Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI ATIVIDADES E RECURSOS TERAPÊUTICOS: REPERTÓRIO DE ATIVIDADESCENTRO UNIVERSITÁRIO AULA 04 CIÊNCIA FAVENI DA OCUPAÇÃO Abertura Prezado(a) aluno(a), Ao se aprofundar na relação entre a Ciência da Ocupação e a Terapia Ocupacional, você compreenderá como essa interconexão influencia a prática profissional. A Ciência da Ocupação é um campo interdisciplinar que analisa a ocupação humana em suas diversas formas, funções e significados, influenciando a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida. Ela se desenvolveu a partir da Terapia Ocupacional, mas expandiu-se para abranger uma ampla gama de disciplinas, como sociologia, psicologia e antropologia. Essa ciência oferece uma base teórica para a Terapia Ocupacional, ajudando a compreender como as ocupações cotidianas afetam a vida das pessoas. A importância desse estudo no curso de Terapia Ocupacional reside na capacidade de aprofundar a compreensão das ocupações como um elemento central, na prática profissional. Ao compreender melhor a Ciência da Ocupação, você poderá desenvolver intervenções mais eficazes e baseadas em evidências, que considerem os contextos culturais e sociais em que as pessoas se envolvem em atividades significativas. Isso permite uma abordagem mais holística e personalizada na Terapia Ocupacional, contribuindo para crescimento da profissão e para desenvolvimento de práticas mais inovadoras e adaptadas às necessidades contemporâneas. Bons estudos!4 A CIÊNCIA DA OCUPAÇÃO E TERAPIA OCUPACIONAL Entre os diversos desafios enfrentados pela Terapia Ocupacional atualmente, a produção de conhecimento destaca-se por sua relevância estratégica, não apenas para dar visibilidade às práticas realizadas, mas também por refletir avanços, dificuldades e limites da área. A partir de uma perspectiva dialógica entre Terapia Ocupacional e Ciência da Ocupação, propõe-se uma reflexão que busca afastar-se de visões absolutas sobre essa relação, apresentando a Ciência da Ocupação como uma, entre outras, fonte de conceitos-chave que podem contribuir para o desenvolvimento teórico-prático da Terapia Ocupacional. Produzir conhecimento vai além da publicação de livros, artigos e teses; esses são meios de comunicação de um processo que os precede. A produção de conhecimento surge de uma relação profunda entre sujeitos, processos e realidades, sendo o resultado dessas interações complexas, marcadas pelas histórias e contextos dos envolvidos (MOTA; PRADO; PINA, 2008). No cotidiano de interação com profissionais e áreas de conhecimento relacionadas, a responsabilidade de produzir conhecimento que dialogue com a história da Terapia Ocupacional em um contexto global torna-se cada vez mais relevante, especialmente em um momento em que o isolamento acadêmico em nichos específicos parece estar perdendo força. Os profissionais são constantemente desafiados a revisitar sua trajetória e refletir sobre os desafios, novos e antigos, que lhes são apresentados. Se não for possível oferecer uma resposta definitiva, pelo menos é necessário buscar um ajuste, uma perspectiva que reconheça caminho percorrido, valorize-o e aprenda com ele. Na Terapia Ocupacional, a produção de conhecimento é guiada por diversas epistemologias e abordagens metodológicas, que sustentam a prática profissional e estão inseridas nesse cenário desafiador da atualidade. Em primeiro lugar, porque uma uniformidade nas formas de pensar e exercer as múltiplas práticas da Terapia Ocupacional, que coexistem diariamente em diferentes contextos, talvez nunca seja alcançada. Em segundo lugar, porque a diversidade das práticas mantém-se em constante contato com as realidades e seus desafios, que questionam a teoria e exigem sua constante atualização.Essa discussão, que não é nova, foi alvo de atenção de diversos teóricos da profissão, tanto internacionalmente quanto no contexto brasileiro. No cenário global, Reilly (1962) destacou a necessidade de pesquisas que colocassem as ocupações como eixo central da vida das pessoas, ressaltando a relevância desses estudos para o crescimento da profissão no século XXI. Seguindo essa linha, Yerxa (1966) apontou a importância dessas informações para desenvolvimento