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Imposto de Renda, Encargos Sociais e Trabalhistas
Os benefícios relacionados aos empregados que são geridos pelo Governo Federal
CNAE e seu papel nas atividades laborativas
A CNAE é uma tabela que lista todas as atividades laborativas e as codifica, gerando um padrão de identificação para todo o território nacional.
Esse código é utilizado, por exemplo, dentro da norma NR 04, que trata de regulamentar os serviços especializados em Engenharia de segurança do trabalho e em Medicina do trabalho, para listar as classificações de risco de cada tipo de atividade e indicar a quantidade de técnicos de segurança do trabalho, engenheiros de segurança do trabalho, médicos e enfermeiros que a empresa deve manter em seus quadros para atendimento de seus empregados.
O governo, por meio do IBGE, garante que a tabela esteja sempre atualizada, incorporando novas atividades que vão surgindo com o passar do tempo, como aconteceu aquelas ligadas às tecnologias da informação.
A CNAE é monitorada e atualizada pela CONCLA, formada em 1994 por representantes de diversos ministérios, incluindo a presidência do IBGE, a fim de identificar e atualizar todas as tabelas disponibilizadas pelo instituto. Nesse colegiado, há grupos específicos de trabalho, sendo o da CNAE um deles.
Em 2007, essas comissões lançaram a “CNAE 2.0” e a “CNAE 2.0” específica para uso da administração pública, após uma ampla revisão nos anos de 2004 a 2006, em que participaram diversos setores da economia, procurando a maior abrangência possível das atividades que existem no Brasil.
 
Todo esse trabalho de construção da CNAE teve como objetivo convergir a padronização dos códigos de atividades nacional com a CIIU/ISIC ― Classificación Industrial Internacional Uniforme ―, criada pela ONU em 1946.
Essa convergência procura alinhar os códigos nacionais com os internacionais, facilitando a codificação das atividades das empresas em âmbito nacional e possibilitando a comparabilidade das estatísticas geradas nacionalmente com as internacionais.
A classificação internacional sofreu diversas atualizações. A última foi publicada em 2006, com vigência a partir de 2007.
A CNAE é estruturada de acordo com o seguinte padrão (IBGE, 2021)
Os dois primeiros níveis hierárquicos
São divididos em seções e divisões, e a CNAE adota a estrutura da CIIU/ISIC, inclusive na definição dos códigos.
Os níveis 3 e 4
São divididos em grupos e classes. Aqui, a CNAE introduz um maior detalhamento, sempre que necessário, para refletir a estrutura da economia brasileira, em princípio possibilitando a reconstituição das categorias da classificação internacional.
O quinto nível
O quinto nível da CNAE 2.0 é um detalhamento das classes para uso específico da administração pública.
Todo esse trabalho e convergência das codificações desenvolvidas para a CNAE foram amplamente adotados pela estatística oficial do governo brasileiro. Essa adoção ajuda a gerar um padrão na construção e disseminação de estatísticas oficiais, além de possibilitar a construção de outras normas que utilizam esses códigos como uma forma de padronizar as divisões das atividades laborativas no Brasil.
 
Uma dessas normas que utiliza esse código é a NR 04, como já tratado anteriormente. Dentro da NR 04, a CNAE funciona como uma lista em que os riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas são classificados. Essa classificação gera um padrão que deve ser seguido por todas as empresas, e como há convergência internacional, pode ser facilmente comparado com os padrões internacionais aplicados.
A CNAE pode ser consultada diretamente em site próprio, tanto por cidadãos, como por empresas e profissionais que necessitarem fazê-lo.
FAT ― Fundo de Amparo ao Trabalhador
O Fundo de Amparo ao Trabalhador foi criado em 1988 com a promulgação da Constituição Federal de 1988 para financiar os programas de seguro-desemprego e outros programas de apoio ao desenvolvimento econômico por meio do BNDES.
O fundo foi a principal fonte de recursos para as políticas desenvolvidas pelo BNDES até o ano de 2007, quando repasses do Tesouro Nacional a suplantaram, mas, conforme esses valores são devolvidos, o FAT volta a ser a principal fonte de recursos para os programas do BNDES.
O FAT foi formado pelos recursos provenientes do PIS e do PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público). Esses recursos seriam utilizados para pagamento do seguro-desemprego, do abono salarial, e pelo menos 40% seriam destinados ao financiamento do desenvolvimento econômico.
Esses valores destinados ao investimento são geridos pelo CODEFAT, que tem uma formação tripartite e paritária, composta por representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo. Com relação ao mandato, cada conselheiro permanece durante quatro anos, permitida uma recondução, e a presidência é eleita bienalmente por maioria absoluta. Não podemos desconsiderar a alternância entre as representações dos trabalhadores, dos empregadores e também do governo.
· Elaborar diretrizes para programas e para a alocação de recursos.
· Acompanhar e avaliar seu impacto social, propondo o aperfeiçoamento da legislação referente às suas políticas.
· Exercer o controle social da execução dessas políticas, por intermédio da análise das contas do fundo e dos relatórios dos executores dos programas apoiados.
· Fiscalizar a administração do FAT.
Dentre os usos possíveis do FAT para o fomento do desenvolvimento, há dois planos:
O FAT depósitos especiais
Pode ser aplicado por qualquer instituição federal.
A aplicação da parcela destinada ao BNDES pode ser aplicada em qualquer programa que o banco selecionar, não tendo nenhuma restrição adicional. Para o FAT depósitos especiais, as aplicações devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo CODEFAT, que define os scores de crédito que as empresas precisam ter para receberem os valores.
Já em relação à parcela que é destinada ao seguro-desemprego, esse valor pode ser aplicado tanto no pagamento do próprio seguro-desemprego como em programas de treinamento e recolocação dos trabalhadores nacionais (programas de qualificação e requalificação profissional e de orientação e intermediação de mão de obra).
Seguro de acidentes de trabalho
O Seguro de acidentes de trabalho é um programa do governo federal que foi instituído pelo Decreto nº 61.784 de 28 de novembro de 1967. Nesse programa foram criados o seguro de acidente de trabalho a cargo do INSS, sendo integrado à Previdência Social Brasileira. Após esse decreto, foi aprovada, no mesmo ano, a Lei nº 6.367, que gerou todo o arcabouço jurídico que rege o Seguro de acidentes de trabalho existente até hoje, regulamentado pelos decretos nº 79.037/76 e nº 3.048/99.
Logo no artigo 2º, a referida lei define o que é considerado acidente de trabalho:
“Acidente do trabalho é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”.
 
