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1 CONFORTO AMBIENTAL E ENERGÉTICA EM CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA ........................................................................................................................... 2 1. Conforto Ambiental, desafio para engenheiros e arquitetos. ...................................................... 3 1.1- Insolação e Energética................................................................................................................. 5 1.1.1 - Implantação ............................................................................................................................ 6 1.1.2 - Orientação e tamanho das aberturas ...................................................................................... 7 1.1.3 - Caixilhos .................................................................................................................................. 7 1.2 - Proteção dos ventos ................................................................................................................... 8 1.3 - Massa térmica das vedações ...................................................................................................... 9 1.3 - Ventilação Natural e Energética ................................................................................................11 1.3.1 - Ventilação cruzada .................................................................................................................11 1.3.2 - Efeito chaminé .......................................................................................................................12 1.3.3 - Inércia térmica .......................................................................................................................12 1.3.4 - Manta de subcobertura ..........................................................................................................13 1.3.5 - Pisos frios ...............................................................................................................................13 1.4 - Acústica arquitetônica ...............................................................................................................13 1.5 – Energia Solar e Iluminação ........................................................................................................18 1.5.1 – Energia Solar Fotovoltaica ...............................................................................................18 1.5.2 - Iluminação .............................................................................................................................19 1.5.2.1 - O Sol e os Edifícios. ..............................................................................................................19 1.5.2.2 - Controle da incidência dos raios solares no interior das construções. ..................................20 1.5.2.3 - Aproveitamento ótimo da iluminação natural. ....................................................................21 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................23 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 1. Conforto Ambiental, desafio para engenheiros e arquitetos. Sem dúvida, o principal objetivo de qualquer arquiteto ou engenheiro é a satisfação plena de seu cliente, antes, durante e após a execução da obra. Quando se trata em proporcionar o máximo de satisfação possível ao usuário, o Conforto Ambiental é tido como um dos principais objetivos da Engenharia e da arquitetura. Visando esse objetivo é que arquitetos, engenheiros e construtores estão mudando sua forma de pensar, projetar e construir. O conceito de Conforto Ambiental em Arquitetura e Urbanismo está ligado à questão básica de se proporcionar aos assentamentos humanos as condições necessárias de habitabilidade, utilizando-se racionalmente os recursos disponíveis. Trata-se de fazer com que o produto arquitetônico corresponda - conceitual e fisicamente - às necessidades e condicionantes do meio ambiente natural, além do social, cultural e econômico de cada sociedade. O Conforto Ambiental compreende o estudo das condições térmicas, acústicas, luminosas e energéticas e os fenômenos físicos a elas associados como um dos condicionantes da forma e da organização do espaço”, explica Virgínia Araújo (2010) 4 