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CONTRATOS EM GERAL 
 
1. CONCEITO E FINALIDADE DE CONTRATOS 
• Conceito: contrato é um acordo de vontades entre duas ou mais partes com 
objetivo de criar, modificar, transferir ou extinguir direitos e obrigações (art. 421 
e ss. do Código Civil). 
• Finalidade: regular interesses privados, conferindo segurança jurídica às 
relações econômicas. 
• Exemplo: compra e venda de um imóvel — o contrato formaliza obrigações 
recíprocas (entregar a casa e pagar o preço). 
 
2. REQUISITOS DE VALIDADE DOS CONTRATOS 
• Segundo art. 104 do Código Civil: 
1. Agente capaz 
2. Objeto lícito, possível, determinado ou determinável 
3. Forma prescrita ou não defesa em lei 
• Exemplo: contrato firmado por menor sem representante é anulável (falta de 
capacidade). 
 
3. PRINCÍPIOS GERAIS DOS CONTRATOS 
• Autonomia da vontade 
• Consensualismo 
• Função social 
• Boa-fé objetiva 
• Obrigatoriedade dos contratos (pacta sunt servanda) 
• Servem como norte interpretativo e filtros de validade. 
 
4. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO 
• Prevista no art. 421 do CC. 
• O contrato deve atender não apenas aos interesses das partes, mas também à 
coletividade. 
• Exemplo: cláusula abusiva em contrato de plano de saúde pode ser anulada, 
mesmo com anuência do consumidor. 
 
5. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE 
• As partes são livres para contratar e definir o conteúdo do contrato. 
• Limite: ordem pública, função social e boa-fé. 
• Exemplo: não é válido contrato para prática ilícita (como venda de drogas). 
 
6. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA ORDEM PÚBLICA 
• O contrato não pode contrariar normas cogentes (imperativas). 
• Exemplo: cláusula que afasta responsabilidade de transportadora por danos a 
passageiros é nula (art. 734 CC). 
 
7. PRINCÍPIO DO CONSENSUALISMO 
• O contrato se forma com o mero acordo de vontades, salvo quando a lei exigir 
forma específica. 
• Exemplo: compra de bens móveis não exige escritura pública. 
 
8. PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO 
• O contrato só vincula as partes contratantes, não terceiros (art. 421-A, I CC). 
• Exceção: estipulação em favor de terceiro (art. 436 CC). 
 
9. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ 
• Boa-fé objetiva (art. 422 CC): exige lealdade, honestidade e cooperação em 
todas as fases contratuais. 
• Exemplo: ocultar defeito grave de produto antes da venda viola a boa-fé. 
 
10. CONTRATOS UNILATERAIS E BILATERAIS 
• Unilateral: só gera obrigação para uma parte (ex.: doação pura). 
• Bilateral: gera obrigações para ambas as partes (ex.: compra e venda). 
 
11. CONTRATOS GRATUITOS E ONEROSOS 
• Gratuito: só beneficia uma parte (ex.: comodato). 
• Oneroso: há vantagens e sacrifícios recíprocos (ex.: locação). 
 
12. CONTRATOS COMUTATIVOS E ALEATÓRIOS 
• Comutativo: as prestações são certas e equivalentes (ex.: compra e venda). 
• Aleatório: depende de evento incerto (ex.: contrato de seguro). 
 
13. CONTRATOS PARITÁRIOS E DE ADESÃO 
• Paritário: as partes negociam livremente as cláusulas. 
• Adesão: cláusulas são impostas por uma das partes (art. 423 CC). 
• Exemplo: contrato de telefonia é típico contrato de adesão. 
 
14. CONTRATOS PERSONALÍSSIMOS E IMPESSOAIS 
• Personalíssimos: dependem da pessoa contratada (ex.: contrato com artista 
específico). 
• Impessoais: podem ser cumpridos por qualquer pessoa habilitada. 
 
15. CONTRATOS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS 
• Principal: subsiste por si mesmo (ex.: compra e venda). 
• Acessório: depende de outro contrato (ex.: fiança). 
 
16. CONTRATOS SOLENES E NÃO SOLENES 
• Solenes: exigem forma especial prevista em lei (ex.: escritura pública para 
imóveis > R$ 30 mil). 
• Não solenes: formados pelo simples acordo de vontades. 
 
17. CONTRATOS TÍPICOS E ATÍPICOS 
• Típicos: têm disciplina legal própria (ex.: locação). 
• Atípicos: criados pela autonomia das partes, respeitando a lei (ex.: contrato de 
franquia antes da Lei 8.955/94). 
 
18. INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS 
• Deve considerar a intenção das partes, a boa-fé e os usos do lugar (art. 113 
CC). 
• Em caso de dúvida, interpreta-se contra quem redigiu (art. 423 CC). 
 
19. FORMAÇÃO DO CONTRATO 
• Etapas: negociações preliminares → proposta → aceitação → conclusão. 
• A boa-fé também se aplica antes da assinatura (culpa in contrahendo). 
 
20. A PROPOSTA 
• É o ato inicial do contrato, contendo elementos essenciais (art. 427 CC). 
• Torna-se irrevogável após chegar ao destinatário, salvo retratação. 
 
21. A ACEITAÇÃO 
• Concordância pura e simples com a proposta (art. 431 CC). 
• Modificação da proposta gera nova proposta, não aceitação. 
 
22. TEMPO E LUGAR DA FORMA CONTRATUAL 
• Tempo: o contrato se forma no momento da aceitação (art. 434 CC). 
• Lugar: considera-se celebrado no local do proponente (art. 435 CC). 
 
23. CONTRATO PRELIMINAR 
• Promessa de contrato futuro, contendo elementos essenciais (art. 462 CC). 
• Gera direito à celebração do contrato definitivo, podendo ser exigido 
judicialmente. 
 
24. ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO 
• Uma parte promete vantagem a terceiro que não participou do contrato (art. 436 
CC). 
• Exemplo: seguro de vida em favor de beneficiário. 
 
25. PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO 
• Parte se compromete a fazer com que terceiro pratique determinado ato (art. 
439 CC). 
• Se não conseguir, responde por perdas e danos. 
 
26. CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR 
• Uma das partes reserva-se o direito de indicar posteriormente quem será o 
contratante (art. 467 CC). 
• Usado, por exemplo, em leilões. 
 
27. VÍCIOS REDIBITÓRIOS 
• Defeitos ocultos no objeto do contrato que o tornam impróprio ou diminuem seu 
valor (arts. 441-446 CC). 
• O comprador pode pedir rescisão ou abatimento do preço. 
 
28. EVICÇÃO 
• Perda do bem adquirido por decisão judicial, em razão de direito anterior de 
terceiro (arts. 447-457 CC). 
• O alienante deve indenizar o adquirente. 
 
29. EXTINÇÃO NORMAL 
• Cumprimento do contrato conforme pactuado — extingue as obrigações sem 
litígio. 
 
30. RESILIÇÃO UNILATERAL E BILATERAL 
• Bilateral (distrato): ambas as partes decidem extinguir o contrato (art. 472 CC). 
• Unilateral: admitida em contratos por prazo indeterminado, mediante aviso (art. 
473 CC). 
 
31. CLÁUSULA RESOLUTIVA 
• Expressa: prevista no contrato (art. 474 CC). 
• Tácita: decorre do inadimplemento, mesmo sem cláusula expressa. 
 
32. EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO 
• Nenhuma parte é obrigada a cumprir sua obrigação se a outra não cumprir a 
sua (art. 476 CC). 
 
33. RESOLUÇÃO CONTRATUAL POR ONEROSIDADE EXCESSIVA 
• Se, por evento imprevisível, uma obrigação se torna excessivamente onerosa, a 
parte pode pedir resolução (art. 478 CC). 
• Exemplo: contrato de fornecimento afetado por hiperinflação ou pandemia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
1. Conceito de Tributo, Obrigação Tributária e Crédito Tributário 
• Tributo (art. 3º CTN): prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo 
valor nela se possa exprimir, não constituindo sanção de ato ilícito, instituída 
por lei e cobrada mediante atividade administrativa vinculada. 
o Exemplo: IPTU não é multa; é tributo obrigatório. 
• Obrigação tributária (art. 113 CTN): 
o Principal: surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o 
pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. 
o Acessória: deveres instrumentais, como emitir notas fiscais, entregar 
declarações, escriturar livros; a inobservância gera penalidade. 
• Crédito tributário (art. 139 CTN): decorre da obrigação tributária principal 
regularmente constituída pelo lançamento, tem por objeto exigir o tributo. 
 
2. Conceito de Direito Tributário. Autonomia e relações com outros ramos 
• Conceito: ramo do direito público que regula instituição, arrecadação e 
fiscalização de tributos, bem como a relação jurídica entre o Estado (sujeito 
ativo) e o contribuinte (sujeito passivo). 
• Autonomia: tem princípios e institutosdegradantes – alojamentos insalubres, falta de alimentação, 
ausência de higiene. 
4. Restrição por dívida – impedir que o trabalhador deixe o emprego por 
débitos criados pelo empregador. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: intenção de reduzir a pessoa a condição análoga à de escravo. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a efetiva submissão do trabalhador a qualquer das condições 
descritas. 
Tentativa 
• Possível se o agente inicia atos de execução e não consuma o crime por 
circunstâncias alheias à sua vontade. 
Condutas assemelhadas (doutrina e jurisprudência) 
• Aliciamento de trabalhadores para condições degradantes (art. 207 CP). 
• Tráfico de pessoas para exploração laboral (art. 149-A CP). 
Pena e ação penal 
• Pena: reclusão de 2 a 8 anos e multa. 
• Ação penal: pública incondicional. 
 
 
21. ART. 150 – VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO 
Conceito 
• "Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade 
expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas 
dependências." 
• Crime contra a inviolabilidade do domicílio, garantida pelo art. 5º, XI, da CF. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: direito à privacidade, à intimidade e à segurança do 
lar. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: titular do domicílio (proprietário, possuidor, inquilino, hóspede, etc.). 
Tipo objetivo 
• Entrar ou permanecer em residência sem consentimento ou contra vontade do 
morador. 
• Pode ocorrer clandestinamente (às escondidas) ou astuciosamente (por 
fraude). 
Tipo subjetivo 
• Dolo: intenção consciente de violar o domicílio. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a invasão ou permanência indevida, ainda que por pouco tempo. 
Tentativa 
• Admite-se quando o agente inicia a entrada e é impedido. 
Formas qualificadas (art. 150, §1º e §2º) 
• Durante a noite, ou com violência contra pessoa ou coisa, ou por duas ou mais 
pessoas: pena maior. 
• Não há crime se a entrada ocorrer para prestar socorro ou em caso de desastre. 
 
 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 1 a 3 meses ou multa. 
• Qualificadas: detenção de 6 meses a 2 anos. 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
22. ART. 151 – VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA 
Conceito 
• "Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a 
outrem." 
• Protege o sigilo da comunicação, previsto no art. 5º, XII, CF. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: privacidade e inviolabilidade da correspondência. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: o destinatário da correspondência. 
 
 
Tipo objetivo 
• Abrir carta ou outro meio de comunicação fechada sem autorização. 
• Sonegar, destruir ou inutilizar correspondência também é típico (art. 151, 
§1º). 
• Violação de comunicação telegráfica, telefônica ou radioelétrica também está 
prevista (§2º). 
• Impedimento de comunicação ou instalação/uso clandestino de aparelho de 
telecomunicações são condutas puníveis (§3º). 
Tipo subjetivo 
• Dolo: intenção de violar ou impedir comunicação alheia. 
• Não há modalidade culposa. 
 
Consumação 
• Ocorre com a abertura, destruição, supressão ou divulgação indevida. 
Tentativa 
• Admite-se quando o agente não consegue consumar a violação por 
circunstâncias alheias à sua vontade. 
Aumento de pena (art. 151, §4º) 
• Se o crime é cometido por motivo egoístico ou para obter vantagem 
econômica, a pena é aumentada de metade. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa (básica). 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
23. ART. 152 – CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL 
Conceito 
• "Divulgar, sem justa causa, conteúdo de correspondência ou documento 
particular, de natureza comercial, cuja divulgação possa causar dano a 
outrem." 
• Protege o sigilo empresarial e o segredo comercial. 
 
 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: privacidade e segurança das relações comerciais. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: o remetente ou destinatário, ou titular da informação comercial. 
Tipo objetivo 
• Divulgação indevida do conteúdo da correspondência ou documento comercial, 
com potencial de causar dano. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de divulgar informação sigilosa. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a divulgação efetiva, não apenas com a leitura. 
Tentativa 
• Admite-se se o agente inicia a divulgação e não conclui por circunstâncias 
alheias à sua vontade. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 3 meses a 2 anos ou multa. 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
24. ART. 153 – DIVULGAÇÃO DE SEGREDO 
Conceito 
• "Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de 
correspondência confidencial, de que tem ciência em razão de ofício, emprego 
ou profissão, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem." 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: privacidade, confiança e sigilo de informações 
particulares. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa que tenha acesso lícito ou ilícito ao segredo. 
• Passivo: titular do documento ou informação. 
Tipo objetivo 
• Divulgação sem justa causa de conteúdo sigiloso ou confidencial, capaz de 
gerar dano. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: intenção de divulgar o segredo. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a divulgação efetiva do conteúdo sigiloso. 
Tentativa 
• Admite-se se a divulgação não se completa. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa. 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
 
25. ART. 154 – VIOLAÇÃO DO SEGREDO PROFISSIONAL 
Conceito 
• "Revelar alguém, sem justa causa, segredo de que tem ciência em razão de 
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a 
outrem." 
• Protege o sigilo profissional, essencial em atividades como advocacia, 
medicina, psicologia, jornalismo, entre outras. 
 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: confiança depositada na função ou profissão e 
privacidade do titular da informação. 
Sujeitos 
• Ativo: profissional que tem acesso a segredo em razão do ofício. 
• Passivo: a pessoa que confia o segredo ou a quem ele pertence. 
Tipo objetivo 
• Revelar segredo sem justa causa, em violação a dever legal ou ético. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de revelar o segredo. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a divulgação efetiva do segredo. 
Tentativa 
• Possível quando a revelação não se consuma. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 3 meses a 1 ano ou multa. 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO TRABALHISTA 
 
1. Evolução Histórica do Direito do Trabalho 
Origem remota do Direito do Trabalho 
• Escravidão (Antiguidade): 
o O trabalho era forçado, o escravo era considerado coisa (res), sem 
direitos. 
o Ex.: Roma Antiga, Grécia, Egito. 
• Servidão (Idade Média): 
o O servo trabalhava na terra do senhor feudal, com laços pessoais e 
hereditários. 
o Havia maior proteção em relação à escravidão, mas ainda não havia 
liberdade contratual. 
• Corporações de ofício (Baixa Idade Média): 
o Organizações de artesãos e mestres que regulavam a produção, preços e 
formação profissional. 
o Surgem regras internas sobre aprendizado, jornada e remuneração. 
• Locação de serviços (Revolução Industrial): 
o O trabalho passou a ser contratado livremente, mas sem proteção 
jurídica. 
o Surgem jornadas extenuantes, trabalho infantil e feminino em condições 
precárias. 
 
