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1. Conhecer as características das bactérias (estrutura, reprodução, 
metabolismo) 
 
» ESTRUTURA 
● Célula Procariota: 
○ Não possuem organelas e compartimentos 
○ Possuem um único cromossomo circular 
○ Ribossomos 70s 
○ Membrana plasmática sem colesterol 
○ Podem ser autótrofas ou heterótrofas 
 
● Parede celular: 
○ Componente mais externo presente em todas as bactérias (exceto espécies 
Mycoplasma) 
○ Algumas espécies possuem estruturas externas à parede (cápsula, flagelos e 
pili) 
○ Formada de peptidoglicano (confere sustentação rígida e protege contra a 
pressão osmótica) 
○ Podem ter parede celular Gram + e - 
○ Confere sustentação rígida, protegendo contra a pressão osmótica 
○ Conseguem ser degradadas pela lisozima 
○ Parede celular exibe várias outras propriedades importantes: 
■ Em organismos gram-negativos, contém a endotoxina, um 
lipopolissacarídeo 
■ Seus polissacarídeos e suas proteínas são antígenos úteis na 
identificação laboratorial. 
■ Suas proteínas porinas desempenham papel na regulação da passagem 
de moléculas pequenas e hidrofílicas ao interior das células. Ex: 
substâncias essenciais, como açúcares, aminoácidos e metais, assim 
como vários fármacos antimicrobianos, como as penicilinas. 
 
● Gram + 
○ Possui camada de peptidoglicano mais espessa 
○ Apresentam fibras de ácido teicóico que se projetam para fora do peptídeo 
○ Não possuem lipopolissacarídeos (endotoxina) 
○ Paredes celulares não perdem a cor azul-arroxeada quando submetidas a um 
processo de descoloração depois de terem sido coloridas pela violeta de 
genciana 
 
● Gram - 
○ Não possuem fibras de ácido teicóico 
○ Camada externa com polissacarídeos, lipoproteínas e fosfolipídios 
○ Situado entre a camada da membrana externa e a membrana citoplasmática 
encontra-se o espaço periplasmático em algumas espécies, corresponde ao 
sítio de enzimas denominadas B-lactamases, as quais degradam penicilinas e 
outros fármacos B-lactâmicos 
○ Presença de endotoxina (lipopolissacarídeo), que mantém a integridade das 
paredes celulares 
○ Suas proteínas porinas desempenham papel na regulação da passagem de 
moléculas pequenas e hidrofílicas ao interior da célula 
○ Possuem o peptidoglicano mais fino 
○ As bactérias Gram-negativas geralmente são mais ameaçadoras do que as 
Gram-positivas por terem uma maior virulência e serem ou se tornarem mais 
facilmente resistentes aos antibióticos 
○ Coram-se de rosa-avermelhado 
 
● Membrana plasmática: 
○ Membrana sem esteróis (colesterol) 
○ Sítio de enzimas oxidativas e de transporte 
○ Realiza a respiração celular 
 
● Material genético: 
○ DNA circular 
 
● Plasmídeos: 
○ Plasmídeos são moléculas de DNA de dupla-fita, circulares e 
extracromossômicos, capazes de replicar-se independentemente do 
cromossomo bacteriano 
○ Codificam fatores de virulência e fatores de resistência a antibióticos 
○ Algumas formas estão envolvidas na replicação bacteriana 
○ Podendo haver vários tipos diferentes de plasmídeos em uma célula: 
■ Plasmídeos transmissíveis podem ser transferidos de uma célula a 
outra por conjugação 
■ Plasmídeos não transmissíveis são pequenos, uma vez que não contêm 
genes de transferência. 
■ Os plasmídeos carreiam os genes envolvidos nas seguintes funções e 
estruturas de importância médica: 
○ (1) Resistência a antibióticos, a qual é mediada por uma variedade de 
enzimas. 
○ (2) Resistência a metais pesados, como mercúrio, o componente ativo de 
alguns antissépticos, e prata, sendo mediada por uma enzima redutase. 
○ (3) Resistência à luz ultravioleta, mediada por enzimas de reparo de DNA. 
○ (4) Pili (fímbrias) que medeiam a adesão das bactérias às células epiteliais. 
○ (5) Exotoxinas, incluindo diversas enterotoxinas. 
 
