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Autoria: Alexsandra de Matos Gil MERCADO FINANCEIROMERCADO FINANCEIRO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a autori- zação escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: alexsandra de matos Gil suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alves designer instrucional: Jasson matias Pedrosa / antonio Carlos vieira Projeto gráfico e diagramação: franCisCo erBínio alves rodriGues tratamento de imagens e caPa: franCisCo erBínio alves rodriGues revisão textual: Claudiene BraGa Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu GIL, Alexsandra de Matos. Mercado Financeiro. / Alexsandra de Matos Gil. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2018. 108 p. ISBN: 978-85-5468-032-9 1. Finanças empresariais. 2. Mercado financeiro. 3. Capitais e ações. 4. Mercado cambial. I. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Prezado(a) estudante, é com imensa satisfação que apresentamos o material didático direcionado aos estudantes de nível superior. Ao ler e estudar por este material, você ampliará sua compreensão acerca do comportamento do mercado financeiro, bem como da assistência aos in- vestimentos e os resultados inerentes aos riscos e retornos empresariais, proporcionando assim contribuições monetárias satisfatórias no cenário moderno vivenciado pelos gestores financeiros. O material está dividido em quatro temas. Nele, você encontrará o embasamento teórico e as noções práticas referentes às bases fun- cionais dos mercados financeiros: empresas de capital aberto, ações, bolsa de valores, intermediadores financeiros, aplicações, risco e re- torno de investimentos. Em resumo, passaremos os conhecimentos que lhe ajudarão no processo de estudo deste módulo em Gestão Financeira e, assim, possi- bilitarão uma boa verificação de seus conhecimentos atuantes dos Mer- cados Financeiros, auxiliando a vocês, gestores, numa proposta eficaz, eficiente e relevante na alavancagem corporativa empresarial. Sabemos da impossibilidade de findar todo o assunto nesta produção. Desse modo, você deverá pesquisar em outras fontes para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado(a) sobre os temas estudados aqui, estando, assim, apto(a) a se submeter à ava- liação do curso. Então,vamos lá! Bons estudos! Alexsandra de Matos Gil Seja bem-vindo! SU M Á R IO NOÇÕES PRELIMINARES NO ESTUDO DE FINANÇAS EMPRESARIAIS 1. Moeda, Mercados e Segmentação do Mercado Financeiro ..................................................... 8 2. Processo de informação no Gerenciamento das Finanças ................................................................................... 12 2.1. Investidores e Decisões de Investimentos ................................12 2.2. Relação entre Risco e Retorno ..............................................................13 2.3. Administração de Carteira .........................................................................15 3. Instituições e Intermediadores Financeiros ............ 17 3.1. Principais intervenientes no Mercado Financeiro ..............18 4. Sociedades Anônimas: Legislação Básica, Estrutura e seu Papel no Desenvolvimento do País ................. 20 4.1. Noções de Ação: espécies, formas e classes; Direitos do Acionista .......................................................................................21 4.2. Abertura do capital de uma Sociedade Anônima .........23 MERCADO FINANCEIRO E MERCADO MONETÁRIO 1. Mercado Financeiro ..........................................................28 2. Divisão do Mercado Financeiro em Segmentos ......32 3. Noções básicas dos tipos de investimentos no Mercado Financeiro .......................................................... 34 3.1. Principais papéis negociados no Mercado Financeiro ...................................................................................................................36 4. Mercado Monetário ..........................................................37 4.1. Tipos de títulos do Mercado Monetário .....................................39 4.2. Diferença entre o Mercado Monetário e o de Capitais .....................................................................................................46 SU M Á R IO MERCADO DE CRÉDITO, MERCADO DE CAPITAIS E MERCADO DE AÇÕES 1. Mercado de Crédito ........................................................ 50 1.1. Créditos para Pessoas Físicas .................................................................51 1.2. Créditos para Pessoas Jurídicas .........................................................52 1.3. Diferença entre Mercado de Crédito e Mercado de Capitais .......................................................................................55 2. Mercado de Capitais .........................................................55 2.1. Mercado de Renda Fixa ..............................................................................57 2.2. Mercado de Renda Variável ..................................................................64 3. Mercado de Ações ............................................................ 66 3.1. Bolsa de Valores ..................................................................................................67 3.2. Administração das Ações: rentabilidade, risco e liquidez ..........................................................................................................71 MERCADO CAMBIAL, MERCADO DE DERIVATIVOS E GOVERNANÇA CORPORATIVA 1. Mercado Cambial ................................................................78 1.1. Regime Cambial ..................................................................................................79 1.2. Taxas de Câmbio .................................................................................................81 1.3. Investimento em Câmbio ..........................................................................83 1.4. Negociação em Mercado de Câmbio no Brasil ...............84 2. Mercado de Derivativos ..................................................85 2.1. Principais produtos do Mercado de Derivativos ..............85 2.2. Participantes do Mercado de Derivativos ................................88 2.3. Tipos de Mercado de Derivativos .....................................................88 3. Governança Corporativa ................................................ 