A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN, que há 30 anos desenvolve sua trajetória profissional e acadêmica voltada para a área de Conforto Ambiental deixa bem claro que essa tarefa não é simples. Todo engenheiro ou arquiteto deve ser capaz de projetar considerando as especificidades climáticas do local, a luz natural, o conforto ambiental e a eficiência energética como parâmetros de projeto arquitetônico, enfocando o desenvolvimento bioclimático sustentável. “Conhecer as condições ambientais e visitar o local do projeto são fundamentais para se ter uma noção correta de todas as particularidades como percepção dos ventos, percurso do sol, ruídos acústicos e vegetação, por exemplo. Posteriormente, com as simulações feitas em softwares a partir dos dados obtidos no local, temos como ter uma visão bem próxima da realidade e, assim podemos fazer os ajustes necessários antes que a obra seja executada”, destaca Virgínia Araújo. Segundo a professora, a maior preocupação do arquiteto e do engenheiro deve existir na fase inicial do projeto, anterior à execução. Conforto Ambiental e Eficiência Energética estão intimamente ligados, e se executados de forma correta podem gerar até 70% de economia de energia, sendo assim um dos grandes desafios para engenheiros e arquitetos. Com o tipo de vidro correto, por exemplo, pode-se controlar a luz e o calor no interior das edificações, gerando assim um conforto térmico e luminoso. Já para o conforto acústico é necessário que os projetos de estrutura, caixilharia, ar condicionado e interiores sejam compatibilizados, otimizando assim o Conforto Ambiental. “Quando planejado na fase de projeto o Conforto Ambiental se torna mais eficiente e mais barato”, enfatiza Virgínia Araújo. Para o Engenheiro e o Arquiteto, o cliente é uma peça-chave nesse conceito de Conforto Ambiental, pois é dele que deve partir a exigência necessária na hora da execução do projeto. Entretanto, em vários casos, é a expectativa do cliente que induz o arquiteto a executar a obra de forma inadequada, fugindo do padrão ideal da arquitetura. “Muitos clientes utilizam projetos de residência, por exemplo, que são desenvolvidas para o Sul do país e simplesmente pedem um projeto semelhante, esquecendo que aquela região possui características climáticas diferente das do 5 Nordestedo Brasil. A estética, em muitos casos, é mais relevante”, declara a professora e arquiteta. O envoltório e o entorno das edificações são determinantes do Conforto Ambiental. O desenvolvimento de um projeto deve ultrapassar o método da tentativa e do erro e deve ser capaz de garantir o comportamento necessário e esperado. Um detalhe deve ser destacado: o projeto deve estar adequado ao meio, já que o inverso não é possível. 1.1- Insolação e Energética Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz, arquitetos formados pela FAU-USP e sócios do escritório Forte Gimenes Marcondes Ferraz O inverno se aproxima e, em várias regiões do país, traz baixas temperaturas. Como estamos em um país tropical, é natural que as nossas construções estejam mais adaptadas ao clima quente do que ao frio. Desde a faculdade, engenheiros e arquitetos estudam muito mais as soluções para resfriar os ambientes do que para aquecê-los. O fato é que não existe no país uma cultura de garantir o conforto térmico das edificações também no inverno. Por isso, é comum ouvir habitantes de países europeus dizer que São Paulo é a cidade em que eles mais passaram frio na vida. É a mais fria? Sem dúvida, não. Mas nossas construções estão pouco adaptadas para os dias de inverno, ao contrário do que acontece em seus países de origem. 6 Foto: Ambiente de Ladeira. Para pensarmos numa construção eficiente do ponto de vista térmico devemos, em primeiro lugar, prestar atenção na possibilidade de utilizar o aquecimento passivo. Isso nada mais é do que aproveitar a radiação solar para esquentar a nossa casa e, uma vez que o calor esteja lá dentro, tentar segurá-lo o máximo de tempo possível. Nesse sentido é importantíssimo prestarmos atenção para alguns fatores como, implantação, orientação e tamanho das aberturas, os caixilhos, proteção dos ventos e a massa térmica (o corpo) da construção. 