● Fímbrias (ou Pili): 
○ Formado por glicoproteínas 
○ Espécie de pêlos que se estendem a superfície celular (são encontrados em 
maior quantidade em bactérias gram-) 
○ Podem ter duas funções: 
1) Ligação entre superfícies celulares (etapa inicial da infecção) 
2) Pilus sexual: Medeia a conjugação bacteriana 
OBS.: Os tipos de pili (caso sejam produzidos) variam entre as espécies e dentro de uma 
mesma espécie 
 
● Cápsula: 
○ Formada de polissacarídeo (exceto no bacilo do antraz) 
○ Os açúcares que compõe esse polissacarídeo variam entre as espécies 
bacterianas e são eles que determinam o tipo sorológico da espécie (por ex.: 
existem 84 tipos sorológicos diferentes de Streptococus pneumoniae que se 
diferenciam justamente por esses açúcares do polissacarídeo) 
○ Envolvem externamente a parede celular 
○ Impedem a fagocitose e destruição da parede celular 
○ São as cápsulas que determinam a virulência da bactéria ao limitar a 
capacidade de fagócitos englobarem essas bactérias) 
○ Além disso, também são importantes pois tem papel de adesão aos tecidos 
humanos (início da infecção) 
○ Cápsulas são frequentemente perdidas durante a cultura in vitro 
○ A cápsula é importante por quatro razões: 
■ É um determinante da virulência de diversas bactérias, uma vez que 
limita a capacidade de fagócitos englobarem as bactérias. Cargas 
negativas no polissacarídeo capsular repelem a membrana celular 
negativamente carregada do neutrófilo e evitam que ele englobe a 
bactéria. 
■ A identificação específica de um organismo pode ser feita por meio do 
uso de anti soro contra o polissacarídeo da cápsula. Na presença de 
um anticorpo homólogo, a cápsula apresentará um intenso inchaço. 
Esse fenômeno de intumescimento, utilizado no laboratório clínico 
para identificar certos organismos, é denominado reação de Quellung. 
■ Os polissacarídeos capsulares são utilizados como antígenos em 
determinadas vacinas, uma vez que são capazes de induzir a formação 
de anticorpos protetores. 
■ A cápsula pode desempenhar um papel na adesão das bactérias aos 
tecidos humanos, que consiste em uma etapa inicial importante da 
infecção. 
 
● Glicocálix: 
○ Polissacarídeo de membrana 
○ Medeia a aderência à superfícies 
○ É o glicocálix que desempenha papel importante na formação da placa dental 
(precursora da cárie) 
 
● Endósporos: 
○ São produzidos por certas espécies de bactérias em situações de escassez de 
nutrientes 
○ O esporo é resistente a condições adversas, incluindo altas temperaturas e 
solventes orgânicos 
○ Endósporos são comumente produzidos pelos gêneros Bacillus e Clostridium 
○ Confere resistência à desidratação, calor e outros compostos 
 
 
» FORMA 
● Cocos: 
○ Bactérias em formato arredondado não perfeito 
○ Não são associadas entre si 
○ Quando associadas podem ser classificadas em: estreptococos (cadeias), 
estafilococos (uvas), diplococos (pares), tétrade e sarcina 
● Bacilos: 
○ Bactérias com formato de bastonete 
○ Podem ser classificados em: cocobacilos, diplobacilos, estreptobacilos e 
paliçadas 
● Espiroquetas: 
○ Forma helicoidal 
○ Se movem com o movimento em hélice 
 
» REPRODUÇÃO 
● Fissão binária: 
○ Uma célula parental divide-se, formando duas células filhas 
○ Células filhas são idênticas à progenitora (exceto quando há mutação) 
○ Realizam crescimento exponencial 
○ O tempo de replicação varia de 20 minutos a 24 horas dependendo da espécie 
○ Dividido em fases: 
1)Fase lag ou Adaptação: 
- Intensa atividade metabólica 
- Células não se dividem 
- Pode durar de alguns minutos à algumas horas 
 
2) Fase log: 
- Rápida divisão celular 
- Fármacos, como a penicilina, atuam nessa fase 
- Período em que as células estão produzindo peptidoglicano (em divisão) 
 
3) Fase estacionária: 
- Diminuição no crescimento 
- Células novas = Células que morrem (há o equilíbrio) 
- A depleção de nutrientes ou os produtos tóxicos causam uma diminuição no 
crescimento até que o número de células novas produzidas equilibra-se com o 
número de células que morrem, resultando em um estado de equilíbrio. 
 
