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DIREITO PENAL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Bárbara Guerra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 250814234831 DOUGLAS VARGAS Agente da Polícia Civil do Distrito Federal, aprovado em 6º lugar no concurso realizado em 2013. Aprovado em vários concursos, como Polícia Federal (Escrivão), PCDF (Escrivão e Agente), PRF (Agente), Ministério da Integração, Ministério da Justiça, BRB e PMDF (Soldado – 2012 e Oficial – 2017). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1. Lei n. 8.137/1990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1.1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2. Crimes contra as Relações de Consumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.1. Favorecimento ou Preferência Injustificada de Comprador ou Freguês . . . . 7 2.2. Venda ou Exposição à Venda de Mercadoria em Desacordo com as Prescrições Legais ou Classificação Oficial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2.3. Mistura de Gêneros ou Mercadorias para Obtenção de Lucro Indevido . . . . . 8 2.4. Fraude de Preço Mediante Alteração Não Essencial ou de Qualidade de Bem ou Serviço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.5. Aumento de Preço em Venda a Prazo Mediante Exigência de Comissão ou Taxa de Juros Ilegal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.6. Sonegação de Produtos para Descumprimento de Oferta Pública ou para Fim de Especulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.7. Indução de Consumidor ou Usuário em Erro Mediante Afirmação Falsa ou Enganosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.8. Dano em Matéria-Prima ou Mercadoria para Provocar Alta de Preço . . . . . 10 2.9. Venda, Manutenção em Depósito, Exposição à Venda ou Entrega de Produto Impróprio para o Consumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.10. Causas de Aumento de Pena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 3. Crimes contra a Ordem Tributária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 3.1. Artigo 1º (Tipo Penal Básico) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 3.2. Artigo 2º . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 3.3. Artigo 3º – Crimes Praticados por Funcionários Públicos . . . . . . . . . . . . . . . 19 4. Observações Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 5. Extinção da Punibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 6. Crimes contra a Ordem Econômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 6.1. Crimes em Espécie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 7. Jurisprudência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Questões de Concurso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas apreSenTaÇÃOapreSenTaÇÃO Olá, querido(a) aluno(a). Na aula de legislação especial penal de hoje, iremos nos dedicar à compreensão da Lei n. 8.137, de 1990. Esse diploma legal compreende alguns tópicos importantes: • Crimes contra a ordem tributária; • Crimes contra as relações de consumo; • Crimes contra a ordem econômica. Ao final, faremos uma lista de exercícios completa e atualizada sobre os temas apresentados, de modo a compreender os tópicos estudados da maneira mais abrangente possível. Bons estudos. Prof. Douglas Vargas O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas LEI N. 8.137/1990 – CRIMES CONTRA A ORDEM LEI N. 8.137/1990 – CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E OUTROSTRIBUTÁRIA E OUTROS 1. LEI N. 8.137/19901. LEI N. 8.137/1990 1.1. inTrOdUÇÃO1.1. inTrOdUÇÃO Aprovada quase à mesma época da Lei n. 8.078/1990, a Lei n. 8.137/1990 trata dos seguintes temas criminais: Crimes contra a ordem tributária Crimes contra a ordem econômica Crimes contra as relações de consumo Esse é um diploma legal pouco recorrente em provas de concursos, no entanto, que é digno de nossa atenção, tendo em vista que pode garantir pontos preciosos que farão a diferença na colocação final do candidato. Além disso, é uma lei curta, e que pode ser estudada de uma forma relativamente rápida. Dito isso, vamos direto aos delitos previstos em seu texto, começando pelos crimes contra as relações de consumo. 2. CriMeS COnTra aS reLaÇÕeS de COnSUMO2. CriMeS COnTra aS reLaÇÕeS de COnSUMO Todos os delitos contra as relações de consumo previstosfiscal ao Ministério Público somente é possível após o início do processo administrativo-fiscal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas d) As instâncias administrativo-tributária e penal são independentes para fins de apuração e aplicação das suas normas específicas, exceto nas hipóteses de absolvição por inexigibilidade de conduta diversa, prevalecendo, nesse caso, a decisão prolatada na esfera extrajudicial. 022. 022. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/MANHÃ/2024) Tendo como base as disposições da Lei n. 8.137/1990, caso Tício, Auditor-Fiscal da receita federal, patrocine interesse privado perante a administração fazendária, valendo-se da sua qualidade de funcionário público, estará cometendo crime funcional contra a ordem tributária, podendo ser apenado com reclusão, de um a quatro anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas GABARITOGABARITO 1. C 2. C 3. E 4. C 5. C 6. E 7. C 8. E 9. C 10. C 11. E 12. E 13. E 14. C 15. C 16. C 17. c 18. c 19. c 20. E 21. b 22. C O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA XXII/2014) Considere a seguinte situação hipotética. O proprietário de um pequeno comércio expôs à venda mercadorias um dia antes de expirar seu prazo de validade e, apenas sete dias após de sua validade, essa mercadoria, que ficou imprópria ao consumo, foi retirada das prateleiras. Posteriormente, o proprietário do estabelecimento informou ter havido greve do setor de transporte coletivo, razão por que seus empregados não compareceram ao trabalho e, consequentemente, os referidos produtos não puderam ser recolhidos, mas, mesmo assim, ele conseguiu abrir e manter seu comércio em funcionamento. Nessa situação, mesmo que a mercadoria com prazo de validade vencido não tenha sido adquirida por nenhum cliente, o fato descrito caracterizou crime contra as relações de consumo, mesmo que praticado na forma culposa. Isso mesmo. O delito é crime formal, que não depende da aquisição para sua configuração, e que admite a modalidade culposa por expressa previsão legal: Art. 7º da Lei n. 8137/1990: IX – vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo- Pena – detenção, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II, III e IX pune-se a modalidade culposa, reduzindo- se a pena e a detenção de 1/3 (um terço) ou a de multa à quinta parte. Certo. 002. 002. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA XXII/2014) Julgue o item, relativo aos crimes contra a ordem econômica e às relações de consumo. O acerto ou ajuste feito no âmbito do mesmo grupo econômico, com o fim de tabelar os preços de seus produtos, não é considerado crime contra a ordem econômica. A questão está correta, pois afirmou que não é crime o ajuste realizado em um mesmo grupo econômico. Para que haja crime, o ajuste deve ser firmado entre diferentes empresas. Art. 4º da Lei n. 8.137/1990: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Constitui crime contra a ordem econômica: I – abusar do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrência mediante qualquer forma de ajuste ou acordo de empresas; Certo. 003. 003. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ÁREA III/2014) Considera-se típica, segundo o entendimento do STF, a conduta de falsificar nota fiscal, ainda que a autoridade tributária não tenha efetivado o lançamento definitivo do tributo. Primeiramente, quem cria crimes é o poder legislativo – e não o STF por meio de sua jurisprudência. Mas fazendo vista grossa para esse problema na estrutura do texto, o entendimento jurisprudencial vigente é que, para a configuração dos crimes contra a ordem tributária, em regra, é necessário o lançamento definitivo do tributo. Errado. 004. 004. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA III/2014) O agente que, no intuito de suprimir tributo, omitir informação às autoridades fazendárias e, com esse ato, fraudar a fiscalização tributária, cometerá um único crime contra a ordem tributária. Isso mesmo. É o que prevê o art. 1º da Lei n. 8.137/1990: Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Tal delito é o chamado tipo misto alternativo ou de conteúdo variado, no qual, quando o agente pratica mais de uma das condutas típicas previstas pelo legislador, pratica um único crime. Certo. 005. 005. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA III/2014) A conduta do fiscal que aceita promessa de vantagem pecuniária para deixar de lançar contribuição social devida pelo contribuinte é tipificada como crime funcional contra a ordem tributária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Isso mesmo. A conduta em questão está corretamente caracterizada pelo examinador, e integra o rol do art. 3º da lei em estudo: Art. 3º Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Título XI, Capítulo I): II – exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. Certo. 006. 006. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014)Suponha que, antes do término do correspondente processo administrativo de lançamento tributário, o MP tenha oferecido denúncia contra Maurício, por ter ele deixado de fornecer, em algumas situações, notas fiscais relativas a mercadorias efetivamente vendidas em seu estabelecimento comercial. Nesse caso, de acordo com a jurisprudência pacífica do STF, a inicial acusatória não deve ser recebida pelo magistrado, dada a ausência de configuração de crime material. O inciso V do art. 1º da Lei n. 8.137/1990 é crime formal, e não material, como afirma a questão. Dessa forma, não há que se falar na rejeição da denúncia em razão da configuração do crime material. Errado. 007. 007. (CESPE/STF/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2013) João, com mais de dezoito anos de idade, e seu irmão Pedro, com dezessete anos de idade, ambos residentes no Distrito Federal, em endereço conhecido, constituíram, neste local, um negócio informal e passaram a vender roupas, sem informar esse fato ao fisco, deixando de constar no cadastro fiscal. Após fiscalização, a administração tributária descobriu que a prática da atividade comercial durava mais de dois anos, sem nunca ter sido recolhido nenhum tributo. O fisco lavrou o correspondente auto de infração contra João e Pedro, para cobrar o tributo suprimido. Ainda com referência à situação hipotética descrita, julgue o item a seguir, acerca de ilícito tributário e de crimes contra a ordem tributária. Se, antes do recebimento da denúncia, João ou Pedro efetuar o pagamento integral da dívida, ficará extinta a punibilidade do crime. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Isso mesmo. É o que prevê o art. 34 da Lei n. 9.249/1995: Extingue-se a punibilidade dos crimes definidos na Lei n. 8.137/1990 e na Lei n. 4.729/1965, quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Certo. 008. 008. (CESPE/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA/2013) Constitui crime contra as relações de consumo ter em depósito, mesmo que não seja para vender ou para expor à venda, mercadoria em condições impróprias para o consumo. A previsão contida no art. 7º, inciso IX, da Lei n. 8.137/1990 só irá se configurar se houver o objetivo de vender ou expor à venda a mercadoria nas condições impróprias para consumo: Art. 7º, IX – vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo. Pena – detenção, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa. Errado. 009. 009. (CESPE/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA/2013) Quem, valendo-se da qualidade de funcionário público, patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária praticará, em tese, crime funcional contra a ordem tributária. Isso mesmo. Tal previsão encontra-se no artigo 3º, inciso III, da Lei n. 8.137/1990: Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Título XI, Capítulo I): III – patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária, valendo-se da qualidade de funcionário público. Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Certo. 010. 010. (CESPE/BACEN/ANALISTA/CONTABILIDADE E FINANÇAS/2013) Em conformidade com a lei que define os crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas consumo, qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público para que seja apurada a prática dos crimes relacionados na mencionada lei, desde que o faça por escrito e indique o fato, a autoria, o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Exato. Questão baseada no art. 16 da Lei n. 8.137/1990: Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nesta lei, fornecendo-lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Certo. 011. 011. (CESPE/CEBRASPE/POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO/2013) No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, julgue o item subsequente. Se os crimes funcionais, previstos no art. 3º da Lei n. 8.137/1990, forem praticados por servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade. Cuidado. O art. 12 da lei em estudo arrola os delitos nos quais a pena será aumentada de 1/3 se o agente for servidor público no exercício das funções, e o delito do art. 3º não está incluído nessa norma. Lei n. 8.137/1990, Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1º, 2º e 4º a 7º: II – ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções; Errado. 012. 012. (CESPE/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) Servidor público que, na qualidade de agente fiscal, exigir vantagem indevida para deixar de emitir auto de infração por débito tributário e de cobrar a consequente multa responderá, independentemente do recebimento da vantagem, pela prática do crime de concussão, previsto na parte especial do Código Penal (CP). Em razão da aplicação do princípio da especialidade, o servidor público em questão responderá pelo crime previsto no artigo 3º, inciso II, da Lei n. 8.137/1990, e não pelo delito de CONCUSSÃO, previsto no Código Penal: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Art. 3º Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Título XI, Capítulo I): II – exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. Errado. 013. 013. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2012) A lei estabelece, com relação ao sistema de vendas ao consumidor em que o preço do produto seja sugerido pelo fabricante, que, se este praticar crime contra as relações de consumo, responderá por esse ato também o distribuidor ou o revendedor. Na verdade, a Lei n. 8.137/1990, nesse caso específico, exclui a responsabilização do distribuidor ou revendedor: Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade. Parágrafo único. Quando a venda ao consumidor for efetuada por sistema de entrega ao consumo ou por intermédio de outro em que o preço ao consumidor é estabelecido ou sugerido pelo fabricante ou concedente,o ato por este praticado não alcança o distribuidor ou revendedor. Errado. 014. 014. (CESPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2008) Os tipos penais da lei dos crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo são, de regra, dolosos; todavia, em sede de crimes contra a ordem tributária, não se cogita da existência da modalidade culposa, encontrada na referida legislação apenas em alguns tipos relativos aos crimes contra as relações de consumo. Exatamente. Não existe previsão de crime contra a ordem tributária na modalidade culposa. Certo. 015. 015. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2007) Carece de justa causa a ação penal quanto ao crime contra a ordem tributária, caso a denúncia não esteja lastreada em decisão administrativa conclusiva concernente à investigação de sonegação fiscal, sendo cabível, na espécie, habeas corpus com o fim de trancamento da ação penal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Segundo a jurisprudência majoritária, se a administração pública não exauriu a esfera administrativa com o objetivo de recuperar o tributo sonegado, falta justa causa à ação penal, haja vista que a esfera penal só deve ser utilizada em último caso. Se a conduta do indivíduo não gera interesse administrativo do Estado, não se pode falar em persecução penal para o mesmo caso. Certo. 016. 016. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL/ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL/NACIONAL/2004) Sebastião suprimiu tributo, prestando declaração falsa às autoridades fazendárias. Nessa situação, se da conduta de Sebastião decorreu grave dano à coletividade, a pena poderá ser agravada, pelo juiz, de um terço até a metade. É perfeitamente possível que a pena seja agravada nesse caso, pois a conduta de Sebastião está prevista no art. 1º, inciso I da lei em estudo. E segundo o art. 12, inciso I, é cabível o aumento de pena caso tal conduta resulte em grave dano à coletividade. Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1º, 2º e 4º a 7º: I – ocasionar grave dano à coletividade; Certo. 017. 017. (FCC/TRF/3ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2014) Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. O enunciado da Súmula Vinculante n. 24 do STF, citado acima, mais diretamente implica que: a) o erro sobre elemento do tipo penal exclui o dolo. b) reduz-se a pena quando, até o recebimento da denúncia, o agente de crime cometido sem violência ou grave ameaça reparar o dano ou restituir a coisa. c) a prescrição começa a correr do dia em que o crime se consumou. d) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato isenta de pena. e) a confissão espontânea da autoria do crime atenua a pena. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 42 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Questão difícil, mas muito boa para o nosso aprendizado. Conforme estudamos, é entendimento jurisprudencial que o enunciado da SV n. 24 implica diretamente sobre a prescrição do delito, que só começará a correr do dia em que se consumou o crime. Letra c. 018. 018. (FCC/PGM/JOÃO PESSOA-PB/PROCURADOR MUNICIPAL/2012) O crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, IV, da Lei n. 8.137/1990 (“elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato”): a) é punido a título de culpa. b) caracteriza-se independentemente da intenção de suprimir tributo. c) caracteriza-se independentemente de remuneração a quem fornece o documento falso ou inexato. d) caracteriza-se independentemente da intenção de reduzir tributo. e) não pode ser praticado por quem não é contribuinte. Outra questão difícil, mas que também agrega para conhecermos o modo de tratar o assunto adotado pela banca. O delito previsto no art. 1º, IV, da Lei n. 8.137/1990 não apresenta exigência alguma de que a pessoa que fornece o documento seja remunerado (não há o termo mediante remuneração no tipo penal) – motivo pelo qual a assertiva “c” está correta. Letra c. 019. 