1.1.1 - Implantação Quanto maior o terreno, mais fácil é implantar a casa de forma que a maior parte dos ambientes seja banhada pelo sol. Em terrenos de dimensões menores essa tarefa é mais difícil e frequentemente há os vizinhos fazendo sombra (isso é fácil ver isso em piscinas de prédios, onde, a partir de certo horário, não tem mais sol). O mesmo acontece com as residências. Quanto menos sol bater diretamente na construção, mais difícil será aquecê-la. Tente implantar sua casa em uma posição na 7 qual os vizinhos não façam sombra pelo menos durante uma parte do dia. Cheque a orientação do seu terreno e analise o movimento do sol, que nasce a leste e se põe a oeste. Evite ficar muito colado na porção sul do seu vizinho: provavelmente o sol não atingirá essa fachada, causando umidade na parte de fora ou de dentro da sua parede. 1.1.2 - Orientação e tamanho das aberturas Ao analisar a orientação do seu terreno e o movimento do sol, veja que na maior parte do Brasil o sol vai de leste a oeste passando mais a norte. Ou seja, a fachada norte é a que recebe mais sol durante o dia, principalmente no inverno. A fachada sul, ao contrário, recebe mais sol no verão (quando queremos deixá-lo bem longe) e quase nada de sol no inverno. É por esse motivo que não é incomum apartamentos com fachada para o sul valerem menos do que imóveis iguais, só que voltados para o norte. Logo, oriente as aberturas de sua casa de modo que ela possa pegar sol pela manhã e pela tarde nos diferentes ambientes e evite ambientes abertos unicamente para o sul. O tamanho destas aberturas é também muito importante: quanto maiores as janelas, mais claros e ensolarados ficarão os seus ambientes. 1.1.3 - Caixilhos Um fator crítico para o conforto térmico da casa são os caixilhos. Nos países em que o inverno é rigoroso, é comum encontrarmos caixilhos pesados e com vidros duplos ou triplos, cujo isolamento é perfeito. No Brasil, a qualidade desses elementos em geral é muito baixa. As peças são mal acabadas, não fecham direito. Com isso é comum nos dias frios sentirmos que o vento está dentro da nossa casa mesmo com 8 as janelas fechadas. As frestas nas janelas são grandes vilãs do resfriamento de uma casa. O ar frio da noite entra rapidamente dentro dos ambientes, resfriando-os e acabando com o seu esforço de aquecer a casa durante o dia. Ao comprar caixilhos e esquadrias, não leve apenas o preço em consideração. Observe o acabamento, o encaixe entre as peças, certifique-se de que o isolamento é adequado. 1.2 - Proteção dos ventos Da mesma forma que é um grande aliado para refrescar a sua casa no verão, o vento é um grande vilão do resfriamento no inverno. Desta forma, veja como se defender dele quando necessário. Foto: Projeto para se defender até de furacões Ao construir, verifique a orientação dos ventos predominantes e posicione corretamente as aberturas, que devem, sempre que possível, poder ser fechadas. Uma prática bastante eficiente para manter a temperatura da sua casa agradável é ficar atento para a temperatura no interior e no exterior da sua casa. Durante o dia, é normal a temperatura externa ser maior que a interna. Assim, abra as janelas, levante as cortinas, deixe o sol e o ar quente entrar (se estiver muito frio, mas ensolarado, deixe apenas o sol entrar). A sua casa será aquecida mais rapidamente. 9 Após o sol se pôr, a temperatura externa diminui rapidamente. Feche, portanto, as janelas quando o sol ainda estiver se pondo e conserve o calor absorvido no interior da sua casa. 1.3 - Massa térmica das vedações Esse item é extremamente importante. Quanto maior a massa térmica de uma construção, mais isolante ela será. Para visualizar melhor, pense num contêiner ou numa barraca de camping. São construções muito leves. Um pouquinho de sol no início da manhã já é suficiente para deixar o interior desses espaços quentes como um forno. Entretanto, poucos minutos após o cair do sol num dia frio, parece que vamos congelar dentro deles. O fato é que há pouca massa nessas construções e, portanto, elas são muito pouco isolantes. Uma construção pesada, com paredes espessas, entretanto, conservam muito mais o calor. Experimente entrar em uma igreja antiga num dia bastante quente ou num dia extremamente frio. Verá que em seu interior a temperatura é, no mínimo, agradável. Foto: Edifícios em fase de revestimento e outro já acabado com massa térmica. 