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RE 1042075

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Ementa e Acórdão
25/06/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO 
RIO DE JANEIRO 
RECDO.(A/S) :GUILHERME CARVALHO FARIAS 
PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO 
DE JANEIRO 
AM. CURIAE. :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE 
SANTA CATARINA 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS 
ADV.(A/S) :CARINA QUITO 
ADV.(A/S) : JULIANO JOSE BREDA 
ADV.(A/S) :BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
EMENTA
Recurso extraordinário com agravo. Julgamento sob a sistemática 
da repercussão geral. Constitucional. Processual penal. Aparelho 
celular encontrado fortuitamente no local do crime. Acesso à agenda 
telefônica, aos registros de chamadas e às fotografias arquivadas no 
aparelho sem prévia autorização judicial. Condenação em primeira 
instância. Acórdão recorrido em que se reconheceu a ilicitude da prova. 
Violação do sigilo das comunicações (CF, art. 5º, inciso XII). Aplicação 
da teoria dos frutos da árvore envenenada. Absolvição do recorrido por 
insuficiência de provas. Alteração considerável do contexto fático e 
normativo. Transformação tecnológica. Superveniência do MCI, da 
LGPD e da EC nº 115, de 2022. Direito à proteção dos dados pessoais 
nos meios digitais. Autodeterminação informacional. Proteção jurídica 
especial e autônoma. Direitos fundamentais à vida privada e à 
intimidade. Superação do entendimento firmado no HC nº 91.867/PA. 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 1481-5202-FF81-AB21 e senha BC91-5E0D-756D-F250
Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal
Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 219
Ementa e Acórdão
ARE 1042075 / RJ 
Necessidade de consentimento ou de prévia autorização judicial para 
acesso aos dados contidos no aparelho celular apreendido em prisão em 
flagrante. Contemporização desse entendimento nas situações de 
encontro fortuito do aparelho no local do crime. Identificação do autor 
do fato ou do proprietário do aparelho celular. Licitude da prova. 
Restabelecimento da condenação. Possibilidade de preservação cautelar 
dos dados. Recurso provido.
I. CASO EM EXAME
1. No caso dos autos, o aparelho celular foi encontrado fortuitamente 
no local dos fatos e apreendido pela autoridade policial (CPP, art. 6º, 
inciso II). A identificação do autor do delito decorreu do exame da agenda 
telefônica, dos registros de chamadas e de fotografias constantes do 
aparelho celular pelos agentes policiais, sem consentimento de quem de 
direito ou prévia autorização judicial, o qual permitiu a coleta de 
evidências que nortearam a realização de diligências que culminaram na 
identificação e na prisão do autor do fato (flagrante impróprio) e em sua 
posterior condenação, em primeira instância, pelo crime de roubo.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A controvérsia constitucional posta nos autos consiste em saber se 
a autoridade policial pode acessar, sem prévia autorização judicial, os 
dados armazenados em aparelho celular encontrado fortuitamente no 
local do crime e apreendido nos termos do art. 6º, inciso II, do CPP.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os smartphones já eram realidade no país em 2013. Tais aparelhos 
multifuncionais, além de servirem de instrumento para os serviços 
ordinários de telefonia móvel, permitem a produção, o armazenamento, a 
transmissão e a reprodução de arquivos dos mais diversos formatos 
(textos, imagens, áudios e vídeos) e – mais que isso – viabilizam o acesso 
amplo e irrestrito à internet e, por conseguinte, às redes sociais, aos 
provedores de e-mail, às plataformas bancárias e de e-commerce, a uma 
miríade de sites e blogs e aos inúmeros aplicativos de mensagens 
instantâneas, inclusive gratuitamente. Graças aos smartphones, “o 
mundo passou a caber na palma da mão”. Mas, à medida que isso 
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 1481-5202-FF81-AB21 e senha BC91-5E0D-756D-F250
Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
Necessidade de consentimento ou de prévia autorização judicial para 
acesso aos dados contidos no aparelho celular apreendido em prisão em 
flagrante. Contemporização desse entendimento nas situações de 
encontro fortuito do aparelho no local do crime. Identificação do autor 
do fato ou do proprietário do aparelho celular. Licitude da prova. 
Restabelecimento da condenação. Possibilidade de preservação cautelar 
dos dados. Recurso provido.
I. CASO EM EXAME
1. No caso dos autos, o aparelho celular foi encontrado fortuitamente 
no local dos fatos e apreendido pela autoridade policial (CPP, art. 6º, 
inciso II). A identificação do autor do delito decorreu do exame da agenda 
telefônica, dos registros de chamadas e de fotografias constantes do 
aparelho celular pelos agentes policiais, sem consentimento de quem de 
direito ou prévia autorização judicial, o qual permitiu a coleta de 
evidências que nortearam a realização de diligências que culminaram na 
identificação e na prisão do autor do fato (flagrante impróprio) e em sua 
posterior condenação, em primeira instância, pelo crime de roubo.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A controvérsia constitucional posta nos autos consiste em saber se 
a autoridade policial pode acessar, sem prévia autorização judicial, os 
dados armazenados em aparelho celular encontrado fortuitamente no 
local do crime e apreendido nos termos do art. 6º, inciso II, do CPP.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os smartphones já eram realidade no país em 2013. Tais aparelhos 
multifuncionais, além de servirem de instrumento para os serviços 
ordinários de telefonia móvel, permitem a produção, o armazenamento, a 
transmissão e a reprodução de arquivos dos mais diversos formatos 
(textos, imagens, áudios e vídeos) e – mais que isso – viabilizam o acesso 
amplo e irrestrito à internet e, por conseguinte, às redes sociais, aos 
provedores de e-mail, às plataformas bancárias e de e-commerce, a uma 
miríade de sites e blogs e aos inúmeros aplicativos de mensagens 
instantâneas, inclusive gratuitamente. Graças aos smartphones, “o 
mundo passou a caber na palma da mão”. Mas, à medida que isso 
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Ementa e Acórdão
ARE 1042075 / RJ 
acontecia, as informações pessoais também se concentraram nos 
aparelhos celulares. Hoje, as múltiplas funcionalidades dos aparelhos 
celulares geram dados e metadados que são registrados na memória física 
do aparelho, ou “em nuvem”, e podem ser facilmente acessados, 
rastreados e/ou recuperados. 
4. Examinados em conjunto, dados e metadados revelam um 
espectro enorme de dados pessoais, o que torna possível uma 
investigação completa e – diga-se de passagem – muito eficiente acerca 
das preferências pessoais, das relações familiares e interpessoais, dos 
hábitos de vida, de trabalho e de consumo e, em última análise, da forma 
de pensar, de agir e de decidir de determinado indivíduo. Isso sem falar, 
obviamente, das facilidades que o acesso proporciona para a intrusão 
indevida e “para o futuro”,em 
aparelho celular abandonado pelo acusado no local do crime”, o 
processo foi destacado pelo Ministro Flávio Dino. Plenário, Sessão 
Virtual de 21.2.2025 a 28.2.2025.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Relatório
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO 
RIO DE JANEIRO 
RECDO.(A/S) :GUILHERME CARVALHO FARIAS 
PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO 
DE JANEIRO 
AM. CURIAE. :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE 
SANTA CATARINA 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS 
ADV.(A/S) :CARINA QUITO 
ADV.(A/S) : JULIANO JOSE BREDA 
ADV.(A/S) :BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
RELATÓRIO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro interpõe agravo 
contra decisão mediante a qual não se admitiu o recurso extraordinário 
com o fundamento de que o caso demandaria o reexame das provas 
constantes dos autos (Súmula nº 279/STF).
O apelo excepcional, por sua vez, foi interposto com base no art. 102, 
inciso III, alínea a, do texto constitucional, por suposta ofensa ao seu art. 
5º, incisos XII e LVI, e impugna acórdão mediante o qual o Tribunal de 
Justiça do Estado do Rio de Janeiro, reconhecendo a ilicitude de prova e a 
incidência da teoria dos frutos da árvore envenenada, absolveu o 
recorrido por insuficiência de provas (CPP, art. 386, inciso VII), nos 
termos da seguinte ementa: 
“APELAÇÃO CRIMINAL – PENAL E PROCESSUAL 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO 
RIO DE JANEIRO 
RECDO.(A/S) :GUILHERME CARVALHO FARIAS 
PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO 
DE JANEIRO 
AM. CURIAE. :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE 
SANTA CATARINA 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS 
ADV.(A/S) :CARINA QUITO 
ADV.(A/S) : JULIANO JOSE BREDA 
ADV.(A/S) :BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
RELATÓRIO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro interpõe agravo 
contra decisão mediante a qual não se admitiu o recurso extraordinário 
com o fundamento de que o caso demandaria o reexame das provas 
constantes dos autos (Súmula nº 279/STF).
O apelo excepcional, por sua vez, foi interposto com base no art. 102, 
inciso III, alínea a, do texto constitucional, por suposta ofensa ao seu art. 
5º, incisos XII e LVI, e impugna acórdão mediante o qual o Tribunal de 
Justiça do Estado do Rio de Janeiro, reconhecendo a ilicitude de prova e a 
incidência da teoria dos frutos da árvore envenenada, absolveu o 
recorrido por insuficiência de provas (CPP, art. 386, inciso VII), nos 
termos da seguinte ementa: 
“APELAÇÃO CRIMINAL – PENAL E PROCESSUAL 
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http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DA20-68B1-1BE7-854F e senha 3CAB-A5EF-8ADF-4402
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Relatório
ARE 1042075 / RJ 
PENAL – ROUBO DUPLAMENTE CIRCUNSTANCIADO 
PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO E PELO CONCURSO 
DE AGENTES – EPISÓDIO OCORRIDO NO BAIRRO DA 
TIJUCA, COMARCA DA CAPITAL – AGENTE QUE, NA 
COMPANHIA DE UM INDIVÍDUO NÃO IDENTIFICADO E 
MEDIANTE O EMPREGO DE GRAVE AMEAÇA, EXERCIDA 
COM O MANEJO DE ARMA DE FOGO, BEM COMO DE 
VIOLÊNCIA, CONSISTENTE EM EMPURRÃO E EM 
BATIDAS DA CABEÇA DA VÍTIMA APARECIDA CONTRA O 
CHÃO, SUBTRAIU DESTA UMA BOLSA CONTENDO 02 
(DOIS) APARELHOS DE TELEFONIA CELULAR DAS 
MARCAS APPLE E SONY ERICSSON, BEM COMO, 
DIVERSOS DOCUMENTOS, CARTÕES BANCÁRIOS, 
FOLHAS DE CHEQUE, ALÉM DA QUANTIA DE R$ 5.550,00 
(CINCO MIL, QUINHENTOS E CINQUENTA REAIS) EM 
ESPÉCIE – MECÂNICA DELITIVA QUE SE INICIOU 
QUANDO A ESPOLIADA SAÍA DE DETERMINADA 
AGÊNCIA DO BANCO CITIBANK E FOI ABORDADA POR 
GUILHERME, QUEM APRESENTOU O ARTEFATO 
VULNERANTE E ANUNCIOU O CRIME, O QUE FEZ COM 
QUE APARECIDA INICIALMENTE RESISTISSE, 
SEGURANDO A BOLSA QUE PORTAVA E DISPUTANDO A 
POSSE DESTA COM O RAPINADOR, QUEM EMPURROU 
AQUELA, FAZENDO COM QUE A MESMA CAÍSSE AO 
CHÃO E APÓS O QUE GUILHERME PASSOU A BATER COM 
A CABEÇA DESTA AO SOLO, ATÉ LOGRAR SUBTRAIR A 
MENCIONADA BOLSA, EMPREENDENDO FUGA EM 
SEGUIDA, A PARTIR DO EMBARQUE EM UMA 
MOTOCICLETA CONDUZIDA PELO SEU COMPARSA, 
QUEM O AGUARDAVA – DURANTE A FUGA, O 
IMPLICADO DEIXOU CAIR UM APARELHO DE TELEFONIA 
CELULAR, O QUAL FOI ARRECADADO POR POLICIAIS 
CIVIS, QUE VERIFICARAM A EXISTÊNCIA DE 
FOTOGRAFIAS DO IMPLICADO NA MEMÓRIA DO 
APARELHO, O QUE NORTEOU A REALIZAÇÃO DE 
DILIGÊNCIAS QUE POSSIBILITARAM A IDENTIFICAÇÃO E 
2 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
PENAL – ROUBO DUPLAMENTE CIRCUNSTANCIADO 
PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO E PELO CONCURSO 
DE AGENTES – EPISÓDIO OCORRIDO NO BAIRRO DA 
TIJUCA, COMARCA DA CAPITAL – AGENTE QUE, NA 
COMPANHIA DE UM INDIVÍDUO NÃO IDENTIFICADO E 
MEDIANTE O EMPREGO DE GRAVE AMEAÇA, EXERCIDA 
COM O MANEJO DE ARMA DE FOGO, BEM COMO DE 
VIOLÊNCIA, CONSISTENTE EM EMPURRÃO E EM 
BATIDAS DA CABEÇA DA VÍTIMA APARECIDA CONTRA O 
CHÃO, SUBTRAIU DESTA UMA BOLSA CONTENDO 02 
(DOIS) APARELHOS DE TELEFONIA CELULAR DAS 
MARCAS APPLE E SONY ERICSSON, BEM COMO, 
DIVERSOS DOCUMENTOS, CARTÕES BANCÁRIOS, 
FOLHAS DE CHEQUE, ALÉM DA QUANTIA DE R$ 5.550,00 
(CINCO MIL, QUINHENTOS E CINQUENTA REAIS) EM 
ESPÉCIE – MECÂNICA DELITIVA QUE SE INICIOU 
QUANDO A ESPOLIADA SAÍA DE DETERMINADA 
AGÊNCIA DO BANCO CITIBANK E FOI ABORDADA POR 
GUILHERME, QUEM APRESENTOU O ARTEFATO 
VULNERANTE E ANUNCIOU O CRIME, O QUE FEZ COM 
QUE APARECIDA INICIALMENTE RESISTISSE, 
SEGURANDO A BOLSA QUE PORTAVA E DISPUTANDO A 
POSSE DESTA COM O RAPINADOR, QUEM EMPURROU 
AQUELA, FAZENDO COM QUE A MESMA CAÍSSE AO 
CHÃO E APÓS O QUE GUILHERME PASSOU A BATER COM 
A CABEÇA DESTA AO SOLO, ATÉ LOGRAR SUBTRAIR A 
MENCIONADA BOLSA, EMPREENDENDO FUGA EM 
SEGUIDA, A PARTIR DO EMBARQUE EM UMA 
MOTOCICLETA CONDUZIDA PELO SEU COMPARSA, 
QUEM O AGUARDAVA – DURANTE A FUGA, O 
IMPLICADO DEIXOU CAIR UM APARELHO DE TELEFONIA 
CELULAR, O QUAL FOI ARRECADADO POR POLICIAIS 
CIVIS, QUE VERIFICARAM A EXISTÊNCIA DE 
FOTOGRAFIAS DO IMPLICADO NA MEMÓRIA DO 
APARELHO, O QUE NORTEOU A REALIZAÇÃO DE 
DILIGÊNCIAS QUE POSSIBILITARAM A IDENTIFICAÇÃOE 
2 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 219
Relatório
ARE 1042075 / RJ 
PRISÃO DO RECORRENTE, NA MANHÃ DO DIA SEGUINTE 
AOS FATOS – IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA DIANTE DO 
DESENLACE CONDENATÓRIO, PLEITEANDO A 
MITIGAÇÃO DA SANÇÃO, A PARTIR DA FIXAÇÃO DA 
PENA BASE EM SEU PATAMAR MÍNIMO LEGAL, ALÉM DA 
APLICAÇÃO DA MENOR FRAÇÃO PREVISTA 
CORRESPONDENTE AO RECONHECIMENTO DA DÚPLICE 
CIRCUNSTANCIAÇÃO DO ROUBO – PROCEDÊNCIA DO 
RECURSO DEFENSIVO – IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR QUE 
SE DEU EXCLUSIVAMENTE A PARTIR DO ILÍCITO E 
DESAUTORIZADO MANUSEIO PELOS POLICIAIS CIVIS, DO 
APARELHO DE TELEFONIA CELULAR, SUPOSTAMENTE 
DE PROPRIEDADE DO IMPLICADO E QUE TERIA CAÍDO 
AO CHÃO DURANTE A FUGA DESTE, VINDO A SER 
ARRECADADO PELA VÍTIMA E ENTREGUE POR ESTA EM 
SEDE POLICIAL – DEPOIMENTO PRESTADO PELO 
POLICIAL CIVIL MAYKE QUE ESCLARECE QUE APÓS O 
DESAUTORIZADO MANEJO DAQUELE APARELHO E COM 
OS DADOS NELE COLHIDOS, FOI POSSÍVEL A 
REALIZAÇÃO DA POSTERIOR INVESTIGAÇÃO PARA SE 
DETERMINAR A IDENTIDADE DO IMPLICADO, BEM 
COMO OS ENDEREÇOS DO SEU DOMICÍLIO E DE SUA 
NAMORADA, PARA QUEM AQUELE TERIA EFETUADO A 
ÚLTIMA LIGAÇÃO CONSTANTE DA AGENDA DO 
APARELHO, O QUAL AINDA TEVE VIOLADO O 
HISTÓRICO DE CHAMADAS E O ARQUIVO DE 
ARMAZENAMENTO DE FOTOGRAFIAS – FLAGRANTE E 
INDISFARÇÁVEL QUEBRA DA PROTEÇÃO 
CONSTITUCIONAL INCIDENTE SOBRE A 
INVIOLABILIDADE DO SIGILO DOS DADOS E DAS 
COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS ALI EXISTENTES, O QUE 
APENAS PODERIA SE DAR, POR EXCEÇÃO, MEDIANTE 
EXPRESSA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA TANTO, MAS O 
QUE FOI IGNORADO E DESRESPEITADO PELOS AGENTES 
DA LEI, MUITO EMBORA NÃO ENCERRASSE MAIOR 
DIFICULDADE A OBSERVÂNCIA DA EXIGÊNCIA LEGAL, 
3 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
PRISÃO DO RECORRENTE, NA MANHÃ DO DIA SEGUINTE 
AOS FATOS – IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA DIANTE DO 
DESENLACE CONDENATÓRIO, PLEITEANDO A 
MITIGAÇÃO DA SANÇÃO, A PARTIR DA FIXAÇÃO DA 
PENA BASE EM SEU PATAMAR MÍNIMO LEGAL, ALÉM DA 
APLICAÇÃO DA MENOR FRAÇÃO PREVISTA 
CORRESPONDENTE AO RECONHECIMENTO DA DÚPLICE 
CIRCUNSTANCIAÇÃO DO ROUBO – PROCEDÊNCIA DO 
RECURSO DEFENSIVO – IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR QUE 
SE DEU EXCLUSIVAMENTE A PARTIR DO ILÍCITO E 
DESAUTORIZADO MANUSEIO PELOS POLICIAIS CIVIS, DO 
APARELHO DE TELEFONIA CELULAR, SUPOSTAMENTE 
DE PROPRIEDADE DO IMPLICADO E QUE TERIA CAÍDO 
AO CHÃO DURANTE A FUGA DESTE, VINDO A SER 
ARRECADADO PELA VÍTIMA E ENTREGUE POR ESTA EM 
SEDE POLICIAL – DEPOIMENTO PRESTADO PELO 
POLICIAL CIVIL MAYKE QUE ESCLARECE QUE APÓS O 
DESAUTORIZADO MANEJO DAQUELE APARELHO E COM 
OS DADOS NELE COLHIDOS, FOI POSSÍVEL A 
REALIZAÇÃO DA POSTERIOR INVESTIGAÇÃO PARA SE 
DETERMINAR A IDENTIDADE DO IMPLICADO, BEM 
COMO OS ENDEREÇOS DO SEU DOMICÍLIO E DE SUA 
NAMORADA, PARA QUEM AQUELE TERIA EFETUADO A 
ÚLTIMA LIGAÇÃO CONSTANTE DA AGENDA DO 
APARELHO, O QUAL AINDA TEVE VIOLADO O 
HISTÓRICO DE CHAMADAS E O ARQUIVO DE 
ARMAZENAMENTO DE FOTOGRAFIAS – FLAGRANTE E 
INDISFARÇÁVEL QUEBRA DA PROTEÇÃO 
CONSTITUCIONAL INCIDENTE SOBRE A 
INVIOLABILIDADE DO SIGILO DOS DADOS E DAS 
COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS ALI EXISTENTES, O QUE 
APENAS PODERIA SE DAR, POR EXCEÇÃO, MEDIANTE 
EXPRESSA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA TANTO, MAS O 
QUE FOI IGNORADO E DESRESPEITADO PELOS AGENTES 
DA LEI, MUITO EMBORA NÃO ENCERRASSE MAIOR 
DIFICULDADE A OBSERVÂNCIA DA EXIGÊNCIA LEGAL, 
3 
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Relatório
ARE 1042075 / RJ 
BASTANDO PARA TANTO QUE O POLICIAL CIVIL QUE 
RECEBEU O REFERIDO APARELHO TELEFÔNICO, DE 
IMEDIATO, ENCAMINHASSE ESTE AO DELEGADO DE 
POLÍCIA INFORMANDO A RELEVÂNCIA DO OBJETO, DE 
MODO A QUE TAL AUTORIDADE POLICIAL 
REPRESENTASSE JUNTO AO PLANTÃO JUDICIÁRIO DE 
MODO A OBTER A AUTORIZAÇÃO PARA O ACESSO E 
VERIFICAÇÃO DOS DADOS PRETENDIDOS – PANORAMA 
OBTIDO DE CONFIGURAÇÃO DA ILICITUDE, TANTO 
ORIGINÁRIA, COMO DERIVADA, QUANTO À PROVA 
COLHIDA NA DETERMINAÇÃO DE AUTORIA, SEGUNDO 
OS ESCUSOS MEIOS UTILIZADOS PARA TANTO, DE 
MOLDE A NULIFICAR TUDO O QUE DAÍ ADVINDO, O 
QUE, NO CASO EM COMENTO, ALCANÇA A 
INTEGRALIDADE DO CONTINGENTE PROBATÓRIO – 
MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO DO RECORRENTE 
QUE EQUIVALERIA A SE COONESTAR COM A 
COMPROVADA OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO A 
ESPECÍFICA GARANTIA CONSTITUCIONAL, ALÉM DE 
AGASALHAR COMO VÁLIDA A INFAME ‘LEI DE GÉRSON’, 
SIMPLESMENTE UMA VERSÃO MAIS ATUALIZADA DE 
QUE ‘OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS’, MAS O QUE PASSA 
AO LARGO DE SE COADUNAR COM OS PRINCÍPIOS 
ATINENTES A UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, 
NÃO PODENDO SER CHANCELADO SOB QUALQUER 
PRETEXTO – INDIGÊNCIA PROBATÓRIA ASSIM 
INSTALADA E QUE TRAZ COMO ÚNICA SOLUÇÃO 
POSSÍVEL A ABSOLVIÇÃO DAQUELE, COM FULCRO NO 
ART. 386, INC. Nº VII DO C.P.P. – PROVIMENTO DO APELO 
DEFENSIVO” (e-doc. 4, fls. 232-236).
