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Tipologias e Impactos do Turismo
Você aprenderá os conceitos fundamentais do turismo, sua evolução histórica, as principais modalidades e
a importância da sustentabilidade na atividade turística, além de reconhecer os impactos ambientais e
culturais gerados pelo turismo e formas de minimizar esses efeitos.
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender os conceitos e a história do turismo, bem como suas modalidades e impactos, é fundamental
para profissionais que atuam no setor turístico, planejamento urbano e gestão ambiental. Conhecer a
mercantilização dos espaços e os desafios da sustentabilidade permite que esses profissionais desenvolvam
projetos que valorizem as potencialidades locais, preservem o meio ambiente e respeitem a cultura,
promovendo um turismo responsável, consciente e economicamente viável.
Objetivos
Caracterizar os conceitos, modalidades e evolução histórica do turismo em relação à atual situação da
atividade turística e às diretrizes do Plano Nacional de Turismo do Brasil.
 
Avaliar o fenômeno da mercantilização dos espaços turísticos com foco em projetos locais sustentáveis
e práticas de turismo com menor impacto ambiental e cultural.
 
Analisar o conceito e a origem da sustentabilidade em suas dimensões ambiental, cultural, econômica e
político-administrativa aplicadas ao turismo em locais como Bonito (MS) e Ilha do Mel.
Introdução
Este conteúdo está organizado em três partes que abordam aspectos fundamentais do turismo, suas
transformações históricas, impactos e relação com a sustentabilidade.
 
Na primeira parte, o foco será a compreensão dos conceitos de turismo e a identificação dos principais
aspectos que caracterizam essa atividade. Serão apresentadas as etapas históricas pelas quais o turismo
passou, permitindo relacionar seu desenvolvimento com o contexto atual. Também serão discutidas as
diferentes modalidades de turismo, com ênfase naquelas previstas no Plano Nacional de Turismo do Brasil,
promovendo uma visão ampla e contextualizada da diversidade dessa atividade.
 
A segunda parte aprofundará o estudo da mercantilização dos espaços para o turismo, destacando a criação
de ambientes artificiais, como os observados em Dubai, e a necessidade de projetos que valorizem as
potencialidades locais. Será enfatizado o uso correto dos recursos naturais — como morros, serras,
cachoeiras, rios e áreas costeiras — para evitar impactos negativos na natureza e na cultura local. Também
serão apresentadas práticas turísticas que respeitam e preservam esses ambientes, alinhadas a uma atuação
responsável e sustentável.
 
Na terceira parte, será explorado o conceito de sustentabilidade, sua origem e importância no contexto do
turismo. O conteúdo abordará as diversas formas de sustentabilidade aplicadas ao setor, destacando a
integração entre sustentabilidade ambiental e cultural. Exemplos práticos, como o turismo na cidade de Bonito
(MS) e na Ilha do Mel, serão analisados para ilustrar a sustentabilidade econômica e político-administrativa no
turismo, promovendo uma compreensão crítica e aplicada do tema.
 
Essas etapas visam oferecer uma visão completa e integrada do turismo, destacando sua evolução, desafios
ambientais e sociais, e a necessidade de práticas sustentáveis para garantir o equilíbrio entre
desenvolvimento e preservação.
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1. Fazer turismo... mas que turismo?
Panorama geral do turismo
O turismo é uma atividade sofisticada que movimenta três trilhões de dólares. Inúmeros locais transformaram-
se em complexos turísticos por várias razões: 
 
belezas naturais, 
 
núcleos históricos ou artísticos, 
 
centros comerciais, de convenções e culturais, 
 
eventos esportivos ou ligados ao show business, 
 
grandes metrópoles ou complexos industriais, 
 
centros turísticos artificiais como Disneyland em Los Angeles, Walt Disneyworld em Orlando ou os
parques europeus Asterix e a Disneyland Paris.
 
Isso provoca as viagens de homens e mulheres com frequência. O objetivo desses deslocamentos varia muito
(lazer, esportes, eventos, trabalho, comércio etc.). O mundo de hoje com os seus recursos tecnológicos em
muito facilita a chegada dos viajantes ao seu destino.
 
Esse movimento/deslocamento é um dos itens da atividade turística. Para que isso se dê vários setores são
envolvidos: hospedagem, transportes, agenciamento, alimentação, entretenimento, eventos. Por isso se
considera o turismo como um fenômeno multifacetado que atinge a sociedade de modo diverso. Nesse
processo, ultrapassa também os setores convencionais da economia requerendo dados de natureza
econômica, social, cultural e ambiental.
 
Muitas vezes é descrito como uma “indústria sem chaminé” (visão norte americana), pois não possui a função
da produção formal denotada pelo termo, e também não produz resultados que possam ser fisicamente
medidos. No turismo não existe uma estrutura comum que represente essa “indústria” em todos os países.
Em alguns, o destaque é dado
ao acervo cultural, em outros
são os elementos da natureza. 
 Por isso, há o problema da definição, o
que representa uma dificuldade séria e
contínua para os analistas de turismo.
Conceito de turismo
A definição de turismo engloba a maior parte dos viajantes que estão fora de casa, independente do motivo
da viagem, exceto algumas categorias como os imigrantes e as pessoas que viajam diariamente para o seu
local de trabalho. Há uma variedade crescente quanto aos motivos das viagens e aos tipos de destinos
disponíveis. A definição inclui pessoas que viajam dentro do próprio país e para o exterior, embora geralmente
haja uma distinção entre viagens domésticas e internacionais, onde maiores impactos sociais, políticos e
econômicos merecem estudos separados. 
 
