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1 HISTÓRIA DA PSICOLOGIA VOCACIONAL "O homem é suas escolhas." (J. P. Sartre) Embora O conceito de trabalho exista desde início das sociedades, a possibilidade de escolhê-lo é um problema relativamente recente. Durante muitos séculos a ocupação de um indivíduo era determinada pelo clã, pela casta, pela camada social ou pela família à qual pertencia. Os ofícios eram herdados. O aumento significativo dos processos de industrialização e de intercâmbio comercial, observados no final do século XIX, criou for- mas distintas de trabalho e novos ofícios. Surgiu, portanto, no homem, a necessidade de escolher entre as diversas alternativas ocupacionais oferecidas pela nova realidade socioeconômica e, consequentemente, a necessidade de ser orientado para essa decisão. Nasceu assim, em 1902, a Psicologia Vocacional, com a instalação do primeiro escritório de Orientação Profissional em Munique. Muitos outros escritórios desse tipo foram abertos em distintos países: França (1906), Suíça (1916), Inglaterra (1920), etc. Na América Latina, Brasil e a Argentina foram países pioneiros nesta área. No Brasil, surgiu em 1924, um trabalho de Orientação Pro- fissional no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo desenvolvido pelo 15Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional professor Roberto Mange e em 1931 foi criado primeiro Serviço de para objetivos altruístas e/ou materiais. Alguns teóricos que defen- Orientação Profissional por Lourenço Filho. Na Argentina, foi fundado dem esse ponto de vista são: Meadow (1955), Bordin, Nachmann em 1925, Instituto de Orientação Profissional do Museu Social Argen- e Segall (1963). Outros teóricos psicanalistas explicam a escolha tino (MELO-SILVA e JACQUEMIN, 2001). vocacional por meio do conceito de reparação, surgido na escola Pode-se dividir a história da Psicologia Vocacional em duas partes: inglesa de psicanálise e amplamente estudado por Melanie Klein. entre 1900 e 1950, e de 1950 até a atualidade. O primeiro período foi Para estes, as vocações expressam respostas do ego diante dos dominado pela Psicometria e pela ideia de colocar O homem certo objetos internos danificados, que pedem, reclamam e exigem ser no lugar certo. O objetivo era acoplar as aptidões e interesses dos reparados. A escolha de uma profissão representa a escolha de um indivíduos às oportunidades profissionais. Muitos testes foram desen- objeto interno que necessita ser reparado pelo ego. Com a profissão volvidos para medir rigorosamente aptidões e interesses, determinando escolhida, indivíduo é capaz de recriar um objeto interno bom, assim a escolha mais conveniente para sujeito. A Teoria de Traços e que foi destruído ou danificado. Bohoslavsky (1998) analisa com Fatores resume a posição da Psicologia Vocacional nesse período em detalhes essa posição e propõe a modalidade clínica de orientação que determinismo vocacional imperava. É importante ressaltar que, profissional tendo como base a teoria psicanalítica. Aponta ainda a durante essa fase, a Psicologia Vocacional esteve a serviço das grandes importância das identificações e do processo de constituição da identi- crises econômicas: a crise pós-Revolução Industrial, a e a Guerras dade vocacional-ocupacional, que se relaciona diretamente ao processo Mundiais e a grande crise econômica de 1929. Alguns teóricos impor- de constituição da identidade pessoal. Perturbações neste último tantes desse período foram Parsons, que publicou em 1909 Choosing a processo gerarão dificuldades no primeiro. Vocation; Strong, que publicou O Inventário de Interesses Vocacionais; Hull, que idealizou a construção de uma máquina prognosticadora para 2. O segundo grupo de teorias psicodinâmicas é representado por prever O êxito de uma pessoa em diversas ocupações, entre outros. Roe (1972), que defende a ideia de que as primeiras experiências A partir de 1950 surgiram várias teorias que aportaram à Psicologia infantis no seio da família (satisfação e frustração de necessidades básicas) Vocacional novas interpretações do problema da escolha profissional. modelam O estilo que O indivíduo escolhe para satisfazer suas Apresentaremos a seguir três destas correntes teóricas: Psicodinâmica, necessidades ao longo da vida, determinando seus objetivos e Decisional e Desenvolvimental. preferências vocacionais. CORRENTE PSICODINÂMICA 3. No terceiro grupo encontra-se Holland (1971), que considera que as pessoas podem ser distribuídas em seis tipos diferentes: realista, Para as teorias psicodinâmicas, fator mais significativo da escolha intelectual, artístico, social, empreendedor e convencional. Cada tipo profissional está associado ao aspecto motivacional, ou seja, ao que é produto da interação entre as características herdadas e a influência impulsiona indivíduo a comportar-se de determinada maneira e, con- de uma variedade de fatores sociais. Por outro lado, ele classifica O sequentemente, a escolher uma determinada ocupação. ambiente em seis tipos idênticos aos que utiliza para classificar as 1. Dentro desse grupo estão as teorias psicanalíticas, que em geral con- pessoas e explica a conduta vocacional a partir da interação entre sideram que toda atividade ou vocação é uma forma de sublimação. padrão de personalidade e O tipo de ambiente. Propõe assim A sublimação é a derivação de instintos e tendências do indivíduo modelo RIASEC. 