10 Isso acontece porque construções mais pesadas tendem a possuir uma inércia térmica maior, ou seja, demoram mais para acompanhar a flutuação de temperatura do ambiente externo. No Brasil as construções com inércia térmica média funcionam bastante bem, pois acumulam calor durante o dia e liberam à noite fazendo com que a sua casa não seja nem muito quente durante o dia, nem gelada à noite. Lembre-se ainda da cobertura – da mesma forma que as coberturas muito leves fazem com que a casa esquente muito no verão, elas permitem o rápido resfriamento no inverno. Por isso vale pensar na cobertura como a quinta fachada a sua casa. Uma vez pensado o aquecimento passivo (mais confortável, mais eficiente, mais econômico e sustentável, já que não gastamos nenhuma energia que não seja a do sol), podemos pensar em alguns sistemas mecânicos de aquecimento: os populares aquecedores elétricos a óleo ou a gás. Há vários equipamentos no mercado, analise criteriosamente com os especialistas a melhor opção. Os aquecedores elétricos são de fácil instalação, já que normalmente basta ligá-los numa tomada. Esses equipamentos, entretanto, consomem muita energia e é importante que as instalações elétricas suportem a carga demandada. Os a gás demandam uma infra-estrutura mais complexa, mas são bastante eficientes com um consumo menor de energia. Existem ainda sistemas de aquecimento de piso, equipamentos portáteis e as máquinas de ar-condicionadocom opção de ar quente. Para a escolha correta é importante considerar as características de cada alternativa e também as do seu uso. Por fim é importante considerarmos que não vivemos sempre no frio. Aliás, na maior parte do tempo, temos de lidar com o calor. Por isso, soluções eficientes para o inverno podem ser um tiro no pé durante o verão. Grandes aberturas sem proteção para o oeste (pôr do sol) significam uma casa aquecida no inverno e insuportavelmente quente e ofuscante no verão. Uma casa em que o ar não circula pode ser agradável no inverno, mas é péssima nos dias de calor. Há ainda locais do país, como São Paulo, em que vemos num mesmo dia temperaturas acima de 25 graus ao meio dia e abaixo de 10 graus à noite. 11 Consulte sempre que possível um profissional da área para que a sua casa seja confortável durante todo o ano e pense em soluções flexíveis, como aberturas que podem ser fechadas e brises móveis, entre outras soluções. 1.3 - Ventilação Natural e Energética Algumas soluções simples de arquitetura podem ajudar muito a fazer uma casa mais fresca para aguentar nosso verão brasileiro, que varia do tropical (sudeste) ao equatorial (norte). Muitas soluções não exigem investimentos muito maiores que os convencionais, nem consumo de energia elétrica, são simplesmente utilização inteligente de materiais convencionais. 1.3.1 - Ventilação cruzada Sempre que puder, abra janelas em posições opostas da casa. Isso facilita a troca de ar e aumenta a velocidade interna do ar (brisa), que dá sensação térmica mais agradável à pele. 12 1.3.2 - Efeito chaminé Foto: Esquema do efeito Chaminé Se puder fazer aberturas em posições mais altas dos ambientes, a temperatura interna se reduz. Isso acontece porque o ar quente tende a subir, e se houver uma posição de escape para ele, a renovação de ar tende a roubar calor do ambiente. 1.3.3 - Inércia térmica Quanto mais “pesada” uma parede, mais tempo ela demora para se aquecer. Isso é bom para paredes que recebem muito calor por radiação solar. Mas o “peso” da parede não é suficiente se o material também não tiver boa inércia térmica. Os melhores materiais para isso são o barro e a cerâmica. Por isso as casas antigas, feitas de tijolo maciço de barro, com paredes de 25 a 35 cm de espessura eram mais frescas. O mesmo vale para a cobertura. Telhados feitos com telhas de barro ajudam a refrescar o ambiente. 13 1.3.4 - Manta de subcobertura Existem hoje mantas para colocar por baixo das telhas, que além de ajudar a impedir a passagem de água, protegem o volume da ar abaixo das telhas da elevação de temperatura por radiação solar. Prefira mantas que permitam a passagem ascendente de vapor d’água para evitar mofo e proteger melhor o madeiramento do telhado. Uma laje de cobertura também ajuda muito a isolar o volume de ar quente dos ambientes da casa. 1.3.5 - Pisos frios Pisos em pedra e cerâmica roubam calor do ambiente. Para casas em regiões cujo clima seja predominantemente quente, são altamente recomendáveis, mas para áreas internas. Áreas externas podem receber pedras com alto índice de vazios, como pedra Goiás ou São Tomé, muito utilizadas em áreas de piscinas. 