Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

99
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Unidade III
7 AÇÃO
7.1 Ação: generalidades, conceito e natureza jurídica
A ação relaciona-se com o direito de ação inerente ao sujeito (titular) da pretensão resistida, que 
provocado a função jurisdicional do Estado, para a solução de controvérsia (lide) apresentada no 
caso concreto.
Melhor explicando: um sujeito é detentor de um direito subjetivo material contra o outro sujeito, este 
resiste ao cumprimento desse direito para com aquele. O sujeito, titular do direito subjetivo chamado 
de autor, exerce o seu direito de ação de provocar o Poder Judiciário contra o outrem, chamado de réu, 
pleiteando a solução desse conflito neste caso concreto. Provocada a jurisdição, a solução virá por meio 
do proferimento da sentença, conferindo o direito objetivo com a aplicação da lei ao caso concreto, que 
poderá ser favorável ou desfavorável ao autor da ação contra o réu.
O conflito de interesses regulado pelo direito é denominado de relação jurídica, que para os fins de 
composição da lide, provoca a atuação da jurisdição pela ação, que se serve do processo, constituído por 
atos processuais coordenados e concatenados, para a solução do conflito (sentença).
O acolhimento do pedido do autor importa reconhecimento da juridicidade de sua pretensão e 
interfere na esfera jurídica do réu, cuja liberdade sofre uma limitação ou uma vinculação de direito.
Moacyr Amaral Santos define ação como “[...] o direito de invocar o exercício da função jurisdicional”1.
E, ainda, o jurista acima citado ressalta a importância do trinômio ação, jurisdição e processo, que 
reunidos cumprem o objetivo da resolução dos conflitos de interesses, citando “[...] a ação provoca a 
jurisdição, que se exerce através de um complexo de atos, que é o processo”2.
Nessa mesma linha de raciocínio ensina Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e 
Cândido Rangel Dinamarco, que entende que ação “é o direito ao exercício da atividade jurisdicional (ou 
o poder de exigir esse exercício). Mediante o exercício da ação provoca-se a jurisdição, que por sua vez 
se exerce através daquele complexo de atos que é o processo”3.
1 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Vol. I. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 181.
2 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Vol. I. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 181.
3 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 279.
100
Unidade III
 Observação
Como já estudado dentre os princípios constitucionais do direito 
processual (item 5.2 deste livro-texto), o princípio da inafastabilidade 
do controle jurisdicional ou do acesso à Justiça, é basilar na existência do 
Estado de Direito.
A acessibilidade ao Judiciário assegura o direito de ação e de defesa, ou 
melhor, o direito à proteção judicial em sentido amplo. É um dos direitos 
fundamentais de qualquer pessoa para efetivação de seus direitos, por 
meio da resposta do Poder Judiciário a seus requerimentos.
Para a doutrina, a natureza jurídica da ação é de direito público subjetivo, uma espécie do 
gênero direito cívico, que compreende o direito de ver assegurada a prestação da tutela jurisdicional 
pelo Estado.
Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco ensinam que 
a natureza jurídica da ação: “Sendo um direito (ou poder) de natureza pública, que tem por conteúdo 
o exercício da jurisdição (existindo, portanto, antes do processo), a ação tem inegável natureza 
constitucional (Const., art. 5º, inc. XXXV)”4.
Podemos citar as características da ação, a seguir:
• É um direito ao provimento jurisdicional, qualquer que seja a natureza: favorável ou desfavorável, 
justo ou injusto.
• É um direito de natureza abstrata.
• Direito autônomo, que independe da existência do direito subjetivo material.
• Direito instrumental, eis que visa dar solução a uma pretensão de direito material considerando 
uma situação jurídica concreta.
Pela complexidade, Moacyr Amaral Santos explica que a ação
 
“[...] é um direito subjetivo público, distinto do direito subjetivo privado 
invocado, ao qual não pressupõe necessariamente, e, pois, neste sentido, 
abstrato; genérico, porque não varia, é sempre o mesmo; tem por sujeito 
passivo o Estado, do qual visa a prestação jurisdicional num caso concreto. 
4 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 285.
101
TEORIA GERAL DO PROCESSO
É o direito de pedir ao Estado a prestação de sua atividade jurisdicional num 
caso concreto. Ou, simplesmente, o direito de invocar o exercício da função 
jurisdicional”5.
A jurisdição é função do Estado, que por meio do juiz, se obriga à prestação da tutela jurisdicional 
dos direitos subjetivos diante da provocação dos cidadãos – direito de ação - à uma solução do conflito 
de interesses, visando a pacificação social.
O direito de ação é um direito autônomo e distinto do direito material, abstrato, aplicado à solução do 
conflito, cuja decisão poderá ser favorável ou desfavorável ao autor. Logo, o autor é detentor do direito 
de ação que independe da decisão que compõe da lide, que poderá não lhe conceder o direito material.
A doutrina moderna citada por Humberto Theodoro Júnior conceitua ação como
 