Origem moderna: o Contrato de Trabalho 
• Surge no século XIX, com a Revolução Industrial, para corrigir abusos do 
liberalismo econômico. 
• O Estado passa a intervir nas relações privadas por meio de leis trabalhistas. 
• Primeiras leis trabalhistas na Europa: 
o Inglaterra (1802 – Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes). 
o França (1841 – Limitação do trabalho infantil). 
o Alemanha (1883 – Sistema de seguro social de Bismarck).Evolução do Direito do Trabalho no Brasil 
1. Período escravocrata (até 1888): não havia proteção jurídica ao trabalho livre. 
2. Pós-abolição e início do trabalho livre (1888-1930): 
o Leis esparsas sobre acidentes de trabalho (1919) e sindicalização. 
3. Era Vargas (1930-1945): 
o Criação do Ministério do Trabalho (1930). 
o Instituição da Justiça do Trabalho (1939). 
o CLT – Consolidação das Leis do Trabalho (1943) unificando 
legislação esparsa. 
4. Constituição de 1988: 
o Elevou direitos trabalhistas a direitos fundamentais (art. 7º CF). 
o Ex.: FGTS, 13º salário, seguro-desemprego, jornada limitada. 
5. Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017): 
o Alterações na CLT para flexibilização, negociado x legislado, trabalho 
intermitente, home office. 
 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) 
• Decreto-Lei nº 5.452/1943. 
• Unificou normas existentes, criando um código trabalhista nacional. 
• Estrutura: relações individuais e coletivas de trabalho, normas de proteção, 
fiscalização e processo trabalhista. 
 
Convenções e Recomendações Internacionais do Trabalho 
• A OIT (Organização Internacional do Trabalho) produz normas 
internacionais ratificadas pelo Brasil. 
• Convenções importantes: 
o Nº 87 (Liberdade Sindical – não ratificada pelo Brasil). 
o Nº 98 (Direito de sindicalização e negociação coletiva). 
o Nº 138 (Idade mínima para o trabalho). 
o Nº 182 (Piores formas de trabalho infantil). 
• Efeito jurídico: têm status supralegal (STF, RE 466.343). 
 
Fontes do Direito do Trabalho 
• Materiais: fatos sociais que geram a norma (lutas operárias, revoluções). 
• Formais: meios de expressão da norma: 
o Constituição, leis, decretos, regulamentos. 
o Convenções e acordos coletivos. 
o Sentenças normativas da Justiça do Trabalho. 
o Usos e costumes. 
o Normas internacionais ratificadas. 
 
Princípios do Direito do Trabalho 
• Proteção: aplica-se a regra mais favorável ao trabalhador. 
• Irrenunciabilidade de direitos: trabalhador não pode abrir mão de direitos 
mínimos. 
• Primazia da realidade: prevalece a prática sobre o contrato escrito. 
• Continuidade da relação de emprego: presume-se que o contrato é por tempo 
indeterminado. 
• Indisponibilidade mínima de direitos: certos direitos não podem ser afastados 
nem por acordo. 
 
Definição e Natureza Jurídica do Direito do Trabalho 
• Definição: conjunto de normas e princípios que regulam a relação de emprego e 
protegem o trabalhador. 
• Natureza jurídica: ramo do direito autônomo, com caráter público e privado 
(público por ser de ordem pública, privado por regular relações individuais). 
 
2. Evolução do Direito do Trabalho no Brasil 
(detalhado acima, mas pode ser organizado em linha do tempo) 
 
3. Fontes do Direito do Trabalho 
• Constitucionais: art. 7º, art. 8º e art. 114 da CF. 
• Infraconstitucionais: CLT, leis ordinárias e complementares. 
• Normas coletivas: convenções, acordos coletivos, sentenças normativas. 
• Normas internacionais: convenções da OIT. 
• Costumeiras e jurisprudenciais: usos reiterados e súmulas do TST. 
 
4. Hierarquia das Normas Trabalhistas 
• Pirâmide normativa trabalhista: 
o Constituição Federal (normas fundamentais). 
o Tratados internacionais (status supralegal). 
o Leis ordinárias (CLT). 
o Convenções e acordos coletivos. 
o Regulamentos da empresa, contratos individuais. 
• Princípio da norma mais favorável: em conflitos, prevalece a norma mais 
benéfica ao trabalhador, respeitando a ordem pública. 
 
5. Contrato de Trabalho 
• Definição: acordo expresso ou tácito pelo qual uma pessoa física se compromete 
a prestar serviços não eventuais a outrem, com subordinação e mediante salário. 
• Natureza jurídica: negócio jurídico bilateral, oneroso, consensual e de trato 
sucessivo. 
• Características: 
o Pessoa física como empregado. 
o Subordinação jurídica. 
o Onerosidade (salário). 
o Pessoalidade (não pode se fazer substituir). 
o Não eventualidade (habitualidade). 
• Requisitos de validade: capacidade das partes, objeto lícito, forma lícita. 
• Contrato por prazo determinado: art. 443 e 445 CLT – até 2 anos, usado em 
experiência, serviços temporários ou sazonais. 
 
6. Do Direito Civil Obrigacional 
• O contrato de trabalho tem base nas regras gerais do Direito Civil (arts. 421 a 
425 CC), mas com caráter protetivo especial do Direito do Trabalho. 
 
7. O Contrato de Trabalho 
(Complementa item 5, incluindo formação: acordo de vontades expresso ou tácito, 
início com a prestação do serviço, prevalência da realidade.) 
 
8. Tipos de Trabalho Subordinado e Autônomo 
• Trabalho subordinado: há dependência jurídica do trabalhador em relação ao 
empregador. 
• Trabalho autônomo: prestador de serviço sem subordinação, com autonomia 
na execução. 
• Outras modalidades: eventual, avulso, temporário, intermitente, terceirizado. 
 
9. Relação de Emprego e Contrato de Trabalho 
• Relação de trabalho: gênero. 
• Relação de emprego: espécie caracterizada por subordinação, pessoalidade, 
onerosidade e habitualidade. 
• Contrato de trabalho: instrumento jurídico formalizando a relação de emprego. 
 
10. Elementos de Formação do Contrato de Trabalho 
• Consentimento livre e válido. 
• Capacidade das partes. 
• Objeto lícito. 
• Forma lícita (expressa ou tácita). 
• Registro na CTPS (art. 29 CLT) como obrigação do empregador. 
 
Vamos organizar cada tópico com máximo de informações, fundamentação jurídica, 
exemplos práticos e referências normativas da CLT, Constituição Federal, 
jurisprudência do TST e doutrina. Seguirei a numeração apresentada. 
 
11. Teoria das Nulidades do Direito do Trabalho 
• Conceito geral: A nulidade é a sanção aplicada ao ato jurídico que não cumpre 
os requisitos legais para sua validade. 
• Fundamento jurídico: Art. 9º da CLT – “Serão nulos de pleno direito os atos 
praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos 
preceitos contidos na presente Consolidação.” 
• Tipos de nulidade: 
o Nulidade absoluta: ato contrário a normas de ordem pública (ex.: 
contratação de menor de 14 anos, art. 7º, XXXIII da CF). Pode ser 
reconhecida de ofício. 
o Nulidade relativa: protege interesse particular (ex.: vício de 
consentimento), devendo ser alegada pela parte prejudicada. 
• Exemplos práticos: 
o Contrato “pejotizado” (empregado formalmente como pessoa jurídica) 
→ nulo → vínculo empregatício reconhecido. 
o Cláusula que renuncia a férias ou 13º → nula (direitos indisponíveis). 
• Jurisprudência: TST, Súmula 363 – contratos nulos por falta de concurso 
público na Administração não geram estabilidade, mas asseguram pagamento 
dos dias trabalhados. 
 
12. Natureza Jurídica do Contrato de Trabalho 
• É contrato de direito privado, mas com forte intervenção estatal para 
proteção do empregado (hipossuficiente). 
• Caráter sinalagmático e oneroso: gera obrigações recíprocas. 
• Distinção da relação civil: no contrato de trabalho há subordinação jurídica, 
que não ocorre em contratos civis (ex.: prestação de serviços autônomos). 
• Fundamento jurídico: Art. 442 da CLT – “Contrato individual de trabalho é o 
acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego.” 
• Natureza jurídica mista: 
o Consensual (basta acordo de vontades); 
o De trato sucessivo (obrigações se repetem no tempo); 
o Intuitu personae (celebrado em razão da pessoa do empregado). 
 
13. Características 
1. Consensualidade: nasce do simples acordo, sem formalidades. 
2. Comutatividade: as partes conhecem as prestações recíprocas. 
3. De trato sucessivo: obrigações periódicas (salário, jornada). 
4. Onerosidade: contraprestação obrigatória. 
5. Subordinação: poder diretivo do empregador. 
6. Pessoalidade: o empregado não pode se fazer substituir livremente. 
7. Alteridade: riscos do negócio cabem ao empregador (art. 2º da CLT). 
 
14. Formação e Caracterização do Contrato de Trabalho 
• Elementos essenciais: capacidade, objeto lícito,forma prescrita/permitida. 
• Requisitos específicos da relação de emprego (art. 3º da CLT): 
1. Pessoa física; 
2. Pessoalidade; 
3. Não-eventualidade (habitualidade); 
4. Onerosidade; 
5. Subordinação. 
• Exemplo: João é contratado para trabalhar todos os dias em escritório, 
recebendo salário e seguindo ordens → vínculo reconhecido. 
• Formas: verbal, escrito, tácito. A forma escrita é exigida apenas em hipóteses 
especiais (ex.: contrato de experiência). 
 
15. Não-eventualidade 
• Conceito: prestação de serviços de forma contínua, atendendo à necessidade 
permanente do empregador. 
• Fundamento jurídico: Art. 3º da CLT (habitualidade implícita). 
• Exemplo: garçon que trabalha todos os fins de semana → não é eventual, pois o 
serviço é essencial ao restaurante. 
• Jurisprudência: TST reconhece vínculo mesmo com jornadas reduzidas, desde 
que a atividade seja permanente. 
 
16. Onerosidade 
• Conceito: obrigação do empregador de pagar salário como contraprestação ao 
trabalho. 
• Fundamento jurídico: Art. 457 da CLT – define o salário e parcelas 
integrantes. 
• Sem salário, não há emprego: 
o Trabalho voluntário → não há vínculo (Lei 9.608/98); 
o Pagamento em “comissão” ou “gorjeta” ainda caracteriza onerosidade. 
• Exemplo: se a empresa diz que o trabalhador “ganhará apenas experiência” → 
contrato nulo (fraude). 
 
17. Validade Jurídica da Relação de Emprego 
• Requisitos: 
1. Capacidade civil das partes (art. 104, CC); 
2. Objeto lícito (atividade não proibida); 
3. Observância da legislação trabalhista (arts. 2º e 3º CLT); 
4. Não violação de normas constitucionais (ex.: idade mínima). 
• Nulidade: atos que afrontam a lei (art. 9º CLT). 
• Exemplo: contratação de menor de 14 anos → nula, mas garante direitos 
trabalhistas pelo tempo efetivo (Súmula 363/TST). 
 
18. Exigência de Experiência Prévia do Empregado 
• Fundamento jurídico: Art. 442-A, CLT (incluído pela Lei 11.644/2008) – “É 
vedado exigir experiência prévia superior a 6 meses no mesmo tipo de 
atividade.” 
• Finalidade: evitar barreiras injustificadas para quem busca o primeiro emprego. 
• Exemplo: empresa exige 2 anos de experiência para função básica de 
recepcionista → ilegal. 
• Exceções: cargos técnicos ou de risco podem justificar exigências específicas, 
desde que razoáveis e proporcionais. 
 
19. Exigência de Certidão de Antecedentes 
• Regra: só é lícita quando a natureza da função justificar (Súmula 444 TST e 
princípios constitucionais da dignidade e não discriminação – art. 5º, X e XLI 
CF). 
• Exemplo lícito: contratação para vigilante, segurança armada ou transporte de 
valores → pode exigir. 
• Exemplo ilícito: exigir antecedentes para balconista ou caixa → discriminação, 
salvo previsão legal. 
• Base jurídica adicional: Lei 9.029/95 proíbe práticas discriminatórias no 
acesso ao emprego. 
 
20. Contrato de Trabalho Intermitente 
• Fundamento jurídico: Art. 443, §3º e Art. 452-A da CLT (incluído pela 
Reforma Trabalhista – Lei 13.467/2017). 
• Conceito: contrato no qual o empregado é convocado para trabalhar com 
alternância de períodos de prestação de serviços e inatividade, recebendo 
apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. 
• Requisitos: 
o Forma escrita obrigatória; 
o Convocação com antecedência mínima de 3 dias; 
o Pagamento imediato ao final de cada período de trabalho (salário, férias 
proporcionais, 13º proporcional, FGTS). 
• Exemplo: garçom convocado apenas para eventos esporádicos, recebendo ao 
final de cada jornada. 
• Limites: não afasta vínculo de emprego nem direitos básicos (FGTS, INSS, 
descanso). 
• Controvérsia: questionamentos de constitucionalidade pendentes no STF (ADIs 
5826 e 6154). 
 
Vamos desenvolver cada tópico com profundidade máxima, trazendo fundamentação 
legal, doutrina, jurisprudência e exemplos práticos, seguindo a sua numeração. 
 
21. Contrato de Trabalho Temporário da Lei nº 9.601/98 (Contrato Provisório) 
• Natureza jurídica: contrato por prazo determinado, autorizado pela Lei nº 
9.601/98, voltado a facilitar admissões temporárias mediante redução de 
encargos trabalhistas e incentivos fiscais. 
• Finalidade: estimular empregos em situações transitórias de acréscimo de 
produção ou demanda. 
• Diferença do contrato temporário da Lei 6.019/74: 
o Lei 6.019/74 → contrato de trabalho temporário intermediado por 
empresa de trabalho temporário. 
o Lei 9.601/98 → contratação direta, sem necessidade de empresa 
intermediadora, com redução do depósito de FGTS (de 8% para 2%, 
regra que vigorou até revogação do incentivo fiscal). 
• Prazo: até 2 anos, improrrogável além desse limite (art. 1º da Lei 9.601/98). 
• Direitos assegurados: todos os direitos trabalhistas básicos (salário, férias 
proporcionais, 13º proporcional, FGTS, INSS), mas sem a multa de 40% do 
FGTS se houver término regular. 
 
22. Celebração contratual 
• Forma: obrigatoriamente escrita. 
• Comunicação ao sindicato: o contrato deveria ser celebrado mediante acordo 
ou convenção coletiva (art. 2º da Lei 9.601/98), com envio de cópia ao 
Ministério do Trabalho. 
• Cláusulas essenciais: 
o Prazo determinado e justificativa objetiva; 
o Jornada, remuneração e direitos; 
o Previsão de que não há estabilidade após o término do prazo. 
 
23. Hipóteses de pactuação 
• Acréscimo extraordinário de serviços (picos de produção, safra, datas 
festivas); 
• Situações transitórias de mercado (lançamento de produto, grande 
encomenda); 
• Necessidade temporária de substituição de pessoal (férias coletivas, 
afastamento). 
• Proibição: não pode ser usado para suprir necessidades permanentes da 
empresa — risco de reconhecimento de vínculo por prazo indeterminado. 
 
24. Requisitos do contrato 
1. Forma escrita obrigatória; 
2. Acordo ou convenção coletiva autorizando a adoção; 
3. Prazo máximo de 2 anos; 
4. Registro na CTPS do empregado; 
5. Pagamento proporcional de férias + 13º salário + FGTS; 
6. Observância do salário mínimo ou piso da categoria; 
7. Não pode haver sucessivos contratos sem intervalo mínimo de 6 meses para a 
mesma função (art. 452 da CLT por analogia). 
 
