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FILOSOFIA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Paulo Niccoli Ramirez 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Fenomenologia e existencialismo 
Estudaremos nesta aula duas importantes correntes filosóficas 
desenvolvidas ao longo do século XX: a fenomenologia e o existencialismo. 
A fenomenologia é um campo específico do conhecimento filosófico 
fundado por Edmund Husserl (1859-1938), conforme abordaremos no Tema 1. 
Um de seus alunos foi o pensador alemão Martin Heidegger (1859-1938), que 
será estudado no Tema 2. Husserl e Heidegger procuraram promover estudos 
ontológicos, ou seja, investigar o ser, a constituição e origem de nossa 
consciência, ou das atividades e operações do pensamento humano. 
O existencialismo tornou-se relevante por meio da figura do filósofo 
francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) e do feminismo de Simone de Beauvoir 
(1908-1986), apresentados no Tema 3. Sartre e Beauvoir procuraram 
demonstrar que a característica principal do que se denomina como ser é a 
liberdade. O existencialismo afirma a liberdade como elemento principal do ser 
no mundo. 
No Tema 4, trataremos da fenomenologia de Merleau-Ponty (1908-1961). 
Sua principal contribuição ao pensamento filosófico foi ampliar o campo da 
compreensão da consciência, pois considera que mente e corpo constituem uma 
unidade, havendo, portanto, intencionalidade nas sensações corporais e em 
seus movimentos. 
O Tema 5 aborda os pensadores chilenos Varela (1946-2001) e Maturana 
(1928-2021) que atribuíram e relacionaram a fenomenologia a todas as formas 
de vida presentes na natureza. Em linhas gerais, os autores relacionam 
conhecimentos do campo da biologia com a filosofia de cunho fenomenológico, 
procurando demonstrar que a natureza e suas formas de vida possuem certo 
grau de intencionalidade ou mesmo de inteligência. 
TEMA 1 – HUSSERL E A FUNDAÇÃO DA FENOMENOLOGIA 
A fenomenologia representou, na passagem do final do século XIX para o 
início do XX, a crítica à intenção dos cientistas positivistas de eliminar a 
metafísica e a ontologia (filosofia que estuda o ser) como fontes de 
conhecimento, por considerá-las muito subjetivas e sem comprovação empírica. 
 
 
3 
Husserl, contra esta postura, promoveu a tentativa de reelaboração da história 
da filosofia em torno da investigação sobre a existência do ser e do 
conhecimento, sob novas bases rigorosas e científicas, fornecendo à 
fenomenologia os status de ciência e filosofia. 
Quando nos questionamos sobre o ser (espírito, alma, consciência, 
essência), é preciso ter em mente que não devemos buscar uma lógica teológica, 
em que se atribui ao ser uma entidade sobrenatural ou metafísica-divina, como 
é costume nas interpretações religiosas; tampouco a filosofia, que questiona o 
ser, deve ser comparada ao pragmatismo científico pelo qual apenas se aceita 
algo como real ou verídico se este possuir existência concreta ou física (como 
os fenômenos físicos, químicos e biológicos). 
A palavra fenomenologia tem origem nos termos gregos phainesthai, ou 
“aquilo que se apresenta ou que se mostra”; e logos “explicação, ciência ou 
razão”. Seu estudo afirma a importância dos fenômenos da consciência que 
devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo 
resume-se a esses fenômenos. 
Por exemplo: feche os olhos e tente não pensar em nada; suspenda 
qualquer fluxo de pensamento de sua mente. É possível impedir a mente de 
pensar em algo? Vemos, com este breve experimento mental (ou 
fenomenológico), a manifestação de nosso ser – sua intencionalidade e a noção, 
constatada por Husserl –, que se resume na seguinte frase: a consciência é 
sempre consciência de algo. Em outras palavras, a mente possui 
intencionalidade constante. Vamos agora estudar mais detalhadamente no que 
consiste a filosofia da consciência de Husserl. 
1.1 As influências de Descartes, Kant e Hegel 
A fenomenologia de Husserl é uma ciência com base filosófica que 
pretende demonstrar a existência e a manifestação do ser. Para tanto, Husserl, 
em duas importantes obras, Ideias para uma fenomenologia pura e para uma 
filosofia fenomenológica (2006) e Meditações cartesianas: introdução à 
fenomenologia (2001), publicadas respectivamente em 1913 e 1931, terá como 
base pontos de aproximação e distanciamento com as seguintes concepções: 
 
