Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Autoria:
Alexsandra de Matos Gil
MERCADO FINANCEIROMERCADO FINANCEIRO
ReitoR:
Prof. Cláudio ferreira Bastos
Pró-reitor administrativo financeiro:
Prof. rafael raBelo Bastos
Pró-reitor de relações institucionais:
Prof. Cláudio raBelo Bastos
Pró-reitor acadêmico:
Prof. HerBert Gomes martins
direção ead:
Prof. riCardo ZamBrano Júnior
coordenação ead:
Profa. luCiana rodriGues ramos
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por 
quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a autori-
zação escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do 
que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria.
expediente
Ficha técnica
autoria: 
alexsandra de matos Gil
suPervisão de Produção ead:
franCisCo Cleuson do nasCimento alves
designer instrucional:
Jasson matias Pedrosa /
antonio Carlos vieira
Projeto gráfico e diagramação:
franCisCo erBínio alves rodriGues
tratamento de imagens e caPa:
franCisCo erBínio alves rodriGues
revisão textual:
Claudiene BraGa
Ficha catalogRáFica
catalogação na publicação
biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu
GIL, Alexsandra de Matos. Mercado Financeiro. / Alexsandra de Matos Gil. – Fortaleza: 
Centro Universitário Ateneu, 2018.
108 p. 
ISBN: 978-85-5468-032-9
1. Finanças empresariais. 2. Mercado financeiro. 3. Capitais e ações. 4. Mercado cambial. 
I. Centro Universitário Ateneu. II. Título.
Prezado(a) estudante, é com imensa satisfação que apresentamos 
o material didático direcionado aos estudantes de nível superior. Ao ler 
e estudar por este material, você ampliará sua compreensão acerca do 
comportamento do mercado financeiro, bem como da assistência aos in-
vestimentos e os resultados inerentes aos riscos e retornos empresariais, 
proporcionando assim contribuições monetárias satisfatórias no cenário 
moderno vivenciado pelos gestores financeiros.
O material está dividido em quatro temas. Nele, você encontrará 
o embasamento teórico e as noções práticas referentes às bases fun-
cionais dos mercados financeiros: empresas de capital aberto, ações, 
bolsa de valores, intermediadores financeiros, aplicações, risco e re-
torno de investimentos. 
Em resumo, passaremos os conhecimentos que lhe ajudarão no 
processo de estudo deste módulo em Gestão Financeira e, assim, possi-
bilitarão uma boa verificação de seus conhecimentos atuantes dos Mer-
cados Financeiros, auxiliando a vocês, gestores, numa proposta eficaz, 
eficiente e relevante na alavancagem corporativa empresarial.
Sabemos da impossibilidade de findar todo o assunto nesta 
produção. Desse modo, você deverá pesquisar em outras fontes para 
aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado(a) sobre os 
temas estudados aqui, estando, assim, apto(a) a se submeter à ava-
liação do curso.
Então,vamos lá! Bons estudos!
Alexsandra de Matos Gil
Seja bem-vindo!
SU
M
Á
R
IO
NOÇÕES PRELIMINARES NO ESTUDO DE FINANÇAS 
EMPRESARIAIS
1. Moeda, Mercados e Segmentação 
do Mercado Financeiro ..................................................... 8
2. Processo de informação no Gerenciamento das 
Finanças ................................................................................... 12
2.1. Investidores e Decisões de Investimentos ................................12
2.2. Relação entre Risco e Retorno ..............................................................13
2.3. Administração de Carteira .........................................................................15
3. Instituições e Intermediadores Financeiros ............ 17
3.1. Principais intervenientes no Mercado Financeiro ..............18
4. Sociedades Anônimas: Legislação Básica, Estrutura 
e seu Papel no Desenvolvimento do País ................. 20
4.1. Noções de Ação: espécies, formas e classes; 
Direitos do Acionista .......................................................................................21
4.2. Abertura do capital de uma Sociedade Anônima .........23
MERCADO FINANCEIRO E MERCADO MONETÁRIO
1. Mercado Financeiro ..........................................................28
2. Divisão do Mercado Financeiro em Segmentos ......32
3. Noções básicas dos tipos de investimentos no 
Mercado Financeiro .......................................................... 34
3.1. Principais papéis negociados no Mercado 
Financeiro ...................................................................................................................36
4. Mercado Monetário ..........................................................37
4.1. Tipos de títulos do Mercado Monetário .....................................39
4.2. Diferença entre o Mercado Monetário 
e o de Capitais .....................................................................................................46
SU
M
Á
R
IO
MERCADO DE CRÉDITO, MERCADO DE CAPITAIS E 
MERCADO DE AÇÕES
1. Mercado de Crédito ........................................................ 50
1.1. Créditos para Pessoas Físicas .................................................................51
1.2. Créditos para Pessoas Jurídicas .........................................................52
1.3. Diferença entre Mercado de Crédito e
 Mercado de Capitais .......................................................................................55
2. Mercado de Capitais .........................................................55
2.1. Mercado de Renda Fixa ..............................................................................57
2.2. Mercado de Renda Variável ..................................................................64
3. Mercado de Ações ............................................................ 66
3.1. Bolsa de Valores ..................................................................................................67
3.2. Administração das Ações: rentabilidade, 
risco e liquidez ..........................................................................................................71
MERCADO CAMBIAL, MERCADO DE DERIVATIVOS E 
GOVERNANÇA CORPORATIVA
1. Mercado Cambial ................................................................78
1.1. Regime Cambial ..................................................................................................79
1.2. Taxas de Câmbio .................................................................................................81
1.3. Investimento em Câmbio ..........................................................................83
1.4. Negociação em Mercado de Câmbio no Brasil ...............84
2. Mercado de Derivativos ..................................................85
2.1. Principais produtos do Mercado de Derivativos ..............85
2.2. Participantes do Mercado de Derivativos ................................88
2.3. Tipos de Mercado de Derivativos .....................................................88
3. Governança Corporativa ................................................ 94
3.1. Níveis e Indicadores de Governança .............................................97
3.2. Câmara de Arbitragem do Mercado – CAM .......................99
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 7777
CAPÍTULO 04
meRcado cambial, meRcado de 
deRivativos e goveRnança coRpoRativa
Apresentação
Este último capítulo trata dos mercados cambiais, mercado 
onde ocorrem transações envolvendo investimentos em moedas 
diferentes das aplicáveis no país de sede das organizações. Abor-
daremos os tipos de câmbios, bem como regimes de câmbio, taxas 
de câmbio e tipos de investimento em câmbio, sua negociação e 
como se comporta no mercado brasileiro. Logo após, passaremos a 
estudar o Mercado de Derivativos, principais produtos do mercado 
de derivativos, seus participantes, tipos, detalhando características 
de cada um deles e as estratégias decisórias diante as variações 
deste mercado. Encerraremos nossos estudos de mercado finan-
ceiro aprendendo um poucosobre as decisões que minimizam o 
mercado, a Governança Corporativa, seus níveis e a Câmara de 
Arbitragem do Mercado. Esperamos que todo este material tenha 
levado você a um mundo novo, o de mercado financeiro, e assim 
possa ampliar seus conhecimentos.
7878 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
• Estudar o mercado de câmbio, conhecendo seus 
tipos e como aplicar seus numerários na troca de 
câmbio;
• Identificar quais as características do Mercado de 
Derivativos, tipos e investidores que podem efe-
tuar investimentos neste mercado;
• Integrar os conhecimentos sobre a aplicação da 
Governança Corporativa na tomada de decisão 
financeira diante das oscilações da moeda no 
mercado brasileiro.
