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DIREITOS HUMANOS 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1. CONCEITO ............................................................................................................. 4 
2. DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS .......................................... 7 
3. FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS ......................... 10 
4. AS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS E A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
 .................................................................................................................................. 12 
5. DIREITOS HUMANOS NO MUNDO: HISTÓRIA E FUNDAMENTOS .................. 15 
6. HISTÓRIA DAS DECLARAÇÕES DE DIREITOS ................................................. 17 
7. FUNDAMENTOS TEÓRICOS DISTINTOS DOS DIREITOS HUMANOS ............. 20 
8. MITOS E VERDADES SOBRE OS DIREITOS HUMANOS .................................. 23 
9. EXPRESSÃO FORMAL DOS DIREITOS HUMANOS .......................................... 25 
10. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL .................................................................... 28 
11. VIOLÊNCIA E A AGENDA DE DIREITOS HUMANOS NO BRASIL: UMA AGENDA 
A SER CONSTRUÍDA ............................................................................................... 31 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 34 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 A compreensão dos direitos humanos constitui um dos pilares 
fundamentais para a construção de uma sociedade democrática, justa e plural. Muito 
além de uma noção meramente jurídica, os direitos humanos se entrelaçam com 
valores éticos, sociais, políticos e culturais, sendo o reflexo histórico das lutas e 
conquistas humanas por dignidade, liberdade e igualdade. Compreender sua origem, 
evolução, fundamentos teóricos e aplicação prática, especialmente no contexto 
brasileiro, é essencial para profissionais que atuam ou pretendem atuar em áreas que 
demandam o conhecimento aprofundado sobre garantias fundamentais e justiça 
social. 
 Este material foi elaborado com o objetivo de proporcionar aos 
estudantes de pós-graduação um panorama claro, atual e didaticamente estruturado 
sobre os principais tópicos relacionados aos direitos humanos. Desde os aspectos 
conceituais até o enfrentamento da violência e a construção de uma agenda de 
direitos no Brasil, busca-se oferecer uma abordagem crítica, mas acessível, sobre os 
desafios e perspectivas que envolvem essa temática. 
 Vivemos um período histórico no qual os direitos humanos estão 
frequentemente no centro de debates políticos e sociais, ora valorizados como 
essenciais à democracia, ora relativizados por discursos de ódio, desinformação e 
autoritarismo. Nesse contexto, o conhecimento sobre os direitos humanos torna-se 
uma ferramenta indispensável para a formação de profissionais conscientes, 
preparados para a defesa e promoção da dignidade humana em todas as esferas da 
sociedade. 
 A apostila está dividida em seções temáticas que abordam os 
fundamentos, a história, os mitos e verdades sobre os direitos humanos, bem como 
suas expressões normativas e desafios contemporâneos. O conteúdo foi desenvolvido 
com base em autores renomados e dados atualizados, respeitando os critérios de 
rigor acadêmico e normativo, mas com uma linguagem fluente, envolvente e 
humanizada, visando uma experiência de leitura mais rica e significativa. 
 A partir da leitura desta apostila, espera-se que o aluno compreenda não 
apenas o que são os direitos humanos, mas também por que eles existem, como se 
 
 
 
desenvolveram ao longo do tempo, e de que maneira se relacionam com o cotidiano 
e com os grandes desafios enfrentados pelo Brasil e pelo mundo atual. Mais do que 
decorar conceitos, o leitor é convidado a refletir criticamente e assumir o compromisso 
ético com a promoção da dignidade e da justiça. 
 
1. CONCEITO 
1.1 Definições doutrinárias 
 
 Imagem gerada por IA 
 
 Os direitos humanos são prerrogativas fundamentais atribuídas a todo 
ser humano pelo simples fato de sua existência. Independentemente de 
nacionalidade, raça, sexo, crença religiosa, ideologia ou condição social, todos os 
indivíduos possuem direitos que devem ser reconhecidos, respeitados e protegidos. 
Tais direitos são universais, inalienáveis e interdependentes. 
 Segundo Comparato (2003, p. 17), “os direitos humanos representam a 
consciência jurídica da humanidade, formada ao longo da história como exigência 
 
 
 
ética de justiça e dignidade para todos”. Trata-se, portanto, de um conceito que 
transcende fronteiras políticas e jurídicas, estando enraizado na noção universal de 
dignidade humana. 
 Do ponto de vista jurídico, os direitos humanos correspondem a normas 
de proteção da pessoa humana que se encontram previstas em tratados, convenções 
e declarações internacionais. Já os direitos fundamentais são aqueles consagrados 
na Constituição de um Estado específico — no caso do Brasil, pela Constituição 
Federal de 1988. 
1.2 Diferenças entre direitos humanos, direitos fundamentais e 
liberdades públicas 
 É comum que os termos “direitos humanos” e “direitos fundamentais” 
sejam utilizados como sinônimos. Contudo, há diferenças conceituais e normativas 
relevantes entre eles. Os direitos humanos têm origem no plano internacional e visam 
garantir a dignidade da pessoa em qualquer parte do mundo. Já os direitos 
fundamentais são aqueles reconhecidos pelo ordenamento jurídico interno de um 
país, com base em sua Constituição. 
 As liberdades públicas, por sua vez, são manifestações específicas dos 
direitos fundamentais, geralmente associadas às liberdades civis e políticas, como a 
liberdade de expressão, de reunião, de associação e de religião. Embora todos esses 
conceitos estejam interligados, sua origem e escopo de aplicação variam. 
 Segundo Piovesan (2012), os direitos humanos têm o potencial de 
funcionar como fonte interpretativa dos direitos fundamentais, sendo o diálogo entre 
essas duas categorias um dos pilares da proteção contemporânea à dignidade 
humana. 
1.3 Natureza jurídica dos direitos humanos 
 A natureza jurídica dos direitos humanos está relacionada à sua dupla 
dimensão: normativa e valorativa. No plano normativo, esses direitos estão 
positivados em tratados e convenções internacionais que obrigam os Estados 
signatários ao seu cumprimento. No plano valorativo, os direitos humanos 
representam princípios éticos que fundamentam o direito positivo e orientam sua 
interpretação. 
 
 
 
 De acordo com Canotilho (2003, p. 407): 
Os direitos fundamentais representam não apenas normas jurídicas, mas 
também valores estruturantes da ordem constitucional, cuja realização é 
condição de legitimidade do próprio Estado. 
 
