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1 CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CURSO: Ciências Contábeis DISCIPLINA: Contabilidade Avançada 1 CONTEUDISTA: Marcello Sartore de Oliveira AULA 7 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) e DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) META Definir as estruturas atuais, de acordo com a Lei das S/A (6.404/76) e com os pronunciamentos técnicos do CPC, da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: 1. Conhecer os aspectos gerais da DRE; 2. Conhecer os aspectos gerais da DMPL. 1. INTRODUÇÃO A demonstração do resultado do exercício é a demonstração contábil que apresenta o confronto entre receitas e despesas da entidade. Portanto, todas as 2 receitas e todas as despesas do período,- que são contas transitórias, uma vez que terão seus saldos zerados -, irão aparecer na DRE. De acordo com Moraes Júnior (2016) a DRE é uma demonstração dedutiva e dinâmica, mostrando o cálculo do resultado do exercício, enquanto que o balanço patrimonial é uma demonstração estática, pois mostra a situação patrimonial em um dado momento. Por este motivo que o balanço patrimonial é considerado uma demonstração estática, enquanto que a DRE é tratado como um relatório dinâmico. Atenção: Balanço Patrimonial: Situação patrimonial e financeira (demonstração estática) DRE: Situação econômica (demonstração dinâmica). A DRE é uma demonstração que integra o chamado capital próprio. Isso ocorre, pois o lucro, ou prejuízo, apurado no final do término do exercício deverá compor o patrimônio líquido. Desse modo, as contas de receitas e despesas que integram essa demonstração terão seus saldos zerados no término do exercício. O resultado será integrado ao patrimônio líquido, independente de ser lucro, ou prejuízo. Já a DMPL possui por objetivo evidenciar a variação de todas as contas do patrimônio líquido. Para elaborá-la você deve, nas linhas evidenciar os fatos que ocorreram no exercício social e, nas colunas, as diversas contas que compõem o patrimônio líquido. 2. DRE Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) – Apresentação das demonstrações contábeis: 81. A entidade deve apresentar todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período em duas demonstrações: demonstração do resultado do período e 3 demonstração do resultado abrangente do período; esta última começa com o resultado líquido e inclui os outros resultados abrangentes. De acordo com a Lei 6404/76, em seu artigo 187, a demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Ainda embasado pela Lei 6404/76, a DRE possui a seguinte estrutura: Estrutura da demonstração do resultado do exercício pela Lei 6404/76: Faturamento bruto (venda bruta + IPI sobre faturamento) (-) IPI sobre faturamento bruto 4 = Vendas brutas/Receita bruta de vendas/Receita operacional bruta (-) Deduções da receita bruta Devoluções e cancelamento de vendas Abatimentos sobre vendas Descontos incondicionais concedidos/descontos comerciais Impostos e contribuições sobre vendas e serviços (ICMS, ISS, PIS, COFINS) Ajuste a valor presente sobre clientes = Vendas líquidas/Receita líquida de vendas/Receita operacional líquida (-) Custo da mercadoria vendida (CMV = Est. inicial + Compras líq. – Est. final) = Lucro bruto/Resultado operacional bruto/Resultado com mercadorias (-) Despesas operacionais Com vendas Administrativas Gerais Financeiras líquidas (despesas financeiras – receitas financeiras) Outras despesas operacionais + Outras receitas operacionais = Resultado operacional líquido/Lucro ou prejuízo operacional líquido (-) Outras despesas (antigas despesas não operacionais) + Outras receitas (antigas receitas não operacionais) = Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (-) Despesa com provisão para Imposto de Renda e CSLL = Resultado após o Imposto de Renda/CSLL e antes das participações (-) Participações estatutárias sobre o lucro Debenturistas Empregados Administradores Partes beneficiárias Fundo de assistência/previdência a empregados = Lucro ou prejuízo líquido do exercício 5 2.1 RECEITA BRUTA DE VENDAS O registro das vendas é realizado pelo valor bruto, incluindo impostos. As reduções das vendas são feitas em contas específicas, deduzindo a conta receita bruta. Cabe destacar que é relevante saber quando, em quem momento, a receita deve ser registrada e, ainda, por qual valor deve ser registrada. A resposta para isso está prevista no item 2 do CPC 47 – Receita de Contrato