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Comentário
A grande quantidade de definições de turismo existentes evidencia a diversidade de referenciais
teóricos com os quais o turismo é abordado. 
O turismo no mundo
Segundo autores, existem duas linhas de pensamentos, no qual a História do Turismo se divide. 
1
Primeira linha de pensamento
Refere-se ao ócio, descanso, cultura, saúde, negócios ou relações familiares. Estes deslocamentos
se distinguem por sua finalidade dos outros tipos de viagens motivados por guerras, movimentos
migratórios, conquista, comércio etc. Não obstante o turismo tem antecedentes históricos claros.
Depois, se concretizaria com o então movimento da Revolução Industrial.
2
Segunda linha de pensamento
Se baseia em que o Turismo realmente se iniciou com a Revolução Industrial, visto que os
deslocamentos tinham como intuito o lazer. 
Veja como o turismo se transformou ao longo dos séculos, desde a Grécia Antiga até os dias atuais.
Séculos VIII a.C. – II a.C.
Grécia Antiga — A valorização do ócio e os jogos olímpicos
Dava-se grande importância ao tempo livre, os quais eram dedicados à cultura, diversão, religião e
desporto. Os deslocamentos mais destacados eram os que se realizavam com a finalidade de assistir
as olimpíadas (que ocorriam a cada 4 anos na cidade de Olímpia). Para lá se deslocavam milhares de
pessoas, misturando religião e desporto. Também existiam peregrinações religiosas, como as que se
dirigiam aos Oráculos de Delfos e ao de Dódona.
Séculos I a.C. – V d.C.
Império Romano — Lazer, termas e vias de tráfego
As populações frequentavam águas termais (como as das termas de Caracalla). Eram assíduos de
grandes espetáculos, em teatros, e realizavam deslocamentos habituais para a costa (como o caso de
um, muito conhecido, para uma vila de férias: a orillas del mar). Estas viagens de prazer ocorreram
possivelmente devido a três fatores fundamentais: a Pax Romana, o desenvolvimento de importantes
vias de tráfego e a prosperidade econômica que possibilitou a alguns cidadãos meios financeiros e
tempo livre.
Séculos XV – XVII 
Idade Moderna — Peregrinações e surgimento dos hotéis
As peregrinações continuam durante a Idade Moderna. Em Roma morrem 1.500 peregrinos por causa
da peste. É neste momento que aparecem os primeiros alojamentos com o nome dehotel. Como as
viagens das grandes personalidades acompanhadas de seu séquito, comitivas cada vez mais
numerosas, sendo impossível alojar a todos em palácio, ocorre à criação de novas edificações
hoteleiras.
Final do Século XVI
O Grand Tour e o nascimento do termo Turismo
Ao final do século XVI surge o costume de mandar os jovens aristocratas ingleses para fazerem um
Grand Tour ao final de seus estudos, com a finalidade de complementar sua formação e adquirir
certas experiências. Sendo uma viagem de larga duração (entre 3 e 5 anos) que se fazia por distintos
países europeus, e desta atividade nascem as palavras: turismo, turista etc.
Séculos XVII – XVIII
O ressurgimento das termas e os banhos terapêuticos
Um outro motivo foi o ressurgir das antigas termas, que haviam decaído durante a Idade Média. Não
tendo somente como motivação a indicação medicinal, sendo também por diversão e o
entretenimento em estâncias termais como, por exemplo, em Bath, na Inglaterra. Também nesta
mesma época data o descobrimento do valor medicinal da argila com os banhos de barro como
remédio terapêutico, praias frias onde as pessoas iam tomar os banhos por prescrição médica.
Século XIX
A Revolução Industrial e a expansão dos transportes
Com a Revolução Industrial se consolida a burguesia que volta a dispor de recursos econômicos e
tempo livre para viajar. O invento do maquinário a vapor promove uma revolução nos transportes, que
possibilita substituir a tração animal pelo trem a vapor tendo as linhas férreas que percorrem com
rapidez as grandes distâncias cobrindo grande parte do território europeu e norte-americano.
Também o uso do vapor nas navegações reduz o tempo dos deslocamentos.
Segunda Metade do Século XX
O turismo globalizado
O mundo principalmente após a segunda metade do século XX, penetrou no alvorecer de um novo
tempo do turismo, uma era de viagens em escala maciça, verdadeiramente global. A globalização
muda a natureza do turismo internacional, pois traz a prosperidade em nações emergentes, aumenta
a divisão do trabalho internacional e potencializa a informação via web. O turismo já é o mais
importante setor da economia mundial no total de bens e serviços de exportação.
Início dos anos 2000 até hoje
Conglomerados, natureza e novos destinos
Os grandes conglomerados se encarregam de criar sistemas variados de hospedagem atendendo a
todo tipo de expectativa dos clientes.
Observa-se hoje, uma tendência de crescimento do turismo interno e de viagens internacionais com
predomínio de motivação de reencontro com a natureza, de caráter familiar e bem intimista nas
relações do turismo com o ambiente. Nessa tendência lugares antes esquecidos por essa atividade
surgem e passam a fazer parte do cenário de lazer e diversão.
O turismo no Brasil
Observando os deslocamentos e as viagens do passado mais remoto do país, alguns autores defendem a
ideia de que existiria um turismo de negócios entre a metrópole e a colônia após a instalação das capitanias
hereditárias. 
 
A história revela que a partir do ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste, os filhos das classes mais altas já
realizavam intercâmbio cultural por meio de estudos em universidades portuguesas e posteriormente em
outras localidades da Europa. 
Com a vinda da família real para o
Brasil, hábitos europeus foram
trazidos pela corte, provocando
grandes transformações na vida e no
cotidiano das pessoas. 
 Dessa forma, foi a partir da
evolução dos meios de
transporte que as atividades
turísticas tiveram a possibilidade
de se desenvolver no Brasil.
Durante o ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste e o ciclo do ouro em Minas Gerais, as famílias ricas já
praticavam o que hoje chamamos de turismo cultural, ao enviarem seus filhos para estudarem na Universidade
de Coimbra, em Portugal, e posteriormente em outras universidades da Europa.
A Colônia se transformou para atender às necessidades dos novos habitantes. Não existia
hospedagem com conforto para a numerosa corte que acompanhou a família real portuguesa, bem
como para os tantos visitantes e comerciantes que começaram a chegar. 
A corte portuguesa trouxe para o Brasil hábitos de lazer e veraneio que foram rapidamente absorvidos por
toda a colônia. O hábito de banhar-se no mar foi trazido para o Brasil e provocou grandes transformações na
vida e no cotidiano das pessoas.
 
O banho de mar tornou-se uma tendência e uma necessidade, a princípio para se protegerem das doenças
causadas pelas péssimas condições sanitárias em que se encontravam as primeiras aglomerações na colônia,
e, mais tarde, uma modalidade de lazer e turismo.
 