 Essa concepção reforça a ideia de que os direitos humanos não se 
restringem à legalidade, mas constituem também a base moral do ordenamento 
jurídico e da convivência democrática. 
1.4 Dimensões dos direitos humanos: gerações ou vertentes 
contemporâneas 
 A doutrina clássica organiza os direitos humanos em “dimensões” (ou 
“gerações”), com base em sua origem histórica e nas demandas sociais de diferentes 
períodos. Essa divisão é simbólica e não cronológica, servindo para representar a 
ampliação progressiva do conteúdo dos direitos humanos ao longo do tempo. 
• Primeira dimensão: direitos civis e políticos, como o direitoà vida, à liberdade, 
à propriedade e à participação política. Foram consolidados a partir das 
revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII. 
• Segunda dimensão: direitos sociais, econômicos e culturais, como o direito ao 
trabalho, à educação, à saúde e à seguridade social. Emergem com os 
movimentos sociais do século XIX e se afirmam no século XX. 
• Terceira dimensão: direitos difusos e coletivos, como o direito ao meio 
ambiente, ao desenvolvimento sustentável, à paz e ao patrimônio comum da 
humanidade. Representam uma preocupação global. 
• Quarta dimensão: direitos relacionados à bioética, à informação, à privacidade 
digital e às tecnologias emergentes. 
• Quinta dimensão (conceito ainda em construção): aborda a proteção de 
direitos no ciberespaço, inteligência artificial, e a ética tecnológica. 
 Essa classificação permite uma visão ampla e didática da evolução e 
complexificação dos direitos humanos, evidenciando seu caráter dinâmico e adaptável 
às transformações sociais. 
 
 
 
 
2. DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS 
 
 Imagem gerada por IA 
 
2.1 Conceituações e distinções normativas 
 Embora frequentemente tratados como sinônimos, os termos direitos 
humanos e direitos fundamentais possuem origens distintas e campos de aplicação 
específicos. Os direitos humanos referem-se a normas jurídicas internacionais de 
proteção da dignidade humana, reconhecidas em tratados e declarações universais. 
Já os direitos fundamentais são aqueles positivados na Constituição de um país, 
garantindo o exercício desses direitos no plano interno. 
 Segundo Sarlet (2013, p. 57), “os direitos fundamentais são os direitos 
humanos positivados constitucionalmente no âmbito do Estado, o que lhes confere 
proteção jurídica reforçada”. Isso significa que os direitos fundamentais são a 
expressão local e jurídica dos direitos humanos dentro de um determinado 
ordenamento. 
 
 
 
 Enquanto os direitos humanos têm como base documentos como a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, os direitos fundamentais no 
Brasil encontram-se no Título II da Constituição Federal de 1988, que trata “Dos 
Direitos e Garantias Fundamentais”, abrangendo os direitos individuais, coletivos, 
sociais, à nacionalidade, à cidadania e os direitos políticos. 
2.2 A incorporação dos direitos humanos no ordenamento jurídico 
brasileiro 
 A Constituição de 1988 elevou os direitos humanos a patamar central 
dentro do Estado Democrático de Direito brasileiro. O artigo 5º, § 2º, da Carta Magna 
dispõe que os direitos e garantias nela expressos não excluem outros decorrentes dos 
tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Tal previsão abriu caminho para 
que os direitos humanos previstos em instrumentos internacionais sejam também 
reconhecidos como direitos fundamentais. 
 De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os 
tratados internacionais sobre direitos humanos podem adquirir status supralegal ou 
constitucional, conforme sua forma de aprovação. Como destaca Silva (2019), os 
tratados aprovados conforme o rito do art. 5º, § 3º da CF — ou seja, com quórum de 
emenda constitucional — têm status de norma constitucional. 
 Com isso, o Brasil fortaleceu o compromisso com os pactos 
internacionais de proteção à dignidade humana, integrando normas internacionais ao 
seu sistema jurídico, como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto 
de San José da Costa Rica) e os Pactos de 1966 da ONU. 
2.3 Controle de convencionalidade e blocos de constitucionalidade 
 A partir da adesão do Brasil a tratados internacionais de direitos 
humanos, surge o controle de convencionalidade, que consiste na verificação da 
compatibilidade das leis internas com os tratados internacionais de direitos humanos 
ratificados pelo Estado. Esse controle pode ser realizado por qualquer juiz ou tribunal, 
e visa garantir a eficácia e o respeito às normas internacionais no âmbito interno. 
 Segundo Mazzuoli (2010, p. 274): 
O controle de convencionalidade, concebido à semelhança do controle de 
constitucionalidade, visa coibir a produção normativa interna que viole os 
compromissos internacionais assumidos pelo Estado em matéria de direitos 
humanos. 
 
 
 
 
 Nesse contexto, o conceito de bloco de constitucionalidade ganha 
relevância. Trata-se de um conjunto de normas que, embora não estejam literalmente 
no texto constitucional, integram o seu conteúdo material por força de princípios e 
compromissos internacionais. 
 O Supremo Tribunal Federal já reconheceu, em decisões emblemáticas, 
que tratados internacionais de direitos humanos podem formar o bloco de 
constitucionalidade brasileiro, sobretudo quando ratificados com o quórum qualificado 
previsto no art. 5º, § 3º da Constituição. 
2.4 O papel do STF e do STJ na defesa dos direitos fundamentais 
 A proteção e efetividade dos direitos fundamentais no Brasil dependem, 
em grande medida, da atuação das Cortes Superiores, especialmente o Supremo 
Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O STF, como guardião 
da Constituição, tem se manifestado de forma reiterada sobre a aplicação de tratados 
internacionais e sobre o alcance dos direitos fundamentais. 
 Exemplo notório é o HC 87.585/TO, no qual o STF declarou a 
inconstitucionalidade da progressão de regime apenas para réus primários e não 
reincidentes, reconhecendo o princípio da individualização da pena como um direito 
fundamental inalienável. 
 O STJ, por sua vez, atua como garantidor da uniformidade da aplicação 
das leis federais e, em muitos casos, tem aplicado princípios dos direitos humanos 
como critério de interpretação para garantir justiça material, especialmente em temas 
como populações vulneráveis, proteção à infância e combate à tortura e maus-tratos. 
 A atuação do Judiciário brasileiro, portanto, tem papel estratégico na 
concretização dos direitos fundamentais, seja por meio do controle de 
constitucionalidade e convencionalidade, seja pela construção de jurisprudência 
voltada à efetividade dos direitos humanos. 
 