Objetivos de
Aprendizagem
1. meRcado cambial
Nos estudos de Bertolo (2017, p. 5), vemos que “a história do 
início de uma operação no mercado de câmbio ocorreu diante do 
que foi pesquisado em uma empresa dos EUA que exporta produ-
tos para o Japão”. O mesmo autor denota que os fabricantes da 
época, nos EUA, precisavam ser pagos em dólares americanos, já o 
comprador no Japão possui “yen”, com o qual pagará o fabricante 
nos EUA. Bertolo também diz que: “Assim, existem duas possibili-
dades dessa operação entre os EUA e o Japão, pois o exportador 
americano fatura o importador japonês em dólares ou em yens”: 
Se o exportador americano faturar em dólares, o importador japo-
nês venderá yens para comprar dólares americanos no mercado de 
câmbio; Se o exportador americano faturar em yens, o exportador deve 
vender os yens para comprar dólares. Qualquer que seja a moeda 
da fatura, alguém irá ao mercado de câmbio vender yens para comprar 
dólares. 
Diante do exemplo apresentado por Bertolo (2017), destacamos 
que a significação para o segmento do mercado financeiro é que sua 
caracterização se dá por um mercado no qual são realizadas as tran-
sações cambiais, ou as compras e vendas de moedas estrangeiras, 
tendo como moeda internacional dominante o dólar norte-america-
no. Sua principal função está relacionada à transferência de recursos 
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 7979
de um país para outro (cada vez mais, isso é feito por meio eletrônico 
por transferências eletrônicas gastando-se pouco tempo e execução 
em 24 horas, tornando-os mais globalizados).
A necessidade dessa troca de moedas entre dois países surge 
por diversos motivos, por exemplo, comércio exterior (importações e 
exportações), despesas de turistas, investimentos estrangeiros (dire-
tos e indiretos), captação de empréstimos ou aplicações no exterior.
Fique
Atento
No curto prazo, a especulação entre moedas e taxas 
de juros é um dos mais relevantes direcionadores de taxas 
de juros. No médio prazo, o risco político e os investimen-
tos internacionais diretos e indiretos são os direcionadores 
de taxas de câmbio mais relevantes. No longo prazo, a pa-
ridade do poder de compra e a paridade de juros são os 
direcionadores de taxas de câmbio relevantes.
A paridade de juros determina qual a taxa de juros de equilí-
brio que torna indiferente para um investidor aplicar seu dinheiro 
em um ou em outro país. Já a paridade do poder de compra (PPC) 
é um conceito antigo. Em um mercado perfeito, sem atritos, isto é, 
sem barreiras ao fluxo de informações e mercadorias, não é pos-
sível um mesmo bem ter preços diferentes, fenômeno conhecido 
como lei do preço único. Vale lembrar que o PPC é um indicador de 
longo prazo, que aponta apenas a direção de variação das moedas 
no futuro e funciona melhor quando a comparação é feita entre 
países com o mesmo grau de desenvolvimento.
1.1. Regime Cambial
A influência da taxa de câmbio sobre o balanço de pagamen-
to dependerá do regime cambial, adotado pelo país. Os regi mes 
mais comuns são o de taxa fixa, taxa flutuante, banda cambial e flu-
tuação administrativa. Há uma interdependência entre fluxo cam-
bial e balanço de pagamento. 
8080 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
I. No regime de taxa fixa, o Banco Central estabelece uma taxa 
fixa de conversão entre a moeda local do país e uma moeda 
estrangeira de referência, geralmente o dólar norte-ameri-
cano. Poderia ser fixada em relação a uma cesta de moedas 
estrangeiras(na prática isso quase não acontece, mas é uma 
ideia que agrada a alguns economistas, onde o Banco Cen-
tral, então, se encarrega de manter a taxa constante, admi-
nistrando a oferta de moeda estrangeira). 
II. Já no regime de taxa flutuante, as taxas de conversão são 
livremente determinadas pelo mercado. O equilíbrio é 
dado pela lei de oferta e demanda. Se houver uma grande 
oferta de moeda estrangeira, como no exemplo anterior, 
o ajuste se dará por meio da alteração da taxa de câm-
bio. Nesse caso, a moeda local se valoriza, a estrangeira se 
desvaloriza e a taxa de câmbio da moeda estrangeira cai. 
Por exemplo, no Brasil, se o dólar estivesse cotado a R$ 
2,33 e houvesse um grande fluxo de investimentos estran-
geiros no país, a maior oferta de dólares faria a taxa de 
conversão cair, por exemplo, para R$ 1,73 (como mostra 
a tabela do Bic Mac Index). A vantagem é que o nível de 
reservas em moeda estrangeira não é tão afetado e a po-
lítica monetária do governo fica mais independente do 
câmbio. A desvantagem é que os exportadores e impor-
tadores do país ficam sujeitos a uma maior volatilidade na 
taxa de câmbio e, persistindo a tendência de valorização 
da moeda interna, haverá dificuldades competitivas para 
os exportadores.
III. No regime de banda cambial, há uma espécie de meio-ter-
mo entre a taxa fixa e a flutuante, isto é, o Banco Central 
estipula um limite mínimo e um limite máximo, ou seja, 
uma banda de flutuação para a taxa de câmbio. Se a co-
tação cair abaixo do limite mínimo, o banco intervém com-
prando moeda estrangeira. Caso ultrapasse o limite supe-
rior, o banco vende moeda estrangeira.
IV. Por último, o regime de flutuação administrada é uma va-
riante do regime de taxa flutuante. A diferença é que nele 
o Banco Central, de surpresa e, portanto, sem regra defini-
da, pode intervir no mercado de câmbio, comprando/ven-
dendo moeda, visando a impedir ou aplainar flutuações 
excessivas nas cotações em curtos espaços de tempo.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8181
1.2. Taxas de Câmbio
Costumam ser expressas de duas maneiras diferentes no 
mercado à vista (spot), e são geralmente denominadas cotações di-
retas (quando ela expressa o preço de uma unidade de moeda es-
trangeira em moeda nacional, assim que as cotações são expressas 
no Brasil) e cotações indiretas (expressará o preço de uma unidade 
da moeda nacional em moeda estrangeira).
Por exemplo, em citação de Kerr (2011, p.106), a cotação indi-
reta dessa mesma taxa seria dada por 0,5775, ou seja, R$ 1,00 está 
custando US$ 0,5775. É fácil perceber que uma cotação direta no 
Brasil corresponderia a uma cotação indireta nos Estados Unidos, 
e vice-versa. Também é fácil perceber que a cotação indireta é o 
inverso da cotação direta.
Ao examinar uma cotação de moeda estrangeira, encontra-
-se sempre a coluna de compra e a coluna de venda. Isso ocorre 
porque a moeda estrangeira, como qualquer mercadoria (moeda 
estrangeira), tem dois preços para o comerciante (casa de câmbio): 
um pelo qual ele compra e outro pelo qual ele a vende. Quando o 
preço de compra é menor do que o preço de venda, essa diferença 
é denominada spread de compra e venda.
Quando uma moeda não é trocada por outra, não 
há como obter diretamente uma taxa de câmbio, e a co-
tação só pode ser obtida por meio de uma terceira moeda 
comum às duas, cujo resultado é denominado taxa cruza-
da. Por exemplo, se não há negociação direta de euros no 
Brasil, não há uma cotação direta para converter euros em 
reais. Mas como as duas são conversíveis em dólar, é pos-
sível determinar uma taxa cruzada de conversão de euros 
em reais.
Curiosidade
Alguns autores dão especial importância à Taxa PTAX (pro-
grama Tax), que é a sigla utilizada pelo Bacen pararegistrar e divul-
gara cotação média ponderada dos contratosde câmbio negocia-
8282 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
dos pelas instituições financeiras no dia anterior. Há diversas taxas 
PTAX, como PTAX 800 (usada para as negociações normais dos 
contratos de câmbio) e a PTAX 200 (para as negociações feitas 
exclusivamente entre instituições financeiras).
Nas cotações, é comum ver os termos dólar comercial, dólar 
turismo e dólar paralelo. Mas como identificar cada um deles? Para 
Kerr (2011, p. 108) e Bertolo (2017):
• Dólar comercial é a cotação utilizada em comércio exterior, 
nas transações de importação e exportação. Formada pelas 
operações oficiais de compra e venda de moedas entre ban-
cos e empresas como exportações, importações, captações ou 
empréstimos, por meio interbancário, negociação entre bancos, 
com prazo de liquidação financeira D+2;
• Dólar turismo é a utilizada por turistas que necessitam comprar 
ou vender a moeda estrangeira. Formada pela negociação de 
dólares entre pessoas que irão viajar para o exterior e casas de 
câmbio autorizadas;
• Dólar paralelo é um eufemismo para a cotação de dólar no 
câmbio negro, que são operações de câmbio não autorizadas e 
não regulamentadas pelo Bacen. Formada pelas operações in-
formais de negociação de moeda realizadas em casas de câm-
bio ou doleiros. 
