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ECONOMIA PARA ENGENHARIA Prezado(a) aluno(a)! O Sistema Financeiro Nacional (SFN) desempenha um papel importante na economia brasileira, funcionando como a espinha dorsal da intermediação financeira e da circulação de recursos. Criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, o SFN é composto por um conjunto de instituições e normas que regulam as atividades financeiras, assegurando a estabilidade e a eficiência do sistema. Nesta aula, vamos explorar os principais marcos normativos que moldaram o SFN, bem como a estrutura de coordenação regulatória e as entidades responsáveis pela supervisão desse sistema. A compreensão dos marcos normativos é fundamental para entender como as regras e diretrizes foram estabelecidas para garantir a transparência e a segurança nas operações financeiras. Além disso, a coordenação regulatória é essencial para promover uma atuação integrada entre as diversas autarquias que compõem o SFN, como o Banco Central do Brasil (BCB), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Essas entidades têm papéis distintos, mas complementares, na supervisão e na regulação do mercado financeiro. Bons estudos! AULA 07 – SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL PRINCIPAIS MARCOS NORMATIVOS DO SFN 7 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Em relação à realidade brasileira, os princípios constitucionais da ordem econômica deram origem ao Estado Subsidiário. Conforme estabelecido no parágrafo único do artigo 170 e no caput do artigo 173 da Constituição Federal de 1988, a livre iniciativa é a regra para a exploração da atividade econômica, dispensando autorização prévia. A intervenção do Estado ocorre apenas em situações que exigem imperativos de segurança nacional ou relevantes interesses coletivos, conforme previsto em lei. Uma das evidências mais marcantes da emergência do Estado Regulador no Brasil é a adoção do modelo de agências públicas. Essas entidades estatais não- majoritárias são responsáveis pela implementação de políticas públicas nos setores regulados e se caracterizam por sua natureza técnica. Isso exige a presença de profissionais altamente qualificados em suas áreas específicas, além de requerer independência e outros atributos essenciais para seu funcionamento eficaz (PAULA, 2024). As autarquias especiais supervisoras do Sistema Financeiro Nacional (SFN) não foram elevadas à categoria de agências reguladoras. No entanto, essas entidades da Administração Pública Indireta desempenham funções que visam implementar políticas públicas em seus setores, as quais são formuladas pelos órgãos que a legislação designou para a função reguladora do SFN. Esses órgãos incluem o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). 7.1 Principais marcos Normativos do SFN De acordo com o Relatório de Economia Bancária de 2022, a razão entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2022, subiu para 53,8%, em comparação aos 52,6% registrados em 2021. Em junho de 2023, o patrimônio acumulado dos fundos de pensão e das entidades abertas de previdência complementar e seguradoras alcançou R$ 2,59 trilhões, representando um aumento de 5,3% em relação a dezembro de 2022. A receita anual do mercado segurador em 2022 foi de aproximadamente R$ 171 bilhões, correspondente a 3,6% do PIB. No mesmo ano, a capitalização gerou uma receita em torno de R$ 28 bilhões, com um crescimento de 14,85% em relação ao ano anterior. Esses números expressivos dos segmentos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) evidenciam a importância desses setores para a circulação de recursos, produção de riqueza e formação da poupança nacional. De acordo com o Relatório de Economia Bancária de 2022, a razão entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2022 subiu para 53,8%, em comparação aos 52,6% registrados em 2021. Em junho de 2023, o patrimônio acumulado dos fundos de pensão e das entidades abertas de previdência complementar e seguradoras alcançou R$ 2,59 trilhões, representando um aumento de 5,3% em relação a dezembro de 2022. A receita anual do mercado segurador em 2022 foi de aproximadamente R$ 171 bilhões, correspondente a 3,6% do PIB. No mesmo ano, a capitalização gerou uma receita em torno de R$ 28 bilhões, com um crescimento de 14,85% em relação ao ano anterior. Esses números expressivos dos segmentos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) evidenciam a importância desses setores para a circulação de recursos, produção de riqueza e formação da poupança nacional. A estrutura atual