16 17Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional CORRENTE DECISIONAL Super (1953, 1962), teórico que contribuiu substancialmente para desenvolvimento dessa corrente ao longo de várias décadas, propôs A corrente decisional, embora explique apenas parcialmente compor- cinco estágios para processo de desenvolvimento vocacional: 1. cresci- tamento vocacional, contribui para a compreensão do problema. Gelatt mento (infância); 2. exploração (adolescência); 3. estabelecimento (idade (1962) propõe O esquema de decisão sequencial, em que uma série de decisões adulta); 4. permanência (maturidade) e 5. declínio ou desengajamento experimentais leva a uma decisão terminal. No decorrer do processo de (velhice). Para ele, esse processo ocorre graças a cinco tarefas que fa- decisão indivíduo avalia as possibilidades que lhe são oferecidas, as con- cilitam desenvolvimento de atitudes e comportamentos específicos: sequências possíveis das decisões que ele pode tomar e a probabilidade de a) cristalização: formulação de ideias sobre as preferências ocupacionais; que essas consequências ocorram. Avaliando as decisões consideradas, b) especificação: tomada de uma decisão específica; c) implementação: início indivíduo, finalmente, formula sua decisão. da vida profissional; d) estabilização na área de trabalho escolhida e e) Hilton (1962) considera a dissonância cognitiva como a variável principal consolidação da experiência profissional. Ele enfatiza ainda a possibilidade do processo de decisão e admite que esforço para reduzi-la precede de guiar desenvolvimento vocacional, facilitando a aprendizagem das e facilita a tomada de decisão. A dissonância pode ser provocada por tarefas desenvolvimentistas diversos fatores, como a percepção de distintas possibilidades e as Super apresentou inicialmente dez proposições teóricas que foram pressões sociais que impedem adiar a decisão. reformuladas e ampliadas ao longo do tempo (SUPER, 1953, 1980, Por outro lado, Hershenson e Roth (1966) postulam que a escolha 1990; SUPER, SAVICKAS e SUPER, 1996). Alguns dos conceitos ocupacional é determinada por duas tendências: a) progressiva elimi- importantes que permeiam suas contribuições teóricas são: autocon- nação de alternativas e b) reforçamento das alternativas não excluídas. ceito, maturidade vocacional, construção de carreira, adaptabilidade de carreira Assim, à medida que O número de opções se limita, a certeza das opções e saliência de papéis. Super (1980) publicou modelo de Arco-Íris de aumenta. Carreira (Life Career Rainbow), composto de duas dimensões que se inter-relacionam: uma dimensão temporal (Life-span) e uma dimensão CORRENTE DESENVOLVIMENTAL espacial (Life-space). A primeira se refere aos estágios vocacionais e a segunda aos papéis desempenhados ao longo da vida. Ele identificou A corrente desenvolvimental surgiu nos anos cinquenta, sendo vários dos papeis que indivíduo exerce ao longo dos cinco estágios Ginzberg e seus colaboradores (GINZBERG et al., 1951; GINZBERG, da vida, dentre eles: criança, estudante, cidadão, trabalhador. Tais 1952) pioneiros dessa posição teórica. papeis podem ser exercidos ao mesmo tempo; tempo despendido A escolha profissional é considerada um processo de desenvolvimen- em cada um deles varia em função da idade e do estágio de vida. Cada to que se inicia na infância passa por vários estágios e se estende por papel pode ocupar uma posição central ou periférica em cada estágio um longo período da vida. Durante esses estágios O indivíduo realiza de vida, em função dos demais papeis que indivíduo exerce naquele uma série de compromissos entre suas necessidades e as oportunidades momento. O papel de trabalhador perpassa praticamente todos os es- oferecidas pela realidade social em que vive. Nesse processo, é de extrema tágios de vida, em alguns momentos sendo vivido como papel central importância a formação do conceito de si mesmo. O autoconceito de e em outros como periférico. uma pessoa influencia suas aquisições e contribui essencialmente para Vale também destacar as contribuições de Pelletier, Bujold e Noi- a escolha profissional e satisfação no trabalho. seux (1979) que propuseram um Programa de Ativação do Desenvolvimento 18 19Kathia Maria Costa Neiva Vocacional (ADVP). Tal programa consiste em desenvolver uma série de habilidades intelectuais e atitudes cognitivas que permitam amadure- cimento e desenvolvimento vocacional. Essas distintas concepções teóricas contribuíram substancialmente para a compreensão do processo de escolha profissional e para de- 2 senvolvimento de diferentes estratégias com objetivo de facilitar tal processo. No próximo capítulo serão apresentadas várias propostas de orientação profissional derivadas de algumas dessas concepções teóricas. PROPOSTAS DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Dentre as várias