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Teoria Constitucional do Processo Sumário Breve perspectiva histórica ................................................................................................................................................ 2 Direito processual romano ................................................................................................................................................. 2 Direto Material X Direito processual ................................................................................................................................. 4 Dica .................................................................................................................................................................................. 4 Jurisdição (DIZER O DIREITO): ............................................................................................................................................ 5 Jurisdição ........................................................................................................................................................................ 5 Características da jurisdição: ......................................................................................................................................... 5 Substitutividade ............................................................................................................................................................. 5 Inércia ............................................................................................................................................................................. 6 Definitividade ................................................................................................................................................................. 6 Imperatividade ............................................................................................................................................................... 6 Indelegabilidade ............................................................................................................................................................. 6 Investidura ...................................................................................................................................................................... 6 Unidade........................................................................................................................................................................... 6 Inafastabilidade .............................................................................................................................................................. 6 Os Diferentes Resultados da Jurisdição: Os Tipos de Tutela ....................................................................................... 6 TUTELA DE COGNIÇÃO .............................................................................................................................................. 6 TUTELA DE EXECUÇÃO .............................................................................................................................................. 6 TUTELA PROVISÓRIA (DE URGÊNCIA OU DE EVIDÊNCIA):...................................................................................... 7 Processo (MEIO PARA ALCANÇAR O DIREITO): ................................................................................................................. 7 Princípios do processo ................................................................................................................................................... 7 1. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ........................................................................................................... 7 2. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO ................................................................................................................... 8 3. PRINCÍPIO DA BOA FÉ ........................................................................................................................................... 8 4. PRINCÍPIO DA ISONOMIA (OU DA IGUALDADE) ................................................................................................. 9 5. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA ...................................................................................... 9 6. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES ....................................................................................................... 10 7. PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE ........................................................................................................................ 10 8. PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.................................................................................................... 10 9. PRINCÍPIO DISPOSITIVO...................................................................................................................................... 11 10. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS ...................................................................................... 11 11. PERSUASÃO RACIONAL DO JUIZ (LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO) ..................................................... 11 Ação do processo .............................................................................................................................................................. 