Economicamente, os riscos de câmbio geram grande deman-
da, por parte das empresas que têm transações de comércio exte-
rior, de instrumentos para sua mitigação. Esses instrumentos ge-
ralmente são ativos derivados ou derivativos de câmbio, que serão 
tratados no último capítulo, o quatro deste módulo. Como pontua 
Bertolo (2017, p.139):
A formação da taxa de câmbio é determinada di-
retamente pela oferta e procura da moeda (dó-
lar). Constantemente o Banco Central interfere na 
oferta e/ou procura em função de fatores como: 
conjuntura socioeconômica interna e externa, po-
lítica monetária e nível de reservas cambiais. 
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8383
1.3. Investimento em Câmbio
Diante do artigo de Tatiana Lima (2011), estudaremos como 
o câmbio pode interferir nas decisões empresariais e consequente-
mente na economia de mercado financeiro. Para a autora, existem 
três formas de se investir em câmbio, que são:
I. Fundos cambiais: onde a rentabilidade deste tipo vem da va-
riação cambial do dólar. Só não exatamente igual a esta varia-
ção por conta dos descontos de taxa administrativa, Imposto 
de Renda e IOF, quando o resgate for feito antes de 30 dias; 
II. Por meio de minicontratos de mercado futuro, atrelados à 
variação do dólar; e
III. Forex (sigla no inglês para câmbio estrangeiro): é o mais 
arriscado, que a grosso modo é um jogo de câmbio entre várias 
moedas do mundo (e não apenas na relação Real x Dólar, como 
nos outros casos).
Lima (2011, p.1) relembra que “em um passado não muito dis-
tante, uma das opções de se investir em câmbio era a compra física 
da moeda”. Neste caso, a autora explica que o cidadão aproveitava 
a baixa de uma moeda e a comprava para revendê-la quando voltasse 
à alta. 
Investir em câmbio sempre leva os gestores a uma análise 
mais detalhada da situação econômica e política do país de origem 
da moeda, sendo assim, estão sempre na espera por mais rentabili-
dade, ou seja, rendimentos altos, bem como mais praticidade, rapi-
dez e o dinamismo das movimentações a curto prazo, sendo essa-
salgumas vantagens de se investir no Mercado de Câmbio. Apesar 
das vantagens, há que se apresentar também os reveses. 
Quanto às desvantagens, observamos que neste mercado 
sempre há investimento de alto risco, como cita Lima (2011, p.1): 
“quando uma ponta do negócio está ganhando muito, provavel-
mente a outra está perdendo”. As decisões estão sujeitas à varia-
ção do câmbio, com incidência de Imposto de Renda e IOF. 
8484 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
O gestor financeiro precisa estar atualizado frente às políticas 
cambiais dos países e entender sobre economia e mercados na-
cionais e internacionais. Proposta na maioria das vezes difícil para 
algumas companhias.
1.4. Negociação em Mercado de Câmbio no Brasil
Novamente nos remetendo às pesquisas de Bertolo (2017), este 
autor nos diz que o mercado de câmbio negocia moedas estrangeiras 
conversíveis. Existem duas formas de se negociar moedas estrangei-
ras. Vejamos o que este autor nos fala sobre estas duas formas:
I. Negociação direta com o exterior é formalmente restrita 
a bancos comerciais e de investimento, licenciados pelo 
Banco Central, pois este mercado é essencial para equi-
librar a Balança de Pagamentos, e nela incluem a Balan-
ça Comercial, Balança de Serviços, Balança de Capitais e 
Transferências. 
II. Internamente no Brasil: para o mercado interno existe a 
negociação de câmbio entre vários participantes, como 
corretoras e casas de câmbio e investidores em geral. A 
principal moeda negociada é o dólar. 
Estudos revelam que 1998 certamente foi o ano que a comuni-
dade empresarial brasileira começou a se preocupar com medidas mais 
concretas para aumentar o volume de exportações, principalmente em 
função das desvalorizações das moedas dos países do sudeste asiático 
(alguns economistas até falavam em dumping cambial). 
A maioria das medidas adotadas no Brasil passa por decisões 
de médias e pequenas empresas, com pouca experiência para expor-
tar, sem contar com carência nas linhas de financiamento e instru-
mentos financeiros adequados para alavancar a participação do Brasil 
no mercado global. Sem mencionar a classificação de “rating” especu-
lador em que o país se encontra. Bertolo (2017) retrata que nesse con-
texto, é muito importante que principalmente os profissionais da área 
de gestão financeira, vendas e suprimentos entendam corretamente a 
formação e as nuanças acerca do mercado de câmbio.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8585
No Brasil, todas as operações de câmbio são realizadas por 
casas especializadas e registradas no Bacen, assim há uma exis-
tência, mesmo que quase imperceptível, na compra de uma moeda 
estrangeira e na venda de outra moeda noutro mercado, conse-
guindo com isso uma diferença de taxas.
Quando ocorre uma crise ou um descontrole na cotação do 
dólar, o Banco Central intervém no mercado interbancário venden-
do ou comprando grandes lotes de dólares com o objetivo de equi-
librar a cotação e tranquilizar o mercado.
2. meRcado de deRivativos
Segundo Bertolo (2012, p. 8), este mercado é resultante do 
mercado à vista, isto é, de todos os produtos negociados nesse 
mercado, assim como a formação de seus preços é derivada do 
mercado à vista”. O mesmo autor revela que no Brasil geralmente 
ouve-se falar que os derivativos são produtos de risco e de alavan-
cagem financeira (utilização de recursos de terceiros para aumen-
tar o lucro sobre o próprio capital). 
Seu instrumento proporciona um foco direto, objetivando 
proteger o investidor de grandes oscilações de preços no mercado. 
Para Bertolo (2012), outra característica do mercado de derivativos 
é a negociação de commodities. 
Na Bovespa, podemos encontrar a definição de commodities 
como sendo ativos negociados na Bolsa de Mercadoria e Futuros 
(BM&F) como ouro, índice bovespa, moedas, cupom cambial, juro 
interbancário, títulos da dívida externa (C-Bonds, E I-Bonds, FRB) 
e ativos agropecuários (boi gordo, bezerro, algodão, soja, açúcar, 
álcool, milho e café). 
2.1. Principais produtos do Mercado de Derivativos
Para este tópico, utilizaremos as pesquisas de Bertolo (2012), 
que classifica os produtos de:
I. Contratos futuros: são contratos realizados entre duas contra-
partes com vencimento futuro, da qual são fixados os montan-
tes e valores de compra e venda de uma determinada commo-
dity, obedecendo a um ajuste diário de posições e de margens;
8686 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
II. Opções sobre o disponível: opção por meio da qual um inves-
tidor adquire o direito de comprar ou vender uma commodity a 
um preço e a uma data preestabelecidos de um outro investidor;
III. Opções sobre o futuro:opção da qual um investidor adquire 
o direito de comprar ou vender um contrato futuro a um preço 
e uma data preestabelecidos, de um outro investidor;
IV. A Termo: contratos de compra e venda de commodities fu-
turo com preços e prazos definidos, diferenciando-se dos 
contratos futuros por não apresentarem ajustes diários. 