019. (FCC/TRE-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2010) De acordo com a Lei n. 8.137/1990, são circunstâncias que podem agravar as penas previstas para os crimes contra a Ordem Tributária, a Economia e as Relações de Consumo, praticados por particulares, dentre outras, a) valer-se de posição dominante no mercado para elevar, sem justa causa, o preço de bem ou serviço. b) estabelecer monopólio com a finalidade de eliminar a concorrência. c) praticar o crime em relação à prestação de serviços essenciais à vida ou à saúde. d) cometer o crime em detrimento de pessoa maior de 70 (setenta) anos. e) ocasionar prejuízo à sociedade controlada pelo Poder Público. Esse é o tipo de questão que demonstra como a examinadora exige que façamos a leitura do texto de lei, em sua integralidade, não bastando estudar a lei de uma forma geral. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 43 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas A resposta se encontra justamente na literalidade do art. 12 do diploma legal: Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1º, 2º e 4º a 7º: I – ocasionar grave dano à coletividade; II – ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções; III – ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à saúde. Letra c. 020. 020. (MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/VESPERTINA/2016) Os crimes contra as relações de consumo previstos na Lei n. 8.137/1990 são punidos, apenas, na modalidade dolosa. Nada disso. Existem, sim, delitos contra as relações de consumo tipificados na Lei n. 8.137/1990 em que a modalidade culposa é punida, como ocorre com o art. 63, parágrafo 2º. Errado. 021. 021. (FGV/PREFEITURA DE BELO HORIZONTE/AUDITOR/ÁREA DIREITO/2024) Sobre os crimes contra a ordem tributária (Lei n. 8.137/1990), assinale a afirmativa correta. a) O empregador que deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação, salvo se a quantia for utilizada para pagar salários de empregados ou dividendos aos sócios minoritários, observado o limite legal, pratica crime contra a ordem tributária. b) O agente que concorre para os crimes contra a ordem tributária definidos na referida lei, incide nas penas a estes cominadas na medida de sua culpabilidade, inclusive quando praticados por meio de pessoa jurídica. c) Os crimes contra a ordem tributária previstos na referida lei são formais e, portanto, prescindemda constituição definitiva do crédito tributário para viabilizar a persecução penal, razão pela qual o encaminhamento da representação fiscal ao Ministério Público somente é possível após o início do processo administrativo-fiscal. d) As instâncias administrativo-tributária e penal são independentes para fins de apuração e aplicação das suas normas específicas, exceto nas hipóteses de absolvição por inexigibilidade de conduta diversa, prevalecendo, nesse caso, a decisão prolatada na esfera extrajudicial. a) Errada. A ressalva não existe: Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas b) Certa. Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade. c) Errada. Por violar a Súmula Vinculante n. 24: JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante n. 24 Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. d) Errada. Em que pese a independência das instâncias, a vinculação de uma decisão em ambas as esferas ocorre em hipóteses mais severas (como comprovação de inexistência do fato, por exemplo), não se aplicando ao mero reconhecimento de inexigibilidade de conduta diversa. Letra b. 022. 022. (INSTITUTO CONSULPLAN/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/MANHÃ/2024) Tendo como base as disposições da Lei n. 8.137/1990, caso Tício, Auditor-Fiscal da receita federal, patrocine interesse privado perante a administração fazendária, valendo-se da sua qualidade de funcionário público, estará cometendo crime funcional contra a ordem tributária, podendo ser apenado com reclusão, de um a quatro anos, e multa. A previsão para a conduta está no art. 3º, III, da lei em estudo: Art. 3º Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Título XI, Capítulo I): I – extraviar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento, de que tenha a guarda em razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total ou parcialmente, acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social; II – exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. III – patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária, valendo-se da qualidade de funcionário público. Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e outros 1. Lei n. 8.137/1990 1.1. Introdução 2. Crimes contra as Relações de Consumo 2.1. Favorecimento ou Preferência Injustificada de Comprador ou Freguês 2.2. Venda ou Exposição à Venda de Mercadoria em Desacordo com as Prescrições Legais ou Classificação Oficial 2.3. Mistura de Gêneros ou Mercadorias para Obtenção de Lucro Indevido 2.4. Fraude de Preço Mediante Alteração Não Essencial ou de Qualidade de Bem ou Serviço 2.5. Aumento de Preço em Venda a Prazo Mediante Exigência de Comissão ou Taxa de Juros Ilegal 2.6. Sonegação de Produtos para Descumprimento de Oferta Pública ou para Fim de Especulação 2.7. Indução de Consumidor ou Usuário em Erro Mediante Afirmação Falsa ou Enganosa 2.8. Dano em Matéria-Prima ou Mercadoria para Provocar Alta de Preço 2.9. Venda, Manutenção em Depósito, Exposição à Venda ou Entrega de Produto Impróprio para o Consumo 2.10. Causas de Aumento de Pena 3. Crimes contra a Ordem Tributária 3.1. Artigo 1º (Tipo Penal Básico) 3.2. Artigo 2º 3.3. Artigo 3º – Crimes Praticados por Funcionários Públicos 4. Observações Gerais 5. Extinção da Punibilidade 6. Crimes contra a Ordem Econômica 6.1. Crimes em Espécie 7. Jurisprudência Resumo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadono texto da Lei n. 8.137/1990 são de ação penal pública incondicionada. Além disso, a pena cominada a todos eles é a mesma: detenção, de dois a cinco anos, ou multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas O bem jurídico tutelado é a própria relação de consumo, de modo que o sujeito ativo é sempre o fornecedor (ou seu representante) e o sujeito passivo é sempre o consumidor. Vejamos, agora, cada um dos crimes em espécie: 2.1. FaVOreCiMenTO OU preFerÊnCia inJUSTiFiCada de COMpradOr 2.1. FaVOreCiMenTO OU preFerÊnCia inJUSTiFiCada de COMpradOr OU FreGUÊSOU FreGUÊS Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: I – favorecer ou preferir, sem justa causa, comprador ou freguês, ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por intermédio de distribuidores ou revendedores; Trata-se da conduta do fornecedor que, sem justa causa, favorece determinado cliente em detrimento de outros. O delito só se configura quando não há justa causa na conduta do autor. Nesse sentido, observe que a mera amizade ou antiguidade do cliente não é justa causa para preterir outro consumidor. Vejamos dois exemplos: EXEMPLOS Fornecedor tem apenas um produto e dois compradores interessados, optando por vendê-lo ao que demonstrou interesse por último, haja vista que este é seu amigo. Configura-se o delito em estudo. Fornecedor tem apenas um produto e dois compradores interessados, mas opta por vendê-lo em razão de uma situação emergencial que justifica preterir o primeiro cliente. Exclui-se a tipicidade pela existência de justa causa. O delito se consuma com a realização da conduta típica. A tentativa, segundo a doutrina, é admissível. 2.2. Venda OU eXpOSiÇÃO À Venda de MerCadOria eM deSaCOrdO COM 2.2. Venda OU eXpOSiÇÃO À Venda de MerCadOria eM deSaCOrdO COM aS preSCriÇÕeS LeGaiS OU CLaSSiFiCaÇÃO OFiCiaLaS preSCriÇÕeS LeGaiS OU CLaSSiFiCaÇÃO OFiCiaL Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: II – vender ou expor à venda mercadoria cuja embalagem, tipo, especificação, peso ou composição esteja em desacordo com as prescrições legais, ou que não corresponda à respectiva classificação oficial; O delito em estudo só se configura se o fornecedor efetivamente vender ou ao menos expor à venda o produto em questão. A mera existência do produto em estoque não está apta a configurar o delito. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas O delito em estudo admite a forma dolosa ou culposa. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II, III e IX pune-se a modalidade culposa, reduzindo- se a pena e a detenção de 1/3 (um terço) ou a de multa à quinta parte. O delito se consuma com a venda ou exposição do produto, e a tentativa, em regra, é admissível, embora de difícil configuração. 