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Governança Regional e Conflitos Interfederativos na Chapada Sul
Gabriella Diniz, Lidiane Gurgel, Lívia Gabriele, Maria Eduarda e Pedro Victor.
“exportação de pacientes”, CIB/CIR inativa, PPI desatualizada e ausência de COAP
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Governança Regional X Conflitos Interfederativos
Conjunto de mecanismos de coordenação e decisão compartilhada
Envolve municípios, estado e União
Objetivo: organizar políticas públicas em escala regional
Fundamental para problemas que ultrapassam limites municipais
foco é resolver problemas que ultrapassam os limites de um único município
Conflitos entre União, estados e municípios
Principais causas:
-Desigualdade de recursos
-Interesses políticos divergentes
-Falta de coordenação e diálogo
-Disputa por poder decisório e recursos
Impacto direto na execução das políticas de saúde
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Principais Problemas:
CIB/CIR Inativa
Comissão Intergestores Regional é o principal espaço de governança regional da saúde
Funções da CIR:
Pactuar serviços
Organizar fluxos
Alocação de recursos
Mediar conflitos
PPI Desatualizada
Programação Pactuada e Integrada
Funções da ppi:
Definir a oferta de serviços
Organizar os fluxos
Orientar o financiamento
COAP Inexistente
Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde
formaliza:
Responsabilidades de cada ente
Metas e indicadores
Financiamento
Exportação de Pacientes: Encaminhamento de pacientes sem pactuação formal
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Análise crítica da situação de gestão
1. Fragilidades da governança regional
CIR/CIB inativas ou pouco operantes
Ausência de espaço legítimo de negociação
Decisões tomadas de forma isolada
Conflitos não mediados institucionalmente
Cada município age de forma individual, falta visão regional e predomínio de interesses locais
Encaminhamentos sem pactuação
Exportação de pacientes
Sobrecarga dos municípios-polo
2. Gestão fragmentada e municipalista
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Análise crítica da situação de gestão
3. Instrumentos de gestão desatualizados
PPI desatualizada
Não reflete a capacidade real dos serviços
Não acompanha mudanças demográficas e epidemiológicas
COAP inexistente
Quem é responsável por quê
Quem financia
Quem executa
Encaminhamentos desordenados
Uso inadequado da rede
Dificuldade de acesso para o usuário
4. Falhas na regulação e nos fluxos assistenciais
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Impactos da má gestão
Para o sistema
Desorganização da rede
Uso ineficiente dos recursos
Sobrecarga de serviços
Para os usuários
Para os gestores
Conflitos políticos
Insegurança administrativa
Judicialização da saúde
Dificuldade de acesso
Descontinuidade do cuidado
Desigualdades regionais
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Em síntese
Revela uma gestão fragilizada, pouco institucionalizada e baseada em decisões isoladas.
Predomina um modelo municipalista, reativo e com baixa cooperação regional.
Gera insegurança institucional, conflitos entre entes e descoordenação da rede.
Enfraquece o SUS regional ao comprometer a regionalização e a integralidade do cuidado.
Produz, no médio e longo prazo, desperdício de recursos, judicialização e aumento das desigualdades.
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Como Reativar a Governança Regional?
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• Fragmentação da comunicação entre os municípios
• Predomínio de decisões isoladas e modelo municipalista
• Baixa articulação entre gestores e instâncias regionais
• Fragilidade dos espaços de pactuação e governança
• Ausência de mecanismos claros de responsabilização e acompanhamento
Desafios Identificados
• Necessidade de fortalecer a regionalização do SUS
• Superar o modelo municipalista e fragmentado
• Garantir decisões mais eficientes e integradas
Justificativa
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• Maior integração e cooperação intermunicipal
• Planejamento regional mais alinhado às necessidades da população
• Melhor coordenação das ações e serviços de saúde
• Otimização do uso de recursos públicos
• Fortalecimento da regionalização e da governança do SUS
• Reestruturação de fóruns regionais de governança (ex.: CIR), com representação equilibrada
• Definição clara de papéis, responsabilidades e fluxos decisórios
• Estabelecimento de agenda permanente de reuniões intergestores
• Implementação de plataformas digitais colaborativas para integração e transparência
• Construção de indicadores regionais de desempenho com monitoramento contínuo.