 
4 
1. O Cogito, de Descartes: a origem das ideias é a razão (o Cogito); as 
ideias verdadeiras são inatas na mente e não dependem dos sentidos (ou 
sensibilidade). O Cogito é consolidado por meio da dúvida hiperbólica. 
2. A concepção de fenômeno de Kant: a “coisa em si” (essência, alma, 
ser) não é alcançada pela razão ou percepção, apenas podemos 
conhecer os fenômenos (aquilo se manifesta). 
3. A fenomenologia de Hegel: a ideia, o ser e a essência se manifestam 
fenomenologicamente na história e na ação humana. Lembremos que 
para Hegel, o espírito absoluto é uma entidade divina, um deus; é racional 
e anterior à existência humana, mas se realiza, progressivamente, na 
história da civilização. Por isso, o espírito absoluto não se revela como 
coisa em si, mas fenomenologicamente, ou seja, no campo dos 
fenômenos (influência de Kant) por meio das práticas e conquistas 
racionais humanas, realizadas primeiro por indivíduos excepcionais. 
Trata-se de promover a razão na história ou no mundo. 
Vejamos como estes pensadores influenciaram a constituição da 
fenomenologia de Husserl. A redução fenomenológica ou eidética (eidos, em 
grego, significa “ideia”) é o método rigoroso e científico empregado por Husserl 
para demonstrar a existência do ser. A redução tem inspiração na dúvida 
hiperbólica radical cartesiana. Com a dúvida, Descartes havia alcançado o 
Cogito, constatando a primeira verdade, algo inquestionável ou indubitável: 
“penso, logo existo”. 
Descartes emprega a dúvida hiperbólica e radical, que em Husserl será 
traduzida e intensificada com a incorporação da noção grega de epoché, palavra 
que significa “suspender os juízos” ou “colocar o mundo entre parênteses”. 
Husserl, com a epoché, resultado da redução fenomenológica, buscará abolir o 
fluxo do pensamento ou, simplesmente, não pensar em nada; trata-se da 
tentativa de suspender todos os conhecimentos até hoje adquiridos (científicos 
ou da vida cotidiana), a linguagem ou qualquer forma de pensamento. O 
resultado da epoché é a expressão tomada de Brentano (1838-1917), que afirma 
que a consciência é sempre consciência de algo. 
Quanto a Kant, é necessário recordar que o pensador separa 
radicalmente o “fenômeno” da “coisa em si”, sendo impossível provar a 
existência da alma, do ser ou da natureza humana. Husserl, por sua vez, não 
promove a separação radical entre coisa em si e o fenômeno, de modo que o 
 
 
5 
ser é detectável e demonstrável de forma fenomenológica (científica e rigorosa), 
ou seja, em seus atos – como pensar, falar, agir, ou no cotidiano, em suas 
manifestações. 
 Hegel afirma que o real é racional, e o espírito absoluto, espécie de deus, 
manifesta-se ou se materializa – ou seja, a ideia se manifesta por meio do 
progresso da racionalidade no decorrer da história da humanidade. Husserl, 
como vimos, não procura explicações divinas ou teológicas sobre o ser, porém 
concorda com o fato de que o ser se manifesta ou se torna evidente por meio de 
nossas manifestações mentais lançadas ao mundo. 
Com base nessas três influências, Husserl (2006; 2001) afirma ter 
identificado a consciência intencional, isto é, o ser. 
1.2 A consciência intencional 
Husserl concebeu ter alcançado as coisas mesmas, ou seja, a essência 
de todo ser e saber, a denominada consciência intencional. Ao promover a 
ciência eidética, ele julgou ter fundamentado o ego transcendental, o ser que é 
capaz de evidenciar o mundo, de modo que a redução fenomenológica se 
confunde com a existência da consciência ou do ser. 
Podemos traduzir essa série de conceitos complexoscom a seguinte 
percepção: é impossível suspender o fluxo do pensamento, ou não pensar em 
nada, mesmo nos sonhos. Portanto, com esse simples exercício notamos a 
existência de consciência intencional (ou intencionalidade). O ser e a 
consciência, para Husserl, se revelam fenomenologicamente com a 
intencionalidade. 
Segundo Husserl, há uma gramática imanente, ou natural, em nossa 
consciência. Ele utiliza o termo “mentar”, também designado como “visada 
intencional”. A intencionalidade revelada por meio da redução eidética (ou 
fenomenológica) demonstra que a consciência é sempre consciência de algo. 
Em sua obra A filosofia como ciência de rigor (1965), Husserl apresenta 
mais claramente seus propósitos em torno do que compreende como 
fenomenologia: 
Mas é precisamente próprio da filosofia, desde que remonte às suas 
origens extremas, o seu trabalho científico situar-se em esferas de 
intuição direta, e constitui o maior passo a dar pela nossa época, 
reconhecer-se que a intuição filosófica no sentido autêntico, a 
percepção fenomenológica do Ser, abre um campo imenso de trabalho 
 