Em preliminar, o recorrente sustentou a repercussão geral da 
matéria com os argumentos de que (i) “a correta aplicação do princípio 
constitucional da inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas 
apresenta nítida relevância social e jurídica”; e (ii) a tese discutida – 
referente à possibilidade de acesso a registros e informações contidos em 
4 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
BASTANDO PARA TANTO QUE O POLICIAL CIVIL QUE 
RECEBEU O REFERIDO APARELHO TELEFÔNICO, DE 
IMEDIATO, ENCAMINHASSE ESTE AO DELEGADO DE 
POLÍCIA INFORMANDO A RELEVÂNCIA DO OBJETO, DE 
MODO A QUE TAL AUTORIDADE POLICIAL 
REPRESENTASSE JUNTO AO PLANTÃO JUDICIÁRIO DE 
MODO A OBTER A AUTORIZAÇÃO PARA O ACESSO E 
VERIFICAÇÃO DOS DADOS PRETENDIDOS – PANORAMA 
OBTIDO DE CONFIGURAÇÃO DA ILICITUDE, TANTO 
ORIGINÁRIA, COMO DERIVADA, QUANTO À PROVA 
COLHIDA NA DETERMINAÇÃO DE AUTORIA, SEGUNDO 
OS ESCUSOS MEIOS UTILIZADOS PARA TANTO, DE 
MOLDE A NULIFICAR TUDO O QUE DAÍ ADVINDO, O 
QUE, NO CASO EM COMENTO, ALCANÇA A 
INTEGRALIDADE DO CONTINGENTE PROBATÓRIO – 
MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO DO RECORRENTE 
QUE EQUIVALERIA A SE COONESTAR COM A 
COMPROVADA OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO A 
ESPECÍFICA GARANTIA CONSTITUCIONAL, ALÉM DE 
AGASALHAR COMO VÁLIDA A INFAME ‘LEI DE GÉRSON’, 
SIMPLESMENTE UMA VERSÃO MAIS ATUALIZADA DE 
QUE ‘OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS’, MAS O QUE PASSA 
AO LARGO DE SE COADUNAR COM OS PRINCÍPIOS 
ATINENTES A UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, 
NÃO PODENDO SER CHANCELADO SOB QUALQUER 
PRETEXTO – INDIGÊNCIA PROBATÓRIA ASSIM 
INSTALADA E QUE TRAZ COMO ÚNICA SOLUÇÃO 
POSSÍVEL A ABSOLVIÇÃO DAQUELE, COM FULCRO NO 
ART. 386, INC. Nº VII DO C.P.P. – PROVIMENTO DO APELO 
DEFENSIVO” (e-doc. 4, fls. 232-236).
Em preliminar, o recorrente sustentou a repercussão geral da 
matéria com os argumentos de que (i) “a correta aplicação do princípio 
constitucional da inviolabilidade do sigilodas comunicações telefônicas 
apresenta nítida relevância social e jurídica”; e (ii) a tese discutida – 
referente à possibilidade de acesso a registros e informações contidos em 
4 
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Relatório
ARE 1042075 / RJ 
aparelho de telefone celular apreendido como instrumento ou objeto de 
conduta delitiva sem o respectivo mandado judicial ou a autorização do 
proprietário – é, em tese, aplicável a todo e qualquer indivíduo que venha 
a ser preso em idênticas circunstâncias. 
No pleito extraordinário, aduz o recorrente, em síntese, que não há 
violação de sigilo na apreensão de objetos e instrumentos ligados à 
conduta delitiva, porquanto é dever da autoridade policial retê-los. Da 
mesma forma, sustenta ser dispensável a obtenção de mandado de busca 
e apreensão para se acessarem as informações e os registros constantes do 
aparelho celular encontrado na cena do crime, já que não há quebra do 
sigilo da comunicação telefônica ou dos dados. 
Alega que o celular, após cair no local do crime e ser arrecadado pela 
vítima e entregue às autoridades, foi utilizado para acessar os dados ali 
armazenados como linha investigativa hábil a identificar o agente, o que 
classifica como inegável cumprimento do dever policial, não existindo 
nenhuma ilicitude em tal forma de proceder.
Afirma, ainda, que a jurisprudência dominante no Supremo Tribunal 
Federal sobre o tema pode ser aferida a partir do entendimento sufragado 
no HC nº 91.867/PA (Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 
20/9/12) e no RE nº 418.416/SC (Tribunal Pleno, Rel. Min. Sepúlveda 
Pertence, DJ de 19/12/06). 
Nessa esteira, assevera que o acórdão recorrido teria vilipendiado o 
art. 5º, incisos XII e LVI, da Constituição Federal, haja vista que a simples 
verificação de registros gravados no próprio aparelho não configuraria 
prejuízo ao direito ao sigilo das comunicações telefônicas, mas simples 
acesso a dados contidos em objeto apreendido na cena do crime, cuja 
apreensão pela autoridade policial seria obrigatória.
Ao final, o Ministério Público do Rio de Janeiro pugna pelo 
conhecimento e pelo provimento do recurso extraordinário, 
“cassando-se o acórdão recorrido e afastando-se a 
alegação de ilicitude da prova, com retorno dos autos ao 
Tribunal de Origem para prosseguimento do julgamento do 
recurso de apelação defensivo”.
5 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
aparelho de telefone celular apreendido como instrumento ou objeto de 
conduta delitiva sem o respectivo mandado judicial ou a autorização do 
proprietário – é, em tese, aplicável a todo e qualquer indivíduo que venha 
a ser preso em idênticas circunstâncias. 
No pleito extraordinário, aduz o recorrente, em síntese, que não há 
violação de sigilo na apreensão de objetos e instrumentos ligados à 
conduta delitiva, porquanto é dever da autoridade policial retê-los. Da 
mesma forma, sustenta ser dispensável a obtenção de mandado de busca 
e apreensão para se acessarem as informações e os registros constantes do 
aparelho celular encontrado na cena do crime, já que não há quebra do 
sigilo da comunicação telefônica ou dos dados. 
Alega que o celular, após cair no local do crime e ser arrecadado pela 
vítima e entregue às autoridades, foi utilizado para acessar os dados ali 
armazenados como linha investigativa hábil a identificar o agente, o que 
classifica como inegável cumprimento do dever policial, não existindo 
nenhuma ilicitude em tal forma de proceder.
Afirma, ainda, que a jurisprudência dominante no Supremo Tribunal 
Federal sobre o tema pode ser aferida a partir do entendimento sufragado 
no HC nº 91.867/PA (Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 
20/9/12) e no RE nº 418.416/SC (Tribunal Pleno, Rel. Min. Sepúlveda 
Pertence, DJ de 19/12/06). 
Nessa esteira, assevera que o acórdão recorrido teria vilipendiado o 
art. 5º, incisos XII e LVI, da Constituição Federal, haja vista que a simples 
verificação de registros gravados no próprio aparelho não configuraria 
prejuízo ao direito ao sigilo das comunicações telefônicas, mas simples 
acesso a dados contidos em objeto apreendido na cena do crime, cuja 
apreensão pela autoridade policial seria obrigatória.
Ao final, o Ministério Público do Rio de Janeiro pugna pelo 
conhecimento e pelo provimento do recurso extraordinário, 
“cassando-se o acórdão recorrido e afastando-se a 
alegação de ilicitude da prova, com retorno dos autos ao 
Tribunal de Origem para prosseguimento do julgamento do 
recurso de apelação defensivo”.
5 
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Relatório
ARE 1042075 / RJ 
Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal, em parecer da 
lavra da Subprocuradora-Geral da República Dra. Cláudia Sampaio 
Marques, opinou pelo provimento do agravo e do respectivo recurso 
extraordinário. 
Em 31 de outubro de 2017, reconheci a existência de repercussão 
geral da matéria aqui em discussão, tendo o Plenário Virtual desta Corte 
referendado essa decisão (DJe de 12/12/17). 
É o relatório.
6 
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ARE 1042075 / RJ 
Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal, em parecer da 
lavra da Subprocuradora-Geral da República Dra. Cláudia Sampaio 
Marques, opinou pelo provimento do agravo e do respectivo recurso 
extraordinário. 
Em 31 de outubro de 2017, reconheci a existência de repercussão 
geral da matéria aqui em discussão, tendo o Plenário Virtual desta Corte 
referendado essa decisão (DJe de 12/12/17). 
É o relatório.
6 
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Esclarecimento
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
ESCLARECIMENTO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Doutor Bruno, gostaria de manter um diálogo com 
Vossa Senhoria e colher uma comparação.
Vossa Senhoria citou um caso julgado em 2014, nos Estados Unidos, 
Riley vs Califórnia. Nesse caso, uma pessoa havia sido parada por um 
delito de trânsito, uma infração de trânsito, e o policial deu busca e 
apreensão no celular, examinou, devassou o celular e, com base nesta 
prova, foi instaurado um processo criminal por um fato que não tinha 
nada a ver com a infração de trânsito, descobriram que ele tinha 
participado de outro crime.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Portanto, foi uma busca e apreensão. Ele foi no bolso 
desse indivíduo e apreendeu o celular.
O caso da relatoria do Ministro Toffoli é bem diferente, porque foi 
imediatamente após um crime, no celular não houvebusca e apreensão, 
ele foi deixado pelo criminoso no local.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Vossa Senhoria não acha que há uma diferença 
relevante entre uma situação e outra?
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Acredito que sim, Excelência. Eu mencionei esse caso 
apenas nesse sentido preciso de que é mencionado que o aparelho celular 
hoje revela um verdadeiro portal da intimidade do indivíduo. Apenas 
nesse sentido argumentativo, Excelência. Agradeço.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
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21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
ESCLARECIMENTO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Doutor Bruno, gostaria de manter um diálogo com 
Vossa Senhoria e colher uma comparação.
Vossa Senhoria citou um caso julgado em 2014, nos Estados Unidos, 
Riley vs Califórnia. Nesse caso, uma pessoa havia sido parada por um 
delito de trânsito, uma infração de trânsito, e o policial deu busca e 
apreensão no celular, examinou, devassou o celular e, com base nesta 
prova, foi instaurado um processo criminal por um fato que não tinha 
nada a ver com a infração de trânsito, descobriram que ele tinha 
participado de outro crime.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Portanto, foi uma busca e apreensão. Ele foi no bolso 
desse indivíduo e apreendeu o celular.
O caso da relatoria do Ministro Toffoli é bem diferente, porque foi 
imediatamente após um crime, no celular não houve busca e apreensão, 
ele foi deixado pelo criminoso no local.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Vossa Senhoria não acha que há uma diferença 
relevante entre uma situação e outra?
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Acredito que sim, Excelência. Eu mencionei esse caso 
apenas nesse sentido preciso de que é mencionado que o aparelho celular 
hoje revela um verdadeiro portal da intimidade do indivíduo. Apenas 
nesse sentido argumentativo, Excelência. Agradeço.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
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Esclarecimento
ARE 1042075 / RJ 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Doutor Bruno.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN – Presidente, Vossa 
Excelência me permite?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Pois não.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Cumprimento o ilustre 
advogado e o defensor que também compareceu à tribuna e Sua 
Excelência o Relator, o Ministro Dias Toffoli e os eminentes Pares.
Eu também tive a minha atenção atraída pela situação do caso, pois 
este é um caso clássico em que se debate os limites e as possibilidades do 
respeito à autodeterminação informativa, ou seja, este acesso a essa 
espécie de casa imaterial cibernética que se tornou o aparelho celular nos 
dias contemporâneos.
Mas neste caso - e eu, obviamente, não votei ainda, estou aqui a 
ouvir as sustentações e virá o voto de Sua Excelência o Relator - há uma 
referência específica que a regra geral é esta mesma que foi defendida da 
tribuna. Porém, no julgamento faz-se referência a exceções, tanto que ali 
se conclui - por isso, o que eu quero dizer é que, às vezes, uma citação é 
uma boa companhia, outras vezes, quiçá, nem tanto - porque, nesse 
julgamento, defere-se a possibilidade de existir situações que justifiquem 
o acesso imediato da polícia.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - E na falta de uma 
justificativa desta exceção, a regra é a determinação judicial. Só estou 
acrescentando isso, Presidente, porque acompanhava aqui ambas as 
sustentações orais, como todos nós, e Vossa Excelência teve a sua atenção 
atraída pelo discrímen que agora o ilustre advogado também está a 
assentir na tribuna. Apenas faço essa observação.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Ministro Fachin, novamente, o caso foi trazido 
justamente nesse sentido de que os dados contidos e armazenados em 
celular são uma espécie de portal da vida privada, apenas trazendo essa 
2 
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ARE 1042075 / RJ 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Doutor Bruno.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN – Presidente, Vossa 
Excelência me permite?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Pois não.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Cumprimento o ilustre 
advogado e o defensor que também compareceu à tribuna e Sua 
Excelência o Relator, o Ministro Dias Toffoli e os eminentes Pares.
Eu também tive a minha atenção atraída pela situação do caso, pois 
este é um caso clássico em que se debate os limites e as possibilidades do 
respeito à autodeterminação informativa, ou seja, este acesso a essa 
espécie de casa imaterial cibernética que se tornou o aparelho celular nos 
dias contemporâneos.
Mas neste caso - e eu, obviamente, não votei ainda, estou aqui a 
ouvir as sustentações e virá o voto de Sua Excelência o Relator - há uma 
referência específica que a regra geral é esta mesma que foi defendida da 
tribuna. Porém, no julgamento faz-se referência a exceções, tanto que ali 
se conclui - por isso, o que eu quero dizer é que, às vezes, uma citação é 
uma boa companhia, outras vezes, quiçá, nem tanto - porque, nesse 
julgamento, defere-se a possibilidade de existir situações que justifiquem 
o acesso imediato da polícia.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Sim.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - E na falta de uma 
justificativa desta exceção, a regra é a determinação judicial. Só estou 
acrescentando isso, Presidente, porque acompanhava aqui ambas as 
sustentações orais, como todos nós, e Vossa Excelência teve a sua atenção 
atraída pelo discrímen que agora o ilustre advogado também está a 
assentir na tribuna. Apenas faço essa observação.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Ministro Fachin, novamente, o caso foi trazido 
justamente nesse sentido de que os dados contidos e armazenados em 
celular são uma espécie de portal da vida privada, apenas trazendo essa 
2 
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Esclarecimento
ARE 1042075 / RJ 
dimensão de intimidade na contraposição à necessidade de comunicação 
de dados e puxando a necessidade da proteção dos dados em si. Muito 
obrigado, Ministro Fachin.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Doutor Bruno.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Muito obrigado.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Pois não, Ministro Alexandre.O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Cumprimento 
Vossa Excelência, a Ministra Cármen, os Colegas.
Presidente, só a título de esclarecimento, porque a questão é muito 
importante, na verdade, os projetos de leis que hoje correm no Congresso 
Nacional para aumentar a pena de furto ou roubo de celular não têm 
nenhuma ligação - nenhuma ligação - com os dados que os celulares 
armazenam.
Na verdade, os dois projetos se dão porque é furtado ou roubado um 
celular no Brasil a cada 35 segundos. Então, em um minuto são roubados 
ou furtados dois celulares no Brasil. É o país com maior número de 
roubos e furtos de celulares, 11,5% da população brasileira já teve pelo 
menos uma vez um celular roubado ou furtado, até porque o Brasil é, 
lamentavelmente, o maior mercado de receptação de celular. É por isso. A 
razão é essa, até porque uma vez furtado ou roubado o aparelho celular, 
imediatamente, o receptador apaga todos os dados para já passar para 
frente. Só para que não haja essa confusão de discussão. 
Obrigado, Ministro!
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Ministro Alexandre! 
Eu ontem recebi, por acaso, o Governador do Estado do Rio de 
Janeiro. Por acaso, pela coincidência de tema, não que eu o tenha recebido 
por acaso. Eu ontem recebi o Governador do Estado do Rio de Janeiro lá 
no Conselho Nacional de Justiça e a queixa que ele tinha, preocupante e 
3 
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dimensão de intimidade na contraposição à necessidade de comunicação 
de dados e puxando a necessidade da proteção dos dados em si. Muito 
obrigado, Ministro Fachin.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Doutor Bruno.
O SENHOR BRUNO TADEU PALMIERI BUONICORE 
(ADVOGADO) - Muito obrigado.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Pois não, Ministro Alexandre.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Cumprimento 
Vossa Excelência, a Ministra Cármen, os Colegas.
Presidente, só a título de esclarecimento, porque a questão é muito 
importante, na verdade, os projetos de leis que hoje correm no Congresso 
Nacional para aumentar a pena de furto ou roubo de celular não têm 
nenhuma ligação - nenhuma ligação - com os dados que os celulares 
armazenam.
Na verdade, os dois projetos se dão porque é furtado ou roubado um 
celular no Brasil a cada 35 segundos. Então, em um minuto são roubados 
ou furtados dois celulares no Brasil. É o país com maior número de 
roubos e furtos de celulares, 11,5% da população brasileira já teve pelo 
menos uma vez um celular roubado ou furtado, até porque o Brasil é, 
lamentavelmente, o maior mercado de receptação de celular. É por isso. A 
razão é essa, até porque uma vez furtado ou roubado o aparelho celular, 
imediatamente, o receptador apaga todos os dados para já passar para 
frente. Só para que não haja essa confusão de discussão. 
Obrigado, Ministro!
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Obrigado, Ministro Alexandre! 
Eu ontem recebi, por acaso, o Governador do Estado do Rio de 
Janeiro. Por acaso, pela coincidência de tema, não que eu o tenha recebido 
por acaso. Eu ontem recebi o Governador do Estado do Rio de Janeiro lá 
no Conselho Nacional de Justiça e a queixa que ele tinha, preocupante e 
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Esclarecimento
ARE 1042075 / RJ 
delicada, é que, em caso de roubo de celular e outros furtos, não 
propriamente roubo, segundo ele me disse, na audiência de custódia, 
como é furto, frequentemente, o juiz relaxa a prisão e, no dia seguinte, a 
mesma pessoa, no mesmo local, comete outro furto, é presa novamente e 
relaxa-se a prisão. 
Evidentemente, a audiência de custódia deve evitar as prisões 
desnecessárias e, em caso de crimes de menor potencial ofensivo, às 
vezes, a prisão não se justifica, mas, no caso de habitualidade criminosa - 
porque senão é um incentivo; o sujeito, 24 horas depois, está no mesmo 
lugar, praticando a mesma atitude delituosa -, mesmo na hipótese de 
crimes leves, se é criminoso habitual, eu acho que não se aplica o 
relaxamento de prisão na segunda, terceira, quarta vez, por evidente. 
Pois não, Ministra Cármen.
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Apenas lembrando, 
Presidente, na linha do que Vossa Excelência enfatiza, que o Ministro 
Pertence aqui usava muito a expressão "quando o crime é meio de vida, 
este é um meio que o Direito não valida". Podem ser pequenos furtos, 
mas ele faz disso um meio de viver. 
Então, o que é habitual e, muitas vezes, se demonstram fichas 
enormes de representações, prisões etc., não se pode nem aplicar o 
princípio da insignificância, porque é o insignificante diário que faz com 
que seja realmente um meio de vida. Pega aqui, pega acolá, e há alguém 
que passa a não confiar no sistema de justiça, digo, no próprio Direito. 
Apenas para lembrar essa ênfase, essa diferença entre a 
eventualidade... Até pode haver um ou outro caso, mas há aquele que faz 
do furto, de uma atuação delituosa um meio de vida. Não, isso não é 
meio de vida válido e legítimo.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Exatamente. Sempre boa lembrança do Ministro 
Pertence, de saudosa memória para todos nós. 
Mesmo em caso de crimes de bagatela, crimes em que se aplicaria o 
princípio da insignificância, nos casos de reincidência, a jurisprudência 
do Tribunal é bastante restritiva. E é preciso não desconsiderar, Ministra 
4 
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delicada, é que, em caso de roubo de celular e outros furtos, não 
propriamente roubo, segundo ele me disse, na audiência de custódia, 
como é furto, frequentemente, o juiz relaxa a prisão e, no dia seguinte, a 
mesma pessoa, no mesmo local, comete outro furto, é presa novamente e 
relaxa-se a prisão. 
Evidentemente, a audiência de custódia deve evitar as prisões 
desnecessárias e, em caso de crimes de menor potencial ofensivo, às 
vezes, a prisão não se justifica, mas, no caso de habitualidade criminosa - 
porque senão é um incentivo; o sujeito, 24 horas depois, está no mesmo 
lugar, praticando a mesma atitude delituosa -, mesmo na hipótese de 
crimes leves, se é criminoso habitual, eu acho que não se aplica o 
relaxamento de prisão na segunda, terceira, quarta vez, por evidente. 
Pois não, Ministra Cármen.
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Apenas lembrando, 
Presidente, na linha do que Vossa Excelência enfatiza, que o Ministro 
Pertence aqui usava muito a expressão "quando o crime é meio de vida, 
este é um meio que o Direito não valida". Podem ser pequenos furtos, 
mas ele faz disso um meio de viver. 
Então, o que é habitual e, muitas vezes, se demonstram fichas 
enormes de representações, prisões etc., não se pode nem aplicar o 
princípio da insignificância, porque é o insignificante diário que faz com 
que seja realmente um meio de vida. Pega aqui, pega acolá, e há alguém 
que passa a não confiar no sistema de justiça, digo, no próprio Direito. 
Apenaspara lembrar essa ênfase, essa diferença entre a 
eventualidade... Até pode haver um ou outro caso, mas há aquele que faz 
do furto, de uma atuação delituosa um meio de vida. Não, isso não é 
meio de vida válido e legítimo.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Exatamente. Sempre boa lembrança do Ministro 
Pertence, de saudosa memória para todos nós. 
Mesmo em caso de crimes de bagatela, crimes em que se aplicaria o 
princípio da insignificância, nos casos de reincidência, a jurisprudência 
do Tribunal é bastante restritiva. E é preciso não desconsiderar, Ministra 
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ARE 1042075 / RJ 
Cármen, como todos nós consideramos, que hoje a criminalidade passou 
a ser o item um das preocupações da sociedade brasileira, e a 
interpretação não pode ser indiferente a essa circunstância também.
Publicado sem revisão. Art. 95 do RISTF.
5 
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ARE 1042075 / RJ 
Cármen, como todos nós consideramos, que hoje a criminalidade passou 
a ser o item um das preocupações da sociedade brasileira, e a 
interpretação não pode ser indiferente a essa circunstância também.
Publicado sem revisão. Art. 95 do RISTF.
5 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 26 de 219
Debate
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
DEBATE
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, eu gostaria de fazer algumas reflexões antes de 
entrar no voto, até diante do debate muito proveitoso. 
Eu começaria por essa questão do meio de vida. Eu penso que, 
realmente, nós devíamos deixar mais claro o princípio da insignificância, 
porque, muitas vezes, nós julgamos individualmente cada caso que nos 
chega e, com isso, naquele caso, é algo realmente insignificante, mas nós 
não temos o conjunto da obra.
