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DEMOCRACIA, CIDADANIA E 
SOCIEDADE CIVIL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Everson Araujo Nauroski 
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CONVERSA INICIAL 
O senso comum consagra um entendimento simples, porém verdadeiro, 
sobre a cidadania como englobando os direitos e deveres que todos nós temos. 
O que precisa ser entendido é que existem questões nessa ideia que precisam 
ser aprofundadas. Uma delas é a ideia central de cidadania, a de que todo ser 
humano, independentemente de cor, etnia, religião, posição social gênero ou 
cultura, possui uma dignidade que lhe é intrínseca. Esse princípio ratifica que 
todo ser humano é portador de direitos inalienáveis. 
Com base nesses preceitos vamos conhecer, nessa aula, o significado do 
“ser cidadão”, da cidadania frente à desigualdade, do real sentido de meritocracia 
e da importância dos direitos humanos na concepção de uma sociedade 
saudável. 
TEMA 1 – MAS O QUE SIGNIFICA SER CIDADÃO? 
Na pólis grega, os indivíduos que participavam da vida pública eram 
cidadãos, viviam sua cidadania em sentido prático, conversando, debatendo e 
deliberando sobre suas demandas. Assim, a ideia de cidadania remete também 
à palavra civitas, que em latim corresponde à vida social nas cidades. 
Com o advento da modernidade, a palavra ‘cidadania’ assumiu um 
significado mais amplo, como uma categoria universal inerente à vida em 
sociedade, um atributo pertencente aos seres humanos no exercício de sua 
sociabilidade. Isto é, nas palavras da filósofa Hannah Arendt: 
A cidadania é o direito a ter direitos, pois a igualdade em dignidade e 
direitos dos seres humanos não é um dado. É um construído da 
convivência coletiva, que requer o acesso ao espaço público. É este 
acesso ao espaço público que permite a construção de um mundo 
comum através do processo de conquista e institucionalização dos 
direitos humanos. (Arendt, 2000, p. 57) 
Assim, ser cidadão está relacionado ao termo ‘cidadania’, a qual 
contempla a ideia de dignidade como valor fundamental. Se considerarmos a 
sociedade atual, na qual imperam as relações de mercado, com pessoas 
rebaixadas à condição de ‘coisas’, perceberemos que essa noção de dignidade 
e cidadania está longe de ser alcançada. Isso porque, atualmente, é possível a 
constatação de que as pessoas são caracterizadas como ‘veículos de crédito’, 
ou seja, o cidadão é considerado pelo sistema econômico como um potencial 
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consumidor, como um indivíduo com a função de contrair crédito (dívida). Essa 
dívida é que vai configurar a submissão. Endividada, a própria dignidade da 
pessoa é colocada em questão, pois ela não reage em virtude de sua 
‘obediência’ ao cenário que se colocou. 
Dessa maneira, diante da perspectiva de Immanuel Kant, o qual coloca o 
homem como fim em si mesmo, é possível verificarmos o quão distante da 
dignidade a sociedade mercantil está, em virtude da redução das pessoas ao 
meio para conseguir algo. 
No que se refere à relação da cidadania e sociabilidade, é importante 
ressaltar a sua influência do meio: o estresse. Outras duas questões, 
apresentadas pelo neuropediatra e psicanalista, Donald Winnicot (1896-1971), 
são de extrema relevância nessa temática, as quais, segundo o referido autor, 
são muito prejudiciais no desenvolvimento de uma criança: 
1. Tudo o que deveria acontecer e não acontece; 
2. Tudo o que não deveria acontecer, mas acontece. 
Por meio da reflexão desses dois fatores, é possível constatarmos que 
pessoas que apresentam uma conduta distorcida, vistas como cidadãos 
problemáticos (corruptos e cruéis) não sabem respeitar limites, mas também, 
não possuem apenas falhas individuais. Ou seja, não podemos reduzir os 
malfeitos das pessoas apenas a uma questão de livre arbítrio. Obviamente, 
existe uma porção que restringe à escolha da pessoa. Mas antes que essa 
escolha fosse feita, antes que esse indivíduo fosse capaz de optar por isso ou 
aquilo, ele é resultado de uma trajetória de vida, que se inicia na barriga da mãe, 
no pré-natal. 