 
6 
e leva a uma ciência que, sem todos os métodos indiretamente 
simbolizantes e matematizantes, sem o aparelho das conclusões e 
provas, não deixa de chegar a amplas intelecções das mais rigorosas 
e decisivas para toda a filosofia ulterior. (Husserl, 1965, p. 73) 
Husserl demonstra que o Ser não pode ser demonstrado por meio de 
conteúdo ou ideias puras, senão por meio da intencionalidade, isto é, a forma 
como se manifesta, por exemplo, com a linguagem, ou para dar significado aos 
objetos à nossa volta. A visada intencional refere-se ao fato de que o ser ou 
intencionalidade possuem um vetor mental (ou fluxo permanente de consciência) 
que fornece sentido e significado a todos os objetos e elementos que estão 
diante de nossa visão. A intencionalidade demonstra que o Ser existe, porém 
jamais conseguimos tomá-lo como “coisa em si”, senão como manifestação, ou 
seja, fenômeno. 
Os objetos da fenomenologia são dados absolutos apreendidos em 
intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais das operações 
da mente ou Ser (noesis), e as entidades ou manifestações, suas características 
e qualidades que se objetivam (noema). 
Quadro 1 – Concepções de noesis e noema 
Noesis Noema 
Do grego νόησις, significa “cheirar”, “farejar”, 
“captar”, “pressentir”, “perceber 
instintivamente algo”. Trata-se de uma 
espécie de saber instintivo ou imanente. 
Refere-se à consciência intencional, ao fluxo 
do pensamento ou intencionalidade (mentar). 
Antes de qualquer coisa ser pensada, há a 
visada intencional. 
Diz respeito àquilo que é sentido, manifesto 
ou percebido. Do grego νόημα, significa 
“noção” ou “conceito”; é o conjunto das 
características e dos atributos dos modos de 
ser dados pela experiência e percepção; é 
aquilo que é pensado, ou que representa os 
elementos capturados pela percepção (a cor, 
o tamanho, o conteúdo do pensamento). 
O método fenomenológico de Husserl acabou por influenciar a 
constituição da corrente da psicologia conhecida como Gestalt, desenvolvida 
durante o século XX. 
TEMA 2 – HEIDEGGER E O DASEIN 
O pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger é motivo de 
controversas entre os estudiosos da filosofia. Do ponto de vista político, o filósofo 
manifestou simpatia por Hitler, e foi nomeado pelos nazistas em 1933 para o 
cargo de reitor da Universidade de Friburgo. Do ponto de vista filosófico, foi aluno 
e influenciado por Husserl, além de ser o responsável, na visão de Sartre 
 
 
7 
(conforme veremos no próximo tema), por tecer relações entre a fenomenologia 
e o existencialismo. 
Em sua obra Ser e tempo, [1927]/(1995), Heidegger aborda o problema 
do Ser e emprega o método fenomenológico formulado por Husserl. A 
fenomenologia procura investigar os objetos do conhecimento do modo como 
aparecem na mente, isto é, como imediatamente são apresentados à 
consciência. Heidegger procurou, no entanto, fornecer uma interpretação do ser 
distante do “ente”, ou seja, afastou-se das tradicionais formas de busca pelo ser 
em sua essência, algo que o próprio Husserl havia realizado. 
Heidegger se dá conta de que o Ser é sempre velado e esconde-se no 
campo de suas manifestações, pois cada gesto, ato ou linguagem apresentam o 
ser como fenômeno passível de interpretação, o que foi denominado 
hermenêutica. Porém, embora velado nas manifestações humanas, o Ser está 
presente na tensão entre o velar e o desvelar. Dessa forma, o Ser se manifesta 
no mundo e se desvela do ponto de vista da manifestação dos comportamentos, 
porém, é velado porque não temos acesso a sua essência. Por exemplo, ao 
vermos uma pessoa falando, não vemos o Ser desse indivíduo, apenas 
observamos sua manifestação quando ele fala. Ou seja, o Ser está no limiar de 
uma tensão entre o velar (não ser visível) e o desvelar (se manifesta nos nossos 
atos, como a fala ou outras formas de linguagem). 
A elaboração de Heidegger visa interpretar o que se mostra e o que se 
manifesta “aí”, ou seja, no mundo, mas que, de plano e na maioria das vezes, 
não se deixa ver. Por isso, Heidegger emprega o termo alemão Dasein, que 
poderia ser traduzido como “Ser-aí”. O ponto de partida necessário é 
“determinar” o sentido do ser, de modo que o indivíduo é compreendido como 
Ser-aí. Heidegger denomina o Dasein, Ser-aí, estar aí. O Dasein é a grande 
questão de nossa existência, pois a humanidade é a única capaz de se 
questionar sobre o sentido do Ser. 
Embora discípulo de Husserl, Heidegger fará ressalvas ao seu mestre. 
Concorda com a imanência da consciência intencional, mas vislumbra que o 
mundo a nossa volta, seus objetos, os outros e seus cotidianos exercem também 
a intencionalidade. Por isso, há um Dasein, Ser-aí, que está aí. O ser exerce 
intencionalidade e o mundo ao seu redor também. A Figura 1 permite observar 
as diferenças entre as respectivas concepções de intencionalidade de Husserl e 
Heidegger. Enquanto o primeiro verifica que a consciência exerce 
 