 
 
 
 
 
3. FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS 
 
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3.1 Universalidade e indivisibilidade 
 Uma das principais características dos direitos humanos é a sua 
dos direitos humanos, universalidade. Isso significa que são direitos que 
pertencem a todos os seres humanos, em todos os lugares, independentemente de 
origem, nacionalidade, etnia, religião, orientação sexual ou qualquer outra condição. 
Trata-se de uma prerrogativa inerente à condição humana. 
 A indivisibilidade por sua vez, refere-se à impossibilidade de hierarquizar 
ou fragmentar tais direitos. Não há direitos “mais importantes” ou “menos importantes”. 
Direitos civis, políticos, sociais, culturais e econômicos devem ser garantidos em 
conjunto, pois são interdependentes. De acordo com a Declaração de Viena (1993), 
“todos os direitos humanos são universais, indivisíveis e interdependentes e estão 
inter-relacionados”. 
3.2 Interdependência e complementaridade 
 
 
 
 A interdependência significa que o gozo de um direito muitas vezes 
depende do exercício de outros. Por exemplo, para que a liberdade de expressão seja 
efetiva, é necessário que exista também liberdade de imprensa, de associação e de 
pensamento. Do mesmo modo, o direito à educação está diretamente relacionado ao 
direito à saúde, à moradia e ao trabalho. 
 Essa ideia de complementaridade exige que as políticas públicas de 
direitos humanos sejam formuladas de maneira integrada. Não basta proteger 
formalmente um direito; é preciso garantir as condições reais para seu exercício pleno. 
 Segundo Bobbio (1992, p. 5),“o problema fundamental em relação aos 
direitos do homem, hoje, não é o de justificá-los, mas o de protegê-los”. 
3.3 Irrenunciabilidade e imprescritibilidade 
 Os direitos humanos são irrenunciáveis, ou seja, não podem ser 
alienados ou transferidos, mesmo por vontade do titular. Uma pessoa não pode abrir 
mão, por exemplo, de seu direito à vida ou de sua liberdade em favor de outro 
indivíduo ou do Estado. Essa característica protege o ser humano contra imposições 
autoritárias e práticas abusivas, mesmo quando consentidas. 
 Além disso, tais direitos são imprescritíveis, o que significa que não se 
perdem com o tempo. A violação de um direito humano, como a prática de tortura ou 
de trabalho escravo, pode ser denunciada e punida a qualquer momento, 
independentemente do decurso de prazo. 
3.4 Efetividade e aplicabilidade imediata 
 A efetividade dos direitos humanos está ligada à sua capacidade de 
serem implementados na prática. Não basta que estejam previstos em normas 
jurídicas; é necessário que se traduzam em políticas públicas, programas sociais, 
decisões judiciais e atitudes institucionais. A Constituição Federal de 1988 consagra, 
em seu art. 5º, §1º, que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais 
têm aplicabilidade imediata, ou seja, não dependem de regulamentação para 
produzirem efeitos jurídicos. 
 De acordo com Barroso (2017, p. 89): 
A aplicabilidade imediata das normas de direitos fundamentais reforça sua 
força normativa e obriga o poder público a agir positivamente para garantir sua 
concretização, mesmo diante de omissões legislativas. 
 
 
 
 
3.5 Funções sociais, políticas e culturais dos direitos humanos 
 Os direitos humanos cumprem uma série de funções no contexto 
contemporâneo. Do ponto de vista social, são instrumentos de inclusão e proteção de 
grupos historicamente marginalizados, como mulheres, negros, indígenas, pessoas 
com deficiência, pessoas LGBTQIA+ e população em situação de rua. 
 Na dimensão política, os direitos humanos limitam o poder do Estado e 
garantem a participação cidadã nos processos democráticos. Eles são fundamentos 
da soberania popular e do controle social das instituições. 
 Quanto à função cultural, os direitos humanos asseguram o respeito à 
diversidade, à liberdade de expressão e ao pluralismo de ideias, religiões, tradições e 
manifestações artísticas. 
 Como destaca Ferrajoli (2001, p. 21), “os direitos fundamentais não são 
apenas garantias jurídicas, mas constituem também pré-requisitos para a vida 
civilizada, plural e igualitária em sociedade”. 
4. AS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS E A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
 
 
 
4.1 A Constituição Imperial de 1824 
 A primeira Constituição brasileira, outorgada por Dom Pedro I em 1824, 
marcou o início da experiência constitucional do país. Inspirada em modelos 
europeus, sobretudo na Carta Constitucional francesa de 1814, trazia uma visão 
centralizadora do poder e refletia o espírito absolutista do período. 
 Embora apresentasse dispositivos que poderiam ser interpretados como 
protetivos de certas liberdades civis, como a liberdade religiosa e de imprensa, sua 
aplicação era restrita. A manutenção da escravidão, o poder moderador concedido ao 
imperador e a ausência de garantias sociais revelavam a fragilidade dos direitos 
humanos naquele contexto. Como observa Reale (2002, p. 189), “a Constituição de 
1824 garantiu mais a autoridade imperial do que os direitos do cidadão”. 
4.2 As Constituições Republicanas até 1988 
 Com a Proclamação da República em 1889, inaugura-se uma nova fase 
constitucional no Brasil, com a promulgação da Constituição de 1891. Essa carta 
refletia os ideais liberais da época, garantindo direitos como a inviolabilidade da 
liberdade de consciência e de crença, além da separação entre Estado e Igreja. No 
entanto, ainda era restrita a uma elite letrada e econômica. 
 A Constituição de 1934, surgida após a Revolução de 1930, foi a 
primeira a incorporar direitos sociais, como o direito ao trabalho, à educação e à 
seguridade. Representou um avanço importante na perspectiva dos direitos humanos. 
Como destaca Dallari (2007, p. 103), “a Constituição de 1934 incorporou princípios do 
constitucionalismo social europeu, ainda que sua vigência tenha sido curta”. 
 A Constituição de 1937, por outro lado, instaurou um regime autoritário 
com a chamada “Polaca”, marcada pela concentração de poder no Executivo e pela 
supressão de direitos civis e políticos. Durante o Estado Novo (1937–1945), a 
repressão política se intensificou, enfraquecendo a proteção dos direitos humanos. 
 Em seguida, a Constituição de 1946, promulgada após a queda de 
Getúlio Vargas, recuperou os ideais democráticos, reestabelecendo garantias 
individuais e reconhecendo novamente os direitos sociais. Foi considerada um marco 
de abertura política no pós-guerra. 
 
 
 
