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Ameaça e calúnia

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3. AMEAÇA 
Consiste em ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio 
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave. A ameaça atinge a liberdade do indivíduo, na 
medida em que a promessa da prática de um mal gera medo na vítima que passa a não 
agir conforme a sua livre vontade. 
 
3.1 Elementos do Tipo 
3.1.1 Ação Nuclear 
A conduta típica é ameaçar, ou seja, intimidar, anunciar ou prometer castigo ou malefício. 
Os meios de execução estão expressamente enunciados na lei: palavras, escritos, 
gestos, ou qualquer outro meio simbólico. Ademais, suas modalidades podem ser: 
➔ Direta: ao sujeito passivo ou seu patrimônio 
➔ Indireta: a terceira pessoa ligada a vítima 
➔ Explícita: manifestada de forma expressa e clara 
➔ Implícita: embora não seja expressa, pode ser compreendida pelo comportamento, 
gesto ou palavras do agente 
➔ Condicional: quando o mal prometido estiver na dependência de um 
acontecimento. Exemplo: se me denunciar, eu te mato. 
 
3.1.2 Sujeito Ativo 
Qualquer pessoa pode praticá-lo. 
 
3.1.3 Sujeito Passivo 
Pessoa física determinada que tenha capacidade de entender, e portanto, esteja sujeita a 
intimidação. Não pode ser sujeito passivo a pessoa jurídica, pois esta não tem liberdade 
psíquica a ser violada. Não podem ser sujeitos passivos as crianças, os loucos de todo o 
gênero, os enfermos mentais, pois não são passíveis de intimidação, uma vez que a 
ausência total da capacidade de entendimento os impede de avaliar a gravidade do mal 
prometido e, portanto, de se sentirem violados em sua liberdade psíquica. 
Nos casos em que a incapacidade de entendimento for total, haverá crime impossível pela 
absoluta impropriedade do objeto. 
3.2 Elemento Subjetivo 
É o dolo direto ou eventual, consistente na vontade livre e consciente de ameaçar e 
causar mal injusto e grave a alguém. Não é necessário que o agente queira concretizar o 
mal prometido, basta a vontade de ameaçar com um fim especial de agir. 
 
3.3 Momento Consumativo 
O delito consuma-se no momento em que a vítima toma conhecimento da ameaça, 
independentemente de sentir-se de fato ameaçada e de se concretizar o mal prenunciado. 
Embora seja crime formal, nada impede a produção do resultado naturalístico. 
 
3.4 Causa de Aumento de Pena 
O §1° da Lei n. 14.994/2024 determina que se o crime é cometido contra mulher por 
razões da condição do sexo feminino, aplica-se a pena em dobro. 
 
4. CALÚNIA 
4.1 Objeto Jurídico 
Tutela-se a honra objetiva (reputação), ou seja, aquilo que as pessoas pensam a respeito 
do indivíduo quanto às suas qualidades físicas, intelectuais, morais e outros. 
 
4.2 Elementos do Tipo 
4.2.1 Ação Nuclear 
Significa imputar falsamente fato definido como crime. O agente atribui a alguém a 
responsabilidade pela prática de um crime que não ocorreu ou que não foi por ele 
cometido. Os requisitos da calúnia são: imputação de fato + qualificado como crime + 
falsidade da imputação. A lei exige expressamente que o fato atribuído seja definido 
como crime. O fato criminoso deve ser determinado, ou seja, um caso concreto. 
 
4.2.3 Elemento Normativo do Tipo 
O elemento normativo está contido no termo “falsamente”. Não basta que a imputação 
seja de fato definida como crime, é necessário que seja falso. A falsidade pode se 
manifestar de duas formas: 
1. Fato que não ocorreu atribuído a vítima: por exemplo, dizer que alguém cometeu 
um furto quando isso não aconteceu. 
2. Autoria falsa: quando o fato ocorreu, mas a atribuição é errada, imputando a outro 
a autoria de um crime. 
 
