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Lição 01 / 1 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Índice 1.Introdução 2.Desenvolvimento de Empreendedorismo 3.Definição de Empreendedorismo 4.Empreendedor versus Inventor 5.O Papel do Empreendedorismo no Desenvolvimento Econômico 6.Ética e Responsabilidade Social dos Empreendedores 7.O Futuro do Empreendedorismo 8. Conclusão 9.Notas complementares 10. Referências Empreendedorismo Lição 01 Introdução ao estudo do empreendedorismo Lição 01 / 2 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 1. Introdução Reflita sobre isso: Alexandre Costa, fundador da Cacau Show. A tradição empreendedora de sua família os levou a comprar e revender chocolates de um fornecedor. Com 14 anos, ele vendia de porta a porta, mas em um determinado feriado de Páscoa não recebeu o produto encomendado. A situação traumatizou sua mãe, que nunca mais quis tocar um negócio de chocolate. Aos 17, insistiu em recomeçar e criou a Cacau Show. “O que deu errado para vocês talvez não dê para mim agora”, assegurou. https://endeavor.org.br/7-cases-inspiradores-de-sucesso/ Complemente seus estudos visitando o site da Endeavor para conhecer casos de sucesso como esse da Cacau Show. Nos últimos anos muito se fala sobre empreendedorismo, de startup, do sucesso de alguns empreendedores e seus empreendimentos, e da necessidade premente de empreender para a realização pessoal e para o desenvolvimento econômico de uma nação. Contudo, percebe-se que a compreensão dos termos nem sempre é um consenso. Na verdade, até hoje não há uma definição concisa e universalmente aceita. Certamente o estudo do tema promove o desenvolvimento de habilidades do indivíduo, aumentando suas chances de sucesso. Pesquisas indicam que pessoas que estudam empreendedorismo têm 3 a 4 vezes mais chances de iniciar seu próprio negócio e ganharão de 20 a 30% mais do que os estudantes de outras áreas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009). Esse módulo propõe compreender o conceito de empreendedorismo e seu desenvolvimento histórico, assim como sua importância no contexto econômico e Lição 01 / 3 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES perspectivas para o futuro. Lição 01 / 4 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 2.Desenvolvimento de Empreendedorismo Foi a palavra de origem francesa entrepreneur, que traduzida literalmente significa “aquele que está entre” ou "intermediário" que deu origem ao termo Empreendedor [1] (Aquele que assume riscos e inicia algo novo), em português. Segundo Hisrich (2009, p. 27), o desenvolvimento da teoria do empreendedorismo é paralelo, em grande parte, ao próprio desenvolvimento do termo. Empreendedores no decorrer da história Marco Polo (século XII) é exemplo de primeiro uso da definição de empreendedor como “intermediário”, quando tentou estabelecer rotas comerciais para o Extremo Oriente, assumindo riscos a fim de obter remuneração pelos seus esforços, além da remuneração dos que o financiavam. Na Idade Média, o termo empreendedor foi usado para descrever tanto o participante quanto um administrador de grandes projetos de produção, sendo que o risco do projeto era do provedor dos recursos [2] , geralmente o governo do país. No século XVII surge como empreendedor a pessoa que firmava contrato com o governo para fornecer produto ou serviço com preços pré-fixados, o que retorna a ligação do risco, quando quando todos os lucros ou perdas resultantes eram do empreendedor [3] . Lição 01 / 5 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES A diferenciação entre a pessoa com capital e aquela que precisava de capital se destacou no século XVIII, ou seja, o empreendedor foi diferenciado do fornecedor de capital – investidor de risco. Uma das causas para tal diferenciação foi a industrialização. Um investidor de risco é um administrador profissional de dinheiro que faz investimentos de risco a partir de um montante de capital próprio para obter uma alta taxa de retorno sobre os investimentos [4] . No final do século XIX e início do século XX percebe-se que a distinção entre empreendedor e gerente de uma organização não existe [5] , o que ainda acontece em algumas situações até hoje. Essa perspectiva econômica – o empreendedor como aquele que lança mão de sua engenhosidade para planejar, organizar, dirigir a empresa, pagar os empregados e os outros custos, mas a serviço do capitalista – ganha nova dimensão em meados do século XX quando se estabelece a noção de empreendedor como inovador (Alguém que desenvolve algo único). O empreendedor, então, tem a função de reformar ou revolucionar o padrão de produção[6] . Está claro que a capacidade de inovar e assumir riscos, que está presente em todas as civilizações, deve fazer parte do perfil do empreendedor. Mas quem é um empreendedor? Lição 01 / 6 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 3.Definição de Empreendedorismo Como foi dito