do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é resultado de uma série de eventos que visaram criar as condições necessárias para a expansão econômica. A Lei nº 4.595/1964, que ainda está em vigor, organizou o SFN, que inicialmente compreendia as seguintes instituições, conforme o artigo 1º: (a) Conselho Monetário Nacional (CMN), (b) Banco Central do Brasil (BCB), (c) Banco do Brasil, (d) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e (e) outras instituições financeiras, tanto públicas quanto privadas. A seguir, alguns dos principais marcos normativos infraconstitucionais que delineiam a evolução do SFN (BRASIL, 1964). • Decreto-Lei nº 1.186, de 3 de abril de 1939 (Posteriormente Revogado pelo decreto-lei nº 9.735, de 4 de setembro de 1946) : Nos termos do artigo 3º, é criado o IRB que tem por objeto regular os resseguros no país e desenvolver as operações de seguros em geral. • Decreto-Lei nº 7.293 de 02 de fevereiro de 1945: Nos termos do artigo 1º, é criada a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC). • Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952: Nos termos do artigo 8º, é criado o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, que também atuará, como agente do Governo, nas operações financeiras que se referirem ao reaparelhamento e ao fomento da economia nacional. • Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964: Nos termos do artigo 16, é criado o Banco http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%209.735-1946?OpenDocument Nacional da Habitação, que integra o Sistema Financeiro, a quem cabe, conforme o inciso I do artigo 17, orientar, disciplinar e controlar o sistema financeiro da habitação. • Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964: Nos termos dos artigos 2º e 8º, é criado o Conselho Monetário Nacional e transformada a SUMOC no BCB. • Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965: Regulou o mercado de capitais que, a exemplo do mercado financeiro, seria disciplinado pelo CMN e fiscalizado pelo BCB. • Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966: Nos termos do artigo 8º, foi instituído o Sistema Nacional de Seguros Privados. Pelo artigo 32, foi criado o CNSP com função regulatória do mercado de seguros, dentre outras. Nos termos do artigo 42, o IRB passou a ter por finalidade a regulação do cosseguro, do resseguro e da retrocessão, bem como a promoção do desenvolvimento das operações de seguro, segundo as diretrizes do CNSP. • Lei nº 12.154, de 23 de dezembro de 2009: Nos termos do artigo 1º, cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC. • Decreto nº 7.123, de 3 de março de 2010: Dispõe sobre o Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC e sobre a Câmara de Recursos da Previdência Complementar – CRPC. 7.2 Organização do SFN De acordo com Jim Rossi e Jody Freeman (2012), ao classificar os tipos de delegação do Congresso dos EUA às agências, eles abordaram as "related jurisdictional assignments", que ocorrem quando funções são atribuídas a mais de uma agência com base em produtos ou atividades, mas visando o mesmo objetivo. Essas agênciasfazem parte de um sistema e, segundo os autores, teoricamente não há impedimentos para que atuem de forma independente (FREEMAN; ROSSI, 2012). No entanto, Freeman e Rossi estabelecem uma correlação direta entre a efetividade da atuação institucional de cada agência e a consistência necessária em suas diretrizes, levando em consideração o risco sistêmico envolvido. Além disso, o risco sistêmico se torna ainda mais grave diante do que os autores consideram uma fragmentação severa da delegação de atribuições, especialmente na ausência de uma agência responsável por funções que proporcionem uma visão abrangente do sistema. No entanto, é importante destacar que a fragmentação na delegação pode gerar disfuncionalidades que podem ser superadas por meio de uma coordenação regulatória eficaz (PAULA, 2024). Quando se trata do Sistema Financeiro Nacional (SFN), as autarquias especiais são partes integrantes de um todo com um propósito definido constitucionalmente. A organização do SFN é estruturada com base no setor regulado, centrando-se em atividades econômicas que facilitam a circulação de recursos e a geração de riqueza. O SFN é previsto no artigo 192 da Constituição Federal de 1988, que, conforme a redação dada pela Emenda Constitucional nº 40/2003, estabelece sua estrutura com o objetivo de promover o desenvolvimento equilibrado do País e atender aos interesses da coletividade, abrangendo as cooperativas de crédito, que serão reguladas por leis