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Sertão em Verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade RAQUELINE LANDIM NASCIMENTO ANDREIA MELO DE ANDRADE ALINEAUREA FLORENTINO SILVA JOSÉ ALVES DE SIQUEIRA FILHO LUCIANA SOUZA DE OLIVEIRA YARIADNER COSTA BRITO SPINELLI LUCIVÂNIO JATOBÁ DE OLIVEIRA EVA MONICA SARMENTO DA SILVA JUAZEIRO-BA 2024 Sertão em Verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade JUAZEIRO-BA 2024 RAQUELINE LANDIM NASCIMENTO ANDREIA MELO DE ANDRADE ALINEAUREA FLORENTINO SILVA JOSÉ ALVES DE SIQUEIRA FILHO LUCIANA SOUZA DE OLIVEIRAI LUCIVÂNIO JATOBÁ DE OLIVEIRA YARIADNER COSTA BRITO SPINELL EVA MONICA SARMENTO DA SILVA UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO - UNIVASF PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGROECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL - PPGADT DOUTORADO PROFISSIONAL INTERDISCIPLINAR UNIDADE ESPAÇO PLURAL Telio Nobre Leite Reitor Lucia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira Vice-Reitora Yariadner Costa Brito Spinelli Coordenadora Geral do PPGADT Braz José do Nascimento Júnior Vice-Coordenador Geral do PPGADT DISCIPLINA AGROECOSSISTEMAS SUSTENTÁVEIS NO BIOMA CAATINGA DOCENTES Alineaurea Florentino Silva José Alves de Siqueira Filho Luciana Souza de Oliveira Lucivânio Jatobá de Oliveira CRÉDITOS DA OBRA EDITORAÇÃO Raqueline Landim Nascimento Criado Via Canva.com, 2024. CRÉDITOS DAS FIGURAS E ELEMENTOS Todos os elementos, figuras e imagens presentes nesta obra pertencem ao Canva.com FICHA TÉCNICA FICHA CATALOGRÁFICA Nascimento, Raqueline Landim N244s Sertão em Verso: o agroecossistema da Caatinga em prosa e sustentabilidade. [Recurso eletrônico] / Raqueline Landim Nascimento, et al. – Juazeiro-BA, 2024. 32 f.: il. 29 cm Livro Digital (PDF) ISBN:978-85-5322-323-7 1. Agroecologia. 2. Agricultura Familiar. 3. Caatinga. I. Título. II Silva, Alineaurea Florentino, III. Siqueira Filho, José Alves de. IV. Oliveira, Luciana Souza de. V. Oliveira, Lucivânio Jatobá. VI. Spinelli, Yariadner Costa Brito. VII. Silva, Eva Monica Sarmento da. VIII. Nascimento, Raqueline Landim. IX. Andrade, Andreia Melo de. X. Universidade Federal do Vale do São Francisco. CDD 631.584 Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Integrado de Biblioteca SIBI/UNIVASF Bibliotecário: Márcio Pataro. CRB - 5 / 1369. Sobre os Autores Raqueline Landim Nascimento Raqueline Landim Nascimento Doutoranda em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (PPGADT/UNIVASF. Mestre em Geografia pelo curso de Mestrado Acadêmico em Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (MAG/UVA). Graduada no curso de Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Possui experiência na educação básica, com atuação no ensino fundamental dois e médio, além de contribuições no âmbito da educação superior. Quanto às áreas de pesquisa, concentro-me em temas como ensino de geografia, cartografia escolar, identidade, luta e resistência camponesa.Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2701939926667485 andreia melo de andradeandreia melo de andrade Doutoranda em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (PPGADT/UNIVASF). Mestre em Ensino, História e Filosofia das ciências e da Matemática, pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Graduada no curso de Licenciatura em Ciências da Natureza (UNIVASF) e Ciências Biológicas (FAVENI). Pós- graduada em (especialização) em metodologia do ensino das Ciências Físicas, Químicas e Biológicas, pela Faculdade Latino Americana de Educação e Mestre em Ensino, História e Filosofia das ciências e da Matemática. Especialista em Gestão e Licenciamento Ambiental (FAVENI). Experiência na área técnica, em programas de monitoramento ambiental, zoonoses e saúde pública, como também na educação básica e de ensino superior. Atualmente, é professora da rede municipal de Juazeiro-BA. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2701939926667485 http://lattes.cnpq.br/4473084149738079 Sobre os Autores alineaurea florentino silvaalineaurea florentino silva lUCIANA SOUZA DE OLIVEIRAlUCIANA SOUZA DE OLIVEIRA LUCIVÂNIO JATOBÁ DE OLIVEIRALUCIVÂNIO JATOBÁ DE OLIVEIRA Doutora em Desenvolvimento Socioambiental, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre em Ciências Agrárias, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduada em Engenharia Agronômica, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Atualmente é professora efetiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano. Docente permanente do Programa de Pós- Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela UNIVASF. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2425517525206460 Doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo Programa de Pós- Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA), na Universidade Federal da Paraíba. Mestre em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa e Graduada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal da Paraíba (UEPB). Pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Docente do Programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional de Ensino das Ciências Ambientais (PROFCIAMB) da UFPE, da Pós-Graduação em Extensão Rural (PPGExR) da UNIVASF e do PPGADT (Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial UNIVASF/UNEB/UFRPE). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7810302436995638 Possui graduação em Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (1975), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (1983) e Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente- pela Universidade Federal de Pernambuco (PRODEMA), (2017). Atualmente é colaborador da Universidade do Vale do São Francisco, professor associado 1 da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geomorfologia, atuando principalmente nos seguintes temas: geografia, ensino de geografia, geomorfologia, geografia física( Climatologia) e em bancas examinadoras de TCC. Cursos de Mestrado e doutorado. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2425517525206460 http://lattes.cnpq.br/5047968131675220 Sobre os Autores YARIADNER COSTA BRITO SPINELLIYARIADNER COSTA BRITO SPINELLI EVA MONICA SARMENTO DA SILVAEVA MONICA SARMENTO DA SILVA JOSÉ ALVES DE SIQUEIRA FILHO JOSÉ ALVES DE SIQUEIRA FILHO Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), mestrado e doutorado em Biologia Vegetal pela UFPE e bolsa sanduíche na Universidade Bönn, Alemanha. Professor Titular da UNIVASF. Fundador e curador do Herbário HVASF - Vale do São Francisco. Fundador e Diretor científico do Centro de Referência para a Recuperação em Áreas Degradadas da Caatinga desde 2006. Orientador nos Programas de Pós-graduação em Botânica, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Doutorado em Agorecologia da UNIVASF. Membro do Conselho Científico do Geopark Serra do Sincorá. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9643443570701007 Doutora em Química inorgânica com ênfase em catálise e biocombustíveis pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), .Mestre em Química inorgânica, catálise e biodiesel (UFAL). Bacharel e Licenciada em Química pelo Instituto de Química e Biotecnologia (UFAL). É professora adjunta da Univasf lotada no colegiado de Ecologia/SBF. Docente permanente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9643443570701007 Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Agrárias-Campus-III, Areia, mestrado em Zootecnia pela Universidade Federal do Ceará e doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal do Ceará. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Zootecnia, atuando principalmente nos seguintes temas: polinizaçãode culturas agrícolas e abelhas africanizadas e sem ferrão. Docente permanente do Programa de Pós- Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9643443570701007 http://lattes.cnpq.br/9432813151588512 http://lattes.cnpq.br/9432813151588512 http://lattes.cnpq.br/9432813151588512 http://lattes.cnpq.br/9432813151588512 01 02 03 04 05 06 07 08 10 11 12 13 14 Entre Espécies e Cultivos: A Sinfonia Vegetal Na Caatinga 19 INTRODUÇÃO 09 Sumário Desvelando Nosso Trabalho 11 CONHECENDO 0 AGROECOSSISTEMA 14 Os Encantos da Terra: Aspectos Locais e Fisiográficos do Agroecossitema 15 