1.4 - Acústica arquitetônica A acústica arquitetônica é a área da acústica que se destina ao estudo do condicionamento acústico de ambientes como salas de concerto, salas de aula, teatros, igrejas, salas de conferência, escritórios, etc. O estudo de acústica de salas compreende tanto a caracterização acústica de ambientes já existentes através de técnicas experimentais, quanto o projeto e simulação acústica de novos recintos através de modelos computacionais. Outra frente de pesquisa é a avaliação subjetiva da acústica dos ambientes, feita através de entrevistas com os usuários de tais ambientes. Tais entrevistas podem ainda ser combinadas com medições e simulações computacionais de forma a correlacionar dados objetivos com dados subjetivos. Basicamente é possível dizer que um ambiente pode ter suas características acústicas descritas por sua "resposta ao impulso". A resposta ao impulso de um ambiente, entre uma fonte sonora e um receptor, é composta pelo som direto 14 (caminho direto entre fonte sonora e receptor) e pelas reflexões que a onda sonora sofre (no palco, paredes laterais, teto, piso, etc), como mostrado na Figura 1a. Tais reflexões são distribuídas ao longo do tempo e sua densidade tende a aumentar a medida que o tempo passa (Figura 1b). A amplitude de cada reflexão é controlada pela distância percorrida pelo raio sonoro e pelas características de absorção das superfícies do ambiente que este encontra. Desta forma, na distribuição temporal da densidade de energia sonora, pode-se distinguir três regiões: som direto (composto pelo raio sonoro que percorre o caminho direto entre fonte e receptor), primeiras reflexões (compostas pelas reflexões que chegam ao receptor em até 50-80 [ms]) e a cauda reverberante (composta pelas reflexões finais). (A) – Auditório. http://www.eac.ufsm.br/pesquisa/areas-de-atuacao/REF.jpg?attredirects=0 15 (B) – Reflctograma. Figura 1 - (A) - Modelo computacional de um auditório mostrando uma das reflexões que atinge o ouvinte no fundo; (B) - Reflectograma típico de uma sala mostrando as três regiões descritas. Através do cálculo do modelo computacional ou de um experimento é possível obter a resposta impulsiva entre fonte e receptor (Figura 2). A análise da resposta impulsiva permite a extração de diversos parâmetros acústicos da sala como: Tempos de reverberação (T20, T30, T60): tempo que a energia sonora leva para decair 60 dB a partir do momento em que a fonte sonora cessa de emitir som, Early Decay Time (EDT): tempo que a energia sonora leva para cair os primeiros 10 dB a partir do momento em que a fonte sonora cessa de emitir som, Claridade (C80): expressa uma razão entre a energia sonora contida nas primeiras reflexões (até 80 [ms]) pela energia sonora contida no restante da resposta impulsiva, Índice de transmissão da fala (STI): um índice calculado a partir da resposta impulsiva que expressa o grau de inteligibilidade da fala no ambiente, Fração de Energia Lateral (LEF): expressa uma razão entre a energia sonora que atinge o ouvinte lateralmente (entre 5-80 [ms]) pela energia sonora que atinge o mesmo vinda de todas as direções (entre 0-80 [ms]), http://www.eac.ufsm.br/pesquisa/areas-de-atuacao/Reverberation_25.jpg?attredirects=0 16 Early Support (ST_Early): expressa a razão entre a energia sonora das primeiras reflexões pela energia sonora do som direto para uma resposta impulsiva gravada no palco a 1 [m] da fonte sonora, entre outros. Figura 2 - Resposta impulsiva entre uma fonte e um receptor em um ambiente; em verde a resposta impulsiva da orelha esquerda e em vermelho a resposta impulsiva da orelha direita. As respostas impulsivas (entre diversas posições de fonte e receptor em uma sala) podem ser determinadas tanto experimentalmente como através de um modelo computacional. No caso do uso do modelo computacional (Figura 1a), utiliza-se um software que usa como dados de entrada: a geometria precisa da sala, elementos aplicados às paredes, teto, piso, etc, os coeficientes de absorção e difusão acústicos das diversas superfícies que compõe o ambiente (paredes, colunas, mobília, absorvedores e difusores), as posições e direcionalidades das fontes sonoras e as posições e o modelo de audição dos receptores (o último usado para fins de auralização). Através de um algoritmo baseado em teoria acústica o software calcula as diversas respostas impulsivas