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AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TECNOLOGIAS, SISTEMAS E 
MATERIAIS ECOEFICIENTES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Marcia Luiza de Carvalho Klingelfus 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Nas aulas anteriores, vimos alguns temas e metodologias que envolvem a 
construção ecológica – ou bastante próxima disso –, com o objetivo de entender 
como essa visão é possível e necessária, de modo a nos sensibilizar com a 
perspectiva de que somos também meio ambiente, fazemos parte desse entorno 
que queremos proteger e preservar; projetar, coordenar e colocar a mão na 
massa para transformar um panorama de altíssimo impacto ambiental, mas 
levados pela tecnologia, inovação, criatividade e resiliência, entre outras tantas 
características que vamos descobrindo com o conhecimento. 
Nesta aula, vamos conhecer o que diz a resolução brasileira sobre 
impacto ambiental e como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) prévio aos 
empreendimentos pode auxiliar na compatibilização dos espaços construídos 
com o entorno em que se inserem. Veremos outro importante indicador: a 
pegada ecológica e sua família, como um meio de análise para quantificar 
esse impacto e traduzi-lo em ações concretas e responsabilidades, inclusive 
para cálculo de nossa pegada pessoal. Para fechar a aula, abordaremos a 
norma brasileira ABNT NBR 15575/2013, que fala sobre desempenho nas 
edificações habitacionais, representando um marco na construção brasileira. 
TEMA 1 – AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL 
A avaliação ou estudo de impacto ambiental, EIA, é um procedimento e 
uma importante ferramenta que nos permite conhecer o efeito de uma atividade, 
um plano, uma construção ou um programa específico num determinado 
ambiente, o que nos permitirá adaptar medidas que potencializem qualidades da 
ação, reduzam ou eliminem o que for negativo, impedindo seu desenvolvimento 
ou execução, seja pela adoção de medidas adicionais preventivas, corretivas ou 
compensatórias. 
O EIA é um instrumento de política nacional amplamente utilizado e 
obrigatório, sendo um conjunto de estudos e sistemas técnicos que resultam em 
relatórios, sugestões e procedimentos. Conhecendo essa ferramenta, o 
empreendedor, particular ou a própria administração, desenvolverá seu projeto e 
intervenção com maior consciência e responsabilidade ambiental. 
Para cada local existe um contexto e legislação própria, e normalmente 
são contratados profissionais qualificados para essa avaliação. Todo município 
 
 
3 
tem suas estratégias para lidar com demandas decorrentes do seu 
desenvolvimento e deve estabelecer de forma clara resultados e consequências. 
Na lei brasileira, a definição para impacto ambiental, pela resolução 
Conama n. 1/1986 é a seguinte: 
Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades 
físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer 
forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, 
direta ou indiretamente, afetam: 
I. a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
II. as atividades sociais e econômicas; 
III. a biota; 
IV. as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
V. a qualidade dos recursos ambientais. 
Em seu art. 6º, a resolução do Conama define para um EIA os 
seguintes conteúdos mínimos: 
I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa 
descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal 
como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, 
antes da implantação do projeto, considerando: 
a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os 
recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos 
d’água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes 
atmosféricas; 
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, 
destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor 
científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de 
preservação permanente; 
c) o meio socioeconômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água 
e a sócio economia, destacando os sítios e monumentos 
arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de 
dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a 
potencial utilização futura desses recursos. 
II - Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, 
através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da 
importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os 
impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e 
indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e 
permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades 
cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais. 
III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre 
elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de 
despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas. 
IV - Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento 
dos impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros 
a serem considerados. 
Cada estudo desenvolverá seu próprio roteiro conforme a necessidade. 
Os resultados desses estudos e todos os demais que se fizerem necessários, 
considerando a envergadura da atuação e que serão avaliados pelos órgãos ou 
administração competentes, irão compor o relatório de impacto ambiental 
(Rima). O especialista Lorenzo (2006) sinaliza que: 
 
