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11 Andressa Cristina Sposato Louzada Bruno Adelmo Ramon Hallal Vergilius José Furtado de Araujo Neto CIRURGIA V OSTEOMIELITE 2 SUMÁRIO OSTEOMIELITE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3. Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3.1. Osteomielite hematogênica aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3.2. Osteomielite crônica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Mapa mental . Osteomielite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 3 OSTEOMIELITE O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Diferença entre a osteomielite aguda e crônica u Principal local de acometimento no osso u Patógenos u Formas de diagnóstico u Tratamento 1. CONCEITO Osteomielite é uma infecção óssea causada por uma ou mais bactérias que pode comprometer apenas uma parte do osso ou envolver várias regiões, como a cortical, a esponjosa e o canal medular, e expandir até as partes moles adjacentes. 2. CLASSIFICAÇÃO Existem diversas classificações para a osteomielite baseadas em critérios distintos, como a duração, o mecanismo de infecção e o tipo de resposta do paciente à infecção. Quanto à duração dos sintomas, a osteomielite pode ser classificada como aguda, subaguda e crônica. Quanto ao mecanismo, a osteomielite pode ser classificada como hematogênica ou por contigui- dade (exógena). Quanto à resposta do paciente, pode ser classificada como piogênica ou não piogênica. 3. TIPOS 3 .1 . OSTEOMIELITE HEMATOGÊNICA AGUDA A osteomielite hematogênica aguda (OHA) é o tipo mais prevalente de infecção óssea e está mais associado às crianças, sendo o gênero masculino mais acometido para qualquer idade. Apesar de em muitos casos a causa exata da osteomielite não poder ser identificada, uma bacteremia comum da infância está relacionada a esses quadros, e a gravidade está associada a fatores, como desnu- trição, doenças crônicas e imaturidade do sistema imunológico. O local mais comumente acometido nas crianças é a metáfise dos ossos longos! 3 .1 .1 . Partes do osso BASES DA MEDICINA Anatomicamente, o osso pode ser dividido em epífise proximal e distal, diáfise e metáfise (Figura 1). A determi- nação da região metafisária em crianças dá-se próximo à placa de crescimento e, em adultos, está localizada entre a epífise e a diáfise, podendo ser limitada pelo traçado do quadrado de Heim (Figura 2). importância/prevalência Osteomielite Ortopedia 4 O quadrado de Heim é obtido em uma radiografia em AP do osso, onde é traçada uma linha na extensão da epífise e, a partir dessa medida, um quadrado pode ser estabelecido em direção à diáfise do osso. O limite da metáfise será o limite desse quadrado. Figura 1. Partes do osso. Fonte: Departamento de Ortopedia e Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto1. Figura 2. Quadrado de Heim. Fonte: Acervo Sanar. 3 .1 .2 . Metáfise A metáfise está localizada entre a epífise e a diáfise do osso e é o onde está a fise, ou placa de cres- cimento em crianças e adolescentes ainda com o esqueleto imaturo. Figura 3. Metáfise. Fonte: Acervo Sanar. Osteomielite 5 3 .1 .3 . Fise de crescimento Estrutura provisória que é responsável pelo cres- cimento longitudinal dos ossos longos. Apresenta fechamento variável com a idade e a localização. Figura 4. Fise de crescimento. Fonte: Acervo Sanar. A capilarização dos vasos e a redução na velocidade do fluxo sanguíneo na metáfise são os fatores res- ponsáveis pelo maior desenvolvimento bacteriano nesse local. Uma vez instalada a infecção, inicia-se um processo contínuo que pode envolver todas as camadas de tecidos até a epiderme. A proliferação bacteriana leva a uma reação inflamatória local, que pode causar isquemia e necrose óssea com consequente formação de abscesso. Se não tratada corretamente, há evolução do processo infeccioso e o aumento do abscesso, gerando aumento da pres- são intramedular, levando à isquemia para o osso cortical adjacente e, então, o processo alastra-se para o periósteo e as partes moles, podendo chegar até a pele por uma fístula drenante. Crianças menores de 2 anos e com