertenças os bens que, não 
constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço 
ou ao aformoseamento de outro.” (BRASIL, 2002) 
No Código Civil o art. 94 distingue parte integrante, que são os frutos, produtos 
e benfeitorias, e pertenças: “ Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem 
principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da 
manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.” (BRASIL, 2002) 
No Código Civil de 1916, em seu art. 43, III, que classifica os bens imóveis por 
destinação do proprietário ou por acessão intelectual é bem parecido com o conceito 
de pertença. É objetivo e depende, consequentemente, das concepções sociais, 
sendo coisas que não formam partes integrantes e, também não são fundamentais 
para a utilização do bem principal. 
O conceito de pertença é parecido com o conceito de bens imóveis, por 
destinação do proprietário ou, por acessão intelectual do art. 43, III, do Código Civil 
de 1916. É objetivo e depende, consequentemente, das concepções sociais. Ou seja, 
são coisas que não formam partes integrantes e que também não são fundamentais 
para a utilização do bem principal. 
9 AS BENFEITORIAS 
As benfeitorias também se classificam nos bens acessórios, seja qual for o seu 
valor, assim determina o art. 96 do Código Civil: 
 
32 
 
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. 
 
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso 
habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado 
valor. 
 
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. 
 
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se 
deteriore. (BRASIL, 2002) 
Classificam-se em três grupos, desde o direito romano, as despesas ou, os que 
podem ser realizadas nas coisas: despesas ou benfeitorias necessárias impensae 
necesariae; despesas ou benfeitorias úteis impensae utiles; despesas ou benfeitorias 
de luxo impensae voluptuariae. 
Na distinção, a importância jurídica se revela principalmente nos efeitos da 
posse e no direito de retenção conforme dispõe o art. 1.219 “O possuidor de boa-fé 
tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às 
voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento 
da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias 
necessárias e úteis.” (BRASIL, 2002), Já no usufruto está prescrito nos arts. 1.392 e 
1.404, § 2º): 
Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos 
acessórios da coisa e seus acrescidos. 
 
§ 1º Se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá 
o usufrutuário o dever de restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, 
das outras, o equivalente em gênero, qualidade e quantidade, ou, não sendo 
possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição. 
 
§ 2º Se há no prédio em que recai o usufruto florestas ou os recursos minerais 
a que se refere o art. 1.230, devem o dono e o usufrutuário prefixar-lhe a 
extensão do gozo e a maneira de exploração. 
 
§ 3º Se o usufruto recai sobre universalidade ou quota-parte de bens, o 
usufrutuário tem direito à parte do tesouro achado por outrem, e ao preço 
pago pelo vizinho do prédio usufruído, para obter meação em parede, cerca, 
muro, vala ou valado. 
 
Art. 1.404. Incumbem ao dono as reparações extraordinárias e as que não 
forem de custo módico; mas o usufrutuário lhe pagará os juros do capital 
despendido com as que forem necessárias à conservação, ou aumentarem o 
rendimento da coisa usufruída. 
 
33 
 
§ 2o Se o dono não fizer as reparações a que está obrigado, e que são 
indispensáveis à conservação da coisa, o usufrutuário pode realizá-las, 
cobrando daquele a importância despendida. (BRASIL, 2002) 
Na locação fica previsto no art. 578 “Salvo disposição em contrário, o locatário 
goza do direito de retenção, no caso de benfeitorias necessárias, ou no de benfeitorias 
úteis, se estas houverem sido feitas com expresso consentimento do locador.” 
(BRASIL, 2002) A extinção do condomínio está determinada no art. 1.322: 
Art. 1.322. Quando a coisa for indivisível, e os consortes não quiserem 
adjudicá-la a um só, indenizando os outros, será vendida e repartido o 
apurado, preferindo-se, na venda, em condições iguais de oferta, o 
condômino ao estranho, e entre os condôminos aquele que tiver na coisa 
benfeitorias mais valiosas, e, não as havendo, o de quinhão maior.(BRASIL, 
2002) 
 
No direito de família (art. 1.660, IV); no direito das obrigações (arts. 453 e 878) 
e no direito das sucessões (art. 2.004, § 2º): 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
 
I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda 
que só em nome de um dos cônjuges; 
 
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho 
ou despesa anterior; 
 
III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos 
os cônjuges; 
 
IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; 
 
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, 
percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar 
a comunhão. 
 