A liquidação física e financeira se dá na data determinada no 
contrato a termo. Existe a necessidade de depósito de mar-
gem para o comprador do contrato;
V. Swaps: troca de índices entre dois investidores com o ob-
jetivo de evitar riscos. Utiliza o swap para proteger-se de 
desvalorizações de moedas. Um exemplo: Imagine que um 
investidor “x” tenha uma dívida (passivo) em dólar, com 
vencimento daqui a um ano. Sua renda é em reais. Para 
pagá-la, ele estaria trocando reais por dólar na data de venci-
mento. Mas durante esse período o real se desvalorizou a um 
patamar inviável. Esse mesmo investidor então estará gastan-
do muito mais reais para cobrir sua dívida em dólar. Se ele ti-
vesse feito um swap e trocado seu risco de dólar para reais, 
teria evitado a brusca oscilação mercado, esse mecanismo de 
proteção se chama hedge;
VI. Ouro: baseado em informações retiradas do artigo “Entender 
a Cotação do ouro e saber como investir”, de Magalhães, o in-
vestimento raramente é procurado por quem quer rentabili-
dade imediata, mas pelos que desejam proteção contra osci-
lações futuras de moedas ou desconfiam da rentabilidade do 
segmento de renda fixa. Por ser um objeto físico e que lastreia 
a reserva monetária de diversos países, o ouro é visto como 
um ativo financeiro seguro. “Do tamanho de uma foto 3 × 4 e 
com 250 g, uma barra de ouro pode custar R$ 92. O preço é 
volátil e, no mercado doméstico, é estabelecido pela cotação 
internacional do ouro - que no dia 25 de novembro estava em 
US$ 1.247 (ou R$ 2.851) por onça (equivalente a 28,35 g) - e 
pelo câmbio. Ligado a essas variáveis, o valor do ouro fica su-
jeito à instabilidade”. (Magalhães, 2017)
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8787
Há basicamente três formas de se investir em ouro, explica 
Magalhães. A primeira é adquirir ouro na Bolsa de Valores, em lotes 
de 250g; outra possibilidade é em um fundo de investimentos, um 
pouco mais complicado por não haver muita liberdade de entrada 
e saída. Já a compra física do ouro se dá por meio de empresas au-
torizadas pelo Banco Central e pode ser feita inclusive via comércio 
eletrônico, pagando um boleto e recebendo a compra no endereço 
desejado. O risco que se corre é o fato de o metal não estar guar-
dado em uma instituição financeira.
Alguns dos fatores que influenciam a cotação do ouro são a 
política monetária dos países, a oferta e a demanda de investidores 
individuais nas bolsas do mundo, o fluxo de importação e exportação 
do metal e períodos de sazonalidade durante o ano. Quando o ce-
nário econômico mundial fica incerto, muitos investidores direcio-
nam recursos ao metal, elevando sua cotação. Diferentemente de 
outros ativos, seu preço sobe quando há instabilidade. Para inves-
timentos a longo prazo, é aconselhável comprar fora de momen-
tos de crises. “Apesar de ser um porto seguro em momentos de crise, 
investir em ouro de forma especulativa não é sinônimo de segurança nem 
rentabilidade”, ressalta o Banco do Brasil.
VII. Contratos Ibovespa: Contrato Futuro de Ibovespa; Con-
trato de Opções de Compra sobre Futuro de Ibovespa; 
Contrato de Opções de Venda sobre Futuro de Ibovespa; 
Contrato de Opções de Compra sobre Futuro de Ibovespa 
– Modelo Europeu; Contrato de Opções de Venda sobre 
Futuro de Ibovespa - Modelo Europeu - Taxas de Câmbio;-
Contrato Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar 
Comercial; Contrato de Opções de Compra sobre Taxa de 
Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato de Opções 
de Venda sobre Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Co-
mercial; Contrato de Opções de Compra sobre Futuro de 
Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato 
de Opções de Venda sobre Futuro de Taxa de Câmbio de 
Reais por Dólar Comercial; Contrato Futuro Fracionário de 
Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial.
8888 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
2.2. Participantes do Mercado de Derivativos
A BM&F-Bovespa caracteriza cada um dos participantes:
• Hedger (investidor que visa à proteção): o produtor agrícola que 
participa do mercado futuro para travar o preço de venda e não 
correr o risco de queda acentuada de preços. O importador que 
tem passivo em dólares e compra contratos cambiais no mercado 
futuro porque teme alta acentuada da cotação dessa moeda na 
época em que precisar comprar dólares no mercado à vista;
• Arbitrador: os arbitradores compram no mercado A e vendem 
no B. Aumentam a procura (e, consequentemente, os preços) 
no mercado A e a oferta no mercado B (causando, consequen-
temente, queda de preços). Em determinado momento, os dois 
preços tendem a se equilibrar em um valor intermediário entre 
os dois preços iniciais. O arbitrador acaba agindo exatamente 
como um árbitro, por acabar com as distorções de preços entre 
mercados diferentes;
• Especulador: a atuação dos especuladores consiste na compra 
e na venda de contratos futuros apenas para ganhar o diferen-
cial entre o preço de compra e o de venda, não tendo nenhum 
interesse pelo ativo. A sua presença é fundamental no mercado 
futuro, pois é o único que toma riscos e assim viabiliza a outra 
ponta da operação (hedger), fornecendo liquidez ao mercado. 
Os especuladores não permanecem por muito tempo no mer-
cado e dificilmente carregam suas posições até a data de liqui-
dação do contrato. A operação de especulação mais conhecida 
é a day trade, que consiste na abertura e no encerramento da 
posição no mesmo dia.
2.3. Tipos de Mercado de Derivativos
No que traz as normativas Bovespa e nos estudos de Bertolo 
(2012), há quatro tipos de mercado:
I. Mercado a Termo: como comprador ou vendedor, você se 
compromete a comprar ou vender certa quantidade de um 
bem (mercadoria ou ativo) por um preço fixado na data 
de realização do negócio, para liquidação em data futura. 
Os contratos são liquidados integralmente só no venci-
mento. Podem ser negociados em bolsa e no mercado de 
balcão. No mercado a termo é possível comprar ou vender 
ações a um prazo e preço predeterminados. As operações 
a termo possuem as seguintes características:
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8989
• Os prazos dos contratos a termo são geralmente fixados em 
30, 60, 90, 120 ou 180 dias;
• Existem sempre dois lados envolvidos: o comprador e o vendedor;
• O contrato determina o tipo e a quantidade de ações;
• As ações estão disponíveis para o comprador do contrato a 
partir do terceiro dia útil do fechamento do negócio;
• O preço da cotação à vista e a taxa de juros influenciam dire-
tamente no preço final do contrato;
• O comprador do contrato ou o vendedor a descoberto 
(aquele que lança o contrato de venda de ações sem efe-
tivamente possuir os títulos) necessita depositar uma mar-
gem de garantia, que varia de acordo com a classe da ação, 
podendo ir de 20% a 100% do valor do contrato.
II. Mercado Futuro: é uma evolução do mercado a termo. Você 
se compromete a comprar ou vender certa quantidade de 
um bem por um preço estipulado para a liquidação em data 
futura. Nesse mercado, a liquidação de seus compromissos 
é ajustada financeiramente às expectativas do mercado re-
ferentes ao preço futuro daquele bem, por meio do ajuste 
diário (mecanismo que apura perdas e ganhos). Além disso, 
os contratos futuros são negociados somente em bolsa;
III. Mercado de Opções: negocia-se o direito de comprar ou 
de vender um bem por um preço fixo numa data futura. 
Quem adquirir o direito deve pagar um prêmio ao vende-
dor, tal como num acordo de seguro. 
No que tratamos até agora, iremos também nos basear nos 
ensinamentos de Bertolo (2012), que nos revela que o mercado de 
opções é negociado na Bovespa e regulado pela Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM). Para se comprar umaopção as ordens são se-
melhantes às de compra de ações. 
É comum os investidores utilizarem as opções para alavancar 
seus rendimentos, uma vez que o prêmio pago é muito inferior ao preço 
da ação e os preços são muito mais sensíveis às oscilações. Também há 
9090 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
a possibilidade de operações de hedge, onde um investidor pode se 
proteger das variações de preço de ações fixando o preço de venda 
ou de compra desse ativo. Uma das principais variáveis do mercado 
de opções é a volatilidade de preços (indica o grau médio de variação 
das cotações de um título em um determinado período). 