Na lei geral dos Benefícios da Previdência Social, Lei nº 8.213/91, o artigo 20, inciso II, coloca que “doença do trabalho, assim entendida, é a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I”.
Casos em que outras doenças são consideradas acidente de trabalho
Na Lei nº 6.367/76, o legislador procurou colocar os casos em que outras doenças são consideradas acidente de trabalho, equipando-os aos seguintes casos:
 
· Quando da doença profissional ou do trabalho, assim entendida a inerente ou peculiar a determinado ramo de atividade e constante de relação organizada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS).
· Do acidente que, ligado ao trabalho, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte, ou a perda, ou redução da capacidade para o trabalho.
· Do acidente sofrido pelo empregado no local e no horário do trabalho, em consequência de ato de sabotagemou de terrorismo praticado por terceiros, inclusive companheiro de trabalho.
· De ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada com o trabalho.
· De ato de imprudência, de negligência como motivos para a equiparação.
· Nos casos de imperícia de terceiro, inclusive companheiro de trabalho.
· Dos atos de pessoa privada do uso da razão ou desabamento, inundação ou incêndio, ou outros casos fortuitos.
· Casos decorrentes de força maior que vierem a prejudicar o empregado.
· A doença proveniente de contaminação acidental de pessoal de área médica, no exercício de sua atividade.
· O acidente sofrido pelo empregado, ainda que fora do local e horário de trabalho, na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa serão equiparados como acidentes de trabalho.
· Da prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito.
· Em viagem a serviço da empresa, seja qual for o meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do empregado.
· No percurso da residência para o trabalho ou deste para aquela também serão considerados acidentes de trabalho.
Todas essas hipóteses procuram listar as possibilidades de situações em que o trabalhador terá o direito a ter sua doença considerada como acidente de trabalho, garantindo-lhe as prerrogativas e proteções que a lei garante no caso de acidente de trabalho. A legislação estende o horário de trabalho aos períodos de descanso e ao período em que os empregados estão atendendo às suas necessidades fisiológicas ao horário de serviço normal, assim todos os direitos em relação ao acidente de trabalho se estende por esses períodos.
Além das possibilidades já listadas, se o empregado for acometido de algum tipo de doença e provar que foi em razão de suas atividades laborais, ele deve ser incluído no direito de ser coberto pelos direitos dos acidentados em trabalho.
Os benefícios concedidos ao empregado que sofrer acidente de trabalho são listados no artigo 5º da Lei nº 6.367/76, que dita que “os benefícios por acidente do trabalho serão calculados, concedidos, mantidos e reajustados na forma do regime de previdência social do INPS, salvo no tocante aos valores dos benefícios de que trata este artigo, que serão os seguintes”:
Auxílio-doença
Valor mensal igual a 92% (noventa e dois por cento) do salário de contribuição do empregado, vigente no dia do acidente, não podendo ser inferior a 92% (noventa e dois por cento) de seu salário de benefício.
Aposentadoria por invalidez
Valor mensal igual ao do salário de contribuição vigente no dia do acidente, não podendo ser inferior ao de seu salário de benefício.
Pensão
Valor mensal igual ao estabelecido no aposentadoria por invalidez, qualquer que seja o número inicial de dependentes.
Nesse mesmo artigo, são colocadas as regras para o cálculo desses valores a receber e a data em que os beneficiários terão o direito a esse recebimento, em caso de morte que ditam que “não serão considerados para a fixação do salário de contribuição de que trata este artigo os aumentos que excedam os limites legais, inclusive os voluntariamente concedidos nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao início do benefício, salvo se resultantes de promoções reguladas por normas gerais da empresa admitidas pela legislação do trabalho, de sentenças normativas ou de reajustamentos salariais obtidos pela categoria respectiva”.
Além dessa possibilidade, “a pensão será devida a contar da data do óbito, e o benefício por incapacidade a contar do 16º (décimo sexto) dia do afastamento do trabalho, cabendo à empresa pagar a remuneração integral do dia do acidente e dos 15 (quinze) dias seguintes”.
O legislador ainda majorou em 25% o valor de recebimento quando o acidentado precisar de acompanhamento constante de outra pessoa para sua sobrevivência e segurança de saúde. Essa majoração também é devida no caso de empregado de remuneração variável e de trabalhador avulso, que deverá considerar:
 
· Os 12 (doze) maiores salários de contribuição apurados em período não superior a 18 (dezoito) meses imediatamente anteriores ao acidente, se o segurado contar, nele, mais de 12 (doze) contribuições.
· Os salários de contribuição compreendidos nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao do acidente ou dos meses desde a contratação, conforme for mais vantajoso, se o segurado contar 12 (doze) ou menos contribuições nesse período.
 