de uma Terapia Ocupacional autêntica, fundamentada em uma teoria própria e singular. Sobre essa perspectiva, Nelson (1997) projetou para o século XXI surgimento de uma Terapia Ocupacional coesa, na qual as ocupações funcionariam como um elemento unificador, permitindo um diálogo profissional baseado na compreensão da dimensão ocupacional humana como fator determinante para a saúde, a qualidade de vida e a participação social. No Brasil, terapeutas ocupacionais das décadas de 1980 e 1990 dedicaram-se a construir saberes voltados às especificidades da profissão, em um período marcado pela busca de uma identidade que representasse a diversidade das práticas em diferentes contextos (JORGE, 1990). Na tentativa de estabelecer um núcleo comum, tanto no cenário nacional quanto internacional, tem-se buscado definir limites conceituais no âmbito teórico- prático da profissão, incluindo as definições de ocupação. Etimologicamente, a palavra "ocupação" deriva do latim occupation ou occupation (FRANCISCO, 2001). Segundo Bueno (2007), termo é descrito como: ato de ocupar ou de se apoderar de algo; invasão; manutenção; posse; emprego; ofício; serviço; trabalho. Refere-se à execução de uma ação em tempo e espaço específicos, inseridos em um contexto físico, social, cultural, entre outros. No campo da Terapia Ocupacional, esse significado vai além, abrangendo dimensões que capturam as ações cotidianas das pessoas, com características, propósitos e valores subjetivos e culturais que constituem a existência humana. Estudos no campo da Ciência Ocupacional têm permitido compreender as ocupações como ações humanas que possuem formas, funções e significados, estando imersas em uma relação dinâmica entre indivíduo que realiza a ocupação e contexto complexo em que ela ocorre. Nessa perspectiva, as ocupações são ações rotineiras e familiares que as pessoas realizam diariamente, carregadas de propósitose significados. São experiências subjetivas, únicas e contínuas na vida das pessoas, com relevância cultural e pessoal (CLARK; ZEMKE, 1996). A ideia de que as ocupações podem influenciar a saúde, o bem-estar e a participação social não é nova. Há evidências de que trabalho, exercício, o artesanato e os jogos tiveram seus benefícios reconhecidos e foram utilizados há milênios por gregos, romanos e egípcios. No final do século XIX, surgiram métodos sistematizados de uso das ocupações, como o Tratamento Moral aplicado a pessoas com transtornos mentais (MEDEIROS, 2003). A Terapia Ocupacional, como profissão e campo de conhecimento, emergiu no início do século XX, a partir de diversos movimentos precursores que estabeleciam múltiplas conexões entre o engajamento de pessoas em ocupações, sua saúde, qualidade de vida e participação social (REED, 1998). Naquele período, estudo das ocupações foi um elemento central na consolidação da profissão. A expansão do conhecimento sobre as ocupações como recurso terapêutico e seus impactos no ser humano estava entre princípios e objetivos que, em 1917, levaram à fundação da Sociedade Nacional para a Promoção da Terapia Ocupacional, hoje conhecida como Associação Americana de Terapia Ocupacional (The American Occupational Therapy Association AOTA) (QUIROGA, 1995). Nesse contexto, destaca-se a contribuição de Adolf Meyer (1922), que, a partir da identificação e descrição das ocupações no campo da psiquiatria, propôs uma nova visão sobre as ocupações (livres, agradáveis e prazerosas), capazes de beneficiar tratamento dos pacientes. Meyer (1922) enfatizou a necessidade de desenvolver uma perspectiva sobre as ocupações que influenciasse positivamente os processos de saúde. Dessa forma, desenvolvimento da profissão passou a enfatizar a relação entre as ocupações, a saúde e o cotidiano das pessoas, influenciado por diversos campos do conhecimento. No entanto, essa influência não ocorreu de maneira linear. Diferentes concepções sobre ocupação foram construídas e desconstruídas ao longo do tempo, refletindo os contextos e as demandas sociais e científicas de cada período. Nas primeiras décadas do século XX, a Terapia Ocupacional baseou-se em uma visão do ser humano moldada pelas ocupações que ele realizava em diversos contextos, bem como pelas