4.2.4 Sujeito Ativo 
Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime de calúnia. Caluniador não é apenas o 
autor original da imputação, mas também quem a propala ou divulga. 
4.2.5 Sujeito Passivo 
O sujeito passivo da calúnia é quem sofre a imputação falsa de um fato definido como 
crime. A doutrina identifica diferente grupos: 
1. Doentes mentais e menores de 18 anos: 
➔ Honra objetiva: mesmo sendo inimputáveis penalmente, possuem 
reputação, que é protegida pelo direito. Portanto, podem ser sujeitos 
passivos de calúnia e difamação. 
➔ Injúria: só podem ser vítimas se tiverem condições de compreender a ofensa 
(honra subjetiva). 
2. Pessoas Jurídicas: 
➔ A pessoa jurídica pode ser sujeito ativo e passivo de crimes que sejam 
praticáveis por sua natureza (fraudes, crimes ambientais, contra a ordem 
econômica ou financeira). 
➔ Crimes que envolvem honra subjetiva, como injúria, não se aplicam às 
pessoas jurídicas, mas a difamação e a calúnia, quando referente a crimes 
praticáveis por ela, são possíveis. 
3. Desonrados: 
➔ Mesmo que a pessoa já tenha cometido crimes, novas imputações falsas 
configuram calúnia, pois sua reputação subsiste. 
4. Mortos: 
➔ Não podem ser sujeitos passivos; a ofensa recai sobre parentes próximos. 
 
4.3 Elemento Subjetivo 
É o dolo de dano, que consiste na vontade e consciência de caluniar alguém, 
atribuindo-lhe falsamente a prática de fato definido como crime. O dolo pode ser direto ou 
eventual na figura do caput e somente direto na figura do § 1º. Haverá o dolo eventual 
quando o agente, na dúvida, assumir o risco de fazer a imputação falsa. 
 
4.4 Momento Consumativo 
Se dá quando há publicidade (basta que uma pessoa tome conhecimento) para atingir a 
honra e reputação da pessoa. Se houver o consentimento do ofendido, inexiste o crime. 
 
4.5 Exceção da Verdade 
É o mecanismo pelo qual o agente acusado de calúnia pode se defender provando a 
veracidade do fato imputado. Logo, se o fato for verdadeiro, o elemento normativo 
“falsamente” está ausente, tornando a conduta atípica. 
 
 
 
5. DIFAMAÇÃO 
5.1 Objeto Jurídico 
Protege-se a honra objetiva, ou seja, a reputação, a boa fama do indivíduo no meio social. 
 
5.2 Elementos do Tipo 
5.2.1 Ação Nuclear 
O núcleo do tipo é o verbo difamar, que consiste em imputar a alguém fato ofensivo à 
reputação perante terceiros. Diferentemente da calúnia, não importa se o fato imputado é 
verdadeiro para a configuração do crime; portanto, em regra, não se admite a exceção da 
verdade, salvo quando a vítima é funcionário público e o fato imputado se relaciona ao 
exercício de suas funções, por interesse social na fiscalização de conduta pública. 
O fato imputado não deve ser crime, mas pode envolver contravenção penal ou fato 
ofensivo à reputação, devendo ser concreto e determinado. Imputações vagas ou 
genéricas não configuram difamação, por exemplo: “Carlos traiu seu partido político ao 
filiar-se ao partido oposicionista”. 
 
5.2.2 Sujeito Ativo 
Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime, inclusive quem propaga a difamação. 
 
5.2.3 Sujeito Passivo 
Qualquer pessoa pode ser, mas deve ser pessoa determinada. 
1. Inimputáveis: podem ser sujeitos passivos, pois a honra é inerente à personalidade 
humana. 
2. Pessoas jurídicas: podem ser sujeitos passivos, pois possuem reputação perante a 
sociedade, e fatos desabonadores podem causar dano significativo. 
3. Mortos: não é prevista pela lei; apenas a calúnia protege a honra dos mortos. 
4. Desonrados: podem ser sujeitos passivos, pois a honra permanece inerente à 
personalidade, mesmo que já tenha sido maculada no passado. 
 
5.3 Elemento Subjetivo 
É o dolo de dano, que possui vontade livre e consciente de difamar alguém, imputando 
fato ofensivo à sua reputação, podendo ser direto ou eventual. Não importa que o fato 
seja verdadeiro ou falso, pois mesmo que o agente tenha crença na veracidade da 
imputação o crime se configura, ao contrário da calúnia. 
 
5.4 Momento Consumativo 
Consuma-se no instante em que terceiro toma ciência da afirmação que mancha a 
reputação. É prescindível que várias pessoas tomem conhecimento da imputação. 
 
6. PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE 
6.1 Objeto Jurídico 
Tutela a saúde e a incolumidade física das pessoas. 
 