12 Elementos das ações .................................................................................................................................................... 13 Classificação das ações ................................................................................................................................................. 14 GRUPO 1: AÇÕES DE CONHECIMENTO (COGNITIVAS) .......................................................................................... 14 GRUPO B: AÇÕES DE EXECUÇÃO (SATISFATIVAS) .................................................................................................. 16 Segundo Luiz Fux, o direito processual é o ramo do Direito Público composto de princípios e normas que regulam a jurisdição – atividade estatal de aplicação do direito aos casos submetidos à apreciação do Judiciário – a ação – o direito de acesso amplo à justiça, seus pressupostos e consequências de seu exercício – e o processo – instrumento através do qual a parte pede justiça e o Estado dela se desincumbe. Breve perspectiva histórica Em uma perspectiva histórica podemos dizer que, com a evolução do Estado, a prática de autotutela, que antes existia como regra, foi proibida e o Estado avocou para si o monopólio da solução dos conflitos. A autotutela passou a ser, inclusive, tipificada como crime de "exercício arbitrário das próprias razões" É exatamente neste ponto que nasce o Direito Processual. Se você não pode fazer justiça por conta própria, você precisa de um instrumento para provocar o Estado a agir e resolver seu conflito. Esse instrumento é o processo. Segundo Luiz Fux, nosso processo é herdeiro direto do sistema europeu, que por sua vez tem suas raízes mais profundas em Roma. Por isso, nossa jornada começa lá. Direito processual romano Seguindo a doutrina de Luiz Fux, o processo civil romano é comumente dividido em dois grandes períodos: a ordo judiciorum privatorum e a cognitio extra ordinem. 1. Ordo Judiciorum Privatorum (A Ordem dos Juízos Privados) Este primeiro período marca uma fase em que o processo era dividido em duas etapas distintas, conduzidas por figuras diferentes. Suas fases eram: • In iure: Realizada perante o magistrado, era a fase em que se escolhia a ação da lei (legis actio) ou a fórmula (fórmula) a ser aplicada ao caso. Era nesse momento que o autor convidava o réu a comparecer perante a autoridade (in ius vocatio). • In iudicio: Conduzida perante um juiz ou árbitro particular(iudex ou arbiter), era a fase de instrução e julgamento, que culminava na sentença (sententia). Por ser proferida por uma autoridade particular, a decisão era irrecorrível Este período se subdivide em dois procedimentos distintos, que representam uma clara evolução: A) LEGIS ACTIONES (AÇÕES DA LEI) Esta é a fase mais antiga e formalista. Suas principais características são: Importante: Jurisdição; Ação e processo Trinômio do processo • Oralidade, Solenidade e Formalismo Extremo: O procedimento era totalmente oral e solene. O erro na pronúncia de uma única palavra sacramentada levava à perda da ação. • Ius e Actio como uma só coisa: Neste período, o direito de uma pessoa e a ação para protegê- lo eram vistos como duas faces da mesma moeda. As partes não invocavam um "direito subjetivo", mas sim uma das "ações da lei" previstas na Lei das XII Tábuas. A doutrina conclui que as ações davam origem aos direitos, e não o contrário. • As Cinco Ações da Lei: Existiam cinco ações principais: Legis actio per sacramentum: Era a "ação padrão", usada para casos que não se enquadravam nas outras, e era marcada por grande solenidade. Legis actio per conditionem: Tinha um procedimento mais simples, no qual o autor intimava o réu a comparecer em 30 dias para a escolha de um juiz caso a dívida fosse negada. Legis actio per iudicis arbitrive postulationem: Utilizada quando o réu se recusava a reconhecer o direito do autor, implicava um pedido ao pretor para que ele indicasse um juiz ou árbitro. Legis actio per pignoris capionem: De natureza executiva, caracterizava-se pelo apoderamento de um bem do devedor pelo credor, sem autorização prévia do magistrado, buscando-se a validação jurídica posteriormente. Legis actio per manus iniectionem: Era invocada contra o devedor que já havia confessado sua dívida, permitindo ao credor "lançar mão sobre o devedor, sua pessoa ou seu corpo". b) Formulário (per Formulam) A expansão romana tornou inviável a aplicação do direito civil (ius civile) apenas aos cidadãos romanos. Para resolver conflitos envolvendo estrangeiros (peregrini), foi criado o pretor peregrino, que estabelecia "fórmulas" escritas para balizar a atuação do juiz. • A Substituição da Oralidade pela Escrita: A principal mudança foi a substituição da invocação solene de palavras por uma fórmula escrita, escolhida pelo magistrado na fase in iure. • Generalização: Essa prática se popularizou e foi estendida aos cidadãos romanos pela Lex Aebutia e, posteriormente, instituída de forma definitiva pelas duas Leis Júlias (leges iuliae), que extinguiram o sistema das legis actiones 2. COGNITIO EXTRA ORDINEM (A COGNIÇÃO EXTRAORDINÁRIA) Este terceiro e último período representa um marco fundamental: a transição da justiça privada para a justiça pública. É aqui que se lança o "embrião da jurisdição" como a conhecemos. As principais transformações foram: O processo deixa de ser dividido em duas fases e passa a ser unitário, conduzido integralmente por um funcionário do governo, um juiz que representava a autoridade do Estado. O juiz passa a exercer a iurisdictio, a função pública de realizar o direito. A fase postulatória torna-se escrita, com a petição do