Na Europa, a água do mar era utilizada como propriedade terapêutica desde o século XVII, e, no Brasil,
provocou o crescimento de casas de veraneio próximas às praias, provocando o início do fenômeno do
veranismo. Essa tendência perdura até os dias de hoje, passando pelo século XIX, quando foram construídos
grandes palacetes no litoral brasileiro pelos barões do café, sendo intensificada após a Segunda Guerra
Mundial.
 
Uma outra modalidade de veranismo observada no Brasil foi a criação de estâncias climáticas. 
A família imperial, fugindo das
altas temperaturas na cidade
do Rio de Janeiro, construiu a
cidade de Petrópolis, que hoje
é considerada a primeira
estância climática e o berço do
turismo no Brasil. 
A construção planejada do
lugar tinha por objetivo
acomodar a família imperial e
sua corte, que se deslocavam
para a região serrana durante o
verão em busca de um clima
mais ameno. A partir disso, a
cidade de Petrópolis passou a
receber várias pessoas que
queriam acompanhar os
hábitos da corte, considerada
a elite da época,
especialmente após a
construção da primeira estrada
de ferro, que ligava o Rio a
Petrópolis.
 
No século
XIX, o ciclo
do café
produzia a
riqueza, e a
aristocracia
brasileira
adquiriu o
hábito de
viajar para a
Europa, tanto
para estudos
quanto para
passar férias,
como sinal
de status.
 
Somente em 1996 foi
lançado o documento
instituindo a Política
Nacional de Turismo, mas
alguns programas de
desenvolvimento já
haviam sido criados em
1994, como o PNMT
(Programa Nacional de
Municipalização do
Turismo), visando tanto
descentralizar o
desenvolvimento da
atividade quanto
identificar os municípios
brasileiros com potencial
turístico.
A família imperial brasileira. 
Atenção
O Brasil continuou atraindo um grande fluxo internacional, em especial da Argentina, da Alemanha, da
Itália, da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos, sendo o Rio de Janeiro o principal portão de
entrada de turistas. Os brasileiros, por sua vez, passaram também a viajar mais, tanto para o exterior,
favorecidos pela estabilização do real, quanto para dentro do país. 
As modalidades de turismo e suas características
Segundo o Ministério do turismo são as seguintes as modalidades de turismo:
Turismo Cultural/Histórico
Se caracteriza por uma permanência prolongada e um contato mais íntimo com a comunidade,
ocorrendo viagens menores e suplementares dentro da mesma localidade com o intuito de
aprofundar-se na experiência cultural. Este segmento turístico cujos programas são voltados aos
participantes interessados em entrar em contato com o novo. 
Possui como atividades a dança, a música, as festas culturais, o folclore, a culinária, pesquisa,
expedições, exposições, pesquisa de campo etc. É importante desmistificar este segmento, pois este
muitas vezes é percebido de forma superficial designado com uma atividade de simples contato com
a cultura do outro. 
É certo que a visita a uma localidade produz um contato cultural, entretanto este se dá geralmente de
forma superficial e despreparada. Fundamental para a existência do Turismo Cultural, não é a visita a
instituições culturais tais como museus e teatros e sim o esforço apontado por Andrade de conhecer,
pesquisar e analisar os dados.
Turismo ecológico
É um segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural,
incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalistaatravés da
interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas. 
Também chamado de ecoturismo é o segmento turístico que proporcionalmente mais cresce no
mundo, enquanto o turismo convencional cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo está crescendo entre 15 a
25% por ano. A Organização Mundial de Turismo (OMT) estima que 10% dos turistas em todo o mundo
tenham como demanda o turismo ecológico. O faturamento anual do ecoturismo, a nível mundial, é
estimado em US$ 260 bilhões, do qual o Brasil se apropriaria com cerca de US$ 70 milhões. Embora o
trânsito de pessoas e veículos possa ser agressivo ao estado natural desses ecossistemas, os
defensores de sua prática argumentam que, complementarmente, o ecoturismo contribui para a
preservação dos mesmos, é um dos principais meios de educação ambiental e permite a integração e
desenvolvimento econômico das comunidades locais em áreas de preservação ambiental.
Turismo de sol e praia
Constitui-se nas atividades turísticas relacionadas à recreação, entretenimento ou descanso em
praias, em função da presença conjunta de água, sol e calor. No Brasil, o turismo de praia surge no Rio
de Janeiro, na faixa de Copacabana, e depois se expande para o Sul e Sudeste e, posteriormente,
para todo o litoral brasileiro. Atualmente o Nordeste destaca-se como principal destino de Turismo de
Sol e Praia do País, principalmente por suas característi cas climáticas de sol e calor o ano todo.
Turismo de aventura
É um segmento de mercado do sector turístico que compreende o movimento de turistas cujo atrativo
principal é a prática de atividades de aventura de carácter recreativo. Podendo ocorrer em qualquer
espaço: natural, construído, rural, urbano, estabelecido como área protegida ou não. 
As atividades relacionadas são: rafting, rapel, mountain bike, mergulho autônomo, mergulho de
apneia, trekking, arvorismo, exploração de cavernas entre outras atividades. Primeiramente entendido
como uma atividade ou subproduto do Ecoturismo, o segmento de turismo de aventura, atualmente,
possui características e consistência de mercado próprias e, consequentemente, uma nova
oportunidade de ofertas e possibilidades devido ao crescimento que vem adquirindo. 
