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Geoprocessamento e a gestão pública Apresentação A gestão, de forma isolada, refere-se ao gerenciamento/administração, sendo que existe uma instituição/empresa/entidade social relacionada com a ela. Em relação à gestão pública, esta se refere ao modo como as autoridades e os governantes (sejam eles municipais, estaduais ou federais) cuidam dos bens públicos e da população. Os gestores públicos são responsáveis por organizar as finanças e aplicar o dinheiro em melhorias para a população nas mais diferentes áreas, como saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre tantas outras. Claro que, para isso, existem diferentes ferramentas/maneiras, e uma delas é por meio do geoprocessamento. Nesta Unidade de Aprendizagem, você compreenderá melhor como o geoprocessamento pode ser um grande aliado na gestão e na economia de municípios, estados e países. Além disso, você compreenderá quais são os maiores desafios relacionados aos mapeamentos, buscando uma gestão mais eficaz. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar a importância do geoprocessamento na gestão.• Descrever as aplicações práticas dos mapeamentos na economia de um município, estado ou país. • Identificar erros e deficiências em mapeamentos.• Infográfico Nos últimos anos, a gestão vem se tornando um tema central na formulação e na execução das políticas públicas brasileiras. A gestão pode ser vista como a forma/maneira como os governantes governam os municípios, os estados ou o país. O geoprocessamento é, cada vez mais, um aliado dos governantes, pois busca mapear os mais diversos problemas/desafios. Quando se sabe exatamente qual é o problema e o seu real tamanho, fica mais fácil de encontrar soluções plausíveis. Neste Infográfico, confira algumas aplicações de como o geoprocessamento pode auxiliar na gestão de municípios, estados e até mesmo do país. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Conteúdo do Livro O homem faz uso da cartografia desde o seu surgimento. Obviamente, os primeiros mapas eram apenas desenhos, visto que o conhecimento geográfico era limitado. Com a chegada do computador, foi possível realizar grandes descobertas em relação à geografia terrestre, principalmente após o homem pisar na Lua. Logo, pode-se dizer que os recursos tecnológicos foram fundamentais para promover o avanço da cartografia. Porém, apesar dos avanços tecnológicos na área do geoprocessamento, ainda existem algumas dificuldades/deficiências que precisam ser solucionadas. No capítulo Geoprocessamento e gestão pública, da obra Geoprocessamento, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você saberá mais sobre quais são essas dificuldades e como o homem vem trabalhando para tentar superá-las. Boa leitura. GEOPROCESSAMENTO Ronei Tiago Stein Geoprocessamento e gestão pública Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar a importância do geoprocessamento na gestão. � Descrever as aplicações práticas dos mapeamentos na economia de um município, estado ou país. � Identificar erros e deficiências em mapeamentos. Introdução O geoprocessamento consiste no conjunto de tecnologias de coleta, tratamento, manipulação e apresentação de informações espaciais. É um termo amplo, que engloba diversas técnicas, cada qual com funções específicas, como digitalização, conversão de dados, modelagem digital de terreno, processamento digital de imagens, dentre outros. O geoprocessamento é uma área de conhecimento que envolve disciplinas como cartografia, computação, geografia e estatística. Por envolver diferentes ciências, o geoprocessamento vem sendo utilizado em diferentes áreas, como no controle ambiental, na saúde (no controle de patologias), na gestão agrícola e na gestão urbana. Dessa forma, cada vez mais as cidades, os estados e os países vêm investindo nesse recurso. Neste capítulo, você vai compreender melhor como o geoprocessa- mento pode ser uma importante ferramenta no que se refere à gestão de diferentes áreas. Além disso, você vai verificar exemplos de como as autoridades vêm fazendo uso do mapeamento, visando a controlar gastos financeiros ou aumentar rendimentos. Por fim, serão apresentados alguns dos principais erros e deficiências que envolvem o mapeamento brasileiro. 