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Atualizado até 15/01/2025
1
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA
3a EDIÇÃO/2024
1. JURISDIÇÃO 3
1.1. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO 3
1.1.1. INÉRCIA 3
1.1.2. IMPARCIALIDADE 4
1.1.3. SUBSTITUTIVIDADE 6
1.1.4. DEFINITIVIDADE 6
1.1.5. UNICIDADE E INDIVISIBILIDADE 7
1.2. PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO 7
1.2.1. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO 7
1.2.2. INDELEGABILIDADE 7
1.2.3. INDECLINABILIDADE 8
1.2.4. TERRITORIALIDADE 8
1.2.5. JUIZ NATURAL 8
1.3. ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO 9
1.4. LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL 10
1.4.1. CONCORRENTE 10
1.4.2. EXCLUSIVA 11
2. COMPETÊNCIA 13
2.1. CONCEITO 13
2.2. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL 14
2.3. COMPETÊNCIA INTERNA 15
2.3.1. CRITÉRIOS PARA FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA 15
2.3.2. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA PESSOA 15
2.3.3. COMPETÊNCIA MATERIAL 15
2.3.4. COMPETÊNCIA FUNCIONAL 16
2.3.5. COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AO VALOR DA CAUSA 16
2.3.6. COMPETÊNCIA TERRITORIAL 17
2.4. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA E DERIVADA 17
2.5. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA E INCOMPETÊNCIA RELATIVA 17
2.5.1. ABSOLUTA 18
2.5.2. RELATIVA 18
2.5.3. ALEGAÇÃO E RECONHECIMENTO DA INCOMPETÊNCIA 19
2.6. KOMPETENZ-KOMPETENZ 23
2.6.1. MOMENTO DE ALEGAÇÃO DA INCOMPETÊNCIA 23
2.6.2. APROVEITAMENTO DOS ATOS 24
2.6.3. PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA 25
2.6.4. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS 26
2.6.5. PERPETUATIO JURISDICTIONIS 26
2.7. MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA 28
2.7.1. CONEXÃO 28
2
2.7.2. CONTINÊNCIA 30
2.7.3. PREVENÇÃO 31
2.7.4. SEMELHANÇAS SEM REUNIÃO PARA JULGAMENTO 31
2.8. JUÍZO PREVENTO 32
2.9. COMPETÊNCIA RELATIVA 33
2.10. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL 33
2.11. COMPETÊNCIA FEDERAL DELEGADA 38
2.12. COMPETÊNCIA TERRITORIAL 39
2.13. CONFLITO DE COMPETÊNCIA 42
2.14. PROCEDIMENTO 43
2.15. COOPERAÇÃO NACIONAL 45
2.15.1. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO NACIONAL 45
2.15.2. COMPARTILHAMENTO DE COMPETÊNCIAS 45
3. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA 46
3
1. JURISDIÇÃO
Conforme o professor Fredie Didier , Jurisdição “é a função atribuída a TERCEIRO IMPARCIAL, de1
realizar o direito de modo IMPERATIVO e CRIATIVO, reconhecendo, efetivando e protegendo situações
jurídicas concretamente deduzidas, em decisão insuscetível de controle externo e com aptidão para tornar-se
indiscutível”.
Jurisdição é o atributo ou a capacidade de, genericamente, dizer o direito de modo definitivo. Todo
órgão que tem tal capacidade detém a jurisdição. A jurisdição é exemplo de heterocomposição.
No sistema brasileiro, pode-se dizer que a jurisdição é monopólio do Estado, mas não se pode dizer
que só ele o exercerá. Isto porque o Brasil admite a arbitragem.
Sabrina Dourado ensina, que, “a jurisdição abrange 3 poderes básicos: decisão, coerção e2
documentação. Pelo primeiro, o Estado-juiz tem o poder de conhecer a lide, colher provas e decidir; pelo
segundo, o Estado-juiz pode compelir o vencido ao cumprimento da decisão; pelo terceiro, o Estado-juiz pode
documentar por escrito os atos processuais”.
Cassio Scarpinella Bueno afirma que a “jurisdição deve ser compreendida no sentido de exercício da3
função jurisdicional, função típica (fim) do Poder Judiciário, que a caracteriza como tal. O exercício da função
jurisdicional, pelo Estado-juiz, é vocacionado à resolução de controvérsias intersubjetivas sempre que outros
meios não estatais ou não jurisdicionais para aquele mesmo fim não atuarem a contento, não forem possíveis,
ou, ainda, quando os interessados assim entendam ser necessário, independentemente de qualquer outra
providência”.
Lembre-se que temos dois modelos de solução dos conflitos:
HETEROCOMPOSIÇÃO AUTOCOMPOSIÇÃO
Jurisdição e arbitragem Conciliação, mediação etc.
📌 OBSERVAÇÃO
■ Há um debate profundo sobre a natureza jurisdicional ou não da Arbitragem. Não é o ponto de
discussão que queremos tomar agora, pois vamos focar no conceito de jurisdição como sendo no viés estatal.
Entretanto, insta ressaltar que o STJ possui o entendimento que a arbitragem possui natureza jurisdicional.
1.1. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO
1.1.1. INÉRCIA
A jurisdição é inerte no sentido de que não pode, como regra, ser prestada de ofício. Os interessados
no exercício da função jurisdicional devem requerê-la e provocar a atuação do Estado. Em contraposição ao
princípio da inércia estabelece-se o princípio dispositivo, segundo o qual parte dispõe de seu direito para tutelar
3 Bueno, Cassio S. Manual de Direito Processual Civil. Disponível em: Minha Biblioteca, (8th edição). Editora Saraiva, 2022.
2 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
1 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil – v.1. Editora Juspodivm, 2022.
4
em juízo (autonomia da vontade) .4
A inércia é a característica mais básica da jurisdição. Assim, a jurisdição deve ser inerte, pelo menos
EM REGRA. Conforme o Art. 2º do CPC:
Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções
previstas em lei.
Segundo Renato Montans de Sá , são 2 importantes motivos que levam à existência do princípio da5
inércia:
▸ Permitir que o Estado haja de ofício é subtrair da parte o direito de buscar outras formas de
resolução de conflitos, como a autocomposição e a arbitragem;
▸ Nem sempre diante de um conflito as partes pretendem transportar sua irresignação ao Poder
Judiciário. Por motivos vários a parte pode não ter a intenção de judicializar o conflito. Ao propor a ação sem
provocação, o Estado quebra essa disponibilidade concedida às partes.
⚠ ATENÇÃO
Aqui temos 2 condutas:
■ A primeira é a de iniciar o processo (demanda)
■ A segunda é a de impulsionar o processo (impulso oficial).
Assim, em regra, o juiz não pode iniciar o processo de ofício, mas uma vez iniciado, ele poderá praticar
diversos atos de ofício. Um bom exemplo de exceção é que dispõe o Art. 712 do CPC:
Art. 712. Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, pode o juiz, DE OFÍCIO, qualquer das
partes ou o Ministério Público, se for o caso, promover-lhes a restauração.
Conforme o art. 712, CPC, em virtude da responsabilidade, poderá o magistrado instaurar o processo
de restauração.
1.1.2. IMPARCIALIDADE
O juiz deve, como todos sabem, manter-se numa situação de EQUIDISTÂNCIA em relação às partes,
preservando, portanto, sua imparcialidade. Não basta que o juiz seja um terceiro. É preciso que ele seja
imparcial. É preciso que o órgão jurisdicional não tenha interesse direto e reflexo na decisão da causa.
🚩 NÃO CONFUNDIR: IMPARCIALIDADE ≠ NEUTRALIDADE: O juiz não é neutro. Ele tem que ser imparcial. Ele
não é neutro e neutro é aquilo que não tem valor, nem positivo e nem negativo. A imparcialidade é a condição
de ser terceiro. O juiz não é parte.
5 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
4 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
5
A lesão à imparcialidade irá gerar a parcialidade.
Há 2 tipos de parcialidade: o impedimento e a suspeição. A doutrinadora Sabrina Dourado , aborda6
de forma muito didática os 2 tipos de parcialidade, vajamos:
SUSPEIÇÃO IMPEDIMENTO
amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou
de seus advogados;
em que interveio como mandatário da parte, oficiou
como perito, funcionou como membro do Ministério
Público ou prestou depoimento como testemunha;
que receber presentes de pessoas que tiverem
interesse na causa antes ou depois de iniciado o
processo, que aconselhar alguma das partes acerca
do objeto da causa ou que subministrar meios para
atender às despesas do litígio;
de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo
proferido decisão;
quando qualquer das partes for sua credora ou
devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de
parentes destes, em linha reta até terceiro grau,
inclusive;
quando nele estiver postulando, como defensor
público, advogado ou membro do Ministério Público,
seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
terceiro grau, inclusive.
interessado no julgamento do processo em favor de
qualquer§3º). Assim, temos prevenção em outros momentos como o exemplo de
prevenção em grau de recurso.
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, no concurso para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-AP (Ano: 2022, FGV) foi considerada
correta a seguinte assertiva:
Coexistem, em juízos cíveis de comarcas distintas, dois processos, ainda não sentenciados. Em um deles, o
credor de uma obrigação contratual pleiteia a condenação do devedor a cumpri-la, ao passo que, no outro, o
devedor persegue a declaração de nulidade do mesmo contrato. Nesse cenário, é correto afirmar que os
feitos devem ser reunidos para julgamento conjunto pelo órgão judicial onde tiver ocorrido a primeira
distribuição.
Devemos atentar ainda para o art. 57, CPC:
Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo
relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, CASO CONTRÁRIO, AS AÇÕES
SERÃO NECESSARIAMENTE REUNIDAS.
38 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
33
Lembremos ainda que será alegada em preliminar de contestação.
🚨 JÁ CAIU
No concurso para o cargo de Juiz Substituto - TJ-SC (Ano: 2022, FGV) foi considerada correta a seguinte
assertiva: Em relação à modificação da competência, é correto afirmar que: quando houver continência e a
ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida
sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.
2.9. COMPETÊNCIA RELATIVA
Devemos revisitar o Art. 54 do CPC, para mais uma vez destacar que a competência que pode ser
modificada em razão da conexão e continência é a de natureza RELATIVA. Por óbvio, a competência
absoluta (em razão da matéria, pessoa e função), NÃO se altera por estas vias.
Art. 54. A COMPETÊNCIA RELATIVA poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o
disposto nesta Seção.
2.10. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
Renato Montans de Sá , ensina que, o regramento da Justiça Federal “é constitucional e taxativo.39
Não é possível que norma infraconstitucional verse sobre essa esfera da jurisdição. Assim, qualquer lei federal
que crie acréscimos, alteração ou subtração de regras é inconstitucional”.
A competência da justiça federal vem regulamentada no art. 109 da CF, que assim dispõe:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição
de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou
residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional;
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União
ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro
e a ordem econômico-financeira;
VII - os habeas corpus , em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de
39 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
34
autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de
competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o
"exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a
respectiva opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
§ 1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte.
§ 2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o
autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa,
ou, ainda, no Distrito Federal.
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em que forem parte instituição de
previdência social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça estadual quando a comarca do
domicílio do segurado não for sede de vara federal.
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na área
de jurisdição do juiz de primeiro grau.
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade
de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito
ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.
Segundo o artigo 109, CF, a competência dos juízes federais divide-se em:
a. Em razão da pessoa: incisos I, II e VIII
b. Em razão da matéria: incisos III, V-A e XI
c. Funcional: inciso X
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Juiz Federal - TRF 1a Região (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte assertiva:
O tripulante de um barco brasileiro foi morto pelo ataque de uma embarcação estrangeira no mar territorial
brasileiro. Os descendentes da vítima ajuizaram ação de responsabilidade civil em face do Estado estrangeiro
perante a Justiça Federal brasileira, alegando tratar-se de caso de violação de direitos humanos. Nessa
situação hipotética, é correto afirmar que a Justiça Federal brasileira tem competência para processar e julgar
a causa, não sendo hipótese de imunidade de jurisdição.
Já o CPC disciplina a questão no art. 45 ao dispor:
Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente
se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de
fiscalização de atividade profissional, na qualidade de PARTE ou de TERCEIRO INTERVENIENTE, EXCETO AS
AÇÕES:
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;
35
II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho.
§ 1º Os AUTOS NÃO SERÃO REMETIDOS se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo
perante o qual foi proposta a ação.
§ 2º Na hipótese do § 1º, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para
apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades
autárquicas ou de suas empresas públicas.
§ 3º O juízo federal RESTITUIRÁ os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja
presença ensejou a remessa for excluído do processo.
Assim, vejamos:
► Causas envolvendo a União e demais entes federais (autarquias, empresas públicas
federais).
O processamento e julgamento de procedimento administrativo de dúvida suscitado por oficial de registro
imobiliário relativamente a imóveis de autarquia pública federal compete ao Juízo federal.
STJ. 1ª Seção. CC 180.351-CE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28/09/2022 (Info 751).40
⚠ ATENÇÃO
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Em relação à competência da Justiça Federal, existem algumas exceções:
▸Causas que são julgadas pela justiça estadual;
▸ Causas da Justiça Eleitoral;
▸ Causas da Justiça do Trabalho;
▸ Causas relacionadas à falência, recuperação judicial ou insolvência civil. Trata-se de opção legislativa.