Fique
Atento
A volatilidade influi nos prêmios das opções, poden-
do ter oscilações diárias de mais de 100%. À medida que se 
aproxima o vencimento de exercício das opções as oscila-
ções se tornam maiores, muitas irão “virar pó”. 
O lastro pode ser em ações, títulos ou dinheiro. Segundo Ber-
tolo (2012), são as seguintes operações que podem ser feitas com 
opções: 
• COC (Comprar Opção de Compra): o comprador adquire o 
direito de compra de um papel até a data de vencimento da 
opção, ao preço do exercício (preço predeterminado do papel), 
pagando um prêmio ao lançador da opção;
• COV (Comprar Opção de Venda): o comprador adquire o direito 
de venda de um papel, ao preço de exercício, até a data de venci-
mento da opção, pagando um prêmio ao lançador da opção;
• VOC (Vender Opção de Compra): o lançador da opção tem 
a obrigação de vender os papéis ao comprador, ao preço do 
exercício, quando este quiser exercer seu direito. O lançador re-
cebe do comprador o prêmio referente à opção;
• VOV (Vender Opção de Venda): o lançador da opção tem 
a obrigação de adquirir do comprador os papéis, ao preço do 
exercício, quando este quiser exercer seu direito. O lançador re-
cebe do comprador o prêmio referente à opção. 
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9191
Segundo a Bovespa (2017), exige-se que: “para toda 
opção lançada ao mercado, o lançador deposite uma mar-
gem para garantir o cumprimento do contrato. Apenas o 
lançador da opção tem esta obrigação. Caso o lançador 
faça uma venda coberta, ou seja, possua os papéis em sua 
carteira, essas ações serão depositadas como garantia. Do 
contrário, deverá depositar dinheiro, títulos, ouro ou ações 
como garantia. Poderá haver aumento no valor das mar-
gens (chamada de margens adicionais) caso o papel do 
contrato de opção sofra grande oscilação”. 
Curiosidade
IV. Mercado de Swap: é a negociação da troca de rentabili-
dade entre dois bens (mercadoria ou ativo financeiro). 
O contrato de swap é um acordo, entre duas partes, que 
estabelecem a troca de fluxo de caixa tendo como base a 
comparação da rentabilidade entre dois bens.
No quadro a seguir, você encontrará as principais diferenças 
entre as modalidades de derivativos:
Quadro 01: Diferenças entre as 
diversas modalidades de derivativos.
Onde se 
negocia
O que se 
negocia
Posições Liquidação
Mercado 
a Termo
Balcão 
ou Bolsa
Compromisso 
de comprar 
ou vender um 
bem por preço 
fixado em data 
futura.
Ausência de 
intercambialida-
de (podem ser 
repassados a outros 
participantes a qual-
quer momento).
A estrutura mais comum 
é a liquidação somente 
no vencimento. Há con-
tratos em que o com-
prador pode antecipar a 
liquidação.
Mercado 
Futuro
Somente 
Bolsa
Compromisso 
de comprar 
ou vender um 
bem por preço 
fixado em data 
futura.
Intercambialida-
de (podem ser 
repassados a outros 
participantes a qual-
quer momento).
Presença de ajuste diário. 
Compradores e vende-
dores têm suas posições 
ajustadas financeiramente 
todos os dias, com base 
no preço de fechamento 
da bolsa.
9292 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
Mercado de 
Opções
B a l c ã o 
ou Bolsa
Os compradores 
adquirem o direi-
to de comprar ou 
vender por pre-
ço fixo em data 
futura.
Intercambiali-
dade (podem 
ser repassados 
a outros parti-
cipantes a qual-
quer momen-
to).
Liquidam-se os 
prêmios na con-
tratação da ope-
ração. No venci-
mento, apura-se 
o valor da liqui-
dação a partir do 
exercício do direi-
to dos compra-
dores.
Mercado de 
Swap
Balcão ou 
Bolsa
Compromisso 
de troca de um 
bem por outro. 
Trocam-se fluxos 
financeiros.
Ausência de 
intercambiali-
dade (podem 
ser repassados 
a outros parti-
cipantes a qual-
quer momento.
Somente no ven-
cimento ou an-
tecipadamente, 
com a concordân-
cia das partes.
Fonte: Adaptado de Bertolo (2012).
2.3.1. Estratégias decisivas de Mercado de Derivativos
Se o investidor apostar numa alta do mercado, ele pode va-
ler-se de algumas estratégias básicas utilizando as opções para au-
mentar o ganho sobre o capital. Para Bertolo (2012), a primeira es-
tratégia delas seria comprar opções, pagando um prêmio, com um 
strike (preço de exercício) inferior ao preço de mercado do papel 
e aguardar a valorização para realizar a opção ou vendê-la a um 
preço maior. A segunda estratégia seria lançar opções de venda com 
strike abaixo do valor do papel no mercado para receber o prêmio 
pelas opções. Afirma ele que “se a tendência do mercado for de 
baixa, o investidor pode comprar opções de venda com um strike 
alto, garantindo assim um preço fixo no futuro para vender suas 
ações ou vender estas opções por preço maior”. 
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9393
O investidor também pode lançar opções de compra com 
strike alto suficiente que garanta que a opção não será exercida, 
lucrando o prêmio das opções. Acompanhe a seguir outras com-
binações de estratégias que são estabelecidas por Bertolo (2012) 
nas opções: 
• Trava Alta: o investidor compra uma opção de compra (titular) 
a um preço de exercício P e lança uma opção de compra a um 
preço de exercício P’ maior que P da posição titular. O prêmio 
da opção titular é maior do que o da posição lançadora, isto é, 
o investidor terá um desembolso inicial nesta trava. As opções 
possuem a mesma data de vencimento. Esta trava é utilizada 
quando o mercado apresentar tendência de alta. Seu ganho (ou 
perda), no entanto, é limitado. Por assumir uma posição com-
prada na opção de compra com preço menor que na posição 
vendida, sua chance de ganho é maior. Acompanhe a seguir 
como se comporta o rendimento da operação em função do 
preço da ação. 
• Trava Baixa: o investidor compra uma opção de compra (ti-
tular) com preço de exercício P e ao mesmo tempo lança uma 
opção de compra com um preço de exercício P’ menor que P 
da posição titular. O prêmio da opção titular é menor que da po-
sição lançadora. Neste caso, o investidor terá um ganho inicial 
nesta trava. As opções possuem a mesma data de vencimento. 
Esta trava é utilizada quando o mercado apresentar tendên-
cia de baixa. O ganho ou a perda do investidor são limitados. 
Por lançar opções com prêmios maiores do que na posição titu-
lar, o investidor está apostando que nenhuma das opções será 
exercida e que seus lucros estarão justamente na diferença en-
tre os prêmios das opções. Acompanhe a seguir como se com-
porta o rendimento da operação em função do preço da ação. 
• Boxe Fechado: é uma operação de renda fixa com utilização 
de opções. Basicamente é uma combinação de uma trava de 
alta com uma trava de baixa. O Boxe é uma boa estratégia de 
captação quando a taxa de juros envolvida nessa operação for 
9494 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
menor que a taxa de juros do mercado. O Boxe pode também 
ser utilizado como uma operação de empréstimo, se a taxa en-
volvida for maior que a taxa de juros de mercado. O Boxe de 
empréstimo é formado por: • Compra de opção de compra ao 
preço de exercício P; • Lançamento de opção de venda ao pre-
ço de exercício P; • Lançamento de opção de compra ao preço 
de exercício P’ (P’ > P); • Compra de opção de venda ao preço 
de exercício P’ (P’ > P). O Boxe de captação é formado por: • 
Compra de opção de compra ao preço de exercício P; • Lan-
çamento de opção de venda ao preço de exercício P; • Lança-
mentode opção de compra ao preço de exercício P’ (P’ P); • Compra de opção de compra ao preço de 
exercício P” (P” > P’ > P). Butterfly de venda: • Compra de opção 
de venda ao preço de exercício P; • Lançamento de 2 opções de 
venda ao preço de exercício P’ (P’ > P); • Compra de opção de 
venda ao preço de exercício P” (P” > P’ > P). Todas as opções se 
referem ao mesmo ativo-objeto e data de vencimento. 