 
4 
o EIA deve ser muito específico, estudando o transcendente, não tudo 
o que pode ser estudado. É necessário abordar os processos de 
avaliação de uma perspectiva abrangente, e analisar detalhadamente 
as sinergias geradas, ampliando o horizonte de estudo na medida do 
necessário. Ao realizar o inventário e a avaliação de impacto, é 
necessário identificar adequadamente os componentes principais, para 
que a análise aumente o conhecimento do sistema da forma mais 
confiável, com o menor número de variáveis possíveis. Todas as 
medidas devem ser orçadas e adequadamente planejadas no tempo. O 
Plano de Vigilância deve ser exequível e realista, com indicadores 
suficientes para permitir o monitoramento de sua execução. 
Além de contemplar as medidas descritas, medidas adicionais 
preventivas, corretivas ou compensatórias serão definidas dentro do contexto da 
intervenção. Medidas comuns podem ser: instalação de equipamentos 
complementares ou de monitoramento; compensação por meio de plantio e 
conservação de áreas verdes; ou ainda realização de benfeitorias para a 
população local. Entretanto, deve-se observar atentamente que determinados 
impactos podem ser irreversíveis, irremediáveis e não compensadores, 
obedecendo exclusivamente a interesses específicos políticos ou econômicos. 
TEMA 2 – PEGADA ECOLÓGICA 
A pegada ecológica é um indicador ambiental do impacto que 
determinada comunidade humana – país, região ou cidade – tem no seu 
entorno, considerando tanto os recursos necessários quanto os resíduos 
gerados para manter o modelo de produção e consumo da comunidade. É, 
portanto, uma ferramenta de quantificação ecológica. O conceito foi criado na 
década de 1990 por Mathis Wackernagel e William Rees, cientistas da University 
of British Columbia em Vancouver, no Canadá. O cálculo da pegada ecológica 
leva em consideração os seguintes aspectos. 
• Para produzir qualquer produto, independentemente do tipo de tecnologia 
utilizada, é necessário um fluxo de materiais e energia, em última análise, 
produzidos por sistemas ecológicos. 
• Sistemas ecológicos são necessários para reabsorver resíduos gerados 
durante o processo produtivo e a utilização dos produtos finais. 
• O espaço é ocupado por infraestruturas, habitações, equipamentos etc., 
reduzindo a superfície dos ecossistemas produtivos. 
Refere-se ao que é a demanda de recursos naturais de uma economia 
expressa em termos de espaço: a área necessária para produzir recursos 
 
 
5 
consumidos por umcidadão médio de determinada comunidade humana, bem 
como a área necessária para absorver resíduos que ela gera, 
independentemente da localização dessas áreas. Esse indicador é definido 
segundo seus próprios autores, Rees e Wackernagel (1998), como: 
a área de território ecologicamente produtivo (lavouras, pastagens, 
florestas ou ecossistema aquático) necessária para produzir os 
recursos utilizados e assimilar os resíduos produzidos por uma 
determinada população com um padrão de vida específico 
indefinidamente, onde quer que esta área esteja localizada. 
Se representarmos as demandas humanas com a pegada ecológica, 
então, essas demandas podem ser comparadas à capacidade biológica 
(representando suprimentos ecológicos) de uma região ou do mundo. Quando 
as demandas humanas excedem os suprimentos ecológicos, o capital natural 
(do qual as gerações atuais e futuras dependem) diminui. Essa situação é 
chamada de sobrecarga ou déficit ecológico global. 
A pegada ecológica mede o tamanho da área para sustentar 
indefinidamente determinada população, com padrões de vida e tecnologias em 
uso atualmente. Mede então os hectares necessários para produzir o fluxo de 
matéria e energia, mais uma área de 12% para manter a biodiversidade. 
A demanda de recursos pelo ser humano (pegada ecológica) em 1961 era 
cerca de 70% da capacidade de geração da Terra. Na década de 1980, essa 
demanda atingia o total disponível e em 1999 ultrapassava a disponibilidade 
planetária. Atualmente, a demanda por recursos ultrapassa em 50% da 
capacidade natural de regeneração. 
A demanda humana e os recursos naturais encontram-se distribuídos de 
maneira desigual pela Terra, pois tais recursos não são consumidos onde 
são extraídos. A pegada ecológica per capita oferece insights sobre o 
desempenho dos recursos de cada país, bem como seus riscos e 
oportunidades. A variação nos níveis de pegada ecológica reflete diferentes 
estilos de vida e padrões de consumo, entre os quais a quantidade de 
alimentos, bens e serviços consumidos pela população local; os recursos 
naturais utilizados; e o dióxido de carbono emitido para fornecer tais bens e 
serviços. (Global Footprint Network, 2020) 
2.1 Biocapacidade 
A biocapacidade representa a capacidade de os ecossistemas produzirem 
recursos úteis e absorverem resíduos gerados pelo ser humano. 
 