autor (libellus conventionis) e a defesa do réu (libellus responsionis). A citação deixa de ser um ato da parte e passa a ser uma convocação oficial do juízo (evocatio). • A Inovação do Recurso: A principal característica deste período é o surgimento da sentença recorrível no duplo efeito, o que consolida a ideia de uma jurisdição estatal e hierarquizada. As decisões proferidas no curso do processo, chamadas interlocutiones, eram, contudo, irrecorríveis Direto Material X Direito processual Segundo Rios Gonçalves, “A lei atribui numerosos direitos aos membros da coletividade. As normas de direito material são aquelas que indicam quais os direitos de cada um” Ou seja, o Direito Material é o “quê” do Direito. Ele é o corpo de normas que cria, define e extingue direitos e deveres nas relações entre as pessoas e entre elas e o Estado. Ele estabelece as regras do jogo da vida em sociedade. Quando vocês abrem o Código Civil, encontram o Direito Material. Lá está dito: • Que quem tem mais de 18 anos é capaz para os atos da vida civil (Art. 5º). Quando abrem o Código Penal, encontram o Direito Material. Lá está dito: • Que "matar alguém" é crime, com pena de 6 a 20 anos (Art. 121). “As normas de processo são meramente instrumentais. Pressupõem que o titular de um direito material entenda que este não foi respeitado, possibilitando que recorra ao Judiciário para que o faça valer.” Se o Direito Material é o "quê", o Direito Processual é o "como". Ele é o conjunto de regras e princípios que regulamenta o exercício da jurisdição. Em termos mais simples, é o manual de instruções que nos diz como devemos fazer para exigir o cumprimento de um direito material que foi desrespeitado. Dica O Direito Material me diz que eu tenho o direito de receber uma dívida. Mas, se o devedor não me paga, o que eu faço? Bato na porta dele e tomo seus bens à força? Não, pois a autotutela é proibida. É aqui que entra o Direito Processual. Ele me dá o caminho, o método, o instrumento para ir até o Estado-juiz e pedir que ele force o devedor a me pagar. Unificação do Processo Procedimento Escrito Citação como Ato Oficial Jurisdição (DIZER O DIREITO): Para Rio Gonçalvez: O processo é o INSTRUMENTO DA JURISDIÇÃO, o meio de que se vale o juiz para aplicar a lei ao caso concreto. Não é um fim em si, já que ninguém deseja a instauração do processo por si só, MAS MEIO DE CONSEGUIR DETERMINADO RESULTADO: a prestação jurisdicional, que tutelará determinado direito, solucionando o conflito. A vida em sociedade é cheia de relações entre pessoas, e, naturalmente, surgem conflitos de interesses. O Estado, para garantir a paz social, cria as leis de direito material (como o Código Civil ou o Código de Defesa do Consumidor), que dizem quais são os direitos e deveres de cada um. Idealmente, todos respeitariam essas leis. Mas, na prática, muitas vezes isso não acontece. Quando alguém desrespeita o direito de outrem, nasce um conflito. Antigamente, a solução era a autotutela, a famosa "justiça com as próprias mãos". Com a evolução, o Estado assumiu para si o monopólio da solução dos conflitos, tornando a autotutela, como regra, um crime (o "exercício arbitrário das próprias razões"). É aqui que tudo começa: se você não pode resolver seu problema à força, precisa de um caminho para pedir que o Estado o resolva. Esse caminho é o processo, e o poder que o Estado usa para resolver é a jurisdição. Jurisdição Jurisdição é a função do Estado de aplicar a lei a um caso concreto para resolver um conflito de interesses. É o PODER-DEVER DO ESTADO, exercido pelo Poder Judiciário, de "dizer o direito" (jus dicere) e impor sua decisão de forma obrigatória. “Função do Estado, pela qual ele, no intuito de solucionar os conflitos de interesse em caráter coativo, aplica a lei geral e abstrata aos casos concretos que lhe são submetidos”. GONÇALVES, Rio Para Gonçalves, os Estados assumiram para si o PODER DEVER, de forma EXCLUSIVA, para solucionar conflitos através da aplicação de leis gerais e abstratas aos casos concretos. A jurisdição é INERTE, por natureza. Ou seja, a “movimentação da jurisdição” depende de um acionamento prévio pela parte interessada. “Com ele, instaurar-se-á um processo, que instituirá uma relação entre juiz- autor-réu, por certo tempo e de acordo com um procedimento previamente estabelecido por lei.” Características da jurisdição: Para o autor, a Jurisdição possui certas características essenciais que a diferencia de outras funções do Estado: Substitutividade O juiz SUBSTITUI a vontade das partes para dar uma solução imparcial ao conflito. É a substituição das partespelo Estado-juiz que permite uma solução imparcial, muito mais adequada para a pacificação social Inércia A jurisdição NÃO age por conta própria; ela PRECISA SER PROVOCADA pelo interessado. Definitividade A decisão judicial, após o esgotamento dos recursos, torna-se IMUTÁVEL e INDISCUTÍVEL. É o que chamamos de coisa julgada. Imperatividade As decisões do juiz são OBRIGATÓRIAS e COATIVAS. De nada adiantaria o Estado substituir as partes na solução dos conflitos de interesses, formulando uma decisão imutável, se não lhe fossem assegurados os meios necessários para que fossem cumpridas. Indelegabilidade A função jurisdicional SÓ PODE SER EXERCIDA PELO PODER JUDICIÁRIO, não podendo ser delegada. Investidura Só pode exercer a jurisdição quem foi regularmente INVESTIDO NO CARGO DE JUIZ. Unidade Pode parecer contraintuitivo falar em "unidade" quando olhamos para a estrutura do Poder Judiciário e vemos tantas divisões: Justiça Comum (Estadual e Federal) e Justiças Especiais (Trabalhista, Eleitoral e Militar). No entanto, o princípio