faixa etária entre 8 e 12 anos são as mais acometidas pela OHA, e a gravidade das lesões está relacionada também com a idade do episódio. Para as crianças menores de 2 anos, há um fator agravante: alguns vasos sanguíneos cruzam a fise de crescimento e podem levar a infecção para dentro da articulação, estabelecendo um quadro de artrite séptica que compromete a epífise, o alinhamento e comprimento do osso. Nas crianças acima de 2 anos ainda com a fise de crescimento aberta, o bloqueio fisário está estabelecido, e a invasão da articulação só ocorre se a metáfise for anatomicamente articular, como ocorre com o quadril, úmero proximal, colo do rádio e a fíbula distal. No esqueleto maduro, a ocorrência da OHA é incomum, ocorrendo em casos de comprometimento do hospedeiro, contudo não são observados grandes abscessos, e e as fraturas patológicas podem acompanhar a evolução do quadro. 3 .1 .4 . Patógenos O agente infeccioso mais comumente encontrado nas infecções ósseas é o Staphylococcus aureus. Para grupos específicos de pacientes, existem, contudo, outros agentes que devem ser levados em consideração. Usuários de drogas venosas são acometidos por Pseudomonas; paciente crônicos com acesso venoso prolongado são acometidos por fungos; Salmonella está associada a infecções em pacientes portadores de hemoglobinopatias, como a doença falciforme; recém-nascidos são acometidos por Steptococcus do grupo B; e entre 6 meses e 4 anos, as infecções por Haemophilus influenzae podem ocorrer. 3 .1 .5 . Diagnóstico Uma grande dificuldade para estabelecer-se o diag- nóstico da OHA precocemente é a sua diversidade de apresentações clínicas, a depender das condições e da idade do hospedeiro. Em crianças, os achados clínicos podem ser muito pouco evidentes. Sintomas, como a dor e a sensibilidade local, geralmente acom- panham o início da infecção, mas rebaixamento do estado geral, febre, mal-estar podem ou não estar presentes inicialmente. Exames laboratoriais são fundamentais desde a suspeita e, apesar de a contagem de leucócitos muitas vezes ser em valores ordinários, os níveis de PCR (proteína C reativa) e VHS (velocidade de hemossedimentação) estarão elevados. A PCR é importante marcador de evolução da infecção e do tratamento. Os exames de imagem utilizados para diagnóstico da OHA são a radiografia simples, cintilografia e ressonância nuclear magnética. Deve-se ter grande atenção à avaliação da radiografia simples, porque Osteomielite Ortopedia 6 as alterações radiográficas aparecem a partir da segunda semana de evolução da OHA (achados na radiografia). (DDX – osteomielite,sarcoma de Ewing, osteossarcoma, fratura por estresse). A cintilografia óssea com tecnécio 99 confirma o diagnóstico de 24 a 48 horas após o início em 90-95% dos casos, e a ressonância nuclear magnética é fundamental para verificar a extensão da infecção nas partes moles adjacentes. As hemoculturas são positivas em 50% dos casos, já a aspiração do abscesso geralmente é capaz de isolar o agente infeccioso com precisão. As amostras devem ser testadas em laboratório para cultura, coloração de gram e antibiograma para guiar o medicamento adequado para o agente isolado. 3 .1 .6 . Tratamento O tratamento para OHA deve ser iniciado no menor tempo possível, para reduzir as chances de sequelas permanentes no osso e o antibiótico de escolha deve ser aquele com maior atividade bacteriana, menor toxicidade e custo. É frequente a associação de procedimentos cirúrgicos ao uso dos antibióticos, uma vez que tecidos necróticos inviabilizam a bio- disponibilidade da medicação. Embora em alguns casos o uso de antibiótico isolado seja suficiente para debelar o quadro infeccioso, é comum o uso prolongado de antibióticos nos casos de falha do tratamento sem cirurgia associada. Para verificação de melhora dos pacientes, é importante realizar o acompanhamento dos níveis de PCR a cada 48 h. De modo prático, áreas de osteomielite ainda sem a formação de um abscesso franco podem ser tratadas apenas com antibióticos e observadas nas 48 horas seguintes. Para os casos de falha dessa conduta ou em osteomielites com abscessos sequestrados, há indicação de tratamento cirúrgico. Existem 5 princípios postulados para guiar o trata- mento das OHA: 1. Um antibiótico apropriado é eficaz antes da for- mação de um abscesso. 