Em regra, quando há elementos no sentido de que é uma situação 
reiterada, eu tenho mantido a condenação, mas eu penso que talvez nós 
pudéssemos, Senhor Presidente, verbalizar isso em uma súmula ou algo 
assim. 
Estou só aproveitando o debate que surgiu a partir das falas de 
Vossa Excelência e da Ministra Cármen Lúcia ‒ iluminados, como sempre 
‒ para pensar nisso. Talvez essa questão que foi trazida a Vossa 
Excelência ontem pelo governador seja uma questão também do juiz da 
custódia, que analisa aquele caso que está ali, naquele momento ali, não 
tem o conjunto.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Muitas vezes ele não tem nenhum histórico, porque não 
é reincidência em sentido técnico e, portanto, ele nem sabe. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Talvez a própria Presidência, com aquele setor de análise prévia de 
processos, poderia destacar algum procedimento para uma análise a 
respeito. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Em casos de habitualidade, não há insignificância. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Se Vossa Excelência me 
permite, Ministro Toffoli, os tribunais às vezes têm precedentes, mas 
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21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
DEBATE
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, eu gostaria de fazer algumas reflexões antes de 
entrar no voto, até diante do debate muito proveitoso. 
Eu começaria por essa questão do meio de vida. Eu penso que, 
realmente, nós devíamos deixar mais claro o princípio da insignificância, 
porque, muitas vezes, nós julgamos individualmente cada caso que nos 
chega e, com isso, naquele caso, é algo realmente insignificante, mas nós 
não temos o conjunto da obra.
Em regra, quando há elementos no sentido de que é uma situação 
reiterada, eu tenho mantido a condenação, mas eu penso que talvez nós 
pudéssemos, Senhor Presidente, verbalizar isso em uma súmula ou algo 
assim. 
Estou só aproveitando o debate que surgiu a partir das falas de 
Vossa Excelência e da Ministra Cármen Lúcia ‒ iluminados, como sempre 
‒ para pensar nisso. Talvez essa questão que foi trazida a Vossa 
Excelência ontem pelo governador seja uma questão também do juiz da 
custódia, que analisa aquele caso que está ali, naquele momento ali, não 
tem o conjunto.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Muitas vezes ele não tem nenhum histórico, porque não 
é reincidência em sentido técnico e, portanto, ele nem sabe. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Talvez a própria Presidência, com aquele setor de análise prévia de 
processos, poderia destacar algum procedimento para uma análise a 
respeito. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Em casos de habitualidade, não há insignificância. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Se Vossa Excelência me 
permite, Ministro Toffoli, os tribunais às vezes têm precedentes, mas 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 27 de 219
Debate
ARE 1042075 / RJ 
também emitem mensagens. Eu tenho muito pudor com relação a firmar-
se a tese da insignificância, porque ela tem vários aspectos.
 Então, por exemplo, eu fui promotor no interior, uma farmácia que 
só vendia poucos produtos. Então, ali pode haver um furto de pouca 
significância numa grande capital, mas muito expressivo naquela 
comarca. Por outro lado, tornar um delito insignificante, se ele está 
plasmado na lei como delito, também é uma mensagem ruim da Suprema 
Corte para o juízo em Primeiro Grau. Quer dizer, é a insignificância de 
uma figura penal plasmada pelo legislador. Então, encontrar um critério 
para a insignificância tem de analisar também esses outros aspectos. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Sim, é que nós já temos repercussão geral, mas eu penso que talvez 
não tenha ficado tão clara a questão relativa a esse aspecto da 
reiterabilidade. 
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Até porque, Ministro 
Toffoli, a impressão que eu tenho é que temos que perguntar, e eu acho 
que o juiz, numa pequena cidade ou em São Paulo, haverá de colocar o 
que a Ministra Rosa também lembrava, "eu e o meu contexto". Porque o 
que é insignificante, às vezes, para um grande empresário, para uma rede 
em determinados locais, não é para um pequeno comerciante, mas 
principalmente para a comunidade. Quer dizer, eu tenho para mim que a 
democracia vive sob um princípio, o da confiança. Quando a comunidade 
vê, todo dia, o fulano solta, e vemos policiais, isso que o Ministro 
Alexandre falou quando estávamos falando da questão do porte ou 
criminalização da maconha, que dizia, se pusermos tanto e for um 
cigarro, mas ele tem não sei quantos, e todo dia naquele ponto, ele estávendendo, isso não é insignificante nem bagatela para ninguém. Isso 
precisa ser posto num contexto no qual se examine rigorosamente, que 
nós estamos falando como uma sociedade que precisa acreditar no 
Direito, a força do Direito está na eficácia que ele produz. E eu acho que é 
isso que o Ministro Toffoli talvez queira dizer. O que é insignificante e 
para quem? 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro 
2 
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também emitem mensagens. Eu tenho muito pudor com relação a firmar-
se a tese da insignificância, porque ela tem vários aspectos.
 Então, por exemplo, eu fui promotor no interior, uma farmácia que 
só vendia poucos produtos. Então, ali pode haver um furto de pouca 
significância numa grande capital, mas muito expressivo naquela 
comarca. Por outro lado, tornar um delito insignificante, se ele está 
plasmado na lei como delito, também é uma mensagem ruim da Suprema 
Corte para o juízo em Primeiro Grau. Quer dizer, é a insignificância de 
uma figura penal plasmada pelo legislador. Então, encontrar um critério 
para a insignificância tem de analisar também esses outros aspectos. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Sim, é que nós já temos repercussão geral, mas eu penso que talvez 
não tenha ficado tão clara a questão relativa a esse aspecto da 
reiterabilidade. 
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Até porque, Ministro 
Toffoli, a impressão que eu tenho é que temos que perguntar, e eu acho 
que o juiz, numa pequena cidade ou em São Paulo, haverá de colocar o 
que a Ministra Rosa também lembrava, "eu e o meu contexto". Porque o 
que é insignificante, às vezes, para um grande empresário, para uma rede 
em determinados locais, não é para um pequeno comerciante, mas 
principalmente para a comunidade. Quer dizer, eu tenho para mim que a 
democracia vive sob um princípio, o da confiança. Quando a comunidade 
vê, todo dia, o fulano solta, e vemos policiais, isso que o Ministro 
Alexandre falou quando estávamos falando da questão do porte ou 
criminalização da maconha, que dizia, se pusermos tanto e for um 
cigarro, mas ele tem não sei quantos, e todo dia naquele ponto, ele está 
vendendo, isso não é insignificante nem bagatela para ninguém. Isso 
precisa ser posto num contexto no qual se examine rigorosamente, que 
nós estamos falando como uma sociedade que precisa acreditar no 
Direito, a força do Direito está na eficácia que ele produz. E eu acho que é 
isso que o Ministro Toffoli talvez queira dizer. O que é insignificante e 
para quem? 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro 
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ARE 1042075 / RJ 
Toffoli, permite em relação à questão dessa insignificância e também ao 
que o Ministro Fux disse?
 Eu fui promotor em Aguaí, interior de São Paulo, 30 mil habitantes, 
não havia audiência de custódia à época. Mas havia um furtador 
contumaz no mesmo estabelecimento. Havia dois mercadinhos, e ele 
furtava dia sim, dia não, até que foi preso e ficou. Veja, numa cidade de 30 
mil habitantes, se os furtadores contumazes, lamentavelmente isso vem 
ocorrendo em várias, são sempre soltos na audiência de custódia, a 
população perde realmente a confiança na Justiça, porque é uma vez, 
duas vezes, três vezes, e, naquela comunidade menor, isso é visível.
Na questão do celular, é mais grave, é mais grave, Presidente, 
inclusive em relação a grandes cidades, porque furtadores, hoje, como 
fazem? Chegam de moto, quando não é roubo, é furto mesmo, pegam 
rápido e saem. São presos. No dia seguinte, soltos. Eles voltam para o 
mesmo local, para a mesma região. Por que isso? Porque é uma quadrilha 
que leva ao receptador. Isso realmente diminui a credibilidade da Justiça 
Penal.
Então me parece, dentro do que o Ministro Toffoli começou a dizer e 
os demais falaram, é que seria importante, mesmo que não sejam critérios 
rígidos, mas até balizas para a audiência de custódia. Quando secretário 
de segurança, aí vários anos após, já havia a audiência de custódia, numa 
cidade, numa comarca do interior, um furtador, 76 vezes, foi solto na 
audiência de custódia em um ano. Não é razoável isso!
Então, seria importante mesmo, Vossa Excelência tocou na questão 
do Rio de Janeiro, mas isso é no Brasil todo. 
Obrigado, Ministro Toffoli! 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, eu farei aqui algumas reflexões para todos nós ‒ 
aproveitando o intervalo. 
Eu mesmo, no primeiro voto que proferi, votei pelo provimento do 
recurso extraordinário do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério Público 
do Estado do Rio de Janeiro, para, então, restabelecer a sentença 
condenatória do juiz de primeira instância. 
3 
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Toffoli, permite em relação à questão dessa insignificância e também ao 
que o Ministro Fux disse?
 Eu fui promotor em Aguaí, interior de São Paulo, 30 mil habitantes, 
não havia audiência de custódia à época. Mas havia um furtador 
contumaz no mesmo estabelecimento. Havia dois mercadinhos, e ele 
furtava dia sim, dia não, até que foi preso e ficou. Veja, numa cidade de 30 
mil habitantes, se os furtadores contumazes, lamentavelmente isso vem 
ocorrendo em várias, são sempre soltos na audiência de custódia, a 
população perde realmente a confiança na Justiça, porque é uma vez, 
duas vezes, três vezes, e, naquela comunidade menor, isso é visível.
Na questão do celular, é mais grave, é mais grave, Presidente, 
inclusive em relação a grandes cidades, porque furtadores, hoje, como 
fazem? Chegam de moto, quando não é roubo, é furto mesmo, pegam 
rápido e saem. São presos. No dia seguinte, soltos. Eles voltam para o 
mesmo local, para a mesma região. Por que isso? Porque é uma quadrilha 
que leva ao receptador. Isso realmente diminui a credibilidade da Justiça 
Penal.
Então me parece, dentro do que o Ministro Toffoli começou a dizer e 
os demais falaram, é que seria importante, mesmo que não sejam critérios 
rígidos, mas até balizas para a audiência de custódia. Quando secretário 
de segurança, aí vários anos após, já havia a audiência de custódia, numa 
cidade, numa comarca do interior, um furtador, 76 vezes, foi solto na 
audiência de custódia em um ano. Não é razoável isso!
Então, seria importante mesmo, Vossa Excelência tocou na questão 
do Rio de Janeiro, mas isso é no Brasil todo. 
Obrigado, Ministro Toffoli! 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, eu farei aqui algumas reflexões para todos nós ‒ 
aproveitando o intervalo. 
Eu mesmo, no primeiro voto que proferi, votei pelo provimento do 
recurso extraordinário do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério Público 
do Estado do Rio de Janeiro, para, então, restabelecer a sentença 
condenatória do juiz de primeira instância. 
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Debate
ARE 1042075 / RJ 
Depois, eu acabei reformulando o voto pelo fato de que, entre o meu 
voto e a devolução do feito para julgamento, sobreveio a emenda, a citada 
Emenda Constitucional nº 115, de 2022. Aí, eu entendi que, diante 
daquela situação da emenda, que trouxe uma proteção constitucional ao 
sigilo de dados digitais, portanto, aquela, digamos assim, invasão é como 
uma invasão domiciliar, mutatis mutandis, aquela invasão que ocorreu ao 
celular teria de ter sido precedida de uma autorização judicial. 
Por outro lado, nós estamos, realmente ‒ e o debate é sempre muito 
proveitoso ‒ vivendo diante de uma situação em que a preocupação 
número um da sociedade brasileira é a segurança pública, é andar nas 
calçadas. 
E esses furtos de moto... Vejam que esse era um assaltante com arma 
de fogo, violento, porque agrediu fisicamente a vítima, e que faz a fuga 
com a intermediação de um comparsa que estava já, adrede, aguardando 
com uma motocicleta em frente à casa bancária. 
Realmente, nós temos que estar atentos a essa realidade, até que 
ponto houve um excesso ou não da ação policial em uma situação que, no 
caso concreto, é de flagrante, de ter ido atrás de informações, de 
localização desse autor incontroverso do crime. 
Eu fico aqui a refletir, porque, para o caso concreto, temos três 
saídas, Ministra Cármen: ou damos provimento ao recurso 
extraordinário, ou negamos provimento e vamos numa radicalidade que, 
em razão de excessos que ocorreram e ocorrem ‒ como sabemos ‒ por 
parte de agentes de Estado, que levou, por exemplo, a uma grande 
reflexão, e foram anos até que definimos aquela ADPF, de relatoria do 
Ministro Edson Fachin, em que, ao fim e ao cabo, por uma decisão 
dispositiva per curiam, chegamos a uma unanimidade na Corte, não são 
situações simples de serem colocadas do ponto de vista do regramento. 
Se, de um lado, nós sabemos da história de um país que já passou 
por governos de exceções e que, no dia a dia, muitas vezes, ainda há uma 
violência exagerada contra o cidadão; por outro lado, é um fato que a 
sociedade não pode ficar desprotegida. É uma situação muito difícil de 
nós colocarmos numa síntese de tese. 
4 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
Depois, eu acabei reformulando o voto pelo fato de que, entre o meu 
voto e a devolução do feito para julgamento, sobreveio a emenda, a citada 
Emenda Constitucional nº 115, de 2022. Aí, eu entendi que, diante 
daquela situação da emenda, que trouxe uma proteção constitucional ao 
sigilo de dados digitais, portanto, aquela, digamos assim, invasão é como 
uma invasão domiciliar, mutatis mutandis, aquela invasão que ocorreu ao 
celular teria de ter sido precedida de uma autorização judicial. 
Por outro lado, nós estamos, realmente ‒ e o debate é sempre muito 
proveitoso ‒ vivendo diante de uma situação em que a preocupação 
número um da sociedade brasileira é a segurança pública, é andar nas 
calçadas. 
E esses furtos de moto... Vejam que esse era um assaltante com arma 
de fogo, violento, porque agrediu fisicamente a vítima, e que faz a fuga 
com a intermediação de um comparsa que estava já, adrede, aguardando 
com uma motocicleta em frente à casa bancária. 
Realmente, nós temos que estar atentos a essa realidade, até que 
ponto houve um excesso ou não da ação policial em uma situação que, no 
caso concreto, é de flagrante, de ter ido atrás de informações, de 
localização desse autor incontroverso do crime. 
Eu fico aqui a refletir, porque, para o caso concreto, temos três 
saídas, Ministra Cármen: ou damos provimento ao recurso 
extraordinário, ou negamos provimento e vamos numa radicalidade que, 
em razão de excessos que ocorreram e ocorrem ‒ como sabemos ‒ por 
parte de agentes de Estado, que levou, por exemplo, a uma grande 
reflexão, e foram anos até que definimos aquela ADPF, de relatoria do 
Ministro Edson Fachin, em que, ao fim e ao cabo, por uma decisão 
dispositiva per curiam, chegamos a uma unanimidade na Corte, não são 
situações simples de serem colocadas do ponto de vista do regramento. 
Se, de um lado, nós sabemos da história de um país que já passou 
por governos de exceções e que, no dia a dia, muitas vezes, ainda há uma 
violência exagerada contra o cidadão; por outro lado, é um fato que a 
sociedade não pode ficar desprotegida. É uma situação muito difícil de 
nós colocarmos numa síntese de tese. 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 219
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ARE 1042075 / RJ 
E uma terceira opção seria nós fixarmos a tese em primeiro lugar e, 
depois, analisarmos o caso concreto à luz da tese. Ou, então, fixarmos a 
tese e, à luz da tese fixada, determinar que o Tribunal de Justiça do 
Estado do Rio de Janeiro revolva a questão fática ali, que, por exemplo, 
foi trazida pelo representante da Defensoria Pública, dizendo que houve 
um exagero. Isso não cabe a nós, enquanto juízes constitucionais, que, 
nessa questão, estamos em sede recursal de repercussão geral, não cabe a 
nós analisar a matéria fática e seus detalhes. Mas é incontroverso que o 
recorrido foi o autor.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Ministro Toffoli, refletindo junto com Vossa Excelência, 
no mínimo, deveríamos fazer uma distinção entre a busca e apreensão do 
celular sem ordem judicial e o encontro fortuito do celular, como foi o 
caso aqui. Quer dizer, neste caso, não se fez uma busca corporal no 
indivíduo para obter o celular. Ele estava caído na calçada, no chão, no 
momento da fuga. Portanto, não é uma situação de busca e apreensão, 
mas uma situação de encontro fortuito - vamos usar essa palavra -, 
porque penso ser uma distinção relevante entre busca e apreensão e 
encontro fortuito.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A partir dessa análise de Vossa Excelência, proporia aos eminentes 
colegas uma dinâmica com metodologia diferente.
A questão fática está bem clara para todos, até porque já houve a 
discussão. Penso que poderíamos ir direto ao ponto. E minha sugestão 
seria a seguinte: partirmos da tese que trago, em vez de focarmos a 
análise a partir do caso concreto para chegarmos à tese, até porque há 
inúmeras outras questões relativas a isso, conforme Vossa Excelência 
ressaltou. O Ministro André Mendonça gentilmente também lembrou 
situações fáticas, por exemplo, o assassinato de uma pessoa. Essa pessoa 
tem um celular, que é dado por alguém ‒ pai, irmão, filha, filho do 
assassinado ‒ à polícia, para que possa tentar achar os autores do crime. 
Há uma ilicitude no acesso policial sem autorização judicial ao celular? 
Porque aí já é outro lado, o lado da vítima, dos familiares da vítima.
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E uma terceira opção seria nós fixarmos a tese em primeiro lugar e, 
depois, analisarmos o caso concreto à luz da tese. Ou, então, fixarmos a 
tese e, à luz da tese fixada, determinar que o Tribunal de Justiça do 
Estado do Rio de Janeiro revolva a questão fática ali, que, por exemplo, 
foi trazida pelo representanteda Defensoria Pública, dizendo que houve 
um exagero. Isso não cabe a nós, enquanto juízes constitucionais, que, 
nessa questão, estamos em sede recursal de repercussão geral, não cabe a 
nós analisar a matéria fática e seus detalhes. Mas é incontroverso que o 
recorrido foi o autor.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Ministro Toffoli, refletindo junto com Vossa Excelência, 
no mínimo, deveríamos fazer uma distinção entre a busca e apreensão do 
celular sem ordem judicial e o encontro fortuito do celular, como foi o 
caso aqui. Quer dizer, neste caso, não se fez uma busca corporal no 
indivíduo para obter o celular. Ele estava caído na calçada, no chão, no 
momento da fuga. Portanto, não é uma situação de busca e apreensão, 
mas uma situação de encontro fortuito - vamos usar essa palavra -, 
porque penso ser uma distinção relevante entre busca e apreensão e 
encontro fortuito.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A partir dessa análise de Vossa Excelência, proporia aos eminentes 
colegas uma dinâmica com metodologia diferente.
A questão fática está bem clara para todos, até porque já houve a 
discussão. Penso que poderíamos ir direto ao ponto. E minha sugestão 
seria a seguinte: partirmos da tese que trago, em vez de focarmos a 
análise a partir do caso concreto para chegarmos à tese, até porque há 
inúmeras outras questões relativas a isso, conforme Vossa Excelência 
ressaltou. O Ministro André Mendonça gentilmente também lembrou 
situações fáticas, por exemplo, o assassinato de uma pessoa. Essa pessoa 
tem um celular, que é dado por alguém ‒ pai, irmão, filha, filho do 
assassinado ‒ à polícia, para que possa tentar achar os autores do crime. 
Há uma ilicitude no acesso policial sem autorização judicial ao celular? 
Porque aí já é outro lado, o lado da vítima, dos familiares da vítima.
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ARE 1042075 / RJ 
Então, eu penso que seria muito mais útil, para a metodologia do 
julgamento, discutirmos todas essas análises do que analisar o caso 
concreto. E, depois, à luz de uma decisão sobre várias hipóteses possíveis, 
decidiríamos o caso concreto.
Eu tenho dúvida sobre o caso concreto. Neste momento, eu tenderia 
inclusive a acompanhar Vossa Excelência pelo provimento, porque 
realmente não parece ter havido excesso, neste caso concreto, da ação 
policial. Só que não tenho outros elementos para saber se transbordaram 
para outras situações. Mas, nessas outras situações, a Defensoria poderia 
alegar algum tipo de nulidade, porque teria havido invasões para outras 
situações.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - O caso concreto, tal como Vossa Excelência descreveu, 
foi uma cena de roubo à mão armada, na saída de um banco, em que se 
arrancou a bolsa de uma senhora, ela caiu no chão e houve fuga numa 
motocicleta. Colhido o celular, identificou-se a autoria, e ele foi 
condenado por esse delito, por esse roubo.
Os fatos me parecem muito claros nesse caso, porque no exemplo 
que eu dei do caso Riley, que mencionei, usaram o celular para a 
persecução penal de outros delitos. Aí, eu levantaria alguma dúvida. Mas, 
pelo próprio delito específico, em relação ao qual o celular caiu no chão, 
os fatos me parecem bem claros.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, 
para uma reflexão: se o caso fosse idêntico, mas, ao invés do celular, 
deixasse cair no chão um envelope com uma carta escrita. A polícia não 
poderia olhar para tentar localizar?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Não seria violação de correspondência.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Não seria 
violação de correspondência.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A conta de luz, o endereço...
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - A conta, 
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Então, eu penso que seria muito mais útil, para a metodologia do 
julgamento, discutirmos todas essas análises do que analisar o caso 
concreto. E, depois, à luz de uma decisão sobre várias hipóteses possíveis, 
decidiríamos o caso concreto.
Eu tenho dúvida sobre o caso concreto. Neste momento, eu tenderia 
inclusive a acompanhar Vossa Excelência pelo provimento, porque 
realmente não parece ter havido excesso, neste caso concreto, da ação 
policial. Só que não tenho outros elementos para saber se transbordaram 
para outras situações. Mas, nessas outras situações, a Defensoria poderia 
alegar algum tipo de nulidade, porque teria havido invasões para outras 
situações.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - O caso concreto, tal como Vossa Excelência descreveu, 
foi uma cena de roubo à mão armada, na saída de um banco, em que se 
arrancou a bolsa de uma senhora, ela caiu no chão e houve fuga numa 
motocicleta. Colhido o celular, identificou-se a autoria, e ele foi 
condenado por esse delito, por esse roubo.
Os fatos me parecem muito claros nesse caso, porque no exemplo 
que eu dei do caso Riley, que mencionei, usaram o celular para a 
persecução penal de outros delitos. Aí, eu levantaria alguma dúvida. Mas, 
pelo próprio delito específico, em relação ao qual o celular caiu no chão, 
os fatos me parecem bem claros.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, 
para uma reflexão: se o caso fosse idêntico, mas, ao invés do celular, 
deixasse cair no chão um envelope com uma carta escrita. A polícia não 
poderia olhar para tentar localizar?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Não seria violação de correspondência.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Não seria 
violação de correspondência.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A conta de luz, o endereço...
