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RELATO DE CASO: HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO OLIGOSSINTOMÁTICO Introdução: O hipotireoidismo congênito (HC), distúrbio endocrinológico mais frequente no mundo, tem prevalência no Brasil de 1:4.795 nascidos vivos. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são imprescindíveis para adequado crescimento e desenvolvimento, sem os quais instalarão deficiências neurológicas, incluindo retardo mental irreversível. 95% das crianças são assintomáticas ao nascimento mas podem evoluir com letargia, hipotonia, dificuldades respiratórias, icterícia, constipação, bradicardia, anemia, sonolência, livedo reticularis, hérnia umbilical, alargamento de fontanelas, mixedema, sopro cardíaco, retardo na maturação óssea, pele seca, podendo adquirir fácies típica. Objetivo: O relato tem por objetivo alertar sobre a importância da suspeita clínica, dos diagnósticos diferenciais, do teste do pezinho e do seguimento do paciente. Métodos: Revisão de prontuário do paciente e revisão de literatura atualizada. Resultados e discussão: Paciente nascido a termo (39 semanas) com 3.040g e 49cm. Mãe G3P3(N2C1)A0, com história de HAS e DMG a partir do quinto mês de gestação. AIG, masculino, parto vaginal com tempo de expulsão prolongado, com circular de cordão cervical tensa, APGAR 5/6/6, em apnéia. Internado por 9 dias para tratamento de sepse neonatal. Seguimento ambulatorial com suspeita de hiperplasia congênita adrenal. Testes do pezinho: 1° (13/02/17): 17 OH progesterona: 15,8; 2° (17/02/17): 17 OH progesterona: 24,7; 3° (04/03/17): 17 OH progesterona: 42,7. História de primo de 20 anos com retardo mental. Reinternado após 4 meses com dificuldade de sucção, icterícia, abdome distendido, perda de peso e constipação intestinal. TSH:0,049 e T4 livre:0,098 (14/06/17); 17-OH-progesterona normal, descartando hiperplasia adrenal e confirmando hipotireoidismo. Iniciou-se levotiroxina com boa evolução. Conclusão: Os poucos sintomas e alterações inespecíficas do teste do pezinho retardaram a investigação do HC. Porém, graças ao acompanhamento clínico eficaz e seguimento correto, foi evitado agravamento da sintomatologia e sequelas. Diferentemente de seu primo que somente teve o diagnóstico aos 10 anos com retardo mental já instalado. Por isso é necessária a triagem neonatal nas 48 horas de vida até o quarto dia e confirmação de TSH e T4 livre sem postergar o tratamento, com acompanhamento clínico e laboratorial até a fase adulta. Referências Bibliográficas: Maciel, L.M.Z., et al, Kimura, E.T., Nogueira, C.R., Hipotireoidismo congênito: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 2013. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/3 PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS HIPOTIROIDISMO CONGÊNITO – 2015 - - Acesso em 14 abril 2018 Autores: Bruna Eugênia Gomes Felipe e Carolina Marques Ramos Orientadora: Dra. Jussara Silva Lima