demandas e exigências sociais que cercavam.Em meados do século XX, terapeutas ocupacionais enfrentaram o desafio de fundamentar teorica e metodologicamente suas práticas profissionais, transitando da prática para a teoria. Posteriormente, buscaram em outros campos do conhecimento a base para estruturar suas ações. Nesse período, surgiram os primeiros modelos teóricos da profissão, sustentados principalmente por teorias e metodologias de outras áreas do saber (ARAÚJO; FOLHA, 2010). A partir da década de 1970, uma variedade de reflexões sobre a Terapia Ocupacional emergiu em resposta às novas demandas dos serviços institucionais, às exigências da sociedade e ao reconhecimento da insuficiência das teorias que a embasavam. Essas inquietações, questionamentos, construções e desdobramentos dentro da profissão levaram à busca por suporte em diversos campos do conhecimento, com o objetivo de estruturar um modo próprio de construir saberes que consolidasse seu espaço no meio científico e nos cenários de atuação profissional. Impulsionados pela incompletude do saber e pelo desejo de estabelecer um conhecimento singular, válido e confiável, que atendesse aos parâmetros científicos da época, os terapeutas ocupacionais desenvolveram formas específicas de pensar ser humano e criaram pontes de diálogo entre si. Essa articulação resultou no surgimento de uma ciência voltada ao estudo da ocupação como fenômeno humano e social a Ciência Ocupacional ou Ciência da Ocupação -, cujo foco principal está nos fazeres que compõem as experiências cotidianas e nas pessoas que realizam essas ações dentro de contextos sociais, históricos e culturais específicos. Evidentemente, como uma disciplina em processo de expansão e consolidação de seus pressupostos, a Ciência da Ocupação não é unânime, assim como não há consenso sobre uma única definição de ocupação. Nesse sentido, a Ciência da Ocupação parece compartilhar o mesmo terreno controverso das tentativas de definir a própria Terapia Ocupacional como profissão e área de conhecimento. Toda definição é, ao mesmo tempo, perigosa e necessária. perigo está na possibilidade de seu alcance ultrapassar a intenção ética de sua elaboração, transformando-se em um axioma cuja autoridade moral reforça seu caráter limitante e simplificador. Ao mesmo tempo, as definições são necessárias para delimitar um campo específico e estabelecer um objeto de estudo ou intervenção, seja na pesquisa ou na prática clínica. essencial é compreender que os conceitos são apenasaproximações e, assim como a ciência contemporânea, representam verdades provisórias, sempre sujeitas a escolhas influenciadas por subjetividades. Portanto, não se busca a unanimidade, mas um diálogo que respeite as singularidades e permita expandir horizontes teóricos, clínicos e, por que não, conceituais. Nesse contexto, é inegável o papel da ocupação como núcleo comum no diálogo entre a Ciência da Ocupação e a Terapia Ocupacional. 4.1 Ciência da Ocupação: Uma perspectiva para a Terapia Ocupacional A Ciência da Ocupação teve origem em 1989, nos Estados Unidos, mais precisamente na Universidade do Sul da Califórnia, no Programa de Pós-Graduação (Doutorado) em Ciência da Ocupação e Terapia Ocupacional. Ela se fundamenta nas bases da Terapia Ocupacional, compartilhando com ela princípios, crenças e epistemologias. Seu foco principal é estudo das ocupações, especialmente no que se refere à relação entre ocupação, saúde, qualidade de vida e participação social das pessoas (CLARK; LAWLER, 2009). Portanto, é um campo do conhecimento que integra diversos saberes teóricos e metodológicos, tanto básicos quanto aplicados, problematizando a complexidade das ocupações humanas. Trata-se de uma ciência cujos conhecimentos não se limitam ao âmbito da Terapia Ocupacional, combinando saberes de áreas como Antropologia, Psicologia, Filosofia, Sociologia, Biologia e Neurociência, entre outras, com o objetivo de analisar a dimensão ocupacional do ser humano. Um dos pressupostos fundamentais da Ciência da Ocupação, ainda presente, é que a ocupação ocorre quando uma ou mais pessoas realizam uma ação específica em um ambiente físico, social, temporal e cultural definido, possuindo, ao mesmo tempo, uma