4) Fase morte 
- Declínio no número de bactérias viáveis 
 
● Conjugação: 
○ Processo sexuado 
○ A conjugação corresponde ao “acasalamento” de duas células bacterianas, 
durante o qualo DNA é transferido da célula doadora à receptora 
○ Células unem-se por uma ponte formada por citoplasma e ocorre a troca de 
material genético 
○ Posteriormente, a célula divide-se por divisão binária 
○ A conjugação resulta em variabilidade genética 
○ Passagem do plasmídeo: DNA extracromossomal 
○ Necessário o contato entre as células doadoras (realizado pela fimbria sexual) 
○ Controlado por um plasmídeo F (fertilidade), que carreia os genes das 
proteínas necessárias à conjugação. Uma das proteínas mais importantes 
corresponde à pilina, a qual forma o pilus sexual (tubo de conjugação). 
○ O pilus da bactéria macho doadora, que carreia o fator F (F+), liga-se a um 
receptor da superfície da bactéria fêmea receptora, que não contém um fator F 
(F–), estabelecendo contato direto pela retração do pilus. Após uma clivagem 
enzimática do DNA do fator F, uma fita é transferida por meio da ponte de 
conjugação ao interior da célula receptora. O processo é completado pela 
síntese da fita complementar, originando um plasmídeo de dupla-fita com o 
fator F, tanto na célula doadora quanto na receptora. A célula receptora 
torna-se uma célula F1 masculina capaz de transmitir plasmídeo. 
○ Algumas células F+ apresentam seu plasmídeo F integrado ao genoma 
bacteriano e, portanto, adquirem a capacidade de transferir o cromossomo 
para outra célula. Essas células são denominadas células Hfr (alta frequência 
de recombinação). Durante esta transferência, a fita simples de DNA que 
entra na célula recipiente F- contém um pedaço do fator F na extremidade 
inicial, seguido pelo cromossomo bacteriano e, por fim, pelo restante do fator 
F. 
 
● Transformação: 
○ Bactérias que conseguem absorver fragmentos de DNA que se encontram 
dispersos no meio 
○ Esses materiais genéticos incorporam no DNA da bactéria, transformando-as 
 
● Transdução: 
○ Ocorre a troca de material genético com a participação de um bacteriófago 
○ Gera variabilidade genética 
○ Bacteriófago (vírus que infecta bactéria) introduz seu material genético dentro 
da bactéria e esse material genético do vírus se incorpora ao DNA da bactéria 
○ Transferência de DNA celular por meio de um vírus bacteriano (bacteriófago, 
fago). 
○ Existem dois tipos de transdução: generalizada e especializada. 
■ Generalizado ocorre quando o vírus carreia um segmento derivado de 
qualquer região do cromossomo bacteriano. Isso ocorre porque o DNA 
celular é fragmentado após a infecção pelo fago e porções do DNA 
celular de mesmo tamanho do DNA viral são incorporadas à partícula 
viral com uma frequência de cerca de uma a cada mil partículas virais. 
○ Especializado ocorre quando o DNA do vírus bacteriano, que foi integrado ao 
DNA celular, é excisado e carreia uma porção do DNA celular adjacente. 
 
» METABOLISMO 
● Fatores necessários: 
○ Temperatura: Cada bactéria vai possuir a sua temperatura ótima 
○ PH: Bactérias crescem mais em lugares neutros, porém existem as acidófilas 
○ Pressão osmótica: Dependendo da concentração do soluto as bactérias podem 
inibir ou não o seu crescimento 
○ Espécies reativas de oxigênio 
 
● Aeróbios obrigatórios: 
○ Só crescem na presença de oxigênio (aceptor final de hidrogênio) 
○ São capazes de crescer em uma atmosfera com cerca de 21% de 02 
○ Uma vez que a utilização de oxigênio gera duas moléculas tóxicas, o peróxido 
de hidrogênio (H2O2) e o radical livre superóxido (02-), as bactérias 
requerem duas enzimas para desintoxicar essas moléculas quando o oxigênio 
é utilizado 
○ As enzimas são superóxido-dismutase e a catalase 
○ Esse tipo de metabolismo ocorre na membrana plasmática das bactérias 
 
