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MEIO AMBIENTE & 
SUSTENTABILIDADE
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
(organizadores)
Patos - PB
2017
MEIO AMBIENTE & 
SUSTENTABILIDADE
MEIO AMBIENTE & 
SUSTENTABILIDADE
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
(organizadores)
Patos - PB
2017
Ficha Catalográfica
Catalogação na Fonte
Santos, José Ozildo dos. Meio ambiente & sustentabilidade. 
/ José Ozildo dos Santos; Rosélia Maria de Sousa 
Santos. - Patos - PB, Grupo de Estudos Avançados 
em Desenvolvimento Sustentável do Semiárido – 
GEADES, 2017.
116p.
 
E-book 
1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. 3. Estratégias 
e Promoção. I. Título. 
CDU: 616-083
Francisco das Chagas Leite, Bibliotecário. CRB -15/0076
Byte Systems - Soluções Digitais
Editoração Eletrônica - contato@bssd.com.br
APRESENTAÇÃO
Sem dúvida alguma, o meio ambiente e a sua sustentabilidade são temas 
que estão presentes nas discussões de todos os contextos do mundo atual. A 
partir da Conferência de Estocolmo, realizada no início da década de 1970, as 
questões ambientes ganharam projeção. Antes, restritas a um grupo seleto de 
intelectuais, hoje é tema abordado com frequência nas salas de aula da Educação 
Básica. E estas abordagens constantes têm contribuído para uma mudança de 
comportamento.
Atualmente, uma significativa parcela da sociedade já possui uma consciência 
ecológica formada e não somente desenvolve esforços visando à preservação 
do meio ambiente como também adota práticas sustentáveis, exige a efetivação 
de políticas públicas ambientais e já fez opção pelo consumo sustentável. 
Entretanto, apesar desses avanços muito ainda há para ser feito. A consciência 
ecológica necessária para garantir que as gerações futuras tenham acesso a um 
meio ambiente saudável, precisa ser coletiva, fato que demonstra a necessidade 
do desenvolvimento constantes de práticas pedagógicas e de iniciativas que 
promovam a sustentabilidade.
Mais do que nunca a escola tem à sua frente um grande desafio. Se antes 
sua missão constituía-se apenas em instruir o educando e capacitá-lo para 
o exercício da cidadania, agora ela também tem a missão de ensiná-lo a 
preservar e a valorizar o meio ambiente. E, se essa missão for executada com 
responsabilidade, compromisso é ética, estamos dando os primeiros passos 
em direção a construção de uma consciência ambiental coletiva, simplesmente, 
porque a educação muda ao mesmo tempo que completa o ser humano.
Nesse processo, além da promoção da Educação Ambiental é de suma 
importância que haja também o desenvolvimento de iniciativas, a exemplo das 
fontes alternativas de energia e das práticas ambientais. Estas últimas, devem 
estar mais presentes no contexto empresarial, modificando os processos de 
produção, reduzindo a poluição e evitando que resíduos não sejam lançados 
fora de maneira inadequada, gerando impactos ambientais. É preciso que o ser 
humano tenha a consciência de que a preocupação com o meio ambiente não 
se limita apenas ao ar: existe também a necessidade de se preservar os solos, 
de se evitar a destruição das florestas [responsáveis por abrigarem inúmeras 
espécies de nossa biodiversidade] e, de se manter os cursos d’água. No processo 
de promoção da sustentabilidade, os recursos hídricos também necessitam de 
atenção, o que se traduz no desenvolvimento de um processo de gestão, que 
privilegie as particularidades locais.
Prof. José Ozildo dos Santos
O presente livro é uma iniciativa da equipe que compõe o Grupo de Estudos 
Avançados em Desenvolvimento Sustentável do Semiárido [GEADES] e 
condensa resultados de vários trabalhos desenvolvidos e colocados em prática 
no contexto acadêmico, além de outros frutos de revisões bibliográficas. 
Assim, de forma bastante objetiva, esta coletânea mostra a necessidade de uma 
conscientização ambiental, discute os problemas ambientais gerados pelos 
resíduos provenientes da produção artesanal de queijos e, demonstra o quanto é 
necessária a gestão ambiental dos recursos hídricos.
No que diz respeito à Educação Ambiental, o tema é tratado em três capítulos 
distintos. No primeiro, se discute a percepção ambiental acerca do bioma 
Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública paraibana. No segundo, 
mostra-se que a sala de aula também pode ser um espaço para as discussões 
relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina. E, no terceiro, 
enfatiza-se como os professores do interior do Estado da Paraíba trabalham tal 
temática.
Quanto à preservação e à sustentabilidade ambiental, os autores abordam a 
importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a conservação 
e preservação das florestas, discutem estratégias para a promoção da 
sustentabilidade, apresentando como a biomassa pode ser aproveitada na 
produção de briquetes. Ainda encontrou-se espaços para se discutir o programa 
de aquisição de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar e, se mostrar 
que os mapas conceituais podem dar uma grande contribuição ao ensino da 
biologia, tornando a aula mais interessante.
Desta forma, por contemplar várias particularidades e discutir com 
responsabilidade temas bastante importantes no contexto atual, tenho certeza 
que o presente trabalho será bem acolhido pela comunidade acadêmica e pelo 
público em geral. Uma boa leitura!
Sumário
CAPÍTULO I - Uma abordagem sobre os problemas ambientais 
gerados pelos resíduos de uma queijaria
Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo dos Santos, Leandro Machado da 
Costa, José Rivamar de Andrade, Douglas da Silva Cunha, Jessiane Dantas 
Fernandes, Patrício Borges Maracajá
CAPÍTULO II - A gestão ambiental dos recursos hídricos
Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo dos Santos, Leandro Machado da 
Costa, José Rivamar de Andrade, Douglas da Silva Cunha, Jessiane Dantas 
Fernandes, Patrício Borges Maracajá
CAPÍTULO III - A necessidade de uma nova conscientização 
ambiental: A educação ambiental como prática
Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo dos Santos, Jessiane Dantas 
Fernandes, José Rivamar de Andrade, Douglas da Silva Cunha, Altevir Paula 
de Medeiros
CAPÍTULO IV - A importância dos levantamentos florístico e 
fitossociológico para a conservação e preservação das florestas
Alan Del Carlos Gomes Chaves, Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo 
dos Santos, José Rivamar de Andrade, Douglas da Silva Cunha, Jessiane 
Dantas Fernandes, Patrício Borges Maracajá
CAPÍTULO V - Uma abordagem sobre a utilização dos mapas 
conceituais no ensino de biologia
Fabiano Batista Lima, Jessiane Dantas Fernandes, Rosélia Maria Sousa 
Santos, José Ozildo dos Santos, Altevir Paula de Medeiros
CAPÍTULO VI - O programa de aquisição de alimentos e o 
fortalecimento da agricultura familiar 
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, Mônica Justino da 
Silva, Juliana Gomes de Melo, Patrício Borges Maracajá, José Rivamar de 
Andrade, Douglas da Silva Cunha, Aline Carla de Medeiros
CAPÍTULO VII - Produção e utilização de briquetes no Brasil
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, Leandro Machado da 
Costa, Patrício Borges Maracajá, Douglas da Silva Cunha, José Rivamar de 
Andrade, Altevir Paula de Medeiros
1
11
23
33
41
53
63
CAPÍTULO VIII - Análise da percepção ambiental acerca do bioma 
Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública do município 
de Patos, Paraíba
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo dos 
Santos Segundo, Vanessa Costa Santos, Jessiane Dantas Fernandes, Douglas 
da Silva Cunha, Altevir Paula de Medeiros
CAPÍTULO IX - Sustentabilidade: Discutindo estratégias para sua 
promoção
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, Vanessa da Costa 
Santos, José Rivamar de Andrade, Jessiane Dantas Fernandes, Douglas da 
Silva Cunha, Décio Carvalho Lima
CAPÍTULO X - A sala de aula como espaço para as discussões 
relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina 
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, Vanessa da Costa 
Santos,dos recursos do meio para 
satisfazer suas necessidades.
Ainda segundo Quintas (2001): 
[...] o esforço da educação ambiental deveria ser 
direcionado para a compreensão e a busca de superação 
das causas estruturais dos problemas ambientais por meio 
da ação coletiva e organizada. Segundo essa percepção, a 
leitura da problemática ambiental realiza-se sob a ótica da 
complexidade do meio social e o processo educativo deve 
pautar-se por uma postura dialógica, problematizadora, 
comprometida com transformações estruturais da sociedade 
e de cunho emancipatório. Aqui se acredita que ao participar 
do processo coletivo de transformação da sociedade a pessoa 
também se estará transformando.
Nesse sentido, a Educação Ambiental não somente é vista como uma 
ferramenta de mudanças, mas como um instrumento construtor da própria 
consciência humana, capaz de fazer do ser humano um construtor/fiscal de um 
mundo, no qual nas ações relacionadas ao desenvolvimento econômico, sejam 
sempre pautadas na sustentabilidade.
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
30
Diante desta realidade, entende Meller (1997) que “a Educação Ambiental 
não deve ser uma disciplina, mas uma expressão relacionada ao campo 
pedagógico que reflete a interdisciplinaridade de conteúdos de diferentes 
áreas do conhecimento, devendo permear o currículo escolar como um Tema 
Transversal”. 
Uma das propostas implantada pelo MEC, nos Parâmetros Curriculares 
Nacionais é que, além de informações e conceitos, a escola e seus professores, se 
proponham a trabalhar com atitudes, formação de valores, e também o ensino e 
a aprendizagem de habilidades e procedimentos (BRASIL, 1997).
No Brasil, a Educação Ambiental foi assumida como obrigação constitucional. 
Assim, considerando que o processo educativo pode contribuir para a superação 
do quadro atual de degradação da natureza, a escola, enquanto instituição, deve 
está preparada para incorporar a temática ambiental em seu currículo. Pois, 
esta “ainda é o lugar mais adequado para trabalhar a relação homem-ambiente-
sociedade, sendo um espaço adequado para formar um homem novo, crítico 
e criativo, com uma nova visão de mundo que supere o antropocentrismo” 
(MELLER, 1997).
Apesar de alguns avanços, a política federal para a Educação Ambiental ainda 
carece de maior articulação entre os setores governamentais e não governamentais, 
para que políticas específicas sejam efetivamente implementadas.
Diante da atual situação, o Brasil está longe de resolver adequadamente a 
questão ambiental, uma vez que os brasileiros foram deseducados quanto à 
compreensão dos problemas do Meio Ambiente.
Em síntese, a educação ambiental como uma ação destinada a reformular 
comportamentos humanos, pode proporcionar a conscientização para a 
preservação do meio ambiente, por ser “um processo educativo fundamental 
para garantir um ambiente sadio para todos os homens e todas as formas de 
vida” (TOZONI-REIS, 2004).
3 ConsIderações FInaIs
No contexto escolar, a Educação Ambiental possui uma grande importância, 
apesar de sua introdução ser recente. No entanto, a mesma deve continuar além 
da escola. Diante desta realidade, vê-se a importância que tal disciplina ocupa na 
formação do aluno. Pois, ela possibilita uma visão cidadão de vida.
O processo educativo tem que acompanhar a evolução da concepção sobre o 
papel da escola, suas relações com a sociedade e com a mudança das exigências 
do mundo. Por isso, a Educação Ambiental não deve ser uma disciplina isolada: 
ela deve envolver todo o contexto escolar.
Por isso, trabalhar a Educação Ambiental a partir de eixos temáticos, exige 
do professor pesquisa, trabalho em equipe, criatividade, entre outros atributos. 
A princípio, isto pode provocar atitudes de medo, insegurança, recusa e, até 
mesmo, insatisfação e indisponibilidade. No entanto, é um trabalho que precisa 
ser feito.
A necessidade de uma nova conscientização ambiental: A educação ambiental como prática
31
Uma missão dessa natureza exige, por parte do professor uma redefinição 
de seu papel, de sua forma de trabalho. É importante que ele reconheça que a 
Educação Ambiental é complexa, sendo necessário várias áreas do conhecimento 
humano para lhe dar o suporte necessário, ou seja, as condições teóricas e 
metodológicas necessárias à sua efetivação.
A educação ambiental, tratada como tema transversal, deverá ser desenvolvida 
como uma prática educativa integrada, contínua e permanente. A educação 
ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, 
mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de 
avaliação e participação dos educandos. 
A educação ambiental trata de uma mudança de paradigma que implica 
tanto uma revolução científica quanto política. A educação ambiental, não 
somente pode educar para a cidadania, como também pode contribuir para a 
coletividade consciente de seu papel como responsável pela preservação do 
mundo que habita.
Esta, deve considerar o Meio Ambiente em sua totalidade, levando em conta 
a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o 
enfoque da sustentabilidade. 
Assim, a Educação Ambiental deve promover o desenvolvimento de uma 
compreensão integrada do Meio Ambiente, em suas múltiplas e complexas 
relações, envolvendo todos os aspectos da vida humana. 
As dificuldades que se colocam para a Educação Ambiental, enquanto prática 
dialógica e crítica, são a falta de recursos, alegada pela maioria dos professores da 
escola pública e as falhas no processo de formação para atuar como educadores 
ambientais, verificadas pelos professores de ambas as redes de ensino. 
Se toda comunidade escolar não se sensibilizar com as questões 
socioambientais, vivenciadas cotidianamente, não haverá mudança de 
comportamento. Este é o papel do educador ambiental: sensibilizar as pessoas 
para que elas interiorizem os seus problemas mais próximos e adotem atitudes 
para solucioná-los. 
No entanto, a Educação Ambiental não é a solução para todos os problemas 
ambientais, pois estes têm suas raízes em questões econômicas, políticas, dentre 
outras, e que há conflitos de interesses entre os vários setores envolvidos. 
Apesar disso, não se pode negar que a Educação Ambiental se constitui em 
um movimento ético e histórico de suma importância para a construção de 
uma consciência ambiental natural e cultural. Desta forma, percebe-se que a 
dificuldade em se estabelecer uma prática adequada de Educação Ambiental 
não se limita apenas aos fatores estruturais. 
4 reFerênCIas 
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente e saúde. Secretaria 
de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
32
FIGUEIREDO, Sandra Araújo. Proposta curricular: educação ambiental. Brasília: 
MEC, 2004.
GUIMARÃES, Roberto P. A ética da sustentabilidade e a formulação de 
políticas de desenvolvimento: Um debate sócio ambiental no Brasil. São 
Paulo: Fundação Perseu Abrano, 2001.
LEFF, E. Saber Ambiental: Sustentabilidade, racionalidade, complexidade, 
poder. 2 Ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
MEDINA, N. Mininni; SANTOS, E. C. Educação ambiental: Uma metodologia 
participativa de formação. Petrópolis: Vozes, 2000.
MELLER, C. B. Educação ambiental como possibilidade para superação da 
fragmentação do trabalho escolar. In: Espaços da Escola, Itajaí, v. 4, n. 26, p. 
39-49, 1997.
MORAIS, Carlos Antônio de. Meio ambiente: questões atuais. São Paulo: Nova 
Era, 2002.
QUINTAS, José Silva. Educação ambiental e cidadania: uma construção 
necessária. In: Ciclo de palestras sobre meio ambiente. Brasília: MEC/SEF, 
2001, p. 41-46.
SOUZA, Geraldo O. C. Cidade, meio ambiente e modernidade. In: SPOSITO, 
M. E. B. (Org.). Urbanização e cidades: perspectivas geográficas. Presidente 
Prudente: GASPERR, 2001. p. 253-279. 
TOZONI-REIS, M. F. C. Educação ambiental: natureza, razão e história. 
Campinas-SP: Autores Associados, 2004, p. 172.
VIOLA, Eduardo. O movimento ecológico no Brasil (1974-1986),do ambientalismo 
à ecopolítica. In: J. Augusto Pádua (org.) Ecologia e política no Brasil. Rio de 
Janeiro, Ed. Espaço e Tempo. 1987.
A importância dos levantamentos 
florístico e fitossociológico para
a conservação e preservação das florestas
Alan Del Carlos Gomes Chaves 
Rosélia Maria de Sousa Santos 
José Ozildo dos Santos
José Rivamar de Andrade
Douglas da Silva Cunha
Jessiane Dantas Fernandes
Patrício Borges Maracajá
1 Introdução
Na atualidade, a conservação da biodiversidade representa um dos 
maiores desafios, em função do elevado nível de perturbações antrópicas dos 
ecossistemas naturais, existentes no Brasil. Nesse contexto, os estudos sobre a 
composição florística e a estrutura fitossociológica das formações florestais são 
de fundamental importância, pois oferecem subsídios para a compreensão da 
estrutura e da dinâmica destas formações, parâmetros imprescindíveis para o 
manejo e regeneração das diferentes comunidades vegetais.
Nesse contexto, vem ganhando espaço a fitossociologia, que pode ser 
definida como sendo a ciência das comunidades vegetais ou o conhecimento da 
vegetação em seu sentido mais amplo. Ela serve para explicar os fenômenos que 
se relacionam com a vida das plantas dentro das unidades ecológicas. 
No cenário atual, a fitossociologia é considerada uma valiosa ferramenta 
na determinação das espécies mais importantes dentro de uma determinada 
comunidade. Através dos levantamentos fitossociológicos é possível estabelecer 
graus de hierarquização entre as espécies estudadas e avaliar a necessidade de 
medidas voltadas para a preservação e conservações das unidades florestais.
O presente artigo de revisão tem por objetivo mostrar que os conhecimentos 
florístico e fitossociológico das florestas são fundamentais para a conservação e 
preservação destas formações.
2 revIsão de LIteratura
2.1 Fitossociologia: Conceito 
A Fitossociologia envolve o estudo de todos os fenômenos que se relacionam 
com a vida das plantas dentro das unidades sociais. Ela retrata o complexo 
vegetação, solo e clima.
Alan Del Carlos Gomes Chaves et al.
34
Inúmeras são as definições existentes para o termo Fitossociologia. Afirma 
Martins (1989), que no Congresso Internacional de Botânica de Paris, realizado 
em 1954, Guinochet, Lebrun e Molinier apresentaram uma definição para o 
termo Fitossociologia, que foi mundialmente aceita. Para aqueles pesquisadores, 
a Fitossociologia poderia ser entendida como o estudo das comunidades vegetais 
do ponto de vista florístico, ecológico, corológico e histórico.
Segundo Rodrigues e Gandolfi (1998), a Fitossociologia é o ramo da Ecologia 
Vegetal que procura estudar, descrever e compreender a associação existente 
entre as espécies vegetais na comunidade, que por sua vez caracterizam as 
unidades fitogeográficas, como resultado das interações destas espécies entre si 
e com o seu meio.
Para Martins (1989), a Fitossociologia envolve o estudo das inter-relações 
de espécies vegetais dentro da comunidade vegetal no espaço e no tempo, 
referindo-se ao estudo quantitativo da composição, estrutura, funcionamento, 
dinâmica, história, distribuição e relações ambientais da comunidade vegetal, 
sendo justamente esta ideia de quantificação que a distingue de um estudo 
florístico.
Acrescenta ainda aquele autor que a Fitossociologia apoia-se muito na 
Taxonomia Vegetal e tem estreitas relações com a Fitogeografia e com as Ciências 
Florestais.
Na atualidade, a Fitossociologia é o ramo da Ecologia Vegetal mais 
amplamente utilizado para diagnóstico quali-quantitativo das formações 
vegetacionais. Vários pesquisadores defendem a aplicação de seus resultados 
no planejamento das ações de gestão ambiental como no manejo florestal e na 
recuperação de áreas degradadas.
Nesse sentido, afirmam Kageyama et al. (1992), que os estudos fitossociológicos 
relacionados à caracterização das respectivas etapas sucessionais em que 
as espécies estão presentes, seja na regeneração natural ou em atividades 
planejadas para uma área degradada, apontam possibilidades de associações 
interespecíficas e de estudos em nível específico sobre agressividade, propagação 
vegetativa, ciclo de vida e dispersão, dentre outros. 
Por sua vez, Barbosa et al. (1989), ressaltam a importância que os estudos 
quali-quantitativos, aliados aos estudos fitogeográficos, ecológicos e fenológicos, 
possuem na elaboração de modelos para recuperação de áreas degradadas, mais 
especificamente nas florestas ciliares.
Segundo Andrade (2005), a Fitossociologia pode contribuir muito 
positivamente para o ordenamento e gestão de ecossistemas. 
No entanto, essa contribuição poderá ser tanto maior quanto mais sinergias 
produzirem com ciências ecológicas afins. Somente quando se alia e se aplica ao 
Urbanismo, ao Paisagismo, ao Conservacionismo, à Agricultura, à Silvicultura, 
à Cinegética, à Silvopastorícia, à Apicultura, ao Ecoturismo e à Engenharia do 
Ambiente, é que a Fitossociologia ganha foros de ciência aplicada com um papel 
interdisciplinar.
A importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a conservação e preservação das florestas
35
Deve-se reconhecer que a Fitossociologia possui um papel importante no 
embasamento de programas de gestão ambiental, como nas áreas de manejo 
e recuperação de áreas degradadas. Ademais, as análises florísticas permitem 
comparações dentro e entre formações florestais no espaço e no tempo, 
gera dados sobre a riqueza e diversidade de uma área, além de possibilitar a 
formulação de teorias, testar hipóteses e produzir resultados que servirão de 
base para outros estudos.
2.2 O desenvolvimento da fitossociologia no Brasil
A metodologia de estudos fitossociológicos nasceu na Europa, sendo que nas 
Américas desenvolveram-se técnicas de análise quantitativa e a Fitossociologia 
teve seu maior enfoque nos estudos do componente arbóreo das florestas 
(MARTINS, 1989). A dinâmica de populações de plantas teve sua síntese 
efetuada em 1977, a partir do trabalho de John L. Harper (Population biology of 
plants), no qual se estabelece esta área de pesquisa como ciência consolidada. 
Acrescenta ainda Martins (1989), que no Brasil, o Instituto Oswaldo Cruz 
realizou os primeiros estudos fitossociológicos com o objetivo de conhecer 
melhor a estrutura florestal e obter informações de combate às epidemias.
Esses estudos começaram a ter caráter acadêmico, com enfoques ecológicos, 
quando o pesquisador Stanley A. Cain, da Universidade de Michigan (EUA) 
veio ao Brasil com o objetivo de aplicar os conceitos e métodos fitossociológicos, 
que foram desenvolvidos para florestas temperadas, às florestas tropicais. Deste 
estudo resultou numa publicação, que é um dos principais textos didáticos de 
Fitossociologia da vegetação brasileira e o primeiro sobre a vegetação tropical.
Nesse sentido, informa Mantovani (2005, p. 14) que:
A Fitossociologia no Brasil teve seus primeiros trabalhos 
efetuados na década de 40, mas somente na década de 80 
se firmou como uma área de pesquisa das mais relevantes 
em ecologia, com massa crítica de trabalhos que permitiram 
bons diagnósticos de parte da estrutura de diversos biomas 
brasileiros, principalmente o cerrado e as matas ciliares, 
estacional semidecidual e pluvial tropical.
No Brasil, a partir da década de 1980, alguns grupos de estudos começam 
a interpretar os resultados das pesquisas desenvolvidas pela UNICAMP, 
embasadas nas características fisiológicas ou de dispersão das espécies, 
classificando-as quanto à exigência de luz ou à síndrome de dispersão.
Até pouco tempo atrás, pouco se sabia acerca da flora da maioria dos biomas 
do território brasileiro, já que poucos eram os trabalhos de levantamentos 
florísticos amplos. O desenvolvimento da Fitossociologia mudou essa realidade. 
Dado ao desenvolvimento recente desta linha de pesquisa em todo o mundo, os 
trabalhos desenvolvidos no Brasil têm acompanhado o nível dos trabalhos sobre 
os biomas estrangeiros, exceto nos modelos específicos paracada região.
Alan Del Carlos Gomes Chaves et al.
36
2.3 Os parâmetros fitossociológicos
A caracterização fitossociológica das florestas pode ser feita mediante a 
observância de vários parâmetros fitossociológicos. Nesses ecossistemas, a 
vegetação está relacionada com alguns fatores do meio (climáticos, edáficos e 
bióticos), dando como resultado distintas classificações de tipo ecológico.
De acordo com Rodrigues e Gandolfi (1998) a análise dos parâmetros 
quantitativos de uma comunidade vegetal, permite ainda inferências sobre a 
distribuição espacial de cada espécie.
Segundo Oliveira e Amaral (2004), dentre os parâmetros fitossociológicos, 
podem ser estimados os seguintes: 
I - Densidade absoluta por Área proporcional (DA): representa o número 
médio de árvores de uma determinada espécie, por unidade de área. A unidade 
amostral comumente usada para formações florestais é um hectare (10.000m2). 
A fórmula é a seguinte: 
i
i
n U
DA
A
⋅
=
Onde:
ni = número de indivíduos da espécie i;
A = área total amostrada, em m2
U = Unidade amostral (ha)
II - Densidade Relativa (DR): é definida como a porcentagem do número 
de indivíduos de uma determinada espécie em relação ao total de indivíduos 
amostrados.
n 100
DR
⋅
Onde:
ni = número de indivíduos da espécie i;
N = número total de indivíduos 
III - Frequência Absoluta (FA): é a porcentagem de unidades de amostragem 
com ocorrência da espécie, em relação ao número total de unidades de 
amostragem.
Onde:
PI = número de parcelas ou pontos de amostragem em que a espécie ocorreu; 
P = Número total de parcelas ou pontos de amostragem
i
i
P 100
FA
P
⋅
=
A importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a conservação e preservação das florestas
37
IV - Frequência relativa (FR): é obtida da relação entre a frequência absoluta de 
cada espécie e a soma das frequências absolutas de todas as espécies amostradas.
i
i
FA 100
FR
FAZ
⋅
=
V - Frequência absoluta (FA) = é a porcentagem de unidades de amostragem 
com ocorrência da espécie, em relação ao número total de unidades de 
amostragem.
i
i
P 100
FA
P
⋅
=
Onde:
PI = número de parcelas ou pontos de amostragem em que a espécie ocorreu;
P = Número total de parcelas ou pontos de amostragem.
VI - Dominância: é definida como a taxa de ocupação do ambiente pelos 
indivíduos de uma espécie. Quando se emprega o método de parcelas, pode 
ser expressa pela área basal total do tronco ou pela área de coberturas da copa 
(ou seu diâmetro ou seu raio) ou ainda pelo número de indivíduos amostrados. 
Para comunidades florestais, a dominância geralmente é obtida através da área 
basal que expressa quantos metros quadrados a espécie ocupa numa unidade de 
área. Os valores individuais de área basal (A) podem ser calculados a partir do 
perímetro ou do diâmetro:
2 2
i i
p d nAB ou AB
4 4
⋅
= =
π
Onde:
ABi = área basal individual da espécie
p = perímetro;
d = diâmetro
VII - Dominância Absoluta: (DoA): é calculada a partir da somatória da área 
basal dos indivíduos de cada espécie.
i
i
AB U
DoA
A
⋅
=
VIII - Dominância relativa (DoR): representa a relação entre a área basal total 
de uma espécie e a área basal total de todas as espécies amostradas.
iAB
DoR 100
ABT
 = × 
 
Alan Del Carlos Gomes Chaves et al.
38
Onde:
ABi = é a área basal de cada indivíduo da espécie;
ABT = é a soma das áreas basais de todas as espécies
IX - Índice de valor de importância (IVI): representa em que grau a espécie 
se encontra bem estabelecida na comunidade e resulta em valores relativos já 
calculados para a densidade, frequência e dominância, atingindo, portanto, 
valor máximo de 300.
i i i iIVI DR DoR FR= + +
X - Índice de valor de cobertura (IVC): é a soma dos valores relativos e 
dominância de cada espécie, atingindo, portanto, valor máximo de 200.
i i iIVC DR DoR= +
XI - Índice de Diversidade: usado para se obter uma estimativa da 
heterogeneidade florística da área estudada. Entre os diversos índices existentes, 
comumente usa-se o de Shannon-Weaver (H’).
( )i iH ' P ln P= ⋅∑
Onde:
Pi = ni/N em que n é o número de indivíduos da espécie e N é o número total 
de indivíduos.
ln = logaritmo neperiano
XII - Equabilidade de Pielou
máx
H 'J
H
=
Onde:
Hmáx = ln (S)
S = número de espécies amostradas
Rodrigues e Pires (1988) definem densidade como sendo o número de 
indivíduos de cada espécie dentro de uma associação vegetal. Tal parâmetro 
é sempre referido numa unidade de superfície, geralmente em hectare. Por 
sua vez, Vieira (1987), acrescenta que as espécies com a mesma abundância, 
nem sempre têm a mesma importância numa comunidade vegetal, devido às 
diferentes distribuições que podem apresentar.
Por essa razão, quando se faz um inventário fitossociológico de floresta 
é necessário interpretar os valores de abundância ou caracterizar outros 
parâmetros que, combinados com a densidade, possam completar o estudo. 