 
8 
intencionalidade sobre a realidade, Heidegger avalia que, além da consciência 
intencional, o mundo (aí) ao redor de nossa consciência, também é intencional. 
Figura 1 – Diferenças entre os modelos fenomenológicos de Husserl e Heidegger 
 
Considerando a interação entre o Ser e o mundo, e o estar aí (Dasein), 
Heidegger se diferencia de Husserl ao entender que não nos é possível alcançar 
o Ser em sua essência, senão de forma hermenêutica, ou seja, interpretativa. O 
Ser é velado quando se manifesta. Entretanto, com suas manifestações, é 
possível apreciar o desvelamento do Ser, ainda que de forma interpretativa. 
Na obra A caminho da linguagem [1959]/(2011), Heidegger nos diz que a 
linguagem poética é a que melhor expressa a tensão entre velamento e 
desvelamento do ser, sendo possível, por meio da poesia, constatar a 
intencionalidade do ser em sua essência, sensibilidade e em contato com o 
mundo. A poesia é apresentada como o que há de mais íntimo ao ser, permitindo 
uma abertura ou trilha que conduz até a essência e profundidade desse Ser, 
Dasein, porém acaba velado pelo uso da própria linguagem. 
TEMA 3 – A FILOSOFIA EXISTENCIALISTA 
Na década de 1920, Sartre estudou na Alemanha e foi aluno de 
Heidegger, incorporando parte do vocabulário de seu mestre na composição de 
sua mais importante obra, O ser e o nada (Sartre,1999), publicado em 1943 e 
escrito durante a ocupação nazista em Paris, na Segunda Guerra Mundial. Sartre 
será o responsável por dar outra face à fenomenologia, incorporando-a ao que 
denominou como existencialismo. Aprofundaremos nossa discussão sobre 
esses aspectos no primeiro item deste tema. 
 
 
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No segundo item, apresentaremos o pensamento da filósofa Simone de 
Beauvoir, com quem Sartre manteve um relacionamento aberto que 
escandalizou os conservadores franceses do século passado. Beauvoir foiresponsável por aproximar a filosofia existencialista das lutas feministas, sendo 
ela uma importante porta-voz das lutas pelas liberdades sexuais durante as 
manifestações de maio de 1968, em Paris (França). 
3.1 Sartre: o ser e a liberdade 
Segundo Sartre, nas obras O ser o nada (1999) e O existencialismo é um 
humanismo (1987) “a existência precede a essência”. Isto significa dizer que não 
há nada de inato no ser humano, nem essência, tampouco natureza humana. 
Dessa forma, Sartre procurou superar seus antecessores, Heidegger e Husserl. 
Para o existencialismo, a consciência intencional, a intencionalidade ou o 
Ser não são imanentes ou inatos (não nascemos com a intencionalidade e nem 
ela é natural). Na verdade, eles são construídos historicamente. Por isso, o título 
da obra O ser e o nada: não há, para Sartre, uma intencionalidade originária, 
como queriam Husserl e Heidegger. 
Sartre inverte a fenomenologia de seus mestres ao demonstrar que a 
intencionalidade não é anterior ao mundo ou imanente, como uma gramática 
mental natural, mas antes uma construção histórica, ou seja, a existência 
histórica é, na verdade, anterior à intencionalidade da consciência, e a influencia. 
Sartre questiona qualquer teoria inatista ou naturalista sobre a origem da 
consciência, por isso volta-se contra o argumento mais importante da 
fenomenologia de Husserl e Heidegger: a afirmação da consciência intencional 
como imanente, ou mesmo natural. Para Sartre, a consciência intencional é 
formada de fora para dentro, ou seja, do mundo (existência) para o ser (a 
consciência). Contra a noção de natureza humana, Sartre defende a concepção 
de condição humana, caracterizada por ser flexível, plástica e em permanente 
transformação, por estar em relação dialética com a história (entendida como 
meio social ou meio ambiente, e relações sociais). 
A noção de natureza humana implica na afirmação de que o ser nasce 
pré-determinado ou condenado a cumprir um dever ou ocupar uma posição na 
sociedade. A noção de natureza humana, por exemplo, estava presente nas 
concepções políticas de Aristóteles na Antiguidade. Aristóteles concebia que os 
 