94 3.1. Níveis e Indicadores de Governança .............................................97 3.2. Câmara de Arbitragem do Mercado – CAM .......................99 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 7777 CAPÍTULO 04 meRcado cambial, meRcado de deRivativos e goveRnança coRpoRativa Apresentação Este último capítulo trata dos mercados cambiais, mercado onde ocorrem transações envolvendo investimentos em moedas diferentes das aplicáveis no país de sede das organizações. Abor- daremos os tipos de câmbios, bem como regimes de câmbio, taxas de câmbio e tipos de investimento em câmbio, sua negociação e como se comporta no mercado brasileiro. Logo após, passaremos a estudar o Mercado de Derivativos, principais produtos do mercado de derivativos, seus participantes, tipos, detalhando características de cada um deles e as estratégias decisórias diante as variações deste mercado. Encerraremos nossos estudos de mercado finan- ceiro aprendendo um poucosobre as decisões que minimizam o mercado, a Governança Corporativa, seus níveis e a Câmara de Arbitragem do Mercado. Esperamos que todo este material tenha levado você a um mundo novo, o de mercado financeiro, e assim possa ampliar seus conhecimentos. 7878 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO • Estudar o mercado de câmbio, conhecendo seus tipos e como aplicar seus numerários na troca de câmbio; • Identificar quais as características do Mercado de Derivativos, tipos e investidores que podem efe- tuar investimentos neste mercado; • Integrar os conhecimentos sobre a aplicação da Governança Corporativa na tomada de decisão financeira diante das oscilações da moeda no mercado brasileiro. Objetivos de Aprendizagem 1. meRcado cambial Nos estudos de Bertolo (2017, p. 5), vemos que “a história do início de uma operação no mercado de câmbio ocorreu diante do que foi pesquisado em uma empresa dos EUA que exporta produ- tos para o Japão”. O mesmo autor denota que os fabricantes da época, nos EUA, precisavam ser pagos em dólares americanos, já o comprador no Japão possui “yen”, com o qual pagará o fabricante nos EUA. Bertolo também diz que: “Assim, existem duas possibili- dades dessa operação entre os EUA e o Japão, pois o exportador americano fatura o importador japonês em dólares ou em yens”: Se o exportador americano faturar em dólares, o importador japo- nês venderá yens para comprar dólares americanos no mercado de câmbio; Se o exportador americano faturar em yens, o exportador deve vender os yens para comprar dólares. Qualquer que seja a moeda da fatura, alguém irá ao mercado de câmbio vender yens para comprar dólares. Diante do exemplo apresentado por Bertolo (2017), destacamos que a significação para o segmento do mercado financeiro é que sua caracterização se dá por um mercado no qual são realizadas as tran- sações cambiais, ou as compras e vendas de moedas estrangeiras, tendo como moeda internacional dominante o dólar norte-america- no. Sua principal função está relacionada à transferência de recursos MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 7979 de um país para outro (cada vez mais, isso é feito por meio eletrônico por transferências eletrônicas gastando-se pouco tempo e execução em 24 horas, tornando-os mais globalizados). A necessidade dessa troca de moedas entre dois países surge por diversos motivos, por exemplo, comércio exterior (importações e exportações), despesas de turistas, investimentos estrangeiros (dire- tos e indiretos), captação de empréstimos ou aplicações no exterior. Fique Atento No curto prazo, a especulação entre moedas e taxas de juros é um dos mais relevantes direcionadores de taxas de juros. No médio prazo, o risco político e os investimen- tos internacionais diretos e indiretos são os direcionadores de taxas de câmbio mais relevantes. No longo prazo, a pa- ridade do poder de compra e a paridade de juros são os direcionadores de taxas de câmbio relevantes. A paridade de juros determina qual a taxa de juros de equilí- brio que torna indiferente para um investidor aplicar seu dinheiro em um ou em outro país. Já a paridade do poder de compra (PPC) é um conceito antigo. Em um mercado perfeito, sem atritos, isto é, sem barreiras ao fluxo de informações e mercadorias, não é pos- sível um mesmo bem ter preços diferentes, fenômeno conhecido como lei do preço único. Vale lembrar que o PPC é um indicador de longo prazo, que aponta apenas a direção de variação das moedas no futuro e funciona melhor quando a comparação é feita entre países com o mesmo grau de desenvolvimento. 1.1. Regime Cambial A influência da taxa de câmbio sobre o balanço de pagamen- to dependerá do regime cambial, adotado pelo país. Os regi mes mais comuns são o de taxa fixa, taxa flutuante, banda cambial e flu- tuação administrativa. Há uma interdependência entre fluxo cam- bial e balanço de pagamento. 8080 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO I. No regime de taxa fixa, o Banco Central estabelece uma taxa fixa de conversão entre a moeda local do país e uma moeda estrangeira de referência, geralmente o dólar norte-ameri- cano. Poderia ser fixada em relação a uma cesta de moedas estrangeiras(na prática isso quase não acontece, mas é uma ideia que agrada a alguns economistas, onde o Banco Cen- tral, então, se encarrega de manter a taxa constante, admi- nistrando a oferta de moeda estrangeira). II. Já no regime de taxa flutuante, as taxas de conversão são livremente determinadas pelo mercado. O equilíbrio é dado pela lei de oferta e demanda. Se houver uma grande oferta de moeda estrangeira, como no exemplo anterior, o ajuste se dará por meio da alteração da taxa de câm- bio. Nesse caso, a moeda local se valoriza, a estrangeira se desvaloriza e a taxa de câmbio da moeda estrangeira cai. Por exemplo, no Brasil, se o dólar estivesse cotado a R$ 2,33 e houvesse um grande fluxo de investimentos estran- geiros no país, a maior oferta de dólares faria a taxa de conversão cair, por exemplo, para R$ 1,73 (como mostra a tabela do Bic Mac Index). A vantagem é que o nível de reservas em moeda estrangeira não é tão afetado e a po- lítica monetária do governo fica mais independente do câmbio. A desvantagem é que os exportadores e impor- tadores do país ficam sujeitos a uma maior volatilidade na taxa de câmbio e, persistindo a tendência de valorização da moeda interna, haverá dificuldades competitivas para os exportadores. III. No regime de banda cambial, há uma espécie de meio-ter- mo entre a taxa fixa e a flutuante, isto é, o Banco Central estipula um limite mínimo e um limite máximo, ou seja, uma banda de flutuação para a taxa de câmbio. Se a co- tação cair abaixo do limite mínimo, o banco intervém com- prando moeda estrangeira. Caso ultrapasse o limite supe- rior, o banco vende moeda estrangeira. IV. Por último, o regime de flutuação administrada é uma va- riante do regime de taxa flutuante. A diferença é que nele o Banco Central, de surpresa e, portanto, sem regra defini- da, pode intervir no mercado de câmbio, comprando/ven- dendo moeda, visando a impedir ou aplainar flutuações excessivas nas cotações em curtos espaços de tempo. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8181 1.2. Taxas de Câmbio Costumam ser expressas de duas maneiras diferentes no mercado à vista (spot), e são geralmente denominadas cotações di- retas (quando ela expressa o preço de uma unidade de moeda es- trangeira em moeda nacional, assim que as cotações são expressas no Brasil) e cotações indiretas (expressará o preço de uma unidade da moeda nacional em moeda estrangeira). Por exemplo, em citação de Kerr (2011, p.106), a cotação indi- reta dessa mesma taxa seria dada por 0,5775, ou seja, R$ 1,00 está custando US$ 0,5775. É fácil perceber que uma cotação direta no Brasil corresponderia a uma cotação indireta nos Estados Unidos, e vice-versa. Também é fácil perceber que a cotação indireta é o inverso da cotação direta. Ao examinar uma cotação de moeda estrangeira, encontra- -se sempre a coluna de compra e a coluna de venda. Isso ocorre porque a moeda estrangeira, como qualquer mercadoria (moeda estrangeira), tem dois preços para o comerciante (casa de câmbio): um pelo qual ele compra e outro pelo qual ele a vende. Quando o preço de compra é menor do que o preço de venda, essa diferença é denominada spread de compra e venda. Quando uma moeda não é trocada por outra, não há como obter diretamente uma taxa de câmbio, e a co- tação só pode ser obtida por meio de uma terceira moeda comum às duas, cujo resultado é denominado taxa cruza- da. Por exemplo, se não há negociação direta de euros no Brasil, não há uma cotação direta para converter euros em reais. Mas como as duas são conversíveis em dólar, é pos- sível determinar uma taxa cruzada de conversão de euros em reais. Curiosidade Alguns autores dão especial importância à Taxa PTAX (pro- grama Tax), que é a sigla utilizada pelo Bacen pararegistrar e divul- gara cotação média ponderada dos contratosde câmbio negocia- 8282 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO dos pelas instituições financeiras no dia anterior. Há diversas taxas PTAX, como PTAX 800 (usada para as negociações normais dos contratos de câmbio) e a PTAX 200 (para as negociações feitas exclusivamente entre instituições financeiras). Nas cotações, é comum ver os termos dólar comercial, dólar turismo e dólar paralelo. Mas como identificar cada um deles? Para Kerr (2011, p. 108) e Bertolo (2017): • Dólar comercial é a cotação utilizada em comércio exterior, nas transações de importação e exportação. Formada pelas operações oficiais de compra e venda de moedas entre ban- cos e empresas como exportações, importações, captações ou empréstimos, por meio interbancário, negociação entre bancos, com prazo de liquidação financeira D+2; • Dólar turismo é a utilizada por turistas que necessitam comprar ou vender a moeda estrangeira. Formada pela negociação de dólares entre pessoas que irão viajar para o exterior e casas de câmbio autorizadas; • Dólar paralelo é um eufemismo para a cotação de dólar no câmbio negro, que são operações de câmbio não autorizadas e não regulamentadas pelo Bacen. Formada pelas operações in- formais de negociação de moeda realizadas em casas de câm- bio ou doleiros. Economicamente, os riscos de câmbio geram grande deman- da, por parte das empresas que têm transações de comércio exte- rior, de instrumentos para sua mitigação. Esses instrumentos ge- ralmente são ativos derivados ou derivativos de câmbio, que serão tratados no último capítulo, o quatro deste módulo. Como pontua Bertolo (2017, p.139): A formação da taxa de câmbio é determinada di- retamente pela oferta e procura da moeda (dó- lar). Constantemente o Banco Central interfere na oferta e/ou procura em função de fatores como: conjuntura socioeconômica interna e externa, po- lítica monetária e nível de reservas cambiais. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8383 1.3. Investimento em Câmbio Diante do artigo de Tatiana Lima (2011), estudaremos como o câmbio pode interferir nas decisões empresariais e consequente- mente na economia de mercado financeiro. Para a autora, existem três formas de se investir em câmbio, que são: I. Fundos cambiais: onde a rentabilidade deste tipo vem da va- riação cambial do dólar. Só não exatamente igual a esta varia- ção por conta dos descontos de taxa administrativa, Imposto de Renda e IOF, quando o resgate for feito antes de 30 dias; II. Por meio de minicontratos de mercado futuro, atrelados à variação do dólar; e III. Forex (sigla no inglês para câmbio estrangeiro): é o mais arriscado, que a grosso modo é um jogo de câmbio entre várias moedas do mundo (e não apenas na relação Real x Dólar, como nos outros casos). Lima (2011, p.1) relembra que “em um passado não muito dis- tante, uma das opções de se investir em câmbio era a compra física da moeda”. Neste caso, a autora explica que o cidadão aproveitava a baixa de uma moeda e a comprava para revendê-la quando voltasse à alta. Investir em câmbio sempre leva os gestores a uma análise mais detalhada da situação econômica e política do país de origem da moeda, sendo assim, estão sempre na espera por mais rentabili- dade, ou seja, rendimentos altos, bem como mais praticidade, rapi- dez e o dinamismo das movimentações a curto prazo, sendo essa- salgumas vantagens de se investir no Mercado de Câmbio. Apesar das vantagens, há que se apresentar também os reveses. Quanto às desvantagens, observamos que neste mercado sempre há investimento de alto risco, como cita Lima (2011, p.1): “quando uma ponta do negócio está ganhando muito, provavel- mente a outra está perdendo”. As decisões estão sujeitas à varia- ção do câmbio, com incidência de Imposto de Renda e IOF. 8484 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO O gestor financeiro precisa estar atualizado frente às políticas cambiais dos países e entender sobre economia e mercados na- cionais e internacionais. Proposta na maioria das vezes difícil para algumas companhias. 1.4. Negociação em Mercado de Câmbio no Brasil Novamente nos remetendo às pesquisas de Bertolo (2017), este autor nos diz que o mercado de câmbio negocia moedas estrangeiras conversíveis. Existem duas formas de se negociar moedas estrangei- ras. Vejamos o que este autor nos fala sobre estas duas formas: I. Negociação direta com o exterior é formalmente restrita a bancos comerciais e de investimento, licenciados pelo Banco Central, pois este mercado é essencial para equi- librar a Balança de Pagamentos, e nela incluem a Balan- ça Comercial, Balança de Serviços, Balança de Capitais e Transferências. II. Internamente no Brasil: para o mercado interno existe a negociação de câmbio entre vários participantes, como corretoras e casas de câmbio e investidores em geral. A principal moeda negociada é o dólar. Estudos revelam que 1998 certamente foi o ano que a comuni- dade empresarial brasileira começou a se preocupar com medidas mais concretas para aumentar o volume de exportações, principalmente em função das desvalorizações das moedas dos países do sudeste asiático (alguns economistas até falavam em dumping cambial). A maioria das medidas adotadas no Brasil passa por decisões de médias e pequenas empresas, com pouca experiência para expor- tar, sem contar com carência nas linhas de financiamento e instru- mentos financeiros adequados para alavancar a participação do Brasil no mercado global. Sem mencionar a classificação de “rating” especu- lador em que o país se encontra. Bertolo (2017) retrata que nesse con- texto, é muito importante que principalmente os profissionais da área de gestão financeira, vendas e suprimentos entendam corretamente a formação e as nuanças acerca do mercado de câmbio. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8585 No Brasil, todas as operações de câmbio são realizadas por casas especializadas e registradas no Bacen, assim há uma exis- tência, mesmo que quase imperceptível, na compra de uma moeda estrangeira e na venda de outra moeda noutro mercado, conse- guindo com isso uma diferença de taxas. Quando ocorre uma crise ou um descontrole na cotação do dólar, o Banco Central intervém no mercado interbancário venden- do ou comprando grandes lotes de dólares com o objetivo de equi- librar a cotação e tranquilizar o mercado. 2. meRcado de deRivativos Segundo Bertolo (2012, p. 8), este mercado é resultante do mercado à vista, isto é, de todos os produtos negociados nesse mercado, assim como a formação de seus preços é derivada do mercado à vista”. O mesmo autor revela que no Brasil geralmente ouve-se falar que os derivativos são produtos de risco e de alavan- cagem financeira (utilização de recursos de terceiros para aumen- tar o lucro sobre o próprio capital). Seu instrumento proporciona um foco direto, objetivando proteger o investidor de grandes oscilações de preços no mercado. Para Bertolo (2012), outra característica do mercado de derivativos é a negociação de commodities. Na Bovespa, podemos encontrar a definição de commodities como sendo ativos negociados na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F) como ouro, índice bovespa, moedas, cupom cambial, juro interbancário, títulos da dívida externa (C-Bonds, E I-Bonds, FRB) e ativos agropecuários (boi gordo, bezerro, algodão, soja, açúcar, álcool, milho e café). 2.1. Principais produtos do Mercado de Derivativos Para este tópico, utilizaremos as pesquisas de Bertolo (2012), que classifica os produtos de: I. Contratos futuros: são contratos realizados entre duas contra- partes com vencimento futuro, da qual são fixados os montan- tes e valores de compra e venda de uma determinada commo- dity, obedecendo a um ajuste diário de posições e de margens; 8686 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO II. Opções sobre o disponível: opção por meio da qual um inves- tidor adquire o direito de comprar ou vender uma commodity a um preço e a uma data preestabelecidos de um outro investidor; III. Opções sobre o futuro:opção da qual um investidor adquire o direito de comprar ou vender um contrato futuro a um preço e uma data preestabelecidos, de um outro investidor; IV. A Termo: contratos de compra e venda de commodities fu- turo com preços e prazos definidos, diferenciando-se dos contratos futuros por não apresentarem ajustes diários. A liquidação física e financeira se dá na data determinada no contrato a termo. Existe a necessidade de depósito de mar- gem para o comprador do contrato; V. Swaps: troca de índices entre dois investidores com o ob- jetivo de evitar riscos. Utiliza o swap para proteger-se de desvalorizações de moedas. Um exemplo: Imagine que um investidor “x” tenha uma dívida (passivo) em dólar, com vencimento daqui a um ano. Sua renda é em reais. Para pagá-la, ele estaria trocando reais por dólar na data de venci- mento. Mas durante esse período o real se desvalorizou a um patamar inviável. Esse mesmo investidor então estará gastan- do muito mais reais para cobrir sua dívida em dólar. Se ele ti- vesse feito um swap e trocado seu risco de dólar para reais, teria evitado a brusca oscilação mercado, esse mecanismo de proteção se chama hedge; VI. Ouro: baseado em informações retiradas do artigo “Entender a Cotação do ouro e saber como investir”, de Magalhães, o in- vestimento raramente é procurado por quem quer rentabili- dade imediata, mas pelos que desejam proteção contra osci- lações futuras de moedas ou desconfiam da rentabilidade do segmento de renda fixa. Por ser um objeto físico e que lastreia a reserva monetária de diversos países, o ouro é visto como um ativo financeiro seguro. “Do tamanho de uma foto 3 × 4 e com 250 g, uma barra de ouro pode custar R$ 92. O preço é volátil e, no mercado doméstico, é estabelecido pela cotação internacional do ouro - que no dia 25 de novembro estava em US$ 1.247 (ou R$ 2.851) por onça (equivalente a 28,35 g) - e pelo câmbio. Ligado a essas variáveis, o valor do ouro fica su- jeito à instabilidade”. (Magalhães, 2017) MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8787 Há basicamente três formas de se investir em ouro, explica Magalhães. A primeira é adquirir ouro na Bolsa de Valores, em lotes de 250g; outra possibilidade é em um fundo de investimentos, um pouco mais complicado por não haver muita liberdade de entrada e saída. Já a compra física do ouro se dá por meio de empresas au- torizadas pelo Banco Central e pode ser feita inclusive via comércio eletrônico, pagando um boleto e recebendo a compra no endereço desejado. O risco que se corre é o fato de o metal não estar guar- dado em uma instituição financeira. Alguns dos fatores que influenciam a cotação do ouro são a política monetária dos países, a oferta e a demanda de investidores individuais nas bolsas do mundo, o fluxo de importação e exportação do metal e períodos de sazonalidade durante o ano. Quando o ce- nário econômico mundial fica incerto, muitos investidores direcio- nam recursos ao metal, elevando sua cotação. Diferentemente de outros ativos, seu preço sobe quando há instabilidade. Para inves- timentos a longo prazo, é aconselhável comprar fora de momen- tos de crises. “Apesar de ser um porto seguro em momentos de crise, investir em ouro de forma especulativa não é sinônimo de segurança nem rentabilidade”, ressalta o Banco do Brasil. VII. Contratos Ibovespa: Contrato Futuro de Ibovespa; Con- trato de Opções de Compra sobre Futuro de Ibovespa; Contrato de Opções de Venda sobre Futuro de Ibovespa; Contrato de Opções de Compra sobre Futuro de Ibovespa – Modelo Europeu; Contrato de Opções de Venda sobre Futuro de Ibovespa - Modelo Europeu - Taxas de Câmbio;- Contrato Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato de Opções de Compra sobre Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato de Opções de Venda sobre Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Co- mercial; Contrato de Opções de Compra sobre Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato de Opções de Venda sobre Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial; Contrato Futuro Fracionário de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial. 8888 