 
 
 
6 
Segundo WWF Brasil, 
atualmente, a média mundial da Pegada Ecológica é de 2,7 hectares 
globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser 
humano é de apenas 1,8 hectare global. Tal situação coloca a 
população do planeta em grave déficit ecológico, correspondente a 0,9 
gha/cap. A humanidade necessita hoje de 1,5 planeta para manter seu 
padrão de consumo, colocando, com isso, a biocapacidade planetária 
em grande risco. Projeções para o ano de 2050 apontam que, se 
continuarmos com este padrão, necessitaremos de mais de dois 
planetas para mantermos nosso consumo. 
De acordo com o Relatório Planeta Vivo/WWF 2020, o Brasil tem uma 
pegada ecológica de entre 2 a 3,5 gha/cap, e países como Estados Unidos e 
Rússia tem mais do que 5 gha/cap; enquanto grande parte da África e Índia tem 
menos que 1,6 gha/cap. O recente relatório chama a atenção para a perda de 
biodiversidade em ritmo acelerado que vem acontecendo no planeta e das 
graves consequências que já estão começando a acontecer, como extinção de 
fauna e redução de alimentos. 
2.2 Calculando sua pegada ecológica 
A maneira como vivemos individualmente ou em nossa unidade familiar 
está diretamente ligada à medida da pegada de nosso país e, portanto, da média 
mundial. Nossos hábitos relacionados a consumo de água, alimentação, gestão 
de resíduos, gasto de energias ou de transporte são alguns dos indicadores. É 
possível fazer o cálculo da pegada individual em calculadores na internet e, 
assim, começar a fazer algumas comparações e correções na rotina diária. Você 
pode calcular sua pegada ecológica e refletir sobre os indicadores em: 
. 
2.3 Família da pegada ecológica 
Para complementar a informação que o cálculo da pegada ecológica nos 
fornece com relação às nossas ações, podemos calcular também a pegada 
hídrica e a pegada de carbono. 
2.3.1 Pegada de carbono 
Mede os impactos da humanidade sobre a biosfera, quantificando os 
efeitos da utilização de recursos sobre o clima. De acordo com a WWF ([S.d.]), 
“representa a área terrestre necessária para depósito das emissões de gás 
https://www.footprintnetwork.org/resources/footprint-calculator/
 
 
7 
carbônico oriundas da queima de combustíveis fósseis e da produção de 
cimento”. A pegada mundial de carbono cresceu em importância porque 
representa uma grande parte da pegada ecológica total, sendo 
significativamente responsável pela mudança climática. Segundo a Organização 
das Nações Unidas (ONU), as emissões de CO2 respondem por 82% do 
aquecimento global. “Devido ao fato de que geramos emissões gás carbônico 
em ritmo muito mais rápido do que é possível absorver, existe um acúmulo de 
gás carbônico na atmosfera e no oceano” (WWF, [S.d.]). 
É possível – e necessário – reduzir a pegada de carbono e neutralizar as 
emissões de gás carbônico geradas por nossas atividades. As formas mais 
evidentes podem ser: diminuir (ou eliminar) o uso de veículos poluentes e utilizar 
veículos com biocombustíveis e energias limpas; mudar a matriz energética para 
energias renováveis; evitar o desmatamento e incentivar o reflorestamento; 
incentivar o uso de mobilidade compartilhada, ciclomobilidade e a caminhada; 
evitar a queima de lixo, etc. 
É possível calcular sua pegada de carbono em sites como o disponível 
em: . 
2.3.2 Pegada hídrica 
Mede os impactos que atividades humanas causam na hidrosfera, 
monitorando fluxos de água reais e ocultos. É um indicador da quantidade de 
água doce utilizada nos ciclos de vida de bens e produtos e no consumo 
humano. “A maior parte da pegada hídrica está relacionada aos produtos e 
serviços que consome e não à quantidade de água de consumo doméstico” 
(Silva et al., 2013). 
Devemos prestar atenção e procurar saber qual é a pegada dos produtos 
que consumimos. Por exemplo, quantos litros de água são necessários para 
obter um quilo de carne bovina, produzir uma calça jeans ou cultivar um pé de 
alface. Esse conceito se faz mais evidente a cada dia, face aos racionamentos 
que temos enfrentado e às evidências em países que vivem racionamentos 
contínuos por falta de água e chuva. Agora reflita: como a falta de água nos rios 
impacta todo o bioma que se associa a ele? E a falta de chuva, que 
consequências tem? 
O processo progressivo de concentração da população nos sistemas 
urbanos e a globalização dos fluxos de materiais e energia tornam cada vez 
 