A importância dos levantamentos florístico e fitossociológico para a conservação e preservação das florestas
39
Entre estes, pode-se citar a frequência, que mede a regularidade da distribuição 
horizontal de cada espécie sobre o terreno, ou seja, a sua dispersão média. Por 
sua vez, a dominância é a medida da projeção total do corpo das plantas.
A densidade, a dominância e a frequência são dados estruturais que revelam 
aspectos essenciais na composição florísticas das florestas. No entanto, a análise 
da vegetação é importante encontrar um valor que permita uma visão mais 
abrangente da estrutura das espécies ou que caracterize a importância de cada 
espécie no conglomerado total do povoamento. 
Um método para integrar os três aspectos parciais acima mencionados, 
consiste em combiná-los numa expressão única e simples de forma a abranger 
o aspecto estrutural em sua totalidade, calculando o chamado ‘índice de valor 
de importância’. Este valor é obtido somando-se para cada espécie os valores 
relativos de densidade, dominância e frequência.
3 ConsIderações FInaIs
Um estudo fitossociológico não é somente conhecer as espécies que compõem 
a flora, mas também como elas estão arranjadas, sua interdependência, como 
funcionam, como crescem e como se comportam no fenômeno de sucessão. 
Desta forma, o estudo da composição florística é de fundamental importância 
para o conhecimento da estrutura da vegetação, possibilitando informações 
qualitativas e quantitativas sobre a área em estudo e a tomada de decisões para 
o melhor manejo de cada tipo de vegetação. Assim sendo, pode-se afirmar que 
os levantamentos florísticos voltados para a identificação dos espécimes e com 
informações sobre a distribuição das espécies têm como objetivo subsidiar a 
conservação de fragmentos remanescentes de área com cobertura vegetal, frente 
aos crescentes impactos provocados pela ação antrópica.
Conhecer a flora e a estrutura comunitária da vegetação natural é 
importante para o desenvolvimento de modelos de conservação, manejo de 
áreas remanescentes e recuperação de áreas perturbadas ou degradadas. Os 
levantamentos da composição florística e da estrutura comunitária geram 
informações sobre a distribuição geográfica das espécies, sua abundância em 
diferentes locais e fornecem bases consistentes para a criação de unidades de 
conservação. 
Deve-se também registrar que os levantamentos fitossociológicos, constituem-
se na coleta e na análise de dados, que permitem definir, para uma dada 
comunidade florestal, a sua estrutura horizontal (expressa pela abundância ou 
densidade, frequência e dominância) e sua estrutura vertical (posição sociológica 
e regeneração natural) e sua estrutura dendrométrica (relativa aos parâmetros 
dendrométricos, como na distribuição diamétrica e distribuição de volume ou 
área basal por classe diamétrica). 
Essas análises estruturais reúnem vários métodos e técnicas, incluindo os 
de amostragem, estimativas de parâmetros fitossociológicos e dendrométricos 
e levantamentos florísticos, proporcionando níveis de precisão e de confiançasAlan Del Carlos Gomes Chaves et al.
40
adequados e informações válidas para a tomada de decisões sobre o manejo da 
vegetação. 
Ademais, os conhecimentos florístico e fitossociológico das florestas são 
condições essenciais para sua conservação e que a obtenção e padronização 
dos atributos de diferentes ambientes florísticos e fisionômicos, são atividades 
básicas para a conservação e preservação.
4 reFerênCIas
ANDRADE, L. A. Duas fitofisionomias de caatinga, com diferentes históricos de 
uso, no município de São João do cariri, estado da Paraíba. Cerne, Lavras, v. 
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exploração em uma floresta tropical úmida. Manaus: INPA, 1987.
Uma abordagem sobre a utilização
dos mapas conceituais
no ensino de biologia
Fabiano Batista Lima
Jessiane Dantas Fernandes
Rosélia Maria Sousa Santos
José Ozildo dos Santos
Altevir Paula de Medeiros
1 Introdução
Com uma grande frequência, o ensino de Biologia é apresentado como sendo 
algo difícil, principalmente, pela quantidade de conceitos e termos científicos 
empregados em sala de aula, principalmente, quando o assunto abordado é a 
genética. Assim, para proporcionar um melhor entendimento sobre o conteúdo 
durante a aula, cabe ao professor recorrer a utilização de estratégias inovadoras 
da aprendizagem. 
Nesse sentido, vários autores sugerem a utilização de mapas conceituais no 
ensino de Biologia, principalmente, quando do ensino de padrões de herança 
genética, onde a ordenação e a hierarquização dos conceitos, como a consequente 
demonstração das relações entre estes se faz necessário para proporcionar um 
melhor entendimento.
Várias pesquisas demonstram que a utilização de mapas conceituais no 
ensino de Biologia trazem resultados positivos para o processo de ensino 
aprendizagem, pois modificam significativamente a forma de se apresentar os 
conteúdos em sala de aula. Assim, mediante a utilização dessas ferramentas é 
possível condensar uma grande quantidade de conceitos, que se trabalhados de 
outra forma não proporcionaria ao aluno um entendimento completo.
O presente trabalho, de natureza bibliográfica, tem por objetivo mostrar a 
importância dos mapas conceituais para o ensino de Biologia. 
2 Revisão de Literatura
2.1 Mapas conceituais como ferramentas de apoio à aprendizagem
Existem inúmeras definições para a expressão ‘mapas conceituais’. 
Entretanto, as definições existentes sempre procuram estabelecer uma correlação 
com as diagramáticas hierarquizadas. Um mapa conceitual permite a leitura 
de uma determina disciplina ou de um ou mais de seus componentes, de 
Fabiano Batista Lima et al.
42
forma organizada, simples e objetiva. No entanto, mantendo uma hierarquia, 
principalmente, para mostrar importância de um determinado conceito em 
relação a outro.
Informam Paiva e Freitas (2005, p. 11) que:
A técnica de utilização de mapas conceituais foi criada 
pelo professor Joseph D. Novak na Universidade de Cornell 
em 1960. Novak baseou seus estudos nas teorias de David 
Ausubel que acreditava que o conhecimento prévio tinha 
grande importância na apreensão de novos conceitos.
Assim, os mapas conceituais (MCs) constituem um recurso didático, elaborado 
nos Estados Unidos e que já possui mais de cinquenta anos de utilização, tendo 
sido desenvolvido a partir das teorias sintetizadas por Ausubel, que demonstram 
a facilidade de assimilação quando se consegue sintetizar o conhecimento.
Explicam Mateus e Costa (2009, p. 6) que:
A utilização de Mapas Conceituais como instrumento 
de busca de aprendizagem é um recurso a mais, pois tem 
o intuito de aferir sobre o grau de apreensão, avaliação, 
conhecimento preexistente, etc., sobre o que o discente sabe 
dos conceitos de um determinado conteúdo, unidade de 
estudo, tópico ou área de conhecimento, de que maneira ele 
estrutura, hierarquiza, diferencia, discrimina e integra esses 
conceitos.
Nesse sentido, o mapa conceitual pode ser apresentado como sendo um 
importante recurso pedagógico, que deve ser utilizado frequentemente no 
contexto da sala de aula, pois proporciona ao docente condensar os diversos 
conceitos existentes em sua disciplina, facilitando sua apresentação de forma 
hierarquizada. 
Na concepção de Cunha (2013, p. 3):
[...] quando o professor apresenta em sala de aula um 
mapa conceitual, ele precisa explicar para seus alunos 
como esse recurso funciona, ou melhor, como ele pode 
ser utilizado. Assim, quando o aluno aprende que num 
mapa conceitual estão condensados os mais importantes 
tópicos de um determinado, tópicos estes que não devem 
ser esquecidos, ele passa a valoriza mais a utilização dessa 
metodologia em sala de aula, por compreender que ela 
facilita a sua aprendizagem.
Como ferramenta pedagógica, o mapa conceitual permite ao aluno perceber 
a interligação que existe entre os conteúdos. Ao fazer uso dos mapas conceituais 
Uma abordagem sobre a utilização dos mapas conceituais no ensino de biologia
43
o professor está proporcionando ao aluno condições para que este adquira uma 
maior compreensão sobre o que está sendo trabalhado no contexto da sala de 
aula, sintetizando o conteúdo e evitando que a aula seja considerada cansativa. 
Destaca Moreira (2006b, p. 10) que os:
Mapas conceituais podem ser traçados para toda uma 
disciplina, para uma subdisciplina, para um tópico específico 
de uma disciplina e assim por diante. Existem várias maneiras 
de traçar um mapa conceitual, ou seja, há diferentes modos 
de representar uma hierarquia conceitual em um diagrama.
É importante ressaltar que num mapa conceitual, o critério utilizado é o 
da conexão, de forma que os conceitos encontram-se organizados através de 
frases simplificadas, mas que sempre proporciona um entendimento sobre 
o assunto que diz respeito, permitindo ao aluno ter uma maior assimilação, a 
partir do estabelecimento das conexões entre os conceitos. A Figura 1 apresenta 
a possibilidade de estruturação do mapa conceitual.
Quando se analisa a Figura 1 verifica-se que um mapa conceitual encontra-
se estruturado a partir dos chamados conceitos gerais que possuem uma 
natureza inclusiva. Num segundo plano encontram-se os chamados conceitos 
subordinados, definidos como sendo intermediários. E, num terceiro plano, os 
conceitos específicos, que possuem um caráter pouco inclusivo.
Fonte: Souza e Boruchovitch (2010).Figura 1. Possibilidade de estruturação do mapa conceitual.
Fabiano Batista Lima et al.
44
Na opinião de Souza e Boruchovitch (2010, p. 797):
O mapa conceitual pode configurar-se uma estratégia 
de ensino/aprendizagem ou uma ferramenta avaliativa 
- dentre outras diversas e multifacetadas possibilidades. 
Todavia, não deve ser compreendido ou efetivado desligado 
de uma proposição teórica clara e de metas previamente 
estabelecidas. Consequentemente, à sua adoção e efetivação 
subjazem perspectivas e opções pessoais, relacionadas 
aos valores, às crenças, às posturas teóricas, que conferem 
sustentação a toda e qualquer prática educativa.
Com base na citação acima transcrita, um mapa conceitual pode ser utilizado 
tanto para promover aprendizagem, quanto para avaliar o conhecimento 
adquirido ao longo do processo educativo, em determinada disciplina ou num 
componente curricular. Assim como tal ferramenta possui essa possibilidade 
de uso, caberá ao professor selecionar a sua forma de utilização, objetivando 
sempre obter os melhores resultados. 
Complementando esse pensamento, informa Cunha (2011, p. 2) que:
Dependendo do seu objetivo, um mapa conceitual 
pode ser complexo, exigindo para a sua construção um 
bom tempo. Entretanto, quando determinado mapa é 
construído/produzido um grupo de indivíduos, ele absorve 
características de cada indivíduo ou de cada grupo, que 
participaram de sua construção.
Assim sendo, é, portanto, o fim a que se destina o mapa conceitual 
que determina a sua complexidade. Sua estrutura e forma estarão sempre 
condicionadas à sua utilização. No entanto, independentemente de seu fim, um 
mapa conceitual manterá sempre a sua estrutura hierarquizada.
Informam Paiva e Freitas (2005) que para a construção de um mapa conceitual 
é necessário a observância de algumas estratégias.
Por sua vez, o Quadro 1 apresenta as estratégias que devem ser seguidas 
quando da construção de um mapa conceitual.
Com base no Quadro 1, verifica-se que três são as estratégias que podem 
ser colocadas em prática quando da elaboração de um mapa conceitual. No 
entanto, tem-se que reconhecer que é a natureza do conteúdo a ser trabalhado 
que determinará qual estratégia será utilizada. 
Na atualidade, os mapas conceituais vêm sendo amplamente utilizados no 
contexto escolar como uma importante ferramenta de apoio ao processo de ensino 
aprendizagem. Tais ferramentas mostram “um conceito através de ligações 
internas que podem ajudar na correção de ideias elaboradas inadequadamente 
sobre o referido conceito e sua aplicação” (CUNHA, 2011, p. 3).
Uma abordagem sobre a utilização dos mapas conceituais no ensino de biologia
45
Quadro 1. Estratégias que devem ser seguidas na construção de um mapa 
conceitual
ESTRATÉGIA DESCRIÇÃO
Construção a partir de
leitura de artigos, livros
ou outros.
• Conexão entre as palavras ou expressões com
verbo ou expressão que caracterizam ação (é
importante salientar que estas conexões devem
dar signi�cado às palavras ou frases interligadas);
• Leitura inicial do texto para a compreensão
geral do assunto;
• Releitura destacando-se os conceitos mais
importantes;
• Reorganização dos conceitos de forma que as
interligações �quem claras.
• Retirada de palavras ou expressões destacadas
e organização na tela do computador ou em uma
folha de papel.
Construção a partir de
conhecimentos prévios.
• Conexão entre as representações dos conceitos
com verbo ou expressão que caracterizam;
• Organização das palavras ou expressões na tela
do computador ou em uma folha de papel;
• Relação dos vários conceitos que tem ligação
com o assunto em questão;
• Reorganização dos conceitos de forma que as
interligações �quem claras.
Construções
cooperativas.
• Discussão prévia a respeito do assunto ou da
leitura feita;
• Cada componente do grupo indica um conceito
a ser listado;
• Seleção das palavras ou expressões a serem
aproveitadas com veri�cação de reincidência;
• Organização das palavras ou expressões na tela
do computador ou em uma folha de papel;
• Conexão entre as representações dos conceitos
com verbo ou expressão que caracterizam ação;
• Reorganização dos conceitos de forma que as
interligações �quem claras.
Fonte: Paiva e Freitas (2005), adaptado.
Assim, quando o professor faz uso dos mapas conceituais em sala de aula 
ele facilita a aprendizagem porque disponibiliza aos alunos um meio que 
proporciona a estes estabelecerem uma relação entre os conceitos e os conteúdos 
apresentados durante a aula. É esta possibilidade que faz dos mapas conceituais 
Fabiano Batista Lima et al.
46
“uma importante ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem” 
(CUNHA, 2011, p. 3).
De forma complementar, acrescentam Melo e Diógenes (2010) que no contexto 
da sala de aula, os mapas conceituais podem ser usados pelos professores 
principalmente para:
a) apresentar elementos curriculares; 
b) auxiliar na sistematização e ordenação de conceitos; 
c) avaliar a aprendizagem escolar; 
d) avaliar a compreensão conceitual dos alunos; 
e) avaliar o processo de ensino.
f) priorizar os conceitos chaves e as inter-relações; 
g) reforçar a compreensão e melhorar a aprendizagem.
Às vezes, pela complexidade dos conceitos apresentados em sala de aula, 
determinado conteúdo não é completamente assimilado pelo aluno, cabendo ao 
professor a missão de rever todo o conteúdo para que a aprendizagem ocorra. 
Entretanto, grande parte desses problemas pode ser eliminada a partir do 
momento em que o professor organiza sua aula, utilizando como metodologia 
os mapas conceituais.
Ressaltam Mateus e Costa (2009, p. 4) que “quando não compreendido 
corretamente pelos estudantes o Mapa Conceitual pode se tornar uma estrutura 
complexa e confusa, retendo o aprendizado, ou seja, inibindo a habilidade do 
estudante de construir sua própria hierarquia de conceitos”.
No entanto, tem-se que reconhecer que a dificuldade maior em relação ao 
entendimento dos mapas conceituais, dizem respeito à sua pouca utilização no 
contexto escolar. 
Acredita-se que a partir do momento em que os mapas conceituais passarem 
a serem ferramentas frequentemente utilizadas nas aulas de geografia, biologia, 
literatura, matemática, química, etc., sua compreensão tornar-se-á fácil e a 
aprendizagem será por demais significativa. 
Dissertando sobre a utilização dos mapas conceituais no contexto da sala de 
aula, Moreira (2006a) frisa que esta ferramenta inovadora pode proporcionar 
uma série de benefícios tanto para os alunos, quanto para os professores.
O Quadro 2 apresenta alguns benefícios proporcionados pelos mapas 
conceituais aos discentes e aos docentes. 
Quando se analisa o Quadro 2, verifica-se que são vários os benefícios 
proporcionados pela utilização dos mapas conceituais no contexto da sala de 
aula. E, que tais benefícios não somente se limitam ao aluno. Por sua vez, o 
professor também se beneficia dessa utilização.
Na opinião de Melo e Diógenes (2010, p. 11): 
O uso dos mapas conceituais na sala de aula não dispensa 
a intermediação do professor para reforçar os conceitos 
dispostos mediante reconciliação integrativa de suas 
Uma abordagem sobre a utilização dos mapas conceituais no ensino de biologia
47
relações de subordinação e superordenação entre os demais 
conceitos. Eles funcionam como instrumentos qualitativos 
de acompanhamento processual da aprendizagem e 
da avaliação, além de evidenciar falhas, progressos e 
potencialidade dos discentes.
Nesse sentido, quando o professor apresenta em sala de aula um mapa 
conceitual, ele precisa explicar para seus alunos como tal recurso funciona, ou 
melhor, como ele pode ser utilizado. 
Assim, quando o aluno aprende que num mapa conceitual estão condensados 
os mais importantes tópicos de um determinado assunto, tópicos estes que não 
devem ser esquecidos, ele passa a valorizar mais a utilização dessa metodologia 
em sala de aula por compreender que ela facilita a sua aprendizagem.
2.2 O ensino de biologia
No contexto atual, o estudodos elementos básicos da Biologia proporciona 
ao aluno uma compreensão sobre o mundo vivo que existe a sua volta e sobre 
si mesmo como parte integrante desse imenso ecossistema. Ao longo de seu 
desenvolvimento, o ensino da Biologia tem proporcionado o conhecimento 
necessário para que o homem compreenda melhor e faça um julgamento 
consciente sobre as questões polêmicas relacionadas ao universo biológico, 
levando em consideração “a dinâmica dos ecossistemas, dos organismos, enfim, 
o modo como a natureza se comporta e a vida se processa” (MORAES, 2005, p. 
35).
Dissertando sobre a importância do ensino da Biologia no contexto atual, 
bem como sobre o que ele pode proporcionar para que o ser humano passa 
melhor compreender o universo biológico, Moraes (2005, p. 35) afirma que:
Quadro 2. Benefícios proporcionados aos discentes e docentes pelos mapas 
conceituais
BENEFICIÁRIOS BENEFÍCIOS
Discentes
Compreensão de novos conceitos;
Desenvolvimento da capacidade do uso de diferentes
linguagens.
Integração do conteúdo;
Organização do conteúdo conceitual.
Docentes
Ajudam na visualização dos conceitos e suas relações;
Auxiliam na avaliação dos estudantes
Auxiliam na compreensão da ‘compreensão’ dos
estudantes;
Facilitam o ensino;
Passam uma imagem geral, integral dos conteúdos;
Fonte: Moreira (2006a), adaptado.
Fabiano Batista Lima et al.
48
Conhecer a estrutura molecular da vida, os mecanismos 
de perpetuação, diferenciação das espécies e diversificação 
intraespecífica, a importância da biodiversidade para 
a vida no planeta são alguns dos elementos essenciais 
para um posicionamento criterioso inerentes ao conjunto 
das construções e intervenções humanas no mundo 
contemporâneo.
Como o avanço tecnológico, a Genética e a Biologia Molecular passaram 
a apresentar um grande desenvolvimento. Atualmente, se discute na sala de 
aula de Biologia as tecnologias de manipulação do DNA, bem como os aspectos 
étnicos relacionados à clonagem, mostrando a necessidade de uma reflexão por 
parte da sociedade em relação ao uso das ciências e da tecnologia.
Hoje, o ensino de Biologia e regulamentado pelos Parâmetros Curriculares 
Nacionais Ensino Médio (BRASIL, 1999) e complementado pelos PCN+ Ensino 
Médio (BRASIL, 2002). 
Tais documentos orientaram a construção de currículos para o ensino 
de Biologia contemplado as questões atuais, resultantes das transformações 
tecnológicas, econômicas e ambientais.
Mostrando a necessidade de se fazer dessas questões um tema sempre atual, 
os PCN+ Ensino Médio (BRASIL, 2002, p. 33-34) ressaltam que:
Dominar conhecimentos biológicos para compreender 
os debates contemporâneos e deles participar, no entanto, 
constitui apenas uma das finalidades do estudo dessa 
ciência no âmbito escolar. Há outras. As ciências biológicas 
reúnem algumas das respostas às indagações que vêm sendo 
formuladas pelo ser humano, ao longo de sua história, para 
compreender a origem, a reprodução, a evolução da vida e 
da vida humana em toda sua diversidade de organização e 
interação. Representam também uma maneira de enfrentar 
as questões com sentido prático que a humanidade tem 
se colocado, desde sempre, visando à manutenção de sua 
própria existência e que dizem respeito à saúde, à produção 
de alimentos, à produção tecnológica, enfim, ao modo como 
interage com o ambiente para dele extrair sua sobrevivência.
 
Quando se analisa a citação acima, verifica-se que o contexto atual exige 
do indivíduo uma maior qualificação. E, o ensino da Biologia possui um 
papel importante nesse processo de qualificação. Para tanto, se faz necessário 
a utilização de metodologias que permitam uma reorganização dos conteúdos 
que são trabalhados em sala de aula. Assim, quanto maior e melhor forem 
empregadas as novas estratégias para produção da aprendizagem, sem dúvida, 
Uma abordagem sobre a utilização dos mapas conceituais no ensino de biologia
49
maiores serão os conhecimentos proporcionados ao aluno através do ensino da 
Biologia.
Diante da diversidade biológica, a disciplina de Biologia apresenta um 
conteúdo bastante amplo. Os PCN+Ensino Médio (BRASIL, 2002, p. 52) 
reconhecem que ensinar tal disciplina não é algo fácil, afirmando que:
Um grande desafio que se apresenta a todo educador 
é a seleção dos conteúdos que serão abordados no ensino 
médio frente à extensão dos programas, tradicionalmente 
previstos ou recomendados para cada uma das três séries. 
É importante ter em mente que não é possível ensinar tudo.
Desta forma, para produzir aprendizagem, o professor não precisa tentar 
ensinar tudo. Ele precisa saber organizar os conteúdos considerados essenciais e 
selecionar os mais significativos para o aluno, levando sempre em consideração 
o ambiente em que este vive. 
Assim, a partir dos temas estruturadores da disciplina Biologia, o professor 
deve elaborar a sua aula, de forma clara e objetiva. Para tanto e objetivando 
facilitar a compreensão por parte do aluno, ele pode utilizar-se dos mapas 
conceituais, que se constituem numa ferramenta facilitadora da aprendizagem 
com larga aplicação no ensino da Biologia.
2.3 A utilização dos mapas conceituais no ensino da biologia
O ensino da Biologia, conforme já demonstrado torna-se complexo pela 
dimensão de seus temas estruturadores. Para facilitar a aprendizagem, a 
utilização de modelos didáticos constitui-se numa excelente metodologia, 
partindo do princípio de que os mapas conceituais podem potencializar a 
aprendizagem. 
Mostrando a importância da utilização dos mapas conceituais no ensino da 
Biologia, Vinholi Júnior e Princival (2014, p. 112) afirmam que:
Particularmente para o assunto citoplasma celular, 
onde diversos mecanismos metabólicos indispensáveis à 
sobrevivência e manutenção da célula ocorrem, que exige 
do estudante características como abstração, imaginação 
e paciência, a elaboração de diversos modelos didáticos 
tridimensionais nestas condições de estudo pode facilitar 
a assimilação dos conceitos e, principalmente, tornar as 
aulas mais interessantes, motivadoras, produtivas e que 
proporcionem ao estudante maior capacidade de relacionar 
o conteúdo com o seu dia a dia.
Fazendo-se uso dos mapas conceituais em sala de aula, o professor afasta 
do ensino de Biologia aquela imagem de que tal disciplina é difícil por utilizar-
Fabiano Batista Lima et al.
50
se de vários conceitos científicos. Por outro lado, se existe a necessidade de se 
mudar a forma se como ensinar Biologia, os mapas podem ser apresentados 
como alternativas viáveis, substituindo as velhas práticas de ensino, que muitas 
escolas persistem em continuar utilizando.
A Figura 2 apresenta a utilização dos mapas conceituais no ensino da Biologia.
Analisando-se a Figura 2, verifica que a partir do mapa conceitual apresentado, 
é possível se trabalhar o conceito de Biologia, bem como conhecer os principais 
ramos dessa ciência. O referido mapa também, de forma sintetizada, apresenta 
as propriedades dos seres vivos e suas características. 
Levando em consideração o fato de que os seres vivos são formados por 
células, quando se analisa o mapa conceitual acima apresentado, verifica-se que 
aqueles podem ser divididos em eucariontes e procariontes. E, que os primeiros 
possuem núcleo, membrana e citoplasma, enquanto que os segundos, apenas 
membrana e citoplasma.
A leitura do mapa apresentado na Figura 2 permite compreender que 
nas células ocorrem transformações, e, que sua vez, o metabolismo pode ser 
entendido como sendo transformações que ocorrem nos seres vivos. Ainda 
em relação às características dos seres vivos, o mapa em análise mostra que 
a hereditariedade é um processo de reprodução, enquanto que a homeostase 
Fonte: Moraes (2005). 
Figura 2. Utilização dos mapas conceituais no ensino da Biologia.
Uma abordagem sobre a utilização dos mapas conceituais no ensino de biologia
51
constitui um equilíbrio do meio interno. E, que todo o processo de evolução 
ocorre na Biosfera, que é a camada da Terra que reúne as condiçõesnecessárias 
à sobrevivência dos seres vivos.
De forma sintetizada, o referido mapa também mostra que os seres vivos 
são formados a partir de substâncias orgânicas, dentre as quais se destacam as 
proteínas, as vitaminas, os lipídeos e os ácidos nucleicos. 
Assim sendo, percebe-se que a partir de um simples mapa conceitual, pode-
se numa só aula, de forma sintetizada, apresentar para o aluno o conceito de 
Biologia, seus principais ramos, o objeto da disciplina (que é o estudo da vida), 
as características e divisões dos seres vivos, bem como as substâncias que entram 
no processo de constituição desses seres.
3 ConsIderações FInaIs
O ensino de Biologia tem por objetivo proporcionar ao aluno os meios 
necessários à aquisição dos conceitos cientificamente aceitos na atualidade. Para 
tanto, de forma que a aprendizagem significativa ocorra, faz-se necessário que 
as aulas dessa disciplina ser bem planejadas.
É oportuno ressaltar que os temas estruturadores da disciplina Biologia 
podem ser trabalhados em sala de aula a partir de tópicos. No entanto, para 
isto é necessário a elaboração de um material didático de apoio, que privilegie 
a apresentação de conceitos bastante abstratos, mas que sejam capazes de 
proporcionar um entendimento sobre o conteúdo que está sendo apresentado. 
Na atualidade, existem inúmeras investigações que mostram que os mapas 
conceituais podem e devem ser utilizados no ensino de Biologia. E estas 
investigações têm proporcionado grandes contribuições para a melhoria do 
ensino dessa disciplina.
Através da análise do material bibliográfico selecionado para fundamentar 
a presente produção acadêmica, pode-se constatar que os mapas conceituais 
estruturados a partir da Teoria de David Ausubel, constituem-se numa iniciativa 
que pode potencializar a aprendizagem no que diz respeito à disciplina de 
Biologia, no Ensino Médio, partindo do princípio de que tais ferramentas 
possibilitam aos alunos uma maior compreensão sobre os conteúdos abordados 
em sala de aula, principalmente, em à hierarquia existente entre os conceitos, 
proporcionando, assim, uma aprendizagem significativa.
3 reFerênCIas
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino 
Médio. Brasília: MEC, 1999. 
______. PCN+Ensino médio: Orientações educacionais complementares aos 
parâmetros curriculares nacionais. Ciências da natureza, matemática e suas 
tecnologias. Brasília: MEC/SEMTEC, 2002.
Fabiano Batista Lima et al.
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inovadora no campo da educação matemática. Revista de Educação, v. 12, 
n. 3, out., 2010.
MORAES, R. M. A aprendizagem significativa de conteúdos de biologia 
no ensino médio, mediante o uso de organizadores prévios e mapas 
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Dom Bosco. Campo Grande-MS, 2005.
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em sala de aula. Brasília: Universidade de Brasília, 2006 (a). 
______. Mapas conceituais e diagramas V. Porto Alegre: Instituto de Física/
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conceituais: Biologia celular e as interfaces com a informática em cursos 
técnicos do IFMS. Holos, a. 30, v. 02, p. 110-122, 2014.
O programa de aquisição
de alimentos e o fortalecimento
da agricultura familiar
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
Mônica Justino da Silva
Juliana Gomes de Melo
Patrício Borges Maracajá
José Rivamar de Andrade
Douglas da Silva Cunha
Aline Carla de Medeiros
1 Introdução
Nos últimos anos, a noção de sustentabilidade tem sido associada à de 
desenvolvimento, levando-se em consideração questões de natureza sócio-econômica, 
ambiental e cultural, de forma que o desenvolvimento sustentável vem sendo objeto 
de inúmeras discussões, onde tem-se privilegiado a inserção da sociedade, visando, 
principalmente, a equidade e mostrando-se que a mesma precisa se organizar, para 
que os benefícios a ela direcionados sejam os mais duradouros possíveis.