(CPC, art. 1.052).
▸ Ações acidentárias típicas sempre serão julgadas na justiça estadual (são as ações acidentárias em
face do INSS). Neste caso, o autor pede algum tipo de benefício previdenciário em decorrência do acidente de
trabalho. Se o fundamento da ação, entretanto, for pedido de indenização contra o empregador, será utilizado
o regramento do art. 114, VI, CF (já estudado).
▸ Ações relativas à sociedade de economia mista (Exemplos: Banco do Brasil e Petrobrás).
► Se ela for autora, ré ou terceiro interveniente (assistência, denunciação da lide,
chamamento ao processo, desconsideração da personalidade).
Assim, havendo, por exemplo, uma intervenção, deveria o juiz estadual remeter o processo ao juízo
federal, cabendo a este decidir se há ou não interesse no feito para a presença do ente federal. Neste
40 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O procedimento de dúvida suscitado por registrador imobiliário será julgado pela Justiça Federal caso envolva
bens de autarquia pública federal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 27/12/2023
36
sentido:
SÚMULA 150-STJ: Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a
presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas.
SÚMULA 224-STJ: Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da
competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito.
Entendendo não ser competente o juízo federal, exclui-se o ente federal e restitui os autos para o
juízo estadual. Este entendimento está consagrado agora no Art. 45, §3º do CPC.
SÚMULA 254-STJ: A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser
reexaminada no Juízo Estadual.
A Súmula 270, STJ, é uma exceção ao regramento das súmulas 150 e 224 do STJ. Isso ocorre porque ela
é uma hipótese clara em que, apesar da intervenção do ente federal, não haverá o deslocamento da
competência da justiça estadual para a federal. Essa hipótese ocorre quando o ente federal intervém no
processo apenas para fazer o protesto pela preferência do crédito.
SÚMULA 270-STJ: O protesto pela preferência de crédito, apresentado por ente federal em execução que
tramita na Justiça Estadual, não desloca a competência para a Justiça Federal.
A Súmula 365, STJ, trata da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Nestes casos, quando a União adquiriu
tal rede, os processos existentes foram deslocados para a justiça federal.
SÚMULA 365-STJ: A intervenção da União como sucessora da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) desloca a
competência para a Justiça Federal ainda que a sentença tenha sido proferida por Juízo estadual.
Atente-se, ainda, para os casos que estão expressamente excluídos da competência da Justiça Federal
que estão insertos no Art. 45, incisos, CPC:
1. RECUPERAÇÃO JUDICIAL E FALÊNCIA;
2. INSOLVÊNCIA CIVIL;
3. ACIDENTE DE TRABALHO;
4. MATÉRIA TRABALHISTA;
5. MATÉRIA ELEITORAL.
⚠ ATENÇÃO
Conforme o Art. 138, §1º que trata do amicus curiae:
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição
37
de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3º
Assim, atente-se que, no caso do amicus curiae, NÃO HAVERÁ ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA.
⚠ ATENÇÃO
► PEDIDOS SIMPLES EM QUE APENAS UM OU ALGUNS SÃO DE COMPETÊNCIA DO JUIZ FEDERAL
Sobre este ponto, dispôs o Art. 45 nos seus parágrafos:
§ 1º Os AUTOS NÃO SERÃO REMETIDOS se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo
perante o qual foi proposta a ação.
§ 2º Na hipótese do § 1º, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para
apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas
entidades autárquicas ou de suas empresas públicas.
Assim, havendo pedidos da competência da justiça estadual, por força dos parágrafos, não será
remetido os autos para a justiça federal, prosseguindo o processo para ser decididos por sentença os pedidos
de sua competência. Quanto ao pedido de competência da justiça federal, não será analisado e resta ao autor
ingressar com outra ação em sede de competência da justiça federal.
► INTERVENÇÃO ANÔMALA DA UNIÃO
É um instituto diferente da assistência.
ASSISTÊNCIA
▸ Deve-se demonstrar interesse
jurídico
▸ Haverá deslocamento (Art. 45, CPC)
INTERVENÇÃO
ANÔMALA
▸ Interesse meramente
Econômico.
▸ Só haverá deslocamento de competência
▸ Se a pessoa jurídica interpor recurso.
▸ Se não houver recurso, o processo
permanece da Justiça Estadual.
Observe o Art. 5º da Lei 9.469:
Art. 5º A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou rés, autarquias, fundações
públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas federais.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos,
ainda que indiretos, de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse
jurídico, para esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados
úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em que, para fins de deslocamento de
competência, serão consideradas partes.
38
2.11. COMPETÊNCIA FEDERAL DELEGADA
No que concerne à competência federal delegada, importa ressaltar a Súmula 55 do STJ: O Tribunal
Regional Federal não é competente para julgar recurso de decisão proferida por juiz estadual não investido de
jurisdição federal.
Resta saber quais os casos em que teremos um juiz estadual julgando matéria federal. Vejamos a Lei
5.010/66 no seu Art. 15 (ATENÇÃO - MUITAS ALTERAÇÕES RECENTES):
Art. 15. Quando a Comarca não for sede de Vara Federal, poderão ser processadas e julgadas na Justiça
Estadual
II - as vistorias e justificações destinadas a fazer prova perante a administração federal, centralizada ou
autárquica, quando o requerente fôr domiciliado na Comarca;
III - as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado e que se referirem a benefícios
de natureza pecuniária, QUANDO A COMARCA DE DOMICÍLIO DO SEGURADO ESTIVER LOCALIZADA A MAIS
DE 70 KM (SETENTA QUILÔMETROS) DE MUNICÍPIO SEDE DE VARA FEDERAL;
IV - as ações de qualquer natureza, inclusive os processos acessórios e incidentes a elas relativos, propostas
por sociedades de economia mista com participação majoritária federal contra pessoas domiciliadas na
Comarca, ou que versem sobre bens nela situados.           
§ 1º Sem prejuízo do disposto no art. 42 desta Lei e no parágrafo único do art. 237 da Lei nº 13.105, de 16 de
março de 2015 (Código de Processo Civil), poderão os Juízes e os auxiliares da Justiça Federal praticar atos e
diligências processuais no território de qualquer Município abrangido pela seção, subseção ou circunscrição da
respectiva Vara Federal.
§ 2º Caberá ao respectivo Tribunal Regional Federal indicar as Comarcas que se enquadram no critério de
distância previsto no inciso III do caput deste artigo.
39
2.12. COMPETÊNCIA TERRITORIAL
Referente à Competência Territorial, deve-se ler com atenção os dispositivos contidos nos arts. 46 a
53 do CPC, pois são muito cobrados em provas. Vejamos:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bensMÓVEIS será proposta, EM REGRA, no
foro de domicílio do réu.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de Rio Branco - AC (Ano: 2023; IBADE) foi considerada incorreta a
seguinte assertiva: A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta,
em regra, no foro de domicílio do autor.
§ 1º Tendo mais de um domicílio, o réuserá demandado no foro de qualquer deles.
§ 2º Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no
foro de domicílio do autor.
§ 3º Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do
autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor.
§ 5º A EXECUÇÃO FISCAL será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde
for encontrado (COMPETÊNCIA TERRITORIAL CONCORRENTE).
Art. 47. Para as ações fundadas em DIREITO REAL SOBRE IMÓVEIS é competente o foro de situação da coisa
(FORUM REI SITAE).
§ 1º O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição (RELATIVA!) se o litígio não
recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de
nunciação de obra nova (COMPETÊNCIA ABSOLUTA).
§ 2º A AÇÃO POSSESSÓRIA IMOBILIÁRIA será proposta no FORO DE SITUAÇÃO DA COISA (COMPETÊNCIA
ABSOLUTA), cujo juízo tem competência absoluta.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Juiz de Direito do Estado do Espírito Santo (Ano: 2023; FGV) foi considerada incorreta a
seguinte assertiva: Sobre o instituto da competência, o autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou
pelo foro de eleição se o litígio recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e
demarcação de terras e de nunciação de obra nova
📌 OBSERVAÇÕES
■ Perceba que nem toda competência forum rei sitae é absoluta.
■ No caso de mudança de domicílio, em execução fiscal, temos a Súmula 58 DO STJ: Proposta a
execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada.
40
SÚMULA 11 DO STJ: A presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião ESPECIAL, não
afasta a competência do foro da situação do imóvel.
■ Sendo Ordinária ou Extraordinária, prevalece a competência em razão da pessoa.
Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a
arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha
extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Parágrafo único. Se o AUTOR DA HERANÇA NÃO POSSUÍA DOMICÍLIO CERTO, É COMPETENTE:
I - o foro de situação dos BENS IMÓVEIS;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, QUALQUER DESTES;
III - não havendo bens imóveis, o FORO DO LOCAL DE QUALQUER DOS BENS DO ESPÓLIO.
Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio, também competente
para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de disposições testamentárias.
Art. 50. A ação em que o INCAPAZ for RÉU será proposta no foro de domicílio de seu representante ou
assistente.
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União.
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no
de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito
Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de
domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou
na capital do respectivo ente federado.
🚨 JÁ CAIU
Na prova para o cargo de Advogado - Câmara de Franca-SP (Ano: 2022, IBFC) foi considerada correta a
seguinte assertiva: No que diz respeito às disposições do Código de Processo Civil sobre competência,
assinale a alternativa correta. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio,
também competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de disposições
testamentárias.
Neste ponto, observa-se também a SÚMULA 206 DO STJ: A existência de vara privativa, instituída
por LEI ESTADUAL, não altera a competência territorial resultante das leis de processo.
Prossegue ainda o CPC sobre a competência territorial:
Art. 53. É competente o foro:
I - para a ação de DIVÓRCIO, SEPARAÇÃO, ANULAÇÃO de casamento e RECONHECIMENTO OU DISSOLUÇÃO de
união estável:
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
41
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;
d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto
de 2006 (Lei Maria da Penha); (Incluída pela Lei nº 13.894, de 2019)
🚨JÁ CAIU
No concurso para Promotor de Justiça do Estado de Roraima (Ano: 2023; AOCP) foi considerada correta a
seguinte assertiva: O foro de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei Maria da
Penha, é competente para a propositura de demandas de reconhecimento ou dissolução de união estável.
II - de DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO ALIMENTANDO, para a ação em que se pedem alimentos;
III - do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica;
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento;
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto;
f) da SEDE DA SERVENTIA NOTARIAL OU DE REGISTRO, para a ação de reparação de dano por ato praticado
em razão do ofício;
IV - do LUGAR DO ATO OU FATO PARA A AÇÃO:
a) de reparação de dano;
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios;
V - de DOMICÍLIO DO AUTOR OU DO LOCAL DO FATO, para a ação de reparação de dano sofrido em
razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Juiz de Direito do Estado do Rio de Janeiro (Ano: 2023; VUNESP) foi considerada correta
seguinte assertiva:
André e Fabiana eram casados há dezoito anos. Por incompatibilidade de ideias, resolveram se divorciar e,
para tanto, propuseram ação de divórcio perante a 3ª Vara de Família do Município de Dois Rios, local de
domicílio do casal. À época, decidiram não realizar a partilha dos bens, que, em sua maioria, imóveis, ficavam
situados na cidade de Araras. Passados dois anos, Fabiana decidiu se mudar para a cidade de Terras Verdes.
Durante o período, André sofreu um grave atropelamento que o deixou com lesões no cérebro, ficando
impedido de exprimir a sua vontade. Sua irmã, Maria, residente em Itupé, foi nomeada curadora e André
passou a residir na cidade vizinha Ituiuti. Diante do ocorrido, Fabiana decidiu propor a ação de partilha de
bens. Acerca do caso hipotético narrado, de acordo com o atual entendimento do Superior Tribunal de
Justiça, é correto afirmar que a ação de partilha de bens deverá ser proposta em Dois Rios, considerando que
é o local onde foi ajuizada a ação de divórcio.
Vale ressaltar a hipótese do art. 109, V-A, da Constituição Federal: “as causas relativas a direitos
humanos a que se refere o § 5º deste artigo”. O PGR percebendo que houve uma grave violação aos direitos
42
humanos pode requerer ao STJ que este transfira, desloque a competência daquela causa do âmbito estadual
para o âmbito federal. Essa violação pode ser tanto no âmbito penal quanto no âmbito cível. A causa só irá para
a justiça federal se o PGR pedir e o STJ autorizar.
O STJ entende que só pode ser autorizado este tipo de deslocamento caso demonstrado que as
autoridades estaduais não estão se desincumbindo a contento das suas atribuições. Assim, é preciso que se
demonstre a ineficiência das autoridades estaduais no cumprimentode suas atribuições; caso contrário,
haveria um problema federativo. É preciso demonstrar a ineficiência.
O art. 109, trata também, em seu inciso XI, sobre “a disputa sobre direitos indígenas". Sobre o tema,
somente será competência da justiça federal a disputa sobre direito dos índios como grupo. Se for indígena, de
forma individual, será competência da justiça estadual. Exemplo: genocídio, demarcação de terras indígenas,
etc.
Deve prevalecer o entendimento de que, em âmbito civil ou penal, a justiça federal é competente para
julgar causas que versem sobre direitos indígenas, entendidos como aqueles que dizem respeito aos direitos
indígenas coletivamente considerados. Em relação às questões individuais, a incumbência recairá sobre a
justiça estadual.