Além disso, é importante mencionar que existem as doenças do trabalho e as doenças profissionais.
Doenças do trabalho (ou mesopatias)
São doenças ocupacionais causadas por determinantes constantes no ambiente em que a pessoa trabalha, mas que não são geradas diretamente pelo trabalho, embora possam ser desencadeadas por ele.
Doenças profissionais
São aquelas causadas diretamente pela atividade ocupacional do indivíduo, provocando-lhe problemas que podem até mesmo inviabilizar a execução da tarefa para o qual foi contratado.
Salário-família
O salário-família é um direito de todo empregado, incluso nesse caso o empregado doméstico e o trabalhador avulso, que possua filhos ou pessoas equiparadas a filhos menores de 14 anos. No caso dos filhos ou equiparados considerados inválidos, não há limite de idade para o recebimento do benefício, cujo valor será dobrado.
Atenção: Como o benefício é previdenciário, todos os cidadãos que contribuem para o INSS podem solicitá-lo, desde que se encaixem nas condições limitantes para usufruí-lo. Para o ano de 2021, o valor estabelecido por lei para pagamento por filho foi de R$ 48,62. Já o teto do salário recebido pelo trabalhador para ter o direito ao recebimento foi de R$ 1.425,56. Esses valores são reajustados conforme seu poder de compra decresce em função da inflação, logo a cada ano o valor pago e o valor do teto para ter direito ao benefício vai mudando, repondo as perdas ocorridas. Para saber o valor do ano corrente, é necessário consultar as informações no site do INSS.
Todas as regras desse benefício foram instituídas pelas Leis nº 4.266/63 e nº 5.559/68. A Lei nº 4.266/63, artigo primeiro, diz que o salário-família é “devido, pelas empresas vinculadas à Previdência Social, a todo empregado, como tal definido na Consolidação das Leis do Trabalho, independentemente do valor e da forma de sua remuneração dentro do limite estabelecido para ter o direito ao benefício, e na proporção do respectivo número de filhos”. Além disso, o legislador aponta que o salário-família deve ser custeado por impostos pagos pelos empregadores, conforme instituído nessa lei.
O salário-família não incorpora os benefícios pagos a título de aposentadoria, conforme expresso no artigo 4º da Lei nº 5.559/68; no entanto, os aposentados por invalidez, idade ou tempo de contribuição podem recebê-lo caso se encaixem nas condições exigidas. Sobre os valores recebidos como salário-família não incidem impostos, e estes não servem de base para a incidência de contribuições previdenciárias.
Salário-educação
O salário-educação trata-se de uma contribuição feita pelas empresas para o financiamento de programas voltados para a educação básica pública, conforme o parágrafo 5º do artigo 212 da Constituição Federal de 1988. Esses recursos chegam a 20% do valor destinado à educação e é arrecadado mediante um tributo que incide na proporção de 2,5% sobre a folha de pagamentos das empresas em geral.
Os valores do salário-educação são destinados diretamente para a educação básica pública, sendo proibida a sua utilização para pagamento de pessoal. Esses valores podem pagar até a alimentação dos estudantes, a chamada merenda escolar, não tendo nenhum tipo de restrição legal a essa aplicação.
Segundo o site do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação):
· 10% da arrecadação líquida ficam com o próprio FNDE, que os aplica no financiamento de projetos, programas e ações da educação básica.
· 90% da arrecadação líquida são desdobrados e automaticamente disponibilizados aos respectivos destinatários, sob a forma de quotas,sendo:
· Quota federal
· Correspondente a 1/3 dos recursos gerados em todas as Unidades Federadas, o qual é mantido no FNDE, que o aplica no financiamento de programas e projetos voltados para a educação básica, de forma a propiciar a redução dos desníveis socioeducacionais entre os municípios, estados e as regiões brasileiras.
X
· Quota estadual e municipal
· Correspondente a 2/3 dos recursos gerados, por Unidade Federada (Estado), os quais são creditados, mensal e automaticamente, em contas bancárias específicas das secretarias de educação dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, na proporção do número de matrículas, para o financiamento de programas, projetos e ações voltados para a educação básica (art. 212, § 6º da CF).
INSS – Contribuição previdenciária
A contribuição previdenciária para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) é uma contribuição obrigatória que foi instituída para pagar as aposentadorias e pensões dos segurados desse sistema. A lei que regulamenta a maioria dos aspectos voltados à arrecadação das contribuições para a previdência é a Lei nº 8.212 de 1991.
A contribuição dos empregados à Previdência Social pode ser de um percentual que varia de 7,5% a 14% conforme tabela a seguir:
	Salário
	Alíquota
	Taxa de desconto até R$ 1.100,00
	7,5%
	Taxa de desconto de R$ 1.100,01 até R$ 2.203,45
	9%
	Taxa de desconto de R$ 2.203.49 até 3.305,22
	12%
	Taxa de desconto de 3.305,23 até 6.433,57
	14%
Tabela: Faixas da contribuição previdenciária.
Elaborada por Ettore de Carvalho Oriol 
Esse percentual é aplicado sobre as faixas de salário de cada trabalhador segurado. A sistemática de cálculo funciona como no caso do IRRF, em que os percentuais são aplicados a cada faixa, ou seja, se o empregado ganha até R$ 1.100,00, será descontado um percentual de 7,5%. Quando o empregado passa a ganhar um valor maior, o que passar desse percentual receberá uma alíquota de 9% até atingir o valor de 2.203,45, e assim para as próximas faixas.
A alíquota incide sobre os valores recebidos pelo empregado, sendo que as verbas que entram na base de cálculo da contribuição previdenciária são:
 
· adicionais de insalubridade ou de periculosidade;
· décimo terceiro salário;
· férias gozadas;
· 1/3 constitucional de férias;
· ganhos habituais (gratificações e PL mensal);
· gorjetas;
· horas extras;
· salário mensal;
· salário-maternidade;
· vale-refeição em dinheiro.
 
Já as parcelas que não integram o salário de contribuição, ou seja, o salário-base para incidência da contribuição previdenciária, são:
 