A essência da cidadania considera o direito de ter direitos. Lembrando de 
que, assim como temos os nossos direitos, eles são garantidos ao nosso próximo 
também. Dessa maneira, temos uma igualdade, uma dignidade de todos os 
seres humanos. A cidadania se estabelece em uma construção da convivência 
coletiva, que contempla o acesso ao espaço público. É este acesso, ao espaço 
público, que permite o estabelecimento de um mundo comum, por meio de 
processos de conquista e institucionalização dos direitos humanos. 
Esse apontamento nos remete aos estudos de Axel Honneth, filósofo e 
sociólogo alemão, ligado a Escola de Frankfurt, autor da obra ‘Luta por 
reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais’ (2003), na qual declara 
que a raiz dos conflitos sociais é o desrespeito, que começa em casa. Assim, 
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para garantir uma sociedade de respeito, com seus direitos respeitados, as 
relações familiares devem ser pautadas pelo amor. Ele destaca, ainda nessa 
obra, a importância do reconhecimento, do acolhimento e da aceitação das 
diferenças. 
TEMA 2 – A CIDADANIA COMO AFIRMAÇÃO DE DIREITOS, SEGUNDO 
MARSHALL 
Para o sociólogo britânico Thomas Humphrey Marshall (1893-1981), em 
sua famosa palestra sobre "Cidadania e Classe Social”, o conceito de cidadania 
está relacionado ao progresso social e cultural da humanidade. Dessa forma, a 
cidadania vai se materializando na forma de direitos como consequências da 
modernidade e suas revoluções. 
O primeiro conjunto de direitos são os civis, como liberdade individual, 
expressão do pensamento, propriedade e o direito à vida. Na perspectiva de 
Marshall, a sociedade avança, se desenvolve e amadurece. Uma forma de 
acompanhar essa evolução é a verificação da quantidade de direitos que são 
adquiridos e contemplados no cenário social. Ele identifica, ainda, que, a partir 
das revoluções, principalmente da Revolução Francesa, tivemos um momento 
em que a sociedade (europeia) passou por um processo de contemplação por 
meio de sua legitimação, ou seja, de seus institutos legais, dos seus direitos: 
direito à vida, à liberdade, à integridade etc. Marshall estabelece a ideia de 
avanço para uma sociedade liberal. 
O segundo conjunto são os direitos políticos ligados ao sufrágio universal, 
à participação na vida política e ao direito de votar e ser votado. Sobre esse 
aspecto é possível evidenciar, de fato, um progresso. Com a Revolução 
Francesa e, depois, com a Revolução Americana, apresentou-se um protótipo 
sendo gestado de sociedade de democracia liberal moderna. Essa democracia 
liberal moderna apresentou, como grande diferencial, os direitos políticos. Por 
sufrágio universal, devemos entender que se trata da ideia básica de que todo o 
cidadão tem o direito de votar e ser votado. Obviamente que, em um primeiro 
momento, esse direito de votação, era restrito aos homens. 
Com os direitos políticos adquiridos, configurou-se uma grande mudança 
na sociedade, pois a concepção de cidadania começou a ser reivindicada por 
diferentes atores sociais: grupos sociais ligados aos trabalhadores, sindicatos, 
movimentos sociais etc. Ou seja, um conjunto de sujeitos, posteriormente 
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denominados de novos sujeitos de direito ou sujeitos coletivos de direito, que 
reivindicam o ideal de cidadania. Percebendo que, muitas vezes, no espaço 
político convencional (república), eles não estão contemplados (movimento 
negro, LGBT) ocorre uma reivindicação do espaço político e, consequentemente, 
uma organização desses novos sujeitos para pleitearesses espaços. O ideal de 
república passa a ser mais plural, muito embora o que se configure, de fato, seja 
uma república muito mais elitista e pigmentada em grupos majoritários (bancos, 
instituições financeiras, instituições religiosas, grandes multinacionais, 
agronegócios etc.). Entretanto, a população também reage, procurando colocar 
os seus partidos e seus líderes para se integrarem nesses espaços e terem 
garantida a representatividade. 