Herança e Sustento: Aspectos Econômicos e Culturais 17 O Propósito da Colheita e a Arte de Comercializar 27 intrusas na Terra: Enredos e Estratégias para o Manejo das Espécies Invasoras 21 Entre o Suor e o Aço: A Força de Trabalho no Agroecossistema 24 O Ritmo da Terra: Desvendando o Funcionamento do Agroecossistema 25 Cicatrizes da Terra: Desafios Ambientais no Agroecossistema 28 O Alvorecer da Terra: Soluções para Reviver o Agroecossistema 29 considerações finais 31 referências 32 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade é um cordel que trata-se de um Produto Técnico e Tecnológico no contexto da disciplina Agroecossistemas Sustentáveis da Caatinga, no Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Os versos descritos mergulham no universo de um agroecossistema familiar convencional, localizado no Sítio Traíras, em Serrita, Pernambuco. Os agroecossistemas sustentáveis são como jardins bem- cuidados, onde a produtividade floresce e os impactos negativos se desfazem. Com práticas como a rotação de culturas, o uso de adubos orgânicos, o controle biológico de pragas e a integração harmoniosa entre agricultura e pecuária, busca-se cultivar um solo saudável e uma biodiversidade vibrante (Canuto, 2017). Além disso, é vital considerar os fatores socioeconômicos, políticos e culturais que moldam a gestão desses sistemas, em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU (Conti, 2011). introdução 9 A literatura de cordel, como ressaltado por Carvalho e citado por Araújo (2007), não é apenas um artefato cultural, mas uma ferramenta poderosa de alfabetização e sociabilização. Ela instiga o desejo de ler e o prazer da conversa coletiva: “O primeiro ponto seria o fato de provocação à alfabetização... O segundo ponto seria a imensurável força sociabilizadora que o cordel propiciou” (Carvalho apud Araújo, 2007, p. 101). Assim buscamos unir o rigor técnico dos agroecossistemas à magia poética do cordel, criando uma ponte entre o saber e a cultura. Nosso propósito é explorar as práticas agrícolas no Sítio Traíras, sugerir melhorias para sistemas mais sustentáveis e envolver a comunidade local, promovendo o conhecimento de uma forma que é tanto acessível quanto culturalmente enriquecedora. 10 Conhecidos por agroecossistemas, ou sistemas familiares rurais, Ganham destaque nos tempos modernos, Em estudos e debates ambientais. Mas não é de hoje essa questão, Se olhar ao passado verás, Desde antigas comunidades indígenas, Antes da Revolução Verde nos campos rurais. Práticas ancestrais ressoam ainda hoje, Tradições que nos guiam com precisão, Harmonizando saberes antigos e novos, Na produção de alimentos e no cuidar do chão. Desvelando Nosso Trabalho 11 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Mas com a Revolução Verde adentro, Mecanização e insumos tomaram lugar, Impactando o ecossistema de forma severa, Solo esgotado, águas poluídas a lamentar. Monoculturas extensivas dominaram a era, Reduzindo a resiliência dos ecossistemas sem vigor, Marginalizando os agricultores familiares, Concentrando terras para quem tem mais valor. Porém ressurgem alternativas, um novo rumo, Novamente os agroecossistemas a florescer, Baseados no conhecimento, para um futuro justo, Respeitando a terra, sem a natureza abater. 12 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Nesse nosso rumo, de saberes ancestrais Apresentaremos um diagnóstico estudado De um agroecossistema de agricultura convencional Que na Caatinga está localizado. Compartilhando experiências e aprendizados, Entre aridez e vida que teima em brotar, Celebramos a sabedoria que o tempo ensina, Na terra fértil do nosso agir e cuidar. Este cordel é um tributo à resistência, Na busca de agricultores a perseverar, Na luta por sustentabilidade e equidade, Na beleza da Caatinga, nosso lar. 13 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade conhecendo o agroecossitema Vamos explorar com olhos atentos, Aspectos físicos e naturais a se revelar, Economia e cultura, com seus encantos e talentos, Diversidade de espécies, no sertão a brotar. Funcionamento e finalidade da produção, Dos desafios aos remédios, a