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - A conta, 
6 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 219
Debate
ARE 1042075 / RJ 
dentro do envelope, não seria. Porque, conforme Vossa Excelência disse, 
diferentemente dos precedentes da Suprema Corte e de outros casos, aqui 
a situação que permitiu a apreensão foi provocada pelo agressor. Ou seja, 
ele se colocou numa situação que passa a permitir a possibilidade do 
encontro fortuito de qualquer documento. Se cai a carteira dele, com a 
identidade - aquelas carteiras que fecham com zíper -, a polícia não pode 
abrir também, tem que pedir autorização judicial para abrir a carteira e 
ver a identidade. Agora, é diferente de usar aqueles dados para qualquer 
outra coisa.
Mas me parece que nós temos que pensar nesse caso do celular uma 
evolução de qualquer outro documento fortuito que poderia ser 
encontrado no momento da prática do crime, sem apreensão, não houve 
um movimento da autoridade policial para a apreensão. O próprio 
agressor se colocou naquela situação de risco. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É o art. 6º do CPP que permite a ação imediata. 
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Mas aí é a 
apreensão. Nós estamos falando de apreensão, que é uma discussão; e a 
outra coisa é o acesso a dados.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Por isso que eu pensoque, no caso concreto, refletindo aqui em voz 
alta, eu tendo agora a dar provimento ao recurso extraordinário. Mas eu 
não queria, Senhor Presidente, eu acho que atrapalharia o debate se nós 
começássemos pelo caso concreto. Eu apresentaria a tese, até porque esse 
caso já entrou várias vezes no Virtual, eu mesmo já alterei voto, o próprio 
Ministro Flávio Dino, que já tinha votado, pediu o destaque. É uma 
questão realmente complexa a que a sociedade está atenta. Nesses dias, 
acho que todos nós tivemos notícias relativas aos furtos de alianças que 
estão ocorrendo. E agora não é só celular, Ministro Alexandre, na rua há 
furto de alianças.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Isso não é 
desculpa, Ministro Toffoli? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
7 
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ARE 1042075 / RJ 
dentro do envelope, não seria. Porque, conforme Vossa Excelência disse, 
diferentemente dos precedentes da Suprema Corte e de outros casos, aqui 
a situação que permitiu a apreensão foi provocada pelo agressor. Ou seja, 
ele se colocou numa situação que passa a permitir a possibilidade do 
encontro fortuito de qualquer documento. Se cai a carteira dele, com a 
identidade - aquelas carteiras que fecham com zíper -, a polícia não pode 
abrir também, tem que pedir autorização judicial para abrir a carteira e 
ver a identidade. Agora, é diferente de usar aqueles dados para qualquer 
outra coisa.
Mas me parece que nós temos que pensar nesse caso do celular uma 
evolução de qualquer outro documento fortuito que poderia ser 
encontrado no momento da prática do crime, sem apreensão, não houve 
um movimento da autoridade policial para a apreensão. O próprio 
agressor se colocou naquela situação de risco. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É o art. 6º do CPP que permite a ação imediata. 
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Mas aí é a 
apreensão. Nós estamos falando de apreensão, que é uma discussão; e a 
outra coisa é o acesso a dados.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Por isso que eu penso que, no caso concreto, refletindo aqui em voz 
alta, eu tendo agora a dar provimento ao recurso extraordinário. Mas eu 
não queria, Senhor Presidente, eu acho que atrapalharia o debate se nós 
começássemos pelo caso concreto. Eu apresentaria a tese, até porque esse 
caso já entrou várias vezes no Virtual, eu mesmo já alterei voto, o próprio 
Ministro Flávio Dino, que já tinha votado, pediu o destaque. É uma 
questão realmente complexa a que a sociedade está atenta. Nesses dias, 
acho que todos nós tivemos notícias relativas aos furtos de alianças que 
estão ocorrendo. E agora não é só celular, Ministro Alexandre, na rua há 
furto de alianças.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Isso não é 
desculpa, Ministro Toffoli? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
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Debate
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(PRESIDENTE) -Às vezes, é encomendado. 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - O furto de 
aliança não é desculpa? É furto também?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Infelizmente, é uma realidade.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Senhor Presidente, 
minha saudação aos Ministros, Ministra Cármen Lúcia, Ministro-Relator. 
Apenas um ponto para reflexão, à luz do que já foi trazido neste rico 
debate. O Ministro Alexandre citou a questão de uma carteira. Mas vamos 
citar, por exemplo, também o celular. Então, a motivação inicial foi para 
aquele crime específico. Agora, logicamente, às vezes as questões se 
revelam a partir daquela motivação inicial, ou seja, é natural que, a partir 
de uma motivação legítima, surjam elementos relacionados a outras 
infrações penais. Então, não havendo aí uma motivação que nós 
consideremos ilícita, o que corresponde aos demais crimes que estão ali, 
não é porque inicialmente a motivação não foi por aquela razão, que isso 
posteriormente vai ser invalidado.
Vou dar o exemplo da carteira. Foi um furto, e o autor da conduta se 
evadiu. Mas, se descobrem ali, por exemplo, notas de dinheiro falsas ou 
droga, não será ilícita essa prova, simplesmente porque a motivação 
inicial não foi essa. A prova obtida não se torna inválida pelo simples fato 
de a motivação inicial não estar relacionada a esses delitos. Apenas deixar 
isso consignado, porque, às vezes, a motivação foi justificável e não havia 
uma previsibilidade de outras circunstâncias que se descobrem depois. 
Também não poderíamos invalidar essa prova por essa razão. Havendo 
justa causa para a diligência originária, eventuais descobertas posteriores, 
ainda que não previsíveis, não podem ser desconsideradas como ilícitas.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - O Ministro Toffoli vai conduzir a proposta de tese. A 
única observação que faria é que, se nós agregarmos muitas 
complexidades, vai ficar uma tese difícil. Eu proporia, Ministro Toffoli, na 
nossa reflexão, que fosse uma tese voltada para este encontro fortuito de 
celular na cena do crime, porque eu acho que há muita diferença, como o 
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(PRESIDENTE) -Às vezes, é encomendado. 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - O furto de 
aliança não é desculpa? É furto também?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Infelizmente, é uma realidade.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Senhor Presidente, 
minha saudação aos Ministros, Ministra Cármen Lúcia, Ministro-Relator. 
Apenas um ponto para reflexão, à luz do que já foi trazido neste rico 
debate. O Ministro Alexandre citou a questão de uma carteira. Mas vamos 
citar, por exemplo, também o celular. Então, a motivação inicial foi para 
aquele crime específico. Agora, logicamente, às vezes as questões se 
revelam a partir daquela motivação inicial, ou seja, é natural que, a partir 
de uma motivação legítima, surjam elementos relacionados a outras 
infrações penais. Então, não havendo aí uma motivação que nós 
consideremos ilícita, o que corresponde aos demais crimes que estão ali, 
não é porque inicialmente a motivação não foi por aquela razão, que isso 
posteriormente vai ser invalidado.
Vou dar o exemplo da carteira. Foi um furto, e o autor da conduta se 
evadiu. Mas, se descobrem ali, por exemplo, notas de dinheiro falsas ou 
droga, não será ilícita essa prova, simplesmente porque a motivação 
inicial não foi essa. A prova obtida não se torna inválida pelo simples fato 
de a motivação inicial não estar relacionada a esses delitos. Apenas deixar 
isso consignado, porque, às vezes, a motivação foi justificável e não havia 
uma previsibilidade de outras circunstâncias que se descobrem depois. 
Também não poderíamos invalidar essa prova por essa razão. Havendo 
justa causa para a diligência originária, eventuais descobertas posteriores, 
ainda que não previsíveis, não podem ser desconsideradas como ilícitas.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - O Ministro Toffoli vai conduzir a proposta de tese. A 
única observação que faria é que, se nós agregarmos muitas 
complexidades, vai ficar uma tese difícil. Eu proporia, Ministro Toffoli, na 
nossa reflexão, que fosse uma tese voltadaa partir da instalação de softwares “espiões”.
5. A possibilidade de se acessar, por meio de aparelhos celulares, 
bem mais que metadados relativos à comunicação telefônica desloca a 
discussão travada nos autos para a questão da inviolabilidade da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem (CF/88, art. 5º, inciso 
X), do direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais 
(CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, introduzido pela Emenda Constitucional nº 
115, de 2022), e do direito à autodeterminação informacional, os quais 
conferem proteção jurídica especial e diferenciada aos dados pessoais 
armazenados e justificam a superação do entendimento firmado no HC nº 
91.867/PA para se construir uma solução mais condizente com a nova 
realidade.
6. Após revisitar os precedentes sobre a matéria, verifica-se que a 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acabou encampando, ao 
menos em parte, o texto seminal do Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior, para quem, “[o] sigilo, no inciso XII do art. 5º, está referido à 
comunicação, no interesse da defesa da privacidade”. Isso não significa, 
contudo, que o texto constitucional asseguraria proteção jurídica apenas e 
tão somente à “comunicação de dados”, isto é, ao “fluxo 
comunicacional”, ou aos “dados em trânsito”. Como lembrou Ferraz 
Júnior, os “dados estáticos”, ou seja, os “dados armazenados” também 
3 
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acontecia, as informações pessoais também se concentraram nos 
aparelhos celulares. Hoje, as múltiplas funcionalidades dos aparelhos 
celulares geram dados e metadados que são registrados na memória física 
do aparelho, ou “em nuvem”, e podem ser facilmente acessados, 
rastreados e/ou recuperados. 
4. Examinados em conjunto, dados e metadados revelam um 
espectro enorme de dados pessoais, o que torna possível uma 
investigação completa e – diga-se de passagem – muito eficiente acerca 
das preferências pessoais, das relações familiares e interpessoais, dos 
hábitos de vida, de trabalho e de consumo e, em última análise, da forma 
de pensar, de agir e de decidir de determinado indivíduo. Isso sem falar, 
obviamente, das facilidades que o acesso proporciona para a intrusão 
indevida e “para o futuro”, a partir da instalação de softwares “espiões”.
5. A possibilidade de se acessar, por meio de aparelhos celulares, 
bem mais que metadados relativos à comunicação telefônica desloca a 
discussão travada nos autos para a questão da inviolabilidade da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem (CF/88, art. 5º, inciso 
X), do direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais 
(CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, introduzido pela Emenda Constitucional nº 
115, de 2022), e do direito à autodeterminação informacional, os quais 
conferem proteção jurídica especial e diferenciada aos dados pessoais 
armazenados e justificam a superação do entendimento firmado no HC nº 
91.867/PA para se construir uma solução mais condizente com a nova 
realidade.
6. Após revisitar os precedentes sobre a matéria, verifica-se que a 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acabou encampando, ao 
menos em parte, o texto seminal do Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior, para quem, “[o] sigilo, no inciso XII do art. 5º, está referido à 
comunicação, no interesse da defesa da privacidade”. Isso não significa, 
contudo, que o texto constitucional asseguraria proteção jurídica apenas e 
tão somente à “comunicação de dados”, isto é, ao “fluxo 
comunicacional”, ou aos “dados em trânsito”. Como lembrou Ferraz 
Júnior, os “dados estáticos”, ou seja, os “dados armazenados” também 
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Ementa e Acórdão
ARE 1042075 / RJ 
são passíveis de proteção jurídica e, embora não se revistam sempre e 
incondicionalmente de caráter sigiloso, podem alcançar tal qualidade a 
depender das circunstâncias, encontrando guarida, por exemplo, no 
disposto no art. 5º, inciso X, do texto constitucional.
7. A Emenda Constitucional nº 115, de 2022, ao introduzir no art. 5º 
da Constituição o inciso LXXIX, segundo o qual “é assegurado, nos 
termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais” e, antes dela, as Leis nº 12.695/14 e nº 13.709/18, que instituíram 
no ordenamento jurídico brasileiro, respectivamente, o Marco Civil da 
Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, passaram a conferir proteção 
jurídica especial e autônoma aos dados pessoais. Assim, enquanto o 
primeiro diploma legal elevou ao patamar de direito dos usuários de 
internet a inviolabilidade e o sigilo de suas comunicações privadas 
armazenadas e o não fornecimento de seus dados pessoais, a segunda lei 
alçou a proteção jurídica dos dados pessoais a uma categoria autônoma 
com relação aos direitos à privacidade e à intimidade (CF, art. 5º, inciso 
X). 
8. Não se pode olvidar, ainda, que o direito à privacidade, apesar de 
relativamente recente, passou – e ainda passa – por considerável 
ressignificação. É dizer, no contexto da sociedade atual, a possibilidade 
de o indivíduo proceder ao controle dos dados que dizem respeito à 
própria pessoa – porque eles consistem em manifestação de sua 
personalidade – é conditio sine qua non para a preservação de sua 
personalidade e para o desenvolvimento pleno de sua autonomia. Isso 
porque é o direito à privacidade que assegura a cada indivíduo um 
espaço próprio de experimentação, no qual é possível a cada qual 
expressar “sentimentos, reflexões, visões de mundo e experiências 
pessoais sem medo de estar sendo observado por órgãos estatais” 
(GRECO, Luís; GLEIZER, Orlandino. A infiltração online no processo 
penal – Notícia sobre a experiência alemã. Revista Brasileira de Direito 
Processual Penal. Porto Alegre, v. 5, n. 3, set./dez. 2019, p. 1495).
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Recurso extraordinário com agravo ao qual se dá provimento para 
4 
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são passíveis de proteção jurídica e, embora não se revistam sempre e 
incondicionalmente de caráter sigiloso, podem alcançar tal qualidade a 
depender das circunstâncias, encontrando guarida, por exemplo, no 
disposto no art. 5º, inciso X, do texto constitucional.
7. A Emenda Constitucional nº 115, de 2022, ao introduzir no art. 5º 
da Constituição o inciso LXXIX, segundo o qual “é assegurado, nos 
termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais” e, antes dela, as Leis nº 12.695/14 e nº 13.709/18, que instituíram 
no ordenamento jurídico brasileiro, respectivamente, o Marco Civil da 
Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, passaram a conferir proteção 
jurídica especial e autônoma aos dados pessoais. Assim, enquanto o 
primeiro diploma legal elevou ao patamar de direito dos usuários de 
internet a inviolabilidade e o sigilo de suas comunicações privadas 
armazenadas e o não fornecimento de seus dados pessoais, a segunda lei 
alçoupara este encontro fortuito de 
celular na cena do crime, porque eu acho que há muita diferença, como o 
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Debate
ARE 1042075 / RJ 
Ministro Zanin falou, entre busca e apreensão e encontro na cena do 
crime. Então, fazer uma proposta tão próxima do caso concreto quanto 
possível seria a minha sugestão.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Minha sugestão seria, em vez de eu fazer a leitura do voto, eu já iria 
direto a uma proposição de tese e abriria o debate entre os colegas e, 
provavelmente, não encerraríamos hoje esse julgamento e deixaríamos, 
como em outros casos, para um amadurecimento maior, e a critério do 
tempo do Plenário, que Vossa Excelência regula, como Presidente da 
Corte, e da relatoria, porque realmente tenho várias dúvidas ainda. Só 
que chega um momento em que o tempo chega e, como dizia também o 
nosso saudoso Ministro Sepúlveda Pertence, você tem que trazer algo a 
julgamento. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Ministro Toffoli, só uma 
sugestão. Em casos desses em que há possibilidades de surgirem teses 
periféricas inadequadas, talvez seja ideal o minimalismo, ficar adstrito ao 
caso concreto. Porque, por exemplo, como é que nós vamos estabelecer 
que o policial que acha, na cena do crime, o celular, até que limite ele 
pode acessar os dados? Sabemos que hoje no celular cabe muita coisa. 
Como é que vamos estabelecer isso? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Eu vou fazer a leitura, depois do intervalo, da tese que eu proponho, 
agora também com os aprimoramentos que o Ministro Zanin trouxe ‒ 
mais uma vez, agradeço Sua Excelência, como em outro caso. Eu vou 
fazer leitura da tese diretamente.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Acho ótima ideia.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Dizer as razões e passamos ao debate da tese, sem compromisso de 
terminar esse julgamento hoje. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Mas se terminar também não tem problema. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
9 
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Ministro Zanin falou, entre busca e apreensão e encontro na cena do 
crime. Então, fazer uma proposta tão próxima do caso concreto quanto 
possível seria a minha sugestão.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Minha sugestão seria, em vez de eu fazer a leitura do voto, eu já iria 
direto a uma proposição de tese e abriria o debate entre os colegas e, 
provavelmente, não encerraríamos hoje esse julgamento e deixaríamos, 
como em outros casos, para um amadurecimento maior, e a critério do 
tempo do Plenário, que Vossa Excelência regula, como Presidente da 
Corte, e da relatoria, porque realmente tenho várias dúvidas ainda. Só 
que chega um momento em que o tempo chega e, como dizia também o 
nosso saudoso Ministro Sepúlveda Pertence, você tem que trazer algo a 
julgamento. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Ministro Toffoli, só uma 
sugestão. Em casos desses em que há possibilidades de surgirem teses 
periféricas inadequadas, talvez seja ideal o minimalismo, ficar adstrito ao 
caso concreto. Porque, por exemplo, como é que nós vamos estabelecer 
que o policial que acha, na cena do crime, o celular, até que limite ele 
pode acessar os dados? Sabemos que hoje no celular cabe muita coisa. 
Como é que vamos estabelecer isso? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Eu vou fazer a leitura, depois do intervalo, da tese que eu proponho, 
agora também com os aprimoramentos que o Ministro Zanin trouxe ‒ 
mais uma vez, agradeço Sua Excelência, como em outro caso. Eu vou 
fazer leitura da tese diretamente.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Acho ótima ideia.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Dizer as razões e passamos ao debate da tese, sem compromisso de 
terminar esse julgamento hoje. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Mas se terminar também não tem problema. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
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Debate
ARE 1042075 / RJ 
Se terminar, melhor, inclusive para mim. Evidentemente. 
Obrigado, Senhor Presidente!
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Acho que, dessa reflexão coletiva, essa é uma 
sinalização importante, nós não consideramos que a prática habitual de 
crime, ainda que de furto, seja insignificante e que justifique a liberação 
imediata e repetidas vezes do indivíduo.
Penso que é uma sinalização para os juízes de custódia essa 
circunstância: habitualidade não justifica o relaxamento de prisão.
Publicado sem revisão. Art. 95 do RISTF.
10 
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ARE 1042075 / RJ 
Se terminar, melhor, inclusive para mim. Evidentemente. 
Obrigado, Senhor Presidente!
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Acho que, dessa reflexão coletiva, essa é uma 
sinalização importante, nós não consideramos que a prática habitual de 
crime, ainda que de furto, seja insignificante e que justifique a liberação 
imediata e repetidas vezes do indivíduo.
Penso que é uma sinalização para os juízes de custódia essa 
circunstância: habitualidade não justifica o relaxamento de prisão.
Publicado sem revisão. Art. 95 do RISTF.
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Debate II
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
DEBATE II 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, renovando os cumprimentos a todas e a todos, eu 
penso que a definição que o Ministro Flávio Dino compartilhou comigo 
ao sairmos para o intervalo da sessão é bem apropriada para o caso. Ou 
seja, este parece ser um daqueles casos em que a tese não se aplica 
especificamente à solução do caso concreto. Por isso que, mesmo antes, 
Ministro Gilmar, eu já havia proposto usar uma metodologia, até porque 
os votos são conhecidos, os já proferidos, o meu, o de Vossa Excelência, o 
do Ministro Zanin e de outros colegas, no sentido de irmos, 
independentemente da solução do caso concreto, diretamente à discussão 
da tese. E, a partir da discussão da tese, já que os fatos, os dados e a 
temática de repercussão geral já estão bem apresentados, nós fazermos 
um debate que seja um debate construtivo.
Eu estou absolutamente aberto às diversas compreensões e a 
tentarmos, talvez, uma solução per curiam para o caso concreto, seja por 
meio de uma tese mais geral, seja, como o Presidente propôs ao final da 
primeira parte da sessão, mais específica para o caso fático em questão.
Eu procurei fazer uma tese mais geral e vou fazer sua leitura. Eu sei 
que há adendos outros, para além daquele voto quejá foi proferido pelo 
Ministro Zanin e que eu acatei aqui em minha tese.
Também há ‒ como eu disse na primeira parte da sessão ‒ a questão 
relativa à situação hipotética de a vítima ser assassinada, e um familiar 
entregar o celular dela. Qual é a situação, então, desse celular perante a 
recolha de elementos contidos nele sem autorização judicial? 
Penso em ler para os eminentes colegas a propostas, a partir da 
ordem que o Presidente estabelecer para os demais, para as discussões, e 
sempre num debate aberto.
Então, a proposta atual, Ministro Flávio Dino, Ministro André, é a 
seguinte. Aderindo à proposta do Ministro Cristiano Zanin, que também 
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21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
DEBATE II 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, renovando os cumprimentos a todas e a todos, eu 
penso que a definição que o Ministro Flávio Dino compartilhou comigo 
ao sairmos para o intervalo da sessão é bem apropriada para o caso. Ou 
seja, este parece ser um daqueles casos em que a tese não se aplica 
especificamente à solução do caso concreto. Por isso que, mesmo antes, 
Ministro Gilmar, eu já havia proposto usar uma metodologia, até porque 
os votos são conhecidos, os já proferidos, o meu, o de Vossa Excelência, o 
do Ministro Zanin e de outros colegas, no sentido de irmos, 
independentemente da solução do caso concreto, diretamente à discussão 
da tese. E, a partir da discussão da tese, já que os fatos, os dados e a 
temática de repercussão geral já estão bem apresentados, nós fazermos 
um debate que seja um debate construtivo.
Eu estou absolutamente aberto às diversas compreensões e a 
tentarmos, talvez, uma solução per curiam para o caso concreto, seja por 
meio de uma tese mais geral, seja, como o Presidente propôs ao final da 
primeira parte da sessão, mais específica para o caso fático em questão.
Eu procurei fazer uma tese mais geral e vou fazer sua leitura. Eu sei 
que há adendos outros, para além daquele voto que já foi proferido pelo 
Ministro Zanin e que eu acatei aqui em minha tese.
Também há ‒ como eu disse na primeira parte da sessão ‒ a questão 
relativa à situação hipotética de a vítima ser assassinada, e um familiar 
entregar o celular dela. Qual é a situação, então, desse celular perante a 
recolha de elementos contidos nele sem autorização judicial? 
Penso em ler para os eminentes colegas a propostas, a partir da 
ordem que o Presidente estabelecer para os demais, para as discussões, e 
sempre num debate aberto.
Então, a proposta atual, Ministro Flávio Dino, Ministro André, é a 
seguinte. Aderindo à proposta do Ministro Cristiano Zanin, que também 
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Debate II
ARE 1042075 / RJ 
agrega propostas feitas no voto do eminente Ministro Gilmar Mendes e a 
anteriormente feita por mim, hipóteses não contempladas inicialmente, 
mas de extrema importância prática, eu sugiro a tese geral de repercussão 
geral nos seguintes termos:
1) O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos celulares depende 
do consentimento do titular dos dados ou de prévia decisão judicial (arts. 
