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Livro Digital Inicie sua Jornada Ao iniciar períodos de trabalho ou estudo, você se acomoda confortavelmente em uma cadeira e vislumbra, ao redor, diversas ferramentas à disposição para facilitar o processo. Porém, nem sempre foi assim. Se imagine entrando em uma máquina do tempo. Entre alternativas do passado e do futuro, eu vou programar essa Tardis contábil aos primórdios da escrita. O que levou as pessoas a fazerem os primeiros registros escritos, milhares de anos antes de Cristo? Será que esses primeiros registros estavam relacionados a aspectos contábeis? Realizar tal jornada é fundamental para compreender a teoria da contabilidade como a conhecemos hoje. O futuro é um prolongamento do presente e, para buscar antevê-lo, é necessário compreender bem o presente - o que só é possível compreendendo uma parcela significativa do passado. É interessante observar que a história da Contabilidade, marcada por experimentações, erros e acertos, vai além de nos conduzir à realidade profissional atual. Ela está profundamente conectada com a própria evolução humana. Não apenas se adaptou às mudanças econômicas, comerciais e patrimoniais, mas desempenhou papel central, impulsionando melhorias em escala global. É um privilégio contar com sua companhia nesta viagem pela história. Vamos juntos! PLAY NO CONHECIMENTO Para conhecer um pouco mais sobre o contexto no qual surgiu a contabilidade e alguns dos passos dados pela humanidade no decorrer da história, ouça o podcast disponível sobre o assunto. Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado . Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido. VAMOS RECORDAR Você se lembra do objeto de estudo da contabilidade e da sua finalidade? Essa compreensão é primordial para que estude o surgimento da contabilidade. Relembre assistindo ao vídeo: Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado . Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido. Desenvolva seu Potencial Olá, caro estudante! Essas palavras grafadas possibilitam que eu me comunique com você agora, mesmo estando separados no espaço-tempo. Essa mesma linguagem escrita também permite que sejam realizados registros contábeis, pessoais, comerciais, civis, dentre outros, nas mais variadas mídias. Mas houve uma época em que não existia a escrita e nem um sistema numérico estruturado. E tal cenário é o ponto de partida da nossa jornada pela História da Contabilidade. ARQUEOLOGIA DA CONTABILIDADE começaram a realizar registros primitivos dos bens A primeira parada desta viagem é na pré-história, composta por todo o imenso período anterior à invenção da escrita, fato que ocorreu em 3.000 a.C. (Funari; Noelli, 2023, p. 15). Como não havia escrita, os homens dos primórdios começaram a realizar registros primitivos dos bens que armazenavam, inicialmente empilhando pedras. Separavam uma pedra para representar cada animal que possuíam. Realizavam, assim, o que hoje conhecemos como ‘inventário’. Assim, conseguiam verificar se houve crescimento do rebanho: era só comparar a quantidade de pedrinhas com a de animais. Se houver mais animais que pedrinhas, quer dizer que seu rebanho cresceu (Iudícibus; Marion; Faria, 2018). Uma vez que a ideia das pedrinhas deu certo, que tal pensar em outras formas mais duráveis de manter esse registro? Afinal, deve ser trabalhoso se preocupar se um animal vai passar por ali e tirar todas as pedras do lugar. Começaram então a fazer desenho do animal ou ferramenta na parede (qualificação do bem) e, ao lado, sinais repetitivos (por exemplo, traços ou pontos) para demonstrar a quantidade que possuíam daquilo. Figura 1 - Pinturas e inscrições rupestres Descrição da imagem: a imagem mostra uma parede de caverna em tons bege, com pinturas de animais e traços desenhados na tonalidade laranja. Fim da descrição. Os registros contábeis na pré-história se resumiam a processos rudimentares de inventário dos bens do homem pré-histórico, assim como a identificar o seu proprietário e definir valor de troca; não podem realmente ser considerados como sistemas contábeis no sentido estrito (Ribeiro Filho; Lopes; Pederneiras, 2009). Nós só consideramos tais registros como ‘contabilidade’ quando olhamos em perspectiva, do nosso ponto de vista moderno . O processo evolutivo continuou. Em vários sítios arqueológicos do Oriente Médio, foram encontradas fichas de barro utilizadas para fins de registro contábil, datadas entre 8.000 e 3.000 a.C. Tais fichas eram abundantemente utilizadas nesse período como forma de representar mercadorias. Eram pequenas (mediam de 1 a 4 centímetros) e tinham diversos formatos: esferas, retângulos, discos, triângulos, ovoides, cilindros etc. - cada formato representando um tipo de item ou mercadoria (Schmidt, 2000). Por volta de 3.250 a.C., as fichas passaram a ser armazenadas dentro dos chamados ‘envelopes’, que consistiam em artefatos de barro semelhantes a caixas. Aproximadamente em 3.200 a.C., uma melhoria significativa aconteceu nos envelopes: eles passaram a conter inscrições externas, de modo a facilitar a