Prévia do material em texto
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA DA AMAZONIA LICENCIATURA EM HISTORIA Resenha Critica Martins, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, (Coleção Primeiros Passos; 57), 2006. Abaetetuba – Pará Agosto/2019 Keysiane Cardoso Fernandes Martins, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, (Coleção Primeiros Passos; 57), 2006. Trabalho apresentado como requisito avaliativo da disciplina sociologia da educação. Ministrada pelo Prof. Anselmo Cordeiro Abaetetuba-Pará 2019 Martins, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, (Coleção Primeiros Passos; 57), 2006. Trajetória do autor Carlos Benedito Martins é sociólogo graduado e mestre em ciências sócias pela PUC de São Paulo, onde exerceu por vários anos a docência foi coordenador do curso de Sociologia desta universidade durante os anos de 1977 a 1981. É doutor em Sociologia pela Universidade de Paris, defendendo a tese ´´Le Nouvel Enseignement Surpérieur Privé au Brésil (1964- 1983): reencontre d´ une demade sociale et d´ une oppórtunité politique´´. É autor do livro Ensino pago: um retrato sem retoque, publicado pela Global Editora. Organizou Ensino superior brasileiro: transformações e pespectivas atuaisa,publicado pela Brasiliense. Atualmente exerce funções de docência e de pesquisa do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasilia (UnB), atuando nas áreas de Teoria Sociológica e sociologia da Educação. É também pesquisador do CNPq. Resumo da obra Esta obra é composta por quatro sessões sendo uma introdução e três capítulos onde a borda desde o surgimento da sociologia, passando pelo sua formação e repousando sobre o seu desenvolvimento. introdução Na introdução o autor discorrem rapidamente sobre o contexto histórico em que a sociologia surge no mundo. Ele expõem que neste livro a abordagem conceitual de sociologia é de que: a sociologia surge como um esforço de pesadores do período, de compreender as diversas situações sociais que ate então não havia acontecido e que são trazidas com o recém-criado sistema capitalista. Assim eles discorrem que esta ciência tem tentado por diversas vezes dialogar com o sistema capitalista. Capitulo primeiro: o surgimento Neste capitulo o autor iniciam a o dialogo apresentando um sintético conceito de sociologia, que segundo eles a mesma pode ser compreendida como uma manifestação do pensamento moderno. Ela surge abordando assuntos que não eram ate então trabalhados por outras áreas do saber. Para ele ela é fruto de acontecimentos complicados advindos de um emaranhado de situações de caráter histórico e intelectual, e algumas ações práticas. A ciência sociologia surge em um momento especifico de mudança de uma desestruturação da sociedade feudal e consolidação da sociedade capitalista, ela é fruto de um emaranhado de pensamentos filosóficos e não apenas de uma ideia. No entendimento do autor as mudanças ocorridas no século XVIII foram o marco inicial para o surgimento desta ciência, pois as mudanças econômicas, politicas e culturais intensificadas neste período apresentaram problemas inéditos no então ocidente europeu, são a revolução industrial e francesa que iram antecipar o surgimento deste saber cientifico, Porquanto a revolução industrial não apenas representou o surgimento da maquina a vapor, mais também o surgimento do reinado capitalista de acumulação de maquinas, terras e ferramentas, transformando o restante da população em meros trabalhadores. A cada passo evolutivo que esse novo sistema dava ocorria um aniquilamento da cultura e das instituições existentes no período feudal. Em um curto período de 80 anos a Inglaterra passou de um pais de pequena quantidade de cidades para uma região bastante povoada com grandes cidades com bastante produção de mercadoria que passaram a ser exportadas para todas as partes do planeta. Logo esta grande mudança trouxe consigo transformações na forma de viver dos seres humanos. A população campesina passou a migra de forma significativa para a cidade fazendo com que grandes aglomerados urbanos passassem a surgi, tal como mulheres e crianças passaram a fazer parte do quadro de funcionários