● Anaeróbios obrigatórios: 
○ São aqueles micro-organismos que podem ser mortos pelo oxigênio 
○ Realizam fermentação 
○ As anaeróbias obrigatórias foram classificadas de acordo com a sua tolerância 
ao oxigênio: 
1. Estritas: só toleram ≤ 0,5% de oxigênio 
2. Moderadas: toleram de 2% a 8% de oxigênio 
3. Anaeróbias aerotolerantes: toleram oxigênio atmosférico por tempo 
limitada 
OBS.: Anaeróbios obrigatórios são os principais componentes da microflora normal nas 
membranas mucosas 
OBS.: A suspeita para a presença de infecção por anaeróbios inclui: 
1) Formação de gases em tecidos 
2) Odores fétidos e formação de abscessos 
3) Necrose de tecidos 
4) Local de infecção perto da mucosa em que normalmente reside a flora 
anaeróbia 
 
● Anaeróbios facultativos: 
○ São aqueles micro-organismos que crescem na presença do ar atmosférico, 
mas podem também crescer na sua ausência 
○ Eles não requerem o oxigênio para o crescimento, embora possam utilizá-los 
para a produção de energia em suas reações químicas 
○ Realizam fermentação e respiração 
○ Na presença de oxigênio, o piruvato produzido pela fermentação entra no 
ciclo de Krebs, sendo metabolizado em dois produtos finais, COz e H20 
○ Durante a fermentação, são gerados produtos finais ácidos (piruvato e 
lactato), que podem ser detectados por um indicador que muda de cor de 
acordo com alterações de pH 
 
● Microaerófilo: 
○ Só crescem em atmosfera contendo concentração de oxigênio menor que a 
encontrada no ar atmosférico 
 
2. Entender os tipos de microbiota e a relação com o equilíbrio do 
organismo 
● Bactérias e fungos que residem permanentemente em determinados sítios corporais 
● O estabelecimento do microbioma humano é iniciado imediatamente após o 
nascimento e consiste em uma parte necessária e normal do desenvolvimento 
humano 
○ Nos primeiros anos de vida o microbioma ainda está em amadurecimento 
● Uma vez estabelecidos os microrganismos se tornam residentes permanentes 
● Existem várias microbiotas espalhadas pelo corpo, porém os órgãos (internamente) 
são estéreis 
● A presença desses microrganismos é diferente do estado de portador 
○ Quando o indivíduo carrega um patógeno em potencial de maneira 
assintomática ou acabou de se curar de alguma patologia, porém ainda 
carrega o patógeno 
● Somos colonizados por diversos microrganismos, porém o termo colonização, 
refere-se a aquisição de um novo patógeno 
○ Um indivíduo colonizado pode transmitir 
● Desempenham papel na saúde de três maneiras: 
1) Podem causar doenças em pacientes imunocomprometidos ou debilitados 
2) Defendem o organismo através da competição por sítios de adesão 
(resistência à colonização) 
3) Desempenham função nutricional, produzindo vitaminas B e K 
 
» PELE 
● O organismo predominante é o Sthaphylococcus Epidermidis 
● Não é patogênico quando presente na pele, porém podem causar doenças quantos 
atinge determinadas regiões (ex.: válvulas cardíacas) 
● Maior parte se localiza superficialmente na camada córnea 
● Organismos anaeróbicos como Propionibacterium e Peptococus estão situados em 
tecidos mais profundos onde a tensão de Oz é mais baixa 
● A levedura Candida Albicans é também um membro da microbiota normal porém 
quando ela atinge a corrente sanguínea devido a algum trauma, pode ocasionar 
infecções sistêmicas 
 
