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PROFESSOR(A): LEO CASTRO
Crimes Contra a Pessoa e Contra o Patrimônio
Crimes Contra o Patrimônio: Apropriação 
Indébita; Estelionato e Outras Fraudes; 
Receptação e Disposições Gerais
Objetivo da Aula
O objetivo desta aula é aprofundar o conhecimento sobre os crimes contra o patrimônio 
previstos no Código Penal, abrangendo a análise das condutas de apropriação indébita, 
estelionato e outras fraudes, bem como a receptação. Além disso, serão discutidas as 
disposições gerais aplicáveis a esses delitos, com foco em suas peculiaridades, classificações 
e consequências jurídicas. A aula visa proporcionar uma compreensão detalhada das normas 
que protegem o patrimônio, de modo a garantir que o aluno consiga identificar as diferenças 
e semelhanças entre os crimes, além de entender as implicações penais de cada um.
Apresentação
Olá! Hoje abordaremos um tema de extrema importância no direito penal: os crimes 
contra o patrimônio. Esses crimes afetam diretamente a segurança jurídica, a estabilidade 
das relações econômicas e a proteção dos bens das pessoas e das instituições. Na aula 
de hoje, analisaremos as principais figuras típicas relacionadas ao patrimônio, focando a 
apropriação indébita, estelionato e outras fraudes, bem como o crime de receptação, 
além de discutir as disposições gerais que regem esses delitos.
Começaremos com a apropriação indébita, que ocorre quando uma pessoa, que possui 
legitimamente um bem, inverte a intenção de posse e passa a tratar esse bem como seu, 
rompendo com o dever de devolução. Esse delito envolve uma quebra de confiança e é 
agravado em determinadas situações, como no caso de bens confiados a agentes com 
responsabilidades especiais, como curadores ou síndicos.
Em seguida, trataremos do estelionato, que envolve a obtenção de vantagem ilícita por 
meio de fraude, engano ou ardil, induzindo a vítima ao erro para obter um benefício. Veremos 
as várias formas que esse crime pode assumir, como a emissão de cheque sem fundos 
ou as fraudes no comércio, e como o estelionato se adapta aos novos contextos digitais, 
como nas fraudes eletrônicas. Com a crescente digitalização da sociedade, o estelionato 
eletrônico se torna cada vez mais comum e perigoso, resultando em penas mais severas.
Livro Eletrônico
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Por fim, discutiremos a receptação, que é o crime cometido por quem adquire, recebe 
ou oculta um bem sabendo que ele é proveniente de crime. Trata-se de um delito acessório, 
mas com grande relevância, pois envolve a circulação de bens ilícitos. A receptação pode 
ocorrer de forma qualificada, quando praticada em contextos comerciais ou industriais, 
demonstrando a gravidade da conduta de integrar esses produtos ao mercado formal. 
Também veremos as disposições gerais, como as causas de isenção de pena em casos 
envolvendo parentesco, e as situações em que a pena pode ser aumentada, como em casos 
de receptação de bens públicos.
Ao longo da aula, vamos analisar as particularidades de cada um desses crimes, 
compreendendo como o Código Penal busca proteger o patrimônio individual e coletivo, 
bem como as consequências legais para quem comete esses delitos. Ao final, espera-se 
que todos estejam aptos a identificar e diferenciar essas figuras criminais e a aplicar os 
conhecimentos nas situações práticas. Vamos em frente!
1. Apropriação Indébita
A apropriação indébita, conforme tipificada no artigo 168 do Código Penal, consiste 
em apropriar-se de coisa alheia móvel de que o agente tem a posse ou a detenção. Para 
a caracterização desse crime, é necessário que a posse da coisa seja legítima, ou seja, 
o bem foi entregue ao agente de forma voluntária pelo proprietário ou por terceiro. O 
agente, posteriormente, inverte seu ânimo em relação ao objeto, comportando-se como 
se fosse o proprietário. Este crime é classificado como crime doloso, comum e material, 
não admitindo forma culposa, o que significa que exige a intenção deliberada de o agente 
se apoderar da coisa.
