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1ª Fase | 45° Exame da OAB 
Direito Civil 
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1ª Fase | 45° Exame da OAB 
Direito Civil 
 
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23. Sucessões – Sucessões em geral 
 
23.1. Abertura de Sucessão 
A sucessão tem início no momento do óbito, quando ocorre a transmissão da herança - 
composta por bens, dívidas, créditos e obrigações - aos herdeiros, conforme o princípio da sai-
sine (art. 1.784 do CC/02). Esse momento é fundamental para definir a legislação aplicável, a 
capacidade sucessória e o local da abertura da sucessão (artigos 1.785 e 1.798 e seguintes do 
CC/02). Cabe destacar, também, que o ordenamento jurídico proíbe qualquer disposição sobre 
a herança de pessoa viva (art. 426 do CC/02). Assim, tem-se que o processo sucessório se inicia 
com a morte, que pode ser real ou presumida. 
 
De acordo com o art. 6° do CC/02, a personalidade jurídica cessa com a morte, que pode 
ser presumida em casos de ausência. O ausente está definido junto ao art. 22 do CC/02 e a 
declaração de sua morte segue um procedimento que possui três fases: a) curadoria dos bens 
(fase que consiste na decretação da ausência, na nomeação de curador, na arrecadação dos 
bens e na publicação de editais); b) sucessão provisória (após o prazo dos editais, surge a 
fase da sucessão provisória, momento em que os herdeiros podem abrir o testamento e tomar 
posse dos bens); e c) sucessão definitiva (quando o ausente é oficialmente declarado morto e 
ocorre a partilha dos bens). 
 
Além disso, a morte será considerada presumida nos casos previstos no art. 7° do CC/02, 
como quando a pessoa estava em perigo de vida ou desapareceu em guerra, sem reaparecer 
por dois anos após o término do conflito. Nesses casos, o juiz fixará, por sentença, a data e 
horário da morte. Importante mencionar que tal sentença somente pode ser prolatada após fin-
dadas as buscas e averiguações. 
 
Por fim, tem-se a situação da comoriência, que ocorre nos seguintes casos: se duas ou 
mais pessoas falecerem simultaneamente, considera-se que foram comorientes (art. 8° do 
CC/02), não havendo direito sucessório entre elas, pois é necessário sobreviver ao autor da 
herança para herdar. 
 
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Conforme aponta o art. 1.791 do CC/02, A herança é transmitida como um conjunto único 
aos herdeiros, ou seja, enquanto não houver a partilha, os bens herdados pertencem a todos os 
herdeiros em condomínio. Nenhum herdeiro pode reivindicar um bem específico antes da divisão 
oficial. No que diz respeito ao art. 1.792 do CC/02, cabe mencionar que os herdeiros só são 
responsáveis pelas dívidas do falecido até o limite do valor dos bens herdados. Caso os credores 
aleguem que as dívidas ultrapassam esse valor, cabe aos herdeiros provar o excesso, a menos 
que um inventário oficial já tenha demonstrado isso. 
 
Afora isso, caso o herdeiro não desejar ficar com seu quinhão, ele poderá cedê-lo a outro 
herdeiro ou a um terceiro por meio de cessão de direitos hereditários, conforme determina o art. 
1.793 do CC/02. Tal cessão pode ser feita por meio de escritura pública e, nesse tocante, é 
importante observar o direito de preferência dos coerdeiros, conforme estabelecido junto ao art. 
1.795 do CC/02.

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