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QUÍMICA I OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Diferenciar compostos orgânicos de compostos inorgânicos. > Classificar ácido e base. > Nomear os compostos. Introdução A nomenclatura química é um conjunto de regras que dá origem a nomes siste- máticos para compostos químicos. O sistema de nomenclatura dos compostos que devemos utilizar foi desenvolvido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, do inglês International Union of Pure and Applied Chemistry). A nomenclatura de compostos tem como objetivo que todos os compostos apre- sentem nomes diferentes, os distinguindo. Isto é, não pode haver duas ou mais estruturas com o mesmo nome. Além disso, por meio da nomenclatura é possível dar o nome do composto pela sua fórmula estrutural e vice-versa. Em outras palavras, dada a fórmula estrutural, é possível a elaboração do nome do composto. Neste capítulo, você vai estudar conceitos importantes relacionados à no- menclatura de compostos orgânicos e inorgânicos. Você vai ver as diferenças entre esses dois tipos de compostos e descobrir como identificá-los. Por fim, vai conhecer as características de ácidos e bases e as diferenças de compostos iônicos e moleculares, estudando sua nomenclatura por meio de exemplos. Nomenclatura dos compostos Bianca Thaís Dalberto Compostos orgânicos, inorgânicos e suas classificações Entre todos os elementos existentes, apenas seis gases nobres do grupo 18 da tabela periódica (He, Ne, Ar, Kr, Xe e Rn) existem na natureza como átomos isolados. Por isso, eles são chamados de gases monoatômicos. Os outros elementos da tabela periódica tendem a se combinar, o que leva à formação da matéria, que é composta por moléculas ou íons formados por átomos. Uma molécula é um grupo eletronicamente neutro de dois ou mais átomos unidos por meio de ligações químicas (CHANG, 2010). Esses átomos podem ser do mesmo elemento ou de dois ou mais elementos distintos. A água, por exemplo, é uma molécula que contém hidrogênio e oxigênio na proporção de dois átomos de H para um átomo de O. Ela também é chamada de composto molecular, pois tem mais de dois átomos unidos por ligações covalentes. Outro exemplo de molécula é a glicose, que apresenta seis átomos de C, doze átomos de H e seis átomos de O unidos por ligações covalentes (FELTRE, 2004). Ela é a principal fonte de energia dos seres vivos, desde as bactérias até os seres humanos. Além das moléculas formadas pela união de átomos por ligações cova- lentes, existem outros compostos que podem ser formados por diversos elementos da tabela periódica. No entanto, em geral, eles são feitos de ametais ou de hidrogênio e têm ligações com átomos metálicos. A ligação envolvida na formação desses compostos pode ser iônica ou de coordenação. Por exemplo, o cloreto de sódio (NaCl) é um composto iônico, pois é formado pelo cátion Na+ e pelo ânion Cl‒ (CHANG; GOLDSBY, 2013). Sabendo disso, os compostos podem ser classificados em compostos orgâ- nicos e inorgânicos, de acordo com sua natureza. Historicamente, pensava-se que os compostos orgânicos apenas poderiam ser produzidos por seres vivos, como plantas e animais, pois precisavam de uma “força vital” para serem criados. Já os compostos inorgânicos correspondiam aos sistemas não vivos, como rochas e minérios. A criação de uma substância orgânica a partir de um composto inorgânico foi responsável por uma nova divisão na química. A química orgânica passou a ser definida como o estudo dos compostos de carbono; já a química inorgânica abrange os demais elementos químicos (RUSSEL, 1994). Nomenclatura dos compostos2 Assim, de acordo com Chang (2010), compostos inorgânicos são todas as