A consumação da apropriação indébita ocorre no momento em que o agente, possuidor 
ou detentor da coisa, deixa de reconhecer a obrigação de devolvê-la e passa a tratá-la 
como sua. A doutrina destaca que o ânimo de assenhoreamento definitivo (animus rem sibi 
habendi) é essencial para a configuração do delito, não sendo suficiente a mera detenção 
temporária ou o uso momentâneo do bem. Nesse sentido, a apropriação indébita difere de 
outros crimes patrimoniais, como o furto e o estelionato, que possuem requisitos distintos 
para sua consumação.
O § 1º do artigo 168 prevê hipóteses de aumento de pena, quando o agente recebe a coisa 
em determinadas condições que envolvem maior grau de confiança ou responsabilidade. 
A pena será aumentada de um terço se a coisa for recebida em depósito necessário, ou 
na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou 
depositário judicial ou ainda em razão de ofício, emprego ou profissão. Nessas situações, 
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a posição de confiança do agente em relação ao bem justifica a maior gravidade do crime 
e a elevação da pena.
A tentativa de apropriação indébita é admitida apenas na modalidade “própria”, ou 
seja, quando o agente realiza atos preparatórios que não se completam na apropriação 
efetiva do bem. No entanto, na chamada apropriação negativa de restituição, em que o 
agente se recusa a devolver o bem, o crime é considerado unissubsistente, consumando-
se no momento da recusa. Nessa modalidade, a tentativa é juridicamente impossível, pois, 
ou o agente devolve a coisa — e o fato será atípico —, ou se recusa, consumando o delito.
A apropriação indébita é considerada um crime de médio potencial ofensivo e, em alguns 
casos, pode ser aplicado o instituto do arrependimento posterior, previsto no artigo 16 
do Código Penal. Se o agente, voluntariamente, repara o dano ou devolve a coisa antes do 
recebimento da denúncia, a punibilidade pode ser extinta. Contudo, essa medida depende 
da avaliação judicial, que levará em conta as circunstâncias do caso concreto e a motivação 
do agente ao restituir o bem.
O princípio da insignificância também pode ser aplicado em crimes de apropriação 
indébita, desde que o valor da coisa apropriada seja ínfimo e a conduta não tenha causado 
um prejuízo significativo ao patrimônio da vítima. A aplicação desse princípio resulta na 
atipicidade do fato, afastando a incidência do direito penal. Entretanto, a jurisprudência 
ressalva que a reincidência ou a existência de maus antecedentes podem impedir a aplicação 
do princípio da insignificância, uma vez que essas circunstâncias demonstram maior 
periculosidade na conduta do agente.
A apropriação indébita previdenciária, por sua vez, possui características especiais 
previstas no artigo 168-A do Código Penal. Trata-se de crime praticado por quem deixa 
de repassar as contribuições recolhidas dos segurados à Previdência Social. A lei prevê, 
ainda, a possibilidade de concessão de perdão judicial se o agente for primário e de bons 
antecedentes, e se o valor da contribuição não for significativo. Nesse caso, o pequeno 
valor e a primariedade do agente permitem um tratamento penal mais brando, como a 
extinção da punibilidade.
Por fim, a competência para o processamento e julgamento do crime de apropriação 
indébita será do local onde o bem foi apropriado. A jurisprudência estabelece que a 
consumação ocorre no local onde o agente inverte o domínio da coisa, passando a dispor 
dela como proprietário. Caso o crime seja praticado por funcionário público, o tipo penal 
a ser aplicadoserá o de peculato-apropriação, desde que a coisa apropriada esteja sob a 
guarda ou custódia da administração pública.
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2. Estelionato e Outras Fraudes
O estelionato, tipificado no artigo 171 do Código Penal, é o crime de obtenção de 
vantagem ilícita em prejuízo alheio, mediante o uso de fraude, ardil ou qualquer outro 
meio enganoso. Para que o estelionato se configure, é necessário que a conduta do agente 
induza ou mantenha a vítima em erro, levando-a a realizar um ato que cause prejuízo ao 
seu patrimônio. O tipo penal exige que o agente atue com dolo específico, ou seja, com a 
intenção clara de obter essa vantagem, e que o prejuízo seja efetivamente causado à vítima.