7º, inciso III, e 10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite sua 
abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, 
à proteção de dados pessoais e à autodeterminação informacional, 
inclusive nos meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, da Constituição da 
República Federal/88). Lembrando que esse inciso LXXIX é exatamente 
aquele que foi introduzido pela Emenda Constitucional nº 115, no ano de 
2022.
2) A apreensão do aparelho celular nos termos do art. 6º do CPP ou 
em flagrante delito não está sujeita à reserva de jurisdição.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Perdão, pode repetir, Ministro Toffoli?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O que, no caso concreto, levaria realmente ao provimento do 
recurso. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Essa última frase qual foi? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A apreensão do aparelho celular, nos termos do art. 6º do CPP, ou em 
flagrante delito não está sujeita à reserva de jurisdição. 
Talvez fosse interessante fazer a leitura. 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Caso fortuito 
também.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Sim.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Aí não foi 
flagrante delito, não é? No caso concreto, não chegou a ser flagrante. 
2 
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agrega propostas feitas no voto do eminente Ministro Gilmar Mendes e a 
anteriormente feita por mim, hipóteses não contempladas inicialmente, 
mas de extrema importância prática, eu sugiro a tese geral de repercussão 
geral nos seguintes termos:
1) O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos celulares depende 
do consentimento do titular dos dados ou de prévia decisão judicial (arts. 
7º, inciso III, e 10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite sua 
abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, 
à proteção de dados pessoais e à autodeterminação informacional, 
inclusive nos meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, da Constituição da 
República Federal/88). Lembrando que esse inciso LXXIX é exatamente 
aquele que foi introduzido pela Emenda Constitucional nº 115, no ano de 
2022.
2) A apreensão do aparelho celular nos termos do art. 6º do CPP ou 
em flagrante delito não está sujeita à reserva de jurisdição.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Perdão, pode repetir, Ministro Toffoli?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O que, no caso concreto, levaria realmente ao provimento do 
recurso. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Essa última frase qual foi? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
A apreensão do aparelho celular, nos termos do art. 6º do CPP, ou em 
flagrante delito não está sujeita à reserva de jurisdição. 
Talvez fosse interessante fazer a leitura. 
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Caso fortuito 
também.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Sim.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Aí não foi 
flagrante delito, não é? No caso concreto, não chegou a ser flagrante. 
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Debate II
ARE 1042075 / RJ 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Não.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Local do crime.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Foi caso 
fortuito, não é? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - No local do crime.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - No local do 
crime.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É, o art. 6º. Eu acho que é interessante fazer a leitura doart. 6º.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Isso, talvez 
fique melhor. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O art. 6º do Código de Processo Penal está assim escrito, com as 
atualizações que ocorreram ao longo do tempo: 
"Art. 6º - Logo que tiver conhecimento da prática da 
infração penal, a autoridade policial deverá: 
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se 
alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos 
peritos criminais.
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, 
após liberados pelos peritos criminais. 
III - colher todas as provas que servirem para o 
esclarecimento do fato e suas circunstâncias. 
IV - ouvir o ofendido.
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for 
aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII, deste Livro, 
devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas 
que lhe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a 
acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de 
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O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Não.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Local do crime.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Foi caso 
fortuito, não é? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - No local do crime.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - No local do 
crime.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É, o art. 6º. Eu acho que é interessante fazer a leitura do art. 6º.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Isso, talvez 
fique melhor. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
O art. 6º do Código de Processo Penal está assim escrito, com as 
atualizações que ocorreram ao longo do tempo: 
"Art. 6º - Logo que tiver conhecimento da prática da 
infração penal, a autoridade policial deverá: 
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se 
alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos 
peritos criminais.
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, 
após liberados pelos peritos criminais. 
III - colher todas as provas que servirem para o 
esclarecimento do fato e suas circunstâncias. 
IV - ouvir o ofendido.
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for 
aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII, deste Livro, 
devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas 
que lhe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a 
acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de 
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ARE 1042075 / RJ 
corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo 
datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de 
antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto 
de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, 
sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante 
ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a 
apreciação do seu temperamento e caráter.
X - colher informações sobre a existência de filhos, 
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e 
o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, 
indicado pela pessoa presa." 
Esse é o art. 6º. Evidentemente, vários desses dispositivos estão 
decaídos em razão da Constituição de 1988, inclusive já com decisões do 
Supremo. A leitura que eu fiz foi da letra fria do artigo de acordo com a 
página da legislação do Palácio do Planalto, organizada pelo então 
subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da 
República Gilmar Ferreira Mendes ‒ já se vão alguns poucos anos ‒ e 
que é a melhor fonte primária da atualização das leis que nós temos.
Evidentemente que a identificação do ponto de vista das digitais já 
foi superada, se há uma identificação civil, ou seja, vários desses 
dispositivos e incisos estão declinados e superados. Aqui, para o que 
interessa, são os primeiros. Depois, poderíamos delimitá-los na tese. Em 
vez de colocar genericamente (art. 6º, incisos II e III), como sugere o 
Ministro Zanin. E já aderiria a isso. Quais seriam? Apreender os objetos 
que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; 
colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas 
circunstâncias.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Ministro Toffoli, apenas 
uma pergunta a Vossa Excelência.
 Eu propus até essa alusão ao art. 6º, como Vossa Excelência acaba de 
indicar, mas o art. 6º trata de apreensão. Em relação à apreensão, eu creio 
que não resta muita dúvida. A questão é o ato subsequente, é o acesso. E 
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corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo 
datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de 
antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto 
de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, 
sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante 
ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a 
apreciação do seu temperamento e caráter.
X - colher informações sobre a existência de filhos, 
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e 
o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, 
indicado pela pessoa presa." 
Esse é o art. 6º. Evidentemente, vários desses dispositivos estão 
decaídos em razão da Constituição de 1988, inclusive já com decisões do 
Supremo. A leitura que eu fiz foi da letra fria do artigo de acordo com a 
página da legislação do Palácio do Planalto, organizada pelo então 
subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da 
República Gilmar Ferreira Mendes ‒ já se vão alguns poucos anos ‒ e 
que é a melhor fonte primária da atualização das leis que nós temos.
Evidentemente que a identificação do ponto de vista das digitais já 
foi superada, se há uma identificação civil, ou seja, vários desses 
dispositivos e incisos estão declinados e superados. Aqui, para o que 
interessa, são os primeiros. Depois, poderíamos delimitá-los na tese. Em 
vez de colocar genericamente (art. 6º, incisos II e III), como sugere o 
Ministro Zanin. E já aderiria a isso. Quais seriam? Apreender os objetos 
que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; 
colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas 
circunstâncias.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Ministro Toffoli, apenas 
uma pergunta a Vossa Excelência.
 Eu propus até essa alusão ao art. 6º, como Vossa Excelência acaba de 
indicar, mas o art. 6º trata de apreensão. Em relação à apreensão, eu creio 
que não resta muita dúvida. A questão é o ato subsequente, é o acesso. E 
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daí a pergunta a Vossa Excelência. Na proposta de voto que eu fiz, 
aderindo ao de Vossa Excelência, eu sugeri essa distinção e que os atos 
administrativos - chamemos assim - fossem até a preservação dos dados e 
metadados, mas não ao acesso. E usei, por simetria, o Marco Civil da 
Internet, a Lei nº 12.965, o art. 13. Ou seja, como é muito difícil 
particularizar - o Ministro Fachin, há pouco, usou a expressão casa 
virtual, algo assim -, de fato, talvez, o celular seja mais similar à casa do 
que ao envelope. O que nós tínhamos na casa das nossas mães e avós? 
Álbum de fotografia, arquivos, armários. Nada disso existe mais. Para 
acessar o álbum de fotografia, os arquivos e armários, preteritamente, era 
preciso ordem judicial. 
O Ministro Barroso trouxe o tema da serendipidade. Eu tenho muito 
receio desse cipoal, porque quando a tese não dá conta do cipoal, em vez 
de resolver problema, ela os cria. Então, eu prefiro um parâmetro 
objetivo. E essa é a pergunta a Vossa Excelência. Quando Vossa 
Excelência alude ao artigo 6º, isso iria no sentido da apreensão e do 
acesso, ou só até a apreensão, como modestamente eu propus em reflexão 
de Vossa Excelência? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Eu penso que nós deveríamos debater isso. Por exemplo, eu sei que o 
Ministro Zanin vai sugerir, porque ele comentou sobre a possibilidade da 
deliberação diferida, com eventuais excessos que tenham ocorrido pela 
autoridade policial numa circunstância. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Vossa Excelência me permite?
Eu queria retomar a minha ideia de uma tese bem singela focada 
mais no caso concreto, que seria alguma coisa assim: a apreensão de 
celular no local do crime e o acesso a dados que permitam a identificação 
do seu autor não configuram prova ilícita. Porque, aí é bem recortado 
para o caso. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Com ou sem 
serendipidade? E se tiver lá a prova de um sequestro, homicídio, a 
autoridade policial não pode usar. 
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daí a pergunta a Vossa Excelência. Na proposta de voto que eu fiz, 
aderindo ao de Vossa Excelência, eu sugeri essa distinção e que os atos 
administrativos - chamemos assim - fossem até a preservação dos dados e 
metadados, mas não ao acesso. E usei, por simetria, o Marco Civil da 
Internet, a Lei nº 12.965, o art. 13. Ou seja, como é muito difícil 
particularizar - o Ministro Fachin, há pouco, usou a expressão casa 
virtual, algo assim -, de fato, talvez, o celular seja mais similar à casa do 
que ao envelope. O que nós tínhamos na casa das nossas mães e avós? 
Álbum de fotografia, arquivos, armários. Nada disso existe mais. Para 
acessar o álbum de fotografia, os arquivos e armários, preteritamente, era 
preciso ordem judicial. 
O Ministro Barroso trouxe o tema da serendipidade. Eu tenho muito 
receio desse cipoal, porque quando a tese não dá conta do cipoal, em vez 
de resolver problema, ela os cria. Então, eu prefiro um parâmetro 
objetivo. E essa é a pergunta a Vossa Excelência. Quando Vossa 
Excelência alude ao artigo 6º, isso iria no sentido da apreensão e do 
acesso, ou só até a apreensão, como modestamente eu propus em reflexão 
de Vossa Excelência? 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Eu penso que nós deveríamos debater isso. Por exemplo, eu sei que o 
Ministro Zanin vai sugerir, porque ele comentou sobre a possibilidade da 
deliberação diferida, com eventuais excessos que tenham ocorrido pela 
autoridade policial numa circunstância. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Vossa Excelência me permite?
Eu queria retomar a minha ideia de uma tese bem singela focada 
mais no caso concreto, que seria alguma coisa assim: a apreensão de 
celular no local do crime e o acesso a dados que permitam a identificação 
do seu autor não configuram prova ilícita. Porque, aí é bem recortado 
para o caso. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Com ou sem 
serendipidade? E se tiver lá a prova de um sequestro, homicídio, a 
autoridade policial não pode usar. 
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ARE 1042075 / RJ 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Esse não é o caso. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Isso eu entendo, mas vai 
surgir. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Mas veja a minha proposta, Ministro Alexandre.
 A apreensão do celular no local do crime e o acesso a dados que 
permitam a identificação do seu autor não configuram prova ilícita. 
Portanto, a tese é restrita à identificação do autor. 
Pois não, Ministro Alexandre.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, eu 
queria fazer três rápidas considerações envolvendo isso. 
Nós temos que tomar cuidado para não usar o termo apreensão do 
art. 6º para um encontro fortuito, porque não se trata de uma apreensão 
efetiva. Então, nós temos que englobar, me parece, as duas situações. 
Um segundo ponto, Ministro Flávio, para simplesmente poder 
apreender, seja na forma do art. 6º, seja em caso fortuito, nós não 
precisamos de tese, porque isso já é possível. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Concordo, sem dúvida.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - E um terceiro 
ponto, eu gostaria de recordar a todos que o Supremo Tribunal Federal - 
até com base na doutrina italiana -, entende que a prova de crimes 
fortuitos, encontrado fortuitamente, desde que não haja desvio de 
finalidade, é lícita. E eu explico aqui, dou um exemplo que nós já 
julgamos. Se há uma interceptação judicial para um determinado crime, 
uma interceptação judicial para uma organização criminosa de tráfico 
ilícito de entorpecentes - autorizada judicialmente para tráfico ilícito de 
entorpecentes - e se encontra, fortuitamente, a prova de um homicídio, 
nós admitimos isso, isso é admitido. 
Então, fazendo paralelo, se nós fixarmos, me parece, a tese de que a 
prova é lícita nesses fins para o crime, pegando o exemplo do caso 
concreto, seria lícita para identificação do autor do roubo, mas, 
fortuitamente, se achar um outro crime, também é lícita, porque foi um 
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O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Esse não é o caso. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Isso eu entendo, mas vai 
surgir. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Mas veja a minha proposta, Ministro Alexandre.
 A apreensão do celular no local do crime e o acesso a dados que 
permitam a identificação do seu autor não configuram prova ilícita. 
Portanto, a tese é restrita à identificação do autor. 
Pois não, Ministro Alexandre.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, eu 
queria fazer três rápidas considerações envolvendo isso. 
Nós temos que tomar cuidado para não usar o termo apreensão do 
art. 6º para umencontro fortuito, porque não se trata de uma apreensão 
efetiva. Então, nós temos que englobar, me parece, as duas situações. 
Um segundo ponto, Ministro Flávio, para simplesmente poder 
apreender, seja na forma do art. 6º, seja em caso fortuito, nós não 
precisamos de tese, porque isso já é possível. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Concordo, sem dúvida.
O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - E um terceiro 
ponto, eu gostaria de recordar a todos que o Supremo Tribunal Federal - 
até com base na doutrina italiana -, entende que a prova de crimes 
fortuitos, encontrado fortuitamente, desde que não haja desvio de 
finalidade, é lícita. E eu explico aqui, dou um exemplo que nós já 
julgamos. Se há uma interceptação judicial para um determinado crime, 
uma interceptação judicial para uma organização criminosa de tráfico 
ilícito de entorpecentes - autorizada judicialmente para tráfico ilícito de 
entorpecentes - e se encontra, fortuitamente, a prova de um homicídio, 
nós admitimos isso, isso é admitido. 
Então, fazendo paralelo, se nós fixarmos, me parece, a tese de que a 
prova é lícita nesses fins para o crime, pegando o exemplo do caso 
concreto, seria lícita para identificação do autor do roubo, mas, 
fortuitamente, se achar um outro crime, também é lícita, porque foi um 
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encontro fortuito sem desvio de finalidade.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu entendo. Eu só colocaria em dúvida se devemos 
avançar. Mas, diante da observação do Ministro Alexandre, eu mudaria a 
minha proposição para ficar assim: o recolhimento de celular no local do 
crime e o acesso a dados que permitam a identificação do seu autor não 
configuram prova ilícita. Eu botei recolhimento em vez de apreensão para 
não ter dúvida de que não estamos falando de busca e apreensão.
Eu estou insistindo nesse ponto, porque acho que é uma tese restrita, 
estreita ou narrow, como se diria na doutrina estrangeira, que resolve o 
caso do concreto e não abre para outras discussões que possamos querer 
amadurecer mais à frente.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Eu só fico na dúvida 
diante de situações concretas que já se colocam. E aí vêm hipóteses as 
mais diversas, por exemplo, a imediatidade do uso de dados, tendo em 
vista, por exemplo, uma situação de sequestro em que se precisa reagir. A 
mim me parece que dá mais conforto a posição trazida pelo Ministro 
Zanin, e acho que incorporada pelo Ministro Toffoli, quando fala que 
apenas, excepcionalmente, será possível a...
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É que eu nem consegui terminar minha tese.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Desculpe.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Mas continue, Ministro Gilmar. É só para lembrar que eu gostaria de 
fazer o meu voto.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Claro. Desculpe. Só 
para dizer que a tese do Ministro Zanin incorpora essa excepcionalidade. 
E aí até um juízo de proporcionalidade pode permitir que se faça essa 
avaliação para não sermos mais realistas do que o rei diante de fatos que 
não podem ser deferidos no tempo.
O Ministro André, salvo engano, na proposta que formulara, até 
admitia uma ratificação posterior, uma decisão judicial posterior. Então, 
mantinha a ideia de reserva de jurisdição, tal como decorre do sistema, a 
7 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E77B-8BDA-5BA0-50F2 e senha C1AB-E04B-A729-2874
Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
encontro fortuito sem desvio de finalidade.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu entendo. Eu só colocaria em dúvida se devemos 
avançar. Mas, diante da observação do Ministro Alexandre, eu mudaria a 
minha proposição para ficar assim: o recolhimento de celular no local do 
crime e o acesso a dados que permitam a identificação do seu autor não 
configuram prova ilícita. Eu botei recolhimento em vez de apreensão para 
não ter dúvida de que não estamos falando de busca e apreensão.
Eu estou insistindo nesse ponto, porque acho que é uma tese restrita, 
estreita ou narrow, como se diria na doutrina estrangeira, que resolve o 
caso do concreto e não abre para outras discussões que possamos querer 
amadurecer mais à frente.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Eu só fico na dúvida 
diante de situações concretas que já se colocam. E aí vêm hipóteses as 
mais diversas, por exemplo, a imediatidade do uso de dados, tendo em 
vista, por exemplo, uma situação de sequestro em que se precisa reagir. A 
mim me parece que dá mais conforto a posição trazida pelo Ministro 
Zanin, e acho que incorporada pelo Ministro Toffoli, quando fala que 
apenas, excepcionalmente, será possível a...
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É que eu nem consegui terminar minha tese.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Desculpe.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Mas continue, Ministro Gilmar. É só para lembrar que eu gostaria de 
fazer o meu voto.
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Claro. Desculpe. Só 
para dizer que a tese do Ministro Zanin incorpora essa excepcionalidade. 
E aí até um juízo de proporcionalidade pode permitir que se faça essa 
avaliação para não sermos mais realistas do que o rei diante de fatos que 
não podem ser deferidos no tempo.
O Ministro André, salvo engano, na proposta que formulara, até 
admitia uma ratificação posterior, uma decisão judicial posterior. Então, 
mantinha a ideia de reserva de jurisdição, tal como decorre do sistema, a 
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Debate II
ARE 1042075 / RJ 
posteriori para situações que tais. 
Mas, assim, eu tentaria fazer a separação que Ministro Flávio Dino 
fez entre o recolhimento ou a apreensão e o acesso.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Ministro Toffoli, 
me permite?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Pois não.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Depois posso fazer 
a sugestão, mas, na linha do que o Ministro Gilmar acaba dizer, eu 
imagino um estado de necessidade probatório, mais ou menos com os 
requisitos do art. 24 do Código Penal. Quer dizer, nós teríamos situações 
em que seria possível o acesso, por conta de um estado necessidade 
probatório para se preservar alguns bens da vida, com a posterior análise 
judicial. Acho que isso podemos cogitar também.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Acho que até por 
questões tecnológicas, Ministro Zanin.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Exato. Destruição 
de dados.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Não sei Vossa 
Excelência quer falar, porque conversamos sobre isso. Acho que vale, 
talvez, trazer à elucidação, mas eu não queria me apropriar dos 
comentários de Vossa Excelência.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Não, imagina. 
Temos situações realmente em que equipamentos hoje permitem a 
destruição imediata de dados a partir de, por exemplo, o celular saindo 
de um determinado local, a destruição, ou até um acesso remoto que 
permite a destruição de dados de outra pessoa. Então nós temos que levar 
em consideração também essa realidade.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Gente, tese confusa demais, complexa demais, não 
vinga.Tem que ser mais simples. Achou o celular no local do crime, o que 
ele pode fazer? Acho que isso que temos de decidir.
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - A repercussão geral é a 
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posteriori para situações que tais. 
Mas, assim, eu tentaria fazer a separação que Ministro Flávio Dino 
fez entre o recolhimento ou a apreensão e o acesso.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Ministro Toffoli, 
me permite?
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Pois não.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Depois posso fazer 
a sugestão, mas, na linha do que o Ministro Gilmar acaba dizer, eu 
imagino um estado de necessidade probatório, mais ou menos com os 
requisitos do art. 24 do Código Penal. Quer dizer, nós teríamos situações 
em que seria possível o acesso, por conta de um estado necessidade 
probatório para se preservar alguns bens da vida, com a posterior análise 
judicial. Acho que isso podemos cogitar também.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Acho que até por 
questões tecnológicas, Ministro Zanin.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Exato. Destruição 
de dados.
O SENHOR MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA - Não sei Vossa 
Excelência quer falar, porque conversamos sobre isso. Acho que vale, 
talvez, trazer à elucidação, mas eu não queria me apropriar dos 
comentários de Vossa Excelência.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - Não, imagina. 
Temos situações realmente em que equipamentos hoje permitem a 
destruição imediata de dados a partir de, por exemplo, o celular saindo 
de um determinado local, a destruição, ou até um acesso remoto que 
permite a destruição de dados de outra pessoa. Então nós temos que levar 
em consideração também essa realidade.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Gente, tese confusa demais, complexa demais, não 
vinga. Tem que ser mais simples. Achou o celular no local do crime, o que 
ele pode fazer? Acho que isso que temos de decidir.
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - A repercussão geral é a 
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Debate II
ARE 1042075 / RJ 
seguinte: saber se é possível o acesso pela autoridade policial aos dados 
armazenados em aparelho celular encontrado fortuitamente no local do 
crime, sem autorização judicial. Eu acho que o ideal seria o minimalismo 
diante de tantas hipóteses. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - É o que eu estou propondo. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - E o item do Ministro Toffoli, o 
primeiro, é a regra geral.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - O acesso que está 
na tese de Vossa Excelência é com ordem judicial ou sem ordem judicial?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Sem ordem judicial, porque precisamente a repercussão 
geral é para decidir se pode sem ordem judicial. Então, a minha proposta 
é: o recolhimento de celular no local do crime e o acesso a dados que 
permitam a identificação do seu autor não configuram prova ilícita. Essa 
é a resposta à pergunta que está posta na repercussão geral. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - E limita o acesso a esse 
objetivo.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu não estou especulando nada além disso, entendeu? 
Parei aqui.
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Um comentário 
rápido, Presidente. A minha preocupação é com o Marco Civil, em razão 
de que, com esse desiderato, para identificar o autor, pode-se acessar as 
fotos, os diálogos de WhatsApp, todos os aplicativos, aplicativos de 
banco, tudo. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu acho que, para identificar o autor, basta você saber 
quem está mandando as mensagens. 
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Sim, mas abre, de 
qualquer forma, vai...
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu estou dizendo que é legítimo usar para identificar o 
9 
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seguinte: saber se é possível o acesso pela autoridade policial aos dados 
armazenados em aparelho celular encontrado fortuitamente no local do 
crime, sem autorização judicial. Eu acho que o ideal seria o minimalismo 
diante de tantas hipóteses. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - É o que eu estou propondo. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - E o item do Ministro Toffoli, o 
primeiro, é a regra geral.
