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As mudanças climáticas e a questão energética

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no estudo resultaria em custos adicionais – quando 
forem totalmente comerciais – superiores a 25 US$/tCO2 evitado, mesmo nos países em 
desenvolvimento. Tal custo resultaria em elevação dos custos de geração de eletricidade a 
partir de carvão mineral equivalente a 20 US$/MWh (60 a 100% dos custos atuais) e em 
elevação do custo da gasolina em cerca de 0,07 US$/litro. 
O estudo da AIE define um cenário de referência para os anos 2030 e 2050 (Baseline), 
segundo o qual o consumo mundial de energia poderia superar 900 EJ em 2050, ou seja, mais 
do que duas vezes o consumo em 2003. Em função do aumento da participação de carvão 
mineral na matriz energética e do crescimento da demanda no setor de transportes, o estudo 
indica que as emissões de CO2 poderiam aumentar quase 2,5 vezes em relação a 2003. O 
aumento ocorreria, sobretudo, em função da geração de eletricidade a partir do carvão mineral 
e do crescimento da demanda no setor transportes. Esse cenário de referência já pressupõe 
 
10 Serviços energéticos correspondem aos benefícios que o uso da energia pode prover aos consumidores. No 
setor residencial exemplos são a iluminação, a cocção e a refrigeração de alimentos, a calefação, etc. No setor 
industrial, exemplos são a transformação e a conformação de insumos, a movimentação de materiais, etc. 
 
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certo esforço para a redução do consumo de energia, uma vez que as taxas anuais de 
crescimento seriam menores em relação às verificadas no período 1971-2003. Mais da metade 
(54%) do suprimento de energia em 2050 estaria associado aos países ora emergentes e em 
desenvolvimento, contra os 38% verificados em 2003. 
Na Tabela 2 são apresentados os consumos de energia previstos para 2050, segundo 
diferentes setores. Na tabela são apresentados os consumos estimados no cenário de referência 
para 2050, bem como para o chamado cenário “TechPlus” do estudo da AIE (4). Esse cenário 
corresponde ao em que seriam verificadas as maiores reduções no consumo de energia e, 
conseqüentemente, reduções das emissões de GEE. No cenário de referência são previstas 
significativas taxas de crescimento para o consumo de energia na geração de eletricidade e no 
setor de transportes, setores que contribuíram em 2003 com 40,5% e 20,9%, respectivamente, 
das emissões de CO2 associadas ao uso de energia (ver Tabela 3). O maior crescimento no 
setor de transformação deve-se à hipótese de que haverá, no futuro, produção em larga escala 
de combustíveis (sobretudo líquidos) a partir de carvão mineral e biomassa. 
Na Tabela 3 são apresentadas as emissões de CO2 associadas ao uso de energia, por 
setor da sociedade, para 2003 e para 2050, segundo dois cenários (Referência e “TechPlus”). 
No cenário de referência, em 2050 as emissões associadas à geração de eletricidade e ao setor 
de transportes continuariam sendo as mais significativas, representando, respectivamente, 
45,6% e 20,4% das emissões totais relacionadas ao uso de energia. 
Em função da importância de ambos os setores, é neles que deveriam ser definidas as 
prioridade para a redução das emissões de CO2. Comparando os cenários Referência e 
“TechPlus” (ver Tabela 3), observa-se significativa redução das emissões sobretudo na 
geração de eletricidade, que poderiam em 2050 ser inclusive inferiores às emissões em 2003. 
Também da comparação entre os cenários para 2050 verifica-se substancial redução das 
emissões no setor de Transformações. 
 