O conceito estabelecido de turismo de aventura fundamenta-se em aspectos que se referem à
atividade turística e ao território em relação à motivação do turista, que pressupõem o respeito nas
relações institucionais, de mercado, entre os praticantes e com o ambiente. Nesse contexto, define-
se que "Turismo de Aventura compreende os movimentos turísticos decorrentes da prática de
atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo".
Turismo de negócios e eventos
É entendido como o deslocamento de pessoas com interesse em participar de eventos focados em
negociações, no enriquecimento técnico, cientifico ou profissional, cultural incluindo ainda o consumo
e entretenimento O turista deste segmento caracteriza-se pela sua efetiva presença como
participante de encontros de negócios e ouvinte ou palestrante em congressos, convenções,
assembleias, simpósios, seminários, reuniões, ciclos, sínodos, concílios, feiras, festivais, encontros
culturais entre outras tipologias de evento.
Turismo rural
É uma modalidade do turismo que tem por objetivo permitir a todos um contato mais direto e genuíno
com a natureza, a agricultura e as tradições locais, através da hospitalidade privada em ambiente
rural e familiar. Essa modalidade de turismo além do comprometimento com as atividades
agropecuárias, caracteriza-se pela valorização do patrimônio cultural e natural como elementos da
oferta turística no meio rural. Assim, os empreendedores, na definição de seus produtos de Turismo
Rural, devem contemplar com a maior autenticidade possível os fatores culturais, por meio do resgate
das manifestações e práticas regionais (como o folclore, os trabalhos manuais, os “causos”, a
gastronomia), e primar pela conservação do ambiente natural.
Turismo de estudos e intercâmbio
É um segmento turístico de abrangência muito ampla, que engloba as mais diversas modalidades
turísticas. Por se tratar de um segmento de origem muito antiga, está presente em praticamente
todos os países do mundo e, como ocorre independentemente de características geográficas ou
climáticas específicas, pode ser oferecido durante todo o ano. Essa movimentação turística é gerada
por atividades e programas de aprendizagem e vivência. Eles englobam a realização de cursos e
trocas de experiências com finalidade educacional (formal ou informal). O movimento turístico gerado
pela vivência consiste no deslocamento do turista motivado pela busca de conhecimento e
entendimento sobre os aspectos culturais e sociais de uma localidade, adquiridos por meio de
experiências.
Turismo de pesca
Se refere ao deslocamento de turistas com interesse na pesca amadora cuja consciência ecológica
dos pescadores prevalece como forma de preservar os recursos naturais. O turismo de pesca vem
sendo importante no cenário do turismo nacional (Brasil), pois além de movimentar a economia, tem
trazido benefícios como o estímulo à pesca esportiva (pesque e solte) e a conscientização dos
pescadores amadores.
Turismo de saúde
Constitui-se nas atividades turísticas decorrentes da utilização de meios e serviços para fins médicos,
terapêuticos e estéticos. Pode ser também ser definido como o conjunto de atividades turísticas que
as pessoas exercem na procura de meios de manutenção de seu físico e de seu psiquismo.
Turismo náutico
Caracteriza-se pela utilização de embarcações como barcos e/ou navios para a movimentação de
passageiros, com fins meramente turísticos.
Apesar de possuir um litoral de 7.367 quilômetros de extensão, 35.000 quilômetros de vias internas
navegáveis, 9.260 quilômetros de margens de reservatórios de água doce, como hidroelétricas, lagos
e lagoas, além do clima ameno, o Brasil ainda não aproveita seu grande potencial para o Turismo
Náutico.
Turismo social 
É a forma de conduzir e praticar a atividade turística promovendo a igualdade de oportunidades,
facilitando o acesso a viagens de pessoas de baixa renda. No Brasil muito praticado por entidades
como o SESC.
Turismo urbano
É uma forma de fazer turismo onde o elemento a ser visitado é o grande centro no qual o turista vai
encontrar construções históricas, museus, restaurantes, shows etc.
Essas modalidades são somadas a outras, pois na atualidade, um processo contínuo de segmentação
da demanda turística determinou a aparição de grupos (nichos) de usuários e serviços turísticos
reunidos de acordo com as suas características, preferências, nacionalidades, nível cultural e
experiência pelo viajar.
São exemplos: turismo Arqueológico, Étnico, GLT, Ecoturismo, da Juventude, Automobilístico, Terceira
Idade, futebolístico, gastronômico, industrial, paisagístico e de excentricidades.
Segundo Madia “quanto mais globais somos, mais individuais e específicos nos revelam nossos
comportamentos de compra,” Procure descobrir o que são alguns deles, onde são praticados e que
grupo de pessoas os praticam.
2. O turismo transformando o espaço
Um olhar crítico
Há muitos desafios no mundo moderno. Esses desafios estão ligados às transformações aceleradas que hoje
vivemos em nosso cotidiano. O capitalismo e o seu produto – a globalização – destrói barreiras, ultrapassa
obstáculos e transforma tudo em mercadoria. O espaço não fica fora disso. 
Hoje vemos o avanço da comercialização sobre as áreas mais remotas do planeta. Muitas vezes,
esse avanço se dá em lugares inóspitos, que com o uso da tecnologia são transformados em
produtos de consumo.
Cada vez mais o espaço é produzido por novos setores da vida econômica, como o turismo, e desse modo
praias, montanhas e campos entram no circuito da troca como áreas de lazer para quem pode fazer uso delas.
 