Comunidade indígena pode ser parte apesar de não ser pessoa física e nem jurídica, porém, possui
capacidade de ser parte.
Aplica-se, nesta hipótese, a súmula 140 do STJ: Compete à justiça comum estadual processar e julgar
crime em que o indígena figure como autor ou vítima.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Defensor Público do Estado de Minas Gerais (Ano: 2023; FUNDEP) foi considerada
incorreta a seguinte assertiva: A justiça comum federal possui competência absoluta para julgar causa cujo
objeto envolva interesse individual de pessoa indígena.
2.13. CONFLITO DE COMPETÊNCIA
Os conflitos de competência podem ser divididos da seguinte forma:
1. CONFLITO POSITIVO (quando dois ou mais juízes se declaram competentes).
2. CONFLITO NEGATIVO (quando dois ou mais juízes se declaram incompetentes).
Conforme o Art. 66 do CPC:
Art. 66. Há conflito de competência quando:
I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes;
II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência;
III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
Parágrafo único. O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito, salvo se a
atribuir a outro juízo.
43
SÚMULA 59-STJ: Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado, proferida por
um dos juízos conflitantes.
📌 OBSERVAÇÃO
Arts. 102, I, “o” e 105, I, “d” da CF:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais
Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o",
bem como entre TRIBUNAL E JUÍZES A ELE NÃO VINCULADOS E ENTRE JUÍZES VINCULADOS A
TRIBUNAIS DIVERSOS.
⚠ CUIDADO
Há diversos casos de competência do STJ que fogem da regra geral. Recomenda-se a memorização do
art. 105, I, “d”, da Constituição Federal.
SÚMULA 428-STJ: Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado
especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.
Vejamos, também, as SÚMULAS 3 E 22 DO STJ:
SÚMULA 3-STJ: Compete ao tribunal regional federal dirimir conflito de competência verificado, na respectiva
região, entre juiz federal e juiz estadual investido de jurisdição federal.
SÚMULA 22-STJ: Não há conflito de competência entre o tribunal de justiça e tribunal de alçada do mesmo
estado-membro (aplica-se essa racionalidade para os Tribunais de Justiça Militar dos Estados e o TJ).
2.14. PROCEDIMENTO
Conforme o CPC:
Art. 951. O conflito de competência pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou
pelo juiz.
Parágrafo único. O Ministério Público SOMENTE será ouvido nos conflitos de competência relativos aos
processos previstos no art. 178 ,mas terá qualidade de parte nos conflitos que suscitar.
Art. 952. Não pode suscitar conflito a parte que, no processo, arguiu incompetência RELATIVA.
Parágrafo único. O conflito de competência não obsta, porém, a que a parte que não o arguiu suscite a
44
incompetência.
Art. 953. O conflito será SUSCITADO AO TRIBUNAL:
I - pelo JUIZ, por ofício;
II - pela PARTE e peloMINISTÉRIO PÚBLICO, por petição.
Parágrafo único. O ofício e a petição serão instruídos com os documentos necessários à prova do conflito.
Art. 954. Após a distribuição, o relator determinará a oitiva dos juízes em conflito ou, se um deles for
suscitante, apenas do suscitado.
Parágrafo único. No prazo designado pelo relator, incumbirá ao juiz ou aos juízes prestar as informações.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Juiz de Direito do Estado do Mato Grosso do Sul (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a
seguinte assertiva:
A partir de um contrato empresarial firmado entre duas pessoas jurídicas, houve o ajuizamento de uma
primeira ação discutindo cláusulas contratuais. Posteriormente, foi distribuída nova ação decorrente do
mesmo contrato. Essa nova ação foi distribuída por dependência, pois o autor entendeu que havia risco de
decisões conflitantes. O juiz da causa, por sua vez, determinou que o segundo processo fosse submetido à
livre distribuição. Posteriormente, o juízo que recebeu a segunda ação entendeu pela necessidade de reunião
dos processos, ante o risco de decisões conflitantes, consistente em interpretações diversas ao mesmo
contrato, e determinou a devolução dos autos ao juízo que primeiramente recebeu a ação, sem suscitar
conflito negativo de competência. Diante do exposto, é correto afirmar que o conflito de competência
instaurado pelo juiz, por ofício, deve ser instruído com os documentos necessários a comprovar a existência
do conflito.
Assim, se em uma situação hipotética, o Juiz Federal de Florianópolis (suscitado) se declara
incompetente e remete ao juiz de direito (suscitante) de Cascavel/PR, que também não se reconhece
competente, este último deve suscitar o conflito de competência por OFÍCIO ao STJ.
Prossigamos:
Art. 955. O relator poderá, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, determinar, quando o conflito
for positivo, o SOBRESTAMENTO DO PROCESSO e, nesse caso, bem como no de conflito negativo,
DESIGNARÁ UM DOS JUÍZES para resolver, em caráter provisório, asMEDIDAS URGENTES.
Parágrafo único. O relator poderá JULGAR DE PLANO O CONFLITO DE COMPETÊNCIA quando sua decisão se
fundar em:
I - SÚMULA do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal;
II - TESE firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência.
Art. 956. Decorrido o prazo designado pelo relator, SERÁ OUVIDO O MINISTÉRIO PÚBLICO, NO PRAZO DE 5
DIAS, ainda que as informações não tenham sido prestadas, e, em seguida, o conflito irá a julgamento.
Art. 957. Ao decidir o conflito, o tribunal declarará qual o juízo competente, pronunciando-se também
sobre a VALIDADE DOS ATOS do juízo incompetente.
Parágrafo único. Os autos do processo em que se manifestou o conflito serão remetidos ao juiz declarado
45
competente.
 Art. 958. No conflito que envolva órgãos fracionários dos tribunais, desembargadores e juízes em exercício no
tribunal, observar-se-á o que dispuser o regimento interno do tribunal.
 Art. 959. O regimento interno do tribunal regulará o processo e o julgamento do conflito de atribuições entre
autoridade judiciária e autoridade administrativa.
2.15. COOPERAÇÃO NACIONAL
2.15.1. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO NACIONAL
Conforme o Art. 67, CPC:
Art. 67. Aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas as instâncias e
graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever de recíproca cooperação, por meio de
seus magistrados e servidores.
Art. 68. Os juízos poderão formular entre si pedido de cooperação para prática de qualquer ato processual.
Observa-se que a intenção do legislador é fazer com que os membros do judiciário compreendam o
poder como uno, e assim poder estabelecerrelações entre os próprios membros.
A cooperação judiciária pode ser estabelecida a partir de uma SOLICITAÇÃO (a exemplo de uma carta
precatória), de uma DELEGAÇÃO (a exemplo de uma carta de ordem) ou de um CONCERTO. Este último tem
por objetivo a disciplina de uma série de atos indeterminados, regulando uma relação permanente entre os
juízos cooperantes. Eles funcionam como um regramento geral, consensual e anterior à prática dos atos de
cooperação.
2.15.2. COMPARTILHAMENTO DE COMPETÊNCIAS
Vejamos o Art. 69:
46
Art. 69. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, PRESCINDE DE FORMA
ESPECÍFICA e pode ser executado como:
I - auxílio direto;
II - reunião ou apensamento de processos;
III - prestação de informações;
IV - ATOS CONCERTADOS ENTRE OS JUÍZES COOPERANTES.
§ 1º As cartas de ordem, precatória e arbitral seguirão o regime previsto neste Código.
§ 2º Os ATOS CONCERTADOS entre os juízes cooperantes poderão consistir, ALÉM DE OUTROS, no
estabelecimento de procedimento para:
I - a prática de citação, intimação ou notificação de ato;
II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos;
III - a efetivação de tutela provisória;
IV - a efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas;
V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial;
VI - a centralização de processos repetitivos;
VII - a execução de decisão jurisdicional.
§ 3º O pedido de cooperação judiciária pode ser realizado entre órgãos jurisdicionais de diferentes ramos do
Poder Judiciário.
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, no concurso para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-MG (Ano: 2022, FGV) foi considerada
correta a seguinte assertiva: Em relação à cooperação nacional, permite a centralização de processos
repetitivos.
No concurso para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-PR (Ano: 2021, FGV) foi considerada correta a
seguinte assertiva: Sobre a cooperação nacional e internacional, os atos concertados entre os juízes
cooperantes poderão consistir no estabelecimento de procedimento para a efetivação de medidas e
providências para recuperação e preservação de empresas;
3. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios não tem competência para processar e julgar
mandado de segurança impetrado contra ato do Controlador-Geral do Distrito Federal. Compete ao TJDFT
julgar mandado de segurança contra atos dos Secretários de Governo do Distrito Federal e dos Territórios.
Ocorre que o Controlador-Geral do Distrito Federal não é considerado Secretário de Governo, para fins de
competência do TJDFT. STJ. 2ª Turma. RMS 57943-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 08/03/2022 (Info
47
728) .41
Compete à Primeira Seção do STJ o julgamento de ação regressiva por sub-rogação da seguradora nos
direitos do segurado movida por aquela contra concessionária de rodovia estadual, em razão de
acidente de trânsito. Caso concreto: Sul América Seguros ajuizou ação contra a concessionária de rodovias
pedindo o ressarcimento do valor por ela despendido no conserto do veículo segurado, em razão de acidente
ocorrido por suposta falha na prestação de serviço da ré. O recurso interposto no STJ envolvendo esse
processo deverá ser julgado por uma das Turmas que compõe a 1ª Seção e que tratam sobre direito público.
STJ. Corte Especial. CC 181628-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/11/2021 (Info 718) .42
É ilegal e inaplicável Resolução do Tribunal de Justiça que atribui competência exclusiva para as ações
propostas contra a Fazenda Pública em desconformidade com as regras processuais previstas na
legislação federal.
Tese A) Prevalecem sobre quaisquer outras normas locais, primárias ou secundárias, legislativas ou
administrativas, as seguintes competências de foro:
i) em regra, do local do dano, para ação civil pública (art. 2º da Lei nº 7.347/85);
ii) ressalvada a competência da Justiça Federal, em ações coletivas, do local onde ocorreu ou deva ocorrer o
dano de impacto restrito, ou da capital do estado, se os danos forem regionais ou nacionais, submetendo-se
ainda os casos à regra geral do CPC, em havendo competência concorrente (art. 93, I e II, do CDC).
Tese B) São absolutas as competências:
i) da Vara da Infância e da Juventude do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou a omissão, para as
causas individuais ou coletivas arroladas no ECA, inclusive sobre educação e saúde, ressalvadas a competência
da Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores (arts. 148, IV, e 209 da Lei nº 8.069/90 e
Tese nº 1.058/STJ);
ii) do local de domicílio do idoso nas causas individuais ou coletivas versando sobre serviços de saúde,
assistência social ou atendimento especializado ao idoso portador de deficiência, limitação incapacitante ou
doença infectocontagiosa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária dos
tribunais superiores (arts. 79 e 80 da Lei nº 10.741/2003 e 53, III, e, do CPC/2015);
iii) do Juizado Especial da Fazenda Pública, nos foros em que tenha sido instalado, para as causas da sua
alçada e matéria (art. 2º, § 4º, da Lei nº 12.153/2009);
iv) nas hipóteses do item (iii), faculta-se ao autor optar livremente pelo manejo de seu pleito contra o estado
no foro de seu domicílio, no do fato ou ato ensejador da demanda, no de situação da coisa litigiosa ou, ainda,
na capital do estado, observada a competência absoluta do Juizado, se existente no local de opção (art. 52,
parágrafo único, do CPC/2015, c/c o art. 2º, § 4º, da Lei nº 12.153/2009).
Tese C) A instalação de vara especializada não altera a competência prevista em lei ou na Constituição Federal,
nos termos da Súmula n. 206/STJ (“A existência de vara privativa, instituída por lei estadual, não altera a
competência territorial resultante das leis de processo.”). A previsão se estende às competências definidas no
presente IAC n. 10/STJ.
Tese D) A Resolução n. 9/2019/TJMT é ilegal e inaplicável quanto à criação de competência exclusiva em
comarca eleita em desconformidade com as regras processuais, especificamente quando determina a
redistribuição desses feitos, se ajuizados em comarcas diversas da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública da
42 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Primeira Seção do STJ julgar recurso envolvendo ação regressiva proposta pela seguradora contra a
concessionária por danos causados no veículo segurado. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
41 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A competência para julgar mandado de segurança contra ato do ato do Controlador-Geral do Distrito Federal é do
juízo de 1ª instância (Vara da Fazenda Pública). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
48
Comarca de Várzea Grande/MT. Em consequência:
i) fica vedada a redistribuição à 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública da Comarca de Várzea Grande/MT
dos feitos propostos ou em tramitação em comarcas diversas ou em juizados especiais da referida comarca ou
de outra comarca, cujo fundamento, expresso ou implícito, seja a Resolução n. 9/2019/TJMT ou normativo
similar;
ii) os feitos já redistribuídos à 1ª Vara Especializada de Várzea Grande/MT com fundamento nessa norma
deverão ser devolvidos aos juízos de origem, salvo se as partes, previamente intimadas, concordarem
expressamente em manter o processamento do feito no referido foro;
iii) no que tange aos processos já ajuizados - ou que venham a ser ajuizados - pelas partes originariamente na
1ª Vara Especializada da Fazenda Pública da Comarca de Várzea Grande/MT, poderão prosseguir normalmente
no referido juízo;
iv) não se aplicam as previsões dos itens (ii) e (iii) aos feitos de competência absoluta, ou seja: decompetência
dos Juizados Especiais da Fazenda, das Varas da Infância e da Juventude ou do domicílio do idoso, nos termos
da Tese B deste IAC n. 10/STJ.