com Clientes, que estabelece que “o princípio básico deste pronunciamento consiste em que a entidade deve reconhecer receitas para descrever a transferência de bens ou serviços prometidos a clientes no valor que reflita a contraprestação à qual a entidade espera ter direito em troca desses bens ou serviços. Dessa maneira, a receita da venda deve registrada no momento da transferência de bens ou serviços, e pelo valor da contraprestação a receber 2.2 DEVOLUÇÃO DE VENDAS/VENDAS CANCELADAS De acordo com Moraes Júnior (2016), as mercadorias compradas retornam do cliente ao fornecedor, por estarem em desacordo com o pedido. Essa conta representa todas as devoluções de vendas ocorridas dentro do exercício social. Observação: As devoluções de vendas de exercícios anteriores são consideradas como despesas operacionais. 2.3 ABATIMENTO SOBRE VENDAS Moraes Júnior (2016) explica que caso o cliente esteja insatisfeito com a mercadoria adquirida, por culpa do fornecedor e não julgar necessário devolvê-la, pode entrar em acordo com o fornecedor e exigir um abatimento, a fim de evitar a devolução. 6 Abatimento sobre vendas registra os descontos que são concedidos após a entrega dos bens e serviços pelo fato de apresentarem defeitos de qualidade, quantidade, defeitos do transporte, etc. Cabe destacar que, por ser concedido após a emissão da Nota Fiscal, esse desconto não reduz a base de cálculo dos tributos. 2.4 DESCONTOS INCONDICIONAIS SOBRE VENDAS São descontos dados de forma incondicional, pelo fato de não dependem de quaisquer condições para o pagamento. É o tipo de desconto chamado desconto incondicional concedido ou desconto comercial. Já o desconto condicional ou desconto financeiro é classificado como despesa operacional. Não sendo, portanto, uma redução da receita bruta de vendas. O desconto condicional, por ocorrer após a emissão da Nota Fiscal, também não reduz a base de cálculos dos tributos que incidam sobre as vendas. “Desconto Condicional” não interessa ao mundo tributário!!!2.5 TRIBUTOS SOBRE VENDAS Os tributos incidentes sobre a venda são ICMS, ISS, PIS e COFINS. Vale destacar que o IPI não se classifica como tributos sobre vendas, uma vez que aparece na DRE antes da Receita Bruta de Vendas. É um imposto por fora! 2.6 AJUSTE A VALOR PRESENTE SOBRE CLIENTES Ajuste a valor presente significa trazer um valor que está previsto para se realizar em data futura a termos monetários de hoje. A venda deve ser, o máximo possível, líquida de juros!!!! Vamos supor que houve uma venda num valor bruto de R$ 80.000,00, incluindo juros e o principal. Os juros, dessa operação, equivalem a R$6.000,00. 7 Assim, o lançamento contábil seria: D - Duplicatas a Receber 80.000 AC D - Redução de Vendas (AVP) 6.000 Dedução de Receita Bruta C - Receita Bruta de Vendas 80.000 Receita C - AVP de Dup. a Receber 6.000 Redutora do AC 2.7 RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS, CUSTO DA MERCADORIA VENDIDA E LUCRO BRUTO Moraes Júnior (2016) ensina que a Receita Líquida de Vendas (RLV) corresponde ao resultado da subtração da RBV pelas deduções de vendas. Já o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) corresponde ao custo efetivo das mercadorias e pode ser calculado por meio da fórmula: CMV = EI + CL – EF EI = Estoque Inicial CL = Compras Líquidas EF = Estoque Final Fórmula da Compra Líquida Compras – Tributos a recuperar = Compras Brutas Compras Brutas – Devoluções de Compras + Fretes e Seguros (do comprador) + carga, descarga e armazenagem (responsabilidade do comprador) + tributos não recuperáveis – Abatimentos de compras – Descontos Incondicionais Obtidos nas compras = COMPRAS LÍQUIDAS O Lucro Bruto consiste na dedução do CMV da Receita Líquida de Vendas. 2.8 DESPESAS OPERACIONAIS As despesas operacionais são aquelas voltadas para as atividades operacionais da empresa. Assim, são as despesas pagas ou incorridas com a finalidade de se vender produtos e administrar a empresa. A Lei 6.404, em seu artigo 187, determina que: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: 8 III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; 2.8.1 Outras receitas e despesas operacionais São exemplos de outras receitas operacionais os alugueis ativos ou Receita de Alugueis, Reversão de provisões, Receita de Dividendos, Receita de Equivalência Patrimonial. Quanto as outras despesas operacionais, pode-se apontar come exemplo a Perda Com Equivalência Patrimonial. 