substâncias formadas por átomos ou moléculas de pelo menos dois elementos diferentes que não contenham em sua estrutura átomos de carbono que formam cadeias e estão ligados a hidrogênios (com exceção dos elementos CO, CO2 e Na2CO3). Diante disso, de acordo com Atkins, Jones e Laverman (2018), é possível identificar um composto inorgânico por meio das seguintes características. � Não apresentam carbono na estrutura molecular que formam cadeias e estão ligados a átomos de hidrogênio (exceções: CO, CO2 e Na2CO3). � São compostos formados por átomos, ou uma molécula, de qualquer elemento da tabela periódica. � Apresentam na composição química metais (ou hidrogênio) que se ligam com um não metal ou um grupo de não metais. � As ligações entre os compostos inorgânicos podem ser iônicas, cova- lentes ou de coordenação. � A grande maioria desses compostos apresenta estado físico sólido. Também são consideradas inorgânicas algumas substâncias que contêm carbono, como dióxido de carbono, monóxido de carbono, grafite, diamante, ácido carbônico, ácido cianídrico e sais carbonatos e cianetos. Os compostos inorgânicos são divididos em ácidos, bases, sais e óxidos (FELTRE, 2004). Alguns exemplos dessas funções inorgânicas são: o ácido clorídrico (HCl), um composto inorgânico ácido; o hidróxido de sódio (NaOH), uma base; o cloreto de sódio (NaCl), um sal; e o óxido de zinco (ZnO), um óxido. Os compostos orgânicos são moléculas formadas por átomos de carbono ligados por meio de ligações covalentes entre si e com outros elementos, como hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e halogênios (CHANG, 2010). A Figura 1 mostra os elementos mais comuns em compostos orgânicos. Nomenclatura dos compostos 3 Figura 1. Elementos mais comuns em compostos orgânicos. Fonte: Chang (2010, p. 342). 1 H 18 2 13 B C N O F Si P S Cl Br I 14 15 16 17 O carbono pode formar um número maior de compostos do que qualquer outro elemento, pois seus átomos podem formar ligações carbono-carbono simples, duplas, triplas e até mesmo se unir em forma de cadeias e anéis (FELTRE, 2004). Vale destacar que todos os compostos orgânicos derivam do grupo conhecido como hidrocarbonetos. Esse grupo é formado por substâncias que apresentam apenas carbono e hidrogênio em sua composição. Além disso, estruturalmente, eles são divididos em dois grupos: hidrocarbonetos alifáticos e hidrocarbonetos aromáticos. Os alifáticos contêm apenas cadeias simples e átomos de carbono e hidrogênio (não apresentam o grupo benzeno ou o anel benzênico), enquanto os aromáticos têm um ou mais anéis benzênicos. Os hidrocarbonetos alifáticos dividem-se em alcanos, alcenos e alcinos. De acordo com McMurry (2011), os alcanos são conhecidos como hidrocar- bonetos saturados, pois têm apenas ligações covalentes simples (contêm o número máximo de hidrogênios que podem se ligar aos carbonos presentes nas moléculas). Os alcenos são os hidrocarbonetos alifáticos insaturados, ou seja, apresentam uma ligação covalente dupla (C C) entre seus átomos de carbono. Já os alcinos são os hidrocarbonetos alifáticos insaturados que apresentam uma ligação covalente tripla entre átomos de carbono sem que a sequência de carbonos forme um ciclo. A Figura 2 mostra uma comparação entre os três tipos de hidrocarbonetos. O hexano é um alcano, pois apresenta apenas ligações covalentes simples. O 1-hexeno é um alceno, pois apresenta uma ligação covalente dupla (C C). Por fim, o 1-hexino é um alcino, pois tem uma ligação covalente tripla. Nomenclatura dos compostos4 Figura 2. Exemplo de alcano, alceno e alcino. As moléculas orgânicas também são divididas em funções orgânicas, que agrupam os compostos de acordo com características semelhantes. São