da sala, de onde se extraem os parâmetros acústicos objetivos. De posse da resposta impulsiva é também possível fazer a audiçãode como um instrumento musical ou uma pessoa falando soariam na sala real (processo chamado de auralização). O sinal audível é gerado através da convolução da resposta http://www.eac.ufsm.br/pesquisa/areas-de-atuacao/ht.jpg?attredirects=0 17 impulsiva com um sinal gravado em câmara anecóica (sem reverberação). O uso de modelos computacionais permite que o projetista altere a posição de absorvedores, difusores ou mesmo a geometria da sala sem custos, possibilitando uma otimização da resposta acústica da sala na fase de projeto. No caso da medição experimental da resposta impulsiva (Figura 3) uma fonte sonora omnidirecional (dodecaedro) é usada para excitar a sala com um ruído de banda larga (sweep ou ruído branco). A resposta é captada por um microfone omnidirecional (bi-direcional ou bi-auricular, dependendo do parâmetro acústico desejado) em uma dada posição. Através da de-convolução entre a pressão sonora medida pelo microfone e o sinal de excitação fornecido à sala, consegue-se obter a resposta impulsiva da mesma. Figura 3 – Equipamentos utilizados em Ensaio experimental para se obter uma resposta impulsiva de uma sala. http://www.eac.ufsm.br/pesquisa/areas-de-atuacao/tr_lab.JPG?attredirects=0 18 1.5 – Energia Solar e Iluminação 1.5.1 – Energia Solar Fotovoltaica Os sistemas fotovoltaicos são capazes de gerar energia elétrica através das chamadas células fotovoltaicas. As células fotovoltaicas são feitas de materiais capazes de transformar a radiação solar diretamente em energia elétrica através do chamado “efeito fotovoltaico”. Hoje, o material mais difundido para este uso é o silício. O efeito fotovoltaico acontece quando a luz solar, através de seus fótons, é absorvida pela célula fotovoltaica. A energia dos fótons da luz é transferida para os elétrons que então ganham a capacidade de movimentar-se. O movimento dos elétrons, por sua vez, gera a corrente elétrica. As células fotovoltaicas podem ser dispostas de diversas formas, sendo a mais utilizada a montagem de painéis ou módulos solares. Além dos painéis fotovoltaicos, também se utilizam filmes flexíveis, com as mesmas características, ou até mesmo a incorporação das células em outros materiais, como o vidro. As diferentes formas com que são montadas as células se prestam à adequação do uso, por um lado maximizando a eficiência e por outro se adequando às possibilidades ou necessidades arquitetônicas. Esquema do funcionamento da Energia solar. http://media.neosolar.com.br/images/saiba-mais/energia-solar-fotovoltaica-grid-tie.jpg 19 Quanto aos sistemas fotovoltaicos, estes podem ser divididos em dois grandes grupos: sistemas isolados (off-grid) e sistemas conectados à rede (grid-tie). Os sistemas isolados são aqueles que não se integram a rede elétrica e geralmente são utilizados em locais remotos ou onde o custo de acesso a rede é maior que o custo do próprio sistema. Normalmente estes sistemas utilizam bateria para armazenar a energia. Já os sistemas conectados à rede servem como qualquer outra forma de geração de energia que utilizamos a partir da rede elétrica e são utilizados como substitutos destas outras fontes de energia. Neste caso não há necessidade de armazenamento. 1.5.2 - Iluminação 1.5.2.1 - O Sol e os Edifícios. A localização, a orientação e a forma de uma construção devem ser definidas de maneira a tirar o máximo proveito da radiação solar desde um ponto de vista higiênico, psicológico e de acondicionamento térmico. O excesso ou a falta da radiação do sol é prejudicial à saúde e ao edifício e dependem fundamentalmente da posição de tal edificação relativamente à trajetória solar e das características climáticas da região onde ela está situada. A forma e a orientação do edifício devem então ser definidas de maneira a propiciar o equilíbrio entre os períodos de baixas temperaturas - inverno - quando se faz necessário o máximo de radiação solar, e os períodos de altas temperaturas - verão - quando tal radiação deve ser evitada. No Brasil, de maneira geral, a orientação Norte é a mais recomendada pois no verão a altura do sol nessa orientação possibilita, com a utilização de recursos arquitetônicos adequados, o sombreamento da fachada, e, no inverno, por ter o sol uma trajetória mais baixa, permite que os