» TRATO RESPIRATÓRIO 
● Nariz, garganta e boca 
○ Brônquios inferiores e alvéolos contém poucos microrganismos 
● O nariz é colonizado por espécies estreptocócicas S. Aureus 
○ Surtos de doença devido a esse organismo é muito comum, principalmente 
em berçários 
● A garganta contém uma variedade de estreptococus do grupo viridians Neisseria e S. 
epidermidis 
● Na boca, também é mais comum o estreptococus do grupo viridans Streptococcus 
mutans, presente principalmente na parte dentária (precursora da cárie) 
○ Cárie: Bactérias aprisionadas produzem muito ácido, destruindo o esmalte 
dos dentes 
● Bactérias anaeróbias, como espécies de Bacteroides, Prevotella, Fusobacterium 
Clostridium e Peptostreptococcus, são encontradas nos sulcos gengivais, onde a 
concentração de oxigênio é muito baixa 
● Eikenella corrodens também compõe a microbiota oral e é responsável por infecções 
transmitidas pela mordedura 
 
» TRATO INTESTINAL 
● Em indivíduos de dieta normal, o estômago contém poucos organismos devido a seu 
baixo pH esuas enzimas 
● O intestino delgado geralmente contém pequeno número de estreptococos, 
lactobacilos e leveduras, particularmente Candida albicans 
● A maior e mais complexa população microbiana em seres humanos reside no cólon 
● Dentro do cólon, os dois maiores filos de bactérias são os Firmicutes e os 
Bacteroidetes 
○ Os Firmicutes são bastonetes Gram-positivos, e os membros dos gêneros 
Clostridium e Faccalibacterium são organismos proeminentes 
○ Os Bacteroidetes são bastonetes Gram-negativos, sendo os gêneros 
Bacteroides e Prevotella membros importantes 
● Aproximadamente 20% das fezes consistem principalmente de bactérias Bacteroides 
e Prevotella membros importantes 
● Aproximadamente 20% das fezes consistem principalmente de bactérias anaeróbicas 
● As espécies de Proteobacteria (bastonetes Gram-negativos, como Escherichia e 
Salmonella) e Actinobacteria (bastonetes Gram-positivos, como Actinomyces) 
constituem a maior parte do restante 
● Desempenha papel no controle de peso (obesidade) e diversas doenças inflamatórias, 
como as duas principais doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite 
ulcerativa) 
● Bactérias fecais metabolizam mais os alimentos 
 
» TRATO GENITURINÁRIO 
● A microbiota vaginal de mulheres adultas contém principalmente espécies de 
Lactobacillus 
○ São responsáveis pela produção de ácido lático, deixando o PH vaginal mais 
baixo 
○ Antes da puberdade e após a menopausa a quantidade desse micorganismo na 
microbiota é baixo (PH alto) 
○ O crescimento excessivo dessa levedura pode resultar em vaginite por 
Candida 
● A vagina situa-se próxima ao ânus, podendo ser colonizada por membros da 
microbiota fecal 
● Cerca de 15 a 20% das mulheres em idade fértil apresentam estreptococos do grupo 
B na vagina 
 
3. Compreender os mecanismos de agressão da bactéria e a defesa do 
organismo 
 
» AGRESSÃO 
 Utilizam dois mecanismos de agressão principais: 
1. Produção de toxinas: 
● Endotoxinas: Lipopolissacarídeos que são parte integral da parede celular, causando 
febre, choque e sintomas generalizados 
● Exotoxinas: Polipeptídeos liberados pelas células causando sintomas generalizados 
mesmo que a bactéria já não esteja mais presente (ex.: botulismo) 
● Ambas as toxinas podem causar sintomas por si, sem a presença das bactérias 
 
2. Invasão e inflamação 
● Inflamação piogênica: Forma pus (principalmente são gram - ) 
● Granulomatosa: Invasão intracelular 
 
» Estágios da patogênese: 
● A maioria das infecções bacterianas é adquirida de fontes externa 
● Algumas infecções bacterianas, entretanto, são causadas por membros da microbiota 
normal 
● Uma sequência generalizada dos estágios de uma infecção pode ser assim 
representada: 
1) Fonte externa como fonte de transmissão pela porta de entrada. 
2) Evasão das defesas primárias do hospedeiro, como a pele e o ácido gástrico. 
3) Aderência às membranas mucosas, frequentemente pelos pili bacterianos. 
4) Colonização por meio da multiplicação da bactéria no local de aderência. 
5) Manifestações clínicas da doença oriundas da produção de toxinas ou da invasão 
acompanhada pelo processo inflamatório. 
6) Respostas do hospedeiro, imunidade inespecífica e específica durante os passos 3, 
4 e 5. 
7) Progressão ou resolução da doença. 
 
