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Manu Drew

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DIREITO DAS SUCESSÕES
CONCEITO DE SUCESSÃO:
• Ramo do direito que regula transferência do património de uma pessoa
falecida para seus herdeiros legítimos.
• Art. 1.784 do CC: “Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde
logo, aos herdeiros legítimos e testamentários.”
Palavras-chave:
• De cujus = pessoa falecida.
• Espólio = conjunto de bens, direitos e obrigações do falecido.
2. MODALIDADES DE SUCESSÕES:
a) Sucessão Legítima
• Determinada por lei, quando não há testamento.
• Base legal: Art. 1.786 do CC.
b) Sucessão Testamentária
• Determinada por disposição de última vontade (testamento).
3. HERDEIROS:
a) Classificação:
• Herdeiros legítimos: chamados por lei (descendentes, ascendentes,
cônjuge, colaterais).
• Herdeiros testamentários: indicados em testamento.
b) Herdeiros necessários (Art. 1.845):
• Descendentes
• Ascendentes
• Cônjuge
O testador não pode privar os herdeiros necessários da metade do património
(legítima), salvo por causa prevista em lei (exclusão ou deserdação).
c) Herdeiros facultativos:
• Colaterais até 4º grau (irmãos, tios, sobrinhos, primos).
d) Legatário:
• Recebe bem específico via testamento.
• Não responde pelas dívidas do falecido.
4. ORDEM DE VOCAÇÃO HEREDITÁRIA (Art. 1.829 CC)
1. Descendentes + Cônjuge sobrevivente (quando casados em regime que
não exclui direito à herança).
2. Ascendentes + Cônjuge sobrevivente.
3. Cônjuge sobrevivente.
4. Colaterais até o 4º grau.
Importante: Se não houver herdeiros, a herança é declarada vacante e vai para o
Estado (Art. 1.844 CC).
5. REGRAS ESPECIAIS – Cônjuge sobrevivente:
O direito do cônjuge à herança depende do regime de bens:
• Comunhão parcial: herda os bens particulares do falecido.
• Comunhão universal: não herda (já tem meação de tudo).
• Separação convencional: herda.
• Separação obrigatória: STJ firmou entendimento (Súmula 377 e RE
878.694) de que há direito à herança se houve esforço comum.
• Participação final nos aquestos: herda como se fosse comunhão parcial.
6. PRINCIPIOS D. SUCESSÕES:
A . Princípio da Saisine
• A herança transmite-se automaticamente com a morte do de cujus.
• Herdeiros têm posse e administração dos bens antes do inventário.
• Base legal: Art. 1.784 CC.
B . Princípio da Vocação Hereditária
• A ordem de chamamento dos herdeiros é determinada pela lei.
• Segue-se a ordem do Art. 1.829 CC (descendentes, ascendentes,
cônjuge, colaterais).
C. Princípio da Indivisibilidade da Herança
• A herança é considerada uma universalidade até a partilha.
• Nenhum herdeiro possui bens específicos antes da divisão.
• Base legal: Art. 1.791 CC.
D . Princípio da Legalidade na Sucessão
• A sucessão obedece às normas legais, principalmente na sucessão
legítima.
• A vontade do falecido deve respeitar os limites da lei.
E . Princípio da Reserva da Legítima
• Metade da herança pertence, obrigatoriamente, aos herdeiros
necessários.
• Apenas a outra metade pode ser livremente disposta por testamento.
• Base legal: Art. 1.846 CC.
F . Princípio da Preservação da Vontade do Testador
• A vontade expressa em testamento deve ser respeitada.
• Não pode contrariar normas imperativas, como a legítima.
G . Princípio da Igualdade entre Herdeiros
• Herdeiros da mesma classe têm direitos iguais na herança.
• Salvo exceções legais (representação, renúncia, etc.).
7. ESPÓLIO E INVETARIANTE:
• Espólio: massa patrimonial do falecido.
• Inventariante: representa o espólio judicialmente (Art. 618 CPC).
Ordem de nomeação (Art. 617 CPC):
1. Cônjuge ou companheiro.
2. Herdeiro que se achar na posse e administração dos bens.
3. Herdeiro menor ou incapaz.
4. Testamenteiro.
5. Pessoa indicada pelos herdeiros.
6. Nomeado pelo juiz.
7. CESSÃO DE DIRETOS HEREDITÁRIOS (Art. 1.793 a 1.795 CC)
É a transferência dos direitos que um herdeiro tem sobre a herança, total ou
parcialmente, para outra pessoa.
• Gratuita (ex: doação)
• Onerosa (ex: venda)
• Requisitos:
• Só após a morte do de cujus
• Deve ser feita por escritura pública
• Tipos:
• Entre herdeiros: livre, sem precisar avisar os outros.