1 Uso do geoprocessamento na gestão O termo “geografia” diz respeito à representação da Terra, enquanto “pro- cessamento” significa “andar avante”. Dessa forma, é possível dizer que o geoprocessamento se refere a implantar um processo que traga um progresso, um andar avante, na representação da Terra e do espaço. Não se trata somente de representar, mas de associar a esse ato um novo olhar sobre o espaço, um novo conhecimento, que é a informação (MOURA, 2014). De acordo com Ibrahin (2014), o geoprocessamento é um conjunto de métodos e ferramentas que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da in- formação geográfica, influenciando e proporcionando a análise de aspectos relacionados aos recursos naturais, ao transporte, às comunicações, à energia, ao planejamento urbano, entre outros. Para a manipulação de dados, o geoprocessamento utiliza um conjunto de técnicas e ferramentas ligadas à informação espacial, como: � topografia; � cartografia; � sensoriamento remoto; � sistemas de informações geográficas (SIGs); � sistema de posicionamento global (GPS). Logo, o georreferenciamento é utilizado em diferentes áreas, sendo, inclusive, utilizado para a gestão. Quando se fala em gestão, trata-se da gestão de cidades, do território, do meio ambiente, da economia, da logística e da qualidade de vida, abrangendo a forma como esses setores se estruturam, bem como suas deficiências e possibilidades de melhoria. Por meio do geor- referenciamento, é possível promover a gestão do território e a elaboração de políticas públicas, pois as ferramentas a ele relacionadas permitem responder a perguntas como onde e por que ocorrem determinados fenômenos e de que forma é possível atuar para saná-los (SILVA; LOPES, 2013). Cada vez mais o geoprocessamento vem sendo utilizado em diferentes áreas e setores. O Quadro 1 apresenta alguns exemplos de setores em que o georreferenciamento pode ser utilizado na gestão municipal. Geoprocessamento e gestão pública2 Fonte: Adaptado de Cavenaghi e Lima (2010). Secretaria do meio ambiente � Gerenciamento de áreas de proteção � Controle da hidrografia do município Secretaria de planejamento � Gerenciamento de rede de água e esgoto � Gerenciamento de rede de transportes � Planejamento do uso do solo no município Cadastro � Cadastro e controle de imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana � Gestão do zoneamento Secretaria de segurança � Gerenciamento de incêndios � Controle de ocorrências Serviços ao cidadão � Localização de serviços públicos � Localização de pontos turísticos � Acesso de mapas via web Quadro 1. Exemplos de como o georreferenciamento pode auxiliar na gestão municipal O geoprocessamento reúne diversas tecnologias de tratamento, manipula- ção, armazenamento, gerenciamento e análise de dados geográficos, como o sensoriamento remoto, o GPS e os SIGs, que têm sido bastante utilizados na área ambiental, na saúde e na agricultura, conforme descreve Ribeiro (2017). Nos últimos anos, houve um grande aumento do uso do georreferenciamento em questões ambientais. Isso ocorre porque o geoprocessamento instrumentaliza as decisões envolvendo o meio ambiente. Ele pode, por exemplo, indicar a escassez de água em uma determinada região geográfica, a pobreza do solo e a distribuição geográfica de recursos minerais, propriedades, animais e plantas. As informações adquiridas com o geoprocessamento poderão ser utili- zadas para a correta tomada de decisões sobre os problemas urbanos, ru- rais e ambientais, visando a umdesenvolvimento que não coloque em risco os sistemas naturais que sustentam a vida na Terra: a atmosfera, as águas, os solos e os seres vivos. Por exemplo, o geoprocessamento é um importante instrumento para o licenciamento ambiental. Este consiste em um proce- dimento administrativo pelo qual o órgão ambiental autoriza a localização, a instalação, a ampliação e a operação de empreendimentos e/ou atividades que utilizam recursos ambientais e que são considerados efetiva ou potencialmente 3Geoprocessamento e gestão pública poluidores, ou daqueles que, sob qualquer forma, possam dar causa a uma degradação ambiental (IBRAHIN, 2014). Na área da saúde, o uso do geoprocessamento, especialmente dos SIGs, facilita a integração de dados de diferentes fontes e formatos. Por meio de operações espaciais, os SIGs permitem o armazenamento e o gerenciamento dos dados por meio de um poderoso conjunto de ferramentas, que tem possi- bilitado a aplicação de métodos de análise relacionados à epidemiologia e à geografia da saúde. Trabalhos importantes têm sido desenvolvidos nas áreas de epidemiologia e saúde pública, explorando o padrão espacial da distribuição de doenças e seus fatores associados (RIBEIRO, 2017). Durante a pandemia mundial causada pelo covid-19, muitos governantes rastrearam os telefones celulares dos cidadãos. Dessa forma, foi