“[...] um direito público subjetivo exercitável pela parte para exigir do Estado 
a obrigação da prestação jurisdicional, pouco importando seja esta de 
amparo ou desamparo à pretensão de quem o exerce. É, por isso, abstrato. 
E, ainda, é autônomo, porque pode ser exercitado sem sequer relacionar-se 
com a existência de um direito subjetivo material, em casos como o da ação 
declaratória negativa. É, finalmente, instrumental, porque se refere sempre a 
decisão a uma pretensão ligada ao direito material (positiva ou negativa)”6.
Por último, cabe ressaltar que, dentre os direitos e garantias constitucionais fundamentais, se 
encontra a ação, vez que o artigo 5º, inciso XXXV da Constituição Federal dispõe que: “a lei não excluirá 
da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
7.2 Condições da ação
No sentido amplo, o direito de acesso à justiça é incondicional, independe do preenchimento de 
qualquer condição, mas nem sempre haverá o direito a uma resposta de mérito.
A ação, em sentido estrito, é um direito condicionado. Para o adequado exercício do poder de ação, 
que atinja uma sentença de mérito, deve-se verificar a presença de certas exigências, chamadas de 
condições da ação.
Condições da ação constituem matéria de ordem pública, são requisitos indispensáveis para que 
possa prestar, de forma plena e adequada, o exercício do poder constitucional de ação, isto é, o direito de 
ação se subordina a certas condições, como interesse e legitimidade, para fins da análise do direito material 
postulado em juízo (CPC, art. 17).
5 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Vol. I. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, 
p. 193.
6 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 158.
102
Unidade III
O atual Código de Processo Civil, no artigo 17, dispõe que: “Para postular em juízo é necessário ter 
interesse e legitimidade”. Não denominou expressamente como condições da ação esses requisitos, que 
são necessários para o válido exercício do direito de ação e o julgamento do mérito do processo.
As condições da ação são requisitos preliminares, questões prejudiciais de ordem processual e que 
não se confunde com o mérito, razão pela qual na ausência de uma das condições da ação resultará na 
extinção do processo sem resolução de mérito, a qualquer momento, em primeiro ou segundo grau de 
jurisdição (CPC, art. 485, VI).
Considerando que o direito de ação é um poder jurídico de obter uma sentença de mérito, favorável 
ou desfavorável,da pessoa 
envolvida na ação. Vejamos.
130
Unidade III
Ações fundadas em direitos reais sobre bens imóveis será competente o foro da situação da 
coisa (local onde está situado o imóvel) (CPC, art. 47). Citamos alguns exemplos:
• Ação de desapropriação de imóvel.
• Ação de anulação de registro de imóvel.
• Ação de imissão de posse de bens imóveis.
 Saiba mais
Convém consultar o Código Civil, artigo 1.225, que enumera quais são 
os direitos reais, e, nos artigos 79 a 81, define quais são os bens imóveis.
A competência do foro do domicílio do guardião do filho incapaz para o ajuizamento das ação 
de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável (CPC, 
art. 53, I, “a”).
Se não houver filhos incapazes, a competência será do foro do último domicílio do casal, se pelo 
menos um dos cônjuge permanecer residindo no local (CPC, art. 53, I, “b”). Se nenhum estiver residindo 
no domicílio do casal, a competência será a do foro do domicílio do réu (CPC, art. 53, I, “c”).
Em caso de divórcio ou separação decorrente de violência doméstica e familiar o foro competente é 
o de domicílio da vítima (CPC, art. 53, I, “d”).
Foro privilegiado do credor de alimentos e do idoso está previsto no CPC, art. 53, II.
É competente o foro do domicílio ou da residência do alimentando (Súmula nº 1 do STJ). 
Exemplo: ação de investigação de paternidade cumulada com ação de alimentos competente para o 
ajuizamento o foro da residência do alimentando.
Para as ações previstas no Estatuto do Idoso, será competendo o foro do domicílio ou residência 
do idoso, assim considerado aquele com idade igual ou superior a 60 anos de idade (Estatuto do Idoso 
– Lei nº 10.741/2003, art. 1º).
Além do foro privilegiado, também é assegurado ao idoso prioridade no processamento da ação 
(CPC, art. 1.048, I).
Tem foro especial do lugar do cumprimento da obrigação nas ações em que exigir o seu 
cumprimento (CPC, art. 53, III).
131
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Neste caso, cabe fazermos distinção de obrigação quesível ou portável para fins da competência 
do foro. Se a obrigação for quesível, aquela cuja satisfação o credor deve ir buscar no domicílio do 
devedor, competência será do foro do domicílio do devedor, onde deve ser cumprida a obrigada. Se 
a obrigação for portável, em que o devedor deve cumprir no domicílio do credor, será competente o 
domicílio deste último (credor).
Como regra geral o cumprimento da obrigação se dá no domicílio do réu (obrigação quesível), 
conforme disposto no Código Civil, artigo 327, a seguir: “Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no 
domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, 
da natureza da obrigação ou das circunstâncias”.
Será competente o foro do lugar do ato ou fato, para o ajuizamento das ações de reparação 
de dano em geral (ações de responsabilidade civil), e para as ações em que for réu o administrador ou 
gestor de negócios alheios, no local onde foi prestada a administração ou cumprido o mandato (CPC, 
art. 53, IV).
Se a ação de indenização estiver fundada em dano decorrente da relação de consumo, a 
competência será do foro do domicílio ou da residência do consumidor (Código de Defesa do 
Consumidor – Lei nº 8.078/1990, art. 101, I).
As ações de reparação de danos por acidente de veículo, inclusive aeronaves ou de fato tido 
por lei como crime serão competentes para o ajuizamento da demanda ou o local do fato ou o local do 
domicílio do autor (vítima do acidente), cabendo a este a escolha (CPC, art. 53, V).
Acidentes de veículos são aqueles que envolvem veículos terrestre, aéreo ou marítimo, motocicleta 
e bicicleta.
No entanto, a seguradora, que tendo ressarcido a vítima, subroga-se no direito de cobrar do causador 
do acidente os custos do conserto do veículo da vítima, podendo ajuizar ação de indenização com 
competência no foro do domicílio do réu (causador do acidente de veículo).
A competência de foro nas ações em que a União é autora é a do lugar do domicílio do réu, 
aplicando-se a regra geral prevista no CPC, art. 46 (CPC, art. 51).
Quando a União é ré, a ação será proposta na seção judiciária do domicílio do autor, naquela em que 
houver ocorrido o fato ou ato que originou a demanda ou da situação da coisa, ou ainda no Distrito 
Federal (CF, art. 109, § 2º; CPC, art. 51, § único).
A competência de foro nas ações em que os Estados ou a Fazenda Estadual, incluindo o 
Distrito Federal, figuram como parte aplica-se a regra geral de competência de foro, qual seja, a 
competência do foro do lugar do domicílio do réu. No entanto, se o Estado ou o Distrito Federal for o réu, 
a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a 
demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado (CPC, art. 52 e § único).
132
Unidade III
8.12.1 Quadro esquematizado da competência de foro
Para complementar o estudo sobre a competência de foro, que é construída com muitos detalhes, 
convém apresentarmos um quadro esquematizado sobre as regras da competência de foro de 
autoria de Marcus Vinicius Rios Gonçalves20, a seguir:
Quadro 4
20 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
2019, p. 136-137.
133
TEORIA GERAL DO PROCESSO
 Resumo
A ação relaciona-se com o direito de ação inerente ao sujeito (titular) 
da pretensão resistida, que provocado a função jurisdicional do Estado, 
para a solução de controvérsia (lide) apresentada no caso concreto.
O conflito de interesses regulado pelo direito é denominado de 
relação jurídica, que para os fins de composição da lide, provoca a 
atuação da jurisdição pela ação, que se serve do processo, constituído 
por atos processuais coordenados e concatenados, para a solução do 
conflito (sentença).
O acolhimento do pedido do autor importa reconhecimento da 
juridicidade de sua pretensão e interfere na esfera jurídica do réu, cuja 
liberdade sofre uma limitação ou uma vinculação de direito.
A natureza jurídica da ação é de direito público subjetivo, uma espécie 
do gênero direito cívico, que compreende o direito de ver assegurada a 
prestação da tutela jurisdicional pelo Estado.
Condições da ação constituem matéria de ordem pública, são requisitos 
indispensáveis para que possa prestar, de forma plena e adequada, o 
134
Unidade III
exercício do poder constitucional de ação, isto é, o direito de ação se 
subordina a certas condições, como interesse e legitimidade, para fins da 
análise do direito material postulado em juízo (CPC, art. 17).
Carência da ação é matéria de ordem pública, que deve ser conhecida 
pelo juiz de ofício, a qualquer tempo, que ocorre quando não preenchidas 
as condições da ação, interesse de agir e legitimidade, dizendo que o 
autor é carecedor da ação, o que impossibilita o juiz de apreciar o mérito 
(pedido) da ação.
Os elementos identificadores da ação são três: as partes, pedido e 
causa de pedir. Estes elementos permitem, não só a identificação, como 
também a individualização da ação, possibilitando averiguar se as ações 
são idênticas ou distintas.
Quando se ingressa com uma ação em juízo, o autor busca um 
provimento jurisdicional, que pode ser de conhecimento ou de execução.
As ações são classificadas de acordo com a natureza do pedido de 
provimento jurisdicional pretendido, ou melhor, conforme o tipo de 
atividade que o juiz é provocado a exercer ao longo do processo.
Classificação da ação: ação de conhecimento e ação de execução. A ação de 
conhecimento se subdivide em ação meramente declaratória, ação condenatória 
e ação constitutiva.
Competência é a distribuição da Jurisdição entre seus órgãos ou 
agentes nela investidos (juízes). Define a atuação, condições e limites do 
exercício dos poderes funcionais da jurisdição entre seus diversos órgãos, 
para melhor administração da justiça.
Competência é a medida ou quantidade de jurisdição atribuída aos seusórgãos de exercício.
A princípio, a competência pode ser classificada em competência 
internacional e nacional.
A competência da Justiça brasileira em face da competência internacional 
dos tribunais estrangeiros se divide em competência cumulativa ou 
concorrente e competência exclusiva.
A competência interna possui diversas limitações previstas em lei, isto 
é, limitação do exercício do poder jurisdicional de cada órgão, que importa 
135
TEORIA GERAL DO PROCESSO
na fixação de atribuições jurisdicionais de cada qual, o que se faz por meio 
de critérios determinativos da competência.
Apesar de não haver uma uniformidade doutrinária, os critérios 
determinativos da competência podem ser fixados como objetivo, 
territorial e funcional.
Cooperação jurídica internacional corresponde à colaboração e 
assistência entre os Estados estrangeiros, para assegurar o pleno 
funcionamento da Justiça.
Cooperação nacional é o dever de recíproca cooperação entre os órgãos 
do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas 
as instâncias e graus de jurisdição, por meio dos juízes e servidores (CPC, 
arts. 67 e 69, § 3º).
A competência interna é aquela que indica qual o órgão responsável 
pelo julgamento de cada caso concreto apresentado em juízo. Pode ser 
definida a competência em razão da matéria, em razão do valor da causa e 
em razão da pessoal, bem como deve se observar a competência funcional 
e a competência de foro ou competência territorial.
Em observância ao princípio do juiz natural, os critérios determinativos 
da competência estão definidos, primeiramente, na Constituição Federal, 
e a partir esta, há outras definições de competência mais detalhadas nas 
leis infraconstitucionais, que abrange as leis federais, que dispõem sobre 
o foro de competência (comarcas), dentre as quais citamos o Código de 
Processo civil, Código de Processo Penal etc., as Constituições Estaduais 
que dispõem sobre a competência originária dos tribunais locais, e as leis 
de organização judiciária, que dispõem sobre regras de competência de 