anteriormente, não existe uma definição resumida e amplamente aceita até o momento sobre o que é empreendedorismo. Mas é preciso delinear uma definição para os nossos estudos, a fim de alinhar o entendimento sobre o assunto. Há um consenso, em quase todas as definições de empreendedorismo, de que se trata de um tipo de comportamento que abrange: tomar iniciativa, organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos a fim de transformar recursos e situações para proveito prático, e aceitar o risco ou o fracasso. Outro aspecto relevante é a criação de algo novo, que diferencie de outros esforços. Assim, fundamentado em Hisrich (2009), como empreendedorismo entenderemos como: Processo de criar algo novo com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação e da independência financeira e pessoal. Vale destacar que a criação de algo novo e de valor significa ter valor para o empreendedor e para o público para qual é desenvolvido. O valor pode ser percebido na forma de lucro monetário, mas também existe a possibilidade do retorno social e ambiental, que são objetivos cada vez mais explorados. Além disso, toda inovação implica em mudança. E para promover a mudança, o empreendedor deverá assumir os riscos inerentes ao negócio. Cabe então ao indivíduo avaliá-lo, a fim de conhecer os reais impactos em caso de fracasso em seu empreendimento, e então tomar a decisão de fazê-lo. Nesse sentido, podemos identificar que há diferenças entre inventar e empreender, e devemos analisar esta relação. Lição 01 / 7 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 4.Empreendedor versus Inventor O empreendedor, por natureza, busca a inovação, o que causa certa confusão quanto a sua relação com um inventor. "[...] um inventor, o indivíduo que cria algo pela primeira vez, é alguém altamente motivado por seu próprio trabalho e por suas ideias pessoais". Hisrich (2009, p. 30). Criar versus empreender Há uma tendência de o inventor ser um indivíduo criativo, de boa educação formal, com experiências familiar, educacional e ocupacional que contribuem para o desenvolvimento criativo e livre pensamento, apresenta a capacidade de transformar problemas complexos em simples. Ainda, possui um alto nível de autoconfiança, está disposto a assumir riscos e possui a capacidade de tolerar a ambiguidade e a incerteza. É pouco provável que um inventor veja os benefícios monetários como uma medida de sucesso, pois valoriza o ser realizador e mede as realizações pelo número de invenções desenvolvidas e pelo número de patentes obtidas. Assim, percebemos uma diferença importante entre o empreendedor e o inventor. O empreendedor apaixona-se pela organização (o novo empreendimento) e faz quase tudo para garantir sua sobrevivência e crescimento, enquanto o inventor apaixona-se pela invenção e só relutantemente a modificará para torná-lamais viável Lição 01 / 8 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES comercialmente. O desenvolvimento de um novo empreendimento com base no trabalho de um inventor com frequência exige conhecimento de um empreendedor e uma abordagem de equipe, uma vez que muitos inventores não conseguem se concentrar em apenas uma invenção o tempo suficiente para comercializá-la. [7] Lição 01 / 9 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 5.O Papel do Empreendedorismo no Desenvolvimento Econômico Há uma relação muito próxima da atividade empreendedora com o desenvolvimento econômico dos países, ressaltado pelo aumento de produção e de renda per capita. Mais do que isso, envolve iniciar e construir mudanças na estrutura do negócio e da sociedade. [...] Uma teoria do crescimento econômico coloca a inovação como fator mais importante, não só no desenvolvimento de novos produtos (ou serviços) para o mercado, como também no estímulo ao interesse em investir nos novos empreendimentos que estão sendo criados. Esse novo investimento funciona na demanda e na oferta, ou seja, em ambos os lados da equação de crescimento; o novo capital criado expande a capacidade de crescimento (lado da oferta), e os novos gastos resultantes utilizam a nova capacidade e a produção (lado da demanda). (HISRICH, 2009, p.36) A última crise econômica evidenciou esta relação no Brasil, que manteve a capacidade empreendedora nacional, ajudando a minimizar os efeitos da crise no país e a retomada do crescimento. A figura abaixo apresenta o comportamento da motivação empreendedora, inclusive durante a crise que assolou o mundo nos anos de 2008 e 2009, em que a curva de oportunidade se manteve crescente mesmo com a desaceleração da produção real, a curva de necessidade inverte sua direção em 2009, quando a crise atinge seu ponto mais grave no período analisado. Lição 01 / 10 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Produto interno bruto e motivação para empreender Fonte: IBGE e GEM, 2009 apud IBQP, 2009. A participação do empreendedorismo em economias em diferentes estágios de desenvolvimento se