forma, uma função e um significado (CARRASCO; OLIVARES, 2008). Clark, Larson e Wood (2002), destacam que a forma ocupacional envolve identificar que as pessoas fazem e em que contexto isso acontece, relacionando a ação ao tempo, espaço e ambiente em que ela se desenrola. A função (ou sentido) ocupacional refere-se ao propósito da ação, ou seja, porque uma pessoa a realiza. Alguns autores ressaltam que, embora a forma e a função tenham aspectos observáveis, as ocupações também incluem dimensões subjetivas, que não são diretamente perceptíveis. O significado, por sua vez, abrange aspectos perceptuais, simbólicos e afetivos das ocupações (LILLO, 2001).significado ocupacional é descrito por Lillo (2003) como um aspecto simbólico, pois está ligado à representação que cada pessoa atribui à sua ação, dependendo de uma interpretação pessoal que só pode ser expressa por quem a vivencia. Além disso, as ocupações também carregam significados culturais, refletindo contextos em que ocorrem (CLARK; ZEMKE, 1996). Nos últimos anos, diversos estudos têm sido realizados com objetivo de explorar elementos que vão além da análise das experiências individuais. Essas pesquisas concentram-se nos fatores que influenciam e determinam a participação das pessoas em ocupações, destacando tanto os aspectos positivos quanto os negativos associados ao envolvimento ou à privação dessas ações. Além disso, priorizam investigações que revelam compartilhamento dessas experiências e seus impactos na coletividade (GLOVER, 2009). Entre os diversos fatores que influenciam as diferenças humanas, a cultura se destaca por moldar tanto as escolhas ocupacionais quanto os significados atribuídos às ocupações cotidianas. Isso aponta para um horizonte que considera, a partir dos múltiplos cenários de interação social, a coexistência de significados individuais e compartilhados em torno das ocupações. Elementos como estilo de vida, gênero, religião, clima e redes de interação social também influenciam esses significados. Após suas primeiras décadas de existência, a Ciência da Ocupação se expandiu e se consolidou em diversos países, como EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, Suécia, Noruega, Japão e Chile (IMPERATORE; HENNY, 2002). De fato, os contextos sócio-históricos e os ambientes acadêmicos em que a Ciência da Ocupação se desenvolve têm proporcionado a expansão e a disseminação de diferentes formas de produção de conhecimento, ao mesmo tempo que geram tensões na definição dos objetivos e dos caminhos futuros para a disciplina (PIERCE, 2014). Estudos têm evidenciado crescimento e a maturidade da disciplina nos últimos anos, destacando-se aumento no número de artigos teóricos e pesquisas empíricas com abordagens quantitativas, qualitativas e mistas,26 além da ampliação dos temas abordados, que incluem tanto a prática do terapeuta ocupacional quanto questões mais amplas, como a relação com políticas sociais, indicadores desses avanços. Molke, Laliberte Rudman e Polatajko (2004), embora reconheçam que a maioria dos trabalhos ainda esteja concentrada em periódicos de TerapiaOcupacional, ressaltam que pesquisas com objetivos não diretamente vinculados à profissão têm crescido no âmbito da disciplina, contribuindo para sua disseminação. Em alguns países, essa ciência tem ganhado ampla difusão; em outros, seu valor tem sido negligenciado, mal compreendido ou questionado. No Brasil, há poucos registros sobre essa disciplina. Acredita-se que isso esteja relacionado às diferentes trajetórias das pesquisas nacionais, que, baseadas em outros referenciais, seguem caminhos nem sempre alinhados à produção de conhecimento em Ciência da Ocupação no cenário global. As críticas provenientes de diferentes perspectivas sobre a relevância de aproximar a Terapia Ocupacional brasileira dos conceitos da Ciência da Ocupação são reforçadas pela falta de consenso em torno das compreensões sobre o conceito de ocupação, desenvolvidas principalmente em países anglo-saxões (LIMA; OKUMA; PASTORE, 2013). Observa-se, no entanto, que essas críticas geralmente se dirigem a modelos que apresentam conceitos, abordagens e perspectivas centradas em um regionalismo que não condiz com a realidade