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Prévia do material em texto

Atualidades e Oficinas em 
Tendências Farmacêuticas
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Liriana Belizario Cantagalli 
 Prof.ª Dr.ª Silmara Baroni
Revisão Textual:
Jaquelina Kutsunugi
A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: 
das Boticas às Indústrias
• Um Breve Histórico da Farmácia;
• O Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica;
• A Indústria Farmacêutica no Brasil.
A Trajetória das Ciências 
Farmacêuticas: das Boticas 
às Indústrias
• Compreender que existem fatos na história da farmácia que refl etem na maneira 
como a indústria se desenvolveu e na relação do profi ssional com suas competências 
de atuação, a origem e a história da farmácia desde as boticas até a indústria;
• Compreender que o progresso da indústria farmacêutica é dependente de pesquisa e ino-
vação e que o novo contexto de saúde abrange novas perspectivas de atuação profi ssional.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: 
das Boticas às Indústrias
Olá, caro(a) aluno(a)! Nesta Unidade, você terá a oportunidade de conhecer um 
pouco sobre a história de sua profissão, além de como a indústria farmacêutica se 
desenvolveu no país e no mundo, bem como quais são as perspectivas de atuação do 
farmacêutico e da indústria no cenário atual de inovação tecnológica e saúde pública.
Figura 1 – Foto de uma botica ou farmácia antiga
Fonte: Franzisca Guedel | 123RF
A seguir, veremos um breve histórico da farmácia.
Um Breve Histórico da Farmácia
Você sabia que a medicina moderna originou-se na Grécia, e a pequena caixa de 
madeira que os médicos antigos usavam para guardar os remédios eram chamadas 
boticas? Ademais, que “boticário” foi o primeiro nome usado para referir-se aos 
profissionais envolvidos na comercialização de medicamentos? Pois bem! Nesta 
época, as formulações eram preparadas pelos próprios médicos, de acordo com 
as informações dos compêndios e farmacopeias ou com base em conhecimentos 
populares sobre plantas medicinais, envolvendo, sempre, um certo mistério e reu-
nindo rituais supersticiosos. 
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Até o século XI, a farmácia restringia-se apenas a ser ensinada como uma par-
te do estudo da medicina, e o primeiro registro que faz referência à separação 
da farmácia da medicina é de 1240 (idade média), quando o imperador romano 
Frederico II, rei da Sicília e imperador germânico, escreveu a carta magna da pro-
fissão farmacêutica. Na carta magna, Frederico II argumentava que o exercício da 
farmácia requer conhecimento e responsabilidades especiais, com o objetivo de 
garantir cuidados às necessidades medicamentosas das pessoas. Daí por diante, 
criaram-se, então, três classes profissionais distintas: boticários, médicos e cirurgi-
ões (PEREIRA; NASCIMENTO, 2011). Frederico II, através do chamado Édito de 
Melfi, instituiu, ainda, uma série de normas que regulamentam a atividade farma-
cêutica. Era proibido, por exemplo, a sociedade entre médicos e farmacêuticos; 
os farmacêuticos só podiam dispensar remédios de acordo com receitas médicas, 
além de determinar que deveria haver um controle nos preços dos medicamentos. 
Aos poucos, essas normas foram sendo acatadas por toda a Europa (DIAS, 2005). 
No Brasil, durante o período colonial, bem antes da instituição de cursos de 
medicina e farmácia, em meados dos séculos XVII, as boticas foram trazidas por 
cirurgiões-barbeiros, mascates, jesuítas e boticários portugueses, que tiveram im-
portante papel no desenvolvimento das práticas e dos conhecimentos terapêuticos 
(FEBRAFARMA, 2007). Porém, os boticários eram apenas comerciantes, os quais 
não tinham formação em química farmacêutica. Quem preparava as formulações 
eram droguistas italianos, chamados Vallabellas, radicados em Lisboa, que enri-
queciam enviando os medicamentos para os boticários comerciantes venderem no 
Rio de Janeiro e na Bahia. Em função da possibilidade de ganhos com o monopó-
lio da fabricação e o comércio de remédios, os boticários foram acusados de pre-
ocuparem-se mais com seus interesses do que com a saúde de seus semelhantes. 
