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2 O ano de 2025 trouxe novidades importantes na Pedia- tria, com mudanças em condutas preventivas, rastrea- mento e manejo clínico. Este eBook reúne, de forma simples e direta, o que real- mente impacta a prática diária do pediatra — sem enro- lação e focado na aplicabilidade. Nossa proposta é clara: entregar o essencial, com foco na prática clínica real. Ao final, você encontrará uma oportunidade exclusiva para acompanhar, durante todo o ano, as próximas novidades que impactarão direta- mente sua rotina. Introdução 11 3 NOVAS RECOMENDAÇÕES DO PALS – AHA 2025/2026 4 Panorama: Antes e Depois ANTES: Guideline PALS 2020 com protocolos estabelecidos. Foco em compres- sões de qualidade, desfibrilação, vias aéreas e farmacologia. Algoritmos padroni- zados mas com necessidade de atualização conforme novas evidências. DEPOIS: Atualização oficial do PALS para 2025/2026. Ajustes em algoritmos de PCR, ventilação, identificação precoce de choque, desfibrilação, uso de fármacos, métricas de qualidade das compressões, abordagem de vias aéreas e orientações específicas para recém-nascidos em emergência. Mudança-chave: “Foco em qualidade, precocidade e evidências atualizadas” Abordagem Detalhada da Atualização 1. Algoritmos de PCR Pediátrica Atualizados Ajustes principais: • Fluxos decisórios simplificados para facilitar execução em situações de estresse • Ênfase em causas reversíveis (5H’s e 5T’s) com checklist integrado ao algoritmo • Timing mais preciso de intervenções (quando considerar ECMO, quando transportar) Critérios de reversibilidade ampliados: • Hipóxia, Hipovolemia, Hidrogênio (acidose), Hipo/hipercalemia, Hipotermia • Tensão (pneumotórax), Tamponamento cardíaco, Tóxicos, Trombose (coroná- ria/pulmonar), Trauma 2. Ventilação e Oxigenação Novas orientações: Evitar hiperventilação: • Frequência respiratória ajustada: 10-12 resp/min durante RCP com via aérea avançada • Hiperventilação reduz retorno venoso e piora perfusão cerebral 5 Priorizar ventilação eficaz: • Volume corrente: 6-7 mL/kg (evitar volumes excessivos) • Elevação visível do tórax como referência • Capnografia contínua (EtCO₂ alvo: 35-40 mmHg) Oxigenação ajustada: • Durante RCP: FiO₂ 100% • Após retorno de circulação espontânea (RCE): ajustar para SpO₂ 94-99% (evitar hiperóxia) 3. Identificação Precoce de Choque Indicadores clínicos ampliados: Choque compensado (ainda com PA normal): • Taquicardia • Extremidades frias, tempo de enchimento capilar >2 segundos • Pulsos periféricos fracos • Alteração do nível de consciência (irritabilidade, letargia) • Oligúria Choque descompensado: • Hipotensão (PAS 10-15 minutos) • Necessidade de transporte 8. Orientações para Recém-Nascidos em Emergência Distinção RN vs lactente: • RN: primeiros 28 dias de vida • Algoritmo de reanimação neonatal tem prioridade em sala de parto • Em emergência (PS, ambulância): aplicar PALS modificado Particularidades: • Hipotermia é fator crítico: manter temperatura 36,5-37,5°C • Compressões: técnica dos 2 polegares, profundidade ~4 cm, frequência 120/min • Relação compressão:ventilação 3:1 (vs 15:2 ou 30:2 em crianças maiores) 8 Impacto no Dia a Dia do Pediatra Treinamento obrigatório atualizado • Certificação PALS deve ser renovada com novo guideline 2025/2026 • Simulações em equipe com foco em métricas de qualidade Checklist de causas reversíveis • Imprimir 5H’s e 5T’s visíveis em sala de emergência • Revisar sistematicamente durante RCP Capnografia em toda RCP • EtCO₂ monitoriza qualidade de compressões e detecta RCE precocemente • Se EtCO₂ 70% (atual ~40%), extra-hospitalar >30% (atual ~10%). 