possível analisar onde havia aglomeração de pessoas e, assim, criar mapas sociais, permitindo que as autoridades realizassem campanhas alertando sobre a importância de permanecer em casa no período de quarentena. Além disso, esse método possibilitava às autoridades verificar se o número de casos de covid-19 era maior nas áreas com maior aglomeração em relação a locais com menor circulação de pessoas. Cabe mencionar que não era possível obter dados com esse rastreamento — por exemplo, o nome de cidadãos. A agricultura também vem fazendo cada vez mais uso do georreferencia- mento. Um exemplo é a agricultura de precisão, que busca melhorar a gestão das propriedades agrícolas, bem como diminuir os desperdícios no campo e aumentar a produção/rentabilidade. A agricultura de precisão utiliza sistemas de monitoramento e une dados meteorológicos para auxiliar o agricultor no processo de avaliação das principais condições da produção. Esse trabalho é realizado por meio do acompanhamento das condições do tempo durante as várias fases da cultura, segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (c2020). A agricultura de precisão vem sendo considerada uma forma de agricultura inteligente e consiste em um sistema de manejo integrado de informações e tecnologias, que leva em conta a influência da variabilidade do espaço nos rendimentos dos cultivos. Ela visa ao gerenciamento mais detalhado do sistema de produção agrícola como um todo, não somente das aplicações de insumos ou de mapeamentos diversos, mas de todos os processos envolvidos Geoprocessamento e gestão pública4 na produção. Apesar de ser mais utilizada pelos grandes agricultores, hoje, a ideia da agricultura de precisão pode ser difundida também entre os médios e pequenos produtores, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (AUTOMAÇÃO..., [2020?]). Um exemplo de agricultura de precisão é a obtenção e a análise de dados precisos, coletados por meio de estações meteorológicas e sensores, que captam informações como: temperatura do ar, tempo de molhamento foliar, precipitação, umidade do solo, entre outros parâmetros. Dessa forma, reduzem-se as chances de prejuízos e desperdícios (como de sementes, adubos e fertilizantes) e aumentam-se as chances de melhorar a qualidade da produção e o seu retorno financeiro. 2 Aplicações práticas dos mapeamentos na economia de um município, estado ou país O geoprocessamento pode auxiliar tanto no planejamento como na gestão de uma cidade, um estado ou até um país. Segundo Moura (2014), o planeja- mento ocorre em maior escala temporal e espacial, enquanto a gestão traduz o acompanhamento da dinâmica urbana nos processos de transformação em menor escala. Segundo Souza (2002), planejar remete ao futuro, à compreensão e à previsão de processos, enquanto a gestão indica o presente e significa administrar uma situação. Ou seja, as técnicas de georreferenciamento permitem: [...] superar a visão parcial que o homem tem do mundo, através da capacidade de conhecer e acompanhar o movimento da natureza e da sociedade, e integrar as mais diversas fontes de informação, fornecendo as bases científicas para um novo plano de desenvolvimento urbano (FARINA, 2006, p. 2). No geoprocessamento, faz-se uso de ferramentas computacionais, os SIGs, que permitem realizar análises complexas, integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. 5Geoprocessamento e gestão pública A Figura 1 apresenta um esquema da utilização de um SIG; o processo inicia com as fontes de dados, que consistem em interpretações da realidade, uma vez que foram obtidas do mundo real. No SIG, ocorrem os processos de entrada de dados, gerenciamento de dados e armazenamento e análise de dados, que substituem os métodos tradicionais de tratamento de dados geográficos. A partir daí, são geradas informações, que, em sua forma mais usual, são produtos cartográficos, como mapas, gráficos e tabelas, que auxiliam ou dão subsídio aos usuários para uma tomada de decisão. Com o consenso na decisão escolhida, ela é então colocada em ação, agindo sobre o mundo real e eventualmente modificando-o, necessitando, então, de novas aquisições de dados de uma realidade diferente (HAMADA; GONÇALVES, 2007). Figura 1. Representação esquemática geral da utilização do sistema de informações geográficas. Fonte: Hamada e Gonçalves (2007, p. 14). Aquisição Análise Gerenciamento Usuários Entrada de dados Informações Ação Aquisição Análise Gerenciamento Usuários Entrada de dados Informações Ação Geoprocessamento e gestão pública6 Mas, como exatamente o georreferenciamento