· aposentadoria (no caso dos funcionários públicos, sobre o valor que receberem que ultrapassar o teto do INSS incidirá contribuição previdenciária de 14%);
· auxílio-acidente;
· auxílio-doença;
· auxílio-reclusão;
· reembolso de diárias de viagem;
· férias indenizatórias (quando o empregado é dispensado e o empregador paga as férias em espécie);
· ganhos eventuais (PL semestral ou anual);
· pensão por morte;
· salário-família;
· vale-refeição em ticket ou cesta básica;
· vale-transporte.
Todas essas verbas que integram a base de incidência da contribuição previdenciária serão consideradas para a incidência das faixas de alíquotas, sendo que o valor de R$ 6.433,57 é o teto de cobrança.
Comentário
A imposição de um teto para a contribuição está ancorada na ideia de que os segurados, ao se aposentarem, receberão no máximo o teto que o INSS paga a seus segurados. Isso quer dizer que, utilizando o mesmo exemplo anterior, para um empregado que receba salário de R$ 10.000,00, quando ele aposentar receberá no máximo R$ 6.433,57. Esse teto, tanto de contribuição, como de recebimentos, foi instituído para limitar os ganhos possíveis e diminuir os déficits que a previdência no Brasil apresentava de forma constante e crescente.
Há dois tipos de contribuintes para o INSS:
- Obrigatório
Todos os trabalhadores que exercem atividade remunerada estão obrigados a pagar a contribuição previdenciária. 
As pessoas que são contribuintes obrigatórios, se assim não procederem, cometerão o crime de sonegação fiscal.
- Facultativo
Já os demais, que não exercem atividade remunerada, desde que tenham idade superior a 16 anos, podem contribuir com o INSS na condição de contribuintes facultativos.
Os contribuintes facultativos também terão direito à aposentadoria, como se fossem contribuintes obrigatórios, tendo também direito a auxílio-doença e a outros direitos que os demais contribuintes têm. A alíquota de contribuição é de 20% sobre o salário-base, sendo que o salário mínimo nacional é o menor valor que o contribuinte facultativo pode utilizar como salário-base.
MEI
Além do contribuinte facultativo, temos o contribuinte enquadrado como Empreendedor Individual (MEI), que contribui com um valor fixo mensal e pode se aposentar com um salário mínimo. A carência para essa aposentadoria é de 5 anos, ou seja, basta que o segurado, desde que cumpra todas as outras exigências para se aposentar, tenha contribuído por esse período mínimo. Esse valor fixo de contribuição substitui a contribuição previdenciária obrigatória de 7,5% a 14% cobrada sobre os salários dos empregados, além de substituir a contribuição patronal.
A contribuição patronal para a previdência social é de 20%. Esse valor incide sobre o valor total da folha de pagamentos, não tendo nesse caso teto para a contribuição. Esse ponto é muito importante, pois apenas os empregados têm limite em suas contribuições e em percentual máximo de 14%, a parcela patronal não tem esse privilégio, uma vez que a empresa deve recolher integralmente o percentual de 20% sobre a folha de pagamentos.
Além dessa alíquota de 20%, as empresas devem recolher um percentual que varia de 1% a 3% para o RAT/SAT para cobrir indenizações por acidente de trabalho. O percentual é determinado com base no Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Além dessa contribuição, incidem também as contribuições para o sistema “S”, que será tratado em título específico.
Outra questão importante é que a empresa é responsável por reter a contribuição previdenciária de alguns prestadores de serviço.
As empresas que sofrerem esses descontos poderão recolher apenas a diferença desse valor como contribuição patronal, compensando os valores retidos na nota fiscal pela empresa tomadora do serviço.
Vamos entender legalmente as obrigações das empresas contratantes:
Decreto 3.048/99 - Art. 219
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216.
Lei nº 8.212/91 - Art. 31
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5 do art. 33 desta Lei.
Nos casos de retenção diretamente de prestadores de serviço pessoa física, além de reter os 11% na emissão do pagamento, a empresa é obrigada a pagar o percentual patronal de 20% sobre o valor total pago ao prestador de serviços. Essa forma de tratamento procura equiparar o prestador pessoa física ao empregado comum da empresa e gerar equidade entre esses dois trabalhadores, garantindo a seguridade social a esse prestador de serviços.
 
Todos os valores retidos dos funcionários a título de contribuição previdenciária devem ser controlados pela contabilidade da empresa, pois esses podem ser vistoriados pela fiscalização da Receita Federal a qualquer momento. Além disso, a empresa deve prestar contas desses diversos valores mensalmente à ReceitaFederal via sistemas eletrônicos.
A contribuição patronal, em alguns casos descritos na Lei nº 12.546/11, poderá ser substituída pela CPRB – Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Essa Contribuição foi instituída para algumas empresas que tinham uso intensivo de mão de obra como uma forma de desonerar a folha de pagamentos e incentivar a contratação de mais funcionários. As alíquotas incidentes sobre a receita variam de 1% a 4,5%. No início, a adesão era obrigatória para as empresas abrangidas pela lei, mas a partir de 30/11/2015, com a edição da Lei nº 13.161/15, essa adesão passou a ser facultativa, deixando a cargo da empresa decidir qual condição lhe é mais interessante.
A base de cálculo da CPRB pode ser descontada dos seguintes itens:
 
· Vendas canceladas
· Descontos incondicionais concedidos.
 
Além desses descontos, são considerados descontos incondicionais os que constarem da nota fiscal de venda de bens ou de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos, tal como o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) destacado em nota fiscal.
 
Quando incluído na receita bruta, alguns valores também precisam ser descontados.
São eles:
· O valor do ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
· A receita bruta decorrente de exportações diretas e de transporte internacional de cargas.
· A receita bruta reconhecida pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos.
· O valor do aporte de recursos realizado nos termos do artigo 6º, § 2º da Lei nº 11.079/2004, ou seja, aportes feitos para o aumento de capital de empresas.
PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador
O PAT e sua importância para os trabalhadores de baixa renda
O PAT, Programa de Alimentação do Trabalhador, é um programa do governo federal que visa ao atendimento dos empregados de baixa renda, reforçando a sua alimentação para que ele possa desempenhar melhor as suas funções laborais com menor fadiga e ganhe resistência a doenças em geral. Esse programa procura atender trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos e foi instituído pela Lei nº 6.321 de 1976 e regulamentado pelo Decreto nº 5 de 14 de janeiro de 1991.
O programa funciona com um incentivo do governo às empresas que o aderirem. Elas têm isenções das contribuições previdenciárias e do FGTS sobre os valores pagos com o fornecimento desse reforço da alimentação de seus funcionários, e aquelas que apuram o lucro real podem reduzir seus impostos de renda em até 4%.
Como já dito, para que a empresa possa usufruir dos benefícios propostos pela legislação, é necessário que faça a adesão ao PAT e que siga as regras desse programa. Todas as empresas que tenham empregados contratados podem aderir ao programa, porém apenas as que declaram o Imposto de Renda pelo Lucro Real podem abater os 4% de seus lucros. As empresas que fornecem refeições para seus funcionários, e não aderiram ao programa, podem descontar até 20% de seus salários, limitando-se ao custo gasto com o fornecimento das refeições.
É sempre importante frisar que a adesão ao PAT é voluntária. As empresas que aderem ao programa são chamadas de beneficiárias. Há também as empresas fornecedoras, que podem se cadastrar no programa e fornecer as refeições prontas ou cestas de alimentos que as empresas beneficiárias irão fornecer aos seus empregados.
 
As vantagens das empresas beneficiárias ao aderirem ao PAT são bem interessantes, já que um empregado mais bem alimentado tenderá a ter um aumento de produtividade, principalmente se esse benefício for encarado como algo positivo, gerando um sentimento de reconhecimento e melhor integração entre a empresa, que demonstra se importar, e seus funcionários. Esse benefício tende a reduzir os atrasos e as faltas ao trabalho, além de diminuir a intenção de sair da empresa, pois o pacote de benefícios fica mais interessante para o empregado, principalmente para os que estão nas faixas de renda mais baixas e que têm menor qualificação.
Outras vantagens para a empresa são a redução do número de doenças que acometem os funcionários e de acidentes durante o período de trabalho, pois uma pessoa mais bem alimentada ficará menos sujeita a eles.
 