complementares. Antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 40/2003, a redação do inciso II do artigo 192 especificava que, entre outros assuntos, caberia à Lei Complementar regulamentar a autorização e funcionamento dos estabelecimentos de seguro, previdência e capitalização, assim como do órgão fiscalizador oficial e do órgão oficial ressegurador, indicando que esses setores regulados estão incluídos no SFN. Pode-se dizer que o SFN engloba 3 blocos de setores regulados, a saber: • Moeda, crédito, capital e câmbio: compõem os mercados monetário, de crédito, de capital e de câmbio; • Seguros privados: composto pelos produtos de seguros privados, capitalização e previdência complementar aberta; e • Previdência fechada: composto pelos planos de previdência complementar fechada, conhecidos por fundos de pensão. A governança do SFN se estrutura em 3 níveis, são eles: normativo, supervisor e operador. Os órgãos normativos, em comum, possuem composição colegiada e atribuição de regulação dos seus respectivos setores regulados, conforme a previsão do inciso II do artigo 32 do Decreto-Lei nº 73/1966 relativo ao CNSP; do artigo 2º do Decreto-Lei nº 7.123/2010 quanto ao CNPC; e do inciso VIII do artigo 4º da Lei nº 4.595/1964 que trata do CMN. O BCB, a CVM, a PREVIC e a SUSEP são entidades de supervisão de natureza autárquica especial da esfera federal. Portanto, possuem personalidade jurídica própria e compõem a Administração Pública Federal Indireta. Os Ministérios aos quais estão relacionados fazem o controle finalístico ou tutela administrativa ou supervisão ministerial. O quadro a seguir denota que as entidades integrantes do nível de supervisão do SFN possuem funções similares que são exercidas sobre determinadas atividades econômico-financeiras relacionadas a setores regulados distintos, embora cada setor seja constitua parte do SFN. Quadro 1 – Base normativa da atuação das entidades de supervisão do SFN Fonte: Paula, 2024. No que diz respeito à supervisão, as entidades do Sistema Financeiro Nacional (SFN) desempenham atividades que, em determinadas circunstâncias, podem se tornar redundantes, complementares ou concorrentes. Uma coordenação regulatória eficaz entre essas entidades é fundamental para mitigar os efeitos da delegação de competências e aprimorar a eficiência dos órgãos, a efetividade do sistema e a responsabilidade de seus agentes públicos. Nesse sentido, nas seções seguintes, será abordada a coordenação regulatória no SFN, com foco em alguns dos mecanismos formais existentes. 7.3 Coordenação regulatória e entidades de supervisão do SFN Ao analisar a governança regulatória no contexto brasileiro, Cunha (2018) fez contribuições significativas em relação aos problemas de primeira e segunda gerações. Os problemas de primeira geração estão relacionados à implementação do modelo de agências no país, cuja solução estava sendo desenvolvida com a promulgação da Lei das Agências Reguladoras, confirmada pela Lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019. O prognóstico positivo da superação dos chamados problemas de primeira geração, foi justificado pelo mencionado autor pela incorporação das boas práticas de regulação, dentre outros fatores. Não obstante, Cunha identifica deficiências no papel dinâmico e sistêmico do sistema regulatório brasileiro, que consistem no seguinte: O papel dinâmico toca à capacidade do conhecimento regulatório e à expertise de suas instituições atuarem de modo mais sinérgico e intersetorial, alcançando atores e organizações a elas relacionadas, em especial de dentro do próprio aparato do Estado – assim, fluindo informação e propiciando maior coordenação governamental (CUNHA, 2018, p. 37). Os problemas de segunda geração estão relacionados a deficiências no planejamento e na coordenação. O Tribunal de Contas da União (TCU) analisou a "qualidade da implementação e o alcance de metas e objetivos dos programas e ações governamentais" em auditorias operacionais realizadas para subsidiar a discussão do Projeto de Lei Orçamentária Anual, resultando no Relatório de Políticas e Programas de Governo de 2017 (Relatório TCU de 2017). Segundo esse relatório, os dois principais problemas estruturais das políticas públicas, em termos percentuais, eram: (i) planejamento e formulação (31%) e (ii) articulação e coordenação (14%). O Tribunal de Contas da União, realizou uma análise da coordenação de políticas públicas, conforme mencionado no Relatório TCU de 2017, que define essa coordenação como uma função relacionada à facilitação da coerência das políticas e programas governamentais e à coordenação