definições de Orientação Profissional conside- ramos que a proposta por Ribeiro (2011) é a que mais representa a visão contemporânea deste serviço. Segundo este autor a Orientação Profissional é: [...] um processo de ajuda de caráter mediador e cooperativo entre um profissional preparado teórica e tecnicamente com as competências básicas exigidas e desenvolvidas para um orienta- dor profissional e um sujeito ou grupo de sujeitos, que necessite auxílio quanto à elaboração e consecução do seu projeto de vida profissional/ocupacional com todos os aspectos envolvidos do seu comportamento vocacional (conhecimento de seu processo de escolha, autoconhecimento, conhecimento do mundo do trabalho e dos modelos de elaboração de projetos (p. 52-53). Na atualidade, sabemos que não podemos dissociar projeto profis- sional do projeto de vida e que, portanto, a tarefa de Orientação Profis- sional deve abranger vários aspectos da vida do indivíduo, assim como da realidade educativa e socioprofissional em que mesmo está inserido. Diferentes propostas de orientação profissional são oferecidas por instituições educativas e por profissionais especializados, algumas mais 20 21Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional completas ou mais eficazes que outras. Tais propostas, com suas van- pontaneamente às palestras ou aos eventos de informação promovidos tagens e desvantagens, serão analisadas a seguir. em suas escolas. Quando a presença é obrigatória, frequentemente não prestam atenção ou provocam tumulto. Segundo, como 0 adolescente INFORMAÇÃO PROFISSIONAL vivencia tanto a necessidade quanto a dificuldade de fazer uma escolha, ele pode vir a tomar uma decisão baseada mais em critérios externos do Muitas instituições educativas se limitam a oferecer aos seus alunos que internos. Nesse caso ele pode decidir-se pela profissão que está na apenas informação profissional. Essa informação pode ser oferecida de moda, ou que dizem ter muito mercado de trabalho, ou ser mais lucrativa. diferentes formas. A mais comum consiste na realização de um ciclo de É importante ressaltar que as propostas de informação profissional conferências sobre distintas profissões. Profissionais de cada área são são extremamente válidas e eficazes quando utilizadas após um trabalho convidados para ministrar palestras sobre a realidade da profissão que exer- de aprofundamento do conhecimento das características internas do cem (atividades, áreas de especialização, mercado de trabalho, etc.). Durante adolescente. Nesse caso adolescente não só estará motivado a absorver as palestras OS estudantes são incentivados a participar, fazendo perguntas e a informação profissional, mas também preparado para integrá-la aos discutindo dúvidas gerais. Podem fazer também parte do ciclo de palestras, seus critérios pessoais de escolha. Não se pode negligenciar a impor- representantes de diferentes instituições de ensino (universidades, centros tância do material informativo. Esse material deve ser construído numa universitários, escolas técnicas), com objetivo de informar OS alunos linguagem suficientemente clara e compreensível para OS adolescentes, sobre O sistema de ensino, OS cursos oferecidos, O processo seletivo, etc. com O intuito de motivá-los e facilitar-lhes a sua utilização. Alguns colégios realizam um evento que comumente é chamado de Entretanto, é importante não confundir a tarefa de informação pro- "Feira de Profissões". Para O evento alunos de uma determinada série, fissional com a tarefa de orientação profissional, visto que esta última sob a coordenação de um orientador, elaboram uma pesquisa a respeito de diversas profissões. Os resultados são apresentados numa exposição é muito mais abrangente e completa na ajuda que proporciona com em que são montados estandes por profissão ou por área profissional. relação à construção de um projeto profissional. De forma similar, realiza-se a chamada de Instituições Educativas" em que várias universidades/faculdades/centros universitários montam seus MODALIDADE ATUARIAL OU ESTATÍSTICA: estandes para oferecer informações sobre seus cursos. Outros colégios DIAGNÓSTICO VOCACIONAL MEDIANTE TESTES dispõem de um arquivo com informações sobre profissões e instituições PSICOLÓGICOS educativas, colocado à disposição dos alunos interessados para consulta. A informação profissional é de extrema importância dentro do pro- Essa modalidade de orientação profissional tem origem nos pri- cesso de escolha. Entretanto, não é aconselhável fornecê-la antes que mórdios da história da Psicologia Vocacional e consiste em realizar adolescente tenha suficiente conhecimento sobre si mesmo, ou seja, um diagnóstico vocacional baseado em testes psicológicos. Nesse caso sobre seus interesses, suas habilidades, seus valores e suas expectativas aplica-se ao orientando uma bateria de testes psicológicos com obje- com relação ao futuro profissional. Quando se proporciona informação tivo de avaliar, principalmente, sua capacidade intelectual, suas aptidões profissional sem que adolescente tenha aprofundado seu conhecimento específicas, a estrutura e dinâmica de sua personalidade, seus