 Já a Constituição de 1967, e a Emenda Constitucional nº 1 de 1969, 
instituídas no contexto do regime militar, representaram retrocessos significativos. 
Restringiram liberdades, ampliaram o arbítrio estatal e institucionalizaram violações 
aos direitos humanos por meio de Atos Institucionais, especialmente o AI-5, que 
suprimiu o habeas corpus para crimes políticos. 
4.3 A Constituição Federal de 1988: marco civilizatório 
 A Constituição Federal de 1988 foi um divisor de águas na trajetória dos 
direitos humanos no Brasil. Fruto do processo de redemocratização, é conhecida 
como “Constituição Cidadã”, expressão consagrada por Ulysses Guimarães, 
presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Trata-se de um texto extenso, 
detalhado e fortemente comprometido com a proteção da dignidade da pessoa 
humana. 
 O artigo 1º da Constituição elege a dignidade da pessoa humana como 
um dos fundamentos da República. O artigo 5º apresenta um catálogo extenso de 
direitos e garantias fundamentais, além de prever, em seu §2º, a incorporação de 
direitos não expressamente listados, mas decorrentes de tratados internacionais. 
 Além dos direitos civis e políticos, a Constituição de 1988 reconhece 
expressamente os direitos sociais (art. 6º), culturais, ambientais, trabalhistas e de 
grupos vulneráveis. Como destaca Sarlet (2015, p. 34): 
A Constituição de 1988 inovou ao atribuir eficácia plena aos direitos 
fundamentais, conferindo-lhes não apenas caráter programático, mas também 
obrigatoriedade e exigibilidade imediata. 
4.4 Avanços constitucionais em matéria de direitos humanos pós-1988 
 Desde sua promulgação, a Constituição de 1988 vem sendo 
complementada por importantes avanços legislativos e jurisprudenciais em matéria de 
direitos humanos. Leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), o 
Estatuto do Idoso (2003), a Lei Maria da Penha (2006) e o Estatuto da Igualdade 
Racial (2010) reforçaram a proteção de grupos historicamente discriminados. 
 No campo jurisprudencial, o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido 
e ampliado o alcance dos direitos fundamentais, como no caso do reconhecimento da 
união homoafetiva como entidade familiar (ADPF 132/RJ e ADI 4277/DF) e no direito 
 
 
 
ao nome e à identidade de gênero para pessoas trans, mesmo sem cirurgia (RE 
670.422/RS). 
 Além disso, em 2004, foi instituído o Plano Nacional de Educação em 
Direitos Humanos, com o objetivo de difundir a cultura de direitos no sistema 
educacional. Tais avanços evidenciam que o texto constitucional de 1988 não é 
estático, mas aberto à ampliação dos direitos e à consolidação de uma democracia 
inclusiva. 
5. DIREITOS HUMANOS NO MUNDO: HISTÓRIA E FUNDAMENTOS 
 
 Imagem gerada por IA 
 
5.1 A dignidade humana como base conceitual 
 A dignidade da pessoa humana constitui o fundamento filosófico, político 
e jurídico dos direitos humanos. Emboraseu conteúdo varie conforme a época e o 
contexto cultural, a noção de que todo ser humano possui um valor intrínseco e 
inalienável está presente nas principais tradições morais e jurídicas da humanidade. 
 
 
 
 Segundo Alexy (2008, p. 89), “a dignidade humana é o fundamento 
último dos direitos fundamentais e representa o núcleo inviolável da ordem jurídica 
justa”. Essa dignidade impõe ao Estado e à sociedade o dever de respeitar, proteger 
e promover os direitos de cada indivíduo, como condição básica para a coexistência 
democrática. 
5.2 Origens filosóficas e religiosas 
 A ideia de que os seres humanos têm direitos por natureza pode ser 
rastreada até tradições filosóficas e religiosas antigas, como o estoicismo grego, o 
direito natural romano e os princípios morais do judaísmo, cristianismo, islamismo, 
hinduísmo e budismo. 
 Na Grécia Antiga, filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles já 
discutiam temas ligados à justiça, virtude e igualdade, embora não concebessem os 
direitos como universais. No direito romano, surge a distinção entre jus gentium 
(direito dos povos) e jus naturale (direito natural), bases fundamentais do pensamento 
jurídico ocidental. 
 Com o advento do cristianismo, consolidou-se a ideia de que todos os 
seres humanos são iguais perante Deus, o que favoreceu, ao longo dos séculos, o 
desenvolvimento de teorias igualitárias e humanistas. 
5.3 Os direitos humanos na Antiguidade, Idade Média e Moderna 
 Ainda que os direitos humanos, como os conhecemos hoje, tenham 
emergido no período moderno, diversos documentos da Antiguidade já indicavam 
preocupações com garantias mínimas de justiça. Um dos exemplos mais antigos é o 
Código de Hamurabi (aprox. 1750 a.C.), que previa regras de convivência e punições 
proporcionais. 
 Na Idade Média, o Direito Canônico e os ensinamentos escolásticos de 
teólogos como Santo Tomás de Aquino contribuíram para consolidar a ideia de um 
direito natural universal. No entanto, foi na Idade Moderna, com o Renascimento e o 
Iluminismo, que os direitos do homem passaram a ser tratados de forma mais 
sistemática e laica. 
 
 
 
 Segundo Locke (1690, citado por Bobbio, 1992, p. 45), “os homens são, 
por natureza, livres, iguais e independentes, e ninguém pode ser tirado dessa 
condição sem o seu consentimento”. 
5.4 O Iluminismo e a racionalização dos direitos naturais 
 O século XVIII foi decisivo para o surgimento do conceito moderno de 
direitos humanos. O Iluminismo, movimento filosófico e político baseado na razão, na 
liberdade e no progresso, trouxe à tona ideias que influenciaram profundamente a 
estruturação dos direitos individuais e a limitação do poder do Estado. 
 Filósofos como John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Montesquieu e 
Voltaire formularam princípios essenciais para o constitucionalismo moderno, como a 
separação dos poderes, o contrato social e os direitos naturais à vida, à liberdade e à 
propriedade. 
 Essas ideias foram fundamentais para inspirar revoluções democráticas 
como a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789), marcos 
históricos para as declarações de direitos. 
 
 De acordo com Norberto Bobbio (1992, p. 28): 
Os direitos do homem nascem não de uma teoria do direito natural, mas das 
lutas políticas, e se afirmam como direitos positivos, ou seja, como normas 
jurídicas reconhecidas pelo Estado. 
6. HISTÓRIA DAS DECLARAÇÕES DE DIREITO 
 
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6.1 Magna Carta (1215) 
 A Magna Carta Libertatum, assinada na Inglaterra em 1215 pelo rei João 
Sem Terra, é considerada um dos primeiros documentos que limitaram o poder 
absoluto do monarca. Embora redigida para atender aos interesses da nobreza feudal, 
introduziu importantes princípios jurídicos, como o devido processo legal e o direito de 
julgamento por seus pares. 
 Segundo Ferreira Filho (2008, p. 23), “a Magna Carta marcou o início da 
limitação jurídica do poder real e a semente do constitucionalismo moderno”. 
 Entre seus dispositivos mais conhecidos está o de que ninguém pode ser 
preso ou punido sem julgamento legal — base do que hoje chamamos de habeas 
corpus. 
6.2 Petição de Direitos (1628) e Habeas Corpus Act (1679) 
 A Petição de Direitos (1628) surgiu como resposta aos abusos cometidos 
pelo rei Carlos I, especialmente em relação a prisões arbitrárias e cobrança de tributos 
sem aprovação do Parlamento. O documento reafirmava liberdades civis básicas e foi 
um passo importante no fortalecimento do Parlamento e das liberdades individuais. 
 Já o Habeas Corpus Act (1679) consolidou juridicamente o direito de 
qualquer pessoa presa ilegalmente obter liberdade por meio de ordem judicial. 
Tornou-se um marco na proteção da liberdade individual contra o arbítrio estatal. 
6.3 Declaração de Direitos da Virgínia (1776) 
 A Declaração de Direitos da Virgínia, aprovada antes da independência 
dos Estados Unidos, é considerada o primeiro documento moderno a enunciar, de 
forma sistemática, direitos humanos fundamentais. Proclamava o direito à vida, à 
liberdade, à propriedade, à busca da felicidade e à resistência à opressão. 
 Seu texto inspirou a Declaração de Independência dos EUA (1776) e 
influenciou diretamente a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), 
na França. 
6.4 Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) 
 Aprovada durante a Revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do 
Homem e do Cidadão representa um dos mais emblemáticos documentos da história 
dos direitos humanos. Inspirada pelos ideais do Iluminismo, proclamava que “os 
 