No contexto rural, tem também se expandido a noção de sustentabilidade 
com o fortalecimento da agricultura familiar, que se apresenta como uma 
alternativa ao desenvolvimento local sustentável, promovendo a inclusão social 
e lutando pela equidade.
Para tanto, em 2003 foi instituído o Programa de Aquisição de Alimentos 
(PAA), objetivando o desenvolvimento de ações específicas na agricultura 
familiar, principalmente, no que diz respeito à promoção da geração de renda 
no campo, bem como ao aumento da produção de alimentos para o consumo. 
Dividido em cinco modalidades, o PAA se desenvolve em toda na região do 
semiárido, servindo de instrumento de incentivo à agricultura familiar.
O presente artigo tem por objetivo promover uma abordagem sobre o 
Programa de Aquisição de Alimentos.
2 revIsão de LIteratura
2.1 A agricultura familiar e os programas de incentivos 
No Brasil, o conceito de agricultura familiar é relativamente recente. Embora 
não tenha sido considerada relevante para o desenvolvimento rural durante 
José Ozildo dos Santos et al.
54
muito tempo, atualmente a agricultura familiar é reconhecida como categoria 
social, que impulsiona os debates nos meios acadêmicos e no campo das políticas 
públicas.
Para Neves (2002, p. 137), a agricultura familiar não é um conceito, mas 
“uma categoria de ação política que nomeia um amplo e diferenciado segmento 
mobilizado à construção de novas posições sociais mediante engajamento 
político”.
Na opinião de Hecht (2000, p. 52):
A agricultura familiar caracteriza uma forma de 
organização da produção em que os critérios utilizados 
para orientar as decisões relativas à exploração não são 
vistos unicamente pelo ângulo da produção/rentabilidade 
econômica, mas considera também as necessidades objetivas 
da família. Ao contrário do modelo patronal, no qual há 
completa separação entre gestão e trabalho, no modelo 
familiar estes fatores estão intimamente relacionados.
Nesse sentido, à agricultura familiar podem ser incorporados todos aqueles 
que trabalham juntamente com a sua família, desde que sejam agricultores 
de subsistência, agricultores integrados, arrendatários, assentados, colonos, 
meeiros ou posseiros.
A agricultura familiar apresenta características específicas, que segundo 
Abramovay (2004) as principais são as seguintes:
a) capital familiar;
b) gestão feita pelos proprietários;
c) o grupo familiar vive na unidade produtiva.
d) os responsáveis pelo empreendimento estão ligados entre si por laços de 
parentesco;
e) trabalho familiar;
f) transferência inter-gerencial no interior da família do patrimônio e dos 
ativos são.
Levando em consideração essas características, constata-se que a agricultura 
familiar é aquela desenvolvida entre integrantes de um mesmo grupo familiar, 
em propriedade e com capital próprio. 
A agricultura familiar incorpora uma diversidade de situações específicas e 
particulares, que Mota; Schmitz; Freitas (2007, p. 129), apresenta as seguintes 
vantagens:
a) apresenta a possibilidade de maior proximidade entre consumidores e 
produtores na identificação da origem dos alimentos, uma das tendências em 
curso nos novos padrões de consumo.
b) apresenta,em geral, maior produtividade em áreas menores; 
O programa de aquisição de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar
55
c) é responsável pela maior diversificação dos sistemas de produção e da 
conservação da biodiversidade;
d) pode contribuir, assim, para um manejo adequado dos recursos naturais; 
e) valoriza a coexistência das diferenças culturais pela ‘personalidade’ que 
cada estabelecimento tem.
Em 1996, o governo federal instituiu o Programa Nacional de Fortalecimento 
da Agricultura Familiar (PRONAF), com a finalidade de “promover o 
desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores 
familiares, de modo a propiciar-lhes o aumento da capacidade produtiva, a 
geração de empregos e a melhoria de renda” (BRASIL, 1996, p. 1).
Custeados por recursos oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador 
(FAT), do Tesouro Nacional e das Exigibilidades Bancárias e dos Fundos 
Constitucionais do Centro-Oeste (FCO) e do Nordeste (FNE), o PRONAF, 
segundo Mattei (2005), possui os seguintes objetivos:
a) ajustar as políticas públicas de acordo com a realidade dos agricultores 
familiares;
b) elevar o nível de profissionalização dos agricultores familiares através do 
acesso aos novos padrões de tecnologia e de gestão social;
c) estimular o acesso desses agricultores aos mercados de insumos e produtos;
d) viabilizar a infraestrutura necessária à melhoria do desempenho produtivo 
dos agricultores familiares.
O PRONAF surgiu após muitas lutas e reivindicações dos pequenos 
produtores rurais e de seus órgãos representativos. Nesse sentido, informa 
Denardi (2001, p. 58) que:
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura 
Familiar (PRONAF) é a primeira política pública diferenciada 
em favor dos agricultores familiares brasileiros. O PRONAF 
é uma conquista dos movimentos sociais e sindicais de 
trabalhadores rurais nas últimas décadas. Suas lutas podem 
ser simbolizadas pelos Gritos da Terra Brasil, liderados pela 
CONTAG e, no caso da Região Sul, pelas ações e pressões da 
Frente Sul da Agricultura Familiar.
Reconhecido como um conquista dos movimentos sociais e sindicais 
desencadeados na década de 1990, o PRONAF foi idealizado com o objetivo 
principal de promover o desenvolvimento rural sustentável constituído, 
proporcionando aos agricultores familiares o aumento da geração de 
empregos, da capacidade produtiva e consequentemente, da melhoria de 
renda. 
José Ozildo dos Santos et al.
56
Para o desenvolvimento de suas ações, o referido programa dividiu os 
agricultores em grupos distintos, observando, principalmente, a produtividade 
e área de produção disponível, em seu poder (BRASIL, 1996). Assim, passou a 
conceder linhas de créditos específicas para cada grupo distinto.
Na opinião de Bittencourt (2002, p. 93), “o crédito rural para a agricultura 
familiar pode ser considerado como um dos instrumentos de maior sucesso 
do PRONAF”. No entanto, vários fatores limitam a aplicação do volume de 
crédito disponível ao PRONAF. Dissertando sobre essas questões, o autor acima 
enumera os seguintes fatores:
a) a falta de assistência técnica direcionada aos agricultores familiares;
b) baixa rentabilidade dos sistemas de produção utilizados;
c) desinteresse dos bancos em operar com financiamentos de pequeno 
porte;
d) exigências excessivas por parte dos bancos;
e) falta de informação dos produtores;
f) limitação do crédito de investimento;
g) reduzido número de agências bancárias nas pequenas cidades;
h) restrições para a utilização do crédito em algumas regiões devido à fonte 
de recurso.
Embora represente uma grande parcela na produção agrícola brasileira, “a 
agricultura familiar enfrenta ainda restrições de acesso aos mercados de serviços 
em geral, e não apenas ao crédito” (BUAINAIN et al., 2002, p. 55).
Nos primeiros anos do PRONAF, ocorreram inúmeras críticas face ao 
reduzindo valor destinado ao crédito rural e às excessivas exigências impostas 
pelos bancos. 
Entretanto, como uma das soluções às crises enfrentadas pela agricultura 
familiar, pela Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003, o governo federal instituiu 
o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), articulado às demais ações do 
Programa Fome Zero, dando uma nova dimensão ao PRONAF.
2.2 O Programa Fome Zero - PFZ
O Programa Fome Zero (PFZ) é fruto de proposta elaborada pelo Instituto 
Cidadania de São Paulo, em 2001. Posteriormente, o Presidente Luís Inácio 
Lula da Silva abraçou a ideia, transformando-a numa das prioridades de seu 
governo.
Avaliando as ações do referido programa no nordeste brasileiro, Valente 
Júnior; Cerqueira; Alves (2005, p. 11-12) afirmam que o Fome Zero surgiu “como 
uma resposta ao perverso modelo de política adotado no Brasil, pois as ações 
estão delineadas para ir além do mero combate à fome”.
A importância do PFZ reside no fato de “prevê o desenvolvimento econômico 
privilegiando o crescimento com distribuição de renda” (VALENTE JÚNIOR; 
CERQUEIRA; ALVES, 2005, p. 12). O Fome Zero envolve várias ações e diversas 
O programa de aquisição de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar
57
entidades públicas. Estruturado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e 
Combate à Fome, sua coordenação é feita pelo Conselho Nacional de Segurança 
Alimentar1 (CONSEA).
Informa Yasbek (2004, p. 107) que:
O Projeto Fome Zero efetiva uma avaliação dos 
programas existentes na área da alimentação e nutrição a 
partir dos anos 90: em uma rápida síntese histórica, destaca 
a novidade representada pelo CONSEA e a importância da 
I Conferência Nacional de Segurança Alimentar em julho de 
1994; faz referência ao Programa Nacional de Alimentação 
- PRONAN do Ministério da Saúde; e mostra os impactos 
negativos da extinção do CONSEA e da criação do Conselho 
do Comunidade Solidária, no governo FHC, sobre a questão 
da segurança alimentar. Apresenta, ainda, o Programa de 
Distribuição Emergencial de Alimentos, reativado com a 
seca do Nordeste, que teve distribuição recorde de cestas em 
1998.
Definido como uma política pública destinada ao combate da insegurança 
alimentar, o Programa Fome Zero vem incorporando no mercado de consumo 
de alimentos um considerável grupo de pessoas que por estarem excluídas do 
mercado de trabalho ou por não terem renda insuficiente, tinham a sua própria 
sobrevivência ameaçada.
Assim sendo, para cumprir seus objetivos, o Programa Fome Zero é 
acompanhado por ações estruturais, que segundo Yasbek (2004) são destinadas: 
à alfabetização de adultos; ao bolsa-escola e à renda mínima; à geração de 
emprego e renda; ao incentivo à agricultura familiar; à previdência social 
universal e à reforma agrária.
No entanto, além das ações estruturais, o referido programa também 
comporta ações específicas, entre as quais, destacam-se o Programa Cupom 
de Alimentação, combate à desnutrição infantil e materna e a ampliação da 
merenda escolar.
É oportuno ressaltar que o Programa Fome Zero trouxe para o debate público 
nacional a problemática da fome, colocando a pobreza e a fome como questões 
públicas, que exige soluções coletivas, ou seja, que envolva os organismos 
públicos e a sociedade civil organizada. O referido Programa comporta vários 
1 Segurança Alimentar e Nutricional é a garantia do direito de todos ao acesso a alimentos de 
qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente, com base em práticas alimentares 
saudáveis e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais e nem o sistema alimentar 
futuro, devendo se realizar em bases sustentáveis. Todo país deve ser soberano para assegurar sua 
segurança alimentar, respeitando as características culturais de cada povo, manifestadas no ato de 
se alimentar (INSTITUTO CIDADANIA, 2001, p. 5).
José Ozildo dos Santos et al.
58
outros programas, a exemplo do Bolsa Família e o Programa de Aquisição de 
Alimentos - PAA, que será abordado no item a seguir.
2.3 O Programa de Aquisição de Alimentos - PAA
O Programa de Aquisição de Alimentos - PAA foi criado pelaLei nº 10.696, 
de 2 de julho de 2003, e tem como principal objetivo incentivar a agricultura 
familiar mediante a compra da produção de pequenos agricultores. 
No PAA, a produção da agricultura familiar é comprada a preços de mercado. 
E, posteriormente distribuída com pessoas que se encontram em situação de 
insegurança alimentar. Parte da aquisição também é destinada à formação de 
estoques estratégicos de alimentos. 
No PAA, atuam diferentes atores e cada um exerce uma função dentro do 
referido programa. Segundo Delgado; Conceição; Oliveira (2005), os atores que 
compõem o PAA podem ser agrupados da seguinte forma:
a) Grupo Gestor: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à 
Fome (MDS); Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da 
Fazenda (MF), Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), 
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e Ministério da 
Educação (MEC). 
b) Gestores dos recursos: MDA e MDS.
c) Gestores executores - Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), 
Estados e Municípios;
d) Atores Locais: Conselhos, Cooperativas, Associações de Agricultores 
Familiares e entidades da rede socioassistencial.
A Figura 1 apresenta como se estruturam as Redes do Programa de Aquisição 
de Alimentos. 
Analisando a Figura 1, percebe-se que todos os órgãos públicos e sociais 
trabalham em conjunto, visando o desenvolvimento e fortalecimento do 
Programa de Aquisição de Alimentos. Sem esse envolvimento/participação e 
efetivação do referido programa não seria possível. 
Acrescenta Delgado; Conceição; Oliveira (2005), que o referido programa é 
composto pelas seguintes modalidades:
a) Compra Antecipada da Agricultura Familiar (CAAF);
b) Compra Antecipada Especial da Agricultura Familiar (CAEAF); 
c) Compra Direta da Agricultura Familiar (CDAF); 
d) Compra Direta Local da Agricultura Familiar (CDLAF);
e) Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite (IPCL).
Nessa última modalidade são atendidos os produtores que ordenham até 100 
litros de leite por dia. 
O Quadro 1 sintetiza todas as modalidades que integram o Programa de 
Aquisição de Alimentos, apresentando uma sucinta descrição de cada uma.
O programa de aquisição de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar
59
Fonte: BRASIL (2008a).
Figura 1. Redes do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Analisando as modalidades do PAA, percebe-se a agricultura familiar vem 
sendo bastante contemplada pelo referido programa, tanto no âmbito estadual 
quanto local, garantindo a renda dos agricultores, que fornecem ao mesmo leite 
e o fruto da produção agrícola. 
Atualmente, segundo dados divulgados pelo Ministério de Segurança 
Alimentar e Combate a Fome (BRASIL, 2008a), existem mais 1,5 milhões de 
produtores de leite cadastrados no PAA, sendo que aproximadamente 70% 
deles são agricultores familiares que produzem até 50 litros por dia. E existe a 
possibilidade dessa quantidade aumentar.
Acrescenta Mattei (2005), que os beneficiários do IPCL compõem os seguintes 
grupos distintos: agricultores familiares; população dos estados atendidos pelo 
programa; e, usinas de leite.
Especificamente, para ser beneficiado pelo IPCL é necessário que os 
agricultores familiares produzam até 100 litros de leite por dia. Entretanto, para 
ingresso no referido programa, aqueles que apresentam produção média diária 
de até 50 litros de leite, possuem prioridade.
Quanto à população beneficiada pelo IPCL, nela estão inseridas as gestantes, 
crianças de 6 meses a 6 anos de idade (desde que beneficiada por outros 
programas sociais), as nutrizes até 6 meses após o parto, bem como os idosos 
com idade superior a 60 anos.
Para participarem do programa, as usinas de leite assumem o compromisso 
de adquirir o leite junto aos agricultores familiares com baixos volumes diários 
e cumprir as determinações estabelecidas pela legislação, no que diz respeito ao 
que deve ser observado ao seu funcionamento como empresa.
José Ozildo dos Santos et al.
60
Compra Antecipada
da Agricultura
Familiar (CAAF)
Prevê a antecipação de recursos para o plantio da
safra, sendo destinada exclusivamente aos
agricultores familiares que não são atendidos pelo
crédito de custeio do PRONAF. A operação é
realizada no momento do plantio e a entrega do
produto pelo agricultor ocorrerá após a colheita da
referida safra.
Compra Antecipada
Especial da
Agricultura Familiar
(CAEAF)
Atua no âmbito local e estadual adquirindo
produtos para formação de estoques e para fazer
doação simultânea às populações em situação de
risco alimentar
Compra Direta da
Agricultura familiar
(CDAF)
Visa garantir renda ao agricultor familiar, inserindo-
o no mercado de forma mais sustentável, através da
compra direta de sua produção a preços de
mercado.
Compra Direta Local
da Agricultura
Familiar (CDLAF)
É operada nacionalmente, através de convênios entre
Governo federal e administrações municipais,
visando estimular a articulação entre a produção
oriunda da agricultura familiar e o atendimento
direto às demandas de suplementação alimentar e
nutricional dos programas sociais das
municipalidades, bem como de instituições locais
que atuam no combate à fome.
Incentivo à Produção
e ao Consumo de
Leite (IPCL)
Restrita às áreas de abrangência da
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
(SUDENE), visa diminuir a vulnerabilidade social,
combatendo a fome e a desnutrição, ao mesmo
tempo em que pretende contribuir para o
fortalecimento do setor produtivo, através da
aquisição de leite do produtor familiar, com
garantia de preço.
Quadro 1. Modalidades que integram o Programa de Aquisição de Alimentos.
Fonte: Mattei (2005).
3 ConsIderação FInaIs
Na atualidade, a agricultura familiar vem sendo bastante contemplada pelo 
programa de aquisição de alimentos, tanto no âmbito estadual quanto local, 
garantindo a renda dos agricultores, que fornecem ao mesmo leite e o fruto da 
produção agrícola. Esse programa se apresenta como sendo uma alternativa viável 
para a promoção da Agricultura Familiar, pois possibilita ao agricultor comercializar 
sua produção, por um preço justo, sem ter que passar por um atravessador. 
O programa de aquisição de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar
61
Agregado ao Programa de Aquisição de Alimentos existe o estimulo às 
práticas agrícolas sustentáveis, objetivando conscientizar o agricultor familiar 
quanto ao seu papel no processo de preservação do meio ambiente. 
Sem dúvida alguma pode ser considerado como um instrumento de 
fortalecimento da agricultura familiar. No entanto, é visível a necessidade 
de uma redifinição de seus métodos de operacionalidade. Pois, não se pode 
pensar em desenvolvimento rural, sem, contudo, haver uma assistência técnica 
direcionada aos produtores rurais. Ela é necessária porque o homem do campo 
precisa conhecer as tecnologias que estão sendo desenvolvidas para o meio 
rural. Ele precisa aprender a melhor produzir, a reduzir seus custos e a evitar 
prejuízos. 
Desta forma, o desenvolvimento rural está condicionado à assistência técnica 
e ao serviço de extensão rural, que devem ser desenvolvidos pelos órgãos públicos 
ligados à agropecuária. E, efetivamente somente haverá desenvolvimento rural 
quando realmente os órgãos de assistência técnica e extensão rural passarem a 
cumprir os seus papéis.
Apesar de ser uma das mais importantes políticas sociais no campo da 
agricultura familiar, o referido programa tem se tornado, também, alvo de 
inúmeras denúncias de irregularidades em seu funcionamento, fato que 
demonstra a necessidade de um maior acompanhamento por parte dos órgãos 
responsáveis.
4 reFerênCIas
ABRAMOVAY, R. Agricultura familiar e uso do solo. São Paulo em Perspectiva, 
abr/jun, vol. 11, nº 2:73-78, 2004.
BITTENCOURT, G. Agricultura familiar e agronegócio: questões para pesquisa. 
In: LIMA, D. M. de A.; WILKINSON, J. (Orgs.). Inovações das tradições da 
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fortalecimento da agricultura familiar (PRONAF), e dá outras providências. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1 julho 1996.
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Desenvolvimento social: Governo e sociedade trabalhando juntos. Brasília: 
MDS, 2008.
BUAINAIN, A. M. et al. Inovação tecnológica na agricultura e na agricultura 
familiar. In: LIMA, D. M. de A.; WILKINSON, J. (Orgs.). Inovações das 
tradições da agricultura familiar. Brasília: CNPq, 2002.
DELGADO, G. D; CONCEIÇÃO, J. C. P. R, OLIVEIRA, J. J. Avaliação do 
programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar (PAA). Brasília, 
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DENARDI, R. A. Agricultura familiar e políticas públicas: alguns dilemas e 
desafios para o desenvolvimento rural sustentável. Agroecol. e Desenv. Rur. 
Sustent., Porto Alegre, v. 2, n. 3, jul-set./2001.
José Ozildo dos Santos et al.
62
HECHT, S. A. evolução do pensamento agroecológico. In: ALTIERI, M. 
Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. 4. ed. Rio de 
Janeiro: PTA/FASE, 2000.
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para o Brasil. São Paulo: Instituto Cidadania, 2001.
MATTEI, L. Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar 
(PRONAF). Brasília: Ministério do Planejamento, 2005.
MOTA, D. M. da; SCHMITZ, H.; FREITAS, M. N. Pesquisa e agricultura familiar: 
contribuição para o debate. Raízes, Campina Grande, v. 26, n. 1-2, p. 128-139, 
jan./dez. 2007.
NEVES, L. S. A transição do desenvolvimento ao desenvolvimento sustentável. 
Rio de Janeiro: Garamond, 2002.
VALENTE JÚNIOR, A. S.; CERQUEIRA, V. Q.; ALVES, M. O. Fome Zero 
no Nordeste do Brasil: construindo uma linha de base para avaliação do 
programa. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2005.
YASBEK, M. C. O programa fome zero no contexto das políticas sociais 
brasileiras. São Paulo em Perspectiva, v. 18, n. 2, p. 104-112, 2004.
Produção e utilização
de briquetes no Brasil
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
Leandro Machado da Costa
Patrício Borges Maracajá 
Douglas da Silva Cunha
José Rivamar de Andrade
Altevir Paula de Medeiros
1 Introdução
Na última década, ampliou-se de forma considerável a utilização de briquetes 
nos países em desenvolvimento (atualmente considerados emergentes), fazendo 
com que grande parte da biomassa residual que era lançada para decomposição 
natural, passasse a ter uma utilização na produção de energia alternativa.
A produção de briquetes a partir da compactação da biomassa residual, traz 
várias vantagens, que segundo Dias et al. (2012), podem ter cunho energético, 
operacional, logístico e ambiental.
Considerados como substitutos diretos da lenha, os briquetes vêm sendo 
largamente utilizados tanto por residências e indústrias, como também por 
estabelecimentos comerciais.
Mostrando a importância que os briquetes vêm adquirindo no cenário atual, 
Dias et al. (2012, p. 17) afirmam que os mesmos, em substituição à lenha, podem 
ser utilizados por “olarias, cerâmicas, padarias, pizzarias, lacticínios, fábricas de 
alimentos, indústrias químicas, têxteis e de cimento dentre outros”.
Atualmente, os briquetes possuem tanto uso doméstico como em 
estabelecimentos comerciais, evitando assim que considerável quantidade 
de lenha seja extraída, produzindo impactos ambientais. A busca pela 
sustentabilidade e a promoção da chamada economia verde, têm contribuído 
para ampliar o consumo, e, consequentemente, a produção de briquetes no 
Brasil. 
Embora tenha surgida no Rio Grande do Sul, a produção de briquetes é 
promovida em todos os Estados da federação, em menor ou maior escala, 
produzindo resultados positivos no cenário ambiental, econômico e social, visto 
tratar-se de uma fonte alternativa de energia, estruturada sobre os pilares da 
sustentabilidade. 
José Ozildo dos Santos et al.
64
2 revIsão de LIteratura
A busca por novas fontes enérgicas se intensificou a partir da década de 1970, 
que também coincide com a eclosão dos movimentos ambientalistas, que levaram 
a Organizações das Nações Unidas (ONU) a realizar a primeira Conferência 
Internacional Sobre o Meio Ambiente, sediada em Estocolmo, capital da Suécia 
(JARDIM, 2005).
Foi durante a Conferência de Estocolmo que se enfatizou o conceito de 
desenvolvimento sustentável, mostrando a necessidade de desenvolver 
também novas formas de energia, que levassem em consideração os princípios 
estabelecidos para esse tipo de desenvolvimento (MONTIBELLER-FILLHO, 
2001).
Com o passar do tempo, as necessidades em relação ao desenvolvimento de 
novas formas alternativas de energia foram aumentado. Avaliando o quadro 
que se descortinava no início do século XXI, Vasconcelos (2002, p. 17) fez o 
seguinte comentário:
Emerge, então, no cenário contemporâneo a necessidade 
de um novo sistema energético, assentado nas energias 
renováveis, vegetais e limpas do ponto de vista ambiental. A 
isso dá-se o nome de biomassa, energia que está localizada 
extensivamente nos trópicos, ao contrário dos combustíveis 
fósseis.
Assim, percebe-se que as chamadas energias renováveis, vegetais e limpas, 
foram ganhando importância na sociedade brasileira, de forma gradativa. E, 
à medida que a sociedade passou a privilegiar melhor o chamado consumo 
sustentável, lenhas e carvão vegetal passaram a ser substituídos por briquetes, 
visto constituir-se numa fonte enérgica ecológica correta.
2.1 A Energia da Biomassa
A energia da biomassa pode ser definida como sendo “toda energia 
proveniente das plantas verdes, algumas de altíssima produtividade nos países 
tropicais, tais como a cana, mandioca, dendê, florestas de rápido crescimento, 
etc., capazes de serem transformadas em energia líquida, sólida, gasosa ou 
elétrica” (VASCONCELLOS apud MELLO, 2002, p. 11).
O conceito de biomassa é amplo, congregando todos e quaisquer organismos 
biológicos, capazes de serem aproveitados de forma alternativa como fontes de 
energia.
Enumerando os organismos biológicos que podem ser considerados 
biomassa, Alves Júnior et al. (2003) destacam os seguintes:
a) a beterraba (da qual se extrai álcool); 
b) a cana-de-açúcar; 
c) alguns óleos vegetais (amendoim, soja, dendê); 
Produção e utilização de briquetes no Brasil
65
d) lenha e carvão vegetal;
e) o biogás.
É importante lembrar que o biogás é produzido do lixo e dos dejetos orgânicos, 
submetidos a um processo de biodegradação anaeróbica. Tal processo recebe a 
denominação de biodigestão e a mistura de gases formada representa o biogás. 
Acrescentam ainda Alves Júnior et al. (2003) que as fontes de energia 
consideradas renováveis possuem uma estreita correlação com o desenvolvimento 
sustentável, contribuindo para a preservação do meio ambiente e para o 
equilíbrio da natureza. 
É importante ressaltar que a biomassa residual não somente se limita ao que é 
produzido no meio rural. Atualmente, são também considerados como biomassa 
aqueles resíduos provenientes dos setores industriais e dos espaços urbanas. 
Avaliando a produção de biomassa residual nos espaços urbanos e na 
indústria, Jorge (2005, p. 65) afirma que: 
Dentre as indústrias que podemos citar estão as 
madeireiras, mobiliárias e as serrarias que produzem 
resíduos por meio do beneficiamento de toras como casca, 
cavaco, costaneira, pó de serra, maravalha e aparas. Das 
indústrias de alimentos e bebidas encontramos resíduos que 
provêm da fabricação de sucos e aguardente (laranja, caju, 
abacaxi, cana-de-açúcar etc.) e no beneficiamento de arroz, 
café, trigo, milho (sabugo e palha). Aliado a esses resíduos 
industriais, por vivermos em uma sociedade estimulada pelo 
consumo em grande escala e pela cultura do descartável, 
encontramos uma enorme massa de resíduos provenientes 
da formação de lixo urbano.
Pelo demonstrado, é possível constar que grande é a quantidade de resíduos 
da biomassa produzida através das atividades industriais, principalmente, 
quando da fabricação bebidas e alimentos e doLeandro da Costa Machado, Douglas da Silva Cunha, Jessiane Dantas 
Fernandes, Altevir Paula de Medeiros
CAPÍTULO XI - Educação ambiental: O trabalho desenvolvido por 
professores de uma escola pública do interior da Paraíba
José Ozildo dos Santos, Rosélia Maria de Sousa Santos, José Ozildo dos Santos 
Segundo, Vanessa Costa Machado, Jessiane Dantas Fernandes, Ana Catarina 
Costa de Paiva
71
81
93
107
Uma abordagem sobre os problemas 
ambientais gerados pelos resíduos
de uma queijaria
Rosélia Maria de Sousa Santos
José Ozildo dos Santos
Leandro Machado da Costa
José Rivamar de Andrade
Douglas da Silva Cunha
Jessiane Dantas Fernandes
Patrício Borges Maracajá
1 Introdução
A produção artesanal de queijo é algo bastante antigo, que remota aos 
primórdios da humanidade, tendo sido iniciada, provavelmente, logo após a 
domesticação dos animais, principalmente, dos caprinos, ovinos e bovinos. Da 
antiguidade até o presente, o queijo tem passado por várias transformações, 
adquirindo diferentes formatos, sabores e aromas (VEIGA, 2012).
Inicialmente, o consumo de queijo era algo restrito ao consumo familiar. 
Atualmente, encontra-se presente em bares, lanchonetes e restaurantes, 
constituindo-se numas das iguarias bastante consumidas no mundo inteiro 
(DANTAS, 2012). Apesar de se constitui numa grande fonte de renda, a 
fabricação de queijo também pode causa impactos ambientais negativos, se o seu 
subproduto (soro de queijo) não tiver uma destinação adequada (JERÔNIMO et 
al., 2012).