 Os estabelecimentos que comercializavam medicamentos eram dirigidos por bo-
ticários e chamavam-se boticas. Os boticários eram pessoas despreparadas, quanto 
aos conhecimentos e cuidados necessários para lidar com o preparo de fórmulas e 
cuidados com os pacientes. Seus conhecimentos eram os conhecimentos popula-
res sobre plantas medicinais e, para atuarem como boticários, tinham apenas uma 
carta de aprovação da autoridade de saúde da corte, em Coimbra (FILHO; BA-
TISTA, 2011). Foi somente em 1640 que as boticas receberam autorização para 
trabalharem de maneira regulamentada como comércio. A partir deste ano, estas 
multiplicaram-se no país e, devido à facilidade de abertura, muitos assim faziam, 
principalmente devido à expectativa de bons lucros. Com o passar do tempo, as 
boticas tornaram-se alvos de preocupação para o governo colonial, pois serviam de 
locais para reuniões a portas fechadas de grupos congregados em jogatinas, discus-
sões políticas e religiosas, que ameaçavam o estatuto colonial, abrindo caminhos à 
independência (EDLER, 2006).
Em 1744, foi outorgada, então, a legislação chamada “Regimento 1744”, que 
proibia a distribuição de drogas e medicamentos por estabelecimentos não autori-
zados, além de instituir a figura de um profissional responsável, estabelecer critérios 
para a estruturação física dos estabelecimentos e criar uma fiscalização sobre o 
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UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
estado de conservação das drogas e plantas medicinais (BELLAN; PINTO, 2016). 
Os primeiros cursos superiores de farmácia só foram criados após a independência 
do Brasil e, no século XIX, já existiam diversas instituições de ensino no país. 
Contudo, as licenças para abrir boticas continuavam sendo concedidas aos bo-
ticários sem diploma (FERNANDES, 2004); apenas no século XX, o farmacêutico 
tornou-se um profissional de referência para a sociedade, cabendo, somente a ele, 
comercializar, preparar e orientar sobre a forma de uso dos medicamentos. A par-
tir desse momento,a farmácia passa a ser um local de promoção à saúde pública 
e um centro cultural, no qual as pessoas procuravam notícias e novidades sobre 
os acontecimentos políticos e sociais do mundo, já que os meios de comunicação 
eram escassos (PEREIRA; NASCIMENTO, 2011). 
Com o desenvolvimento da indústria farmacêutica, os medicamentos deixaram 
de ser preparados de forma magistral e foram quase que totalmente substituídos 
por medicamentos preparados em escala industrial, com antecedência e embala-
gens particulares. O farmacêutico, então, tornou-se distante da população, pois 
sua atuação ficou reduzida à dispensar e comercializar remédios, limitando sua 
atuação como agente de promoção de saúde pública (FILHO; BATISTA, 2011). 
Atualmente, com as atribuições clínicas do farmacêutico, a visão deste profissional 
como um membro das equipes multidisciplinares em saúde e sua importância junto 
à população está sendo retomada. 
Farmacopeias: são coleções ou repositórios de informações sobre substâncias utilizadas 
para o tratamento terapêutico e preparados medicamentosos (SANTOS, 2000). Podemos 
dizer que seriam enciclopédias farmacêuticas da época.
Botica: eram as caixas de madeira compartimentadas, contendo uma série de produtos 
terapêuticos ou preparações medicamentosas, sendo, também, um termo aplicado ao es-
tabelecimento comercial permanente do boticário. Botica também era a denominação do 
compartimento existente nos hospitais, civis e militares, destinado ao preparo e à adminis-
tração de medicamentos aos doentes internados (SANTOS, 2000).
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Aluno(a), saiba mais sobre a farmácia antiga, clicando no link abaixo. Através de sua leitura, 
faça uma viagem no tempo, conhecendo um pouco mais sobre a estrutura física das farmá-
cias antigas e os medicamentos vendidos na época. https://bit.ly/2SWbNnn
O site do museu da farmácia, localizado em Lisboa, Portugal, possui um link para uma visita 
virtual a algumas farmácias, vídeos sobre as coleções e muito mais. 
Explore: https://bit.ly/2GXMRES.
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O Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica
Podemos dizer, caro(a) aluno(a), que o desenvolvimento da indústria farmacêu-
tica até como é hoje parece ser paradoxo, mas iniciou com as guerras mundiais. 
Na primeira guerra mundial, muitos soldados morriam, devido às doenças que 
acabavam provocando mais perdas de soldados do que em batalhas com o inimigo. 