interesses pessoal correm-se dois riscos. Primeiro, é possível que adolescente profissionais e seus valores. não absorva essa informação por não estar devidamente motivado para Em geral, realiza-se uma entrevista inicial para coleta de dados e uma recebê-la. Por isso, é comum que muitos alunos não compareçam es- entrevista de devolução para a comunicação dos resultados. Esse pro- 22 23Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional cesso tem duração variável em função dos testes aplicados. Entretanto, espera uma resposta do orientador e não assume a responsabilidade pode-se estimar uma média de dez horas de trabalho, distribuídas em do processo de decisão. Corre assim O risco de acatar a indicação do sessões de 50 a 90 minutos de duração. orientador sem tomar consciência do por e para da sua escolha. A escolha dos testes a serem aplicados leva em conta tipo de apli- Nesta proposta de orientação não há espaço para O orientando refletir cação a ser realizada (coletiva ou individual), tempo disponível para a sobre suas motivações, suas competências, seus valores, nem elaborar orientação profissional, recursos financeiros e materiais disponíveis conflitos, as ansiedades e medos vinculados à situação de escolha. na instituição, entre outras variáveis. Um diagnóstico vocacional requer a Para muitos orientandos é conveniente e cômodo depositar na figura aplicação de uma bateria de testes contemplando, pelo menos: um teste do orientador e/ou dos testes psicológicos a responsabilidade de sua de capacidade intelectual, um teste que avalie a estrutura da personali- decisão e suas possíveis consequências. Entretanto, é observado, que OS dade, um inventário de interesses e um teste que avalie as habilidades/ jovens que participam desse tipo de orientação profissional nem sempre aptidões. No último capítulo serão apresentados testes psicológicos concordam ou aceitam resultados que lhes são comunicados. Eles mais utilizados pelos orientadores na atualidade. acabam, assim, adotando uma posição crítica e de desconfiança em Esta modalidade de orientação profissional só pode ser realizada relação aos testes psicológicos. por psicólogos, pois testes psicológicos são de uso exclusivo desta Outra situação importante é O uso muitas vezes indevido dos testes categoria profissional. A Resolução CFP 002/2003 (CONSELHO psicológicos. Em primeiro lugar não existe "teste vocacional". Esta é uma FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2003) define e regulamenta O uso, a ideia errônea que foi assimilada pela população leiga, mas também elaboração e a comercialização de testes psicológicos, além de estabe- por muitos psicólogos e orientadores profissionais. Existem testes lecer requisitos mínimos que instrumentos devem possuir para psicológicos que são utilizados em orientação profissional, objetivando serem reconhecidos como testes psicológicos e usados, portanto, pelos profissionais da área de Psicologia. Desde então, testes psicológicos avaliações específicas, por exemplo: capacidade intelectual, estrutura estão sendo submetidos a uma rigorosa avaliação pela equipe do Siste- de personalidade, interesses, habilidades. Muitas vezes O diagnóstico ma de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) do CFP, que emite vocacional é pautado apenas em um inventário de interesses ou em um parecer favorável ou desfavorável sobre uso dos instrumentos. alguns poucos testes e não em uma bateria completa. Também com Informações sobre pareceres técnicos dos testes psicológicos em frequência, resultados dos testes não são devidamente analisados e circulação estão disponíveis no site do Conselho Federal de Psicologia orientadores se limitam à indicação de algumas profissões, não tendo (acesso pelo portal: Sendo assim, ao cuidado de analisar todos aspectos envolvidos na problemática de decidir-se pela utilização de testes psicológicos, psicólogo deverá escolha profissional e nem de ajudar O orientando a compreender e verificar se testes que pretende utilizar receberam parecer favorável processar tais resultados. da comissão do SATEPSI e têm, portanto, seu uso liberado. Mais um aspecto a destacar, é que tal modalidade não inclui uma pes- A modalidade estatística ou atuarial de orientação profissional quisa nem uma discussão sobre a realidade educativa e socioprofissional. apresenta inconvenientes, alguns deles já apontados anteriormente por Conhecer tais realidades é fundamental. Novas profissões, novos cursos Bohoslavsky (1998) e Neiva (1997). e novas instituições de ensino surgem O mercado de Um deles é fato de não envolver orientando no seu próprio trabalho sofre frequentemente oscilações e mudanças que impactam processo de decisão. Nesta modalidade ele tem um papel passivo: realidades profissionais. 