STJ. 1ª Seção. REsp 1896379-MT, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 21/10/2021 (Tema IAC 10) (Info 718) .43
Se uma ação contra o INSS estava tramitando na justiça estadual por força da competência federal
delegada (art. 109, § 3º, da CF) as alterações promovidas pela Lei 13.876/2019 não irão influenciar neste
processo.
Os efeitos da Lei nº 13.876/2019 na modificação de competência para o processamento e julgamento dos
processos que tramitam na Justiça Estadual no exercício da competência federal delegada insculpido no art.
109, § 3º, da Constituição Federal, após as alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 103/2019,
aplicar-se-ão aos feitos ajuizados após 1º de janeiro de 2020. As ações, em fase de conhecimento ou de
execução, ajuizadas antes de 01/01/2020, continuarão a ser processadas e julgadas no juízo estadual, nos
termos em que previsto pelo § 3º do art. 109 da Constituição Federal, pelo inciso III do art. 15 da Lei nº
5.010/65, em sua redação original. STJ. 1ª Seção. CC 170051-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
21/10/2021 (IAC 6) (Info 716) .44
Compete ao Tribunal Regional Federal processar ação rescisória proposta pela União com o objetivo de
desconstituir sentença transitada em julgado proferida por juiz estadual, quando afeta interesses de
órgão federal. STF. Plenário. RE 598650/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 8/10/2021 (Repercussão Geral – Tema 775) (Info 1033) .45
As varas especializadas em matéria agrária (art. 126 da CF/88) não possuem, necessariamente,
competência restrita apenas à matéria de sua especialização. Não ofende a CF a legislação estadual que
atribui competência aos juízes agrários, ambientais e minerários para a apreciação de causas penais, cujos
delitos tenham sido cometidos em razão de motivação predominantemente agrária, minerária, fundiária e
ambiental. É inconstitucional dispositivo de lei estadual que atribui competência a juízes estaduais para julgar
matérias de competência da justiça federal. STF. Plenário. ADI 3433/PA, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
45 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Justiça Federal processar e julgar ações rescisórias movidas por ente federal contra acórdão ou
sentença da Justiça estadual. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
44 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Se uma ação contra o INSS estava tramitando na justiça estadual por força da competência federal delegada (art.
109, § 3º, da CF) as alterações promovidas pela Lei 13.876/2019 não irão influenciar neste processo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
43 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É ilegal e inaplicável Resolução do Tribunal de Justiça que atribui competência exclusiva para as ações propostas
contra a Fazenda Pública em desconformidade com as regras processuais previstas na legislação federal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível
em: . Acesso em: 19/05/2022
49
1/10/2021 (Info 1032) .46
Compete à Justiça Federal julgar ação que tem como objetivo a obtenção de oxigênio destinado às
unidades de saúde estaduais do Amazonas para o tratamento da Covid-19.
Em janeiro de 2021, durante a “segunda onda” da Covid-19, milhares de pessoas foram internadas nas
unidades hospitalares do Estado do Amazonas. Houve um aumento tão grande do consumo de oxigênio que a
empresa que o fornece no Estado (White Martins) não mais conseguiu atender toda a demanda. Em resumo,
faltou oxigênio para as pessoas internadas. Diante disso, começaram a ser propostas várias ações judiciais
contra a White Martins exigindo que ela fornecesse oxigênio para os hospitais públicos e privados. Essas ações
foram propostas em diversos juízos diferentes, com algumas determinações conflitantes. Havia decisões
diferentes dos seguintes juízos: 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, 1ª Vara de Iranduba (AM), 5ª,
6ª, 11ª e 15ª Varas Cíveis de Manaus (AM), 3ª Vara da Fazenda Pública de Manaus (AM). Um dos processos
envolvidos é uma ação civil pública proposta pelo MPF e DPU contra a União justamente para obrigar o ente
federal a garantir o fornecimento de oxigênio. O STJ, ao resolver conflito positivo de competência, declarou o
juízo da 1ª Vara Federal de Manaus como sendo o competente para reunir e julgar todas as ações envolvendo
o tema. STJ. 1ª Seção. CC 177113-AM, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 25/08/2021 (Info 706) .47
Compete à Primeira Seção do STJ julgar Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF, em face da UNIMED, a fim
de anular cláusula indutora de exclusividade de prestação de serviços médicos, constante do Estatuto Social
da Cooperativa Médica operadora de Plano de Saúde, segundo a qual podem ser penalizados ou premiados os
médicos cooperados que adiram, ou não, à referida cláusula. STJ. Corte Especial. CC 180127-DF, Rel. Min. Raul
Araújo, julgado em 18/08/2021 (Info 706) .48
Compete à Justiça Federal processar e julgar feitos em que se discuta controvérsia relativa à expedição
de diploma de conclusão de curso superior realizado em instituição privada de ensino que integre o
Sistema Federal de Ensino, mesmo que a pretensão se limite ao pagamento de indenização. STF. Plenário. RE
1304964/SP, Rel. Min. Presidente Luiz Fux, julgado em 25/06/2021 (Repercussão Geral – Tema 1154) .49
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública fundamentada na não concessão
pela União de Selo de Responsabilidade Social à empresa pela falta de verificação adequada do
cumprimento de normas que regem as condições de trabalho. STJ. 1ª Seção. AgInt no CC 155994/SP, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 12/05/2021 (Info 696) .50
Compete à Justiça estadual julgar insolvência civil mesmo que envolva a participação da União, de
entidade autárquica ou empresa pública federal.
50 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Justiça do Trabalho julgar ACP que pede a cassação de Selo de Responsabilidade Social concedida a
empresa em razão de descumprimento das normas trabalhistas. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
49 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A Justiça Federal é competente para processar e julgar ação sobre a expedição de diploma de conclusão de curso
superior, ainda que se limite ao pagamento de indenização. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
48 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Primeira Seção do STJ julgar ACP que discute a validade de cláusula de exclusividade existente no
contrato firmado entre os médicos e a operadora de plano de saúde, sob o argumento de que configuraria conduta anticoncorrencial. Buscador Dizer o
Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso
em: 19/05/2022
47 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Justiça Federal julgar ação que tem como objetivo a obtenção de oxigênio destinado às unidades de
saúde estaduais do Amazonas para o tratamento da Covid-19. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
46 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As varas especializadas em matéria agrária previstas no art. 126 da CF/88 podem julgar outras matériascorrelacionadas (exs: ambientais e minerárias), além de processos criminais que tenham motivação agrária, não podendo, contudo, julgar matérias
federais. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
50
A insolvência civil está entre as exceções da parte final do artigo 109, I, da Constituição da República, para fins
de definição da competência da Justiça Federal. STF. Plenário. RE 678162/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, redator
do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 26/3/2021 (Repercussão Geral – Tema 859) (Info 1011) .51
A Súmula 222 do STJ prevê o seguinte: Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à
contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT.
O STJ, depois do que o STF decidiu no RE 1089282/AM (Tema 994), teve que conferir nova interpretação a esse
enunciado. O que prevalece atualmente é o seguinte:
a) Compete à Justiça Comum julgar as ações em que se discute a contribuição sindical de servidor público
estatutário.
b) Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações em que se discute a contribuição sindical de empregado
celetista (seja ele servidor público ou trabalhador da iniciativa privada). STJ. 1ª Seção. CC 147784/PR, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 24/03/2021 (Info 690) .52
🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Estado do Amazonas (Ano: 2022; FCC) foi considerada correta a seguinte
assertiva (adaptada): À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, compete
à Justiça Estadual processar e julgar as ações de insolvência civil, proposta pela União, na qualidade de
credora.
Compete à Primeira Seção do STJ (e não à Terceira Seção) julgar interdição de estabelecimentos
prisionais. A competência dos juízes da execução penal para a fiscalização e interdição dos estabelecimentos
prisionais tem natureza administrativa. Logo, a competência para apreciar o recurso é da Primeira Seção do
STJ, que julga os feitos relativos a direito público em geral. STJ. Corte Especial. CC 170111/DF, Rel. Min.
Francisco Falcão, julgado em 17/03/2021 (Info 689) .53
A Justiça Comum é competente para julgar ação ajuizada por servidor celetista contra o Poder Público,
em que se pleiteia parcela de natureza administrativa, modulando-se os efeitos da decisão para
manter na Justiça do Trabalho, até o trânsito em julgado e correspondente execução, os processos em
que houver sido proferida sentença de mérito até a data de publicação da presente ata de julgamento.
STF. Plenário. RE 1.288.440/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/7/2023 (Repercussão Geral – Tema
1143) (Info 1102).54
54 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Justiça Comum o julgamento de ação na qual servidor celetista demanda parcela de natureza
administrativa contra o Poder Público. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 27/12/2023
53 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Primeira Seção do STJ julgar interdição de estabelecimentos prisionais. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em: . Acesso em:
19/05/2022
52 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A Súmula 222 do STJ abarca apenas situações em que a contribuição sindical diz respeito a servidores estatutários,
mantendo-se a competência da Justiça do Trabalho para julgar as ações relativas à contribuição sindical referentes a celetistas (servidores públicos ou
não). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
51 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete à Justiça estadual julgar insolvência civil mesmo que envolva a participação da União, de entidade
autárquica ou empresa pública federal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 19/05/2022
51
A competência para julgamento de ação de indenização por danos morais, decorrente de ofensas proferidas
em rede social, é do foro do domicílio da vítima, em razão da ampla divulgação do ato ilícito.
STJ. 4ª Turma.REsp 2.032.427-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 27/4/2023 (Info 774).55
Cabe à Justiça comum estadual e/ou distrital processar e julgar as demandas oriundas de ações de
repactuação de dívidas decorrentes de superendividamento, ainda que exista interesse de ente federal.
STJ. 2ª Seção.CC 193.066-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 22/3/2023 (Info 768).56
Cabe à autoridade judiciária brasileira processar e julgar a ação de rescisão contratual em que os autores
pactuaram contrato de adesão de prestação de serviços hoteleiros - sendo os aderentes consumidores finais -
com sociedade empresária domiciliada em território estrangeiro e os autores domiciliados no Brasil.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.797.109-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/3/2023 (Info 769).57
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar reclamação trabalhista ajuizada por servidor
admitido sem concurso público e sob o regime celetista antes da CF/88, mesmo que haja cumulação de
pedidos referente ao período trabalhado sob o regime de contratação temporária.
STJ. 1ª Seção. CC 188.950-TO, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 14/09/2022 (Info 749).58
Se, na mesma decisão, é reconhecida a ilegitimidade passiva de autarquia federal e, em razão disso, é
determinada a remessa do processo para a Justiça Estadual, a competência para processar o cumprimento
quanto aos honorários sucumbenciais nela fixados é da Justiça Federal.
STJ. 2ª Seção.CC 175.883-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 24/08/2022 (Info 747).
58 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Servidor celetista admitido antes da CF/88, sem concurso público, pede verbas trabalhistas e a nulidade de
contrato temporária: a competência é da Justiça do Trabalho. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 27/12/2023
57 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Cabe à Justiça brasileira julgar ação de rescisão em que os autores pactuaram contrato de adesão de prestação de
serviços hoteleiros - sendo os aderentes consumidores finais - com empresa domiciliada no exterior e os autores domiciliados no Brasil. Buscador Dizer
o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em:
27/12/2023
56 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O processo de repactuação de dívidas do superendividado (art. 104-A do CDC) é de competência da Justiça
Estadual mesmo que também envolva a Caixa Econômica Federal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 27/12/2023
55 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A competência para julgamento de ação de indenização por danos morais, decorrente de ofensas proferidas em
rede social, é do foro do domicílio da vítima, em razão da ampla divulgação do ato ilícito. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
. Acesso em: 27/12/2023das partes.
quando for parte no processo ele próprio, seu
cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo
ou afim, em linha reta ou colateral, até terceiro grau,
inclusive;
⚠ ATENÇÃO
Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro
íntimo, sem necessidade de declarar suas razões.
quando for sócio ou membro de direção ou de
administração de pessoa jurídica parte no processo;
quando for herdeiro presuntivo, donatário ou
empregador de qualquer das partes;
-
em que figure como parte instituição de ensino com
a qual tenha relação de emprego ou decorrente de
contrato de prestação de serviços;
-
em que figure como parte cliente do escritório de
advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado
por advogado de outro escritório;
6 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
6
-
quando promover ação contra a parte ou seu
advogado.