Vários estudos demonstram que o soro de queijo pode ter utilização diversa, 
podendo ser utilizado como alimentação de suínos, na fabricação de doce de 
leite, etc. No entanto, nem todo o soro produzido nas queijarias, quando não 
utilizado como matéria prima, possui uma destinação final adequada, sendo 
lançados nas redes de coletas de esgotos ou diretamente no solo, causando 
graves problemas ambientais (SARAIVA et al., 2012).
Além do soro, a fabricação artesanal de queijo também gera resíduos sólidos, 
que como o principal subproduto dessa atividade, dificilmente possui uma 
destinação final adequada, gerando danos ambientais e encargos para a limpeza 
pública (JERÔNIMO; SANTIAGO JÚNIOR, 2012).
O presente trabalho, de natureza bibliográfica, tem por objetivo promover 
uma abordagem sobre os impactos ambientais, produzidos pela destinação final 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
2
inadequadas dos resíduos provenientes das atividades desenvolvidas numa 
queijaria. 
2 revIsão de LIteratura
2.1 O queijo enquanto produto alimentício: Um recorte histórico
A princípio, o queijo era um produto que se limitava ao espaço familiar. No 
entanto, com a organização da sociedade, este produto passou a ser utilizado 
em outros espaços sociais a exemplo de bares e restaurantes, passando a ser 
considerado como fonte de renda, ensejando, assim, uma maior produção.
Derivado do leite, o queijo possui uma série de propriedades organolépticas 
e nutritivas, transformando-o num produto de grande aceitação no mercado, 
sendo, portanto, consumido de várias formas. E, para atender às exigências 
do mercado, vários também são os tipos de queijo produzidos, levando em 
consideração o sabor, a cor, a forma e seu aroma, objetivando satisfazer aos 
vários paladares dos consumidores (DANTAS, 2012).
É importante destacar que a grande aceitação e popularidade do queijo 
enquanto produto alimentício, não é recente. A História mostra que a origem 
do queijo se perde no tempo, constituindo-se num dos mais antigos alimentos 
preparados que se tem registro, com destaque para o queijo de coalho, que foi 
o pioneiro. Entretanto, quando se pesquisa a origem do queijo, é possível se 
encontrar várias versões. Algumas possuem caráter puramente mitológico. 
Registra Veiga (2012) que segundo a mitologia, o queijo foi descoberto por 
Aristeu, um dos filhos de Apolo e Rei de Arcádia, acrescentando ainda que 
“achados arqueológicos revelam a existência de queijos feitos a partir de leite de 
vaca e de cabra de 6000 a.C. Passagens bíblicas registram o queijo como um dos 
alimentos dessa época”.
A origem precisa da fabricação artesanal de queijos é desconhecida. No 
entanto, acredita-se que esse processo tenha tido início por volta de 8.000 
a.C., logo após a domesticação dos primeiros mamíferos, principalmente, dos 
bovinos, que além de servir como tração animal no processo de aragem da terra, 
passaram a ter a sua carne consumida. Posteriormente, o homem, que já utilizava 
o leite da vaca e da cabra como alimento, descobriu uma forma de aproveitá-lo 
no fabrico de queijos (SEBRAE, 2008).
Existem indícios de que foram os egípcios, os primeiros povos que 
criaram o gado bovino objetivando a retirada do leite para fins alimentares, e, 
posteriormente, passando-o a empregá-lo na produção dos primeiros queijos 
artesanais. Entre os egípcios era muito comum o consumo de queijo. Na tumba 
do faraó Tutancâmon (1500 a.C.), por exemplo, foi encontrado vestígio desse 
produto (BEUX, 2011).
Ainda segundo Veiga (2012), no continente europeu, foram os gregos os 
primeiros a inserir em seus cardápios o queijo produzido de leite de cabras e 
de ovelhas. No entanto, cabem aos romanos a divulgação do queijo, enquanto 
produto alimentício, pelo mundo, à medida que seu Império ia se expandido.
Uma abordagem sobre os problemas ambientais gerados pelos resíduos de uma queijaria
3
Deve também acrescentar que foram os romanos os responsáveis por 
transformarem o queijo de simples alimento em uma iguaria, que passou a ser 
indispensável nas refeições dos nobres, bem como algo que era servido nos 
grandes. E, que foi na Roma, que o queijo passou a ser produzido de diversas 
formas, sendo um produto utilizado na alimentação dos soldados e atletas 
(VEIGA, 2012).
Durante muito tempo, o queijo foi produzido de forma rudimentar, a partir 
da coagulação do leite, sendo complemente desprovido de soro e sal. E essa 
condição passou a mudar a partir da Idade Média, quando os monges dos 
mosteiros católicos [aos quais a produção de queijo ficou restrita por muito 
tempo], passaram a desenvolver novas receitas de produção (SEBRAE, 2008). 
Deve-se ressaltar que a produção de queijo em massa somente teve início a 
partir do século XIX, após a instalação da primeira fábrica de queijo nos Estados 
Unidos, em 1851 (VEIGA, 2012).
O entanto, tem-se que reconhecer que com o desenvolvimento tecnológico, 
o queijo deixou de ser produzido de forma artesanal, ganhando formas mais 
sofisticadas de fabrico, objetivando atender aos paladares mais diversos e 
exigentes. Atualmente, no mercado mundial, de milhares de tipos de queijos são 
comercializados. E, como gozam de grande importância comercial, alguns tipos 
de queijo são produzidos através de fórmulas especiais, mantidas em segredo 
(DANTAS, 2012).
Especificamente no Brasil, a produção de queijo foi introduzida pelos dos 
portugueses, a partir do leite de cabra. E, posteriormente, com o leite da vaca, 
à medida que a pecuária passou a se expandir, auxiliando no processo de 
desbravamento dos sertões. No entanto, com a chegada dos primeiros imigrantes 
para trabalharem nas plantações de café, em São Paulo, o queijo produzido no 
Brasil ganhou novas formas e sabores, adaptando-se mais às formas de produção 
vigente na Europa, nos meados do século XIX (CASCUDO, 2010).
Atualmente, no Brasil, são produzidos inúmeros tipos de queijos, de forma 
artesanal e industrial, e o referido país figura como sendo o sétimo maior 
produtor de queijo do mundo, contando com grandes fábricas, que respondem 
por 30% da produção nacional de três milhões de toneladas por ano (DIAS, 2013).
2.2 Aspectos gerais da produção artesanal da produção de queijo no Brasil
A produção artesanal de queijo no Brasil constitui-se em uma das principais 
atividades na agroindústria do país. Trata-se de uma atividade importante no 
que diz respeito à geração de renda e a uma melhor qualidade de vida para 
todos os envolvidos neste processo (SARAIVA et al.,beneficiamento destes últimos, 
quantidade essa que é adicionada à biomassa resultante do lixo urbano e da 
utilização de madeiras para a fabricação de moveis e outros utensílios. 
2.3 A Produção de Briquetes
À medida que as fontes alternativas de energia foram ganhando importância, 
novas modalidades foram elaboradas e colocadas em prática. E a utilização 
dessas novas alternativas, se intensificou a partir da década de 1970.
Um estudo apresentado durante o III Congresso Brasileiro de Gestão 
Ambiental, por Dantas; Santos e Souza (2012) mostra que os briquetes foram 
desenvolvidos nos Estados Unidos, pela indústria naval, em 1848 e que na 
época, tal forma alternativa de produção de energia não alcançou visibilidade, 
principalmente, devido à grande disponibilidade de lenha e de petróleo.
José Ozildo dos Santos et al.
66
É importante também ressaltar que naquela época, ou seja, no final da primeira 
década do século XIX, não havia uma preocupação ambiental. Posteriormente, o 
elevado preço cobrado pelos combustíveis fósseis e o surgimento dos problemas 
ambientais, fizeram com que as chamadas matrizes energético-ambientais 
passassem a desfrutar de certa importância. E, dentre essas matrizes, ganhou 
destaque o briquete, por vários fatores, dentre os quais, a comodidade com o 
manuseio e a facilidade de transporte. 
Informam Alves Júnior et al. (2009, p. 2) que:
A briquetagem é uma das alternativas tecnológicas 
para o melhor aproveitamento dos resíduos de biomassa, 
consistindo num processo de trituração e compactação 
que utiliza elevadas pressões para transformar os referidos 
resíduos em blocos denominados de briquetes, os quais 
possuem melhor potencial de geração de calor (energia) em 
relação aos resíduos in natura.
Na produção dos briquetes, os resíduos da biomassa são triturados e num 
segundo momento, compactados, sob alta pressão. Nesse processo de produção, 
tudo que é considerado biomassa residual pode ser aproveitado. É, portanto, o 
que destacam Dias et al. (2012, p. 17) quando afirma que os briquetes:
Podem ser produzidos a partir de qualquer resíduo 
vegetal, como, por exemplo, serragem e restos de serraria, 
casca de arroz, sabugo e palha de milho, palha e bagaço de 
cana-de-açúcar, casca de algodão, casca de café, soqueira 
de algodão, feno ou excesso de biomassa de gramíneas 
forrageiras, cascas de frutas, cascas e caroços de palmáceas, 
folhas e troncos das podas de árvores nas cidades, dentre 
outros. 
Fonte: http://www.paginasustentavel.com.br
Figura 1. Produção e aspectos dos briquetes.
Produção e utilização de briquetes no Brasil
67
Na produção de briquetes, nada que é biomassa residual se perde: tudo 
é aproveitado. Tais resíduos são compactados gerando pequenos e médios 
cilindros com diâmetro superior a 50 mm, que possuem alto poder calorífero e 
que em diversos segmentos da indústria e do comércio, já vem sendo utilizados 
em substituição à lenha e ao carvão, contribuindo, assim, para a redução dos 
impactos ambientais.
2.3 A utilização da biomassa residual de atividades agrícolas no Brasil
Em termo de produção agrícola e florestal, o Brasil se destaca no cenário 
mundial como sendo um dos maiores produtores. Entretanto, o referido país 
ainda não aproveita de forma ideal a grande quantidade de biomassa residual 
que possui.
Um estudo realizado por Dias et al. (2012) mostra que no Brasil, à exceção do 
bagaço de cana-de-açúcar, ainda não se conseguiu promover um aproveitamento 
ideal da biomassa residual, que por sua vez, é lançada fora para decomposição 
natural.
É importante destacar que essa forma de destinação final a qual vem sendo 
dada a biomassa residual, traz uma grande perda para o Brasil, gerando passivos 
ambientais, uma vez que a energia contida nessa biomassa é desperdiçada. 
Segundo Dantas; Santos e Souza (2012), a produção de briquetes teve início 
no Brasil, em 1985, tendo sido o estado do Rio Grande do Sul o responsável pela 
venda dos primeiros briquetes no país.
É importante ressaltar que no início do processo de produção e comercialização 
desse biocombustível no Brasil, surgiram vários obstáculos, dentre os quais, 
Dantas; Santos e Souza (2012), destacam os seguintes: 
a) a ausência de promoção;
b) a concorrência com a lenha e o carvão vegetal;
c) a desuniformidade do produto;
d) a necessidade de capital de giro;
e) o alto preço do frete da matéria-prima;
f) os impostos elevados.
Os desafios enfrentados pelos setores produtores de briquetes no Brasil 
foram resultantes, principalmente, pela falta de incentivo por parte do governo 
federal, que se traduz na falta de custeio e na inexistência de uma política 
tributária especifica. Além de enfrentarem a falta incentivos que deveriam ser 
fornecidos pelo governo, os primeiros produtores de briquetes no país tinham 
dificuldades em venderem seus produtos, porque os mesmos possuíam preço 
elevados, reflexos da alta tributação e enfrentavam a forte concorrência que 
vinha daqueles que comercializavam lenha e carvão vegetal. 
Entretanto, com o tempo e com a adoção de práticas sustentáveis e do 
aumento pela busca por novas fontes alternativas de energia, o mercado se 
abriu para os briquetes no Brasil, o que levou ao desenvolvimento de inúmeras 
José Ozildo dos Santos et al.
68
pesquisas sobre tal alternativa. Atualmente, segundo Silberstein (2011), produz-
se briquetes a partir de:
a) bagaço de cana;
b) casca de arroz;
c) lenha comercial;
d) resíduos de algodão;
e) resíduos de eucalipto;
f) resíduos de pinus;
g) resíduos de madeira de lei.
A utilização de outros compostos está sendo estudada objetivando a produção 
de briquetes, principalmente, utilizando-se a biomassa residual existente na 
região norte do país.
3 ConsIderações FInaIs
As atividades agrícolas, florestais e industriais no Brasil geram uma grande 
quantidade de biomassa residual. Lamentavelmente, esse potencial ainda não 
vem sendo utilizado da maneira correta. Grande parte dessa biomassa residual 
é desperdiçada e com ela a energia que poderia ser produzida, auxiliando no 
processo de preservação do meio ambiente e proporcionado a estruturação 
de um modelo energético, que leva em consideração os princípios aplicáveis à 
sustentabilidade ambiental.
Embora seja responsável pela produção de uma grande quantidade de 
biomassa residual, o Brasil somente utiliza uma pequena parcela desse material 
na produção de briquetes. Pouco mais de um milhão de toneladas de briquetes 
são produzidas por ano pais, utilizando-se, principalmente, resíduos agrícolas. 
Os resíduos de alimentos, produzidos pela fabricação de alguns produtos, bem 
com pelo beneficiamento dos próprios alimentos, ainda não são utilizados 
também em grande escala na produção de briquetes, no Brasil.
Pode-se perceber que a falta de incentivos e ações governamentais voltadas 
para a valorização da produção de briquetes no país, tem contribuído para que 
uma imensa quantidade de biomassa residual seja desperdiçada anualmente.
4 reFerênCIas
ALVES JÚNIOR, F. T. et al. Utilização de biomassa para briquetagem como fonte 
de energia alternativa e a disponibilidade deste recurso na região do Cariri-
CE. XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 
24 de out de 2003. Anais... ENEGEP/ABEPRO, 2003. Disponível in: http://
www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2003_TR1003_0215.pdf. Acesso: 5 
ago 2016.
Produção e utilização de briquetes no Brasil
69
DANTAS, A. P.; SANTOS, R. R. dos; SOUZA, S. C. de. O briquete como 
combustível alternativo para a produção de energia. III Congresso Brasileiro 
de Gestão Ambiental Goiânia/GO, 19 a 22/11/2012. IBEAS. Anais eletrônicos. 
Disponível in: http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2012/X-006.
pdf Acesso: 05 ago 2016.
DIAS, J. M. C. S. et al. Produção de briquetes e péletes a partir de resíduos 
agrícolas, agroindustriais e florestais. Brasília: Embrapa Agroenergia, 2012.
JARDIM, J. S. Desenvolvimento sustentável, desenvolvimento como liberdade 
e a construção da cidadania naperspectiva ambiental. Revista do Programa 
de Mestrado em Direito do UniCEUB, Brasília, v. 2, n. 1, p. 189-201, jan./
jun. 2005.
JORGE, M. P. Energias renováveis: uma visão econômica sobre o aproveitamento 
das energias solar, eólica e de biomassa. Pensam. Real., ano VIII, n. 16, p. 56-
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MONTIBELLER-FILHO, G. O mito do desenvolvimento sustentável. Santa 
Catarina: UFSC, 2001.
SILBERSTEIN, E. UnB mapeia matérias primas para a fabricação de briquetes. 
UnB Ciência, 19 dez. 2011. Disponível in: http://www.unbciencia.unb.
br.Acesso: 05 ago 2016.
VASCONCELLOS, G. F. Biomassa: A eterna energia do futuro. São Paulo: 
SENAC, 2002.
Análise da percepção ambiental acerca 
do bioma Caatinga por parte
dos docentes de uma escola pública
do município de Patos, Paraíba
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
José Ozildo dos Santos Segundo
Vanessa Costa Santos
Jessiane Dantas Fernandes
Douglas da Silva Cunha
Altevir Paula de Medeiros
1 Introdução
A temática ‘desequilíbrios ambientais’ não é nova na história da civilização 
ocidental. Desde a Grécia antiga já se registrava uma preocupação com o 
uso do meio ambiente de forma desordenada e também em relação às suas 
consequências resultantes do mau uso dos recursos naturais. No que diz 
respeito ao semiárido brasileiro, a Caatinga tem se constituído um tema bastante 
discutido, principalmente, por ser considerada um dos biomas brasileiros mais 
degradado, tendo mais de 45% de sua cobertura original alterada pela ação do 
homem e também por localizar-se em uma região conhecida como Polígono 
das Secas, onde se encontra ecossistemas mais vulneráveis ao processo de 
desertificação (CASTELLETTI et al., 2005).
Um estudo desenvolvido por Araújo e Sousa (2011) abordando o estado de 
conservação da Caatinga nordestina, destaca que a situação atual apresentada 
por esse bioma é resultante de fatores favoráveis a situação de vulnerabilidade, 
das condições do clima, dos solos, com também da exploração inadequada 
dos recursos naturais e devido ao superpastoreio, o que tem contribuído para 
diminuição da fauna original, ameaçando de extinção uma grande variedade de 
organismos.
Quando se analisa os ‘desequilíbrios ambientais’ dessa região, dentre as 
maiores preocupações, pode-se destacar o processo de desertificação, que tem se 
intensificado pela ocupação e intervenção humana desordenada, provocando a 
perda de solos férteis, a extinção de várias espécimes da fauna e da flora, afetando 
a biodiversidade e a população humana (ABÍLIO; FLORENTINO, 2011).
José Ozildo dos Santos et al.
72
Por outro lado, o Estado da Paraíba, onde o presente estudo foi realizado, 
é a unidade federativa que possui o maior percentual de área com nível de 
desertificação em nível muito grave, afetando o dia-a-dia de mais de 653 
mil pessoas residentes em seu território (ABÍLIO; FLORENTINO, 2011). É 
importante destacar que os problemas vivenciados nesse bioma são reflexos de 
uma longa ação predatória, que não tem levado em consideração os parâmetros 
de sustentabilidade, impossibilitando que o meio se recomponha de forma 
natural. 
No que diz respeito à percepção ambiental, trata-se, segundo Silva; Cândido 
e Freire (2009, p. 24) de “um instrumento utilizado em diversas áreas do 
conhecimento, buscando a melhoria da qualidade de vida do homem e dos 
outros seres vivos, podendo ser definida como [...] o ato de perceber o ambiente 
no qual se está inserido, protegendo e cuidando do mesmo”.
A partir do estudo da percepção ambiental é possível compreender as diferentes 
formas de ver e sentir o ambiente, possibilitando um maior envolvimento com 
as especificidades de cada comunidade, de maneira que possa ser desenvolvida 
uma educação ambiental participativa, capaz de valorizar o contexto ambiental, 
social, cultural, econômico e ético, elementos estes importantes para o processo 
relacional homem-sociedade e natureza.
Desse modo, considerando que a Caatinga é o único bioma exclusivamente 
brasileiro, com biodiversidade composta por fauna e flora peculiar, mas ainda 
é pouco explorada cientificamente, como também marginalizada no processo 
educativo, este trabalho objetiva analisar a percepção ambiental dos docentes da 
Escola Estadual de Ensino Médio Monsenhor Vieira, localizada no município de 
Patos, Estado da Paraíba.
2 MetodologIa
A pesquisa foi realizada com 10 professores da Escola Estadual de Ensino 
Médio Monsenhor Vieira, localizada no município de Patos, Estado da Paraíba, 
durante o mês julho de 2016. O estudo caracterizou como sendo uma pesquisa 
de cunho qualitativo, onde utilizou-se os pressupostos teórico-metodológicos 
elementos da etnografia escolar, na forma demonstrada por Gil (2002).
Como instrumentos de coletas de dados utilizou-se um questionário 
estruturado, contendo questões conceituais sobre a biodiversidade e relativas ao 
bioma caatinga, com a finalidade de conhecer a percepção ambiental e aspectos 
relacionados a práticas pedagógicas do professor no campo da Educação 
ambiental. A escolha pela utilização de um questionário se deu, principalmente, 
pela facilidade de se descrever as características e por permitir uma melhor 
medição das variáveis dos grupos sociais estudados.
3 resultados e dIscussão
Na primeira pergunta do questionário, procurou-se saber dos professores 
que participaram da pesquisa, como eles definiriam a Caatinga, enquanto bioma. 
Análise da percepção ambiental acerca do bioma Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública...
73
De acordo com os dados apresentados na Figura 1, 30% dos professores 
entrevistados definem a caatinga como sendo uma região árida que possui 
uma vegetação à base de cactáceas; 40% conceituam a Caatinga como sendo um 
bioma diversificado e único no mundo. E, os demais (30%), como um bioma que 
possui suas singularidades, mas que ainda não foi estudado de forma completa.
Duque (2004, p. 31) define a Caatinga como sendo “um conjunto de árvores 
e arbustos espontâneos, densos, baixos, retorcidos, leitosos, de aspecto seco, 
de folhas pequenas e caducas, no verão seco, para proteger a planta contra a 
desidratação pelo calor e pelo vento”.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Por isso, grande parte 
do patrimônio biológico dessa região não é encontrada em outro lugar do planeta, 
além do nordeste do Brasil. Ela cobre quase todo o nordeste brasileiro, atingindo 
uma área de quase 10% do território nacional, abrangendo os Estados do Ceará, 
Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia, sul e leste 
do Piauí e norte de Minas Gerais. Entretanto, essa vegetação única, constitui-se 
no terceiro bioma mais degradado ambientalmente, no Brasil, perdendo apenas 
para Floresta Atlântica e para o Cerrado (FERREIRA et al., 2007).
Ao longo de quase quinhentos anos, a Caatinga é explorada. De forma 
inconsciente, o homem utilizando-se de queimadas, devastou grandes extensões 
desse bioma, objetivando plantar pastagens e outras culturas, a exemplo do 
algodão, sem, contudo, preocupar-se com o desequilíbrio ecológico proveniente 
de suas ações impensadas (ROCHA et al., 2007).
Em ato continuo, indagou-se dos professores entrevistados quais as plantas 
típicas da Caatinga que apresentam um maior destaque. O Quadro 1 apresenta 
os resultados colhidos com esse questionamento. 
Analisando o Quadro 1 verifica-se que o pereiro, a urtiga, o marmeleiro preto, 
o angico, a imburana, a catingueira, o xique-xique, a macambira e o umbuzeiro, 
encontram-se entre as espécies vegetais mais citadas pelos professores 
Fonte: Elaborado pelos autores
Figura 1. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto à definição de 
Caatinga
José Ozildo dos Santos et al.
74
entrevistados na presente pesquisa. Algumas dessas espécies possuem uso 
medicinal tanto na etnobotânica quanto na etnoveterinária, como é o caso do 
pereiro, angico, pinhão, urtiga, jurema e catingueira (RODRIGUES et al., 2002). 
Outras, porém, são utilizadas na alimentação tanto do homem,quanto de 
animais, com destaque para o umbuzeiro e o mandacaru, para a alimentação 
humana e o xique-xique, a palmatória, macambira, o marmeleiro para 
alimentação animal, principalmente, durante o período de estiagens. Já em 
relação ao uso da madeira, dentre as espécies vegetais da caatinga citadas pelos 
professores, destacam-se o pereiro, o angico e a imburana. No entanto, tem-se 
que reconhecer que a exploração desordenada desses recursos, principalmente, 
para a produção de carvão vegetal, tem comprometido a sustentabilidade do 
bioma Caatinga (ALBUQUERQUE et al., 2010).
Indagou-se ainda dos professores entrevistados, quais as espécies de animais 
nativos da Caatinga que eles mais conheciam. Os resultados obtidos foram 
condensados e apresentados no Quadro 2.
Quando se analisa o Quadro 2, constata-se que segundo os professores 
entrevistados, as espécies de animais típicos da Caatinga que são por eles 
conhecidas são: o preá (mamífero), a cobra e a lagartixa (repteis), a rolinha (ave) 
e as formigas (insetos).
Alguns dos animais relacionados no Quadro 2, são com grande frequência 
abatidos e consumidos pelo sertanejo como forma de alimento, com destaque 
para preá, o tatu, o gato maracajá, o carcará, a rolinha e o anum. Este último, a 
espécie mais consumida é o anum branco. No que diz respeito à abelha jandaíra, 
popularmente conhecida como uma abelha sem ferrão, produz um excelente mel 
Quadro 1. Espécies Vegetais típicas da Caatinga citadas pelos docentes
Famílias Espécimes (Nome popular) Percentual (%)
Anacardiaceae
Braúna 20
Umbuzeiro 80
Cactaceae
Palmatória 10
Mandacaru 30
Xique-xique 60
Caesalpinioideae
Catingueira 60
Jucá 40
Burseraceae Imburama 100
Bromeliaceae Macabira 100
Mimosaceae
Angico 60
Jurema 40
Euphorbiaceae
Marmeleiro preto 70
Pinhão 30
Urticaceae Urtiga 100
Apocynaceae Pereiro 100
Fonte: Elaborado pelos autores
Análise da percepção ambiental acerca do bioma Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública...
75
que além de ser consumido como alimento, possui uma utilização medicinal, 
sendo adicionado a algumas plantas medicinais a exemplo do mastruz, do 
limão, da laranja, da hortelã, da romã, bem como o e alho, principalmente, no 
sertão paraibano (ANDRADE et al., 2012).
Através do 4º questionamento, indagou-se dos professores participantes, 
como eles caracterizam o Semiárido. Na Figura 2 encontram-se apresentados os 
dados relativos a esse questionamento.
Com base na Figura 2, verifica-se que 30% dos professores entrevistados, 
caracterizam o Semiárido como sendo uma região que apresenta clima quente, 
possuindo também baixas precipitações distribuídas de forma irregular; 40% 
Quadro 2. Animais típicos da Caatinga citados pelos docentes
Classe Espécies (Nome popular) Percentual (%)
Mamífero
Preá 60
Tatu 30
Gato do Mato (Maracajá) 10
Repteis
Cobra 40
Camaleão 20
Lagartixa 40
Aves
Carcará 10
Rolinha 70
Anum 20
Insetos
Abelha jandaíra 20
Formiga 50
Besouro do cão 30
Fonte: Elaborado pelos autores
Fonte: Elaborado pelos autores
Figura 2. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto ao fato de como 
eles caracterizam o Semiárido.
José Ozildo dos Santos et al.
76
afirmaram que o Semiárido apresenta rede de drenagem formada por riachos 
e rios temporários, enquanto que os demais (30%) declararam que tal região se 
caracteriza por apresentar solos pedregosos e pobres em matéria orgânica.
O semiárido nordestino caracteriza-se por possuir uma vegetação que 
apresenta um aspecto agressivo, havendo uma predominância de cactáceas 
colunares a exemplo do mandacaru e do facheiro, além de outros arbustos e 
árvores com espinhos. Nessa região, o solo é bastante pedregoso e pouco 
profundo. E, por isso, não consegue armazenar a água que cai, durante o período 
chuvoso (DUQUE, op. cit.).
Através do penúltimo questionamento perguntou-se aos professores 
participantes, se quando eles trabalham a educação ambiental se preocupam 
em contextualizar o ensino, estabelecendo uma correlação direta com o 
semiárido. Na Figura 3 encontram-se apresentados os dados colhidos com esse 
questionamento.
Analisando-se a Figura 3 verifica que somente 40% dos professores 
entrevistados quando trabalham a temática ambiental procuram estabelecer 
uma correlação direta com o semiárido, focalizando suas particularidades. No 
entanto, 60% dos entrevistados não fazem isto.
De acordo com Almeida Filho (2007, p. 39), “toda vez que o professor for fazer 
a contextualização deve ter em mente que ela é necessária para criar imagens do 
campo que ele irá explorar”, deixando “claro para o aluno que o saber é sempre 
mais amplo, que o conteúdo é sempre mais complexo do que aquilo que está 
sendo apresentado naquele momento”. 
Fonte: Elaborado pelos autores 
Figura 3. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto ao fato de que 
quando trabalham a educação ambiental, preocupam-se ou não em contextualizar 
o ensino, fazendo uma correlação direta com o semiárido.
Análise da percepção ambiental acerca do bioma Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública...
77
A ideia central que se tem de ‘contextualização’ é a de procurar estabelecer 
uma correção entre o conteúdo apresentado em sala de aula com o ‘mundo’ 
[espaço/ambiente] no qual vive o aluno, de forma que este entenda melhor 
que está sendo transmitido. É importante ressaltar que o Estado brasileiro 
regulamentou a Educação Ambiental através da Lei nº 9.795/1999. E essa lei, em 
seu art. 4º aborda o ensino da Educação Ambiental de forma contextualizada. 
Nesse sentido, Mello e Trajber (2007, p. 26) afirmam que os princípios contidos 
na lei acima citada, “buscam reforçar a contextualização da temática ambiental 
nas práticas sociais [...] com enfoques humanista, histórico, crítico, político, 
democrático, participativo, dialógico e cooperativo, respeitando o pluralismo de 
ideias e concepções pedagógicas”. 