 
8 
mais difícil para a população relacionar o consumo de bens e energia com o 
impacto que têm no meio ambiente. A pegada ecológica possibilita definir e 
visualizar a dependência das sociedades humanas do funcionamento dos 
ecossistemas do planeta a partir de superfícies adequadas para satisfazer 
determinado nível de consumo. Assim, permite estabelecer a área produtiva real 
de que determinada comunidade humana está apropriando-se ecologicamente, 
independentemente de estar fora do seu território, distinguindo também as 
diferentes funções ecológicas exercidas pelos ecossistemas. 
TEMA 3 – DESEMPENHO, EFICIÊNCIA E ADEQUAÇÃO AMBIENTAL DO EDIFÍCIO 
Desempenho tem um significado muito abrangente e vem sendo usado 
em muitas áreas de conhecimento. Especificamente na construção, é muito 
importante, relacionando qualidade, tempo e uso, fazendo com que os edifícios 
possam chegar a patamares ótimos de resposta diante dos objetivos pretendidos 
e, sobretudo, determinando valores de aceitação e repudiando construções mal 
planejadas ou construídas.Ainda é um termo muito vinculado à eficiência 
energética e às qualidades físicas e mecânicas dos sistemas e materiais, mas 
deve englobar outras temáticas, mais atuais, como uma visão mais integrada 
sobre sustentabilidade, economia e critérios de habitabilidade. 
De maneira geral, representa a capacidade da edificação diante das 
prestações pretendidas, considerando seu contexto construtivo e local. Borges 
(2008) cita em sua dissertação de mestrado um estudo sobre a evolução do 
conceito, que uma das melhores definições conhecidas e utilizadas até hoje é de 
que “a abordagem de desempenho é, primeiramente e acima de tudo, a prática 
de se pensar em termos de fins e não de meios. A preocupação é com os 
requisitos que a construção deve atender e não com a prescrição de como esta 
deve ser construída” (Gibson;1982, p. 4), reafirmando o comprometimento com a 
resposta da edificação em cumprir seus objetivos. 
O exemplo da edificação a seguir representa a resposta que qualquer 
edifício projetado com fim determinado e necessidades claras ante um contexto 
específico de um clima extremo deve apresentar, pensando em desempenho ou 
eficiência. Caberá, dentro da expectativa de seu proponente e das habilidades 
de seu projetista, encontrar sistemas, técnicas e possibilidades para chegar a 
um resultado ótimo. Nesse caso não foi necessário apenas utilizar arquitetura 
bioclimática e sistemas complementares de aquecimento, mas também a 
 
 
9 
execução competente e organização de métodos de manutenção efetivos para 
exposição intensa e prolongada ao frio. É preciso prever, por exemplo, 
renovação do ar por métodos mecânicos, obtenção de material exterior ou a 
guarda destes por maiores períodos em espaços adequados, ou ainda material e 
isolamento correto de toda a instalação para que não se congele. São pequenos 
exemplos, mas alguns podem passar despercebidos. Para nos auxiliar nas 
especificações e projeto dos sistemas, na compatibilização e coordenação 
destes, contamos com normas, entidades reguladoras e métodos de simulação. 
Figura 1 – Exemplo de residência de alto desempenho em clima frio 
 
Crédito: elmar gubisch/Shutterstock. 
A norma de desempenho para edificações habitacionais, NBR 15575 
(2013, p. 4-7), que veremos a seguir, utiliza a seguinte definição: 
Comportamento em uso de uma edificação e de seus sistemas. [...] A 
forma de estabelecimento do desempenho é comum e 
internacionalmente pensada por meio da definição de requisitos 
(qualitativos), critérios (quantitativos ou premissas) e métodos de 
avaliação, os quais sempre permitem a mensuração clara do seu 
cumprimento. 
Embora esses requisitos, critérios e métodos estejam mais ou menos 
claros, com profissionais e empresas de qualidade técnica para desenvolver 
essa gestão, o processo de avaliação e melhora dos resultados muitas vezes 
não é simples. Então, os critérios-chave para medição do desempenho (KPIs) na 
construção civil, que envolvem processos e otimização, devem ser pensados 
para melhorar produtividade, qualidade, capacidade e planos de futuro, como 
tempo, capital humano, custos e satisfação. Vale lembrar que o foco está na 
 