produtiva entre as partes interessadas envolvidas no processo de política pública. Durante essa análise, o TCU identificou uma série de deficiências. Entre as falhas destacadas, estão: a) falta de integração na ação governamental; b) baixo nível de coordenação; c) ausência de coerência na atuação conjunta do governo; e d) arranjos institucionais inadequados. O Relatório de Políticas e Programas de Governo de 2018 do TCU (Relatório TCU de 2018), ao seu turno, ao avaliar a coordenação da implementação das políticas públicas, constatou que embora a coordenação seja fundamental para assegurar que os diferentes sistemas institucionais e gerenciais que formulam e implementam políticas públicas atuem de forma integrada, a aplicação desse componente de governança ainda é bastante limitada. A análise indicou que as deficiências de coordenação entre setores e/ou esferas de governo, bem como a falta de articulação entre os atores envolvidos, têm comprometido a coerência das ações. Isso resulta em iniciativas fragmentadas e desconectadas, que não conseguem oferecer soluções integradas e atender efetivamente às necessidades da população. O Relatório de Políticas e Programas de Governo de 2019 do TCU, analisou a integração e coordenação de políticas públicas, identificando falhas de coordenação em 47% das 17 políticas examinadas. Em 2020, o Relatório de Políticas e Programas de Governo do TCU, focou especificamente nas ações de controle realizadas pela Corte no contexto da covid-19, dentro do Programa Especial de Atuação para Enfrentamento da Crise da Covid-19 (TCU, 2020). Os resultados das auditorias do TCU, assim como os parâmetros e diretrizes relacionadas à articulação e coordenação na implementação das políticas públicas, oferecemuma referência importante para avaliar o nível de articulação e coordenação das autarquias especiais do SFN. Mecanismos formais de coordenação regulatória no SFN No âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), estão disponíveis os instrumentos de coordenação regulatória que são frequentemente mais reconhecidos pela doutrina, incluindo: consultas, celebração de acordos ou memorandos de entendimento, e elaboração normativa conjunta. Um quarto mecanismo de coordenação regulatória é a existência de uma estrutura dedicada à articulação ou coordenação (FREEMAN; ROSSI, 2012). 7.4 Acordos ou Termos de Cooperação Técnica e/ou Convênios A pesquisa nos sites das autarquias especiais revelou a celebração de Acordos de Cooperação Técnica e/ou Convênios entre diversas entidades, incluindo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP); a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e a CVM; o Banco Central do Brasil (BCB) e a CVM; o BCB e a PREVIC; o BCB e o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC); e o BCB e a SUSEP. Além disso, o Termo de Cooperação Técnica entre a SUSEP e a PREVIC foi obtido por meio de uma solicitação feita às entidades através da Fala. Assim, todas as combinações possíveis entre as autarquias do SFN estão representadas na forma de acordos bilaterais. No entanto, não encontramos um acordo que reúna todas as entidades de supervisão do SFN em nossa pesquisa nos sites dessas instituições, (embora isso não indique que tal documento não exista no momento da pesquisa realizada para esta aula). Convênio entre BCB e SUSEP O Convênio celebrado entre o Banco Central do Brasil (BCB) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) em 14 de julho de 2005, teve como objetivo definir procedimentos para: (i) o intercâmbio de informações entre as entidades; (ii) a participação coordenada de fiscalização para instituições que fazem parte de conglomerados financeiros; (iii) permitir que os servidores de ambas as autarquias participem dos treinamentos oferecidos; e (iv) promover a transferência de tecnologia voltada para a fiscalização, conforme estabelecido na Cláusula Primeira. O objetivo geral é buscar ganhos de eficiência tanto para o BCB quanto para a SUSEP, sendo que cada aspecto do convênio possui objetivos específicos. Sobre a governança, o Convênio prevê a criação de comissão, com composição paritária de agentes públicos do BCB e da SUSEP, sendo 3 de cada entidade, a quem incumbe as seguintes atividades: • Decidir pela constituição de subcomissões, temporárias com o objetivo de desenvolver trabalhos específicos relacionados com o objeto deste Convênio; • Sugerir alterações nas rotinas utilizadas pelas partes convenentes que se façam necessárias à racionalização do fluxo de documentos e informações à transferência mútua de técnicas de fiscalização de tecnologia