» Determinantes da patogênese: 
● Transmissão: 
○ Contato direto 
○ Contato indireto (solo, água, alimentos contaminados) 
○ Fômites: Transmissão através de objetos contaminados 
○ A transmissão vai depender das portas de entrada 
 
● Aderência às superfícies celulares: 
○ Certas bactérias têm estruturas especializadas (ex: pili) ou produzem 
substâncias (ex: cápsulas ou glicocálices) que as permitem aderir às 
superfícies de células humanas, aumentando sua capacidade de causar doença 
○ As inúmeras moléculas que permitem a aderência às superfícies celulares são 
denominadas adesinas. 
○ Após a adesão as bactérias se protegem formando o biofilme 
○ Os biofilmes protegem as bactérias tanto de antibióticos quanto das defesas 
imunes do hospedeiro, como anticorpos e neutrófilos 
○ Essas estruturas também retardam a cura da ferida, gerando processos 
infecciosos crônicos 
 
● Invasão, inflamação e sobrevivência: 
○ Enzimas envolvidas na patogênese: 
1. Colagenase e hialuronidase: Degradam o colágeno e o ácido 
hialurônico permitindo, assim, que a bactéria se dissemine por meio 
do tecido subcutâneo 
2. Coagulase :Acelera a formação do coágulo de fibrina a partir de seu 
precursor, o fibrinogênio (esse coágulo protege a bactéria da fagocitose 
por meio do isolamento da área infectada) 
3. Proteases de imunoglobulina: Existem vários exemplos de organismos 
que produzem enzimas que degradam as imunoglobulinas IgA e IgG, 
reduzindo a opsonização e a ativação do sistema complemento 
 
● Imunopatogênese: 
○ O microrganismo por si não provoca a doença, mas sim a resposta imune à 
presença do microrganismo 
○ Exs: Febre Reumática e glomerulonetrite 
 
● Fatores antifagocitários: 
○ Cápsula externa à parede celular. A cápsula polissacarídica impede que os 
fagócitos possam se aderir à bactéria 
○ As leucocidinas são toxinas formadoras de poros que degradam a membrana 
celular de neutrófilos e macrófagos. 
 
● Bactérias intracelulares: 
○ Inibição da fusão do fagossomo com o lisossomo, para evitar as enzimas de 
degradação do lisossomo 
○ Inibição da acidificação do fagossomo, que diminui a atividade das enzimas 
de degradação do lisossomo 
○ Escape do fagossomo para o citoplasma, onde não há enzimas de degradação. 
 
● Cepas diferentes da mesma bactéria: 
○ Individualmente, bactérias podem produzir fatores de virulência diferentes 
que conferem a elas a capacidade de gerar doenças diferentes. 
○ Os diferentes fatores de virulência são codificados por plasmídeos, 
transpósons, pelo genoma de bacteriófagos temperados (lisogênicos) e por 
ilhas de patogenicidade 
○ Podem ou não estar presentes em uma única bactéria, respondendo pela 
capacidade de gerar diferentes doença 
 
» DEFESA 
● Pele e mucosas como primeira linha de defesa 
● Proteção adicional observada por defensinas 
○ Peptídeos com alta carga positivas que originam poros nas membranas 
promovendo a sua morte 
● Neutrófilos e fagócitos comandam a fagocitose 
○ São atraídos por quimiocinas como Interleucina-8 e Csa 
● Resposta inflamatória por meio da histamina, prostaglandinas e leucotrieno, além 
dos componentes do sistema complemento, Сза e Csa 
● Resposta a fase aguda através da proteína C reativa e proteína de ligação à manose, se 
ligam a superfície das bactérias e intensificam a ativação do complemento 
● Citocina que ativa macrófagos: Interferón gama 
● Óxido nítrico é um importante agente microbicida, sintetizado pela enzima óxido 
nítrico sintetase 
● A morte no interior do fagossomo ocorre pela desgranulação e a produção de íons 
 