Segundo Bertolo (2012), a liquidação do contrato pode ser 
antecipada. Para tanto, paga-se o valor pro rata relativo aos dias 
corridos.
3. goveRnança coRpoRativa
Seguiremos como base as normatizações estabelecidas pelo 
Instituto Brasileiro de Governança Coorporativa - IBGC - para com-
por todo este tópico, iniciando, assim, com uma breve história.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9595
De acordo com o IBGC (2017), “a história caminha ao lon-
go do século 20, onde a economia dos diferentes países tornou-se 
cada vez mais marcada pela integração aos dinamismos do comér-
cio internacional, assim como pela expansão das transações finan-
ceiras em escala global”. Neste contexto, as companhias foram ob-
jeto de sensíveis transformações, uma vez que o acentuado ritmo 
de crescimento de suas atividades promoveu uma readequação de 
sua estrutura de controle, decorrente da separação entre a proprie-
dade e a gestão:
Governança corporativa é o sistema pelo qual as 
empresas e demais organizações são dirigidas, 
monitoradas e incentivadas, envolvendo os rela-
cionamentos entre sócios, conselho de adminis-
tração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle 
e demais partes interessadas. (IBGC, 2017, p. 1) 
A vertente mais aceita indica que a Governança Corporativa 
surgiu para superar o “conflito de agência” clássico, destacado pe-
las vertentes bilaterais do proprietário (acionista) que delega a um 
agente especializado (administrador) o poder de decisão empre-
sarial (lei). Podem surgir divergências de entendimentos, assim a 
Governança Coorporativa busca superar estes conflitos.
O IBGC estabelece que, no Brasil, a propriedade concentrada 
predomina, e os conflitos se intensificam à medida que a empre-
sa cresce e novos sócios, sejam investidores ou herdeiros, passam 
a fazer parte da sociedade. Neste cenário, a Governança também 
busca equacionar as questões em benefício da empresa.
Este Instituto também destaca que neste novo mercado as 
boas práticas de governança corporativa convertem princípios bá-
sicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a fi-
nalidade de preservar e otimizar valor econômico de longo prazo, 
facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade 
da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum. 
9696 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
Os princípios utilizados para nortear a Governança Corpora-
tiva, estabelecidos pelo IBGC - Instituto Brasileiro de Governança 
Corporativa, são:
• Transparência - Consiste no desejo de disponibilizar para as 
partes interessadas as informações que sejam de seu interesse 
e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regu-
lamentos. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-
-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive 
intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à 
preservação e à otimização do valor da organização;
• Equidade - Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico 
de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), 
levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, 
interesses e expectativas;
• Prestação de Contas (accountability) - Os agentes de go-
vernança devem prestar contas de sua atuação clara, conciso, 
compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as con-
sequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e 
responsabilidade no âmbito dos seus papéis;
• Responsabilidade Corporativa - Os agentes devem zelar pela 
viabilidade econômico-financeira das Cias, reduzir as externalida-
des negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as 
positivas, levando em consideração modelo de negócios, os diver-
sos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, 
ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazo.
Todos esses segmentos prezam por rígidas regras de gover-
nança corporativa. Essas regras vão além das obrigações que as 
companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações (Lei das 
S.As.) e têm como objetivo melhorar a avaliação daquelas que de-
cidem aderir, voluntariamente, a um desses segmentos de listagem, 
que veremos a seguir.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9797
3.1. Níveis e Indicadores de Governança
Os segmentos especiais de listagem da BM&F-Bovespa – Bo-
vespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1 
- foram criados no momento em que percebemos que, para desen-
volver o mercado de capitais brasileiro, era preciso ter segmentos 
adequados aos diferentes perfis de empresas.
Quadro 02: Comparativo dos seguimentos de listagem.
Bovespa 
Mais
Bovespa 
Mais 
Nível 2
Novo 
Mercado Nível 2 Nível 1 Básico
Caracte-
rísticas 
das ações 
emitidas.
Permite a 
existência 
somente 
de ações 
ON.
Permite a 
existência 
de ações 
ON e PN.
Permite a 
existência 
somente de 
ações ON.
Permite a 
existência 
de ações 
ON e PN 
(com 
direitos 
adicionais).
Permite a 
existência 
de ações 
ON e PN 
(conforme 
legislação).
Per-
mite a 
existên-
cia de 
ações 
ON 
e PN 
(con-
forme 
legisla-
ção).
Percentu-
al mínimo 
de ações 
em 
circula-
ção (free 
float).
25% de 
free float 
até o 
7o ano de 
listagem.
25% de free 
float até o 
7o ano de 
listagem.
No mínimo 
25% de free 
float.
No mínimo 
25% de 
free float.
No mínimo 
25% de 
free float.
Não há 
regra.
Distri-
buições 
públicas 
de ações.
Não há 
regra.
Não há 
regra.
Esforços de 
dispersão 
acionária.
Esfor-
ços de 
dispersão 
acionária.
Esforços 
de disper-
são acioná-
ria.
Não há 
regra.
Vedação 
a dispo-
sições 
estatutá-
rias.
Quórum 
qualifi-
cado e 
"cláusulas 
pétreas".
Quórum 
qualificado 
e "cláusulas 
pétreas".
Limitação de 
voto inferior 
a 5% do ca-
pital, quórum 
qualificado 
e "cláusulas 
pétreas”.
Limitação 
de voto in-
ferior a 5% 
do capital, 
quórum 
qualifi-
cado e 
"cláusulas 
pétreas”.
Não há 
regra.
Não há 
regra.
9898 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
Compo-
sição do 
conselho 
de admi-
nistração.
Mínimo 
de 3 
membros 
(con-
forme 
legisla-
ção), com 
mandato 
unificado 
de até 2 
anos.
Mínimo de 
3 membros 
(conforme 
legisla-
ção), com 
mandato 
unificado 
de até 2 
anos.
Mínimo de 
5 membros, 
dos quais 
pelo menos 
20% devem 
ser indepen-
dentes com 
mandato 
unificado de 
até 2 anos.
Mínimo de 
5 mem-
bros, dos 
quais pelo 
menos 
20% de-
vem ser in-
dependen-
tes com 
mandato 
unificado 
de até 2 
anos.
Mínimo de 
3 membros 
(conforme 
legisla-
ção), com 
mandato 
unificado 
de até 2 
anos.
Mínimo 
de 3 
mem-
bros 
(con-
forme 
legisla-
ção).
Vedação 
à acumu-
lação de 
cargos.
Não há 
regra.
Não há 
regra.
Presidente 
do conselho 
e diretor 
presidente 
ou principal 
executivo 
pela mesma 
pessoa (ca-
rência de 3 
anos a partir 
da adesão).
Presi-
dente do 
conselho 
e diretor 
presi-
dente ou 
principal 
executivo 
pela mes-
ma pessoa 
(carência 
de 3 anos 
a partir da 
adesão).
Presi-
dente do 
conselho e 
diretor pre-
sidente ou 
principal 
executivo 
pela mes-
ma pessoa 
(carência 
de 3 anos 
a partir da 
adesão).
Não há 
regra.
Obriga-
ção do 
conselho 
de admi-nistração.
Não há 
regra.
Não há 
regra.
Manifestação 
sobre qual-
quer oferta 
pública de 
aquisição 
de ações da 
companhia.
Manifesta-
ção sobre 
qualquer 
oferta 
pública de 
aquisição 
de ações 
da compa-
nhia.
Não há 
regra.
Não há 
regra.
Demons-
trações 
financei-
ras.
Conforme 
legisla-
ção.
Conforme 
legislação.
Traduzidas-
para o inglês.
Traduzidas 
para o 
inglês.
Conforme 
legislação.
Con-
forme 
legisla-
ção.
Reunião 
pública 
anual.
Faculta-
tiva.
Facultativa. Obrigatória.
Obrigató-
ria.
Obrigató-
ria.
Faculta-
tiva.
Calen-
dário de 
eventos 
corpora-
tivos.
Obrigató-
rio.
Obrigatório. Obrigatório.