25. Caracterização da figura jurídica 
• É contrato por prazo determinado especial. 
• Rege-se pela CLT (arts. 443 e 451) e pela Lei nº 9.601/98. 
• Prorrogação indevida → converte-se em contrato por prazo indeterminado 
(art. 451 CLT). 
• Mantém a subordinação jurídica e onerosidade típicas do vínculo de emprego. 
 
26. Denominação 
• Conhecido como "Contrato Provisório" ou "Contrato de Trabalho da Lei nº 
9.601/98". 
• Difere de contratos “a termo” comuns por depender de acordo coletivo e ter 
natureza transitória e incentivada. 
 
27. Características trabalhistas comuns 
• Aplicam-se as regras gerais do contrato de trabalho: 
o Registro em carteira (art. 29 da CLT); 
o Direito a férias proporcionais, 13º, FGTS, INSS; 
o Depósito do FGTS (percentual foi reduzido no período inicial da lei); 
o Jornada limitada pelos arts. 58 e 59 da CLT (8h/dia, 44h/semana). 
 
28. Características trabalhistas especiais 
• Não há aviso prévio ao término do contrato, por ser contrato a termo (art. 481 
CLT por exclusão). 
• Não há multa de 40% do FGTS no término regular; 
• Depósito reduzido de FGTS (regra original da lei): de 8% para 2% — 
benefício fiscal já esgotado, mas relevante para estudo histórico. 
• Necessidade de acordo coletivo: requisito formal que o distingue dos demais 
contratos a prazo. 
 
29. Contrato de Trabalho a Tempo Parcial (Art. 58-A da CLT) 
• Conceito: jornada de trabalho inferior a 30 horas semanais, sem horas extras, 
ou até 26 horas com até 6 horas suplementares (alteração da Reforma 
Trabalhista – Lei 13.467/2017). 
• Características: 
o Remuneração proporcional à jornada; 
o Férias proporcionais de 30 dias, mas com possibilidade de conversão 
parcial em abono; 
o Não há limitação para benefícios (vale-transporte, FGTS, INSS); 
o Admissível para qualquer tipode atividade, desde que não ultrapasse 
limites de horas. 
• Exemplo: balconista que trabalha 25h semanais, recebendo salário proporcional 
ao piso de 44h. 
• Fundamento jurídico: Art. 58-A da CLT e Art. 7º, XIII da CF (limitação de 
jornada). 
 
30. Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) 
• Natureza jurídica: documento de registro obrigatório para todo trabalhador 
urbano e rural (art. 13 da CLT). 
• Obrigatoriedade: empregador tem prazo de 5 dias úteis para anotar dados do 
contrato (art. 29 da CLT). 
• Informações obrigatórias: 
o Dados do contrato (função, data de admissão, salário); 
o Anotações de férias, alterações salariais, rescisão. 
• Consequências da falta de anotação: 
o Multa administrativa ao empregador (art. 47 da CLT); 
o Possibilidade de reconhecimento judicial do vínculo; 
o Não prejudica o trabalhador — anotações podem ser feitas 
retroativamente por decisão judicial. 
• CTPS digital: substituiu gradualmente a versão física (Portaria nº 1.065/2019 
do Ministério da Economia). 
• Exemplo prático: empresa contrata sem registro → ação trabalhista → juiz 
reconhece vínculo → determina anotação retroativa com todos os direitos. 
 
Aqui está uma exposição completa e detalhada, trazendo conceitos, fundamentos 
legais, jurisprudência e exemplos práticos sobre os tópicos solicitados. 
 
31. Interrupção e Suspensão do Contrato de Trabalho – conceito 
• Conceito geral: São hipóteses em que o contrato de trabalho continua 
existindo, mas os efeitos obrigacionais (prestação de serviço e pagamento de 
salário) sofrem modificações temporárias. 
• Fundamento jurídico: CLT (arts. 471 a 476-A), Constituição Federal (art. 7º), 
Lei 8.213/91 (benefícios previdenciários). 
• Diferença essencial: 
o Interrupção: empregado não trabalha, mas continua recebendo salário 
e o tempo conta para todos os efeitos (ex.: férias, repouso semanal 
remunerado). 
o Suspensão: empregado não trabalha, não recebe salário e o tempo não 
é contado para efeitos de tempo de serviço (salvo exceções legais). 
 
32. Suspensão do Contrato de Trabalho 
• Conceito: cessam temporariamente prestação de serviço e pagamento de 
salário, mantendo-se o vínculo. 
• Características: 
o Não há contagem de tempo para férias, FGTS, 13º (salvo exceções); 
o Empregado pode ficar vinculado à Previdência Social se receber 
benefício (auxílio-doença, aposentadoria por invalidez); 
o Não pode haver prestação de serviços sob pena de descaracterizar a 
suspensão. 
 
33. Interrupção do Contrato de Trabalho 
• Conceito: empregado não trabalha mas o empregador continua pagando 
salário e o período conta para todos os efeitos legais. 
• Exemplos clássicos: 
o Férias (art. 129 CLT); 
o Repouso semanal remunerado (art. 7º, XV CF); 
o Feriados (Lei 605/49); 
o Licença-maternidade/paternidade (arts. 392 e 392-A CLT) – embora o 
salário seja pago pelo INSS, conta como tempo de serviço; 
o Primeiros 15 dias de afastamento por doença (art. 60 §3º Lei 8.213/91). 
 
34. Hipóteses de Suspensão do Contrato 
• Principais situações legais: 
o Auxílio-doença comum ou acidentário (a partir do 16º dia) – art. 476 
CLT; 
o Aposentadoria por invalidez – art. 475 CLT; 
o Licença não remunerada – art. 476 CLT; 
o Greve lícita – art. 7º, CF, Lei 7.783/89 (em regra, sem salário, salvo 
acordo); 
o Serviço militar obrigatório – art. 472 CLT; 
o Bolsas de estudo com suspensão do contrato – art. 476-A CLT 
(suspensão para qualificação profissional por até 5 meses, com acordo 
coletivo). 
• Jurisprudência relevante: TST entende que “home office informal” ou 
prestação de serviço durante licença médica anula a suspensão. 
 
35. Efeitos Jurídicos da Suspensão 
1. Preservação do vínculo empregatício – contrato não é rescindido; 
2. Ausência de pagamento de salário (salvo benefícios previdenciários); 
3. Tempo não conta para férias, FGTS e 13º (exceto nos casos de acidente de 
trabalho em que há depósito de FGTS – art. 15 §5º Lei 8.036/90); 
4. Estabilidade provisória pode ser preservada, dependendo do caso (ex.: 
licença sindical – art. 543 CLT). 
 
36. Alteração do Contrato de Trabalho 
• Conceito: qualquer modificação nas condições originais do contrato (função, 
local, salário, jornada). 
• Fundamento jurídico: art. 468 da CLT – qualquer alteração só é válida com 
consentimento do empregado e sem prejuízo para ele. 
• Princípio da inalterabilidade contratual lesiva: evita que o empregador 
imponha mudanças unilaterais prejudiciais. 
 
37. Alteração nas Condições de Trabalho 
• Válida quando: 
o Há acordo das partes; 
o Não traz prejuízo direto ou indireto; 
o Atende às necessidades do serviço. 
• Nula quando: 
o Ocorre por imposição unilateral do empregador com prejuízo (art. 468 
CLT); 
o Envolve redução salarial sem acordo coletivo (art. 7º, VI CF). 
 
38. Jus Variandi 
• Conceito: poder do empregador de modificar unilateralmente condições 
secundárias do contrato, no exercício do poder diretivo, sem causar prejuízo 
ao empregado. 
• Exemplos: 
o Alterar horários de trabalho dentro da mesma jornada; 
o Redistribuir tarefas compatíveis com a função. 
• Limites: não pode atingir cláusulas essenciais do contrato (salário, cargo, local 
fixo quando implica mudança gravosa). 
 
39. Embasamento Legal – O Poder Diretivo 
• Art. 2º da CLT: o empregador assume os riscos da atividade econômica e dirige 
a prestação pessoal de serviços. 
• Art. 444 da CLT: liberdade contratual limitada pelas normas de proteção do 
trabalho. 
• Art. 468 da CLT: veda alteração lesiva. 
• Jurisprudência: TST, Súmula 265 – alteração de horário de trabalho por ato 
unilateral é lícita, desde que não haja prejuízo direto ou indireto. 
 
40. Classificação dos Jus Variandi 
• Vertical: mudanças substanciais e hierárquicas (ex.: alteração de setor, 
remanejamento para funções diferentes, desde que compatíveis). 
• Horizontal: mudanças pontuais e laterais (ex.: ajustes de horário, tarefas do 
mesmo nível). 
• Interno: dentro do mesmo estabelecimento (ex.: mudar de departamento). 
• Externo: transferência para outro local, cidade ou filial, com maiores restrições 
(requer justificativa e, em certos casos, anuência). 
 
41. O Jus Resistendi (Jus Resistentae) 
• Conceito: direito do empregado de recusar ordens ilegais, abusivas ou que 
alterem o contrato de modo prejudicial. 
• Fundamento: art. 468 CLT e princípios constitucionais da dignidade do 
trabalhador. 
• Exemplos: 
o Recusa a trabalhar em ambiente insalubre sem EPIs; 
o Recusa a transferência que implique mudança abusiva sem justificativa. 
• Jurisprudência: TST entende que não há ato de indisciplina quando o 
empregado resiste a ordem manifestamente ilegal. 
 
42. Reforma Trabalhista e o Jus Variandi 
• Lei 13.467/2017: ampliou a autonomia negocial e reforçou hipóteses de 
alteração de jornada, banco de horas e teletrabalho, desde que haja acordo 
escrito. 
• Impacto: tornou mais flexível o poder diretivo do empregador, mas manteve o 
princípio da vedação ao prejuízo. 
• Exemplo: mudanças no regime de teletrabalho (art. 75-C CLT) podem ser 
determinadas pelo empregador com aviso prévio de 15 dias, salvo cláusula 
contratual diferente. 
 
43. Alteração do Local de Trabalho: Transferência 
• Conceito: deslocamento do empregado para outro local ou cidade. 
• Fundamento jurídico: arts. 469 a 470 da CLT. 
• Regra geral: transferência só pode ocorrer com consentimento do empregado, 
salvo: 
o Quando há necessidade de serviço (com comprovação); 
o Quando é cargo de confiança ou há cláusula contratual expressa de 
transferibilidade. 
• Direitos do trabalhador transferido: 
o Adicional de 25% sobre salário (art. 469 §3º CLT), quando a 
transferência é provisória; 
o Custos da mudança arcados pelo empregador (art. 470 CLT). 
• Nulidade da transferência: se ocorrer sem necessidade, anuência ou cláusula 
contratual válida. 
• Jurisprudência: TST, Súmula 43 – a transferência só é lícitaquando existe real 
necessidade do serviço. 
 
Aqui está um detalhamento completo sobre os tópicos solicitados, com informações 
jurídicas, fundamentação legal e exemplos práticos: 
 
44. Extinção do Contrato de Trabalho 
• Conceito: a extinção ocorre quando o vínculo empregatício chega ao fim, seja 
por iniciativa do empregado ou do empregador, ou por término natural do 
contrato. 
• Formas de extinção: 
1. Pedido de demissão: iniciativa do empregado (art. 487 CLT). Deve ser 
formalizado por escrito; o empregado tem direito às férias vencidas, 13º 
proporcional, e não recebe aviso prévio indenizado. 
2. Extinção sem justa causa: iniciativa do empregador (art. 487 CLT). O 
empregado recebe aviso prévio, saldo de salário, férias vencidas e 
proporcionais, 13º proporcional, FGTS com multa de 40%. 
3. Extinção por justa causa: ocorre devido a falha grave do empregado 
(art. 482 CLT). O empregado perde direito a aviso prévio, multa do 
FGTS, férias proporcionais e 13º proporcional. 
 
45. Término do Contrato de Trabalho 
• Conceito: ocorre no final natural do contrato, geralmente em contratos por 
prazo determinado (art. término legal) ou quando as partes concordam em 
rescindir. 
• Exemplo: contrato temporário de 6 meses chega ao fim automaticamente, sem 
necessidade de aviso prévio. 
 
46. Princípio da Continuidade da Relação de Emprego 
• Fundamento: art. 7º, caput, CF. 
• Significado: presunção de que o contrato de trabalho tende à continuidade; a 
rescisão deve ser excepcional. 
• Exemplo: dispensas sucessivas sem justificativa podem ser consideradas fraude 
à lei trabalhista. 
 
47. Princípio das Presunções Favoráveis ao Trabalhador 
• Conceito: art. 818 CLT e art. 333 do CPC. 
• Significado: em caso de dúvida sobre fatos relacionados ao contrato, a 
interpretação deve favorecer o empregado. 
• Exemplo: presunção de vínculo quando há subordinação e habitualidade, 
mesmo sem contrato formal escrito. 
 
48. Restrições à Extinção Contratual 
• Limitações legais: 
o Estabilidade provisória (gestante, membro de CIPA, acidentado); 
o Proteção sindical; 
o Suspensão durante licenças médicas. 
• Exemplo: empregada gestante não pode ser dispensada desde a confirmação da 
gravidez até 5 meses após parto (art. 10, II, b, ADCT). 
 
49. Modos de Extinção do Contrato de Trabalho 
1. Pedido de demissão (art. 487 CLT); 
2. Dispensa sem justa causa (art. 487 CLT); 
3. Dispensa por justa causa (art. 482 CLT); 
4. Rescisão indireta (art. 483 CLT); 
5. Término natural de contrato por prazo determinado; 
6. Culpa recíproca; 
7. Acordo entre as partes (Lei 13.467/17, art. 484-A CLT). 
 
50. Extinção dos Contratos por Prazo Determinado 
• Fundamento: arts. 443 e 451 CLT. 
• Característica: se cumprido integralmente, não há pagamento de aviso prévio. 
• Exemplo: contrato temporário de 3 meses termina automaticamente sem 
rescisão formal. 
• Obs: rescisão antecipada sem justa causa dá direito a indenização proporcional 
(art. 479 CLT). 
 
51. Resilição Contratual ou Ruptura por Ato Lícito das Partes 
• Conceito: acordo mútuo para encerrar a relação de emprego, formalizado por 
escrito. 
• Fundamento legal: art. 484-A CLT (reforma trabalhista). 
• Exemplo: empregado e empregador concordam com saída, e assinam distrato 
com recebimento de 50% do FGTS e férias proporcionais. 
 
52. Dispensa por Justa Causa – Ato do Empregado 
• Fundamento: art. 482 CLT. 
• Infrações típicas: 
o Insubordinação; 
o Ato de improbidade; 
o Embriaguez habitual ou em serviço; 
o Abandono de emprego; 
o Violação de segredo da empresa. 
• Consequências: perda de aviso prévio, FGTS + multa, 13º proporcional e férias 
proporcionais. 
 
53. Infrações do Art. 482 
• Lista completa: 
a) ato de improbidade; 
b) incontinência de conduta ou mau procedimento; 
c) negligência ou desídia; 
d) embriaguez habitual ou em serviço; 
e) violação de segredo; 
f) ato lesivo à honra; 
g) abandono de emprego; 
h) condenação criminal; 
i) ato ilícito de concorrência; 
j) redução de rendimento. 
 