da Unidade nos diz que, apesar dessa divisão orgânica, A FUNÇÃO JURISDICIONAL DO ESTADO É UNA E INDIVISÍVEL. A jurisdição é uma MANIFESTAÇÃO DA SOBERANIA DO ESTADO, um poder que não se fragmenta. Todas as diferentes varas e tribunais, independentemente de sua especialidade ou hierarquia, exercem a mesma função estatal de aplicar a lei para solucionar conflitos. Inafastabilidade a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça a direito (CF, art. 5º, XXXV). Mesmo que não haja lei que se possa aplicar, de forma específica, a determinado caso concreto, o juiz não se escusa de julgar invocando lacuna. Os Diferentes Resultados da Jurisdição: Os Tipos de Tutela A depender do que a pessoa precisa, a resposta do Estado (a tutela jurisdicional) pode ser de diferentes tipos. O processo é o instrumento para obter uma dessas tutelas: TUTELA DE COGNIÇÃO É quando se busca que o juiz DECLARE UM DIREITO. É o processo de "conhecimento", onde o juiz vai analisar quem tem razão. TUTELA DE EXECUÇÃO É quando já se tem um direito reconhecido (numa sentença ou num título como um cheque), mas a outra parte não cumpre. O objetivo é FORÇAR O CUMPRIMENTO TUTELA PROVISÓRIA (DE URGÊNCIA OU DE EVIDÊNCIA): É uma decisão rápida, no início ou no curso do processo, para EVITAR UM DANO IRREPARÁVEL (urgência) ou porque o direito é muito evidente Processo (MEIO PARA ALCANÇAR O DIREITO): O Processo é o instrumento por meio do qual a parte provoca a jurisdição e o Estado a exerce. É o caminho, o método composto por uma série de atos coordenados para se chegar a uma solução final. O processo não é um fim em si mesmo. Ninguém entra na justiça porque gosta do processo. Ele é apenas o meio para se alcançar um resultado: a proteção de um direito material que foi violado Princípios do processo Esses princípios são extraídos das regras processuais como um todo e seus cânones influenciam na solução de inúmeras questões legisladas ou não, quer na exegese emprestada a determinado dispositivo, quer na supressão de uma lacuna legal. FUX, Luiz, Curso de Direito Processual Civil (2021) Segundo Fux, os princípios processuais não são apenas normas técnicas: eles revelam a orientação política e filosófica do ordenamento jurídico. No Brasil, por exemplo, o CPC de 2015 foi fortemente influenciado por valores como efetividade, dignidade da pessoa humana, razoabilidade e acesso à justiça, todos com raízes constitucionais. 1. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Segundo Fux, o princípio do devido processo legal tem como um de seus fundamentos o processo “justo”, que é aquele adequado às necessidades de definição e realização dos direitos lesados. Para Fux, o acesso à justiça, para não ser apenas uma promessa formal, exige efetividade, que está diretamente ligada à duração razoável do processo (art. 5º, LXXVIII, CF). Satisfazer tardiamente o interesse da parte em face da sua pretensão significa violar o direito maior de acesso à justiça e, consectariamente, ao devido processo instrumental à jurisdição requerida Gonçalves divide o Devido Processo em dois tipos: Garante que o processo siga as regras e garantias estabelecidas em lei, como o contraditório e a ampla defesa. É o direito ao processo "justo", adequado às necessidades do caso concreto. Por exemplo, um direito evidente não pode ser submetido a um procedimento lento e demorado, pois isso seria um "indevido" processo. A tutela de urgência, portanto, não viola, mas confirma o devido processo legal. Devido Processo Legal Formal (ou Processual): Devido Processo Legal Substancial Funciona como um limite ao próprio poder do Estado de criar leis. As normas não podem ser arbitrárias ou desproporcionais; elas devem ser razoáveis e justas 2. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO Este princípio, também de status constitucional (art. 5º, LXXVIII), reflete a noção de que "justiça que tarda é injustiça manifesta". O CPC/2015 o consagra como um direito das partes (art. 4º) e um dever de todos os sujeitos do processo (art. 6º), incluindo a atividade de cumprimento da sentença (atividade satisfativa) 3. PRINCÍPIO DA BOA FÉ O Artigo 5º do CPC é categórico ao afirmar que "aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé". Mas o que isso significa na prática? Não se trata apenas da intenção do sujeito de agir de forma correta (boa-fé subjetiva), mas sim de um padrão de comportamento que se espera objetivamente de todos os envolvidos, incluindo as partes, seus advogados e o próprio juiz. É um dever de agir com lealdade, transparência e probidade, contribuindo para que o processo seja um ambiente de cooperação, e não um campo de batalha onde tudo é permitido. • Dever de veracidade: Expor os fatos em juízo conforme a verdade. Isso significa que as partes não podem alterar a verdade dos fatos intencionalmente para obter vantagem. • Dever de fundamento: Não formular pretensões ou apresentar defesas quando se sabe que são destituídas de fundamento. O processo não deve ser usado para aventuras jurídicas. • Dever de não praticar atos inúteis: Não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito. • Dever de cumprimento: Cumprir com exatidão as decisões judiciais (sejam provisórias ou finais) e não criar embaraços à sua efetivação. Este é um ponto crucial para a efetividade da justiça. • Dever de lealdade: Não praticar inovação ilegal no estado de fato do bem ou direito litigioso, ou seja, não alterar a situação fática para prejudicar a outra parte ou a análise do juiz. • Dever de cooperação e informação: Manter os dados cadastrais e endereços atualizados para receber as comunicações do processo VIOLAÇÃO: A quebra desses