elas, além dos hidrocarbonetos, as moléculas oxigenadas e nitrogenadas. O Quadro 1 indica a relação entre os diferentes grupos funcionais orgânicos e exemplos de moléculas. Quadro 1. Grupos funcionais orgânicos e exemplos de moléculas Classificação Função orgânica Exemplo Funções oxigenadas Ácido carboxílico OH O Álcool OH Aldeído H O Cetona O Éster O O Éter O Funções nitrogenadas Amina NH2 Amida NH2 O Nitrila N Fonte: Adaptado de McMurry (2011). Nomenclatura dos compostos 5 Confira, no exemplo a seguir, a diferença entre um composto inorgânico(NaOH) e um composto orgânico (CH3CH2OH). O hidróxido de sódio (NaOH) e o etanol (CH3CH2OH) apresentam uma hidroxila (OH) em sua composição, mas ambos são compostos totalmente distintos. O NaOH é um composto inorgânico básico formado pelo cátion Na+ e o ânion OH‒, unidos por ligações iônicas. Já o CH3CH2OH é um álcool, composto orgânico, cujos átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio são ligados na molécula por ligações covalentes (CHANG; GOLDSBY, 2013). Além disso, as temperaturas de fusão e ebulição dos compostos orgânicos são menores se comparadas às dos compostos inorgânicos, pois as moléculas orgânicas têm interações intermoleculares mais fracas. Características e nomenclatura de ácidos e bases Sabemos que os compostos inorgânicos podem ser divididos em quatro grupos diferentes: ácidos, bases, sais e óxidos, substâncias que não apresentam em sua composição química a presença de carbono (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). Os primeiros químicos aplicavam o termo ácido a substâncias que tinham sabor azedo, como o vinagre, que contém ácido acético (CH3COOH). Já as bases eram reconhecidas pelo gosto de sabão. Atualmente existem maneiras menos perigosas de reconhecer ácidos e bases. De acordo com Feltre (2004), em 1887, o químico sueco Svante Arrhenius criou a primeira teoria ácido-base. Com base na existência de íons nas soluções eletrolíticas, Arrhenius definiu um conceito de ácido e base. Assim, de acordo com Chang e Goldsby (2013), são compostos ácidos aqueles que, dissolvidos em água, sofrem ionização e liberam como cátions somente H+ (H3O+): HCl H+ (aq) + Cl‒ (aq) Já os compostos básicos são aqueles que, dissolvidos em água, sofrem ionização e liberam como ânions somente OH‒ (CHANG; GOLDSBY, 2013): LiOH(s) Li+ (aq) + OH‒ (aq) Nomenclatura dos compostos6 Ácidos Atualmente, os ácidos estão muito relacionados ao cotidiano das pessoas. Diversos produtos que utilizamos são obtidos graças ao uso de ácidos como reagentes. O ácido nítrico (HNO3), por exemplo, é utilizado principalmente em processos de nitrificação de composto orgânicos, na fabricação de explosivos, fertilizantes agrícolas, vernizes e celuloses. As características gerais dos ácidos são sabor azedo, estado líquido e ionização em água. Esses aspectos estão muito relacionados à classificação dessas substâncias. A classificação dos ácidos envolve diferentes critérios, como a análise de volatilidade, estabilidade, grau de oxigenação, grau de hi- dratação, número de hidrogênios ionizáveis e força (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Entre esses critérios, vamos estudar o grau de oxigenação, o número de hidrogênios ionizáveis e a força do ácido. O grau de oxigenação, conforme Brown, Lemay e Bursten (2005), consiste na análise da presença ou não de oxigênio na composição dos ácidos. Assim, os ácidos podem ser classificados em hidrácidos ou oxiácidos. Os primeiros não apresentam oxigênio em sua composição, como o ácido iodídrico (HI), o ácido cianídrico (HCN) e o ácido clorídrico (HCl). Já os oxiácidos apresentam pelo menos um átomo de oxigênio em sua composição, como o ácido sulfúrico (H2SO4), o ácido