diferencia pelos tipos de oportunidades proporcionadas. O Brasil é considerado pelo Global Enterpreneuship Monitor (GEM) – instituto que realiza pesquisas sobre empreendedorismo no mundo desde 2001 – em suas pesquisas como efficiency-driven, que significa ser orientada pela eficiência operacional, ou ganho de produtividade. Esse tipo de economia, segundo IBQP (2009), estimula o surgimento de pequenas e micro empresas da indústria de transformação que atuam em baixa escala. Pequenos negócios na economia brasileira Fonte: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/noticias/Micro-e-pequenas-empresas-geram-27%25-do- PIB-do-Brasil Lição 01 / 11 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Ainda podemos identificar três grandes movimentos empreendedores importantes para do desenvolvimento econômico de uma nação: O governo como inovador (ativo na comercialização de tecnologia); Intra- empreendedorismo [8] ou empreendedorismo corporativo; e Empreendedorismo (individual) (HISRICH, 2009). O primeiro caracteriza-se principalmente pelo investimento em pesquisa, normalmente desvinculada de interesses econômicos, mas que ao final, pode haver transferência tecnológica, proporcionando a criação e comercialização de novos produtos. O segundo depende fundamentalmente de uma estrutura organizacional que incentive a produção de projetos dentro da própria empresa, premiando aqueles que alcançam o sucesso em seus empreendimentos. Tanto o governo como inovador quanto o empreendedorismo corporativo apresentam uma limitação importante quanto às barreiras burocráticas que podem surgir quando da apresentação ou realização de projetos de novos empreendimentos. Já o empreendedorismo – como criação de uma nova organização – é o método mais eficiente para ligar ciência e mercado, criando novas empresas, novo empregos e levando novos produtos e serviços ao mercado. Dado o impacto na economia global e no nível de emprego em uma área, é de admirar que o empreendedorismo ainda não tenha se tornado mais central no desenvolvimento econômico. Lição 01 / 12 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 6.Ética e Responsabilidade Social dos Empreendedores Espera-se que o empreendedor enfrente grandes dificuldades na busca de seus objetivos. Assumir riscos e investir seu capital em um empreendimento implica na busca energética pelo sucesso, e mesclado ao estresse do cotidiano do negócio e outras dificuldades, há a possibilidade de que o empreendedor estabeleça um equilíbrio entre exigências éticas, prudência econômica e responsabilidade social, um equilíbrio que difere do ponto em que um administrador comum estabelece sua posição moral. Ética e responsabilidade social dos empreendedores Pelo empreendimento se tratar de uma coisa relativamente nova, são poucos os modelos que podem orientar o surgimento de um código de ética interno, cabendo ao empreendedor lançar mão de seus sistemas de valores pessoais, muito mais do que outros profissionais, como gerentes, que têm as Leis e códigos profissionais de ética como parâmetro. Alguns acreditam que a palavra ética derive do termo grego êthos, que significa “costume e uso”, mas a origem no termo é mais propriamente identificado no termo Lição 01 / 13 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES swëdhêthos, em que os conceitos de moralidade individual e hábitos comportamentais são relacionados e identificados como a qualidade essencial da existência Ética, então, refere-se ao “estudo do que é certo e bom para os seres humanos”, enquanto ética de negócios relaciona-se com a busca das práticas empresariais à luz dos valores humanos. Sob esse ponto de vista, é fundamental determinar “para o benefício de quem e à custa de quem a empresa deve ser administrada?”. Assim, podemos assegurar que os recursos sejam distribuídos de modo justo entre a empresa e os seus stakeholders. Se a distribuição não for justa, um stakeholder estará sendo explorado pela empresa. Empresas que exploram determinado stakeholder [9] podem estar criando oportunidade, que o empreendedor pode aproveitar para desempenhar um papel na distribuição mais justa dos recursos. Em uma situação em que os preços praticados não refletem o valor dos recursos de um stakeholder, um empreendedor pode identificar a discrepância e entrar no mercado para lucrar. [...] o processo empreendedor funciona como um mecanismo para garantir um sistema justo e eficiente para a redistribuição dos recursos de um stakeholder “vitimado” para uma utilização onde haja um equilíbrio entre o valor fornecido e o valor recebido. (HISRICH, 2009 p. 39-40). Mesmo que haja evidências de que alguns utilizam o processo empreendedor para explorar outras pessoas visando o lucro, é importante entender que o processo empreendedor pode ser um meio significativo de ajudar os stakeholders explorados e, ao mesmo tempo, estabelecer um negócio viável. Então, o processo empreendedor deve ser visto como uma ferramenta