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1/3 Material Teórico Introdução Na década de 1980, uma prestigiosa editora brasileira lançou uma coleção de livros de História organizados sob o título Tudo é História. As capas das publicações traziam uma ilustração pintura, em geral - fragmentada de maneira a sugerir um jogo de quebra-cabeça. A imagem do jogo e o título ainda nos servem para falarmos de História. Mas, se é assim, o que vamos estudar e ensinar? E de que forma a imagem sugerida de um quebra-cabeça serve para refletirmos sobre o campo de estudo e de ensino da História? À primeira pergunta responderemos ao longo de nossas próximas Unidades. Agora trataremos da segunda questão: estudo da História é, verdadeiramente, uma representação (investigação) do que aconteceu. Não recriamos o passado, e sim criamos uma narrativa que nos permita entender acontecimentos e lugar de sujeitos históricos.Figura 1 - A História e quebra-cabeça Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de um menino de aproximadamente 5 anos de idade. Ele observa uma mesa sobre a qual estão dispostas peças de um quebra- cabeça. Fim da descrição.Figura 2 - o tempo e sua passagem Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de um relógio de bolso sobre uma mesa. A Figura sugere a passagem do tempo. Fim da descrição. Estudar e compreender as escolas de pensamento historiográfico implica investigar como, ao longo dos anos, se estabeleceram linhas de estudo dotadas de teorias, metodologias, conceitos e procedimentos. resultado da investigação é a chave para responder à seguinte pergunta: que ensinar? Os temas que vamos estudar e ensinar indicam as metodologias e teorias. Eis aqui o vínculo com as escolas historiográficas e os autores que vamos escolher para nos acompanhar em nossa empreitada. Vejamos isso com mais atenção.que Estudar (e Como)? Cada tema de estudo criou sua bibliografia. que significa dizer que temas criam suas bibliografias? A pesquisa histórica requer que entendamos a natureza do tema escolhido, as peculiaridades, as linguagens, os tipos de documento etc. A partir de tais considerações, realizamos escolhas metodológicas de estudo e investigação. As escolas de pensamento contribuem para nossos estudos. Cada autor nos ensina. Se queremos, por exemplo, tratar de história regional ou memória, cidadania ou ocupação de territórios, entramos em campos de conhecimento inter-relacionados, mas que guardam singularidades e solicitam aproximações diversas. Por exemplo, em escavações arqueológicas em ocupações humanas, as sementes podem nos dizer o que nossos antepassados comiam e os valores proteicos de suas dietas. Vamos supor que queiramos preparar uma aula sobre o período das grandes navegações, no início da Idade Moderna, e tenhamos decidido nos apoiar nas cartas e nos diários de viajantes. Pois bem, que metodologias e teorias vão nos ajudar? Vamos à biblioteca e procuramos Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda. Pronto, localizamos o livro. Por que esse livro? De que forma essa obra se liga ao tema dos viajantes? Bem, Visão do Paraíso é sobre literatura dos viajantes. autor, aliás, apreciava literatura e foi grande crítico literário. Observe: crítico literário emprega o que se chama de análise de discurso, método em que o enunciado é fragmentado, buscando-se elencar as intenções do discurso, a quem é dirigido, as afirmações e representações criadas, os personagens e seus papeis. Com tal método, busca-se apreender o que o autor queria dizer ao escrever. As técnicas desse método de análise literária foram empregadas por Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso. Ele estuda cartas e diários de viajantes como se fossem literatura e faz uso da análise de discurso para compreender as intenções e os propósitos de seus autores. Pois bem, qual é mesmo tema da aula? Ah, sim! As grandes navegações com base em diários e cartas, não é mesmo? Sérgio Buarque nos oferece uma metodologia. Podemos tomá-lo, no caso, como interlocutor, ou seja, como o autor com o qual vamos conversar para