Para o cumprimento da imparcialidade, o sistema confere 3 mecanismos para que o exercício desse
dever se dê de forma adequada, conforme dispõe Renato Montans de Sá :7
1. IMPERATIVIDADE: as decisões judiciais, conforme asseverado, devem ser respeitadas e cumpridas
pelos sujeitos do processo e a quem alcançar o comando decisório;
2. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS AO MAGISTRADO: a CF garante ao magistrado as garantias da
inamovibilidade, irredutibilidade de subsídio e vitaliciedade (art. 95). Essas garantias reafirmam sua
independência funcional, permitindo que sua função possa ser exercida sem intervenção externa;
3. RESPONSABILIDADE: o magistrado deve agir de maneira a não exacerbar o poder a si conferido, pois,
ao extrapolar na sua atuação judicante, pode responder pelo ato praticado.
1.1.3. SUBSTITUTIVIDADE8
Consiste na circunstância de o Estado, ao apreciar o pedido, substituir a vontade das partes, aplicando
ao caso concreto a “vontade” da norma jurídica. Em suma, o poder judiciário ao compor o litígio substitui a
vontade das partes.
⚠ ATENÇÃO
Na jurisdição voluntária não há substituição da vontade. Nela não há conflito
1.1.4. DEFINITIVIDADE
A definitividade, também denominada imutabilidade, é uma importante característica da jurisdição.
Para Renato Montans de Sá , “Uma vez prestada a atividade jurisdicional e substituída a vontade dos agentes,9
imposta a solução no caso concreto, como consequência de sua força, suas decisões tendem a se tornar
imutáveis no sentido de que ela seja impedida de discutir novamente aquilo que foi julgado. Trata-se do
efeito da coisa julgada material”. Assim, veja o que diz o CPC:
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal
expressamente decidida.
Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros.
A declaração do juiz é dotada de definitividade, ou seja, é apta a formar coisa julgada, contudo, para
que alcance a imutabilidade, deve preencher 4 requisitos :10
10 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
9 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
8 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
7 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
7
1. Que a decisão seja de cunho jurisdicional (não se podendo falar em imutabilidade no tocante às
decisões administrativas, v.g.);
2. Que essa decisão verse sobre o mérito da causa (as questões processuais alheias ao mérito não fazem
coisa julgada);
3. Que tenha sido proferida em cognição exauriente (decisões proferidas em análise sumária/rarefeita
não geram imutabilidade);
4. Que tenha havido o trânsito em julgado (exaurimento das vias recursais).
1.1.5. UNICIDADE E INDIVISIBILIDADE
A jurisdição é una e indivisível. Só há uma função jurisdicional, pois, se falássemos em várias
jurisdições, afirmaríamos a existência de várias soberanias e, pois, de vários Estados. No entanto, nada impede
que esse poder, que é uno, seja repartido, fracionado, em diversos órgãos, que recebem cada qual suas
competências .11
⚠ ATENÇÃO
O poder estatal é UNO e indivisível. Divisíveis são as COMPETÊNCIAS.
1.2. PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO
1.2.1. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO
Consagrada em sede constitucional, o princípio dispõe que ninguém (nem mesmo a lei) excluirá da
apreciação do poder judiciário, lesão ou ameaça a direito. Conforme Art. 5º, XXXV da CF:
Art. 5º, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
⚠ ATENÇÃO
A questão do acesso ao judiciário (interesse de agir) tem sido muito discutida hoje em dia. Ocorre que
há leis que ainda exigem a provocação da via administrativa antes da provocação do Poder Judiciário, a
exemplo:
▸ art. 8º, parágrafo único, Lei nº. 9.507/97 (Habeas Data);
▸ art. 5º, I, Lei nº. 12.016/2009 (MS);
▸ art. 7º, § 1º, da Lei Federal n. 11.417/2006 (uso da reclamação por descumprimento de súmula
vinculante).
1.2.2. INDELEGABILIDADE
De acordo com os ensinamentos de Renato Montans de Sá, “Tal característica deve ser entendida no
sentido de que os órgãos que podem exercer a função jurisdicional são única e exclusivamente aqueles que
a Constituição Federal cria e autoriza. É vedado que haja alguma forma de delegação para outros órgãos não
11 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
8
autorizados. A indelegabilidade é uma decorrência da territorialidade e do juiz natural.
Portanto, a atividade jurisdicional não é passível de delegação, mas, atenção, pois há mitigação a essa
regra, principalmente no que tange à cooperação judiciária. Art. 236, §1º e 237, I, CF:
Art. 236. Os atos processuais serão cumpridos por ordem judicial.
§ 1º Será expedida carta para a prática de atos fora dos limites territoriais do tribunal, da comarca, da seção
ou da subseção judiciárias, ressalvadas as hipóteses previstas em lei.
Art. 237. Será expedida carta:
I - de ordem, pelo tribunal, na hipótese do § 2º do art. 236.
1.2.3. INDECLINABILIDADE
O juiz não pode deixar de julgar porque há lacuna ou obscuridade no ordenamento jurídico. Aqui
temos a VEDAÇÃO AO NON LIQUET. Dessa forma, a CF garante o acesso ao Poder Judiciário a todos que
tiverem seu direito violado ou ameaçado, não sendo possível o Estado-Juiz eximir-se de prover tutela
jurisdicional àqueles que o procurem para pedir uma solução baseada em uma pretensão amparada pelo
direito .12
O princípio da indeclinabilidade está previsto no art. 140 do CPC:
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
1.2.4. TERRITORIALIDADE13
A jurisdição pressupõe um território em que possa ser exercida. Assim, a jurisdição não pode ser
exercida fora do território ao qual é adstrito o juiz. Fora de sua circunscrição territorial, o juiz não exerce a sua
jurisdição, sendo ele simples cidadão particular.
⚠ ATENÇÃO
Não se pode confundir a territorialidade, instituto ligado ao estudo da competência, com a autoridade
e os efeitos da decisão proferida por um dado juiz.
Exemplo: A autoridade de uma decisão judicial de um juiz de Guaxupé-MG projeta seus efeitos para
todo território nacional (observando evidentemente os limites objetivos e subjetivos da coisa julgada).
1.2.5. JUIZ NATURAL
É aquele que garante um direito fundamental de ser processado e julgado por um juiz competente. É
o juiz competente (aspecto formal e objetivo) e o juiz imparcial (aspecto material e subjetivo); é preciso que ela
seja ao mesmo tempo competente e imparcial. Imparcialidade é aspecto subjetivo do juiz natural e a
competência é aspecto objetivo. A Imparcialidade possui um aspecto material e a competência possui um
13 SÁ, Renato Montans de. Manual de DireitoProcessual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
12 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
9
formal.
O juiz que resolverá a lide, deve ser o legalmente investido em sua função por critérios estabelecidos
de forma prévia e que seja equidistante às partes. Juiz posterior ao fato não é juiz imparcial e sim criado para
aquele determinado problema específico. O juiz deve ter sua competência determinada previamente e
abstratamente. A distribuição é uma forma de garantir o juiz natural.
O juiz age de acordo com a competência atribuída pelo legislador. A garantia do juiz natural proíbe o
juiz ex post facto, ou seja, juiz constituído depois do fato. Juiz designado a partir do fato. Criar um juiz após o
fato é criar um tribunal exceção que nada mais é do que um tribunal que julga determinado caso; é um tribunal
extraordinário.
Tribunal de exceção é órgão jurisdicional criado extraordinariamente para julgar determinada causa
ou determinado conflito. É um juízo extraordinário. Exemplo: Tribunal de Nuremberg.
Para garantir a imparcialidade, existem vários instrumentos, como alegação de impedimento e
suspeição de um juiz, porém, existe forma mais sutil como as garantias da magistratura (inamovibilidade,
irredutibilidade) que visam a dar condições de independência e imparcialidade ao julgamento das causas. São
instrumentos para a concretização do juiz natural.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Promotor de Justiça do Estado de Roraima (Ano: 2023; AOCP) foi considerada correta a
seguinte assertiva: O princípio do juiz natural garante que a fixação do órgão jurisdicional competente para o
julgamento de determinada demanda se dê a partir de regras objetivas previamente estabelecidas.
1.3. ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO
A jurisdição, embora indivisível, é classificada, quanto ao seu objeto, como penal e civil. Dentre os
órgãos do Poder Judiciário, apenas a Justiça do Trabalho não tem competência criminal. Por sua vez, a Justiça
Militar não exerce a competência civil .14
Classifica-se também a jurisdição em contenciosa e voluntária ou graciosa. Nesta última, costuma-se
dizer que o Estado realiza verdadeira “administração pública de interesses privados”, por ser necessária a sua
participação para dar validade a alguns atos da vida civil, como os de separação e divórcio consensual, por
exemplo. A jurisdição contenciosa, por sua vez, destina-se à solução dos conflitos de interesses (lides).
Comparativamente, podem ser traçadas as seguintes características mais marcantes :15
JURISDIÇÃO CONTENCIOSA JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA
Tem como pressuposto a resolução da lide. Não há lide prioritariamente na sua atividade.
As pessoas são denominadas partes. As pessoas são denominadas interessados.
A sentença pode ser de qualquer natureza Sentença é sempre homologatória.
15 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
14 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
10
(declaratória, constitutiva, condenatória e até mesmo
executiva ou mandamental, para quem defende a
classificação quinária das decisões).
Faz coisa julgada. Faz coisa julgada.
Caberá ação rescisória. Caberá ação rescisória ou ação anulatória.
A atividade desenvolvida é substitutiva. A atividade desenvolvida é integrativa.
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Analista Judiciário - Área Judiciária do TRT 8ª Região (Ano: 2022; CEBRASPE) foi considerada
correta a seguinte assertiva: Em determinados procedimentos de jurisdição voluntária, o magistrado está
autorizado a realizar atos de natureza executória, como ocorre, por exemplo, nos ritos especiais previstos para
alienação de coisas e arrecadação dos bens dos ausentes.
No concurso para Defensor Público do Estado de Rondônia (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a
seguinte assertiva: Nos procedimentos de jurisdição voluntária ou graciosa, também conhecidos como
administração judicial de interesses privados, não há lide.
Levando-se em consideração as regras de competência, a jurisdição pode ser ainda chamada de
especial e comum. Quando não houver competência específica de algum órgão do Poder Judiciário para o
julgamento de determinada questão, será ela apreciada pelos órgãos que exercem jurisdição comum, tanto da
Justiça Federal como da Justiça Estadual .16
JURISDIÇÃO ESPECIAL JURISDIÇÃO COMUM
■ Trabalhista
■ Penal militar
■ Eleitoral
■ Estadual
■ Federal
1.4. LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL
A competência da justiça brasileira pode ser classificada em:
1.4.1. CONCORRENTE
A jurisdição concorrente está prevista no art. 21 e 22 do CPC:
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
16 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
11
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
II - no Brasil TIVER DE SER CUMPRIDA A OBRIGAÇÃO;
III - o fundamento seja FATO OCORRIDO OU ATO PRATICADO no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica
estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I - de ALIMENTOS, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou
obtenção de benefícios econômicos;
II - Decorrentes de RELAÇÕES DE CONSUMO, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.
Perceba que na jurisdição concorrente é possível o processamento tanto aqui no Brasil como no
estrangeiro. Sendo processado no estrangeiro, poderá ser homologado aqui no Brasil pelo STJ, se tornando
título executivo judicial, e poderá ser executado aqui no Brasil.
Todavia, há casos em que a Lei não aceita efeitos de decisões proferidas no estrangeiro, pois compete
somente à autoridade judiciária brasileira. É o que tratamos a seguir.
1.4.2. EXCLUSIVA
Segundo o art. 23 do CPC:
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - Conhecer de ações relativas a IMÓVEIS SITUADOS NO BRASIL;
II - Em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao INVENTÁRIO
E À PARTILHA DE BENS SITUADOS NO BRASIL, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III - Em DIVÓRCIO, SEPARAÇÃO JUDICIAL OU DISSOLUÇÃO de união estável, proceder à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional.
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de Rio Branco - AC (Ano: 2023; IBADE) foi considerada correta a
seguinte assertiva: Compete à autoridade judiciária brasileira, em matéria de sucessão hereditária, proceder à
confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor
da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
⚠ ATENÇÃO
A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta que a autoridade
judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em
12
contrário nos tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. É o que está previsto no art. 24,
CPC:
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro NÃO INDUZ LITISPENDÊNCIA e não obsta a que a
autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, RESSALVADAS AS
DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO DE TRATADOS INTERNACIONAIS E ACORDOS BILATERAIS em vigor no Brasil.
Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a homologação de
sentença judicial estrangeira quando exigidapara produzir efeitos no Brasil.
Regra de incompetência prevista no art. 25, CPC:
Art. 25. NÃO COMPETE à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação quando
houver CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO EXCLUSIVO ESTRANGEIRO em contrato internacional, arguida pelo
réu na contestação.
§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva previstas neste
Capítulo.
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º (CLÁUSULA DE ELEIÇÃO ABUSIVA).
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, para prova para o cargo de Titular de Serviços de Notas e de Registros - TJ-TO (Ano: 2022, IESES)
foi considerada correta a seguinte assertiva: Relativamente aos limites da jurisdição nacional, modernamente,
para o ordenamento jurídico nacional, a imunidade absoluta de jurisdição do Estado Estrangeiro só ocorre nos
atos de império. Nos atos de gestão pode haver submissão à jurisdição brasileira.