identificação do seu conteúdo – incluindo o total da dívida e tipo de bem. “Portanto, não era necessário abrir nem quebrar o envelope, uma vez que nessa época já eram usados os lacres de segurança” (Schmidt, 2000, p. 17). A evolução contábil ocorreu, pois, à medida que as atividades foram se desenvolvendo em dimensão e complexidade, exigiu-se que os instrumentos de avaliação da situação patrimonial fossem aperfeiçoados (Iudícibus, 2023). IMPACTO DA CONTABILIDADE NA INVENÇÃO DA ESCRITA A invenção da escrita foi um evento tão impactante que passou a ser reconhecida como o “início da História”. Por isso, todo o período anterior a ela é considerado “Pré-história”. Ela ocorreu há aproximadamente 5 mil anos atrás, ou seja, 3.000 a.C., no Egito e na Mesopotâmia (Funari; Noelli, 2023, p. 15). A escrita cuneiforme, assim chamada pois consistia em utilizar um objeto em forma de cunha para realizar marcações em tábuas de barro, já não era baseada em desenhos, e sim em símbolos (ideográfica) (Sá, 1997). Ela não surgiu para contar histórias lendárias da antiguidade: nasceu como ferramenta para os sumérios realizarem a administração de seus bens . Dê uma conferida na tábua de barro a seguir: Figura 2 - Tabuleta de barro com registro contábil Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/325851 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem mostra uma pequena placa de argila de formato retangular. A placa possui uma superfície irregular e está coberta por inscrições cuneiformes, que são marcas em forma de cunha feitas com um instrumento pontiagudo. As inscrições cobrem toda a superfície da placa, exceto por uma pequena área na parte superior direita, onde a argila parece ter sido raspada. A placa está em bom estado de conservação, com as inscrições ainda visíveis e legíveis. A cor da placa é marrom-avermelhada, típica da argila cozida. O fundo da imagem é preto, contrastando com a cor da placa e realçando as inscrições. Fim da descrição. Essa tábua da imagem apresenta registros contábeis de uma caravana mercante existente no século 20 ou 19 antes de Cristo. Descreve as receitas e despesas da caravana, a quantidade de prata, tecidos, animais e utensílios que possuíam, além do registro de outras taxas, compras e pagamentos. Além disso, notam-se diversas rasuras no texto, o que indica o cuidado com que os registros eram feitos (MET, 2024). O processo em si é muito interessante. Inicialmente, fabricavam as tabuinhas de barro na forma e no tamanho corretos. Assim que realizavam a escrita, deixavam as tábuas secarem. Se precisassem usá-las novamente, ou até mesmo alterar alguma parte específica, era só umedecer a argila e... voilá! E se fosse um registro que quisessem conservar sem possibilidade de alteração como, por exemplo, um documento legal? Era só cozinhar as tábuas no forno, pois assim a superfície se tornava dura, inalterável (National Geographic,2024). Elaborar as tabuletas tinha a sua complexidade, uma vez que poderiam conter escritos em todas as suas faces e, em algum momento, foram incorporados certos ‘acessórios’ de validação e segurança ao processo. Um dos acessórios é o Selo Cilíndrico, feito de diversos materiais, como pedra, marfim, conchas e até ossos. Tinha sua superfície esculpida com os mais variados desenhos e símbolos – como eram bem pequenos, imagine a dificuldade de entalhá-los? Como possuem forma cilíndrica, eram pressionados e rolados por cima da argila, fazendo com que o desenho aparecesse. Lembra daqueles rolinhos que as crianças usam para brincar com massinha de modelar? Eles operam de forma muito semelhante. Alguns outros exemplos de tábuas cuneiformes e seus respectivos registros: Inventário de animais Final do século 7 – início do século 6 a.C. Figura 3 - Inventário de animais Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/328792 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem mostra uma tábua de argila cuneiforme. A tábua é um objeto retangular, com uma superfície irregular e rachada, indicando sua antiga idade. A maior parte da tábua é coberta por inscrições cuneiformes, que são marcas em forma de cunha feitas com um estilete em argila macia. Essas inscrições são características da escrita cuneiforme, um dos primeiros sistemas de escrita desenvolvidos pela humanidade, utilizado pelas civilizações antigas da Mesopotâmia. Balanço contábil de cevada Aproximadamente 2.029 a.C. Figura 4 - Balanço contábil de cevada Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/321820 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem apresenta um cilindro de argila cuneiforme. Diferentemente da tábua plana, este artefato possui uma forma cilíndrica, com inscrições cuneiformes cobrindo toda a sua superfície. Registros contábeis de grãos de malte e cevada Entre 3.100 a 2.900 a.C. Figura 5 - Registros contábeis de grãos de malte e cevada Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/327385 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem apresenta uma pequena placa de argila cuneiforme. Em comparação com as tábuas e cilindros que vimos anteriormente, esta peça é consideravelmente menor e mais delicada. Depósito judicial Entre os séculos 20 e 19 a.C. Figura 6 - Depósito judicial Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/326711 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem mostra uma tábua cuneiforme. É um objeto quadrado, feito de argila, com inscrições em relevo que formam a escrita cuneiforme. Recibo fiscal Aproximadamente 1.634 a.C. Figura 7 - Recibo fiscal Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/321701 . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem apresenta um selo cilíndrico. Diferente das tábuas planas e dos cilindros lisos que vimos anteriormente, este artefato possui uma forma cilíndrica e apresenta relevos em toda a sua superfície. Visão de todos os lados Transação comercial de metais preciosos. Aproximadamente 1.800 a.C. Figura 8 - Visão de todos os lados Fonte: https://art.thewalters.org/detail/2831/business-letter/ . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem mostra um conjunto de pequenas tábuas de argila cuneiforme. Elas são menores e mais delicadas do que as tábuas cuneiformes tradicionais que estamos acostumados a ver. Selo cilíndrico E placa de argila com marcação do selo Figura 9 – Selo cilíndrico Fonte: https://www.metmuseum.org/perspectives/cylinder-seals-tiny-treasures-that-leave-a-big-impression . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: a imagem apresenta dois objetos distintos, mas relacionados. À esquerda: impressão de um selo cilíndrico: é a marca deixada por um cilindro ao ser rolado sobre uma superfície macia, como a argila. A imagem mostra uma figura feminina, possivelmente uma deusa egípcia, segurando um bastão e um símbolo ankh, que representa a vida. Ao redor da figura, há hieróglifos egípcios, que eram a escrita utilizada pelos antigos egípcios. À direita: selo cilíndrico: é o objeto que deixou a impressão à esquerda. É um cilindro pequeno, feito de um material avermelhado, possivelmente cornalina. A superfície do cilindro possui os mesmos relevos da impressão, ou seja, a figura feminina e os hieróglifos. Incrível, não é mesmo? A Contabilidade foi a mola propulsora para a criação da escrita e de um sistema numérico! Que honra para nós, profissionais contábeis, saber que a área do conhecimento que escolhemos tem tanta importância para o desenvolvimento humano em todas as demais áreas! A Contabilidade foi a mola propulsora para a criação da escrita O desenvolvimento da escrita avançou de maneira gradual, com cada civilização criando linguagens e simbologias para manter sua existência funcional. A escrita egípcia, por exemplo, foi adaptada constantemente buscando mais praticidade: o mesmo símbolo poderia significar conceitos diferentes dependendo do contexto e do que acompanhava o símbolo (Sá, 1997). A própria escrita cuneiforme é exemplo de busca por simplificação: os símbolos passaram a ser registrados em outras disposições que facilitavam a escrita (por exemplo, em vez de uma espiga em pé, passaram a escrevê-la na horizontal, pois isso reduzia os movimentos do pulso do escriba; ou trocavam a ferramenta para uma que exigiria golpes menores para inscrição) (National Geographic, 2024). Complementarmente, outros materiais foram confeccionados para comportar a escrita. Os egípcios desenvolveram as folhas de papiro, à base de plantas. Os pergaminhos, criados pelos gregos com base em pele de animais, eram mais resistentes e flexíveis. Já os chineses produziram o papel, com base em fibras vegetais (Puchner, 2019). Até que, além de todos esses fatores citados até aqui, adiantando mais para a frente na história, houve o surgimento dos números. “Praticamente no século XIII é que os números indo-arábicos (0, 1, 2, 3, …) vieram substituir os sistemas greco-romano (I, II, III, IV, …) e hebraico, que usavam letras para contar e calcular (desconheciam o zero)” (Iudícibus; Marion; Faria, 2018, p. 8). Já sobre sua ocorrência no Ocidente, os autores descrevem que: A história dos números no Ocidente começa com o livro Liber Abaci (Livro do Ábaco), escrito em 1202 por Leonardo Pisano, conhecido como Fibonacci (“cabeça dura”). Esse livro, entre inúmeras contribuições, inclui Contabilidade (cálculo de margem de lucro, moedas, câmbio etc.) e juros. (Iudícibus; Marion; Faria, 2018, p. 8) Então, conclui-se que os livros manuscritos que ensinavam escrituração contábil já existiam desde o século XI (Sá, 1997, p. 39), mas houve um livro em especial que elevou a difusão de conhecimentos contábeis para outros patamares. Que tal avançarmos até lá? LUCA PACIOLI: PAI DA CONTABILIDADE MODERNA Até aqui, os livros existiam, mas eram manuscritos . O grande divisor de águas para a difusão de conhecimentos foi a criação da Prensa de Gutenberg, em 1455, que permitiu a impressão de livros em massa. Criada por Johannes Gensfleisch, conhecido como Gutenberg, a prensa era composta por letras e símbolos em relevo esculpidos em metal. Para cada página, eram montados centenas de caracteres, colocados manualmente na ordem correta das frases do texto. Com uma trouxa de pano, era aplicada a tinta nos moldes. Então, se movimentava uma barra na máquina, para que a impressão fosse realizada ao se prensar o pergaminho ou o papel (Superinteressante, 2024). O sucesso foi tamanho que, em 1489, diversos países já possuíam exemplares da máquina; e, em 1500, alcançou-se a marca de 1.500 livros impressos (Superinteressante, 2024). EU INDICO Para assistir a uma demonstração real do funcionamento da Prensa de Gutenberg, clique aqui para ser direcionado ao vídeo. Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado . Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido. Em 1494, em Veneza, na Itália, surge o livro Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalità , escrito pelo Frei LucaPacioli . Dentro deste livro, há uma parte intitulada Tractatus de computis et scripturis , dividida em diversos capítulos, na qual Pacioli detalha o método de partidas dobradas (Sá, 2004). Figura 10 - Frei Luca Pacioli (à esquerda), quadro atribuído a Jacopo de´ Barbari Fonte: https://commons.wikimedia.org/ . Acesso em: 12 dez. 2024. Descrição da imagem: na imagem, há duas pessoas, um homem à esquerda com roupa de frei, segurando uma ferramenta de escrita com a mão direita fazendo uma proporção em um quadro em cima de mesa e segurando um livro com a mão esquerda. O outro homem à direita é um aluno, com roupas finas, leventemente ao fundo. Fim da descrição. É importante ressaltar que Pacioli não inventou as partidas dobradas. Porém, ele se tornou o seu grande divulgador, ao descrevê-las da forma mais completa até aquele momento em um livro impresso. Com isso, as partidas dobradas foram amplamente difundidas, impactando fortemente a economia (Schmidt, 2000). Sua influência foi tamanha que Luca Pacioli é conhecido como o Pai da Contabilidade Moderna . ESCOLAS DO PENSAMENTO CONTÁBIL Houve um período de pouco desenvolvimento contábil, entre 1494 (publicação da obra de Pacioli) e 1840. Embora alguns estudiosos chamem este cenário de Idade da Estagnação Contábil, há muitos que defendem que, na realidade, foi um período de Consolidação Contábil. Ou seja, após o Summa, a revolução contábil foi sem precedentes, o que trouxe a necessidade de que o método das partidas dobradas fosse adotado e disseminado por todo o mundo. O que levou à própria consolidação da Contabilidade como “instrumento útil e capaz de auxiliar na gestão de negócios” (Schmidt, 2000, p. 49 a 51). Escolas do Pensamento Contábil são correntes Após essa fase, as Escolas do Pensamento Contábil surgem a partir da busca por estabelecer a base científica da Contabilidade. A ciência contábil, como ocorre em todos os demais ramos do conhecimento, constrói-se de teorias. Assim, as Escolas do Pensamento Contábil são correntes científicas que reuniram pesquisadores com pensamentos semelhantes. Depois, dessa explicação inicial do andamento geral, é essencial compreender que as escolas do pensamento contábil produziram conhecimentos específicos que perduraram, alguns até os dias de hoje (ainda que com modificações). Muitas vezes se utilizaram das informações de outras escolas para corroborá-las ou refutá-las. Isso é parte do processo natural da ciência. Escola Contista A escola contista é considerada a primeira escola do pensamento contábil, pois é “o primeiro movimento em que se reuniram contadores em torno de uma linha de pensamento organizada” (Ribeiro Filho; Lopes; Pederneiras, 2009, p. 24). Apesar disso, é enquadrada por alguns como pré-científica. O objeto de estudos do contismo é a conta contábil, pois a preocupação dos primeiros pensadores foi a de descrever como as transações seriam registradas contabilmente e exemplificá-las, dentro do sistema de contas (Schmidt, 2000). O maior expoente foi Edmond Degrange, com sua teoria das cinco contas, de 1795, apresentada no livro La tenue des livres rendue facile . Nela, a base dos negócios seria controlada por 5 contas: (a) mercadorias; (b) caixa; (c) efeitos a receber; (d) efeitos a pagar; e (e) lucros e perdas (Sá, 1997, p. 51). Outro aspecto fundamental para os contistas é o processo do registro do haver e do dever , derivando ao axioma do contismo: “quem recebe, deve; quem fornece, tem haver”. Conforme Santos, Schmidt e Machado (2005, p. 64-65), “a diferença é: DEVER = Quem recebe, é considerado devedor de algo, ou seja, tem um débito”. Por exemplo, o responsável pelo caixa, ao receber dinheiro, deve esse valor recebido. HAVER = Já quem entrega, tem em haver, caracterizando um direito de terceiros em relação à empresa. Ou seja, tem um crédito. Por exemplo, se algum terceiro fornece algo à empresa, ele possui um crédito para com ela. Escola Lombarda Desenvolvida na Lombardia – Itália, teve seu auge em Francesco Villa, com sua obra de 1840, considerada o marco de iniciação do período científico da contabilidade (Schmidt, 2000, p. 56). Para Villa, a contabilidade deveria ter conjuntos de conhecimentos e operações voltados para a gestão das entidades, ao invés de limitar-se à simples escrituração nas contas. O objeto de estudo da escola lombarda seria aplicar princípios econômicos gerais à contabilidade, como, por exemplo, esforços mínimos e máxima utilidade. Com