entre os dois órgãos; • Propor o estabelecimento de critérios e/ou orientações sobre assuntos relacionados com procedimentos, rotinas, técnicas e tecnologias na área de fiscalização, intercâmbio de informação e elaboração de normas; e • Resolver sobre questões omissas e/ou fatos que, de qualquer forma, sejam relevantes para o bom andamento desse convênio Convênio entre CVM e SUSEP De maneira semelhante ao Convênio estabelecido entre o Banco Central do Brasil (BCB) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a SUSEP firmaram um Convênio em 4 de abril de 2006, com o mesmo objetivo de promover ganhos de eficiência para ambas as entidades. Este convênio teve como objeto: (i) a definição de procedimentos para o intercâmbio de informações; (ii) a coordenação das ações relacionadas à fiscalização; e (iii) o estabelecimento de um sistema de consulta recíproca sobre normas de interesse comum (PAULA, 2024). Sobre a governança, o Convênio prevê a criação de comissão, com composição paritária de agentes públicos da CVM e da SUSEP, sendo 2 de cada entidade, a quem incumbe as seguintes atividades: • Decidir pela constituição de subcomissões, temporárias com o objetivo de desenvolver trabalhos específicos relacionados com o funcionamento do Sistema de Intercâmbio de Informações CVM/SUSEP e as programações coordenadas de supervisão; • Sugerir alterações nas rotinas utilizadas pelas partes convenentes que se façam necessárias à racionalização do fluxo de documentos e informações entre os dois órgãos; • Propor o estabelecimento de critérios e/ou orientações sobre assuntos relacionados com procedimentos ou rotinas na área de supervisão e intercâmbio de informações; e • Resolver sobre questões omissas e/ou fatos que, de qualquer forma, sejam relevantes para o bom andamento desse convênio.” Termo de Cooperação Técnica entre PREVIC e SUSEP A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) firmaram, em 19 de dezembro de 2012, um Termo de Cooperação Técnica que se fundamenta na troca de informações e na coordenação das programações de fiscalização, visando principalmente o ganho de eficiência entre as entidades. Os §§ 3º e 4º do Termo preveem atividades conjuntas relacionadas à gestão do conhecimento dos quadros das duas autarquias, além da realização de estudos colaborativos com o intuito de aprimorar a normativa da previdência complementar. A operacionalização do Termo de Cooperação é responsabilidade de uma comissão composta por membros de ambas as autarquias. Embora o documento não especifique o número de integrantes, as responsabilidades atribuídas são semelhantes às previstas nos Convênios mencionados anteriormente. Diferentemente dos instrumentos anteriores, este Termo estabelece a realização de reuniões ordinárias, no mínimo, a cada trimestre. No entanto, não há previsão de que cabe a essa Comissão avaliar a implementação dos compromissos assumidos no Termo de Cooperação entre a PREVIC e a SUSEP (PAULA, 2024). Convênio entre BCB e CVM O Convênio firmado entre o BCB e a CVM, em 25 de abril de 2014, em suas considerações, elenca algumas das atribuições de cada autarquia, algumas das quais compartilhadas, e reconhece a importância da coordenação com os objetivos claramente definidos, a saber: [..]alcançar plenamente os objetivos de que tratam, precipuamente, o art. 3º da Lei 4.595, de 196482, e o art. 4º, da Lei nº 6.385, de 197683, bem como, o mais possível, coesão sistêmica de atuações, clareza, previsibilidade e segurança jurídica, redução do custo de observância no âmbito do sistema financeiro como um todo e, em última análise, a estabilidade financeira nos planos nacional e internacional” (BCB; CVM, 2014, p. 2). É evidente a importância da coordenação e articulação nas atuações do Banco Central do Brasil (BCB) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nesse contexto, conforme estabelecido na Cláusula Primeira do Convênio firmado entre o BCB e a CVM, são definidos procedimentos para facilitar essa coordenação e articulação, além de promover a troca contínua de informações. O convênio também especifica procedimentos para consultas prévias entre as autarquias em relação a determinados assuntos e situações. Devido à sua relevância, os procedimentos e prazos estabelecidos visam à implementação das seguintes medidas: • Manifestação prévia, ou seja, consulta a ser realizada uma em relação a outra autarquia sobre assuntos afins especificados, incluindo edição de normas, que, em comum, têm potencial para gerar reflexos na atuação e nos regulados de ambas as entidades; • Previsão de decisões-conjuntas; • Intercâmbio