criar nossa aula. No caso, as reflexões de Sérgio Buarque são possibilidades teóricas e metodológicas para nosso próprio trabalho. Note que para o tema citado encontramos na biblioteca um livro que nos ajudaria. E se estivéssemos buscando referências para tratar de um tema ainda não estudado? Aí nos caberiama primazia e o desafio de criar referências. Contudo, sempre há obras ou professores que podem ajudar. Figura 3 - Aprender a estudar Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de um menino de aproximadamente 10 anos de idade segurando um livro. Ele está numa biblioteca escolar. Ao fundo, há prateleiras de livros. Fim da descrição. As últimas décadas, em razão de discussões sobre letramento acadêmico e transversalidade, ofereceram renovadas possibilidades de pesquisa. Vale lembrar que letramento acadêmico é a familiarização com campos de conhecimento afins aos estudos históricos; familiarização que aposta na transversalidade das ciências, ou seja, na criação de campos de compartilhamento de metodologias e de conceitos, de análises e de pesquisas. Os futuros historiadores, mais e mais,além de suas escolas, precisam aprender a respeito de ciências que possam ajudá-los oferecendo chaves de análise e ferramentas epistemológicas (de conhecimento) para a criação de narrativas e de conhecimentos historiográficos. Portanto, não há limites para as pesquisas; todavia, é fundamental que os estudantes e pesquisadores estejam amparados por conhecimentos metodológicos de diferentes naturezas. Vamos tornar isso tudo mais claro com exemplos de diferentes situações e metodologias. Para se familiarizar com o ofício dos historiadores, um bom começo é ler ou ver entrevistas com historiadores. Leitura Entrevista com Hilário Franco Júnior Leia a seguinte entrevista concedida por Hilário Franco Júnior, professor de História Medieval da Universidade de São Paulo. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE VídeosAssista às entrevistas a seguir. Canal Livre - José Murilo de Carvalho Roda Viva - Adélia Prado - 1994História, Memória e Cidadania Considere que vamos estudar o lugar do qual falam os alunos de uma sala de aula. Lugar do qual falam? o que isso significa? Vamos trabalhar assuntos da história de vida e da memória da turma em relação ao bairro no qual a escola está instalada. Vamos recriar as histórias das famílias e do bairro no qual vivem. Em termos teóricos e metodológicos, tema pede que trabalhemos com metodologias da História Oral. Trata-se de um campo de estudo e de pesquisa que privilegia entrevistas; se está em questão buscar a história da família dos estudantes, ao entrevistar os familiares, sobretudo, os mais velhos, conseguiremos compor um quadro sobre os caminhos vividos (ou lembrados) pela família. Vivido e lembrado não é a mesma coisa? Não, que eu vivi não é necessariamente aquilo de que eu me lembro. que eu vivi pertence ao campo de minhas experiências e não guardo memórias e lembranças de todas elas. campo de estudos da História Oral criou, ao longo do tempo, conceitos que permitem conjugar história e memória, afinal, memória não é história, mas, certamente, é matéria da qual o historiador deve se ocupar ao mesmo tempo que se vale de livros de História.Por que a memória não é História? Considere que um(a) aluno(a) realizou quatro entrevistas entre seus familiares. Digamos que todos falaram de um mesmo episódio, por exemplo, a chegada ao bairro, as circunstâncias da chegada e o processo de ocupação, ou seja, a criação de ruas e a construção de casas. É possível que as narrativas não coincidam, que possam ser encontradas diferenças de nomes e de datas, de circunstâncias e de acontecimentos. Nada a estranhar, os entrevistados estão contando aquilo de que se lembram, que, sabemos, não são informações precisas. Lembrar e esquecer são movimentos de nossa formação como indivíduos. Figura 4 - Gerações Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de três pessoas de três gerações diferentes: avô, o pai e o neto. Cada geração dá continuidade ao fluxo de memórias e, ao mesmo tempo, cria