 
 
homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos” e que “a finalidade de toda 
associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem”. 
 Além disso, estabelecia a soberania popular, a liberdade de expressão, 
de opinião, de religião, e o princípio da legalidade. Foi a base para diversas 
constituições modernas e para a construção do conceito de cidadania política. 
6.5 Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) 
 A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada pela 
Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, como resposta às 
atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Sua adoção foi um marco 
civilizatório global, reafirmando a dignidade humana como valor supremo. 
 Conforme o Preâmbulo da DUDH, “o reconhecimento da dignidade 
inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e 
inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo”. 
 A DUDH contém 30 artigos que tratam de direitos civis, políticos, sociais, 
culturais e econômicos. Embora não tenha força jurídica obrigatória, serviu de base 
para o desenvolvimento de tratados internacionais com força vinculante. 
6.6 Pactos Internacionais de 1966 e outros tratados relevantes 
 Em 1966, foram aprovados os dois principais tratados internacionais de 
direitos humanos que operacionalizam os princípios da DUDH: 
• Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) 
• Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) 
 Ambos entraram em vigor em 1976 e foram ratificados pelo Brasil em 
1992. Diferentemente da DUDH, possuem caráter juridicamente vinculante, obrigando 
os Estados signatários a garantir os direitos previstos. 
 Outros tratados importantes incluem a Convenção contra a Tortura 
(1984), a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra 
a Mulher (1979) e a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989). 
 Esses documentos compõem o chamado corpo normativo internacional 
dos direitos humanos, fonte essencial para o controle de convencionalidade e para a 
interpretaçãodos direitos fundamentais pelos tribunais nacionais. 
 
 
 
 
7. FUNDAMENTOS TEÓRICOS DISTINTOS DOS DIREITOS HUMANOS 
 
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7.1 Jusnaturalismo 
 O jusnaturalismo é uma das doutrinas mais antigas a fundamentar os 
direitos humanos. Parte do princípio de que os direitos do homem existem antes do 
Estado e do Direito Positivo, pois derivam da própria natureza humana. Esses direitos 
seriam universais, imutáveis e válidos independentemente de reconhecimento legal. 
 
 
 
 Segundo Locke (1690, citado por Bobbio, 1992, p. 45), “todos os homens 
são, por natureza, livres e iguais, e têm direito à vida, à liberdade e à propriedade”. 
Essa ideia influenciou profundamente documentos como a Declaração de 
Independência dos EUA e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 
 Embora criticado por sua abstração e falta de historicidade, o 
jusnaturalismo ainda é importante como base filosófica para a exigibilidade universal 
dos direitos humanos. 
7.2 Positivismo jurídico 
 Em oposição ao jusnaturalismo, o positivismo jurídico entende que os 
direitos só existem enquanto criados e reconhecidos pelo Estado, por meio de normas 
formalmente válidas. Nesse sentido, o direito não se confunde com a moral, e a justiça 
se mede pela legalidade. 
 A crítica a esse modelo cresceu após os horrores do nazismo, quando 
atos legalmente aprovados pelos Estados violavam flagrantemente a dignidade 
humana. Essa crise levou à revisão do positivismo estrito e ao reconhecimento da 
dimensão ética do Direito. 
 Segundo Dworkin (2002), o positivismo falha ao desconsiderar que o 
sistema jurídico deve respeitar princípios de justiça, moralidade e equidade, não 
apenas regras formalizadas. 
7.3 Teoria dos sistemas e teorias críticas 
 A partir da segunda metade do século XX, surgiram abordagens teóricas 
mais complexas, como a teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, que vê o direito 
como um subsistema autônomo da sociedade, regido por sua própria lógica interna. 
Nesse modelo, os direitos humanos atuariam como elementos de autorreferência e 
autolimitação do sistema jurídico frente a outros sistemas, como o político e o 
econômico. 
 Além disso, teorias críticas — inspiradas no marxismo, no pós-
colonialismo, nos estudos culturais e nos direitos dos povos indígenas — passaram a 
questionar a universalidade abstrata dos direitos humanos, apontando que muitas 
vezes refletem os interesses dos países do Norte Global. 
 
 
 
 Essas teorias defendem um olhar mais sensível às realidades locais, às 
desigualdades históricas e às narrativas silenciadas. Como afirma Sousa Santos 
(2010, p. 43), “os direitos humanos devem ser reinventados a partir do Sul, com base 
em uma ecologia de saberes e não na imposição de um modelo único”. 
7.4 Abordagens pós-coloniais e decoloniais 
 As abordagens pós-coloniais e decoloniais criticam o fato de que o 
discurso dos direitos humanos muitas vezes oculta estruturas de dominação cultural 
e epistemológica. Tais críticas afirmam que os direitos humanos foram formulados em 
contextos europeus e universalizados sem considerar as experiências históricas de 
dominação dos povos colonizados. 
 Essas correntes propõem uma reconstrução dos direitos humanos a 
partir das realidades plurais, valorizando o conhecimento e a cosmovisão de 
populações indígenas, africanas, latino-americanas e outras identidades 
historicamente marginalizadas. 
 Segundo Grosfoguel (2008), os direitos humanos devem ser pluralizados 
e abertos a novas linguagens, para que possam expressar a dignidade em diferentes 
contextos socioculturais, sem submissão a padrões eurocêntricos. 
7.5 Feminismo jurídico e interseccionalidade 
 O feminismo jurídico e a teoria da interseccionalidade também 
oferecem fundamentos teóricos relevantes aos direitos humanos. Essas abordagens 
apontam que o modelo tradicional de direitos foi estruturado com base no homem 
branco, ocidental e heterossexual, invisibilizando outras formas de opressão. 
 A interseccionalidade, conceito desenvolvido por Kimberlé Crenshaw, 
demonstra como raça, gênero, classe, orientação sexual e outras categorias sociais 
se cruzam, gerando formas específicas de violação de direitos. 
 De acordo com Crenshaw (1991), “as experiências vividas pelas 
mulheres negras não são simplesmente a soma de racismo e sexismo, mas uma 
interação única entre os dois”. 
 Essas contribuições teóricas ampliam a compreensão dos direitos 
humanos, desafiando a neutralidade aparente das normas e promovendo uma 
abordagem inclusiva, plural e transformadora. 
 