raios solares atinjam em maior profundidade, os ambientes internos 20 1.5.2.2 - Controle da incidência dos raios solares no interior das construções. Foto: Fachada de Casa que se utiliza da luz natural. Sendo, a janela, a separação mais tênue entre o exterior e o interior de uma construção é por isso sua parte mais sensível à ação direta do sol. Assim, a proteção delas frente a radiação solar direta é de importância fundamental para a manutenção de padrões aceitáveis de conforto térmico no interior do edifício. É necessário, portanto, que o projeto considere cuidadosamente o sombreamento da edificação. Dentre os dispositivos para dar sombra - atenuando a elevação da temperatura interna durante o dia - o quebra-sol ou brise-soleil é um dos mais eficientes. A sua utilização correta baseia-se no estudo da insolação no local onde será construída a edificação. A partir daí são determinados os períodos em que a radiação solar será admitida no interior do edifício, e aqueles em que será rechaçada. Os quebra-sóis são então projetados de forma a alcançar tal seletividade. 21 Foto: Fachada de Edifício aplicação de quebra-sóis. 1.5.2.3 - Aproveitamento ótimo da iluminação natural. A necessidade de iluminação e ventilação de grandes espaços cobertos, nos quais as janelas nas fachadas já não eram suficientes, levou à busca de soluções que permitissem a obtenção daqueles benefícios através da cobertura. Várias soluções se tornaram clássicas, como o "shed", ainda hoje utilizado em galpões e fábricas, por exemplo. Tal solução, dada a incidência com maior intensidade da luz natural sobre superfícies inclinadas ou horizontais, permite a obtenção de uma iluminação interior uniforme. 22 Foto: Vista lateral/fundos de casa que se utiliza da luz natural. Esse resultado é obtido através de aberturas proporcionalmente menores do que aquelas situadas nas fachadas; a solução favorece ainda a ventilação e o fluxo de ar no interior da edificação. A Prefeitura do Município de São Paulo/Brasil, por exemplo, permite a redução das aberturas destinadas à insolação e ventilação de ambientes, quando através de abertura zenital. Com a popularização de novos materiais e o desenvolvimento de sistemas construtivos menos complexos, a possibilidade de utilização de aberturas zenitais passou a ser viável para qualquer tipo de edificação. Nesse sentido, já é bastante conhecido o domo de acrílico, de instalação bastante simples e que exige, em contrapartida, uma limpeza frequente para que seja mantido o seu padrão de desempenho. 23 REFERÊNCIAS ABILUX (MASCARÓ, J, MASCARÓ L) - Iluminação - Uso Racional De Energia Elétrica Em Edificações, ABILUX, 1992. ABNT NBR 15220-1:2005 – Desempenho térmico de edificações Parte 1: definições , símbolos e unidades; ABNT; Rio de Janeiro, 2005 Academia Brasileira de Letras - Dicionário ilustrado da Língua Portuguesa; Ed. Bloch; RJ, 1986. AGUESSE, P. - Chaves da Ecologia; Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1972. BAHIA,S., guedes, P.;Thomé,m.;la rovere,a . Modelo para elaboração de código de obras e edificações; IBAM/DUMA, 1997 BARROSO-KRAUSE, C.; SANTOS, M. J. O.; NIEMEYER, M. L.; PORTO, M. M. Bioclimatismo no projeto de arquitetura: dicas de projeto. Apostila de Conforto Ambiental para graduação - FAU/UFRJ: Rio de Janeiro, 2005. BARROSO-KRAUSE, C. Coberturas, conforto higrotérmico, edificações; ponderações e propostas para clima tropical úmido em situação de verão; tese de mestrado, PROARQ/FAU/UFRJ, 1990BARROSO-KRAUSE, C. La climatisation naturelle: modélisation des objets architecturaux, aide à la conception en climat tropical ; tese de doutorado, cenerg/ENSMP/França, 1995 BARROSO-KRAUSE, C. et al.; Maia, José Luiz Pitanga, coordenador. Manual de prédios eficientes em energia elétrica. Editora: IBAM/ELETROBRAS/PROCEL. Rio de Janeiro-RJ. Ano: 2002. 338,32 (CDD 15.ed.) BITTENCOURT, Leonardo; CÂNDIDO, Christina. Introdução à ventilação natural. 2ed. rev. e ampl. – Maceió: EDUFAL, 2006. CETUR - Centre d’Études des Transportes Urbaines. Bruit et Formes Urbaines - Propagation du Bruit Routier dans les Tissus Urbaines. França: Ministère de l’Urbanisme et du Logement. 1981. Chatelet,A .;FERNANDEZ,P.;LAVIGNE,P. Architecture climatique: une contribuition au développement durable. Concepts et dispositifs, Ed. EDISUDAix-en-Provence, França, 1998 COMITE D'ACTION POUR LE SOLAIRE: e-mail SUNNIE.WATT@utopia.fnet.fr