A fraude, elemento essencial do estelionato, pode assumir diversas formas, como 
o uso de artifícios, mentiras ou promessas falsas, que levam a vítima a agir de maneira 
prejudicial a seus próprios interesses. Entre as modalidades de fraude descritas no Código 
Penal, está a venda de coisa alheia como própria, na qual o agente engana a vítima sobre a 
titularidade do bem. Outra forma de estelionato ocorre quando o agente aliena ou onera 
fraudulentamente um bem próprio, ocultando que está gravado com ônus, é litigioso ou 
inalienável.
Além do estelionato propriamente dito, o Código Penal prevê outras formas de fraude 
que são equiparadas ao estelionato. Entre elas, destaca-se a defraudação de penhor, que 
ocorre quando o agente, de maneira não consentida pelo credor, aliena ou manipula o 
objeto empenhado. Essa modalidade de fraude busca proteger os direitos do credor em 
operações de penhor, garantindo a segurança da transação e prevenindo atos que possam 
comprometer o valor da garantia.
A fraude na entrega de coisa também é considerada uma forma de estelionato, ocorrendo 
quando o agente altera a substância, qualidade ou quantidade de um bem que deve ser 
entregue. Esse tipo de fraude é comum em relações comerciais, quando o fornecedor entrega 
ao consumidor um produto diverso ou de qualidade inferior àquela acordada, causando 
prejuízo econômico. Nessa situação, o prejuízo não se limita à vítima individual, mas pode 
impactar a confiança no mercado.
O Código Penal ainda prevê como forma de estelionato a fraude para recebimento de 
indenização ou seguro. Nesse caso, o agente destrói, total ou parcialmente, bens próprios, ou 
simula danos à própria saúde, com o intuito de obter compensações financeiras indevidas. 
Essa modalidade de fraude é particularmente grave porque visa a obtenção de recursos 
que deveriam ser destinados a situações legítimas de perda ou dano, o que sobrecarrega 
o sistema de seguros e pode elevar os custos para todos os segurados.
Outra modalidade específica de estelionato é a emissão de cheque sem provisão de 
fundos, que consiste em emitir um cheque sabendo que não há recursos suficientes na 
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conta para honrar o pagamento. Embora o cheque seja, em tese, uma ordem de pagamento 
à vista, o uso fraudulento desse instrumento financeiro configura crime patrimonial, pois 
induz o credor ao erro, acreditando que receberá o valor devido.
Com o avanço da tecnologia, surgiram novas formas de fraude, como o estelionato 
eletrônico, inserido no Código Penal por meio da Lei n. 14.155/2021. Esse crime ocorre 
quando o agente utiliza informações fornecidas pela vítima ou por terceiros induzidos a 
erro por meio de redes sociais, e-mails ou contatos telefônicos fraudulentos. A pena para 
essa modalidade de estelionato é mais severa, variando de quatro a oito anos de reclusão, 
devido à ampla abrangência e ao impacto social dessas fraudes.
Ainda no campo das fraudes eletrônicas, o Código Penal prevê o aumento da pena 
em até dois terços quando o crime é cometido mediante o uso de servidor mantido fora 
do território nacional. Essa circunstância agravante se deve à dificuldade de investigar e 
punir crimes transnacionais, que envolvem a utilização de servidores localizados em países 
estrangeiros, dificultando a ação das autoridades brasileiras.
Outra categoria relevante de fraudes é o crime de duplicata simulada, previsto no artigo 
172 do Código Penal, que ocorre quando o agente emite uma fatura, duplicata ou nota de 
venda que não corresponde à mercadoria vendida ou ao serviço prestado. Esse crime visa 
proteger a confiança nas operações comerciais e impedir a circulação de títulos falsificados, 
que podem causar graves prejuízos tanto para compradores quanto para instituições 
financeiras que realizam operações de desconto de duplicatas.