O SENHOR MINISTRO CRISTIANO ZANIN - O acesso que está 
na tese de Vossa Excelência é com ordem judicial ou sem ordem judicial?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Sem ordem judicial, porque precisamente a repercussão 
geral é para decidir se pode sem ordem judicial. Então, a minha proposta 
é: o recolhimento de celular no local do crime e o acesso a dados que 
permitam a identificação do seu autor não configuram prova ilícita. Essa 
é a resposta à pergunta que está posta na repercussão geral. 
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - E limita o acesso a esse 
objetivo.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu não estou especulando nada além disso, entendeu? 
Parei aqui.
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Um comentário 
rápido, Presidente. A minha preocupação é com o Marco Civil, em razão 
de que, com esse desiderato, para identificar o autor, pode-se acessar as 
fotos, os diálogos de WhatsApp, todos os aplicativos, aplicativos de 
banco, tudo. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu acho que, para identificar o autor, basta você saber 
quem está mandando as mensagens. 
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Sim, mas abre, de 
qualquer forma, vai...
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu estou dizendo que é legítimo usar para identificar o 
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Debate II
ARE 1042075 / RJ 
autor. Eu não disse nada além disso.
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Quais os meios pelos 
quais, a partir do manuseio de um celular, se busca identificar o autor? Os 
diálogos, não é? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Certo, os meios são muito simples, só saber quem é que 
manda as mensagens, são as que aparecem em verde. Se vasculhar dados, 
caímos em situações como as com que o Ministro Flávio e o Ministro 
Alexandre demonstraram preocupação. Eu deixei essa discussão de fora 
porque ela não faz parte deste caso. Por isso, minha proposta é não 
especularmos sobre o que não se está discutindo no caso, porque acho 
que podemos ter mais dificuldade de consensos e talvez precisar de mais 
reflexão.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Presidente, com todo o 
respeito que lhe tenho e ao eminente Relator - eu sou insuspeito de ter 
algum tipo de aversão à polícia, não tenho, nem à estadual, nem à federal, 
nem nada -, a questão é a fronteira, como o Ministro Nunes Marques 
acaba de dizer. No momento em que nós dissermos "recolhimento". 
Imaginemos uma situação que todos nós julgamos, crime permanente,depósito de droga, de cocaína, em que a polícia está autorizada a lá entrar 
porque há um flagrante delito. Entra sem ordem judicial. Lá haverá um 
celular - ou dois, ou dez -, ele vai ser recolhido, e a autoridade policial 
não vai ter nenhum controle, a não ser que nós eliminemos a 
serendipidade, não haverá fronteira, como o Ministro Nunes Marques 
acabou de dizer. 
Então, particularmente neste caso, eu me inclino por uma resposta 
clara. Pode apreender? Pode. Pode recolher? Pode. Pode mandar 
conservar os dados? Pode e deve, por conta do apagamento remoto, mas 
acessar, só com ordem judicial. Eu acho que é uma resposta mais clara, 
mais nítida. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Então Vossa Excelência nega provimento ao recurso 
extraordinário? 
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autor. Eu não disse nada além disso.
O SENHOR MINISTRO NUNES MARQUES: Quais os meios pelos 
quais, a partir do manuseio de um celular, se busca identificar o autor? Os 
diálogos, não é? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Certo, os meios são muito simples, só saber quem é que 
manda as mensagens, são as que aparecem em verde. Se vasculhar dados, 
caímos em situações como as com que o Ministro Flávio e o Ministro 
Alexandre demonstraram preocupação. Eu deixei essa discussão de fora 
porque ela não faz parte deste caso. Por isso, minha proposta é não 
especularmos sobre o que não se está discutindo no caso, porque acho 
que podemos ter mais dificuldade de consensos e talvez precisar de mais 
reflexão.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Presidente, com todo o 
respeito que lhe tenho e ao eminente Relator - eu sou insuspeito de ter 
algum tipo de aversão à polícia, não tenho, nem à estadual, nem à federal, 
nem nada -, a questão é a fronteira, como o Ministro Nunes Marques 
acaba de dizer. No momento em que nós dissermos "recolhimento". 
Imaginemos uma situação que todos nós julgamos, crime permanente, 
depósito de droga, de cocaína, em que a polícia está autorizada a lá entrar 
porque há um flagrante delito. Entra sem ordem judicial. Lá haverá um 
celular - ou dois, ou dez -, ele vai ser recolhido, e a autoridade policial 
não vai ter nenhum controle, a não ser que nós eliminemos a 
serendipidade, não haverá fronteira, como o Ministro Nunes Marques 
acabou de dizer. 
Então, particularmente neste caso, eu me inclino por uma resposta 
clara. Pode apreender? Pode. Pode recolher? Pode. Pode mandar 
conservar os dados? Pode e deve, por conta do apagamento remoto, mas 
acessar, só com ordem judicial. Eu acho que é uma resposta mais clara, 
mais nítida. 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Então Vossa Excelência nega provimento ao recurso 
extraordinário? 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 46 de 219
Debate II
ARE 1042075 / RJ 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - A proposta processual que 
ia fazer depois ao Relator era nós fixarmos a tese para frente e, neste caso, 
nós julgarmos com base nele próprio.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Neste caso, com todo o respeito a quem pensa 
diferentemente, não darmos provimento é dizer que o sujeito pode 
roubar uma velhinha, jogá-la no chão e fugir, e a polícia não pode fazer 
nada. Vão me desculpar!
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Por isso eu defendo o 
provimento e a tese daqui para frente. Essa é a saída.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu chegaria ao ponto de não fixar tese nenhuma, mas 
julgar aqui e dar o provimento, porque eu vou ficar, com todas as vênias, 
envergonhado de dizer que não podemos, neste caso, prender essa 
pessoa.
11 
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ARE 1042075 / RJ 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - A proposta processual que 
ia fazer depois ao Relator era nós fixarmos a tese para frente e, neste caso, 
nós julgarmos com base nele próprio.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Neste caso, com todo o respeito a quem pensa 
diferentemente, não darmos provimento é dizer que o sujeito pode 
roubar uma velhinha, jogá-la no chão e fugir, e a polícia não pode fazer 
nada. Vão me desculpar!
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Por isso eu defendo o 
provimento e a tese daqui para frente. Essa é a saída.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Eu chegaria ao ponto de não fixar tese nenhuma, mas 
julgar aqui e dar o provimento, porque eu vou ficar, com todas as vênias, 
envergonhado de dizer que não podemos, neste caso, prender essa 
pessoa.
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Antecipação ao Voto
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
ANTECIPAÇÃO AO VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, até tenho uma tese no mesmo sentido daquilo 
que pensou Vossa Excelência, mas, de maneira rápida, para fins de 
proclamação, para o caso concreto, meu voto é pelo provimento do 
recurso extraordinário do Ministério Público e pela retomada da sentença 
condenatória, confirmando-se a sentença condenatória do Juiz de 
Primeiro Grau. Em relação ao caso concreto, já se poderia registrar meu 
voto nesse sentido.
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http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 576C-5F8A-F5B3-423F e senha 1A4C-963A-2349-28AE
Supremo Tribunal Federal
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
ANTECIPAÇÃO AO VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Senhor Presidente, até tenho uma tese no mesmo sentido daquilo 
que pensou Vossa Excelência, mas, de maneira rápida, para fins de 
proclamação, para o caso concreto, meu voto é pelo provimento do 
recurso extraordinário do Ministério Público e pela retomada da sentença 
condenatória, confirmando-se a sentença condenatória do Juiz de 
Primeiro Grau. Em relação ao caso concreto, já se poderia registrar meu 
voto nesse sentido.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 48 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
1. INTRODUÇÃO
Conforme relatado, trata-se de recurso extraordinário com agravo 
julgado sob a sistemática da repercussão geral mediante o qual se 
questiona a necessidade de prévia autorização judicial para se acessarem 
os dados contidos no aparelho celular encontrado no local do crime 
apreendido pela autoridade policial, conforme determinao art. 6º, inciso 
II, do CPP.
No caso em apreço, o recorrido foi denunciado como incurso nas 
penas do art. 157, § 2º, incisos I e II, do Código Penal e condenado, em 
primeiro grau de jurisdição, à pena de 7 (sete) anos de reclusão e 16 
(dezesseis) dias-multa.
Interposta apelação pela defesa, o Tribunal de Justiça do Estado do 
Rio de Janeiro reconheceu a ilicitude da prova colhida e, por conseguinte, 
deu provimento ao recurso, absolvendo o réu com base no art. 386, 
inciso VII, do Código de Processo Penal. 
O fundamento central do acórdão é o de que
“a identificação do autor do fato se deu a partir do ilícito e 
desautorizado manuseio, pelos policiais civis, do aparelho de 
telefonia celular, supostamente de propriedade daquele e que 
teria caído ao chão durante a fuga do implicado, vindo a ser 
arrecadado pela vítima e entregue por esta em sede policial” (e-
doc. 4, fl. 237). 
Registra, ainda, o voto condutor do acórdão o seguinte: 
“[A]pós a vítima ter entregue o aparelho de telefonia 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C59D-D0C5-FDC7-8CCB e senha 4208-88B0-E356-F6D4
Supremo Tribunal Federal
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
1. INTRODUÇÃO
Conforme relatado, trata-se de recurso extraordinário com agravo 
julgado sob a sistemática da repercussão geral mediante o qual se 
questiona a necessidade de prévia autorização judicial para se acessarem 
os dados contidos no aparelho celular encontrado no local do crime 
apreendido pela autoridade policial, conforme determina o art. 6º, inciso 
II, do CPP.
No caso em apreço, o recorrido foi denunciado como incurso nas 
penas do art. 157, § 2º, incisos I e II, do Código Penal e condenado, em 
primeiro grau de jurisdição, à pena de 7 (sete) anos de reclusão e 16 
(dezesseis) dias-multa.
Interposta apelação pela defesa, o Tribunal de Justiça do Estado do 
Rio de Janeiro reconheceu a ilicitude da prova colhida e, por conseguinte, 
deu provimento ao recurso, absolvendo o réu com base no art. 386, 
inciso VII, do Código de Processo Penal. 
O fundamento central do acórdão é o de que
“a identificação do autor do fato se deu a partir do ilícito e 
desautorizado manuseio, pelos policiais civis, do aparelho de 
telefonia celular, supostamente de propriedade daquele e que 
teria caído ao chão durante a fuga do implicado, vindo a ser 
arrecadado pela vítima e entregue por esta em sede policial” (e-
doc. 4, fl. 237). 
Registra, ainda, o voto condutor do acórdão o seguinte: 
“[A]pós a vítima ter entregue o aparelho de telefonia 
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http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C59D-D0C5-FDC7-8CCB e senha 4208-88B0-E356-F6D4
Inteiro Teor do Acórdão - Página 49 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
celular em sede policial, o agente da lei MAYKE ‘tomou a 
liberdade’ de acessar os dados ali armazenados e referentes 
não só a fotografias guardadas pelo implicado, como também 
à agenda de telefones e ao histórico de ligações ali construído 
e no qual estaria armazenada a última ligação telefônica 
efetuada por GUILHERME, que foi para sua namorada, após o 
que se desenvolveu aquela narrada investigação, que culminou 
com a identificação do implicado, bem como com a localização, 
tanto do domicílio do mesmo, quanto de sua namorada e para 
onde rumaram os agentes da lei, acabando por efetuar a prisão 
do rapinador. 
Neste contexto, tem-se por inequívoca a constatação de 
que a identificação do autor dos fatos foi alcançada 
unicamente mercê do indevido, desautorizado e ilegal 
manuseio daquele aparelho de telefonia celular, o que 
importou na flagrante e indisfarçável quebra da proteção 
constitucional incidente sobre a inviolabilidade do sigilo dos 
dados e das comunicações telefônicas ali existentes, o que 
apenas poderia se dar, por exceção, mediante expressa 
autorização judicial para tanto, mas o que foi ignorado e 
desrespeitado, muito embora não encerrasse maior dificuldade 
a observância da exigência legal, bastando para tanto que o 
policial civil que recebeu o referido aparelho telefônico, de 
imediato, encaminhasse este ao Delegado de Polícia 
informando a relevância do objeto, de modo a que tal 
Autoridade Policial representasse junto ao Plantão Judiciário de 
modo a obter a autorização para o acesso e verificação dos 
dados pretendidos” (e-doc. 4, fls. 238-239 – grifo nosso).
Em síntese, o cerne da controvérsia constitucional posta nos autos 
consiste em saber se a autoridade policial pode acessar, sem prévia 
autorização judicial, os dados armazenados em aparelho celular 
encontrado fortuitamente no local do crime e apreendido nos termos do 
art. 6º, inciso II, do CPP.
2. MÉRITO
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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ARE 1042075 / RJ 
celular em sede policial, o agente da lei MAYKE ‘tomou a 
liberdade’ de acessar os dados ali armazenados e referentes 
não só a fotografias guardadas pelo implicado, como também 
à agenda de telefones e ao histórico de ligações ali construído 
e no qual estaria armazenada a última ligação telefônica 
efetuada por GUILHERME, que foi para sua namorada, após o 
que se desenvolveu aquela narrada investigação, que culminou 
com a identificação do implicado, bem como com a localização, 
tanto do domicílio do mesmo, quanto de sua namorada e para 
onde rumaram os agentes da lei, acabando por efetuar a prisão 
do rapinador. 
Neste contexto, tem-se por inequívoca a constatação de 
que a identificação do autor dos fatos foi alcançada 
unicamente mercê do indevido, desautorizado e ilegal 
manuseio daquele aparelho de telefonia celular, o que 
importou na flagrante e indisfarçável quebra da proteção 
constitucional incidente sobre a inviolabilidade do sigilo dos 
dados e das comunicações telefônicas ali existentes, o que 
apenas poderia se dar, por exceção, mediante expressa 
autorização judicial para tanto, mas o que foi ignorado e 
desrespeitado, muito embora não encerrasse maior dificuldade 
a observância da exigência legal, bastando para tanto que o 
policial civil que recebeu o referido aparelho telefônico, de 
imediato, encaminhasse este ao Delegado de Polícia 
informando a relevância do objeto, de modo a que tal 
Autoridade Policial representasse junto ao Plantão Judiciário de 
modo a obter a autorização para o acesso e verificação dos 
dados pretendidos” (e-doc. 4, fls. 238-239 – grifo nosso).
Em síntese, o cerne da controvérsia constitucional posta nos autos 
consiste em saber se a autoridade policial pode acessar, sem prévia 
autorização judicial, os dados armazenados em aparelho celular 
encontrado fortuitamente no local do crime e apreendido nos termos do 
art. 6º, inciso II, do CPP.
2. MÉRITO
2 
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2.1 Da necessária contextualização do presente julgamento
Primeiramente, não se podeolvidar que, entre a data dos fatos e o 
presente julgamento, transcorreram mais de 12 (doze) anos. Nesse 
período, experimentamos inúmeros avanços tecnológicos, entre os quais 
destaco a popularização dos smartphones e o crescente desenvolvimento 
de ferramentas de inteligência artificial, em todos os campos e para as 
mais diversas finalidades. 
Uma revolução tecnológica tão acelerada – como não poderia deixar 
de ser – ocasionou a transformação completa das formas de vida, de 
trabalho e de interação social no país e no mundo. Consequentemente, 
surgiram novos desafios e assistimos a uma gradual – mas muito 
importante – alteração da percepção geral e institucional sobre os riscos 
sistêmicos – e ocultos – que essas tecnologias e suas potencialidades 
acarretam aos direitos fundamentais.
Observo também que os smartphones já eram realidade no país em 
2013. Esses aparelhos multifuncionais, além de servirem de instrumento 
para os serviços ordinários de telefonia móvel, permitem a produção, o 
armazenamento, a transmissão e a reprodução de arquivos dos mais 
diversos formatos (textos, imagens, áudios e vídeos) e – mais que isso – 
viabilizam o acesso amplo e irrestrito à internet e, por conseguinte, às 
redes sociais, aos provedores de e-mail, às plataformas bancárias e de e-
commerce, a uma miríade de sites e blogs e aos inúmeros aplicativos de 
mensagens instantâneas, inclusive gratuitamente. 
Aliás, graças aos smartphones, “o mundo passou a caber na palma 
da mão”. Mas, à medida que isso acontecia, as informações pessoais 
também se concentraram nos aparelhos celulares. Aliás, hoje, as múltiplas 
funcionalidades dos aparelhos celulares geram dados e metadados que 
são registrados na memória física do aparelho, ou “em nuvem”, e podem 
ser facilmente acessados, rastreados e/ou recuperados.
Examinados em conjunto, esses dados e metadados revelam muito 
mais sobre nós do que somos capazes de imaginar. Por meio deles, é 
3 
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2.1 Da necessária contextualização do presente julgamento
Primeiramente, não se pode olvidar que, entre a data dos fatos e o 
presente julgamento, transcorreram mais de 12 (doze) anos. Nesse 
período, experimentamos inúmeros avanços tecnológicos, entre os quais 
destaco a popularização dos smartphones e o crescente desenvolvimento 
de ferramentas de inteligência artificial, em todos os campos e para as 
mais diversas finalidades. 
Uma revolução tecnológica tão acelerada – como não poderia deixar 
de ser – ocasionou a transformação completa das formas de vida, de 
trabalho e de interação social no país e no mundo. Consequentemente, 
surgiram novos desafios e assistimos a uma gradual – mas muito 
importante – alteração da percepção geral e institucional sobre os riscos 
sistêmicos – e ocultos – que essas tecnologias e suas potencialidades 
acarretam aos direitos fundamentais.
Observo também que os smartphones já eram realidade no país em 
2013. Esses aparelhos multifuncionais, além de servirem de instrumento 
para os serviços ordinários de telefonia móvel, permitem a produção, o 
armazenamento, a transmissão e a reprodução de arquivos dos mais 
diversos formatos (textos, imagens, áudios e vídeos) e – mais que isso – 
viabilizam o acesso amplo e irrestrito à internet e, por conseguinte, às 
redes sociais, aos provedores de e-mail, às plataformas bancárias e de e-
commerce, a uma miríade de sites e blogs e aos inúmeros aplicativos de 
mensagens instantâneas, inclusive gratuitamente. 
Aliás, graças aos smartphones, “o mundo passou a caber na palma 
da mão”. Mas, à medida que isso acontecia, as informações pessoais 
também se concentraram nos aparelhos celulares. Aliás, hoje, as múltiplas 
funcionalidades dos aparelhos celulares geram dados e metadados que 
são registrados na memória física do aparelho, ou “em nuvem”, e podem 
ser facilmente acessados, rastreados e/ou recuperados.
Examinados em conjunto, esses dados e metadados revelam muito 
mais sobre nós do que somos capazes de imaginar. Por meio deles, é 
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possível saber não só com quem falamos, mas também o que falamos e 
quando; o que temos feito na internet e fora dela (v.g., o que e em quais 
plataformas compramos, com qual frequência e quanto gastamos; como 
administramos, ou não, nossos compromissos financeiros; os lugares que 
frequentamos; o trajeto que fizemos na ida ao trabalho ou no passeio no 
shopping, etc); e, até mesmo, nossos receios, preferências e expectativas.
De fato, no contexto atual, franquear o acesso ao aparelho celular de 
alguém implica, na prática, liberar, autorizar, conceder – ou, ao menos – 
desobstruir o acesso a um espectro enorme de dados pessoais e não 
pessoais, o que torna possível uma investigação completa e – diga-se de 
passagem – muito eficiente acerca das preferências individuais, das 
relações familiares e interpessoais, dos hábitos de vida, de trabalho e de 
consumo e, em última análise, da forma como determinada pessoa 
pensa, age e decide. Isso sem falar, obviamente, das facilidades que esse 
acesso proporciona para a intrusão indevida e “para o futuro”, a partir 
da instalação de softwares “espiões”. 
Por tais motivos, a meu ver, a realidade e a percepção atuais 
ampliam e deslocam a discussão original, centrada pelo próprio 
recorrente na suposta inviolabilidade do sigilo das comunicações (CF/88, 
art. 5º, inciso XII), para a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, 
da honra e da imagem das pessoas (CF/88, art. 5º, inciso, X) e, mais 
precisamente, para o novel “direito à proteção dos dados pessoais, 
inclusive nos meios digitais” (CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, incluído pela 
EC nº 115, de 10/2/22) e para o direito à autodeterminação informacional.
2.2 Revisitando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal 
Na primeira análise dos autos, compreendi que o caso em apreço se 
amoldava ao entendimento jurisprudencial formado a partir da análise 
do RE nº 418.416/SC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado pelo Plenário 
em 2006, identificando-se, sobretudo, com o HC nº 91.867/PA, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado pela Segunda Turma em 2012. Todavia, ao 
revisitar os precedentes da Suprema Corte sobre a matéria e confrontá-los 
4 
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possível saber não só com quem falamos, mas também o que falamos e 
quando; o que temos feito na internet e fora dela (v.g., o que e em quais 
plataformas compramos, com qual frequência e quanto gastamos; como 
administramos, ou não, nossos compromissos financeiros; os lugares que 
frequentamos; o trajeto que fizemos na ida ao trabalho ou no passeio no 
shopping, etc); e, até mesmo, nossos receios, preferências e expectativas.
De fato, no contexto atual, franquear o acesso ao aparelho celular de 
alguém implica, na prática, liberar, autorizar, conceder – ou, ao menos – 
desobstruir o acesso a um espectro enorme de dados pessoais e não 
pessoais, o que torna possível uma investigação completa e – diga-se de 
passagem – muito eficiente acercadas preferências individuais, das 
relações familiares e interpessoais, dos hábitos de vida, de trabalho e de 
consumo e, em última análise, da forma como determinada pessoa 
pensa, age e decide. Isso sem falar, obviamente, das facilidades que esse 
acesso proporciona para a intrusão indevida e “para o futuro”, a partir 
da instalação de softwares “espiões”. 
Por tais motivos, a meu ver, a realidade e a percepção atuais 
ampliam e deslocam a discussão original, centrada pelo próprio 
recorrente na suposta inviolabilidade do sigilo das comunicações (CF/88, 
art. 5º, inciso XII), para a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, 
da honra e da imagem das pessoas (CF/88, art. 5º, inciso, X) e, mais 
precisamente, para o novel “direito à proteção dos dados pessoais, 
inclusive nos meios digitais” (CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, incluído pela 
EC nº 115, de 10/2/22) e para o direito à autodeterminação informacional.
2.2 Revisitando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal 
Na primeira análise dos autos, compreendi que o caso em apreço se 
amoldava ao entendimento jurisprudencial formado a partir da análise 
do RE nº 418.416/SC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado pelo Plenário 
em 2006, identificando-se, sobretudo, com o HC nº 91.867/PA, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado pela Segunda Turma em 2012. Todavia, ao 
revisitar os precedentes da Suprema Corte sobre a matéria e confrontá-los 
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com os panoramas fático e jurídico atuais, percebo a necessidade de 
verticalizar a análise das premissas ali estabelecidas para, só então, 
enfrentar o caso concreto. 