hipocloroso (HClO) e o ácido nitroso (HNO2). O número de hidrogênios ionizáveis significa a quantidade de hidrogênios que podem sofrer ionização quando determinado ácido é adicionado à água (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Devido a isso, os ácidos são classificados como monoácidos, diácidos, triácidos e tetra-ácidos. Os monoácidos apre- sentam apenas um hidrogênio ionizável, como o ácido bromídrico (HBr). Os diácidos têm dois hidrogênios ionizáveis, como o ácido sulfúrico (H2SO4). Os triácidos apresentam três hidrogênios ionizáveis, como o ácido bórico (H3BO3). Por fim, os tetra-ácidos têm quatro hidrogênios ionizáveis, como o ácido pirofosfórico (H₄P₂O₇). Outro critério importante para definir e caracterizar um ácido é a análise de sua força. Essa análise está baseada na capacidade do ácido de ionizar-se pouco, muito ou razoavelmente. Assim, um ácido pode ser classificado em forte, moderado/semiforte ou fraco (BROWN; LEMAY; BURSTEN, 2005). Um ácido forte é aquele que, na presença de água, ioniza-se muito. São exemplos de ácidos fortes o HCl, o HBr e o H2SO4. Um ácido moderado/semiforte se ioniza de forma moderada (como o HF e o H2SO3). Por fim, um ácido fraco é aquele que, quando colocado em água, ioniza-se pouco. São exemplos de ácidos fracos o HClO, o HCN e o H2S. Nomenclatura dos compostos 7 A partir dessas características, podemos compreender a nomenclatura dos ácidos. Ela é dada de acordo com o grupo do qual ele faz parte, ou seja, se o ácido apresenta oxigênio (oxiácido) ou não (hidrácido) em sua estrutura. A nomenclatura de hidrácidos é dada utilizando a seguinte regra: Ácido + nome do elemento + ídrico Por exemplo, a molécula do ácido HF é dada da seguinte maneira, seguindo a regra geral: Ácido + nome do elemento + ídrico Ácido + fluor +ídrico Ácido fluorídrico Seguindo essa regra, é possível nomear todos os hidrácidos. Confira, no Quadro 2, a nomenclatura de diferentes hidrácidos. Quadro 2. Nomenclatura de hidrácidos Ácido Nomenclatura HBr Ácido bromídrico H2S Ácido sulfídrico HCN Ácido cianídrico HI Ácido iodídrico HCl Ácido clorídrico Por outro lado, a nomenclatura de ácidos que contêm oxigênio em sua estrutura (oxiácidos) é dada a partir do nome e da fórmula dos ácidos-padrão de cada família. O Quadro 3 indica o oxiácido-padrão de cada família da tabela periódica e sua fórmula. Nomenclatura dos compostos8 Quadro 3. Oxiácidos-padrão de cada família 17-VIIA (Cl, Br, I) 16-VIA (Se, S) 15-VA (N, P, As) 14-IVA (C) HClO3 H2SO4 HNO3 H3PO4 H2CO3 Ácido clórico Ácido sulfúrico Ácido nítrico Ácido fosfórico Ácido carbônico Fonte: Adaptado de Chang e Goldsby (2013). Diante desses oxiácidos-padrão, vale ressaltar que a nomenclatura pode variar de acordo com o número de átomos de oxigênio na estrutura do ácido. Essa diferenciação se dá pelo uso de prefixos e sufixos, como mostra a Figura 3. Figura 3. Nomenclatura de oxiácidos. Fonte: Adaptada de Chang e Goldsby (2013). Qual é a nomenclatura do ácido HClO4? Esse ácido pertence à família 17-VIIA, então seu ácido-padrão é o ácido clórico (HClO3). O ácido clórico tem três átomos de oxigênio, e o composto que se deseja nomear tem quatro átomos de oxigênio. Assim, utilizando a regra indicada na Figura 3, como o HClO4 tem um átomo de O a mais que o HClO3 (ácido-padrão), seu nome será ácido perclórico. Seguindo essa regra, é possível nomear todos os oxiácidos. O Quadro 4 mostra a nomenclatura de diferentes oxiácidos da família 17-VIIA. Nomenclatura dos compostos 9 Quadro 4. Nomenclatura de alguns oxiácidos Ácido Nomenclatura HClO Ácido hipocloroso HClO2 Ácido cloroso HBrO Ácido hipobromoso HBrO3 Ácido brômico HBrO4 Ácido perbrômico Bases Além dos ácidos, outra classe de compostos