54. Rescisão Indireta – Justa Causa do Empregador 
• Fundamento: art. 483 CLT. 
• Situações: 
o Exigência de serviços ilegais; 
o Não pagamento de salário; 
o Práticas abusivas; 
o Transferência ilícita; 
o Assédio moral ou sexual. 
• Consequência: trabalhador tem direito a receber como se fosse dispensado sem 
justa causa. 
 
55. Figuras do Art. 483 CLT 
• Exemplos práticos: 
o Falta de pagamento de salário → rescisão indireta; 
o Alteração unilateral de contrato prejudicial → rescisão indireta; 
o Assédio → rescisão indireta. 
 
56. Culpa Recíproca 
• Conceito: quando ambos, empregado e empregador, praticam falta que contribui 
para a rescisão. 
• Fundamento: art. 484 CLT. 
• Efeito: indenização proporcional (50% das verbas rescisórias). 
 
57-60. Estabilidade e Garantia de Emprego 
• Conceito: restrições legais à dispensa para proteger empregado em situações 
específicas. 
• Principais espécies: 
1. Gestante: art. 10, II, b, ADCT; 
2. Membro da CIPA: art. 10, II, a, ADCT; 
3. Acidentados: art. 118 Lei 8.213/91; 
4. Dirigente sindical: art. 543 CLT; 
5. Estabilidade provisória judicial ou contratual (ex.: plano de demissão 
voluntária com cláusula). 
• Reflexos no contrato: impossibilidade de rescisão sem justa causa ou 
indenização proporcional. 
 
61. Empregada Gestante 
• Fundamento legal: art. 10, II, b, ADCT; arts. 392 e 395 CLT; art. 7º, XVIII CF. 
• Proteção: estabilidade desde a confirmação da gravidez até 5 meses após parto. 
• Direitos durante estabilidade: salário integral, benefícios, férias, FGTS e 13º 
proporcionais. 
• Exemplo: empresa não pode dispensar gestante durante período de estabilidade; 
caso dispense, pagamento de indenização é obrigatório. 
 
Segue detalhamento completo e atualizado de cada tópico solicitado, com fundamento 
jurídico, explicação e exemplos práticos: 
 
62. Estabilidade Acidentária 
• Conceito: proteção do empregado que sofre acidente de trabalho ou doença 
ocupacional. 
• Fundamento: art. 118 da Lei 8.213/91 (Lei de Benefícios da Previdência 
Social). 
• Direito: estabilidade de 12 meses após retorno ao trabalho, sem possibilidade de 
dispensa sem justa causa. 
• Exemplo: empregado que sofreu acidente no serviço volta e não pode ser 
dispensado até completar 12 meses de estabilidade. 
 
63. Empregado Eleito para Cargo de Direção em CIPA 
• Fundamento: art. 10, II, a, ADCT; arts. 165 a 169 CLT. 
• Proteção: estabilidade desde a inscrição como candidato até 1 ano após o 
término do mandato. 
• Exemplo: funcionário eleito presidente da CIPA não pode ser demitido sem 
justa causa durante o mandato e o ano seguinte. 
 
64. Representantes dos Trabalhadores no Conselho Nacional da Previdência Social 
• Fundamento: Lei 8.213/91 e Decreto 3.048/99. 
• Proteção: estabilidade enquanto durar o mandato. 
• Exemplo: empregado designado representante dos trabalhadores no Conselho 
Nacional não pode ser dispensado arbitrariamente durante o mandato. 
 
65. Representantes dos Trabalhadores no Conselho Curador do FGTS 
• Fundamento: Lei 8.036/90. 
• Proteção: estabilidade durante o mandato de representação. 
• Exemplo: trabalhador eleito membro do Conselho Curador do FGTS não pode 
ser dispensado sem justa causa enquanto estiver no cargo. 
 
66. Representantes dos Trabalhadores nas Comissões de Conciliação Prévia 
• Fundamento: arts. 625 a 627 CLT. 
• Proteção: estabilidade enquanto durar a função de representante. 
• Exemplo: empregado representante da comissão de conciliação não pode ser 
dispensado sem justa causa durante o período de atuação. 
 
67. Trabalhador Habilitado ou Portador de Deficiência 
• Fundamento: art. 93 da Lei 8.213/91; Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de 
Inclusão). 
• Proteção: reserva de vagas, adaptação de funções e estabilidade relativa. 
• Exemplo: empresa com 100 empregados deve reservar 2 vagas para pessoas 
com deficiência; demissãosem justa causa depende de comprovação de 
impossibilidade de manutenção do cargo. 
 
68. Representação dos Empregados nas Empresas 
• Conceito: estabilidade e proteção de representantes sindicais e de comissões 
internas. 
• Fundamento: arts. 543 e 543-A CLT. 
• Exemplo: delegado sindical eleito em empresa com mais de 200 empregados 
não pode ser demitido sem prévia autorização judicial durante o mandato. 
 
69. Pedido de Demissão e Empregado Estável 
• Regra: empregado com estabilidade (gestante, acidentado, CIPA) pode pedir 
demissão, mas a dispensa voluntária não afeta direitos previstos de estabilidade 
se houver violação pela empresa. 
• Exemplo: empregada gestante decide pedir demissão voluntária; empresa deve 
garantir o pagamento proporcional de todos os direitos previstos, mas a 
estabilidade só protege contra dispensa sem justa causa. 
 
70. Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Aviso Prévio 
• FGTS: art. 7º, III, CF; Lei 8.036/90. Depósito mensal de 8% do salário em 
conta vinculada do trabalhador. 
• Aviso Prévio: art. 487 CLT e Lei 12.506/2011; prazo mínimo de 30 dias, 
acrescido de 3 dias por ano trabalhado até 90 dias. 
• Exemplo: empregado com 5 anos de trabalho tem direito a 30 + 15 dias de aviso 
prévio = 45 dias. 
 
71. Fundo de Garantia por Tempo de Serviço 
• Depósito: 8% do salário mensal; responsabilidade do empregador; salvo 
contrato de trabalho intermitente ou regime especial. 
• Saques: apenas em hipóteses legais (dispensa sem justa causa, aposentadoria, 
financiamento habitacional). 
• Exemplo: empregado demitido sem justa causa recebe saldo do FGTS + multa 
de 40% do FGTS (art. 18 da Lei 8.036/90). 
 
72. Aviso Prévio 
• Conceito: comunicação antecipada da rescisão do contrato, podendo ser 
trabalhado ou indenizado. 
• Fundamento: art. 487 CLT e Lei 12.506/2011. 
• Exemplo: empregador dispensa sem justa causa; se optar por não cumprir aviso 
prévio, deve pagar o salário correspondente. 
 
73. Prazo para Pagamento das Verbas Rescisórias 
• Fundamento: art. 477 CLT. 
• Prazos: 
o Até 10 dias após o término do contrato, se o aviso prévio for indenizado; 
o Até o dia do término do contrato, se o aviso prévio for trabalhado. 
• Exemplo: empregado demitido sem justa causa deve receber saldo de salário, 
férias, 13º e FGTS até 10 dias após a dispensa; caso não seja cumprido, há multa 
de 1 salário diário por dia de atraso.próprios, mas mantém 
interdependência com: 
o Direito Constitucional: define competências e limitações. 
o Direito Administrativo: rege atos de lançamento e cobrança. 
o Direito Penal: tipifica crimes contra a ordem tributária. 
o Direito Civil: auxilia em conceitos (domicílio, capacidade, propriedade), 
mas não rege diretamente as obrigações tributárias. 
 
3. Fontes do Direito Tributário: Materiais e Formais 
• Materiais: fatos econômicos e sociais que justificam a criação do tributo. 
• Formais: normas jurídicas que instituem e disciplinam tributos. 
o Primárias: Constituição, leis complementares, leis ordinárias. 
o Secundárias: decretos, portarias, instruções normativas. 
• Exemplo: o crescimento do comércio eletrônico (fonte material) levou à edição 
de normas sobre ICMS em operações digitais (fonte formal). 
 
4. Sistema Constitucional Tributário 
• Conjunto de normas constitucionais que distribuem competências tributárias 
e impõem limitações ao poder de tributar. 
• Localizado nos arts. 145 a 162 da Constituição Federal. 
• Define espécies tributárias, imunidades, repartição de receitas e princípios 
constitucionais (legalidade, anterioridade, etc.). 
 
5. Competência Tributária 
• Poder conferido pela Constituição para instituir tributos. 
• É indelegável (art. 7º CTN), mas a capacidade tributária ativa pode ser 
delegada (ex.: atribuir a municípios a arrecadação estadual). 
• Competências: 
o União (ex.: II, IE, IR, IPI) 
o Estados e DF (ex.: ICMS, IPVA) 
o Municípios (ex.: IPTU, ISS) 
• Exemplo: Município não pode criar imposto sobre combustíveis — 
competência é da União/Estados. 
 
6. Espécies Tributárias 
Segundo STF (RE 566.349, 2010), há cinco espécies: 
1. Impostos – não vinculados a serviço estatal específico (ex.: IR, ICMS). 
2. Taxas – cobradas por serviço público específico ou poder de polícia (ex.: taxa 
de lixo). 
3. Contribuição de melhoria – pela valorização imobiliária decorrente de obra 
pública. 
4. Empréstimos compulsórios – criados pela União em hipóteses excepcionais 
(art. 148 CF). 
5. Contribuições especiais – sociais, de intervenção no domínio econômico 
(CIDE), profissionais. 
 
7. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. Princípios e Imunidades 
• Princípios constitucionais: 
o Legalidade (art. 150, I CF) – só a lei pode instituir tributos. 
o Anterioridade e noventena (art. 150, III, b e c CF). 
o Isonomia (art. 150, II CF). 
o Capacidade contributiva (art. 145, §1º CF). 
o Vedação ao confisco (art. 150, IV CF). 
• Imunidades (art. 150, VI CF): 
o Recíproca (entre entes federativos) 
o Religiosa 
o Partidos políticos, sindicatos e entidades assistenciais sem fins lucrativos 
o Livros, jornais e periódicos 
 
8. Normas Gerais de Direito Tributário 
8.1. Legislação Tributária (art. 96-100 CTN) 
• Leis (ordinárias e complementares) 
• Tratados e convenções internacionais 
• Decretos regulamentares 
• Normas complementares: atos normativos, decisões judiciais vinculantes. 
8.2. Vigência, Aplicação, Interpretação e Integração (arts. 101-112 CTN) 
• Vigência: leis tributárias seguem regras do direito comum, salvo normas 
especiais (art. 104 CTN). 
• Interpretação estrita de normas que criam tributos ou atribuem penalidades. 
• Integração: uso de analogias e princípios gerais, quando houver lacuna. 
 
9. Obrigação Tributária 
9.1. Fato Gerador e Elementos (art. 114-118 CTN) 
• Fato gerador: situação definida em lei como necessária para a incidência do 
tributo. 
• Elementos subjetivos: sujeito ativo (ente tributante) e sujeito passivo 
(contribuinte ou responsável). 
• Elementos objetivos: base de cálculo e alíquota. 
• Exemplo: na compra de mercadoria, o ICMS incide sobre o valor da operação. 
9.2. Responsabilidade Tributária (arts. 128-138 CTN) 
• Direta: contribuinte realiza o fato gerador. 
• Por substituição: terceiro recolhe o tributo (ex.: substituição tributária no 
ICMS). 
• Por transferência: sucessão empresarial, herança, responsabilidade de sócios 
(art. 134 e 135 CTN). 
 
10. Crédito Tributário. Constituição pelo Lançamento (arts. 139-150 CTN) 
• Lançamento: procedimento administrativo que verifica o fato gerador, calcula 
o tributo devido e notifica o sujeito passivo. 
• Espécies: 
o De ofício (ex.: IPTU, IPVA) 
o Por declaração (ex.: ITBI, quando o contribuinte informa dados) 
o Por homologação (ex.: ICMS, IRPJ – contribuinte recolhe e o fisco 
homologa). 
 
11. Suspensão do Crédito Tributário (art. 151 CTN) 
• Hipóteses: 
1. Moratória 
2. Depósito do montante integral 
3. Reclamações e recursos administrativos 
4. Liminares em mandado de segurança 
5. Parcelamento 
• Efeito: impede a cobrança, mas não extingue o crédito. 
 
12. Extinção do Crédito Tributário (art. 156 CTN) 
• Hipóteses principais: 
o Pagamento 
o Compensação 
o Transação 
o Remissão 
o Prescrição e decadência 
o Conversão do depósito em renda 
o Decisão administrativa ou judicial definitiva 
 
13. Exclusão de Crédito Tributário (art. 175 CTN) 
• Não constituem crédito tributário: 
o Isenção: dispensa legal do pagamento. 
o Anistia: perdão de penalidades (não do tributo). 
 
14. Garantias, Privilégios e Preferências do Crédito Tributário (arts. 183-193 
CTN) 
• Garantias: o crédito tributário não depende de garantia real para existir. 
• Privilégio: precedência sobre outros créditos, salvo trabalhistas e aqueles com 
garantia real constituída anteriormente. 
• Preferência: União, Estados e Municípios têm ordem de preferência na 
cobrança (art. 186 CTN). 
• Exemplo: na falência, créditos tributários têm preferência sobre quirografários, 
mas não sobre trabalhistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SENTENÇA E RECURSO CIVIL 
 
1. TEORIA GERAL DOS RECURSOS – CONCEITO DE RECURSO 
• Definição jurídica: 
O recurso é o meio processual voluntário previsto em lei, utilizado pelas 
partes ou pelo Ministério Público, dentro do mesmo processo, para provocar o 
reexame de decisão judicial com a finalidade de reformá-la, invalidá-la, 
esclarecê-la ou integrá-la (art. 994 CPC). 
• Características essenciais: 
o Instrumentalidade: é um meio e não um fim em si mesmo. 
o Voluntariedade: depende da manifestação da parte, salvo hipóteses 
legais de recurso ex officio (remessa necessária). 
o Dependência processual: não inaugura nova relação jurídica processual, 
diferentemente das ações autônomas de impugnação. 
o Taxatividade: só existem recursos previstos em lei. 
• Diferença entre recurso e ação autônoma de impugnação: 
o Recurso → dentro do mesmo processo (ex.: apelação contra sentença). 
o Ação autônoma → novo processo (ex.: ação rescisória, mandado de 
segurança, reclamação). 
• Exemplo prático: 
Uma sentença condena o réu a pagar R$ 100 mil. O réu pode interpor apelação 
(art. 1.009 CPC) pedindo reforma da decisão. 
 
2. FUNDAMENTOS DO DIREITO DE RECORRER 
O direito de recorrer é uma decorrência do devido processo legal (art. 5º, LIV CF) e do 
direito à ampla defesa e contraditório (art. 5º, LV CF). 
2.1. Inconformismo humano 
• O recurso atende ao sentimento natural da parte de não aceitar decisão 
desfavorável. 
• Exemplo: autor que ajuizou ação de indenização e teve seu pedido julgado 
improcedente interpõe apelação, simplesmente porque não concorda com o 
resultado. 
2.2. Falibilidade humana 
• Juízes podem errar na interpretação da lei ou na apreciação das provas. 
• Exemplo: juiz ignora prova documental relevante. A parte usa recurso para 
corrigir a falha. 
2.3. Abuso de poder 
• O recurso funciona como freio contra decisões arbitrárias ou ilegais. 
• Exemplo: juiz decreta arresto de bens sem fundamentação. Cabe agravo de 
instrumento (art. 1.015 CPC). 
 