2.3. MiSTUra de GÊnerOS OU MerCadOriaS para OBTenÇÃO de LUCrO 2.3. MiSTUra de GÊnerOS OU MerCadOriaS para OBTenÇÃO de LUCrO indeVidOindeVidO Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: III – misturar gêneros e mercadorias de espécies diferentes, para vendê-los ou expô-los à venda como puros; misturar gêneros e mercadorias de qualidades desiguais para vendê-los ou expô- los à venda por preço estabelecido para os de mais alto custo; O delito do inciso III não se confunde com o delito de fraude no comercio (Art. 175, I, CP) que prevê a responsabilização do fornecedor que vende como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada. No delito em estudo, o que ocorre é a mistura de gêneros ou de mercadorias de várias espécies, o que caracteriza basicamente uma falsificação do produto, o que ocorre com o objetivo de obtenção de lucro indevido. Vender gasolina misturada com volume de álcool fora da previsão legal ou misturada com outro tipo de solvente configura crime específico da Lei n. 8.176/1991 (adulteração de combustível), e não o delito em estudo. O delito é formal e se consuma com a realização da mistura com o objetivo de enganar consumidores. A efetiva venda e obtenção de lucro não são requisitos para a consumação. A tentativa é admissível. Embora não conte com o intuito de obter lucro indevido, a modalidade culposa é admissível. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 2.4. FraUde de preÇO MedianTe aLTeraÇÃO nÃO eSSenCiaL OU de 2.4. FraUde de preÇO MedianTe aLTeraÇÃO nÃO eSSenCiaL OU de QUaLidade de BeM OU SerViÇOQUaLidade de BeM OU SerViÇO Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: IV – fraudar preços por meio de: a) alteração, sem modificação essencial ou de qualidade, de elementos tais como denominação, sinal externo, marca, embalagem, especificação técnica, descrição, volume, peso, pintura ou acabamento de bem ou serviço; b) divisão em partes de bem ou serviço, habitualmente oferecido à venda em conjunto; c) junção de bens ou serviços, comumente oferecidos à venda em separado; d) aviso de inclusão de insumo não empregado na produção do bem ou na prestação dos serviços; A fraude do inciso IV tem por objetivo enganar o consumidor para, em regra, a obtenção de lucro maior. São exemplos das condutas previstas no inciso IV: EXEMPLO Alínea A: Manter o preço do papel-toalha, mas diminuir a metragem do rolo, de modo a majorar o lucro obtido com sua venda. Alínea B: Venda de um aparelho celular de forma separada de seu respectivo carregador original, que usualmente está incluído; Alínea C: Agente modifica o preço, com o objetivo de maior lucro, unindo dois artigos esportivos que normalmente são vendidos em separado. Alínea D: O agente informa que um determinado componente químico, mais caro ou de maior qualidade, é utilizado na produção de um suplemento alimentar, quando na verdade, não o é. Note que esse delito não se confunde com o de propaganda enganosa, pois pressupõe também a existência de fraude no preço. Todas as modalidades se consumam no momento em que é realizada a fraude no preço com base na conduta escolhida pelo agente. A tentativa é admissível, em todos os casos. 2.5. aUMenTO de preÇO eM Venda a praZO MedianTe eXiGÊnCia de 2.5. aUMenTO de preÇO eM Venda a praZO MedianTe eXiGÊnCia de COMiSSÃO OU TaXa de JUrOS iLeGaLCOMiSSÃO OU TaXa de JUrOS iLeGaL Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: V – elevar o valor cobrado nas vendas a prazo de bens ou serviços, mediante a exigência de comissão ou de taxa de juros ilegais; Aqui, temos uma norma penal em branco, que necessita de complemento das demais previsões legais para as vendas a prazo. Note que não importa se o consumidor concorda com as taxas ilegais ou abusivas. Se for exigida taxa de juros ou comissão em valores superiores aos permitidos em lei, o delito irá se configurar. A tentativa é admissível. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 2.6. SOneGaÇÃO de prOdUTOS para deSCUMpriMenTO de OFerTa 2.6. SOneGaÇÃO de prOdUTOS para deSCUMpriMenTO de OFerTa pÚBLiCa OU para FiM de eSpeCULaÇÃOpÚBLiCa OU para FiM de eSpeCULaÇÃO Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: VI – sonegar insumos ou bens, recusando-se a vendê-los a quem pretenda comprá-los nas condições publicamente ofertadas, ou retê-los para o fim de especulação; No inciso VI, temos a conduta do indivíduo que oculta bens ou insumos que, na verdade, estão em seu estoque, para especular ou evitar sua venda a quem pretendia comprá-los nas condições anunciadas. O objetivo do legislador foi o de impedir que o fornecedor faça anúncios atrativos apenas para gerar fluxo de clientes para sua empresa, sem ter que efetivamente cumprir com as condições anunciadas, ao alegar que não possui o produto em estoque. Além disso, também é objetivo da norma impedir que o aumento de preços seja forçado pelo fornecedor por meio de inexistente falta de produto no mercado. A tentativa é admissível. 2.7. indUÇÃO de COnSUMidOr OU USUÁriO eM errO MedianTe aFirMaÇÃO 2.7. indUÇÃO de COnSUMidOr OU USUÁriO eM errO MedianTe aFirMaÇÃO FaLSa OU enGanOSaFaLSa OU enGanOSa Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: VII – induzir o consumidor ou usuário a erro, por via de indicação ou afirmação falsa ou enganosa sobre a natureza, qualidade do bem ou serviço, utilizando-se de qualquer meio, inclusive a veiculação ou divulgação publicitária; No inciso VII, temos um delito mais grave do que o de propaganda enganosa, pois requer que o consumidor seja efetivamente lesado pela afirmação falsa ou enganosa, ao adquirir o produto e sofrer o prejuízo de forma concreta. É, portanto, crime material, que se consuma com a aquisição do bem. A tentativa é admissível. 2.8. DANO EM MATÉRIA-PRIMA OU ME2.8. DANO EM MATÉRIA-PRIMA OU MErCadOria para prOVOCar aLTa de preÇOrCadOria para prOVOCar aLTa de preÇO Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: VIII – destruir, inutilizar ou danificar matéria-prima ou mercadoria, com o fim de provocar alta de preço, em proveito próprio ou de terceiros; Enquanto, no inciso VI, o autor meramente oculta a mercadoria para provocar a alta de preços, no inciso VIII, há uma conduta mais radical, haja vista que o autor chega a destruir, inutilizar ou danificar matéria-prima ou mercadoria com a finalidade de provocar o mesmo resultado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas O delito é formal, e se consuma com a destruição ou inutilização dos produtos – mesmo que a alta de preços não venha a ocorrer. A tentativa é admissível. 2.9. Venda, ManUTenÇÃO eM depÓSiTO, eXpOSiÇÃO À Venda OU enTreGa 2.9. Venda, ManUTenÇÃO eM depÓSiTO, eXpOSiÇÃO À Venda OU enTreGa de prOdUTO iMprÓpriO para O COnSUMOde prOdUTO iMprÓpriO para O COnSUMO Art. 7º Constitui crime contra as relações de consumo: IX – vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo. Para melhor compreender o que são mercadorias impróprias para consumo, precisamos recorrer a outro diploma legal – a Lei n. 8.078/1990: Art. 18, parágrafo 6º, Lei n. 8.078/1990: I – os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II – os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III – os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam. EXEMPLO Um exemplo dessa conduta está na situação em que um dono de restaurante tem mercadorias vencidas em seu depósito, e vem a utilizá-las para preparar refeições para seus clientes. Trata-se de delito formal e de perigo abstrato, de modo que a mera exposição à venda do produto com validade vencida configura o delito. Admite-se tanto a forma culposa quanto a forma dolosa. 2.10. CaUSaS de aUMenTO de pena2.10. CaUSaS de aUMenTO de pena Por fim, merecem ser lidas pelo aluno as causas de aumento de pena aplicáveis a todos os delitos previstos no art. 7º da Lei n. 8.137/1990: I – ocasionar grave dano à coletividade; II – for cometido por servidor público no exercício de suas funções; III – for praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à saúde. 3. CriMeS COnTra a OrdeM TriBUTÁria3. CriMeS COnTra a OrdeM TriBUTÁria Os crimes contra a ordem tributária são um gênero, o qual não se limita às previsões contidas na Lei n. 8.137/1990: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas • Art. 334, CP –Descaminho Crime tributário aduaneiro • Arts. 1º e Art. 2º da Lei n. 8.137/1990 • Art. 337-A do CP –Sonegação de Contribuição Previdenciária Sonegações em geral • Art. 168-A, CP –Apropriação Indébita Previdenciária • Art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 Apropriações indébitas (Previdenciaria ou Tributária) • Art. 3º da Lei n. 8.137/1990 • Art. 316, §1º, CP (Excesso de exação) • Art. 318, CP (Facilitação de Contrabando ou Descaminho) Crimes funcionais relacionados • Art. 293, incisos I e IV, CP (Falsificação de Papéis públicos) Falsidades Na aula de hoje, cuidaremos dos delitos previstos somente no âmbito da Lei n. 8.137/1990, o qual é o nosso foco. Observações Gerais: Para melhor compreender os delitos contra a ordem tributária, primeiramente precisamos esclarecer alguns detalhes: 1) Mero inadimplemento (deixar de pagar tributo) não constitui crime. 2) Existe diferença entre Elisão Fiscal e Sonegação Fiscal. A Elisão Fiscal é uma prática lícita que visa evitar a ocorrência de um fato gerador de tributos, ou diminuir o valor dos tributos devidos – porém sem a utilização de fraude. Já a Sonegação Fiscal é a redução ou supressão do pagamento de tributos, que, por sua vez, requer o emprego de fraude para sua caracterização. Vejamos uma questão sobre essa temática: 001. 