2. Antibióticos não atuam em tecidos avasculares ou abscessos, exigindo, então, remoção cirúrgica. 3. Após cirurgia eficaz, os antibióticos devem pre- venir sua nova formação e a regressão da lesão primária. 4. Procedimentos cirúrgicos não devem danificar osso isquêmico e tecidos moles. 5. Deve-se manter o uso de antibióticos após a cirurgia. DIA A DIA MÉDICO OHA W histórico e exame físico; W testes laboratoriais: hemograma, PCR, VHS; W exames de imagem: radiografia simples, cintilografia, RNM; W aspiração/drenagem cirúrgica. 3 .2 . OSTEOMIELITE CRÔNICA A osteomielite crônica (OC), geralmente, é uma consequência da osteomielite aguda não tratada ou tratada de forma incorreta. Além disso, é uma condição de difícil controle, e a erradicação completa pode apresentar episódios de exacerbação durante anos. É habitual que pacientes portadores de OC apresentem melhora dos sintomas sistêmicos, mas é evidente a presença de um ou vários focos de infecção no osso, com presença de abscessos. Esse foco infeccioso, chamado de sequestro ósseo, é circundado por osso esclerótico com débil vas- cularização, periósteo espessado e partes moles adjacentes também com comprometimento vas- cular, e é esse o principal fator que limita a ação local dos antibióticos. A solução completa para a OC é desbridamento cirúrgico extenso, podendo-se realizar ao extremo amputações, associado aos antibióticos. 3 .2 .1 . Classificação Baseada em critérios fisiológicos e nas condições fisiológicas do hospedeiro da osteomielite e na anatomia óssea, Cierny e Mader desenvolveram um Osteomielite 7 sistema de classificação que guia as condutas nos casos de OC. Os critérios fisiológicos do hospedeiro são categorizados em 3: A – hospedeiros com res- posta normal à infecção e cirurgia; B – hospedeiros comprometidos e com reduzida capacidade de cicatrização; C – quando o resultado do tratamento é mais nocivo que o tratamento proposto. Os cri- térios anatômicos correspondem à localização da lesão e são 4: tipo 1 – medular (no endósteo); tipo 2 – superficial (limitada à superfície do osso); tipo 3 – localizada (local, estável, bem demarcada); tipo 4 – difusa (instável, requer reconstrução). A combi- nação desses 2 critérios irá conduzir o tratamento para a OC, se simples, complexo, curativo, paliativo, poupador do membro ou por amputação. 3 .2 .2 . Diagnóstico A associação do exame clínico, exames laboratoriais e de imagem auxlia no diagnóstico de OC, mas a biópsia é o exame considerado padrão-ouro nes- ses casos. Durante o exame clínico, deve-se estar atento às condições da pele e dos tecidos moles, verificar áreas de sensibilidade, avaliar a estabili- dade óssea e o sistema neurovascular localizado. Apesar de inespecíficos e sem correlação com a gravidade da OC, as taxas de PCR e VHS costumam apresentar-se elevadas, entretanto o leucograma entre 60-70% dos casos não está alterado. Os exa- mes de imagem isoladamente não têm o poder de confirmar o diagnóstico da OC. Em associação aos anteriores, radiografias simples e tomografia computadorizada são úteis para delimitação das áreas da lesão/sequestro ósseo, e a ressonância nuclear magnética é especialmente útil para avalia- ção das partes moles comprometidas, além de ter a capacidade de delimitar áreas de extensão das lesões na interface osso – tecido mole. Menos uti- lizada, a fistulografia, estudo do trajeto das fístulas, pode guiar de forma eficaz o tratamento cirúrgico (Figura 5). Como descrito anteriormente, a biópsia com cultura e antibiograma é exame padrão-ouro para OC, e, frequentemente, os agentes mais iso- lados são os Staphylococcus aureus ou agentes anaeróbios e bacilos gram-negativos. Figura 5. Fistulografia. Fonte: Acervo do autor(a). 