pode auxiliar a economia e a gestão de um município, estado ou país? Antes de mais nada, precisamos ter em mente que o georreferenciamento é realizado por uma equipe multidis- ciplinar, com engenheiros, geógrafos, biólogos, topógrafos, dentre outros, e o resultado do georreferenciamento (os mapas, por exemplo) pode ser utilizado por uma grande parcela de profissionais, como economistas, administradores, professores, entre inúmeros outros. Hamada e Gonçalves (2007) descrevem que, por meio dos SIGs, é possível realizar diferentes ações nas áreas apontadas a seguir. � Recursos naturais: realizar o manejo e a conservação dos recursos naturais, por meio de estudos de impacto ambiental, modelagem das águas subterrâneas e do caminhamento dos contaminantes, estudos das migrações e dos habitats das faunas, pesquisa do potencial mineral, etc. � Gestão das explorações agrícolas: cultivo de campo, manejo de irri- gação, avaliação do potencial agrícola da terra, etc. � Planejamento de áreas urbanas: planejamento dos transportes, desen- volvimento de plano de evacuação, localização dos acidentes, seleção dos itinerários, etc. � Gestão das instalações: localização de cabos e tubulações, planeja- mento e manutenção das instalações, etc. � Administração pública: gestão de cadastro, avaliação predial/terri- torial, gestão da qualidade das águas, conservação/manutenção das infraestruturas, planos de organização, etc. � Comércio: análise da estrutura de mercado, planejamento de desen- volvimento, análise da concorrência e das tendências de mercado, etc. � Saúde pública: epidemiologia, distribuição e evolução das doenças, distribuição dos serviços sociais sanitários, planos de emergência, etc. Uma das grandes contribuições do georreferenciamento é em relação ao plano diretor, o qual busca orientar a ocupação do solo urbano, dividindo as cidades por áreas. Ou seja, ele busca determinar qual área será destinada unicamente à construção de moradias,onde serão instaladas as indústrias (área industrial) e qual área será destinada à zona rural, conforme descrevem Abiko e Moraes (2009). Com isso, é possível controlar e organizar a ocupação do território, bem como criar medidas que visam a evitar a contaminação dos solos (SINGER, 2017). Além disso, o plano diretor para cidades litorâneas auxilia no uso e na ocupação da orla, garantindo o acesso à população e, principalmente, a preservação ambiental. 7Geoprocessamento e gestão pública Para facilitar a compreensão do uso do geoprocessamento na gestão pública, vamos analisar um exemplo. Imagine que o governo federal deseja saber a densidade de- mográfica por região. Dessa forma, o governo federal solicitará ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) a montagem de mapas demográficos. Esses mapas podem ser baseados nos últimos censos realizados ou, então, ser desenvolvidos a partir de um monitoramento dos sinais de aparelhos celulares, por exemplo. Com base nesses mapas, o governo poderá tomar decisões importantes, como realizar políticas públicas que busquem desenvolver áreas do interior, ou investir mais adequadamente os recursos financeiros em áreas como educação, saúde e segurança pública. Nem todos os municípios são obrigados por lei a possuírem o plano diretor. A Lei nº. 10.257, de 10 de julho de 2001 (BRASIL, 2001), em seu art. 41, apresenta a obrigato- riedade do plano diretor para municípios que: � possuem mais de 20 mil habitantes; � são integrantes de regiões metropolitanas; � têm áreas com interesse turístico; � estão situados em áreas de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental. Quando falamos de georreferenciamento e sua relação com a economia e a gestão territorial, não podemos deixar de falar do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o qual é definido e apresentado pela Lei nº. 12.651, de 25 de maio de 2012 (BRASIL, 2012). Jaguszewski, Gotuzzo e Condorelli (2014) descrevem o CAR como um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, que tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das áreas de preservação permanente, das áreas de reserva legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das áreas de uso restrito (pantanais e planícies pantaneiras) e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país. Geoprocessamento e gestão pública8 Ou seja, todas as propriedades rurais do país devem ter registro no CAR, um sistema on-line de cadastramento. Além de serem apresentados documentos (matrícula do imóvel, documentos pessoais), o produtor rural deve inserir um mapa georreferenciado de sua propriedade, apresentando as coordenadas geográficas, a quantidade de vegetação nativa, a localização da reserva legal, as áreas utilizadas para fins agrossilvopastoris, a identificação de recursos hídricos, dentre outros aspectos. Esse cadastro georreferenciado facilita o controle do desmatamento, bem como contribui para a análise do agronegócio brasileiro, sendo possível, por exemplo, identificar as grandes propriedades agrícolas (latifúndios) e as pequenas propriedades agrícolas (minifúndios). 