as próprias. Fim da descrição.Lembramos a partir de nosso ponto de vista e de nossa memória; assim, as experiências que os entrevistados guardam não são as mesmas, cada integrante da família é indivíduo singular e, portanto, tem a contar sua experiência de vida, tem a contar de que maneiras os dias passados o moldaram. Cabe à História, em particular, à História Oral, campo de conhecimento que criou metodologias (entrevistas e transcrições, conceitos de memória individual e coletiva), organizar e analisar os materiais recolhidos e preservá-los. Convém nos ocuparmos um pouco mais da História Oral, haja vista a expectativa presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC): a formação da cultura de cidadania. Reflita Considere sua própria história e a de sua família. Converse com seus familiares procurando reconstruir os passos de seus antepassados. Reflita sobre sentido de gerações, isto é, avós, pais e filhos. Note que cada geração pertence a um contexto histórico, político e econômico próprio. Compartilhe suas descobertas e análises com os colegas de sala de aula. que a cidadania tem a ver com a História Oral? Aprendemos que a História Oral nos levou a considerar, no exemplo citado, parte das memórias das famílias; de fato, quando o(a) aluno(a) abre a caixa de memórias de sua família em sala de aula, ele ou ela as compartilha com os colegas. compartilhamento em sala amplia as experiências e aproxima os alunos. No fim, ao aprenderem mais de si e dos outros, os alunos ampliam e exercitam sua capacidade de reflexão sobre o sentido do viver. diálogo amadurece e dá elementos à identidade pessoal. A identidade,de fato, forma-se desde cedo, ainda no ambiente familiar. Nos anos seguintes, novos elementos e situações auxiliam na formação, tais como a chegada à escola. Ao estudar com atenção a BNCC aprenderemos que entre os chamados eixos estruturantes do aprendizado e da formação está Eu, Outro e Nós. E o que significam os pronomes no eixo citado? De que forma falam a respeito de nossas formações? o que isso tem a ver com o exemplo dado aqui de História-Memória? Vamos ver com atenção: ao aprender mais sobre si, o(a) aluno(a) fortalece a construção de sua identidade e de seu lugar na casa e na sociedade, ao mesmo tempo que desenvolve laços afetivos e de companheirismo com os outros com os quais compartilha vivências. Assim, aprimora a percepção do próprio eu ao dialogar com os colegas de sala. E desse ponto podemos saltar para o sentido do nós. A partir de tais descobertas é que todos nós nos tornamos aptos a participar da sociedade, sabedores de quem somos e de onde estamos, de nossos anseios e de nossas expectativas, e nos tornamos cidadãos de nosso tempo e lugar. Assim, podemos pensar sobre nós, os outros e nosso lugar, dialogar sobre a vida, os sonhos, a carreira e os projetos. A Linguagem da Imagem Prossigamos para aprender sobre outras linguagens. Linguagens? Do que estamos falando? Em nosso exemplo de História Oral lidamos com memórias. E se, em vez de discursos e narrativas, tivéssemos nos ocupado de imagens? E se fôssemos ao Museu de Arte de São Paulo (MASP)?Figura 5 - Museu de Arte de São Paulo (MASP) Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: fotografia do Museu de Arte de São Paulo (MASP), edifício moderno, de formato retangular e envidraçado, construído sobre quatro colunas vermelhas vibrantes. Fim da descrição. Figura 6 - Brasil Império - Aquarela Fonte: Wikimedia Commons#ParaTodosVerem: reprodução de pintura em aquarela. Nela há cinco personagens e um cão. Um dos personagens está numa rede sendo carregado por dois adultos, que usam um tronco para que a rede permaneça suspensa e adulto nela não precise pisar no chão. Na cena há duas crianças, que levam um guarda-chuva e uma bandeja de frutas. Fim da descrição. Observemos com a atenção a Figura apresentada. Importante: ela não está no museu indicado. É um exemplo para nosso exercício de reflexão. Vamos lá! que a imagem nos diz? Sim, as imagens também falam, mas usam uma linguagem diferente da verbal, que vimos no tópico