isso, se tornou o precursor da contabilidade como fonte de informações gerenciais, desvinculando-a das cifras e dos números. Abordou aspectos como: cálculo da relação entre capital fixo e circulante, averiguação do tempo de permanência das mercadorias, análise da viabilidade de um possível negócio (incluindo tempo para o retorno do capital investido) e valorização dos ativos permanentes (Schmidt, 2000). Escola Personalista Surgiu em 1867, quando Francesco Marchi publicou sua obra, seguido por Giuseppe Cerboni, que tratou dos aspectos jurídicos das relações advindas entre os proprietários e os correspondentes e agentes consignatários. Os personalistas fizeram oposição aos contistas. Para a teoria personalista, as contas deveriam ser abertas em nome de pessoas verdadeiras, sejam elas físicas ou jurídicas, “e o dever e o haver representavam débitos ou créditos das pessoas titulares dessas contas” (Schmidt, 2000, p. 62, 67). Cerboni defendia que a entidade era totalmente confiada ao administrador, inclusive as contas do proprietário. As contas seriam divididas em três grupos: Quadro 1 - Proprietário, Correspondentes e Agentes consignatários Pessoa Conceito Contas Proprietário A ele pertence a entidade; ele a dirige de forma direta ou por intermédio de administradores ‘Capital’, ‘Lucros e perdas’. A conta de Lucros e Perdas compreendia as contas de Receitas e Despesas. Agentes consignatários Empregados a quem o proprietário confia a guarda dos valores que lhe pertencem, como tesoureiro, fiel do armazém etc. Dinheiro, Mercadorias, os Bens Móveis etc. Correspondentes Terceiros que transacionam com a entidade Todas as contas de devedores e credores. Fonte: adaptado de Schmidt (2000) e Ribeiro Filho, Lopes e Pederneiras (2009). Escola Controlista Tem como principal pensador Fábio Besta, com sua obra de 1909. O objeto de estudo do controlismo era o controle da riqueza aziental. A riqueza gera uma infinidade de fenômenos, e são esses fenômenos em si que devem ser estudados. Fábio Besta fez oposição ao personalismo, pois afirmava categoricamente que as contas não são abertas para pessoas e sim para valores (Sá, 1997). O que seria ‘Azienda’? A azienda é a célula social onde o homem desenvolve atividades para a satisfação de suas necessidades. Hoje, é comum dizer de maneira inadequada que ‘azienda’ seria o equivalente ao que chamamos ‘entidade’, porém o estudo da azienda trazia especificidades únicas (Sá, 1997). Para Besta, os números registrados nas contas são valores pecuniários (valores em dinheiro) daquele objeto em nome do qual a conta é aberta; com isso, não se produz relações jurídicas, e sim mutações patrimoniais (Schmidt, 2000). A movimentação das contas é classificada em três fatos administrativos: Permutativos (não alteram o patrimônio), modificativos (alteram o patrimônio para mais ou para menos) e mistos (combinação dos dois anteriores, isto é, permuta, aumenta ou diminui o patrimônio), de acordo com Silva e Martins (2007). Escola Norte-Americana Surgiu em 1887, com sua característica peculiar de que grande parte de suas construções se originaram em entidades da área contábil, como a American Accounting Association (AAA) e a American Association of Public Accountants (AAPA). As definições dessas entidades eram acatadas pelos profissionais quase que unanimemente. Buscam o aspecto prático ao tratar problemas econômico-administrativos, ou seja, soluções orientadas ao ambiente de negócios e ao mercado, com ênfase em resultados e desempenho organizacional (Schmidt, 2000). Isso ocorreu devido àascensão norte-americana e ao tremendo ritmo de desenvolvimento subsequente, muito disso graças ao surgimento das grandes corporações (por vezes, gigantescas), ao desenvolvimento do mercado de capitais e à herança inglesa da tradição de auditoria (Iudícibus; Marion; Faria, 2018). Quero aproveitar e apresentar o comparativo entre as características da Escola Americana e da Escola Italiana (Europeia), pois é um assunto que já caiu em exames de suficiência: Quadro 2 - Diferenças entre Escola Americana e Escola Italiana Algumas razões da queda da Escola Europeia (especificamente Italiana) Algumas razões da ascensão da Escola Norte-americana Excessivo Culto à Personalidade: grandes mestres e pensadores da Contabilidade ganharam tanta notoriedade que passaram a ser vistos como “oráculos” da verdade contábil. Ênfase ao Usuário da Informação Contábil: a Contabilidade é apresentada como algo útil para a tomada de decisões, evitando-se endeusar demasiadamente a Contabilidade; atender os usuários é o grande objetivo. Ênfase em uma Contabilidade Teórica: as mentes privilegiadas produziam trabalhos excessivamente teóricos, apenas pelo gosto de serem teóricos, difundindo-se ideias com pouca aplicação prática. Ênfase na Contabilidade Aplicada: principalmente a Contabilidade Gerencial. Ao contrário dos europeus, não havia uma preocupação com a teoria das contas, ou querer provar que a Contabilidade é uma ciência. Pouca importância dada à Auditoria: principalmente na legislação italiana, o grau de confiabilidade e a importância da auditagem não