🚩 NÃO CONFUNDA: JURISDIÇÃO CONCORRENTE ≠ EXCLUSIVA17
JURISDIÇÃO CONCORRENTE JURISDIÇÃO EXCLUSIVA
O réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver
domiciliado no Brasil;
Conhecer de ações relativas a imóveis situados no
Brasil;
No Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; Em matéria de sucessão hereditária, proceder à
confirmação de testamento particular e ao
inventário e à partilha de bens situados no Brasil,
ainda que o autor da herança seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional;
O fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no
Brasil;
Em divórcio, separação judicial ou dissolução de
união estável, proceder à partilha de bens situados
no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade
17 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
13
estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional.
De alimentos quando:
a. O credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b. O réu mantiver vínculos no Brasil, tais como
posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de benefícios econômicos.
-
Decorrentes de relações de consumo, quando o
consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil;
-
Em que as partes, expressa ou tacitamente, as
submeterem à jurisdição nacional.
-
2. COMPETÊNCIA
2.1. CONCEITO
Para Sabrina Dourado , competência, “nada mais é do que a fixação das atribuições de cada um dos18
órgãos jurisdicionais, ou seja, a demarcação dos limites dentro dos quais podem eles exercer a jurisdição. Neste
sentido, “juiz competente” é aquele que, segundo limites fixados pelo ordenamento jurídico, tem o poder para
decidir certo e determinado litígio.”
Vale ressaltar, que a competência é o limite da jurisdição, pois delimita as hipóteses em que o
órgão jurisdicional pode julgar a lide .19
Competência, pode ser definida, ainda, como o critério de distribuir entre os vários órgãos judiciários
as atribuições relativas ao desempenho da jurisdição .20
Em outras palavras, é a quantidade de poder atribuída a um órgão. É a capacidade de dizer o direito,
definitivamente, ao caso concreto. É indisponível, pois só a lei pode outorgar, alterar e retirar a competência.
⚠ ATENÇÃO21
A competência sempre decorre de lei (princípio da tipicidade) e é indelegável e intransferível
(princípio da indisponibilidade). Dessa forma, a competência tem sua fonte na lei em diversos níveis
jurídico-positivos. Assim, a Constituição Federal disciplina a competência de jurisdição e a competência
hierárquica dos tribunais superiores.
A Constituição dispõe expressamente acerca da competência do Poder Judiciário, a exemplo da
21 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
20 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil - Vol. 1. São Paulo: Editora Forense. 2021
19 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
18 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
14
competência atribuída ao STF, ao STJ, à Justiça Militar, à Justiça Eleitoral, à Justiça Trabalhista e à Justiça Federal
Comum. Frise-se que a Justiça Estadual é residual em relação às anteriores e não possui competência
expressamente delimitada pela CF/88. Já em relação à competência decorrente de um negócio jurídico
processual, temos o foro de eleição.
2.2. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL
A competência internacional de autoridade judicial brasileira está prevista nos arts. 21 a 25 do CPC. Em
primeiro lugar, os arts. 21 e 22 do CPC trazem as hipóteses de competência internacional concorrente, são 6
hipóteses :22
1. Quando o réu, qualquer que seja sua nacionalidade, esteja domiciliado no Brasil. Esta regra vale tanto
para a pessoa natural como jurídica e mesmo para a pessoa jurídica que tiver agência, filial ou sucursal
no Brasil.
2. Quando no Brasil a obrigação deva ser satisfeita. Estabelecendo praça de pagamento (mesmo que
ambos os contratantes sejam estrangeiros).
3. Quando o ato ou fato ocorreu no Brasil. A reparação de dano por ato ilícito correrá na jurisdição
brasileira, ainda que cometida por estrangeiro.
4. Ações de alimentos, quando:
a. O credor tiver seu domicílio ou sua residência no Brasil;
b. O réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de benefícios econômicos.
5. Decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil.
6. Em que as partes, expressa ou tacitamente, submeterem-se à jurisdição nacional.
O art. 23, CPC, por sua vez, cita 3 hipóteses de competência exclusiva do Brasil.
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à
partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha
domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no
Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
📌 OBSERVAÇÃO
■ O Brasil não julga com exclusividade ações de direito real imobiliário. O Brasil julga ações de imóveis
situados no Brasil.
■ Se as duas ações (brasileira e estrangeira) estiverem tramitando paralelamente, valerá a sentença
que transitar em julgado primeiro.
22 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
15
■ No Brasil, a sentença estrangeira apenas transita em julgado quando é homologada pelo STJ, nos
termos do art. 105, I, “i”, CF.
2.3. COMPETÊNCIA INTERNA
2.3.1. CRITÉRIOS PARA FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA
1. Pessoal
2. Material (ratione materiae)
3. Funcional
4. Valor da causa
5. Territorial
2.3.2. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA PESSOA
A competência em razão da pessoa constitui um critério misto: é critério objetivo, pois diz respeito ao
objeto do processo, mas também subjetivo, pois versa sobre a pessoa que está em juízo. O CPC/15 não faz essa
previsão de maneira pormenorizada .23
2.3.3. COMPETÊNCIA MATERIAL
A competência material leva em conta a matéria que é formulada na causa de pedir e no pedido.
2 critérios levam à criação da competência pela matéria:
1. POPULACIONAL: na medida em que as cidades mais populosas tendem a ter varas especializadas para
dar vazão ao grande número de demandas.
2. PECULIARIDADES REGIONAIS: levam à criação de varas para atender específicas demandas como vara
do consumidor e direito agrário.
⚠ ATENÇÃO
As varas de competência material, segundo Renato Montans de Sá, são criadas pela organização
judiciária de cada Estado, pela Constituição Federal, sutilmente pelo Código de Processo Civil e demais leis
pertinentes. São os casos de:
a. Regramento das justiças especializadas: trabalho (art. 114, CF), militar (art.121, CF) e eleitoral (art. 124,
CF);
b. Regramento da competência de juízo: como as varas de família, criminal, falência, empresa,
consumidor, direito agrário entre outras estabelecidas à luz das necessidades regionais;
c. Regramento de alguns casos da justiça estadual como as hipóteses de falência, insolvência civil e
acidente de trabalho (art. 45, I, CPC).
23 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
16
2.3.4. COMPETÊNCIA FUNCIONAL
De acordo com Dinamarco , “a competência funcional é automática, pois nenhum outro elemento24
além do exercício da jurisdição por determinado órgão deve ser sopesado para o caso em espécie. Tomam-se
por critério de distribuição fatos endoprocessuais (internos), relacionados ao exercício das diversas atribuições
que são exigidas do magistrado durante toda marcha processual (que também pode ser em processos
distintos, como é o caso da conexão).”
A competência funcional pode ser vista em vários critérios :25
1. A COMPETÊNCIA VERTICAL (COMPETÊNCIA HIERÁRQUICA) – quando vários juízes de graus diferentes
atuam no processo. O recurso será endereçado para o tribunal funcionalmente competente
(competência recursal). Também nas hipóteses de competência originária do tribunal (competência
estabelecida pela Constituição).
2. A COMPETÊNCIA HORIZONTAL (POR FASES DO MESMO PROCESSO) – aqui os juízes estão no mesmo
grau (mesma hierarquia). Dessa forma existe uma vinculação do juiz, que atua em dada fase
procedimental, em atuar noutra fase. Assim, o juízo que proferiu sentença ilíquida será competente
para conduzir a liquidação de sentença (CPC/2015, art. 509).
3. A COMPETÊNCIA HORIZONTAL (POR FASES DE OUTRO PROCESSO) – aqui os juízes estão no mesmo
grau (mesma hierarquia), mas a vinculação funcional se dá em outro processo a ele conexo. Dessa
forma, o juízo dos embargos à execução será o mesmo da execução (CPC/2015, art. 914, § 1º); o juízo
dos embargos de terceiro será o mesmo da causa principal (CPC/2015, art. 676).
4. A COMPETÊNCIA FRAGMENTADA PARA JULGAMENTO (OBJETO DE JUÍZO) – por vezes o julgamento de
uma causa é conferido a diferentes órgãos que terão sua contribuição em momentos (etapas) distintos.
Assim ocorre na declaração de constitucionalidade (CPC/2015, art. 948) e assunção de competência
(CPC/2015, art. 947). Também nas hipóteses de crimes dolosos contra a vida. Ao juiz compete
pronunciar, impronunciar, absolver sumariamente o réu ou desqualificar o crime. Sendo pronunciado,
cabe ao Tribunal de Júri absolvê-lo ou condená-lo.
📌 OBSERVAÇÃO
Prescreve o art. 61 do CPC: “ A ação acessória será proposta no juízo competente para a ação principal”,
sobre o tema há decisão de informativo do STJ e, por ser informativo, a chance de cobrança em provas
aumenta, motivo pelo qual apresentamos:
Inicialmente, registra-se que, sob uma interpretação sistemática, havendo partilha posterior ao divórcio, surge
um critério de competência funcional do juízo que decretou a dissolução da sociedade conjugal, em razão da
acessoriedade entre as duas ações (art. 61 do CPC/2015). (STJ, Informativo 643, CC 160.329/2019).
2.3.5. COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AO VALOR DA CAUSA
A competência em razão do valor da causa será critério definidor de competência de alguns órgãos,
como por exemplo, o Juizado Especial Cível previsto na Lei 9.099/95.
25 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
24 DINAMARCO. Instituições de direito processual civil. 3º edição. São Paulo: Malheiros, 2003.
17
Conforme ensina Renato Montans de Sá , nosso sistema optou por um critério intermediário, do26
qual a competência pelo valor da causa ora é absoluta, ora é relativa. Assim, aquele que pode conhecer
quaisquer causas (= de qualquer valor) pode conhecer as de pequeno valor (mais para menos). Nesse caso a
competência seria relativa. Uma causa do então vigente rito sumário poderia correr sob o então vigente
procedimento ordinário. Com a abolição dessa distinção de procedimento, essa regra perdeu um pouco de sua
importância. Todavia, o juiz que está adstrito a somente causas de pequeno valor, não poderá conhecer as
causas que excedam o teto de sua esfera de competência (menos para mais).
No contexto apresentado pelo Professor Renato Montans de Sá há o seguinte enunciado:
Enunciado 1, FONAJE - O exercício do Direito de ação no Juizado Especial Cível é facultativo para o autor.
2.3.6. COMPETÊNCIA TERRITORIAL
A competência territorial é, em princípio, determinada pelo foro do domicílio do réu, para as ações
fundadas em direito pessoal e as ações fundadas em direito real sobre bens móveis (art. 46, CPC).
📌 OBSERVAÇÕES
■ Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
■ Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado
ou no foro de domicílio do autor.
■ Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio
do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
■ Havendo 2 ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor.
■ A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar
onde for encontrado.
2.4. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA E DERIVADA
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA COMPETÊNCIA DERIVADA
É a competência para conhecer e julgar a causa
originariamente pela primeira vez. No Brasil, a
competência originária costuma ser de juiz. O
tribunal até tem competência originária (exemplo:
mensalão que é de competência do STF).
É a competência para julgar a causa em grau de
recurso. A competência para julgar a causa em grau
de recurso, para nós, é do tribunal. Um juiz pode ter
esta competência, embora seja raro. Exemplo:
embargos de declaração contra decisão de juiz.
2.5. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA E INCOMPETÊNCIA RELATIVA
A incompetência é o defeito processual que, em regra, não leva à extinção do processo, mesmo se
26 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
18
tratando de incompetência absoluta.
2.5.1. ABSOLUTA
A incompetência quando absoluta pode ser alegada a qualquer tempo, por quaisquer das partes, em
sede de preliminar de contestação, ou por simples petição .27
📌 OBSERVAÇÕES
■ A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser
declarada de ofício.
■ Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência.
■ Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. A
incompetência é, portanto, matéria dilatória.
O art. 62 do CPC, traz, de forma expressa, as hipóteses de competência absoluta:
Art. 62. A competência determinada em razão da MATÉRIA, da PESSOA ou da FUNÇÃO é inderrogável por
convenção das partes.
2.5.2. RELATIVA
Se relativa, a incompetência, somente se acolher a incompetência, remeterá o juiz o processo para
juízo competente para apreciar a questão, que terá duas opções: recolher sua competência ou divergir,
declarando-se igualmente incompetente, sucitando o conflito de competência .28
De acordo com o art. 63 do CPC:
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do VALOR e do TERRITÓRIO, elegendo foro onde
será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
⚠ ATENÇÃO
Via de regra, as competências em razão do valor ou do território são relativas, contudo, comporta
exceções. O CPC traz hipóteses de competência ABSOLUTA mesmo em casos de competência territorial.
Vejamos, por exemplo o Art. 47, §2º:
Art. 47. § 2º A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem
competência absoluta.
Outro exemplo é o art. 2º da LACP (local do fato) e também no Art. 3º da Lei 10.259 (LJEF) até o valor de
60 salários compete ao juizado especial federal (absoluta). Da mesma forma o juizadoespecial da fazenda
28 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
27 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
19
pública. Nestes casos, temos competência em razão da matéria e distribuídas em justiças especializadas
(competência absoluta).
Como exemplo, imaginemos um processo de “A” contra um ente federal.Perceba, então que temos os
seguintes passos para a definição da competência:
a. Amatéria é da justiça comum e não da especializada;
b. A pessoa envolvida (ente federal);
c. Justiça federal de 1º grau (a função aqui é do primeiro grau de jurisdição).