001. (CESPE/CEBRASPE/PC-SE/DELEGADO DE POLÍCIA/CURSO DE INSTRUÇÃO/2020) Negar o pagamento de determinado tributo cujo fato gerador tenha ocorrido normalmente constitui crime de elisão fiscal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas A elisão fiscal é uma forma de planejamento tributário. É, portanto, uma maneira de pagar menos tributo de forma lícita. Trata-se de uma conduta legítima do contribuinte com o fim de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo ou diminuir o seu valor. Errado. O bem jurídico tutelado pela norma, portanto, é a ordem tributária (o interesse do Estado em arrecadar tributos).Assim sendo, lembre-se de diferenciar: Inadimplemento Ausência de pagamento. Sonegação Falta de pagamento com emprego de ato criminoso. Evasão Prática ilícita pelo sujeito PASSIVO da relação tributária. Há crime. Ocorre após o fato gerador e visa frustrar o recolhimento do tributo. Elisão Prática lícita de planejamento tributário pelo sujeito PASSIVO da relação tributária. Visa evitar ou reduzir o fato gerador. Não há crime. Elusão Prática de ato jurídico SIMULADO. Visa não recolher um tributo ou recolher a menor. Há crime. Delitos Comuns Os delitos previstos na Lei n. 8.137/1990 e que atingem a ordem tributária são todos comuns (não exigem qualidade especial do agente delitivo). Pessoa jurídica não pode ser responsabilizada por crimes contra a ordem tributária, por falta de previsão constitucional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas No entanto, muito cuidado, pois algumas questões gostam de trabalhar o teor do art. 11 em sua literalidade, para confundir o candidato: Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade. O sujeito passivo do delito é sempre a pessoa jurídica titular do direito de cobrança dos tributos, podendo ser tanto a União, quanto os Estados ou Municípios. Se o sujeito passivo for a União ou Autarquias Federais, a competência para processar e julgar os crimes em estudo será da Justiça Federal. Uma vez que conhecemos as características gerais aplicáveis aos crimes em estudo, podemos finalmente passar à análise dos tipos penais propriamente ditos. 3.1. ARTIGO 1º (TIPO PENAL BÁSICO)3.1. ARTIGO 1º (TIPO PENAL BÁSICO) Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III – falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V – negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa à venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. Pena – reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. No art. 1º, temos basicamente condutas destinadas a suprimir ou reduzir tributos ou contribuições sociais por intermédio de meio fraudulento. Nos termos da Súmula Vinculante n. 24 do STF, é necessário o LANÇAMENTO DEFINITIVO para o oferecimento da denúncia por crime de sonegação fiscal. Além disso, a jurisprudência entende que a prescrição só será contada quando ocorrer a consumação do delito – aspecto esse que já foi objeto de prova. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas O STF já inclusive manifestou-se no sentido que nem mesmo o inquérito policial pode ser instaurado sem o lançamento definitivo do tributo – salvo em casos excepcionais em que a própria investigação se revele necessária para apurar o débito tributário. Por fim, observe-se que o STF já se manifestou no sentido que a extinção do crédito tributário, quando decorrente de decadência, decisão judicial ou decisão administrativa de desconstituição do crédito, irá causar a atipicidade da conduta. Seguimos com uma boa questão de prova: 002. 002. (CESPE/CEBRASPE/PC-SE/DELEGADO DE POLÍCIA/CURSO DE INSTRUÇÃO/2020) É vedado à autoridade policial tipificar como crime contra a ordem tributária a falta de pagamento de determinado tributo não lançado, ainda que o respectivo fato gerador tenha ocorrido. Exatamente isso. Eis a cobrança da SV n. 24. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Sonegação & Culpa A lei apresenta apenas a modalidade dolosa de sonegação. Lembre-se, portanto, de que não existe sonegação na forma culposa. Consumação Os crimes previstos no art. 1º, salvo a conduta do parágrafo único, são crimes materiais. consumam-se com a prática dos elementos do tipo e com a existência do lançamento definitivo do débito, nos termos da Súmula Vinculante n. 24 do STF. Desobediência O parágrafo único do artigo em estudo nos apresenta uma forma específica de desobediência, admitida face a ordens emitidas pela autoridade fazendária: Art. 1º (...) Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Obs.: Se for praticado algum tipo de crime de falso como meio para a prática da sonegação, tal delito restará absorvido pela conduta de sonegação (o crime-fim absorverá o crime-meio). Ademais, cabe observar que o delito do art. 1º admite a figura da colaboração premiada, por expressa previsão legal. Antes de seguirmos, vejamos como o examinador pode explorar situações hipotéticas acerca de entendimentos jurisprudenciais: 003. 003. (FCM/PREFEITURA DE CONTAGEM-MG/AUDITOR-FISCAL/FISCALIZAÇÃO/2020) Heródoto omitiu, de forma consciente e voluntária, informações relevantes sobre fato gerador de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas tributo à autoridade fazendária, com o intuito de reduzir o seu valor. Ao descumprir a obrigação de prestar informações ao fisco, Heródoto efetivamente recolheu tributo em valor menor do que o efetivamente devido, de acordo com as normas tributárias vigentes. Ao tomar conhecimento do fato, o Ministério Público, antes da solução definitiva do processo administrativo fiscal de lançamento, ofereceu denúncia, atribuindo a Heródoto a prática do crime previsto no art. 1º, inciso I, da Lei n. 8.137/1990. Considerando-se a situação descrita e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público: a) não agiu acertadamente, uma vez que o crime em questão é de ação penal privada, a qual só pode ser intentada pelo credor tributário. b) agiu acertadamente, uma vez que o fato narrado na denúncia caracteriza crime material contra a ordem tributária previstona Lei n. 8.137/1990. c) não agiu acertadamente, pois a representação da autoridade fiscal é condição de procedibilidade da ação penal nessa espécie de crime. d) agiu acertadamente, uma vez que, embora o crime denunciado não tenha se consumado, o agente deve ser responsabilizado pela modalidade tentada. e) não agiu acertadamente, uma vez que, embora o crime previsto no art. 1º, Inciso I, da Lei n. 8.137/1990 seja de ação penal pública incondicionada, o fato denunciado é atípico. A questão se resume basicamente nesta afirmação: “... ao tomar conhecimento do fato, o Ministério Público, antes da solução definitiva do processo administrativo fiscal de lançamento...”, de forma que a conduta praticada por Heródoto sequer pode ser considerada crime nos moldes da SV n. 14: JURISPRUDÊNCIA Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. Letra e. 3.2. arTiGO 2º3.2. arTiGO 2º Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei n. 9.964, de 10.4.2000) I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III – exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas IV – deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V – utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O art. 2º guarda grandes semelhanças com o art. 1º, o que torna bastante difícil que o aluno não confunda ambas as tipificações, na hora da prova. Infelizmente, não há muito como fugir da letra da lei, nesses casos. Por esse motivo, torna-se fundamental conhecer as características do art. 2º, as quais ajudam imensamente na hora de diferenciar ambas as previsões legais: • É crime formal, sendo que predomina na doutrina o entendimento de que sua previsão constitui forma tentada dos crimes previstos no art. 1º. • Não se exige o lançamento definitivo do tributo. • Não há previsão de modalidade culposa. • Aconsumação ocorre com a emissão da declaração falsa ou a utilização do meio fraudulento. • Não se admite a tentativa. Art. 2º, Inciso I • Éforma especial do delito do art. 168-Ado Código Penal. • Éa chamada apropriação indébita tributária. • Não é considerada sonegação pois não requer fraude. • Admite apenas a forma dolosa. • A consumação ocorre com o vencimento do prazo para o recolhimento do tributo. Art. 2º, Inciso II • É delito que se assemelha bastante à corrupção passiva e à concussão. • Entretanto, seu sujeito ativo é o particular, haja vista ser crime comum. • Não admite a forma culposa. • Consuma-se com a exigência, pagamento ou recebimento. Na modalidade exigir, é crime formal. Art. 2º, Inciso III • É crime formal, sendo que predomina na doutrina o entendimento de que sua previsão constitui forma tentada dos crimes previstos no art. 1º. • Não se exige o lançamento definitivo do tributo. • Não há previsão de modalidade culposa. • Aconsumação ocorre com a emissão da declaração falsa ou a utilização do meio fraudulento. • Não se admite a tentativa. Art. 2º, Inciso I • Éforma especial do delito do art. 168-Ado Código Penal. • Éa chamada apropriação indébita tributária. • Não é considerada sonegação pois não requer fraude. • Admite apenas a forma dolosa. • A consumação ocorre com o vencimento do prazo para o recolhimento do tributo. Art. 2º, Inciso II • É delito que se assemelha bastante à corrupção passiva e à concussão. • Entretanto, seu sujeito ativo é o particular, haja vista ser crime comum. • Não admite a forma culposa. • Consuma-se com a exigência, pagamento ou recebimento. Na modalidade exigir, é crime formal. Art. 2º, Inciso III O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas • É forma de desvio de finalidade do incentivo fiscal. • É crime comum (praticável por qualquer pessoa). • Consuma-se com o vencimento do prazo (na primeira modalidade) ou com a efetiva aplicação (na segunda modalidade). Art. 2º, Inciso IV • É considerado pela doutrina como um "delito de informática". • Na maioria dos casos, torna-se crime-meio para o delito de sonegação previsto no art. 1º. • É crime comum, praticavel por qualquer pessoa. • Admite apenas a modalidade dolosa. • Consuma-se com a mera utilização ou divulgação. Art. 2º, Inciso V 3.3. ARTIGO 3º – CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS3.3. ARTIGO 3º – CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Art. 3º Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Título XI, Capítulo I): I – extraviar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento, de que tenha a guarda em razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total ou parcialmente, acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social; II – exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. III – patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária, valendo-se da qualidade de funcionário público. Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. No art. 3º, temos os chamados crimes funcionais contra a ordem tributária, cujo sujeito ativo será sempre um servidor público fazendário, com competência para praticar as condutas previstas no tipo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas São características dos delitos em estudo: • É forma especial do art. 314 do CP (Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento). • Admite apenas a forma dolosa. • Consuma-se com o pagamento indevido ou inexato do tributo. • Admite-se a tentativa. Art. 3º, Inciso I • É forma especial dos delitos de concussão e de corrupção passiva (Art. 316 e 317, CP). • Consuma-se com a mera exigência, solicitação ou aceitação da promessa de vantagem (é crime formal). • A tentativaé admissível. Art. 3º, II • É forma especial do delito de Advocacia Administrativa (Art. 321 CP). • Consuma-se com a mera intermediação realizada pelo agente público, independentemente de alcançar sucesso em relação à finalidade da conduta. Art. 3º, III Vejamos como já caiu em prova: 004. 004. (CESPE/SEFAZ-DF/AUDITOR-FISCAL/2020) Auditor-fiscal que exigir vantagem indevida para deixar de lançar ou de cobrar tributo devido por contribuinte terá cometido o crime de concussão previsto no Código Penal. Por previsão especial, trata-se de crime funcional contra a ordem tributária (art. 3º, II da Lei n. 8.137/1990): exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 4. OBSerVaÇÕeS GeraiS4. OBSerVaÇÕeS GeraiS São observações relevantes para todos os delitos (arts. 1º, 2º e 3º) em estudo: Cabe adicionar, ainda, que os crimes versados na lei em estudo, segundo a doutrina e jurisprudência, não guardam qualquer relação com a prisão civil por dívida. Segundo o STF (HC n. 163.497): JURISPRUDÊNCIA A tutela alusiva aos crimes versados na Lei n. 8.137/1990, a incidir sobre atos praticados pelo contribuinte visando a supressão de tributos, consistentes em fraudes, omissões dolosas e prestação de informações falsas, surge penalmente relevante, não havendo relação com prisão civil por dívida. 5. eXTinÇÃO da pUniBiLidade5. eXTinÇÃO da pUniBiLidade Tendo em vista o interesse de arrecadar do estado, o legislador criou causas específicas de extinção da punibilidade para as condutas de sonegação, as quais consistem no pagamento integral ou no parcelamento do tributo. A disposição, no entanto, está em legislação externa, e não no texto da Lei n. 8.137/1990. 6. CriMeS COnTra a OrdeM eCOnÔMiCa6. CriMeS COnTra a OrdeM eCOnÔMiCa Para finalizar o estudo da Lei n. 8.137/1990, devemos falar de seu artigo 4º, que trata dos crimes contra a ordem econômica. Antes da vigência da Lei n. 12.529/2011, o rol de crimes contra a ordem econômica era muito maior. No entanto, após a edição da referida lei, inúmeros delitos foram revogados, de modo que apenas as condutas listadas nessa aula continuam em vigor. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Os bens jurídicos tutelados pelas normas em estudo são a livre concorrência e a livre iniciativa. O sujeito ativo, segundo a doutrina, é o empresário ou qualquer pessoa que exerça atividade empresarial. O sujeito passivo dos delitos em estudo são os empresários concorrentes, os quais restam prejudicados em razão da conduta delituosa praticada. Em alguns casos, o consumidor também será considerado sujeito passivo das condutas. Nossa abordagem dos delitos contra a ordem econômica será bastante sucinta, tendo em vista que os examinadores costumam se ater unicamente ao texto de lei na elaboração de questões sobre o assunto. 6.1. CriMeS eM eSpÉCie6.1. CriMeS eM eSpÉCie São crimes contra a ordem econômica (Art. 4º): I – abusar do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrência mediante qualquer forma de ajuste ou acordo de empresas; II – formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre ofertantes, visando: a) à fixação artificial de preços ou quantidades vendidas ou produzidas; b) ao controle regionalizado do mercado por empresa ou grupo de empresas; c) ao controle, em detrimento da concorrência, de rede de distribuição ou de fornecedores. Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa. Obs.: O legislador acabou exagerando ao editar o inciso II. Isso porque o inciso I utiliza a expressão qualquer forma de ajuste, o que engloba as condutas previstas no inciso II. Por ajuste ou acordo de empresa entende-se a combinação da prática de atos com o objetivo de eliminar a concorrência, ao menos parcialmente. No inciso I, o objetivo do agente delito é dominar o mercado e eliminar a concorrência (de forma ao menos parcial). Trata-se de dolo específico. Já no inciso II, o objetivo consiste em frustrar a livre iniciativa e a concorrência, configurando também hipótese de dolo específico. Segundo a Lei n. 8.884/1994, que dispõe sobre a repressão de infrações contra a ordem econômica, presume-se o controle quando o domínio atinge 20% do mercado regional de determinado bem de consumo. Vejamos como o examinador pode explorar esse assunto: 005. 005. (VUNESP/TJ-RS/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/PROVIMENTO/2019) A conduta de formar ajuste entre ofertantes, visando à fixação artificial de preços, é tipificada como crime contra: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas a) a ordem econômica. b) as relações de consumo. c) a ordem tributária. d) o consumidor. e) a fé pública. Trata-se de crime contra a ordem econômica previsto no art. 4º da Lei n. 8.137/1990: II – formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre ofertantes, visando: a) à fixação artificial de preços ou quantidades vendidas ou produzidas. Letra a. Dessa forma, finalizamos os delitos em espécie da Lei n. 8.137/1990 e concluímos nosso estudo com jurisprudência, revisão e exercícios. 77. JUriSprUdÊnCia. JUriSprUdÊnCia Querido(a) aluno(a), após a apresentação de toda a base teórica, passamos, agora, a consolidar e a comentar as previsões jurisprudenciais mais importantes sobre nossa aula de hoje: JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante n. 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. Obs.: É muito importante que você conheça a literalidade dessa súmula. Muitas questões de prova se baseiam tão somente nela, como exemplificamos nesta aula. No mais, devemos ressaltar que a jurisprudência, em situações excepcionais, admite a mitigação da SV n. 24-STF diante de determinadas situações: 1) Nos casos de embaraço à fiscalização tributária; ou 2) Diante de indícios da prática de outros delitos, de natureza não fiscal. JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que se admite a mitigação da Súmula Vinculante n. 24/STF nos casos em que houver embaraço à fiscalização tributária ou diante de indícios da prática de outras infrações de natureza não tributária. Precedentes. *STJ. 6ª Turma. AgRg no HC n. 551422/PI, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 09/06/2020. Não pratica o crime do art. 3º, III, da Lei n. 8.137/1990 o Auditor-Fiscal que corrige minuta de impugnação administrativa que posteriormente é ajuizada na Administração Tributária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciadopara ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas Nesse sentido, é atípica a conduta de agente público que procede à prévia correção quanto aos aspectos gramatical, estilístico e técnico das impugnações administrativas, não configurando o crime de advocacia administrativa perante a Administração Fazendária. STJ. 6ª Turma. REsp n. 1770444-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 08/11/2018 (Info 639).1 Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp n. 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). Não pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância nos crimes tributários estaduais o parâmetro de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), estabelecido no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, devendo ser observada a lei estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo.2 STJ. 5ª Turma. AgRg-HC n. 549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020. Obs.: Nesse sentido, o entendimento jurisprudencial é de que o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) é considerado exclusivo da União (débitos federais) para fins de aplicação do princípio da insignificância. Esse é o entendimento do STJ e do STF sobre o tema. 