3 Principais erros e deficiências em mapeamentos Os mapas são o resultado da cartografia, sendo uma representação gráfica, em geral na forma de uma superfície plana (bidimensional) e em uma deter- minada escala. Montar um mapa nem sempre é uma tarefa fácil. A Figura 2 apresenta os propósitos e as etapas para a produção de mapas. Figura 2. Propósitos e etapas da cartografia. Fonte: Adaptada de Menezes e Fernandes (2013). Cartogra�a Produção Avaliação Uso Educação e ensino Planejamento, projeto, criação, revisão, reprodução Acuracidade, completude, consistência lógica, aceitação, intercâmbio de informações Leitura, intepretação, análise, intercâmbio de informação Treinamento, estudos formais, estúdios informais, educação para crianças, escrita e leitura, apoio cartográ�co, história 9Geoprocessamento e gestão pública Um dos principais erros ou dificuldades na elaboração de mapas está na escala adotada. Tipicamente, os elementos de um mapa são representados em um tamanho menor do que o real. A escala do mapa é o que define o quanto menor a representação será. Por exemplo, uma escala 1:20.000 (chamada escala numérica) indica que o tamanho dos objetos na realidade é 20.000 vezes maior do que a sua representação no mapa. A escala gráfica possui, de acordo com Petersen, Sack e Gabler (2014), duas grandes vantagens: � facilita a determinação de distâncias no mapa, porque pode ser utilizada como régua para medições; e � é útil mesmo se o mapa for reduzido ou ampliado, porque a escala (no mapa) será alterada proporcionalmente. O mapa e a escala gráfica, entretanto, necessitam ser ampliados ou reduzidos na mesma proporção para que a escala gráfica seja precisa. Apesar dos enormes avanços tecnológicos que ocorreram nas últimas décadas, garantindo mapas mais confiáveis e com maior quantidade de infor- mações, ainda existem algumas limitações e deficiências nos mesmos. Essas limitações provavelmente são um dos maiores empecilhos no que se refere ao uso do mapeamento na gestão pública. Uma grande deficiência do mapeamento (principalmente no Brasil) é em relação à cartografia digital. De acordo com Menezes e Cruz ([20--?]), o mapeamento digital enfrenta dois problemas: � ausência de bases cartográficas digitais de referência, que forneçam o necessário suporte cartográfico aos diversos projetos de geoproces- samento; e � desconhecimento e despreparo em cartografia por parte das equipes que estão envolvidas com geoprocessamento. Geoprocessamento e gestão pública10 A base cartográfica brasileira é relativamente recente, se comparada a outros países. Enquanto países como Rússia e Estados Unidos e países da Europa iniciaram sua base cartográfica ainda na década de 1950, o Brasil começou a ter os primeiros mapas digitais de seu território na metade da década de 1980, por meio do Projeto Radambrasil. Nesse projeto, o exército, com auxílio de radares modernos, analisou todo o território nacional, visando a obter informações sobre biomas, recursos hídricos, topografia/relevo e geologia, principalmente. No Quadro 2, são apresentadas as vantagens e desvantagens da cartografia digital, de modo geral. Com a cartografia digital, é possível criar um banco de dados. Os mapas em formato digital podem ser salvos e compartilhados, fazendo com que as pessoas interessadas tenham acesso aos mesmos. Normalmente, cada país cria seu próprio banco de dados, e, apesar de algumas informações serem sigilosas, outras ficam em modo público, como vegetação, relevo, tipo de solo, hidrologia, entre outras. Uma grande ferramenta que pode auxiliar na aplicação do geoprocessa- mento na gestão pública é o Google Earth. Porém, as resoluções das imagens podem ser diversas. Enquanto nos centros urbanos as imagens normalmente são mais nítidas, áreas mais afastadas ou do interior não apresentam uma alta resolução, podendo comprometer o trabalho de georreferenciamento nessas áreas. Uma das maiores dificuldades do uso do Google Earth é que essa ferramenta não disponibiliza imagens em tempo real, sendo que, em algumas áreas/regiões, as imagens utilizadas são de 1 ou 2 anos atrás, o que dificulta o uso dessa ferramenta no que se refere à gestão pública em algumas áreas. 