O terceiro conjunto de direitos são os direitos sociais vinculados ao bem-
estar, à proteção social, ao acesso à cidadania na forma de direitos sociais como 
saúde, educação, trabalho, previdência e segurança. Essa nova fase dos 
direitos, segundo Marshall, vai estar relacionada aos processos de direitos 
democráticos. Dessa maneira, vários países foram construindo e aprimorando 
as suas constituições. No Brasil, a grande referência é a Constituição de 1988, 
a qual contemplou esses direitos (moradia, educação, desenvolvimento). 
Diante do cenário atual, o que poderia vir à tona seria a composição de 
um quarto conjunto fundamentado pela preocupação com o meio ambiente, a 
engenharia genética, a farmacologia, a tecnologia e o mundo virtual. Essa é, 
aliás, a formulação defendida por muitos autores. 
TEMA 3 – CIDADANIA E DESIGUALDADE SOCIAL 
Por muito tempo, o principal atributo da vida democrática e cidadã foi 
baseado nas concepções de igualdade formal e material. Todos são iguais em 
dignidade e direitos perante a lei. No entanto, a realidade social brasileira mostra 
que a existência da desigualdade social, econômica e cultural afeta de modo 
diferenciado o acesso das pessoas a seus direitos, com flagrantes de situações 
de discriminação, marginalização e injustiças. Assim, cada vez mais, discute-se 
a necessidade de levar o ideal de equidade como base da cidadania. 
É preciso tratar de modo desigual os desiguais. Dessa forma, talvez seja 
possível combater os mecanismos que geram a desigualdade e as injustiças 
sociais. Um professor que trata com igualdade seus alunos acabará beneficiando 
aqueles com melhores condições de aprendizagem. Dessa forma, mesmo que 
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de modo inconsciente, acabará reproduzindo a desigualdade no ambiente 
escolar. 
A desigualdade social é resultante da desigualdade natural, ou seja, se 
alguns tem mais e outros tem menos é porque é uma condição natural de certos 
indivíduos serem mais aptos do que outros. Quando, na verdade, o que nós 
vamos constatar é que todo o processo de desenvolvimento social é construído 
com base em questões históricas, políticas e na divisão desigual do montante da 
riqueza. Dessa maneira, falamos em desigualdade social para assinalar o 
caráter histórico, estrutural e institucional da pobreza, que é um dos maiores 
atentados contra a dignidade humana. 
O autor Amartya Sen, ganhador do prêmio Nobel, em 1998, por seus 
estudos acerca da dimensão ética voltada à discussão dos problemas 
econômicos, vai falar da desigualdade como mecanismo de gerar pobreza 
estrutural. Estabelece, ainda, que a pobreza não é natural, mas sim fruto das 
relações sociais e resultado da divisão totalmente desequilibrada da riqueza que 
é construída. Segundo Sem (2001), o estudo da pobreza deve considerar as 
possibilidades voltadas aos o funcionamento do indivíduo, mais ainda do que os 
próprios resultados oriundos desse funcionamento. 
Assim, se nós tivéssemos uma sociedade mais justa e equilibrada, do 
ponto de vista da divisão da riqueza, não seriam necessárias as políticas sociais. 
Isso porque, havendo uma condição de igualdade maior, as próprias pessoas 
conseguiriam se colocar na sociedade (qualificação, inserção social). 
TEMA 4 – MERITOCRACIA: MITO OU REALIDADE? 
Dando continuidade ao assunto anterior, abordaremos o tema da 
meritocracia sob um viés crítico. Assunto muito presente em conversas e 
também nas redes sociais, a meritocracia tem sido invocada como argumento 
para justificar diferentes formas de desigualdade. Na prática, tal ideia significa 
afirmar que o sucesso e o fracasso são resultados individuais, consequência 
somente do esforço e empenho das pessoas em seus objetivos. Uma inverdade 
se pensarmos nos conceitos de habitus (família presente e atenta, material e 
recursos disponíveis) e capital cultural (infraestrutura), que vimos no tema 
anterior e são defendidos pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. 
Ora, se o comportamento dos indivíduos envolve um conjunto de fatores 
sociais, culturais e econômicos, o sucesso e o fracasso transcendem a esfera 
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individual. Desconsiderar esses aspectos contribui para reforçar as injustiças e 
institucionalizar as desigualdades. 