jornada a se contar, Na Caatinga, o ciclo é vasto e profundo, De problemas e soluções, iremos desvendar 14 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Conhecendo a área onde o agroecossistema está, Serrita-PE, no Sertão, lugar de beleza sem par, No sítio Traíras, onde um riacho popular, Dá nome ao local, de fama a ecoar. Nestes versos, exploramos um pouco mais Das características que a natureza traz, No semiárido nordestino, onde tudo é singular, E o estudo do agroecossistema queremos revelar. Situada na unidade dos Maciços e Serras Baixas, Que se estende pelo Nordeste com suas formas irregulares, Relevos acidentados e rochas antigas em destaque, Um cenário que nos encanta com suas paisagens singulares. Os Encantos da Terra: Aspectos Locais e Fisiográficos do Agroecossistema 15 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Com clima semiárido, Bsh’ de Köppen é a definição, Duas estações bem marcadas, chuva e seca em união. Quinhentos milímetros, a média de precipitação, E a temperatura média, 24 graus, de ardente sensação. A altitude elevada, 452 metros a conferir, Relevo ondulado, serras a circundar e sorrir. Caatinga semi-aberta, macambira e xique-xique, Entre umbuzeiros e juazeiros, a vida a florir Os solos se dividem, em nuances de fertilidade, Brunizens nas alturas, litólicos com simplicidade. Nos vales estreitos, aluviões de grande qualidade, Onde a natureza floresce, com pura intensidade. Na bacia do Terra Nova e Brígida, águas a correr, Tributários como Traíras, onde o estudo pode ver. Assim é o agroecossistema, um tesouro a cuidar, Em Serrita, Pernambuco, no Sertão a brilhar. 16 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Herança e Sustento: Aspectos Econômicos e Culturais Na zona rural, onde o agroecossistema aparece, Cultivos diversos, como milho e feijão a crescer A economia se firma na agricultura e pecuária, frutas e forrageiras, essenciais para o boi comer. Agricultura rica, com variedade a reluzir, Sustentando a vida, no semiárido a florir. E na pecuária, carneiros e galinhas a criar, Oferecendo carne e leite, para a comunidade se alimentar. Leite, queijo, ovos, produtos que vão além, Comercializando sabores, que enchem a mesa de bem. Extrativismo modesto, frutas e produtos da floresta a colher,Complementando a vida rural, nesse cenário a crescer 17 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Ainda neste contexto falaremos da cultura Parte importante em que toda a área situa A figura do vaqueiro no município e celebrada Nos finais de semana a pega de boi é aclamada No artesanato o couro é matéria prima E nas feiras populares comidas típicas são vendidas À base de milho e mandioca, rapadura, caldo de cana, beijus, entre outras iguarias. Além das belezas naturais, o aspecto religioso resplandece, Com devoção a São Pedro e festas que o coração aquece. Famílias se reúnem, celebram com alegria e devoção, Colhendo frutos do plantio, com bode e galinhas em união. 18 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Na área é cultivado uma grande diversidade frutas como a goiaba, manga e acerola Espécies como milho, abobora e feijão Ainda tem o capim que cresce sem demora E se tratando de espécies nativas Não podemos esquecer de citar O Umari, Xique-xique , Mandacaru A siriguela e o pereiro faz a terra prosperar A vegetação revela sua estrutura com primor, Na camada rasteira, gramíneas e ervas a florescer, Do rasteiro ao arbóreo, um ciclo se apresenta Aproveitando a luz que vem do dossel para crescer. Entre Espécies e Cultivos: A Sinfonia Vegetal Na Caatinga 19 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Mais acima, árvores intermediárias se espalham, Goiabeiras e mamoeiros, na camada se respaldam Recebem luz filtrada das copas que as abraçam, Crescimento saudável, em harmonia que se embaraçam. No topo, mangueiras e frutíferas a brilhar, Formando o dossel, onde a luz vem repousar. Essa é a camada mais alta que oferece Proteção e sombra para as demais sem cessar Na estrutura horizontal do agroecossistema, Culturas como milho e feijão se delineiam em linhas, Facilitando o manejo cuidadoso e a colheita eficiente, Um padrão que revela sabedoria na gestão das terras nordestinas. As áreas de cultivo são bem delineadas, Mas no sistema agrícola familiar, Sendo convencional por tradição, Faltam práticas mais sustentáveis, para a conservação. 