brasileira. Paralelamente à construção teórica em outros países, estudos nacionais utilizam termos como "atividades humanas" e "fazer humano" ao se referirem às ações cotidianas das pessoas, indicando uma compreensão das atividades como meio e fim da Terapia Ocupacional (CASTRO; LIMA; BRUNELLO, 2001). Nesse contexto, percebe-se que conceitos de ocupação (comumente usados na literatura internacional de Terapia Ocupacional) e de atividade (predominante nas produções brasileiras) são constructos que, independentemente de suas influências epistemológicas e metodológicas, buscam ampliar e aprofundar as discussões sobre os limites e o processo da Terapia Ocupacional. Longe de tentar discutir as semelhanças ou divergências entre termos, a intenção de aproximá-los sugere uma tendência de vê-los como categorias afins, diferenciadas apenas pelo maior ou menor vínculo com uma ou outra linha epistemológica da Ciência da Ocupação. Essa escolha não se trata de uma contaminação ou colonização de um tipo de conhecimento por outro, nem da substituição de uma perspectiva teórico-prática por uma versão importada e aprimorada, que se adapte a um léxico globalizado sobre a profissão. Refere-se, sim, à possibilidade de coexistência de diferentes pontos de vista, cuja aproximação e distanciamento criam um movimento dialógico que permiteo estabelecimento de um espaço potencial para o crescimento e a expansão das fronteiras entre Terapia Ocupacional e Ciência da Ocupação. Existem aspectos que destacam a estreita relação entre a Ciência da Ocupação e a Terapia Ocupacional. São apresentadas as proposições iniciais de uma ciência em expansão, cujo foco de análise e compreensão é o ser humano em sua dimensão ocupacional. Ressalta-se que essas proposições representam apenas uma das múltiplas formas de fundamentar a teoria e a prática da Terapia Ocupacional. Nesse percurso, o diálogo é valorizado constantemente entre a Terapia Ocupacional, a Ciência da Ocupação e outros saberes, pois acredita-se que a diversificação desse diálogo permitirá uma visão ampla sobre os limites, desafios e possibilidades da área, conduzindo o terapeuta ocupacional a novos caminhos, trajetórias incertas, cujo estranhamento estimula a reflexão sobre a jornada. Esse estranhamento pode ser o ponto de partida para uma aproximação saudável entre dimensões profundamente conectadas que nem sempre se reconhecem, mas que possuem um grande potencial quando se permitem transitar entre o desconhecido e o familiar. O exercício proposto não busca uma conciliação de pontos de vista, mas uma atitude de deslocamento, como quem deixa seu território e avança em direção ao espaço do outro para construir um diálogo baseado na alteridade. Somente assim será possível superar as barreiras criadas pela colonização prejudicial do conhecimento e pelo adestramento intelectual que turvam a visão e dificultam a expansão das fronteiras, impedindo a percepção de algo positivo e construtivo além dos limites do horizonte. Portanto, a relação entre a Ciência da Ocupação e a Terapia Ocupacional se consolida como um campo fértil para a construção de saberes que transcendem as fronteiras disciplinares. Ao abrir-se para o diálogo com outras áreas e perspectivas, a Terapia Ocupacional fortalece sua capacidade de compreender e intervir nas complexidades da experiência humana, sem se prender a modelos rígidos ou visões limitadas. Esse movimento de deslocamento e abertura ao desconhecido não apenas enriquece a prática profissional, mas também reforça compromisso ético e social da área, convidando terapeutas ocupacionais a explorar novas possibilidades e a transformar desafios em oportunidades de crescimento e inovação.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, L. S.; FOLHA, C. Ocupación humana y la práctica de los terapeutas ocupacionales en la Amazonia en Pará: Una perspectiva fenomenológica. Revista Chilena de Terapia Ocupacional, V. 10, 99-110, 2010. DOI: 10.5354/0719- 5346.2010.10564. Disponível em: Acesso em: 10 abr. 2025. IMPERATORE, E.; HENNY, E. La filosofía de la terapia ocupacional, ciencia ocupacional e ideología: una propuesta de interrelación. Revista Chilena De Terapia Ocupacional, V. 2, p. 10 16. 