24 25Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional E finalmente, esta modalidade não treina nem facilita a aprendiza- mil ou mais alunos no ensino médio, esta é uma solução possível. O gem de mecanismos de decisão. A escolha profissional é a primeira de importante seria viabilizá-la de maneira tal que seus inconvenientes muitas decisões que O indivíduo deverá tomar relacionada à sua carreira fossem minimizados. profissional. É muito importante prepará-lo para a tomada de decisões conscientes e eficazes com relação à sua vida profissional e às várias MODALIDADE CLÍNICA transições de carreira que certamente ocorrerão no seu futuro e que Essa modalidade de orientação foi desenvolvida inicialmente na exigirão dele posicionamentos e escolhas. Argentina por psicólogos da Universidade de Buenos Aires, entre eles Sendo assim, cabe ressaltar a importância da postura do orientador Rodolfo Bohoslavsky, Silvia Gelvan de Veinsten, Angela Lopez Bonelli na utilização desta modalidade de orientação profissional. Ele deve Marina Müller. Essa proposta parte do princípio de que indivíduo desmitificar a ideia de que testes funcionam como uma "bola de cris- capaz de chegar a uma decisão profissional, caso consiga assumir e tal" que permite magicamente ver interior das pessoas. O orientador compreender a situação que enfrenta, e elaborar as ansiedades e conflitos deve conscientizar orientando de que testes somente oferecem vinculados a essa escolha. Seu objetivo principal é ajudar 0 orientando pistas e que tais pistas dependem da qualidade da informação que a elaborar sua identidade vocacional-ocupacional e mobilizar sua capa- próprio indivíduo possa fornecer. Quanto mais claro seja O processo cidade de decisão autônoma (BOHOSLAVSKY, 1998). de escolha, mais coerência O orientando demonstrará em suas respostas Nesse tipo de orientação papel do orientando é ativo, enquanto aos testes. Consequentemente, diagnóstico vocacional será também orientador assume papel de facilitador do processo. O orientador mais coerente com suas ideias. Ademais, é muito importante que acompanha assim orientando em seu processo de reflexão e escla- orientador, sobretudo na entrevista de devolução, esclareça papel e a recimento, permitindo que este elabore, pouco a pouco, seu projeto responsabilidade do orientando no processo de decisão, ajude-o a tomar profissional. Ele O ajuda, de um lado, a aprofundar seu conhecimento consciência da influência de seus aspectos internos (personalidade, ha- pessoal e a resolver conflitos que impedem a tomada de uma deci- bilidades, interesses, valores) nessa escolha e, finalmente, incentive-o a são e, de outro, facilita a interpretação correta da realidade educativa buscar informação profissional, visando a corrigir eventuais distorções socioprofissional, possibilitando a correção de imagens profissionais ou fantasias em relação à realidade das profissões. fantasiadas ou distorcidas. Finalmente, ele contribui para que orien- Infelizmente poucas instituições ou profissionais que utilizam essa tando elabore uma identidade vocacional-ocupacional autêntica e facilita modalidade de orientação tomam tais cuidados. Algumas vezes, ado- a aprendizagem do processo de decisão, permitindo que ele chegue de lescentes recebem, por escrito, um breve comunicado dos resultados, forma autônoma a uma decisão madura e consciente. sem qualquer ajuda para a compreensão e a elaboração destes. Nesse Seu principal instrumento é a entrevista, embora seja possível caso é aconselhável que adolescente não só busque, mas também exija incluir no processo a aplicação de testes psicológicos, técnicas, uma discussão a respeito. dinâmicas de grupo ou jogos. Quando algum teste é utilizado, é es- Não se pode negar que essa modalidade de orientação profis- sencial que O orientador discuta seus resultados com orientando, sional apresente vantagens para a utilização em nível institucional ajudando-o a compreendê-los e a relacioná-los à sua dinâmica de (NEIVA, 1997). Ela permite atingir grande número de alunos em um escolha profissional. curto período de tempo, com poucos profissionais e investimento Com relação às técnicas e dinâmicas de grupos, existe uma grande financeiro reduzido. Para muitas instituições educacionais, que têm quantidade de material publicado. Entretanto é importante saber fazer 26 27Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional uso de tais recursos e escolher as técnicas ou dinâmicas pertinentes aos de orientação é que ela propicia uma aprendizagem do processo de objetivos traçados pelo orientador. No último capítulo apresentaremos decisão. O adolescente aprende a aprofundar seu conhecimento pessoal algumas técnicas e jogos que estão sendo utilizados pelos orientadores da realidade profissional, assim como a integrá-los. Tal aprendizagem na atualidade. é que permite àqueles adolescentes, que não chegam a uma decisão São utilizados também diferentes recursos para a coleta de informa- durante processo de orientação, tomá-la posteriormente de maneira ção sobre a realidade educativa e socioprofissional, tais como: pesquisas autônoma. Ocasionalmente certos adolescentes sentem necessidade de em guias de profissões e websites, entrevistas com profissionais e estu- retomar processo algum tempo depois, quando algumas ideias estão dantes, visitas a universidades e locais de trabalho. mais amadurecidas ou quando adquiriram mais informações sobre a O processo de Orientação Profissional pode ser dividido nas