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Aula 2 As unidades de conservação e suas funções ecológicas As Unidades de Conservação da Natureza possuem a finalidade, dentre tantas outras, de garantir a biodiversidade de espécies e a diversidade genética das populações em determinada área. Atualmente, um dos problemas mais sérios enfrentados e que contribuem decisivamente para a degradação do ambiente e redução da biodiversidade é, sem dúvida alguma, a extinção de espécies. Com a extinção, potenciais valores que possam a vir a ter para a espécie humana, por exemplo, se perdem definitivamente com a extinção da espécie. Com relação às espécies extintas, não há muita coisa que se possa fazer, mas com relação às espécies existentes, é fundamental que ações sejam implementadas visando manter, aumentar e consolidar as espécies existentes. Mas, quais espécies necessitam de maior ou menor preocupações preservacionistas? Temos algumas espécies abundantes e que, num primeiro momento, não são o foco de ações de preservação. Com recursos quase sempre escassos, é preciso direcionar as ações para as espécies mais ameaçadas. Atividade 1 Em uma grande área de terra, com vegetação nativa, foram identificados e visualizados 3 espécies ameaçadas de extinção e 4 espécies consideradas vulneráveis. Em uma pesquisa junto à comunidade local, que visava definir a qual categoria de conservação deveria ser enquadrada a área, com o objetivo de preservação integral da biota e demais atributos naturais, foi perguntado a você em qual categoria de conservação você incluiria esta futura Unidade de Conservação. Dentre as opções abaixo, qual você indicaria na pesquisa? A) Estações ecológicas. b) Refúgio da vida silvestre. c) Monumentos naturais. d) Área de Proteção Ambiental. e) Reservas biológicas. Bem, voltando à extinção das espécies, a União Mundial para Conservação da Natureza– UICN – caracterizou e classificou as espécies ameaçadas de extinção, publicando várias listas, como o Livro Vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Consulte o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Acesse o a página da biodiversitas e conheça várias informações sobre conservação de espécies, planejamento ambiental e áreas protegidas. As espécies em extinção são classificadas de acordo com o grau de ameaça de extinção. Extintas: Espécies Extintas Espécies que não são mais encontradas no ambiente natural. Essas espécies podem estar totalmente extintas, não havendo mais registro delas em nenhuma outra parte do mundo, ou podem estar extintas no ambiente natural, mas existirem alguns exemplares preservados em zoológicos ou jardins botânicos, sendo chamadas de espécies extintas na natureza. Ameaçadas: Espécies em Perigo de Extinção ou Ameaçada de Extinção Diz-se das espécies que encontram-se em números tão reduzidos no ambiente natural, diminuindo a níveis críticos para a continuidade da espécie ou cujos habitats foram reduzidos a níveis tão dramáticos, seja pela agricultura, pecuária ou cidades, e por conta disto encontram-se em perigo iminente de extinção. Vulneráveis: Espécies Vulneráveis São as espécies que podem vir a se tornar ameaçadas uma vez que suas populações estão diminuindo em tamanho em todas as populações conhecidas, comprometendo a viabilidade a longo prazo da espécie. Existem muitas causas que podem provocar a extinção de espécies, podendo ser causas naturais catastróficas ou proporcionadas pela atividade humana. Nos dias atuais, sem dúvida nenhuma, as principais causas que têm provocado as extinções são antropogênicas, ou seja, provocadas pelo Homem. Veja algumas ameaças à biodiversidade, de origem antrópicas, principalmente. Leia o texto “Fragmentação de ecossistemas. Causas, efeitos sobre a biodiversidade e recomendações de políticas públicas” do Ministério do Meio Ambiente. No mapa ao lado, você poderá identificar o número de espécies enquadradas como ameaçadas de extinção, distribuídas por bioma. Não há nenhum indicativo que demonstre a retração desta tendência. Mapa elaborado pela Fundação Biodiversitas, no ano de 2003, apontando, por região geográfica, o quantitativo estimado de espécies ameaçadas de extinção. Bem, já vimos que a natureza, quando intacta, sem interferências significativas e ocupando grandes áreas de extensão, tem a possibilidade de se manter sozinha, não necessitando ser manejada (manejar tem o significado de mexer com as mãos). Mas quando os ecossistemas são modificados em grande escala, quando comprometemos o ambiente natural reduzindo sua extenção a poucos quilômetros quadrados, trazendo consequências ainda desconhecidas para nossa espécie, há a necessidade de se manejar, de fazer algumas interferências para “facilitar” a recuperação do local e manter suas funções ecológicas. Mas, para manejarmos uma área, são necessárias algumas bases teóricas que sustentem cientificamente a forma de manejo mais apropriada. Existem algumas abordagens a serem assumidas no manejo e, dentre elas, vamos analisar duas. Abordagem ecossistêmica: Os agentes envolvidos na conservação argumentam que esta abordagem permite a conservação de grande número de espécies, pois ela se propõe a avaliar o local e propor maneiras de manejo que visem manter ou restaurar a composição, estrutura e função dos ecossistemas naturais ou modificados, tornando a área sustentável a longo prazo e possibilitando o desenvolvimento mais abrangente de espécies, pois criaria as condições ambientais favoráveis à reprodução de varias delas e não apenas uma espécie isolada. A grosso modo, seria cuidar do ambiente natural para que este seja capaz de sustentar muitas populações. Abordagem por espécies-chave: Preconiza que em muitos ecossistemas, certas espécies são consideradas como reguladoras do ambiente natural, produzem um impacto no ecossistema desproporcionalmente grande em relaçao à sua abundância, possibilitando a regulação e manutenção de uma significativa porção de outras espécies pertencentes a diversos grupos taxonômicos e interferindo no funcionamento dos sistemas naturais. A abordagem por espécies-chave, apesar de parecer combinar vantagens com a abordagem ecossistêmica, uma vez que a espécie-chave afeta muitas outras espécies, preservando a espécie-chave estaríamos preservando vários atributos que possibilitariam a sobrevivência de várias outras populações. No entanto, essa abordagem tem recebido críticas, principalmente, pelo fato de ser difícil e complexa a identificação de qual espécie é considerada chave para aquele ambiente e quais são, efetivamente, seu papel ecológico. Mas podemos dizer que há consenso em algumas atitudes que podem vir a facilitar a implementação de formas de manejo. Dentre elas, podemos afirmar que áreas grandes são preferíveis que áreas pequenas, deve-se evitar a fragmentação da área e, em caso de necessidade extrema, deve-se fazer uso de corredores ecológicos para facilitar a movimentação da fauna e favorecer a dispersão de sementes. Além disto, no manejo deve-se levar em conta toda a área da bacia hidrográfica da área a ser preservada, com a finalidade de identificar potenciais riscos ao ambiente. image1.PNG image2.png