3 .2 .3 . Tratamento A abordagem terapêutica para a OC deve levar em consideração não apenas o estado e a gravidade da infecção, mas é fundamental estabelecer medi- das de controle sistêmico das outras alterações de que o paciente seja portador, como o controle glicêmico, ajuste das funções renais e hepática, controle do tabagismo e outras. O procedimento cirúrgico deve ser estabelecido em quase totalidade dos casos de OC, devido à limitada ação isolada dos antibióticos, por meio da sequestrectomia e ressecção dos tecidos moles adjacentes que sejam inviáveis ou infectados. Entretanto é comum que a extensão do desbridamento seja tão grande que o osso se torne instável e susceptível a fraturas. Nesses casos, é necessário que haja a reconstrução óssea, que pode ser realizada por vários métodos escolhidos de acordo com a extensão da lesão, as características do paciente e experiência do cirurgião ortopedista e da equipe de apoio (cirurgião plástico, cirurgião vascular etc). O uso dos antibióticos deve ser estabelecido tão logo o procedimento cirúrgico seja realizado e, geralmente, por um período inicial de 6 semanas via venosa, e tão logo seja possível, escalonado para o uso oral guiado por cultura. Osteomielite Ortopedia 8 Mapa mental. Osteomielite Osteomielite continua… Classificação PatógenosConceito Duração Mecanismo Resposta do hospedeiro Infecção óssea bacteriana Staphylococcus aureus Pseudomonas Salmonella Streptococcus do grupo B Haemophilus influenzae Fungos Aguda Mais comum Drogas injetáveis Falciforme Recém-nascidos 6 meses – 4 anos Imunossupressos Hematogênica Piogênica Crônica Contiguidade Não piogênica Subaguda Osteomielite 9 Mapa mental. Osteomielite (continuação) …continuação Tipos Crônica Hematogênica aguda Classificação Mais prevalente Diagnóstico Meninos 8-12 anos Bacteremia da infância associada Tratamento Metáfise Tratamento Diagnóstico Cierry e Mader Biópsia – padrão-ouro Melhorar condições sistêmicas Redução da velocidade de fluxo Precoce Com abscesso Dor Febre Radiografia Hemocultura VHS PCR RNM Nem sempre Só depois de uma semana Cirúrgico + ATB venoso Sim Não Positivo em 50%Cirúrgico + ATB venosoATB oral Cirúrgico + ATB venoso Sem abscesso ATB oral 48 hReavaliaMelhora Osteomielite Ortopedia 10 REFERÊNCIAS 1. Departamento de Ortopedia e Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Tu-mores Ósseos. Princípiosde Diagnóstico e Tratamento. Apostila de Intro- dução ao tema. [Internet]; 2012. [acesso em 25 ago. 2021]. Disponível em: http://roa.fmrp.usp.br/tumores_osseos.pdf. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Bruschini S. Ortopedia pediátrica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 1998. Bucholz RW, Court-Brown CM, Heckman JD, Tornetta III P. Fraturas em adultos de Rockwood & Green. 7. ed. Barueri, SP: Manole; 2013. Canale ST, Beaty JH. Campbell: cirurgia ortopédica. 6. ed. Buenos Aires: Panamericana; 1981. Cohen M. Tratado de Ortopedia. 1. ed. São Paulo: Roca; 2007. Dandy DJ, Edwards DJ. Fundamentos em ortopedia e trau- matologia: uma abordagem prática. 5. ed. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier; 2011. Evans RC. Exame físico ortopédico ilustrado. Barueri: Manole; 2003. Hebert S et al. Ortopedia e Traumatologia: princípios e prática. 4. ed. Porto Alegre: Artmed; 2009. Jónasson PS, Ekström L, Hansson HA, Sansone M, Karlsson J, Swärd L et al. Cyclical loading causes injury in and around the porcine proximal femoral physeal plate: proposed cause of the deve-lopment of cam deformity in young athletes. J. Exp Orthop [Internet]. 2015 [acesso em 11 jul. 2022] dec;2(16):6. Disponível em: doi:10.1186/s40634-015-0022-4. Leite NM, Faloppa F. Propedêutica Ortopédica e Traumato- logia. Porto Alegre: Artmed; 2013. MSKrad. Classificações - Outros. [Internet]; 2021. [acesso em 25 ago. 2021]. Disponível em: https://www.mskrad.com. br/outros-1. Pés sem dor. Osso infantil – osso adulto. [Internet]; 2015. [acesso em 25 ago. 2021]. Disponível em: https://www. pessemdor.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Osteo- condrite-1.jpg. The Korean Society for Chemotherapy, The Korean Society of Infectious Diseases, The Korean Ortho-paedic Associa- tion. Clinical Guidelines for the Antimicrobial Treatment of Bone and Joint Infections in Korea. Infect Chemother. 