juízo, como varas especializadas.
136
REFERÊNCIAS
Textuais
ALVIM, José Eduardo Carreira. Teoria Geral do Processo. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017.
ALVIM, José Eduardo Carreira. Teoria Geral do Processo. 22. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
BACELLAR, Roberto Portugal. Mediação e Arbitragem. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.
BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 21 fev. 2021.
BRASIL. Códigos de Processo Civil Comparados 1973 e 2015. São Paulo: Saraiva, 2015.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 21 fev. 2021.
BRASIL. Lei de Arbitragem. Lei nº 9.307/96, atualizada pela Lei nº 13.129, de 2015. Disponível em http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm. Acesso em: 21 fev. 2021.
BUENO, Cássio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil. Volume único. 4. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2018.
BUENO, Cássio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil. Volume único. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2019.
CALMON, Petronio. Fundamentos da Mediação e da Conciliação. 3. ed. Brasília: Gazeta Jurídica, 2015.
CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria 
Geral do Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012.
CORREIA, Marcus Orione Gonçalves. Teoria Geral do Processo. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
CORREIA, Marcus Orione Gonçalves. Teoria Geral do Processo. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 14. ed. São Paulo: 
Malheiros Editores, 2009.
ESCOLA NACIONAL DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE MAGISTRADOS. Corpus927. Disponível 
em: http://corpus927.enfam.jus.br/. Acesso em: 21 fev. 2021.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual. Vol. I. 13. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2016.
137
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual. Vol. I. 14. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2017.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual. Vol. II. 12. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2016.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 8. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2017.
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 10. ed. São Paulo: 
Saraiva Educação, 2019.
GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro: teoria geral do processo a auxiliares da 
justiça. Vol. I. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo Curso de Processo Civil. 
Volume 1. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. 
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo Curso de Processo Civil. 
Volume 2. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017.
MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011.
MONTENEGRO FILHO, Misael. Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 22. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito Processual do Trabalho. 24. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2009.
NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Direito Processual Penal. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20. ed. São Paulo; Saraiva, 2002.
SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Vol. I. 29. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2012.
SARLET, Ingo Wolfgang; MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Curso de Direito 
Constitucional. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.
SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 15. ed. São Paulo: LTr, 2019.
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 57. ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2016.
138
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 58. ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2017.
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2019.
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. II. 47. ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2015.
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Súmulas Vinculantes. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/
jurisprudencia/menuSumario.asp?sumula=1259. Acesso em: 21 fev. 2021.
139
140
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000que solucione definitivamente o conflito de interesses de pretensão resistida (lide), 
tem-se que são dois os requisitos que compõem as condições da ação, a seguir:
• Interesse de agir.
• Legitimidade da parte.
Em se tratando de matéria de ordem pública, cabe ao juiz examinar de ofício a existência das 
condições da ação, para determinar o prosseguimento da demanda até o julgamento de mérito.
O que vem a ser interesse de agir e legitimidade da parte?
7.2.1 Interesse de agir
Interesse de agir refere-se à prestação jurisdicional solicitada, que deve ser útil a quem o postula.
A propositura da ação deve ser constituída por dois elementos: necessidade e adequação.
Tem interesse de agir aquele que ajuíza demanda útil ou necessária para a obtenção do bem 
desejado e aquele que o faz utilizando-se do meio adequado para satisfação do direito material. É 
preciso que a ação seja necessária e adequada.
A necessidade da tutela jurisdicional corresponde à impossibilidade que o autor tem de obter a 
satisfação do alegado direito:
• sem a intercessão do Estado, ou
• porque a parte contrária se recusa a satisfazê-lo voluntariamente, ou ainda,
• porque a própria lei exige que determinados direitos só possam ser exercidos mediante prévia 
declaração judicial (ação constitutiva).
Logo, se puder obter o bem sem a propositura da ação, não há falar-se em interesse de agir, eis que 
ausente a necessidade da propositura da ação para se obter o bem pretendido.
103
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Como por exemplo: locador que propõe ação de desejo contra o locatário, embora este já tenha 
desocupado voluntariamente o imóvel locado; ou no caso do credor que cobre dívida do devedor que 
ainda não venceu.
Adequação é a relação existente entre a situação pretendida pelo autor ao vir a juízo e o provimento 
jurisdicional concretamente solicitado. Ou melhor, deve o autor ao formular sua pretensão utilizar 
demanda adequada para tanto.
Exemplos:
• Caso de adultério, o outro cônjuge deve buscar o desfazimento do vínculo conjugal por meio 
do divórcio e não da ação de anulação de casamento; caso se utilize do segundo instrumental, 
ocorrerá falta de interesse de agir por inadequação do meio utilizado.
• Incorre em inadequação da ação a impetração de Mandado de Segurança para cobrança de 
créditos pecuniários.
7.2.2 Legitimidade
Aquele que é detentor de um direito é quem pode pleiteá-lo ou defendê-lo em juízo.
O Código de Processo Civil, no artigo 18, dispõe que: “Ninguém poderá pleitear direito alheio em 
nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico”.
No que se refere à legitimidade, Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido 
Rangel Dinamarco entendem-se que “é titular de ação apenas a própria pessoa que se diz titular do 
direito subjetivo material cuja tutela pede (legitimidade ativa), podendo ser demandado apenas aquele 
que seja titular da obrigação correspondente (legitimidade passiva)”7.
Essa é a chamada legitimidade ordinária, correspondendo a regra prevista no processo civil, que 
autoriza demandar ou defender em juízo em nome próprio direito próprio.
Legitimidade ordinária é aquela conferida ao titular do direito material, que é o titular do direito 
de ação. É aquele que demanda em nome próprio direito próprio (CPC, art. 18, primeira parte).
Ocorre que, há exceções à regra da legitimidade ordinária, que é a chamada legitimidade 
extraordinária ou substituição processual.
Excepcionalmente, o Código de Processo Civil confere legitimidade extraordinária a pessoas que, 
apesar de não serem detentoras do direito, estão autorizadas a demandar em juízo pleiteando direito de 
7 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 290.
104
Unidade III
outrem. Ou, esta pessoa autorizada por lei a demandar, ajuíza ação em nome próprio, como substituta 
processual da pessoa detentora do direito, pleiteando direito da substituída (pleiteando direito alheio).
Legitimidade extraordinária é exceção autorizada por lei, em que o titular do direito de ação não é 
o titular do direito material, é aquele que demanda em nome próprio direito alheio (CPC, art. 18, in fine).
Humberto Theodoro Júnior define legitimidade extraordinária: “[...] consiste em permitir-se, em 
determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa de interesse 
alheio. Ressalte-se, porém, a excepcionalidade desses casos que, doutrinariamente, se denominam 
‘substituição processual’”8.
Exemplos de substituição processual:
• Na ação civil de indenização do dano ex delicto, quando a vítima é pobre, o Ministério Público 
atua como substituto processual deste.
• Sindicato da categoria profissional ajuíza reclamação trabalhista, como substituto processual, 
contra o empregador, pleiteando a majoração do adicional de insalubridade de 10% para 20%, de 
acordo com o grau de risco à saúde, em nome dos empregados da empresa (substituídos), perante 
a Justiça do Trabalho.
7.3 Carência da ação
Carência da ação é matéria de ordem pública, que deve ser conhecida pelo juiz de ofício, a qualquer 
tempo, que ocorre quando não preenchidas as condições da ação, interesse de agir e legitimidade, 
dizendo que o autor é carecedor da ação, o que impossibilita o juiz de apreciar o mérito (pedido) da ação.
É matéria de ordem pública, que constatada a ausência de uma das condições da ação de ofício 
pelo juiz ou a requerimento da parte, a qualquer momento processual, primeiro ou segundo grau de 
jurisdição, implica na extinção do processo sem resolução de mérito.
Cabe ao juiz examinar a presença das condições da ação antes de apreciar o mérito, ou à parte 
contrária, na própria defesa, como preliminar de contestação, deve alegar a ausência de uma ou mais 
condições da ação, que pode ocorrer em primeiro ou segundo grau de jurisdição. Não será possível 
a constatação da carência da ação em recurso especial ou extraordinário, que se restringe à matéria 
constitucional prequestionada (CPC, arts. 337, XI, e 485, VI e § 3º).
7.4 Elementos da ação
Os elementos identificadores da ação são três: as partes, pedido e causa de pedir.
8 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de Janeiro: Forense, 
2019, p. 172.
105
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Estes elementos permitem, não só a identificação, como também a individualização da ação, 
possibilitando averiguar se as ações são idênticas ou distintas.
É importante a idenficiação dos elementos da ação na petição inicial de qualquer processo, como 
previsto para o processo civil no CPC, art. 319, II, III e IV; no processo do trabalho na CLT, art. 840, § 1º; 
na denúncia ou queixa crime no CPP, art. 41.
Importante ressaltar que, a falta dessas identificações ou dos elementos da ação acarretará o 
indeferimento da petição inicial, por inépcia (CPC, art. 330, § 1º).
Quando presentes os três elementos em duas ações dizemos que se tratam de ações idênticas, 
fenômeno denominado de litispendência, que não podem tramitar em varas distintas. O que dessa 
forma também se identifica e evita a coisa julgada, duas ações idênticas julgadas por distintos órgãos 
jurisdicionais.
Em todos os tipos de ação, nos processos de conhecimento, de execução e nos de jurisdição voluntária 
ou contenciosa, os elementos da ação devem estar identificados na petição inicial, que deve observar o 
preenchimento dos requisitos previstos no CPC, art. 319.
Com os elementos tem-se a individualização da ação, uma vez que o juiz deve se ater aos limites da 
mesma, ficando adstrito às partes, à causa de pedir e ao pedido constante na petição inicial, razão pela 
qual ao proferir a sentença, esta gera seus efeitos apenas à quem figura como parte.
É por meio dos elementos da ação que são identificados a ocorrência de conexão ou continência. 
Conexão ocorre quando duas ou mais ações têm em comum o pedido ou a causa de pedir, não se 
falando em identidadede partes (CPC, art. 55). Continência ocorre quando há identidade de partes 
e entre as causas de pedir, sendo que o pedido de uma demanda, por ser mais amplo, abrange o das 
demais (CPC, art. 56).
Para Marcus Vinicius Rios Gonçalves os elementos da ação
 