A sociedade de consumo se encarrega de criar desejos em todos.
O lazer, que antes era uma atividade espontânea, em geral simples,
hoje se transformou numa obrigação, para a qual convergeminfinitas
ofertas. Essa multiplicidade de opções mostradas em folhetos, filmes,
programas de turismo transformam o ser humano em um ser inseguro,
com dificuldade de decisão e que em consequência, precisa usar todos
os apoios (guias, excursão, hotéis reservados, city tour etc.) que o
sistema da mercadoria oferece.
A turisficação
A turistificação dos lugares pelo capitalismo cria um fenômeno chamado de estranhamento. Esse conceito
usado pelo literato russo Chklovski seria:
[...] o efeito criado pela obra de arte literária para nos distanciar (ou estranhar) em relação ao modo
comum como apreendemos o mundo e a própria arte, o que nos permitiria entrar numa dimensão nova,
só visível pelo olhar estético ou artístico.
Quando o transpomos para a questão do turismo, o estranhamento diz respeito ao sentimento das pessoas
que vivem nos lugares transformados pela indústria do entretenimento pois esta o modifica a tal ponto, que
muitas vezes fica irreconhecível para aquele que lá nasceu, deixando-o sem raízes.
 
Segundo Ana Fani Alessandri Carlos no artigo O turismo e a produção do não-lugar no livro Turismo Espaço e
Paisagem, Editora Hicitec:
A indústria do turismo transforma tudo o que toca em artificial, cria um mundo fictício e mistificado do
lazer, ilusório, onde o espaço se transforma em cenário para o espetáculo no qual uma multidão amorfa,
passiva é manipulada desfrutando a própria alienação.
O turismo e o espaço natural
A Declaração de Manila da WTO (World Trade Organization), adotada em 1980, enfatiza a importância dos
recursos naturais e culturais no desenvolvimento do turismo, e a necessidade de se conservarem os recursos
para o benefício tanto do turismo, quanto dos residentes da área turística. A Declaração em conjunto da WTO
e do Programa de Desenvolvimento da Nações Unidas, que em 1992 formalizou a coordenação entre agências
sobre o turismo e o desenvolvimento constata:
A proteção, a otimização e as melhorias dos diversos componentes do meio ambiente estão entre as
condições fundamentais para o desenvolvimento harmonioso do turismo. Da mesma forma, o
gerenciamento racional do turismo pode contribuir em grande parte para a promoção do
desenvolvimento do meio ambiente físico e da herança cultural, bem como para a melhoria da qualidade
de vida. (...)
Declaração em conjunto da WTO e do Programa de Desenvolvimento da Nações Unidas. 
A base do desenvolvimento do turismo repousa sobre a existência de certos elementos e manifestações de
origem natural e cultural que despertam o interesse nato do ser humano pelo seu conhecimento e desfrute.
 
O turismo como atividade econômica utiliza recursos - que são a sua matéria prima – de forma diferenciada
dos demais processos produtivos, pois os consome no seu próprio lugar de origem e de forma normalmente
intangível, não havendo, em princípio o esgotamento, mas sim a permanência dos recursos enquanto
mercado.
 
A OMT (Organização Mundial de Turismo) define recursos turísticos como “todos os bens e serviços que, por
intermédio da atividade humana e dos meios à sua disposição, tornam possível a atividade turística e
satisfazem as necessidades da demanda”.
A natureza como recurso turístico
A natureza inclui-se como um dos recursos turísticos. São de interesse dos turistas os morros, montanhas,
serras, encosta, cavernas, grutas, cachoeiras, lagos, lagoas, zonas costeiras (praias), rios, florestas, savanas,
estepes, fauna selvagem etc. O uso de todos esses elementos pelo turismo, se não for feito de modo correto,
pode ocasionar impactos negativos. Alguns exemplos:
Sobre o ar
Pelos deslocamentos com os veículos automotores, a combustão e a liberação de gases resultantes
(tóxicos) afetando a atmosfera.
Sobre as formações rochosas, recursos minerais e fósseis
Em geral usados como matérias primas para produtos artesanais, retiradas de amostras sem critério;
uso de ambientes frágeis como cavernas e sítios arqueológicos gerando a decomposição.
Sobre os solos e a vegetação
Abertura de trilhas para caminhada (pisoteio) ou de estradas para a passagem de veículos ou a
implantação de equipamentos turísticos gerando a perda da fertilidade dos solos e a retirada da
vegetação.
Sobre a água e recursos hídricos
Diretamente através do uso recreativo desses recursos em atividades náuticas e esportivas com a
contaminação e muitas vezes morte da fauna aquática e indiretamente pelo assoreamento e poluição
do entorno dessas áreas.
Sobre a fauna a caça a pesca
Com o consumo descontrolado de iguarias exóticas podem reduzir ou extinguir espécies.
Sobre a paisagem
Pelo conjunto das alterações citadas anteriormente pois, a paisagem é a expressão espacial e visual
do meio ambiente.
Esses impactos podem ser mensurados em relação à capacidade de carga dos ambientes. Capacidade de
carga turística representa um princípio, um marco conceitual de referência, permeando o conjunto de métodos
e procedimentos criados para enfrentar os impactos negativos da atividade. Esse conceito pode ser
entendido como: a quantidade máxima de visitantes que uma área suporta ou a identificação dos limites para
a atividade turística em um espaço.
 
Existem métodos para o cálculo da capacidade de carga dos lugares: 
 
Método da Fundação Neotrópica da Costa Rica; 
 
Limite Aceitável de Alteração (LAA) dos Estados Unidos; 
 
Método de Manejo do Impacto de Visitantes; 
 
Experiência de Visitantes e Proteção de Recursos (EVPR) etc.
É preciso que se busque conciliar a necessidade de crescimento com a diminuição dos impactos
negativos que o turismo pode causar, quando feito sem planejamento.
Todo o dinheiro que o turista deixa na região deve reverter-se em benefício da comunidade, deve servir para
melhorar a qualidade de vida das pessoas da região, dar-lhes ânimo. Se o ambiente for preservado por tempo
indeterminado, os atrativos turísticos irão representar desenvolvimento para a região, porque a circulação de
divisas trazidas pelos turistas passa a ser revertida em progresso e, como consequência, há desenvolvimento
social e econômico para todos.
 
Confira o pensamento de Italo Calvino:
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• 
• 
• 
Quem somos nós, quem é cada um de nós, senão uma combinatória de experiências, de informações, de
leituras, de imaginações?
Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos,
onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis. 
Esse dizer de Ítalo Calvino, nos remete à importância do acervo cultural que cada indivíduo constrói durante a
sua vida, que faz parte da sua identidade e o ajuda a ler o mundo. Todo esse acervo é partilhado na
comunidade em que se vive.
3. A sustentabilidade e o turismo
Turismo sustentável
A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as
necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as das próximas gerações. É o
desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações
Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a
conservação ambiental.
 
Em 1983 foi criada pela Assembleia Geral da ONU, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento – CMMAD, que foi presidida por Gro Harlem Brundtland, à época primeira-ministra da
Noruega, com a incumbência de reexaminar as questões críticas do meio ambiente e de desenvolvimento,
com o objetivo de elaborar uma nova compreensão do problema, além de propostas de abordagem realistas. 
Essa Comissão deveria propor novas normas de cooperação
internacional que pudessem orientar políticas e ações internacionais de
modo a promover as mudanças que se faziam necessárias (WCED,
1987, p.4). No trabalho surgido dessa Comissão, apareceu pela primeira
vez de forma clara, o conceito de Desenvolvimento Sustentável,
embora ele já estivesse em gestação, com outros nomes, desde a
década anterior.
O relatório Nosso Futuro Comum,lançado em 1987 (também conhecido como Relatório Brundtland), veio
atentar para a necessidade de um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o progresso em todo o
planeta e, no longo prazo, ser alcançado pelos países em desenvolvimento e também pelos desenvolvidos.
Nele, apontou-se a pobreza como uma das principais causas e efeitos dos problemas ambientais do mundo. 
 