11Geoprocessamento e gestão pública Fonte: Adaptado de Filho (2000). Vantagens da cartografia digital Desvantagens da cartografia digital � Possibilidade de ressimbolização e fácil alteração � Experimentação de novas técnicas de visualização, novas projeções cartográficas e diferentes testes de representação � Aumento da produtividade � Possibilidade de ampliar a divulgação e o uso da informação geográfica pelas novas mídias digitais, sobretudo a internet � Emprego de algoritmos degeneralização, o que permite criar mapas de síntese regional � Possibilidade de avaliação dos resultados antes da impressão � Emprego em sistemas de informações geográficas � Revisão continuada da base de dados � Maior quantidade de informação pode ser representada � Derivação de outros temas a partir do processamento dos mapas digitais � Criação de mapas que são difíceis de realizar por métodos convencionais � Automação de rotinas repetitivas e criação de bibliotecas de símbolos � Escassez de mão de obra treinada � Exige pessoal mais qualificado � Mudança na rotina de trabalho, implicando investimento em treinamento e adaptação, o que requer um tempo de maturação até que esse novo método seja plenamente adotado � Maior investimento inicial, que pode ser superado com a maior produtividade � Necessidade de aprendizado continuado, uma vez que consiste em uma tecnologia em constante avanço � Geração de mapas de baixa qualidade, pois, com o uso de computadores pessoais, muitas pessoas se aventuram a produzir mapas sem que tenham um conhecimento mínimo necessário de cartografia Quadro 2. Vantagens e desvantagens da cartografia digital Geoprocessamento e gestão pública12 O Google Earth é uma ferramenta gratuita para o público em geral. Porém, esse aplicativo possui mais três versões pagas, cujas interfaces são mais rápidas, mais eficazes e com mais funções para auxiliar nas informações cartográficas. Para ter acesso a essas imagens, o governo (federal, estadual ou municipal) precisa pagar ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos (órgão que controla essas imagens), para que as mesmas sejam liberadas. Atualmente, o INPE e o IBGE são as duas instituições responsáveis por cuidar, organizar e ampliar a base cartográfica brasileira. O INPE (PERGUN- TAS..., c2017) atua em diferentes áreas, conforme descrito a seguir. � Ciências espaciais e atmosféricas: compreende a investigação física e química de fenômenos que ocorrem na atmosfera e no espaço exterior, de interesse para o país. � Engenharia espacial: desenvolvimento de sistemas e tecnologias espa- ciais destinadas a diversas aplicações, como a execução de projetos e a construção de satélites e sistemas de solo. � Observação da Terra: envolve o conhecimento científico e tecnológico nos campos de sensoriamento remoto e geoprocessamento, levantamento de recursos naturais e monitoramento do meio ambiente. � Previsão de tempo e clima: desenvolve pesquisas e atividades nos cam- pos das ciências meteorológicas, meteorologia por satélites, previsão de tempo e climatologia. � Ciência do sistema terrestre: voltada para a detecção e atribuição de causas das mudanças ambientais globais e regionais, a geração de cenários de mudanças ambientais globais e regionais e a avaliação de impactos nos sistemas socioeconômico e ambiental. � Infraestrutura do Programa Espacial: visa a atender às necessidades do Programa Espacial Brasileiro. 13Geoprocessamento e gestão pública No site do INPE, você pode consultar um histórico de imagens de satélite e mapas. As imagens são gratuitas, e o meio de envio padrão é por transferência de arquivos, via internet. Já o IBGE ([2020?]) possui as funções de: � produção e análise de informações estatísticas; � coordenação e consolidação das informações estatísticas; � produção e análise de informações geográficas; � coordenação e consolidação das informações geográficas; � estruturação e implantação de um sistema da informações ambientais; � documentação e disseminação de informações; � coordenação dos sistemas estatístico e cartográfico nacionais. O Brasil apresenta diferentes realidades, com regiões mais ricas e desen- volvidas em relação a outras. Logo, nem todas as cidades têm as mesmas condições financeiras, e isso pode ser uma barreira no que se refere ao uso do geoprocessamento na gestão pública. Montar mapas requer mão de obra especializada, sendo que as cidades mais vulneráveis financeiramente acabam não tendo