 
10 
adequação ambiental, no baixo impacto ambiental e na qualidade de vida; 
portanto, utilizemos o termo desempenho para conseguir o melhor resultado 
possível dentro dessa visão mais abrangente. 
TEMA 4 – ABNT NBR 15575/2013: EDIFICAÇÕES HABITACIONAIS – 
DESEMPENHO 
A norma de desempenho para edificações habitacionais, ABNT/NBR 
15.575, vigente desde 2013, é um marco na regulamentação da construção no 
Brasil e na atuação dos profissionais da área, sejam projetistas, fabricantes ou 
construtores. Estabelece relação com todo o processo sistêmico que estamos 
estudando, tendo como ponto de partida a própria interatividade que impõe com 
dezenas de outras normas e documentos específicos (citados nas páginas 4 a 6 
da norma, parte 1), deixando clara a retroalimentação entre eles; está dividida 
em seis partes: 
• NBR 15575-1: Requisitos gerai. 
• NBR 15575-2: Requisitos para sistemas estruturais. 
• NBR 15575-3: Requisitos para sistemas de pisos. 
• NBR 15575-4: Requisitos para sistemas de vedações verticais internas e 
externas. 
• NBR 15575-5: Requisitos para sistemas de coberturas. 
• NBR 15575-6: Requisitos para sistemas hidrossanitários. 
4.1 Estrutura da norma 
A estrutura se estabelece a partir de requisitos, critérios e métodos de 
avaliação, relacionando situações internas e externas de segurança, 
habitabilidade e sustentabilidade, estabelecendo valores mínimos aceitáveis com 
relação ao desempenho da edificação e, para alguns pontos, indicando também 
standards médios e superiores (CTE, 2020). Os critérios e requisitos são 
estabelecidos com base na seguinte estrutura de exigências dos usuários. 
• Segurança: estrutural; ao fogo; de uso e operação. 
• Habitabilidade: estanqueidade; desempenho térmico, acústico e 
lumínico; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e 
acessibilidade; conforto tátil, visual e antropodinâmico. 
 
 
11 
• Sustentabilidade: durabilidade; manutenibilidade; adequação ambiental. 
Quanto à exposição (interna e externa) considera os agentes mecânicos, 
térmicos, químicos, biológicos, eletromagnéticos etc. 
Essa norma também especifica a importância e a responsabilidade de 
cada um dos intervenientes nas diferentes etapas da edificação, estabelecendo 
aos projetistas e desenhadores “especificar materiais, produtos e processos 
que atendam as especificações mínimas da norma”; aos construtores e 
incorporadores “identificar os riscos previsíveis na época do projeto e se 
necessário providenciar os estudos técnicos provendo das informações 
necessárias, e também elaborar o manual de uso e manutenção da edificação.” 
Aos fornecedores, entregar o correto material ou elemento de acordo à 
normativa vigente e também as comprovações dessas características, se for o 
caso. E ao usuário, realizar manutenção indicada nos manuais e normas, sem 
descaracterizar sistemas construtivos realizados em conformidade (CTE, 2020). 
4.2 Métodos de avaliação de desempenho 
Em toda ferramenta de análise é fundamental indicar sistemas que 
demonstrem resultados, tanto qualitativamente como quantitativamente para 
assegurar confiabilidade do processo. Essa norma indica métodos de avaliação 
e desempenho dos sistemas ou processos para comprovação, como ensaios de 
laboratório, comprovações de campo, simulações e análises de projetos para 
cada um dos critérios e requisitos. O processo de avaliação é sistemático, com 
métodos consistentes para interpretação objetiva dos resultados, os quais 
podem orientar a realização do projeto e as melhoras necessárias no processo 
(CTE, 2020) 
4.2.1 Desempenho estrutural 
De acordo com a ABNT NBR 8681, os estados-limites de uma estrutura 
estabelecem condições a partir das quais a estrutura apresenta desempenho 
inadequado às finalidades da construção (NBR 15575, p. 14). O documento 
fornecido ao proprietário pelo construtor deve informar valores limites de cada 
estrutura, objetivando evitar perigos futuros. “As estruturas devem ser 
projetadas, construídas e montadas de forma a atender aos requisitos 
 