das fabricas mais com salários poucos valorizados e inferiores ao dos trabalhadores homens. Essas mudanças estruturais na sociedade fizeram com que houvesse aumento expressivo no numero de prostituição, suicídio, alcoolismo, infanticídio, criminalidade, violência, surtos epidêmicos e outros. A revolução representou para a classe trabalhadora uma gama de complicações, esses passaram a destruir equipamentos, quebrar e explodir algumas oficinas ocorreu o surgimento dos sindicatos e outras ações. Todos esses problemas que estavam ocorrendo colocavam a sociedade em cheque. Ocorreu a necessidade de estuda a sociedade para trazer respostas e propostas de intervenções para uma harmonização social. Pode se falar que os pioneiros da sociologia, foram militares, políticos e indivíduos que estavam profundamente envolvidos e preocupados em transforma a sociedade onde estavam engajados. De acordo com o autor a sociologia se apresenta ate certo ponto como uma saída intelectual as transformações trazidas pela revolução industrial. Grande parte de suas analises foram obtidas dos novos eventos advindos dessas transformações. Então a aparição da sociologia preexiste a essas rachaduras provocadas pela revolução industrial. Mais o texto expõe que não somente as mudanças trazidas com a revolução foram o único motivo do surgimento da sociologia, outro fator fora a modificação na forma de pensar da sociedade, novas formas de se explicar o que aconteciam na natureza começaram a se difundir, a ciência passou a ser usada para explicar fenômenos naturais. O homem a partir da observação da natureza passou a conhecê-la e de certa forma domina-la. A filosofia passou a se expandir, passou-se a questionar os conhecimentos teológicos e buscou-se a explicação baseada na razão e na experimentação. Posteriormente outra condição que levou ao surgimento da sociologia trazida pelo autor fora o aparecimento dos iluministas, pensadores que passaram a criticar de forma severa a sociedade feudal e suas tradições. Para eles conhecer o mundo não era o suficiente, tinha que critica-lo e se necessário rejeita-lo. A sociologia então tem seu surgimento preexistido pelos elementos acimas citados que transformaram a sociedade. O autor termina o capitulo trazendo que a sociologia fora além do que a simples tentativa de explicar as novas mudanças sociais, mais suas ações estavam carregadas do desejo de intervir no rumo que a sociedade estava tomando. Capitulo segundo: a formação O autor começa este capitulo expondo que há certo desentendimento por pesquisadores sociólogos sobre a ciência sociologia, propiciado por uma sociedade separada pelas antipatias de classes. Relata que as inclinações opostas da sociedade capitalista acabaram penetrando dentro da sociologia influindo na forma de como a sociedade fora analisada e inferindo politicamente nas produções cientificas deste saber e continua a influencia os trabalhos contemporâneos. Afirma que a natureza contraditória da sociedade capitalista, não possibilitou um consenso sobre objeto e o método de estudo desta ciência. Dando borda ao surgimento de diferentes tradições sociológicas ou pode se dizer diferentes sociologias. Alguns sociólogos ficaram otimistas com o sistema capitalista e passaram a defendê-lo e tendo-os como representativos da sociedade. Uma ramificação destas linhas sociológicas com intuído de resolver os problemas sociais fundamentaram suas principais ideias no na teoria de intelectuais conservadores. Os conservadores pensavam em uma sociedade feudal enaltecida e com intensa hierarquização. Estes pensadores jugavam os iluministas como destruidores da prosperidade, autoridade, da religião e da própria vida. Para os conservadores a nova sociedade advinda do capitalismo, estava em constante declínio, eles não identificavam progresso ou avanço nesta sociedade.Em suas concepções a sociedade moderna fora uma época marcada pela desordem social, desorganização e anarquia. Os pensadores conservadores estava preocupados com a estabilidade e coesão social, sempre davam ênfase a autoridade hierárquica, tradição e valores morais como meio de preservar a vida em sociedade. Para o autor algumas