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a 
evicção, serão pagas pelo alienante. 
 
Art. 878. Aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à 
coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto neste Código sobre 
o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso. 
Art. 2.004. O valor de colação dos bens doados será aquele, certo ou 
estimativo, que lhes atribuir o ato de liberalidade. 
 
§ 2o Só o valor dos bens doados entrará em colação; não assim o das 
benfeitorias acrescidas, as quais pertencerão ao herdeiro donatário, correndo 
 
34 
 
também à conta deste os rendimentos ou lucros, assim como os danos e 
perdas que eles sofrerem. (BRASIL, 2002) 
O art. 96, já citado acima, considera imprescindíveis
as benfeitorias que têm a 
finalidade de conservar o bem, ou, evitar que se deteriore; úteis, as que facilitam ou 
aumentam o uso do bem; e voluptuárias, as de mero deleite (ou recreio) que não 
acrescem o uso habitual do bem, mesmo que o tornem mais agradável, ou tenha valor 
elevado. 
Não tem caráter absoluto tal classificação, levando em conta que uma mesma 
benfeitoria pode se enquadrar em uma, ou, outra espécie (dependendo das 
circunstâncias). 
9.1 Benfeitorias necessárias 
Pode haver dois pontos de vista para, qualificar de necessária uma benfeitoria: 
 
 
35 
 
9.2 Benfeitorias úteis 
Para este, o conceito é negativo. São as que não se incluem (enquadram) na 
categoria de necessárias mas aumentam expressamente o valor do bem. Vale lembrar 
que são úteis, as benfeitorias que facilitam ou aumentam o uso do bem. 
9.3 Benfeitorias voluptuárias 
São as benfeitorias que só incidem em objetos de recreio e luxo, como: fontes, 
mirantes, cascatas artificiais, jardins. Bem como aquelas que não aumentam o valor 
venal da coisa no mercado em geral, ou só o aumentam em proporção insignificante, 
assim preceitua o art. 967, § 2º do Código Civil colombiano. 
9.4 Benfeitorias, acessões industriais e acessões naturais 
Não se confunde benfeitorias com acessões industriais ou artificiais, previstas 
nos arts. 1.253 a 1.259 do CC, que formam plantações e construções: 
 
Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-
se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. 
 
Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio 
exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo 
invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão 
acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área 
remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, 
pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. 
(BRASIL, 2002) 
Observe a classificação de: benfeitoria, acessões industriais e acessões 
naturais, nos quadros abaixo: 
 
36 
 
 
 
 
37 
 
Com tal característica, caso o trabalho seja empregado em matéria prima 
alheia, contrairá sua propriedade aquele que a transformou (modificou), e 
consequentemente se tornará dono da espécie nova, desde que o valor seja maior 
(exceda) o da matéria-prima. Sendo assim, não se classificam como benfeitorias ou 
bens acessórios a pintura em relação à tela e a escultura por exemplo, assim 
determina o art. 1.270, § 2º do Código Civil: 
Art. 1.270. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma 
precedente, será do especificador de boa-fé a espécie nova. 
 
§ 2o Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, 
escritura e outro qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a 
espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder 
consideravelmente o da matéria-prima. (BRASIL, 2002) 
Sendo assim, nos casos de confecção de obras de artes quando o valor da 
mão de obra exceder consideravelmente o preço da matéria-prima, existirá um 
interesse social em preservá-la, e, em prestigiar o trabalho do artista. O que configura 
a aquisição da propriedade móvel. 
 