20 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Intrusas na Terra: Enredos e Estratégias para o Manejo das Espécies Invasoras Espécies invasoras na área se espalham, a tal da Tiririca, tão difícil de erradicar. Competindo com as culturas e o alimento se tornando assim um desafio a enfrentar. A algaroba, árvore resistente, Por ser invasora altera o ecossistema, Ela compete com a flora nativa. Elimina-la é um verdadeiro dilema Nim, com propriedades medicinais Cardo Santo, de flores amarelas a brotar, São uteis, mas podem se espalhar Competindo por recursos, culturas a atrapalhar. 21 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Caruru de Espinho, planta herbácea Ela que também rapidamente cresce, Nesse ritmo invade áreas cultivadas, E os nutrientes e a água desaparece. Para manejar essas invasoras com rapidez Novas estratégias devemos ter, E para agroecossistema estudado, Novas soluções precisamos prover. Remoção manual ou mecanizada, Se torna muitas vezes necessária, Para essas espécies agressivas a ação precisa ser imediata 22 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade As coberturas vegetais nativas, elas são grandes aliadas para suprimir, Melhorando a biodiversidade da área E fazem o campo voltar a fluir. E para o manejo integrado de pragas, O controle biológico deve-se aplicar, Insetos predadores, para invasoras controlar. E tornar o ambiente saudável para se habitar Educação ambiental, pode vir a capacitar, Para identificação e controle para práticas a implementar. Seguindo esses passos no agroecossistema, vida e saúde irão prosperar 23 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade No agroecossistema, a força de trabalho utilizada São o trabalho físico manual e mecanização combinadas O esforço humano é vital para várias atividades Como a aplicação de agrotóxico, quando as pragas são encontradas. A limpeza das áreas de cultivo também é feita manualmente, E a colheita de frutas, com cuidado e precisão, é essencial, Para evitar danos aos produtos e a terra A mão de obra a se destaca nesse papel crucial. Por outro lado, a mecanização tem seu papel reservado, No preparo do solo, com tratores e arados. O tombamento da terra, arar e nivelar, Máquinas entram em cena para o plantio preparar. Assim, no agroecossistema, a união é a chave do sucesso, Trabalho humano e máquinas, num esforço coeso. Cada tarefa bem feita, com dedicação e zelo, Faz deste sistema um exemplo de modelo. Entre o Suor e o Aço: A Força de Trabalho no Agroecossistema 24 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade O Ritmo da Terra: Desvendando o Funcionamento do Agroecossistema Nesses novos versos exploraremos funções Onde pode-se evidenciar a conexão Entre o tradicional e o moderno E no agroecossitema se vê na ação Primeiro falaremos do fluxo de energia Através da fotossíntese um processo vital Com a luz do sol capturada pelas plantas, Transformadas em energia química primordial 25 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade A ausência de compostagem é um problema sério, Pois os nutrientes sem isso, não são reciclados Esgotando o solo a longo prazo sem dúvida São desafios constante de serem repensados O uso de fertilizantes químicos, o famoso "Dez Dez" Oferece uma solução temporária e prática vazia Mas não substitui os benefícios de uma matéria orgânica Que melhora a estrutura do solo e a água, e isso se explica. Além do custo elevado que pesa no orçamento, É preciso repensar e buscar um novo conhecimento. Unindo o tradicional e o moderno em harmonia, Para um agroecossistema sustentável e com sabedoria. 