• Para terceiros (estranhos): os outros herdeiros têm direito de
preferência (devem ser notificados em até 30 dias).
• Importante:
• Só se pode ceder a parte ideal da herança, e não bens específicos (ex:
não pode vender um imóvel da herança antes da partilha).
9. INVENTÁRIO:
• Prazo para abertura:
• Código Civil: 30 dias.
• CPC: 2 meses após o falecimento (Art. 611 CPC).
• Se não for aberto nesse prazo: multa fiscal (não anula o inventário).
10. SUCESSÃO LEGÍTIMA (arts. 1.829 a 1.844, CC)
É aquela que ocorre na ausência de testamento. A lei estabelece a ordem dos
sucessores:
Ordem de Vocação Hereditária (art. 1.829, CC):
1. Descendentes (filhos, netos…) em concorrência com o cônjuge
sobrevivente, se casados sob regime de comunhão parcial de bens (quando o falecido
deixou bens particulares).
2. Ascendentes (pais, avós…), em concorrência com o cônjuge, caso não
haja descendentes.
3. Cônjuge sobrevivente sozinho, se não houver descendentes nem
ascendentes.
4. Colaterais até o 4º grau (irmãos, tios, sobrinhos e primos).
Obs.: Herdeiros mais próximos excluem os mais distantes.
12. CONCORRÊNCIA DO CÔNJUGE:
O cônjuge é herdeiro necessário, mas a forma como ele herda depende do regime de
bens e da existência de outros herdeiros:
• Regime de comunhão universal ou separação obrigatória de bens: o
cônjuge não concorre, pois já tem direito à metade do patrimônio.
• Regime de comunhão parcial:
• Se houver bens comuns, o cônjuge meação (50%).
• Se houver bens particulares, concorre com os descendentes do falecido.
• Com descendentes só do falecido: o cônjuge tem direito a 1/4 da
herança.
• Com ascendentes: o cônjuge recebe 1/3 (se dois ascendentes) ou 1/2 (se
apenas um).
13. REPRESENTAÇÃO (art. 1.851 a 1.856, CC)
É o direito dos descendentes de herdeiro pré-morto herdarem em seu lugar.
• Só ocorre na linha reta descendente (filhos, netos) e na linha colateral
até 4º grau (sobrinhos, por exemplo).
• O quinhão do representado é dividido entre os seus próprios herdeiros.
Exemplo: se um filho do falecido morreu antes, os netos (filhos dele) herdariam a
parte que seria do pai.
14. DIREITO DE ACRESCER (arts. 1.942 a 1.945, CC)
É o direito de um herdeiro aumentar sua parte quando outro renuncia, é excluído ou
falece sem deixar substituto.
• Aplica-se principalmente na sucessão testamentária.
• Exemplo: o testador deixa 1/2 da herança para dois amigos. Um morre
antes dele. O outro recebe a totalidade da parte testamentária.
15. EXCLUSÃO DA SUCESSÃO:
Indignidade (arts. 1.814 e 1.815, CC):
O herdeiro perde o direito por conduta reprovável contra o autor da herança:
• Homicídio doloso ou tentativa contra o falecido ou seus familiares
próximos.
• Calúnia ou acusação falsa de crime grave.
• Impedir, com fraude ou coação, a realização ou revogação de
testamento.
A indignidade exige ação judicial declaratória por interessado.
Deserdação (arts. 1.961 a 1.965, CC):
É a exclusão voluntária, feita por testamento, com base em motivo legal.
• Exige a menção expressa da causa e ação judicial para eficácia.
• Exemplo: ofensa física, injúria grave, relações ilícitas com
madrasta/padrasto.
16. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA:
É a que decorre da vontade do testador, que pode dispor livremente de até 50% da
herança.
Herdeiros necessários (art. 1.845, CC):
• Descendentes
• Ascendentes
• Cônjuge
A legítima (metade da herança) é reservada a esses herdeiros. O testador só pode
dispor livremente da metade disponível.
17. TIPOS DE TESTAMENTOS:
Ordinários:
• Público: feito em cartório, com duas testemunhas, totalmente escrito
por tabelião.
• Cerrado: escrito pelo testador ou por outrem, assinado e entregue ao
tabelião, que o aprova e sela.
• Particular: escrito pelo testador, lido e assinado por três testemunhas.
Especiais:
• Marítimo, aeronáutico e militar, válidos em situações de risco.
18. HERANÇA JACENTE E VACANTE:
• Jacente: quando a herança está sem herdeiros conhecidos, aguardando
manifestação (por exemplo, herdeiro desaparecido).• Vacante: se, após 5 anos, ninguém reclamar, a herança é declarada
vacante e vai para o Município do domicílio do falecido (art. 1.844, CC).

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