de informações e manutenção do acesso sistêmico onde podem ser obtidas essas informações; • Solicitações de informações que podem ser formuladas pela autarquia aos supervisionados da sua congênere; • Atividades relacionadas à supervisãoe à fiscalização; • Racionalização de processos, procedimentos e exigências aos supervisionados com vistas à redução dos custos envolvidos, de natureza regulatória, administrativa e operacional; e • Cooperação para o desenvolvimento dos quadros de agentes públicos de ambas as entidades. A respeito da decisão-conjunta, o Convênio sob análise atuou na vanguarda da Administração Pública ao prever essa hipótese, antes mesmo de edição de sua previsão legal, que veio apenas com a edição da Lei nº 14.210, de 30 de setembro de 2021. Convênio entre BCB e PREVIC O Convênio celebrado entre o Banco Central do Brasil (BCB) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) em 16 de fevereiro de 2016 é semelhante ao acordo firmado entre o BCB e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em relação ao seu objetivo. No entanto, este convênio não prevê a tomada de decisões conjuntas nem a possibilidade de solicitações diretas aos supervisionados da outra autarquia. Em vez disso, ele abrange a possibilidade de compartilhamento de estudos técnicos, econômicos e atuariais, bem como análises setoriais realizadas individualmente pela autarquia ou por ela contratada, além da realização de estudos conjuntos nessa área. A Cláusula Segunda aborda a coordenação e articulação das atividades comuns, conjuntas ou correlatas, e estabelece como se dará a governança para a operacionalização do Convênio entre o Banco Central do Brasil (BCB) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC). De maneira geral, prevê a formação de uma comissão composta por um número variável de membros, entre 3 e 5, indicados pela Diretoria de cada entidade. Essa comissão será coordenada por um representante de cada autarquia, responsável por definir o calendário anual das reuniões para o ano seguinte. A redação da Cláusula Segunda sugere que existem iniciativas que ficam a critério dos coordenadores da Comissão, implicando que o andamento dos trabalhos depende da discricionariedade de seus líderes. Acordo de Cooperação Técnica entre CVM e PREVIC O Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) em 13 de março de 2018 é bastante semelhante ao Convênio estabelecido entre o Banco Central do Brasil (BCB) e a PREVIC, no que diz respeito ao seu objeto, governança e demais disposições. No entanto, ao contrário dos demais Acordos e Convênios que possuem prazo de vigência indeterminado, este Acordo estipula uma duração de 60 meses a partir da publicação de seu extrato no Diário Oficial, ocorrida em 22 de março de 2018, podendo ser prorrogado mediante acordo entre as autarquias. É importante ressaltar que, em pesquisa realizada nos sites das autarquias, não foi possível confirmar se a vigência do Acordo foi prorrogada, nem foi encontrado um novo instrumento firmado entre a CVM e a PREVIC. Elaboração normativa conjunta A pesquisa realizada nos repositórios normativos dos sites das autarquias especiais do Sistema Financeiro Nacional (SFN) revela que existe algum grau de elaboração normativa conjunta, como exemplificado pela Instrução Conjunta SUSEP/PREVIC nº 1, de 14 de novembro de 2014. No entanto, não é possível afirmar que todo o potencial para a normatização conjunta está sendo plenamente explorado por todas as entidades de supervisão do SFN. Consultas No que diz respeito às consultas, a premissa é que as entidades possam compartilhar dados e informações. Nesse contexto, existem diversos fundamentos normativos que estabelecem um sistema de troca de informações entre as autarquias especiais, especialmente no que se refere à atividade fiscalizatória. A Lei nº 6.385/1976, que regula o mercado de capitais e cria a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), determina em seu artigo 28 (modificado pela Lei nº 10.303, de 31 de outubro de 2001) a manutenção do intercâmbio de informações relacionadas à fiscalização exercida nas áreas de competência de cada entidade no mercado de valores mobiliários. Isso inclui o Banco Central do Brasil (BCB), a CVM, a Secretaria de Previdência Complementar (SPC), a Secretaria da Receita Federal (SRF) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Importante ressaltar que não é permitido alegar sigilo das informações obtidas na fiscalização como justificativa para impedir esse compartilhamento. Vale mencionar que a Lei nº 6.385/1976 foi promulgada antes da criação da PREVIC. A