 
4. Investigar o caso clínico 
Pneumonia é uma infecção aguda do parênquima pulmonar (alvéolos e espaços aéreos 
periféricos) na qual ocorre influxo de fluido inflamatório e células (exsudato) que ocupam os 
alvéolos, reduzindo a ventilação da área afetada e prejudicando a troca gasosa. 
O diagnóstico clínico costuma ser confirmado por imagem com um novo infiltrado pulmonar 
compatível. 
No caso da Pneumonia pneumocócica. O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é parte 
da flora normal de cerca de 20% dos indivíduos adultos e responsável por 90% dos casos de 
pneumonia lobar, que compromete em geral indivíduos entre 30 e 50 anos. 
Antes do advento dos antibióticos, esse agente era a causa mais comum de morte por 
pneumonia. O pneumococo é uma bactéria Gram-positiva que se dispõem aos pares, é 
levemente achatada nas extremidades e não produz toxinas. O mecanismo de ação envolve 
multiplicação bacteriana, que induz resposta exsudativa neutrofílica do hospedeiro. 
A complicação mais comum é dano alveolar difuso. Morfologicamente, a pneumonia 
pneumocócica é do tipo lobar ou broncopneumonia, preservando caracteristicamente ahistoarquitetura pulmonar na fase aguda. 
Vacina contra o S. pneumoniae é utilizada apenas em indivíduos com condições 
predisponentes a infecções por microrganismos Grampositivos. 
● Como a pneumonia surge — fisiopatologia (etapas) 
1. Entrada do agente 
○ Inalação de gotículas/aerossóis contendo microrganismos; 
microaspiração de secreções orofaríngeas; disseminação hematogênica 
(menos comum). 
 
2. Colonização e invasão 
○ Adesinas microbianas e fatores do hospedeiro (defesas locais 
comprometidas por vírus, tabaco, anestesia, refluxo, imunidade 
deficiente) permitem que os microrganismos invadam o epitélio 
respiratório. 
 
3. Resposta inflamatória alveolar 
○ Recrutamento de neutrófilos, extravasamento de proteínas 
plasmáticas e formação de exsudato (fibrina, células) dentro dos 
alvéolos — isto é a consolidação. Toxinas bacterianas (ex.: 
pneumolisina no pneumococo) agravam o dano tecidual. 
 
4. Consequências para a troca gasosa 
○ As áreas consolidadas têm perfusão com pouca ou nenhuma ventilação 
(shunt) → hipoxemia. Inflamação intensa pode levar à disfunção 
endotelial, aumento da permeabilidade e, em formas graves, edema 
pulmonar não cardiogênico (SDRA). 
 
5. Resposta sistêmica 
○ Liberação de citocinas → febre, anorexia, aumento do metabolismo; 
em casos graves, risco de sepse e disfunção orgânica. 
 
● Quadro clínico — sinais e sintomas 
Sintomas clássicos (pneumonia “típica” bacteriana): 
● Febre e calafrios (rigores) 
● Tosse produtiva com expectoração purulenta (amarelada/verde ou 
“enferrujada”) 
● Dor pleurítica (dor que piora ao inspirar) 
● Dispneia e taquipneia 
● Mal-estar, fadiga, sudorese 
 No exame físico: estertores localizados, broncofonia aumentada, percussão 
maciça na área consolidada. 
 
Exames solicitados — guia prático (por que e como interpretar) 
1) Avaliação inicial 
● Sinais vitais e oximetria (SpO₂) — imprescindível; hipoxemia indica suporte 
(oxigênio) e possível internação. 
2) Imagem 
● Radiografia de tórax (PA/AP ± perfil) — padrão-ouro prático para confirmar novo 
infiltrado/consolidação; distingue padrão lobar (consolidação homogênea), 
intersticial (reticulonodular/ground-glass) ou broncopneumonia (múltiplos focos). 
Um achado clássico de consolidação é o air-bronchogram (brônquios arejados 
visíveis dentro de área opaca). Se Rx inconclusiva e suspeita clínica alta, TC de tórax é 
mais sensível. Ultrassom de pulmão também é útil à beira-leito para identificar 
consolidações e derrame pleural. 
3) Laboratório básico 
● Hemograma (leucocitose com neutrofilia em infecção bacteriana) 
● Ureia/creatinina, eletrólitos (para avaliação prognóstica e ajuste de drogas) 
● PCR, VHS, procalcitonina (procalcitonina pode ajudar a distinguir infecção 
bacteriana de viral em contextos específicos e orientar descontinuação de antibiótico, 
mas interpretar com cautela).

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