dedicado à História Oral. Nas entrevistas, ouvimos palavras e frases; agora nos vemos diante de imagens, cores e desenhos. Olhe com atenção a aquarela. Trata-se de registro feito ao tempo em que a sociedade brasileira, de forma trágica, adotava a escravidão humana. Dos cinco personagens, apenas um é um homem livre, os demais são brasileiros escravizados. Cena que hoje nos choca pelo horror, pelo desprezo pela vida alheia. A cena, a julgar pelas roupas, pertence aos tempos das sociedades aristocráticas e escravagistas. A figura sentada na rede, que não deseja caminhar e pisar no chão, está vestida e leva chapéu. Os que o acompanham vestem roupas incompletas (mal se vestem, de fato) e andam descalços. As duas crianças que acompanham a caminhada levam algo de que o senhor na rede pode precisar: os alimentos, certamente, matarão a sua saciedade, e o guarda-chuva há de protegê-lo caso o sol aperte. No entanto, note que há mais comida do que ele precisaria para se manter saciado. Depreendemos tal sentido porque a aquarela nos diz isso por meio das imagens e da composição da cena, que, aliás, está em movimento. A posição dos personagens, dos pés, sugere que estão caminhando ao ar livre. Sabemos, agora, algo a respeito de como era a vida na sociedade brasileira do século 19 a partir do estudo breve de uma pintura. Não precisamos de texto para aprender a respeito dessa sociedade fortemente hierarquizada, ou seja, apesar de estarem na mesma situação, há enorme distância entre os personagens, a distância entre a liberdade e a escravidão. Há separação entre homem que é carregado e quem o carrega. Tudo isso está dito sem nenhuma palavra. Apenas os personagens e o lugar representados nos bastam para que possamos ouvir a imagem. Nossa metodologia consistiu em observar e descrever as imagens, para, desta forma, acompanhar a composição da cena criada pelo artista. Reconhecemos os personagens e os situamos na sociedade brasileira aristocrática e escravagista do século 19. Ao nos apoiarmos, de igual maneira, em pesquisas,aprenderemos mais sobre o artista. Ele pode, por exemplo, ter deixado outras obras semelhantes, isto é, pode ter pintado outras cenas de rua que podem ser parte de uma série ou coleção. Podemos nos apoiar em pesquisas sobre o artista e saber se ele escreveu para deixar registradas suas impressões. Há um caso bem conhecido na História do Brasil de pintor que explicou por escrito as escolhas que fez em seus quadros. Trata-se de Pedro Américo, artista que pintou a Declaração de Independência, famosa obra do período de pinturas de temática histórica (século 19 e início do 20) que se encontra em exposição no Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga. Pedro Américo, ao legar suas anotações, nos permitiu aprender quais historiadores ele leu e a quais narrativas da cena ele teve acesso. Vale observar que, muitas vezes, o artista encontrou mais de uma descrição da declaração e, em tais circunstâncias, precisou escolher. A narrativa escrita permite que eu escreva versões de um mesmo fato, mas como fazer isso em uma pintura? caso de Pedro Américo e desse quadro em particular é raro. Não é comum que artistas expliquem suas obras. Pedro Américo, porém, não foi o único: há outros artistas que falaram a respeito de suas produções. Nos estudos e na preparação de práticas de ensino, é fundamental recuperar tais depoimentos para reforçar as análises. Leitura Aproveite as visitas virtuais indicadas a seguir, converse com seus colegas a respeito das experiências e diferenças entre os conteúdos oferecidos pelos museus. Considere, também, que representam os recursos eletrônicos e digitais para estudo, ensino e a aprendizagem de História. primeiro link indica museus brasileiros que dispõem de recursos para visitas virtuais. As visitas a tais lugares nos ajudam a refletir sobre anossa trajetória como sociedade e sobre os mundos sonhados por artistas e visionários. 