O PAT admite que a empresa opte por produzir ou preparar os alimentos que irá fornecer aos seus empregados, responsabilizando-se por todas as etapas e pela distribuição, que pode ser tanto de alimentos preparados como de cestas.
A empresa também pode terceirizar essa preparação ou o fornecimento de alimentos a seus empregados por meio de empresas cadastradas no programa como fornecedoras ou prestadoras de serviço de alimentação coletiva. Em todos os casos, é necessário que a empresa tenha um responsável técnico, que pode assumir esse serviço em até duas empresas, para o controle de todo o processo de execução das refeições.
Sistema “S”
O sistema “S” é formado pelas organizações das entidades corporativas estruturadas como Serviços Sociais Autônomos, listados como:
SENAI -Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SESC - Serviço Social do Comércio
SESI - Serviço Social da Indústria
SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio
SENAR -Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SESCOOP -Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo
SEST - Serviço Social de Transporte
Cada uma dessas instituições procura atender a interesses da sociedade, voltados para a educação profissionalizante ou mesmo básica e universitária, assistência social, consultorias para a indústria, comércio e atividade rural, entre outros diversos serviços fornecidos.
Seus financiamentos são pagos por meio de contribuições obrigatórias que garantem a maioria das receitas que essas instituições possuem. As alíquotas básicas que são cobradas são apresentadas na tabela a seguir, entretanto elas podem variar em função do porte da empresa e de sua atividade, seguindo o enquadramento no código Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS).
	Instituição
	Alíquota
	SENAI
	1,0%
	SESI
	1,5%
	SENAC
	1,0%
	SESC
	1,5%
	SEBRAE
	Variável no intervalo de 0,3% a 0,6%
	SENAR
	Variável no intervalo de 0,2% a 2,5%
	SEST
	1,5%
	SENAT
	1,0%
	SESCOOP
	2,5%
Tabela: Alíquotas base para pagamentos de contribuições às instituições do Sistema S
Extraída de Agência Senado 
Para cada instituição, as empresas que pertencem ao setor de atuação das entidades contribuem para as suas respectivas entidades. Essas, por sua vez, oferecem seus serviços às pessoas pertencentes aos ramos em que elas atuam. Muitas dessas instituições oferecem seus serviços para além do ramo em que atuam.
Exemplo
O SENAC oferece cursos diversos tanto para os funcionários do comércio, como para qualquer pessoa que desejar participar dos cursos oferecidos. A diferença entre os empregados do comércio e os que não são empregados nesse ramo é que aqueles têm descontos especiais para a participação, enquanto estes não têm.
O SENAI oferece cursos profissionalizantes em áreas de que a indústria necessita. Ele foi muito importante no desenvolvimento e treinamento de mão de obra para a indústria brasileira por muitos anos, por meio de seus programas de treinamento de jovens que marcaram uma época e hoje são bem menores do que já foram.
Em momentos como o que vivemos, de grande transformação das bases do trabalho na indústria com a automação e a informatização de todo o processo produtivo, instituições como o SENAI são muito importantes para o treinamento e aperfeiçoamento da mão de obra técnica que irá atuar nessa nova indústria.
Outra instituição muito atuante no desenvolvimento das atividades econômicas no Brasil é o SEBRAE. Ele procura fomentar a micro e a pequena empresa, compartilhando conhecimento e expertise entre elas e o governo, além de universidades e empresas. Esse trabalho desenvolvidopelo SEBRAE é essencial para muitas empresas que podem acessar serviços de consultoria e desenvolvimento antes impossíveis por serem de valor agregado muito alto para seu porte ou poder aquisitivo.
Com essas ações, busca-se integrar as corporações em uma cadeia de produção maior e com ganhos para todos os envolvidos. Cooperativas e demais grupos de produtores também são atendidos pelo SEBRAE, que procura desenvolver diversos aspectos desses grupos, inclusive com divulgação e marketing voltado ao desenvolvimento e sustentabilidade dos negócios
FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço foi criado para substituir a estabilidade no emprego que alguns empregados tinham no passado. O fundo possibilita que o empregador despeça o empregado quando não tem uma justa causa para essa dispensa. Ele é regido pela Lei nº 8.036 de 11 de maio de 1990, que estabelece todos os fatores relevantes relacionados a ele: sua finalidade, formas de recolhimento e demais aspectos. Foi a Lei nº 5.107 de 1966 que instituiu o FGTS.
O FGTS é uma obrigação patronal que todo empregador tem para com os seus empregados. Essa obrigação, em regra geral, deve ser cumprida até o dia 7 de cada mês e equivale a 8% da remuneração paga ao empregado. A gestão do FGTS é feita por um Conselho Curador Tripartite, formado por representantes dos empregados, dos empregadores e do governo, dando as diretrizes de investimentos dos valores acumulados dos empregados. 
O gestor do FGTS é o órgão do Poder Executivo responsável pela política de habitação, pois a principal aplicação do FGTS é na construção civil, fomentando esse mercado por meio de empréstimos a construtores e compradores, além da possibilidade de uso dos valores acumulados pelos empregados como forma de pagamento de parte da compra de imóveis, tanto novos como usados. O banco que faz a operacionalização do fundo é a Caixa Econômica Federal.
A aplicação dos valores é feita em necessidades que preencham os seguintes requisitos:
· Tenham garantias hipotecária, de caução de créditos hipotecários próprios, relativos a financiamentos concedidos com recursos do agente financeiro.
· Caução dos créditos hipotecários vinculados aos imóveis objeto de financiamento, de hipoteca sobre outros imóveis de propriedade do agente financeiro (desde que livres e desembaraçados de quaisquer ônus).
· Cessão de créditos do agente financeiro, derivados de financiamentos concedidos com recursos próprios, garantidos por penhor ou hipoteca de seguro de crédito sobre imóvel de propriedade de terceiros.
· Garantia real ou vinculação de receitas, inclusive tarifárias, nas aplicações contratadas com pessoa jurídica de direito público ou de direito privado a ela vinculada.