eram enfatizados. Bastante Importância dada à Auditoria: como herança dos ingleses e transparência para os investidores das Sociedades Anônimas (e outros usuários) nos relatórios contábeis, a Auditoria é muito enfatizada. Fonte: Iudícibus, Marion e Faria (2018, p. 15-16). Ou seja, pode-se resumir que a escola italiana (abrangendo as escolas europeias) era basicamente mais conservadora e via a contabilidade como um fim em si mesma. Enquanto a escola norte-americana tinha foco em oferecer as melhores informações para os usuários das demonstrações. Vale ressaltar que existem outras correntes e escolas do pensamento contábil, como o Aziendalismo de Gino Zappa, o Patrimonialismo de Vincenzo Masi, a Escola Neocontista de Jean Dumarchey e a Escola Alemã de Eugen Schmalenbach, que não serão detalhadas neste livro. Sobre as que foram estudadas, segue um quadro com um resumo de seu foco de estudo: Quadro 3 - Foco de estudo das principais escolas do pensamento contábil Contista Foco no estudo da conta contábil Lombarda Contabilidade voltada à gestão das entidades Personalista Contas abertas em nome de pessoas verdadeiras Controlista Estudo da riqueza aziendal Norte-americana Foco no ambiente de negócios e mercado Fonte: a autora. O Pensamento Contábil na contemporaneidade Podemos dizer que as Escolas do Pensamento Contábil foram surgindo de um estudo sequencial da contabilidade. Cada escola acrescentou algum conhecimento a mais no arcabouço teórico das Ciências Contábeis. Essa evolução culminou no que chamamos de convergência internacional. Tantas práticas desiguais no mundo forçaram a tentativa bem-sucedida de uma convergência internacional (Iudícibus; Martins; Marion, 2020). Porém, é necessário compreender porque ainda hoje não se alcançou plena convergência internacional. Voltemos aos primórdios. A contabilidade surgiu com foco gerencial porque era utilizada para controle do patrimônio, com foco no proprietário, usuário principal da contabilidade. Depois, os bancos entraram na jogada, pois viram que a contabilidade era útil para analisar o desempenho dos comerciantes que buscavam tomar dinheiro emprestado, o que transformou o credor no segundo usuário da Contabilidade, primeiro deles externos à entidade (Iudícibus; Martins; Marion, 2020). Porém, alguns balanços devem ter provocado prejuízos, e os banqueiros conseguiram introduzir na Lei que aqueles que os prejudicassem com subavaliação de passivos ou superavaliação de ativos seriam penalizados. Isso foi, pela primeira vez na História, inserido no Código Comercial francês de 1673. E a Contabilidade passou a servir, legalmente, para proteção ao credor! (Iudícibus; Martins; Marion, 2020, p. 75) Isso levou a um conservadorismo na França e demais países latinos europeus. A Alemanha e outros países germânicos incorporaram essa ideia não somente ao Código Comercial, como também ao Código Criminal, o que aumentou exponencialmente o conservadorismo (Iudícibus; Martins; Marion, 2020). Enquanto isso, os países anglo-saxônicos (liderados pela Inglaterra), consideravam que a boa contabilidade era a que fornecia melhores informações ao usuário interno e, posteriormente (após a Revolução Industrial), aos investidores. Isso ocorreu porque nos países-saxônicos, como Estados Unidos e Inglaterra, apareceu fortemente a figura da sociedade anônima aberta, captando direto dos investidores o capital necessário por meio de emissão de ações (ou seja, dependendo bem menos dos bancos como intermediários financeiros). As Demonstrações Financeiras eram praticamente o único canal de comunicação entre as empresas e os investidores não gestores. A prudência era importante, mas não o conservadorismo exarcebado, que deformasse o balanço. O foco passou a ser os investidores não controladores, externos à entidade, como usuários principais da contabilidade (Iudícibus; Martins; Marion, 2020). Não bastasse isso, surgiu, no início do século passado, o imposto de renda sobre o lucro. Os germânicos estabeleceram a tributação de um lucro superconservador, priorizando o credor. Os latinos (a começar por França e Itália) começaram a colocar o Estado tributador como primazia, priorizando o Fisco. Já os anglo-saxônicos exigiram que houvesse separação da contabilidade e fisco, gerando demonstrações paralelas, para que não houvesse alteração da contabilidade propriamente dita, priorizando o investidor externo. Só para ter uma ideia de quanto essa diferença impacta até hoje: nossa Constituição brasileira tem 250 artigos; a norte-americana tem 7 artigos e 27 emendas; e a inglesa tem zero artigo, é tudo decidido na jurisprudência (Iudícibus; Martins; Marion, 2020). Que confusão, não é?! Em 1973, surgiu o International Accounting Standards Board (IASB) - que inicialmente era Committee (IASC) - com o intuito de gerar preceitos para uma contabilidade universal, que não deveria ser exageradamente conservadora nem com foco no fiscal. Criou-se as chamadas normas internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards - IFRS), utilizadas hoje de forma total ou parcialmente em mais de 140 países (Iudícibus; Martins; Marion, 