 
10 
escravos são o que são por natureza, ou seja, a condição de subjugação seria 
natural. 
Sartre critica a noção de natureza humana ao propor uma outra 
concepção: a de condição humana, pois o ser não nasce com um projeto 
preestabelecido de vida natural ou divino. O ser é, na realidade, livre, pois faz 
escolhas e projeta sua subjetividade no mundo. Sartre avalia o ser como devir 
histórico e sempre em transformação. Há, em Sartre, inspiração na dialética 
marxista, ou seja, no materialismo histórico e dialético. Marx concebia que a 
consciência é construída dialeticamente com base e em relação com a 
infraestrutura econômica, ou seja, as condições materiais econômicas. 
Isso significa dizer que o materialismo histórico avalia que a origem da 
consciência se dá sob relação de contradição ou dialética com o meio social, a 
partir de suas bases econômicas. Sartre sintetiza a formulação marxista (Figura 
2) com a máxima: “a existência precede a essência”, ou seja, o meio social 
constitui a consciência, ou, o ser que, em seguida, passa a influenciar e 
transformar o mundo sob um processo permanente de retroalimentação. 
Figura 2 – “A existência precede a essência” 
 
Ao projetar, por meio de escolhas e da liberdade, o ser no mundo, passam 
a ocorrer relações dialéticas com a história, com os outros, ou seja, com o ser e 
as subjetividades alheias. Dialética (Aufhebung, em alemão) é a palavra que 
revela o sentido de negar, suprimir, conservar e superar ou elevar. Para Sartre, 
a humanidade nasce desprovida de qualquer determinação divina ou natural 
(negação do conceito de natureza humana). O meio social (a existência ou 
história) atua dialeticamente sobre o ser, o qual entra em contradição com o meio 
e, em seguida, o transforma, dando dimensões humanas à realidade. 
Apesar de afirmar o Cogito como uma profissão de fé em sua filosofia, 
Sartre se opõe a Descartes, conforme aponta no ensaio O existencialismo é um 
humanismo (1987). Enquanto o Cogito de Descartes é inato, Sartre indica que o 
Cogito existencialista, portanto, o Ser, é constituído historicamente (a existência 
precede a essência). 
 
 
11 
Segundo Sartre, ser livre significa produzir angústia e náusea por dois 
motivos: 
1. Toda escolha (liberdade) implica no abandono ou anulação de todas as 
outras possibilidade de ação. 
2. Cada escolha (projeto) não irá se realizar no futuro tal como o planejado 
originalmente no presente. Isso se deve ao fato de que “meu ser” se 
encontra numa relação dialética com a história e com as infinitas 
subjetividades dos outros. Por isso, afirma Sartre: o inferno são os outros. 
Portanto, angústia e náusea correspondem ao fenômeno da nadificação 
(Sartre, 1987), segundo o qual o ser é resultado de todos os fracassos e escolhas 
que não se realizaram, ou mesmo de desvios que minha liberdade operou sobre 
a história, transformando-a. Por estarmos em relação dialética com os outros e 
como o meio social e, portanto, com todas as demais subjetividades, Sartre 
considera que cada ato ou escolha, cada passo de nossa liberdade, tem 
ressonância universal, de forma que sempre somos responsáveis pelos outros. 
Sartre demonstra que a responsabilidade perante o mundo é permanente, 
cada ato nosso está interligado ao universal. O existencialismo é um humanismo 
(Sartre, 1987) foi escrito por Sartre para se opor aos seus críticos, que o 
acusavam de ser demasiado pessimista. Para o filósofo, o existencialismo é um 
humanismo, ou seja, possui na verdade um caráter otimista, pois embora 
considere o movimento de nadificação sobre o ser, ou seja, estamos destinados 
à angústia e à náusea por sermos livres, Sartre percebe que este ser é 
suficientemente livre para, a todo instante e, permanentemente, se construir, 
reconstruir ou projetar dialeticamente sempre novas formas de ser e sua 
liberdade na história. 
Sartre (1987) considera um ato de má-fé o sujeito que afirma ser possível 
não escolher, ou não ser livre. Na verdade, a condição humana é ser livre ou 
fazer escolhas, ainda que essas escolhas signifiquem não escolher ou, mesmo, 
escolher a submissão, a escravidão ou qualquer outra forma de subjugação. 
3.2 Simone de Beauvoir: existencialismo e feminismo 
A obra O segundo sexo, de Simone de Beauvoir [1949]/(2016), influenciou 
as lutas pelas liberdades sexuais femininas durante as manifestações ocorridas 
em maio de 1968, em Paris (França). Sua obra estabeleceu diálogo entre o 
 