2.8.2 OUTRAS RECEITAS E OUTRAS DESPESAS Conforme Moraes Júnior (2016), são as receitas e despesas do período que não estão diretamente ligadas à atividades fim da empresa, como a receita obtida com a vende de bens do ativo não circulante. Como exemplo de outras despesas, pode-se apontar o custo do bem por ocasião de sua alienação. 2.9 PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS Conforme previsto no artigo 187 da Lei 6404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Já o artigo 190 estabelece que: Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Conforme comenta Ferrari (2013), é obrigatório seguir a ordem de participações definida acima, sendo que cada participação diminui a base de cálculo da participação seguinte. 9 A base de cálculo das Participações Estatutárias é: Resultado do Exercício Após o Imposto de Renda (-) Saldo da Conta Prejuízos Acumulados = Base de Cálculo das Participações Estatutárias 2.10 LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO, LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO E TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO PARA RESERVAS Do lucro líquido do exercício, extraído após as participações estatutárias, podemos mensurar o valor do lucro por ação do capital social. Assim, caso o capital social seja formado por 20.000 ações e o lucro do período for de R$ 2.000.000, o lucro por ação será de R$10.000,00. O saldo de lucro ou prejuízo do período deverá ser transferido para a conta lucros ou prejuízos acumulados, que pertence ao Patrimônio Líquido. A conta Lucros Acumulados deverá ter seu saldo zerado ao final do exercício social. Portanto, essa conta não poderá constar no Balanço Patrimonial. Já a conta prejuízos acumulados poderá constar no Balanço Patrimonial ao término do exercício, diminuindo, assim, o Patrimônio Líquido, tendo em vista que possui saldo devedor. 3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE ACORDO COM O CPC 26 O Pronunciamento Técnico do CPC nº 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis – determina que a entidade deve apresentar todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período em duas demonstrações: 1) demonstração do resultado do período (DRE); e 2) demonstração do resultado abrangente do período; esta última começa com o resultado líquido e inclui os outros resultados abrangentes. De acordo com o item 86 do CPC 26: 10 82. Além dos itens requeridos em outros Pronunciamentos do CPC, a demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas, obedecidas também as determinações legais: (a) receitas; (aa) ganhos e perdas decorrentes de baixa de ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado; (b) custos de financiamento; (c) parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método da equivalência patrimonial; (d) tributos sobre o lucro; (e) (eliminada); (ea) um único valor para o total de operações descontinuadas (ver Pronunciamento Técnico CPC 31); (f) em atendimento à legislação societária brasileira vigente na data da emissão deste Pronunciamento, a demonstração do resultado deve incluir ainda as seguintes rubricas: (i) custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos; (ii) lucro bruto; (iii) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais; (iv) resultado antes das receitas e despesas financeiras; (v) resultado antes dos tributos sobre o lucro; (vi) resultado líquido do período. (Item alterado pela Revisão CPC 06) CPC 26 – Apresentação da DRE Receitas (-) CMV = Lucro Bruto (-) Despesas Vendas Gerais e Administrativas 11 Outras Despesas e receitas operacionais Resultado de Equivalência Patrimonial = Resultado antes Receitas e Despesas Financeiras (-) Despesas Financeiras + Receitas Financeiras = Resultado antes tributos sobre o lucro (-) Despesas Tributos sobre o Lucro = Resultado das operações continuadas +/- Resultado líquido das operações descontinuadas = Resultado Líquido do Período Observação: A estrutura que consta no CPC 26 se inicia na Receita Líquida. RESULTADO DAS OPERAÇÕES DESCONTINUADAS Conforme Ferreira (2014) ensina, com base no Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo não circulante mantido para venda e operações descontinuadas: 32. Uma operação descontinuada é um componente da entidade que foi baixado ou está classificado como mantido para venda e (a) representa uma importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; (b) é parte integrante de um único plano coordenado para venda de uma importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; ou (c) é uma controlada adquirida exclusivamente com o objetivo da revenda. 