Desta forma, com base nas disposições contidas na Lei que instituiu a Política 
Nacional de Educação Ambiental, sempre que se abordar as questões ambientais 
no âmbito da sala de aula, deve-se contextualizar o ensino, focalizando a 
realidade local, de forma a proporcionar ao aluno uma maior visão sobre os 
problemas ambientais que existem em sua região, em sua localidade ou em seu 
município. 
Por outro lado, a necessidade de se procurar inserir o Semiárido na temática 
ambiental quando de sua abordagem em sala de aula, reside no fato de que 
trata-se da região onde residem os alunos para dos quais, os entrevistados 
são professores. E seria por demais contributivo se o professor, ao abordar as 
questões ambientais em sala de aula procurasse estabelecer um paralelo com a 
realidade na qual encontra-se inserido o seu aluno.
4 consIderações FInaIs
Na atualidade, existe a necessidade de se promover uma maior discussão 
sobre as questões ambientais no contexto escolar, privilegiando-se a Educação 
Ambiental, levando-se em consideração seus objetivos, que primam pela 
construção de uma sociedade ecologicamente consciente e responsável com as 
futuras gerações.
Constatou-se que é consenso entre a maior parte dos entrevistados de que a 
Caatinga constitui um bioma único no mundo, possuindo suas singularidades, 
sendo formado por uma vegetação à base de cactáceas. Especificamente em 
relação ao Semiárido, os entrevistados possuem o entendimento de que se trata 
de uma região, que em razão das condições climáticas, é formada por riachos 
e rios temporários, apresentando ainda solos pedregosos e pobres em matéria 
orgânica. No entanto, a maioria dos professores enfrentam dificuldades em 
contextualizar o ensino, no que diz respeito a focalizar o semiárido nas discussões 
promovidas no contexto escolar. E, como tal temática não é abordada de forma 
ampla, vem contribuindo para limitar o conhecimento sobre a região semiárida, 
apresentado pelos alunos na visão da maioria dos professores entrevistados.
Isto fato demonstra a necessidade de uma maior capacitação por parte dos 
professoresem torno das questões ambientais, bem como a necessidade de uma 
José Ozildo dos Santos et al.
78
definição de novas metodologias que proporcionem uma maior aquisição de 
conhecimento por parte dos alunos, proporcionando, assim, uma aprendizagem 
significativa e a formação de cidadãos ecologicamente conscientes. 
Em resumo, existe a necessidade de se investir na formação continuada destes 
professores, de maneira que sejam trabalhados aspectos de instrumentação 
de seus conhecimentos, de forma a desenvolver cada vez mais a Educação 
Ambiental para o desenvolvimento sustentável de Semiárido nordestino.
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Análise da percepção ambiental acerca do bioma Caatinga por parte dos docentes de uma escola pública...
79
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Sustentabilidade: Discutindo estratégias 
para sua promoção
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
Vanessa da Costa Santos
José Rivamar de Andrade 
Jessiane Dantas Fernandes
Douglas da Silva Cunha
Décio Carvalho Lima
1 Introdução
A princípio, visto como algo utópico, o desenvolvimento sustentável foi 
ganhando forma e tornando-se realidade. Atualmente, já é possível enumerar 
inúmeras ações/iniciativas de sucesso que promovem o desenvolvimento 
sustentável e mostram que é possível haver desenvolvimento associado à 
preservação do meio ambiente.
Apresentado como sendo uma atividade produtiva, que não degrada os 
recursos naturais, o desenvolvimento sustentável é uma proposta que foi 
formulada por Ignacy Sachs, no final dos anos sessenta, como sendo resultado 
da combinação dos conceitos de justiça social, proteção ambiental e eficiência 
econômica (SANTOS et al., 2013).
Antes limitado apenas ao contesto acadêmico, essa concepção de 
desenvolvimento ganhou importância e atualmente é assunto nos diferentes 
setores da sociedade, que de forma gradativa vem absorvendo os princípios da 
sustentabilidade e assumindo um compromisso com as gerações futuras. 
A presente produção acadêmica se justifica partindo do princípio de que 
embora tenham se ampliado as discussões em torno do desenvolvimento 
sustentável, as estratégias para a sua promoção ainda são muito pouco discutidas 
e dificilmente abordadas no contexto acadêmico.
O presente artigo, de natureza bibliográfica, tem por objetivo mostrar a 
importância da definição das estratégias para a promoção do desenvolvimento 
sustentável.
2 revIsão de LIteratura
2.1 Desenvolvimento Sustentável: Conceito e importância
Vários são os conceitos apresentados para o desenvolvimento sustentável. 
Entretanto, nestes sempre se inclui a missão de usar os recursos naturais com o 
José Ozildo dos Santos et al.
82
caráter de perpetuação. Elaborado de forma ampla, o conceito de desenvolvimento 
sustentável abrange o econômico, o social e o ecológico. Existe, entendimento 
de que a sustentabilidade está condicionada à uma sociedade organizada. Num 
sentido mais amplo, o desenvolvimento sustentável tem por objetivo promover 
a harmonia entre o homem e a natureza. Na opinião de Tozoni-Reis (2004, p. 50), 
tal modelo “diz respeito a uma forma de crescimento econômico que considera 
o comprometimento dos recursos naturais para as futuras gerações”. 
Para Barbieri (1997), o desenvolvimento sustentável pode ser visto como 
sendo uma nova forma de se perceber as soluções para os problemas globais, 
incorporam a estas as chamadas dimensões culturais, políticas e sociais e não 
somente se limitam às questões relativas à degradação ambiental.
Deve-se destacar neste tipo de desenvolvimento existe uma preocupação 
que vai além do crescimento econômico. Nele, levam-se em consideração as 
múltiplas tradições culturais e crenças, existindo também a preocupação de 
promover a construção de um estilo de vida mais saudável.
De acordo com Jardim (2005, p. 190), “o desenvolvimento sustentável é o 
discurso aberto frente à necessária busca de equilíbrio entre o desenvolvimento 
econômico e o meio ambiente”. 
Na busca do equilíbrio necessário, o desenvolvimento sustentável interliga 
o que é para ser desenvolvido com o que é para ser sustentado, sem, contudo, 
apresentar-se como um obstáculo. Existe no desenvolvimento sustentável 
uma preocupação com o ‘renovar’, de forma que prega-se a exploração de 
determinado recurso sem exauri-lo, deixando-o num limite onde este possa se 
restabelecer. 
Essa observação é válida quando trata-se dos chamados recursos 
renováveis. Nos casos dos não renoveis, prega-se a redução de sua utilização, 
e, consequentemente, a sua substituição por outros já existentes ou de produtos 
sintetizados, a exemplo do biodiesel, quando a questão for o combustíveis 
fósseis.
Bezerra; Bursztyn (2000) vão mais além e definem o desenvolvimento 
sustentável como sendo um processo de aprendizagem social, que deve ser 
promovido a longo prazo, acrescentando que esse processo é conduzido por 
políticas públicas sempre orientadas por meio de um plano de desenvolvimento 
nacional. 
No entanto, tem-se que reconhecer que tanto as pluralidades de atores 
sociais, tanto os vários interesses presentes na sociedade, podem ser vistos 
como obstáculos à adoção das políticas públicas voltadas para a promoção do 
desenvolvimento sustentável.
Nobre (1999, p. 139) afirma que o desenvolvimento sustentável:
[...] significa, de um lado, a concretização de alianças em 
termo de um consenso mínimo a respeito da problemática 
ambiental [frente aos impactos típicos das discussões da 
década de 1970], e, de outro, a arguta tentativa de aproveitar 
um ambiente mundial de relativa distensão e de intensa 
Sustentabilidade: Discutindo estratégias para sua promoção
83
mobilizaçãosocial em torno das questões ecológicas, para 
levar a questão ambiental [que se puderam observar na 
segunda metade da década de 1980] para o primeiro plano 
da agenda política internacional.
O desenvolvimento sustentável pode ser entendido como aquele que procura 
satisfazer as necessidades da sociedade atual, de forma que seja garantido às 
futuras gerações a capacidade de promover as suas. Esse tipo de desenvolvimento 
prima pela ‘continuidade’ e ‘permanência’ da qualidade de vida, existindo nele 
uma preocupação em garantir tal benefício às gerações futuras.
Visando facilitar a compreensão do conceito de desenvolvimento sustentável, 
Sachs (1993) divide a sustentabilidade em sustentabilidade ambiental; ecológica; 
econômica; política e a social.
O Quadro 1 apresenta os conceitos das modalidades de sustentabilidade 
definidas por Sachs (1993).
É importante destacar que essas diferentes modalidades encontram-
se inseridas na ‘Agenda 21 Brasileira’, com o objetivo expresso de mostrar 
Fonte: Sachs (1993, p. 51), adaptado.
MODALIDADES DESCRIÇÃO
Sustentabilidade
ecológica
Refere-se à base física do processo de crescimento e
tem como objetivo a manutenção de estoques dos
recursos naturais, incorporados às atividades
produtivas.
Sustentabilidade
ambiental
Refere-se à manutenção da capacidade de
sustentação dos ecossistemas, o que implica a
capacidade de absorção e recomposição dos
ecossistemas em face das agressões antrópicas.
Sustentabilidade
social
Refere-se ao desenvolvimento e tem por objetivo a
melhoria da qualidade de vida da população. Para o
caso de países com problemas de desigualdade e de
inclusão social, implica a adoção de políticas
distributivas e a universalização de atendimento a
questões como saúde, educação, habitação e
seguridade social.
Sustentabilidade
política
Refere-se ao processo de construção da cidadania
para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao
processo de desenvolvimento.
Sustentabilidade
econômica
Refere-se a uma gestão e ciente dos recursos em
geral e caracteriza-se pela regularidade de ­uxos do
investimento público e privado. Implica na avaliação
da e ciência por processos macrossociais
Quadro 1. Modalidades de sustentabilidade
José Ozildo dos Santos et al.
84
que o desenvolvimento sustentável deve ser tomado como sinônimo de 
sustentabilidade socioambiental. 
Na visão de Veiga (2005), esse tipo de desenvolvimento é o grande desafio 
do século XXI. E, enquanto não se buscar um novo paradigma científico que 
tenha condições de substituir os paradigmas do ‘globalismo’, o conceito de 
desenvolvimento sustentável será uma utopia. Nessa mesma linha de raciocínio, 
Rodrigues (1997, p. 44) argumenta que “a sustentabilidade precisa ser construída 
socialmente, ou seja, penso que o desafio é construir a utopia da sociedade 
sustentável, desenvolvendo-se em contínua progressão a capacidade de pensar, 
que é a essência da natureza humana”.
Assim sendo, somente existirá de fato o desenvolvimento sustentável quando 
existir uma sociedade dotada de uma consciência ecológica e que se integrantes 
pautem sua ações observando sempre a ética da sustentabilidade. Abordando as 
perspectivas do desenvolvimento, Tonneau (2004, p. 89) observa que:
O conceito de desenvolvimento sustentável ainda deve 
ganhar mais força. A pressão dos consumidores por uma 
agricultura mentos poluente, com produtos mais seguros, em 
condições mais éticas vai se reforçar. Também a diminuição 
dos subsídios vai levar a uma racionalização do uso dos 
insumos.
No contexto atual, o que se percebe é que o discurso sobre sustentabilidade 
vem cada vez mais adquirindo força política. E isto somente vem sendo possível 
porque o mesmo já se encontra amplamente socializado, tanto junto às agências 
estatais nacionais e internacionais, quanto às organizações representativas da 
sociedade.
De acordo com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR-
BA, 1997), o conceito de sustentabilidade apoia-se nos seguintes postulados: 
durabilidade ao longo do tempo; eficiência econômica; equidade interpessoal e 
regional; e, responsabilidade ambiental. 
É importante destacar que a sustentabilidade para a sua consecução, exige 
intervenções que implicam na adoção do princípio da descentralização. Nessas 
intervenções é de fundamental importância o papel do Estado, que deve promover 
esforços visando não somente o planejamento, mas também a transferência de 
informações que facilitem a execução por parte dos agentes sociais.
A partir da definição apresentada no Relatório Brundtland, elaborado 
em 1987, pode-se perceber que tal conceito não somente diz respeito apenas 
ao impacto da atividade econômica no meio ambiente. De forma técnica, ele 
também discute as desigualdades existentes nos contextos econômicos e sociais 
(HERCULANO, 1992).
Assim, o desenvolvimento sustentável é um modelo que procura evitar 
a degradação humana, exigindo a adoção de políticas sociais compatíveis, 
capazes de superar as complexas exigências econômicas, privilegiando o meio 
Sustentabilidade: Discutindo estratégias para sua promoção
85
ambiente, preservando-o para as gerações futuras. Ele defende aqueles modelos 
de desenvolvimentos, que primam pela preservação dos recursos naturais e que 
observam as vocações locais e regionais, bem com os graus de desenvolvimento, 
procurando estabelecer uma correlação com as diferentes culturas desenvolvidas. 
Acrescenta ainda Matos (1994, p. 12) que “do ponto de vista político, 
o Desenvolvimento Sustentável deve procurar favorecer a evolução e a 
estabilidade das instituições democráticas, estabelecendo instrumentos de acesso 
à participação e de controle social das estratégias e da operação das ações”.
Desta forma, o desenvolvimento sustentável possui uma concepção que vai 
muito mais além do que a simples missão de preservar o meio ambiente. Ele 
deve promover meios que facilitem a participação popular, e ao mesmo tempo 
exigir que os atores sociais que dele participam, cumpram a sua parte, exercendo 
o controle social e ao mesmo tempo participando e discutindo as estratégias que 
serão colocadas em prática, visando promover a sustentabilidade, considerando 
os enfoques sociais, econômicos e ambientais.
2.2 Ética e sustentabilidade ambiental
A necessidade de se conter os avanços dos impactos ambientais e dos danos 
causados ao meio ambiente, produzidos pelo desenvolvimento econômico, levou 
à formulação do conceito e dos princípios ora aplicados ao desenvolvimento 
sustentável, que, em momento algum, deve ser visto como uma ameaça ao 
progresso. 
Dissertando sobre a dicotomia desenvolvimento econômico/desenvolvimento 
sustentável, Matos (1994, p. 13) chama atenção para “a contradição entre 
crescimento e preservação é, não apenas natural, mas indissociável na dialética 
da natureza e dos sistemas sociais [...]. Não há crescimento sem preservação, da 
mesma forma que não haverá preservação sem crescimento”.
Pelo demonstrado, é possível existir desenvolvimento econômico e 
conjuntamente se ter a preservação dos recursos naturais. O que é necessário, 
é que exista responsabilidade e comprometimento, que devem ser fruto de 
uma consciência ecológica e embasados em princípios éticos. Assim sendo, o 
desenvolvimento sustentável visa determinar meios capazes de promoverem 
a superação dos modelos clássicos de crescimento econômico. Tais meios 
devem privilegiar os aspectos socioeconômicos e ao mesmo tempo promover a 
inclusão social, tendo compromisso com a permanência das ações voltadas para 
a preservação dos recursos naturais, de forma a garanti-los às gerações futuras.
Desta forma, por possuir uma ampla abordagem, alguns autores, dentre os 
quis Guimarães (2001), ressaltam que o desenvolvimento sustentável tem que 
possuir uma base ética. Pois, dele deve demandar uma solidariedade social, 
capaz de subordinar a dinâmica econômica aos interesses da sociedade e às 
condições do meio ambiente. 
Nesse mesmo sentido, observa Caffé (2002, p.73) que “fazer o planejamento 
sustentável é uma tarefa coletiva, multidisciplinar e interativa, e nisto consiste 
José Ozildo dos Santos et al.
86
uma das diferenças básicas em relação ao planejamento tradicional, que era 
focada exclusivamente na economia e suas ‘externalidades’”.
Contudo, é importante destacar que na construção dessa solidariedade 
é necessária uma mudança radical nos valores da sociedade, bem como nas 
práticas e atitudes dos agentes que promovem o desenvolvimento. Em resumo, 
o desenvolvimento sustentável visto e definido como um novo padrão de 
desenvolvimento, leva em consideração o crescimento da economia e a geração 
de riquezas. Ele procura integrar esses segmentos à preservação do ambiente, 
bem como ao manejo adequado dos recursos naturais. Sem, contudo, deixar de 
garantir aos indivíduos o direito à cidadania e a uma melhor qualidade de vida.
2.3 Estratégia e desenvolvimento sustentável
Estruturado a partir de uma lógica consistente, o desenvolvimento sustentável 
exige um modelo de gestão que tenha compromisso com a racionalidade. 
As decisões relacionadas a esse tipo de desenvolvimento devem ser sempre 
baseadas em decisões precedentes, tendo em vista o fato de que com o mesmo 
compreende uma sequência de atividades interativas, elaboradas a partir de 
estratégias definidas. 
Através do Desenvolvimento Sustentável busca-se melhorar a qualidade de 
vida do ser humano, erradicando a miséria, promovendo-se um resgate da dívida 
social que o Estado possui com grande parte de sua população. No entanto, para 
cumprir esse papel, é necessário a definição de estratégia bem claras. 
De acordo com Matos (1994, p. 19) um modelo de desenvolvimento 
sustentável deve levar em consideração as seguintes estratégias:
– aproveitamento racional dos recursos naturais, sem depredação da natureza, 
garantindo o equilíbrio do ecossistema, tanto para preservar as condições de 
vida atuais, como por solidariedade às gerações futuras;
– desenvolvimento e uso de tecnologias adequadas, que superem o 
obsoletismo que comprometem a competitividade da região, mas que respeitem 
a cultura e o equilíbrio do ecossistema e da economia local;
– maior autonomia das economias geradas com relação à dependência de 
outros centros, em decorrência da máxima mobilização de recursos e mão de 
obra locais;
– geração de economias com capacidade de incorporação progressiva de 
grandes contingentes de mão de obra, inclusive pela capacidade de gerar efeitos 
de dispersão para frente e para trás;
– permanência, adequação e evolução dos projetos ao longo do tempo, 
adaptando-se às contingências dos mercados, da cultura da disponibilidade dos 
recursos.
O aproveitamento racional dos recursos naturais visa garantir que as 
gerações futuras tenham acesso aos recursos ora disponíveis. Quando se fala 
em desenvolvimento e uso de tecnologias adequadas, está se buscando uma 
forma de desenvolvimento que preserve a cultura local. Pois, a imposição de 
Sustentabilidade: Discutindo estratégias para sua promoção
87
tecnologias que não levem em consideração as particularidades locais podem 
trazem desequilíbrio não somente para o ecossistema como também para a 
economia local.
Outra particularidade que deve ser observada quando do estabelecimento de 
estratégias para o desenvolvimento sustentável diz respeito ao aproveitamento 
da mão de obra, em sua maior quantidade. Para tanto, os projetos voltados para 
esse fim devem ser bem elaborados e adequados à realidade local, possuindo a 
capacidade de serem desenvolvidos a longo prazo, estabelecendo condições que 
garanta a preservação dos recursos naturais existentes na região e a cultura local.
Por outro lado, acrescenta Carvalho (1994, p. 112) que a sustentabilidade 
depende da participação em diferentes planos sociais para “aconselharem, 
acompanharem, avaliarem e controlarem as políticas públicas, pelo menos 
a sustentabilidade social da participação consentida que se expressaria na 
capacidade, maior ou menor, das pessoas, em situação de pobreza crônica, 
estabelecerem processos econômicos sociais, políticos e ideológicos de superação 
da subalternidade”.
Assim sendo, percebe-se que além de se preocupar com a preservação 
dos recursos naturais, o desenvolvimento sustentável procura estabelecer 
condições para uma gestão participativa, para a ocorrência da inclusão de um 
maior contingente de mão de obra no cenário econômico. O desenvolvimento 
sustentável se apresenta como um processo democrático e como tal, necessita 
do estabelecimento de metas e compromisso claros, que possuam natureza 
atingível.
Dissertando sobre essa condição apresentada pelo desenvolvimento 
sustentável, Matos (1994, p. 34), afirma que esse tipo de desenvolvimento deve 
estabelecer processos que digam respeito, principalmente, “ao investimento 
permanente no reforço da evolução e da estabilidade das instituições 
democráticas e à participação dos agentes envolvidos e, particularmente, das 
comunidades a quem se destina o programa”.
Pelo demonstrado, não há como se falar no estabelecimento de estratégias 
para o desenvolvimento sustentável, sem, contudo, levar em consideração o 
envolvimento das instituições democráticas nesse processo. De forma bem 
clara ficou demonstrado que não desenvolvimento sem o envolvimento/
comprometimento da comunidade. Para o fortalecimento das estratégias de 
desenvolvimento sustentável é necessário oportunizar informações para todos 
os agentes envolvidos e mais, que a comunidade, de forma consciente, exerça o 
controle social, fortalecendo a gestão participativa, tendo em vista os princípios 
democráticos que conduzem tal modalidade de desenvolvimento. 
Assim sendo, é impossível se pensar em desenvolvimento sustentável, sem 
levar em consideração o estabelecimento de estratégias para a sua condução. 
Para ser concretizado, esse tipo de desenvolvimento exige a definição de algumas 
funções consideradas como sendo ‘chaves’ e indispensáveis no processo de 
construção de um meio ambiente sustentável.
José Ozildo dos Santos et al.
88
Dissertando sobre essa necessidade, Matos (1994) afirma que um projeto 
voltado para a promoção do desenvolvimento sustentável requer vários 
procedimentos diferenciados, que podem ser ordenados nas seguintes funções 
chaves: articulação institucional; planejamento estratégico; provimento e gestão 
dos fundos públicos; planejamento microrregional; administração de projetos; 
avaliação, acompanhamento e controle. 
Desta forma, percebe-se que o desenvolvimento sustentável deve ser 
previamente pensado, exigindo a definição de estratégias para a sua condução. 
Tal processo inicia-se com a articulação institucional, etapa em que é delimitada 
a área em que o projeto de desenvolvimento ser desenvolvido. Sabendo-se quais 
os agentes sociais que farão parte dessa ação, inicia-se a segunda fase, que diz 
respeito ao planejamento estratégico. 
Havendo a garantia dos recursos necessários ao desenvolvimento do referido 
projeto, procura-se conduzi-lo de forma que seus resultados possam contribuir 
também para a melhoria das condições regionais. Em momento algum, para 
que a iniciativa possa cumprir suas funções chaves, deve-se desprezar o 
acompanhamento e o controle das ações desenvolvidas. 
No final, a avaliação do que foi feito é produzido em prol da sustentabilidade 
deve ser avaliado, procurando identificar os pontos positivos e negativos, 
corrigindo aquilo que for necessário. Ademais, a ética da sustentabilidade 
baseia-se na solidariedade com as gerações futuras. Ao se buscar mecanismos 
que garantam a preservação dos recursos naturais, se está sendo solidário com 
as gerações futuras.
Afirma Bursztyn (2001), que sem ética a sustentabilidade não existe. E, que a 
mesma é apoiada num tripé (economia, social e ambiental), que precisa está em 
perfeito equilíbrio.
A preocupação quanto à preservação do meio ambiente para que as gerações 
futuras tenham acesso aos recursos naturais ora existentes, deve ser real e 
constante.Por isso, a necessidade de se desenvolver ações que se privilegia a 
sustentabilidade. 
Por outro lado, quando se fala em estratégias para o desenvolvimento 
sustentável, estas devem privilegiar, segundo o governo do Estado de São Paulo 
(2012) dentre outras, as seguintes particularidades: 
a) a agricultura sustentável, 
b) a criação de investimentos sustentáveis, 
c) a destinação adequada dos resíduos sólidos,
d) a economia verde, a promoção da habitação sustentável, 
e) as discussões sobre a adaptação às mudanças climáticas, 
f) as melhorias no saneamento básico, 
g) o incentivo à energia renovável, 
h) o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento (p&d), 
i) uma maior promoção da biodiversidade e dos recursos naturais, e, 
g) uma melhor utilização dos recursos hídricos.
Sustentabilidade: Discutindo estratégias para sua promoção
89
No contexto da administração, já existe o entendimento de que se devem 
privilegiar as compras públicas sustentáveis como uma estratégia para a 
promoção do desenvolvimento sustentável, aplicando critérios socioambientais 
nas licitações.
3 ConsIderações FInaIs
Através do material bibliográfico selecionado para fundamentar a presente 
produção acadêmica pode-se constatar que os projetos voltados para a 
promoção do desenvolvimento sustentável não devem somente se limitar ao 
contexto regional e social. Para que haja êxito nesses processos é necessário 
que, por um longo tempo, exista compromisso com a permanência das soluções 
mobilizadas. Isto por que o objetivo da sustentabilidade não diz respeito 
apenas à preservação dos recursos naturais. Ela também leva em consideração 
o desencadeamento dos processos históricos resultantes dessa preservação e 
mostra a necessidade da evolução de alternativas tecnológicas que permitam 
que tal preservação aconteça. Constatou-se que as estratégias voltadas para a 
promoção do desenvolvimento sustentável levam em consideração a instituição 
de ações capazes de gerarem emprego e renda, promovendo, assim, uma melhor 
qualidade de vida. 
Além da preocupação com a preservação dos ecossistemas, esse tipo de 
desenvolvimento também privilegia o social e o econômico, partindo do 
princípio de que estas dimensões constituem os pilares da sustentabilidade. O 
estabelecimento de estratégias para desenvolvimento sustentável é algo patente, 
pois ele exige além de uma articulação previa um planejamento estratégico, 
que leve em consideração a realidade local e os atores sociais nela inseridos. 
Não há como se falar em desenvolvimento sustentável sem a participação 
consciente da sociedade, sem o envolvimento desta e de forma plena. Para 
que haja desenvolvimento sustentável é necessário que a sociedade assuma 
o compromisso de promover esse desenvolvimento, observando o que foi 
projetado pelas instituições articuladoras, respeitando as condições naturais e 
procurando entre seus atores sociais, formas de exercitar sempre as experiências 
com resultados positivos. 
Em síntese, para a consecução do desenvolvimento sustentável as estratégias 
são sempre necessárias. Sem estas não existe desenvolvimento sustentável, 
simplesmente pelo fato de que este exige planejamento. E as estratégias são as 
bases de um planejamento. 
Para a consecução do desenvolvimento sustentável também é necessário que 
exista compromisso por parte das instituições e dos atores sociais envolvidos 
nesse processo. E, que todas as ações desenvolvidas nesse contexto, sejam 
respaldadas na ética da sustentabilidade. Dito com outras palavras, que em 
tudo que for desenvolvido haja sempre uma preocupação em garantir para as 
gerações futuras os recursos naturais hoje disponíveis.
José Ozildo dos Santos et al.
90
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A sala de aula como espaço para
as discussões relacionadas às questões 
ambientais da caatinga nordestina
José Ozildo dos Santos 
Rosélia Maria de Sousa Santos 
Vanessa da Costa Santos
Leandro da Costa Machado
Douglas da Silva Cunha
Jessiane Dantas Fernandes 
Altevir Paula de Medeiros
1 Introdução
A temática ‘Desequilíbrios Ambientais’ não é nova na história da civilização 
ocidental. Desde a Grécia antiga já se registrava uma preocupação com o 
uso do meio ambiente de forma desordenada e também em relação às suas 
consequências resultantes do mau uso dos recursos naturais.
No que diz respeito ao semiárido brasileiro, a Caatinga tem se constituído um 
tema bastante discutido, principalmente, por ser considerada um dos biomas 
brasileiros mais degradado, tendo mais de 45% de sua cobertura original alterada 
pela ação do homem e também por localizar-se em uma região conhecida como 
Polígono das Secas, onde se encontra ecossistemas mais vulneráveis ao processo 
de desertificação (CASTELLETTI et al., 2005).
Um estudo desenvolvido por Araújo e Sousa (2011) abordando o estado de 
conservação da Caatinga nordestina, destaca que a situação atual apresentada 
por esse bioma é resultante de fatores favoráveis à situação de vulnerabilidade, 
das condições do clima, dos solos, com também da exploração inadequada 
dos recursos naturais e devido ao superpastoreio, o que tem contribuídopara 
diminuição da fauna original, ameaçando de extinção uma grande variedade de 
organismos.
Quando se analisa os ‘Desequilíbrios Ambientais’ dessa região, dentre as 
maiores preocupações, pode-se destacar o processo de desertificação, que tem se 
intensificado pela ocupação e intervenção humana desordenada, provocando a 
perda de solos férteis, a extinção de várias espécimes da fauna e da flora, afetando 
a biodiversidade e a população humana (ABÍLIO; FLORENTINO, 2011).
Por outro lado, o Estado da Paraíba, onde o presente estudo foi realizado, 
é a unidade federativa que possui o maior percentual de área com nível de 
José Ozildo dos Santos et al.
94
desertificação em nível muito grave, afetando o dia-a-dia de mais de 653 mil 
pessoas residentes em seu território (ABÍLIO; FLORENTINO, 2011).
