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PERÍODO
COLONIAL II
Ciclo do ouro
e
Revoltas
Coloniais
Após a saída dos holandeses de terras brasileiras, em 1654, e posterior produção de cana-
de-açúcar nas Antilhas, Portugal não consegue competir no mercado, derrubando o lucro
extraído do produto e levando ao que chamamos de declínio da economia açucareira no
Brasil.
Durante a União Ibérica (1580 - 1640), a
fronteira entre as Américas Portuguesa e
Espanhola - estabelecida pelo Tratado de
Tordesilhas - deixou de ter validade.
Isso permitiu aos senhores de engenho e
colonos portugueses que conseguissem
expandir seus domínios para dentro do
continente.
Mesmo após a Restauração Portuguesa e o
fim da União Ibérica, essa expansão do
território português se manteve - formando
grande parte do que hoje é o território do
Brasil.
A exploração do interior do território da América Portuguesa já havia se dado desde o início
da colonização no século XVI, inicialmente de maneira oficial, conduzida pelas próprias
autoridades portuguesas nas chamadas "Entradas" - expedições que buscavam apenas mapear
o interior da colônia e se atinham à linha traçada pelo Tratado de Tordesilhas.
PRIMEIRAS BANDEIRAS
No entanto, a partir de 1580 - com o início
da União Ibérica e o fim da divisão entre
as Américas Portuguesa e Espanhola -, tais
expedições para o interior passam a se dar
de maneira mais frequente e agora
também extraoficial: organizadas não
apenas por autoridades da Coroa, mas
também pelos próprios colonos e
latifundiários locais.
Divisão
territorial do
Tratado de
Tordesilhas,
que deixa de
ter validade
após 1580.
Estas novas explorações são impulsionadas principalmente pela capitania de São Vicente, que,
em virtude de sua posição geográfica, se encontra desfavorecida no comércio de escravos para
trabalharem nos latifúndios açucareiros. Em função disso, expedições passam a ser
organizadas para o interior a fim de capturar indígenas do território para substituir os
africanos como mão-de-obra escrava.
PRIMEIRAS BANDEIRAS
A partir de 1630, com o domínio holandês sobre o tráfico de escravos da África para o
Nordeste brasileiro - e a consequente escassez ainda maior de escravizados - há uma explosão
no número destas expedições, agora chamadas de "Bandeiras".
A partir de 1640, com o fim da União Ibérica, os bandeirantes paulistas são empregados pela
Coroa portuguesa para ajudar na expulsão dos holandeses e na posterior destruição dos
quilombos no Nordeste.
Tendo perdido suas minas de ouro na África do Sul, Portugal
envia para o Brasil (São Paulo), em 1580, mineradores e
forjadores, a fim de ensinar aos colonos como procurar e
reconhecer o minério.
PRIMEIRAS BANDEIRAS
Em 1670, o Rei de Portugal solicita ao bandeirante Fernão Dias
Paes Leme (famoso caçador de indígenas) que se aventure no
interior da colônia em busca de possível ouro e pedras
preciosas, em troca de títulos e posse da região explorada.
Após a morte de Fernão Dias em 1681, seu genro, Borba
Gato, continua a busca pelo ouro. Após alguns conflitos
com emissários portugueses, Borba Gato finalmente
encontra as pedras preciosas em 1691, na região da atual
Sabará, Minas Gerais.
Fernão Dias Paes Leme
Borba Gato
O período da exploração do ouro no Brasil foi o período de maior envolvimento na colônia
por parte de Portugal, visto que as riquezas descobertas agora em muito interessavam à
Coroa Portuguesa.
INÍCIO DA EXPLORAÇÃO DO OURO (SÉC. XVII - SÉC. XVIII)
Como recompensa por ter encontrado as pedras, Borba Gato recebe o título de "Guarda-Mor
das Minas" por parte de Portugal, e, sob essa autoridade, começa a distribuir "datas" (lotes de
terra de pequeno tamanho), que poderiam ser distribuídas a qualquer um que se dispusesse
a minerar (muitos senhores de escravos levam sua mão-de-obra para a região).
São estabelecidas as chamadas Casas de
Fundição, nas quais o ouro extraído era marcado
com o selo real português, para atestar que seu
imposto já havia sido recolhido. Quando desvios
eram descobertos, a punição por parte da Coroa
era severa.
Com a notícia do achado de ouro no interior do território, uma verdadeira Corrida do Ouro
passa a ter início, com milhares de pessoas se precipitando e migrando para o interior de
Minas Gerais, em busca do metal precioso.
INÍCIO DA EXPLORAÇÃO DO OURO (SÉC. XVII - SÉC. XVIII)
Conforme as décadas se passam, a exploração do ouro passa a ser gerida pela Coroa
Portuguesa, que cobra pesados impostos sobre os minérios obtidos - visto que, da
perspectiva portuguesa, o ouro explorado na colônia era, por direito, de sua propriedade.
Quinto: taxa de 20% sobre todo o ouro retirado das minas.