ideias conservadoras serviram como ponto de referencia para alguns sociólogos pioneiros. Estes pioneiros para darem continuidade aos seus estudos modificaram algumas ideias dos conservadores, já que sabiam que era impossível voltar à velha sociedade feudal e restaurar suas instituições. Como afirma o escritor os pensadores que mais foram influenciados pelos conservadores, foram identificados como positivistas, destacando entre eles Saint- Simon, Augusto Contem e Emile Durkheim. Neste texto o autor afirma que o positivismo objetivou apresentar uma direção para a consolidação da sociologia ao afirmar que esta ciência deveria proceder em seus estudos como o mesmo espirito da astronomia e a física em suas evidenciações. Expõe a posição de Comte, o qual presumia de forma exaltada na sua sociologia a conciliação entre ordem e progresso, porquanto via esses elementos mútuos como importantíssimos para a sociedade moderna. Para ele os revolucionários preocupavam-se com o crescimento e menospreciavam a ordem. Para essa sociologia positivista a ordem se tornou o ponto de partida para a estruturação da nova sociedade. De acordo com Durkheim os problemas sociais de sua época, era não econômicos mais uma vulnerabilidade moral que não conseguirá nortear adequadamente o comportamento dos indivíduos. Com isso era importantíssimo descobrir novas ideias morais que pudessem guiar a conduta dos indivíduos. Durkheim acreditava que a crescente divisão do trabalho criava não uma divisão mais sim certa solidariedade entre os indivíduos que a medida que especializavam mais em suas áreas necessitavam se relacionar com outros indivíduos. Em sua posição cientifica a sociologia deveria se ocupar em estudar os fatos sociais que se apresentavam como externos e coercivos. Ainda neste capitulo o autor revela que após os pensamentos positivistas de Durkheim surgiu uma nova classe social revolucionaria, que traz a tona uma onda de novos acontecimentos e o surgimento de um jeito critico de analisar a sociedade. Esta sociologia teve sua formação e desenvolvimento ligada a forma de pensar de Max e Engles, suas preocupações não eram fundar a sociologia enquanto ciência. O socialismo marxista institui complexas operações intelectuais nas quais se fundaram três correntes, de pensamentos, socialismo, dialéticos e economia. Ações contra o capitalismo se acentuaram dentre elas o autor destaca o socialismo pré-maxista que constituíam uma clara reação as novas transformações proporcionadas pelo capitalismo. Para Max e Engles se o socialismo objetiva-se se mais que um desafogo critica ou pensamento utópico. Era necessário efetuar uma analise histórica do capitalismo. a teoria que se formou dá teoria marxista não se limitou a unir politica, filosofia e economia mais estabeleceu uma ligação teoria e prática, ciência e interesse social. a sociologia neste período não objetivava solucionar os problemas sociais, mais sim de proporcionar mudanças drásticas na sociedade. De acordo com o autor a sociologia de Max e Engels deixou um legado importantíssimo para futuras pesquisas. Proveram importantes para analise de ideologias e compreensão das relações entre classes sociais. Ainda neste capitulo o autor fala sobre Max Weber e seus intensos esforços em imprimir na sociologia um caráter cientifico. Sempre se preocupou em fazer uma distinção entre o conhecimento cientifico adquirido de cuidadosas pesquisas do julgamento de valores da realidade. Carlos termina este capitulo relatando que os clássicos da sociologia independente de suas correntes de pensamentos, buscavam explicar as grandes transformações pelo qual passava a sociedade Europeia, principalmente as que foram possibilitadas pelo capitalismo. seus esforços intelectuais formaram trouxeram grande informações sobre as condições de vida humana. Capitulo Terceiro: o desenvolvimento O autor inicia este capitulo falando sobre a crise na crença de que o sistema capitalista era perfeito, colapso este causado pela grande monopolização de produtos e mercadorias por certas empresas, guerras entre potencias econômicas mundiais assim como revoluções socialistas em diversos países. Essa crise do sistema