 
12 
estabelecidos na ABNT NBR 15575-2” (NBR 15575, p.14). O método de 
avaliação estabelecido é a análise do projeto estrutural. 
4.2.2 Segurança contra incêndio 
• Dificultar princípio do incêndio, ou seja, aplicar critérios de prevenção e 
eliminar riscos. Proteger contra descargas atmosféricas, contra riscos de 
ignição nas instalações elétricas e contra riscos de vazamentos nas 
instalações de gás. O método de avaliação estabelecido é a análise do 
projeto de prevenção de incêndios ou inspeção em protótipo. 
• Facilitar fuga em situação de incêndio por rotas de saída atendendo 
norma específica. O método de avaliação é a análise do projeto de 
prevenção de incêndios ou inspeção em protótipo. 
• Dificultar inflamaçãogeneralizada evitando propagação das chamas 
com a utilização de materiais apropriados. O método de avaliação é por 
inspeção em protótipo ou ensaio de material. 
• Dificultar propagação do incêndio para unidades contíguas, 
mantendo distâncias de isolamento, utilizando portas corta-fogo, 
assegurando estanqueidade e isolamento conforme NBR 14432. O 
método de avaliação é a análise do projeto ou inspeção em protótipo. 
• Manter estabilidade da estrutura em incêndios. O método de avaliação 
é a análise do projeto estrutural para atendimento de normas específicas. 
• Dispor de sistemas para extinção e sinalização – placas orientativas, 
iluminação e equipamentos – correta para casos de incêndio. O método 
de avaliação é a análise do projeto ou inspeção em protótipo. 
4.2.3 Segurança no uso e na ocupação 
O projeto deve assegurar segurança aos usuários na utilização do edifício 
minimizando riscos de acidentes e evitando ocorrência de ferimentos. O método 
de avaliação é a análise do projeto ou inspeção em protótipo. 
4.2.4 Estanqueidade 
Devem ser garantidas fontes de umidade externas – chuva, umidade do 
solo e do lençol freático – e internas utilizadas na operação e manutenção do 
imóvel. O método de avaliação é a análise do projeto e métodos de ensaio. 
 
 
13 
4.2.5 Desempenho térmico 
Considerar a norma de NBR 15220-3, que estabelece estratégias 
segundo zonas climáticas brasileiras, e procedimentos normativos para atender 
aos requisitos e critérios para sistemas de vedação e coberturas, ou simulação 
computacional (com o programa EnergyPlus) ou ainda pela medição com caráter 
informativo. A norma indica como conseguir dados sobre materiais e suas 
propriedades térmicas e estabelece também valores máximos e mínimos para 
temperaturas interiores no verão e inverno. Também fornece uma série de 
outros parâmetros que devem ser considerados na análise. 
4.2.6 Desempenho acústico 
Está relacionado aos ruídos externos (vedações externas) e entre áreas 
comuns e privativas (pisos e vedações verticais), e aos ruídos de impacto, que 
devem atender aos requisitos da NBR 15575-3, 4 e 5. O método de avaliação é 
a análise do projeto e métodos de ensaio. 
4.2.7 Desempenho lumínico 
Trata das condições de iluminação natural e iluminação artificial nos 
ambientes, apresentando níveis mínimos de iluminância natural e fator de luz 
diurna e recomendações para simulações, como método de avaliação (ler norma 
p. 24-25). Os valores para iluminação natural podem ser medidos no local para 
comprovação, apresentando níveis mínimos de iluminamento geral para 
iluminação artificial. 
4.2.8 Durabilidade e manutenibilidade 
Ainda que a norma estabeleça como exigência econômica do usuário, 
deve-se entender a durabilidade como característica sustentável, pois evitará 
manutenções e novas construções no futuro. A durabilidade é o tempo que 
determinado elemento ou conjunto de elementos mantém sua função; esse 
tempo chama-se vida útil. Será afetado pelas ações externas físicas, de uso e 
manutenção, das próprias características do material etc. A norma estabelece 
valores mínimos para determinados sistemas do edifício: estrutura, pisos 
internos, vedações, cobertura, hidrossanitário. 
 