“[...] funcionam, pois, como delimitação objetiva da demanda, vinculando 
o juiz quando do julgamento. São relevantes também no estabelecimento 
dos limites subjetivos e objetivos da coisa julgada e permitem delinear 
as relações que podem existir entre duas demandas: a litispendência, a 
continência, a conexão e eventual prejudicialidade”9.
Devemos estudar cada um dos elementos da ação a seguir.
9 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual. Vol. I. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, 
p. 126.
106
Unidade III
7.4.1 Partes
A parte é quem pleiteia um direito subjetivo em face de outra parte.
Segundo Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel 
Dinamarco partes
 
“São pessoas que participam do contraditório perante o Estado-juiz. É aquele 
que, por si próprio ou através de representante, vem deduzir uma pretensão 
à tutela jurisdicional, formulando pedido (autor), bem como aquele que 
se vê envolvido pelo pedido feito (réu), de maneira que uma sua situação 
jurídica será objeto de apreciação judiciária. A qualidade de parte implica 
sujeição à autoridade do juiz e a titularidade de todas as situações jurídicas 
que caracterizam a relação jurídica processual”10.
Tem-se duas partes distintas, a parte ativa e a parte passiva. A parte ativa é a autora da ação, 
aquela de pleiteia em nome próprio direito próprio. E esta o faz contra outra parte, denominada de 
parte passiva ou ré, aquela contra a qual é formulada a pretensão.
Para que as partes possam estar em juízo, devem ter capacidade plena, que abrange a capacidade de 
direito ou de gozo e a capacidade de fato ou de exercício do seu direito perante o Poder Judiciário para 
tanto, adquirida após completos 18 anos idade (CPC, arts. 3º a 6º; CPC, art. 70).
Caso as partes sejam absolutamente ou relativamente incapaz, para estar em juízo devem estar 
legalmente representadas ou assistidas (CPC, art. 71).
E ainda, a capacidade postulatória em que as partes para postular em juízo devem estar assistidas 
por advogado CF, art. 133).
Assim, são partes do processo de conhecimento autor e réu; no processo de execução exequente 
e executado; nos embargos de devedor ou de terceiro embargante e embargado; em mandado de 
segurança e habeas corpus impetrante e impetrado; em reconvenção reconvinte e reconvindo.
7.4.2 Pedido
Para ingressar em juízo, deve o autor fazê-lo por meio da petição inicial contendo uma pretensão 
contra o réu. Ou melhor, deve o autor formular o pedido correspondente ao bem da vida que pretende 
obter contra o réu.
10 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 292.
107
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Com relação ao pedido, Marcus Vinicius Rios Gonçalves explica que:
 