3. PRINCÍPIOS GERAIS DOS RECURSOS 
3.1. Duplo grau de jurisdição 
• Permite revisão da decisão por órgão hierarquicamente superior. 
• Não é direito absoluto: 
o Tribunal do Júri → soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIIICF). 
o Decisões monocráticas dos Tribunais Superiores, quando irrecorríveis. 
3.2. Taxatividade 
• Somente existem recursos previstos na lei processual (art. 994 CPC). 
• Súmula 281 STF: não cabe recurso extraordinário contra decisão interlocutória. 
3.3. Unirrecorribilidade ou singularidade 
• Para cada decisão, cabe apenas um recurso adequado. 
• Exemplo: não se pode interpor simultaneamente agravo e mandado de segurança 
contra a mesma decisão, salvo hipóteses excepcionais. 
3.4. Adequação 
• O recurso precisa ser o correto para atacar determinado ato. 
• Exemplo: sentença → apelação (art. 1.009). Decisão interlocutória → agravo de 
instrumento (art. 1.015). 
3.5. Fungibilidade 
• Permite aproveitamento de recurso inadequado, desde que: 
o haja dúvida objetiva sobre o recurso cabível; 
o interposição dentro do prazo do recurso correto; 
o não haja má-fé. 
• STJ, AgRg no Ag 1.414.412/SP: reconheceu fungibilidade entre agravo e 
apelação por dúvida objetiva. 
3.6. Vedação à “reformatio in pejus” 
• Se apenas uma parte recorre, o tribunal não pode agravar a situação do 
recorrente. 
• Exemplo: sentença fixa indenização em R$ 50 mil; somente o réu apela. O 
tribunal não pode majorar para R$ 100 mil porque violaria o princípio. 
 
4. ATOS SUJEITOS A RECURSO 
4.1. Decisão interlocutória (art. 203, §2º CPC) 
• Resolve questão incidente sem encerrar o processo. 
• Recurso: agravo de instrumento (art. 1.015) nas hipóteses legais; ou preliminar 
em apelação (art. 1.009 §1º). 
4.2. Sentença (art. 203, §1º CPC) 
• Põe fim à fase cognitiva ou extingue execução. 
• Recurso: apelação (art. 1.009). 
4.3. Decisão monocrática 
• Proferida por relator em tribunal. 
• Recurso: agravo interno (art. 1.021). 
4.4. Acórdão 
• Decisão colegiada dos tribunais. 
• Recursos cabíveis: embargos de declaração, recurso especial (STJ) ou 
extraordinário (STF). 
Atenção: 
Art. 1.001 CPC: "Dos despachos não cabe recurso." 
Despachos são atos ordinatórios sem conteúdo decisório (ex.: determinar juntada de 
documentos, abertura de vista). 
 
5. TÉCNICAS DE JULGAMENTO 
5.1. Juízo de admissibilidade 
• Verifica se o recurso pode ser conhecido: tempestividade, preparo, 
legitimidade, interesse. 
• Pode ser exercido pelo juiz de primeiro grau ou pelo tribunal. 
5.2. Juízo de mérito 
• Após admitir o recurso, julga se deve ser provido ou não, reformando ou 
mantendo a decisão. 
 
6. SUCEDÂNEOS DE RECURSOS 
São instrumentos de impugnação que não são recursos, pois criam novo processo: 
• Mandado de segurança contra ato judicial teratológico. 
• Reclamação (art. 988 CPC) → preserva competência e autoridade de decisões 
de Tribunais Superiores. 
• Ação rescisória (art. 966 CPC) → desconstitui sentença transitada em julgado. 
• Correição parcial (procedimento administrativo). 
 
7. PRESSUPOSTOS PARA UM JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE POSITIVO 
7.1. Pressupostos subjetivos 
• Interesse: necessidade de recorrer para modificar a decisão. 
• Legitimidade: só quem sofreu prejuízo pode recorrer. 
7.2. Pressupostos objetivos 
• Recorribilidade: decisão deve admitir recurso. 
• Tempestividade: interposição dentro do prazo legal (art. 1.003 §5º CPC: 15 
dias úteis). 
• Adequação: uso do recurso correto. 
• Preparo: recolhimento de custas (art. 1.007 CPC). 
• Forma: recurso deve atender requisitos legais e não pode haver fato impeditivo 
(renúncia, desistência, perda do objeto). 
 
8. PROCESSAMENTO DOS RECURSOS – HIPÓTESES DE NÃO 
CONHECIMENTO 
• Recurso manifestamente inadmissível. 
• Recurso prejudicado (perde objeto por fato superveniente). 
• Recurso que não impugna os fundamentos da decisão (Súmula 283 STF). 
• Recurso contrário a súmula ou jurisprudência dominante do STF/STJ (art. 
932 CPC). 
• Recurso contra decisão proferida em recursos repetitivos (art. 1.030 I). 
• Recurso contrário a entendimento firmado em IRDR ou IAC (art. 976 e 947 
CPC). 
 
9. RECURSO DE AGRAVO INTERNO (art. 1.021 CPC) 
• Cabimento: contra decisão monocrática de relator em tribunal. 
• Prazo: 15 dias úteis. 
• Objetivo: levar a matéria ao colegiado do tribunal. 
• Multa: possível multa de 1% a 5% do valor da causa se for manifestamente 
inadmissível ou protelatório (art. 1.021 §4º). 
• Exemplo prático: Relator nega seguimento a agravo de instrumento; parte pode 
interpor agravo interno ao órgão colegiado. 
 
Perfeito! Segue uma apostila completa e prática sobre os itens 9 a 32 de Sentença e 
Recurso Civil, com base no CPC/2015, doutrina majoritária (Didier, Marinoni, Nery, 
Daniel Amorim) e jurisprudência do STF/STJ. Incluo artigos do CPC, súmulas úteis e 
exemplos práticos. 
 
9. DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS – PRECEDENTES 
JURISPRUDENCIAIS 
• Dever de uniformização (CPC, art. 926): os tribunais devem manter a 
jurisprudência estável, íntegra e coerente. 
• Precedentes obrigatórios (CPC, art. 927): vinculam juízes e tribunais, 
notadamente: 
o (i) decisões do STF em controle concentrado de constitucionalidade; 
o (ii) súmulas vinculantes; 
o (iii) acórdãos em recursos repetitivos (STF/STJ); 
o (iv) IRDR e IAC; 
o (v) orientações firmadas pelos plenários/órgãos especiais dos tribunais 
(em matérias próprias). 
• Fundamentação vinculada (CPC, art. 489, §1º, VI): decisões devem enfrentar 
precedentes aplicáveis, distinguindo-os (distinguishing) ou justificando sua 
superação (overruling). 
• Técnicas: 
o Ratio decidendi (tese que vincula) x obiter dictum (considerações 
acessórias). 
o Distinguishing: afasta precedente por diferença relevante fático-jurídica. 
o Overruling: superação motivada, com possível modulação (CPC, art. 
927, §§4º-5º). 
• Exemplo: juiz afasta aplicação de tese firmada em repetitivo do STJ sem 
distinguir → decisão é passível de reforma via recurso ou por reclamação (v. 
item 13). 
 
10. EMBARGOS INFRINGENTES DE OFÍCIO 
• CPC/2015 aboliu os antigos embargos infringentes do CPC/1973. 
• Substituição pela técnica de julgamento ampliado (CPC, art. 942): havendo 
não unanimidade no julgamento de apelação ou ação rescisória, o julgamento 
é ampliado com a convocação de novos julgadores. Em hipóteses específicas, 
aplica-se também ao agravo de instrumento. 
• “De ofício”: não existe “embargo infringente de ofício”. A ampliação é 
automática por força de lei (art. 942), não por iniciativa das partes. 
 
11. CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
• Cabimento (CPC, art. 66): quando 2 ou mais juízes/tribunais: 
o se declaram competentes; 
o se declaram incompetentes; 
o entre eles surge controvérsia sobre competência. 
• Legitimados: partes, MP, juiz, autoridade administrativa (quando a controvérsia 
envolver juízo e autoridade). 
• Processamento (regras de tribunal + CPC, arts. 951-959, por remissão): 
1. Suscitação ao tribunal competente; 
2. Relator requisita informações e pode suspender o processo no juízo suscitado; 
3. Julgamento colegiado define o juízo competente. 
• Exemplo: juízo cível e juízo da Fazenda se declaram incompetentes entre si; 
parte suscita conflito no TJ. 
 
12. INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS (IRDR) 
• Base legal: CPC, arts. 976-987. 
• Finalidade: fixar tese jurídica vinculante em matéria repetitiva com risco de 
ofensa à isonomia e à segurança jurídica. 
• Pressupostos (art. 976): efetiva repetição de processos + risco de decisões 
conflitantes. 
• Legitimados: juiz ou relator de ofício; partes; MP; Defensoria. 
• Efeitos: 
o Suspensão dos processos pendentes (art. 982); 
o Tese vinculante (art. 985), com observância obrigatória (art. 927). 
• Exemplo: discussões massificadas sobre determinado índice em contratos 
bancários → instaura-se IRDR no TJ/Tribunal Regional Federal competente. 
 
13. DA RECLAMAÇÃO 
• Base legal: CPC, arts. 988-993. 
• Finalidades principais: 
o Preservar a competência do tribunal; 
o Garantir a autoridade das suas decisões; 
o Assegurar observância a precedentes obrigatórios (recursos repetitivos, 
IRDR, IAC, súmula vinculante, controleconcentrado). 
• Processamento: dirigida ao tribunal cujo precedente/competência se pretende 
resguardar; relator pode suspender o processo impugnado. 
• Exemplo: juiz não aplica tese firmada em repetitivo do STJ → cabe reclamação 
ao STJ para assegurar observância. 
 
14. DA REMESSA NECESSÁRIA 
• Base: CPC, art. 496. 
• Hipótese: certas sentenças contra a Fazenda Pública só produzem efeitos 
após reexame pelo tribunal (duplo grau obrigatório). 
• Dispensa (art. 496, §3º-§4º), dentre outras: 
o Valor até: 1.000 salários mínimos (União); 500 (Estados/DF); 100 
(Municípios); 
o Sentenças fundadas em: súmula do STF/STJ, repetitivo, IRDR, IAC. 
• Exemplo: sentença contra Município por R$ 50 mil dispensa remessa 
necessária. 
 
15. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — NOÇÕES GERAIS 
• Cabimento (CPC, art. 1.022): para esclarecer decisão judicial que contenha 
obscuridade, contradição, omissão ou erro material. 
• Contra qualquer decisão: sentença, acórdão, decisão interlocutória ou 
monocrática. 
• Protelatórios: sujeitam a multa (CPC, art. 1.026, §2º-§3º). 
16. EXTENSÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS 
• Podem ensejar efeitos modificativos (infringentes) se, ao sanar o vício, o 
resultado mudar (CPC, art. 1.023, §2º; art. 1.024, §4º). 
• Prequestionamento: embargos são via adequada para provocar manifestação 
sobre matéria federal/constitucional (CPC, art. 1.025 – prequestionamento ficto). 
17. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO 
• 5 dias úteis (CPC, art. 1.023, caput). 
• Intimação: conta-se da publicação; para Ministério Público, Defensoria e 
Advocacia Pública, da ciência pessoal (CPC, art. 183-186). 
18. ADMISSIBILIDADE 
• Pressuposto específico: indicar claramente o vício 
(omissão/contradição/obscuridade/erro material) e onde ocorre. 
• Não servem para rediscutir matéria já decidida, salvo para sanar vício. 
19. PROCESSAMENTO 
• No mesmo juízo que proferiu a decisão: o juiz/relator aprecia. 
• Contraditório: se houver efeito modificativo, o embargado é intimado para 
manifestar-se em 5 dias (CPC, art. 1.023, §2º; art. 1.024, §2º-§4º). 
20. EFEITO INTERRUPTIVO 
• Interrompem o prazo para todos os recursos por todas as partes (CPC, art. 
1.026, §1º). 
21. EFEITO INFRINGENTE 
• Possível quando o saneamento do vício impõe modificação do resultado. 
• Cautela: exige-se o contraditório prévio (itens 19 e 20). 
 
22. APELAÇÃO — CONCEITO 
• Recurso contra sentença (CPC, art. 1.009). 
• Pode buscar reforma, anulação ou integração do julgado. 
23. PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO DE APELAÇÃO 
• No CPC/2015, a apelação é interposta com as próprias razões (CPC, art. 
1.010). 
• Conteúdo mínimo (art. 1.010, II e III): exposição do fato e do direito; razões do 
pedido de nova decisão; pedido final. 
24. PETIÇÃO COM AS RAZÕES DA APELAÇÃO 
• Estrutura sugerida: 
1. Tempestividade e preparo; 
2. Síntese dos fatos; 
3. Preliminares (nulidades, questões processuais); 
4. Mérito (erro de fato/direito, valoração de prova, tese jurídica); 
5. Pedidos (reforma/ anulação; tutela provisória recursal; majoração/ 
minoração de verbas; honorários recursais – CPC, art. 85, §11). 
25. PRAZO PARA INTERPOR E PARA RESPONDER 
• Interpor: 15 dias úteis (CPC, art. 1.003, §5º). 
• Contrarrazões: 15 dias úteis (CPC, art. 1.010, §1º). 
• Recurso adesivo: possível nas contrarrazões (CPC, art. 997, §2º). 
26. DOCUMENTOS QUE DEVEM INSTRUIR O RECURSO 
• Em regra, a apelação tramita nos próprios autos; logo, não exige traslado de 
peças (diferente do agravo de instrumento). 
• Obrigatório: preparo (custas e porte de remessa/retorno, quando houver — 
CPC, art. 1.007), salvo gratuidade. 
27. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 
• Primeiro grau: recebe a apelação, intima o apelado para contrarrazões e 
remete ao tribunal (CPC, art. 1.010, §1º-§3º). 
• Retratação: juiz pode retratar-se: 
o Indeferimento da inicial (CPC, art. 485, §7º); 
o Improcedência liminar do pedido (CPC, art. 332, §3º). 
• Tribunal: relator exerce admissibilidade (CPC, art. 932). 
28. EFEITOS ORDINÁRIOS DA APELAÇÃO 
28.1. Efeito devolutivo (CPC, art. 1.013) 
• Extensão: devolve ao tribunal apenas as questões impugnadas. 
• Profundidade: o tribunal pode apreciar todas as questões suscitadas e 
discutidas no processo, mesmo não decididas, se relativas ao capítulo 
impugnado (art. 1.013, §1º). 
• Causa madura (art. 1.013, §3º): tribunal pode julgar desde logo o mérito se a 
nulidade não exigir reabertura de instrução e o processo estiver em condições. 
28.2. Efeito suspensivo (CPC, art. 1.012) 
• Regra: apelação tem efeito suspensivo. 
• Exceções (art. 1.012, §1º): p.ex., alimentos, despejo, tutela provisória, 
arbitragem, dissolução parcial de sociedade, entre outras. 
• Tutela recursal: o relator pode atribuir efeito suspensivo ou conceder tutela 
provisória recursal (art. 1.012, §3º). 
29. OUTROS EFEITOS DA APELAÇÃO 
29.1. Efeito translativo 
• O tribunal conhece de ofício questões de ordem pública (pressupostos 
processuais, condições da ação, prescrição, coisa julgada, incompetência 
absoluta), ainda que não suscitadas. 
29.2. Efeito substitutivo (CPC, art. 1.008) 
• O acórdão substitui a decisão recorrida no que foi objeto do recurso. 
• Reflexo: cumpre-se o acórdão; a sentença subsiste apenas nos capítulos não 
impugnados (trânsito parcial). 
30. CONTRARRAZÕES 
• Prazo: 15 dias úteis (art. 1.010, §1º). 
• Conteúdo: impugnação específica; preliminares; pedido de não conhecimento 
ou desprovimento; eventual recurso adesivo (art. 997, §2º). 
• Dica prática: impugnar todos os fundamentos da apelação (evita óbices como 
as Súmulas 283/284 STF e 182 STJ, por analogia em recursos superiores). 
31. ENCAMINHAMENTO AO TRIBUNAL (passo a passo) 
1. Interposição da apelação no 1º grau (com razões e preparo). 
2. Intimação do apelado para contrarrazões (15 dias úteis). 
3. Juízo de retratação quando cabível (art. 485, §7º; art. 332, §3º). 
4. Remessa ao tribunal (art. 1.010, §3º). 
5. Autuação e distribuição ao relator. 
32. PROCESSAMENTO NO TRIBUNAL (passo a passo) 
1. Relatoria: análise de admissibilidade (CPC, art. 932). 
2. Saneamento do recurso: possibilidade de intimação para vícios sanáveis (art. 
932, parágrafo único). 
3. Tutela recursal: relator pode conceder efeito suspensivo/antecipação (art. 
1.012, §3º; art. 1.019, I — por analogia para agravos). 
4. Pauta e intimação para julgamento; sustentação oral (CPC, art. 937, II – 
apelação). 
5. Julgamento colegiado: 
o Se não unânime nas hipóteses legais → art. 942 (julgamento ampliado). 
6. Acórdão e publicação; cabimento de embargos de declaração (itens 15 a 21). 
7. Honorários recursais: majoração (CPC, art. 85, §11), quando houver 
sucumbência em grau recursal. 
8. Precedentes: observância do art. 927; eventual distinguishing/overruling deve 
ser fundamentado (art. 489, §1º, VI). 
 