No contexto de fraudes envolvendo menores ou pessoas incapazes, o artigo 173 do 
Código Penal trata do abuso de incapazes. Nesse crime, o agente se aproveita da necessidade, 
paixão ou inexperiência de um menor ou da alienação mental de outra pessoa, induzindo-a 
a praticar atos suscetíveis de produzir efeitos jurídicos em prejuízo próprio ou de terceiros. 
A pena é aumentada em razão da vulnerabilidade das vítimas, que não possuem plena 
capacidade de discernimento para proteger seus interesses.
A fraude no comércio, prevista no artigo 175, é outro exemplo de crime contra o patrimônio 
que visa a proteção da boa-fé nas relações comerciais. Esse crime se configura quando o 
comerciante engana o consumidor, vendendo como verdadeiro um produto falsificado 
ou deteriorado ou entregando mercadorias diferentes daquelas acordadas. A fraude no 
comércio compromete a confiança do consumidor e pode causar danos à reputação dos 
negócios envolvidos.
Ainda no âmbito comercial, no artigo 178, o Código Penal trata da emissão irregular 
de conhecimento de depósito ou “warrant”. Esse crime ocorre quando o agente emite um 
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título representativo de mercadoria armazenada em desacordo com as disposições legais, 
causando prejuízo ao detentor do título. A emissão irregular de documentos que garantem 
a propriedade ou a posse de mercadorias afeta gravemente o comércio e a credibilidade 
dos sistemas de depósito e financiamento.
Por fim, o crime de fraude à execução, previsto no artigo 179, é caracterizado pela 
alienação, desvio, destruição ou ocultação de bens sujeitos à execução judicial ou pela 
simulação de dívidas. Nesse caso, o objetivo do agente é impedir ou dificultar a satisfação 
do crédito de um credor, burlando o processo judicial. Esse tipo de fraude é especialmente 
prejudicial ao sistema de justiça, pois compromete a efetividade das decisões judiciais e a 
recuperação de créditos devidos.
Em resumo, o Código Penal brasileiro contempla diversas formas de fraudes, todas com 
o objetivo comum de proteger o patrimônio das pessoas e das instituições contra condutas 
desleais e enganosas. O estelionato é a figura central dessas infrações, mas outras fraudes 
patrimoniais, como a duplicata simulada, o abuso de incapazes e a fraude à execução, 
também são punidas rigorosamente, evidenciando a preocupação do legislador em garantir 
a integridade das relações econômicas e jurídicas.
3. Receptação e Disposições Gerais
O artigo 183-A do Código Penal, incluído pela Lei n. 14.967/2024,é uma das 
disposições gerais dos crimes contra o patrimônio. Ele estabelece que, nos crimes 
cometidos contra instituições financeiras e prestadores de serviços de segurança 
privada, conforme previsto no Estatuto da Segurança Privada, as penas podem 
ser aumentadas de um terço até o dobro. Essa regra visa reforçar a proteção do 
patrimônio dessas instituições, aplicando sanções mais severas para garantir maior 
segurança financeira e patrimonial.
O crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal, caracteriza-se pela 
aquisição, recebimento, transporte, condução ou ocultação de coisa que o agente sabe 
ser produto de crime, bem como por influenciar para que terceiro, de boa-fé, adquira ou 
receba tal objeto. Trata-se de um crime acessório, ou seja, depende da existência de um 
crime anterior que tenha gerado o objeto ilícito. A pena cominada é a de reclusão de um a 
quatro anos, além de multa.
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A receptação pode ser qualificada, nos termos do § 1º do artigo 180, quando ocorre 
no exercício de atividade comercial ou industrial, elevando a pena para três a oito anos de 
reclusão, além de multa. Esse dispositivo visa punir com maior rigor aqueles que, utilizando-se 
de sua posição comercial ou industrial, disseminam produtos ilícitos no mercado, contribuindo 
de maneira mais direta para a perpetuação de práticas criminosas.
Outro aspecto relevante é a chamada receptação culposa, prevista no § 3º, que ocorre 
quando o agente, sem dolo, adquire ou recebe coisa que, por sua natureza, pela desproporção 
entre o valor e o preço ou pela condição de quem a oferece, deveria presumir-se obtida 
por meio criminoso. A pena cominada nesse caso é de detenção de um mês a um ano, ou 
multa, o que revela um tratamento mais brando para situações em que não há a intenção 
deliberada de colaborar com o crime.