No citado recurso extraordinário, a discussão girava em torno da 
alegação defensiva de que a condenação por crimes tributários se baseava 
em prova obtida por meio ilícito “consubstanciada na decisão que 
autorizou a busca e apreensão, de cuja execução também teria resultado a 
violação à proteção constitucional ao sigilo das comunicações de dados”. 
Embora, no caso, a medida extrema de busca e apreensão tivesse 
sido previamente autorizada pelo juízo competente e contivesse 
autorização expressa para a apreensão de “equipamentos de informática 
(computadores e disquetes) interessantes à investigação”, a defesa 
sustentava a impossibilidade de decodificação dos registros contidos 
no computador apreendido, invocando o que foi decidido pela Suprema 
Corte na AP nº 307.
Sobre esse ponto, no voto condutor do acórdão, o Ministro 
Sepúlveda Pertence, então Relator do referido recurso extraordinário, 
ponderou que a tese da inviolabilidade absoluta de dados contidos em 
computador não poderia ser tomada como consagrada pelo Colegiado 
na aludida ação penal, 
“dada a interferência, naquele caso, de outra razão 
suficiente para a exclusão da prova questionada — o ter sido o 
microcomputador apreendido sem ordem judicial e a 
consequente ofensa da garantia da inviolabilidade do 
domicílio da empresa — este segundo fundamento bastante, 
sim, aceito por votação unânime, à luz do art. 5º, XI da Lei 
Fundamental”.
O julgado recebeu a seguinte ementa:
“I. Decisão judicial: fundamentação: alegação de omissão 
de análise de teses relevantes da Defesa: recurso extraordinário: 
descabimento. Além da falta do indispensável 
5 
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com os panoramas fático e jurídico atuais, percebo a necessidade de 
verticalizar a análise das premissas ali estabelecidas para, só então, 
enfrentar o caso concreto. 
No citado recurso extraordinário, a discussão girava em torno da 
alegação defensiva de que a condenação por crimes tributários se baseava 
em prova obtida por meio ilícito “consubstanciada na decisão que 
autorizou a busca e apreensão, de cuja execução também teria resultado a 
violação à proteção constitucional ao sigilo das comunicações de dados”. 
Embora, no caso, a medida extrema de busca e apreensão tivesse 
sido previamente autorizada pelo juízo competente e contivesse 
autorização expressa para a apreensão de “equipamentos de informática 
(computadores e disquetes) interessantes à investigação”, a defesa 
sustentava a impossibilidade de decodificação dos registros contidos 
no computador apreendido, invocando o que foi decidido pela Suprema 
Corte na AP nº 307.
Sobre esse ponto, no voto condutor do acórdão, o Ministro 
Sepúlveda Pertence, então Relator do referido recurso extraordinário, 
ponderou que a tese da inviolabilidade absoluta de dados contidos em 
computador não poderia ser tomada como consagrada pelo Colegiado 
na aludida ação penal, 
“dada a interferência, naquele caso, de outra razão 
suficiente para a exclusão da prova questionada — o ter sido o 
microcomputador apreendido sem ordem judicial e a 
consequente ofensa da garantia da inviolabilidade do 
domicílio da empresa — este segundo fundamento bastante, 
sim, aceito por votação unânime, à luz do art. 5º, XI da Lei 
Fundamental”.
O julgado recebeu a seguinte ementa:
“I. Decisão judicial: fundamentação: alegação de omissão 
de análise de teses relevantes da Defesa: recurso extraordinário: 
descabimento. Além da falta do indispensável 
5 
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prequestionamento (Súmulas 282 e 356), não há violação dos 
art. 5º, LIV e LV, nem do art. 93, IX, da Constituição, que não 
exige o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou 
provas apresentadas pelas partes, nem que sejam corretos os 
fundamentos da decisão; exige, apenas, que a decisão esteja 
motivada, e a sentença e o acórdão recorrido não descumpriram 
esse requisito (v.g., RE 140.370, 1ª T., 20.4.93, Pertence, DJ 
21.5.93; AI 242.237 - AgR, 1ª T., 27.6.00, Pertence, DJ 22.9.00). II. 
Quebra de sigilo bancário: prejudicadas as alegações referentes 
ao decreto que a determinou, dado que a sentença e o acórdão 
não se referiram a qualquer prova resultante da quebra do 
sigilo bancário, tanto mais que, dado o deferimento parcial de 
mandado de segurança, houve a devolução da documentação 
respectiva. III. Decreto de busca e apreensão: validade. 1. 
Decreto específico, que somente permitiu que as autoridades 
encarregadas da diligência selecionassem objetos, dentre 
aqueles especificados na decisão e na sede das duas empresas 
nela indicadas, e que fossem ‘interessantes à investigação’ que, 
no caso, tinha pertinência com a prática do crime pelo qual foi 
efetivamente condenado o recorrente. 2. Ademais, não se 
demonstrou que as instâncias de mérito tenham invocado prova 
não contida no objeto da medida judicial, nem tenham valorado 
qualquer dado resultante da extensão dos efeitos da decisão 
determinante da busca e apreensão, para que a Receita Federal 
e a ‘Fiscalização do INSS’ também tivessem acesso aos 
documentos apreendidos, para fins de investigação e 
cooperação na persecução criminal, ‘observado o sigilo imposto 
ao feito’. IV. Proteção constitucional ao sigilo das comunicaçõesa proteção jurídica dos dados pessoais a uma categoria autônoma 
com relação aos direitos à privacidade e à intimidade (CF, art. 5º, inciso 
X). 
8. Não se pode olvidar, ainda, que o direito à privacidade, apesar de 
relativamente recente, passou – e ainda passa – por considerável 
ressignificação. É dizer, no contexto da sociedade atual, a possibilidade 
de o indivíduo proceder ao controle dos dados que dizem respeito à 
própria pessoa – porque eles consistem em manifestação de sua 
personalidade – é conditio sine qua non para a preservação de sua 
personalidade e para o desenvolvimento pleno de sua autonomia. Isso 
porque é o direito à privacidade que assegura a cada indivíduo um 
espaço próprio de experimentação, no qual é possível a cada qual 
expressar “sentimentos, reflexões, visões de mundo e experiências 
pessoais sem medo de estar sendo observado por órgãos estatais” 
(GRECO, Luís; GLEIZER, Orlandino. A infiltração online no processo 
penal – Notícia sobre a experiência alemã. Revista Brasileira de Direito 
Processual Penal. Porto Alegre, v. 5, n. 3, set./dez. 2019, p. 1495).
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Recurso extraordinário com agravo ao qual se dá provimento para 
4 
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Ementa e Acórdão
ARE 1042075 / RJ 
se reconhecer a licitude da prova e se restabelecer a sentença 
condenatória proferida em primeiro grau de jurisdição, fixando-se a 
seguinte tese de repercussão geral: “1. A mera apreensão de aparelho 
celular, nos termos do art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está 
sujeita à reserva de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos 
deve observar as seguintes condicionantes: 1.1 Nas hipóteses de encontro 
fortuito de aparelho celular, o acesso aos respectivos dados para o fim 
exclusivo de se esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou 
quem seja o proprietário do aparelho, não depende de consentimento ou 
de prévia decisão judicial, desde que justificada posteriormente a 
adoção da medida. 1.2 No caso de aparelho celular apreendido por 
ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados está 
condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos dados ou 
de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da Lei nº 
12.965/14) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos dados 
pessoais e à autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a celeridade se 
impõe, devendo a autoridade policial atuar com a maior rapidez e 
eficiência possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e apreciação 
prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive em regime de plantão. 
2. A autoridade policial poderá adotar as providências necessárias para a 
preservação dos dados e metadados contidos no aparelho celular 
apreendido antes da autorização judicial, justificando posteriormente a 
adoção da medida. 3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente formulados pelas 
defesas até a data do encerramento do presente julgamento".
ACÓRDÃO 
O Tribunal, por unanimidade, apreciando o Tema nº 977 da 
5 
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se reconhecer a licitude da prova e se restabelecer a sentença 
condenatória proferida em primeiro grau de jurisdição, fixando-se a 
seguinte tese de repercussão geral: “1. A mera apreensão de aparelho 
celular, nos termos do art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está 
sujeita à reserva de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos 
deve observar as seguintes condicionantes: 1.1 Nas hipóteses de encontro 
fortuito de aparelho celular, o acesso aos respectivos dados para o fim 
exclusivo de se esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou 
quem seja o proprietário do aparelho, não depende de consentimento ou 
de prévia decisão judicial, desde que justificada posteriormente a 
adoção da medida. 1.2 No caso de aparelho celular apreendido por 
ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados está 
condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos dados ou 
de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da Lei nº 
12.965/14) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos dados 
pessoais e à autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a celeridade se 
impõe, devendo a autoridade policial atuar com a maior rapidez e 
eficiência possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e apreciação 
prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive em regime de plantão. 
2. A autoridade policial poderá adotar as providências necessárias para a 
preservação dos dados e metadados contidos no aparelho celular 
apreendido antes da autorização judicial, justificando posteriormente a 
adoção da medida. 3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente formulados pelas 
defesas até a data do encerramento do presente julgamento".
ACÓRDÃO 
O Tribunal, por unanimidade, apreciando o Tema nº 977 da 
5 
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Ementa e Acórdão
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Repercussão Geral, deu provimento ao recurso extraordinário com 
agravo para reconhecer a licitude da prova e, por conseguinte, 
restabelecer a sentença condenatória de primeiro grau. Foi fixada a 
seguinte tese: "1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva de 
jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve observar as 
seguintes condicionantes: 1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de 
aparelho celular, o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou quem seja o 
proprietário do aparelho, não depende de consentimento ou de prévia 
decisão judicial, desde que justificada posteriormente a adoção da 
medida. 1.2 No caso de aparelho celular apreendido na forma do art. 6º 
do CPP ou por ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos 
dados será condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da 
Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz de direitos 
fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos dados pessoais 
e à autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais (art. 5º, 
incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a celeridade se impõe,de dados - art. 5º, XII, da CF: ausência de violação, no caso. 1. 
Impertinência à hipótese da invocação da AP 307 (Pleno, 
13.12.94, Galvão, DJU 13.10.95), em que a tese da 
inviolabilidade absoluta de dados de computador não pode ser 
tomada como consagrada pelo Colegiado, dada a interferência, 
naquele caso, de outra razão suficiente para a exclusão da prova 
questionada - o ter sido o microcomputador apreendido sem 
ordem judicial e a consequente ofensa da garantia da 
6 
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ARE 1042075 / RJ 
prequestionamento (Súmulas 282 e 356), não há violação dos 
art. 5º, LIV e LV, nem do art. 93, IX, da Constituição, que não 
exige o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou 
provas apresentadas pelas partes, nem que sejam corretos os 
fundamentos da decisão; exige, apenas, que a decisão esteja 
motivada, e a sentença e o acórdão recorrido não descumpriram 
esse requisito (v.g., RE 140.370, 1ª T., 20.4.93, Pertence, DJ 
21.5.93; AI 242.237 - AgR, 1ª T., 27.6.00, Pertence, DJ 22.9.00). II. 
Quebra de sigilo bancário: prejudicadas as alegações referentes 
ao decreto que a determinou, dado que a sentença e o acórdão 
não se referiram a qualquer prova resultante da quebra do 
sigilo bancário, tanto mais que, dado o deferimento parcial de 
mandado de segurança, houve a devolução da documentação 
respectiva. III. Decreto de busca e apreensão: validade. 1. 
Decreto específico, que somente permitiu que as autoridades 
encarregadas da diligência selecionassem objetos, dentre 
aqueles especificados na decisão e na sede das duas empresas 
nela indicadas, e que fossem ‘interessantes à investigação’ que, 
no caso, tinha pertinência com a prática do crime pelo qual foi 
efetivamente condenado o recorrente. 2. Ademais, não se 
demonstrou que as instâncias de mérito tenham invocado prova 
não contida no objeto da medida judicial, nem tenham valorado 
qualquer dado resultante da extensão dos efeitos da decisão 
determinante da busca e apreensão, para que a Receita Federal 
e a ‘Fiscalização do INSS’ também tivessem acesso aos 
documentos apreendidos, para fins de investigação e 
cooperação na persecução criminal, ‘observado o sigilo imposto 
ao feito’. IV. Proteção constitucional ao sigilo das comunicações 
de dados - art. 5º, XII, da CF: ausência de violação, no caso. 1. 
Impertinência à hipótese da invocação da AP 307 (Pleno, 
13.12.94, Galvão, DJU 13.10.95), em que a tese da 
inviolabilidade absoluta de dados de computador não pode ser 
tomada como consagrada pelo Colegiado, dada a interferência, 
naquele caso, de outra razão suficiente para a exclusão da prova 
questionada - o ter sido o microcomputador apreendido sem 
ordem judicial e a consequente ofensa da garantia da 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
inviolabilidade do domicílio da empresa - este segundo 
fundamento bastante, sim, aceito por votação unânime, à luz do 
art. 5º, XI, da Lei Fundamental. 2. Na espécie, ao contrário, não 
se questiona que a apreensão dos computadores da empresa do 
recorrente se fez regularmente, na conformidade e em 
cumprimento de mandado judicial. 3. Não há violação do art. 
5º, XII, da Constituição que, conforme se acentuou na sentença, 
não se aplica ao caso, pois não houve ‘quebra de sigilo das 
comunicações de dados (interceptação das comunicações), mas 
sim apreensão de base física na qual se encontravam os dados, 
mediante prévia e fundamentada decisão judicial’. 4. A proteção 
a que se refere o art. 5º, XII, da Constituição, é da comunicação 
de dados; e não dos dados em si mesmos, ainda quando 
armazenados em computador. (cf. voto no MS 21.729, Pleno, 
5.10.95, red. Néri da Silveira - RTJ 179/225, 270). V. Prescrição 
pela pena concretizada: declaração, de ofício, da prescrição da 
pretensão punitiva do fato quanto ao delito de frustração de 
direito assegurado por lei trabalhista (C. Penal, arts. 203; 107, 
IV; 109, VI; 110, § 2º e 114, II; e Súmula 497 do Supremo 
Tribunal)” (RE nº 418.416, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 
Tribunal Pleno, julgado em 10/5/06, DJ de 19/12/06).
Vale consignar que, no presente caso, o acesso ao conteúdo do 
celular pelos agentes policiais não foi precedido de mandado de busca e 
apreensão ou de autorização judicial específica. Ao contrário. O aparelho 
foi encontrado fortuitamente pela vítima no local do crime e, ato 
contínuo, entregue aos agentes policiais, os quais, na sequência, 
devassaram seu conteúdo em busca de evidências que permitissem 
estabelecer uma linha investigatória para a elucidação do fato. Como 
resultado, o celular foi apreendido pela autoridade policial, por interessar 
à investigação, e as diligências encetadas lograram a identificação do 
autor do fato e sua prisão em flagrante (flagrante impróprio).
Já o HC nº 91.867, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado pela Segunda 
Turma, guarda mais semelhança com o caso destes autos. Nele, discutiu-
se a suposta ilicitude da prova produzida no inquérito policial em 
7 
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inviolabilidade do domicílio da empresa - este segundo 
fundamento bastante, sim, aceito por votação unânime, à luz do 
art. 5º, XI, da Lei Fundamental. 2. Na espécie, ao contrário, não 
se questiona que a apreensão dos computadores da empresa do 
recorrente se fez regularmente, na conformidade e em 
cumprimento de mandado judicial. 3. Não há violação do art. 
5º, XII, da Constituição que, conforme se acentuou na sentença, 
não se aplica ao caso, pois não houve ‘quebra de sigilo das 
comunicações de dados (interceptação das comunicações), mas 
sim apreensão de base física na qual se encontravam os dados, 
mediante prévia e fundamentada decisão judicial’. 4. A proteção 
a que se refere o art. 5º, XII, da Constituição, é da comunicação 
de dados; e não dos dados em si mesmos, ainda quando 
armazenados em computador. (cf. voto no MS 21.729, Pleno, 
5.10.95, red. Néri da Silveira - RTJ 179/225, 270). V. Prescrição 
pela pena concretizada: declaração, de ofício, da prescrição da 
pretensão punitiva do fato quanto ao delito de frustração de 
direito assegurado por lei trabalhista (C. Penal, arts. 203; 107, 
IV; 109, VI; 110, § 2º e 114, II; e Súmula 497 do Supremo 
Tribunal)” (RE nº 418.416, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 
Tribunal Pleno, julgado em 10/5/06, DJ de 19/12/06).
Vale consignar que, no presente caso, o acesso ao conteúdo do 
celular pelos agentes policiais não foi precedido de mandado de busca e 
apreensão ou de autorização judicial específica. Ao contrário. O aparelho 
foi encontrado fortuitamente pela vítima no local do crime e, ato 
contínuo, entregue aos agentes policiais, os quais, na sequência, 
devassaram seu conteúdo em busca de evidências que permitissem 
estabelecer uma linha investigatória para a elucidação do fato. Como 
resultado, o celular foi apreendido pela autoridade policial, por interessar 
à investigação, e as diligências encetadaslograram a identificação do 
autor do fato e sua prisão em flagrante (flagrante impróprio).
Já o HC nº 91.867, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado pela Segunda 
Turma, guarda mais semelhança com o caso destes autos. Nele, discutiu-
se a suposta ilicitude da prova produzida no inquérito policial em 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
decorrência de os agentes policiais, após a prisão em flagrante do corréu, 
terem realizado a análise dos últimos registros telefônicos de dois 
aparelhos celulares apreendidos. 
Na ocasião, entendeu a Segunda Turma do Supremo Tribunal 
Federal, por unanimidade dos votos, que não estaria configurada a 
alegada ilegalidade, tendo em vista que “não se confundem comunicação 
telefônica e registros telefônicos”. Reafirmou-se, então, a orientação de 
que “a proteção constitucional é da comunicação de dados e não dos 
dados” propriamente ditos, concluindo-se que “a autoridade policial, 
cumprindo seu mister, buscou, unicamente, colher elementos de 
informação hábeis a esclarecer a autoria e a materialidade do delito” e 
que, ainda que assim não se entendesse, “o curso normal das 
investigações conduziria a elementos informativos que vinculariam os 
pacientes ao fato investigado”.
As razões contidas no voto condutor do acórdão foram sintetizadas 
na seguinte ementa:
“HABEAS CORPUS. NULIDADES: (1) INÉPCIA DA 
DENÚNCIA; (2) ILICITUDE DA PROVA PRODUZIDA 
DURANTE O INQUÉRITO POLICIAL; VIOLAÇÃO DE 
REGISTROS TELEFÔNICOS DO CORRÉU, EXECUTOR DO 
CRIME, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL; (3) ILICITUDE DA 
PROVA DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS DE 
CONVERSAS DOS ACUSADOS COM ADVOGADOS, 
PORQUANTO ESSAS GRAVAÇÕES OFENDERIAM O 
DISPOSTO NO ART. 7º, II, DA LEI 8.906/96, QUE GARANTE O 
SIGILO DESSAS CONVERSAS. VÍCIOS NÃO 
CARACTERIZADOS. ORDEM DENEGADA. 1. Inépcia da 
denúncia. Improcedência. Preenchimento dos requisitos do art. 
41 do CPP. A denúncia narra, de forma pormenorizada, os fatos 
e as circunstâncias. Pretensas omissões – nomes completos de 
outras vítimas, relacionadas a fatos que não constituem objeto 
da imputação –- não importam em prejuízo à defesa. 2. Ilicitude 
da prova produzida durante o inquérito policial - violação de 
registros telefônicos de corréu, executor do crime, sem 
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decorrência de os agentes policiais, após a prisão em flagrante do corréu, 
terem realizado a análise dos últimos registros telefônicos de dois 
aparelhos celulares apreendidos. 
Na ocasião, entendeu a Segunda Turma do Supremo Tribunal 
Federal, por unanimidade dos votos, que não estaria configurada a 
alegada ilegalidade, tendo em vista que “não se confundem comunicação 
telefônica e registros telefônicos”. Reafirmou-se, então, a orientação de 
que “a proteção constitucional é da comunicação de dados e não dos 
dados” propriamente ditos, concluindo-se que “a autoridade policial, 
cumprindo seu mister, buscou, unicamente, colher elementos de 
informação hábeis a esclarecer a autoria e a materialidade do delito” e 
que, ainda que assim não se entendesse, “o curso normal das 
investigações conduziria a elementos informativos que vinculariam os 
pacientes ao fato investigado”.
As razões contidas no voto condutor do acórdão foram sintetizadas 
na seguinte ementa:
“HABEAS CORPUS. NULIDADES: (1) INÉPCIA DA 
DENÚNCIA; (2) ILICITUDE DA PROVA PRODUZIDA 
DURANTE O INQUÉRITO POLICIAL; VIOLAÇÃO DE 
REGISTROS TELEFÔNICOS DO CORRÉU, EXECUTOR DO 
CRIME, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL; (3) ILICITUDE DA 
PROVA DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS DE 
CONVERSAS DOS ACUSADOS COM ADVOGADOS, 
PORQUANTO ESSAS GRAVAÇÕES OFENDERIAM O 
DISPOSTO NO ART. 7º, II, DA LEI 8.906/96, QUE GARANTE O 
SIGILO DESSAS CONVERSAS. VÍCIOS NÃO 
CARACTERIZADOS. ORDEM DENEGADA. 1. Inépcia da 
denúncia. Improcedência. Preenchimento dos requisitos do art. 
41 do CPP. A denúncia narra, de forma pormenorizada, os fatos 
e as circunstâncias. Pretensas omissões – nomes completos de 
outras vítimas, relacionadas a fatos que não constituem objeto 
da imputação –- não importam em prejuízo à defesa. 2. Ilicitude 
da prova produzida durante o inquérito policial - violação de 
registros telefônicos de corréu, executor do crime, sem 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
autorização judicial. 2.1 Suposta ilegalidade decorrente do fato 
de os policiais, após a prisão em flagrante do corréu, terem 
realizado a análise dos últimos registros telefônicos dos dois 
aparelhos celulares apreendidos. Não ocorrência. 2.2 Não se 
confundem comunicação telefônica e registros telefônicos, que 
recebem, inclusive, proteção jurídica distinta. Não se pode 
interpretar a cláusula do artigo 5º, XII, da CF, no sentido de 
proteção aos dados enquanto registro, depósito registral. A 
proteção constitucional é da comunicação de dados e não dos 
dados. 2.3 Art. 6º do CPP: dever da autoridade policial de 
proceder à coleta do material comprobatório da prática da 
infração penal. Ao proceder à pesquisa na agenda eletrônica 
dos aparelhos devidamente apreendidos, meio material 
indireto de prova, a autoridade policial, cumprindo o seu 
mister, buscou, unicamente, colher elementos de informação 
hábeis a esclarecer a autoria e a materialidade do delito (dessa 
análise logrou encontrar ligações entre o executor do homicídio 
e o ora paciente). Verificação que permitiu a orientação inicial 
da linha investigatória a ser adotada, bem como possibilitou 
concluir que os aparelhos seriam relevantes para a investigação. 