2.5.3. ALEGAÇÃO E RECONHECIMENTO DA INCOMPETÊNCIA
Conforme os artigos 63 e 64 do Código de Processo Civil:
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será
proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a
determinado negócio jurídico.
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz,
que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de
preclusão.
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação.
§ 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser
declarada de ofício.
§ 2º Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência.
§ 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente.
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo
incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, para prova para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-PR (Ano: 2021, FGV) foi considerada
correta a seguinte assertiva: Sobre a modificação de competência, é correto afirmar que Em caso de
incompetência absoluta, se não houver decisão em sentido contrário, devem ser mantidos os efeitos da
decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo
competente;
INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA RELATIVA
▸ Interesse Público ▸ Interesse particular
▸ Direito indisponível ▸ Disponível
20
▸ Deve ser reconhecida de ofício ▸ Não pode ser reconhecida de ofício
Súmula 33 do STJ: A incompetência relativa não pode
ser declarada de ofício.
📌 EXCEÇÃO: Abusividade na cláusula de eleição
de foro. Pode o juiz declinar de sua competência (Art.
63, §3º e 4º e Art. 25,§2º).
📌 OBSERVAÇÃO
■ Não há necessidade de ser contrato de adesão ou
relação de consumo.
▸ Deve ser alegada em preliminar da contestação
(ou posteriormente por simples petição).
▸ Deve ser alegada, pelo réu, em preliminar da
contestação.
📌 OBSERVAÇÃO
■ No caso de execução e cumprimento, seguirá as
defesas cabíveis nesses procedimentos.
⚠ ATENÇÃO
Conforme o Art. 65, §único: A incompetência relativa
pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas
em que atuar.
▸ Vício não sujeito a preclusão, cabendo ação
rescisória (Art. 966, II).
⚠ ATENÇÃO
Necessário observar o prequestionamento de
matéria de ordem pública.
Malgrado o dispositivo (Art. 64, §1º) diga que possa
ser arguido a QUALQUER MOMENTO E GRAU DE
JURISDIÇÃO, deve-se lembrar que até mesmo as
matérias de ordem pública, conforme entendimento
majoritário, é necessário prequestionamento.
Assim, pode ser alegada a incompetência a
qualquer momento e grau de jurisdição
ORDINÁRIO. Em sede de RE e REsp, não se analisará
a incompetência que não tenha sido prequestionada.
▸ Vício sujeito a prorrogação (Art. 65)
▸ Reconhecida a incompetência, os autos serão
remetidos ao juízo competente.
▸ Reconhecida a incompetência, os autos serão
remetidos ao juízo competente.
▸ Salvo decisão em contrário, os atos continuam
produzindo efeitos (Art. 64, §4º).
▸ Salvo decisão em contrário, os atos continuam
produzindo efeitos (Art. 64, §4º).
21
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, para prova para o cargo de Titular de Serviços de Notas e de Registros - TJ-TO (Ano: 2022, IESES)
foi cobrada a seguinte questão, transcrita na íntegra:
A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. A respeito da
matéria, é correto afirmar, EXCETO:
a. Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente.
b. Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência.
c. Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo
incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
d. A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição, porém, não pode ser
declarada de ofício.
Na prova para o cargo de Técnico Judiciário - TJ-TO (Ano: 2022, FGV) foi considerada correta a seguinte
assertiva: No tocante ao vício da incompetência, no âmbito de processo em curso no juízo comum, é correto
afirmar que o Ministério Público, atuando em feito em que foi delineada causa de sua intervenção, pode arguir
a incompetência relativa.
📌 OBSERVAÇÃO
■ Assim, no caso de uma ação que deveria tramitar na justiça do Trabalho e é proposta na justiça
Estadual, deverá o juiz reconhecê-la de ofício, NÃO DEVENDO EXTINGUIR O FEITO, mas remeter os autos para
o que o magistrado entende ser competente.
O juiz, para reconhecer a incompetência absoluta, deve ouvir a parte ou pode, de plano, prolatar
decisão interlocutória e remeter os autos ao competente ou deve abrir prazo para manifestação da parte e só
depois proferir a interlocutória? Pelo que vimos nas normas fundamentais, o Art. 10 dispõe ser necessário
ouvir a parte. Assim, parece ser o ideal que o magistrado ouça a parte antes de decidir (lembre-se que nessa
análise ainda não há réu integrado ao processo). Atente-se que o reconhecimento de ofício não é o mesmo que
aplicação sem oitiva da parte.
Todavia, saiba que temos enunciado da ENFAM (que guia a maioria dos entendimentos dos juízes) bem
como decisões do STJ que entendem pela não necessidade da oitiva da parte.
A incompetência (absoluta ou relativa) não gera a extinção do processo. A incompetência gera
remessa dos autos a outro juízo competente. Essa remessa dos autos é chamada de translatio iudicii. Há duas
exceções a essa regra:
a. Nos juizados especiais a incompetência gera extinção;
b. Incompetência internacional.
Em outras palavras, O CPC de 2015, adotou a translatio iudicii no sentido de que, mesmo nos casos
de incompetência absoluta, a decisão pode ser preservada, a depender da compreensão do juízo afinal
reconhecido como competente a respeito dela, conforme os ensinamentos de Cássio Bueno .29
29 Bueno, Cássio S. Manual de Direito Processual Civil . Disponível em: Minha Biblioteca, (8ª edição). Editora Saraiva, 2022.
22
Foro de eleição (sempre renunciável em prol da regra do art. 46, CPC): O foro de eleição é possível
apenas na competência relativa.
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 1º Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§ 2º Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no
foro de domicílio do autor.
§ 3º Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do
autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
§ 4º Havendo 2 ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquerdeles, à
escolha do autor.
§ 5º A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for
encontrado.
O foro de eleição é um negócio jurídico pré-processual típico, pois ocorre antes do processo e tem
previsão legal expressa. Além disso, é um negócio jurídico bilateral, porque depende do pacto das partes. O
entendimento dominante é de que a regra do foro de eleição sempre será renunciável em prol da regra do art.
46, CPC (domicílio do réu), pois esta é mais favorável ao demandado.
O foro de eleição somente será obrigatório se o réu comprovar que sofrerá prejuízo ao ser processado
no seu foro de domicílio.
🚨 JÁ CAIU
Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça - MPE-SC (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi
considerada certa a assertiva que dizia:
Davi ajuizou ação fundada em direito pessoal sobre bem móvel em desfavor de Saulo e de Pedro.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item a seguir, em consonância com o disposto no Código de
Processo Civil.
A competência será o foro de domicílio de qualquer um dos réus, cabendo a escolha a Davi.
► REQUISITOS (art. 62 e 63, “caput” e §1º): • A competência deve ser relativa. • Sempre a regra do
foro de eleição deve ocorrer por escrito. • O foro de eleição deve fazer referência a negócio jurídico específico
(não pode ser genérico).
► SUCESSÃO (art. 63, §2º) O foro de sucessão obriga herdeiros e sucessores. Isso significa que, se,
eventualmente, a parte que combinou o foro de eleição morrer, os seus herdeiros e sucessores devem cumprir
o foro de eleição.
⚠ ATENÇÃO
O dispositivo não cita cônjuge e companheiro. O cônjuge, se não for sucessor, não é obrigado pelo foro
de eleição se ele não participou de sua subscrição.
23
CPC, art. 63, §2º. O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
► ABUSIVIDADE DO FORO DE ELEIÇÃO (art. 63, §§3º e 4º, CPC): Se o foro de eleição for considerado
abusivo, pode ser reconhecida a sua nulidade. Nesse caso, haverá o encaminhamento dos autos ao juiz
competente, conforme as regras do CPC.
📌 OBSERVAÇÕES
■ O juiz pode, de ofício, pronunciar o vício (ineficácia do foro de eleição) ATÉ O MOMENTO DA
CITAÇÃO.
■ Depois da citação do réu, somente poderá pronunciar o vício mediante a provocação da parte
(réu).
2.6. KOMPETENZ-KOMPETENZ
É o instituto pelo qual todo juiz tem competência para analisar sua própria competência, de forma
que nenhum juiz é totalmente incompetente, pois ao verificar sua incompetência - absoluta - tem competência
para reconhecê-la .30
Ou seja, trata-se da competência mínima do juiz incompetente para reconhecer, ao menos a sua
própria incompetência.
⚠ ATENÇÃO
Se um juiz decidir uma causa que não é de competência de sua justiça (juiz do trabalho julgando
uma causa militar, por exemplo), este juiz é incompetente ou é um não juiz? É uma decisão nula ou é uma
decisão proferida por um não juiz? Implica em invalidade da decisão. A sentença existe, mas o ato é nulo.
Portanto, trata-se de uma decisão proferida por um juiz incompetente. Em suma, a falta de competência
constitucional implica nulidade da decisão e não implica em inexistência da decisão. Mas para a professora Ada
Pellegrini é uma sentença inexistente, pois é uma decisão proferida sem o respeito das técnicas de
competência.
2.6.1. MOMENTO DE ALEGAÇÃO DA INCOMPETÊNCIA
De acordo com o art. 64 do CPC:
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação.
Perceba que depois do despacho (cite-se), haverá a audiência de autocomposição e posteriormente
(caso frustrada a autocomposição) começará o prazo para contestação. Assim, é na contestação, em
PRELIMINAR, que deve ser alegada a incompetência, no caso de uma ação de conhecimento.
30 https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/33652/o-que-se-entende-por-kompetenz-kompetenz
24
⚠ ATENÇÃO
No caso de uma ação de EXECUÇÃO, havendo uma incompetência, onde será arguida a
incompetência? Nesse caso, como não existe contestação, será arguida em EMBARGOS À EXECUÇÃO ou, no
caso de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA, na IMPUGNAÇÃO. Ou seja, o réu deve alegar a incompetência na
primeira oportunidade que tiver de falar nos autos.
Assim, conforme o Art. 525, §1º, VI e Art. 917, V do Código de Processo Civil:
Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15
(quinze) dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos
próprios autos, sua impugnação.
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:
VI - Incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução.
Art. 917. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar:
V - Incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução.
⚠ ATENÇÃO
No que tange à alegação, a contestação deve ser apresentada no juízo da causa ou no da citação?
O art. 340, CPC, apresenta a resposta:
Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação poderá ser
protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa,
preferencialmente por meio eletrônico.
§ 1º A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por meio de carta
precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa para o juízo da causa.
§ 2º Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for distribuída a contestação
ou a carta precatória será considerado prevento.
§ 3º Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa a realização da audiência de conciliação ou
de mediação, se tiver sido designada.
§ 4º Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a audiência de conciliação ou de
mediação.
📌 OBSERVAÇÃO
Perceba que nesta hipótese temos a apresentação da contestação ANTES DA AUDIÊNCIA DE
AUTOCOMPOSIÇÃO. Devemos lembrar do Art. 218, §4º do CPC que prevê que “Será considerado tempestivo o
ato praticado antes do termo inicial do prazo”.
Enunciado 124 do CJF: Não há preclusão consumativa do direito de apresentar contestação, se o réu se
manifesta, antes da data da audiência de conciliação ou de mediação, quanto à incompetência do juízo.
2.6.2. APROVEITAMENTO DOS ATOS
O CPC anterior dizia que todos os atos praticados por um juiz absolutamente incompetente eram
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523
25
nulos. No Art. 64, §4º do CPC dispõe o contrário:
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo
juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
Esse dispositivo traz mais sentido e racionalidade ao processo, dialogando com o Art. 8º do CPC
(eficiência).
2.6.3. PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA
A competência absoluta não pode ser prorrogada, mas quanto à competência relativa, vejamos o art.
65 do Código de Processo Civil:
Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de
contestação.
A prorrogação é da competência. Ou seja, o juiz relativamente incompetente torna-se competente pela
inércia daquele que tinha de alegar.
Espécies de modificação da competência relativa pelas partes:
a. TÁCITA – se o réu não opõe exceção de incompetência, a causa fica ali – o silêncio do réu, ao não se
opor à propositura equivocada da ação, modifica a competência (o juiz que era incompetente passa a
ser competente);
b. EXPRESSA – a modificação expressa da competência pelo foro de eleição ou foro contratual.
Em um negócio jurídico as partes escolhem o local (foro), de firma expressa, a comarca onde as causas
relativas àquele negócio devem ser ajuizadas. O foro de eleição é uma cláusula contratual escrita.
Regra diferenciada para os contratos de adesão: admite-se foro de eleição em contrato de adesão em
relação a consumo? Sim, pode haver cláusula de foro de eleição em contrato de adesão, mas pode configurarcláusula abusiva. Mas o foro de eleição abusiva em contrato de adesão é nula. Portanto, cláusula de foro de
eleição em contrato de consumo não pode ser abusiva para o consumidor. As cláusulas abusivas em contrato
de consumo podem ser invalidadas ex officio pelo juiz. Pode ser de ofício no início.
A jurisprudência do STJ entendeu que o juiz poderia anular cláusula abusiva de eleição de foro em
contrato de consumo e poderia remeter os autos ao juízo competente, ou seja, do domicílio do réu que é o
consumidor (apesar de ser competência relativa, o que não autorizaria o juiz a reconhecer de ofício e remeter
os autos). A eficácia da cláusula do foro de eleição é retirada pelo juiz porque o código permite. Se o juiz não
fizer, mandará citar o réu. Se o réu impugnar, o juiz decide. Se o réu não impugnar, precluiu e não discutirá
mais isso.