6.2 Elementos do Tipo 
6.2.1 Ação Nuclear 
A ação nuclear do tipo é praticar ato capazde produzir o contágio de moléstia grave. 
Trata-se de crime de ação livre. A contaminação pode dar-se por diversos meios: beijo, 
instrumentos, injeções, nada impedindo, contudo, a transmissão também pode se dar 
mediante relações sexuais ou atos libidinosos, desde que a moléstia não seja venérea. 
Pode caracterizar a conduta não só o emprego de meios diretos, como o contato físico, 
mas também indiretos, como o uso de utensílios pessoais previamente infectados. 
Essa moléstia há de ser contagiosa. São consideradas moléstias graves e contagiosas, 
por exemplo, a febre amarela, a tuberculose e a Aids. 
 
6.2.2 Sujeito Ativo 
Qualquer pessoa, homem ou mulher, contaminada de moléstia grave e contagiosa. 
 
6.2.3 Sujeito Passivo 
Qualquer pessoa, desde que não infectada com a mesma moléstia; do contrário será um 
crime impossível. 
 
6.3 Elemento Subjetivo 
Não basta a mera vontade de praticar o ato capaz de causar contágio; é necessário que o 
agente tenha um fim especial expresso no tipo legal, ou seja, “com o fim de transmitir a 
outrem a moléstia grave”. Trata-se de dolo direto de dano acrescido de fim especial, 
sendo inexistente o dolo eventual, pois se o agente apenas assume o risco, não há crime 
de transmissão intencional. 
 
 
 
6.4 Momento Consumativo 
Ocorre com a prática do ato capaz de produzir o contágio, aliada à intenção de transmitir 
a moléstia grave, independentemente de o contágio se efetivar. Trata-se, portanto, de 
crime formal, ou seja, não exige resultado material. Isto é, a consumação se dá com o ato 
+ intenção de transmitir. 
 
6.5 Culposa 
Não há forma culposa do delito. 
 
6.7 Concurso de Crimes 
Se, para além do potencial atingimento da vítima, o agente desejar a causação de uma 
epidemia, pode apresentar-se, em concurso, a figura do art. 267 (crime de perigo coletivo 
ou comum, pondo em risco um número indeterminado de vítimas). 
 
7. CONSTRANGIMENTO ILEGAL 
7.1 Objeto Jurídico 
O crime de constrangimento ilegal protege a liberdade pessoal, que é a liberdade de 
autodeterminação do indivíduo, abrangendo: liberdade de pensamento, liberdade de 
escolha, liberdade de vontade, liberdade de ação. Sendo protegido pelo artigo 5º, II, da 
Constituição Federal, em que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma 
coisa senão em virtude de lei. 
O seu objeto jurídico específico é a liberdade de autodeterminação do indivíduo, ou seja, 
sua capacidade de decidir e agir livremente, sem pressão ilegal. 
 
7.2 Elementos do Tipo 
7.2.1 Ação Nuclear 
O artigo 146 do CP prevê: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou 
depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não 
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Logo, o verbo nuclear é 
constranger, devendo a ação ser ilegítima, ou seja, o agente não tem direito de exigir 
determinado comportamento de alguém. 
 
 
 
 
7.2.2 Ação Física 
O Código Penal descreve três meios principais pelos quais o agente pode impor sua 
vontade sobre a vítima: violência, grave ameaça ou qualquer outro meio que reduza a 
capacidade de resistência. 
1. Coação mediante violência: 
● Direta ou imediata: aplicada diretamente sobre a vítima, como amarrá-la, 
amordaçá-la, aplicar choques ou gases. 
● Indireta ou mediata: aplicada sobre terceiros ou bens aos quais o coagido 
esteja vinculado, de modo que sua liberdade de ação fique limitada. 
Exemplos incluem ameaçar um filho ou confiscar muletas de uma pessoa 
com deficiência. 
● Se a violência for irresistível, o coagido não responde pelo ato que pratica, 
pois age sem vontade própria. 
● Se a violência for resistível, ambos podem ser responsabilizados: o coator 
como agravante e o coagido com atenuante. 
2. Coação mediante grave ameaça: 
● Trata-se de violência moral, quando o agente promete a prática de um mal 
relevante para intimidar a vítima. 
● Grave: apta a causar temor significativo. 
● Certa e verossímil: deve poder ser concretizada, não vaga ou improvável. 
● Iminente: prestes a acontecer, ainda que a vítima possa evitar o mal. 
● Pode ser direta ou indireta, e não exige presença física da vítima, podendo 
envolver terceiros. 
3. Qualquer outro meio que reduza a capacidade de resistência 
● Inclui métodos que diminuam a capacidade de resistência do ofendido, 
como: narcóticos, uso de álcool ou drogas que limitem a autonomia. 
 