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 2.2. Participantes do Mercado de Derivativos A BM&F-Bovespa caracteriza cada um dos participantes: • Hedger (investidor que visa à proteção): o produtor agrícola que participa do mercado futuro para travar o preço de venda e não correr o risco de queda acentuada de preços. O importador que tem passivo em dólares e compra contratos cambiais no mercado futuro porque teme alta acentuada da cotação dessa moeda na época em que precisar comprar dólares no mercado à vista; • Arbitrador: os arbitradores compram no mercado A e vendem no B. Aumentam a procura (e, consequentemente, os preços) no mercado A e a oferta no mercado B (causando, consequen- temente, queda de preços). Em determinado momento, os dois preços tendem a se equilibrar em um valor intermediário entre os dois preços iniciais. O arbitrador acaba agindo exatamente como um árbitro, por acabar com as distorções de preços entre mercados diferentes; • Especulador: a atuação dos especuladores consiste na compra e na venda de contratos futuros apenas para ganhar o diferen- cial entre o preço de compra e o de venda, não tendo nenhum interesse pelo ativo. A sua presença é fundamental no mercado futuro, pois é o único que toma riscos e assim viabiliza a outra ponta da operação (hedger), fornecendo liquidez ao mercado. Os especuladores não permanecem por muito tempo no mer- cado e dificilmente carregam suas posições até a data de liqui- dação do contrato. A operação de especulação mais conhecida é a day trade, que consiste na abertura e no encerramento da posição no mesmo dia. 2.3. Tipos de Mercado de Derivativos No que traz as normativas Bovespa e nos estudos de Bertolo (2012), há quatro tipos de mercado: I. Mercado a Termo: como comprador ou vendedor, você se compromete a comprar ou vender certa quantidade de um bem (mercadoria ou ativo) por um preço fixado na data de realização do negócio, para liquidação em data futura. Os contratos são liquidados integralmente só no venci- mento. Podem ser negociados em bolsa e no mercado de balcão. No mercado a termo é possível comprar ou vender ações a um prazo e preço predeterminados. As operações a termo possuem as seguintes características: MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 8989 • Os prazos dos contratos a termo são geralmente fixados em 30, 60, 90, 120 ou 180 dias; • Existem sempre dois lados envolvidos: o comprador e o vendedor; • O contrato determina o tipo e a quantidade de ações; • As ações estão disponíveis para o comprador do contrato a partir do terceiro dia útil do fechamento do negócio; • O preço da cotação à vista e a taxa de juros influenciam dire- tamente no preço final do contrato; • O comprador do contrato ou o vendedor a descoberto (aquele que lança o contrato de venda de ações sem efe- tivamente possuir os títulos) necessita depositar uma mar- gem de garantia, que varia de acordo com a classe da ação, podendo ir de 20% a 100% do valor do contrato. II. Mercado Futuro: é uma evolução do mercado a termo. Você se compromete a comprar ou vender certa quantidade de um bem por um preço estipulado para a liquidação em data futura. Nesse mercado, a liquidação de seus compromissos é ajustada financeiramente às expectativas do mercado re- ferentes ao preço futuro daquele bem, por meio do ajuste diário (mecanismo que apura perdas e ganhos). Além disso, os contratos futuros são negociados somente em bolsa; III. Mercado de Opções: negocia-se o direito de comprar ou de vender um bem por um preço fixo numa data futura. Quem adquirir o direito deve pagar um prêmio ao vende- dor, tal como num acordo de seguro. No que tratamos até agora, iremos também nos basear nos ensinamentos de Bertolo (2012), que nos revela que o mercado de opções é negociado na Bovespa e regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para se comprar umaopção as ordens são se- melhantes às de compra de ações. É comum os investidores utilizarem as opções para alavancar seus rendimentos, uma vez que o prêmio pago é muito inferior ao preço da ação e os preços são muito mais sensíveis às oscilações. Também há 9090 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO a possibilidade de operações de hedge, onde um investidor pode se proteger das variações de preço de ações fixando o preço de venda ou de compra desse ativo. Uma das principais variáveis do mercado de opções é a volatilidade de preços (indica o grau médio de variação das cotações de um título em um determinado período). Fique Atento A volatilidade influi nos prêmios das opções, poden- do ter oscilações diárias de mais de 100%. À medida que se aproxima o vencimento de exercício das opções as oscila- ções se tornam maiores, muitas irão “virar pó”. O lastro pode ser em ações, títulos ou dinheiro. Segundo Ber- tolo (2012), são as seguintes operações que podem ser feitas com opções: • COC (Comprar Opção de Compra): o comprador adquire o direito de compra de um papel até a data de vencimento da opção, ao preço do exercício (preço predeterminado do papel), pagando um prêmio ao lançador da opção; • COV (Comprar Opção de Venda): o comprador adquire o direito de venda de um papel, ao preço de exercício, até a data de venci- mento da opção, pagando um prêmio ao lançador da opção; • VOC (Vender Opção de Compra): o lançador da opção tem a obrigação de vender os papéis ao comprador, ao preço do exercício, quando este quiser exercer seu direito. O lançador re- cebe do comprador o prêmio referente à opção; • VOV (Vender Opção de Venda): o lançador da opção tem a obrigação de adquirir do comprador os papéis, ao preço do exercício, quando este quiser exercer seu direito. O lançador re- cebe do comprador o prêmio referente à opção. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9191 Segundo a Bovespa (2017), exige-se que: “para toda opção lançada ao mercado, o lançador deposite uma mar- gem para garantir o cumprimento do contrato. Apenas o lançador da opção tem esta obrigação. Caso o lançador faça uma venda coberta, ou seja, possua os papéis em sua carteira, essas ações serão depositadas como garantia. Do contrário, deverá depositar dinheiro, títulos, ouro ou ações como garantia. Poderá haver aumento no valor das mar- gens (chamada de margens adicionais) caso o papel do contrato de opção sofra grande oscilação”. Curiosidade IV. Mercado de Swap: é a negociação da troca de rentabili- dade entre dois bens (mercadoria ou ativo financeiro). O contrato de swap é um acordo, entre duas partes, que estabelecem a troca de fluxo de caixa tendo como base a comparação da rentabilidade entre dois bens. No quadro a seguir, você encontrará as principais diferenças entre as modalidades de derivativos: Quadro 01: Diferenças entre as diversas modalidades de derivativos. Onde se negocia O que se negocia Posições Liquidação Mercado a Termo Balcão ou Bolsa Compromisso de comprar ou vender um bem por preço fixado em data futura. Ausência de intercambialida- de (podem ser repassados a outros participantes a qual- quer momento). A estrutura mais comum é a liquidação somente no vencimento. Há con- tratos em que o com- prador pode antecipar a liquidação. Mercado Futuro Somente Bolsa Compromisso de comprar ou vender um bem por preço fixado em data futura. Intercambialida- de (podem ser repassados a outros participantes a qual- quer momento). Presença de ajuste diário. Compradores e vende- dores têm suas posições ajustadas financeiramente todos os dias, com base no preço de fechamento da bolsa. 