PREVIC foi criada pela Lei nº 12.154, de 23 de dezembro de 2009, que, conforme o artigo 2º, estabelece a manutenção do intercâmbio permanente de informações e a disponibilidade da base de dados entre essa autarquia especial, o Banco Central do Brasil (BCB), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e os órgãos de fiscalização da previdência complementar. O objetivo, conforme o §1º do mesmo artigo, é "garantir a supervisão contínua das operações realizadas dentro da competência de cada órgão", sem que se possa alegar sigilo das informações obtidas na fiscalização como justificativa para impedir esse compartilhamento. De acordo com o §2º, é assegurado o "fornecimento de informações, inclusive de forma contínua e sistematizada, pelos entes integrantes do sistema de registro e liquidação financeira de ativos autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários sobre ativos mantidos em conta de depósito em instituições ou entidades autorizadas a prestar esse serviço". COREMEC O Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização (COREMEC) é um mecanismo de coordenação regulatória que atua como uma instância de articulação estratégica entre as autarquias responsáveis pela supervisão do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O COREMEC, de caráter consultivo, foi criado pelo Decreto nº 5.685, de 25 de janeiro de 2006, e extinto pelo Decreto nº 10.087, de 5 de novembro de 2019. Contudo, foi recriado pelo Decreto nº 10.465, de 18 de agosto de 2020, no âmbito do então Ministério da Economia (atualmente Ministério da Fazenda). O Comitê é composto por representantes do Banco Central do Brasil (BCB), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e da PREVIC (substituindo a SPC), com a finalidade de promover a coordenação e aprimorar a atuação das entidades reguladoras e supervisórias no SFN. Quanto à governança do COREMEC, destacamos: (i) a Presidência e a Vice- Presidência serão exercidas, a cada período de um ano, por uma das entidades representadas no Comitê, em regime de rodízio; (ii) a Secretaria-Executiva é exercida pelo BCB; (iii) a periodicidade semestral das reuniões ordinárias e, em caráter extraordinário, a qualquer tempo, mediante convocação de seu Presidente ou da maioria de seus membros; (iv) o Colegiado delibera e aprova pelo quórum de maioria simples, desde que presente o equivalente à maioria absoluta dos membros. O nível de supervisão do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composto pelo Banco Central do Brasil (BCB), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pela (PREVIC) e pela (SUSEP). Essa estrutura é descentralizada dentro da Administração Pública, o que torna essencial uma coordenação regulatória eficaz para otimizar o desempenho das atividades de cada autarquia, garantir a efetividade do sistema e permitir a prestação de contas pelos agentes públicos. Cada autarquia desempenha um papel na configuração institucional do SFN, possuindo objetivos tanto específicos quanto comuns, incluindo a manutenção da integridade e estabilidade do sistema. Os mecanismos formais de coordenação regulatória mencionados nesta seção são instrumentos já institucionalizados pelo SFN, evidenciando o reconhecimento da importância de uma atuação coordenada entre as entidades do sistema.Na próxima seção, será analisado se esses instrumentos estão sendo utilizados de maneira eficaz para promover o aprimoramento institucional do SFN. REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BANCO CENTRAL DO BRASIL; Comissão de valores mobiliários. Convênio de 25 de abril de 2014. Convênio que entre si celebram Banco Central do Brasil (BCB) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com vistas ao intercâmbio de informações, à articulação e à coordenação de atividades comuns, conjuntas ou correlatas. Disponível em: http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/convenios/anexos/BancoCentral.PDF. Acesso em: 28 dez 202. BANCO CENTRAL DO BRASIL; Comissão de valores mobiliários. Convênio de 25 de abril de 2014. Convênio que entre si celebram Banco Central do Brasil (BCB) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com vistas ao intercâmbio de informações, à articulação e à coordenação de atividades comuns, conjuntas ou correlatas. Disponível em: http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/convenios/anexos/BancoCentral.PDF. Acesso em: 20 jan. 2025. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm .Acesso em: 20 de jan. 2025. BRASIL. Decreto nº 10.465, de 18 de agosto de 2020. 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