“O autor deverá escolher qual o tipo de provimento jurisdicional que 
pretende obter e que seja adequado para a sua situação. Ao ajuizar um 
processo de conhecimento, ele esclarecerá se busca a condenação do 
réu, uma declaração sobre a existência ou não de relação jurídica ou a 
constituição ou desconstituição de uma relação. Ao ajuizar processo 
de execução, postulará uma tutela executiva, com a prática de atos 
satisfativos. Ou, se tiver documento escrito sem força executiva, postulará 
uma tutela monitoria”11.
Cabe ao autor definir a provimento jurisdicional que pretende contra o réu e escolher a tutela 
jurisdicional útil e adequada, para permitir que a ação seja julgada no mérito. Caso contrário, será 
declarada a carência da ação.
 Lembrete
Para lembrar o que é condições da ação e carência da ação, leia os itens 
7.2 e 7.3. Estes conceitos devem estar presentes na nossa memória, para 
facilitar a compreensão da matéria.
O pedido ou o objeto da ação é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência 
jurisdicional solicitada, que pode ser uma sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou executória. 
E, o pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, isto é, o bem material ou imaterial 
que efetivamente se pretende com o provimento jurisdicional (sentença). Citamos alguns exemplos:
• Autor ajuíza ação de cobrança contra o réu, pretendendo receber uma quantia não satisfeita 
prevista em contrato (pedido mediato), requerendo seja proferida uma sentença condenatório 
(pedido imediato).
• Nas ações declaratórias, o pedido imediato e o mediato se confundem, quando se pretende a 
declaração de existência ou inexistência da relação jurídica.
Em regra, o pedido formulado pelo autor na petição inicial deve ser certo e determinado, conforme 
dispõe o CPC, arts. 322 e 324. Pedido certo é aquele pedido identificado, quantificado ou individualizado. 
Pedido determinado é aquele pedido em que é quantificado.
Excepcionalmente, o pedido pode ser ilíquido e genérico quando não se puder individualizar, 
quantificar ou qualificar no momento do ajuizamento da ação por meio da petição inicial os bens 
pretendidos contra o réu. Por exemplo: autor, vítima de um acidente e logo após a ocorrência, propõe 
11 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual. Vol. I. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, 
p. 127.
108
Unidade III
ação de indenização de danos materiais e morais contra o réu, quando neste momento desconhece as 
consequências ou a extensão dos danos à saúde sofridos.
Em algumas situações, a lei permite ao autor formular pedidos com duas ou mais alternativas 
de sanções aplicáveis pelo descumprimento do negócio ou ato jurídico ao réu (CPC, art. 325 e § único). 
Exemplo: a Lei nº 8.078/90 (Lei do Consumidor) faculta ao consumidor diversas opções ao adquirir um 
produto com vício ou defeito.
7.4.3 Causa de pedir
A causa de pedir ou causa petendi é o fundamento de fato e de direito que embasa ou justifica o 
pedido formulado pelo autor na petição inicial.
O Código de Processo Civil dispõe que na petição inicial devem constar os fatos e os fundamentos 
jurídicos, sendo que estes não se referem às citações dos textos da lei, mas sim citações necessárias para 
a formação da convicção e do convencimento do juiz, em que ao aplicar a lei abstratamente considerada 
naquele caso concreto, soluciona o conflito de interesses ao proferir a sentença. Ou melhor, com ou sem 
a indicação da norma legal aplicável, o juiz deverá aplicar a lei correta ao caso concreto.
Citamos como exemplo: a prática de adultério por um dos cônjuges é fato que justifica a ação de 
divórcio ajuizada pelo outro cônjuge.
Humberto Theodoro Júnior explica o que é causa de pedir, a seguir:
 
“A causa petendi, por sua vez, não é a norma legal invocada pela parte, 
mas o fato jurídico que ampara a pretensão deduzida em juízo. Todo 
direito nasce do fato, ou seja, do fato a que a ordem jurídica atribui um 
determinado efeito. A causa de pedir, que identifica uma causa, situa-se no 
elemento fático e em sua qualificação jurídica. Ao fato em si mesmo dá-se 
a denominação de “causa remota” do pedido; e à sua repercussão jurídica, a 
de “causa próxima” do pedido”12.
Existem causa de pedir próxima e a causa de pedir remota. A causa de pedir próxima se confunde 
com o fato jurídico que embasa a pretensão, e a causa de pedir remota consiste nos efeitos do fato 
jurídico. Exemplo: um contrato de locação (causa de pedir próxima) vigente entre as partes, que quando 
descumprido por falta de pagamento (causa de pedir remota) gera o pedido de despejo.
Para que se dê a identidade de ação é necessário entre duas ações a identidade de causa de pedir 
próxima e também a remota. Tomando o exemplo cima citado e em comparação das ações verifica-se a 
inexistência de similitude de ações: contrato de locação (causa de pedir próxima), que do descumprimentode cláusula sobre a finalidade da locação (causa de pedir remota) gera o pedido de despejo.
12 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 187.
109
TEORIA GERAL DO PROCESSO
7.5 Classificação das ações
Quando se ingressa com uma ação em juízo, o autor busca um provimento jurisdicional, que pode 
ser de conhecimento ou de execução.
As ações são classificadas de acordo com a natureza do pedido de provimento jurisdicional 
pretendido, ou melhor, conforme o tipo de atividade que o juiz é provocado a exercer ao longo 
do processo.
É vedado ao juiz conceder ao autor sentença de natureza diversa da pedida (CPC, art. 141).
Assim, as ações se classificam em ação de conhecimento ou cognitiva e ação de execução, as 
quais estudamos a seguir.
a) Ação de conhecimento
Na ação de conhecimento existe uma pretensão deduzida em juízo que sofre uma resistência 
da parte contrária, e cabe ao juiz decidir o mérito. Este tipo de ação se subdivide de acordo com os 
provimentos cognitivos (sentenças de mérito) em ação meramente declaratória, ação condenatória 
e ação constitutiva. Passamos a estudá-las a seguir:
Ação meramente declaratória é aquela ação de conhecimento em que se pleiteia somente 
a declaração da existência ou inexistência de uma relação jurídica ou de um fato juridicamente 
relevante. Exemplos:
• Ação de nulidade de casamento.
• Ação declaratória de inexistência da relação com o Fisco no que pertine a determinado tributo, 
em vista da inconstitucionalidade ou da ilegalidade no auto de infração.
Na ação condenatória há violação do direito material, com a consequente condenação a uma 
obrigação de dar ou pagar, fazer ou não fazer, entregar coisa certa.
As ações condenatórias são providas de comando, determinação cogente, e de sanções no 
descumprimento e são passíveis de futuras ações de execução judicial ou cumprimento coativos.
Ao proferir uma sentença na ação de conhecimento condenatória, o juiz irá, primeiramente, declarar 
um direito ao autor e condenar o réu no cumprimento dos termos da decisão. Exemplos:
• Ação de cobrança de dívida.
• Ação reivindicatória de determinado bem.
• Reclamação trabalhista de pagamento de verbas rescisórias não quitadas na forma legal.
110
Unidade III
Na ação constitutiva há a criação, modificação ou extinção de uma relação ou situação jurídica. 
Ao proferir uma sentença na ação de conhecimento constitutiva, o juiz irá, primeiramente, declarar 
a ocorrência de determinada situação ou relação jurídica, para após criar, modificar ou extinguir o 
direito. Exemplos:
• Ação de divórcio, que extingue o vínculo conjugal existente entre duas pessoas.
• Ação de rescisão de um contrato, que extingue a relação jurídica entre os contratantes.
• Ação de investigação de paternidade, que reconhecida a paternidade cria direito sucessórios e 
modifica a relação familiar e alimentar.
b) Ação de execução ou execução forçada
Na ação de execução existe um direito reconhecido por um título executivo judicial, como uma 
sentença judicial condenatória, ou em dívida constante de título executivo extrajudicial, como consta 
na nota promissória ou letra de câmbio, e que uma vez não cumprida espontaneamente a obrigação 
pelo devedor, cabe o ajuizamento de ação para o cumprimento forçado da obrigação com a utilização 
da máquina judiciária, que de forma coatora desenvolve um resultado prático que poderá proceder à 
expropriação de bens do executado em garantia, para o pagamento.
Marcus Vinicius Rios Gonçalves explica que ação de execução tem por finalidade “[...] compelir 
alguém ao cumprimento de uma obrigação inadimplida”13.
Citamos como exemplo a ação de execução de cheque sem fundos.
8 COMPETÊNCIA
8.1 Competência: conceito e critério determinativos
Competência é a distribuição da Jurisdição entre seus órgãos ou agentes nela investidos (juízes). 
Define a atuação, condições e limites do exercício dos poderes funcionais da jurisdição entre seus 
diversos órgãos, para melhor administração da justiça.
Competência é a medida ou quantidade de jurisdição atribuída aos seus órgãos de exercício.
Para explicar a competência, Humberto Theodoro Júnior parte da jurisdição, uma vez que aquela é 
a distribuição desta, a seguir:
 