 
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Tabela 2. Consumo de energia (EJ) e taxas de crescimento do consumo no período 2003-2050 
– 2003, cenário de Referência para 2050 e cenário “TechPlus”. 
Setores 2003 2050 
Referência 
Taxas¹ 2050 
“TechPlus” 
Variação² 
Geração de eletricidade³ 91,3 216,8 1,86 164,5 -24,1 
Transformação4 42,0 115,6 2,18 124,6 7,8 
Indústrias 97,4 173,2 1,23 139,8 -19,3 
Transportes 79,3 187,2 1,84 144,9 -22,6 
Edifícios5 114,4 215,3 1,35 143,5 -33,3 
Total 424,4 908,1 1,63 717,3 -21,0 
Fonte: (4) 
Notas: ¹ Taxas médias anuais de crescimento em relação a 2003. 
 ² Variação percentual em relação ao cenário de referência para 2050. 
 ³ Geração de eletricidade e calor para fins de calefação. 
 4 Inclui refinarias de petróleo e unidades de produção de combustíveis líquidos a partir 
de biomassa e de carvão mineral. 
 5 Consumo de energia que ocorre no interior de edifícios, fundamentalmente nos 
setores residencial, comercial e público. 
 
Tabela 3. Emissões de CO2 (GtCO2) associadas ao consumo de energia, em 2003 e 2050. 
Setores 2003 2050 Taxas¹ 2050 Variação² 
Geração de eletricidade 9,9 26,3 2,09 5,1 -80,5 
Transformação 1,7 7,6 3,22 2,1 -72,7 
Indústrias 4,5 6,5 0,79 3,5 -46,2 
Transportes 5,1 11,7 1,78 5,9 -49,3 
Edifícios 3,3 5,5 1,11 3,6 -35,1 
Total 24,5 57,6 1,83 20,2 -65,0 
Fonte: (4) 
Notas: ¹ Taxas médias anuais de crescimento em relação a 2003. 
 ² Variação percentual em relação ao cenário de referência para 2050. 
 
 
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No cenário “TechPlus”, embora o consumo de energia seja quase 70% maior do que o 
verificado em 2003 (ver Tabela 2), as emissões de CO2 associadas ao uso de energia seriam 
praticamente 18% menores (ver Tabela 3). As tecnologias e as alterações na matriz energética 
que permitiriam tal redução nas emissões de GEE, quando da comparação dos cenários 
Referência e “TechPlus”, são apresentadas na Tabela 4. Na seqüência do texto as principais 
contribuições são analisadas. 
 
Tabela 4. Reduções das emissões (GtCO2) – cenário “TechPlus” versus cenário Referência. 
Tecnologias/Ações Reduções das emissões 
Alteração no mix de combustíveis na geração de eletricidade 1,97 
Aumento da eficiência na geração de eletricidade 0,26 
Energia nuclear na geração de eletricidade 2,68 
Hidroeletricidade na geração elétrica 0,46 
Biomassa na geração de eletricidade 0,58 
Outras renováveis na geração de eletricidade 2,68 
Captura e armazenamento de carbono na geração elétrica 4,37 
Captura e armazenamento de carbono na indústria 1,46 
Captura e armazenamento de carbono na transformação 1,73 
Alteração no mix de combustíveis na indústria e edifícios 2,75 
Aumento do uso de biocombustíveis em transportes 2,31 
Uso de hidrogênio e células a combustível em transportes 1,52 
Aumento da eficiência no uso final de energia 14,66 
Reduções totais 37,42 
Fonte: (4) 
 
Em 2050 a redução de 37,42 GtCO2 (10,2 GtC) nas emissões só seria possível com 
alterações significativas na matriz energética e com a introdução de novas tecnologias de 
conversão e uso de energia. Individualmente, a maior contribuição viria do aumento da 
eficiência no uso final da energia11 - 39,2% -, e que ocorreria em todos os setores da 
economia. A contribuição do aumento da eficiência de geração elétrica seria relativamente 
 
11 Corresponde ao consumo de energia no consumidor final, ou seja, nos setores residencial, industrial, 
transportes, etc. A fração do sistema energético que é a de uso final é justamente aquela na qual ocorre a 
transformação dos insumos energéticos em serviços energéticos. 
 
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pequena – 0,7% –, uma vez que

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