extremamente importante são as bases. Elas são responsáveis pelo sabor adstringente da banana verde e são aplicadas industrialmente na produção de fármacos, fertilizantes e ou- tros produtos químicos. Como visto, de acordo com a definição de Arrhenius, todas as substâncias que liberam íons (OH‒) em meio aquoso são chamadas de básicas. Elas são formadas em sua maioria por íons metálicos, e o critério que determina sua força e solubilidade é o metal formador. Conforme Atkins, Jones e Laverman (2018), as bases são adstringentes, têm pH maior do que 7 em solução aquosa ou alcalina e são formadas por um cátion metálico ligado ionicamente a uma hidroxila (OH), com exceção do hidróxido de amônio (NH4OH). Além disso, a solubilidade das bases varia conforme o elemento formador: nitrogênio e metais alcalinos formam ba- ses solúveis; metais alcalinos terrosos, com exceção do magnésio, formam bases pouco solúveis; e os metais de transição formam bases insolúveis (KOTZ; TREICHEL, 2005). Ainda, elas podem ser classificadas de acordo com o número de hidroxilas (OH‒) que apresentam em sua estrutura (monobase,dibase, tribase e tetrabase). Quando apresentam apenas uma hidroxila, são chamadas de monobases, como o hidróxido de sódio (NaOH). Quando têm duas hidroxilas, são chamadas de dibases, como o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2, e assim por diante (CHANG; GOLDSBY, 2013). Além disso, outra classificação diz respeito ao grau de dissociação. Quando a base protona ou dissocia muito em água (a maior parte das suas moléculas dividem-se entre íons), elas são chamadas de bases fortes e são formadas por elementos da família IA e IIA, com exceção do berílio (Be) e do magnésio (Mg) (CHANG, 2010). Por outro lado, quando a base não dissocia tanto em meio aquoso, ela é chamada de base Nomenclatura dos compostos10 fraca. As bases fracas são formadas pelos metais de transição e o nitrogênio, que forma o hidróxido de amônio. A nomenclatura das bases é feita utilizando a seguinte regra geral: Hidróxido de + nome do cátion Por exemplo, seguindo a regra geral de nomenclatura, vamos descobrir o nome da base Al(OH)3: Hidróxido de + nome do cátion Al(OH)3 → Al3+ (cátion) + OH‒ (ânion) O nome da base Al(OH)3 é hidróxido de alumínio. Contudo, deve-se ter atenção ao elemento químico em questão, pois quando o mesmo elemento pode formar cátions com diferentes cargas, deve- -se adicionar o número da carga do íon em algarismos romanos ou, ainda, ao final do nome, o sufixo “oso” ao íon de menor carga e o sufixo “ico” ao íon de maior carga: � Fe2+: Fe(OH)2 — hidróxido de ferro II ou hidróxido ferroso. � Fe3+: Fe(OH)3 — hidróxido de ferro III ou hidróxido férrico. A seguir, vamos estudar os compostos moleculares e iônicos. Compostos moleculares e iônicos Os compostos moleculares são formados por átomos ligados entre si por meio do compartilhamento de seus elétrons, ou seja, eles estão unidos por ligações covalentes. O nome “molecular” vem do fato de essa ligação resultar em partículas eletricamente neutras: as moléculas. Cabe destacar que esse tipo de ligação resulta em algumas propriedades características, como nenhuma ou baixa condutividade elétrica e pontos de fusão e ebulição baixos. Além disso, esses compostos podem ser muito simples e altamente complexos, sendo constituídos basicamente de átomos de carbono ligados por meio de ligações covalentes entre si e com outros elementos, como hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e halogênios. O exemplo de composto molecular mais simples é o monóxido de carbono (CO). No entanto, a maior parte das moléculas existentes tem uma grande quantidade de átomos. Um exemplo é a sacarose, que apresenta a fórmula Nomenclatura