O relatório criticou o modelo adotado pelos países desenvolvidos, por ser insustentável e impossível de ser
copiado pelos países em desenvolvimento, sob pena de se esgotarem rapidamente os recursos naturais.
Cunhou, desta forma, o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, "o atendimento das necessidades
do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias
necessidades" (WCED, 1991).
Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e do reconhecimento
de que os recursos naturais são finitos. Esse conceito representou a proposta de uma nova forma de
desenvolvimento econômico, que leva em conta, com seriedade, o meio ambiente. 
Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo
crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao
esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.
 
O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de
matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.
Comentário
Uma pergunta que sempre se faz é se os modelos de desenvolvimento dos países industrializados
devem ser seguidos? O desenvolvimento econômico é vital para os países mais pobres, mas o caminho
a seguir não pode ser o mesmo adotado pelos países industrializados. Mesmo porque não seria possível.
Caso as sociedades do Hemisfério Sul copiassem os padrões das sociedades do Norte, a quantidade de
combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria 10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes. 
Ao invés de aumentar os níveis de consumo dos países em desenvolvimento, é preciso reduzir os níveis
observados nos países industrializados. Os crescimentos econômico e populacional das últimas décadas têm
sido marcados por disparidades. Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da
população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75%
dos metais e 85% da produção da madeira mundial. Esse quadro precisa ser alterado.
 
Para se colocar todo esse projeto em prática, uma teia de relações é criada, na qual além dos aspectos
naturais e econômicos, os socioculturais e os político-administrativos também devem ser considerados.
Transferindo essa questão para o turismo, o desenvolvimento
sustentável parte do pressuposto de que os benefícios devem
favorecer a todos os envolvidos no processo. Não se pode entendê-lo
somente do ponto de vista do crescimento, compreendido de maneira
quantitativa e centrado em variáveis estritamente econômicas. Daí a
ênfase no conceito de desenvolvimento na escala humana, ou seja,
tomando as pessoas como coluna vertebral do desenvolvimento.
Tipos de sustentabilidade
Confira, a seguir, os tipos de sustentabilidade. 
Sustentabilidade ambiental
Assegura a compatibilidade do desenvolvimento com a manutenção dos processos ecológicos
essenciais à diversidade dos recursos. Para que haja a compreensão da relação entre meio ambiente
e turismo é necessário estimular, tanto no turista como na comunidade receptora, a capacidade de
perceber o ambiente que os cerca. A compreensão do meio ambiente pode levar a ações
transformadoras, mas para que isso ocorra é necessário participar de forma ativa e não somente
observar passivamente. Tratar os temas ambientais de forma abstrata e citando normas, como se
existissem fora do tempo e do espaço, sem nenhuma conexão com o cotidiano, não contribui para a
melhoria da qualidade de vida de uma comunidade nem para a qualidade do produto turístico.
Sustentabilidade sociocultural
Assegura que o desenvolvimento aumente o controle das pessoas sobre suas vidas, preserve a
cultura e os valores morais da população e fortaleça a identidade da comunidade. Tem por objetivo
construir uma civilização mais igualitária, ou seja, com mais equidade na distribuição de renda e de
bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres.
Evidencia-se que essa dimensão da sustentabilidade é particularmente importante para o
desenvolvimento do turismo regional e só será alcançada se, ao longo do processo, for valorizado o
patrimônio cultural e histórico, preservados os costumes locais e incentivado o resgate das tradições
e da cultura popular, incluindo manifestações artísticas, como a música, o folclore, as danças, o teatro
e o artesanato, entre outras. 
Assim, pode-se afirmar que sustentabilidade sociocultural implica o reconhecimento da contínua
necessidade de mecanismos de mediação entre as partes interessadas no desenvolvimento da
comunidade, da sociedade, tanto com relação aos diferentes grupos de interesses internos, quanto
com relação aos grupos de interesse externos.
Sustentabilidade econômica
Assegura que o desenvolvimento seja economicamente eficaz, garanta a equidade na distribuição
dos benefícios advindos desse desenvolvimento e gere os recursos de modo que possam suportar as
necessidades das gerações futuras. Com a atividade turística sabemos que esta possui
características que a torna única dentre as atividades econômicas de um país, especialmente
naqueles em vias de desenvolvimento como o Brasil, por isso essa sustentabilidade deve abarcar os
seguintes fatores: apesar de comportar o funcionamento de um grande número de pequenos
negócios que necessitam de um grande número de mão de obra.; em suas ocupações há espaço
pessoas das classes com baixa escolaridade como empregados em hotéis, restaurantes, bares e
áreas de diversão, meios de transporte etc.; em momento onde o desemprego apresenta números
muito significativos a atividade turística surge com uma grande vantagem comparativa ao gerar
empregos a um custo menor, se comparado a outros setores econômicos.
Sustentabilidade político-institucional
Para entendermos a importância da sustentabilidade político-institucional, é preciso que se
compreenda que por trás de qualquer iniciativa política existem pessoas, cujos compromissos e
visões de mundo podem ou não estar de acordo com os princípios da sustentabilidade. Nesse
sentido, um dos instrumentos gerenciais mais utilizados para estimular a sustentabilidade político-
institucional é a política da instituição que promove ou realiza alguma ação.
A política da instituição rege seus regulamentos, seu compromisso social e até orienta o
comportamento que ela espera dos seus integrantes, diante da sociedade e entre eles mesmos. É um
dos instrumentos mais tradicional e utilizado por qualquer organização pública ou privada. Os partidos
políticos, por exemplo, têm políticas internas que regem a ideologia e o comportamento ético de seus
membros.
Grandes instituições privadas definem, cada vez mais, suas políticas institucionais para orientar em
linhas genéricas a postura ética dos seus funcionários que trabalham em escritórios virtuais ao redor
do mundo, assim como seus objetivos de mercado e missão. Para que a política da instituição
estimule a sustentabilidade, basta que ela seja regida, aprovada e publicada dentro e fora da
instituição. Assim, ela se compromete frente à sociedade com fundamentos éticos e políticos.
Quando uma instituição de turismo redige e aprova sua política, com a participação de todos os seus
associados, esse documento se torna um parâmetro para as futuras decisões políticas da instituição.
Recomenda-se que as instituições de turismo se comprometam com a sustentabilidade político-
institucional das suas operações, agregando a elas esse compromisso social.
A sustentabilidade econômica e político institucional –
Estudo de caso
Oestudo de caso que será apresentado a seguir Meio ambiente e turismo na Ilha do Mel, PR: enfoque sobre a
legislação aplicada, realizado por Matias Poli Sperb, Leandro Fontoura, Daniel Hauer e Queiroz Telles procura
responder às seguintes perguntas:
 
Qual é a legislação incidente na Ilha do Mel voltada a sustentabilidade do turismo local e a preservação
ambiental?
 