15 Museus Brasileiros para Visitar Online Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação no Contexto Escolar: Possibilidades Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Verdadeiramente, as análises de pinturas pedem mais. Realizamos aqui uma breve introdução. Note que apreenderemos mais a respeito da linguagem da imagem se soubermos seu autor. Quem a pintou? Em que ano? E qual a cidade? Estudar e pesquisar sobre as obras do autor pode me indicar que a pintura em questão faz parte de uma série de aquarelas e de observação de viagens. Considere, por exemplo, que você viajou para um lugar pela primeira vez e deseja compartilhar suas experiências com alguém. Hoje, em razão das revoluções informacionais, você usaria seu celular para tirar fotos e, instantaneamente, encaminhá-las para um amigo ou uma amiga, ou, talvez, você redigiria suas observações em um diário eletrônico, um blog. Quando da realização da aquarela que vimos, a maneira de registrar as impressões era outra. Saber mais do autor e das circunstâncias em que a obra foi realizada oferece perspectivas e informações que ampliam a capacidade de compreender artista e a obra, e, desta forma, elevar as análises a outros patamares.Embora tenhamos falado aqui de uma pintura e a tenhamos analisado, observe que podemos considerar outros registros de imagens. Pense em uma fotografia ou em um mural, por exemplo. Ao ampliarmos a escolha de imagens, nos damos conta de que elas guardam particularidades. A fotografia pode servir ao campo de ensino da História Oral, não é mesmo? Afinal, a fotografia pode ser a lembrança de uma ocasião, pode ser a foto de uma família reunida em dia de festa. Mas será que as fotografias não podem ser mais do que memória? A sugestão de reflexão aqui deseja colocar em destaque que um mesmo tipo de documento (no caso, a fotografia) pode servir a diferentes temas - História Oral/ Memória ou Jornalismo - de fato, 0 elenco de possibilidades, sabemos, é maior. Figura 7 - Memórias Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia. Em primeiro plano, estão as mãos de uma pessoa que manuseia uma foto antiga. o fundo da imagem está desfocado, mas é possível ver mais fotos antigas espalhadas em uma mesa. Fim da descrição.Linguagens, Outras Possibilidades Olhe ao redor e comece a se indagar sobre outras possibilidades, sobre linguagens que não necessariamente fazem parte de sua vida. Consideremos, por exemplo, vídeo ou, como alguns preferem, audiovisual, termo que expressa a combinação das linguagens visual e sonora. Pois bem, estas também são de interesse do historiador. Podemos estudar e analisar produções audiovisuais: programas de TV, vídeos nas redes, filmes no cinema, documentários todo audiovisual pode ser objeto de estudo. Portanto, o conceito de documento que aprendemos com autores como o alemão Leopold von Ranke não é mais o mesmo, pois foi alargado. Nós nos demos conta de que não apenas o escrito guarda interesse para os historiadores. Percebemos que as gerações seguintes ampliaram de forma sensível o sentido e significado das linguagens. Reflita por um momento: no século 19, nada havia que sugerisse o que temos de audiovisual hoje; havia a ópera e o teatro, que realizavam o que mais tarde o audiovisual incorporaria: narrativas e dramas, dança e canto. A linguagem audiovisual é lembrada aqui em razão da presença que ocupa em nossa sociedade digital. Não faz muito tempo havia apenas o cinema e a televisão, daí surgiram equipamentos eletrônicos, como o videocassete e o aparelho de DVD, que nos permitiram ver em casa os filmes de nossa escolha. Hoje, os acervos digitais guardam milhões de registros e não param de crescer. É claro que acumulação não é, necessariamente, sinônimo de valor e de ética. Lamentavelmente, há quantidades incríveis de materiais que desvalorizam a humanidade, pregando violência, preconceitos, exclusões e toda sorte de horrores. Nunca fomos tão audiovisuais como em nossa época, daí a necessidade de nos ocuparmos de analisar esse tipo de material e registro. Diferentemente da imagem de um quadro, no audiovisual há movimento, há uma narrativa contada por atores e atrizes em diálogos e cenas.Figura 8 - Sala de