 
 
8. MITOS E VERDADES SOBRE OS DIREITOS HUMANOS 
 
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8.1 “Direitos humanos só servem para proteger bandidos” 
 Esse é, talvez, o mito mais difundido e perigoso relacionado aos direitos 
humanos. A ideia de que tais direitos seriam exclusivos para “proteger criminosos” 
ignora completamente seu escopo e natureza. Os direitos humanos são universais: 
aplicam-se a todas as pessoas, inclusive às vítimas de crimes, aos agentes públicos, 
aos réus e à sociedade como um todo. 
 De acordo com Piovesan (2013, p. 72), “a proteção dos direitos humanos 
não escolhe biografia: ela se aplica a todos, porque se funda na dignidade inerente à 
condição humana”. 
 Proteger os direitos de pessoas acusadas de crimes não significa 
impunidade, mas sim assegurar que o Estado não pratique abusos, tortura, execuções 
extrajudiciais ou julgamentos sem defesa — condutas típicas de regimes autoritários. 
O devido processo legal é direito fundamental em qualquer democracia. 
 
 
 
8.2 “Os direitos humanos são uma invenção estrangeira” 
 Outro equívoco comum é o de que os direitos humanos seriam 
imposições externas vindas da ONU ou de países desenvolvidos. Essa visão ignora o 
fato de que o Brasil participou ativamente da criação da Declaração Universal dos 
Direitos Humanos e é signatário voluntário de diversos tratados internacionais. 
 Além disso, a própria Constituição Federal de 1988 consagra os direitos 
humanos como fundamento da República, conforme art. 1º, inciso III, e como princípio 
que rege as relações internacionais do país, nos termos do art. 4º, inciso II. 
 Segundo Flávia Piovesan (2015, p. 21), “os direitos humanos constituem 
um patrimônio ético e jurídico da humanidade, mas encontram sua plena realização 
na incorporação local e concreta em cada ordenamento nacional”. 
8.3 “Não existem obrigações, só direitos” 
 A ideia de que os direitos humanos apenas garantem privilégios sem 
impor deveres é equivocada. Toda garantia implica também obrigações correlatas: o 
Estado tem o dever de proteger, promover e respeitar os direitos, e os indivíduos têm 
a responsabilidade de respeitar os direitos dos outros. 
 A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 29, afirma 
que “o indivíduo tem deveres para com a comunidade”. Em outras palavras, os direitos 
humanos não podem ser usados para justificar abusos, intolerâncias ou violações 
contra terceiros. Eles implicam ética de convivência e solidariedade mútua. 
8.4 Esclarecimentos a partir da legislação e da jurisprudência 
 O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e a própria 
Constituição Federal estabelecem que a liberdade e a dignidade não são absolutas. 
Por isso, os direitos podem sofrer restrições legítimas e proporcionais quando há 
conflito com outros direitos ou com o interesse público, sempre sob controle judicial. 
 Por exemplo, a liberdade de expressão não justifica discurso de ódio; o 
direito à propriedade deve respeitar a função social; o direito à segurança pública não 
autoriza ações estatais violentas ou discriminatórias. 
 A jurisprudência brasileiratem refletido esse equilíbrio. O STF tem 
reiteradamente afirmado que o Estado não pode combater o crime cometendo crimes. 
Em decisão sobre a ADPF 635 (também conhecida como “ADPF das Favelas”), o 
 
 
 
Supremo limitou operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a 
pandemia, reforçando o papel dos direitos humanos como filtro de legalidade nas 
ações estatais. 
8.5 O papel da mídia e da desinformação 
 A mídia e as redes sociais desempenham papel central na difusão de 
mitos sobre os direitos humanos, muitas vezes explorando casos polêmicos ou 
distorcendo o papel de instituições ligadas à defesa desses direitos. Isso contribui para 
o descrédito público e para a naturalização de discursos autoritários. 
 Combatê-los exige educação em direitos humanos, acesso à informação 
qualificada e fortalecimento da cidadania crítica. A desinformação é um dos maiores 
obstáculos à consolidação da cultura de respeito aos direitos fundamentais no Brasil 
e no mundo. 
 Como observa Ferrajoli (2001, p. 45): 
A eficácia dos direitos humanos depende não apenas de sua positivação 
jurídica, mas da sua internalização social e cultural, o que requer educação, 
consciência e vigilância cívica permanente. 
 
 
 
9. EXPRESSÃO FORMAL DOS DIREITOS HUMANOS 
 
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9.1 Normas internacionais e hierarquia no direito brasileiro 
 Os direitos humanos encontram expressão formal nas normas do direito 
internacional, principalmente por meio de tratados, convenções, pactos e protocolos 
firmados entre Estados soberanos, com o objetivo de garantir a dignidade da pessoa 
humana em nível global. 
 No caso brasileiro, os tratados internacionais de direitos humanos podem 
possuir diferentes status jurídicos, dependendo de sua forma de incorporação. O 
artigo 5º, §3º da Constituição Federal estabelece que tratados e convenções 
internacionais sobre direitos humanos aprovados em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos, equivalem a emendas 
constitucionais. 
 Assim, a depender do rito de aprovação, os tratados de direitos humanos 
podem ter status constitucional, supralegal (acima da legislação ordinária) ou legal 
(mesmo nível das leis ordinárias). 
 De acordo com Silva (2017, p. 112), “a Constituição brasileira atribui 
especial relevância aos tratados de direitos humanos, reconhecendo sua 
superioridade normativa e vinculando diretamente os poderes públicos”. 
9.2 Bloco de constitucionalidade e tratados internacionais 
 O conceito de bloco de constitucionalidade amplia o entendimento da 
Constituição para incluir, além do texto constitucional propriamente dito, outras 
normas que possuem status constitucional, como os tratados internacionais de direitos 
humanos aprovados com quórum qualificado. 
 Isso significa que essas normas passam a integrar a Constituição de 
forma material, influenciando a interpretação de direitos fundamentais e servindo 
como parâmetro de controle de constitucionalidade das leis. 
 O STF já reconheceu expressamente essa posição em casos como o 
julgamento do HC 87.585/TO, em que se afirmou que o Pacto de San José da Costa 
Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos) possui status supralegal, e, 
posteriormente, passou a admitir que tratados com rito do §3º do art. 5º possuam 
status constitucional. 
9.3 Aplicação direta dos tratados de direitos humanos 
 
 
 