10 BENS QUANTO AO TITULAR DO DOMÍNIO: PÚBLICOS E PARTICULARES 
O artigo 98 considera que “São públicos os bens do domínio nacional 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são 
particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem”. (BRASIL, 2002) Já o art. 99 
do Código Civil, determina: 
Art. 99. São bens públicos: 
 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço 
ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou 
municipal, inclusive os de suas autarquias; 
 
 
38 
 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de 
direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas 
entidades. 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais 
os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha 
dado estrutura de direito privado. (BRASIL, 2002) 
Ou seja, conforme o mencionado artigo, os bens públicos classificam-se em 
três categorias: bens de uso comum do povo, bens de uso especial e bens dominicais. 
Vale destacar que os bens de uso comum e os bens de uso especial, são bens de 
domínio público do Estado. 
10.1 Bens de uso comum do povo 
São os bens utilizados por qualquer pessoa, sem qualquer formalidade. O 
Código Civil menciona: os rios, os mares, as estradas, praças e ruas, em seu art. 99, 
I, do Código Civil, como citado acima. Se o poder público o tornar oneroso ou 
regulamentar seu uso, não perderão essa característica, instituindo cobrança de 
pedágio, como dispõe o art. 103 “O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito 
ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja 
administração pertencerem” (BRASIL, 2002). A administração também pode vedar ou 
restringir o seu uso, em virtude da segurança nacional ou só pelo interesse público, 
por exemplo interditando uma estrada, ou proibindo o trânsito em determinado local. 
É permitido ao povo o uso de tais bens, mas sem o direito de seu domínio, pois 
este pertence à pessoa jurídica de direito público, tendo características especiais que 
lhe confere a guarda, fiscalização e administração dos referidos bens. Podendo ainda, 
reivindicá-los. 
Contudo, foram afastadas as doutrinas que negavam a existência do direito de 
propriedade do Estado em relação aos bens do domínio público. Passou a ser adotar 
a tese da propriedade pública que não é em sua essência diferente da propriedade 
privada. Mas a existência da afetação dos bens, lhe imprime algumas características 
particulares. 
 
39 
 
10.2 Bens de uso especial 
São os bens utilizados exclusivamente pelo poder público, que se destinam à 
execução dos serviços públicos, como os edifícios onde estão instalados os serviços 
públicos (das autarquias e os órgãos da administração), as repartições públicas, as 
secretarias, ministérios, etc. (art. 99, II, do Código Civil). 
10.3 Bens dominicais 
Os bens dominicais ou do patrimônio disponível, constituem-se o patrimônio 
das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito real ou pessoal de 
cada entidade, assim determina o art. 99, III, do Código Civil “São bens públicos: III - 
os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, 
como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades”. (BRASIL, 
2002) 
O poder público exerce poderes de proprietário sobre eles, incluindo nessa 
categoria: as terras devolutas; estradas de ferro; as oficinas; e as fazendas 
pertencentes ao Estado. 
Os bens dominicais se não estiverem afetados a sua finalidade pública 
específica, poderão ser alienados por meio de institutos de direito privado ou, de 
direito público. Desde que observadas as exigências da lei no art. art. 101 do Código 
Civil “Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da 
lei”. (BRASIL, 2002) São do domínio privado do Estado os bens dominicais. 
Contudo, se afetados a finalidade pública específica, não poderão ser 
alienados, caso contrário, poderão ser alienados por meio de institutos do direito 
privado, que se encontram no comércio jurídico de direito privado, e de direito público. 
O parágrafo único do art. 99 do Código Civil, diz que podem ser alienados pelos 
institutos típicos do direito civil, como se pertencessem a um particular qualquer. 
 