Obrigató-
rio.
Obrigató-
rio.
Faculta-
tivo.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9999
Divul-
gação 
adicional 
de infor-
mações.
Política 
de nego-
ciação de 
valores 
mobiliá-
rios.
Política de 
negociação 
de valores 
mobiliários.
Política de 
negociação 
de valores 
mobiliários 
e código de 
conduta.
Política de 
negocia-
ção de 
valores 
mobiliários 
e código 
de con-
duta.
Política de 
negocia-
ção de 
valores 
mobiliários 
e código 
de condu-
ta.
Não há 
regra.
Con-
cessão 
de Tag 
Along.
100% 
para 
ações 
ON.
100% para 
ações ON e 
PN.
100% para 
ações ON
100% para 
ações ON 
e PN.
80% para 
ações ON 
(conforme 
legislação).
80% 
para 
ações 
ON 
(con-
forme 
legisla-
ção).
Oferta 
pública 
de aqui-
sição de 
ações no 
mínimo 
pelo valor 
econômi-
co.
Obriga-
toriedade 
em caso 
de cance-
lamento 
de regis-
tro ou 
saída do 
segmen-
to, exceto 
se houver 
migra-
ção para 
Novo 
Mercado.
Obrigato-
riedade em 
caso de 
cancela-
mento de 
registro ou 
saída do 
segmento, 
exceto se 
houver 
migração 
para Novo 
Mercado ou 
Nível 2.
Obrigato-
riedade em 
caso de can-
celamento 
de registro 
ou saída do 
segmento.
Obriga-
toriedade 
em caso 
de cance-
lamento 
de registro 
ou saída 
do seg-
mento.
Conforme 
legislação.
Con-
forme 
legisla-
ção.
Adesão à 
Câma-
ra de 
Arbitra-
gem do 
Mercado.
Obrigató-
rio. Obrigatório. Obrigatório. Obrigató-
rio. Facultativo Faculta-
tivo
Fonte: BM&F-BOVESPA, 2017.
3.2. Câmara de Arbitragem do Mercado – CAM
A história da arbitragem é observada na evolução das civiliza-
ções proporcionando amenizar conflitos das relações sociais, bem 
como os litígios, sugerindo as mais diversas formas de resolução. 
Para Salomão (2017), nos primórdios da humanidade, os conflitos 
existentes eram resolvidos mediante a imposição da vontade do 
mais forte sobre o mais fraco, numa verdadeira “vingança privada”, 
mais conhecida pela doutrina como autotutela.
100100 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
Fique
Atento
A arbitragem já era praticada entre os babilônios 
como forma de abrandar litígios entre as suas cidades-es-
tados. Em um tratado de 445 a.C., Atenas e Esparta esti-
pularam cláusula compromissória expressa, remetendo-as 
para via arbitral em caso de conflito.
Baseado na Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, a 
Lei de Diretrizes e Bases da Arbitragem, a carta arbitral e a sentença 
arbitral denota as normativas para a prática desta arte, utilizada 
constantemente nas corporações.
[…] a arbitragem vem abrir novo e amplo campo 
de ação nessa matéria, permitindo que a própria 
sociedade civil venha trazer preciosa contribuição, 
valendo-se da alteração verificada na experiência 
jurídica contemporânea no tocante às fontes do 
Direito, enriquecidas pelo crescente exercício do 
chamado poder negocial, em complemento à lei, 
às decisões judiciais e às normas constitucionais. 
(REALE, 2005, p. 13) 
Agora nos resta falar do último assunto referente à Gover-
nança Corporativa, as Câmaras de Arbitragem, seguindo as bases 
da BM&F-Bovespa, que afirma: “Câmara de Arbitragem do Mercado 
(CAM) é o foro mais adequado para resolver disputas societárias e 
do mercado de capitais”. A CAM oferece um ambiente independen-
te, sigiloso e eficiente para a solução de controvérsias, pautado nas 
diretrizes da Lei de Arbitragem. O IBGC retrata que a preocupação 
da Governança Corporativa é, portanto, criar um conjunto eficiente 
de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, a 
fim de assegurar que ocomportamento dos administradores esteja 
sempre alinhado com o melhor interesse da empresa. Não esque-
cendo a base de seus princípios.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 101101
A Bovespa afirma que a CAM oferece um foro especializa-
do para a solução de questões relativas aodireito empresarial, so-
bretudo relacionadas ao mercado de capitais e o direito societário. 
Atua na administração de procedimentos arbitrais originários de 
conflitos surgidos no âmbito das companhias comprometidas com 
a adoção de práticas diferenciadas de governança corporativa e 
transparência, cujas ações são listadas na Bovespa, e também em 
outros litígios entre pessoas físicas e jurídicas, desde que sejam re-
ferentes a direito empresarial.
Relembre
Este estudo mostrou o que é mercado financeiro bra-
sileiro, com exemplos práticos. Os intermediários são peças 
fundamentais, como bancos e corretoras de valores mobiliá-
rios. Além disso, o Bacen e a CVM possuem papel relevante 
para a execução das políticas econômicas brasileiras e fisca-
lização do mercado financeiro, respectivamente. Por fim, o 
mercado financeiro brasileiro atualmente possui uma estru-
tura complexa, com subdivisões, como é o caso do mercado 
de ações, de derivativos, de câmbio e bancário.
Em nosso país, os bancos são as instituições finan-
ceiras mais populares do mercado financeiro. Na prática, 
os bancos segmentam sua atuação pela renda e patrimô-
nio aplicado em produtos financeiros deles. 
O mercado de ações no Brasil gira em torno da BM&-
F-Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Aqui, temos 
apenas uma bolsa, a qual é responsável por organizar o 
mercado financeiro de ações para que sejam realizadas as 
negociações entre aqueles que querem comprar e aqueles 
que querem vender ações.
Uma ação é a menor parcela do capital social de uma 
empresa. No mercado de ações existem duas principais 
subdivisões – mercado primário: quando as ações de uma 
empresa são emitidas diretamente ou por meio de uma 
oferta pública; e mercado secundário: quando ocorre uma 
titularidade das ações. O mercado secundário é onde os 
investidores compram e vendem suas ações para outros 
investidores.
102102 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
O Mercado de Câmbio, para Bertolo (2012), trabalha 
com a negociação de moedas estrangeiras e reúne as pes-
soas interessadas em movimentar tais moedas. No Brasil, 
os bancos e corretoras de câmbio atuam como interme-
diários. São negociados ativos financeiros (não todos da 
mesma moeda) com vencimento determinado, cujos pa-
péis em uma determinada moeda podem ser negociados 
contra papéis em outra moeda. Esse mercado existe por-
que as nações querem manter seu direito soberano de ter 
e controlar suas moedas próprias. “Caso todos os países 
do mundo usassem a mesma moeda, o mercado de câm-
bio não existiria”, como estudado por Bertolo (2012). Tanto 
os que exportam quanto os que importam possuem inte-
resse nas variações cambiais, podendo realizar operações 
no mercado financeiro para se protegerem, por exemplo.
Já para o Mercado de Derivativos, como o nome induz, 
eles são contratos que derivam de outros ativos. São exem-
plos os mercados de futuros, de opções e de swaps, entre 
outros. No mercado de futuros, por exemplo, os agentes eco-
nômicos podem proteger seus produtos contra as oscilações 
de preços. O mercado de opções, por sua vez, permite que 
investidores protejam seu capital investido em ações.
Finalizando o capítulo, estudamos a Governança Cor-
porativa, uma normativa estabelecida para minimizar os con-
flitos de interesses entre investidores e intermediários atra-
vés das câmaras de arbitragem. Falamos e mostramos um 
quadro explicativo sobre os níveis de segmentos especiais de 
listagem da BM&F-Bovespa – Bovespa Mais, Bovespa Mais 
Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível1, foram criados no mo-
mento em que percebemos que, para desenvolver o merca-
do de capitais brasileiro, era preciso ter segmentos adequa-
dos aos diferentes perfis de empresas.