7.2.3 Sujeito Ativo 
Pode ser praticado por qualquer pessoa. 
 
7.2.4 Sujeito Passivo 
O sujeito passivo é definido como qualquer pessoa física capaz de exercer sua vontade, 
ou seja, que tenha consciência de que sua liberdade de querer está sendo tolhida. 
1. Pessoas incapazes de serem sujeitos passivos: enfermos sem consciência, 
insanos, menores muito pequenos não podem ser vítimas, pois carecem da 
liberdade volitiva necessária para que o constrangimento se configure. 
2. Crianças e adolescentes: quando a vítima é menor sob autoridade, guarda ou 
vigilância, e submetida a vexame ou constrangimento, a conduta é regulada pelo 
ECA. 
3. Pessoas jurídicas: há divergência doutrinária. 
 
7.3 Elemento Subjetivo 
É o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade livre e consciente de constranger a 
vítima, mediante o emprego de violência ou grave ameaça. O dolo deve abranger o 
conhecimento da ilegitimidade da pretensão (o agente deve saber que não está 
autorizado pela lei a exigir determinado comportamento), o emprego dos meios coativos e 
o nexo de causalidade entre o constrangimento e a conduta do sujeito passivo. É 
necessário um fim especial de agir, que se consubstancia na vontade de obter a ação ou 
omissão indevida. 
 
7.4 Momento Consumativo 
O crime se consuma no momento em que a vítima faz ou deixa de fazer alguma coisa. 
Nada impede, contudo, que essa realização se dê apenas de forma parcial. 
 
7.5 Tentativa 
Por ser crime material, a tentativa é perfeitamente possível. Isso ocorre na hipótese em 
que o ofendido não se submete à vontade do agente, apesar da violência, grave ameaça 
ou qualquer outro meio empregado. 
 
8. OMISSÃO DE SOCORRO 
8.1 Objeto Jurídico 
O bem jurídico protegido é a vida e a saúde das pessoas, refletindo o dever de mútua 
assistência. Não se tutelam interesses patrimoniais, liberdade pessoal ou outros bens. 
 
8.2 Elementos do Tipo 
8.2.1 Ação Nuclear 
O crime se consuma de duas formas: 
1. Deixar de prestar assistência direta: quando possível fazê-lo sem risco pessoal. 
2. Não solicitar socorro à autoridade pública: quando o auxílio imediato não é 
possível, deve-se pedir ajuda a bombeiros, polícia ou serviço de emergência. A 
demora ou omissão configura o crime, exceto se houver risco pessoal. 
 
8.2.2 Sujeito Ativo 
Qualquer pessoa pode praticar o delito. Importante salientar que se várias pessoas 
observarem alguém em perigo e se omitirem, todas responderão pelo crime de omissão 
de socorro. Em contrapartida, se uma delas agir e afastar o perigo, não haverá delito por 
parte dos que nada fizeram. 
 
8.2.3 Sujeito Passivo 
Estão expressamente elencados no tipo: 
1. Criança abandonada: criança deixada ao desamparo por quem tinha dever de 
vigilância, de forma proposital. No crime de omissão de socorro a criança já se 
encontra em situação de abandono. 
2. Criança extraviada: criança que se perdeu e não sabe retornar à residência. 
3. Pessoa inválida: indivíduo incapaz de se defender sozinho, necessitando de 
auxílio ou amparo. 
4. Pessoa ferida: vítima de lesões corporais, sem necessidade de gravidade, devendo 
estar em desamparo, incapaz de se proteger ou buscar socorro. 
5. Pessoa em grave e iminente perigo: qualquer indivíduo em situação de risco sério 
e imediato à vida ou integridade física. 
 
8.2.4 Concurso de Pessoas 
1. Omissão em crime comissivo: o agente que tem dever de agir e se omite 
intencionalmente é partícipe. 
2. Participação em crime omissivo próprio: induzir ou instigar outro a omitir conduta.3. Coautoria em crime omissivo próprio: adesão voluntária de condutas; sem dolo, 
cada agente responde autonomamente. 
 