2020, p. 85). A IFRS pode ser vista, de certa forma, como uma evolução das Escolas do Pensamento Contábil, pois ela reflete a integração de diferentes abordagens contábeis que surgiram ao longo do tempo. Porém, não é utilizada em todo o mundo. Por exemplo, nos Estados Unidos, é utilizado o US GAAP - Generally Accepted Accounting Principles (Princípios Contábeis Geralmente Aceitos), gerido pelo FASB ( Financial Accounting Standards Board ), também criado em 1973. O ano de criação do FASB e o IASB é o mesmo não à toa: foi uma disputa de poder entre Estados Unidos e Europa para ver quem tomava a primazia na criação de normas internacionais. Mas apesar disso, o foco do GAAP também é o investidor. Mas há países que preservam ainda muito do conservadorismo de antigamente. Um exemplo interessante é a depreciação. Se questionar um norte-americano: “quanto depreciar?”, ele fará diversas outras perguntas para tentar calcular a depreciação total, de forma a apresentar ao investidor a realidade patrimonial da entidade. Um germânico poderia ser mais conservador, evitando considerar valor residual em alguns casos, pois é melhor depreciar tudo do que ir para a cadeia com uma estipulação incorreta. Se pedir para um latino, a primeira coisa que ele vai querer fazer é consultar a tabela do imposto de renda (Iudícibus; Martins;Marion, 2020). A contabilidade no Brasil Sá (2008) conta, em seu livro, que o primeiro contador a pisar em solo brasileiro foi o português Pero Vaz de Caminha, integrante da expedição de Pedro Álvares Cabral, em 1500. No descobrimento do Brasil, fazia pouco mais de 5 anos que Pacioli editara seu livro em Veneza. Mais adiante, foram criados cargos locais no Brasil, com nomeações como: Gaspar Lamego, Contador da Casa Real em 1549; e Bastião de Almeida, como Guarda-Livros (antiga nomenclatura para Contador) das casas da Fazenda, Contos e Alfândega; ambos por volta de 1549 (Sá, 2008). Para manter uma ordem, foram instituídos marcos regulatórios importantes no Brasil, por exemplo: a) Instituição do Código Comercial Brasileiro de 1850, tornando obrigatórias a escrituração contábil e elaboração do balanço geral anual; b) Ensino comercial e regulamentação da profissão do Contador a partir do Decreto nº 20.158 de 1931, que não colocava a profissão como de nível universitário, o que ocorreu somente com a promulgação do Decreto nº 9.295 de 1945. c) Criação da primeira Lei das Sociedades por Ações no Brasil pela Lei nº 2.627 de 1940, que foi revogada com a edição da Lei nº 6.404 de 1976 (Ribeiro Filho; Lopes; Pederneiras, 2009). Não existiu escola do pensamento contábil genuinamente brasileira, mas a Contabilidade no Brasil pode ser dividida em dois períodos: antes e depois de 1964. Inicialmente, não havia classe contábil atuante, então, quem tinha a iniciativa de suprir essa demanda era o Governo. As características dessa primeira fase foram: intervenção da legislação nos procedimentos contábeis e influência das Escolas de Pensamento Contábil italianas. Mas, como vimos na tabela de comparação entre escolas italianas e americanas, a escola americana traria mais benefícios à prática contábil. Com isso, a partir de 1964, o professor José da Costa Boucinhas introduziu novo método de ensino de contabilidade baseado na escola americana, melhorando e facilitando a forma de aprendizagem e, consequentemente, de aplicação da contabilidade no Brasil (Schmidt, 2000). A convergência às normas internacionais de contabilidade começou a ser tratada no Brasil com a criação do CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis, por meio da Resolução CFC nº 1.055 de 2005. Ele foi idealizado por entidades como B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), Conselho Federal de Contabilidade, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). Além dos membros, são sempre convidados representantes do Banco Central do Brasil (BACEN), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dentre outros. EM FOCO Preparamos um vídeo para você, acesse o material e fique por dentro desse tema importante que contribuirá para o seu desenvolvimento Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado . Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido. Novos desafios E assim, finalizamos nossa viagem por alguns tópicos da história da Contabilidade. Durante essa jornada, você conseguiu pensar em uma solução para o questionamento inicial? Afinal, será que os primeiros registros, que motivaram a invenção da escrita, estavam relacionados a aspectos contábeis? É um orgulho constatar que a resposta é: Sim! A evolução da contabilidade está ligada com todo o desenvolvimento da civilização. E nós temos a honra de poder estudar e nos aprofundar nos elementos e fatos contábeis (e, como profissionais adaptados à realidade complexa na qual estamos inseridos, também nos aspectos de áreas afins, como Matemática, Economia, Administração, Direito, entre outras). E, mais gratificante ainda, podemos auxiliar nossos clientes a alcançarem o sucesso empresarial – contribuindo assim para o fortalecimento da economia nacional e mundial. Que a