Exemplos práticos distribuídos 
• Efeito suspensivo: sentença de alimentos → não tem efeito suspensivo 
automático (art. 1.012, §1º, II). O devedor pode pleitear tutela suspensiva ao 
relator, mas o padrão é a exigibilidade imediata. 
• Causa madura: sentença anulada por cerceamento? Se prova é desnecessária e 
o conjunto já permite julgamento, o tribunal pode julgar desde logo (art. 1.013, 
§3º, I). 
• Reclamação: juiz ignora IRDR vigente; a parte pode ajuizar reclamação ao 
tribunal que fixou a tese para garantir observância. 
• Remessa necessária: sentença contra Estado no valor de 200 salários mínimos 
→ dispensada (limite de 500 SM para Estados/DF). 
• Embargos de declaração: acórdão não analisou tese de prescrição; EDcl para 
omissão; se reconhecida, pode modificar o resultado (efeito infringente). 
 
33. AGRAVO DE INSTRUMENTO (CPC, arts. 1.015 a 1.020) – CONCEITO 
É o recurso cível cabível contra decisões interlocutórias do juiz de primeiro grau, nos 
casos taxativamente previstos no art. 1.015 do CPC (ex.: tutelas provisórias, mérito 
do processo, rejeição da alegação de convenção de arbitragem, incidente de 
desconsideraçãoda personalidade jurídica etc.). 
• Base legal: art. 1.015 do CPC/15. 
• Exemplo: decisão que nega pedido de tutela de urgência → cabe agravo de 
instrumento imediato. 
 
34. INTERPOSIÇÃO DO RECURSO 
• Feita diretamente no tribunal competente (não no juízo de origem). 
• Prazo: 15 dias úteis (art. 1.003, §5º, CPC). 
• Via de regra, não há juízo de admissibilidade em primeiro grau. 
 
35. PEÇAS OBRIGATÓRIAS 
Conforme art. 1.017 do CPC: 
1. Petição inicial, contestação e petição que ensejou a decisão agravada; 
2. Decisão agravada; 
3. Certidão de intimação. 
• Podem ser juntadas outras peças relevantes. 
• Ausência de peças → pode gerar não conhecimento do recurso, mas o tribunal 
pode permitir complementação (art. 932, parágrafo único, CPC). 
 
36. EFEITO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO 
• Regra: não tem efeito suspensivo automático. 
• Exceção: relator pode conceder efeito suspensivo (art. 1.019, I, CPC) se houver 
risco de dano grave ou de difícil reparação. 
• Exemplo: bloqueio judicial de valores indevidos → pode-se pedir efeito 
suspensivo para desbloqueio imediato. 
 
37. COMUNICAÇÃO AO JUIZ DA CAUSA 
• O relator pode determinar a comunicação ao juiz para prestar informações (art. 
1.019, II, CPC). 
• Serve para ciência e possível retratação. 
 
38. PROVIDÊNCIAS A CARGO DO RELATOR 
• Pode: 
o conceder ou negar liminar; 
o determinar a intimação da parte contrária (contrarrazões em 15 dias 
úteis); 
o requisitar informações ao juiz de 1ª instância; 
o julgar monocraticamente se o recurso estiver pacificado (art. 932, IV, 
CPC). 
 
39. AGRAVO RETIDO 
• Extinto no CPC/2015. 
• No CPC/73, cabia contra decisão interlocutória e só era analisado na apelação. 
 
40. AGRAVO INTERNO (art. 1.021 do CPC) – CONCEITO 
Recurso cabível contra decisão monocrática do relator dentro do tribunal. 
• Prazo: 15 dias úteis. 
• Finalidade: levar a decisão para julgamento pelo órgão colegiado. 
 
41. OBJETIVO DO AGRAVO INTERNO 
Garantir o princípio da colegialidade, submetendo ao colegiado decisões individuais 
de relator. 
 
42. PROCESSAMENTO 
• Interposto no próprio tribunal; 
• Relator pode reconsiderar ou levar ao colegiado; 
• Contrarrazões em 15 dias úteis (se o tribunal assim determinar). 
 
43. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO 
• 15 dias úteis (art. 1.003, §5º, CPC). 
 
44. PETIÇÃO DO AGRAVO INTERNO 
• Deve ser simples e direta, impugnando fundamentos específicos da decisão. 
 
45. MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ 
• Se o recurso for manifestamente inadmissível ou protelatório, o tribunal pode 
aplicar multa de 1% a 5% do valor da causa (art. 1.021, §4º, CPC). 
 
46. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL – CONCEITO 
Previsto nos arts. 102, II, e 105, II da CF/88, é cabível para decisões de Tribunais 
Regionais Federais ou TJs em casos específicos (ex.: mandado de segurança denegado 
em única instância). 
 
47. CABIMENTO 
• Mandados de segurança, habeas corpus e habeas data julgados originariamente 
pelos TJs ou TRFs. 
• Vai ao STF ou STJ conforme a matéria. 
 
48. INTERPOSIÇÃO 
• Prazo: 15 dias úteis (art. 1.003, §5º). 
• Protocolado no próprio tribunal de origem. 
 
49. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 
• Feito no tribunal de origem, podendo ser reexaminado pelo tribunal superior. 
 
50. RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO – CONCEITO (arts. 1.029 a 
1.035) 
• REsp (art. 105, III, CF): STJ – controvérsia sobre lei federal. 
• RExt (art. 102, III, CF): STF – controvérsia sobre questão constitucional. 
 
51. CABIMENTO 
• Quando a decisão contrariar lei federal (REsp) ou Constituição (RExt). 
• Exige prequestionamento (a matéria deve ter sido discutida na instância 
inferior). 
 
52. INTERPOSIÇÃO 
• Protocolados no tribunal de origem, em 15 dias úteis. 
 
53. EFEITOS DOS RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO 
• Regra: apenas devolutivo. 
• Exceção: efeito suspensivo pode ser concedido em medida cautelar. 
 
54. CARACTERÍSTICAS COMUNS 
• Necessitam relevância jurídica; 
• Análise de direito, não de fatos; 
• Exigem repercussão geral (RExt) ou relevância (REsp repetitivos). 
 
55. EMBARGOS DECLARATÓRIOS PARA PREQUESTIONAMENTO 
• Usados para provocar manifestação explícita do tribunal sobre determinado 
tema, requisito para cabimento do REsp ou RExt. 
 
56. INTERPOSIÇÃO CONJUNTA DOS DOIS RECURSOS 
• Quando houver violação simultânea à CF e à lei federal, podem ser interpostos 
REsp e RExt juntos. 
 
57. PETIÇÃO E PROCESSAMENTO 
• A petição deve demonstrar violação clara da lei ou da Constituição; 
• Admissibilidade feita no tribunal de origem. 
 
58. PARTICULARIDADES DO RECURSO ESPECIAL 
• Competência exclusiva do STJ; 
• Uniformiza interpretação da legislação federal. 
 
59. PARTICULARIDADES DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
• STF julga apenas questões constitucionais com repercussão geral reconhecida. 
 
60. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO (art. 1.042, 
CPC) – FINALIDADE 
• Usado quando o tribunal de origem nega seguimento ao REsp ou RExt. 
 
61. PROCESSAMENTO 
• Interposto no tribunal de origem e remetido ao tribunal superior. 
 
62. INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO 
• Prazo: 15 dias úteis. 
• Deve atacar especificamente os fundamentos da negativa. 
 
63. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA (art. 1.043, CPC) – CONCEITO 
• Recurso interno nos tribunais superiores para uniformizar divergências entre 
turmas ou seções. 
 
64. CABIMENTO 
• Quando houver decisões conflitantes no mesmo tribunal superior. 
 
65. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE 
• Comprovação da divergência jurisprudencial; 
• Demonstração analítica da similitude fática e jurídica. 
 
66. PROCESSAMENTO 
• Julgados por órgão colegiado maior (ex.: Corte Especial no STJ). 
 
67. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS E ESPECIAIS REPETITIVOS (arts. 
1.036 a 1.041) – CONCEITO 
• Julgamento conjunto de múltiplos recursos com mesma questão de direito para 
gerar precedente vinculante. 
 
68. PROCESSAMENTO 
• Tribunal seleciona casos representativos e suspende os demais. 
 
69. SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS IGUAIS 
• Os processos com idêntica questão ficam sobrestados até julgamento do 
repetitivo. 
 
70. EFEITOS DO JULGAMENTO 
• Vinculação obrigatória para tribunais e juízes de instâncias inferiores (art. 927, 
CPC). 
 
71. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO DO RECURSO REPETITIVO 
• Tribunais devem aplicar automaticamente a tese firmada nos repetitivos, 
dispensando novos recursos. 
 
 
Aqui vai uma explicação completa, com fundamentação jurídica, jurisprudência 
relevante e exemplos práticos, organizada tópico a tópico sobre Ação Rescisória 
(arts. 966 a 975 do CPC). 
 
72. AÇÃO RESCISÓRIA (art. 966 a 975, CPC) – CONCEITO 
É uma ação autônoma de impugnação destinada a desconstituir decisão judicial 
transitada em julgado (atingida pela coisa julgada), nos casos taxativamente 
previstos em lei. 
• Natureza jurídica: desconstitutiva, com possibilidade de novo julgamento do 
mérito (efeito rescisório + rescisório-substitutivo). 
• Não é recurso: não visa apenas reformar a decisão, mas anulá-la ou 
desconstituí-la. 
• Fundamento legal: arts. 966 a 975 do CPC/2015. 
• Exemplo: sentença reconhece paternidade com base em exame de DNA 
falsificado. 
 
73. DIFERENÇA ENTRE RECURSO E AÇÃO RESCISÓRIA 
• Recurso: 
o Pressupõe decisão ainda não transitada em julgado; 
o É um meio de impugnação dentro do mesmo processo; 
o Prazo geralmente curto (dias) e não exige novo processo. 
• Ação Rescisória: 
o Só cabe contra decisão transitada em julgado; 
o É processo autônomo, ajuizado diretamente no tribunal competente; 
o Prazo decadencial de 2 anos (art. 975 do CPC); 
o Exige depósito prévio de 5% do valor da causa (art. 968, II), salvo 
exceções. 
 
74. PRESSUPOSTOS DA AÇÃO RESCISÓRIA 
São requisitos para que seja admitida: 
1. Existência de decisão de mérito transitada em julgado; 
2. Fundamento legal taxativo (art. 966, CPC): 
o Juiz impedido ou absolutamente incompetente; 
o Ofensa à coisa julgada; 
o Dolo ou fraude processual; 
o Uso deprova falsa; 
o Violação manifesta à norma jurídica; 
o Erro de fato (art. 966, VIII); 
o Sentença fundada em decisão do STF declarada posteriormente 
inconstitucional; 
3. Prazo de 2 anos do trânsito em julgado (art. 975, caput); 
4. Depósito prévio de 5% do valor da causa (art. 968, II), salvo MP ou Fazenda 
Pública. 
 
75. CABIMENTO 
Segundo o art. 966 do CPC, cabe ação rescisória contra: 
• Sentenças ou acórdãos de mérito transitados em julgado; 
• Decisões homologatórias de acordo com vício de consentimento; 
• Decisões de mérito proferidas com violação de norma constitucional ou legal; 
• Sentenças fundadas em prova posteriormente considerada falsa. 
Não cabe contra: 
• decisões interlocutórias; 
• despachos; 
• decisões que não tenham formado coisa julgada. 
 
76. LEGITIMIDADE (art. 967) 
Podem propor a ação rescisória: 
• Quem foi parte no processo original ou seu sucessor; 
• Terceiros juridicamente interessados (ex.: fiador prejudicado por sentença 
contra devedor principal); 
• Ministério Público: quando não foi parte e houver interesse público ou social. 
São réus na ação rescisória: 
• Todos os beneficiários da decisão rescindenda, incluindo herdeiros ou 
sucessores. 
 
77. PETIÇÃO INICIAL (art. 968) 
Deve conter, além dos requisitos gerais do art. 319 do CPC: 
1. Indicação expressa da decisão rescindenda; 
2. Prova do trânsito em julgado; 
3. Depósito prévio de 5% do valor da causa (salvo MP e Fazenda Pública); 
4. Demonstração clara da hipótese do art. 966 que fundamenta o pedido; 
5. Se for pedido liminar para suspender efeitos da decisão → justificativa do perigo 
de dano. 
 
78. RESPOSTA DO RÉU 
• O réu é citado para apresentar contestação no prazo de 15 dias úteis (art. 970). 
• Pode alegar: 
o Inexistência dos fundamentos legais; 
o Decadência (prazo de 2 anos esgotado); 
o Carência de legitimidade ou interesse; 
o Inexistência dos vícios alegados. 
 
79. PROCEDIMENTO 
1. Ajuizamento direto no tribunal competente (TJ, TRF, STJ ou STF); 
2. Distribuição para relator; 
3. Juízo preliminar do relator (admissibilidade); 
4. Citação dos réus para contestação; 
5. Possibilidade de produção de provas (documental, pericial, testemunhal); 
6. Parecer do Ministério Público, se necessário; 
7. Julgamento colegiado. 
 