A autonomia do crime de receptação é destacada pelo § 4º do artigo 180, que determina 
que a receptação é punível mesmo que o autor do crime antecedente seja desconhecido 
ou tenha sua punibilidade extinta. Isso reforça a independência do delito de receptação 
em relação ao crime anterior, sendo suficiente a comprovação de que o objeto provém de 
ato criminoso.
O § 6º do artigo 180 prevê uma causa de aumento de pena, aplicável em dobro, quando 
a receptação envolve bens pertencentes ao patrimônio da União, Estados, Distrito Federal, 
Municípios ou autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia 
mista ou concessionárias de serviços públicos. Essa previsão visa proteger o patrimônio 
público de práticas criminosas que envolvam a receptação de bens ilícitos.
A receptação pode ser ainda privilegiada, de acordo com o § 5º, nas hipóteses em que 
o agente é primário e a coisa receptada é de pequeno valor. Nesses casos, o juiz pode 
substituir a pena de reclusão por detenção, diminuir a pena de um terço a dois terços ou 
aplicar apenas a pena de multa, revelando um tratamento diferenciado para aqueles que, 
sem antecedentes criminais, se envolvem em delitos de menor gravidade.
Nas disposições gerais do capítulo VIII, o artigo 181 do Código Penal prevê que é isento de 
pena aquele que comete crimes previstos nesse título em prejuízo do cônjuge, na constância 
da sociedade conjugal, ou de ascendentes ou descendentes, seja o parentesco legítimo ou 
ilegítimo. O objetivo dessa previsão é proteger o núcleo familiar de conflitos que possam 
desencadear a utilização do sistema penal como forma de vingança ou retaliação.
Contudo, o artigo 183 estabelece que essa isenção de pena não se aplica quando o crime 
for de roubo ou extorsão ou quando houver emprego de grave ameaça ou violência contra a 
pessoa, bem como ao estranho que participe do crime. Essa exceção reforça a gravidade de 
tais condutas, mesmo quando cometidas no âmbito familiar, demonstrando a necessidade 
de proteção penal em casos mais violentos ou ameaçadores.
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Considerações Finais da Aula
Concluímos nossa aula de hoje com uma visão abrangente e detalhada sobre os crimes 
contra o patrimônio, especialmente a apropriação indébita, o estelionato e a receptação. 
Esses delitos, embora diferentes em suas formas e elementos, compartilham o objetivo 
comum de proteger a integridade do patrimônio alheio, preservando a confiança nas relações 
interpessoais e econômicas.
A apropriação indébita se distingue por envolver uma inversão da posse legítima, 
rompendo a confiança originalmente estabelecida entre o proprietário e o agente. O 
estelionato, por sua vez, se caracteriza pela utilização de fraude e engano para causar 
prejuízo patrimonial à vítima, com diversas modalidades que se adaptam às novas realidades 
tecnológicas, como o estelionato eletrônico. Já a receptação revela a importância de se 
combater a disseminação de produtos ilícitos no mercado, punindo tanto os que adquirem 
bens provenientes de crime quanto os que integram esses bens no comércio formal.
Esses crimes reforçam a relevância do direito penal como mecanismo de controle 
social e de proteção do patrimônio, garantindo que a ordem econômica e as relações de 
confiança sejam mantidas. O Código Penal busca, por meio da tipificação dessas condutas e 
da previsão de penas, desestimular comportamentos ilícitos e punir aqueles que prejudicam 
o patrimônio de outrem.
Ao encerrar essa reflexão, é importante destacar a necessidade de uma análise criteriosa 
de cada caso concreto, levando em consideração não apenas a tipificação legal, mas 
também os princípios que norteiam o direito penal, como o da insignificância e o do 
arrependimento posterior, que podem, em determinados casos, atenuar ou até excluir 
a responsabilidade penal.