capitalista produziu diversas repercussões nos pensamentos sociológicos. Neste período as ciências sociais em geral passaram a gerar conhecimentos útil e necessário a classe dominante vigente. A sociologia não foi diferente, passou a formular saberes que passaram a servir as classes dominantes. Parte dos conhecimentos produzidos por alguns sociólogos passaram a ser incrementadas as culturas e conversões de grandes empresas. Os sociólogos foram introduzidos ao quadro de funcionários de empresas as quais traçavam o proposito da produção de seus conhecimentos. Houve assim uma fase de rejeição da sociologia critica nos meios universitários e marginalizados pelos institutos de pesquisas. O autor relata que esses eventos são recentes datados a partir da segunda guerra mundial e inicio do século XX. A função critica exercida pela sociologia foi realizada por outras ciências sócias preocupadas com os problemas práticos do capitalismo foram, direito, economia e contabilidade. Nas três primeiras décadas do século XX a sociologia vivenciou um de seus períodos mais ricos em produções cientificas. Na França sociólogos seguidores de Durkheim realizaram fartas analises sobre prismas da vida social. na Alemanha os estudos foram focados na reconstrução de fatos históricos. Nos Estados Unidos, as pesquisas foram realizadas principalmente na universidade de Chicago e se apoiaram no levantamento de dados empíricos. Neste período do século XX houve uma grande negligencia dos trabalhos acadêmicos, pois devido a sociologia não esta presente nas universidades a maioria dessas pesquisas não eram considerados sociais. O autor expõe que na segunda metade do século XX houve uma quebra significativa na produção de conhecimentos sociológicos ocasionados pelas duas grandes guerras, este período ficou marcado pela perseguição de intelectuais e cientistas que se posicionavam contra os regimes autoritários trazidos pelas guerras. Assim como migrações de estudiosos para a Inglaterra e Estados Unidos caracterizava-se como um grande rachamento da produção sociológica em alguns países da Europa. Ocorreu assim um grande desenvolver da sociologia nas universidades nortes americana uma vez que estas contavam com grandes apoios econômicos e institucionais para que a ciência se desenvolve-se. Suas pesquisas se desenrolaram principalmente em temas relacionados a desorganização social. a sociologia americana defendeu uma teoria antimarxista o que lhe possibilitou posteriormente implementar suas ideias conservadoras e antes socialismo. Pode se afirma que a sociologia americana fora identificada com positivista, pois sociólogos defendiam a ideia de que os mesmos métodos usados pelas ciências naturais. O autor fala neste capitulo sobre a profissionalização do sociólogo ocorrendo o que ele chamou de assalariado intelectual gerando uma domesticação do trabalho do sociólogo. Ele fala que a sociologia critica possibilitou a compreensão do mundo capitalista atual. O autor termina o texto explicando que a função dos sociólogos de nossos tempos é o de libertar esta ciência do aprisionamento que lhe foi imposta pelo poder burguês e transforma-la em um instrumento de transformação social. Criticas a obra O texto é uma ótima referencia sobre a historia dá sociologia, apresenta de forma sucinta e detalhada o trajeto que esta ciência percorreu desde os seus primeiros passos ate a sua consolidação. Possibilita uma compreensão madura sobre a logica socialista. O texto constitui-se de forma coerente e segue uma linha logica que torna aleitura de todas as suas partes obrigatórias e essenciais para uma compreensão completa de seu sentido. Recomendações da resenha Recomenda-se a leitura desta obra a todos os interessados em conhecer a historia de formação da sociologia, seja para amadurecimento como profissional ou simplesmente para obtenção de informações sobre este saber. Para aqueles que querem saber qual o campo de atuação e qual o objeto de estudo da sociologia, assim como para aqueles que querem compreender para aqueles que ainda não conseguiram compreender o verdadeiro saber fazer da sociologia sejam eles das ciências sociais, humanas ou naturais. image1.png