As soluções extrajudiciais, em especial a arbitragem, 
representam o avanço do processo civilizatório da huma-
nidade, que, de maneira consciente, busca mecanismos de 
pacificação social eficientes. Indiretamente, carrega pers-
pectiva de racionalidade, movimentando e assegurando os 
investimentos em mercados financeiros, nacionais e inter-
nacionais.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 103103
1. O que são derivativos? Quais suas características e seus 
tipos?
2. O que é um hedger?
3. Dentre o que foi estudado, debata com seus colegas, qual 
o posicionamento do Brasil em relação a ser um investidor 
ou um especulador, bem como a interferência deste título 
para o mercado financeiro.
4. O que são contratos a termo, futuros e de opções?
5. Descreva as características, importância e aplicação das 
Swaps no mercado financeiro de derivativos.
6. Qual a importância das decisões tomadas por base a Go-
vernança Corporativa para o mercado financeiro nacional?
Pratique
104104 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
referências
AMBID – Associação Nacional dos Bancos de Investimentos. Disponível 
em: http://certificacao.anbid.com.br/noticias.asp. Acesso em: jan. 2017.
AMBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Finan-
ceiros de Capitais. Debêntures. Disponível em: http://www.deben-
tures.com.br/espacodoinvestidor/calculoeindexadores.asp. Aces-
so em:jan.2017.
ANDREZO, Andrea F.; LIMA, Iran S. Mercado Financeiro: aspectos 
conceituais e históricos. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2007.
ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 9. ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
BACEN – Banco Central do Brasil. Departamento de Monitoramento 
do Sistema Financeiro e de Gestão de Informações, Brasília, 2008.
BASTOS, Danilo. Tipos de Ativos Financeiros, saiba como aprovei-
tá-los. Disponível em: https://queroficarrico.com/blog/2012/09/11/
tipos-de-ativos/. Acesso em: jan. 2017.
BERTOLO. Mercado Financeiro. Disponível em:http://www.bertolo.
pro.br/AdminFin/AnalInvest/CAPITULO6.pdf. Acesso em: jan. 2017.
Bíblia Sagrada. Livro de Mateus. Disponível em: https://biblia.gos-
pelmais.com.br/mateus/. Acesso em: jan. 2017.
BM&F-Bovespa – Bolsa de Mercadoria & Futuros – Bovespa. Mercados de 
Bolsa de Valores. Disponível em: www.bmfbovespa.com.br/. Aces-
so em: jan. 2017.
BONFIM, Antulio N. Derivativos de crédito e outros investimentos. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
BREALEY, Richard; MYERS, Stewart; ALLEN, Franklin. Princípios de 
finanças corporativas. 8. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2008.
BRITO, Osias. Mercado Financeiro. São Paulo: Saraiva, 2015.
CARVALHO, Carlos Eduardo. Mercado Financeiro. São Paulo: Glo-
bal, 2010.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 105105
CVM – Comissão de Valores Mobiliários. Portal do Investidor. O que é bolsa 
de valores. Disponível em: www.portaldoinvestidor.com.br/Acad%-
C3%AAmico/EntendendooMercadodeValoresMobili%C3%A1rios/
Oque%C3%A9BolsadeValores/tabid/92/Default.aspx. Acesso em: 
jan. 2017.
FIGUEIREDO, Antonio C. Introdução aos derivativos. São Paulo: 
Thompson, 2012.
FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: produtos e serviços. 
16. ed. Rio de Janeiro: Qualitymarck, 2014.
Finanças Corporativas e Valor. São Paulo: Atlas, 2013.
GITMAN, Lawrence J.; MADURA, Jeff. Administração Financeira: 
uma abordagem gerencial. 7a reimpressão. São Paulo: Addison 
Wesley Pearson, 2014.
IBGC – Instituto de Governança Corporativa. Disponível em: http://
www.ibgc.org.br/index.php/governanca/governanca-corporativa. 
Acesso em: jan.2017.
KERR, Roberto, B. Mercado Financeiro e de Capitais. 1ª reimpressão. 
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
LIMA, Iran; GALARDI, Ney; NEUBAUER, Ingrid. Mercado de investi-
mentos financeiros. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
LIMA, Tatiana. Conheça as três formas de investimento em câmbio. 
Disponível em: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2011 
/09/conheca-as-tres-formas-de-investimento-em-cambio. Acesso 
em: jan. 2017.
LOPES, João C.; ROSSETI, José P. Economia Monetária. 10. ed. São 
Paulo: Atlas, 2012.
Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 - Lei das Sociedades Anô-
nimas. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L6404consol.htm. Acesso em: jan. 2017.
106106 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
MAGALHÃES, A. Entenda a cotação do ouro e como investir. 
Disponível em: https://economia.terra.com.br/operacoes-cam-
biais/pessoa-fisica/entenda-a-cotacao-em-ouro-e-saiba-como-
-investir,a694b2265fa92410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html. 
Acesso em: jan. 2017.
MAHALANGU, Inácio. Derivativos: quem são os participantes e quais os 
tipos de mercado? Disponível em: http://www.comoinvestir.com.br/
boletins-e-publicacoes/boletim-como-investir/Paginas/derivativos-
-quem-participantes-quais-tipos-mercado.aspx. Acesso em: jan. 2017.
MALLAGI FILHO, Armando; ISHIKAWA, Sérgio. Mercado Financeiro 
e de Capitais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
OLIVEIRA, Gilson: PACHECO, Marcelo. Mercado Financeiro. 2. ed. 
São Paulo: Fundamentos Educacionais, 2010.
Para Mais Empoderamento Financeiro. Mercado Financeiro. Disponível 
em: https://www.parmais.com.br/blog/o-que-e-mercado-financeiro/. 
Acesso em: jul. 2016.
PAIS, José Francisco. Mercado Financeiro: o que é e para que serve? 
Disponível em: https://investduvidas.wordpress.com/2011/06/06/
mercado-financeiro-o-que-e-e-para-que-serve/. Acesso em: jan. 2017.
PINHEIRO, Juliano L. Mercado de Capitais: fundamentos e técnicas. 
4. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PORTAL EXAME. Gestão e Ideias. Disponível em: portalexame.abril.
com.br/v2009/areascomuns. Acesso em: jan. 2017.
REALE, Miguel. Crise da Justiça e Arbitragem. Revista de Arbitra-
gem e Mediação. São Paulo: Revista dos Tribunais, ano 2, n. 5, abr./
jun. 2005.
REIS, Edson R. Mercado Financeiro Nacional e suas faces. Dispo-
nível em: https://www.portaleducacao.com.br/administracao/ar-
tigos/14288/o-mercado-financeiro-nacional-e-suas-fases. Acesso 
em: jan. 2017.
MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 107107
ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, Randolph; JAFFE, Jeffrey, F. 
Administração Financeira. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
ROSSETI, José P. Introdução à Economia. 17. ed. São Paulo: Atlas, 
2007.
Sistema Financeiro Nacional. Composição e evolução do SFN. Dis-
ponível em: http:// www.bcb.gov.br/. Acesso em: jan. 2017.
SALOMÃO, Luís Felipe. A atualização da Lei de Arbitragem. Dispo-
nível em: http://www.caesp.org.br/a-atualizacao-da-lei-de-arbitra-
gem/. Acesso em: jan. 2017.
SECURATO, José R. Crédito: análise e avaliação de Riscos: – pessoas 
físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul, 2012.
SECURATO, José R. Mercado Financeiro: conceitos, cálculos e aná-
lise de investimentos. 3. ed. São Paulo: Saint Paul, 2009.
SILVA, Luiz M. Mercado de opções: conceitos e estratégias. Rio de 
Janeiro: Halip, 2006.
TESOURO NACIONAL. Tesouro Direto. Disponível em: www.tesou-
ro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/. Acesso em: jan. 2017.
Tipos de Derivativos. Disponível em: www.bmfbovespa.com.br/
pt-br/educacional/iniciantes/mercado-de-derivativos/tipos-de-
-derivativos/tipos-de-mercado-de-derivativos.aspx?idioma=pt-br. 
Acesso em: jan. 2017.
108108 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO
Anotações

Mais conteúdos dessa disciplina