Por fim, entendemos que a proteção ao patrimônio vai além de uma questão puramente 
legal; é também um reflexo dos valores sociais que prezam pela justiça, pela confiança e 
pelo respeito aos bens alheios. Esperamos que, com essa aula, você tenha consolidado seus 
conhecimentos sobre o tema e esteja apto a aplicá-los de forma crítica e responsável na 
prática jurídica.
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Material Complementar
 
Código Penal Comentado
2023, Mauricio Schaun Jalil, Vicente Greco Filho.
A obra Código Penal Comentado: Doutrina e Jurisprudência chega a sua 6ª edição, con-
sagrada como referência de clareza, abrangência e rigor técnico no estudo do direito 
penal brasileiro. Sob a coordenação dos Professores Mauricio Schaun Jalil e Vicente 
Greco Filho, um elenco de renomados penalistas — juízes, procuradores, advogados e 
professores — uniu sua experiência para oferecer ao leitor uma análise aprofundada de 
cada um dos dispositivos do Código Penal, considerando as mais recentes atualizações 
e seus desdobramentos. A metodologia dos comentários confere à obra a profundida-
de necessária para atender não só aos profissionais do direito como aos estudantes da 
graduação e da pós-graduação. Todos os autores lastreiam sua análise na mais relevante 
doutrina nacional e estrangeira e na jurisprudência recente dos principais tribunais do 
país, sempre visando oferecer ao leitor interpretação segura econsistente da norma 
penal brasileira.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788520464953. 
Acesso em: 20 ago. 2024.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: 
seção 1, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 ago. 2024.
BRASIL. Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da 
União, dez. 1940. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del-
2848compilado.htm. Acesso em: 20 ago. 2024.
BRASIL. Lei n. 14.994, de 9 de outubro de 2024. Altera o Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 (Código Penal), o Decreto-Lei n. 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei 
das Contravenções Penais), a Lei n. 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Pe-
nal), a Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990 (Lei dos Crimes Hediondos), a Lei n. 11.340, de 
7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) e o Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 
1941 (Código de Processo Penal), para tornar o feminicídio crime autônomo, agravar a 
sua pena e a de outros crimes praticados contra a mulher por razões da condição do sexo 
feminino, bem como para estabelecer outras medidas destinadas a prevenir e coibir a 
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788520464953
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
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Professor(a): Leo Castro
violência praticada contra a mulher.. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2024. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14994.htm. Acesso 
em: 26 nov. 2024.
BRASIL. Lei n. 14.967, de 9 setembro de 2024. Institui o Estatuto da Segurança Privada e 
da Segurança das Instituições Financeiras; altera a Lei n. 10.826, de 22 de dezembro de 
2003 (Estatuto do Desarmamento), a Lei n. 10.446, de 8 de maio de 2002, a Lei n. 10.637, 
de 30 de dezembro de 2002, a Lei n. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o Decreto-
-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); revoga a Lei n. 7.102, de 20 de 
junho de 1983, a Lei n. 8.863, de 28 de março de 1994, e dispositivos da Lei n. 11.718, 
de 20 de junho de 2008, da Lei n. 9.017, de 30 de março de 1995, e da Medida Provisória 
n. 2.184-23, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário Oficial da União: 
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GRECO, Rogério. Curso de direito penal, v. 1: artigos 1º a 120 do Código Penal. Rio 
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distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14994.htm
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2024/lei-14967-9-setembro-2024-796214-publicacaooriginal-172963-pl.html
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2024/lei-14967-9-setembro-2024-796214-publicacaooriginal-172963-pl.html
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788553622696
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9786559649228
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	Panorama Geral dos Crimes em Espécie
	Crimes Contra a Pessoa: Crimes Contra a Vida; Lesões Corporais; Periclitação da Vida e da Saúde
	Crimes Contra a Pessoa: Rixa; Crimes Contra a Honra; Crimes Contra a Liberdade Individual
	Crimes Contra o Patrimônio: Furto; Roubo e Extorsão; Usurpação e Dano
	Crimes Contra o Patrimônio: Apropriação Indébita; Estelionato e Outras Fraudes; Receptação e Disposições Gerais

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