13 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
2019, p. 177.
111
TEORIA GERAL DO PROCESSO
“Como função estatal, a jurisdição é, naturalmente, una. Mas seu 
exercício, na prática, exige o concurso de vários órgãos do Poder Público. 
A competência é justamente o critério de distribuir entre os vários órgãos 
judiciários as atribuições relativas ao desempenho da jurisdição”14.
E, para aclarar ainda mais a nossa compreensão, o mesmo doutrinador acima apresenta a diferença 
entre jurisdição e competência: “Jurisdição é o poder de julgar e executar, que todo órgão judicial detém. 
Competência são os limites dentro dos quais a jurisdição é exercida por determinado órgão judicial”15.
Em observância ao princípio do juiz natural, os critérios determinativos da competência estão 
definidos, primeiramente, na Constituição Federal, e a partir esta, há outras definições de competência 
mais detalhadas nas leis infraconstitucionais, que abrange as leis federais, que dispõem sobre o foro de 
competência (comarcas), dentre as quais citamos o Código de Processo civil, Código de Processo Penal 
etc., as Constituições Estaduais que dispõem sobre a competência originária dos tribunais locais, e as leis 
de organização judiciária, que dispõem sobre regras de competência de juízo, como varas especializadas.
8.2 Classificação da competência
A princípio, a competência pode ser classificada em competência internacional e nacional.
Competência internacional está associada a soberania do país, é o exercício do poder jurisdicional 
do Estado de dizer o direito no território nacional. É aquela em que há distribuição das atribuições da 
atividade de dizer o direito entre juízes de países diferentes, é a jurisdição de outros Estados. Envolve o 
exercício de poder estatal e a parcela da soberania pátria.
Cumpre a legislação de cada país estabelecer a extensão e os limites da jurisdição, em respeito a 
jurisdição de outro país.
A competência da Justiça brasileira em face da competência internacional dos tribunais 
estrangeiros se divide em competência cumulativa ou concorrente e competência exclusiva.
A competência cumulativa ou concorrente permite que ação ser ajuizada tanto perante a Justiça 
brasileira quanto perante a estrangeira (CPC, arts. 21 a 22). São ações que, se propostas no Brasil, serão 
conhecidas e julgadas, mas igualmente poderão ser propostas na justiça estrangeira.
Cabe ressaltar que, as decisões proferidas pela justiça estrangeira só terão eficácia no Brasil se o 
Superior Tribunal de Justiça homologar a sentença estrangeira.
Os casos em que a autoridade brasileira tem jurisdição concorrente estão previstos no CPC, 
arts. 21 e 22, embora não seja obrigatória tal propositura, a seguir transcritos:
 
14 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 199.
15 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 60. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 199.
112
Unidade III
“Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar 
as ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e 
julgar as ações:
I - de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de 
bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos;
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiverdomicílio ou residência no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à 
jurisdição nacional”.
Competência exclusiva confere exclusividade à Justiça brasileira, para processar e julgar as ações 
que versam sobre determinadas matérias, conforme as previstas no CPC, art. 23. Se julgadas no exterior, 
não terão efeito algum no nosso território.
Os casos em que a autoridade brasileira tem jurisdição exclusiva estão previstos no CPC, artigo 23, 
a seguir transcrito:
 
“Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão 
de qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de 
testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, 
ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha 
domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à 
partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade 
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional”.
113
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Competência nacional ou interna é a jurisdição exercida nos limites em que o Estado brasileiro 
tem soberania para executar suas sentenças, com a repartição das atribuições entre juízes e tribunais 
do mesmo país.
É da competência interna que surgem os critérios determinativos da competência, que são elencados 
como critérios objetivo, territorial e funcional.
8.3 Critérios determinativos da competência
A competência interna possui diversas limitações previstas em lei, isto é, limitação do exercício do 
poder jurisdicional de cada órgão, que importa na fixação de atribuições jurisdicionais de cada qual, o 
que se faz por meio de critérios determinativos da competência.
Apesar de não haver uma uniformidade doutrinária, os critérios determinativos da competência 
podem ser fixados como objetivo, territorial e funcional.
8.3.1 Critério objetivo
No tocante ao critério objetivo, a competência originária dos órgãos jurisdicionais é determinada 
por certos elementos externo da lide, como:
• Competência em razão da matéria ou ratione materiae.
• Competência em razão do valor.
• Competência em razão da pessoa ou ratione personae.
A competência em razão da matéria é definida pela natureza da causa ou da relação jurídica 
material a ser decidida (CPC, art. 44).
Se houver vários juízes com atribuições especializadas, definidas em lei, será competente aquele 
juízo que tiver competência para conhecer a matéria sobre que versa a lide. No Estado de São Paulo, por 
exemplo, as ações cíveis e comerciais são de competência das Varas Cíveis da Justiça Estadual, mas se se 
tratar de matéria de direito de família, será competente a Vara de Família e das Sucessões; se se tratar 
de acidente do trabalho será competente a Vara de Acidente do Trabalho; dentre outras.
A competência em razão do valor da causa corresponde ao valor pretendido ou estimado em 
dinheiro, podendo ser a soma de valores de todos os pedidos constantes na ação ajuizada pelo autor.
Citamos como exemplos:
• os Juizados Especiais Civis têm competência para conciliação, processo e julgamento das causas 
cíveis de menor complexidade, assim consideradas as causas cujo valor não exceda a 40 (quarenta) 
vezes o salário mínimo (Lei nº 9.099/1995, art. 3º, I).
114
Unidade III
• os Juizados Especiais Federal Civil com competência para processar, conciliar e julgar causas da 
Justiça Federal até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. 
(Lei Federal nº 10.259/2001, art. 3º).
A competência em razão da pessoa confere atribuições de processar e julgar ações em que 
são partes determinados sujeitos, assim considerados em razão do interesse público, e que gozam de 
foro especial.
Determinará a distribuição da competência em decorrência das peculiaridades das pessoas envolvidas 
na lide, como as pessoas jurídicas de direito público, as autarquias, o presidente da república, ministros 
de Estado, governador do Estado e seus secretários, dentre outros, que têm foro privativo.
Citamos como exemplos:
• Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar causas entre Estados 
estrangeiros ou organismos internacionais e a União, Estados, Distrito Federal ou Territórios (CF, 
art. 102, I).
• Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar crimes comuns, do 
governadores dos Estados e do Distrito Federal (CF, art. 105, I, “a”).
• Justiça Federal tem competência para processar e julgar as causas envolvendo a União Federal (CF, 
art. 109, I, primeira parte).
8.3.2 Critério territorial
No que concerne ao critério territorial, a competência originária dos órgãos jurisdicionais é 
determinada pela distribuição das atribuições inerentes ao ato de dizer o direito baseado no elemento 
geográfico, como a competência em razão do território ou competência do foro. Cabe ressaltar que, 
este critério é um desdobramento do princípio da aderência da jurisdição ao território.
 Lembrete
Um dos princípios fundamentais da jurisdição é o princípio da 
aderência da jurisdição ao território que pode ser revisto na unidade II, 
item 6.3, letra “e”.
Os órgãos jurisdicionais exercem jurisdição nos limites das suas circunscrições territoriais, como 
por exemplo: os juízes de direito têm competência para processar e julgar as ações nas suas comarcas; 
o Tribunal de Justiça, no território do respectivo Estado; o Supremo Tribunal Federal, sobre o território 
nacional; os Tribunais Regionais Federais e os Tribunais Regionais do Trabalho, nos territórios das 
suas regiões.
115
TEORIA GERAL DO PROCESSO
A definição territorial da competência se dá pela relação das partes na lide, ou pelo objeto desta, ou 
ainda, por certos fatos que mantenham uma relação com o local.
Em regra, a competência territorial para processar e julgar uma ação é a do local do domicílio do réu, 
com as exceções previstas em lei (CPC, art. 46).
Pode ser determinada a competência territorial especial pela situação da coisa que versa a lide, como 
por exemplo imóvel (CPC, art. 47), ou em razão dos fatos que envolvem a lide (CPC, art. 53), como por 
exemplo o domicílio do filho ou do alimentando, dentre outros.
8.3.3 Critério funcional
Quanto ao critério funcional, a competência é determinada pelas atribuições funcionais exercidas 
pelos juízes em um mesmo processo, nas diversas fases processuais, como a competência da vara e dos 
tribunais, em momentos distintos.
Em uma ação pode ser competente para o exercício das atividades jurisdicionais vários juízes, 
conforme as atribuições a eles delegadas, como um juiz em fase de conhecimento em primeira instância 
perante a Vara e outros juízes em fase recursal em segunda instância perante o Tribunal.
8.4 Cooperação internacional
Cooperação jurídica internacional corresponde à colaboração e assistência entre os Estados 
estrangeiros, para assegurar o pleno funcionamento da Justiça, para:
• a execução de atos processuais.
• a colheita de provas.
• a simples troca de informações.
O Código de Processo Civil, no Livro II, Título II, Capítulo II, artigos 26 a 41, traça as regras fundamentais 
da cooperação jurídica internacional.
A cooperação internacional será regida por tratado de que o Brasil for parte, observando os 
requisitos previstos no CPC, art. 26, a seguir transcrito:
 
“Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que 
o Brasil faz parte e observará:
I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente;
II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou 
não no Brasil, em relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, 
assegurando-se assistência judiciária aos necessitados;
116
Unidade III
III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na 
legislação brasileira ou na do Estado requerente;
IV - a existênciade autoridade central para recepção e transmissão dos 
pedidos de cooperação;
V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades 
estrangeiras”.
O que poderá ser objeto de interesse para fins de cooperação entre dois países estrangeiros?
O CPC, no artigo 27, expõe sobre o que poderá ser objeto de cooperação internacional, a seguir:
 
“Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto:
I - citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial;
II - colheita de provas e obtenção de informações;
III - homologação e cumprimento de decisão;
IV - concessão de medida judicial de urgência;
V - assistência jurídica internacional;
VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela 
lei brasileira”.
Tratados internacionais podem dispor sobre as regras de cooperação para a prática de atos processuais 
entre diversos países. Na ausência de Tratado, será considerado a reciprocidade pela via diplomática, 
exercida pelo Ministério da Justiça, quando inexistir designação específica de outro órgão diverso por 
lei federal (CPC, art. 26, § 4º).
Não será admitida a cooperação se os atos contrariarem ou produzirem resultados incompatíveis 
com as normas fundamentais do nosso Estado.
Como se dá a cooperação internacional entre países?
São três as maneiras fundamentais previstas para se dar a cooperação internacional:
• Por auxílio direto (CPC, arts. 28 a 34): para fazer cumprir medida que não decorrer diretamente 
de decisão de autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de deliberação no Brasil. 
Além das hipóteses previstas em tratados de que o Brasil for parte, será objeto de auxílio direto 
(CPC, art. 30):
117
TEORIA GERAL DO PROCESSO
— Obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos 
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso.
— colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, de 
competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira.
— qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira.
• Por carta rogatória (CPC, arts. 35 e 36): procedimento de jurisdição contenciosa perante o Superior 
Tribunal de Justiça, em que se deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal.
• Pela homologação de sentença estrangeira (CF, art. 105, I, “i”; CPC, arts. 960 e ss): necessário 
o ajuizamento de ação de homologação de sentença estrangeira perante o Superior Tribunal 
de Justiça, para que autoridade brasileira outorgue eficácia à sentença estrangeira, para ser 
executada no Brasil.
8.5 Cooperação nacional
Cooperação nacional é o dever de recíproca cooperação entre os órgãos do Poder Judiciário, 
estadual ou federal, especializado ou comum, em todas as instâncias e graus de jurisdição, por meio 
dos juízes e servidores (CPC, arts. 67 e 69, § 3º). Como por exemplo, um juiz estadual poderá requerer 
a cooperação de um juiz federal, juiz trabalhista e vice-versa; Tribunal de Justiça poderá requerer a 
cooperação de um juiz do trabalho e vice-versa.
Trata-se de um processo cooperativo, que tem por função permitir o intercâmbio e o auxílio recíproco 
entre juízos para a prática de qualquer ato processual, independentemente de forma específica, e devem 
ser prontamente atendidos (CPC, arts. 68 e 69).
Pedido de cooperação jurisdicional deve ser atendido de imediato, não há forma prescrita e pode ser 
executado como (CPC, art. 69 e § 2º):
• auxílio direto;
• reunião ou apensamento de processos;
• prestação de informações;
• atos concertados entre os juízes cooperantes, que consistem em (CPC, art. 69, § 2º):
— citação, intimação ou notificação de ato.
— obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos
— efetivação de tutela provisória.
118
Unidade III
— efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas.
— facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial.
— centralização de processos repetitivos.
— execução de decisão jurisdicional.
A cooperação assumirá maior rigor formal quando praticadas por meio de cartas de ordem, precatória 
e arbitral (CPC, arts. 260 a 268).
8.6 Competência interna
A jurisdição é uma das três funções do Estado, exercida por juízes e tribunais. É una, porém distribuída 
entre muitos órgãos jurisdicionais, cada qual limitado em sua competência, conforme definido pela 
Constituição Federal e Lei Ordinária (CF, arts. 92 a 126; CPC, arts. 42 a 66).
Ao Poder Judiciário é conferido o exercício da função jurisdicional. Os magistrados são os seus 
integrantes e os seus órgãos são os juízes e os tribunais, os quais têm competência para solucionar a 
lide por meio do proferimento da sentença e do reexame das decisões proferidas pela primeira instância, 
salvo disposição diversa prevista em lei.
Competência é a distribuição da jurisdição entre seus órgãos ou agentes nela investidos (juízes), 
limitando a atuação da Jurisdição, para melhor administração da justiça. Ou melhor, a competência é a 
medida ou quantidade de jurisdição atribuída aos seus órgãos de exercício. Ela quantificará a parcela de 
exercício de jurisdição atribuída a determinado órgão, em relação às pessoas, à matéria ou ao território.
A competência interna é aquela que indica qual o órgão responsável pelo julgamento de cada caso 
concreto apresentado em juízo.
A competência é determinada no momento da propositura da ação, conforme embasado 
pelo princípio da perpetuatio iurisdictionis ou perpetuação de competência, que corresponde à 
inalterabilidade da competência quanto ao juízo, que é determinada no momento do registro ou da 
distribuição da petição inicial e deve prevalecer durante todo o curso do processo, sendo irrelevantes as 
modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão 
judiciário ou alterarem a competência absoluta. (CPC, art. 43).
Antes de nos aprofundarmos no estudo da competência interna, devemos conhecer a estrutura do 
Poder Judiciário, conforme apresentado o Organograma do Poder Judiciário16 abaixo:
16 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
2019, p. 115.
119
TEORIA GERAL DO PROCESSO
TJs
STJ TSE TST STM
Juízes 
estaduais
Juízes 
federais
Juízes do 
trabalho
Juízes 
eleitorais 
e juntas 
eleitorais
Juízes auditores e conselhos 
de justiça (auditorias 
militares estaduais)
Conselho de justiça 
(auditorias militares 
da união)
TJM ou TJ TRFs TREs TRTs
Figura 2 - Supremo tribunal federal
8.6.1 Classificação da competência
Como podemos aplicar no processo de forma concreta a competência para fins da atribuição do 
seu exercício a determinado juiz, visando o processamento e julgamento da ação pelo Poder Judiciário.
Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco, ensina 
percorrer um caminho de perguntas que nos levarão à definição da competência interna, diante de 
cada caso concreto, a seguir:
“a) competência jurisdicional (qual a Justiça competente?);
b) competência originária (competente o órgão superior ou inferior?);
c) competência de foro (qual a comarca, ou seção judiciária, competente?);
d) competência de juízo (qual a vara competente?);
e) competência interna (qual o juiz competente?);
f) competência recursal (competente o mesmo órgão ou um superior?)”17.
A competência de jurisdição corresponde à natureza da relação jurídica material 
controvertida, para definir a competência das Justiças especializadas em contraposição às Justiças 
comuns (CF, arts. 114, 121 e 124), e quanto à qualidade das pessoas envolvidas no processo, para 
distinguir a competência da Justiça Federal (comum) e das Justiças Estaduais (comum) (CF, art. 109), 
bem como das Justiças Militares da União e dos Estados (CF, arts. 125, §§ 3º e 4º).
17 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. SãoPaulo: Malheiros, 2012, p. 262-263.
120
Unidade III
Justiça especializada, ou também chamada de Justiça especial, tem competência apurada pela 
matéria discutida (ratione materiae), que são:
• Justiça do Trabalho: composta pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribunais Regionais 
do Trabalho (TRTs) e pelos juízes do trabalho (CF, art. 111 e seguintes).
• Justiça Eleitoral: composta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais Regionais Eleitorais 
(TREs), juízes eleitorais e as Juntas Eleitorais (CF, art. 118 e seguintes).
• Justiça Militar: dividida em Justiça Militar da União e dos Estados. A Justiça Militar da União é 
composta pelo Tribunal Superior Militar (TJM) e os Conselhos de Justiça, Especial e Permanente, 
nas sedes das Auditorias Militares. A Justiça Militar dos Estados, Distrito Federal e Territórios, pelo 
Tribunal de Justiça (TJ) ou Tribunal de Justiça Militar (TJM), nos Estados em que o efetivo for igual 
ou superior a 20.000 integrantes, e pelos juízes auditores e pelos Conselhos de Justiça, com sede 
nas Auditorias Militares (CF, art.122).
Justiça comum tem competência para processar e julgar matéria cível e criminal, apurada em 
razão da qualidade das pessoas (ratione personae) e da matéria (ratione materiae). Pode ser federal ou 
estadual com competência descrita, a seguir:
• Justiça Federal: competência definida pela participação no processo, como parte ou interveniente, 
de pessoas jurídicas de direito público federal e empresas públicas federais ou pela matéria, 
conforme previsto na Constituição Federal, art. 109, a seguir transcrito:
 