9292 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO Mercado de Opções B a l c ã o ou Bolsa Os compradores adquirem o direi- to de comprar ou vender por pre- ço fixo em data futura. Intercambiali- dade (podem ser repassados a outros parti- cipantes a qual- quer momen- to). Liquidam-se os prêmios na con- tratação da ope- ração. No venci- mento, apura-se o valor da liqui- dação a partir do exercício do direi- to dos compra- dores. Mercado de Swap Balcão ou Bolsa Compromisso de troca de um bem por outro. Trocam-se fluxos financeiros. Ausência de intercambiali- dade (podem ser repassados a outros parti- cipantes a qual- quer momento. Somente no ven- cimento ou an- tecipadamente, com a concordân- cia das partes. Fonte: Adaptado de Bertolo (2012). 2.3.1. Estratégias decisivas de Mercado de Derivativos Se o investidor apostar numa alta do mercado, ele pode va- ler-se de algumas estratégias básicas utilizando as opções para au- mentar o ganho sobre o capital. Para Bertolo (2012), a primeira es- tratégia delas seria comprar opções, pagando um prêmio, com um strike (preço de exercício) inferior ao preço de mercado do papel e aguardar a valorização para realizar a opção ou vendê-la a um preço maior. A segunda estratégia seria lançar opções de venda com strike abaixo do valor do papel no mercado para receber o prêmio pelas opções. Afirma ele que “se a tendência do mercado for de baixa, o investidor pode comprar opções de venda com um strike alto, garantindo assim um preço fixo no futuro para vender suas ações ou vender estas opções por preço maior”. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9393 O investidor também pode lançar opções de compra com strike alto suficiente que garanta que a opção não será exercida, lucrando o prêmio das opções. Acompanhe a seguir outras com- binações de estratégias que são estabelecidas por Bertolo (2012) nas opções: • Trava Alta: o investidor compra uma opção de compra (titular) a um preço de exercício P e lança uma opção de compra a um preço de exercício P’ maior que P da posição titular. O prêmio da opção titular é maior do que o da posição lançadora, isto é, o investidor terá um desembolso inicial nesta trava. As opções possuem a mesma data de vencimento. Esta trava é utilizada quando o mercado apresentar tendência de alta. Seu ganho (ou perda), no entanto, é limitado. Por assumir uma posição com- prada na opção de compra com preço menor que na posição vendida, sua chance de ganho é maior. Acompanhe a seguir como se comporta o rendimento da operação em função do preço da ação. • Trava Baixa: o investidor compra uma opção de compra (ti- tular) com preço de exercício P e ao mesmo tempo lança uma opção de compra com um preço de exercício P’ menor que P da posição titular. O prêmio da opção titular é menor que da po- sição lançadora. Neste caso, o investidor terá um ganho inicial nesta trava. As opções possuem a mesma data de vencimento. Esta trava é utilizada quando o mercado apresentar tendên- cia de baixa. O ganho ou a perda do investidor são limitados. Por lançar opções com prêmios maiores do que na posição titu- lar, o investidor está apostando que nenhuma das opções será exercida e que seus lucros estarão justamente na diferença en- tre os prêmios das opções. Acompanhe a seguir como se com- porta o rendimento da operação em função do preço da ação. • Boxe Fechado: é uma operação de renda fixa com utilização de opções. Basicamente é uma combinação de uma trava de alta com uma trava de baixa. O Boxe é uma boa estratégia de captação quando a taxa de juros envolvida nessa operação for 9494 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO menor que a taxa de juros do mercado. O Boxe pode também ser utilizado como uma operação de empréstimo, se a taxa en- volvida for maior que a taxa de juros de mercado. O Boxe de empréstimo é formado por: • Compra de opção de compra ao preço de exercício P; • Lançamento de opção de venda ao pre- ço de exercício P; • Lançamento de opção de compra ao preço de exercício P’ (P’ > P); • Compra de opção de venda ao preço de exercício P’ (P’ > P). O Boxe de captação é formado por: • Compra de opção de compra ao preço de exercício P; • Lan- çamento de opção de venda ao preço de exercício P; • Lança- mentode opção de compra ao preço de exercício P’ (P’ P); • Compra de opção de compra ao preço de exercício P” (P” > P’ > P). Butterfly de venda: • Compra de opção de venda ao preço de exercício P; • Lançamento de 2 opções de venda ao preço de exercício P’ (P’ > P); • Compra de opção de venda ao preço de exercício P” (P” > P’ > P). Todas as opções se referem ao mesmo ativo-objeto e data de vencimento. Segundo Bertolo (2012), a liquidação do contrato pode ser antecipada. Para tanto, paga-se o valor pro rata relativo aos dias corridos. 3. goveRnança coRpoRativa Seguiremos como base as normatizações estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Governança Coorporativa - IBGC - para com- por todo este tópico, iniciando, assim, com uma breve história. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9595 De acordo com o IBGC (2017), “a história caminha ao lon- go do século 20, onde a economia dos diferentes países tornou-se cada vez mais marcada pela integração aos dinamismos do comér- cio internacional, assim como pela expansão das transações finan- ceiras em escala global”. Neste contexto, as companhias foram ob- jeto de sensíveis transformações, uma vez que o acentuado ritmo de crescimento de suas atividades promoveu uma readequação de sua estrutura de controle, decorrente da separação entre a proprie- dade e a gestão: Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os rela- cionamentos entre sócios, conselho de adminis- tração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. (IBGC, 2017, p. 1) A vertente mais aceita indica que a Governança Corporativa surgiu para superar o “conflito de agência” clássico, destacado pe- las vertentes bilaterais do proprietário (acionista) que delega a um agente especializado (administrador) o poder de decisão empre- sarial (lei). Podem surgir divergências de entendimentos, assim a Governança Coorporativa busca superar estes conflitos. O IBGC estabelece que, no Brasil, a propriedade concentrada predomina, e os conflitos se intensificam à medida que a empre- sa