condições de contratar esses profissionais, ou mesmo de contratar ou licitar empresas especializadas na elaboração de mapas. Além disso, não basta apenas mão de obra especializada para montar diferentes tipos de mapas, mas também profissionais que saibam interpretar os mapas, buscando encontrar soluções com a ajuda dos mesmos. Mesmo com algumas deficiências, a cartografia digital vem ganhando mais espaço, uma vez que a produção de mapas cresce proporcionalmente ao crescimento da população, de forma a atender seus interesses nos mais variados ramos de atividade. De modo geral, o objetivo da cartografia consiste em reunir e analisar dados das diversas regiões da Terra e representar graficamente, em escala reduzida, os elementos da configuração que possam ser claramente visíveis (ROSA, 2013). Mesmo que os mapas apresentem erros ou deficiências, eles estão sendo corrigidos cada vez mais rapidamente, principalmente devido ao avanço tecnológico, que garante maior rapidez na transmissão de dados. Geoprocessamento e gestão pública14 ABIKO, A.; MORAES, O. B. Desenvolvimento urbano sustentável. São Paulo: Escola Poli- técnica da USP – Departamento de Engenharia de Construção Civil, 2009. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4866123/mod_resource/content/0/ TT26DesUrbSustentavel.pdf. Acesso em: 12 jul. 2020. AUTOMAÇÃO e agricultura de precisão. In: EMBRAPA. Brasília, [2020?]. Disponível em: https://www.embrapa.br/tema-mecanizacao-e-agricultura-de-precisao/nota-tecnica. Acesso em: 12 jul. 2020. BRASIL. Lei nº 10.257, 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2001. 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No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Geoprocessamento e gestão pública16 Dica do Professor Para haver uma boa gestão pública, é fundamental que as autoridades façam uma análise espacial, a fim de tomar decisões mais assertivas, como, por exemplo, políticas que regulam o uso e a ocupação do espaço. Dessa forma, o SIG (Sistema de Informações Geográficas) se torna uma excelente ferramenta. Logo, fica impossível imaginar o futuro das políticas sem a aplicação de técnicas modernas de planejamento, sendo o geoprocessamento incluído nelas. A tecnologia de geoprocessamento permite a organização dos dados em bases de dados associadas às bases cartográficas, possibilitando aos diferentes agentes urbanos perceber o espaço com graus de detalhamento distintos. Nesta Dica do Professor, você saberá mais sobre a importância do geoprocessamento na gestão pública. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Exercícios 1) O geoprocessamento vem sendo cada vez mais utilizado do dia a dia, e isso inclui o uso na gestão pública. Apesar do uso crescente, ainda existem algumas limitações que acabam dificultando o uso do geoprocessamento. A respeito dessas limitações, considere as asserções a seguir: I - Uma das maiores dificuldades do Brasil é em relação à inexistência de um banco de dados digitais, o que dificulta o uso dessa ferramenta na gestão pública. II - O uso incorreto de escalas em mapas sempre foi um grande problema, porém, com o surgimento da cartografia digital, esse problema acabou sendo resolvido. III - Na década de 1980, o governo brasileiro investiu no geoprocessamento de todo o território nacional, analisando a geologia, a topografia, o relevo, entre outros, em um projeto conhecido como RADAMBRASIL, ponto de partida do geoprocessamento na gestão pública. IV - O geoprocessamento, muitas vezes, tem um custo elevado, o que acaba "assustando" o uso dessa ferramenta na gestão dos bens públicos. Assinale a alternativa que apresenta as asserções corretas: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) I, II e IV. E) III e IV. A equipe técnica do Ibama busca analisar se houve aumento do desmatamento ilegal em determinada área. Para isso, os técnicos resolveram: I - Fazer uso de imagens do Google Earth, podendo comparar imagens atuais com imagens do passado. Dessa forma: 2) II - Os técnicos poderão verificar os locais exatos onde o desmatamento está ocorrendo, pois terão acesso às coordenadas geográficas. Analise as duas asserções e assinale a alternativa correta: A) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I. B) A asserção I é uma proposição verdadeira e a asserção II é uma proposição falsa. C) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. D) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. E) As asserções I e II são proposições falsas. 