2002. Disponível em: Acesso em: 10 abr. 2025. BUENO, S. Minidicionário da língua portuguesa. ed. atualizada. São Paulo: FTD, 2007. CARRASCO, J.; OLIVARES, D. H. Haciendo camino al andar: Construcción y comprensión de la ocupación para la investigación y práctica de la terapia ocupacional. Revista Chilena de Terapia Ocupacional, V. 8, 5-16, 2008. DOI: 10.5354/0719-5346.2008.55. Disponível em: Acesso em: 10 abr. 2025. CASTRO, E. D.; LIMA, M.F.A.; BRUNELLO, M. I. B. Atividades humanas e terapia ocupacional. In: CARLO, M. M.R.P.; BARTALOTTI, C.C. (Ed.). Terapia ocupacional no Brasil. São Paulo: Plexus, 2001. CLARK, F.; LARSON, E. A.; WOOD, W. Ciência ocupacional: Da terapia ocupacional para o século XXI. In: CREPEAU, E. B.; NEISTADT, M. (Ed.). Willard e Spackman: Terapia ocupacional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. CLARK, F.; LAWLOR, M. C. The making and mattering of occupational science. In: CREPEAU, E. B.; COHN, E. S.; SCHELL, B. (Ed.). Willard & Spackman's occupational therapy. ed. Baltimore, MD: Wolters Kluwer/Lippincott Williams & Wilkins. 2009. CLARK, F.; ZEMKE, R. Ciência Ocupacional: A Disciplina em Evolução. Philadelphia: Davis, 1996. FRANCISCO, B. R. Terapia Ocupacional. ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2001, 95 p. GLOVER, J. S. A literatura da ciência ocupacional: um exame sistemático e quantitativo de publicações revisadas por pares de 1996 a 2006. Revista de ciência ocupacional, V. 16, n. 2, 92-103, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14427591.2009.9686648.Acesso em: 10 abr. 2025.JORGE, R. C. O objeto e a especificidade da terapia ocupacional. In: objeto e a especificidade da terapia ocupacional. 1990. p. 95-95. LILLO, S. G. Ocupação e seu significado como fator influente na identidade pessoal. 2003. LILLO, S. G.; CASTRO, L.R. Ocupación: Definición y concepto. Revista Chilena de Terapia Ocupacional, V. 1, 5-7, 2001. LIMA, E. M. F.A.; OKUMA, D. G.; PASTORE, M. N. P. Atividade, ação, fazer ocupação: A discussão dos termos na terapia ocupacional brasileira. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, V. 21, n. 2, 243-254, 2013. Disponível em: e.com.br. Acesso em: 12 mar. 2025. MEDEIROS, M. H.R. Terapia Ocupacional: Um enfoque epistemológico e social. São Carlos: EDUUFSCar, 2003. MEYER, The philosophy of occupation therapy. American Journal of Physical Medicine & Rehabilitation, V. 1, n. 1, p. 1-10, 1922. Disponível em: erapy.1.aspx. Acesso em: 12 mar. 2025. MOLKE, D. K.; LALIBERTE-RUDMAN, D.; POLATAJKO, H. J. The promise of occupational science: A developmental assessment of an emerging academic discipline. Canadian Journal of Occupational Therapy, V. 71, n. 5, p. 269-280, 2004. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/000841740407100505. Acesso em: 12 mar. 2025. MOTA, D.; PRADO, G. V. PINA, Buscando possíveis sentidos de saber e conhecimento na docência. Cadernos de Educação, Pelotas, V. 30, 109-134, 2008. NELSON, D. L. Why the profession of occupational therapy will flourish in the 21st century. Eleanor Clarke Slagle Lecture. American Journal of Occupational Therapy, V. 51, n. 1, p. 11-24, 1997. Disponível em: https://research.aota.org/ajot/article- abstract/51/1/11/3964/Why-the-Profession-of-Occupational-Therapy-Will.Acesso em: 12 mar. 2025. PIERCE, D. Occupational science: A powerful disciplinary knowledge base for occupational therapy. In: PIERCE, D. (Ed.). Occupational science for occupational therapy. New Jersey: Slack Incorporated, 2014. QUIROGA, V. M. Occupational Therapy: The first 30 years 1900-1930. Bethesda: AOTA, 1995. REED, K. L. Los comienzos de la terapia ocupacional. In: HOPKINS, H. L.; SMITH, H. D. (Ed.). Willard & Spackman: Terapia ocupacional. ed. Madrid: Panamericana, 1998.REILLY, M. Occupational therapy can be one of the great ideas of 20th-century medicine. American Journal of Occupational Therapy, V. 16, p. 1-9, 1962. Disponível em: Acesso em: 12 mar. 2025. YERXA, E. J. Authentic occupational therapy. Eleanor Clarke Slagle Lecture. American Journal of Occupational Therapy, V. 21, p. 1-9, 1966. Disponível em: Acesso em: 12 mar. 2025.CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI Anotações CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI 00000000