cresce e novos sócios, sejam investidores ou herdeiros, passam a fazer parte da sociedade. Neste cenário, a Governança também busca equacionar as questões em benefício da empresa. Este Instituto também destaca que neste novo mercado as boas práticas de governança corporativa convertem princípios bá- sicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a fi- nalidade de preservar e otimizar valor econômico de longo prazo, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum. 9696 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO Os princípios utilizados para nortear a Governança Corpora- tiva, estabelecidos pelo IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, são: • Transparência - Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regu- lamentos. Não deve restringir-se ao desempenho econômico- -financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da organização; • Equidade - Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas; • Prestação de Contas (accountability) - Os agentes de go- vernança devem prestar contas de sua atuação clara, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as con- sequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis; • Responsabilidade Corporativa - Os agentes devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das Cias, reduzir as externalida- des negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração modelo de negócios, os diver- sos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazo. Todos esses segmentos prezam por rígidas regras de gover- nança corporativa. Essas regras vão além das obrigações que as companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações (Lei das S.As.) e têm como objetivo melhorar a avaliação daquelas que de- cidem aderir, voluntariamente, a um desses segmentos de listagem, que veremos a seguir. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9797 3.1. Níveis e Indicadores de Governança Os segmentos especiais de listagem da BM&F-Bovespa – Bo- vespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1 - foram criados no momento em que percebemos que, para desen- volver o mercado de capitais brasileiro, era preciso ter segmentos adequados aos diferentes perfis de empresas. Quadro 02: Comparativo dos seguimentos de listagem. Bovespa Mais Bovespa Mais Nível 2 Novo Mercado Nível 2 Nível 1 Básico Caracte- rísticas das ações emitidas. Permite a existência somente de ações ON. Permite a existência de ações ON e PN. Permite a existência somente de ações ON. Permite a existência de ações ON e PN (com direitos adicionais). Permite a existência de ações ON e PN (conforme legislação). Per- mite a existên- cia de ações ON e PN (con- forme legisla- ção). Percentu- al mínimo de ações em circula- ção (free float). 25% de free float até o 7o ano de listagem. 25% de free float até o 7o ano de listagem. No mínimo 25% de free float. No mínimo 25% de free float. No mínimo 25% de free float. Não há regra. Distri- buições públicas de ações. Não há regra. Não há regra. Esforços de dispersão acionária. Esfor- ços de dispersão acionária. Esforços de disper- são acioná- ria. Não há regra. Vedação a dispo- sições estatutá- rias. Quórum qualifi- cado e "cláusulas pétreas". Quórum qualificado e "cláusulas pétreas". Limitação de voto inferior a 5% do ca- pital, quórum qualificado e "cláusulas pétreas”. Limitação de voto in- ferior a 5% do capital, quórum qualifi- cado e "cláusulas pétreas”. Não há regra. Não há regra. 9898 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO Compo- sição do conselho de admi- nistração. Mínimo de 3 membros (con- forme legisla- ção), com mandato unificado de até 2 anos. Mínimo de 3 membros (conforme legisla- ção), com mandato unificado de até 2 anos. Mínimo de 5 membros, dos quais pelo menos 20% devem ser indepen- dentes com mandato unificado de até 2 anos. Mínimo de 5 mem- bros, dos quais pelo menos 20% de- vem ser in- dependen- tes com mandato unificado de até 2 anos. Mínimo de 3 membros (conforme legisla- ção), com mandato unificado de até 2 anos. Mínimo de 3 mem- bros (con- forme legisla- ção). Vedação à acumu- lação de cargos. Não há regra. Não há regra. Presidente do conselho e diretor presidente ou principal executivo pela mesma pessoa (ca- rência de 3 anos a partir da adesão). Presi- dente do conselho e diretor presi- dente ou principal executivo pela mes- ma pessoa (carência de 3 anos a partir da adesão). Presi- dente do conselho e diretor pre- sidente ou principal executivo pela mes- ma pessoa (carência de 3 anos a partir da adesão). Não há regra. Obriga- ção do conselho de admi-nistração. Não há regra. Não há regra. Manifestação sobre qual- quer oferta pública de aquisição de ações da companhia. Manifesta- ção sobre qualquer oferta pública de aquisição de ações da compa- nhia. Não há regra. Não há regra. Demons- trações financei- ras. Conforme legisla- ção. Conforme legislação. Traduzidas- para o inglês. Traduzidas para o inglês. Conforme legislação. Con- forme legisla- ção. Reunião pública anual. Faculta- tiva. Facultativa. Obrigatória. Obrigató- ria. Obrigató- ria. Faculta- tiva. Calen- dário de eventos corpora- tivos. Obrigató- rio. Obrigatório. Obrigatório. Obrigató- rio. Obrigató- rio. Faculta- tivo. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 9999 Divul- gação adicional de infor- mações. Política de nego- ciação de valores mobiliá- rios. Política de negociação de valores mobiliários. Política de negociação de valores mobiliários e código de conduta. Política de negocia- ção de valores mobiliários e código de con- duta. Política de negocia- ção de valores mobiliários e código de condu- ta. Não há regra. Con- cessão de Tag Along. 100% para ações ON. 100% para ações ON e PN. 100% para ações ON 100% para ações ON e PN. 80% para ações ON (conforme legislação). 80% para ações ON (con- forme legisla- ção). Oferta pública de aqui- sição de ações no mínimo pelo valor econômi- co. Obriga- toriedade em caso de cance- lamento de regis- tro ou saída do segmen- to, exceto se houver migra- ção para Novo Mercado. Obrigato- riedade em caso de cancela- mento de registro ou saída do segmento, exceto se houver migração para Novo Mercado ou Nível 2. Obrigato- riedade em caso de can- celamento de registro ou saída do segmento. Obriga- toriedade em caso de cance- lamento de registro ou saída do seg- mento. Conforme legislação. Con- forme legisla- ção. Adesão à Câma- ra de Arbitra- gem do Mercado. Obrigató- rio. Obrigatório. Obrigatório. Obrigató- rio. Facultativo Faculta- tivo Fonte: BM&F-BOVESPA, 2017. 3.2. Câmara de Arbitragem do Mercado – CAM A história da arbitragem é observada na evolução das civiliza- ções proporcionando amenizar conflitos das relações sociais, bem como os litígios, sugerindo as mais diversas formas de resolução. Para Salomão (2017), nos primórdios da humanidade, os conflitos existentes eram resolvidos mediante a imposição da vontade do mais forte sobre o mais fraco, numa verdadeira “vingança privada”, mais conhecida pela doutrina como autotutela. 