26
2.6.4. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS
Das decisões interlocutórias que são prolatadas sobre a incompetência, discute-se sobre a sua
recorribilidade.
No rol do Art. 1.015 do CPC não temos nenhum inciso claro sobre a recorribilidade por Agravo de
Instrumento. Uma parte da doutrina diz que o Inciso III do artigo (rejeição da alegação de convenção de
arbitragem) cabe interpretação extensiva para contemplar esses casos.
⚠ ATENÇÃO
Com a tese firmada pelo STJ no tema 988 (sobre a taxatividade mitigada), permite o Agravo de
Instrumento quando presente a urgência. vejamos a tese fixada:
O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo de instrumento
quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação.
2.6.5. PERPETUATIO JURISDICTIONIS
Conforme o art. 43 do CPC:
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição
inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas
posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.
Nos termos do Art. 319, inc. I, tem-se o endereçamento da petição inicial ao juízo. Havendo mais de
um magistrado competente, haverá DISTRIBUIÇÃO e havendo apenas uma vara com a competência,
estaremos diante de REGISTRO da petição. É no momento da distribuição / registro que temos a fixação da
competência, conforme o mencionado Art. 43.
O dispositivo menciona ainda que será irrelevante as modificações do estado de fato ou de direito
ocorridas posteriormente. Como exemplo, temos a mudança do domicílio do réu (mudança de circunstância
fática). Diante de tal cenário, não seria passível de nova distribuição para o outro local que agora reside o réu,
pois já se efetuou a “perpetuação da jurisdição”.
⚠ ATENÇÃO
Exceções à perpetuatio jurisdictionis:
a. Supressão do órgão jurisdicional;
b. Alteração da competência ABSOLUTA.
📌 OBSERVAÇÕES
■ São competências absolutas as competências em razão da matéria, pessoa e função e alguns casos
em razão do território.
27
■ Mesmo no caso de incompetência absoluta, a JURISPRUDÊNCIA entende que se deve observar
parâmetros como o da existência ou não de sentença no caso. Como exemplo, tem-se a EC 45/2004, em
relação à competência da justiça do trabalho (causas de acidentes de trabalho). Algumas matérias que eram
competentes à justiça estadual passaram a ser de competência da justiça do trabalho.
Não foram enviados à justiça do trabalho os processos que já haviam sido julgados. Os processos que
estavam em fase de apelação também não foram encaminhados, em uma aplicação correta do princípio da
perpetuação.
Outras exceções:
1. DEMANDAS QUE ENVOLVEM MENOR
📌 (Assunto que incide principalmente nos concursos de DPE e Magistratura)
Vejamos, sobre o caso, alguns julgados do STJ:
STJ, CC 114.782/RJ: Temos aqui uma ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO DO MENOR. Portanto, uma
mudança fática ocorrida após a distribuição.
Assim, em regra, não deveria essa situação alterar a regra da perpetuatio. Todavia, decidiu o STJ que,
com a finalidade de preservar o interesse do menor, temos uma exceção à perpetuatio.
STJ, CC 157.473/SP – 2018: Demanda que envolve INTERESSE DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE deve
observar o PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE DO MENOR (Art. 227, CF e Art. 147, I e II do ECA – princípio do
juízo imediato).
⚠ ATENÇÃO
Essa situação ocorre com ação em curso.
2. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
De acordo com o texto expresso no art. 516 do Código de Processo Civil:
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de
sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio
do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local
onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do
processo será solicitada ao juízo de origem.
Diante da sentença, teremos um requerimento de cumprimento de sentença ao o juiz que proferiu a
decisão. Entretanto, se o executado se mudar, o requerimento poderá ser feito no novo local do domicílio do
condenado, conforme o §único do Art. 516.
Se, no CURSO do cumprimento de sentença, acontecer a mudança, poder-se-ia pedir a nova
28
distribuição para o foro do novo domicílio do executado? O STJ, no REsp 1.776.382/MT – 2019, entendeu que
o CPC nada dispõe sobre o momento em que o requerimento deve ser feito. Sendo assim, a lógica do parágrafo
único é uma prerrogativa do credor. Ou seja, ocorrendo alteração do domicílio do devedor, o exequente pode,
mesmo no curso do cumprimento de sentença, requerer a remessa dos autos para o foro do novo local do
domicílio do executado.
2.7. MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA
Segundo o doutrinador Renato Montans de Sá , a dinâmica da competência consiste na modificação31
da competência decorrente de lei ou da vontade das partes. É fenômeno processual da qual um juízo
abstratamente incompetente passa a ser concretamente competente para a causa. Só há modificação da
competência relativa (art. 54, CPC/2015). A absoluta não poderá ser modificada, pois esta é improrrogável e
indisponível.
A modificação de competência pode ocorrer por:
▸ Conexão;
▸ Continência;
▸ Foro de Eleição;
▸ Alegação de incompetência;
▸ Prevenção.
2.7.1. CONEXÃO
Serão conexas, de acordo com a lei, as causas quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir
(CPC/2015, art. 55). Assim, como providência de economia processual, deverá o magistrado determinar a
reunião dos feitos perante o juízo prevento (CPC/2015, art. 58) .32
Desenvolveram-se 3 teorias sobre a conexão :33
a. TEORIA TRADICIONAL (OU CLÁSSICA) – com base na doutrina de Matteo Pescatore é a teoria adotada
no nosso Código em que a conexão é identificada pelo pedido ou pela causa de pedir (CPC/2015, art.
55).
b. TEORIA DE CARNELUTTI – o mestre italiano desenvolve uma conexão mais tênue, bastando apenas
que entre as causas haja identidade de questões. Assim o que indica a conexão é a identidade de
questões e não seus elementos. Em sentido semelhante, Nelson Nery Jr. defende a teoria da identidade
parcial da causa de pedir, entendendo haver conexão quando houver tanto os fatos como os
fundamentos jurídicos identificados.
c. TEORIA MATERIALISTA – por esta teoria segue-se a identidade da relação jurídica de direito material,
ou seja, as causas podem ser reunidas quando decidirem a mesma relação de direito material. É a
teoria defendida por Olavo dos Santos Neto.
Por fim, vejamos o Art. 54 e 55 do Código de Processo Civil:
33 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
32 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
31 SÁ, Renato Montans de. Manual deDireito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
29
Art. 54. A COMPETÊNCIA RELATIVA poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o
disposto nesta Seção.
Art. 55. Reputam-se CONEXAS 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o PEDIDO ou a CAUSA DE
PEDIR.
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido
sentenciado.
§ 2º Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
⚠ ATENÇÃO
Observe que não há necessidade de identidade de partes.
🚨JÁ CAIU
No concurso para Juiz de Direito do Estado do Paraná (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte
assertiva:
Em razão de uma série de percalços ocorridos em uma viagem internacional, marcada por atraso de voos,
perda de conexões e extravios de bagagens, Antônio, sua mulher, Bruna, e o filho do casal, Carlos, de 18 anos
de idade, decidiram assestar pretensão indenizatória em face da companhia aérea.
Mas, em vez de se associar em um litisconsórcio ativo, optaram os membros da família por ajuizar
separadamente as ações indenizatórias, embora as três se arrimassem em um contexto fático idêntico,
sobretudo no tocante às falhas na prestação do serviço atribuídas à parte ré e aos danos sofridos por cada
autor. Assim, a petição inicial de Antônio foi distribuída ao Juízo X, com competência para matéria cível, no dia
11 de setembro de 2023, tendo recebido juízo positivo de admissibilidade em 15 de setembro e efetivando-se
a citação da ré no dia 02 de outubro.
A peça exordial de Bruna, por sua vez, foi distribuída ao Juízo Y, também com competência para matéria cível,
em 13 de setembro de 2023, com juízo positivo de admissibilidade em 14 de setembro e ultimação do ato
citatório em 27 de setembro.
Quanto à inicial de Carlos, a sua distribuição, ao Juízo Z, igualmente com competência para matéria cível,
deu-se em 18 de setembro de 2023, tendo se dado o juízo positivo de admissibilidade da ação em 19 de
setembro e a citação, em 25 de setembro.
A princípio, a parte ré não se deu conta da tramitação simultânea dos três processos, razão por que não
suscitou a questão nas peças contestatórias que ofertou em cada um deles. Mas, percebendo a situação
algum tempo depois, alertou os Juízos X, Y e Z sobre o fato, sustentando a ocorrência da conexão entre as
ações e pugnando pela reunião dos feitos, para fins de julgamento simultâneo.
Quando da protocolização dessas manifestações processuais da ré, o feito em curso no Juízo Y, em cujo polo
ativo figurava Bruna, já havia sido sentenciado, com o acolhimento parcial do pleito indenizatório formulado
30
na inicial. Os outros dois processos estavam aguardando a realização de audiência de instrução e julgamento,
ante o deferimento da prova testemunhal pelos respectivos juízos.
Nesse cenário, é correto afirmar que os feitos em curso nos Juízos X e Z devem ser reunidos para julgamento
simultâneo pelo Juízo X, que é o prevento.
2.7.2. CONTINÊNCIA
Haverá continência quando entre duas causas houver identidade quanto às partes e à causa de pedir,
mas o pedido de uma, por ser maior que o da outra, a abrange (CPC/2015, art. 56). Os autores entendem que a
continência é uma forma qualificada de conexão e também gera a alteração da competência. É necessário que
os pedidos não sejam diferentes: um pedido deve abranger (= conter) o outro. A continência pode ser aferida
tanto no pedido imediato como no mediato .34
Percebe-se, portanto, que a exigência, quanto à semelhança, é ainda maior, segundo os
ensinamentos do professor Renato Montans de Sá e a correspondência expressa no art. 56, CPC:
Art. 56. Dá-se a CONTINÊNCIA entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes E à
causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
Perceba, portanto, que haverá continência quando tivermos:
▸ Mesmas partes;
▸ Mesma causa de pedir;
▸ Pedido de uma, por sermais amplo, abrange os demais.
Assim, uma ação envolvendo a discussão do Lançamento Tributário de determinado tributo,
certamente conterá a ação das mesmas partes que versa sobre a discussão da certidão de dívida ativa (CDA).
Vejam que o pedido formulado na discussão da CDA está CONTIDO na ação que discute o
lançamento.
O professor Fredie Didier leciona que a continência é uma subespécie de conexão. Isso é relevante35
pelo fato de que o Código várias vezes se refere apenas à conexão. Assim, tratamos como institutos
35 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil – v.1. Editora Juspodivm, 2022.
34 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
31
semelhantes quanto ao procedimento.
⚠ ATENÇÃO
Cuidado para não confundir a continência com a litispendência. Nesta, os elementos da ação são
completamente idênticos! Atente-se ainda para o fato de que, havendo identidade total com sentença
transitada em julgado, teremos coisa julgada. Nestes casos, ao contrário da conexão e da continência, ocorrerá
a extinção da segunda ação sem mérito e não a reunião dos feitos (Art. 485, V).
💭 PARA RECORDAR36
CONEXÃO CONTINÊNCIA
Reputam-se conexas 2 ou mais ações quando lhes for
comum o pedido ou a causa de pedir.
Dá-se a continência entre 2 ou mais ações quando
houver identidade quanto às partes e à causa de
pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo,
abrange o das demais.
2.7.3. PREVENÇÃO
“É critério para excluir os demais juízos competentes de um mesmo foro ou tribunal”. Na verdade não
se trata de critério de determinação de competência, mas sim de fixação. A prevenção também atua como
critério de fixação da conexão, pois é no juízo prevento que as causas conexas serão processadas (art. 58,
CPC/2015) .37
2.7.4. SEMELHANÇAS SEM REUNIÃO PARA JULGAMENTO
1. Súmula 235 do STJ: A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.
Esta súmula aparece agora no Art. 55, §1º, CPC:
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido
sentenciado [LEIA-SE: Já decidido no mérito].
2. Reunião apenas para evitar decisões conflitantes
Art. 55, §2º, CPC:
§ 2º Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.
Não ocorrerá, nesses casos, JULGAMENTO simultâneo, mas apenas em virtude de semelhanças.
37 SÁ, Renato Montans de. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
36 DOURADO, Sabrina. Descomplicando Processo Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 2021.
32
Enunciado 237 FPPC: O rol do art. 55, § 2º, I e II, é exemplificativo.
3. Reunião mesmo sem conexão:
Art. 55, §3º, CPC:
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
2.8. JUÍZO PREVENTO
Prevenção é um critério de confirmação e manutenção da competência do juiz, que conheceu a causa
em primeiro lugar, perpetuando a sua jurisdição e excluindo possíveis competências concorrentes de outros
juízos .38
Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no JUÍZO PREVENTO, onde serão decididas
simultaneamente.
Art. 59. O REGISTRO OU A DISTRIBUIÇÃO da petição inicial torna prevento o juízo.
📌 OBSERVAÇÕES
■ O juízo prevento é aquele em que ocorrer a primeira distribuição ou registro. Esta foi a mesma
técnica utilizada pela Lei 7.347/85 (LACP) e 4.717/65 (LAP).
■ Há ações que serão propostas antes e não haverá prevenção. Como exemplo temos a ação
antecipada de provas (Art. 331,

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