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não pratica o crime do art. 3º, III, da Lei n. 8.137/1990 o Auditor-Fiscal que corrige minuta de impugnação administrativa que posteriormente é ajuizada na Administração Tributária. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 24/12/2020 2 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Crimes tributários estaduais e o limite de 20 mil reais. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 24/12/2020 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas RESUMORESUMO LEI N. 8.137/1990 – CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, ECONÔMICA E CONTRA AS reLaÇÕeS de COnSUMO Todos os delitos contra as relações de consumo previstos no texto da Lei n. 8.137/1990 São de ação penal pública incondicionada O bem jurídico tutelado é a própria relação de consumo. 1) Favorecimento ou preferência injustificada de comprador ou freguês: Favorecer ou preferir, sem justa causa, comprador ou freguês, ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por intermédio de distribuidores ou revendedores; 2) Venda ou exposição à venda de mercadoria em desacordo com as prescrições legais ou classificação oficial: Vender ou expor à venda mercadoria cuja embalagem, tipo, especificação, peso ou composição esteja em desacordo com as prescrições legais, ou que não corresponda à respectiva classificação oficial; 3) Mistura de gêneros ou mercadorias para obtenção de lucro indevido: Misturar gêneros e mercadorias de espécies diferentes, para vendê-los ou expô-los à venda como puros; misturar gêneros e mercadorias de qualidades desiguais para vendê-los ou expô-los à venda por preço estabelecido para os de mais alto custo; 4) Fraude de preço mediante alteração não essencial ou de qualidade de bem ou serviço: Fraudar preços por meio de: a) alteração, sem modificação essencial ou de qualidade, de elementos tais como denominação, sinal externo, marca, embalagem, especificação técnica, descrição, volume, peso, pintura ou acabamento de bem ou serviço; b) divisão em partes de bem ou serviço, habitualmente oferecido à venda em conjunto; c) junção de bens ou serviços, comumente oferecidos à venda em separado; d) aviso de inclusão de insumo não empregado na produção do bem ou na prestação dos serviços; 5) Aumento de preço em venda a prazo mediante exigência de comissão ou taxa de juros ilegal: Elevar o valor cobrado nas vendas a prazo de bens ou serviços, mediante a exigência de comissão ou de taxa de juros ilegais; 6) Sonegação de produtos para descumprimento de oferta pública ou para fim de especulação: Sonegar insumos ou bens, recusando-se a vendê-los a quem pretenda comprá-los nas condições publicamente ofertadas, ou retê-los para o fim de especulação; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 7) Indução de consumidor ou usuário em erro mediante afirmação falsa ou enganosa: Induzir o consumidor ou usuário a erro, por via de indicação ou afirmação falsa ou enganosa sobre a natureza, qualidade do bem ou serviço, utilizando-se de qualquer meio, inclusive a veiculação ou divulgação publicitária; 8) Dano em matéria-prima ou mercadoria para provocar alta de preço: Destruir, inutilizar ou danificar matéria-prima ou mercadoria, com o fim de provocar alta de preço, em proveito próprio ou de terceiros; 9) Venda, manutenção em depósito, exposição à venda ou entrega de produto impróprio para o consumo: Vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo CriMeS COnTra a OrdeM TriBUTÁria Mero inadimplemento (deixar de pagar tributo) não constitui crime. O bem jurídico tutelado é a ordem tributária. Se o sujeito passivo for a União ou Autarquias Federais, a competência para processar e julgar os crimes em estudo será da Justiça Federal. Art. 1º • Condutas destinadas a suprimir ou reduzir tributos ou contribuições sociais por intermédio de meio fraudulento. • Nos termos da Súmula Vinculante n. 24 do STF, é necessário o LANÇAMENTO DEFINITIVO para o oferecimento da denúncia por crime de sonegação fiscal. • Segundo a jurisprudência majoritária, o princípio da insignificância se aplica quando quantia objeto da sonegação não ultrapassar R$ 20.000,00, que é o valor previsto na Lei n. 10.522/2002. • A lei apresenta apenas a modalidade dolosa de sonegação. Art. 2º •É crime formal, sendo que predomina na doutrina o entendimento de que sua previsão constitui forma tentada dos crimes previstos no art. 1º. •Não se exige o lançamento definitivo do tributo. •Não há previsão de modalidade culposa. •A consumação ocorre com a emissão da declaração falsa ou a utilização do meio fraudulento. •Não se admite a tentativa. Art. 2º, Inciso I •É forma especial do delito do art. 168-A do Código Penal. •É a chamada apropriação indébita tributária. •Não é considerada sonegação, pois não requer fraude. •Admite apenas a forma dolosa. •A consumação ocorre com o vencimento do prazo para o recolhimento do tributo. Art. 2º, Inciso II •É delito que se assemelha bastante à corrupção passiva e à concussão. •Entretanto, seu sujeito ativo é o particular, haja vista sercrime comum. •Não admite a forma culposa. •Consuma-se com a exigência, pagamento ou recebimento. Na modalidade exigir, é crime formal. Art. 2º, Inciso III O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas •É crime formal, sendo que predomina na doutrina o entendimento de que sua previsão constitui forma tentada dos crimes previstos no art. 1º. •Não se exige o lançamento definitivo do tributo. •Não há previsão de modalidade culposa. •A consumação ocorre com a emissão da declaração falsa ou a utilização do meio fraudulento. •Não se admite a tentativa. Art. 2º, Inciso I •É forma especial do delito do art. 168-A do Código Penal. •É a chamada apropriação indébita tributária. •Não é considerada sonegação, pois não requer fraude. •Admite apenas a forma dolosa. •A consumação ocorre com o vencimento do prazo para o recolhimento do tributo. Art. 2º, Inciso II •É delito que se assemelha bastante à corrupção passiva e à concussão. •Entretanto, seu sujeito ativo é o particular, haja vista ser crime comum. •Não admite a forma culposa. •Consuma-se com a exigência, pagamento ou recebimento. Na modalidade exigir, é crime formal. Art. 2º, Inciso III •É forma de desvio de finalidade do incentivo fiscal. •É crime comum (praticável por qualquer pessoa). •Consuma-se com o vencimento do prazo (na primeira modalidade) ou com a efetiva aplicação (na segunda modalidade). Art. 2º, Inciso IV •É considerado pela doutrina como um "delito de informática". •Na maioria dos casos, torna-se crime-meio para o delito de sonegação previsto no art. 1º. •É crime comum, praticavel por qualquer pessoa. •Admite apenas a modalidade dolosa. •Consuma-se com a mera utilização ou divulgação. Art. 2º, Inciso V Art. 3º São crimes funcionais contra a ordem tributária •É forma especial do art. 314 do CP (Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento). •Admite apenas a forma dolosa. •Consuma-se com o pagamento indevido ou inexato do tributo. •Admite-se a tentativa. Art. 3º, Inciso I •É forma especial dos delitos de concussão e de corrupção passiva (Art. 316 e 317, CP). •Consuma-se com a mera exigência, solicitação ou aceitação da promessa de vantagem (é crime formal). •A tentativa é admissível. Art. 3º, II •É forma especial do delito de Advocacia Administrativa (Art. 321 CP). •Consuma-se com a mera intermediação realizada pelo agente público, independentemente de alcançar sucesso em relação à finalidade da conduta. Art. 3º, III O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas •É forma especial do art. 314 do CP (Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento). •Admite apenas a forma dolosa. •Consuma-se com o pagamento indevido ou inexato do tributo. •Admite-se a tentativa. Art. 3º, Inciso I •É forma especial dos delitos de concussão e de corrupção passiva (Art. 316 e 317, CP). •Consuma-se com a mera exigência, solicitação ou aceitação da promessa de vantagem (é crime formal). •A tentativa é admissível. Art. 3º, II •É forma especial do delito de Advocacia Administrativa (Art. 321 CP). •Consuma-se com a mera intermediação realizada pelo agente público, independentemente de alcançar sucesso em relação à finalidade da conduta. Art. 3º, III CriMeS COnTra a OrdeM eCOnÔMiCa Os bens jurídicos tutelados pelas normas em estudo são a livre concorrência e a livre iniciativa. Art. 4º, I – abusar do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrência mediante qualquer forma de ajuste ou acordo de empresas; II – formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre ofertantes, visando: a) à fixação artificial de preços ou quantidades vendidas ou produzidas; b) ao controle regionalizado do mercado por empresa ou grupo de empresas; c) ao controle, em detrimento da concorrência, de rede de distribuição ou de fornecedores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA XXII/2014) Considere a seguinte situação hipotética. O proprietário de um pequeno comércio expôs à venda mercadorias um dia antes de expirar seu prazo de validade e, apenas sete dias após de sua validade, essa mercadoria, que ficou imprópria ao consumo, foi retirada das prateleiras. Posteriormente, o proprietário do estabelecimento informou ter havido greve do setor de transporte coletivo, razão por que seus empregados não compareceram ao trabalho e, consequentemente, os referidos produtos não puderam ser recolhidos, mas, mesmo assim, ele conseguiu abrir e manter seu comércio em funcionamento. Nessa situação, mesmo que a mercadoria com prazo de validade vencido não tenha sido adquirida por nenhum cliente, o fato descrito caracterizou crime contra as relações de consumo, mesmo que praticado na forma culposa. 