dos compostos 11 química C12H22O11, o que significa que é composta por 12 átomos de carbono, 22 átomos de hidrogênio e 11 átomos de oxigênio. A nomenclatura desses compostos é constituída de três partes, de acordo com o sistema de nomenclatura da IUPAC: prefixo (composto principal), infixo (ligações simples, duplas ou triplas) e sufixo (função orgânica). O prefixo refere-se à parte essencial da molécula e nos diz quantos átomos de carbono fazem parte dessa cadeia. O infixo indica a presença de ligações simples, duplas ou triplas. Já o sufixo identifica a função química. O Quadro 5 indica a nomenclatura de diferentes compostos de acordo com o sistema IUPAC. O etanol, por exemplo, tem o prefixo “et” (referente a dois átomos de carbono), o infixo “an” (pois apresenta apenas ligações simples) e o sufixo “ol” (uma vez que tem o grupo funcional álcool). Quadro 5. Regra IUPAC de nomenclatura de compostos orgânicos Prefixo (número de carbonos) Infixo (saturação) Sufixo (função) Exemplo 1 C — Met Aa HC = o Octano 2 C — Et Álcool = ol Etanol 3 C — Prop Em Aldeído = al Metanal 4 C — But Cetona = ona Propanona 5 C — Pent In Amina = amina Metanamina 6 C — Hex Ácido carboxílico = oico Ácido etanoico 7 C — Hept Dien Éter = oxi + ano Metoximetano 8 C — Oct Éster = ato + ila Acetato de etila 9 C — Non Trien Enol = enol Butenol 10 C — Dec Fonte: Adaptado de McMurry (2011). Além dos compostos moleculares e de sua nomenclatura, uma classe importante são os compostos iônicos. Eles são formados por meio de uma ligação chamada de ligação iônica. Ela ocorre entre íons e com a transfe- rência definitiva de elétrons, sendo caracterizada pela existência de forças Nomenclatura dos compostos12 de atração eletrostática entre íons. Assim, a atração que existe entre íons negativos (ânions) e positivos (cátions) dá origem à ligação iônica. Os sais, por exemplo, são compostos iônicos. O cloreto de sódio (sal de cozinha) é um exemplo clássico de composto iônico. Como tanto o sódio quanto o cloro são mais estáveis em sua forma iônica, o átomo de sódio neutro doa o elétron da sua camada de valência (tornando-se um cátion) ao átomo de cloro neutro, que, por sua vez, transforma-se em um ânion (KOTZ; TREICHEL, 2005). Assim, haverá a formação dos íons Na+ e Cl‒, os quais, por meio de uma atração eletrostática devido às cargas opostas, originam a ligação iônica, formando o composto iônico NaCl (Figura 4), que apresenta coloração branca. Figura 4. Transferência de um elétron do sódio para o cloro, levando à formação do composto iônico NaCl. Fonte: Adaptada de OSweetNature/Shutterstock.com. Na Átomo de sódio Átomo de cloro Cátion de sódio Ânion cloreto Cloreto de sódio (NaCl) Cl Na+ Cl– Diante disso, de acordo com a teoria de Arrhenius, os sais podem ser definidos como toda substância que, em solução aquosa, sofre dissociação e libera pelo menos um cátion diferente de H+ e um ânion diferente de OH ou O2 (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). A nomenclatura desses compostos é dada utilizando a seguinte regra geral: nome do ânion + de + nome do cátion Existem tabelas de cátions e ânions que podem ser consultadas sempre que necessário. O Quadro 6 indica diferentes cátions e ânions, as formas moleculares e a nomenclatura deles. Nomenclatura dos compostos 13 Quadro 6. Regra IUPAC para a nomenclatura de ânions e cátions Ânions H3CCOO‒: Acetato HCO3 ‒: Bicarbonato CN‒: Cioaneto Br‒: Brometo CO3 ‒2: Carbonato HSO4 ‒: Bissulfato Cl‒: Cloreto F‒: Fluoreto PO4 ‒3: Fosfato ClO‒:Hipocloreto I‒: Iodeto NO3 ‒: Nitrato NO2 ‒: Nitrito MnO4 ‒ : Permanganato SO3 ‒2: Sulfito SO4 ‒2: Sulfato S‒2: Sulfeto AlO2 ‒: Aluminato SCN‒: Tiocianato CrO4 ‒2: Cromato BO3 ‒3: Borato Cátions +1 H+ (hidrogênio), Li+ (lítio), Na+ (sódio), K+ (potássio), Ag+ (prata), Cu+ (cobre), NH4 + (amônio) +2 Fe2+ (ferro), Ca2+ (cálcio), Mg2+ (magnésio), Zn2+ (zinco), Co2+ (cobalto), Mn2+ (manganês), Cu2+ (cobre), Ni2+ (níquel), Pb2+ (chumbo) +3 Al3+ (alumínio), Bi3+ (bismuto), Cr3+ (cromo), Co3+ (cobalto), Fe3+ (ferro), Au3+ (ouro), Ni3+ (níquel) +4 Pt4+ (platina), Pb4+ (chumbo), Mn4+ (manganês) Fonte: Adaptado de Atkins, Jones e Laverman (2018). Qual é a nomenclatura do composto iônico CaSO4? O CaSO4 é um sal composto pelo cátion Ca2+ e o ânion SO4 2‒. O cátion Ca2+ é chamado de cátion cálcio, e o ânion SO4 2‒ é conhecido como ânion sulfato. Assim, vamos seguir a regra geral para a nomenclatura de compostos iônicos: nome do ânion + de + nome do cátion O nome do composto CaSO4 é sulfato de cálcio. De maneira semelhante ao que ocorre nas bases, se um elemento formar cátions com cargas diferentes, utiliza-se algarismos romanos para diferenciá- Nomenclatura dos compostos14 -los ou a terminação “oso” para o de menor carga e a terminação “ico” para o de maior carga (ATKINS; JONES; LAVERMAN, 2018). O ferro (Fe), por exemplo, pode formar o cátion Fe2+ e o cátion Fe3+. O cátion Fe2+ é chamado de ferro II ou cátion ferroso, enquanto o cátion Fe3+ é conhecido como ferro III ou cátion férrico. Qual é a nomenclatura dos sais FeSO4 e Fe2(SO4)3? O esquema a seguir responde essa questão. Diversos desses compostos estão presentes em nosso dia a dia. Um exem- plo de composto iônico amplamente aplicado no cotidiano é o cloreto de sódio (NaCl). Ele é o principal componente do sal de cozinha e é caracterizado por ser um solido cristalinoe branco. O NaCl é utilizado na indústria química para a produção da soda cáustica (NaOH), é empregado na conservação de alimentos e é usado até mesmo na medicina, pois está presente no soro fisiológico (uma solução aquosa com 0,9% de NaCl). Outro composto iônico presente em nosso dia a dia é o bicarbonato de sódio (NaHCO3). Um de seus principais usos é na área farmacológica, uma vez que ele está presente em antiácidos estomacais. Isso se deve ao fato de o NaHCO3 reagir com o ácido clorídrico (HCl) do suco gástrico e causar a sua neutralização, visto que é formado por NaCl, água e CO2. Assim, de acordo com Kotz e Treichel (2005), a reação de neutralização que ocorre no estômago quando um fármaco antiácido a base de NaHCO3 é ingerido é: NaHCO3 + HCl → NaCl + H2O + CO2 Nomenclatura dos compostos 15 Conhecer a nomenclatura de compostos possibilita a distinção de com- postos orgânicos e inorgânicos e a diferença entre ácidos e bases. Além disso, por meio da nomenclatura, é possível dar o nome do composto pela sua fórmula estrutural e vice-versa. Esse conhecimento é muito importante porque existem milhões de substâncias orgânicas presentes em inúmeros produtos usados em indústrias, laboratórios e no nosso cotidiano. Pela nomenclatura, podemos distingui-las e conhecer sua fórmula estrutural. Referências ATKINS, P.; JONES, L.; LAVERMAN, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018. BROWN, T.; LEMAY, H. E.; BURSTEN, B. E. Química: a ciência central. 9. ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2005. CHANG, R. Química geral: conceitos essenciais. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2010. CHANG, R.; GOLDSBY, K. A. Química. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. FELTRE, R. Química: química geral. 6. ed. São Paulo: Moderna, 2004. v. 1. KOTZ, J. C.; TREICHEL, P. M. Química geral e reações químicas. São Paulo: Cengage Learning, 2005. v. 1. MCMURRY, J. Química orgânica. 7. ed. Combo. São Paulo: Cengage Learning, 2011. RUSSEL, J. B. Química geral. São Paulo: Pearson, 1994. v. 2. Nomenclatura dos compostos16