deveres não passa impune. A conduta desleal no processo é qualificada como litigância de má-fé. O Artigo 80 do CPC lista exemplos de condutas que se enquadram nessa categoria, como deduzir pretensão contra fato incontroverso, alterar a verdade dos fatos ou usar o processo para conseguir objetivo ilegal. Quando a litigância de má-fé é identificada, o juiz, de ofício ou a requerimento, condenará o litigante a pagar sanções. Boa-Fé Subjetiva: O Foco na Intenção A boa-fé subjetiva está relacionada ao estado psicológico do indivíduo. É uma análise do seu "mundo interior". Ela se preocupa com o que a pessoa sabe, acredita ou pretende. Boa-Fé Objetiva: O Foco no Comportamento A boa-fé objetiva, por outro lado, não se preocupa com a intenção ou o estado psicológico da pessoa. Em vez disso, ela estabelece um padrão de comportamento que se espera de todos em uma determinada relação jurídica, incluindo a processual 4. PRINCÍPIO DA ISONOMIA (OU DA IGUALDADE) Previsto no art. 5º, caput, da Constituição Federal, este princípio garante que todossão iguais perante a lei. No processo, isso significa que as partes devem receber tratamento igualitário. Contudo, a isonomia vai além da mera igualdade formal. Sob o aspecto processual, a isonomia revela-se pela necessidade de dar às partes tratamento igualitário em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais (art. 7º do CPC) • Isonomia Formal: Trata todos da mesma forma, ignorando suas diferenças. • Isonomia Real (ou Substancial): É a verdadeira isonomia. Consiste em tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, na medida de suas desigualdades Quando as pessoas estiverem em situação de igualdade, devem receber tratamento igualitário; mas quando forem diferentes, e estiverem em situação de desequilíbrio, isso deve ser considerado. Uma lei criará situações reais mais justas quando, constatando o desequilíbrio entre pessoas, favorecer as mais fracas, buscando aplainar as diferenças. 5. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Diretamente ligado ao devido processo legal, este princípio, previsto no art. 5º, LV, da Constituição Federal, garante aos litigantes o direito ao contraditório e à ampla defesa, com todos os meios e recursos inerentes. Do contraditório resultam duas exigências: a de se dar ciência aos réus, executados e interessados, da existência do processo, e aos litigantes de tudo o que nele se passa; e a de permitir-lhes que se manifestem, que apresentem suas razões, que se oponham à pretensão do adversário. Segundo GONÇALVES, o contraditório não é apenas uma “ação + reação”, o contraditório se desmembra em: • Direito de ser ouvido: As partes têm o direito de ter ciência de todos os atos do processo e a oportunidade de se manifestar sobre eles. Art. 9º/CPC: Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que esta seja previamente ouvida • Poder de influenciar a decisão: Não basta apenas "falar". O contraditório exige que as alegações das partes sejam levadas em consideração pelo juiz, que deve analisar os argumentos capazes de impactar sua decisão “O juiz tem de ouvir aquilo que os participantes do processo têm a dizer, e, para tanto, é preciso dar-lhes oportunidade de se manifestar e ciência do que se passa, pois, sem tal conhecimento, não terão condições adequadas para se manifestar” Exceção: O contraditório pode ser postergado (ou diferido), mas nunca eliminado. É o que ocorre nas tutelas provisórias de urgência (liminares), concedidas inaudita altera parte (sem ouvir a outra parte). A urgência justifica a decisão imediata, mas, logo após, o réu será citado e poderá se defender, exercendo plenamente seu direito. A Vedação à "Decisão-Surpresa" Uma das mais importantes manifestações da dimensão substancial do contraditório é a proibição da "decisão-surpresa", expressa no artigo 10 do Código de Processo Civil (CPC). Mesmo que o juiz conheça o direito (iura novit curia), ele não pode decidir com base em um fundamento jurídico que não tenha sido previamente debatido pelas partes 6. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES Este princípio é uma garantia fundamental em um Estado Democrático de Direito. Ele exige que todo e qualquer pronunciamento judicial com conteúdo decisório SEJA FUNDAMENTADO, SOB PENA DE NULIDADE O princípio está consagrado no artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal e é repetido no artigo 11 do CPC. Sua finalidade é múltipla: • Garantia para as Partes: Permite que os litigantes entendam as razões que levaram o juiz a decidir de determinada maneira, viabilizando o exercício do direito de recorrer de forma adequada. • Controle pelas Instâncias Superiores: A fundamentação é essencial para que os tribunais possam reexaminar a decisão e verificar se a lei foi corretamente aplicada. • Controle pela Sociedade: Sendo os atos processuais públicos, a motivação assegura a transparência da atividade jurisdicional, permitindo que a sociedade fiscalize o Poder Judiciário 7. PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE Este princípio é a pedra angular da função jurisdicional (pressuposto de validade). Ele garante que a solução do conflito será dada por um TERCEIRO DESINTERESSADO, que não tem vínculos com as partes ou com o objeto da lide (conflito), assegurando que sua decisão seja pautada unicamente pela lei e pelas provas dos autos. Sem imparcialidade, a própria ideia de justiça fica comprometida. A imparcialidade está intimamente ligada ao princípio do juiz natural, previsto na Constituição Federal em dois dispositivos: • "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente" (art. 5º, LIII). • "Não haverá juízo ou tribunal de exceção" (art. 5º, XXXVII). Isso significa que o juiz natural é aquele cuja competência para julgar uma causa é definida por regras pré-existentes e abstratas. Essa predeterminação impede a criação de tribunais específicos para julgar um caso já ocorrido e evita que as partes possam escolher o julgador que lhes pareça mais favorável. O juiz se coloca entre as partes e acima delas para desempenhar sua função. 8. PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Este princípio representa a possibilidade de que uma decisão judicial seja reexaminada por um órgão jurisdicional diferente e, em regra, hierarquicamente superior àquele que a proferiu A possibilidade de um reexame serve como um mecanismo de controle das decisões de primeiro grau, permitindo a correção de eventuais erros de fato ou de direito (errores in judicando e in procedendo). É uma forma de corrigir a "iniquidade ou imperícia dos julgadores" 9. PRINCÍPIO DISPOSITIVO Em sua essência, o princípio dispositivo estabelece que as partes são as donas do processo e do direito material discutido. O juiz, por sua vez, deve atuar de forma imparcial e reativa. Isso significa que o Judiciário só age quando provocado e deve se manter nos limites do que foi solicitado pelas partes. Neste sentido e, segundo GONÇALVES, podemos dizer quer O Princípio Dispositivo se manifesta em duas regras principais: 1. O processo só começa por iniciativa da parte (Princípio da Inércia). 2. A decisão do juiz fica limitada ao que foi pedido pela parte (Princípio da Congruência) 10. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS Este princípio traduz a ideia de que o processo é um meio (instrumento) para se atingir um fim (a justiça), e não um fim em si mesmo. As formas e os ritos processuais existem para garantir segurança e previsibilidade, mas não devem se sobrepor ao objetivo principal de solucionar o conflito de maneira justa e efetiva O princípio da instrumentalidade das formas estabelece que um ato processual, mesmo que praticado DE MODO DIFERENTE DO PREVISTO EM LEI, será considerado válido se atingir a sua finalidade essencial. Exemplo: A lei prevê uma série de formalidades para a citação do réu. O objetivo principal da citação é dar a ele ciência inequívoca de que existe um processo contra si, para que possa se defender. Imagine que a citação por carta foi entregue a uma pessoa errada, mas, de alguma forma, o réu tomou conhecimento do processo e apresentou sua contestação dentro do prazo. Nesse caso, mesmo que o ato de citação tenha sido viciado, ele atingiu sua finalidade, e o juiz não declarará sua nulidade, pois o réu compareceu e se defendeu IMPORTANTE: Uma consequência direta do princípio da instrumentalidade é a regra de que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief). Isso significa que o juiz só deve anular um ato processual irregular se essa irregularidade tiver causado um prejuízo concreto a uma das partes. Se a inobservância da forma não prejudicou a defesa nem os fins de justiça do processo, o ato será aproveitado. 11. PERSUASÃO RACIONAL DO JUIZ (LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO) O princípio da persuasão racional, ou do livre convencimento motivado, estabelece que ojuiz é livre para apreciar a prova, mas deve indicar na decisão as razões que formaram o seu convencimento Ação do processo Conforme já mencionado por Gonçalves, na Antiguidade não havia distinção entre o direito processual e o direito material. Confundia-se o direito de ação, com o direito civil, subjacente à propositura da demanda. Para exemplificar: se alguém tinha o seu direito de propriedade desrespeitado, e ia a juízo, entendia-se que, ao fazê-lo, apenas punha em movimento o seu direito de propriedade. Ou seja, o DIREITO DE AÇÃO não era autônomo, na época não havia o direito de ir a juízo para “exigir” uma resposta do poder judiciário. Aos poucos se foi percebendo que uma coisa é o direito material, que a lei nos assegura; outra, o direito de ir a juízo, para que o Poder Judiciário dê uma resposta a uma pretensão a ele levada. Assim, temos a ação, que para GONÇALVES é o mecanismo pelo qual se provoca o Judiciário a dar uma resposta, sendo essa resposta chamada de TUTELA JURISDICIONAL. Quem vai a juízo busca esse provimento, essa tutela. E provoca a jurisdição por meio da ação. É a partir daí que a máquina judiciária será movimentada, que se formará um processo, isto é, uma relação processual entre aqueles três personagens, que se desenvolverá por certo tempo, de acordo com o procedimento estabelecido em lei, sempre direcionado a que, ao final, o juiz possa decidir sobre a tutela jurisdicional postulada O autor divide a ação em dois tipos: 1) Ação em Sentido Amplo (Direito de Acesso à Justiça): Neste sentido, a ação é o direito subjetivo de acesso à justiça, ou o direito de demandar, uma garantia constitucional atribuída a todos, que visa obter do Poder Judiciário uma resposta a todas as pretensões que lhe forem dirigidas. Esta definição é incondicionada, o que significa que, mesmo que o postulante não preencha os requisitos formais (as chamadas "condições da ação"), ele ainda tem o direito a uma resposta fundamentada do Judiciário, qualquer que ela seja (positiva ou negativa). E quais são as condições da ação? A Teoria Eclética pressupõe que o direito de ação é condicionado. Embora o Código de Processo Civil de 2015 não use expressamente a nomenclatura "condições da ação", ele exige o preenchimento de requisitos para que o autor obtenha uma resolução de mérito. 