Nesse cenário, o bioma Caatinga é considerado um tema emergente, já que 
a exploração de recursos naturais realizada de forma indiscriminada provoca 
danos irreparáveis no âmbito ambiental, social e econômico, afetando, assim, a 
sustentabilidade desse ecossistema.
Na concepção de Silva; Cândido e Freire (2009, p. 24):
Temas como este, merecem a atenção de estudos que 
investigam as ações do homem sobre o ambiente no qual ele 
está inserido. Além de avaliar as diversas formas de uso dos 
recursos naturais, a percepção ambiental, é um instrumento 
utilizado em diversas áreas do conhecimento, para a melhoria 
da qualidade de vida do homem e das demais espécies que 
com ele interagem, podendo ser definida como uma tomada 
de consciência do ambiente pelo homem; ou seja, o ato de 
perceber o ambiente no qual se está inserido, aprendendo a 
proteger e a cuidar do mesmo.
 
É importante destacar que os problemas vivenciados na Caatinga são 
reflexos de uma longa ação predatória, que não tem levado em consideração os 
parâmetros de sustentabilidade, impossibilitando que o meio se recomponha-se 
de forma natural. 
No que diz respeito à percepção ambiental, trata-se, segundo Silva; Cândido 
e Freire (2009, p. 24) de:
[...] um instrumento utilizado em diversas áreas do 
conhecimento, buscando a melhoria da qualidade de vida do 
homem e dos outros seres vivos, podendo ser definida como 
uma sensibilização em relação ao ambiente pelo homem, no 
caso, o ato de perceber o ambiente no qual se está inserido, 
protegendo e cuidando do mesmo.
A partir do estudo da percepção ambiental é possível compreender as diferentes 
formas de ver e sentir o ambiente, possibilitando um maior envolvimento com 
as especificidades de cada comunidade, de maneira que possa ser desenvolvida 
uma educação ambiental participativa, capaz de valorizar o contexto ambiental, 
social, cultural, econômico e ético, elementos estes importantes para o processo 
relacional homem-sociedade e natureza.
Assim sendo, levando em consideração o fato de que a Caatinga é o único 
bioma exclusivamente brasileiro, com biodiversidade composta por fauna e 
flora peculiar, mas que lamentavelmente é desvalorizada e pouco explorada 
cientificamente, como também marginalizada no processo educativo, este 
trabalho objetiva analisar a percepção ambiental dos docentes de uma escola do 
A sala de aula como espaço para as discussões relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina
95
município de Patos, Estado da Paraíba, correlacionando-a com as características 
evidenciadas no bioma Caatinga.
2 MetodologIa
A pesquisa foi realizada com 10 professores da Escola Estadual de Ensino 
Médio José Alves Gomes, localizada no município de Patos, Estado da Paraíba, 
durante o mês de setembro de 2016. O estudo caracterizou como sendo uma 
pesquisa de cunho quali-quantitativo, onde utilizou-se os pressupostos teórico-
metodológicos elementos da etnografia escolar.
Segundo Chizzotti (1995, p. 104), “a pesquisa qualitativa objetiva provocar o 
esclarecimento de uma situação para uma tomada de consciência pelos próprios 
pesquisados dos seus problemas e das condições que os geram, a fim de elaborar 
os meios e estratégias de resolvê-los”.
Para esta pesquisa, utiliza-se também medidas quantitativas associadas 
às qualitativas, buscando representar a intenção de garantir a precisão dos 
resultados, evitar distorções de análise e interpretação, e, possibilitado uma 
margem de segurança quanto às inferências (RICHARDSON, 2010).
Como instrumentos de coletas de dados utilizou-se questionários 
estruturados, contendo questões conceituais sobre a Biodiversidade e relativas ao 
Bioma Caatinga, com a finalidade de conhecer a percepção ambiental e aspectos 
relacionados a práticas pedagógicas do professor no campo da Educação 
ambiental. A escolha pela utilização de questionários se deu, principalmente, 
pela facilidade de se descrever as características e por permitir uma melhor 
medição dos variáveis dos grupos sociais estudados (GIL, 1999).
3 resultados e dIscussão
Inicialmente, procurou-se sabe dos professores entrevistados o que é para eles 
a Educação Ambiental. Os dados obtidos com esse questionamento encontram-
se apresentados no Gráfico 1.
Analisando-se o Gráfico 1 verifica-se que de acordo com 20% dos professores 
entrevistados, a Educação Ambienta é vista como sendo uma proposta 
educativa inovadora, voltada para as questões relacionadas ao meio ambiente, 
10% entendem tal disciplina como sendo uma forma de se discutir as questões 
ambientais, levando em consideração apenas os impactos econômicos. No 
entanto, 70% definem a Educação Ambiental como sendo um processo que visa 
formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com 
os problemas que lhe dizem respeito.
Embora existam várias definições para a Educação Ambiental, utiliza-se 
com uma maior frequência a definição apresentada durante o Congresso de 
Belgrado, promovido pela UNESCO em 1975, oportunidade em que a EA foi 
definida como sendo um processo que visa:
José Ozildo dos Santos et al.
96
[...] formar uma população mundial consciente e 
preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe 
dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, 
as competências, o estado de espírito, as motivações e o 
sentido de participação e engajamento que lhe permita 
trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os 
problemas atuais e impedir que se repitam [...] (UNESCO 
apud MARCATTO, 2002, p. 14).
Assim sendo, constata-se que a EA é um processo que objetiva promover a 
conscientização coletiva da sociedade em relação à necessidade de preservar o 
meio ambiente como um todo, formando cidadãos conscientes quanto ao seu 
papel nesse processo de preservação. 
Destaca Marcatto (2002, p. 12) que:
A educação ambiental é uma das ferramentas existentes 
para a sensibilização e capacitação da população em 
geral sobre os problemas ambientais. Com ela, busca-se 
desenvolver técnicas e métodos que facilitem o processo 
de tomada de consciência sobre a gravidade dos problemas 
ambientais e a necessidade urgente de nos debruçarmos 
seriamente sobre eles.
Assim, pelo demonstrado, a EA é um processo que busca mudar a forma de 
como o ser humano ver o meio ambiente, envolvendo-o nas discussões sobre os 
problemas ambientais, tornando-o responsável pela construção de um mundo 
Gráfico 1. Distribuição dos participantes quanto ao que é Educação Ambiental
A sala de aula como espaço para as discussões relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina
97
no qual se garanta condições dignas de vida para as gerações futuras, de forma 
que estas possam desfrutar também dos recursos naturais hoje existentes. 
Num segundo momento, procurou-se saber dos professores que participaram 
a presente pesquisa, como eles definiriam a Caatinga, enquanto bioma.
O Gráfico 2 sintetiza os dados colhidos nesse questionamento.
De acordo com os dados apresentados no Gráfico 2, 30% dos professores 
entrevistados definem a caatinga como sendo uma região árida que possui 
uma vegetação à base de cactáceas; 40% conceituam a Caatinga como sendo 
um bioma diversificado e único no mundo.E, os demais (30%), como um 
bioma que possui suas singularidades, mas que ainda não foi estudado de 
forma completa.
Duque (2004, p. 31) define a Caatinga como sendo “um conjunto de árvores 
e arbustos espontâneos, densos, baixos, retorcidos, leitosos, de aspecto seco, 
de folhas pequenas e caducas, no verão seco, para proteger a planta contra a 
desidratação pelo calor e pelo vento”.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Por isso, grande 
parte do patrimônio biológico dessa região não é encontrada em outro lugar do 
planeta, além do nordeste do Brasil (ANDRADE, 2001).
Informam Ferreira et al. (2007) que a Caatinga cobre quase todo o nordeste 
brasileiro, atingindo uma área de quase 10% do território nacional, abrangendo os 
Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas 
e Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais. Entretanto, essa vegetação 
única, constitui-se no terceiro bioma mais degradado ambientalmente, no Brasil, 
perdendo apenas para Floresta Atlântica e para o Cerrado.
Afirmam Rocha et al. (2007, p. 2629) que: 
Gráfico 2. Distribuição dos participantes quanto ao à definição de Caatinga
José Ozildo dos Santos et al.
98
Dentre os biomas brasileiros, é o menos conhecido 
cientificamente e vem sendo tratado com baixa prioridade, 
não obstante ser um dos mais ameaçados, devido ao uso 
inadequado e insustentável dos seus solos e recursos 
naturais, e por ter cerca 1% de remanescentes protegidos por 
unidades de conservação.
Ao longo de quase quinhentos anos, a Caatinga é explorada. De forma 
inconsciente, o homem utilizando-se de queimadas, devastou grandes extensões 
desse bioma, objetivando plantar pastagens e outras culturas, a exemplo do 
algodão, sem, contudo, preocupar-se com o desequilíbrio ecológico proveniente 
de suas ações impensadas. 
Em ato continuo, indagou-se dos professores entrevistados quais as plantas 
típicas da Caatinga que apresentam um maior destaque. O Gráfico 4 apresenta 
os resultados colhidos com esse questionamento. 
Analisando o Quadro 1 verifica-se que o pereiro, a urtiga, o marmeleiro preto, 
o angico, a imburana, a catingueira, o xique-xique, a macambira e o umbuzeiro, 
encontram-se entre as espécies vegetais mais citadas pelos professores 
entrevistados na presente pesquisa. 
Algumas dessas espécies possuem uso medicinal tanto na etnobotânica 
quanto na etnoveterinária, como é o caso do pereiro, angico, pinhão, urtiga, 
jurema e catingueira (RODRIGUES et al., 2002).
Outras, porém, são utilizadas na alimentação tão do homem, quanto de 
animais, com destaque para o umbuzeiro e o mandacaru, para a alimentação 
Quadro 1. Espécies Vegetais típicas da Caatinga citadas pelos docentes
Famílias Espécimes (Nome popular) Percentual (%)
Anacardiaceae
Braúna 20
Umbuzeiro 80
Cactaceae
Palmatória 10
Mandacaru 30
Xique-xique 60
Caesalpinioideae
Catingueira 60
Jucá 40
Burseraceae Imburama 100
Bromeliaceae Macabira 100
Mimosaceae
Angico 60
Jurema 40
Euphorbiaceae
Marmeleiro preto 70
Pinhão 30
Urticaceae Urtiga 100
Apocynaceae Pereiro 100
A sala de aula como espaço para as discussões relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina
99
humana e o xique-xique, a palmatória, macambira, o marmeleiro para alimentação 
animal, principalmente, durante o período de estiagens (ALBUQUERQUE et al., 
2010).
Já em relação ao uso da madeira, dentre as espécies vegetais da caatinga 
citadas pelos professores, destacam-se o pereiro, o angico e a imburana. No 
entanto, tem-se que reconhecer que a exploração desordenada desses recursos, 
principalmente, para a produção de carvão vegetal, tem comprometido a 
sustentabilidade do bioma Caatinga (ALBUQUERQUE et al., 2010).
Indagou-se ainda dos professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental 
Simeão Leal, quais as espécies de animais nativos da Caatinga que eles mais 
conheciam. Os resultados obtidos foram condensados e apresentados no Quadro 
2.
Quando se analisa o Quadro 2, constata-se que segundo os professores 
entrevistados, as espécies de animais típicos da Caatinga que são por eles 
conhecidas são: o preá (mamífero), a cobra e a lagartixa (repteis), a rolinha (ave) 
e as formigas (insetos).
Alguns dos animais relacionados no Quadro 2, são com grande frequência 
abatidos e consumidos pelo sertanejo como forma de alimento, com destaque 
para preá, o tatu, o gato maracajá, o carcará, a rolinha e o anum. Este último, a 
espécie mais consumida é o anum branco.
No que diz respeito à abelha jandaíra, popularmente conhecida como uma 
abelha sem ferrão, produz um excelente mel que além de ser consumido como 
alimento, possui uma utilização medicinal, sendo adicionado a algumas plantas 
medicinais a exemplo do mastruz, do limão, da laranja, da hortelã, da romã, bem 
como o e alho, principalmente, no sertão paraibano (ANDRADE et al., 2012).
Posteriormente, perguntou-se aos professores que integram a amostra, o que 
vem a ser meio ambiente. As respostas colhidas nesse questionamento foram 
transformadas em dados e apresentadas no Gráfico 3.
Classe Espécies (Nome popular) Percentual (%)
Mamífero
Preá 60
Tatu 30
Gato do Mato (Maracajá) 10
Repteis
Cobra 40
Camaleão 20
Lagartixa 40
Aves
Carcará 10
Rolinha 70
Anum 20
Insetos
Abelha jandaíra 20
Formiga 50
Besouro do cão 30
Quadro 2. Animais típicos da Caatinga citados pelos docentes
José Ozildo dos Santos et al.
100
Com base nos dados apresentados no Gráfico 3, para 20% dos professores 
entrevistados, meio ambiente é o espaço que reúne as condições necessárias 
à sobrevivência dos seres vivos; 30% entendem como sendo o conjunto dos 
elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere 
o Homem, individual e socialmente. Contudo, 50% definem o termo meio 
ambiente como sendo o conjunto de condições, leis, influências e interações de 
ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as 
suas formas.
O próprio IBGE (2004, p. 210) define meio ambiente como sendo o “conjunto 
dos agentes físicos, químicos, biológicos e dos fatores sociais susceptíveis de 
exercerem um efeito direto ou mesmo indireto, imediato ou a longo prazo, sobre 
todos os seres vivos, inclusive o homem”.
Vários são os conceitos existentes para o termo meio ambiente. No entanto, 
a noção básica que se tem sobre o mesmo é a de trata-se de tudo que existe em 
volta dos seres vivos, incluindo também aquilo que não possui vida, além das 
manifestações socioculturais. Por outro lado, o meio ambiente diz respeito aos 
fatores bióticos, edáficos e climáticos que determina a sobrevivência dos seres 
vivos sobre a Terra. 
Através do 4º questionamento, indagou-se dos professores participantes, 
como eles caracterizam o Semiárido. No Gráfico 4 encontram-se apresentados os 
dados relativos a esse questionamento.
Com base no Gráfico 4, verifica-se que 30% dos professores entrevistados, 
caracterizam o Semiárido como sendo uma região que apresenta clima quente, 
possuindo também baixas precipitações distribuídas de forma irregular; 40% 
afirmaram que o Semiárido apresenta rede de drenagem formada por riachos 
Gráfico 3. Distribuição dos participantes quanto ao que vem a ser Meio Ambiente
A sala de aula como espaço para as discussões relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina
101
e rios temporários, enquanto que os demais (30%) declararam que tal região se 
caracteriza por apresentar solos pedregosos e pobres em matéria orgânica.
O Semiárido nordestino caracteriza-se por possuir uma vegetação que 
apresenta um aspecto agressivo, havendo uma predominância de cactáceas 
colunares a exemplo do mandacaru e do facheiro, além de outros arbustos e 
árvores com espinhos. Nessa região, o solo é bastante pedregoso e pouco 
profundo. E, por isso, não consegue armazenar a água que cai, durante o período 
chuvoso (DUQUE, 2004).
Posteriormente, indagou-se dos professores participantes, de que forma eles 
trabalham a temática ambiental em suas disciplinas. O Gráfico 5,por sua vez, 
sintetizam os dados relativos a esse questionamento.
Quando se analisa o Gráfico 5, verifica-se que 60% dos professores 
entrevistados trabalham a temática ambiental como um tema transversal; 20% 
declararam que exploram a referida temática mediante a realização de palestras 
ou seminários e outros 20% informaram que utilizam-se de aulas de campo para 
trabalharem a temática meio ambiente.
De acordo com Sato (2002, p. 37):
Há diferentes formas de incluir a temática ambiental nos 
currículos escolares, como atividades artísticas, experiências 
práticas, atividades fora de sala de aula, produção de materiais 
locais, projetos ou qualquer outra atividade que conduza os 
alunos a serem reconhecidos como agentes ativos no processo 
que norteia a política ambientalista. Cabe aos professores, 
por intermédio de prática interdisciplinar, proporem novas 
metodologias que favoreçam a implementação da Educação 
Ambiental, sempre considerando o ambiente imediato, 
relacionado a exemplos de problemas atualizados.
Gráfico 4. Distribuição dos participantes quanto ao fato de como eles caracterizam 
o Semiárido
José Ozildo dos Santos et al.
102
Diante da necessidade se trabalhar a Educação Ambiental, cabe à escola 
a missão de procurar a melhor maneira objetivando tornar possível uma 
aprendizagem significativa. Assim, em toda e qualquer ação desenvolvida, 
ela deve proporcionar a participação de todas os seus alunos nesse processo, 
revendo o currículo de forma a garantir um melhor desenvolvimento da 
interdisciplinaridade. 
De acordo com Marcatto (2002, p. 19):
[...] propõe-se que as questões ambientais não sejam 
tratadas como uma disciplina específica, mas sim que 
permeie os conteúdos, objetivos e orientações didáticas em 
todas as disciplinas. A educação ambiental é um dos temas 
transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais do 
Ministério da Educação e Cultura.
Independente da disciplina que leciona, o professor em sua sala de aula 
deve abordar a saúde e os questionamentos a ela relacionados, seja como parte 
dos conteúdos didáticos ou em forma de tema transversal. Nesse sentido, 
expressam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997, p. 64), que a 
transversalidade:
[...] pressupõe um tratamento integrado das áreas e um 
compromisso das relações interpessoais e sociais escolares 
com as questões que estão envolvidas nos temas, a fim de 
que haja uma coerência entre os valores experimentados 
Gráfico 5. Distribuição dos participantes quanto à forma como trabalham a 
temática ambiental em suas disciplinas
A sala de aula como espaço para as discussões relacionadas às questões ambientais da caatinga nordestina
103
na vivência que a escola propicia aos alunos e o contato 
intelectual com tais valores.
Analisando a citação transcrita acima, percebe-se que a transversalidade é 
um recurso que em muito enriquece a aula. Através de tal recurso, é possível 
o professor de Matemática, por exemplo, abordar em sala de aula as questões 
ambientais, discutindo quanto do território brasileiro encontra-se vem sofrendo 
com a degradação ambiental, transformando tal fenômeno em números, 
exprimindo percentuais, etc. Ao utilizar tal recurso o professor consegue 
melhor contextualizar suas aulas, fazendo com que as mesmas sejam facilmente 
compreendidas por seus alunos. Em síntese, através dos Temas Transversais 
pode obter o resgate da dignidade da pessoa humana, a igualdade de direitos, a 
participação ativa na sociedade.
4 conclusão
A pesquisa de campo possibilitou concluir que a maioria dos professores 
entrevistados entende a Educação Ambiental como um processo que tem por 
objetivo construir uma sociedade consciente sobre a necessidade de se preservar 
o meio e de se discutir as questões a ele relacionadas. E, que o meio ambiente diz 
respeito a um conjunto de condições, que permitem a existência dos seres vivos 
na Terra.
É consenso entre a maior parte dos entrevistados de que a Caatinga constitui 
um bioma único no mundo, possuindo suas singularidades, sendo formado por 
uma vegetação à base de cactáceas. Especificamente em relação ao Semiárido, 
os entrevistados possuem o entendimento de que se trata de uma região, que 
em razão das condições climáticas, é formada por riachos e rios temporários, 
apresentando ainda solos pedregosos e pobres em matéria orgânica.
Uma significativa conclusão proporcionada por esta pesquisa diz respeito 
ao fato de que a escola a qual encontram-se vinculados os entrevistados, vem 
desenvolvendo um projeto ambiental, demonstrando uma certa preocupação 
com o meio ambiente, possibilitando a formação de uma melhor percepção 
ambiental e dando os primeiros passos para sua transformação em escola 
promotora da sustentabilidade. 
Os dados coletados também demonstraram que todos os professores 
entrevistados, independentemente da disciplina que lecionam, trabalham a 
temática ambiental em suas salas de aulas, e, que a maioria faz isto de forma 
transversal, embora considere difícil trabalhar tal temática. 
Essa dificuldade alegada pela maioria dos professores entrevistados 
em trabalhar a Educação Ambiental, traz implicações para o processo de 
contextualização do ensino, no que diz respeito à necessidade de se focalizar o 
Semiárido nas discussões promovidas no contexto escolar. E, como tal temática 
não é abordada de forma ampla, vem contribuindo para limitar o conhecimento 
sobre a região Semiárida, apresentado pelos alunos da maioria dos professores 
entrevistados.
José Ozildo dos Santos et al.
104
Este fato demonstra a necessidade de uma maior capacitação por parte dos 
professores em torno das questões ambientais, bem como a necessidade de uma 
definição de novas metodologias que proporcionem uma maior aquisição de 
conhecimento por parte dos alunos, proporcionando, assim, uma aprendizagem 
significativa e a formação de cidadãos ecologicamente conscientes. 
Em resumo, existe a necessidade de se investir na formação continuada 
destes professores, de maneira que sejam trabalhado aspectos de instrumentação 
de seus conhecimentos, de forma a desenvolver cada vez mais a Educação 
Ambiental para o desenvolvimento sustentável de Semiárido nordestino.
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No caso específico do Brasil, o processo artesanal de produção de queijo varia 
de região para região, representando sempre uma alternativa bem sucedida 
de conservação e aproveitamento da produção leiteira regional, em áreas cuja 
geografia limita o escoamento dessa produção. Tal forma de produção constitui-
se também num traço marcante da identidade cultural dessas regiões (BRASIL, 
2011).
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
4
Na produção de queijo, o leite é matéria prima por excelência, o que faz com 
esse produto seja reconhecido por valor nutritivo. Por outro lado, quando se 
fala em produto artesanal, está se referido aquele que mantém características 
tradicionais, ligadas à cultura de uma determinada região. 
Acrescenta Dantas (2012) que o Brasil, a produção artesanal de queijo, 
geralmente apresenta as seguintes características:
a) apresenta-se em pequena escola;
b) comercializada, na maioria das vezes, de maneira informal;
c) fica à margem da legislação vigente;
d) não possui controle de qualidade;
e) obedece a parâmetros fixados em regulamentos;
f) realizada de forma rudimentar.
Desta forma, verifica-se a produção artesanal de queijo no Brasil encontra-
se relacionada a vários problemas, que vão desde a qualidade do produto à 
inobservância dos parâmetros legais estabelecidos, caracterizando-se também 
pela pouca utilização de tecnologia. 
2.3 Os resíduos resultantes da produção artesanal de queijo e sues impactos 
ambientais 
A produção artesanal de queijo gera uma quantidade considerável de 
resíduos, partindo do princípio de que para se produzir um 1 kg de queijo, 
de forma artesanal, os produtores utilizam entre 8 e 12 litros de leite, o que 
representa uma média de média 10 litros por quilo de queijo (QUEIROZ, 2008).
Complementando esse pensamento, Saraiva et al. (2013) afirmam a indústria 
queijeira além de representar um importante segmento do setor lácteo no Brasil, 
produz uma grande quantidade de soro, que é pouco aproveitado, representando 
um volume correspondente até 90% do volume de leite processado, contento, 
em média, 50% dos sólidos totais do leite.
Destacam Jerônimo et al. (2012) que as indústrias de laticínios geram os 
seguintes subprodutos, sob a forma de efluente industrial: o soro, o leitelho (do 
qual se retira a parte líquida para a produção do creme batido) e o leite ácido.
É importante ressaltar que dentre esses efluentes, o soro é o de maior 
importância, tanto pelo volume produzido, quando por suas próprias 
características como matéria-prima de qualidade, possível de reutilização, 
quanto pelo seu enorme poder poluente.
Imamura e Madrona (2008) afirmam que parte do soro produzido nas 
queijarias é destinada à alimentação de suínos ou direcionados a sistemas de 
tratamento de efluentes com baixa eficiência, gerando assim, graves problemas 
ambientais.
Um estudo realizado por Saraiva et al. (2012) demonstrou que muitos dos 
produtores artesanais de queijos, instalados, principalmente, na zona rural, 
lançam o solo de queijo diretamente no solo, sob o argumento de que este servirá 
como fertilizantes por conter uma grande quantidade de nutrientes. 
Uma abordagem sobre os problemas ambientais gerados pelos resíduos de uma queijaria
5
No entanto, apesar de conter nutrientes, esse subproduto quando lançado em 
excesso pode causar impactos ambientais. Nesse sentido, as águas residuárias 
agroindustriais são, em geral, ricas em nutrientes, podendo, assim, serem fonte 
de água e nutrientes para plantas. 
No entanto, com bem observam Saraiva et al. (2012, p. 44):
[...] a disposição de águas residuárias oriundas de 
atividades agroindustriais no solo, deve ser feita, de tal 
forma, que não venha a contribuir para o aumento dos 
problemas de qualidade ambiental, tais como contaminação 
de águas subterrâneas e superficiais, contaminação de 
plantas por metais pesados e trazer influências negativas 
sobre as características físicas e químicas do solo.
Os questionamento levantados por Saraiva et al. (2012) devem ser levados 
em consideração ao soro de queijo. Sua utilização como fertilizante é possível. 
No entanto, no tempo certo e na medida. O excesso pode será impacto ambiental 
e contribuir para a contaminação dos cursos d’água, bem como do lençol freático 
Proporcionalmente, a geração de soro de uma queijaria artesanal varia 
de acordo com sua capacidade produtiva. A grande maioria das queijarias 
instaladas nas cidades do interior do nordeste brasileiro, principalmente, nas 
áreas urbanas, dispõe seus efluentes industriais (soro) na rede pública de esgoto, 
face não possui mercado para vender esse subproduto aos criadores de suínos 
na região (JERÔNIMO et al., 2012).
Quando instaladas na zona rural, as queijarias conseguem destinar grande 
parte do soro à alimentação de suínos, gerando, assim, menos impactos ao 
meio ambiente, pela disposição final inadequada. Assim sendo, os impactos 
ambientais mostram-se mais presentes, quando estas unidades de produção 
encontram-se instaladas no espaço urbano.
Um estudo realizado por Jerônimo et al. (2012) demonstrou que nenhuma das 
queijarias instaladas na cidade de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, 
possui um sistema pluvial alternativo, que proporcionar-se o aproveitamento 
ou desse um destino adequado às águas residuárias, de forma que todas as 
unidades produtivas de queijo, naquele município, adotavam a infiltração 
natural.
Numa outra pesquisa, também realizada no Rio Grande do Norte, Jerônimo 
e Santiago Júnior (2012) demonstraram que a maioria das unidades produtoras 
de queijo artesanal, não possuía sistema de gerenciamento de águas residuais e 
sanitárias, de forma que os resíduos sólidos eram destinados à rede pública de 
esgotos, sem qualquer tratamento.
Nessas unidades produtivas nordestinas, as águas utilizadas para a lavagem 
dos ambientes, principalmente, dos pisos, bem como das embalagens contendo 
leite, também não são destinadas um sistema de tratamento antes de sua 
disposição ao meio ambiente. 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
6
Esclarecem ainda Jerônimo e Santiago Júnior (2012), as águas residuárias 
oriundas das queijarias são contaminadas por componentes químicos, dentre 
os quais se destacam: CIP (hidróxido de sódio, ácido nítrico, água), cloro, 
detergentes e soda cáustica. 
Avaliando o desempenho da indústria queijeira no Brasil, Saraiva et al. (2012) 
mostram que várias instituições veem desenvolvendo pesquisas objetivando 
melhorar a qualidade do queijo artesanal. No entanto, muito pouco tem se sido 
discutido a problemática dos possíveis impactos ambientais que envolvem esse 
tipo de atividade.
Assim sendo, objetivando reduzir os impactos ambientais resultantes da 
destinação inadequada do soro de queijo, este vem sendo apresentado como 
matéria prima para a fabricação de doce de leite. Essa iniciativa é apresentada 
em vários estudos, inclusive por Barana et al. (2012), que destacam os ganhos 
econômico e sobretudo socioambientais.
Complementando esse pensamento, Batista et al. (2013) afirmam que a 
utilização do soro de queijo como matéria prima é uma excelente alternativa, 
pelo fato do mesmo possuir muitas qualidades nutricionais e de ser rico em 
proteínas.
Ao contrário do que se pensa, a unidades produtoras de queijo também 
gera resíduos sólidos, embora que em quantidade bastante pequena quando 
comparada à qualidade de resíduos líquidos. Nesse sentido, Jerônimo et al. 
(2012) afirmam que esse tipo de atividade produz os seguintes tipos de resíduos 
sólidos:
a) aparas de queijo; 
b) cinzas de caldeira; 
c) embalagens de papel; 
d) embalagens plásticas; 
e) gorduras; 
f) lixo doméstico.
Deve-se destacar que embora a quantidade de resíduos sólidos gerados nas 
indústrias de laticínios seja muito pequena, esta se apresenta bastante variada, 
em função de sua linha de produção. 
Entretanto, à semelhança do que ocorre com o soro, nem sempre esses 
resíduos possuem uma destinação final adequada, sendo lançados diretamentede Ecologia do 
Brasil, 23 a 28 de Setembro de 2007. Anais..., Caxambu-MG.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
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105
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ago., 2009.