· Aval em nota promissória, de fiança pessoal, de alienação fiduciária de bens móveis em garantia, de fiança bancária, de consignação de recebíveis, exclusivamente para operações de crédito destinadas às entidades hospitalares filantrópicas, bem como a instituições que atuam no campo para pessoas com deficiência, e sem fins lucrativos, que participem de forma complementar do Sistema Único de Saúde (SUS), em percentual máximo a ser definido pelo Ministério da Saúde, ou de outras, a critério do Conselho Curador do FGTS.
Todas essas possibilidades de garantias podem ser usadas como forma de assegurar que o FGTS receberá seus recursos caso o comprador do imóvel deixe de honrar com seus compromissos.
Outras regras são muito importantes e devem ser seguidas para financiamentos por meio do FGTS.
São elas:
Regra 1 : Correção monetária igual à das contas vinculadas, não facultando ao ente gestor subsidiar as taxas de correção dos empréstimos feitos com esses fundos.
Regra 2: Taxa de juros média mínima, por projeto, de 3% (três) ao ano, garantindo que será cobrada com financiamento do valor mínimo pago ao empregado que tenha FGTS em conta vinculada, impedindo também o subsídio da taxa de juros por parte do ente gestor do fundo.
Regra 3: Prazo máximo de trinta anos para financiamentos a projetos e a compradores que utilizem o FGTS como fonte dos recursos do financiamento
A legislação define cada uma das partes envolvidas em todos os pontos do FGTS e são elas:
O Empregador
Definido como “a pessoa física ou a pessoa jurídica de direito privado ou de direito público, da administração pública direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que admitir trabalhadores a seu serviço, bem assim aquele que, regido por legislação especial, encontrar-se nessa condição ou figurar como fornecedor ou tomador de mão de obra, independentemente da responsabilidade solidária e/ou subsidiária a que eventualmente venha obrigar-se”.
O empregado
Definido como “toda pessoa física que prestar serviços a empregador, a locador ou tomador de mão de obra, excluídos os eventuais, os autônomos e os servidores públicos civis e militares sujeitos a regime jurídico próprio”, incluindo o trabalhador doméstico que terá seus direitos garantidos em lei específica.
Além de definir o empregado, o legislador equipara os dirigentes não empregados como se fossem empregados para o recolhimento e acúmulo do FGTS. Nesses casos, esses diretores passam a ter esse valor recolhido no mesmo percentual dos demais empregados da empresa. Assim, “considera-se remuneração as retiradas de diretores não empregados, quando haja deliberação da empresa, garantindo-lhes os direitos decorrentes do contrato de trabalho, sendo que, para efeito desta lei, as empresas sujeitas ao regime da legislação trabalhista poderão equiparar seus diretores não empregados aos demais trabalhadores sujeitos ao regime do FGTS”. Esse não empregado diretor é definido como “aquele que exerça cargo de administração previsto em lei, estatuto ou contrato social, independentemente da denominação do cargo”.
O empregado que for afastado para a prestação de serviço militar deixa de receber as suas remunerações e demais direitos, no entanto a empresa continua a ser responsável por recolher seu FGTS durante todo o período em que ele estiver prestando o serviço militar, conforme afirma o seguinte artigo da Lei nº 8.036/90:
Art. 15 - § 5º
Outro ponto importante a ser destacado é que os aprendizes com contrato nessa modalidade também terão o recolhimento do FGTS. No entanto, esse valor será de apenas 2% dos recebimentos, vejamos:
Art. 15 - § 7º
Quando os empregados são demitidos ou mesmo quando pedem demissão, o empregador é obrigado a depositar o FGTS deles, tanto do mês corrente, como do mês anterior que ainda não tiver depositado. Em caso de cumprimento de aviso prévio por parte do empregado ou de esse receber o aviso prévio indenizado, o FGTS incidirá sobre essas verbas, pois elas têm a mesma natureza dos salários e não de verbas indenizatórias.
Quando as verbas são consideradas indenizatórias, não incidem no FGTS.
Vejamos como o FGTS é tratado nos diversos tipos de encerramento do contrato de trabalho:
Dispensa sem justa causa: Nos casos de dispensa sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca, de força maior e extinção do contrato de trabalho em decorrência de acordo entre empregado e empregador, o empregado terá o direito de sacar a totalidade de seu FGTS acumulado em sua conta vinculada. Essa possibilidade atende de forma completa à função inicial do FGTS, que era assegurar o recebimento de aproximadamente uma remuneração por ano trabalhado em caso de demissão, extinguindo a estabilidade existente antes desse dispositivo (Lei nº 13.467/17).
A prescrição da possibilidade de cobrança relativa às parcelas remuneratórias para o FGTS é de dois anos, limitado a cinco anos retroativos a partir da entrada da ação em juízo. Isso garante que o empregador que incorrer nesse tipo de falta não poderá ser acionado se o empregado esperar por um período superior a dois anos do fim do vínculo empregatício para requerer o direito ao recebimento.
As multas que incidem sobre o saldo do FGTS em caso de demissão sem justa causa, denominadascomo multas do FGTS, são uma obrigação que o empregador tem em percentual de 40% de indenização para o empregado e de 10% de imposto para o governo sobre o mesmo valor.
Demissão em acordo entre as partes: No caso de demissão em acordo entre as partes, essa multa é reduzida pela metade, ficando em 20% dos saldos do empregado na sua conta vinculada do FGTS.
Dispensa por culpa recíproca: A dispensa por culpa recíproca também reduz o percentual normal da multa do FGTS, nesses casos o percentual é de 20%, como no caso da demissão por acordo entre as partes.
Pedido de demissão: os casos em que os empregados pedem demissão não há a incidência da multa de 40% sobre o saldo da conta vinculada do FGTS. Esse é o caso das demissões por justa causa, pois esse caso também não obriga o empregador a pagar a multa dos 40% sobre o valor da conta vinculada do FGTS do empregado demitido.
IRRF ― Imposto de Renda Retido na Fonte
O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) no Brasil tem duas modalidades de pagamento dos valores que incidem sobre os salários e as demais verbas das pessoas que possuem vínculo empregatício. A primeira é o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e a segunda é na declaração anual do imposto de renda, quando esse trabalhador procede com os ajustes dos valores pagos, podendo ter que pagar ou receber a diferença gerada pelas informações prestadas.
Esse IRPF tem como atributos ser:
- Direto: Incide sobre os rendimentos da própria pessoa que o paga.
- Progressivo: Segue o princípio da capacidade contributiva.
