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TOXICOLOGIA DE ALIMENTOS Prof. Washington Azevêdo da Silva José Carlos Baffa Júnior Curso: Engenharia de Alimentos Campus Sete Lagoas – UFSJ Campus Florestal - UFV Importante Alimentos – fontes de carboidratos, proteínas, gordura, vitaminas, fibras, minerais, entre outros; Conhecer as substâncias tóxicas presentes nos alimentos e evitar que essas sejam ingeridas em níveis que imponham risco à saúde. Alimentos são constituídos de substâncias nutritivas e não-nutritivas, podendo ser consumidos in natura ou processados. Podem ser letais ou afetar a digestibilidade; Toxicologia caminha junto com história Sócrates foi condenado a morte com ingestão de Veneno Romeu e Julieta – Um foi veneno Histórico A Toxicologia é uma ciência muito antiga. 1º documento sobre agentes tóxicos ⇒ 1500 a.C.(≅ 800 ingredientes) Papiro de Ebers de origem egípcia registra: metais pesados, venenos de animais e diversos vegetais tóxicos No século XX (2ª G.M.) ⇒ avanços área de síntese química Surgimento de diversos novos compostos para fins farmacêuticos, alimentares e agrícolas. Inúmeros novos casos de intoxicação Desenvolvimento da Toxicologia (avaliação da segurança e do risco) Cultura Número de amostras analisadas Amostras insatisfatórias Alface 135 54 Batata 147 2 Morango 94 41 Tomate 123 55 Maçã 138 4 Banana 139 6 Mamão 122 21 Cenoura 151 15 Laranja 149 9 Fonte: MAPA, 2011. Conceitos Toxicologia – ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes das interações de substâncias químicas com o organismo; Efeito nocivo?? Resulta em transtorno da capacidade do organismo em compensar esse efeito Diminui a capacidade do organismo manter a homeostasia Aumenta a suscetibilidade aos efeitos indesejáveis de outros fatores ambientais Agente tóxico ou toxicante – agente químico capaz de causar dano a um sistema biológico, alterando: Uma função; Levando a morte, sob certas condições de exposição Veneno – substância química ou mistura que provoca a intoxicação ou a morte com baixas doses, alguns incluem aquelas provenientes de animais como função de defesa ou proteção. DROGA x FÁRMACO Toda substância capaz de modificar ou explorar o sistema fisiológico ou estado patológico, utilizada com ou sem intenção de benefício do organismo receptor. Ex.: Cannabis sativa (maconha) - droga; 9Δ – tetraidrocanabinol – fármaco; Toda substância com estrutura química definida que pode modificar ou explorar o sistema fisiológico ou estado patológico, em benefício do receptor. Sendo seu principal constituiente psicoativo ANTÍDOTO Toda substância capaz de antagonizar os efeitos tóxicos de substâncias. Toda substância capaz de anular os efeitos tóxicos de um veneno. Ex.: Bicarbonato de sódio, glucagon (hipoglicemia); TOXICIDADE Propriedade de agentes tóxicos de promoverem injúrias às estruturas biológicas, por meio de interações físico-químicas ou Capacidade e potencial do agente tóxico de provocar efeitos nocivos em organismos vivos. Envolve uma série de eventos sobre o organismo afetado. Toxicidade - eventos Exposição Distribuição Biotransformação Interações com macromoléculas Expressão – efeito nocivo AÇÃO TÓXICA Modo pelo qual um agente tóxico exerce sua atividade sobre as estruturas teciduais. Função Órgão para outro, idade, genética, gênero, dieta, condição fisiológica e estado de saúde do organismo. XENOBIÓTICO Termo usado para designar substâncias químicas estranhas ao organismo. Exemplos: Agentes poluentes da atmosfera e metais (mercúrio e chumbo) – xenobióticos; Manganês – exposição elevada de trabalhadores 16 INTOXICAÇÃO Manifestação dos efeitos tóxicos. Processo patológico causado por substâncias químicas endógenas ou exógenas e caracterizado por desequilíbrio fisiológico, em consequência das alterações bioquímicas no organismo Evidenciado por sinais e sintomas ou mediante exames laboratoriais INTOXICAÇÃO Exposição Tóxico cinética Tóxico dinâmica Clínica Intoxicação Fase de exposição: contato com o toxicante. Fase de toxicocinética: relação entre a absorção e a concentração do agente tóxico nos diferentes tecidos do organismo. Absorção, distribuição, armazenamento, biotransformação, excreção. Balanço: biodisponibilidade da substância. Intoxicação Ocorre interação entre as moléculas do toxicante e os sítios de ação, específicos