33. A entidade deve evidenciar: (a) um montante único na demonstração do resultado compreendendo: (i) o resultado total após o imposto de renda das operações descontinuadas; e (ii) os ganhos ou as perdas após o imposto de renda reconhecidos na mensuração pelo valor justo menos as despesas de venda ou na baixa de ativosou de grupo de ativos(s) mantidos para venda que constituam a operação descontinuada. Um exemplo de operação descontinuada pode ser a venda de uma das fábricas realizada por uma empresa. Essa operação, além do impacto sobre o 12 resultado da empresa, ela poderá ter reflexos nas demonstrações dos próximos anos. Observação: Portanto, vale realçar que as operações descontinuadas são as vendas relativas a divisões, produtos ou atividades que a empresa abandonou, que não existirão mais no futuro. Atividades Atividade 1 (Atende ao Objetivo 1) 1)(FCC/MPE PB/Auditor de Contas Públicas/2015) De acordo com a Resolução CFC no 1.255, os resultados apurados de operações descontinuadas devem ser apresentados em A) conjunto com as atividades normais, somados as receitas e despesas operacionais. B) demonstração de resultados apurada e apresentada separadamente da demonstração de resultados das atividades continuadas. C) um montante único na demonstração do resultado. D) uma conta própria do patrimônio líquido. E) nota explicativa, não compondo a apuração dos resultados da empresa. Resposta Comentada Letra C 2) (FCC/2012) Na apuração do lucro líquido do exercício devem ser computadas a) as despesas e receitas do período, as obrigações contraídas no exercício, os dividendos a distribuir e o imposto e contribuição incidente sobre o resultado. b) todas as despesas e receitas do exercício, os ajustes de exercícios anteriores, o imposto de renda sobre o lucro, os dividendos e o resultado abrangente. c) as reservas de lucros, as contribuições, as despesas e receitas do período, os impostos e contribuições. d) as despesas incorridas, as receitas efetivamente ganhas no período, o imposto de renda, a contribuição e participações nos lucros. 13 e) as receitas e despesas do período, as participações no lucro, a reserva legal, o imposto de renda e o resultado abrangente. Resposta: A DRE evidencia as receitas realizadas e as despesas incorridas no exercício, pelo regime de competência. Não apresenta, portanto, elementos patrimoniais, como obrigações, dividendos a pagar e reserva legal. Alternativa: D 4) (Esaf) Considere os seguintes dados: (R$) Lucro bruto de vendas de mercadorias 100,00 Receita bruta de vendas de mercadorias 300,00 Resultado operacional – lucro 20,00 Despesas operacionais 80,00 Provisão para Imposto de Renda 5,00 Lucro líquido do exercício 15,00 Resultado do exercício 25,00 Considerando os dados acima, podemos afirmar que: a) as participações somam R$ 3,00. b) as deduções da receita bruta somam R$ 200,00. c) a provisão para o Imposto de Renda seria de R$ 10,00 se, mantidos os demais dados, o resultado do exercício fosse de R$ 30,00. d) as participações somam R$ 5,00. e) a provisão para Imposto de Renda seria de R$ 10,00, se a alíquota do Imposto de Renda fosse de 40%, mas somente sob a condição de que o valor das participações não fosse alterado. REAIR (25) – Prov IR (5) – Participações (??)= Lucro Líquido do Exercício (5). Então participações será de 5,00. Alternativa D. 14 3.1. DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Conforme Moraes Júnior (2016), a demonstração das mutações do patrimônio líquido é destinada a evidenciar as mudanças, em natureza e valor, ocorridas no patrimônio líquido da entidade, num determinado período de tempo. Assim, ainda embasado por Moraes Júnior (2016), a DMPL não se limita a demonstrar as mutações das contas “Lucros Acumulados” e “Prejuízos Acumulados”. Ela evidencia as mutações de todas as contas do patrimônio líquido. Assim, a DLPA está contida na DMPL. Cabe realçar que a DLPA pode ser incluída na DMPL! A DMPL é um relatório contábil mais completo que a DLPA, uma vez que evidencia as alterações ocorridas, durante um exercício social, em todas as contas do patrimônio líquido de uma entidade. Já a DLPA, demonstra as variações das contas lucros ou prejuízos acumulados. Pelo CPC 26 – Apresentação das demonstrações contábeis -, é possível entender que a DMPL passa a fazer parte do conjunto completo de demonstrações contábeis. Desse modo, pelo CPC 26, a DMPL é uma demonstração obrigatória. Exercício: CESPE/STM 2011) A DLPA é complementar à DMPL. ( ) V ( ) F Resposta: Falso, uma vez que a DLPA é parte integrante da DMPL, e não um complemento dessa demonstração. Observação: A DMPL não substitui a DLPA, tendo em vista que a Lei das S/A determina que a DLPA poderá ser incluída na DMPL. De acordo com o CPC 26 (R1) 10. O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui: (a) balanço patrimonial ao final do período; (b1) demonstração do resultado do período; 15 (b2) demonstração do resultado abrangente do período; (c) demonstração das mutações do patrimônio líquido do período; (d) demonstração dos fluxos de caixa do período; (e) notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e outras informações elucidativas; (Alterada pela Revisão CPC 08) Ainda embasado pelo CPC 26 (R1): Informação a ser apresentada na demonstração das mutações do patrimônio líquido 106. A entidade deve apresentar a demonstração das mutações do patrimônio líquido conforme requerido no item 10. A demonstração das mutações do patrimônio líquido inclui as seguintes informações: (a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; (b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva, reconhecidos de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; (c) [eliminado]; (d) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: (i) do resultado líquido; (ii) de cada item dos outros resultados abrangentes; e (iii) de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. Observação: Atualmente, em decorrência da revisão (R1), a DRA não mais pode ser incluída na DMPL. Assim, a DRA deve ser uma demonstração separada. 16 Entretanto, o resultado abrangente acaba aparecendo na DMPL, pois as contas do resultado abrangente compõem o Patrimônio Líquido. Pelo CPC 26 (R1): Lembrar que agora é vedada a apresentação da Demonstração do Resultado Abrangente apenas na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Segue exemplo de DMPL constante no próprio pronunciamento do CPC 26 (R1): Capital Reservas de Reservas de Lucros ou Outros Patrimônio Participação Patrimônio Social Capital, Lucros (2) Prejuízos Resultados Líquido dos dos Não Líquido Integralizado Opções Acumulados Abrangentes Sócios da Controlador Consolidado Outorgadas (3) Controladora es no Pat. e Ações em Liq. das Tesouraria Controladas (1) Saldos Iniciais 1.000.000 80.000 300.000 0 270.000 1.650.000 158.000 1.808.000 Aumento de Capital 500.000 -50.000 -100.000 350.000 32.000 382.000 Gastos com Emissão de Ações -7.000 -7.000 -7.000 Opções Outorgadas Reconhecidas 30.000 30.000 30.000 Ações em Tesouraria Adquiridas -20.000 -20.000 -20.000 Ações em Tesouraria Vendidas 60.000 60.000 60.000 Dividendos -162.000 -162.000 -13.200 -175.200 Transações de Capital com os Sócios 251.000 18.800 269.800 250.000 Lucro Líquido do Período 250.000 22.000 272.000 Ajustes Instrumentos Financeiros -60.000 -60.000 -60.000 Tributos s/ Ajustes Instrumentos Financeiros 20.000 20.000 20.000 Equiv. Patrim. s/ Ganhos Abrang. de Coligadas 24.000 24.000 6.000 30.000 Ajustes de Conversão do Período 260.000 260.000 260.000 Tributos s/ Ajustes de Conversão do Período -90.000 -90.000 -90.000 OutrosResultados Abrangentes 154.000 6.000 160.000 Reclassific. p/ Resultado – Aj. Instrum. Financ. 10.600 10.600 10.600 Resultado Abrangente Total 414.600 28.000 442.600 Constituição de Reservas 140.000 -140.000 Realização da Reserva Reavaliação 78.800 -78.800 Tributos sobre a Realização da Reserva de Reavaliação -26.800 26.800 Saldos Finais 1.500.000 93.000 340.000 0 382.600 2.315.600 204.800 2.520.400 17 Desse modo, a elaboração da DMPL começa com os saldos iniciais. Após, inclui-se os aumentos de capital, com reservas e com integralização de capital. Continua com a inclusão do lucro do exercício, que vai para a conta lucros acumulados, incluir os Outros Resultados Abrangentes, e exclui-se os dividendos. O saldo inicial, somado às movimentações – entradas e saídas – deve conciliar com o saldo final do Patrimônio Líquido. ATIVIDADE 02: 1) (CESPE/TCE-PA/Auditor de Controle Externo/ Contabilidade/ 2016) Com base na legislação societária e nos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, julgue o item subsequente, a respeito das demonstrações contábeis. De acordo com a legislação societária, a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) pode ser apresentada como demonstração autônoma ou como parte da demonstração de mutações do patrimônio líquido (DMPL). ( ) V ( ) F Verdadeiro, já que DLPA pode ser incluída na DMPL e não ser substituída uma por outra. 