26 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade O Propósito da Colheita e a Arte de Comercializar A produção agrícola tem dupla finalidade, Para o consumo próprio é a principal realidade. Sustenta a família com alimentos variados, No entanto, parte excedente é vendida na comunidade. Cultivos como a goiaba, em maior quantidade, São comercializados nas redondezas um ganho bem-vindo e viável Garantindo bem uma renda extra No mercadinho do filho, a produção é deixada, Facilitando a venda pretendida, Embora a aposentadoria seja a principal renda, A venda dos excedentes traz segurança estendida. A economia familiar se vê complementada, Com a venda informal, de forma organizada. A produção agrícola cumpre seu papel vital, Sustenta e reforça a segurança alimentar final 27 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Embora no agroecossitema promova benefícios Com alimento para a família e para a comunidade É preciso destacar as práticas não favoráveis Pois elas já demonstram uma certa precariedade Como já fora dito, a queima das pastagens É um problema que fere o solo e sua fertilidade O uso de tratores para arar a terra Contribui para erosão uma infelicidade Por viver em uma região semiárida A falta de água ainda se é um desafio Na área se tem riacho e cisterna que auxilia Mesmo assim o seu uso deve ser preventivo O uso de agrotóxicos, mata mato e lenato, Rápidas soluções, mas impactos no ato. Na saúde humana, riscos a longo prazo, Contaminando solo, água, fauna, em um repasso. Cicatrizes da Terra: Desafios Ambientais no Agroecossistema 28 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade O Alvorecer da Terra: Soluções para Reviver o Agroecossistema Diante de tudo que foi dito Procuraremos apresentar soluções Não só para o agroecossitema estudado Mas para todas as nações Para mudar de vez a toda problemática Que assola o campo pós revolução verde É preciso ensinar a todo camarada A educação ambiental se torna aliada Essa ferramenta,deve ser pautada Como a realização de oficinas e capacitação para adoção de práticas mais sustentáveis que ensinem a compostagem e a verde adubação 29 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade Existem plantas de cobertura que são mais adequadas para região usado métodos de plantio e manejo adequados melhoraram a fertilidade e controlam a erosão Reduzir o uso de agrotóxico deve ser para hoje isso pode ser feito com programadas de manejo treinamentos , palestras e materiais ilustrativos são estratégias para todo sertanejo Capacitar também sobre o uso da água deve ser uma meta a ser explorada pois seu uso consciente é forma mais eficiente de cultivar com sabedoria e de forma pensada O pedido final é para que cresça um novo olhar, Entre humanos e natureza uma harmonia a se espalhar Cultivando não só alimentos, mas também o saber, Para um futuro sustentável, é preciso aprender. 30 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade No sertão, a terra seca é um desafio, mas também uma chance de transformação. As plantas de cobertura, bem escolhidas e manejadas trazem fertilidade ao solo e controlam a erosão. Reduzir o uso de agrotóxicos não é coisa do amanhã, É pra hoje, mesmo que de forma gradual Com treinamentos, palestras e materiais ilustrativos, o sertanejo pode aprender a cultivar de forma mais natural. A água, esse tesouro precioso, também precisa de cuidado. Usá-la com consciência é para vida é indispensável Cada gota bem utilizada é um passo a uma colheita farta Buscando sobre tudo uma agricultura mais sustentável. Que essa sabedoria floresça em cada coração sertanejo, transformando o modo de viver sem adversidades e ao garantirmos um amanhã mais verde poderemos fazer do sertão um jardim de possibilidades considerações finais 31 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade referências RAÚJO, Patrícia Cristina de Aragão. A cultura dos cordéis: território(s) de tessitura de saberes. 2007. 259 f. Tese (Doutor) - Curso de Doutorado em Educação, Departamento de Programa de Pós- Graduação em Educação, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2007. CANUTO, João Carlos. Agroecologia: princípios e estratégias para o desenho de agroecossistemas sustentáveis. Redes - Santa Cruz do Sul, v. 22, 2017. CONTI, Irio Luiz. Curso de Formação de Gestores Públicos em Segurança Alimentar e Nutricional (FGP - SAN – 2011 na RedeSAN). 2011. 32 Sertão em verso: O Agroecossistema da Caatinga em Prosa e Sustentabilidade