40 
 
11 A INALIENABILIDADE DOS BENS PÚBLICOS 
O art. 100 do Código Civil disserta que “Os bens públicos de uso comum do 
povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, 
na forma que a lei determinar”. (BRASIL,
2002) Os bens mencionados, apresentam 
características da inalienabilidade e, como consequência desta, a imprescritibilidade, 
impossibilidade de oneração e a impenhorabilidade. Não sendo absoluta a 
inalienabilidade, a não ser aos que por sua própria natureza, são insuscetíveis de 
valoração patrimonial. 
Desafetação é uma alteração da destinação de um bem, que visa incluir os 
bens de uso comum do povo, ou os bens de uso especial (na categoria de bens 
dominicais), para permitir a alienação, nos termos das regras do Direito Administrativo. 
Necessita ser feita por lei ou, por ato administrativo. 
A alienabilidade é característica dos bens dominicais e não é absoluta, por 
poder perdê-la pelo instituto da afetação (ato ou fato pelo qual um bem passa da 
categoria de bem do domínio privado do Estado para a categoria de bem do domínio 
público). 
A afetação e a desafetação podem ser: expressas, que decorrem de ato 
administrativo ou de lei; e tácitas, que resultam de atuação direta da administração, 
sem a manifestação expressa de sua vontade, ou, de fato da natureza. 
12 BENS PÚBLICOS E A NÃO SUJEIÇÃO A USUCAPIÃO 
O art. 102 do Código Civil dispõe ainda que “Os bens públicos não estão 
sujeitos a usucapião.” (BRASIL, 2002) Nesse sentido, proclamava anteriormente a 
Súmula 340 do Supremo Tribunal Federal (STF) “Desde a vigência do Código Civil, 
os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por 
usucapião”. Hoje essa discussão se encontra totalmente superada. Foi uma discussão 
que outrora ocorreu no País, a respeito da possibilidade de bens públicos serem 
 
41 
 
contraídos por usucapião, mormente os dominicais, dado que a Constituição de 1988 
veda expressamente nos arts. 183, § 3º, e 191, parágrafo único, tal possibilidade. 
Tanto no que concerne os imóveis urbanos como os rurais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
13 BIBLIOGRAFIA 
ABREU FILHO, José. O negócio jurídico e sua teoria geral. 5. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2003. 
AGUIAR DIAS, José de. Da responsabilidade civil. 4. ed. 1960. Rio de Janeiro: 
Forense; 10. ed. 1997. 
ALMEIDA COSTA, Mário Júlio. Direito das obrigações. 9. ed. Coimbra: Almedina, 
2001. 
ALVES, Jones Figueirêdo. Novo Código Civil comentado. Coord. De Ricardo Fiúza. 
São Paulo: Saraiva, 2002. 
ALVES, José Carlos Moreira. A Parte Geral do Projeto do Código Civil brasileiro. 
São Paulo: Saraiva, 1986. 
ANDRADE, Manuel A. Domingues de. Teoria geral da relação jurídica. Coimbra: 
Livr. Almedina, 1974. v. 2. 
AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico. Existência, validade e eficácia. 
4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
AZEVEDO, Fábio de Oliveira. Direito civil: introdução e teoria geral. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2009. 
BESSONE, Darcy. Direitos reais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1996. 
BETTI, Emilio. Teoria geral do negócio jurídico. Tradução de Fernando de Miranda. 
Coimbra: Coimbra Ed., 1969. t. 1. 
BRASIL. Código Civil Brasileiro, 13ª ed., SP, Saraiva, 1998. 
BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro 1990. 
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 
 
43 
 
BRASIL. Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. 
BRASIL. Lei nº 8.009, de 29 de março de 1990. 
BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. 
BULOS, Uadi Lammêgo. Constituição Federal anotada. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 
2002. 
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 
2002. v. 1 e 2. 
FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito civil: teoria geral. 7. 
ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008. 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito das coisas. São Paulo: Saraiva, 2003. 
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 
2009. 
PEREIRA, Lafayette Rodrigues. Direito das coisas. São Paulo: Freitas Bastos, 1943, 
v. 1.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina