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Metilfolato no tratamento do transtorno depressivo maior: Placebo ou realidade? Quando, onde e por quê? 1 Conflito de Interesses Teoria unificada da depressão Como foi realizado? Estresse Hiperativação amigdaliana Hipofunção hipocampal Redução neurotransmissora Redução da neurogênese Lesões em neurocircuitos Menor neuroplasticidade Menos BDNF 5 Disfunção no Eixo HPA Hipercortisolemia leva a aumento do risco de doença cardiovascular. Depressão atualmente já é fator de risco cardiovascular para a Sociedade Americana de Cardiologia. 6 Disfunção no Eixo HPA Stress activates the immune response via sympathetic pathways. The myeloid cells from the brain marrow (haemopoietic activity) act as primary inflammation drivers causing damage to the endothelium increasing the risk of CVD. Hipercortisolemia leva a aumento do risco de doença cardiovascular. Depressão atualmente já é fator de risco cardiovascular para a Sociedade Americana de Cardiologia. 7 Disfunção no Eixo HPA Hipercortisolemia leva à morte de neurônios e menor expressão de BDNF. 8 Disfunção no Eixo HPA Hipercortisolemia leva à morte de neurônios e menor expressão de BDNF. 9 Elevação de citocinas inflamatórias Amigdala e hipocampo Cérebro sob estresse: Atrofia córtex pré frontal Atrofia hipocampal Hipertrofia de amígdalas Disfunção trimonoaminérgica Lesões epigenéticas A lesão costuma ser hipotalâmica. Há metilação de genes de neuroplasticidade, de adaptação ao estresse, impedindo a expressão genética deles. 13 Disfunção em neurocircuitos Há desconexão de parte das fibras que partem do córtex pré-frontal ao sistema límbico, que fica “liberado”. 14 Disfunção em neurocircuitos Há hipofunção do sistema de recompensa. 15 Neuroplasticidade Neuroplasticidade: capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo do desenvolvimento neuronal e quando sujeito a novas experiências. 16 Disfunção em fatores neurotróficos (BDNF) O BDNF age sobre certos neurônios do sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico, ajudando na manutenção dos neurônios estabelecidos e permitindo o crescimento e diferenciação de novos neurônios e sinapses.[3] No cérebro, o BDNF está ativo no hipocampo, córtex e tronco cerebral. 17 Neurogênese Neurogênese é o processo de formação de novos neurónios no cérebro,[1] provenientes de células-tronco neurais e progenitores neurais. Acreditava-se que a neurogénese ocorria apenas no desenvolvimento do cérebro e não que ela continuava durante toda a vida, mas estudos feitos recentemente concluíram que a neurogénese ocorre continuamente[1] em regiões cefálicas específicas em diferentes animais, como aves[2], roedores [3], macacos [4] e humanos [5]. 18 Elevação de homocisteína na depressão 19 Elevação de homocisteína na depressão 20 Elevação de homocisteína na depressão 21 Elevação de homocisteína na depressão e esquizofrenia 22 Elevação de homocisteína na depressão 23 Elevação de homocisteína na depressão Baixa ingestão de alimentos com ácido fólico, vitamina B6 ou B12. Doenças como hipotireoidismo, doença renal ou psoríase. Uso de alguns remédios. Outros estados patológicos como artrite reumatoide e doenças inflamatórias intestinais. Certos hábitos de vida, como tabagismo, consumo excessivo de café, chá e vegetarianismo. 24 Baixos níveis de folato na depressão Kelly CB, McDonnell AP, Johnston TG, et al. The MTHFR C677T polymorphism is associated with depressive episodes in patients from Northern Ireland. J Psychopharmacol. 2004;18(4):567-571. 25 Folato e redução da homocisteína 26 MTHFR Stahl et al. 2008. The Journal of clinical psychiatry. 69: 1352-1353. Folato Dihidrofolato L-metilfolato Prevalência do polimorfismo C677T do gene MTHFR Yadav et al. 2014. Indian Journal of Clinical Biochemistry. 32(4): 399-410. Distribuição global do alelo T Distribuição global do genótipo TT Polimorfismos mais comuns no gene MTHFR gene MTHFR Polimorfismos no gene MTHFR e atividade enzimática Fross et al, 1995; van der Pul et al, 1998; Gilbody et al, 2007. 30 C677T CC: normal CT: redução de 30% A1298C AA: normal AC: normal TT: redução de 60% CC: redução de 30% Polimorfismos do gene MTHFR Ralph Green. 2017. Blood, 129: 2603-2611. MTHFR ↓ ↓ ↑ ↑ ↓ ↓ 2. Interrupção na síntese de metionina ou S-adenosilmetionina + aumento da conversão de homocisteína em S-adenosil-homocisteína (inibidor da metiltransferase): redução da metilação de DNA e de proteína. methylation ↓ Polimorfismos no gene MTHFR também podem levar à interrupção/diminuição da síntese de metionina ou S-adenosilmetionina com consequente aumento da conversão de homocisteína em S-adenosil-homocisteína (SAH). A SAH é um inibidor da metiltransferase, o que pode causar uma redução da metilação de DNA. Um estudo publicado na PNAS mostrou a relação entre a presença do polimorfismo C677T e a metilação do DNA. 31 Polimorfismo C677T do gene MTHFR e metilação de DNA Friso et al. 2002. PNAS, 99 (8): 5606-5611. Nível da metilação de DNA (ng mCit/µg DNA) de acordo com o genótipo da enzima MTHFR e níveis plasmáticos de folato (estratificação pelos valores de folato acima e abaixo da média). Nível da metilação de DNA (ng mCit/µg DNA) de acordo com o genótipo do gene MTHFR e níveis plasmáticos de folato (estratificação pelos valores de folato acima e abaixo da média. De forma bastante interessante, podemos notar que quando os níveis plasmáticos de folato estão adequados (ou seja, maior que 12nmol/L) não há diferença na metilação total de DNA quando indivíduos com genótipo CC são comparados com indivíduos com genótipo TT. No entanto, quando os níveis de folato são menores que 12nmol/L os indivíduos com genótipo TT apresentam uma redução significativa nos níveis de metilação total de DNA, o que pode prejudicar diversos processos. 32 Polimorfismos do gene MTHFR MTHFR ↓ ↓ ↑ 3. Diminuição dos níveis de metiltetrahidrofolato e aumento dos níveis de metilenotetrahidrofolato: alterações na síntese e reparo de DNA. Ralph Green. 2017. Blood, 129: 2603-2611. Outra consequência do mal funcionamento da MTHFR devido a polimorfismos é a diminuição dos níveis de metiltetrahidrofolato e aumento dos níveis de metilenotetrahidrofolato o que pode causar alterações na síntese e reparo de DNA. Vamos ilustrar melhor isso... 33 Polimorfismo C677T do gene MTHFR e distribuição de folato Ueland et al. 2001. TRENDS in Pharmacological Sciences. 22(4): 195-201. De acordo com estudos, polimorfismo C677T afeta a distribuição entre espécies de folato (verde) usadas para síntese de DNA/RNA (lado direito do esquema) e para remetilação de homocisteína (Hcy) e consequente síntese de proteína (lado esquerdo do esquema). O gráfico circular indica a prevalência do genótipo frequentemente encontrada em populações caucasianas e o tamanho das setas verticais associadas indica a atividade da MTHFR de acordo com o genótipo. Ou seja, o genótipo CC afeta 50% da população caucasiana e possui MTHFR com atividade normal. O genótipo CT afeta 40% da população caucasiana e possui MTHFR com atividade reduzida. O genótipo TT afeta 10% da população caucasiana e expressa MTHFR com atividade menor ainda. Esse individuo possui MTHFR deficiente, levando a redução da conversão de metilenotetrahidrofolato em metiltrahidrofolato. O aumento dos níveis de metilenotetrahidrofolato pode causar um aumento na síntese de DNA/RNA. Um aumento descontrolado na síntese de DNA está relacionado ao desenvolvimento de câncer. Abreviaturas: AdoMet, S-adenosilmetionina; CHOTHF, formiltetra-hidrofolato; CHTHF, meteniltetra-hidrofolato; CH2THF, 5,10-metilenotetra-hidrofolato; CH3DNA, DNA metilado; CH3THF, 5-metiltetra-hidrofolato; DHF, di-hidrofolato; dTMP, 5'-monofosfato de desoxitimidina; dump, 5'-monofosfato de desoxiuridina; FAD, dinucleido de flavina adenina; Hcy, homocisteína; Met, metionina; THF, tetra-hidrofolato. CC e TT sãoos genótipos homozigóticos e CT é o genótipo heterozigótico. O bom funcionamento destes processos é fundamental para prevenção do câncer. 34 Polimorfismos do gene MTHFR estão associados a depressão? Mas, afinal: Polimorfismos do gene MTHFR estão associados a depressão? 35 Regulação da síntese de monoaminas pelo L-metilfolato Barnett et al. 2017. Exploratory Research and Hypothesis in Medicine, 2: 86-100. ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ Mecanismo de ação dos antidepressivos Saudável Depressão Antidepressivos Cástren, 2005. Nature Reviews Neuroscience, 6: 241–246. Principais classes de antidepressivos DNA methyltransferase Me SAM L-metilfolato COMT COMT ↓ ↓ ↑ A síntese da COMT é regulada por metilação transcrição possível transcrição inibida DNA metiltransferase Dopamina Noradrenalina Adrenalina Uso do metilfolato no tratamento da depressão ↓metilfolato ↓monoaminas Quais as evidências? Quais as indicações? Posso usar folato ao invés de L-metilfolato? Existem efeitos adversos? E interações medicamentosas? Polimorfismos no gene MTHFR e atividade enzimática Fross et al, 1995; van der Pul et al, 1998; Gilbody et al, 2007. Estudos mostram que a interação dos polimorfismos C677T e A1298C levam a reduções características na atividade enzimática da MTHFR, como mostra a tabela. 41 Evidências Uso de metilfolato como adjunto no tratamento para depressão Papakostas et al. 2012. Am J Psychiatry, 169:1267–1274. George I. Papakostas Como mostra este estudo de Papakostas de 2012... 43 Uso de metilfolato como adjunto no tratamento para depressão Ginsberg et al. 2011. Innov Clin Neurosci. 8(1): 19–28. Pacientes com prejuízos funcionais mais graves Corroborando estes dados, o uso de metilfolato adjunto ao tratamento com ISRS ou ISRN (barra cinza escuro) induziu uma melhora dos sintomas depressivos significativamente maior do que a monoterapia com ISRS ou ISRN, 30 ou 60 dias após o inicio do tratamento (gráfico da esquerda). Este mesmo efeito foi observado em pacientes com prejuízos funcionais mais graves (gráfico da direita). 44 Uso de metilfolato como adjunto no tratamento para depressão Ginsberg et al. 2011. Innov Clin Neurosci. 8(1): 19–28. Pacientes com prejuízos funcionais mais graves Além disso, o tempo médio para melhora dos sintomas depressivos em pacientes graves tratados com L-metilfolato mais ISRS ou ISRN ocorreu 177 dias após inicio do tratamento enquanto que pacientes tratados com monoterapia apresentaram melhora significativa após 231 dias apenas (gráfico da esquerda). Ou seja, os indivíduos tratamentos com metilfolato apresentaram melhora 54 dias antes. De modo semelhante, pacientes com prejuízos funcionais mais graves tratados com metilfolato como medicação adjunta apresentaram melhora significativa dos sintomas depressivos 85 dias após início do tratamento enquanto que os pacientes sob monoterapia com ISRS ou ISRN apresentaram melhora equivalente apenas 150 dias depois do inicio do tratamento (gráfico da esquerda). 45 Uso de metilfolato como adjunto no tratamento para depressão Ginsberg et al. 2011. Innov Clin Neurosci. 8(1): 19–28. Os pacientes tratados com metilfolato também apresentaram menor tava de interrupação do tratamento devido a efeitos adversos (gráfico da esquerda) e menor número de hospitalizações durante o tratamento. Desta forma, observamos que diversos estudos indicam que o uso do metilfolato traz benefícios ao tratamento antidepressivo. Isso também é atestado por diversos pacientes, como podemos observar nos relatos a seguir...... 46 Uso de metilfolato no longo prazo como adjunto no tratamento para depressão Os pacientes tratados com metilfolato também apresentaram menor tava de interrupação do tratamento devido a efeitos adversos (gráfico da esquerda) e menor número de hospitalizações durante o tratamento. Desta forma, observamos que diversos estudos indicam que o uso do metilfolato traz benefícios ao tratamento antidepressivo. Isso também é atestado por diversos pacientes, como podemos observar nos relatos a seguir...... 47 Uso de metilfolato no longo prazo como adjunto no tratamento para depressão 48 49 Uso de metilfolato na depressão bipolar Andrew A. Nierenberg, Rebecca Montana, Gustavo Kinrys, Thilo Deckersbach and Ji Hyun Baek, L-Methylfolate for Bipolar I Depressive Episodes: An Open Trial Proof-of-Concept Registry, Journal of Affective Disorders 50 Redução da perda cortical neuronal com Metilfolato Jain R, Manning S, and Cutler AJ. Good, better, best: clinical scenarios for the use of L-methylfolate in patients with MDD. CNS Spectrums 51 52 53 54 Papakostas et al. 2012. Am J Psychiatry, 169:1267–1274. NNT semelhante aos estudos de adjuvância com atípicos e lítio 55 56 57 58 59 60 Prevalência dos Polimorfismos no gene MTHFR Grande porcentagem da população é heterogizoto para 677T ou 1298C sem repercussão clínica Em pacientes com diagnóstico de depressão até 70% apresentam polimorfismo no gene MTHFR: relação com a má resposta aos antidepressivos Maior predisposição a episódios depressivos Indicações para o uso do metilfolato DOSE: 7,5 – 15 mg/dia. Melhorar a resposta ao antidepressivo no início do tratamento. Melhorar sintomas cognitivos ou o humor de pacientes com deficiência de MTHFR; Pacientes com depressão e níveis de folato sub-ótimos (adjunto ao antidepressivo). Pacientes com esquizofrenia e hiper-homocisteinemia (adjuvante ao antipsicótico). Pacientes com alterações importantes nos exames de MTHFR, como heterozigose combinada, ou homozigose de qualquer uma das variantes. 62 Necessidade do teste farmacogenético para introduzir metilfolato? Exame ferramenta acessível para os pacientes e permite avaliar necessidade de uso da dose terapêutica de 15 mg/dia proposta pela literatura É possível fazer uso de metilfolato sem o exame farmacogenético? Efeito placebo? Presença de deficiência de metilfolato Possível metilação do gene da COMT, a inativação desse gene leva a redução da atividade da enzima COMT responsável pela degradação de catecolaminas aumento de dopamina no córtex pré frontal (Papakostas, 2012) (Stahl,2013 ) Quando tempo para resposta terapêutica do metilfolato? Na prática clínica: Alguns pacientes já identificam melhora dos sintomas logo após a introdução do metilfolato. Aguardar até 60 dias para avaliar falha terapêutica. Falha terapêutica após 60 dias-manutenção para pacientes heterozigotos e homizogotos em dose terapêutica menor 0,4-1,0 mg/dia. Resposta terapêutica- manutenção de 1 ano após remissão dos sintomas Ausência de dados na literatura de uso de metilfolato 15 mg/dia a longo prazo. Posso usar folato ao invés de metilfolato? Medbiotech Lifecare Pvt. Ltd. 2017. Cmáx plasma L-metilfolato (ng/ml) L-metilfolato (5mg) ácido fólico (5mg) p2° semana 3° semana Although studies showed that L-methylfolate does not cause side effects, in the clinical practice side effects as agitation, insomnia, anxity and tiredness can be observed. The adverse effects can be avoided with the titration of L-metylfolate doses. 72 OBRIGADO! 73 image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.jpeg image13.png image14.png image15.jpeg image16.png image17.png image18.png image19.gif image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.jpeg image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.jpeg image43.png image44.jpeg image45.png image46.png image47.png image48.jpeg image49.gif image50.png image51.png image52.gif image53.png image54.png image55.png image56.png image910.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.png image67.jpeg image68.png image69.png image70.emf image71.png image72.emf image73.emf image74.emf image75.emf image76.emf image77.emf image78.png image79.png image80.png image81.png image82.png image83.png image84.png image85.png image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image92.png image93.png image94.png image95.png image96.png image97.png image98.png image99.png image100.png image101.png image102.png image103.png image104.jpeg image105.png image106.png image107.png image108.png image500.png image109.png image110.jpeg image111.jpeg image112.png image113.png image1.png