8.3 Elemento Subjetivo 
Trata-se do dolo de perigo, em que é a vontade consciente de não prestar assistência ou 
de não solicitar socorro à autoridade pública, ciente de que a vítima se encontra em 
situação de perigo. Admite´se o dolo direto ou eventual. 
Além disso, o agente não pode ser autor do delito se ele próprio provocou a situação de 
perigo, intencional ou culposamente. Nesses casos, há absorção da omissão pelo crime 
anterior: 
1. Dolo de homicídio seguido de omissão: o agente que intencionalmente tenta matar 
ou mata a vítima e depois não presta socorro responde apenas pelo homicídio. 
2. Dolo de lesão seguido de omissão: o agente que causa lesões intencionalmente e 
depois não presta socorro responde apenas pelo crime de lesões corporais. 
3. Homicídio ou lesão culposa seguido de omissão: se a conduta inicial for culposa, a 
omissão subsequente qualifica o crime, gerando homicídio culposo qualificado pela 
omissão ou lesão corporal culposa qualificada pela omissão. 
 
 8.4 Momento Consumativo 
A consumação ocorre no exato momento da abstenção do comportamento devido, 
independentemente da produção de qualquer resultado naturalístico. Então, o crime 
estará consumado se o agente deixou de dar assistência ou informar a autoridade pública 
sobre o risco, mas a vítima ferida sobreviveu. 
 
9. ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO 
9.1 Objeto Jurídico 
Tutela-se a vida e a saúde do recém-nascido; sua incolumidade pessoal. 
 
9.2 Elementos do Tipo 
9.2.1 Ação Nuclear 
O crime de exposição ou abandono de recém-nascido prevê como núcleo da conduta os 
verbos “expor” ou “abandonar”, ambos relacionados à privação de assistência ao neonato, 
deixando-o ao desamparo. 
 
9.2.2 Sujeito Ativo 
O sujeito ativo do crime de exposição ou abandono de recém-nascido é, segundo a lei e a 
doutrina majoritária, a mãe que concebeu fora do matrimônio, em situação de desonra 
própria, tais como: mãe solteira, mãe adúltera, mãe viúva que concebeu fora do 
casamento. Alguns autores admitem que o pai, ao abandonar o recém-nascido para 
ocultar incesto ou relação adulterina, possa ser sujeito ativo do delito, porém 
majoritariamente rejeitam tal entendimento, sustentando que o crime é próprio da mãe, 
pois a lei menciona a necessidade de proteger a “desonra própria”, o que não se aplicaria 
ao genitor masculino. Nessa linha, o pai que pratica conduta semelhante responderia pelo 
abandono de incapaz. 
O crime é cometido com o objetivo de salvaguardar a honra pessoal do agente, 
protegendo a reputação sexual e evitando que terceiros tomem conhecimento da 
concepção fora do matrimônio. 
 
8.2.3 Sujeito Passivo 
É o recém-nascido. 
 
8.3 Elemento Subjetivo 
O elemento subjetivo do crime de exposição ou abandono de recém-nascido é o dolo 
direto de perigo, que se compõe de dois aspectos: vontade e consciência de expor ou 
abandonar o neonato e o fim especial de agir para ocultar desonra própria, ou seja, 
preservar a honra da mãe que deu à luz fora do matrimônio. 
Não se admite dolo eventual, pois o tipo penal exige um fim específico. 
 
8.4 Momento Consumativo 
O crime se consuma com a exposição ou abandono, desde que haja perigo concreto para 
o recém-nascido. Trata-se de um crime instantâneo de efeitos permanentes, ou seja: 
1. Não se afasta a consumação se o agente temporariamente abandona o neonato e 
depois retoma sua guarda; o que importa é que a vida ou a saúde do infante tenha 
sido exposta a perigo. 
2. O crime não ocorre se o abandono for em local seguro, onde não haja risco real, 
nem se o agente apenas aguarda que terceiros recolham o recém-nascido. 
3. É possível aplicar o arrependimento posterior caso o agente se disponha a reparar 
a situação antes do resultado. 
 
8.5 Tentativa 
Sendo um crime de perigo, a tentativa é admissível, desde que se trate de modalidade 
comissiva, em que o agente inicie o iter criminis, mas o resultado de perigo não se 
concretize, seja por intervenção de terceiros ou por circunstâncias alheias à sua vontade.

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