Qual é a perspectiva de gestores privados e públicos sobre a legislação voltada a sustentabilidade do
turismo local e a preservação ambiental?
 
A seguir, leia-o com atenção e reflita sobre os itens da sustentabilidade econômica e político administrativa
estudadas por você.
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Meio ambiente e turismo na Ilha do Mel, PR: enfoque sobre a legislação aplicada 
A Ilha do Mel está situada no Litoral Norte do Estado do Paraná, entre Pontal do Paraná e a Ilha das
Peças, subdividindo a barra da Baía de Paranaguá em dois setores, representados pelos canais Norte
e da Galheta. Com superfície aproximada de 2710 hectares (FIGUEIREDO, 1954), esta Ilha localiza-se
na desembocadura da baía de Paranaguá, na latitude de 25° 30’S e na longitude de 48° 20’W
(GIANNINI et al., 2004).
De todo o território desta Ilha, cerca de 95% pertence a áreas de preservação ambiental compostas
por ecossistemas de Restinga e Floresta Atlântica. Compõem as áreas de preservação da Ilha do Mel
uma Estação Ecológica e um Parque Estadual.
A Estação Ecológica da Ilha do Mel foi criada em 1982, pelo governo do Paraná, numa área de 2241
hectares com Ecossistemas Costeiros, apresentando mangues e restinga associado com floresta
atlântica (Bioma de Floresta Atlântica). Já o Parque Estadual da Ilha do Mel é mais recente, tendo sido
criado em 2002. É um dos 45 parques existentes na Região Sul do país. Também abriga o bioma de
Floresta Atlântica numa área de 337,84 hectares.
Além das belezas cênicas que caracterizam a paisagem natural da Ilha do Mel, cita-se a presença de
elementos históricos importantes com destaque para a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres datada
de 1779 (Morro da Baleia) e o Farol das Conchas (Morro do Farol).
Quanto à ocupação física e econômica, na Ilha do Mel existem quatro localidades
distintas e relevantes no sentido norte-sul: Fortaleza; Nova Brasília; Farol e Prainha
(Encantadas). Além destas, também existem as áreas de Praia Grande e a Ponta Oeste, que possuem
menos representatividade econômica e habitacional.
Conforme Kraemer (1978, p.83), até a década de 1970, predominava na Ilha uma ocupação de baixa
densidade, com construções simples, destinadas à moradia dos pescadores locais. No entanto, “nas
décadas que se seguiram, estas peculiaridades da Ilha se modificaram para sempre”. Com relação à
ocupação populacional, em 2002 a população fixa atingia 906 habitantes, tendo havido aumento de
pouco mais de 35% desde 1970. Já com relação ao número de edificações a Ilha recebeu aumento
bem maior, pois em 2004 havia 758 edificações, um número quinze vezes maior do que havia em
1970, representando aumento de 531% em novas edificações neste período.
Portanto a realidade de ocupação da Ilha do Mel colocado por Kraemer (1978) sobre 1970 muda
radicalmente, visto que o desenvolvimento do turismo teve grande influência nas alterações ocorridas
na forma de ocupação das vilas e localidades da Ilha do Mel. Segundo Esteves (2004), devido ao
aumento da procura turística, houve “intenso partilhamento de lotes e ritmo acelerado de
construções” para atender esta demanda.
Com relação à atuação do setor público no local, a Ilha do Mel está vinculada aos poderes de
gerenciamento do governo estadual desde 1982.
Atualmente, o principal órgão público responsável pela gestão pública da Ilha do Mel é o Instituto
Ambiental do Paraná (IAP), destacando-se como responsabilidade deste órgão, além dos aspectos
normativo e deliberativo, fiscalizar todas e quaisquer ações que venham a causar potencial dano
ambiental no local, tais como: construções, controle dos limites das áreas de reserva, extração de
recursos naturais, serviços públicos de saneamento, dentre outras, assim como desenvolver e
executar a Educação Ambiental voltada à comunidade local e aos turistas.
A gestão municipal está aos cuidados do município de Paranaguá, no que diz respeito aos serviços
públicos de saúde, educação fundamental e saneamento. Com relação ao saneamento, no que diz
respeito à gestão do fornecimento de água e do suposto tratamento de esgoto, a CAGEPAR
(Companhia de Água e Esgoto de Paranaguá) é o órgão executivo responsável.
Questões para estudo
Questões para estudo e análise do caso sobre a sustentabilidade econômica e político administrativa da Ilha
do Mel:
 
Localizar com um mapa a Ilha do Mel escrevendo sobre as suas características.
 
Identificar a divisão administrativa da Ilha analisando o seu crescimento.
 
Destacar pontos importantes do desenvolvimento do turismo na Ilha a partir de uma linha de tempo.
 
Identificar as causas da redução do turismo na Ilha.
 
Caracterizar a apropriação pelos gestores de turismo do arcabouço legal da Ilha do Mel.
 
Levante as questões polêmicas referentes ao tipo de sustentabilidade analisada.
 
Analise a conclusão dos autores.
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4. Conclusão
Considerações finais
Este conteúdo foi estruturado em três partes que abordam aspectos essenciais do turismo, suas
transformações históricas, impactos e a relação com a sustentabilidade. Inicialmente, exploramos os
conceitos básicos do turismo e suas principais características, contextualizando seu desenvolvimento
histórico e as diferentes modalidades presentes no Plano Nacional de Turismo do Brasil. Essa abordagem
proporcionou uma visão ampla da diversidade e da evolução dessa atividade no cenário atual.
 