2014,Jun;46(2):125-138. Osteomielite 11 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CASSIANO ANTÔNIO DE MORAES – ES – 2021) – As infecções osteoarticulares na criança são potencialmente graves, pois podem acarretar sequelas ao osso em crescimento. Nas infecções osteoarticulares é correto afirmar: ⮦ Na osteomielite hematogênica aguda a radio- grafia, por ter um baixo custo, é um bom meio de se fazer o diagnóstico precoce. As primeiras alterações radiográficas aparecem já no 1º dia. ⮧ O Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum na osteomielite e na pioartrite em crianças e adolescentes. ⮨ A artrite séptica compromete predominante- mente as articulações dos membros superiores. ⮩ Se o tratamento das infecções osteoarticula- res for instituído precocemente pode ser feito via oral, com antibiótico de largo espectro, por 15 dias. Questão 2 (HOSPITAL ANGELINA CARON – PR – 2020) Sobre as “Infec- ções Ósteo-Articulares”, a alternativa incorreta é: ⮦ O germe mais frequente na osteomielite é Sta- phylococcus aureus. ⮧ Em adultos jovens, Neisseria gonorrhoeae é a etiologia mais comum da artrite séptica. ⮨ A drenagem da artrite séptica é indicada na au- sência de resposta à antibioticoterapia. ⮩ A celularidade no líquido sinovial pode chegar a 250.000/microlitro, com mais de 90% de poli- morfo-nuclear neutrófilos (PMNs). ⮪ A dosagem de proteína C reativa pode auxiliar como marcador da resposta ao tratamento na osteomielite. Questão 3 (INSTITUTO NACIONAL DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA – RJ – 2020) Nos pacientes portadores de anemia falci- forme qual dos agentes abaixo deve ser lembrado, além do estafilococo, como possível etiologia de osteomielite? ⮦ Estreptococo B. ⮧ Listeria. ⮨ Micoplasma. ⮩ Herpes vírus. ⮪ Salmonela. Questão 4 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS, GO – 2020) Em uma radiografia da perna, foram observadas lesões na metáfise e na epífise distais da tíbia, com acha- dos compatíveis com osteomielite aguda. Conside- rando a localização da lesão, a idade do paciente é, mais provavelmente, de: ⮦ Um mês. ⮧ Dez anos. ⮨ Quarenta anos. ⮩ Oitenta anos. Questão 5 (HOSPITAL DILSON GODINHO – MG – 2015) Após apresentar várias lesões compatíveis com piodermite, uma Osteomielite Ortopedia 12 criança de sete anos de idade, sexo masculino, re- clama dor no joelho esquerdo. Ao exame, está com 39°C, não consegue apoiar o mesmo pé no chão. Não há imitação ao movimento da articulação. A ve- locidade de hemossedimentação é de 70 mm/1ª hora, e a proteína C reativa está positiva. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento recomendado? ⮦ Artrite piogênica; antibióticos. ⮧ Osteomielite aguda; antibióticos. ⮨ Doença de Osgood-Schlatter; antibiótico. ⮩ Necrose avascular do fêmur proximal; imobili- zação do membro afetado. Questão 6 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE – RS – 2011) Assinale a alternativa que preen- che a lacuna abaixo CORRETAMENTE: Paciente adulto com sequela de osteomielite de fêmur rece- beu diagnóstico de doença crônica. A presença de ____________ caracteriza uma osteomielite crônica. ⮦ Fístula ativa. ⮧ Sequestro ósseo. ⮨ Fístula inativa. ⮩ Celulite na região comprometida. ⮪ Quadro infeccioso sistêmico. Questão 7 (HOSPITAL PITANGUEIRAS – SP – 2010) Todas as afirmativas abaixo são incorretas, exceto: ⮦ A necrose asséptica da cabeça do fêmur (legg- -perthes) geralmente ocorre após os 12 anos de idade. ⮧ A epifisiólise proximal do fêmur nunca ocorre bilateralmente. ⮨ A pseudoartrose congênita da tíbia deve ser tra- tada com drogas que estimulem a osteogênese. ⮩ O tratamento de escolha para a artrite piogê- nica do quadril deve ser cirúrgico, através da artrotomia. ⮪ O tratamento preferido para um paciente com osteomielite crônica do fêmur é antibioticote- rapia sistêmica. Questão 8 (CENTRO DE REABILITAÇÃO E READAPTAÇÃO – GO – 2011) A anemia falciforme é frequente em nosso meio e ca- racterizada por doença hemolítica crônica e grave, resultante da destruição prematura dos eritrócitos. Relativamente a essa doença, indique a assertiva correta: ⮦ A crise dolorosa deve ser tratada com a trans- fusão