 
12 
existencialismo e o feminismo por meio da crítica do conceito de natureza 
humana e a afirmação da condição humana como sinônimo de liberdade, 
conforme Sartre havia proposto. 
Enquanto Sartre julga que a existência precede a essência, Beauvoir 
(2016) produzirá sob a fundamentação existencialista, a máxima que afirma que 
ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Além de aplicar o existencialismo à 
abordagem feminista, significa dizer que não há predeterminações naturais ou 
divinas sobre as funções sociais das mulheres. Trata-se da crítica às explicações 
naturalistas (fatalistas), de modo que homens e mulheres não possuem seus 
papéis sociais estabelecidos biologicamente, ou por alguma divindade. 
Mas o que recusamos, é a ideia de que [os dados biológicos] 
constituem um destino imutável para ela. Não bastam para definir uma 
hierarquia dos sexos; não explicam por que a mulher é o Outro; não a 
condenam a conservar para sempre essa condição subordinada. 
(Beauvoir, 2016a, p. 60) 
Beauvoir parte em direção à denúncia e à crítica ao patriarcado, pois as 
relações sociais de cunho machista não passam de construções sociais, não 
sendo uma ordem universal, imutável, divina, tampouco natural. O machismo foi 
elaborado e construído sob relações de dominação, e não é natural. Tratando-se de uma construção artificial, o patriarcado poderá ser também desfeito por 
meio das lutas das mulheres, dando origem a uma nova ordem social mais justa 
e igualitária, construída por meio do exercício da liberdade. 
A partir de Beauvoir, foi possível realizar a distinção entre sexo e gênero. 
O sexo é definido biologicamente (macho ou fêmea, masculino ou feminino). O 
gênero, por sua vez, é uma construção social, que pode ter seu comportamento 
alterado a todo instante, variando de sociedade para sociedade, de época para 
época, ou, mesmo, de indivíduo para indivíduo. Dessa forma, o que se 
estabelece hoje como homem ou mulher, talvez não seja idêntico como foi no 
passado, ou como será no futuro de uma sociedade ou civilização. O sexo 
pertence ao campo biológico; o gênero, ao social. 
Vemos que a liberdade pode ser empregada tanto de forma negativa, a 
ponto de criar uma ordem patriarcal, ou mesmo a aceitação e obediência dessa 
ordem; no entanto, a liberdade pode promover lutas e transformações positivas 
para a sociedade e a emancipação feminina. 
 
 
 
13 
TEMA 4 – MERLEAU-PONTY E A INTENCIONALIDADE DO CORPO 
Neste tema estudaremos outro pensador francês que se dedicou ao 
estudo da fenomenologia: Maurice Merleau-Ponty. Em sua obra considerada 
inovadora, A fenomenologia da percepção (1999), publicada em 1945, o filósofo 
realiza movimentos de oposição com o pensamento fenomenológico de Husserl 
e de Heidegger, pois eles deram grande destaque à fenomenologia da 
consciência, esquecendo-se do corpo, não enfatizando estudos sobre as 
percepções corporais. 
Merleau-Ponty passa a construir a fenomenologia corporal, atrelada, de 
forma íntima, à mente. Trata-se de apresentar, de forma inédita, a 
intencionalidade do corpo e de suas faculdades sensoriais. Na fenomenologia 
da percepção, o ser é expresso pelo quiasma entre corpo e mente. 
Na obra O visível e o invisível (2005), o quiasma será denominado 
também como carne. O quiasma (ou carne) expressa o entrecruzamento ou 
ponto de intersecção na forma de um “xis”: o entrelaçamento das faculdades 
sensoriais ou corporais, e as mentais, que constituem a intencionalidade do ser 
– observe a Figura 3. 
Figura 3 – Fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty 
 
Merleau-Ponty identifica a intencionalidade no quiasma, ou seja, 
entrelaçamento entre corpo e mente. Isso significa dizer que o Ser não é apenas 
mental; é também corporal/sensorial, de modo que o corpo é extensão da mente, 
e a mente é extensão do corpo. Merleau-Ponty, na obra Fenomenologia da 
percepção (1999), define a intencionalidade presente no quiasma corpo x mente, 
como Cogito tácito. 
O Cogito tácito não deixa de ser uma menção crítica a Descartes, para 
quem a mente é o próprio Cogito; o corpo funcionaria meramente como uma 
máquina obediente à mente, nessa perspectiva cartesiana. O Cogito de 
 