história te inspire a construir novos futuros! VAMOS PRATICAR? Chegou o momento de testar o conhecimento adquirido até aqui! Para isso, por favor, participe da autoavaliação que preparamos especialmente para você. São apenas 3 questões e ao final um feedback. Dentre os livros surgidos após a invenção da Prensa de Gutenberg, pode-se destacar, na área contábil, o livro de Luca Pacioli, Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalità, em 1494. Esse livro impactou fortemente não só a economia dos anos seguintes, mas também demais aspectos da época, inclusive culturais. Assinale a alternativa correta, que apresenta o motivo para que o livro tenha revolucionado a história da contabilidade. O livro de Pacioli detalha o método das partidas dobradas, que já existia, mas do qual ele se tornou o grande divulgador. O método das partidas dobradas foi criado por Pacioli e apresentado em seu livro de 1494. Escrito em forma de enciclopédia, o livro apresentou a contabilidade como ciência, demonstrando os aspectos que embasavam essa classificação. O livro introduziu uma revolução no sistema numérico, que foi a descoberta do zero, não utilizado até aquele momento. O marco primordial do livro de Pacioli foi apresentar um novo sistema numérico, que substituiu os algarismos romanos. As Escolas do Pensamento Contábil reuniam estudiosos que concordavam com uma mesma ideia básica. Algumas foram mais aceitas, outras tiveram seus dogmas refutados. Muito se fala sobre as diferenças entre as escolas italiana e americana. Sobre essas duas escolas, analise as sentenças a seguir: I. A escola americana possui maior foco na teoria contábil, partindo do pressuposto de que existe um arcabouço verdadeiro e imutável na contabilidade resolutiva. II. A escola italiana dá muita importância à auditoria, pois seu objetivo principal é satisfazer as necessidades das Sociedades Anônimas. III. A escola americana tem como objetivo atender os usuários das informações contábeis, sendo útil na tomada de decisões. É correto o que se afirma em: I, apenas. III, apenas. I e II, apenas. II e III, apenas. I, II e III. A partir da publicação do livro de Pacioli, houve grande difusão das ideias contábeis. Posteriormente, entrou-se em um ciclo científico da contabilidade, com finalidade de estruturar as bases que dariam suporte a ela. Algumas escolas do pensamento contábil surgiram, compartilhando deste objetivo. A partir disso, assinale a alternativa correta: Logo após o livro de Pacioli, iniciou-se a escola personalista, cujo axioma era ‘contabilidade é pessoalidade”, ou seja, a escrituração adequada deve partir de julgamentos de valor de uma pessoa física responsável pela empresa As escolas do pensamento contábil foram sequenciais, ou seja, uma escola só iniciava seus estudos a partir do momento em que a escola anterior a ela havia sido refutada. Como as escolas de pensamento contábil antigas foram refutadas, nenhum conhecimento gerado perdurou. A escola lombarda, de Villa, acreditava que a preocupação da contabilidade deveria ser o estudo dela mesma, e que demais áreas do conhecimento não seriam prioridade de estudo. A escola controlista, de Fábio Besta, defendia que existem diversos fenômenos gerados pela riqueza aziental, e tais fenômenos é que deveriam ser estudados. Finalizar Aprendiz Você acertou 0 de 3 Todos nós somos aprendizes buscando cada vez mais conhecimento, apenas continue com esse desejo. Desbravador Você acertou 1 de 3 Você deseja descobrir todos os mistérios do mundo e está muito perto, continue explorando. Investigador Você acertou 2 de 3 Sua percepção no assunto já está avançada, tenha orgulho e busque sempre melhorá-la. Mestre Você acertou 3 de 3, Parabéns!! Parabéns, você dominou o conhecimento, continue assim e compartilhe! REFERÊNCIAS BERNSTEIN, P. L. Desafio aos deuses : a fascinante história do risco. 9. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2002. BÍBLIA . São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002. FUNARI, P. P.;NOELLI, F. S. Pré-história do Brasil . São Paulo: Contexto, 2023. IUDÍCIBUS, S. de. Teoria da contabilidade . 12. ed. São Paulo: Atlas, 2023. IUDÍCIBUS, S. de; MARION, J. C.; FARIA, A. C. de. Introdução à teoria da contabilidade : para graduação. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018. IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; MARION, J. C. Cartas aos estudantes de contabilidade . São Paulo: Atlas, 2020. MET Museum. Cuneiform tablet : caravan account. Disponível em: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/325851 . Acesso em: 21 set. 2024. NATIONAL GEOGRAPHIC. A invenção da escrita cuneiforme pelos sumérios . 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographic.pt/historia/a-invencao-da-escrita-cuneiforme-pelos-sumerios_3457 . Acesso em: 21 set. 2024. PUCHNER, M. O mundo da escrita : como a literatura transformou a civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. RIBEIRO FILHO, J. F.; LOPES, J.; PEDERNEIRAS, M. (Org.). Estudando Teoria da Contabilidade . São Paulo: Atlas, 2009. SÁ, A. 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