 A aplicação dos tratados de direitos humanos no Brasil não depende de 
regulamentação legislativa posterior, salvo em casos em que o próprio tratado assim 
exija. Uma vez ratificados e internalizados, tais tratados produzem efeitos imediatos, 
podendo ser invocados por cidadãos e aplicados diretamente por juízes e tribunais. 
 Essa característica garante eficácia plena e fortalece o sistema protetivo 
da dignidade humana. Conforme destaca Mazzuoli (2014, p. 223): 
Os tratados de direitos humanos têm aplicação imediata no direito interno 
brasileiro, sendo desnecessária sua regulamentação para que possam produzir 
efeitos jurídicos concretos. 
 Essa aplicabilidade direta contribui para a efetividade dos direitos e 
amplia o acesso à justiça internacional, especialmente diante da inércia estatal ou de 
legislações internas omissas. 
9.4 Legislação infraconstitucional de proteção aos direitos humanos 
 Além do texto constitucional e dos tratados internacionais, há uma série 
de leis infraconstitucionais que concretizam os direitos humanos no Brasil. São 
exemplos: 
• Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/1990 
• Estatuto do Idoso – Lei nº 10.741/2003 
• Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006 
• Estatuto da Igualdade Racial – Lei nº 12.288/2010 
• Lei de Migração – Lei nº 13.445/2017 
• Lei nº 9.455/1997 – que define os crimes de tortura 
• Lei nº 10.741/2003 – que garante direitos fundamentais à pessoa idosa 
• Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) – que promove a 
transparência pública 
 Essas normas regulamentam e operacionalizam os direitos 
fundamentais previstos na Constituição e nos tratados, possibilitando o exercício 
efetivo dos direitos humanos em diversas dimensões da vida social. 
 Além disso, servem de base legal para políticas públicas, programas 
sociais e mecanismos de responsabilização de agentes estatais e privados por 
violações. 
 
 
 
10. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL 
 
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10.1 Sistema de proteção interna 
 O Brasil dispõe de um sistema jurídico-institucional próprio para a 
proteção e promoção dos direitos humanos. Esse sistema se estrutura a partir da 
Constituição Federal de 1988, tratados internacionais ratificados, leis ordinárias e 
políticas públicas setoriais. 
 Dentre os órgãos com competência direta na matéria, destacam-se o 
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério Público, a Defensoria 
Pública, os Conselhos de Direitos (como o CONANDA e CNDH), os tribunais de justiça 
e a própria sociedade civil organizada. 
 Segundo Comparato (2003, p. 42), “o Estado democrático de direito 
impõe aos governantes o dever de garantir os direitos humanos não apenas como 
promessa formal, mas como realidade efetiva”. 
10.2 Políticas públicas e marcos legais 
 
 
 
 O Brasil possui diversos marcos legais e planos nacionais voltados à 
promoção de direitos humanos, entre eles: 
• Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) – atualmente em sua terceira 
versão (PNDH-3, de 2009), abrange políticas transversais em áreas como 
educação, saúde, segurança, justiça e cultura. 
• Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2006) – busca incorporar 
a temática nas escolas, universidades e processos de formação de servidores 
públicos. 
• Programas de proteção a vítimas e testemunhas (PROVITA), defensores de 
direitos humanos (PPDDH) e crianças e adolescentes ameaçados (PPCAAM). 
• Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (Lei nº 12.847/2013), que 
criou o Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura (MNPCT). 
 Essas políticas têm como foco principal a proteção de grupos 
vulnerabilizados, como mulheres, crianças, população negra, LGBTQIA+, pessoas 
com deficiência, povos indígenas, quilombolas, e migrantes. 
10.3 Atuação do Ministério dos Direitos Humanos 
 O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania tem papel central na 
formulação e articulação de políticas nacionais, sendo responsável por: 
• Coordenar o Sistema Nacional de Direitos Humanos; 
• Implementar os planos nacionais de direitos humanos; 
• Gerir canais de denúncia como o Disque 100; 
• Apoiar ações de proteção a defensores de direitos humanos; 
• Dialogar com organismos internacionais e a sociedade civil. 
 Sua atuação é fundamental para a efetividade do sistema, embora 
enfrente desafios políticos, estruturaise orçamentários que comprometem, por vezes, 
a continuidade e a abrangência de suas ações. 
10.4 O Sistema Interamericano de Direitos Humanos 
 O Brasil integra o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, 
vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Esse sistema é composto 
por dois órgãos principais: 
 
 
 
• Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) – atua na 
investigação de denúncias, pedidos de medidas cautelares e envio de casos à 
Corte. 
• Corte Interamericana de Direitos Humanos – julga casos de violação 
cometidos por Estados signatários da Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). 
 O Brasil já foi condenado pela Corte em diversos casos, como no caso 
Favela Nova Brasília, envolvendo execuções sumárias e violência policial, e no caso 
Guerrilha do Araguaia, por desaparecimentos forçados durante a ditadura militar. 
 Tais decisões reforçam o compromisso internacional do país com os 
direitos humanos e demonstram a importância dos mecanismos regionais para a 
responsabilização estatal e a reparação de vítimas. 
10.5 Mecanismos de participação popular e controle social 
 O ordenamento brasileiro prevê uma série de instrumentos de 
participação democrática e controle social em matéria de direitos humanos, como: 
• Conselhos de Direitos (nacionais, estaduais e municipais); 
• Ouvidorias públicas; 
• Conferências temáticas (como a Conferência Nacional dos Direitos Humanos); 
• Audiências públicas e consultas populares. 
 Esses espaços garantem que a sociedade civil participe da formulação, 
fiscalização e avaliação de políticas públicas, fortalecendo a cultura democrática e a 
legitimidade das decisões. 
 Como observa Sposati (2011, p. 76), “o controle social é um dos pilares 
da gestão pública democrática, especialmente no campo dos direitos humanos”. 
 
 
 
11. VIOLÊNCIA E A AGENDA DE DIREITOS HUMANOS NO BRASIL: UMA 
AGENDA A SER CONSTRUÍDA 
 
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11.1 Contexto histórico da violência estrutural no Brasil 
 A violência no Brasil possui raízes históricas profundas, diretamente 
ligadas ao colonialismo, à escravidão, à concentração de renda, à marginalização 
social e ao racismo estrutural. Desde o período colonial, a estrutura social brasileira 
foi construída com base em hierarquias rígidas, desigualdades extremas e na 
desumanização de determinados grupos sociais. 
 