1) Legitimidade ad causam (Legitimidade da Parte): A pertinência subjetiva para a demanda. O juiz não resolverá o mérito se verificar a ausência de legitimidade. Refere-se à pertinência das partes na relação jurídica. Em regra, apenas o titular do direito pode pedi-lo em juízo, e apenas contra quem tem o dever correspondente Exemplo: Apenas o credor (José) pode processar o devedor (Carlos) para cobrar uma dívida. Se um amigo de José tentar cobrar a dívida em nome próprio, o juiz extinguirá o processo por falta de legitimidade. 2) Interesse de Agir (Interesse Processual): Relaciona-se à utilidade e necessidade do provimento jurisdicional. Por exemplo, não cabe ação declaratória se não pairar dúvida objetiva e jurídica sobre a relação, para que o Judiciário não funcione como mero órgão de consulta. Necessidade: A necessidade de recorrer ao Judiciário para obter o bem desejado. Se a dívida ainda não venceu, não há necessidade de processo. Adequação: A via processual escolhida deve ser a correta para a pretensão. Por exemplo, não se pode usar um habeas corpus para cobrar uma dívida. 2.1) Possibilidade Jurídica do Pedido: Anteriormente tratada como condição autônoma, hoje foi absorvida pelo interesse de agir ou é considerada matéria de mérito, conforme a jurisprudência. A ausência dessas condições impede a análise do mérito e gera a carência de ação. Tais matérias são consideradas de ordem pública e podem ser conhecidas de ofício pelo juiz, razão pela qual a iniciativa oficial não afeta sua imparcialidade. 3) Ação em Sentido Estrito (Direito a uma Resposta de Mérito) Em um sentido mais específico, que interessa de perto ao DPC, a ação é o direito a obter uma resposta de mérito, que pode ser uma decisão positiva (acolhimento/procedência) ou negativa (rejeição/improcedência) a respeito da pretensão formulada. Para o autor, o direito de ação, conforme a doutrina majoritária, é conceituado como um direito subjetivo público, exercido contra o Estado. • É SUBJETIVO porque o titular do direito lesado tem a faculdade de exercê-lo ou não (o direito de ação contrapõe-se à inércia). • É PÚBLICO porque é dirigido contra o Estado (o sujeito passivo da relação de ação é o Estado) e serve para movimentar a máquina judiciária, que é, por natureza, inerte. O conteúdo desse direito é a atividade jurisdicional Elementos das ações Os elementos da ação são diferentes das condições da ação e funcionam como a "carteira de identidade" da demanda. Eles servem para identificar a ação e verificar se há litispendência, coisa julgada, conexão ou continência. Os três elementos são: 1. Partes (Sujeitos): As partes são os sujeitos do processo, os polos da relação jurídica processual. São as pessoas que pedem e contra quem se pede a tutela jurisdicional. • Autor (ou Demandante): É quem formula o pedido em juízo, quem provoca a atividade jurisdicional. É o titular do direito de ação. • Réu (ou Demandado): É a pessoa em face de quem o pedido é formulado. É quem é chamado a juízo para se defender da pretensão do autor. 2. Pedido: O pedido é o "o quê" da ação. É o objeto da ação, aquilo que o autor pretende obter com a tutela jurisdicional. É a manifestação da sua vontade, o bem da vida que ele almeja. O pedido também se subdivide em dois: • Pedido Imediato: Refere-se ao tipo de provimento jurisdicional que se busca. É o pedido de uma sentença (declaratória, constitutiva ou condenatória). O autor, no processo de conhecimento, pode pedir que o juiz condene o réu; que constitua ou desconstitua uma relação jurídica; que declare a sua existência. • Pedido Mediato: É o bem da vida propriamente dito, o resultado prático que o autor quer alcançar. Por exemplo, quando alguém entra com uma ação de cobrança, porque prestou um serviço, deverá postular a condenação do réu ao pagamento de determinada quantia. O pedido imediato é o provimento condenatório: o autor pretende que o réu seja condenado, e não apenas que, por exemplo, o juiz declare a existência do crédito. E o pedido mediato é o bem da vida, isto é, a quantia em dinheiro que ele pretende receber. Também o bem da vida deve ser identificado com clareza. 3. Causa de Pedir: Este é o coração da petição inicial, o "porquê" da ação. A causa de pedir é o conjunto de fatos e fundamentos jurídicos que sustentam o pedido do autor. O nosso Código de Processo Civil adota a Teoria da Substanciação, o que significa que o autor deve apresentar não apenas os fundamentos jurídicos, mas, obrigatoriamente, os fatos que deram origem ao seu direito. Classificação das ações A classificação mais importante das ações é feita com base na natureza da tutela jurisdicional que se busca, ou seja, no tipo de resposta que se espera do juiz. Nesse sentido, as ações se dividem em dois grandes grupos: Ações de Conhecimento e Ações de Execução. O que distingue cada uma delas? A atividade que o juiz é chamado a desempenhar. Nas de conhecimento, pede-se que ele profira uma sentença, na qual dirá se a razão está com o autor ou não, bem como se ele tem ou não direito ao provimento jurisdicional postulado. Nas de execução, o que se pede são providências concretas, materiais, destinadas à satisfação do direito. Não mais que o juiz, por meio de uma sentença, diga quem tem razão, mas que faça valer, por meios adequados, o direito ao seu respectivo titular. GRUPO 1: AÇÕES DE CONHECIMENTO (COGNITIVAS) São aquelas em que se busca uma tutela cognitiva, para que o juiz profira uma sentença de definição de direitos (acertamentoou certeza). 