sanguínea. ⮧ Quando ocorre osteomielite, a salmonella é um agente etiológico importante a ser considerado. ⮨ A dactilite ocorre por isquemia de partes moles de mãos e pés em geral em crianças menores de dois anos. ⮩ A vacina contra pneumococo deve ser feita em crianças maiores de dois anos e confere ampla proteção contra esse agente. ⮪ A crise de sequestro é mais comum após cinco anos de idade. Questão 9 (INSTITUTO ORTOPÉDICO DE GOIÂNIA – GO – 2010) Escolar de 9 anos apresenta claudicação e dor no membro infe- rior direito há 1 semana. Refere que há dois dias foi medicado com penicilina benzatina intramuscular, aplicada em glúteo, para tratamento de piodermite. Ao exame: febril (38,3 graus); dor à compressão de coxa direita, sem manifestações articulares e au- sência de sinal de Lasègue. RX de quadril e membro inferior direito normal. Hemograma: 18000 leucóci- tos/mm (83% neutrófilos, 15% bastões). VHS 59 mm na primeira hora. O diagnóstico provável é: ⮦ Artrite séptica. ⮧ Osteomielite. ⮨ Infarto ósseo. ⮩ Sarcoma de Ewing. ⮪ Artrite reumatoide juvenil. Osteomielite 13 Questão 10 (UFPR – PR – 2008) Com relação à osteomielite hema- togênica aguda, é INCORRETO afirmar: ⮦ Ela é secundária a uma bacteremia. A bactere- mia na infância está relacionada, entre outros motivos, a otite, faringite, sinusite e ao ato de escovar os dentes. ⮧ O agente etiológico mais frequentemente isola- do é o Staphylococcus aureus. ⮨ Ela acomete principalmente a região diafisária dos ossos longos. ⮩ O osso mais frequentemente acometido é o fê- mur (27%) e depois a tíbia (22%). ⮪ O traumatismo local é um fator predisponente para a infecção. Osteomielite Ortopedia 14 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Alternativa A: INCORRETA. O diagnóstico precoce é clínico, e os achados radiográficos são aparentes a partir de 15 dias de evolução do quadro. Alternativa B: CORRETA. AlternativaC: INCORRETA. As articulações mais aco- metidas são dos membros inferiores. Alternativa D: INCORRETA. O tratamento deve ser es- colhido de acordo com o quadro do paciente, e não apenas pelo tempo de evolução. ✔ resposta: ⮧ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: As infecções osteoarticulares podem ser apresentadas como osteomielites, ar- trite séptica, piomiosite e espondilodiscite, tendo manifestações e prognósticos variados. Alternativa A: CORRETA. É correto afirmar que, na os- teomielite, o germe mais frequente é o S. aureus, sendo este um germe que coloniza a pele com fre- quência, incluindo também região de fossas nasais, o que facilita sua disseminação quando há porta de entrada, como feridas ou depressão do sistema imunológico. Alternativa B: CORRETA. A artrite séptica é a infecção no líquido e nos tecidos de uma articulação, geral- mente causada por bactérias, mas, ocasionalmen- te, por vírus ou fungos. Bactérias, vírus ou fungos podem espalhar-se por meio da corrente sanguínea ou de uma infecção nas proximidades em uma arti- culação, causando infecção. Dos agentes etiológi- cos, o Staphylococcus aureus e a Neisseria gonor- rhoeae são as bactérias mais comuns, sendo que, em jovens, o segundo agente tem maior incidência. Alternativa C: INCORRETA. O tratamento com drena- gem ainda na fase aguda apresenta melhores resul- tados quanto mais cedo for drenada a articulação, podendo chegar a 100% do resultado se realizado antes do 3º dia de evolução. Logo, não há indica- ção de esperar a resposta com antibioticoterapia, e sim realizar em consonância. Alternativa D: CORRETA. Sobre a celularidade, é cor- reto afirmar que há importante elevação, essen- cialmente dos polimorfonucleares, estas que são células inflamatórias de fase aguda. Alternativa E: CORRETA. A dosagem seriada da PCR pode ser usada no acompanhamento do tratamen- to da osteomielite em conjunto com critérios clíni- cos. A proteína c-reactiva, ou CRP, é uma proteína plasmática reagente de fase aguda produzida pelo fígado. É um dos membros da família de proteínas pentraxina. ✔ resposta: ⮨ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: A doença falciforme é uma he- moglobinopatia decorrente da mutação no