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PRINCESA ISABEL INTRODUÇÃO A Princesa Isabel foi uma das figuras mais importantes da história do Brasil, especialmente por seu papel decisivo no processo de abolição da escravidão. Seu nome completo era Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, e ela nasceu em 29 de julho de 1846, no Rio de Janeiro. Filha do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, Isabel era herdeira do trono brasileiro, já que seu pai não teve filhos homens que sobrevivessem à infância. Desde cedo, a Princesa Isabel recebeu uma educação rigorosa e refinada, algo incomum para mulheres da época. Estudou línguas, literatura, ciências, história, geografia e religião, sendo preparada para assumir responsabilidades políticas. Essa formação foi fundamental para que pudesse exercer a regência do Império em três ocasiões, durante as viagens de Dom Pedro II ao exterior. A Princesa Isabel atuou como regente do Brasil nos períodos de 1871, 1876–1877 e 1887– 1888. Foi durante essas regências que ela se destacou politicamente, especialmente na questão da escravidão, que já vinha sendo debatida há décadas no país. O Brasil era um dos últimos países do mundo a manter o sistema escravista, e havia forte pressão tanto interna quanto externa para sua extinção. Em 1871, durante sua primeira regência, Isabel sancionou a Lei do Ventre Livre, que declarava livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data. Embora a lei não acabasse com a escravidão, representou um avanço importante no processo abolicionista. Já em sua terceira regência, Isabel assumiu uma postura ainda mais firme diante da questão. No dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, libertando cerca de 700 mil pessoas que ainda viviam em cativeiro. A lei era curta, com apenas dois artigos, mas seu impacto foi profundo e definitivo. Por esse ato, Isabel ficou conhecida como “A Redentora”, sendo amplamente celebrada por abolicionistas e pela população negra recém-liberta. Apesar de sua importância histórica, a abolição da escravidão não foi acompanhada de políticas públicas que garantissem condições dignas de vida aos ex-escravizados, como acesso à terra, trabalho e educação. Isso gerou graves consequências sociais que persistem até os dias atuais. Ainda assim, a assinatura da Lei Áurea marcou um momento fundamental na história do país. A atitude da Princesa Isabel desagradou profundamente os grandes proprietários rurais, que dependiam da mão de obra escravizada. Esse descontentamento contribuiu para o enfraquecimento da monarquia brasileira. Pouco mais de um ano depois, em 15 de novembro de 1889, ocorreu a Proclamação da República, e a família imperial foi obrigada a deixar o Brasil e viver no exílio. A Princesa Isabel passou o restante de sua vida na Europa, principalmente na França. Faleceu em 14 de novembro de 1921, em Paris. Somente décadas depois seus restos mortais foram trazidos de volta ao Brasil, sendo hoje reconhecida como uma figura central na luta pelo fim da escravidão. Em síntese, a Princesa Isabel ocupa um lugar de grande destaque na história brasileira. Sua atuação política, especialmente na abolição da escravidão, fez dela um símbolo de mudança e justiça social. Estudar sua trajetória é fundamental para compreender o processo histórico que levou ao fim do regime escravista e à transição do Brasil Império para a República. VIVINE FERRAZ DE SOUSA PRATES