Nesse contexto, Alexander Fleming, médico militar, descobriu, acidentalmente, a 
penicilina, um marco na história dos antibióticos. Contudo, sua produção em larga 
escala não era possível e ficou conhecida apenas no meio científico (RADAELLI, 
2007). Entretanto, durante a segunda guerra, com a necessidade de controlar a bai-
xa de soldados mortos por questões indiretas às batalhas, os governos investiram 
grandes quantias para o desenvolvimento da indústria farmacêutica, ampliando-a e 
consolidando-a como uma das maiores e mais importante das indústrias (BELLAN; 
PINTO, 2016).
Após a segunda guerra, a supremacia internacional na produção de medicamen-
tos foi transferida da Alemanha, que dominava, inicialmente, a indústria farmacêu-
tica, por deter conhecimento em química analítica, para os Estados Unidos que, 
além de aproveitar-se da destruição de grande parte do parque industrial europeu, 
investiu pesado em pesquisa e desenvolvimento, assumindo a liderança dos proces-
sos de produção, graças ao aprimoramento das técnicas de produção sintética e 
de purificação de substâncias empregadas nas medicações. Isso permitiu uma pro-
dução em larga escala, bem diferente da forma antiga de produzir medicamentos 
a partir de produtos naturais e plantas medicinais, necessitando de grandes áreas 
de plantio para posterior extração que, muitas vezes, resultavam em uma peque-
na quantidade de matéria-prima. Nos últimos anos, essa realidade tem mudado, 
devido ao desenvolvimento de estudos nas áreas de fisiologia, produção vegetal, 
melhoramento genético e investimentos na área de biotecnologia. Impulsionado 
pelo interesse popular por tais produtos, a produção de medicamentos a partir de 
produtos naturais vem sendo, portanto, uma tendência bastante promissora.
Três mudanças significativas marcaram o início da era moderna da indústria 
farmacêutica e ajudaram na concretização da hegemonia norte-americana: a des-
coberta da estreptomicina, antibiótico de amplo espectro; o estabelecimento da 
regulamentação e regime de patentes; e o controle sobre a produção, preço e 
distribuição dos detentores de patentes sobre seus medicamentos (FERST, 2013). 
Atualmente, os Estados Unidos e a Europa despontam como as regiões detentoras 
do maior número de patentes farmacêuticas, seguido pela China, considerado um 
país emergente no setor farmacêutico, que vem demonstrando sua elevada capaci-
dade de gerar inovação no setor, bem como ditar a dinâmica competitiva (AKKARI 
et al., 2016).
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UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
A Indústria Farmacêutica no Brasil
No Brasil, a indústria farmacêutica teve seu desenvolvimento entre 1890 e 
1950, mais tarde do que o observado nos países europeus. O desenvolvimento 
inicial da indústria farmacêutica no Brasil está intimamente relacionado ao Estado, 
que incentivou instituições de saúde pública para o desenvolvimento de práticas 
sanitárias de prevenção e combate às doenças infecciosas. O Estado foi o principal 
responsável por financiar a formação dos primeiros cientistas, laboratórios e insti-
tuições de pesquisa básica e aplicada, como o Instituto Vacinogênico e o Instituto 
Butantan que, até hoje, são referências em produção de vacinas no mundo.
Na década de 50, o então presidente Juscelino Kubitschek implantou um plano 
de metas desenvolvimentistas, cujo o slogan era “50 anos em 5”; o Brasil iniciou 
um processo de desenvolvimento nos setores de energia, alimentos, educação, 
transporte e indústria de base. Contudo, não houve uma política governamental 
para o setor farmacêutico. Sem incentivos fiscais para indústrias nacionais, facili-
tamento de importações, criações de linha de crédito e medidas protecionistas que 
tornassem difíceis as transações de grupos estrangeiros, a abertura econômica faci-
litou a entrada de indústrias farmacêuticas internacionais (FEBRAFARMA, 2007). 
A indústria farmacêutica brasileira não conseguiu acompanhar os avanços tec-
nológicos necessários da época, pois uma grande parte das empresas brasileiras 
não tinham condições de investir em pesquisa científica. Na década de 70, as 
atividades na área farmacêutica tornaram-se ainda mais complexas, em razão dos 
avanços da engenharia genética e da biologia molecular. Já a década de 80 ficou 
conhecida pela estagnação econômica e inflação, provocando uma diminuição em 
investimentos no setor farmacêutico, seguindo, nos anos de 1980 a 2000, com 
problemas, tais como o controle de preços pelo governo, baixo prestígio de seus 
produtos, leis de proteção à propriedade intelectual e exigências da Agência Na-
cional de Vigilância Sanitária (ANVISA) cada vez mais rígidas à concessão de novas 
drogas, fazendo com que as poucas empresas nacionais que sobreviveram fossem, 
portanto, incorporadas a empresas estrangeiras (RADAELLI, 2007).