se- realidade profissional. Nesse caso algumas entrevistas complementares guintes etapas: podem ser realizadas. A modalidade clínica de orientação profissional pode ser proposta 1. Diagnóstico inicial que permite avaliar as condições iniciais do orien- em forma individual ou grupal. Na forma individual são realizadas de tando e verificar se a demanda é realmente de orientação profissional. dez a quinze sessões de 50 minutos de duração, à razão de uma sessão 2. Conhecimento e esclarecimento de aspectos internos (características por semana. É possível realizar, em situações especiais, mais de uma pessoais, interesses, habilidades, valores, medos e expectativas com sessão por semana. Entretanto a experiência clínica tem demonstrado a relação ao futuro, conflitos, influências, etc.). necessidade e a importância de permitir ao orientando certo período de 3. Conhecimento e esclarecimento de aspectos externos (realidade elaboração entre uma sessão e outra. Quanto ao trabalho grupal, mais socioprofissional e educativa) detalhes serão apresentados no tópico seguinte. Assim, a modalidade clínica de orientação profissional, com seu 4. Integração dos aspectos internos e externos na construção de um enfoque psicodinâmico, atua principalmente em nível psicológico, com projeto profissional. métodos e técnicas procedentes da Psicologia Clínica e Social. Exige, 5. Avaliação da evolução do orientando e do processo de orientação para tal, orientadores devidamente treinados para utilizá-la. profissional. A principal vantagem dessa modalidade de orientação é a de contribuir É importante mencionar que, ao final do processo de orientação, não só para a decisão profissional, mas também para crescimento pessoal nem todos orientandos conseguem definir a profissão que pretendem do orientando. Além de facilitar a elaboração da identidade vocacional- seguir. Alguns podem chegar a definir uma área, outros a restringir ocupacional e, consequentemente, a elaboração da identidade pessoal, ela consideravelmente número inicial de opções, chegando a duas ou propicia a aprendizagem do processo de decisão. Essa aprendizagem facilita três profissões. O avanço no processo de escolha depende de vários a tomada de decisões futuras não só no âmbito profissional, mas em todas fatores: da etapa do processo de escolha em que se encontra adoles- as da vida do indivíduo (NEIVA, 1997). cente no início da orientação profissional, de seu nível de maturidade Embora sejam grandes as vantagens dessa proposta, não podemos para decidir, de sua estrutura de personalidade, dos conflitos envol- negar as dificuldades em viabilizá-la em sua forma individual, em nível vidos em seu processo de decisão, etc. Temos que respeitar tempo institucional. O fato de requerer orientadores com bom conhecimento e O ritmo de cada adolescente, ajudando-o a avançar até onde possa de Clínica e Social e suficientemente capacitados, somado nesse momento de sua vida. Um aspecto relevante dessa modalidade personalizado desse trabalho, limita sua viabilidade em nível 28 29Processos de Escolha e Orientação Profissional Kathia Maria Costa Neiva institucional e impulsiona sua utilização em nível privado (consultório). de uma sessão para outra. Contudo, deve-se considerar que, às vezes, esta Entretanto, existem propostas de grupo, derivadas da modalidade clínica, é alternativa viável. Nesse caso recomenda-se um acompanhamento dos que podem ser desenvolvidas em instituições de ensino (NEIVA, 1997). orientandos, individual ou em grupo, após certo período de tempo (um a dois meses). Pode-se realizar, então, uma ou duas sessões complementares. Os GRUPOS DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL DERIVADOS DA orientação profissional em grupo tem se mostrado muito eficaz e MODALIDADE CLÍNICA aconselhável, sobretudo em instituições. São muitas as suas vantagens. Além das vantagens que se referem à modalidade clínica já apresentadas A incorporação das teorias de grupo, sobretudo as que se referem anteriormente, trabalho em grupo enriquece e facilita processo de aos grupos operativos, à modalidade clínica de orientação profissional, escolha. Ele permite ao orientando ver-se através do outro e identificar-se tornou viável sua aplicação em nível institucional. O grupo operativo, com outros participantes que, com frequência, possuem preocupações que surgiu também na Argentina com Pichon-Rivière (1982), tem como medos semelhantes aos seus. objetivo básico a resolução de uma tarefa ou obstáculo que detém Uma dúvida comum entre profissionais, pais e estudantes, é se desenvolvimento do grupo. Quando aplicado à orientação vocacional, a tarefa é a escolha profissional. processo grupal de orientação profissional é indicado para qualquer Os grupos operativos permitem aos orientandos não só realizar a ta- pessoa. Para algumas pessoas a proposta grupal talvez não seja a mais refa de decidir, como também estabelecer relações com companheiros adequada. Nesse caso incluem-se os indivíduos cuja problemática de e orientadores do grupo. Essas relações facilitam O processo de decisão profissional está associada a problemas mais profundos de