 
 
 Segundo Nilo Batista (2011, p. 62), “o Brasil é um país onde a violência 
é institucionalizada e seletiva, voltada, sobretudo, contra os pobres, os negros e os 
periféricos”. A permanência dessa lógica é visível nos dados de segurança pública, 
encarceramento, saúde e educação. 
11.2 Violência policial, institucional e estatal 
 A atuação das forças de segurança pública é um dos temas mais 
sensíveis da agenda de direitos humanos no país. O Brasil registra índices elevados 
de letalidade policial, especialmente nas periferias urbanas e em comunidades 
racializadas. Casos como o massacre do Jacarezinho (RJ, 2021) e operações policiais 
em favelas demonstram o uso excessivo da força, frequentemente sem 
responsabilização. 
 Além da violência policial, também se evidencia a violência institucional, 
presente em sistemas penitenciários superlotados, ausência de atendimento básico 
em unidades de saúde, negligência com populações indígenas, e omissão diante de 
comunidades em situação de vulnerabilidade. 
 De acordo com o relatório da Human Rights Watch (2024), o Brasil ainda 
precisa fortalecer seus mecanismos de accountability para impedir que agentes 
públicos ajam com impunidade diante de violações sistemáticas. 
11.3 Racismo estrutural, desigualdade de gênero e violações a 
populações vulneráveis 
 O racismo estrutural é um dos principais fatores de exclusão e violência 
no Brasil. A população negra é maioria entre os mortos pela polícia, entre os presos e 
entre os que vivem em situação de pobreza. Como afirma Silva (2022, p. 91), “a cor 
da pele continua sendo determinante no acesso a direitos, à justiça e à vida”. 
 A desigualdade de gênero também se reflete em altas taxas de 
feminicídio, violência doméstica e desigualdade salarial. A Lei Maria da Penha 
representou um avanço importante, mas sua efetividade depende de políticas 
integradas e continuidade institucional. 
 Outros grupos especialmente vulneráveis incluem pessoas LGBTQIA+, 
pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas, população em situação de rua e 
 
 
 
migrantes. A proteção a esses grupos exige ações afirmativas e estratégias 
específicas para garantir o acesso igualitário à cidadania. 
11.4 Segurança pública e direitos humanos 
 O debate sobre segurança pública no Brasil costuma ser marcado por 
visões polarizadas. De um lado, setores defendem ações repressivas e punitivistas; 
de outro, há uma proposta de segurança cidadã, orientada pelos princípios dos 
direitos humanos. 
 A Constituição de 1988 prevê, no art. 144, que “a segurança pública é 
dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”. Isso significa que as políticas 
de segurança devem garantir a vida, a liberdade e a integridade física de todos os 
cidadãos, inclusive daqueles que cometeram infrações penais. 
 Experiências bem-sucedidas em segurança cidadã no Brasil e no exterior 
mostram que investimentos em educação, cultura, inclusão e urbanização têm maior 
impacto na redução da violência do que medidas meramente repressivas. 
11.5 Propostas de políticas públicas integradas 
 A construção de uma agenda de direitos humanos exige a articulação 
entre diferentes áreas governamentais e o engajamento da sociedade civil. Políticas 
públicas integradas devem: 
• Priorizar a prevenção, e não apenas o controle da violência; 
• Investir em educação em direitos humanos e formação cidadã; 
• Garantir mecanismos eficazes de controle externo das polícias; 
• Fortalecer os sistemas de justiça e defensoria pública; 
• Apoiar comunidades locais na construção de redes de proteção e promoção de 
direitos. 
 Como destaca Pires (2019, p. 67), “uma política de direitos humanos 
eficaz é aquela que promove dignidade, reduz desigualdades e fortalece o tecido 
social”. 
11.6 A educação em direitos humanos como estratégia de transformação 
social 
 A educação em direitos humanos é uma das principais estratégias para 
enfrentar a cultura da violência e da exclusão. Promover o conhecimento sobre os 
 
 
 
direitos, sua história, fundamentos e formas de defesa é essencial para a formação 
de cidadãos críticos, conscientes e solidários. 
 O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2006) propõe 
ações no ensino básico, superior, profissionalizante e na formação de agentes 
públicos, como professores, policiais, assistentes sociais e gestores. 
 A transformação da realidade brasileira passa, necessariamente, pela 
valorização do ser humano como sujeito de direitos e pela construção de uma cultura 
de paz, equidade e justiça. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 A trajetória dos direitos humanos é, acima de tudo, uma história de luta 
por dignidade, liberdade e igualdade. Ao longo desta apostila, percorremos as origens 
históricas, fundamentos filosóficos, formulações jurídicas e os desafios concretos 
enfrentados na realização desses direitos, com destaque para o contexto brasileiro 
contemporâneo. 
 Foi possível compreender que os direitos humanos não são um privilégio, 
uma ideologia ou um discurso abstrato, mas sim instrumentos concretos de proteção 
da pessoa humana, especialmente em face de abusos do poder, da desigualdade 
social e da exclusão estrutural. Ao contrário do que os discursos reducionistas e 
desinformados propagam, os direitos humanos não protegem criminosos, mas 
protegem todos — inclusiveos mais vulneráveis, os marginalizados, as vítimas, e até 
os acusados, garantindo que a justiça opere dentro dos limites da legalidade e da 
ética. 
 No Brasil, a proteção dos direitos humanos é um desafio permanente, 
pois a violência, o racismo estrutural, a desigualdade de gênero, a pobreza, a 
homofobia e a exclusão continuam a produzir vítimas cotidianamente. As instituições 
precisam ser fortalecidas, as políticas públicas precisam ser ampliadas, mas, acima 
de tudo, é necessário formar uma cultura social comprometida com os direitos de 
todos. 
 
 
 
 A Constituição de 1988 deu um passo decisivo ao colocar a dignidade 
da pessoa humana como fundamento da República. Cabe a cada profissional — do 
direito, da educação, da saúde, da assistência, da gestão pública — conhecer, aplicar 
e defender esses direitos. A efetivação dos direitos humanos começa na prática 
cotidiana, na escuta ativa, na defesa do outro, no combate à discriminação e na 
valorização da diversidade. 
 Mais do que uma disciplina acadêmica, os direitos humanos devem ser 
compreendidos como um compromisso ético, uma lente de análise da realidade e uma 
ferramenta de transformação social. Por isso, espera-se que, ao concluir este material, 
você não apenas domine conceitos e categorias jurídicas, mas também compreenda 
seu papel ativo na promoção de uma sociedade mais justa, igualitária e humana. 
 A agenda dos direitos humanos no Brasil ainda está sendo construída — 
e sua construção depende de conhecimento, sensibilidade e coragem. 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1. BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. 12. 
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
2. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da 
constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003. 
3. COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 
6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 
4. DALLARI, Dalmo de Abreu. Os direitos da pessoa humana. 10. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2007. 
5. FERRAJOLI, Luigi. Direitos e garantias: a lei do mais fraco. Tradução: Ana 
Paula Dourado. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 
6. MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Direitos humanos e direito internacional. 9. 
ed. São Paulo: Método, 2014. 
7. PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional 
internacional. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
8. SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 12. ed. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2015. 
9. SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 41. ed. São 
Paulo: Malheiros, 2019. 
10. SOUSA SANTOS, Boaventura de. A gramática do tempo: para uma nova 
cultura política. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

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