002. 002. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA XXII/2014) Julgue o item, relativo aos crimes contra a ordem econômica e às relações de consumo. O acerto ou ajuste feito no âmbito do mesmo grupo econômico, com o fim de tabelar os preços de seus produtos, não é considerado crime contra a ordem econômica. 003. 003. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA III/2014) Considera-se típica, segundo o entendimento do STF, a conduta de falsificar nota fiscal, ainda que a autoridade tributária não tenha efetivado o lançamento definitivo do tributo. 004. 004. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA III/2014) O agente que, no intuito de suprimir tributo, omitir informação às autoridades fazendárias e, com esse ato, fraudar a fiscalização tributária, cometerá um único crime contra a ordem tributária. 005. 005. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGISLATIVO/ ÁREA III/2014) A conduta do fiscal que aceita promessa de vantagem pecuniária para deixar de lançar contribuição social devida pelo contribuinte é tipificada como crime funcional contra a ordem tributária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 006. 006. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) Suponha que, antes do término do correspondente processo administrativo de lançamento tributário, o MP tenha oferecido denúncia contra Maurício, por ter ele deixado de fornecer, em algumas situações, notas fiscais relativas a mercadorias efetivamente vendidas em seu estabelecimento comercial. Nesse caso, de acordo com a jurisprudênciapacífica do STF, a inicial acusatória não deve ser recebida pelo magistrado, dada a ausência de configuração de crime material. 007. 007. (CESPE/STF/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2013) João, com mais de dezoito anos de idade, e seu irmão Pedro, com dezessete anos de idade, ambos residentes no Distrito Federal, em endereço conhecido, constituíram, neste local, um negócio informal e passaram a vender roupas, sem informar esse fato ao fisco, deixando de constar no cadastro fiscal. Após fiscalização, a administração tributária descobriu que a prática da atividade comercial durava mais de dois anos, sem nunca ter sido recolhido nenhum tributo. O fisco lavrou o correspondente auto de infração contra João e Pedro, para cobrar o tributo suprimido. Ainda com referência à situação hipotética descrita, julgue o item a seguir, acerca de ilícito tributário e de crimes contra a ordem tributária. Se, antes do recebimento da denúncia, João ou Pedro efetuar o pagamento integral da dívida, ficará extinta a punibilidade do crime. 008. 008. (CESPE/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA/2013) Constitui crime contra as relações de consumo ter em depósito, mesmo que não seja para vender ou para expor à venda, mercadoria em condições impróprias para o consumo. 009. 009. (CESPE/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA/2013) Quem, valendo-se da qualidade de funcionário público, patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária praticará, em tese, crime funcional contra a ordem tributária. 010. 010. (CESPE/BACEN/ANALISTA/CONTABILIDADE E FINANÇAS/2013) Em conformidade com a lei que define os crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público para que seja apurada a prática dos crimes relacionados na mencionada lei, desde que o faça por escrito e indique o fato, a autoria, o tempo, o lugar e os elementos de convicção. 011. 011. (CESPE/CEBRASPE/POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO/2013) No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, julgue o item subsequente. Se os crimes funcionais, previstos no art. 3º da Lei n. 8.137/1990, forem praticados por servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 012. 012. (CESPE/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) Servidor público que, na qualidade de agente fiscal, exigir vantagem indevida para deixar de emitir auto de infração por débito tributário e de cobrar a consequente multa responderá, independentemente do recebimento da vantagem, pela prática do crime de concussão, previsto na parte especial do Código Penal (CP). 013. 013. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2012) A lei estabelece, com relação ao sistema de vendas ao consumidor em que o preço do produto seja sugerido pelo fabricante, que, se este praticar crime contra as relações de consumo, responderá por esse ato também o distribuidor ou o revendedor. 014. 014. (CESPE/PGE-ES/PROCURADOR DO ESTADO/2008) Os tipos penais da lei dos crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo são, de regra, dolosos; todavia, em sede de crimes contra a ordem tributária, não se cogita da existência da modalidade culposa, encontrada na referida legislação apenas em alguns tipos relativos aos crimes contra as relações de consumo. 015. 015. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2007) Carece de justa causa a ação penal quanto ao crime contra a ordem tributária, caso a denúncia não esteja lastreada em decisão administrativa conclusiva concernente à investigação de sonegação fiscal, sendo cabível, na espécie, habeas corpus com o fim de trancamento da ação penal. 016. 016. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL/ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL/NACIONAL/2004) Sebastião suprimiu tributo, prestando declaração falsa às autoridades fazendárias. Nessa situação, se da conduta de Sebastião decorreu grave dano à coletividade, a pena poderá ser agravada, pelo juiz, de um terço até a metade. 017. 017. (FCC/TRF/3ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2014) Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. O enunciado da Súmula Vinculante n. 24 do STF, citado acima, mais diretamente implica que: a) o erro sobre elemento do tipo penal exclui o dolo. b) reduz-se a pena quando, até o recebimento da denúncia, o agente de crime cometido sem violência ou grave ameaça reparar o dano ou restituir a coisa. c) a prescrição começa a correr do dia em que o crime se consumou. d) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato isenta de pena. e) a confissão espontânea da autoria do crime atenua a pena. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 45gran.com.br direiTO penaL Lei n. 8.137/1990 – Crimes contra a Ordem Tributária e Outros Douglas Vargas 018. 018. (FCC/PGM/JOÃO PESSOA-PB/PROCURADOR MUNICIPAL/2012) O crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, IV, da Lei n. 8.137/1990 (“elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato”): a) é punido a título de culpa. b) caracteriza-se independentemente da intenção de suprimir tributo. c) caracteriza-se independentemente de remuneração a quem fornece o documento falso ou inexato. d) caracteriza-se independentemente da intenção de reduzir tributo. e) não pode ser praticado por quem não é contribuinte. 019. 019. (FCC/TRE-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2010) De acordo com a Lei n. 8.137/1990, são circunstâncias que podem agravar as penas previstas para os crimes contra a Ordem Tributária, a Economia e as Relações de Consumo, praticados por particulares, dentre outras, a) valer-se de posição dominante no mercado para elevar, sem justa causa, o preço de bem ou serviço. b) estabelecer monopólio com a finalidade de eliminar a concorrência. c) praticar o crime em relação à prestação de serviços essenciais à vida ou à saúde. d) cometer o crime em detrimento de pessoa maior de 70 (setenta) anos. e) ocasionar prejuízo à sociedade controlada pelo Poder Público. 020. 020. (MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/VESPERTINA/2016) Os crimes contra as relações de consumo previstos na Lei n. 8.137/1990 são punidos, apenas, na modalidade dolosa. 021. 021. (FGV/PREFEITURA DE BELO HORIZONTE/AUDITOR/ÁREA DIREITO/2024) Sobre os crimes contra a ordem tributária (Lei n. 8.137/1990), assinale a afirmativa correta. a) O empregador que deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação, salvo se a quantia for utilizada para pagar salários de empregados ou dividendos aos sócios minoritários, observado o limite legal, pratica crime contra a ordem tributária. b) O agente que concorre para os crimes contra a ordem tributária definidos na referida lei, incide nas penas a estes cominadas na medida de sua culpabilidade, inclusive quando praticados por meio de pessoa jurídica. c) Os crimes contra a ordem tributária previstos na referida lei são formais e, portanto, prescindem da constituição definitiva do crédito tributário para viabilizar a persecução penal, razão pela qual o encaminhamento da representação