22 9 MUDANÇAS NO MANEJO DA ASMA PEDIÁTRICA – GINA 2025 10 Panorama: Antes e Depois ANTES: Diagnóstico de asma em 300/μL) Fatores que diminuem probabilidade: • Sintomas apenas com resfriados • Crescimento inadequado 11 • Sintomas desde nascimento • Sintomas associados a vômitos/regurgitação 2. UsoCriterioso de Inaladores Avaliação de técnica inalatória: • Demonstrar e revisar técnica em TODA consulta • Lactentes/pré-escolares: espaçador com máscara facial é obrigatório • 4-5 anos: transição para espaçador sem máscara ou inalador de pó (se consegue coordenar) Fatores que afetam controle: • Técnica inadequada: 70-80% das crianças/cuidadores erram alguma etapa • Adesão: 300/μL sugere inflamação tipo 2 FeNO: >35 ppb (crianças) sugere inflamação eosinofílica IgE total e específica (aeroalérgenos) Terapias biológicas disponíveis: • Omalizumabe (anti-IgE): ≥6 anos, asma alérgica grave 12 • Mepolizumabe, benralizumabe (anti-IL-5): ≥12 anos, asma eosinofílica grave • Dupilumabe (anti-IL-4/IL-13): ≥6 anos, asma tipo 2 grave 4. Revisão da Terapia de Manutenção e Crise Escalonamento por steps (revisado): Step 1 2 3 4 5 Tratamento de manutenção Nenhum ICS baixa dose regular ICS baixa dose + LABA OU ICS média dose ICS média-alta dose + LABA ICS alta dose + LABA + terapia adicional (teofilina, LTRA, biológico) Alívio SABA quando necessário SABA ICS-formoterol (se >12 anos) ICS-formoterol ICS-formoterol ICS-formoterol como alívio: • Nova recomendação: ICS-formoterol (budesonida-formoterol) pode ser usado como alívio E manutenção (terapia MART) • Indicação: ≥12 anos em step 3-4 • Vantagem: toda vez que usa alívio, recebe dose de ICS (anti-inflamatório) • Reduz exacerbações graves em 30-40% Ajustes de dose: • ICS baixa: budesonida 100-200 mcg/dia, fluticasona 100-200 mcg/dia • ICS média: budesonida 200-400 mcg/dia, fluticasona 200-500 mcg/dia • ICS alta: budesonida >400 mcg/dia, fluticasona >500 mcg/dia Impacto no Dia a Dia do Pediatra Diagnóstico mais criterioso em > risco Panorama para o Futuro Tendências nos próximos 5-10 anos: • Vacina VSR (vírus sincicial respiratório): vacinas maternas e pediátricas em apro- vação final • Vacina estreptococo grupo B: prevenir sepse neonatal • Vacina meningocócica pentavalente (ABCWY): uma vacina, 5 sorotipos • Vacinas de mRNA para pediatria: gripe, VSR, outras doenças respiratórias • Calendário digital integrado: alerta automático de atrasos, envio de lembretes Projeção: Calendário vacinal terá 20-25 vacinas, protegendo contra >30 doenças. Cobertura >95%, doenças preveníveis reduzidas em >90%. 44 19 SÍFILIS CONGÊNITA – CONTROLE E VIGILÂNCIA REFORÇADOS 20 Panorama: Antes e Depois ANTES: Sífilis congênita persistia como problema de saúde pública apesar de ser evitável. Rastreamentopré-natal irregular. Tratamento inadequado de gestantes (esquema incompleto, parceiro não tratado). Subnotificação. Seguimento do RN ex- posto inconsistente. DEPOIS: Prioridade nacional reforçada. Rastreamento pré-natal mais rigoroso com repetição em momentos específicos. Protocolos revisados para tratamento da ges- tante e RN exposto. Critérios atualizados de definição de caso. Vigilância epidemio- lógica fortalecida. Ênfase em educação e prevenção. Mudança-chave: “Sífilis congênita é EVITÁVEL - falha é do sistema, não da doença” Abordagem Detalhada da Atualização 1. Rastreamento Pré-Natal Rigoroso Testagem obrigatória: • 1ª consulta pré-natal (idealmente 1º trimestre) • 3º trimestre (28-32 semanas) • No parto/curetagem (mesmo que exames prévios negativos) Testes: • Teste rápido (treponêmico): resultado em 15-20 minutos, boa sensibilidade • VDRL (não treponêmico): quantitativo, usado para diagnóstico E seguimento • Se teste rápido positivo → confirmar com VDRL e titular 2. Tratamento Adequado da Gestante Esquema padrão (sífilis adquirida): 21 Estágio Primária, secundária, latente recente (1 ano) ou indeterminada Terciária Tratamento Penicilina G benzatina 2,4 mi- lhões UI IM dose única Penicilina G benzatina 2,4 mi- lhões UI IM semanal × 3 doses Penicilina G benzatina 2,4 mi- lhões UI IM semanal × 3 doses Tratamento adequado = previne sífilis congênita se: • Penicilina G benzatina (outras penicilinas NÃO servem) • Completado ≥30 dias antes do parto • Queda pelo menos 2 titulações do VDRL • Parceiro tratado concomitantemente Tratamento inadequado (= RN será caso de sífilis congênita exposta): • Esquema incompleto • Tratamento 90% (de ~25.000 casos/ano para 2500g (frequentemente) Comorbidades que aumentam risco: • Síndrome do desconforto respiratório (SDR) • Displasia broncopulmonar (DBP) • Hemorragia periintraventricular (HPIV) grau 3-4 • Leucomalácia periventricular (LPV) • Enterocolite necrosante (ECN) 27 • Retinopatia da prematuridade (ROP) grave • Sepse precoce/tardia 2. Estabilização em Sala de Parto Protocolo “Golden Hour” (primeira hora de vida): Temperatura: • Manter 36,5-37,5°C desde nascimento • Saco plástico de polietileno para 30% com CPAP) • Técnica MIST/LISA (menos invasiva): surfactante via cateter fino sem intubação (preferencial) Acesso venoso: • Cateter umbilical venoso (CUV) para 28 semanas com SDR leve-moderada • Pressão inicial: 5-8 cmH₂O • Reduz necessidade de intubação em 40-50% Indicações de intubação e ventilação mecânica: • Apneia recorrente refratária a CPAP + cafeína • Necessidade de FiO₂ >40-50% com CPAP • PCO₂ >65 mmHg persistente • Instabilidade hemodinâmica grave Ventilação protetora: • Volume corrente: 4-6 mL/kg • Pressão platô(barotrauma, volutrauma) Prevenção de displasia broncopulmonar (DBP): • Evitar hiperoxia (SpO₂ alvo 90-95%) • Extubação precoce para CPAP • Cafeína para todos 70% (atual ~50%), com sequelas graves 2 anos minimizar 2. Ênfase em Alimentos In Natura O que são: • Frutas, verduras, legumes, carnes frescas, grãos, ovos, leite • Mínimo ou nenhum processamento industrial Por que priorizar: • Maior densidade nutricional • Sem aditivos químicos • Formam paladar para alimentos naturais • Previnem obesidade, diabetes, hipertensão na vida adulta Redução de ultraprocessados: • Definição: produtos industrializados com >5 ingredientes, muitos irreconhecíveis (corantes, estabilizantes, realçadores de sabor) • Problema: alto em açúcar, gordura, sódio, baixo em nutrientes • Regra: Se a criança não consegue pronunciar ingredientes, não deve comer 3. Bebidas Açucaradas, Gorduras e Proteínas Bebidas: • Evitar: refrigerantes, sucos industrializados, achocolatados prontos 35 • Priorizar: água pura, leite materno/leite, eventualmente suco natural (1 porção/ dia, diluído) • Açúcar: 2 anos máximo 25g/dia (~6 colheres de chá) Gorduras: • Saudáveis (priorizar): azeite, abacate, oleaginosas (>12 meses, trituradas), pei- xes gordos • Evitar: gordura trans (margarina, produtos industrializados), fritura Proteínas: • Quantidade adequada: 1-3 anos: 15-20g/dia, 4-8 anos: 20-30g/dia • Fontes: carnes magras, frango, peixe (2-3x/semana), ovos, leguminosas • Não forçar: criança regula ingestão proteica naturalmente 4. Alimentação Responsiva O que é: • Respeitar sinais de fome e saciedade da criança • Oferecer alimentos saudáveis, mas criança decide quanto come • Não forçar, subornar, distrair para comer Sinais de fome: • Chora, leva mão à boca, abre boca ao ver comida, agitação Sinais de saciedade: • Fecha boca, vira rosto, empurra prato, brinca com comida, diminui ritmo Autonomia: • Deixar criança comer com as mãos (BLW - baby-led weaning é opção válida) • Transição para talheres conforme desenvolvimento (12-18 meses) • Permitir “bagunça” (faz parte do aprendizado) 36 5. Prevenção de Alergias Introdução precoce de alérgenos: • Nova recomendação: introduzir alimentos alergênicos (ovo, leite, peixe, amen- doim, trigo, soja, castanhas) a partir de 6 meses, não postergar • Evidências: introdução precoce reduz risco de alergia (vs evitar, que aumentava risco) Como introduzir: • Oferecer em pequena quantidade, em casa, durante o dia • Observar por 2h • Se tolerou, oferecer regularmente (2-3x/semana) • Não introduzir múltiplos alérgenos novos no mesmo dia Sinais de alergia (buscar pronto-socorro): • Urticária extensa • Inchaço de lábios/língua • Dificuldade respiratória, chiado • Vômitos repetidos, diarreia imediata 6. Segurança Alimentar e Consistência Prevenção de engasgo: •Evitar alimentos redondos/duros: uva inteira, cenoura crua, amendoim inteiro, pipoca (5 ingredientes = ultraprocessado) Prevenção de obesidade desde bebê • Não oferecer açúcar