Capitação: imposto pago pelos senhores e mineradores por cada escravo que trabalhava
na mineração.
Derrama: quota de 1.500 quilos de ouro a serem pagos anualmente à Coroa (imposta
posteriormente).
Dentre os impostos cobrados pelos portugueses ao longo do Ciclo do Ouro na colônia, se
destacavam:
A exploração do ouro trouxe um enorme desenvolvimento econômico nas áreas exploradas,
com um crescimento excepcional do fluxo de mercadorias e pessoas na região. Surge um
comércio agrícola no entorno das minas, para alimentar as pessoas que ali trabalhavam,
bem como o surgimento de pequenas manufaturas.
MUDANÇAS NA ECONOMIA DA COLÔNIA (SÉC. XVIII)
Conforme a riqueza da região aumentava, o centro econômico da colônia foi transferido do
Nordeste - onde estava durante o Ciclo do Açúcar - para o Sul/Sudeste. Há o surgimento de
uma nova classe letrada ("classe média") de mineradores recém-endinheirados, que passam
a mandar seus filhos para estudarem nas universidades de Portugal.
Além disso, na mesma época, também com o
objetivo de melhor fiscalizar e controlar o
processo de mineração, em 1763, a capital do
Brasil é transferida por Portugal, de
Salvador para o Rio de Janeiro.
Durante o este período de crescimento econômico colonial, acompanhado por maior
controle e exploração da colônia por parte de Portugal, passaram a eclodir diversas revoltas
e rebeliões por parte dos colonos contra o regime colonial imposto pelos portugueses.
REVOLTAS COLONIAIS
Estas revoltas foram divididas em duas principais categorias:
- Revoltas Nativistas, que tinham como motivação fatores econômicos e sociais (como
conflito entre os "filhos da terra" e os reinóis, imigrantes portugueses) mas não
necessariamente apresentavam uma vontade de ruptura com a dominação colonial
Portuguesa;
- Revoltas Separatistas, que lutavam pela independência dos territórios brasileiros em
relação a Portugal, baseados na autodeterminação dos povos e motivados por questões
políticas, econômicas, religiosas ou culturais.
REVOLTAS COLONIAIS
Revolta de Beckman (1684): ocorrida no Maranhão, liderada pelos irmãos Manuel e
Tomás Beckman, motivada pelo monopólio português sobre o comércio da região, bem
como a proibição da "preação" (tomada) de escravos indígenas por parte dos jesuítas.
Guerra dos Emboabas (1707 - 1709): confronto entre os bandeirantes paulistas e as
autoridades portuguesas (chamados de "emboabas" pelos paulistas), logo depois dos
primeiros achados do ouro em Minas Gerais, pelo direito da mineração. Terminou com
a vitória dos portugueses e o massacre dos paulistas.
Guerra dos Mascates (1710 - 1711): ocorrida em Pernambuco, ocasionada pela crise do
açúcar, lutado entre comerciantes de Recife e Olinda. Eventualmente é sufocado pela
Coroa Portuguesa.
Revolta de Felipe dos Santos (1720): Movimento de comerciantes e mineradores de Vila
Rica (atual Ouro Preto), contra a tributação abusiva portuguesa sobre o ouro. Terminou
com o massacre dos revoltosos e Filipe dos Santos, condenado à morte.
Dentre as Revoltas Nativistas, destacam-se:
REVOLTAS COLONIAIS
Conjuração Mineira (1789): elite mineradora de Minas Gerais, revoltada com os altos
impostos e taxas cobrados pela Coroa ("derrama"), e inspirados pelos ideais iluministas
da Revolução Francesa e da Independência dos EUA, dá início à uma conspiração para
acabar com o domínio português e proclamar uma república em Minas Gerais(não no
Brasil inteiro). O movimento é traído por um de seus líderes (Joaquim Silvério dos Reis),
e os líderes do movimento são presos pelos portugueses.
Dentre as Revoltas Emancipacionistas, destacam-se:
O alferes (segundo-tenente) Joaquim José da
Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes",
assume toda a responsabilidade pelo evento,
a fim de libertar seus companheiros, sendo
condenado à forca e esquartejado pelas
autoridades da Coroa.
Tiradentes
REVOLTAS COLONIAIS
Conjuração Baiana (1798-1799): revolta de comerciantes e profissionais baianos,
também insatisfeitos com a administração portuguesa, especialmente depois da
transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro; igualmente aos mineiros, os
conspiradores também buscavam a independência da Bahia e a criação de uma
república, porém diferentemente do movimento em MG, a Conjuração Baiana teve um
caráter muito mais popular e igualitário, tendo a participação de muitos ex-escravos.
Dentre as Revoltas Emancipacionistas, destacam-se:
Um dos líderes do movimento foi o médico
Cipriano Barata, Após a prisão de alguns dos
conjurados, os líderes do movimento foram
delatados e presos pelos portugueses; alguns foram
condenados à morte e decapitados, enquanto os
escravos e mulatos receberam chibatadas em praça
pública.Cipriano Barata