Educação ambiental: O trabalho 
desenvolvido por professores de uma 
escola pública do interior da Paraíba
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
José Ozildo dos Santos Segundo
Vanessa Costa Machado
Jessiane Dantas Fernandes
Ana Catarina Costa de Paiva
1 Introdução
Nos últimos anos, a Educação Ambiental conquistou um significativo espaço 
no contexto escolar, sendo, principalmente, abordada como tema transversal, na 
forma definidas pelas resoluções da Rio-92. Contudo, apesar do empenho dos 
professores na ampliação das discussões sobre as questões ambientais em sala 
de aula, ainda existe muito a ser feito para que o educando realmente passe a 
ter uma consciência quanto à gravidade dos problemas ambientais (BUARQUE, 
2013).
Na realidade, a sociedade como um todo ainda não acordou para esse 
problema. E, muitas vezes, a falta de compromisso por parte dos gestores 
públicos quanto à promoção da Educação Ambiental (EA), constitui-se no 
principal obstáculo ao seu desenvolvimento dentro e fora da escola.
Esclarecem Stadler e Maioli (2012), que diante dos problemas ambientais 
que se avolumam, a necessidade da construção de uma consciência ecológica 
coletiva é algo por demais patente. E, esse processo deve ter na escola o seu 
principal sustentáculo. 
Diante disto, cabe ao professor a responsabilidade de desenvolver um 
processo educativo que possibilite a mudança de mentalidade do educando, 
tornando-o consciente de seu papel na luta pela preservação da natureza e pela 
valorização da biodiversidade. 
Pois, segundo Santos et al (2013, p. 29):
As soluções para os problemas ambientais somente serão 
possíveis se houver envolvimento e participação de toda 
a sociedade juntamente com o apoio de políticas públicas 
condizentes, pois tais problemas não podem ser resolvidos 
José Ozildo dos Santos et al.
108
individualmente, nem por movimentos isolados das 
comunidades.
Através da Educação Ambiental, o professor pode explorar vários temas, 
a exemplo de meio ambiente, desenvolvimento sustentável, responsabilidade 
socioambiental, além da ética ambiental, que, de certa forma, encontram-se 
correlacionados. Levando em consideração o que acima foi exposto, o presente 
artigo tem por objetivo mostrar como os professores de uma escola pública do 
município de Patos, Paraíba, vêm trabalhando a Educação Ambiental em sala 
de aula.
2 MetodologIa
Trata-se de uma pesquisa exploratória e de natureza qualitativa, realizada 
junto aos professores da Escola Estadual de Ensino Médio e Fundamental ‘José 
Alves Gomes, localizada no município de Patos, Estado da Paraíba, possuindo 
430 alunos, matriculados em nove turmas do ensino fundamental e oito do 
ensino médio. De acordo com Gil (2002, p. 34):
A pesquisa exploratória é usada quando se busca um 
entendimento sobre a natureza geral de um problema, as 
possíveis hipóteses alternativas e as variáveis relevantes 
que precisam ser consideradas. Normalmente, existe pouco 
conhecimento prévio daquilo que se pretende conseguir. Os 
métodos são muito flexíveis, não estruturados e qualitativos, 
para que o pesquisador comece seu estudo sem preconcepções 
sobre aquilo que será encontrado.
Esse tipo de pesquisa tem por objetivo oportunizar ao pesquisador de um 
maior conhecimento sobre o tema ou problema em estudo. Por isso, é utilizado 
quando se tem noção muito vaga do problema da pesquisa.
O universo da presente pesquisa foi composto por vinte e cinco professores, 
do qual se retirou uma amostra composta por dez participantes, escolhidos 
de forma aleatória, dentre aqueles que demonstraram interesse em participar 
deste estudo. Para a coleta de dados utilizou-se um questionário previamente 
elaborado, composto por questões subjetivas, relacionadas aos objetivos 
estabelecidos para esta pesquisa. Os dados colhidos foram apresentados em 
gráficos, para posterior discussão à luz da literatura especializada.
3 resultados e dIscussão
Inicialmente, procurou-se saber dos professores entrevistados sobre a 
Educação Ambiental. Os dados obtidos com esse questionamento encontram-se 
apresentados na Figura 1.
Educação ambiental: O trabalho desenvolvido por professores de uma escola pública do interior da Paraíba
109
Analisando-se a Figura 1 verifica-se que de acordo com 20% dos professores 
entrevistados, a Educação Ambienta é vista como sendo uma proposta 
educativa inovadora, voltada para as questões relacionadas ao meio ambiente, 
10% entendem tal disciplina como sendo uma forma de se discutir as questões 
ambientais, levando em consideração apenas os impactos econômicos. No 
entanto, 70% definem a Educação Ambiental como sendo um processo que 
visa formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente 
e com os problemas que lhe dizem respeito, seguindo praticamente o conceito 
apresentado pela UNESCO.
Embora existam várias definições para a Educação Ambiental, utiliza-se 
com uma maior frequência a definição apresentada durante o Congresso de 
Belgrado, promovido pela UNESCO em 1975, oportunidade em que a EA foi 
definida como sendo um processo que visa “formar uma população mundial 
consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem 
respeito”, capaz de “trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os 
problemas atuais e impedir que se repitam” (UNESCO apud MARCATTO, 2002, 
p. 14).
Deve-se registrar que a EA é um processo que objetiva promover a 
conscientização coletiva da sociedade em relação à necessidade de preservar o 
meio ambiente como um todo, formando cidadãos conscientes quanto ao seu 
papel nesse processo de preservação (DIAS, 2003).
Destaca Marcatto (2002, p. 12) que “a educação ambiental é uma das 
ferramentas existentes para a sensibilização e capacitação da população em 
geral sobre os problemas ambientais”, servindo como instrumento facilitador da 
“tomada de consciência sobre a gravidade dos problemas ambientais”.
Fonte: Elaborado pelos autores
Figura 1. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto ao que é educação 
ambiental
José Ozildo dos Santos et al.
110
Assim, pelo demonstrado, a EA é um processo que busca mudar a forma de 
como o ser humano ver o meio ambiente, envolvendo-o nas discussões sobre os 
problemas ambientais, tornando-o responsável pela construção de um mundo 
no qual se garanta condições dignas de vida para as gerações futuras, de forma 
que estas possam desfrutar também dos recursos naturais hoje existentes. 
Num segundo momento, procurou-se saber dos professores que participaram 
da presente pesquisa o que vem a ser meio ambiente. As respostas colhidas nesse 
questionamento foram transformadas em dados e apresentadas na Figura 2.
Com base nos dados apresentados na Figura 02, para 20% dos professores 
entrevistados,meio ambiente é o espaço que reúne as condições necessárias 
à sobrevivência dos seres vivos; 30% entendem como sendo o conjunto dos 
elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere 
o homem, individual e socialmente. Contudo, 50% definem o termo meio 
ambiente como sendo o conjunto de condições, leis, influências e interações de 
ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as 
suas formas.
O próprio IBGE (2004, p. 210) define meio ambiente como sendo o “conjunto 
dos agentes físicos, químicos, biológicos e dos fatores sociais susceptíveis de 
exercerem um efeito direto ou mesmo indireto, imediato ou a longo prazo, sobre 
todos os seres vivos, inclusive o homem”.
Vários são os conceitos existentes para o termo ‘meio ambiente’. No entanto, a 
noção básica que se tem sobre o mesmo é a de que trata-se de tudo que existe em 
volta dos seres vivos, incluindo também aquilo que não possui vida, além das 
manifestações socioculturais. Assim, o meio ambiente diz respeito aos fatores 
Fonte: Elaborado pelos autores 
Figura 2. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto ao que vem a ser 
Meio Ambiente
Educação ambiental: O trabalho desenvolvido por professores de uma escola pública do interior da Paraíba
111
bióticos, edáficos e climáticos que determinam a sobrevivência dos seres vivos 
sobre a Terra (JACOBI, 2003).
Posteriormente, procurou-se saber dos professores entrevistados, se na 
escola onde trabalham existe ou não algum projeto de Educação Ambiental. Os 
resultados colhidos foram esboçados na Figura 3.
Quando se analisa a Figura 03 verifica-se que segundo 80% dos professores 
entrevistados, na escola onde trabalham existe um projeto de Educação 
Ambiental sendo desenvolvido. Entretanto, 20% afirmaram que não vendo sendo 
desenvolvido nenhum projeto nesse sentido. Os dados colhidos demonstram 
que a escola e os professores que trabalham a questão ambiental precisam dar 
uma maior visibilidade às suas ações.
De acordo com Medeiros et al. (2011, p. 1), as escolas “já estão conscientes 
que precisam trabalhar a problemática ambiental e muitas iniciativas tem sido 
desenvolvida em torno desta questão, incorporando a temática do meio ambiente 
nos sistemas de ensino como tema transversal dos currículos escolares”.
Desta forma, levando em consideração a importância que a educação 
ambiental desfruta na atualidade, são poucas as escolas que não desenvolvem 
um projeto envolvendo a temática meio ambiental, relacionado à reciclagem, às 
hortas escolares, à arborização, etc. (SILVA; TAVARES, 2009).
Com tais projetos, a escola objetiva conscientizar seus alunos sobre a 
importância da necessidade de se preservar o meio ambiente. Assim, com essas 
iniciativas vem se ampliando o chamado conceito de ‘escolas sustentáveis’, que 
são aquelas unidades educativas voltadas para a promoção da educação para 
Fonte: Elaborado pelos autores
Figura 3. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto à existência ou não 
de algum projeto de Educação Ambiental em sua escola
José Ozildo dos Santos et al.
112
a vida, levando em consideração o meio onde o aluno vive e as condições de 
sustentabilidades. 
Posteriormente, indagou-se dos professores participantes, de que forma eles 
trabalham a temática ambiental em suas disciplinas. A Figura 4 sintetizam os 
dados relativos a esse questionamento.
Quando se analisa a Figura 04, verifica-se que 60% dos professores 
entrevistados trabalham a temática ambiental como um tema transversal; 20% 
declararam que exploram a referida temática mediante a realização de palestras 
ou seminários e outros 20% informaram que utilizam-se de aulas de campo para 
trabalharem a temática meio ambiente.
De acordo com Sato (2002, p. 37), “há diferentes formas de incluir a temática 
ambiental nos currículos escolares, como atividades artísticas, experiências 
práticas, atividades fora de sala de aula, produção de materiais locais e projetos 
[...]”, cabendo aos docentes, “por intermédio de prática interdisciplinar, 
proporem novas metodologias que favoreçam a implementação da Educação 
Ambiental”.
Diante da necessidade de se trabalhar a Educação Ambiental, cabe à escola 
a missão de procurar a melhor maneira, objetivando tornar possível uma 
aprendizagem significativa. Assim, em toda e qualquer ação desenvolvida, a 
escola deve proporcionar a participação de todos os seus alunos, revendo, se 
necessário, o currículo de forma a garantir um melhor desenvolvimento da 
interdisciplinaridade. 
De acordo com Marcatto (op. cit., p. 19), no contexto escolar atual “propõe-se 
que as questões ambientais não sejam tratadas como uma disciplina específica, 
Fonte: Elaborados pelos autores
Figura 4. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto à forma como 
trabalham a temática ambiental em suas disciplinas
Educação ambiental: O trabalho desenvolvido por professores de uma escola pública do interior da Paraíba
113
mas sim que permeiem os conteúdos, objetivos e orientações didáticas em todas 
as disciplinas”. 
Independente da disciplina que leciona, o professor em sua sala de aula deve 
abordar o meio ambiente e os questionamentos a ela relacionados, seja como 
parte dos conteúdos didáticos ou em forma de tema transversal. 
Nesse sentido, expressam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 
1997, p. 64), que a transversalidade “pressupõe um tratamento integrado das 
áreas e um compromisso das relações interpessoais e sociais escolares com as 
questões que estão envolvidas nos temas”, proporcionando “uma coerência 
entre os valores experimentados na vivência que a escola propicia aos alunos e o 
contato intelectual com tais valores”.
Analisando a citação transcrita acima, percebe-se que a transversalidade é 
um recurso que em muito enriquece a aula. Através de tal recurso, é possível 
o professor de Matemática, por exemplo, abordar em sala de aula as questões 
ambientais, discutindo, em termos percentuais, quanto do território brasileiro 
vem sofrendo com a degradação ambiental, transformando tal fenômeno em 
números, exprimindo-o em percentuais.
Ao utilizar tal recurso o professor consegue melhor contextualizar suas aulas, 
fazendo com que as mesmas sejam facilmente compreendidas por seus alunos. 
Em síntese, através dos temas transversais pode-se promover um melhor debate 
no contexto da sala de aula, fazendo com que o aluno interaja por completo com 
o conteúdo que está sendo apresentado, fator determinante para produção de 
uma aprendizagem significativa (ALMEIDA, 2007).
Através do quinto questionamento, perguntou-se aos professores 
participantes se eles acham difícil trabalharem a educação ambiental no contexto 
de suas disciplinas. As respostas oferecidas foram transformadas em dados e 
apresentadas na Figura 5.
Analisando os dados apresentados na Figura 5 verifica-se que 60% dos 
professores entrevistados acham difícil trabalharem a temática ambiental em 
suas disciplinas. No entanto, 40% afirmaram que não enfrentam nenhuma 
dificuldade.
Segundo Medeiros et al. (op. cit, p. 8) “para muitos professores trabalhar 
temas transversais como o meio ambiente no cotidiano escolar é muito difícil, 
pois as salas de aula são sempre lotadas, com muitos conteúdos para serem 
lecionados durante o ano letivo, o qual deve ser cumprido segundo a grade 
curricular”. 
Apesar de ser um tema bastante atual explorado com muita frequência não 
somente pela escola como também pela mídia, as questões ambientais ainda 
se apresentam como complexas, exigindo uma releitura constante, diante dos 
diferentes posicionamentos que envolvem a ética e a sustentabilidade. No 
entanto, tem-se que reconhecer que grande parte das dificuldades enfrentadas 
pelos professores em sala de aula, quanto à educação ambiental, são resultantes 
de uma formação acadêmica incompleta.
José Ozildo dos Santos et al.
114
5 consIderações FInaIs
Esta pesquisa possibilitou concluir que a maioria dos professores 
entrevistados entende a EducaçãoAmbiental como um processo que tem por 
objetivo construir uma sociedade consciente sobre a necessidade de se preservar 
o meio e de se discutir as questões a ele relacionadas. E, que o meio ambiente é 
um conjunto de condições, que permitem a existência dos seres vivos na Terra. 
E, que por essa razão, deve ser preservado.
Uma significativa conclusão proporcionada por esta pesquisa diz respeito ao 
fato de que a escola a qual se encontram vinculados os entrevistados, precisa dar 
uma maior visibilidade às suas ações, de forma que todos os docentes tenham 
o conhecimento pleno quanto ao desenvolvimento dos projetos ambientais e 
deles participem, adquirindo uma melhor percepção ambiental e assim possam 
contribuir para transformar sua unidade educativa em uma escola promotora 
da sustentabilidade. 
Os dados coletados também demonstraram que todos os professores 
entrevistados, independentemente da disciplina que lecionam, trabalham a 
temática ambiental em suas salas de aulas, e, que a maioria faz isto de forma 
transversal, embora considere difícil trabalhar tal temática.
6 reFerêncIas
ALMEIDA, G. P. Transposição didática: por onde começar. São Paulo: Cortez, 
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Fonte: Elaborado pelos autores
Figura 5. Gráfico com a distribuição dos participantes quanto ao fato se acham 
ou não difícil trabalharem a educação ambiental no contexto de sua disciplina
Educação ambiental: O trabalho desenvolvido por professores de uma escola pública do interior da Paraíba
115
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View publication stats
https://www.researchgate.net/publication/315747277em aterros ou queimados sem qualquer controle ou fiscalização. Noutro casos, 
a tais resíduos se dá o mesmo destino dado ao lixo doméstico, sendo colocado 
para coleta por parte dos órgãos encarregados pela limpeza pública.
Outro problema ambiental resultante a indústria de queijaria, diz respeito 
às emissões atmosféricas. Nas unidades de produção artesanal de queijo de 
manteiga, utiliza-se com grande frequência a madeira como combustível para 
as caldeiras. E, em tais unidades produtivas, principalmente as localizadas no 
nordeste brasileiro, praticamente não existe nenhum sistema de tratamento 
Uma abordagem sobre os problemas ambientais gerados pelos resíduos de uma queijaria
7
para os gases liberados, de forma que não preocupação em relação à poluição 
atmosférica. 
Como alternativa à redução da lenha utilizada nas caldeiras das queijarias, 
poderia ser utilizado placas de captação de energia solar para pré-aquecer a 
água utilizada nesses equipamentos, reduzindo, assim, o corte de árvores para a 
produção de lenha (JERÔNIMO et al., 2012).
Por outro lado, tais unidades de produção também podem fazer uso de 
combustível alternativo, a exemplo de castanha de castanha de caju, e, se for ou 
caso, de briquetes, cuja produção já é uma realidade no interior do Nordeste.
3 ConsIderações FInaIs
A indústria de queijaria gera uma quantidade considerável de soro. Grande 
parte desse subproduto, dependendo da localização das queijarias e da 
existência de criações de suínos nas proximidades, é destinada à essa atividade 
agropecuária. No entanto, a inexistência de criadores de suínos na região, faz 
com grande parte desse subproduto seja lançada no meio ambiente sem nenhum 
tratamento, gerando, assim, uma série de consequências ambientais, tendo em 
vista a sua composição química. 
Diante dos graves problemas que podem ser gerados pela destinação 
inadequada dos resíduos resultantes da fabricação artesanal de queijo, torna-se 
necessário o desenvolvimento de novos modelos de gestão e de tecnologias, que 
permitam o tratamento e a destinação adequada dos efluentes, produzidos nesse 
setor, de modo a minimizar ou eliminar seus impactos.
Até o presente, poucas as alternativas apresentadas capazes de contribuir 
para a redução dos impactos ambientais proporcionados pela indústria queijeira. 
No entanto, tem se estimulado a utilização racional do soro de queijo como 
matéria prima na produção de doce de leite, gerando benefícios para indústrias 
e para o meio ambiente, bem como atendo às necessidades dos consumidores. 
Entretanto, o desenvolvimento de tal produto exige investimentos. No entanto, 
pesquisas realizadas nesse sentido, demonstram a viabilidade dessa iniciativa.
Um fato positivo a ser considerado em relação ao meio ambiente com a 
reutilização do soro de queijo, é que uma grande quantidade de água dos 
mananciais, bem com o próprio solo, deixara de ser contaminada por esse 
subproduto.
Através da revisão de literatura produzida pode-se constar que a indústria 
de queijaria também produz resíduos sólidos. Além de serem em pequena 
quantidade, tais resíduos possuem natureza reciclável. As aparas de queijo 
podem ser utilizadas na alimentação humana e comumente, no sertão 
nordestino são comercializadas junto às populações de baixo poder 
aquisitivo. As cinzas das caldeiras podem ter utilização da agricultura.
Já as embalagens de papel e plásticas, possuem amplo mercado. Quanto 
ao lixo doméstico, este pode passar por um processo de seleção, separando, 
principalmente, aquilo que é orgânico. E, quanto às gorduras, estas podem ser 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
8
comercializadas para as pequenas fábricas de sabão. Desta forma, verifica-se 
que nada que é resultante do processo de produção do queijo se perde. E, o que 
necessita de fato é o desenvolvimento de novas tecnologias que possam ser 
utilizadas nesse tradicional setor de produção.
4 reFerênCIas
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A gestão ambiental
dos recursos hídricos
Rosélia Maria de Sousa Santos
José Ozildo dos Santos
Leandro Machado da Costa
José Rivamar de Andrade
Douglas da Silva Cunha
Jessiane Dantas Fernandes
Patrício Borges Maracajá
1 Introdução
O termo recurso hídrico se refere à função econômica desempenhada como 
recurso econômico. Os volumes captados para a irrigação, aqueles que movem 
as turbinas das hidroelétricas, assim como as águas captadas, engarrafadas e 
distribuídas como mercadoria pelas companhias de água mineral, são exemplos 
de recursos hídricos.
De acordo com Ianni (2004), existe uma grande interação e interdependência 
entre os recursos hídricos e os demais elementos que constituem o meio 
ambiente. E, que a ocupação do solo constitui um fator de influência importante 
nestas relações. Principalmente, no que se refere ao seu uso.
No uso urbano identificam-se problemas relacionados com o lançamento de 
esgoto, deposição do lixo, captações para abastecimento, impermeabilização do 
solo, etc., que afetam significativamente os recursos hídricos, principalmente, 
em áreas de grande adensamento populacional (RESENDE, 2006). 
No uso industrial constatam-se problemas relacionados com lançamentos 
de poluentes e captações degradando de forma pontual ou difusa a qualidadedas águas dos rios e dos aquíferos. No entanto, quanto ao uso rural, prevalece 
à influência da irrigação, através do carregamento de sedimentos, a erosão de 
encostas e o assoreamento dos cursos d’água como fatores de interferência direta 
nas condições gerais da bacia e dos recursos hídricos.
Explica Richklefs (2004), que as condições dos cursos d’água normalmente 
refletem a saúde da bacia. Portanto os problemas de qualidade e quantidade de 
água estão inseridos nas questões mais globais de meio ambiente. 
Desta forma, a política de gestão das águas está intimamente relacionada 
com a política ambiental, devendo ser considerada como elemento norteador na 
gestão das águas. O presente artigo tem por objetivo promover uma abordagem 
sobre a gestão das águas no Brasil.
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
12
2 revIsão de LIteratura
2.1 Recursos hídricos e a sustentabilidade
No contexto atual, as discussões sobre a crise ambiental, mais particularmente 
em relação aos recursos hídricos é algo cada vez mais presente não somente no 
meio acadêmico, mas em toda a sociedade. A mídia focaliza o assunto de forma 
intensiva, diante da gravidade da falta d’água potável para o consumo humano. 
Nesse sentido, explica Holthausen (2000), que a crise ambiental vem se 
agravando há algum tempo e está basicamente relacionada aos seguintes fatores: 
a) a escassez dos recursos naturais; 
b) a saturação do meio receptor.
O crescimento da população mundial nas últimas décadas, especialmente 
da população urbana nos países em desenvolvimento, bem como a utilização 
de processos produtivos predatórios tem acentuado o quadro de degradação 
ambiental.
Nas últimas três décadas as preocupações ambientais, geradas por problemas 
de poluição atmosférica e crises energéticas, impulsionaram os questionamentos 
sobre o papel do meio ambiente e os recursos naturais no desenvolvimento dos 
países.
De acordo com Guimarães (2001), a Conferência de Estocolmo em 1972 
alertou sobre o crescimento acelerado da população mundial, o esgotamento 
das principais fontes de matéria prima e consequências desastrosas para o meio 
ambiente.
A partir da Conferência de Founex, em 1971, preparatória para a Conferência 
de Estocolmo, foi lançada a proposta do eco-desenvolvimento que tem o 
princípio do desenvolvimento equilibrado baseado nas potencialidades de cada 
ecossistema.
Afirma Leal (1998), que na década de 1980 surgiu o conceito de 
desenvolvimento sustentável.
Tal modalidade de desenvolvimento pode ser entendida como um processo 
no qual se possa realizar as necessidades das comunidades presentes e futuras, 
sem comprometer os limites de capacidade de suporte dos ecossistemas, 
respeitando a manutenção dos seus processos vitais e sua regeneração em face 
dos rejeitos provenientes das atividades humanas.
Na concepção de Resende (2006, p. 8),
A implantação dos conceitos inerentes ao 
desenvolvimento sustentável deve viabilizar a coexistência 
entre economia e ecologia, a fim de sanar os problemas 
advindos da miséria que assola grande parte da população 
mundial e, simultaneamente, preservar, proteger e recuperar 
o ambiente. Para tanto, ele deve, ao mesmo tempo em 
que produz riquezas, proporcionar os mínimos riscos 
A gestão ambiental dos recursos hídricos
13
possíveis à saúde, limitar a utilização dos recursos naturais 
renováveis aos seus níveis de recomposição, ponderar ao 
máximo o emprego dos recursos naturais não renováveis, 
e minimizar os efeitos nocivos do processo produtivo. Ao 
atender a esses requisitos, poderemos atingir as condições 
de sustentabilidade.
A aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável à realidade requer, 
no entanto, uma série de medidas tanto por parte do poder público como da 
iniciativa privada, assim como exige um consenso internacional. Para a absorção do 
desenvolvimento sustentável, as populações devem ser envolvidas na elaboração 
e execução dos planos de gerenciamento dos recursos ambientais com uma 
participação democrática, o que deve ser possibilitado pelas formas de organização 
sociopolítica e institucional. Pois, é necessária uma maior integração interinstitucional 
envolvendo organizações ambientais, de planejamento e econômicas. 
Ainda segundo Richklefs (2001, p. 131):
Este novo conceito de desenvolvimento tem sido 
gradualmente incorporado gradualmente pelos países, 
permitindo que entre a década de 70 e 80 o número de países 
que passaram a ter Ministério de Meio Ambiente, passou 
de 11 para 111, ainda na década de 1990. Esta mudança de 
paradigma é mais fácil de implementar nos países mais 
ricos, onde há recursos financeiros disponíveis para proteção 
ambiental. Nos países mais pobres existem os maiores 
desequilíbrios entre o meio ambiente e a economia tornando 
imperiosa a implantação de uma política ambiental adequada.
Dentro do conceito de desenvolvimento sustentável, pressupõe a existência 
de um sistema eficiente de gestão, que vise à conservação do meio ambiente, 
a qual deve compatibilizar e otimizar os diferentes usos, harmonizando com 
as vocações naturais dos ecossistemas. É indispensável adotar uma abordagem 
integradas desses usos face às interdependências dos componentes dos 
ecossistemas. Pois, o desflorestamento pode causar erosão e modificar o regime 
hidrológico dos rios.
De acordo com Leal (1998), a gestão ambiental engloba três níveis 
fundamentais de ação, em função do grau de degradação já existente no meio:
a) Recuperação e controle do meio ambiente;
b) Avaliação e controle da degradação futura e
c) Planejamento ambiental.
Dependendo do grau de degradação pode ser prioritária a recuperação 
dos ecossistemas, antes que ocorram processos irreversíveis, considerando as 
necessidades das populações locais, os padrões de uso. 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
14
Neste caso, ainda segundo Leal (1998), a recuperação ambiental dar-se-á 
através:
a) do controle da poluição hídrica e atmosférica; 
b) do reflorestamento de mananciais; 
c) da recuperação de áreas erodidas.
Outro nível de atuação diz respeito à avaliação e controle de degradação 
futura, tratando de conservar e melhorar as condições existentes. Um terceiro 
nível refere-se ao planejamento ambiental, que visa planejar as intervenções do 
meio de modo a aproveitar da melhor forma o potencial, com base em critérios 
qualitativos e quantitativos. Este nível mais abrangente engloba a avaliação da 
degradação futura e também da recuperação ambiental.
Os instrumentos utilizados para alcançar os objetivos de natureza não 
estrutural são normas, legislação, incentivos econômicos, educação ambiental, 
e, de natureza estrutural, obras de proteção ambiental.
2.2 A gestão dos recursos hídricos
O gerenciamento dos recursos hídricos pode ser entendido como um 
conjunto de ações a se desenvolver para garantir às populações e às atividades 
econômicas uma utilização otimizada da água, tanto em termos de quantidade 
como de qualidade. Estas ações podem ser, conforme o caso, de caráter político, 
legislativo, executivo, de coordenação, de investigação, de formação de 
pessoal, de informação e de cooperação intersetorial, ou mesmo internacional 
(BURSZTYN; OLIVEIRA, 1982).
Assim sendo, entende-se que a gestão de recursos hídricos é o conjunto de 
ações destinadas a regular o uso, o controle e a proteção dos recursos hídricos, 
em conformidade com a legislação e normas pertinentes.
De acordo com Lanna (2003), os principais instrumentos de gestão são 
classificados nas seguintes categorias:
a) Instrumentos Legais, Institucionais e de Articulação com a Sociedade: 
arcabouço legal (leis, decretos, portarias, resoluções); órgão gestor; conselhos 
de recursos hídricos; sistema de gestão; comitês de bacias; agências de bacias; 
associações de usuários de água; campanhas educativas; e mobilização social e 
comunitária;
b) Instrumentos de Planejamento: planos estaduais de recursos hídricos; 
planos de bacias; enquadramento de cursos d’água; modelos matemáticos de 
qualidade e de fluxos(simulação); e programas de economia e uso racional de 
água;
c) Instrumentos de Informação: sistemas de informação; redes de 
monitoramento quantitativo e qualitativo de água; redes hidro-meteorológicas; 
cadastros de usuários de água; cadastros de infraestrutura hídrica; e sistemas de 
suporte à decisão;
d) Instrumentos Operacionais: outorga de água; licença para obra hídrica; 
cobrança; fiscalização dos usos da água; operação de obras de uso múltiplo; 
A gestão ambiental dos recursos hídricos
15
manualização da gestão e da operação; manutenção e conservação de obras 
hídricas; proteção de mananciais; e controle de eventos críticos, entre outros.