“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal 
forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, 
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça 
Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e 
Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado 
estrangeiro ou organismo internacional;
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de 
bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou 
empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência 
da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, 
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro, ou reciprocamente;
121
TEORIA GERAL DO PROCESSO
V - A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste 
artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados 
por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o 
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente 
sujeitos a outra jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade 
federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a 
competência da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução 
de carta rogatória, após o “exequatur”, e de sentença estrangeira, após a 
homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva 
opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas”.
Caso a ação judicial estiver tramitando em outro juízo, em que a União seja parte, autora ou réu, ou 
terceiro interveniente, caberá a remessa desta à Justiça Federal (CPC, art. 45).
A Justiça Federal é composta por juízes e Tribunais Regionais Federais (TRFs) (CF, arts. 106 e seguintes).
• Justiça Estadual: competência residual, cabe à esta a competência para processar e julgar de todas 
as causas que não forem de competência das justiças especiais, nem da Justiça Federal. Possui 
competência civil e penal. Aos Estados compete organizar sua estrutura judiciária, observadas as 
regras constitucionais. Em cada Estado haverá os juízos e tribunais estaduais, com competência 
definida nas Constituições Estaduais e leis de organização judiciária.
As Justiças Federal e Estadual têm seus próprios juizados especiais e colégios recursais (Leis 
nºs 9.099/1995 e 10.259/2001).
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) atende em nível recursal ambas as Justiças Federal e Estadual, 
cuja principal função é a de resguardar a lei federal (CF, art. 104 e seguintes).
Como órgão máximo do Poder Judiciário está o Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da 
Constituição Federal, com competência estabelecida no art. 102.
122
Unidade III
A competência originária corresponde a do início da ação. Em regra, inicia a ação nos órgãos de 
primeiro grau ou primeira instância, que são as varas cível, criminal e do trabalho. Excepcionalmente, 
poderá iniciar nos tribunais.
Competência territorial ou de foro (ratione loci) é critério indicativo do local a ser ajuizada a ação. 
O exercício da jurisdição deve aderir a um território (princípio da aderência).
Foro é a indicação territorial onde o juiz exerce sua atividade (comarca). São dois os foros:
• Foro comum ou geral (regra):
— No processo civil: domicílio do réu (CPC, art. 46).
— No processo penal: local da consumação do delito (CPP, art. 70).
— No processo do trabalho: local da prestação de serviços pela empregado (CLT, art. 651).
• Foro especial: determinada em razão das pessoas, das coisas e dos fatos envolvidos nos litígios 
(CPC, art. 47 a 53).
 Observação
A competência territorial é disciplinada de forma mais pormenorizada 
no Código de Processual Civil, nos artigos 42 a 66.
Competência de juízo é determinada pela natureza material da relação jurídica controvertida que 
pode ser civil ou penal, isto é, se civil a competência será da vara cível e se penal da vara criminal, ou 
pela pessoa envolvida, como quando o próprio Estado for parte ou interessado em que a competência 
será da vara da Fazenda Pública.
A Justiça Estadual pode ser dividida em varas especializadas com competência para processar e 
julgar causa que versa sobre matéria específica, como por exemplo se a matéria controvertida for sobre 
acidente do trabalho será competente a vara de acidente do trabalho, se se tratar de divórcio litigioso 
a vara de família e sucessões, se se tratar de falência de uma sociedade empresarial a vara de falência e 
recuperação de empresa, etc.
 Saiba mais
Recomenda-se a leitura da Lei de Organização Judiciária do Estado de 
sua escolha para a melhor compreensão da estrutura judiciária estadual e 
competência.
123
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Competência interna dos órgãos judiciários decorrente da existência de mais de um juiz 
(pessoa física) no mesmo juízo, sendo competente aquele que primeiro conhecer a ação, ou de 
várias câmaras, grupos de câmaras, turmas ou seções no mesmo tribunal regulamentada pela Lei 
Orgânica da Magistratura Nacional, pelas Constituições estaduais, leis de organização judiciária e 
regimentos internos.
Competência recursal pertende ao tribunal, chamado de instância superior ou segundo grau ou 
instância, reexaminar a decisão proferida pela instância inferior ou de primeiro grau ou instância. Por 
exemplo: o réu inconformado com sentença proferida pela vara, que o condenou no pagamento de 
valor ao autor, recorre desta decisão para o tribunal, pretendendo que venha a reformar da sentença 
para absolvê-lo da condenação.
Além das competência explicitadas, convém citarmos mais algumas questões envolvendo a matéria, 
como a cumulatividade de juízos competentes e a competência por distribuição da ação.
Cumulatividade de juízos competentes ocorre quando numa mesma circunscrição territorial 
pode haver vários juízes em exercício, e a cadaum deles se atribui uma Vara (cada qual responde por 
um Juízo), com competências distribuídas por dois critérios:
• em razão da matéria (ratione materiae): distribuição da lide se dá pela matéria discutida à uma 
Vara especializada, como Vara de Família, Vara de Falência, Vara de Acidente do Trabalho, etc.
• por simples distribuição: compete a todos os Juízos, como diversas Varas Cíveis na 
mesma Comarca.
Competência por distribuição: ocorre quando há mais de uma Vara com a mesma competência 
na Comarca, considera proposta pelo protocolo da petição inicial para a respectiva distribuição (CPC, 
art. 312 c/c art. 240). É resultado da distribuição da ação cuja competência pertence a várias Varas. 
Quando em um foro houver duas ou mais Varas competentes para julgar a ação, esta será distribuída 
conferindo competência a apenas uma delas pela ordem de chegada.
Competência em razão do valor da causa é conferida de acordo com o valor da causa constante 
da petição inicial (CPC, art. 291).
O atual Código de Processo Civil não determina a competência jurisdicional pelo valor 
atribuído à causa.
No entanto, os Juizados Especiais Civil e Federal Civil são competentes para processar e julgar 
causas cuja pretensão tenha valor da causa de pequeno, assim considerado por lei, visando a tentativa 
conciliatória, a simplicidade dos atos processuais e a celeridade processual. Citamos como exemplos:
• os Juizados Especiais Civis têm competência para conciliação, processo e julgamento das causas 
cíveis de menor complexidade, assim consideradas as causas cujo valor não exceda a 40 (quarenta) 
vezes o salário mínimo (Lei nº 9.099/1995, art. 3º, I).
124
Unidade III
• os Juizados Especiais Federal Civil com competência para processar, conciliar e julgar causas da 
Justiça Federal até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. 
(Lei Federal nº 10.259/2001, art. 3º).
Competência funcional, ou também chamada de competência hierárquica, refere-se a repartição 
das atividades jurisdicionais entre diversos órgãos de níveis inferior e superior que devam atuar 
no processo.
Estabelecido o juízo competente para processar e julgar a ação, quais os órgãos jurisdicionais que 
funcionarão nas diversas fases do processo?
Classificação da competência funcional:
• Fases do procedimento: fase de conhecimento, fase de execução, a penhora por carta precatória; 
fase instrutória, a oitiva de testemunha por carta precatória.
• Grau de jurisdição: competência hierárquica originária da vara (regra) e do tribunal em recurso.
• Objeto do juízo: tutela provisória decretada por um juiz e cumprida por outro, em diferente 
circunscrição territorial.
8.7 Competência absoluta e relativa
Como já estudado, a distribuição da função jurisdicional entre órgãos ou entre organismos 
judiciários atende interesses públicos e interesses privados, e assim considerados para fins de indicação 
do foro competente podem ser divididos em duas categorias: competência absoluta e competência 
relativa (CPC, art. 64).
As regras de competência de interesse público estão relacionadas com a própria atuação jurisdicional, 
aplicável a todos os cidadãos, indistintamente, e que a estes não permite nenhum tipo de convenção ou 
modificações nos critérios já estabelecidos. São casos de competência de interesse público: competência 
de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna, que se não observados resultará na nulidade processuais. 
Trata-se de competência absoluta.
Há regras de competência que podem ser determinadas de acordo com o interesse privado 
ou interesse das partes, quando se tratar de competência territorial na distribuição de uma ação 
(competência de foro). São as regras de competência relativa.
A matéria de incompetência absoluta ou relativa deve ser arguida em preliminar de contestação, 
sendo que a incompetência absoluta pode ser declarada pelo juiz de ofício ou a requerimento da parte, 
em qualquer momento ou grau de jurisdição (CPC, art. 64 e §§ 1º e 2º).
Será absolutamente incompetente juiz do trabalho que por meio de reclamação trabalhista, em 
tramitação perante a Justiça do Trabalho, julga matéria sobre pensão alimentícia. Esta sentença é nula 
125
TEORIA GERAL DO PROCESSO
pelo vício da incompetência, a qual por se tratar de interesse público, pode ser arguida em qualquer 
tempo e grau de jurisdição, e deve ser declarada pelo juiz de ofício ou a requerimento da parte (CPC, 
art. 64, § 1º; CPP, arts. 109 e 567).
Deve ser requerida pela parte em preliminar de contestação a incompetência relativa, sob pena de 
preclusão. Quanto à esta arguição, cabe somente somente à parte e no momento da apresentação da 
contestação, ocorrendo a prorrogação de competência se não arguido no momento certo (CPC, art. 65).
As partes podem convencionar sobre a modificação das regras de competência por meio da eleição 
de foro, em que que ambas as partes definem qual a competência territorial para dirimir eventual 
conflito resultante do contrato (CPC, arts. 62 e 63).
Para facilitar a compreensão, apresentamos quadro com as diferenças entre a competência 
absoluta e a competência relativa, a seguir:
Quadro 3 
Competência absoluta Competência relativa
Interesse público. Interesse privado.
Normas de competência cogente. Normas de competência dispositiva.
Nulidade absoluta (insanável). Nulidade relativa (sanável).
Reconhecível de ofício pelo juiz ou arguida pela parte 
em preliminar de contestação, não gera a preclusão. 
Depende de arguição da parte em preliminar de 
contestação, sob pena de preclusão. 
Declarada a qualquer tempo e grau de jurisdição. Alegável no prazo da resposta do réu, sob pena de 
prorrogação de competência.
As partes não podem modificar as regras de 
competência.
Partes podem modificar as regras de competência, como 
a eleição de foro.
Exemplo: competências em razão da matéria, da pessoa 
e funcional (CPC, art. 62).
Exemplo: competência territorial e em razão do valor 
(CPC, art. 63).
8.8 Modificação da competência
A modificação da competência somente é possível quando tratar-se de competência relativa, visando 
o melhor funcionamento do Poder Judiciário.
Ocorre a modificação da competência quando as regras de competência relativa indicam o foro 
competente para uma determinada ação, mas que por circunstâncias essa competência é modificada 
para outro foro.
As hipóteses de ocorrência de modificação da competência relativas são as seguintes:
• Prorrogação de competência: a incompetência territorial depende da arguição do réu em 
preliminar de contestação, que se não o fizer ocorrerá a prorrogação da competência, passando 
a ser plenamente competente o juízo que até então era originalmente incompetente (Súmula 
nº 33 do STJ).
126
Unidade III
• Derrogação de competência: ocorre a alteração da competência por consenso das partes em 
contrato escrito, estabelecendo expressamente o foro de eleição que será competente para a 
propositura de eventual ação fundada em direitos e obrigações, relativas ao contrato celebrado 
(CPC, art. 63 e § 1º). O foro de eleição obriga as partes e seus sucessores.
• Conexão: ocorre a reunião duas ou mais ações em andamento quando têm o mesmo pedido ou a 
mesma causa de pedir, para que tenham julgamento em conjunto. Estas ações serão reunidas num 
único processo, para que não tenham decisões conflitantes e também por economia processual 
(CPC, art. 55).
• Continência: ocorre quando duas ou mais ações têm identidade de partes e de causa de pedir, e 
o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais (CPC, art. 56). A reunião das ações só 
ocorrerá se a ação continente, que é aquela em que o objeto é mais abrangente do que a outra, 
for ajuizada posteriormente à ação contida.
Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco define 
prorrogação de competência como “[...] a modificação, em concreto, na esfera de competência de 
um órgão (isto é, com referência a determinado processo): trata-se, assim, deuma modificação da 
competência já determinada segundo outros critérios”18.
No tocante à derrogação de competência, ressalta-se que não se admite a eleição de foro nos 
casos de competência absoluta, como os que envolverem competência funcional ou de juízo, e ainda 
nas ações de direitos reais sobre bens imóveis.
Inaplicável o foro de eleição ajustado quando de apresentar a conexão de ações.
Para determinar a conexão de duas ou mais ações, o juiz deve se ater aos elementos da ação, que são 
as partes, o pedido e a causa de pedir, e poderá determinar a reunião das ações de ofício, independente 
de requerimento da parte por se tratar de matéria de ordem pública (CPC, art. 55, § 1º). No entanto, a 
conexão também poderá ser arguida pela parte, réu, em preliminar de contestação (CPC, art. 337, VIII).
As ações conexas serão reunidas àquela em que a petição inicial tiver sido a primeira registrada 
ou distribuída perante o Poder Judiciário (data em que ocorreu), denominado de juízo prevento ou 
prevenção de juízo (CPC, art. 59).
As regras aplicáveis à conexão também se aplicam à continência.
8.9 Prevenção
Ocorre a prevenção quando permanece competente o primeiro juízo que veio a conhecer a causa, 
tornando-se este também competente para causas interligadas a esta posteriormente ajuizadas, dentre 
vários juízos igualmente competentes. Portanto, não se trata de modificação de competência.
18 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do 
Processo. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 275.
127
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Marcus Vinicius Rios Gonçalves explica que a prevenção é “[...] fundamental para fixar a competência 
de determinado juízo, quando houver mais de um competente para determinada causa; e para identificar 
qual dos juízos atrairá outras ações, como em casos de conexão ou continência”19.
A data do registro ou da distribuição da petição inicial, que demonstra ter sido a primeira ação a ser 
ajuizada, é que torna prevento o juízo, que tem ampliada por prevenção a sua competência para todas 
as ações interligadas que se seguirem (dá-se preferência de competência desprezando os demais juízos) 
(CPC, art. 59).
Como exemplo podemos citar aquela demanda em que pelas regras de competência podem ser 
ajuizadas em foros concorrentes, como no caso dos acidentes de veículos terrestres em que a demanda 
pode ser proposta no foro do local do acidente ou no do domicílio do autor, cabendo a este a escolha.
Ocorre a prorrogação de competência por prevenção nos casos de:
• Conexão e continência em que é competente o juízo que tiver sido o primeiro a ser registrado ou 
distribuído (CPC, art. 59).
• Ações acessórias que são distribuídas por dependência a outra já em tramitação (CPC, art. 61). 
Exemplo: ação de prestação de contas do inventariante e embargos de terceiro.
8.10 Declaração de incompetência
Competência é pressuposto de regularidade do processo e da admissibilidade da tutela jurisdicional.
O primeiro dever do juiz é verificar se possui competência para a causa, sendo que o reconhecimento 
da competência é feito de maneira implícita pelo deferimento da petição inicial.
É dever o reconhecimento da incompetência absoluta de ofício pelo juiz ou tribunal e a qualquer 
momento ou grau de jurisdição, não admitindo a prorrogação de competência (CPC, art. 64, § 1º).
A solução da controvérsia sobre a competência se dá por meio dos incidentes processuais, a seguir:
• Em preliminar de contestação, cabe à parte alegar incompetência, absoluta ou relativa (CPC, art. 64).
• Conflito de competência (CPC, arts. 66 e 951 a 959).
8.11 Conflito de competência
Inadmissível que mais de um órgão judiciário seja igualmente competente ou nenhum seja 
competente para processar e julgar a causa.
19 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 10. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
2019, p. 146.
128
Unidade III
Podem ocorrer dois tipos de conflito de competência, o positivo e o negativo. Quando dois juízes 
se dão por competente, ocorre a conflito de competência positivo. Quando nenhum juiz se dá por 
competente ou ambas se dão por incompetentes, se dá o conflito de competência negativo.
O incidente de declaração de incompetência do juízo ocorre quando (CPC, art. 66):
• dois ou mais juízos se consideram incompetentes para o julgamento de determinado feito (conflito 
de competência negativo, que é o mais comum), ou
• dois ou mais juízos se consideram igualmente competentes para o mesmo feito (conflito de 
competência positivo).
• entre dois ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
Quem tem legitimação para suscitar o conflito? Conforme previsto no Código de Processo Civil, 
art. 951, o conflito de competência pode ser suscitado pelo(a):
• juiz;
• parte;
• Ministério Público.
Competência para julgar o conflito de competência (CPC, art. 953):
• entre juízes, do tribunal hierarquicamente superior;
• entre tribunais, entre tribunal e juízes a ele não vinculados, entre juízes vinculados a tribunais 
diversos, do Superior Tribunal de Justiça;
• entre tribunais superiores, do Supremo Tribunal Federal.
O conflito de competência só pode ser declarado se ainda não existir sentença transitada em julgado 
proferida por um dos juízes conflitantes (Súmula nº 59 do STJ).
8.12 Competência de foro
A competência territorial, ou também chamada competência de foro, é prevista para fins do 
ajuizamento de ações de diversos tipos, como processo de conhecimento e de execução, no Código de 
Processo Civil, a partir do artigo 46 e seguintes.
A regra geral de competência relativa para o ajuizamento de ações fundadas em direitos 
pessoais e reais sobre bens móveis deve ser o do foro do domicílio do réu, pessoa física ou jurídica 
(CPC, art. 46). Chamada de foro comum.
129
TEORIA GERAL DO PROCESSO
Ações fundadas em direitos pessoais são aquelas que versam sobre contratos, obrigações em 
geral, responsabilidade civil e direito de família e sucessões. Citamos alguns exemplos:
• Ação de resolução de contrato de compra e venda de bem móvel ou imóvel, na qual pretende a 
desconstituição do respectivo contrato, deve ser ajuizada no foro do domicílio do réu.
• Ação de indenização por dano material em bem móvel deve ser ajuizada no foro do domicílio do réu.
Em se tratando de réu, pessoa física ou pessoa natural, é considerado domicílio o local de sua 
residência; se pessoa jurídica é considerado o local onde exerce a sua profissão (CC, arts. 70 e 72).
O domicílio das pessoas jurídicas está indicada no Código Civil, artigo 75, a seguir transcrito:
 
“Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
I - da União, o Distrito Federal;
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas 
diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu 
estatuto ou atos constitutivos”.
Ações ajuizadas contra réu, incapaz, será competente o foro do local da residência (domicílio) de seu 
representante ou assistente (CPC, art. 50).
A competência é do foro de domicílio do autor da herança, quem seja, o de cujus (falecido), para 
a propositura de inventários, partilha de bens, arrecadação e cumprimento de disposição de última 
vontade, impugnação ou anulação de partilha extrajudicial, e das ações em que o espólio for réu 
(CPC, art. 48).
Se o de cujus não tinha domicílio certo, a competência será do foro da situação dos bens imóveis. 
Se os bens imóveis estiverem situados em foros diversos, será competente o foro de qualquer deles. E, 
não havendo bens imóveis, a competência será do foro do local de qualquer dos bens do espólio (CPC, 
art. 48, § único).
Há foros especiais de competência que são definidos em decorrência da situação da coisa, ou do 
local do cumprimento da obrigação ou do ato ou fato ocorrido, ou, ainda, em decorrência

Mais conteúdos dessa disciplina