que, usada de modo eficiente, permite obter efeitos favoráveis para as pessoas (e para o empreendedor), ao invés do detrimento de outros. Lição 01 / 14 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 7.O Futuro do Empreendedorismo Percebemos que o assunto empreendedorismo vem se apresentando cada vez com mais frequência nas pautas de discussões empresariais e acadêmicas. As instituições de ensino vêm oferecendo cursos na área, tanto como formação específica como complemento para os mais diversos cursos de graduação e pós-graduação. Esse movimento – de formação de empreendedores – está presente no mundo todo. Podemos concluir que as sociedades já perceberam a importância do estudo nesta área do conhecimento. Contudo, ainda são poucas as instituições que estãoenvolvidas no verdadeiro processo de criação de empresas, em que universidade, corpo docente e/ou estudantes compartilham as vendas e os lucros do novo empreendimento. Dentre as mudanças significativas referentes às que vêm ocorrendo em relação ao empreendedorismo, vale destacar: Empreendedorismo – mudanças significativas Assim, estamos presenciando uma mudança de comportamento estimulada por todos os lados, da empresa à família, da escola à igreja. Devemos nos atentar para tal mudança e perceber nela quais são as oportunidades que estão surgindo, e quais Lição 01 / 15 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES que podemos aproveitar para nosso futuro profissional. A pedra foi lançada! Lição 01 / 16 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 8. Conclusão Vimos que o conceito de empreendedorismo evoluiu ao longo do tempo, acompanhando as mudanças decorrentes dos diferentes momentos econômicos, passando a contemplar aspectos individuais, além da inovação, da expectativa de recompensas, da função de esforço e tempo dedicados, e o assumir os riscos inerentes do negócio. O processo empreendedor contempla etapas sequenciais, que podem, eventualmente, ser realizadas simultaneamente. As etapas são: Processo Empreendedor Empreender consiste: no abandono da atual carreira ou estilo de vida, na decisão de que um empreendimento é desejável, e na decisão de que fatores externos e internos tornam possível a criação do novo empreendimento. Lição 01 / 17 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES O estudo do empreendedorismo é importante para o aumento da renda nacional, além de servir como ligação entre inovação e mercado. O governo tem grande importância nesse processo, mas ainda carece de amadurecimento e redução das barreiras burocráticas. O intra-empreendedorismo tem se destacado como fonte de novas idéias para manutenção da permanência de grandes empresas no mercado. O empreendedor deve perceber o seu papel na sociedade, que vai além da realização pessoal, sendo que equilíbrio entre os stakeholders deve ser observado. O empreendedorismo, como área do conhecimento, ainda tem muito a ser desenvolvido, e o momento mostra que há uma ampla abordagem do tema pelas instituições de ensino, pelas empresas privadas e órgãos públicos, pelas iniciativas do terceiro setor e pela mídia. E o estudo do tema é fundamental para o desenvolvimento da sociedade e crescimento da nação. Lição 01 / 18 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 9.Notas complementares 1. Ilustração sobre as viagens de Marco Polo Como intermediário, Marco Polo assinava um contrato com uma pessoa de recursos (o precursor do atual capitalista de risco) para vender suas mercadorias. Um contrato comum na época oferecia um empréstimo para o comerciante aventureiro a uma taxa de 22,5%, incluindo seguro. Enquanto o capitalista corria riscos passivamente, o comerciante aventureiro assumia o papel ativo no negócio, suportando todos os riscos físicos e emocionais. Quando o comerciante aventureiro era bem-sucedido nas vendas das mercadorias e completava a viagem, os lucros eram divididos, cabendo ao capitalista a maior parte (até 75%), enquanto o comerciante aventureiro ficava com os 25% restantes. (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 27-28) 2. Lição 01 / 19 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES As catedrais européias: Recursos do país gerenciados pelos clérigos Um típico empreendedor da idade Média era o clérigo – pessoa encarregada de obras arquitetônicas, como castelos e fortificações, prédios públicos, abadias e catedrais. Em tais projetos, esses indivíduos não corriam riscos: simplesmente administrava o projeto usando recursos fornecidos, geralmente pelo governo do país. (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 28) 3. Lição 01 / 20 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES John Law em gravura da época, retratando a situação que ficou conhecida como A bolha de Mississipi Um empreendedor deste período foi John Law, francês que conseguiu permissão para estabelecer um banco real. O banco evoluiu para uma franquia exclusiva, formando uma empresa comercial no Novo