 
14 
Descartes é expresso por meio do pensamento (Cogito ergo sum, ou “penso, 
logo existo”). Em Merleau-Ponty, o Cogito tácito se aproxima da afirmação 
“percebo ou sinto, logo existo”. 
Para Merleau-Ponty, a percepção diz respeito ao conjunto de faculdades 
sensoriais e seus desdobramentos (paladar, olfato, tato, visão e audição) que 
operam de forma sinestésica entre si, e com a mente. Formam o que o filósofo 
define como esquema corporal. 
A intencionalidade da percepção torna o corpo e a mente sujeitos e 
objetos um do outro, simultaneamente, e como quiasmas. Merleau-Ponty 
compara essa relação entre corpo e alma com as mãos de um mesmo sujeito 
que se tocam. Quem é o sujeito, quem é o objeto? Ambas as mãos compartilham 
do mesmo campo da percepção, tal como a relação entre o corpo e a mente. 
Mais do que morada do Ser, o corpo faz com que o indivíduo se realize 
no mundo e com os outros. O corpo é o tecido que reveste o Ser. Para todo 
movimento do corpo, há intencionalidade ou poder simbólico, que dá significação 
ao mundo, à cultura e às relações sociais. O corpo possui intencionalidade 
compartilhada com a mente, constituindo a existência do ser no mundo. 
A intencionalidade não implica apenas na consciência sobre as coisas, 
mas na percepção corporal. Os sentidos são os modos de conhecimento ou a 
percepção do próprio corpo. Trata-se do que o filósofo designou como sensiente 
(a consciência dos sentidos), que corresponde ao emaranhado de sensações 
que apreendem a realidade ao funcionarem mutuamente como uma 
confederação. As percepções humanas são atos conscientes do corpo. O corpo 
não é constituído por partes ou fragmentos funcionais e desprovidos da 
capacidade de dar sentido ou falta de consciência. O corpo não é uma máquina 
obediente à mente, senão parte integrante da mente, e vice-versa. 
As faculdades sensíveis correspondem a um todo que percebe o mundo 
e que atribuem significados a ele. Em Fenomenologia da percepção (1999), 
Merleau-Ponty apresenta as potencialidades presentes nessa forma de 
intencionalidade. Entre alguns exemplos, destaca o fato de os olhos (a visão) 
tatearem o espaço e os objetos. O esquema corporal permite que cegos 
desenvolvam a audição e olfato a ponto de identificarem pessoas e objetos a sua 
volta. Amputados, com os quiasmas e sinestesias, têm ou apresentam dor ou 
sensação fantasma. A dança expressa o corpo sensiente. Um ambiente com 
 
 
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iluminação amarelada faz com que nosso aparelho perceptivo o transforme a 
ponto de desconsiderar a cor da iluminação. 
A relação entre corpo e mente se assemelha à linguagem oral ou escrita. 
Quando falamos espontaneamente, não pensamos antes de falar, senão 
pensamos enquanto falamos; muitos conseguem escrever (digitar, ou no papel) 
enquanto suas ideias se articulam com o movimento dos dedos. O corpo, ao lado 
da mente, durante uma chuva, decide qual é o salto que deve ser dado para 
escapar de uma poça d´água. A fenomenologia da percepção permite 
sucessivas adaptações do esquema corporal. Trata-se da noção de que o corpo 
está em permanente metamorfose, e passa por adequações sensoriais, 
garantindo o acesso ao mundo e aos outros indivíduos. 
TEMA 5 – MATURANA E VARELA: A ÁRVORE DO CONHECIMENTO 
Estudaremos, a seguir, os pensadores chilenos Maturana e Varela 
(neurobiólogos, biólogos e filósofos), que publicaram, em 1984, a obra A árvore 
do conhecimento (1995). Eles procuram demonstrar a existência de 
intencionalidade no campo biológico (ou dos seres vivos) – do mundo vegetal ao 
animal. Trata-se da aplicação da fenomenologia aos estudos sobre a natureza. 
O termo autopoiese (Maturana; Varela, 1995) traduz o caráter e a 
dinâmica constitutiva de todos os seres vivos. Para viver e exercer a autopoiese, 
os seres vivos precisam recorrer a recursos do meio ambiente, transformando a 
si mesmos e exercendo fenomenologicamente sua existência sobre o mundo. 
Poiesis é um termo grego que significa “produção” ou “criação”. 
Autopoiese quer dizer “autoprodução” ou “autocriação”, expressando o que estes 
autores denominam como a fenomenologia dos seres vivos. 
A característica mais marcante de um sistema autopoiético é que ele 
se levanta por seus próprios cordões, e se constitui como distinto do 
meio circundante mediante sua própria dinâmica, de modo que ambas 
as coisas são inseparáveis. Os seres vivos se caracterizam por sua 
organização autopoiética. Diferenciam-se entre si por terem estruturas 
diferentes, mas são iguais em sua organização. Reconhecer que aquilo 
que caracteriza os seres vivos é sua organização autopoiética permite 
relacionar uma grande quantidade de dados empíricos sobre o 
funcionamento celular e sua bioquímica. O conceito de autopoiese, 
portanto, não contradiz esse corpo de dados – ao contrário, apoia-se 
neles e propõe, explicitamente, interpretá-los de um ponto de vista 
específico, que enfatiza o fato de os seres vivos serem unidades 
autônomas. (Maturana; Varela, 1995, p.87-88) 
 