100100 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO Fique Atento A arbitragem já era praticada entre os babilônios como forma de abrandar litígios entre as suas cidades-es- tados. Em um tratado de 445 a.C., Atenas e Esparta esti- pularam cláusula compromissória expressa, remetendo-as para via arbitral em caso de conflito. Baseado na Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral denota as normativas para a prática desta arte, utilizada constantemente nas corporações. […] a arbitragem vem abrir novo e amplo campo de ação nessa matéria, permitindo que a própria sociedade civil venha trazer preciosa contribuição, valendo-se da alteração verificada na experiência jurídica contemporânea no tocante às fontes do Direito, enriquecidas pelo crescente exercício do chamado poder negocial, em complemento à lei, às decisões judiciais e às normas constitucionais. (REALE, 2005, p. 13) Agora nos resta falar do último assunto referente à Gover- nança Corporativa, as Câmaras de Arbitragem, seguindo as bases da BM&F-Bovespa, que afirma: “Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) é o foro mais adequado para resolver disputas societárias e do mercado de capitais”. A CAM oferece um ambiente independen- te, sigiloso e eficiente para a solução de controvérsias, pautado nas diretrizes da Lei de Arbitragem. O IBGC retrata que a preocupação da Governança Corporativa é, portanto, criar um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, a fim de assegurar que ocomportamento dos administradores esteja sempre alinhado com o melhor interesse da empresa. Não esque- cendo a base de seus princípios. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 101101 A Bovespa afirma que a CAM oferece um foro especializa- do para a solução de questões relativas aodireito empresarial, so- bretudo relacionadas ao mercado de capitais e o direito societário. Atua na administração de procedimentos arbitrais originários de conflitos surgidos no âmbito das companhias comprometidas com a adoção de práticas diferenciadas de governança corporativa e transparência, cujas ações são listadas na Bovespa, e também em outros litígios entre pessoas físicas e jurídicas, desde que sejam re- ferentes a direito empresarial. Relembre Este estudo mostrou o que é mercado financeiro bra- sileiro, com exemplos práticos. Os intermediários são peças fundamentais, como bancos e corretoras de valores mobiliá- rios. Além disso, o Bacen e a CVM possuem papel relevante para a execução das políticas econômicas brasileiras e fisca- lização do mercado financeiro, respectivamente. Por fim, o mercado financeiro brasileiro atualmente possui uma estru- tura complexa, com subdivisões, como é o caso do mercado de ações, de derivativos, de câmbio e bancário. Em nosso país, os bancos são as instituições finan- ceiras mais populares do mercado financeiro. Na prática, os bancos segmentam sua atuação pela renda e patrimô- nio aplicado em produtos financeiros deles. O mercado de ações no Brasil gira em torno da BM&- F-Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Aqui, temos apenas uma bolsa, a qual é responsável por organizar o mercado financeiro de ações para que sejam realizadas as negociações entre aqueles que querem comprar e aqueles que querem vender ações. Uma ação é a menor parcela do capital social de uma empresa. No mercado de ações existem duas principais subdivisões – mercado primário: quando as ações de uma empresa são emitidas diretamente ou por meio de uma oferta pública; e mercado secundário: quando ocorre uma titularidade das ações. O mercado secundário é onde os investidores compram e vendem suas ações para outros investidores. 102102 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO O Mercado de Câmbio, para Bertolo (2012), trabalha com a negociação de moedas estrangeiras e reúne as pes- soas interessadas em movimentar tais moedas. No Brasil, os bancos e corretoras de câmbio atuam como interme- diários. São negociados ativos financeiros (não todos da mesma moeda) com vencimento determinado, cujos pa- péis em uma determinada moeda podem ser negociados contra papéis em outra moeda. Esse mercado existe por- que as nações querem manter seu direito soberano de ter e controlar suas moedas próprias. “Caso todos os países do mundo usassem a mesma moeda, o mercado de câm- bio não existiria”, como estudado por Bertolo (2012). Tanto os que exportam quanto os que importam possuem inte- resse nas variações cambiais, podendo realizar operações no mercado financeiro para se protegerem, por exemplo. Já para o Mercado de Derivativos, como o nome induz, eles são contratos que derivam de outros ativos. São exem- plos os mercados de futuros, de opções e de swaps, entre outros. No mercado de futuros, por exemplo, os agentes eco- nômicos podem proteger seus produtos contra as oscilações de preços. O mercado de opções, por sua vez, permite que investidores protejam seu capital investido em ações. Finalizando o capítulo, estudamos a Governança Cor- porativa, uma normativa estabelecida para minimizar os con- flitos de interesses entre investidores e intermediários atra- vés das câmaras de arbitragem. Falamos e mostramos um quadro explicativo sobre os níveis de segmentos especiais de listagem da BM&F-Bovespa – Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível1, foram criados no mo- mento em que percebemos que, para desenvolver o merca- do de capitais brasileiro, era preciso ter segmentos adequa- dos aos diferentes perfis de empresas. As soluções extrajudiciais, em especial a arbitragem, representam o avanço do processo civilizatório da huma- nidade, que, de maneira consciente, busca mecanismos de pacificação social eficientes. Indiretamente, carrega pers- pectiva de racionalidade, movimentando e assegurando os investimentos em mercados financeiros, nacionais e inter- nacionais. MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO 103103 1. O que são derivativos? Quais suas características e seus tipos? 2. O que é um hedger? 3. Dentre o que foi estudado, debata com seus colegas, qual o posicionamento do Brasil em relação a ser um investidor ou um especulador, bem como a interferência deste título para o mercado financeiro. 4. O que são contratos a termo, futuros e de opções? 5. Descreva as características, importância e aplicação das Swaps no mercado financeiro de derivativos. 6. Qual a importância das decisões tomadas por base a Go- vernança Corporativa para o mercado financeiro nacional? Pratique 104104 MERCADO FINANCEIRO MERCADO FINANCEIRO referências AMBID – Associação Nacional dos Bancos de Investimentos. Disponível em: http://certificacao.anbid.com.br/noticias.asp. Acesso em: jan. 2017. 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