Mundo – a Mississippi Company. Infelizmente, esse monopólio sobre o comércio francês levou à ruína de Law quando este tentou elevar o valor das ações da empresa para mais do que o valor de seu patrimônio, levando a mesma ao colapso. Richard Cantillon, notável economista e escritor nos anos 1700, compreendeu o erro de Law. Cantillon desenvolveu uma das primeiras teorias do empreendedor e é considerado por alguns o criador do termo. Ele viu o empreendedor como alguém que corria riscos, observando que os comerciantes, fazendeiros, artesãos e outros proprietários individuais "compram a um preço certo e vendem a um preço incerto, portanto operam com risco". (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 28) 4. Lição 01 / 21 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES O desenvolvimento de novas tecnologias refletiam a necessidade de agilizar produções e processos. Muitas das invenções desenvolvidas durante esse período eram reações às mudanças no mundo, como foi o caso das invenções de Eli Whitney e Thomas Edison. Tanto Whitney quanto Edison estavam desenvolvendo novas tecnologias e eram incapazes de financiar suas invenções. Enquanto Whitney financiava seu descaroçador de algodão com recursos da coroa britânica, Edison levantava capital de fontes particulares para desenvolver e fazer experimentos nos campos da eletricidade e da química. Os dois eram usuários de capital (empreendedores), e não fornecedores (investidores de risco). (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 28) 5. Lição 01 / 22 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Andrew Carnegie e o império do aço americano Andrew Carnegie é um dos melhores exemplos dessa definição. Carnegie não inventou nada, mas adaptou e desenvolveu uma nova tecnologia na criação de produtos para alcançar a vitalidade econômica. Carnegie, que descendia de uma família escocesa pobre, fez da indústria americana do aço uma das maravilhas do mundo industrial, essencial por intermédio de sua incansável busca por competitividade, em vez de inventividade ou criatividade. (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 29) 6. Lição 01 / 23 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES Exemplo de empreendedores que criaram padrões que fizeram o mercado ajustar-se aos seus processos A novidade pode ser desde um novo produto e um novo sistema de distribuição até um método para desenvolver uma nova estrutura organizacional. Edward Harriman, que reorganizou a ferrovia Ontario and Southern através da Northern Pacific Trust, e John Pierpont Morgan, que desenvolveu seu grande banco reorganizando e financiando as indústrias americanas, são exemplos de empreendedores inovadores. Tais inovações organizacionais são frequentemente tão difíceis de desenvolver com sucesso quanto as inovações tecnológicas mais tradicionais (transistores, computadores, laser), geralmente associadas à condição de empreendedor. 7. Lição 01 / 24 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES A genialidade de uma invenção não termina na invenção em si mas na criação de produtos e serviços derivados No início do século XX, o inventor Nikola Tesla patenteou, dentre várias outras invenções, a corrente alternada, que veio a se tornar padrão mundial. Contudo, pouco ganhou com essa invenção, que foi explorada pelo empresário George Westinghouse, que com esta iniciativa, teve altos lucros prestando serviços para o governo americano. As invenções de Tesla ainda hoje nos surpreendem pela genialidade e antecipação de seu tempo, como o motor de indução, lâmpada fluorescente e as patentes que permitiram a invenção do rádio. Morreu em um quarto de hotel onde moroupor dez anos sem acumular riquezas. 8. A inovação dentro de uma empresa por se tornar um empreendimento em si Intra-empreendedorismo: Empreendedorismo dentro de uma estrutura empresarial existente Lição 01 / 25 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 9. A inovação dentro de uma empresa por se tornar um empreendimento em si Stakeholders: Os interessados na empresa, inclusive funcionários, clientes, fornecedores e a própria sociedade. Lição 01 / 26 Coordenadoria de Ensino a Distância - CEaD Universidade Vila Velha UVV-ES 10. Referências DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. HISRICH, Robert D. PETERS, Michael P. SHEPHERD, Dean A. Empreendedorismo. 7 ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade. Empreendedorismo no Brasil: 2009. Curitiba: IBQP, 2009. SCHWAB, K. Global Competitiveness Report 2009-2010. Genebra: World Economic Forum, 2009. Disponível em: //www.weforum.org/pdf/GCR09/GCR20092010 fullreport.pdf Portal SEEBRAE, Micro e pequenas empressas geram 27% do PIB do Brasil.Dispinível em: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/noticias/Micro-e- pequenas-empresas-geram-27%25-do-PIB-do-Brasil . Portal Endeavour, 7 cases inpiradores de sucesso. Disponível em: https://endeavor.org.br/7-cases-inspiradores-de-sucesso/