cinema Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de sala de cinema. O(A) fotógrafo(a) posicionou- se em de costas para a tela de projeção, para ficar de frente para a plateia. As poltronas estão ocupadas por rapazes e moças que olham entusiasmados para a tela. Na parte superior da imagem, bem ao centro, vemos a luz de projeção do filme. Fim da descrição. Pois bem, vamos partir desta experiência pessoal: ler um livro e depois ver a adaptação para o cinema. Já lhe aconteceu de reparar, em uma adaptação, que, apesar de supostamente o filme partir de determinado livro, há diferenças entre ambos, como mudanças de cenas ou cortes de personagens? Isso acontece porque se trata de linguagens distintas. livro e 0 filme têm duração e fruição distintas. Um livro não tem prazo para ser lido, por exemplo: posso in e voltar em minhas leituras ao longo de dias. E um filme? filme é uma obra com duração definida. Se vou assistir a determinado filme, sei de antemão sua duração (por exemplo, 90 minutos). Assim,no espaço de uma hora e meia, sou capaz de vê-lo. Nem tudo do livro estará nele. Se assim fosse, precisaríamos de mais de 90 minutos. Ainda que haja edições e cortes, no geral, espera-se que o enredo (a história contada) não seja alterado. Importante: o enredo é a base de nossa leitura, isto é, se eu quero tomar o audiovisual como documento de pesquisa, parto do enredo para acompanhar a narrativa e dos recursos que os responsáveis o(a) diretor(a) e os atores e as atrizes empregaram para contá-la. audiovisual não é apenas entretenimento, também é linguagem: diz algo e podemos ouvi-lo e, no final, analisá-lo e conversar com ele. o filme pode revelar os propósitos de seus realizadores, assumindo, inclusive, o caráter de propaganda. Considere, por exemplo, os filmes alemães das décadas de 1930 e 1940 que de forma explícita faziam a apologia da guerra. Eram, verdadeiramente, peças de propaganda. Nos dias atuais, estamos às voltas com o que denominamos de fake news, que, em alguns casos, podem assumir a linguagem audiovisual. Se entendemos que é uma linguagem redigida e filmada (editada), podemos analisar o enredo e os argumentos, a veracidade e a falsidade, identificar a mensagem da obra audiovisual e analisá-la. Letramento Acadêmico e Transversalidade Você já percebeu que, quando ampliamos o conceito de documento, alargamos nosso campo de conhecimento e que, para respondermos de forma adequada aos desafios, precisaremos conhecer outros campos. Se vou tratar de cinema, vale a pena entender como um filme é produzido, do momento em que o(a) roteirista(a) se senta para escrever o roteiro, passando pela escolha e preparação dos atores e das atrizes, até a filmagem, distribuição e veiculação do audiovisual. Familiarizar-se com as peculiaridades e a forma de construir as narrativas fílmicas oferece elementos para fazer análises melhores. Desde que rompemos os limites do documento escrito do século 19, cruzar campos de conhecimento é imprescindível. Precisamos lançar mão de conceitos que estão além das fronteiras de nosso campo e, aliás, redesenhar os nossos campos, ampliando-os para que possam comportar diálogos e favorecer os compartilhamentos com outras áreas.Figura 9 - Câmera cinematográfica Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de uma câmera cinematográfica moderna. Fim da descrição. A linguagem do audiovisual, para prosseguirmos em nosso exemplo, trabalha com o conceito de decupagem. Trata-se da desmontagem da cena, recurso de análise de críticos e estudiosos de cinema; nós, historiadores, temos de aprender com eles a realizar decupagens, que para nós assume lugar-chave como metodologia para analisar a montagem e o enredo de um filme, para aprender a ler a montagem e, dessa forma, acompanhar o que é dito, por quem e para quem. A transversalidade implica buscar recursos e ferramentas com colegas de outras áreas de conhecimento para aplicá-los em sala de aula.Figura 10 - Profissionais do cinema Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: ilustração, sobre fundo branco, de silhuetas dos profissionais que atuam