 - Pessoal: Quem responde pelo pagamento é o próprio contribuinte, porém o IRRF tem a sua pessoalidade substituída pela empresa que deve reter o imposto e repassá-lo à Receita Federal
A constituição fala desses atributos que o IR e outros impostos devem ter, sendo eles os artigos 145 e 158, conforme você verá adiante.
CF/88 Art. 145 - § 1º
Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
Quando o empregado recebe seus salários e demais rendas, esses são tributados diretamente na fonte, ou seja, o empregador deve reter o valor percentual do imposto descontando do valor bruto do salário do empregado.
É importante ressaltar que a contribuição previdenciária não entra na base de cálculo do IRPF, pois seus benefícios futuros, os proventos da aposentadoria ou pensão, serão tributados no porvir, quando do recebimento do benefício.
Na declaração do Imposto de Renda, quando é feito o ajuste anual, o empregado deverá declarar outras rendas que tiver.
Exemplo
Uma dessas rendas que o empregado deve declarar é o recebimento de aluguéis, se tiver imóveis em locação, ou a rentabilidade de aplicações financeiras, se tiver valores aplicados em bancos ou outra instituição financeira. Nesse ajuste anual, o empregado pode também apresentar algumas despesas dedutíveis, como despesas com escolas ou despesas médicas, o que pode gerar uma devolução de imposto retido na fonte.
A empresa, que fica obrigada a reter o IRRF de seus funcionários, passa a ser depositária fiel, ou seja, ela passa a ser responsável pelo recolhimento aos cofres públicos dos valores retidos dos funcionários. Se ela descontar o valor do empregado e não o repassar à Receita Federal, cometerá crime de depositário infiel. Essa questão é muito importante, pois a empresa que se torna responsável pelo pagamento do imposto pode sofrer sanções se não proceder de forma correta e diligente.
Saiba Mais
O Imposto de Renda no Brasil é regido pelo código Tributário Nacional e pela Lei nº 9.250/95 e demais leis posteriores, além da Instrução Normativa nº 1500 emitida pela Receita Federal do Brasil. Essas legislações, além de outras, regem todos os passos, as incidências e deduções passíveis de serem abrangidas pelo IRPF em seus ajuste anual. Elas também tratam das alíquotas que devem ser aplicadas no momento da retenção e do recolhimento do IRRF.
O IR é um imposto que tem incidência progressiva sobre a renda em geral. Essa sua característica é válida para todas as pessoas físicas, independentemente de serem empregadas ou não. Para as pessoas que têm vínculo empregatício, essa progressividade impacta diretamente no IRRF que é descontado de seus salários, sendo que o valor descontado é calculado segundo a tabela progressiva.
	Base de cálculo (R$)
	Alíquota (%)
	Parcela a deduzir do IRPF (R$)
	Até 1.903,98
	-
	-
	De 1.903,99 até 2.826,65
	7,5
	142,8
	De 2.826,66 até 3.751,05
	15
	354,8
	De 3.751,06 até 4.664,68
	22,5
	636,13
	Acima de 4.664,68
	27,5
	869,36
Tabela: Faixas do IRRF e dos percentuais de abatimentos.
Extraída de Impostoderenda.org
O valor do IRRF dos trabalhadores com vínculo empregatício será calculado considerando-se o valor bruto do salário-base, acrescido de todas as outras verbas que se incorporam a ele deduzindo a contribuição para a previdência. Sobre o valor resultante, é aplicada a alíquota correspondente à faixa em que o valor se encaixar, resultando em um valor de imposto a ser pago. Com esse valor calculado, é feito o abatimento do valor a deduzir, ou seja, se o valor do salário básico do empregado ficou na faixa de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65, a alíquota será de 7.5% e o desconto, de R$ 142,80 sobre o valor do imposto calculado.
Com essa forma de cálculo, o IRPF desconta a isenção para a faixa do salário anterior ao deduzir do valor a pagar os valores apresentados na terceira coluna da tabela apresentada anteriormente (tabela de faixas do IRRF). Isso quer dizer que, quando o valor é retido, a faixa de salário que teria isenção é mantida e o imposto só incide sobre o valor que ultrapassar os pisos.
Exemplo
Se uma pessoa receber salário acima do teto de R$ 4.664,68, pagará 27,5% apenas sobre o valor que ultrapassar esse teto. Para as faixas de valores inferiores será aplicado o percentual de cada faixa. É essa progressividade por faixa que o valor do desconto da terceira coluna está operacionalizando, em vez de fazer os cálculos por faixa, usa-se um valor de dedução que funciona da mesma forma e que é muito mais fácil de operar.
Essa progressividade do IR é ditada pelo Código Tributário Nacional e pela Constituição Federal de 1988, que recepcionou o código e que procura dar a esse imposto a característica de progressividade aqui explicada. Dessa forma, o legislador procurou adequar o peso do imposto isentando os mais pobres e o incidindo com maior peso sobre aqueles com maior renda. No entanto, parte dessa progressividade foi anulada, pois o IRPF já deveria ter suas faixas de desconto reajustadas há muito tempo. Essa postura do governo em não reajustar as faixas produz um aumento de carga tributária sobre os trabalhadores, pois como seus salários são corrigidos anualmente, a incidência vai crescendo e atingindo cada vez mais pessoas, ampliando a base de arrecadação do governo.
Por fim, vale destacar que existem diversas propostas de alteração das alíquotas sendo estudadas pelo Congresso Nacional. Algumas apenas corrigem os valores das faixas de alíquotas, outras modificam essas faixas criando ou diminuindo a quantidade de faixas, e ainda há aquelas que procuram melhorar a forma como esse imposto incide, simplificando a sua aplicação ou forma de cálculo. Cada uma dessas propostas está em estudo e pode ser incluída em uma possível reforma tributária com proposta no Congresso Nacional. No entanto, a maioria das características desse imposto tende a ser mantida, pois ele tem esse formato, como é aplicado no Brasil, em quase todos os países do mundo.
O IRRF é recolhido pela União, que é obrigada a repassar o percentual de 49% do total arrecadado para os estados e municípios, além de alguns fundos constitucionais, que são repartidos conforme dita as letras do inciso I do artigo 158 da CF/88. Além desses valores repassados,a Constituição Federal de 1988 destinou os valores que os estados e municípios podem arrecadar a título de IRRF de seus funcionários e demais arrecadações para o próprio ente que o arrecadou, que não precisa repassá-los para a União.
CF/88 - Art. 158
Pertencem aos Municípios:
I — do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte forma: (Redação da EC 84/2014)
 