 
14 
A avaliação da durabilidade poderá ser por cumprimento das exigências 
normativas específicas, por comprovação dos elementos e componentes do 
sistema, por análise de campo ou de resultados obtidos. A manutenibilidade diz 
respeito à capacidade de manutenção e inspeções do edifício e dos sistemas, e 
da facilidade em realizar tais atividades. 
4.2.9 Saúde, higiene e qualidade do ar 
As condições de saúde estão relacionadas aos micro-organismos e 
poluentes no interior do ambiente e aos sistemas utilizados na construção. Os 
métodos de avaliação são por ensaio. 
4.2.10 Funcionalidade e acessibilidade 
São requisitos como altura de pé direito, medidas para realizar as 
atividades necessárias em cada ambiente, acesso universal, possibilidades de 
ampliação da unidade habitacional, sendo possível avaliar em projeto. 
4.2.11 Conforto tátil e antropodinâmico 
São as características que fazem os espaços confortáveis aos usuários e, 
ainda que de difícil uniformidade devido a especificidade de cada projeto, 
algumas delas são exigidas, a exemplo de dispositivos e acessórios para 
usuários com necessidades especiais, a não apresentação de irregularidades 
prejudiciais ao bom andamento das atividades, equipamentos que não ofereçam 
perigo e demais elementos que devem seguir normas mais específicas. 
4.2.12 Adequação ambiental 
• Projeto e implantação de empreendimentos realizados para minimizar 
alterações no ambiente considerando riscos que podem provocar 
impactos. 
• Seleção e consumo de materiais mediante exploração e consumo 
racionalizados privilegiando o menor impacto ambiental, comprovação de 
origem dos materiais, gestão de resíduos no canteiro de obras e levar em 
conta o ciclo de vida de materiais, componentes e equipamentos 
utilizados. 
 
 
15 
• Consumo de água e deposição de esgotos no uso e na ocupação da 
habitação, considerando a destinação das águas servidas e a reutilização 
da água atendendo a parâmetros de qualidade para usos não potáveis. 
• Consumo de energia no uso e ocupação da habitação privilegiando 
soluções que minimizem o consumo de energia e também para aparelhos 
e equipamentos utilizados durante a execução da obra. 
Em cada uma das demais cinco partes – Sistemas Estruturais, Sistemas 
de Pisos, Sistemas de Vedações Verticais internas e externas, Sistemas de 
Coberturas e Sistemas Hidrossanitários – a norma detalha critérios, requisitos, 
desempenho e métodos de avaliação com estrutura similar à essa primeira 
parte, incluindo tabelas de valores, características mais específicas dos sistemas 
e níveis de desempenho; indicando normas específicas a seguir para cada 
tópico, desenhos de detalhes etc.; em anexo a outros documentos explicativos e 
complementares de informação. 
Acredita-se num salto de qualidade nas edificações habitacionais, 
sobretudo nas habitações sociais. Recomenda-se um estudo mais aprofundado 
dessa norma e de outras citadas no texto para assegurar seu cumprimento e 
saber quais informações exigir dos fabricantes ou quais condições mínimas o 
edifício deve apresentar. 
Concluímos que o roteiro para as intervenções de desenho é muito 
parecido nas diversas metodologias e literaturas. Mesmo que a ênfase da 
aplicação seja distinta, o objetivo inicial e final é a satisfação do usuário no curto, 
médio e longo prazos. Nesse caminho, cabe a nós, projetistas, executores, 
planejadores e gestores de obras estabelecer a essência e a forma como será 
conduzido o processo. 
TEMA 5 – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 
Uma classificação de desempenho energético obrigatória ajuda, e muito, 
para que toda iniciativa habitacional do país tenha um mesmo padrão de 
qualidade, alcançando a população cujas necessidades sociais são bem maiores 
que as econômicas. Vamos ver como funciona na União Europeia. 
 