A seguir, você pode acompanhar a cronologia dos principais acontecimentos 
históricos de impacto na cadeia farmacêutica do Brasil.
A cronologia da cadeia farmacêutica no Brasil:
• 1930: Constituição das primeiras empresas brasileiras originadas das boticas;
• 1940-1950: Internacionalização da indústria;
• 1971: Lei n°5.772 – não reconhecimento de patentes no país;
• 1973: Lei n°5.991 – regulamenta a comercialização de medicamentos;
• 1974: Primeira Relação Nacional dos Medicamento Essenciais (RENAME);
• 1976: Lei n°6.360 regulamenta a Vigilância Sanitária;
• 1980: Diversas medidas de controle de preços de medicamentos;
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• 1990: Criação do Sistema Único de Saúde e redução de tarifas de importação;
• 1996: promulgação da Lei de Patente;
• 1998: Portariaque estabelece a Política Nacional de Medicamentos;
• 1999: Lei dos genéricos, criação da ANVISA, liberação dos preços (LILIWHITE; 
123RF).
Hoje, a situação da indústria brasileira não é diferente da relatada anteriormen-
te. Os países desenvolvidos continuam investindo grandes montantes na produção 
de pesquisas e no desenvolvimento de medicamentos inovadores, bem como nos 
países em desenvolvimento, como o Brasil. Em razão do baixo incentivo de pes-
quisas técnico-científicas, grande parte da indústria farmacêutica do país tornou-se 
divulgadora e reprodutora de tecnologias desenvolvidas nas sedes das multinacio-
nais, já que a maioria das indústrias instaladas no Brasil são de capital estrangeiro e 
não participam diretamente de suas pesquisas. As empresas totalmente nacionais 
limitaram-se, portanto, a produzir cópias de medicamentos, ou seja, os famosos 
similares e genéricos, que só podem ser copiados após o vencimento das patentes 
dos medicamentos originais.
Em síntese, investimento em pesquisas e desenvolvimento de novos fármacos no 
Brasil ainda é muito aquém da necessidade. Em nosso país, pesquisas nesta área 
continuam a ser financiadas, principalmente, pelas agências federais e estaduais de 
fomento à pesquisa, por meio de parcerias entre universidades e laboratórios. Em 
um estudo realizado por Pontes (2017), sobre os depósitos de patentes para medi-
camentos e a indústria farmacêutica no Brasil, foi apontado que a lei dos Genéricos 
permitiu o crescimento das indústrias nacionais, porém o investimento em Pesquisa, 
Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) continuou, praticamente, nulo. Os depósitos 
de patentes brasileiras eram de universidades (UFMG, USP e UNICAMP), e não de 
indústrias. Para Pontes (2017), é possível concluir que as universidades e os Institu-
tos de Ciência e Tecnologia, a partir do desenvolvimento de tecnologias a nível labo-
ratorial, poderiam trabalhar em parceria com as indústrias nacionais, que possuem 
condições de promover o aumento de escala e a produção final do medicamento.
Ao analisar as principais áreas do conhecimento abordadas nos documentos 
de patente, o trabalho de Pontes observou o predomínio dos medicamentos pro-
duzidos por síntese química. Contudo, algumas áreas inovadoras, as quais exigem 
conhecimentos tecnológicos avançados, como a biotecnologia, aparecem entre as 
5 áreas mais exploradas. Com isso, países que não desenvolveram essas novas tec-
nologias ficaram dependentes das indústrias multinacionais que investem em P&D. 
Entretanto, a revolução biotecnológica, promovida, principalmente, graças às uni-
versidades e institutos públicos, abrem novas possibilidades de mercado às empre-
sas farmacêuticas brasileiras. Em Unidade posterior, teremos a oportunidade de 
estudar como a biotecnologia dispõe de ferramentas tendência, as quais ampliam 
as perspectivas nas áreas das ciências farmacêuticas no mundo. Fique atento!
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UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
Similares: os medicamentos similares são identificados pela marca ou nome comercial e 
possuem o mesmo princípio ativo, forma farmacêutica e via de administração dos medi-
camentos de referência, bem como são aprovados nos testes de qualidade da ANVISA. Os 
medicamentos similares não podem ser substituídos pelos de referência quando prescritos 
pelo médico, de acordo com a ANVISA.