1. Ação Declaratória Conceito: O juízo declaratório é aquele do qual provém uma sentença que DECLARA A EXISTÊNCIA, A INEXISTÊNCIA OU O MODO DE SER DE UMA RELAÇÃO JURÍDICA, ou a autenticidade ou falsidade de um documento. O que se busca é uma CERTEZA JURÍDICA sobre algo que era fonte de dúvidas. Efeitos: A sentença declaratória NÃO IMPÕE OBRIGAÇÕES AOS LITIGANTES e, por isso, NÃO é título executivo. O legislador permite a ação meramente declaratória mesmo que já tenha ocorrido a violação do direito. Exemplo: Uma ação que visa a declaração de inexistência de débito ou a declaração de paternidade (tornando certa uma situação jurídica, sem compelir a um fazer ou pagar). 2. Ação Constitutiva Conceito: A finalidade da ação constitutiva é modificar (constituindo ou desconstituindo) uma relação jurídica, criando um estado jurídico distinto do anterior. Podem ser positivas (criam relações jurídicas) ou negativas (desconstituem relações). As ações constitutivas podem ser positivas ou negativas. As primeiras são as que criam relações jurídicas até então inexistentes; as segundas, as que as desconstituem. Efeitos: A sentença constitutiva NÃO visa à formação de um título executivo, mas sim à modificação de uma situação jurídica. Exemplo: As ações de divórcio ou de anulação de um negócio jurídico (visam desconstituir uma relação). 3. Ação Condenatória Conceito: Ação que visa à formação de um título executivo judicial, compelindo o réu ao cumprimento de uma obrigação inadimplida (de pagar, fazer, não fazer ou entregar coisa). Sua finalidade é proporcionar a sanção executiva. Efeitos: A sentença condenatória, transitada em julgado, transforma-se em título executivo judicial, iniciando-se a fase de cumprimento de sentença para a satisfação do direito. Exemplos: • Ação de Cobrança: Condena o réu a pagar uma quantia em dinheiro. • Ação de Reparação de Danos: Condena o responsável a indenizar a vítima pelos prejuízos causados. • Ação de Obrigação de Fazer: Condena o réu a realizar um serviço contratado, como a pintura de uma casa. Dentro das ações condenatórias, temos duas subespécies: • 3.1. Ação Mandamental São ações em que o comando judicial, além do conteúdo condenatório, encerra uma ordem (mandamento) que é efetivada na mesma relação processual de onde emergiu. Tanto a mandamental quanto a executiva lato sensu constituem espécies de ação condenatória. São ações mandamentais aquelas em que o juiz, ao condenar o réu, emite uma ordem, um comando, que permite, sem necessidade de um processo autônomo, tomar medidas concretas e efetivas, destinadas a proporcionar ao vencedor a efetiva satisfação de seu direito. Ou seja, a sentença contém uma ORDEM DIRETA DO JUIZ, cujo descumprimento pode configurar até mesmo crime de desobediência. A efetivação da ordem se dá no mesmo processo. Diferencial: Possui efetividade e unidade procedimental da cognição e da execução. O cumprimento da decisão mandamental ocorre em procedimento unitário (sincrético). O juiz emite uma ordem, e o cumprimento cabe ao devedor, cabendo ao juiz estabelecer medidas de pressão (como a astreinte, multa diária). Exemplo: Sentenças proferidas em mandado de segurança (que contêm um comando) e nas ações que tenham por objeto obrigações de fazer ou não fazer (arts. 497 e 498 do CPC) • 3.2. Ação Executiva Lato Sensu Conceito: São ações em que a sentença é cumprida independentemente de uma fase executiva autônoma. Diferencial: Diferentemente da mandamental (em que o cumprimento é do devedor sob coerção), na executiva lato sensu, se não houver cumprimento espontâneo, o próprio Estado o cumprirá no lugar do réu, geralmente mediante expedição de mandado (ato material). Exemplo: Ações possessórias (reintegração ou manutenção de posse) e ações de despejo. Proferida a sentença de procedência, o juiz determina a expedição do mandado para cumprimento imediato. Não se confunde a ação executiva lato sensu com a mandamental, porque nesta a determinação NÃO é cumprida por mandado judicial. Na mandamental, quem deve cumpri-la é o próprio devedor, cabendo ao juiz estabelecer medidas de pressão, ou determinar providências que assegurem resultado semelhante. Já nas executivas lato sensu, não havendo cumprimento espontâneo da obrigação, o próprio Estado a cumprirá no lugar do réu. Se o réu não devolve a coisa, é expedido mandado que a tira do poder deste, e a entrega ao autor. GRUPO B: AÇÕES DE EXECUÇÃO (SATISFATIVAS) As ações de execução (ou tutela jurisdicional de execução) visam a satisfazer e realizar no mundo prático o direito do sujeito ativo (o exequente). Diferencial: Nelas, não se busca a definição de direitos (cognição), mas sim a REALIZAÇÃO, baseada na exibição de um título executivo (judicial ou extrajudicial). A crise aqui é de inadimplemento, e não de acertamento do direito Se o processo de conhecimento resolve a "crise de certeza" sobre quem tem o direito, o processo de execução resolve a "crise de inadimplemento" (o devedor não cumpre espontaneamente). Título Executivo: O Requisito Fundamental Na execução, o Judiciário não é chamado a definir direitos (como na cognição), mas a realizá-los, mediante a exibição inicial e obrigatória do título executivo. O princípio que rege esta exigência é o Nulla executio sine titulo. Os títulos executivos dividem-se em duas categorias: Títulos Executivos Judiciais: Gerados dentro do processo (ex: decisões proferidas no processo civil, sentença arbitral, sentença estrangeira homologada). O cumprimento da sentença (título judicial) foi integrado ao processo de conhecimento no CPC/2015. Títulos Executivos Extrajudiciais: Criados fora do Judiciário (ex: letra de câmbio, nota promissória, documento particular assinado pelo devedor e duas testemunhas, instrumento de transação referendado por advogados, Defensoria Pública, etc.). A execução destes é chamada de Processo de Execução (Livro II da Parte Especial do CPC/2015).