3) O geoprocessamento reúne diversas tecnologias de tratamento, manipulação, armazenamento, gerenciamento e análise de dados geográficos. Logo, esses dados podem ser utilizados para melhorar a gestão pública. A seguir, são apresentadas diferentes atividades/áreas englobadas pela gestão pública: 1 - Controle da poluição ambiental 5 - Quantidade de alunos em uma escola 10 - Principais pontos de congestionamento no trânsito 15 - Locais onde o saneamento básico precisa ser melhorado 20 - Cadastro de propriedades rurais Quais são atividades que podem ser monitoradas pelo geoprocessamento? Assinale a alternativa que apresenta o somatório correto: A) 6. B) 16. C) 30. D) 35. E) 46. 4) Mapas podem ser definidos como representações de uma área real. No Brasil, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são responsáveis por cuidar e organizar a base cartográfica brasileira. A respeito da cartografia digital, considere as afirmativas a seguir: I - Mesmo muitos mapas estando em formato analógico (mapas impressos), é possível transformá-los em mapas digitais, fazendo uso do escaneamento, por exemplo. II - A falta de mão de obra especializada ainda é um grande desafio a ser superado, principalmente na cartografia digital. III - Uma grande limitação da cartografia digital é a inexistência de uma simbologia padrão, logo, muitos técnicos acabam fazendo uso de símbolos em mapas e não inserindo uma legenda, dificultando a interpretação deles. IV - Uma das maiores vantagens da cartografia digital é a melhora na interpretação deles, além de auxiliar o trabalho dos técnicos. Quais afirmativas estão corretas? A) I e II. B) I e III. C) I, II e IV. D) II, III e IV. E) I, II, III e IV. A fiscalização, o monitoramento e o controle de problemas podem ser muito melhorados quando a gestão pública (municipal, estadual ou federal) faz uso do geoprocessamento. Em relação ao geoprocessamento e à gestão pública, assinale V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas. ( ) Atualmente, apenas as grandes cidades/metrópoles fazem uso do geoprocessamento na gestão pública. ( ) Normalmente, o geoprocessamento é adotado na gestão territorial, dividindo as cidades em áreas/zonas, sendo confeccionados mapas de arruamentos. ( ) O Google Earth e o Waze são ferramentas do geoprocessamento, podendo, inclusive, ser utilizados na gestão pública. 5) ( ) A maior parcela das cidades não faz uso do geoprocessamento pelo fato de não haver legislações específicas que obriguem isso. Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta: A) V – V – V – F. B) F – V – V – F. C) V – F – F – V. D) F – F – V – V. E) V – F – F – F. Na prática O geoprocessamento integra o Sistema de Informações Geográficas (SIGs) e se baseia no trabalho a partir de imagens de satélite e fotografias aéreas, visando à produção de mapas e às representações cartográficas de modo geral. Logo, é possível dizer que o geoprocessamento é fruto das inovações tecnológicas, permitindo a manipulação de informações. O geoprocessamento auxilia na gestão pública,contribuindo para a fiscalização, o monitoramento e o controle de diferentes áreas/setores, como, por exemplo, nas questões ambientais. Porém, ainda existem algumas limitações/dificuldades em relação ao geoprocessamento. Na Prática, você irá conferir um exemplo prático dos principais erros/problemas que ocorrem no mapeamento e no geoprocessamento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Mapeamento digital: uma aproximação a partir do Waze O mapa tem a função de passar informações sobre uma determinada área ou região geográfica. Dentre as informações, estão a topografia, o relevo, a vegetação, entre várias outras. Cada vez mais, os mapas vêm se tornando digitais devido ao avanço tecnológico. Neste artigo, você saberá mais sobre o mapeamento digital. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. O uso do geoprocessamento como ferramenta de gestão municipal – estudo de caso: Município de Jesuânia/MG Fazer uso do geoprocessamento na gestão pública traz uma série de benefícios, como melhora na aplicação de recursos públicos e diminuição do desperdício. Acompanhe, a seguir, um exemplo prático de como o geoprocessamento pode ser utilizado na gestão municipal. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Cartografia para geoprocessamento: conceitos fundamentais sobre escala A escala errada em um mapa, além de tornar o mapa errôneo, poderá resultar em diversas consequências negativas, causando, inclusive, perdas financeiras. Neste vídeo, são apresentadas detalhadamente a importância e as formas de uso corretas da escala. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.