Existe um grande equívoco no foco em que se coloca a questão do mérito 
e da meritocracia. As pessoas confundem mérito com meritocracia. A 
meritocracia só pode ser considerada diante do fato de nos referirmos, ou 
compararmos, a indivíduos que são frutos de uma mesma origem. Por exemplo, 
as cotas. Alguns acham absolutamente absurdo o estabelecimento de cotas 
raciais e sociais para a disputa de vagas, ou seja, defendem a concorrência 
ampla. Porém, se pensarmos na meritocracia, teremos que ela só faz sentido na 
concorrência ampla quando os indivíduos passaram por situações de estudo 
semelhantes. 
Vamos considerar uma pessoa que tenha estudado em uma grande rede 
de ensino (ensino regular, contra turno, tutor) com todo apoio pedagógico; já 
outra que estudou em uma escola periférica, problemática, com pouca 
infraestrutura, muitas vezes, com falta de professores, salas lotadas etc. Se 
colocarmos esses indivíduos para a realização da mesma prova, certamente 
quem estudou em uma grande rede de ensino já é provido de muito mais 
vantagens do que aquele que estudou em uma escola que apresentava uma 
série de carências e problemas. Isso sem considerarmos os déficits culturais, se 
compararmos também a realidade e o respaldo familiar que para um aconteceu 
e para o outro não. 
Trata-se de uma situação que evidencia que a meritocracia só faz sentido 
se aqueles que vão competir estiverem em uma situação próxima ou 
semelhante. Obviamente que existem casos de superação das condições 
difíceis para se chegar às conquistas, mas são exceções. Não se pode 
transformar exceção em regra, pois seriam legitimadas as situações de injustiça, 
de profunda desigualdade. 
No que envolve a diferença entre mérito e meritocracia, temos: 
• Mérito: valorizar o esforço individual; 
• Meritocracia: valorizar o resultado. Assim, o sucesso e o fracasso 
são pessoais e individuais. 
Mérito contempla, então, a ideia de valorização do esforço de cada um, 
mesmo não tendo alcançado o ápice do seu resultado. Diferente da meritocracia, 
em que o único aspecto a ser considerado é o resultado. Assim, na meritocracia, 
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julga-se uma pessoa pelo seu sucesso ou pelo seu fracasso, desconsiderando 
a sua trajetória e o seu desenvolvimento. 
A meritocracia, então, tende a ser perigosa por se tratar de uma ideologia 
legitimadora das desigualdades e das injustiças, quando aplicada de um modo 
cego, ou seja, sem considerar as diferenças. Quando é valorizado apenas o 
resultado, julgando as pessoas diante de seu fracasso ou sucesso, sem 
considerar sua trajetória, tem-se o reforço e a reprodução de uma sociedade 
desigual, classista, homofóbica, preconceituosa, machista e patriarcal. 
TEMA 5 – DIREITOS HUMANOS E OS NOVOS SUJEITOS DE DIREITO 
O balanço da vida em democracia tem se mostrado superavitário. Desde 
que os direitos civis, políticos e sociais se consolidaram temos visto surgir 
diferentes atores sociais reivindicando espaço e reconhecimentona sociedade. 
O discurso da cidadania tem sido apropriado por um conjunto variado de atores 
que ainda não se sentem acolhidos e contemplados em seus direitos. 
Podemos pensar nas comunidades indígenas, que lutam pela 
preservação de suas terras e culturas, nos quilombolas, que lutam para 
preservar seus remanescentes, nas populações em situação de rua, que se 
organizam em movimentos e cobram do Estado o respeito à Constituição Federal 
que garante o direito à moradia, e ainda, a população LGBT, militando em 
diferentes frentes por respeito e oportunidades. 
Os direitos humanos nascem justamente da ideia de que a dignidade é 
universal. Dignidade essa que é intrínseca e não negociável, não pode ser 
atacada, rebaixada ou diminuída. Todas as vezes que isso acontece é preciso, 
então, reagir. A reação mais contundente da sociedade é garantir na forma da 
lei que as pessoas sejam respeitadas em sua dignidade. 
Dessa maneira, os direitos humanos constituem uma realidade 
estabelecida, mas que, seguidamente, tem sofrido ataques. Isso porque, muitos 
colocam os direitos humanos, como direitos dos bandidos, do delinquente. 