80. SENTENÇA RESCIDENDA EM FASE DE EXECUÇÃO 
• A decisão transitada em julgado pode estar em fase de cumprimento. 
• O ajuizamento da rescisória não suspende automaticamente a execução (art. 
969 do CPC). 
• O relator pode conceder liminar para suspender atos executórios se houver 
risco de dano grave. 
• Exemplo: execução de alimentos fundada em sentença posteriormente 
questionada por falsidade de DNA. 
 
81. ETAPAS DO JULGAMENTO 
1. Juízo rescindente (ou rescisório): tribunal verifica se existe motivo legal para 
desconstituir a decisão; 
2. Juízo rescisório (ou substitutivo): se a decisão for rescindida, o tribunal julga 
novamente o mérito da causa (art. 968, §2º, CPC). 
• Se não houver elementos para novo julgamento, pode ser determinado retorno 
ao juízo de origem para nova sentença. 
 
82. NOVO JULGAMENTO 
• Uma vez rescindida a sentença, o tribunal: 
o julga de imediato a causa, se o processo estiver maduro (art. 968, §2º); 
o ou remete ao juízo de origem para novo julgamento, se houver 
necessidade de produção de provas. 
• Exemplo prático: sentença condenatória em indenização → rescindida por prova 
falsa → tribunal julga improcedente o pedido diretamente, extinguindo a 
obrigação do réu. 
PROTEÇÃO PENAL AO INDIVÍDUO 
O direito penal brasileiro tutela bens jurídicos essenciais para a vida em sociedade. O 
bem jurídico mais importante protegido pelo art. 121 do Código Penal é a vida 
humana, tanto intrauterina (com restrições, nos casos de aborto) quanto extrauterina. 
 
1. ART. 121 – HOMICÍDIO 
1.1 Conceito 
Homicídio é o crime de matar alguém, previsto no art. 121 do Código Penal (CP): 
"Matar alguém: pena – reclusão, de seis a vinte anos." 
• Trata-se de crime doloso contra a vida, que pode ser julgado pelo Tribunal do 
Júri (art. 5º, XXXVIII, CF). 
• É um crime comum (qualquer pessoa pode praticar), material (depende do 
resultado morte) e instantâneo (consuma-se no momento da morte da vítima). 
Exemplo: disparar arma contra uma pessoa e causar-lhe a morte. 
 
1.2 Objeto Jurídico 
O bem jurídico protegido é a vida humana extrauterina, desde o nascimento com 
vida até a morte encefálica. 
• Não se tutela vida intrauterina aqui (isso é tratado nos crimes de aborto – arts. 
124 a 128 do CP). 
1.3 Sujeito Ativo 
• Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do homicídio. 
• É crime comum, mas pode ser crime funcional impróprio se cometido por 
agente público em razão do cargo (ex.: policial em serviço). 
Exemplo: João, cidadão comum, atira e mata Pedro. 
 
1.4 Sujeito Passivo 
• O titular da vida humana extrauterina: qualquer pessoa viva. 
• Exceção: não há homicídio se a vítima já estava morta (nesse caso, configura 
vilipêndio de cadáver – art. 212 CP). 
Exemplo: Maria mata uma criança de 5 anos. 
 
1.5 Conduta Típica 
Consiste em matar alguém. Pode ocorrer de várias formas: 
• Meios diretos: uso de arma de fogo, faca, envenenamento direto. 
• Meios indiretos: provocar acidente, deixar de fornecer alimentação 
intencionalmente. 
• Meios materiais: ação física, força mecânica, disparo de arma. 
• Meios morais: induzir ou instigar suicídio (mas se não houver dolo direto, 
aplica-se art. 122 CP). 
 
1.6 Elemento Subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de matar (dolo direto) ou assumir o risco de matar 
(dolo eventual). 
• Não existe homicídio culposo nesta forma básica (culposo está no §3º). 
Exemplo dolo direto: atirar na cabeça visando matar. 
Exemplo dolo eventual: dirigir em alta velocidade, bêbado, aceitando o risco de 
atropelar. 
 
1.7 Objeto Material 
É a pessoa viva que sofre a conduta homicida. 
• Se a vítima já estiver morta, não há homicídio. 
 
1.8 Consumação 
• Ocorre com a morte da vítima, definida pela morte encefálica (Lei 9.434/97). 
• É crime material, só se consuma com resultado naturalístico. 
• 
1.9 Tentativa 
• É possível, pois o homicídio é crime material. 
• Configura-se quando o agente pratica atos com dolo de matar, mas a vítima não 
morre por circunstâncias alheias à sua vontade (art. 14, II, CP). 
Exemplo: alguém atira na vítima, mas ela é socorrida e sobrevive. 
 
2. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO (art. 121, §1º CP) 
"Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou 
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço." 
Espécies: 
1. Motivo de relevante valor social: agente mata visando proteger a sociedade. 
o Ex.: pai mata traficante que aliciava crianças. 
2. Motivo de relevante valor moral: razões pessoais honrosas. 
o Ex.: filho mata estuprador da mãe. 
3. Sob domínio de violenta emoção: reação imediata após injusta provocação da 
vítima. 
o Ex.: marido mata homem que flagrou com sua esposa (logo em seguida). 
• Obs.: é incompatível com homicídio qualificado por motivo torpe ou fútil. 
 
3. HOMICÍDIO QUALIFICADO (art. 121, §2º CP) 
Pena: reclusão de 12 a 30 anos. 
É crime hediondo (Lei 8.072/90). 
Conceito 
Homicídio doloso com circunstâncias qualificadoras, que aumentam sua gravidade. 
Motivos determinantes: 
• Torpe: repugnante, vil (ex.: matar para receber herança). 
• Fútil: motivo insignificante (ex.: matar por discussão banal). 
Meios ou modos de execução: 
• Mediante veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio cruel. 
• De modo insidioso, traiçoeiro (ex.: emboscada). 
• Para assegurar execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime. 
 
Conexão: 
• Se o homicídio é praticado para garantir outro crime, responde pelo homicídio 
qualificado. 
2 ou mais qualificadoras: 
• Podem coexistir. 
• Uma qualificadora qualifica o crime,e as demais podem ser usadas como 
agravantes na dosimetria da pena. 
 
4. HOMICÍDIO CULPOSO (art. 121, §3º CP) 
"Se o homicídio é culposo: pena – detenção, de um a três anos." 
Conceito: 
• Ocorre quando o agente não quer matar, mas age com imprudência, 
negligência ou imperícia, causando a morte. 
Exemplo: médico que aplica dose errada e mata paciente por erro técnico. 
Aumento de pena (§4º): 
• De 1/3 se: 
o o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão; 
o se o agente deixa de prestar socorro à vítima; 
o se foge para evitar prisão em flagrante; 
o se a vítima é menor de 14 anos ou maior de 60 anos. 
Extinção de punibilidade (§5º): 
• Se o agente sofreu consequência tão grave com o crime culposo que a pena se 
torna desnecessária. 
• Ex.: pai atropela acidentalmente e mata o próprio filho. 
Ação penal pública incondicional: 
• Todos os homicídios (dolosos e culposos) são de ação penal pública 
incondicional. 
• Não depende de representação da vítima ou familiares. 
 
 
 
5. ART. 122 – INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO 
5.1 Suicídio – Conceito Geral 
• Suicídio: ato pelo qual alguém tira a própria vida voluntariamente. 
• Não é crime no Brasil: a tentativa de suicídio não é punível. 
• O que é punível é induzir, instigar ou auxiliar alguém a cometer suicídio. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: a vida humana extrauterina. 
• Busca-se proteger pessoas contra atos de terceiros que as incentivem ou 
auxiliem no suicídio. 
Sujeitos 
• Sujeito ativo (quem pratica o crime): qualquer pessoa que induza, instigue ou 
auxilie. 
• Sujeito passivo (quem sofre a conduta): a pessoa que tenta ou consuma o 
suicídio. 
Tipo objetivo 
• Induzir: criar na vítima a ideia de se matar. 
• Instigar: reforçar ideia já existente de se matar. 
• Auxiliar: fornecer os meios ou ajudar na execução. 
Exemplo indução: convencer amigo deprimido a se matar. 
Exemplo instigação: elogiar a ideia suicida da vítima. 
Exemplo auxílio: entregar arma, veneno ou ajudar na execução. 
Tipo subjetivo 
• Dolo (direto ou eventual) – exige intenção ou aceitação do risco de levar ao 
suicídio. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• O crime se consuma com o suicídio ou tentativa com lesão grave. 
• Se não há morte nem lesão, é ato atípico (não há punição). 
Tentativa 
• É admitida quando o agente começa a induzir, instigar ou auxiliar, mas a vítima 
não pratica qualquer ato suicida por circunstâncias alheias à sua vontade. 
 
 
Formas qualificadas (art. 122, § único, CP) 
• Se o suicídio é cometido ou tentado por menor de 14 anos ou por quem não 
tem discernimento: 
o Pena maior. 
• Se o agente é ascendente, descendente, cônjuge, irmão ou tutor da vítima: 
o Também há aumento de pena. 
Suicídio conjunto 
• Quando duas ou mais pessoas se suicidam juntas. 
• Cada sobrevivente pode responder pelo crime se induziu ou auxiliou o outro. 
Pena 
• Pena: reclusão, de 2 a 6 anos, se o suicídio é consumado; 
• 1 a 3 anos, se resulta apenas lesão grave. 
• Qualificada: pena maior (reclusão de 4 a 12 anos) nas hipóteses do § único. 
Ação penal 
• Ação penal pública incondicional – o Ministério Público atua 
independentemente de representação. 
 
5.2 ART. 123 – INFANTICÍDIO 
Conceito 
• Crime próprio praticado pela mãe: matar o filho durante o parto ou logo 
após, sob influência do estado puerperal. 
• Art. 123, CP: 
“Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo 
após: pena – detenção, de 2 a 6 anos.” 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: a vida do recém-nascido. 
Sujeitos 
• Sujeito ativo: somente a mãe (crime próprio). 
• Sujeito passivo: o filho recém-nascido vivo. 
Tipo objetivo 
• Conduta: matar o próprio filho. 
• O ato deve ocorrer durante ou logo após o parto. 
Tipo subjetivo 
• Dolo de matar (direto ou eventual). 
• Exige-se estado puerperal, reconhecido pela medicina como uma perturbação 
psíquica no momento do parto ou imediatamente depois. 
Consumação 
• Com a morte do recém-nascido (crime material). 
• Exige nascimento com vida (se nascer morto → não há infanticídio). 
Tentativa 
• É possível, já que é crime doloso e material. 
Pena 
• Detenção, de 2 a 6 anos (mais branda que o homicídio simples). 
Ação penal 
• Ação penal pública incondicional. 
 
5.3 ARTS. 124 a 128 – ABORTO 
Conceito 
• Aborto: interrupção da gravidez com a morte do feto ou embrião. 
• Art. 124 a 128, CP: tratam das várias formas de aborto, puníveis ou permitidas. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: a vida humana intrauterina. 
Sujeitos 
• Sujeito ativo: a própria gestante (aborto provocado por si) ou terceiro que o 
realiza. 
• Sujeito passivo: o feto ou embrião. 
Tipo objetivo 
• Conduta: provocar aborto, seja na própria gestante (art. 124) ou em outra 
mulher (arts. 125 e 126). 
Tipo subjetivo 
• Dolo (direto ou eventual) – exige intenção ou aceitação do risco de interromper 
a gravidez. 
• Não há aborto culposo no CP. 
Consumação 
• Ocorre com a morte do feto ou embrião, independentemente do tempo de 
gestação. 
• Se não ocorre a morte, configura tentativa de aborto. 
Tentativa 
• É possível, pois é crime material. 
Espécies de aborto 
1. Aborto provocado pela gestante (art. 124): 
o Mulher provoca o próprio aborto: pena – detenção de 1 a 3 anos. 
2. Aborto provocado por terceiro com consentimento da gestante (art. 126): 
o Pena – reclusão de 1 a 4 anos. 
3. Aborto provocado por terceiro sem consentimento da gestante (art. 125): 
o Pena – reclusão de 3 a 10 anos. 
4. Aborto necessário (art. 128, I): 
o Não há crime se o aborto é para salvar a vida da gestante. 
5. Aborto sentimental ou humanitário (art. 128, II): 
o Não há crime se a gravidez resulta de estupro e há consentimento da 
gestante. 
6. Aborto eugênico (não previsto expressamente no CP, mas aceito pelo STF): 
o Interrupção de gravidez de feto anencéfalo – não é crime conforme 
decisão do STF (ADPF 54/2012). 
Pena 
• Variável conforme espécie de aborto: 
o 1 a 3 anos (gestante provoca) 
o 1 a 4 anos (terceiro com consentimento) 
o 3 a 10 anos (terceiro sem consentimento) 
Ação penal 
• Ação penal pública incondicional. 
 
6. ART. 129 – LESÃO CORPORAL 
Conceito 
• Art. 129, CP: "Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: pena – 
detenção, de 3 meses a 1 ano." 
• Crime contra a integridade física, diferente do homicídio (não há intenção de 
matar). 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: a integridade corporal e saúde física ou mental da 
pessoa. 
Sujeitos 
• Sujeito ativo: qualquer pessoa. 
• Sujeito passivo: qualquer pessoa viva. 
Tipo objetivo 
• Ofender a integridade corporal: causar dano físico (ex.: fratura, hematoma). 
• Ofender a saúde: causar doença ou perturbação funcional (ex.: intoxicação 
proposital). 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade de ofender integridade/saúde. 
• Culpa: lesão corporal culposa (ex.: acidente de trânsito por imprudência – §6º). 
Consumação 
• Ocorre com a ofensa real, ainda que leve. 
• É crime material. 
Tentativa 
• Admite-se tentativa quando a lesão não se consuma por circunstâncias alheias à 
vontade do agente. 
Lesão leve 
• Forma simples (caput). 
• Ação penal: pública condicionada à representação (art. 88 da Lei 9.099/95). 
Lesão grave (art. 129, §1º e §2º) 
• Natureza grave (pena maior): quando resulta: 
o incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias, 
o perigo de vida, 
o debilidade permanente de membro, sentido ou função, 
o aceleração de parto. 
• Lesão gravíssima: se causa: 
o incapacidade permanente para o trabalho, 
o enfermidade incurável, 
o perda ou inutilização de membro, sentido ou função, 
o deformidade permanente, 
o aborto. 
Pena: reclusão de 1 a 5 anos (grave) ou 2 a 8 anos (gravíssima). 
 
7. ART. 133 – ABANDONO DE INCAPAZ 
Conceito 
• Art. 133, CP: "Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância 
ou autoridade e, por qualquer motivo, incapaz de defender-sedos riscos 
resultantes do abandono: pena – detenção, de 6 meses a 3 anos." 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: integridade física e vida do incapaz. 
Sujeitos 
• Ativo: quem tem dever de cuidado. 
• Passivo: criança, enfermo, idoso ou qualquer pessoa incapaz de se proteger. 
Tipo objetivo 
• Conduta: abandonar, isto é, deixar a pessoa desamparada em situação de risco. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade de abandonar sabendo do risco. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre no momento do abandono, independentemente de resultado lesivo. 
Tentativa 
• Admite-se tentativa quando o abandono não se concretiza por circunstâncias 
alheias à vontade do agente. 
Figuras qualificadas 
• Se resulta lesão grave: pena de reclusão, 1 a 5 anos. 
• Se resulta morte: pena de reclusão, 4 a 12 anos. 
Aumento de pena 
• Se o crime for praticado contra menor de 14 anos ou pessoa maior de 60 anos. 
Pena e ação penal 
• Detenção ou reclusão conforme resultado. 
• Ação penal pública incondicional. 
 