a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal;
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios;
c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer;
d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano; (Incluída pela EC 55/2007);
e) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de julho de cada ano; (Incluída pela EC 84/2014) (Vide EC 84/2014)
 
§ 1º Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada de acordo com o previsto no inciso I, excluir-se-á a parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do disposto nos arts 157, I, e 158, I.
§ 3º Os Estados entregarão aos respectivos Municípios vinte e cinco por cento dos recursos que receberem nos termos do inciso II, observados os critérios estabelecidos no art. 158, parágrafo único, I e II.
Empréstimo consignado
O empréstimo consignado é uma forma de empréstimo em que o banco ou a instituição financeira fica autorizada a descontar o valor da prestação diretamente do salário do empregado. Como a CLT proíbe qualquer desconto em folha de pagamentos que não esteja autorizado em lei, foi criada a Lei nº 10.820/03, alterada pela Lei nº 13.172/15, que incluiu a possibilidade de desconto em folha de parcelamento do cartão de crédito.
 
A legislação pertinente ao tema permite que seja descontado do salário do empregado, a título de pagamento de empréstimo consignado, 30% de seu valor. Além desse percentual, a Lei nº 13.172/15 permitiu um desconto extra de 5%, somando 35%, para pagamento de acordos de parcelamento de valores devidos em cartão de crédito. Esse limite é muito importante, pois garante que o trabalhador não comprometerá sua sobrevivência por meio de empréstimos consignados.
Bancos e instituições financeiras que querem operar nesse mercado devem seguir todas as regras contidas na Lei nº 10.820/03 e posteriores modificações. Nessas leis e nesses regulamentos o legislador procurou proteger o empregado que desejasse utilizar essa modalidade de empréstimo, além de garantir ao banco a possibilidade desse desconto, já que o valor do salário do empregado é considerado indisponível para descontos diversos.
Atenção
Um ponto importante a ser apresentado é que a autorização dada à instituição financeira para o desconto é irretratável e irrevogável. Isso quer dizer que após assinado o contrato, o empregado não terá direito de desistir da operação, ou de alguma forma revogar a autorização para o desconto em folha de pagamento. Essa regra procura trazer segurança jurídica às empresas financeiras que negociarem esse tipo de empréstimo com seus clientes.
A lei que trata do empréstimo consignado define o empregador como “a pessoa jurídica assim definida pela legislação trabalhista e o empresário a que se refere o Título I, do Livro II, da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ― Código Civil”, e define o empregado como “aquele assim definido pela legislação trabalhista”. Além dessas definições, ela trata também de definir quem é a instituição consignatária, ou seja, o banco ou instituição financeira que está fazendo o empréstimo ao empregado, e o faz da seguinte forma: “instituição consignatária, a instituição autorizada a conceder empréstimo ou financiamento ou realizar operação com cartão de crédito ou de arrendamento mercantil”.
Para além das definições, a legislação estabelece as obrigações dos empregadores já em seu terceiro artigo.
São obrigações dos empregadores:
· Conceder ao empregado e à instituição consignatária, mediante solicitação formal do primeiro, as informações necessárias para a contratação da operação de crédito ou arrendamento mercantil.
· Disponibilizar aos empregados, assim como às respectivas entidades sindicais que as solicitem, as informações referentes aos custos operacionais decorrentes da realização da operação objeto desta lei.
· Efetuar os descontos autorizados pelo empregado. Isso ocorre inclusive sobre as verbas rescisórias, repassando o valor à instituição consignatária na forma e no prazo previsto em regulamento.
A maioria dessas obrigações procura dar transparência a todo o processo de consignação e garantir que a empresa não se aproveitará dessa condição para efetuar descontos indevidos ao empregado.
O parágrafo primeiro do mesmo artigo coloca que “é vedado ao empregador impor ao mutuário e à instituição consignatária escolhida pelo empregado qualquer condição que não esteja prevista nesta lei ou em seu regulamento para a efetivação do contrato e a implementação dos descontos autorizados”. O legislador procurou trazer ao empregado liberdade de escolha quanto à instituição em que fará o seu empréstimo ou financiamento. Essa liberdade garante maior concorrência entre os ofertantes e traz maiores vantagens ao contratante, no caso, o empregado.
O parágrafo segundo do mesmo artigo garante a possibilidade de o empregador cobrar do empregado o custo que tiver para operacionalizar a consignação e o pagamento dos valores descontados deste e repassados aos bancos e às instituições financeiras. Ainda dentro das obrigações do empregador, este fica obrigado a apresentar os demonstrativos dos descontos ao empregado, para que possa conferir se os valores descontados estão de acordo com os contratos firmados com o banco ou a financeira que fez o empréstimo.
Por fim, vale destacar que os descontos têm preferência por ordem cronológica de aceite, ou seja, os mais antigos têm preferência sobre os mais novos em caso de atingimento do limite estabelecido nessa lei. Essa preferência obriga os bancos e as instituições a verificarem com antecedência se o empregado tem margem em seus recebimentos para assumir um novo empréstimo consignado.
Dois pontos devem ser destacados:
· O primeiro é que a empresa pode firmar acordo com instituição e sindicato que garanta condições gerais para os empregados em empréstimos consignados, normalmente melhores que os praticados no mercado, desde que isso não acarrete custos para os empregados.
· O segundo é que o empregador é o responsável por prestar todas as informações relativas aos descontos, como também pelo próprio desconto e repasse dos valores para a instituição que fez a operação de crédito ou o financiamento com o empregado.
Os aposentados e pensionistas também podem usufruir da prerrogativa de fazer empréstimos consignados com desconto nos pagamento dos seus proventos e das suas pensões. Os aposentados por fundos de pensão públicos ou privados também possuem essa prerrogativa, ficando ambos autorizados a realizarem os descontos nos proventos e nas pensões de seus segurados.
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