aprendizagem dos participantes do grupo. Com as distintas vivências e personalidade. A participação em um grupo, de um indivíduo com este realidades de seus companheiros, eles aprendem, amadurecem e crescem. perfil, pode provocar duas situações: ou ele não aproveita trabalho Aprendem a pensar, a observar, a escutar, a analisar, a compartilhar e a grupal por sentir-se sem espaço para discutir esses problemas no grupo, relacionar suas opiniões com as dos demais, a admitir que outras pessoas ou tenta tomar espaço de outros participantes para resolvê-los, saindo pensam e agem de maneira distinta, a formular hipóteses, a reavaliar a assim fora do foco e comprometendo a evolução do grupo como um dimensão de seus problemas e, finalmente, a trabalhar em grupo. todo. Existem também casos de indivíduos que, por possuírem forte O orientador, atuando nesse caso como coordenador do grupo, é inibição social, não conseguem participar e integrar-se ao grupo. Para aquele que pensa com os outros (co-pensador), que facilita a comunica- evitar tais situações, é importante que orientador realize, com cada ção do grupo, que analisa, que assinala e que informa. Grupos maiores pessoa interessada, uma primeira entrevista individual, que permitirá requerem, de preferência, a coordenação de dois orientadores. elaborar um pré-diagnóstico e ter certeza de que processo grupal O processo grupal de orientação profissional, de acordo com a modali- é Do contrário recomenda-se encaminhamento para um dade clínica, dura geralmente de oito a quinze sessões de 90 a 120 minutos atendimento individual. de duração. O número de participantes de um grupo pode variar entre cinco e quinze. Os grupos devem ser de preferência mistos reunir MODALIDADE DO DESENVOLVIMENTO alunos de diferentes séries escolares. Existem profissionais que trabalham VOCACIONAL com grupos intensivos de orientação que duram dois dias consecutivos, à razão de oito horas diárias. Uma desvantagem dos grupos intensivos é modalidade, que surgiu originalmente com Super e Ginzberg, que restringem a possibilidade de elaboração, por parte dos orientandos, foi a partir da proposta dos canadenses Pelletier, Bujold 31 30Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional e Noiseux (1979) intitulada "Concepção operatória do desenvolvimento vocacio- ção de atividades e experiências para cada subtarefa, que permitem a nal". Eles construíram um Programa de Ativação do Desenvolvimento aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades inte- Vocacional (ADVP), cujo objetivo é instrumentar 0 indivíduo em re- e atitudes cognitivas específicas. O cumprimento dessas tarefas lação às tarefas vocacionais. "Essa instrumentação compreende certas permite que O indivíduo avance em seu processo de desenvolvimento habilidades que se devem desenvolver, atitudes e conhecimentos que vocacional. Essa proposta de orientação profissional pode ser realizada se devem adquirir, ou mobilizar, quando já existentes (PELLETIER; individualmente ou em grupo. BUJOLD e NOISEUX, 1979, p. 89). São quatro as tarefas vocacionais: Tal proposta vem sendo muito utilizada principalmente no Canadá e exploração, cristalização, especificação e realização. A tarefa de exploração leva em alguns países da Europa e tem demonstrado ser muito eficiente. Ela O indivíduo a reconhecer problema da escolha e ampliar seus conhe- apresenta grandes vantagens para a sua aplicação em nível institucional, cimentos sobre si mesmo e sobre ambiente que rodeia. A tarefa de pois pode ser adaptada a grupos relativamente grandes, inclusive a toda cristalização permite ordenar, organizar a informação obtida sobre si uma turma de alunos. Além disso, pode ser aplicada ao longo de várias mesmo e sobre mundo profissional, eliminar certas opções, restrin- séries escolares, ativando processo de desenvolvimento vocacional gir campo de preferências, chegando a uma preferência profissional paulatinamente. Tem um caráter preventivo importante, na medida provisória. Na tarefa de especificação indivíduo converte sua preferência em que prepara O indivíduo para a resolução do problema da escolha provisória em definitiva, delimitando sua escolha. Ele conhece mais profissional e proporciona um aprendizado do processo de decisão profundamente a ocupação que é objeto de sua preferência e começa como um todo, desenvolvendo habilidades específicas necessárias a a elaborar planos para a realização de seus interesses. Nessa tarefa tomadas de decisão, não apenas no âmbito profissional. A desvanta- indivíduo confronta seus projetos com fatores como seus limites gem desse processo é a duração relativamente longa. A realização de pessoais, seu histórico escolar, sua situação socioeconômica. A tarefa todas as subtarefas propostas requer tempo considerável, que nem de realização permite que indivíduo materialize O projeto profissional sempre está disponível. Além disso, é necessário um treinamento dos escolhido, iniciando um ciclo de estudos ou buscando emprego na profissionais envolvidos e um importante apoio institucional para a ocupação escolhida. sua execução plena. Cada tarefa diz respeito à utilização e ao