Quando, na verdade, eles caracterizam os direitos de todos. O que se espera é 
que, nos casos em que as pessoas se percam ou se desviem, essas pessoas 
possam responder pelos seus crimes, ou seja, que sejam responsabilizadas e 
punidas pedagogicamente, com base em seus direitos humanos. 
A trajetória de conquista dos direitos humanos apresenta uma história 
fundamentada por importantes associações. Assim, temos que a humanidade 
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contempla a definição de uma condição universal dos direitos humanos. Já a 
dignidade confere o atributo definidor do ser humano. 
Os documentos históricos que refletem essa realidade conquistada são: 
• Essas qualificações têm seu início na Inglaterra, no Século XIII, 
quando é apresentada a primeira versão da Carta Magna (1215-1225), 
promulgada pelo João Sem Terra, diante da pressão dos nobres da época, 
a qual desencadeia uma proteção aos homens livres; 
• Depois da Carta Magna, surge, então, a Petição de Direitos 
(1628), o qual reconhecia os direitos e as liberdades dos súditos perante o 
rei; 
• Evoluindo, apresentou-se a Declaração de Direitos/Bill of rights 
(1689), que estabeleceu a soberania popular em relação ao rei (Monarquia 
Constitucional). Esse documento está relacionado à Revolução Gloriosa, 
que aconteceu, neste mesmo período, também na Inglaterra; 
• Habeas corpus (1769) com a anulação das prisões arbitrárias; 
• Declaração dos Direitos de Virgínia (1776) com base na 
Constituição de 1787, a qual delimitava o poder do Estado, as liberdades e 
os direitos dos cidadãos; 
• Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789); 
• Declaração Universal dos Direitos Humanos – ONU (1948). 
Todos esses documentos estabeleceram, conforme já defendia Marshall, 
uma evolução social. Na medida em que as pessoas tiveram acesso à cultura, à 
educação, com a contrarreforma de Martinho Lutero (Século XV), com uma ideia 
da escola pública e laica (separando o Estado da Igreja) garantida pelo Estado 
foi colocada uma sociedade em transformação e mudanças. Fundamenta-se, 
então, o reconhecimento de que a dignidade humana é universal. Dessa 
maneira, devem ser estendidos ao conjunto da população o acesso à educação 
e à cultura. Por meio do acesso à educação tem-se uma grande revolução. 
Entretanto, precisa ser uma educação emancipatória. 
A próxima etapa, para essa ascensão na conquista da dignidade e dos 
direitos sociais seria a consideração dos novos sujeitos de direitos, tais quais: 
quilombolas, indígenas, sem-terra, sem teto, negros, população em situação de 
rua, população LGBT e vulneráveis da sociedade 
 
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NA PRÁTICA 
Chegou a hora de colocar a mão na massa. Depois de tantas leituras e 
estudos, vamos estreitar a relação entre teoria e prática. Retome os conteúdos 
sobre equidade e meritocracia. Após essa revisão, redija um texto argumentando 
contra ou a favor das cotas sociais nas universidades. 
FINALIZANDO 
Findado esse breve percurso de estudos, foi possível ter uma melhor 
compreensão da categoria cidadania. Desde seu conceito até a efetivação por 
meio dos direitos civis, políticos e sociais, aprendemos que a cidadania se 
universalizou como um atributo necessário para a vida em sociedade. Também 
aprendemos que é preciso pensar a cidadania em termos de equidade. Ao longo 
da aula, ainda realizamos uma análise crítica da meritocracia. Por fim, fomos 
desafiados a pensar no direito à educação e se a política das cotas sociais nas 
universidades é justificável ou não. 
 
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REFERÊNCIAS 
ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. 5. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 
2000. 
BERAS, C. Democracia, cidadania e sociedade civil. Curitiba: InterSaberes, 
2011. 
BOURDIEU, P.; PASSERON, J.-C. A reprodução: elementos para uma teoria 
do sistema de ensino. Trad. Reynaldo Bairão. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 
1982. 
PERISSINOTTO, R. M. As elites políticas: questões de teoria e método. 
Curitiba: InterSaberes, 2009. 
SEN, A. Desigualdade Reexaminada. Rio de Janeiro: Record, 2001. 
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