2) (Esaf) São evidenciados na demonstração das mutações patrimoniais os montantes: a) da retificação de erros de exercícios anteriores e dos efeitos da equivalência patrimonial. b) dos efeitos da mudança de critérios contábeis e do ágio na emissão de ações. c) das amortizações do ágio na emissão de ações e do valor das ações preferenciais em tesouraria. d) de ganhos com investimentos em controladas e das reservas para retenção de lucro para expansão. e) das subvenções para investimentos em regiões em desenvolvimento e do lucro líquido por ação. Resposta: ágio na emissão de ações é considerado reserva de capital. Já os efeitos da mudança de critérios contábeis são indicados como ajustes de 18 exercícios anteriores, que afetam a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. Alternativa B. 3) (Esaf) Pelas disposições da Lei nº 6.404/76 sobre demonstrações financeiras, podemos perceber que: a) a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, quando devidamente elaborada, substitui a demonstração das mutações do patrimônio líquido. b) o balanço patrimonial deve apresentar, já devidamente contabilizada, a proposta dos órgãos da administração para distribuição do lucro líquido do exercício. c) a demonstração do resultado do exercício deve apresentar, expresso em reais, o valor dos dividendos distribuídos para cada uma das ações do capital social. d) a demonstração das origens e aplicações de recursos apresenta, discriminadamente, todas as origens de recursos e respectivas aplicações feitas durante o exercício do patrimônio da entidade econômico-administrativa. e) as demonstrações financeiras de empresas do mesmo ramo podem ser consolidadas, desde que uma participe do capital social da outra. Resposta: alternativa B 4) (FCC) Evidenciará a distribuição do resultado apurado no exercício a demonstração contábil: a) do fluxo do caixa. b) do balanço patrimonial. c) de resultado do exercício. d) das mutações do patrimônio líquido. e) de origens e aplicações. Resposta: Reservas e dividendos são evidenciados na demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados ou na demonstração das mutações do patrimônio líquido. Alternativa D Fim das atividades Resumo 19 Na presente aula, discutimos as regras previstas na Lei 6.404/76 e dos Pronunciamentos Técnicos que são aplicadas às DRE e a DMPL. Em relação à DRE, analisamos seus aspectos gerais, como, entre outros, ser obrigatória pela lei das sociedades anônimas (Lei 6404/76), seguir o regime de competência. Neste material apresentamos a estrutura da DRE pela Lei das S/A e pelo CPC 26, onde debatemos sobre as principais diferenças entre essas normas, no que se refere à composição dessa demonstração financeira. Analisamos, ainda, as contas que compõem a DRE, desde a Receita Bruta de Vendas, até o destino que se dá ao lucro do período. No que se refere à DMPL, - que é uma demonstração que evidencia, como o próprio nome sugere, as modificações neste grupo patrimonial -, apresentamos seus aspectos gerais, quando observamos que não é uma demonstração obrigatória para a Lei das S/A, mas é pelo CPC 26. Analisamos, ainda, sua estrutura quando cometamos as contas que a compõem. INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula, acompanhando o cronograma da disciplina, iremos estudar a DLPA e a DFC, onde iremos observar os aspectos gerais da DLPA, como, entre outros, ser obrigatória pela lei das sociedades anônimas (Lei 6404/76), e não ser pelo CPC 26. Também iremos ver que essa demonstração pode ser incluída na DMPL. Já em relação à DFC, apresentamos seus aspectos gerais, no sentido de que evidencia as variações das contas caixa e equivalentes de caixa, que é obrigatória para as companhias abertas, fechadas com patrimônio igual, ou maior, de R$ 2 milhões. Analisaremos seus fluxos de caixa e os dois métodos em que essa demonstração financeira pode ser realizada. Até lá! 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ferrari, Ed Luiz. Contabilidade Geral.13. ed. Niterói: Editora Impetus, 2013. 20 Ferreira. Ricardo J. Contabilidade Básica. 17ª ed. Rio de Janeiro: Editora Ferreira, 2020. Moraes Júnior, José Jayme. Contabilidade Geral, Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Contábeis. 5ª Ed. Niterói: Editora Impetus, 2016. Viceconti, Paulo; Neves, Silvério das. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 18ª Ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2018.