 
 
 
 
16 
5.1 Diretiva europeia de desempenho energético dos edifícios (EPBD) 
Presente na Europa, desde 2007, dando ênfase na energia, com a 
normativa europeia, pela Diretiva Europeia de Desempenho Energético dos 
Edifícios (EPBD), que foi complementada em 2018 face às novas expectativas 
mundiais em torno da mudança climática. Impõe que novos edifícios e reformas 
dos existentes, adaptem-se a um padrão de qualidade no médio e longo prazos, 
aumentando o desempenho do edifício com estratégias para diminuir 
necessidade energética, aumento da eficiência construtiva e das instalações e 
aparelhos utilizados, uso de energias renováveis etc. O objetivo é chegar à 
descarbonização dos edifícios até 2050. 
A União Europeia está empenhada em desenvolver um sistema 
energético sustentável, concorrencial e descarbonizado até 2050. Para alcançar 
esse objetivo, Estados-membros e investidoresprecisam de medidas destinadas 
a atingir o objetivo de longo prazo, relativo às emissões de gases com efeito de 
estufa e a descarbonizar o parque imobiliário que é responsável por cerca de 
36% de todas as emissões de CO2 na UE, até 2050 (Diretiva UE, 2018, p. 844). 
Estabelecendo então como prioridade medidas neste sentido, tendo em 
conta que quase 50% da energia final consumida na UE é utilizada para fins de 
aquecimento e arrefecimento, e que 80% desta é utilizada em edifícios, a 
concretização dos objetivos em matéria de clima e energia está associada aos 
esforços da União Europeia para renovar seu parque imobiliário. Nesse sentido, 
a diretiva segue com orientações gerais, como aproveitar momentos de 
necessidade de reformas nos edifícios para melhorar o desempenho destes e 
outras, como: 
• garantir isolamento perfeito evitando pontes térmicas; 
• remover amianto e outras substâncias nocivas; 
• incluir todos os sistemas e instalações técnicas; 
• promover incentivos por parte da administração; 
• propor soluções baseadas na natureza, inclusive no espaço urbano; 
• promover investigação e experimentação de novas soluções; 
• exigir transparência dos sistemas de certificações, bem como de 
documentação que comprove a eficiência desejada; 
• possibilitar mecanismos autorreguladores para cada divisão ou setor; 
 
 
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• fazer com que edifícios possam contribuir com medidas de 
descarbonização geral, bem como permitir carga de veículos elétricos 
(incentivo à eletromobilidade); 
• usar energias renováveis 
• incentivar sistemas de alta capacidade para redes de comunicações que 
permitam tecnologias inteligentes nos edifícios; 
• realizar inspeções que garantam o desempenho contínuo dos sistemas. 
5.2 Certificado energético 
A EPBD estabeleceu em 2007 o Certificado Energético, que avalia a 
eficiência energética de um edifício em escala de mais a menos energético. 
Esse documento também fornece ao proprietário informações do imóvel sobre a 
situação de suas instalações e como pode melhorar. Este selo, além de dar 
suporte sobre o desenvolvimento das construções mais eficientes, valoriza o 
imóvel e informa ao público em geral sobre a relação com o conforto e a saúde. 
Também possibilita alguns benefícios econômicos, como acesso a 
financiamentos e redução de impostos. 
Figura 2 – Selo de classificação energética do edifício 
 
Crédito: gguy/Shutterstock. 
No Brasil, no âmbito do desempenho energético, temos o Plano Nacional 
de Energia – PNE 2030, que “tem como objetivo o planejamento de longo prazo 
do setor energético do país, orientando tendências e balizando as alternativas de 
expansão desse segmento nas próximas décadas”. E, mais recente, temos o 
Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), cuja uma meta de redução de 
 
 
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consumo de energia é de 10%. O Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), 
coordenado pelo Inmetro, certifica produtos e edificações e criou a Etiqueta PBE 
Edifica para avaliar construções em seu desempenho energético. O Selo Procel, 
existente no mercado e 
estabelecido em novembro de 2014, é um instrumento de adesão 
voluntária que tem por objetivo principal identificar as edificações que 
apresentem as melhores classificações de eficiência energética em 
uma dada categoria, motivando o mercado consumidor a adquirir e 
utilizar imóveis mais eficientes. Este é um setor de extrema importância 
no mercado de energia elétrica, representando cerca de 50% do 
consumo de eletricidade do País. Para obter o Selo Procel Edificações, 
recomenda-se que a edificação seja concebida de forma eficiente 
desde a etapa de projeto, ocasião em que é possível obter melhores 
resultados com menores investimentos, podendo chegar a 50% de 
economia. (Procel, [S.d.]) 
Figura 3 – Etiqueta PBE Edifica (para projetos) 
 
Fonte: PBE Edifica, [S.d.]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 4 – Selo Procel para edificação 
 
Fonte: Procel, [S.d.]. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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Habitacionais – Desempenho, partes 1 a 6. Rio de Janeiro, 2013. 
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