desenvolvimento de um Algumas adaptações desse programa são utilizadas, permitindo sua processo cognitivo específico: realização em menos tempo. Uma adaptação que tem resultado muito Exploração: pensamento criador (explorar, pesquisar); positiva é a integração das duas modalidades, clínica e do desenvolvi- Cristalização: pensamento perceptual (categorizar, hierarquizar, A partir do referencial teórico clínico, são utilizadas atividades priorizar); que não só mobilizam reflexões e aprofundam conhe- cimento interno e externo, como também desenvolvem habilidades e Especificação: pensamento avaliativo (comparar, avaliar); atitudes necessárias à tomada de decisões. Realização: pensamento implicativo (planejar, prever, antecipar). Tendo como base a teoria desenvolvimentista e O Programa de Cada tarefa é dividida em várias subtarefas, que seguem uma ordem Ativação do Desenvolvimento Vocacional, tem sido reforçada na estabelecida. Cada subtarefa compreende objetivos que indivíduo deve a importância da Educação para a Carreira cuja ênfase se dá alcançar que exigem certas habilidades intelectuais e atitudes cognitivas. no componente educativo da orientação. Este tipo de proposta tem O modelo de ativação do desenvolvimento vocacional prevê a realiza- objetivos: estimular autoconhecimento e O conhecimento 32 33Kathia Maria Costa Neiva Processos de Escolha e Orientação Profissional das oportunidades profissionais, facilitar a aprendizagem de tomada conhecimento das profissões, autoconhecimento, situação econômica, de decisões, desenvolvendo habilidades e atitudes de autogestão, social e política, expectativas e aspirações pessoais) e a construção do tornando assim os indivíduos autônomos fase às suas decisões. Tal projeto profissional. Utiliza como recursos metodológicos técnicas, proposta situa serviços no interior da própria instituição de ensi- dinâmicas de grupo, atividades estruturadas e discussões. no, abrangendo todo O sistema escolar: alunos, família e professores, assim como a relação da comunidade escolar com meio envolvente. ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA Tem uma perspectiva longitudinal da carreira aliada à concepção de Esta abordagem, desenvolvida por Hissa e Pinheiro (2002), considera aprendizagem ao longo da vida. O programa de intervenção se dá Orientação Profissional sob a ótica da aprendizagem da escolha e tem em conjunto com as demais atividades curriculares e se utiliza de como base as teorias desenvolvimentistas, O construtivismo, princípios estratégias educacionais como: informação ocupacional, inserção de da Gestalt e da modalidade clínica. Estas autoras propuseram a Metodo- temas sobre carreira no currículo acadêmico, oferta de experiências logia da Ativação da Aprendizagem cujo objetivo é exercitar conteúdos em locais de trabalho variados, oferta de cursos sobre planejamento e informações inerentes ao processo de aprendizagem que possibilitam de carreira, etc. Pode ser realizado por educadores em geral, desde que aprender a selecionar, escolher e decidir uma profissão, ativando as devidamente treinados e em diferentes níveis de ensino (GUICHARD devidas estruturas intelectuais e habilitando O indivíduo a perceber, e HUTEAU, 2001; JENSCHE, 2002; MUNHOZ e MELO-SILVA, pensar, sentir e agir. Para tal, fazem uso de técnicas participativas, jogos, 2011; MELO-SILVA, 2011). pesquisas, debates e dramatizações. ABORDAGEM OUTRAS MODALIDADES DE ORIENTAÇÃO Tal abordagem, introduzida na realidade brasileira por Moura (2004), PROFISSIONAL é baseada no Modelo de Análise do Comportamento de Skinner. Seus Outras modalidades de Orientação Profissional foram mais recen- objetivos principais são: (a) arranjar condições para que O indivíduo dis- temente introduzidas na realidade brasileira, contribuindo assim para a crimine as variáveis dos contextos familiar, social, cultural e econômico às diversificação de enfoques teóricos e metodológicos na área (NEIVA, seus comportamentos de decidir estão expostos; (b) proporcionar 2010a). Mencionaremos a seguir algumas delas. relevantes sobre as profissões de interesse, relacionando-as dados de autoconhecimento; (c) aumentar a ocorrência de com- ABORDAGEM SÓCIO-HISTÓRICA portamentos relacionados à escolha e/ou tomada de decisão. Como Esta abordagem de Orientação Profissional foi proposta por S. D. recursos metodológicos são utilizados exercícios específicos, técnicas, Bock e tem como base a teoria sócio-histórica que busca entender exposições, discussões e dramatizações. indivíduo na sua relação com a sociedade de forma dinâmica e dialética Não pretendemos esgotar neste livro as abordagens utilizadas em (BOCK, 2002; BOCK e BOCK, 2005). O objetivo desta modalidade Profissional e descrevemos aqui apenas algumas das mais de orientação profissional é facilitar a compreensão e apropriação dos utilizadas na realidade brasileira. Ribeiro e Melo-Silva (2011) apresentam determinantes das decisões (valores, mercado e campo de trabalho, discutem, com profundidade, vários enfoques teóricos contemporâ- expectativas familiares, grupo de amigos, experiência escolar, gênero, modelos de intervenção. 34 35