na realização de um filme. Podemos identificar as figuras de diretor, ator, câmera, entre outras. Fim da descrição. Verdadeiramente, não há limites para os novos sentidos de documento. Vamos considerar, por exemplo, o estudo das práticas religiosas no mesmo bairro da escola. Vamos supor que hajamais de uma religião e mais de uma denominação religiosa. Para fazer de maneira adequada a pesquisa, será preciso estudar conceitos referentes às experiências religiosas das sociedades humanas e os modos como tais atitudes são criadas e investigar se atendem (ou não) aos anseios dos indivíduos. Nesse exemplo, em particular, a Antropologia será de enorme valia para a pesquisa. A depender do que deseja fazer, historiador precisa ir a seu "ateliê" e escolher as ferramentas adequadas; afinal, não costuramos camisa com chave de fenda. Há recursos para cada necessidade. Cada tema pede uma aproximação epistemológica adequada, e cada geração repensa seus temas. Por exemplo, a imigração chegada de estrangeiros ao Brasil é um dos temas fortes da historiografia brasileira, visto que nossa sociedade contou com a entrada de milhões de estrangeiros entre as últimas décadas do século 19 e as primeiras do século 20. Sabemos que parte dessas populações foi, de fato, contratada ainda no exterior para trabalhar em lavouras. Todavia, muitos entraram no país sem contrato de trabalho, fugindo de crises econômicas e políticas deflagradas por guerras na Europa. Hoje, nomearíamos esses estrangeiros como refugiados. que mudou? Criamos classificações para os que se mudam de seus lugares de origem. Passamos a identificar as motivações e as condições econômicas que têm ao empreender a viagem. A Organização das Nações Unidas, por meio da Acnur, passou a registrar as condições das pessoas que estão se deslocando ao redor do mundo. Hoje, portanto, há o reconhecimento da condição de refugiado; décadas atrás, não havia. Da mesma maneira que dentro de um par de anos haverá profissões que nem sequer imaginamos, a sociedade criará temas e perspectivas que hoje não sonhamos que existirão. Em Síntese Os exemplos indicados ao longo de nossa Unidade são uma fração das possibilidades. Aprendemos que tudo é História e que precisamos estar em condições de responder epistemologicamente aos desafios historiográficos. Desafios? Quais são mesmos os desafios colocados pela afirmação de que tudo é História? Aprendemos que depender dotema que vamos estudar e pesquisar há ferramentas, conceitos e metodologias mais adequados que outros. Sobretudo, aprendemos que, ao reconhecer que tudo pode ser objeto de interesse de historiadores e, portanto, tema de estudo e ensino de História, precisamos atentar para as metodologias a serem empregadas, escolher as escolas, os autores, os conceitos, as teorias e seguir em frente. É de se esperar que reunamos autores (interlocutores) para que formulemos questões e reflexões pertinentes ao nosso trabalho. Não há limites epistemológicos (de conhecimento), apenas os nossos próprios limites, e devemos trabalhar para que sejam constantemente superados. Se tudo é História, a perspectiva científica da ciência que você escolheu organiza campo de pesquisa, e a metodologia oferece as ferramentas para conhecer e analisar e, por fim, compartilhar os resultados, a fim de que novos conhecimentos sejam fomentados. Assim, completa-se ciclo, que se reinicia constantemente. Por isso, cada geração escreve e reescreve a história, num movimento sem fim. Isso significa afirmar que continuaremos a escrever a história, aumentaremos os nossos recursos metodológicos e criaremos outras escolas de historiografia. Esperamos que nosso percurso lhe ofereça chaves para que possa criar sua trajetória, fazer escolhas profissionais, desenvolver dinâmicas de ensino e de aprendizagem e fazer pesquisas que ajudem a definir seu perfil profissional e de vida.Figura 11 - Satisfação pessoal Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de jovem andando de bicicleta, com os abraços abertos. A imagem sugere bem-estar - e a alegria de viver o percurso escolhido. da