Na sequência, aprofundamos a análise sobre a mercantilização dos espaços turísticos, evidenciando a criação
de ambientes artificiais, como exemplificado por Dubai, e destacando a importância de projetos que valorizem
as potencialidades locais. Ressaltamos a necessidade do uso responsável dos recursos naturais — como
morros, serras, cachoeiras, rios e áreas costeiras — para minimizar impactos ambientais e culturais negativos.
Apresentamos ainda práticas turísticas que promovem a preservação desses ambientes, reforçando a
urgência de uma atuação sustentável e consciente.
 
Por fim, discutimos o conceito de sustentabilidade, sua origem e sua relevância para o turismo, enfatizando a
integração entre as dimensões ambiental e cultural. Exemplos práticos, como os casos do turismo em Bonito
(MS) e na Ilha do Mel, ilustraram as formas de sustentabilidade econômica e político-administrativa no setor,
ampliando a compreensão crítica e aplicada do tema.
 
Assim, o conteúdo oferece uma visão integrada do turismo, destacando sua trajetória, os desafios
socioambientais e a necessidade imperativa de práticas sustentáveis para assegurar o equilíbrio entre
desenvolvimento e preservação dos espaços turísticos.
Explore+
Quer mergulhar ainda mais nos temas discutidos? Aqui vão algumas sugestões imperdíveis para ampliar seu
conhecimento sobre o turismo, seus impactos e possibilidades!
 
Comece assistindo ao vídeo “Record Rural - Turismo rural movimenta economia do Estado”, do canal Vídeos
MS Record, que mostra como o turismo rural tem impulsionado a economia local, valorizando a vida no campo
e as tradições regionais. 
 
Em seguida, confira “Alerj Debates - Dep. João Pedro e Daniel Plá - Turismo em Favelas”, no canal Fabrizio
Cerqueira, um conteúdo que discute os desafios e as oportunidades do turismo em comunidades, com foco
na inclusão social e valorização da cultura local. 
 
Para quem curte paisagens e histórias que inspiram, o vídeo “Itacaré - TV Povos do Mar - Programa 1 - Parte
1”, do canal turmapontocom, é uma ótima pedida — e não esqueça de assistir também às partes 2 e 3
disponíveis no mesmo canal.
 
E se você é fã de leitura, duas obras vão enriquecer ainda mais sua jornada. O livro Ecoturismo no Brasil,
organizado por Rita Mendonça e Neiman Zeysman, na Parte 1(p. 17–40), apresenta como a natureza e a
cultura do país são matérias-primas fundamentais para práticas sustentáveis de turismo. Já em A diversidade
cultural como prática da educação, de Fátima Freiras, o capítulo “A cultura como forma de ver o mundo, viver a
vida e olhar o ‘outro’” (p. 19–36) propõe uma reflexão profunda sobre o papel da cultura na construção de uma
sociedade mais empática e respeitosa.
Referências
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Contexto, 1989.
 
BARRETO, Margarida. Turismo e legado cultural. São Paulo: Papirus, 2000.
 
BENI, Mário Carlos. Globalização do turismo: megatendências do setor e a realidade brasileira. 2ª ed. São
Paulo: Aleph, 2004.
 
CLAVALL, Paul. A geografia cultural. Santa Catarina: UFSC, 1999.
 
CRUZ, Rita de Cássia Acesa. Introdução à geografia do turismo. São Paulo: Roca, 2001.
 
FURLAN, Sueli; SCARLATO, Francisco. Geografia em verso e reverso. São Paulo: Editora Nacional, 1998.
 
MARTINELLI, Marcello. Curso de cartografia temática. São Paulo: Contexto, 1991.
 
MORAES, Antônio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 1ª ed. São Paulo: Annablume, 2003.
 
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SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Hucitec, 1987.
 
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---. Técnica espaço tempo: globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo: Hucitec, 1994.
 
---. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
 
SERRANO, Célia (org.). Viagens à natureza: turismo, cultura e ambiente. São Paulo: Papirus, 2000.
 
TELES, Reinaldo. Fundamentos geográficos do turismo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
 
YÁZIGI, Eduardo et al. Turismo, paisagem e cultura. São Paulo: Hucitec, 1996.
	Tipologias e Impactos do Turismo
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Fazer turismo... mas que turismo?
	Panorama geral do turismo
	Conceito de turismo
	Comentário
	O turismo no mundo
	Primeira linha de pensamento
	Segunda linha de pensamento
	Grécia Antiga — A valorização do ócio e os jogos olímpicos
	Império Romano — Lazer, termas e vias de tráfego
	Idade Moderna — Peregrinações e surgimento dos hotéis
	O Grand Tour e o nascimento do termo Turismo
	O ressurgimento das termas e os banhos terapêuticos
	A Revolução Industrial e a expansão dos transportes
	O turismo globalizado
	Conglomerados, natureza e novos destinos
	O turismo no Brasil
	Atenção
	As modalidades de turismo e suas características
	Turismo Cultural/Histórico
	Turismo ecológico
	Turismo de sol e praia
	Turismo de aventura
	Turismo de negócios e eventos
	Turismo rural
	Turismo de estudos e intercâmbio
	Turismo de pesca
	Turismo de saúde
	Turismo náutico
	Turismo social
	Turismo urbano
	2. O turismo transformando o espaço
	Um olhar crítico
	A turisficação
	O turismo e o espaço natural
	A natureza como recurso turístico
	Sobre o ar
	Sobre as formações rochosas, recursos minerais e fósseis
	Sobre os solos e a vegetação
	Sobre a água e recursos hídricos
	Sobre a fauna a caça a pesca
	Sobre a paisagem
	3. A sustentabilidade e o turismo
	Turismo sustentável
	Comentário
	Tipos de sustentabilidade
	Sustentabilidade ambiental
	Sustentabilidade sociocultural
	Sustentabilidade econômica
	Sustentabilidade político-institucional
	A sustentabilidade econômica e político institucional – Estudo de caso
	Meio ambiente e turismo na Ilha do Mel, PR: enfoque sobre a legislação aplicada
	Questões para estudo
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore+
	Referências

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