ou não, dos órgãos e, consequentemente, o surgimento de desequilíbrio homeostático > Fase de toxicodinâmica. Fase Clínica – Há evidencias de sinais e sintomas, alterações patológicas mediante provas de diagnose. Relação da Toxicologia com outras ciências Necessita conhecimentos, métodos e conceitos de outras ciências: química, bioquímica, patologia, parasitologia, epidemiologia, imunologia, ecologia, biofísica, biologia molecular; Contribui: medicina, toxicologia clínica, farmácia, farmacologia, saúde pública e higiene industrial, medicina veterinária e agricultura (desenvolvimento praguicidas); Classificação da Toxicologia Toxicologia analítica ou química; Toxicologia Clínica; Toxicologia experimental; Toxicologia analítica ou química; Detecção do agente químico ou parâmetro relacionado à exposição ao toxicante, em substratos: fluidos orgânicos, alimentos, água, ar, solo; Objetivo: Prevenir ou diagnosticar as intoxicações; Busca: métodos exatos, precisos, domínio da química analítica e de instrumentação é fundamental. Toxicologia analítica ou química: Monitoramento terapêutico; Monitoramento biológico; Controle antidopagem; Diagnóstico laboratorial; Controle da farmacodependência; Toxicologia clínica ou médica Atendimento ao indivíduo exposto ao agente toxicante; Prevenir ou diagnosticar a intoxicação e aplicação de terapêutica específica; Toxicologia experimental Estudos para a elucidação dos mecanismos de ação dos agentes tóxicos sobre o sistema biológico e para avaliação dos efeitos decorrentes da ação; Efeitos de praguicidas e herbicidas ao meio ambiente – ecotoxicologia. Áreas de atuação Várias áreas de atuação – natureza do agente ou forma de atuação sobre o agente biológico; Toxicologia ambiental; Toxicologia ocupacional; Toxicologia de alimentos; Toxicologia de medicamentos e cosméticos; Toxicologia social Toxicologia de Alimentos Estuda os efeitos nocivos dos constituintes presentes nos alimentos para definir as condições em que os alimentos podem ser ingeridos sem causar danos ao organismo; Importante: Efeito – não nutricional, e/ou terapêutico são generalizados como tóxicos; Exposição humana a agentes tóxicos - Natureza (natural ou artificial) e concentração do AT presente no alimento; - Frequência com que o alimento é ingerido pela População; Via de introdução no organismo; - Suscetibilidade do organismo. Casos de intoxicação Ocorrem via ingestão de alimentos contaminados: Intencionalmente; Acidentalmente; Única porção/refeição contendo alta [AT] – efeito agudo em curto prazo; Várias refeições/porções com baixas [AT]s – efeito crônico/longo prazo – passa “desapercebido” Casos de intoxicação Ocorrem em populações em que: Qualidade dos alimentos inadequada; Dietas com pouca variação das fontes alimentares; Comuns em regiões subdesenvolvidas e países africanos; Casos de intoxicação Boas práticas de fabricação Importantes; Controle de qualidade; Fiscalização e inspeção; Certificação; Casos de intoxicação Importante: não-nutrientes: Naturalmente presentes; Adicionados propositalmente; Contaminantes controláveis; Contaminantes inevitáveis; Aflatoxinas. Casos de intoxicação Não-nutrientes Exemplos Naturalmente presentes nos alimentos Inibidores de tripsina da soja e feijão, glicosinolatos, glicoalcalóides, glicosídeos cianogênicos Casosde intoxicação Não-nutrientes Exemplos Incontrolável Produção de toxina por microrganismos; geração de compostos tóxicos em alimentos (Nitrosaminas e nitrosamidas); Incorporação de metais tóxicos. Aditivos em concentrações excessivas Sorbato de potássio em pães; Dosagem excessiva de aditivos, principalmente dos não-GRAS (GENERALLY RECOGNIZED AS SAFE). Não-nutrientes Exemplos Contaminação indireta Promotores de crescimento; Medicamentos de uso veterinário; Praguicidas; Migrantes de embalagens Fármacos e hormônios promotores de crescimentos Antibióticos de uso profilático (Cloranfenicol, sulfametazina) Resíduos de herbicidas, fungicidas, raticidas, inseticidas Ésteres ftálicos migrantes de embalagens plásticas (naftaleno) Índices de toxicidade LMP – Limite máximo permitido ou tolerável: quantidade do agente tóxico que não causa efeito nocivo; Exemplo: LMP aflatoxinas em matérias-primas e rações: 20 µg/kg; Exemplo de contaminantes 39 Dúvidas? image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png