gene que produz a hemoglobina A, originando a hemo- globina S. O paciente apresenta-se com anemia e pode ter episódios de oclusão de vasos, levando a infartos teciduais. Em infecções osteoarticulares, os agentes mais comuns são salmonela (represen- tando cerca de 57% dos casos) casos; portanto, correta a alternativa E. ✔ resposta: ⮪ Osteomielite 15 Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: Questão que lhe obriga a co- nhecer alguns conceitos anatômicos e epidemio- lógicos. As osteomielites acometem em mais de 80% dos casos indivíduos com menos de 17 anos, sendo uma infecção mais comum na infância (o que já afasta as alternativas C, 40 anos, e D, 80 anos). Para acertar a alternativa, vamos basear-nos no referencial anatômico adotado pelo autor da ques- tão, a epífise da tíbia. A ossificação da epífise tibial costuma ocorrer após os 4 a 6 meses de idade, não sendo possível visualizá-la na radiografia em indiví- duos com menos de 6 meses de idade (o que exclui a alternativa A, 1 mês). Juntando esses 2 fatos, a melhor resposta para a questão é a letra B, 10 anos. ✔ resposta: ⮧ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: Quadros infecciosos no siste- ma musculoesquelético após infecções em outros sistemas podem acontecer, sobretudo em indiví- duos com insuficiência imunológica, como idosos e crianças. Nesse caso, há uma infecção ativa que causa dor articular e febre, contudo a articulação apresenta mobilidade, afastando a possibilidade inicial de artrite séptica; portanto, deve-se firmar o diagnóstico de osteomielite aguda e iniciar o trata- mento com antibióticos. ✔ resposta: ⮧ Questão 6 dificuldade: Y Dica do professor: O processo evolutivo de uma osteomielite aguda não tratada ou tratada de forma equivocada leva progressivamente à destruição ós- sea e ao acúmulo de exsudato intraósseo. Durante esse processo, o osso necrosado separa-se do teci- do vitalizado adjacente e e torna-se circundado por um tecido inflamatório subagudo, caracterizando o sequestro ósseo, que é característica marcante da osteomielite crônica. ✔ resposta: ⮧ Questão 7 dificuldade: Y Dica do professor: Por seu alto poder destrutivo intrarticular, o tratamento da artrite séptica deve ser instituído no menor espaço de tempo possível. Está indicada nesses casos artrotomia e limpeza da articulação acometida. ✔ resposta: ⮩ Questão 8 dificuldade: Y Dica do professor: O agente etiológico da osteo- mielite mais frequente, na população em geral, é o Staphylococcus aureus, entretanto existem outros agentes mais frequentes, a depender do quadro basal do doente. No caso de indivíduos portadores de anemia falciforme, o agente mais frequente é a Salmonella. Para os casos de pacientes diabéticos, portadores de mal perfurante plantar, a Pseudomo- nas é o agente mais frequentemente envolvido com o processo infeccioso. ✔ resposta: ⮧ Questão 9 dificuldade: Y Dica do professor: Quadro de dor em membro in- ferior após infecção, dor à movimentação e leuco- citose aponta para osteomielite. Nesse caso, não existe bloqueio articular, o que nos faz afastar a possibilidade de artrite séptica. ✔ resposta: ⮧ Questão 10 dificuldade: Y Dica do professor: A osteomielite hematogênica é causada por microrganismos que invadem o osso no cenário da bacteremia. Ocorre mais comumente em crianças. Entre os adultos, é mais frequente no sexo masculino. Os fatores de risco para osteomie- lite hematogênica incluem endocardite, presença de dispositivos intravasculares, ou equipamentos ortopédicos, uso de drogas injetáveis, hemodiáli- se e doença falciforme. É geralmente monomicro- biana, e o S. aureus é, de longe, o organismo mais comumente isolado. O acometimento vertebral é a forma mais comum de osteomielite hematogênica Osteomielite Ortopedia 16 em adultos, e, quando na periferia, a sua localiza- ção preferencial é nas metáfises de ossos longos, como o fêmur e a tíbia, por serem regiões ricamente vascularizadas. ✔ resposta: ⮨ Osteomielite Conceito Classificação Tipos Osteomielite hematogênica aguda Osteomielite crônica Mapa mental. Osteomielite Referências Bibliografia consultada Questões comentadas