8. ART. 134 – EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO 
Conceito 
• Art. 134, CP: "Expor ou abandonar recém-nascido para ocultar desonra própria: 
pena – detenção, de 6 meses a 2 anos." 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: vida e integridade do recém-nascido. 
 
Sujeitos 
• Ativo: geralmente a mãe, mas qualquer pessoa pode praticar. 
• Passivo: recém-nascido (primeiras horas ou dias de vida). 
Tipo objetivo 
• Expor ou abandonar criança com risco à vida, visando ocultar desonra (ex.: 
gravidez fora do casamento). 
Tipo subjetivo 
• Dolo específico: intenção de ocultar desonra. 
Consumação 
• Com a exposição ou abandono, independentemente de resultado lesivo. 
Tentativa 
• Admite-se quando a conduta não se concretiza. 
Figuras qualificadas 
• Se resulta lesão grave: pena maior (1 a 3 anos). 
• Se resulta morte: pena de 2 a 6 anos. 
Pena e ação penal 
• Detenção ou reclusão conforme resultado. 
• Ação penal pública incondicional. 
 
9. ART. 135 – OMISSÃO DE SOCORRO 
Conceito 
• Art. 135, CP: "Deixar de prestar assistência à pessoa em perigo iminente, 
podendo fazê-lo sem risco pessoal: pena – detenção, de 1 a 6 meses ou multa." 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: solidariedade humana, integridade física e vida. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa que possa prestar socorro. 
• Passivo: qualquer pessoa em perigo iminente. 
Tipo objetivo 
• Omissão dolosa: deixar de socorrer. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de não prestar socorro. 
• Não existe modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a simples omissão. 
Tentativa 
• Inviável, pois é crime omissivo puro. 
Figuras qualificadas 
• Se resulta lesão grave: pena maior (detenção de 6 meses a 1 ano). 
• Se resulta morte: pena de 1 a 3 anos. 
Qualificação doutrinária 
• Crime omissivo próprio, de menor potencial ofensivo. 
Pena e ação penal 
• Detenção ou multa conforme resultado. 
• Ação penal pública incondicional. 
10. ART. 136 – MAUS-TRATOS 
Conceito 
• Art. 136, CP: "Expor a perigo a vida ou saúde de pessoa sob sua autoridade, 
guarda ou vigilância, para fins de educação, ensino, tratamento ou custódia, 
privando-a de cuidados ou sujeitando-a a trabalhos excessivos ou inadequados, 
ou abusando de meios corretivos ou disciplinares." 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: vida, saúde e dignidade da pessoa sob cuidado. 
Sujeitos 
• Ativo: quem tem dever de cuidado (pais, tutores, médicos, professores). 
• Passivo: pessoa sob autoridade ou guarda. 
Tipo objetivo 
• Expor a perigo a vida ou saúde por abuso de meios corretivos ou privação de 
cuidados. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: intenção de submeter a pessoa a risco. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a exposição a perigo, mesmo sem dano efetivo. 
Tentativa 
• Em regra, não se admite, pois é crime de perigo abstrato. 
Figuras qualificadas 
• Se resulta lesão grave: pena maior (reclusão de 1 a 4 anos). 
• Se resulta morte: pena de 4 a 12 anos. 
Aumento de pena 
• Se o crime é contra menor de 14 anos. 
Pena e ação penal 
• Detenção ou reclusão conforme resultado. 
• Ação penal pública incondicional 
11. ART. 137 – RIXA 
Conceito 
• Art. 137, CP: "Participar de rixa, salvo para separar os contendores: pena – 
detenção, de 15 dias a 2 meses, ou multa." 
• Rixa: briga generalizada entre três ou mais pessoas. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: paz pública e integridade física. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer participante da rixa. 
• Passivo: a coletividade e os envolvidos na briga. 
Tipo objetivo 
• Participar de briga coletiva, salvo para separar. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade de participar da rixa. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a simples participação na rixa. 
Tentativa 
• Inviável, pois é crime de conduta instantânea. 
Rixa qualificada (art. 137, parágrafo único) 
• Se resulta lesão grave: pena de 6 meses a 2 anos. 
• Se resulta morte: pena de 2 a 4 anos. 
Pena e ação penal 
• Detenção ou reclusão conforme resultado. 
• Ação penal pública incondicional. 
 
 
12. DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
• Localização: arts. 138 a 145 do Código Penal. 
• Bem jurídico protegido: honra, em seus dois aspectos: 
o Honra objetiva – reputação perante terceiros (imagem social). 
o Honra subjetiva – autoestima, dignidade pessoal. 
• Natureza jurídica: crimes contra a pessoa. 
• Ação penal: regra geral privada (depende de queixa-crime), com exceções 
(injúria preconceituosa – ação pública). 
 
13. ART. 138 – CALÚNIA 
Conceito 
• Imputar falsamente a alguém fato definido como crime. 
• Exemplo: dizer que alguém roubou um carro sem ser verdade. 
Objeto 
• Bem jurídico: honra objetiva (reputação), mas atinge também a honra subjetiva. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física ou, segundo parte da doutrina, pessoa jurídica 
(se possível o crime). 
Tipo objetivo 
• Atribuir falsamente a alguém um fato criminoso determinado. 
• Pode ocorrer por qualquer meio (palavra, escrito, rede social). 
• Propalação ou divulgação (art. 138, §1º): repetir ou divulgar calúnia feita por 
outro também é crime. 
Tipo subjetivo 
• Dolo específico: intenção de imputar falsamente um crime. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre no momento em que terceiro toma conhecimento da imputação falsa. 
• Tentativa: possível apenas em meios não verbais (ex.: carta interceptada antes 
de chegar). 
Exceção da verdade (art. 138, §3º) 
• O acusado pode provar que o fato atribuído é verdadeiro → se provar, não há 
calúnia. 
• Exceção da exceção: não se admite prova da verdade em certos casos, como: 
1. Crime de ação privada não processado por falta de queixa; 
2. Quando a vítima já foi absolvida por sentença irrecorrível; 
3. Se o fato imputado se refere ao Presidente da República ou chefe de 
governo estrangeiro (art. 138, §3º). 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 6 meses a 2 anos e multa. 
• Ação penal: privada (queixa-crime). 
 
14. ART. 139 – DIFAMAÇÃO 
Conceito 
• Imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação, ainda que verdadeiro, não 
configurando crime. 
• Exemplo: dizer que uma pessoa é adúltera ou corrupta, sem tipificação penal. 
Objeto 
• Honra objetiva – reputação perante terceiros. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física ou jurídica. 
Tipo objetivo 
• Divulgar fato desonroso contra a reputação de alguém. 
• Não exige falsidade do fato. 
Tipo subjetivo 
• Dolo de difamar – intenção de macular reputação. 
Consumação 
• Ocorre quando o fato chega ao conhecimento de terceiro. 
• Tentativa: possível por meio escrito ou não verbal. 
Exceção da verdade (art. 139, parágrafo único) 
• Regra: não se admite prova da verdade do fato difamatório, exceto se: 
o o ofendido é funcionário público e a imputação refere-se ao exercício de 
suas funções. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 3 meses a 1 ano e multa. 
• Ação penal: privada. 
 
15. ART. 140 – INJÚRIAConceito 
• Ofender a dignidade ou decoro de alguém sem imputar fato determinado. 
• Exemplo: chamar alguém de “ladrão” ou “canalha” sem vincular a crime 
específico. 
Objeto 
• Honra subjetiva – autoestima, dignidade pessoal. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física (pessoa jurídica não tem honra subjetiva). 
Tipo objetivo 
• Proferir ofensa direta, verbal, gestual ou escrita. 
• Injúria real (art. 140, §2º): ofensa com violência ou vias de fato → pena maior. 
• Injúria preconceituosa (art. 140, §3º): ofensa referente a raça, cor, etnia, 
religião, origem ou condição de pessoa idosa/deficiente → crime equiparado a 
racismo, ação pública incondicional. 
Tipo subjetivo 
• Dolo de ofender (animus injuriandi). 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre quando a vítima toma conhecimento da ofensa. 
• Tentativa: possível por meio escrito ou não verbal. 
Provocação e retorsão imediata (art. 140, §1º) 
• Provocação: se a vítima provoca o agente → juiz pode reduzir pena ou deixar 
de aplicar. 
• Retorsão imediata: se ambos se injuriam → pode haver perdão judicial. 
Pena e ação penal 
• Pena básica: detenção de 1 a 6 meses ou multa. 
• Injúria real: 3 meses a 1 ano + multa. 
• Injúria preconceituosa: reclusão de 1 a 3 anos e multa (ação pública 
incondicional). 
• Regra geral: ação penal privada. 
 
16. ARTS. 141 A 145 – DISPOSIÇÕES COMUNS 
Conceito geral 
• Regras aplicáveis aos três crimes contra a honra. 
Aumento de pena (art. 141) 
• A pena é aumentada de 1/3 se o crime é cometido: 
o contra Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro; 
o contra funcionário público em razão do cargo; 
o na presença de várias pessoas ou por meio que facilite divulgação 
(internet, imprensa); 
o contra pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência. 
Exclusão do crime (art. 142) 
• Não constituem crime: 
o opinião desfavorável de crítico literário, artístico ou científico; 
o conceito desfavorável emitido por funcionário público em juízo ou na 
função; 
o comunicação em juízo, salvo excesso. 
 
Retratação (art. 143) 
• Se o réu se retratar cabalmente da calúnia ou difamação antes da sentença → 
extingue a punibilidade. 
• Não se aplica à injúria. 
Pedido de explicação (art. 144) 
• O ofendido pode requerer explicações em juízo, se houver dúvida sobre o 
sentido da ofensa, antes de processar criminalmente. 
Ação penal (art. 145) 
• Regra geral: ação penal privada (depende de queixa-crime). 
• Injúria preconceituosa: ação penal pública incondicional. 
• Se vítima for Presidente da República ou chefe estrangeiro: ação penal 
pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça. 
 
17. ART. 146 – CONSTRANGIMENTO ILEGAL 
Conceito 
• Art. 146, caput, CP: "Constranger alguém, mediante violência ou grave 
ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer meio, a capacidade de 
resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda." 
• Crime contra a liberdade individual, pois interfere na autodeterminação da 
vítima. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: liberdade de ação e vontade do indivíduo. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física. 
Tipo objetivo 
• Conduta: obrigar alguém a agir contra a lei ou a deixar de agir conforme a lei, 
mediante violência, ameaça ou redução da resistência (drogas, sedativos, 
hipnose). 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de constranger. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre no momento do constrangimento, ainda que a vítima não cumpra a 
ordem. 
Tentativa 
• Admite-se, se iniciada a execução e não consumada por circunstâncias alheias à 
vontade do agente. 
Formas qualificadas (art. 146, §1º) 
• Se o constrangimento for cometido por funcionário público com abuso de 
poder, aumenta-se a pena. 
Exclusão do crime (art. 146, §3º) 
• Não configura constrangimento ilegal quando: 
1. O agente atua para prestar socorro; 
2. O agente atua para proteger direito próprio ou de terceiro, mesmo que 
cause dano a outrem. 
Distinção 
• Constrangimento ilegal x extorsão (art. 158): extorsão visa vantagem 
econômica; constrangimento ilegal apenas restringe a liberdade. 
• Constrangimento ilegal x ameaça (art. 147): na ameaça, não há imposição 
imediata de conduta, apenas promessa de mal futuro. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 3 meses a 1 ano ou multa. 
• Ação penal: pública condicionada à representação (salvo qualificadora do §1º 
→ incondicional). 
 
 
18. ART. 147 – AMEAÇA 
Conceito 
• Art. 147, caput, CP: "Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou 
qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave." 
• Crime contra a liberdade individual e psíquica da vítima. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: tranquilidade e liberdade psíquica da vítima. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física. 
Tipo objetivo 
• Ameaçar causar mal injusto e grave, de qualquer forma (palavra, gesto, carta, 
redes sociais). 
• O mal deve ser possível e verossímil para intimidar a vítima. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de ameaçar. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre quando a vítima toma conhecimento da ameaça e sente-se 
intimidada. 
• Não depende de efetiva realização do mal. 
Tentativa 
• É possível apenas por meio não verbal (ex.: carta interceptada). 
Distinção do constrangimento ilegal 
• Ameaça: promessa de mal futuro. 
• Constrangimento ilegal: imposição de conduta imediata. 
Pena e ação penal 
• Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa. 
• Ação penal: pública condicionada à representação. 
 
19. ART. 148 – SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO 
Conceito 
• Art. 148, CP: "Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere 
privado." 
• Crime contra a liberdade pessoal, grave pela restrição física de locomoção. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: liberdade de locomoção da pessoa. 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa. 
• Passivo: qualquer pessoa física. 
Tipo objetivo 
• Privar a vítima de sua liberdade de ir e vir, mantendo-a sob vigilância ou em 
local fechado. 
• Sequestro: deslocamento da vítima para local diferente. 
• Cárcere privado: restrição de liberdade em local específico. 
Tipo subjetivo 
• Dolo: vontade consciente de privar a liberdade. 
• Não há modalidade culposa. 
Consumação 
• Ocorre com a privação da liberdade, ainda que por curto tempo. 
Tentativa 
• Admite-se quando não há restrição efetiva, por circunstâncias alheias à vontade 
do agente. 
Formas qualificadas (art. 148, §1º e §2º) 
• Sequestro/cárcere contra: 
1. Ascendente, descendente ou cônjuge do agente; 
2. Menor de 18 anos; 
3. Idoso ou pessoa com deficiência; 
4. Com maus-tratos ou perigo à integridade física. 
• Se resulta lesão grave: reclusão de 2 a 8 anos. 
• Se resulta morte: reclusão de 4 a 12 anos. 
Exclusão do crime (art. 148, §3º) 
• Não há crime se os pais privam moderadamente a liberdade do filho para fins de 
disciplina ou proteção. 
Pena e ação penal 
• Pena básica: reclusão de 1 a 3 anos. 
• Ação penal: pública incondicional. 
 
20. ART. 149 – REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO 
Conceito 
• Art. 149, CP: "Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer 
submetendo-o a trabalhos forçados, quer a jornada exaustiva, quer a condições 
degradantes de trabalho, quer restringindo sua locomoção por dívida contraída 
com o empregador." 
• Crime contra a liberdade pessoal e a dignidade humana. 
Objeto 
• Bem jurídico protegido: liberdade, dignidade da pessoa humana, valor social 
do trabalho. 
 
Sujeitos 
• Ativo: qualquer pessoa (empregadores, intermediários, aliciadores). 
• Passivo: trabalhador submetido a condições indignas. 
Tipo objetivo 
• Condutas típicas: 
1. Trabalhos forçados – coação física ou moral para trabalhar. 
2. Jornada exaustiva – esforço acima do suportável, sem descanso ou 
condições mínimas. 
3. Condições

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