Informam ainda Bursztyn e Oliveira (1982), que o gerenciamento dos 
recursos hídricos, como setor particular da atividade social, surgiu no início da 
era industrial para se contrapor à consideração - devido à utilização intensiva 
da água para fins de produção e de consumo humano - a ideia de que a coleta, 
o tratamento, e a distribuição da água eram elementos intrínsecos do processo 
produção propriamente dito.
No Brasil, iniciou-se, na década de 1980, uma discussão intensa e participativa 
sobre um novo modelo de gerenciamento de recursos hídricos para o país. Na 
oportunidade foram debatidos vários modelos e experiências adotadas por 
diversos países, no campo de gerenciamento dos recursos hídricos, bem como 
implantados projetos pilotos através de Cooperação Técnica Internacional, tais 
como os realizados com a Alemanha e a França.
2.3 A gestão dos recursos hídricos no Brasil
O Brasil com uma área de 8.512.000 km² e mais de 220 milhões de habitantes, 
é o quinto país de mundo, tanto em extensão territorial como em população. No 
entanto, as diferenças de natureza econômica, social, demográfica são acentuadas 
em várias regiões do país. No âmbito dos recursos hídricos embora exista uma 
disponibilidade hídrica expressiva, ou seja, 12 % da água doce do planeta, a sua 
distribuição irregular, tanto no espaço como no tempo, provoca diferenciações 
significativas no comportamento do regime hidrológico em várias partes do país.
Afirma Antunes (2006), que existem dois desafios marcantes a serem 
enfrentados pelo Brasil no campo dos recursos hídricos. São eles:
a) escassez de água em algumas regiões principalmente na região Nordeste;
b) degradação da qualidade das águas.
Estes problemas relacionados com os recursos hídricos foram acentuados 
pelo crescimento demográfico brasileiro associado às mudanças no perfil da 
economia do país que se refletiu de forma significativa no uso dos recursos 
hídricos na segunda metade do século.
De acordo com Moreira (2004), os fatores demandadores das águas dos 
mananciais brasileiros, são resultantes das seguintes causas:
a) o processo de migração da população do campo para a cidade; 
b) a crescente industrialização associada ao crescimento do parque gerador 
de energia hidrelétrica 
Além desses fatores, o aumento da população pressionou o aumento de 
alimentos, proporcionado uma utilização crescente da agricultura irrigada.
No entanto, na década de 1980, a sociedade brasileira começou a considerar os 
problemas de recursos hídricos e adotar medidas para neutralizá-los através do 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
16
aprimoramento dos sistemas de usos múltiplos e de mecanismos, que reduzisse 
o comprometimento da sua qualidade.
 
2.4 A legislação brasileira sobre os recursos hídricos 
A evolução da legislação de recursos hídricos no Brasil teve como marco 
legal inicial o Código de Águas, estabelecido pelo Decreto Federal nº 24.643, 
de 10 de julho de 1934. E, que o citado Código refletiu, na oportunidade, uma 
mudança nas diretrizes do país, que migrava suas atenções do setor agrário para 
o urbano industrial e precisava viabilizar a geração hidrelétrica. Em vista desta 
nova abordagem, a responsabilidade sobre a execução do Código de Águas, que 
de início, era do Ministério da Agricultura, em 1961, passou para o Ministério de 
Minas e Energia (YOUNG; YOUNG, 1999).
Na opinião de Granziera (2001), a regulamentação do Código de Águas 
permitiu remover obstáculos legais que restringiam o aproveitamento de seu 
potencial hidrelétrico, atendendo aos interesses emergentes do setor urbano-
industrial.
Acrescenta Cruz (1998), que o Código de Águas definiu os seguintes tipos de 
propriedade da água:
a) águas públicas; 
b) águas comuns;
c) águas particulares. 
No entanto, este último tipo foi suprimido pela Constituição de 1988. As 
águas públicas de uso comum são basicamente as correntes, canais, lagos e 
lagoas navegáveis ou flutuáveis e as fontes e reservatórios públicos. As águas 
comuns são as correntes não navegáveis ou não flutuáveis.
Explica ainda Cruz (1998, p. 61) que:
As águas públicas de direito comum podem ser da União 
ou dos Estados. As de domínio da União são aquelas que 
servem de limite com outros países ou se estendem até 
território estrangeiro, as que servem de divisa entre estados 
ou às que percorrem dois ou mais estados. As águas de 
domínio estadual são as que se situam exclusivamente num 
estado. 
O Código de Águas considera, ainda, o uso prioritário para abastecimento 
público e estabelece como princípio, os aproveitamentos múltiplos. Neste 
documento legal estão colocados dispositivos que se mostram ainda hoje 
bastante atuais.
De acordo com Granziera (2001), em 1967 foi criada a Política Nacional 
de Saneamento (PNS), que proporcionou a incorporação do conceito de 
planejamento integrado, pois no seu texto determinava a integração entre as 
A gestão ambiental dos recursos hídricos
17
políticas de Saúde e Saneamento, criando, o Conselho Nacional de Saneamento 
cuja composição era interministerial.
A ausência de normas complementares e a inaplicabilidade de alguns 
preceitos levaram o Código das Águas a cair em desuso. No entanto, novas 
demandas trouxeram alterações significativas para sua aplicação, favorecendo 
determinados setores econômicos, como a produção de energia hidrelétrica.
Informam Young e Young (1998), que em 1979, foi sancionada a Política 
Nacional de Irrigação, objetivando o aproveitamento racional dos recursos 
hídricos e o melhor aproveitamento do solo. Esta política voltava-se à implantação 
e desenvolvimento de novas práticas para a agricultura irrigada. 
O referido regulamento ainda está em vigor e tem seu alcance limitado apenas 
às águas superficiais, de domínio da União, pois esta não pode dispor a respeito 
das águas de domínio estadual, entre as quais estão as subterrâneas. Em 1981, 
através da Lei Federal nº 6.938, deu-se a instituição da Política Nacional do Meio 
Ambiente, estabelecendo instrumentos voltados à gestão ambiental e à aplicação 
efetiva do princípio usuário/poluidor pagador. Esta Política inseriu importantes 
instrumentos obrigatórios de controle e fiscalização do uso dos bens ambientais, 
como o Estudo de Impacto Ambiental, tornando-se marco na modificação dos 
mecanismos de gestão dos recursos naturais do país.
A Constituição Federal promulgada em 1988, trouxe aperfeiçoamentos 
importantes aos dispositivos de gestão dos recursos hídricos originários do 
Código de Águas, mas mostrou-se muito centralizadora, estabelecendo que 
“compete privativamente à União legislar sobre as águas e energia [...], regime 
dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima” (BRASIL, 2006, p. 11).
Nesta Constituição ficou definida a propriedade da água bem como no seu 
inciso XIX do artigo 21 estabelece que “compete à União instituir o sistema 
nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de 
direitos de seu uso” (BRASIL, 2006, p. 11).
O processo de participação das instituições envolvidas com recursos hídricos e 
da comunidade técnico-científica teve continuidade, dando origem à formulação 
e implantação da Lei nº 9.433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos 
Hídricos - PNRH e o Sistema Nacional de Recursos Hídricos SINGREH.
Ainda segundo Granziera (2001), esta Lei, inspirada no modelofrancês de 
gestão dos recursos hídricos, tem os seguintes objetivos principais:
a) assegurar disponibilidade de água com qualidade para gerações atuais e 
futuras;
b) a utilização racional e integrada de água visando o desenvolvimento 
sustentável
c) a prevenção contra eventos críticos.
A Nova Política de Recursos Hídricos inovou em vários aspectos, ao instituir 
mecanismos capazes de assegurar a utilização sustentável dos recursos hídricos, 
bem como garantir o acesso público às águas. Tratando-se de lei complementar, 
foi sendo adaptada aos preceitos constitucionais vigentes, de modo que, aos 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
18
poucos, condicionam-se as transformações e as necessidades socioeconômicas 
posteriores. 
A citada Lei, Granzieira (2001), está fundamentada nos seguintes conceitos: 
a) a água é um recurso natural finito;
b) sua utilização prioritária é para consumo humano e animal;
c) ênfase no aproveitamento múltiplo;
d) adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento.
O sistema estabelecido pela na Política de Recursos Hídricos, apóia-se, 
extensivamente, em diretrizes regulatórias, estabelecendo que os serviços de 
saneamento sejam providos por concessões e definidos pelas autoridades locais 
(Federais, Estaduais ou Municipais). Assim, a Lei nº 9.433/97estabelece as 
seguintes diretrizes:
a) associação dos aspectos quantitativos e qualitativos da água;
b) adequação das ações às diversidades regionais;
c) integração da gestão dos recursos hídricos com a gestão ambiental;
d) integração da gestão dos recursos hídricos com a gestão costeira e estearina;
e) articulação com planejamentos setoriais, regionais, estaduais e nacional;
f) articulação com a gestão do solo.
A Nova Política de Recursos Hídricos, objetiva, portanto, garantir o 
abastecimento de água à população, promover o uso múltiplo das águas, 
proteger o meio ambiente e reduzir as consequências das inundações e secas.
Afirma ainda Granziera (2001), para cumprir os objetivos da PNRH, foram 
definidos os seguintes instrumentos:
a) Planos de Recursos Hídricos (planos diretores por bacias, compatibilizados 
com os estados e unificados para o país).
b) Outorga de direito de uso da água.
c) Cobrança pelo uso da água.
d) Sistema de informações sobre recursos hídricos.
e) Enquadramento dos corpos d’água.
Desta forma, para consignar a implementação de tais instrumentos, tornou-se 
necessário a criação de novos organismos para alcançar a gestão compartilhada 
do uso da água. 
Lanna (2003), afirma ainda que no plano da estrutura, integram ao Sistema 
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos os seguintes órgãos: 
a) o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, 
b) os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos; 
c) os Comitês de Bacias Hidrográficas
d) as Agências de Água.
Estes organismos possuem funções diferenciadas. No entanto, atuam em 
conjunto, na solução de conflitos, na tomada de decisões e na aplicação da 
cobrança pelo uso da água, respectivamente.
A gestão ambiental dos recursos hídricos
19
É importante destacar que os fundamentos expressos na Lei nº 9.433/97, 
proporcionam uma abordagem sistêmica na gestão dos recursos hídricos. 
Além disso, ao instituir a cobrança pelo uso da água, reconheceu-se seu valor 
econômico e vem estimulando a sua utilização de forma racional.
No que se refere à implementação dos instrumentos da Política Nacional 
de Recursos Hídricos, bem como a coordenação do Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos, foi criada a Agência Nacional de Águas 
(ANA), através da Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000.
Ainda segundo Lanna (2003), a Agência Nacional de Água tem como 
principais atribuições:
a) Outorgar o direito de uso da água;
b) Fiscalizar os usos múltiplos dos recursos hídricos;
c) Implementar a cobrança pelo uso da água em âmbito da União;
d) Arrecadar, distribuir e aplicar receitas auferidas pela cobrança pelo uso 
da água;
e) Planejar e promover ações destinadas a prevenir e minimizar os efeitos das 
secas e inundações;
f) Definir e fiscalizar as condições de operação de reservatórios, por agentes 
públicos e privados para garantir os usos múltiplos dos recursos hídricos;
g) Organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre 
Recursos Hídricos;
h) Estimular e apoiar as iniciativas voltadas para a Criação de Comitês de 
Bacia Hidrográfica.
A ANA (Associação Nacional das Águas) é uma autarquia vinculada ao 
Ministério do Meio Ambiente, que tem, entre suas atribuições, a outorga do 
direito do uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio da União, 
além de outras funções normativas, executivas e fiscalizadoras relativa aos 
recursos hídricos.
Em síntese, ela tem a função de coordenar a implementação da Política 
Nacional de Recursos Hídricos, o papel de estimular e prestar assistência técnica 
e organizacional na criação e consolidação dos Comitês de Bacia Hidrográfica e 
seus braços executivos, as Agências de Água ou de Bacias, e na organização e 
atuação dos órgãos e entidades estaduais, gestores de recursos hídricos.
3 ConsIderações FInaIs
Os recursos hídricos hoje disponíveis no país oferecem a possibilidade 
de abastecimento integral a toda população, bem como podem ainda serem 
utilizados em práticas agrícolas. Apenas uma fração reduzida dos recursos 
hídricos disponíveis está efetivamente sendo utilizada uma vez que não se 
dispõe, ainda, de infraestrutura adequada para o aproveitamento e otimização 
integral desses recursos.
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
20
Portanto, para que o desenvolvimento do país ocorra em harmonia e 
alavancado com a disponibilidade hídrica é imprescindível que a gestão dos 
recursos hídricos se estabeleça integralmente, com políticas públicas bem 
definidas e com órgãos/grupos gestores, que atuem no sentido de desenvolver, 
implantar e operar os instrumentos de gestão necessários para o pleno 
desenvolvimento das atividades socioeconômicas planejadas e implementadas 
a partir da oferta com responsabilidade dos recursos hídricos existentes.
Desta forma, é necessário fortalecer os organismos voltados à gestão das 
águas, para que não haja retrocesso, além de se promover a capacitação de 
profissionais, para atuarem nos comitês de bacia hidrográfica, dando suporte 
técnico ao seu funcionamento. Agindo-se desta forma, pode-se obter um melhor 
aproveitamento dos recursos hídricos. No entanto, é preciso que sejam adotadas 
providencias objetivando uma melhoria no gerenciamento desses recursos, 
compreendendo a implementação de campanhas educativas voltadas para 
conscientizar o povo da necessidade de economizar água, e, partir para a criação 
de Comitês de Bacias Hidrográficas, a fim de que a sociedade civil organizada 
tome consciência, da necessidade de acompanhar a execução de obras ao longo 
das bacias hidrográficas, fiscalizando, ao mesmo tempo o uso múltiplo do 
precioso liquido. 
4 reFerênCIas
ANTUNES, C. Os rios, os mares e os oceanos. São Paulo: Scipione, 2005.
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A necessidade de uma nova 
conscientização ambiental:
A educação ambiental como prática
Rosélia Maria de Sousa Santos
José Ozildo dos Santos
Jessiane Dantas Fernandes
José Rivamar de Andrade
Douglas da Silva Cunha
Altevir Paula de Medeiros
1 Introdução
No mundo atual, caracterizado pelo processo de globalização, no qual, 
praticamente não existe outra preocupação há não ser aquela de natureza 
econômica, o homem vem explorando de forma excessiva os recursos naturais, 
colocando em risco a sua própria espécie. 
Na atualidade, mais do que nunca, é preciso que o homem e a sociedade 
como um todo, adquira uma conscientização ecológica, firmando no princípio 
de que é preciso preservar a natureza para que a vida na terra continue existindo. 
Entretanto, deve-se registrar que a preocupação com a depredação do Meio 
Ambiente natural é insuficiente se esta não estiver intimamente ligada à mudança 
de posturas e a novas formas de desenvolvimento, em relação à produção de suas 
necessidades e de sua relação com os homens. Assim, diante da complexidade 
das questões ambientais, dos atuais estilos de vida inseridos no processo de 
globalização, é patente a necessidade de uma abordagem interdisciplinar para 
se trabalhar a Educação Ambiental. 
O presente estudo, no qual adotou-se como procedimento metodológico a 
pesquisa bibliográfica, tem por objetivo mostrar a necessidade de uma nova 
conscientização ambiental. E, que esse objetivo pode ser atingido através da 
educação ambiental como prática.
2 revIsão de LIteratura
2.1 A necessidade de uma nova conscientização ambiental
No contexto atual, é necessário que o homem tenha uma consciência ecológica 
sólida e entenda que a melhor maneira de se explorar o meio ambiente é 
buscando uma harmonia entre este e o desenvolvimento. Assim sendo, é preciso 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
24
que o homem atual seja consciente de que pode, de forma racional, utilizar-se 
dos recursos naturais, sem, contudo, destruir a natureza. 
Explica Guimarães (2001) que: 
A ausência de uma consciência holística e, portanto, 
ecologicamente equilibrada vem transformando a face do 
planeta neste último decênio num verdadeiro caldeirão de 
contradições que ao um só tempo, põem por terra a pretensa 
racionalidade do homem na escala evolutiva animal. O 
aquecimento global, os terremotos, furacões e ciclones, o 
aumento da desertificação, o assoreamentos dos rios, o 
desmatamento, a poluição nos seus mais diversos aspectos, 
a fome, a extinção de espécies animais, a falta de água doce 
entre outros acontecimentos diretamente ligados à devastação 
indiscriminada da natureza, não são assuntos estranhos para 
a humanidade, uma vez que vários alertas foram feitos por 
meio da comunidade científica e ambientalista de várias 
partes do mundo; o que falta em essência é o despertar 
da consciência crítica e coletiva dos povos, em relação à 
perspectiva de futuro da espécie hoje seriamente ameaçada 
pelo desejo alucinado do lucro imediato.
Na atualidade, nota-se que o homem tem caminhado para a consciência da 
necessidade de uma exploração racional no interesse da sua própria economia. 
Os planos de desenvolvimento econômico de muitos países já conciliam as 
trans formações inevitáveis dos meios naturais com a conservação ambiental, 
configurando-se o que frequentemente é chamado de desenvolvimento.
2.2 O surgimento da educação ambiental
No mundo atual, os temas ambientais estão presentes nas manchetes 
de jornais, nos programas de televisão, artigos de revistas, em palestras, 
congressos, campanhas populares, marketing de empresas e planos de governo. 
Isso demonstra que o debate sobre os problemas ambientais e a necessidade de 
encontrar soluções para os mesmos, torna-se cada vez mais urgente na sociedade 
contemporânea (FIGUEIREDO, 2004). 
Os problemas ambientais atingem os interesses e as necessidades das 
pessoas, independente da profissão e classe social, sensibilizando-as a tomarem 
consciência de que tais problemas vão se somando e agravando à proporção, 
que o progresso avança.
De acordo com Souza (2001): 
[...] essas questões passaram a ter importância somente 
quando, de um lado, a ameaça de risco à segurança e à 
qualidade de vida atingiu as classes médias e, de outro, 
A necessidade de uma nova conscientização ambiental: A educação ambiental como prática
25
quando se passaram a contabilizar as perdas nas esferas 
de produção provocadas pela sua não preservação e pelos 
imensos custos provocados pelo colapso ambiental.
As soluções para os problemas ambientais somente serão possíveis se houver 
envolvimento e participação de toda a sociedade juntamente com o apoio de 
políticas públicas condizentes, pois tais problemas não podem ser resolvidos 
individualmente, nem por movimentos isolados das comunidades. 
Por isso, Souza (2001) afirma que:
O ‘meio socioeconômico’ deve ser, de alguma forma, um 
aspecto central das discussões ambientais, pois o que está 
em jogo não é simplesmente a preservação, mas sim como os 
homens, de forma individual ou em grupos, ao apropriarem-
se da natureza para satisfazerem as suas necessidades, 
estabelecem formas diversas de conflitos expressos na 
segregação dos benefícios que o bem-estar deveria lhes 
proporcionar.
Nesse sentido, cabe ao homem atual conscientizar-se de que ele é parte do 
próprio meio, de tal forma que se ele continuar explorando de forma excessiva 
os recursos naturais, sem uma preocupação em preservar o meio ambiente, no 
futuro, até ele próprio estará entre as espécies em extinção.
Dissertando com a necessidade de uma consciência ecológica, Viola (1987) 
afirma que “o comportamento predatório não é novo na história humana, 
não se restringe nem ao fim do século XX e nem aos últimos dois séculos de 
industrialização, o que é novo é a escala dos instrumentos de predação, cujo 
símbolo máximo é as armas nucleares”.
Entretanto, foi somente após sentir na pele os efeitos da contaminação 
ambiental, causada por diversos fatores, que os seres humanos começaram a 
adquirir a autoconsciência das possibilidades de destruição do planeta. E, com 
esse despertar, lançou-se as sementes da Educação Ambiental, tão necessária na 
atualidade.
2.3 Conceituando educação ambiental (EA)
Atualmente, a Educação Ambiental é um tema bastante discutido tanto 
no meio acadêmico como em diversos segmentos da sociedade organizada, 
existindo, portanto, várias definições sobre a mesma. No entanto, todas, de 
forma direta ou indireta, apresentam a necessidade de formar no aluno uma 
consciência quanto à importância da preservação do meio ambiente.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997): 
Entende-se por educação ambiental os processos por meio 
dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores 
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
26
sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências 
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso 
comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua 
sustentabilidade.
A Educação Ambiental é uma forma abrangente de educação, que através de 
um processo pedagógico participativo permanente, procura incutir no educando 
e na sociedade, de forma geral, uma consciência crítica sobre a problemática 
ambiental, despertando esses segmentos quanto à necessidade de se promover 
a preservação da natureza. 
De acordo com Figueiredo (2004):
A educação ambiental é um processo que visa formar 
uma população mundial consciente e preocupada com o 
ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma 
população que tenha os conhecimentos, as competências, o 
estado de espírito, as motivaçõese o sentido de participação 
e engajamento que lhe permitam trabalhar individual e 
coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir 
que se repitam.
No âmbito educacional, a educação ambiental deverá ser trabalhada na escola 
como processo educacional em todas as instâncias de formação e disciplinas do 
currículo, integrando-se ao processo educacional como um tema transversal, 
conforme expressam os Parâmetros Curriculares Nacionais. 
No âmbito social, ela deve ser abordada através de campanhas de 
esclarecimentos, veiculadas através dos mais variados meios de comunicação, 
mostrando à população a necessidade de preservar a natureza como um todo 
(FIGUEIREDO, 2004).
A Educação Ambiental possibilita a construção do conhecimento, 
proporcionando ao ser humano uma compreensão crítica global do ambiente, 
sendo, portanto, uma das alternativas de transformação de paradigmas com 
a construção de uma consciência coletiva volta para a preservação do meio 
ambiente. 
Nesse mesmo sentido, destaca Leff (2002) que: 
A educação ambiental se fundamenta em dois 
princípios básicos: uma nova ética que orienta os valores 
e comportamentos para os objetivos de sustentabilidade 
ecológica e a equidade social; uma nova concepção do mundo 
como sistemas complexos, a reconstituição do conhecimento 
e o diálogo de saberes.
A Educação Ambiental traz para o ser humano uma nova ética ao mesmo 
tempo em que mostra a necessidade de uma conscientização coletiva, pautada 
A necessidade de uma nova conscientização ambiental: A educação ambiental como prática
27
num princípio que mostra que todo ser humano possui sua responsabilidade a 
cumprir para com o meio ambiente. Na opinião de Quintas (2001), à educação 
ambiental cabe:
[...] principalmente, promover a mudança de 
comportamento do sujeito em sua relação cotidiana 
e individualizada com o meio ambiente e os recursos 
naturais, objetivando a formação de hábitos ambientalmente 
responsáveis no meio social. Essa abordagem evidencia uma 
leitura acrítica e ingênua da problemática ambiental e aponta 
para uma prática pedagógica prescritiva e reprodutiva. 
Assim, a transformação da sociedade seria o resultado da 
transformação individual dos seus integrantes.
Diante disso, entende-se que é necessário efetivar a Educação Ambiental 
no processo educativo, objetivando formar cidadãos conscientes, capazes 
de decidirem e atuarem na realidade socioambiental de uma forma mais 
comprometida com a vida e o bem-estar de todos. 
Contudo, esse processo de efetivação da ED deve envolver a sociedade como 
um todo, cuja conscientização da necessidade de preservação do meio ambiente 
sob todos os aspectos deve ser incentivada e promovida através de todos os 
segmentos da mídia. Tal missão, não é apenas uma tarefa dos organismos 
de governo, deve ser um compromisso de todos os segmentos da sociedade 
organizada, organizações não governamentais, conselhos de preservação do 
meio, etc.
2.4 O caráter interdisciplinar da educação ambiental
É consenso entre os teóricos, que o ensino apresenta melhores resultados, 
quando, de forma geral, trabalha-se em sala de aula a interdisciplinaridade. 
Embora não sendo conteúdo específico de sua disciplina, o professor pode e 
deve trabalhar a Educação Ambiental em sala de aula. Se assim fizer, estará 
dando uma excelente contribuição ao ensino aprendizagem, possibilitando aos 
seus alunos os conhecimentos necessários para que os mesmos possam entender 
melhor o mundo que existe em sua volta. 
Em seu contexto, a Educação Ambiental encontra-se vinculada a diversos 
valores tais como: cooperação, solidariedade, respeito mútuo, responsabilidade 
individual e coletiva, participação, comprometimento e coletividade (QUINTAS, 
2001).
Independentemente da disciplina, temas com Educação Ambiental, 
Orientação Sexual, Cidadania e Ética, devem ocupar espaços privilegiados 
nas salas de aula, tanto no ensino fundamental como no ensino médio. Nesse 
sentido, deve-se lembrar que a opção pelo trabalho com o tema meio ambiente 
traz a necessidade de aquisição de conhecimento e informação por parte da 
escola para que se possa desenvolver um trabalho adequado junto aos alunos.
Rosélia Maria de Sousa Santos et al.
28
De acordo com Medina e Santos (1999):
A EA não consiste simplesmente em dar um trato mais 
adequado às questões ambientais que já estão presentes 
(muitas vezes de maneira mais implícita que explícita) nos 
conteúdos curriculares de várias disciplinas, ou introduzir 
componentes ambientais a certas disciplinas, dando 
prioridade às ciências naturais e em particular à ecologia ou 
à geografia como campos interdisciplinares por natureza... 
se trata de construir um saber ambiental que se defina em 
relação a cada uma das disciplinas já constituídas, através de 
um processo social de produção do conhecimento. 
Diante desta constatação, percebe-se a Educação Ambiental possui um 
caráter interdisciplinar. Desse modo, sua efetivação proporciona uma maior 
contribuição ao processo de compreensão dos problemas ambientais, sob seus 
diferentes pontos de vista. Nesse sentido, reconhecer o caráter interdisciplinar 
da educação ambiental é aproximar-se dos valores e da complexidade do real. 
Através da Educação Ambiental (EA) é possível compreender melhor as inter-
relações entre o homem e o ambiente. Pois, através dela é possível não somente 
conscientizar, mas mostrar o ser humano a sua responsabilidade para com a 
natureza e dimensionar o tamanho do dano já causado pelo homem o maio 
ambiente. 
Para tanto, a escola, em sua proposta pedagógica deve priorizar questões 
atuais, a exemplo da problemática do meio ambiente, possibilitando que seus 
alunos tenham as melhores informações sobre o referido tema e adquiriram os 
conhecimentos necessários para das discussões em sociedade, que o referido 
tema requer.
2.6 Educação ambiental no contexto atual
Na atualidade, o homem possui um grande desafio de criar uma sociedade 
ambientalmente sustentável, garantindo às gerações futuras o direito a uma 
existência segura. Noutras palavras, é preciso mudar a realidade atual, pautada 
pela degradação ambiental, pelo risco de colapso ecológico e pelo avanço da 
desigualdade social e da pobreza. 
Concordando com esse pensamento Morais (2002) observa que:
Não podemos deixar como herança aos nossos 
descendentes um planeta de cimento, sem sentimento; um 
mar de água poluída; um planeta transformado em imensa 
lixeira; um planeta distante da sua capacidade de suporte. 
Porque segundo a Hipótese de Gaia, a Terra, enquanto ser 
vivo em evolução é capaz de tirar de circulação aquela espécie 
A necessidade de uma nova conscientização ambiental: A educação ambiental como prática
29
que ameaça a sua continuidade. Salvar a Terra corresponde 
em salvar a própria espécie Homo Sapiens.
A transformação da realidade atual somente será possível a partir do momento 
em que a Educação Ambiental passar a ser efetivada, deixando de ser apenas um 
tema dos discursos acadêmicos e se transforme numa ferramenta de mudanças. 
Ela possui um caráter interdisciplinar, que permite aos seres humanos conhecer 
as leis que regem a natureza, bem como compreender as relações e interações 
existentes entre eles, os demais seres vivos e o próprio ambiente.
Afirma Tozoni-Reis (2004) que:
As discussões sobre a Educação Ambiental no mundo 
contemporâneo estão relacionadas às questões ambientais 
mais amplas, que têm feito parte das preocupações dos 
mais variados setores da sociedade. Apesar das diferentes 
abordagens com que têm sido tratadas essas questões, todas 
as discussões apontam para a necessidade de políticas 
públicas de Educação Ambiental.
Através da Educação Ambiental pode-se construir uma consciência 
comunitária, mostrando como se viver em acordo com o seu meio ambiente, 
modificando o comportamento e os hábitos das pessoas, pois ela permitir a 
compreensão da complexidade do meio ambiente. E, por outro lado, mostra 
como o ser humano, de forma racional, deve utilizar

Mais conteúdos dessa disciplina