Genéricos: apresentam o mesmo princípio ativo que um medicamento de referência. Em sua 
embalagem, há uma tarja amarela, contendo a letra “G”, de “Medicamento Genérico”. Como 
esse tipo de medicamento não tem marca, o consumidor tem acesso apenas ao princípio 
ativo do medicamento. São produzidos após a expiração da patente e a aprovação da comer-
cialização, que é feita pela ANVISA. Os genéricos são aprovados nos testes de qualidade da 
ANVISA e podem substituir os medicamentos de referência, quando prescritos pelo médico, 
e apresentam-se com um custo mais acessível!
Fonte: SINFARMA (2016, on-line).
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Diante do exposto até o momento, prezado(a) aluno(a), fica evidente que a in-
dústria farmacêutica mundial cresceu devido aos investimento em Pesquisa e De-
senvolvimento (P&D), mas também à Lei de proteção de patentes, que foi muito 
importante para estimular a pesquisa e inovação na área, garantindo lucros a partir 
dos grandes investimentos iniciais:
[...] o controle de ativos intangíveis vinculados ao processo de inovação, 
especialmente as patentes, é de extrema importância nesse segmento, 
uma vez que muitos recursos são empregados no processo de inovação, 
conferindo um custo médio de desenvolvimento de produto, desde a des-
coberta do princípio ativo até o lançamento do medicamento, de cerca 
US$ 1,2 bilhões. O custo elevado de P&D é um reflexo do longo período 
necessário para o desenvolvimento de um novo composto, podendo al-
cançar 13 anos até a formulação farmacêutica chegar ao mercado [...]. 
(AKKARI et al., 2016, p. 366)
A indústria farmacêutica, baseada em inovação, tornou-se um dos principais 
setores responsáveis por movimentar a economia, por ser um dos setores mais 
rentáveis do comércio. Para Akkari et al. (2016, p. 367): 
[...] o segmento farmacêutico é um setor estratégico, de modo a contri-
buir, sob diferentes perspectivas, para o desenvolvimento de um país e 
geração de vantagens competitivas, especialmente quando se refere a paí-
ses farmaemergentes, como o Brasil. Contudo, essa relação é dependente 
do nível de investimento em P&D, políticas públicas de inovação e ações 
regulatórias, que permeiam o processo de desenvolvimento e proteção de 
novos fármacos.
Mas, caro(a) aluno(a), a atual perspectiva das diversas áreas de atuação de sua 
profissão não se baseia apenas em ganhos efetivos, mas também no bem-estar 
do paciente, que é o protagonista da história das ciências farmacêuticas. Você se 
lembra do início da Unidade, onde falamos que, em um determinado momento da 
história, os boticários, que apenas comercializavam medicamentos, foram criticados 
14
15
por seus interesses exclusivamente financeiros? Lembra-se de que, em um outro 
perí odo da história, o boticário era o único o responsável por preparar medica-
mentos e, nesse contexto, dispensava cuidados e atenção ao paciente? Além do 
mais, em um momento mais recente da história, estes passaram a ter seu diploma 
de farma cêutico reconhecido, mas a indústria avançou e o farmacêutico não pre-
parava mais as medicações como antes? Lembra-se de que passou, então, a ser 
apenas um responsável técnico, o qual preocupava-se com burocracias, comércio e 
dispensação de remédios? Vejamos, então, aluno(a), um resumo da atuação farma-
cêutica ao longo da história.
De farmacêutico a responsável técnico, de liberal a assalariado, eis a tra-
jetória do profissional no âmbito da farmácia propriamente dita, mar-
cada por uma redução na dimensão técnica e social do seu trabalho 
e um ampliar na dimensão burocrática e comercial. Esta burocratiza-
ção da profissão é relatada por formandos entrevistados no estudo de 
Valladão (1981): “hoje em dia, eu só assino documentos”. (PEREIRA; 
NASCIMENTO, 2011, p. 246) 
Com o intuito de modificar essa ideia exclusivamente comercial da atuação do 
farmacêutico e da indústria da área, além de devolver a importância das ciências 
farma cêuticas para a saúde e cuidados com as pessoas, as universidades acrescen-
taram conhecimentos relacionadas à assistência farmacêutica para a formação de 
profissionais preparados em lidar com questões mais humanizadas de saúde, com 
espírito crítico e científico a solução de problemas. Além disso, os campos de atuação 
do farmacêutico, hoje, são muito mais diversos do que era há 30 anos, por exemplo.