Estratégias para reativação
Resultados Esperados
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Instrumentos de Gestão Regional a Atualizar
Plano Regional
Revisão participativa com base em dados epidemiológicos atualizados e necessidades da população
Contratos Organizativos
Atualização dos COAP com metas claras, responsabilidades definidas e mecanismos de monitoramento
Protocolos Clínicos
Padronização de fluxos assistenciais e linhas de cuidado entre municípios da região
Inovação: Considerar ferramentas digitais de gestão compartilhada que permitam rastreamento em tempo real e tomada de decisão baseada em dados.
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Operacionalização dos COAP: Do Papel à Prática
Definição Clara
Estabelecer metas mensuráveis e responsabilidades específicas para cada ente
Monitoramento Ativo
Criar comissões de acompanhamento com reuniões trimestrais de avaliação
Incentivos e Sanções
Implementar sistema de bonificação por desempenho e correção de desvios
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Matriz de Responsabilidades Interfederativas
Competência
Municipal
Regional
Estadual
Atenção Básica
✓ Execução
Apoio técnico
Financiamento
Média Complexidade
Demanda
✓ Coordenação
Regulação
Alta Complexidade
Referência
Logística
✓ Provimento
Regulação Regional
Alimentação
✓ Gestão
Supervisão
Definição clara de papéis evita sobreposições, lacunas assistenciais e conflitos, garantindo integração efetiva do sistema regional de saúde.
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Otimização dos Fluxos Assistenciais
Implementação de Complexos Reguladores
Identificar todos os pontos de substituição do encaminhamento informal ("exportação de pacientes") pela regulação via sistemas oficiais (SISR₢EG), garantindo equidade e transparência.enção, capacidades instaladas e gargalos existentes na região
Definição de Linhas de Cuidado
Estabelecimento de protocolos de referência e contrarreferência pactuados na CIB/CIR, assegurando que o paciente transite entre a Atenção Básica e a Especializada sem "se perder" na rede.
Transporte Sanitário eletivo
Implementar sistema informatizado único para agendamento e referenciamento entre municípios
MENDES, E. V. 2011
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Fonte: Adaptado de MENDES (2011).
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A governança como ferramenta de eficiência e legalidade.
Superação do Municipalismo Autárquico: A resolução dos conflitos na Chapada Sul depende do entendimento de que a autossuficiência municipal é inviável; a interdependência federativa é obrigatória.
Segurança Institucional: A reativação da CIR e a formalização do COAP (Contrato Organizativo da Ação Pública) protegem o gestor de sanções legais e garantem previsibilidade orçamentária.
Eficiência Alocativa: A organização regional reduz o desperdício de recursos (exames duplicados, viagens desnecessárias), revertendo verba para a melhoria da assistência direta ao usuário.
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Considerações Finais: O Caminho para a Equidade
Da Fragmentação à Rede: A crise na Chapada Sul (exportação de pacientes) é sintoma de um modelo ultrapassado. A solução exige a transição definitiva para as Redes de Atenção à Saúde (RAS).
Protagonismo da Governança: A CIR e o COAP não são meras formalidades, mas os únicos instrumentos capazes de transformar "disputa política" em "cooperação sanitária".
Sustentabilidade do SUS: A autossuficiência municipal é um mito. Somente através da regionalização solidária será possível garantir a integralidade do cuidado e a otimização dos recursos públicos na região.
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REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, M. V. et al. Governança regional do sistema de saúde no Brasil: configurações de atores e papel das Comissões Intergovernamentais. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 10, p. 3151-3161, out. 2018.
BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde- SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 jun. 2011.
MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011. 549 p.
SANTOS, L.; CAMPOS, G. W. S. SUS Brasil: a região de saúde como caminho. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 24, n. 2, p. 438-446, jun. 2015.
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Obrigado!
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