 
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O termo autopoiese surgiu em 1974 com o objetivo de demonstrarque os 
seres vivos são sistemas que produzem continuamente a si mesmos. Esses 
sistemas são autopoiéticos porque, ao mesmo tempo, são produto e produtores 
do meio ambiente e de si mesmos. Os autores chilenos não se opõem à teoria 
da evolução das espécies de Darwin. Consideram para além das concepções 
darwinistas, a concepção na qual todos os seres vivos têm dinâmicas que 
extrapolam o campo das determinações biológicas ou naturais, sendo, por isso, 
autopoiéticos, isto é, têm a capacidade de se desenvolverem para além do 
campo das necessidades e imposições naturais. 
A intencionalidade ou a autopoiese biológica demonstra que ela se 
apresenta em diferentes graus e capacidades nos mais diferentes seres vivos. 
Os autores se aproximam da noção de que a natureza, em suas manifestações 
biológicas, apresenta diferentes formas de inteligência ou de intencionalidade. 
NA PRÁTICA 
Realize uma pesquisa em jornais, revistas e documentários, procurando 
informações a respeito das conquistas feministas desde o final do século XIX até 
hoje. Com base no existencialismo e no feminismo de Simone de Beauvoir, 
investigue as transformações em torno da concepção de mulher no passado, e 
como os movimentos feministas têm reivindicado direitos. 
Elabore um texto empregando conceitos existencialistas – como 
liberdade, escolha e Ser para fundamentar sua abordagem. Depois de elaborar 
seu texto, debata com os colegas sobre as reflexões formuladas e discuta quais 
conclusões podemos obter sobre as conquistas políticas e sociais das mulheres. 
FINALIZANDO 
Investigamos nesta aula temas relacionados às correntes filosóficas 
fenomenologia e existencialismo. No Tema 1, estudamos a origem da 
fenomenologia com Husserl, que procurou fornecer rigor e cientificidade no que 
diz respeito ao estudo ontológico, ou seja, sobre o Ser. Vimos que Husserl 
desenvolveu conceitos importantes para a compreensão do Ser, como o método 
da redução fenomenológica (ou eidética), epoché, noesis e noema, consciência 
intencional e visada intencional ou intencionalidade. Todos esses conceitos 
 
 
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fundamentam a noção de que a consciência é sempre consciência de algo, 
originando a fenomenologia de Husserl. 
No Tema 2, abordamos a fenomenologia desenvolvida pelo filósofo 
alemão Martin Heidegger. Sua teoria está alicerçada no que definiu como Dasein 
(Ser-aí), elemento que está manifesto entre o velar e o desvelar do ser no 
mundo. Vimos que Heidegger se diferencia de Husserl por considerar que a 
intencionalidade não está somente presente na consciência, mas também nos 
objetos e em toda a realidade. 
No Tema 3, apresentamos o existencialismo de Sartre e de Simone de 
Beauvoir. Ambos os pensadores negam o conceito de natureza humana, e 
demonstram o que compreendem como condição humana, ou seja, a liberdade, 
fazer escolhas e projetar a consciência ou ser na história (realidade). Beauvoir 
aplicou o existencialismo ao feminismo, de modo que contribuiu com os 
movimentos feministas da década de 1960 na Europa. 
A fenomenologia da percepção desenvolvida por Maurice Merleau-Ponty 
foi apresentada no Tema 4. Estudamos que o pensador criticou as interpretações 
de Husserl e Heidegger, pois estes atribuíram à intencionalidade com ênfase na 
consciência apenas, esquecendo-se das percepções corporais. A noção de 
intencionalidade presente na fenomenologia de Merleau-Ponty envolve a 
combinação entre corpo e mente, sendo ambos inseparáveis. O pensador 
francês procurou ainda demonstrar que a noção de ser não envolve apenas a 
mente, mas a relação de reciprocidade entre as faculdades sensoriais e as 
mentais. 
O Tema 5 trouxe a fenomenologia aplicada à biologia estudada pelos 
intelectuais Maturana e Varela, que juntos desenvolveram o conceito de 
autopoiese, que procura demonstrar que os seres vivos possuem 
intencionalidade. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. v. I. 
HEIDEGGER, M. A caminho da linguagem. Petrópolis: Vozes, 2011. 
HEIDEGGER, M. Ser e tempo. Petrópolis: Vozes, 1995. Parte I. 
HUSSERL, E. A filosofia como ciência de rigor. Coimbra: Atlântida, 1965. 
HUSSERL, E. Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia 
fenomenológica. São Paulo: Ideias & Letras, 2006. 
HUSSERL, E. Meditações cartesianas: introdução à fenomenologia. São 
Paulo: Madras, 2001. 
MATURANA, H.; VARELLA, F. A árvore do conhecimento: a base biológica do 
entendimento humano. Campinas: Psy II, 1995. 
MERLEAU-PONTY, M. O visível e o invisível. São Paulo, Perspectiva, 2005. 
MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo, Martins 
Fontes, 1999. 
SARTRE, J.-P. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 
1987. 
SARTRE, J.-P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1999.

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