A Resolução n° 02 da Câmara de Educação do Ensino Superior, do Conselho 
Nacional de Educação do Ministério da Educação, aprovada em 19 de fevereiro de 
2002, que instituiu as diretrizes Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, 
criou o farmacêutico com “formação generalista”, incorporando, à habilitação pri-
máriados farmacêuticos, todas as habilitações, não havendo mais diferença entre 
o farmacêutico simples, bioquímico ou industrial. 
A associação da indústria farmacêutica de pesquisa (INTERFARMA), fundada 
em 1990, uma entidade sem fins lucrativos, representa empresas e pesquisadores 
responsáveis por promover e incentivar o desenvolvimento da indústria, pautado 
em um Código de Conduta. A primeira versão desse documento é de 2007 e 
consolidou-se em 2012, quando a INTERFARMA fechou um acordo inédito com 
o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a 
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Esse documento permitiu a definição 
conjunta de regras entre as empresas do setor que compõem a Associação, tornan-
do-o referência mundial no setor da saúde. Logo, no entendimento da Associação, 
uma das metas mais importantes, no que tange os debates sobres saúde pública, 
é o compromisso com a saúde do paciente e a divulgação do Código de Conduta 
das empresas que fazem parte da associação, além de mostrar, para a sociedade, a 
importância das pesquisas médicas e farmacêuticas, dentre outros princípios éticos. 
O Código de conduta das indústrias farmacêuticas, aluno(a), pode ser consultado 
no material complementar. Não deixe de acessar!
15
UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
Assista ao vídeo Carta de Princípios - INTERFARMA e explore a biblioteca: 
https://bit.ly/2BQQdWX. Ex
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Portanto, caro(a) aluno(a), partindo do panorama histórico, é possível observar 
que o farmacêutico passou por momentos distintos em sua atuação profissional. 
Ora era enfatizada a sua atuação como comerciante; ora era alguém importante 
na farmácia, devido a sua responsabilidade técnica e administrativa; ora prevalecia 
sua importância para o preparo de medicamentos e cuidados, até a realidade atu-
al, em que habilidades clínicas são exigidas desse profissional. Toda essa trajetória 
moldou as competências do profissional de hoje. Porém, no panorama atual, novas 
competências foram agregadas a sua formação, de maneira a atender uma nova 
demanda social da profissão, tornando-o um elemento essencial nos serviços de 
saúde. Na próxima Unidade, falaremos sobre as demandas sociais atuais e sobre as 
tendências de atuação da assistência farmacêutica. Até lá! 
16
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Diferenças entre genérico, similar e de referência - Dr. Dráuzio Varella
Neste vídeo bastante simples e didático, produzido pelo Dr. Dráuzio Varella, é possível 
compreender, de maneira simples, as diferenças básicas entre os medicamentos 
genéricos e similares, esclarecendo qualquer dúvida que ainda possa existir em relação 
ao tema:
https://bit.ly/2U8CyRY
Influência da Alquimia na História da Farmácia - “Draw My Life”
O vídeo conta, através de um desenho animado, um pouco mais sobre a história da 
farmácia, adicionando, inclusive, questões ainda mais antigas do que as abordadas 
nesta Unidade, bem como a importância da alquimia no desenvolvimento das ciências 
farmacêuticas:
https://bit.ly/2GZKelT
 Leitura
Código de Conduta - INTERFARMA
A INTERFARMA é a primeira associação de empresas farmacêuticas a criar e 
implementar um Código de Conduta para o setor farmacêutico e, agora, lançou a 
terceira edição deste documento, com capítulos e temas inéditos. Confira no site da 
INTERFARMA:
https://bit.ly/2U70FAF
Inovação tecnológica na indústria farmacêutica: diferenças entre a Europa, os EUA e os países farmaemergentes
Neste artigo, é possível compreender um pouco mais sobre a realidade do Brasil frente 
à inovação tecnológica, bem como em qual posição ele encontra-se dentre os países 
farmaemergentes em pesquisa e inovação:
https://bit.ly/2TaHatK
17
UNIDADE A Trajetória das Ciências Farmacêuticas: das Boticas às Indústrias
Referências
AKKARI, A. C. S. et al. Pharmaceutical innovation: differences between Europe, 
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