2.4 À guisa de mera argumentação, mesmo que se pudesse 
reputar a prova produzida como ilícita e as demais, ilícitas por 
derivação, nos termos da teoria dos frutos da árvore venenosa 
(fruit of the poisonous tree), é certo que, ainda assim, melhor sorte 
não assistiria à defesa. É que, na hipótese, não há que se falar 
em prova ilícita por derivação. Nos termos da teoria da 
descoberta inevitável, construída pela Suprema Corte norte-
americana no caso Nix x Williams (1984), o curso normal das 
investigações conduziria a elementos informativos que 
vinculariam os pacientes ao fato investigado. Bases desse 
entendimento que parecem ter encontrado guarida no 
ordenamento jurídico pátrio com o advento da Lei 11.690/2008, 
que deu nova redação ao art. 157 do CPP, em especial o seu § 2º. 
3. Ilicitude da prova das interceptações telefônicas de conversas 
dos acusados com advogados, ao argumento de que essas 
gravações ofenderiam o disposto no art. 7º, II, da Lei n. 8.906/96, 
9 
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autorização judicial. 2.1 Suposta ilegalidade decorrente do fato 
de ospoliciais, após a prisão em flagrante do corréu, terem 
realizado a análise dos últimos registros telefônicos dos dois 
aparelhos celulares apreendidos. Não ocorrência. 2.2 Não se 
confundem comunicação telefônica e registros telefônicos, que 
recebem, inclusive, proteção jurídica distinta. Não se pode 
interpretar a cláusula do artigo 5º, XII, da CF, no sentido de 
proteção aos dados enquanto registro, depósito registral. A 
proteção constitucional é da comunicação de dados e não dos 
dados. 2.3 Art. 6º do CPP: dever da autoridade policial de 
proceder à coleta do material comprobatório da prática da 
infração penal. Ao proceder à pesquisa na agenda eletrônica 
dos aparelhos devidamente apreendidos, meio material 
indireto de prova, a autoridade policial, cumprindo o seu 
mister, buscou, unicamente, colher elementos de informação 
hábeis a esclarecer a autoria e a materialidade do delito (dessa 
análise logrou encontrar ligações entre o executor do homicídio 
e o ora paciente). Verificação que permitiu a orientação inicial 
da linha investigatória a ser adotada, bem como possibilitou 
concluir que os aparelhos seriam relevantes para a investigação. 
2.4 À guisa de mera argumentação, mesmo que se pudesse 
reputar a prova produzida como ilícita e as demais, ilícitas por 
derivação, nos termos da teoria dos frutos da árvore venenosa 
(fruit of the poisonous tree), é certo que, ainda assim, melhor sorte 
não assistiria à defesa. É que, na hipótese, não há que se falar 
em prova ilícita por derivação. Nos termos da teoria da 
descoberta inevitável, construída pela Suprema Corte norte-
americana no caso Nix x Williams (1984), o curso normal das 
investigações conduziria a elementos informativos que 
vinculariam os pacientes ao fato investigado. Bases desse 
entendimento que parecem ter encontrado guarida no 
ordenamento jurídico pátrio com o advento da Lei 11.690/2008, 
que deu nova redação ao art. 157 do CPP, em especial o seu § 2º. 
3. Ilicitude da prova das interceptações telefônicas de conversas 
dos acusados com advogados, ao argumento de que essas 
gravações ofenderiam o disposto no art. 7º, II, da Lei n. 8.906/96, 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
que garante o sigilo dessas conversas. 3.1 Nos termos do art. 7º, 
II, da Lei 8.906/94, o Estatuto da Advocacia garante ao 
advogado a inviolabilidade de seu escritório ou local de 
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua 
correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, 
desde que relativas ao exercício da advocacia. 3.2 Na hipótese, o 
magistrado de primeiro grau, por reputar necessária a 
realização da prova, determinou, de forma fundamentada, a 
interceptação telefônica direcionada às pessoas investigadas, 
não tendo, em momento algum, ordenado a devassa das linhas 
telefônicas dos advogados dos pacientes. Mitigação que pode, 
eventualmente, burlar a proteção jurídica. 3.3 Sucede que, no 
curso da execução da medida, os diálogos travados entre o 
paciente e o advogado do corréu acabaram, de maneira 
automática, interceptados, aliás, como qualquer outra conversa 
direcionada ao ramal do paciente. Inexistência, no caso, de 
relação jurídica cliente-advogado. 3.4 Não cabe aos policiais 
executores da medida proceder a uma espécie de filtragem das 
escutas interceptadas. A impossibilidade desse filtro atua, 
inclusive, como verdadeira garantia ao cidadão, porquanto 
retira da esfera de arbítrio da polícia escolher o que é ou não 
conveniente ser interceptado e gravado. Valoração, e eventual 
exclusão, que cabe ao magistrado a quem a prova é dirigida. 4. 
Ordem denegada” (HC nº 91.867, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
Segunda Turma, julgado em 24/4/12, DJe de 19/9/12).
Ressalto que, apesar de o julgado ser de 2012, os fatos remontavam 
ao ano de 2004, época na qual os aparelhos celulares basicamente 
instrumentalizavam os serviços móveis de telefonia, não possuindo tantas 
funcionalidades quanto os celulares de 2013 (já smartphones, na grande 
maioria dos casos) e os aparelhos mais atuais.
Ressalto, ainda, que o modo como é feita a análise dos dados 
extraídos de aparelhos celulares também mudou significativamente 
desde então, sobretudo em razão da incorporação de ferramentas de 
inteligência artificial, tornando possível a extração de uma grande 
10 
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que garante o sigilo dessas conversas. 3.1 Nos termos do art. 7º, 
II, da Lei 8.906/94, o Estatuto da Advocacia garante ao 
advogado a inviolabilidade de seu escritório ou local de 
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua 
correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, 
desde que relativas ao exercício da advocacia. 3.2 Na hipótese, o 
magistrado de primeiro grau, por reputar necessária a 
realização da prova, determinou, de forma fundamentada, a 
interceptação telefônica direcionada às pessoas investigadas, 
não tendo, em momento algum, ordenado a devassa das linhas 
telefônicas dos advogados dos pacientes. Mitigação que pode, 
eventualmente, burlar a proteção jurídica. 3.3 Sucede que, no 
curso da execução da medida, os diálogos travados entre o 
paciente e o advogado do corréu acabaram, de maneira 
automática, interceptados, aliás, como qualquer outra conversa 
direcionada ao ramal do paciente. Inexistência, no caso, de 
relação jurídica cliente-advogado. 3.4 Não cabe aos policiais 
executores da medida proceder a uma espécie de filtragem das 
escutas interceptadas. A impossibilidade desse filtro atua, 
inclusive, como verdadeira garantia ao cidadão, porquanto 
retira da esfera de arbítrio da polícia escolher o que é ou não 
conveniente ser interceptado e gravado. Valoração, e eventual 
exclusão, que cabe ao magistrado a quem a prova é dirigida. 4. 
Ordem denegada” (HC nº 91.867, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
Segunda Turma, julgado em 24/4/12, DJe de 19/9/12).
Ressalto que, apesar de o julgado ser de 2012, os fatos remontavam 
ao ano de 2004, época na qual os aparelhos celulares basicamente 
instrumentalizavam os serviços móveis de telefonia, não possuindo tantas 
funcionalidades quanto os celulares de 2013 (já smartphones, na grande 
maioria dos casos) e os aparelhos mais atuais.
Ressalto, ainda, que o modo como é feita a análise dos dados 
extraídos de aparelhos celulares também mudou significativamente 
desde então, sobretudo em razão da incorporação de ferramentas de 
inteligência artificial, tornando possível a extração de uma grande 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
quantidade de dados e sua confrontação eficiente, mesmo que possuam 
naturezas distintas. Diante disso, até mesmo os dados que antes pareciam 
não ter nenhuma utilidade ganham potencialidade e permitem 
conclusões plausíveis e sobre quase tudo, extrapolando (ou podendo 
extrapolarfacilmente) o objeto da própria investigação.
Apesar de ser possível identificar pontos de divergência e 
particularidades que distinguem os dois precedentes acima entre si e que 
também os afastam, de certo modo, do caso ora analisado, é importante 
realçar que ambos os precedentes partem de uma premissa comum, qual 
seja, a de que a inviolabilidade do sigilo das comunicações, prevista no 
art. 5º, inciso XII, do texto constitucional, diz respeito à “comunicação 
de dados”, e não aos “dados” per se. 
Essa premissa foi aventada pela primeira vez por ocasião do 
julgamento do MS nº 21.729, sendo apresentada pela Procuradoria-Geral 
da República e parcialmente adotada pelo Plenário do Supremo Tribunal 
Federal. Tratava-se de mandado de segurança impetrado pelo Banco do 
Brasil contra ato do Procurador-Geral da República, o qual, por ofício, 
demandou daquela instituição financeira a lista dos beneficiários de 
recursos públicos destinados ao setor sucroalcooleiro, bem como solicitou 
dados específicos quanto à existência de débitos e a sua natureza.
Naquela oportunidade, o Vice-Procurador-Geral da República, 
valendo-se de artigo publicado pelo Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior em 1993 sob o título de “Sigilo de dados: o direito à privacidade e 
os limites à função fiscalizadora do Estado”, sustentou a tese de que a 
inviolabilidade do sigilo das comunicações se refere à “comunicação de 
dados” (isto é, aos ”dados em trânsito”), e não aos “dados estáticos” ou 
armazenados. O mandado de segurança foi indeferido pelo Supremo 
Tribunal Federal, por maioria de 6 votos a 5. A partir disso, a tese ali 
sustentada passou a iluminar o exame de casos correlatos.
Contudo, como anotam Rafael Mafei Rabelo Queiroz e Paula 
Pedigoni Ponce em artigo publicado quase trinta anos depois, só dois dos 
votos vencedores no referido julgado fizeram expressa menção ao artigo 
de Ferraz Júnior, enquanto os outros quatro votos vencedores 
11 
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ARE 1042075 / RJ 
quantidade de dados e sua confrontação eficiente, mesmo que possuam 
naturezas distintas. Diante disso, até mesmo os dados que antes pareciam 
não ter nenhuma utilidade ganham potencialidade e permitem 
conclusões plausíveis e sobre quase tudo, extrapolando (ou podendo 
extrapolar facilmente) o objeto da própria investigação.
Apesar de ser possível identificar pontos de divergência e 
particularidades que distinguem os dois precedentes acima entre si e que 
também os afastam, de certo modo, do caso ora analisado, é importante 
realçar que ambos os precedentes partem de uma premissa comum, qual 
seja, a de que a inviolabilidade do sigilo das comunicações, prevista no 
art. 5º, inciso XII, do texto constitucional, diz respeito à “comunicação 
de dados”, e não aos “dados” per se. 
Essa premissa foi aventada pela primeira vez por ocasião do 
julgamento do MS nº 21.729, sendo apresentada pela Procuradoria-Geral 
da República e parcialmente adotada pelo Plenário do Supremo Tribunal 
Federal. Tratava-se de mandado de segurança impetrado pelo Banco do 
Brasil contra ato do Procurador-Geral da República, o qual, por ofício, 
demandou daquela instituição financeira a lista dos beneficiários de 
recursos públicos destinados ao setor sucroalcooleiro, bem como solicitou 
dados específicos quanto à existência de débitos e a sua natureza.
Naquela oportunidade, o Vice-Procurador-Geral da República, 
valendo-se de artigo publicado pelo Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior em 1993 sob o título de “Sigilo de dados: o direito à privacidade e 
os limites à função fiscalizadora do Estado”, sustentou a tese de que a 
inviolabilidade do sigilo das comunicações se refere à “comunicação de 
dados” (isto é, aos ”dados em trânsito”), e não aos “dados estáticos” ou 
armazenados. O mandado de segurança foi indeferido pelo Supremo 
Tribunal Federal, por maioria de 6 votos a 5. A partir disso, a tese ali 
sustentada passou a iluminar o exame de casos correlatos.
Contudo, como anotam Rafael Mafei Rabelo Queiroz e Paula 
Pedigoni Ponce em artigo publicado quase trinta anos depois, só dois dos 
votos vencedores no referido julgado fizeram expressa menção ao artigo 
de Ferraz Júnior, enquanto os outros quatro votos vencedores 
11 
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sustentaram a necessidade de se aplicar o princípio da publicidade às 
operações envolvendo recursos públicos. Vide o que dizem os autores:
“MS nº 21.729/DF: tratava-se de mandado de segurança 
impetrado pelo Banco do Brasil contra ato do Procurador-Geral 
da República, que demandava, por ofício, lista de nomes dos 
beneficiários de liberação de recursos públicos ao setor 
sucroalcooleiro, além de dados específicos sobre existência de 
débitos e naturezas das operações que os originaram. A 
argumentação do impetrante não chegava a mencionar o artigo 
5º, inciso XII, da Constituição, mas limitava-se a insistir na 
necessidade de ordem judicial para o acesso a tais informações, 
que equivaleria a quebra de sigilo.
A autoridade coatora prestou informações, confirmando 
os fatos e alegando que havia questionamentos quanto à 
autoridade do Ministério Público para requerer os dados em 
questão. Alegaram suspeitar de violação tanto da Lei 
Complementar (LC) nº 75/1993, quanto do art. 129, inciso VI, da 
Constituição Federal. Em extenso parecer, o Vice Procurador 
Geral da República introduziu a discussão sobre o inciso XII, 
juntamente com trecho do artigo de Ferraz Júnior (Vice 
Procuradoria Geral da República, 1994). Foi a primeira aparição 
de 'Sigilo de dados' nos autos do caso. O parecer da PGR 
argumentava que o sigilo bancário não teria guarida 
constitucional, nem a partir de interpretação do artigo 5º, inciso 
X, nem a partir do inciso XII. Nesse sentido, sem natureza 
constitucional, as exceções estabelecidas ao sigilo bancário 
seriam válidas enquanto motivadas pela salvaguarda de 
interesses constitucionalmente protegidos – como seria o caso 
do art. 8º da LC 75, em sintonia com o art. 129, inciso VI da 
Constituição Federal. Segundo o parecer, o inciso XII do art. 5º 
não protegia o sigilo bancário, porque blindaria, através do 
sigilo, apenas as comunicações de dados – e não os dados em si, 
uma vez recebidos e armazenados.
Por maioria de 6 a 5, o STF indeferiu o mandado de 
segurança. A tese encampada pela PGR, da inviolabilidade do 
12 
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sustentaram a necessidade de se aplicar o princípio da publicidade às 
operações envolvendo recursos públicos. Vide o que dizem os autores:
“MS nº 21.729/DF: tratava-se de mandado de segurança 
impetrado pelo Banco do Brasil contra ato do Procurador-Geral 
da República, que demandava, por ofício, lista de nomes dos 
beneficiários de liberação de recursos públicos ao setor 
sucroalcooleiro, além de dados específicos sobre existência de 
débitos e naturezas das operações que os originaram. A 
argumentação do impetrante não chegava a mencionar o artigo 
5º, inciso XII, daConstituição, mas limitava-se a insistir na 
necessidade de ordem judicial para o acesso a tais informações, 
que equivaleria a quebra de sigilo.
A autoridade coatora prestou informações, confirmando 
os fatos e alegando que havia questionamentos quanto à 
autoridade do Ministério Público para requerer os dados em 
questão. Alegaram suspeitar de violação tanto da Lei 
Complementar (LC) nº 75/1993, quanto do art. 129, inciso VI, da 
Constituição Federal. Em extenso parecer, o Vice Procurador 
Geral da República introduziu a discussão sobre o inciso XII, 
juntamente com trecho do artigo de Ferraz Júnior (Vice 
Procuradoria Geral da República, 1994). Foi a primeira aparição 
de 'Sigilo de dados' nos autos do caso. O parecer da PGR 
argumentava que o sigilo bancário não teria guarida 
constitucional, nem a partir de interpretação do artigo 5º, inciso 
X, nem a partir do inciso XII. Nesse sentido, sem natureza 
constitucional, as exceções estabelecidas ao sigilo bancário 
seriam válidas enquanto motivadas pela salvaguarda de 
interesses constitucionalmente protegidos – como seria o caso 
do art. 8º da LC 75, em sintonia com o art. 129, inciso VI da 
Constituição Federal. Segundo o parecer, o inciso XII do art. 5º 
não protegia o sigilo bancário, porque blindaria, através do 
sigilo, apenas as comunicações de dados – e não os dados em si, 
uma vez recebidos e armazenados.
Por maioria de 6 a 5, o STF indeferiu o mandado de 
segurança. A tese encampada pela PGR, da inviolabilidade do 
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ARE 1042075 / RJ 
sigilo de comunicações, mas não dos dados armazenados, 
elaborada com apoio no texto de Ferraz Júnior, sagrou-se 
vencedora. Em dois votos vencedores, dos Ministros Sepúlveda 
Pertence e Francisco Rezek, o texto foi expressamente citado. A 
ratio comum da maioria do Tribunal, entretanto, extraída dos 
votos dos Ministros Octavio Gallotti, Sidney Sanches, Néri da 
Silveira, Moreira Alves e Sepúlveda Pertence, fundamentou-se 
na aplicação do princípio da publicidade às operações 
envolvendo recursos públicos. Tratava-se, afinal, de um caso 
envolvendo financiamentos rurais concedidos pelo Banco do 
Brasil. 
Os votos vencidos, quais sejam, os Ministros Marco 
Aurélio, Maurício Corrêa, Celso de Mello, Ilmar Galvão e 
Carlos Velosos, de forma geral, argumentaram que o sigilo 
bancário teria status constitucional em decorrência dos incisos 
X e XII do artigo 5º e que, portanto, sua quebra necessitaria de 
ordem judicial. Os votos dos Ministros Sepúlveda Pertence e 
Francisco Rezek foram os únicos a se contrapor a tal afirmação, 
recuperando o texto de Ferraz Júnior e indicando que 
entendiam que o sigilo de dados ali mencionado se referia tão 
somente ao sigilo da comunicação de dados e que, 
consequentemente, não seria aplicável ao sigilo bancário. É 
curioso notar que os votos vencidos, embora não tenham 
invocado o texto de Ferraz Júnior, poderiam ter igualmente se 
valido dele para amparar seu argumento: afinal, ‘Sigilo de 
dados’ é explícito em afirmar que dados armazenados, embora 
não acobertados pelo sigilo do inc. XII do art. 5º, podem ser 
protegidos pela regra geral da privacidade, quando fosse o 
caso. Mas não o fizeram” (QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo; 
PONCE, Paula Pedigoni. Tércio Sampaio Ferraz Júnior e sigilo 
de dados: o direito à privacidade e os limites à função 
fiscalizadora do Estado: o que permanece e o que deve ser 
reconsiderado. Revista Internet & Sociedade, n. 1, v. 1, fev. 
2020, p. 64-90).
Seja como for, fato é que, gradualmente, a jurisprudência do 
13 
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sigilo de comunicações, mas não dos dados armazenados, 
elaborada com apoio no texto de Ferraz Júnior, sagrou-se 
vencedora. Em dois votos vencedores, dos Ministros Sepúlveda 
Pertence e Francisco Rezek, o texto foi expressamente citado. A 
ratio comum da maioria do Tribunal, entretanto, extraída dos 
votos dos Ministros Octavio Gallotti, Sidney Sanches, Néri da 
Silveira, Moreira Alves e Sepúlveda Pertence, fundamentou-se 
na aplicação do princípio da publicidade às operações 
envolvendo recursos públicos. Tratava-se, afinal, de um caso 
envolvendo financiamentos rurais concedidos pelo Banco do 
Brasil. 
Os votos vencidos, quais sejam, os Ministros Marco 
Aurélio, Maurício Corrêa, Celso de Mello, Ilmar Galvão e 
Carlos Velosos, de forma geral, argumentaram que o sigilo 
bancário teria status constitucional em decorrência dos incisos 
X e XII do artigo 5º e que, portanto, sua quebra necessitaria de 
ordem judicial. Os votos dos Ministros Sepúlveda Pertence e 
Francisco Rezek foram os únicos a se contrapor a tal afirmação, 
recuperando o texto de Ferraz Júnior e indicando que 
entendiam que o sigilo de dados ali mencionado se referia tão 
somente ao sigilo da comunicação de dados e que, 
consequentemente, não seria aplicável ao sigilo bancário. É 
curioso notar que os votos vencidos, embora não tenham 
invocado o texto de Ferraz Júnior, poderiam ter igualmente se 
valido dele para amparar seu argumento: afinal, ‘Sigilo de 
dados’ é explícito em afirmar que dados armazenados, embora 
não acobertados pelo sigilo do inc. XII do art. 5º, podem ser 
protegidos pela regra geral da privacidade, quando fosse o 
caso. Mas não o fizeram” (QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo; 
PONCE, Paula Pedigoni. Tércio Sampaio Ferraz Júnior e sigilo 
de dados: o direito à privacidade e os limites à função 
fiscalizadora do Estado: o que permanece e o que deve ser 
reconsiderado. Revista Internet & Sociedade, n. 1, v. 1, fev. 
2020, p. 64-90).
Seja como for, fato é que, gradualmente, a jurisprudência do 
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ARE 1042075 / RJ 
Supremo Tribunal Federal acabou encampando – ao menos em parte – o 
texto seminal do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior, para quem, 
“[o] sigilo, no inciso XII do art. 5º, está referido à comunicação, no interesse 
da defesa da privacidade”.
Conforme explica referido autor, 
“[i]sto é feito, no texto, em dois blocos: a Constituição fala 
em sigilo ‘da correspondência e das comunicações telegráficas, 
de dados e das comunicação telefônicas’. Note-se, para a 
caracterização dos blocos, que a conjunção e une 
correspondência com telegrafia, segue-se uma vírgula e depois, 
a conjunção de dados com comunicações telefônicas. Há uma 
simetria nos dois blocos. Obviamente o que se regula é 
comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de 
dados e telefonia. O que fere a liberdade de omitir pensamento 
é, pois, entrar na comunicação alheia, fazendo com que o que 
devia ficar entre sujeitos que se comunicam privadamente passe 
ilegitimamente ao domínio de um terceiro. Se alguém elabora 
para si um cadastro sobre certas pessoas, com informações 
marcadas por avaliaçõesnegativas, e o torna público, poderá 
estar cometendo difamação, mas não quebra sigilo de dados. Se 
estes dados, armazenados eletronicamente, são transmitidos, 
privadamente, a um parceiro, em relações mercadológicas, para 
a defesa do mercado, também não estará havendo quebra de 
sigilo. Mas se alguém entra nesta transmissão, como um terceiro 
que nada tem a ver com a relação comunicativa, ou por ato 
próprio ou porque uma das partes lhe cede o acesso 
indevidamente, estará violado o sigilo de dados.
A distinção é decisiva: o objeto protegido no direito à 
inviolabilidade do sigilo não são os dados em si, mas a sua 
comunicação restringida (liberdade de negação). A troca de 
informações (comunicação) privativa é questão que não pode ser 
violada por sujeito estranho à comunicação. Doutro modo, se 
alguém, não por razões profissionais, ficasse sabendo 
legitimamente de dados incriminadores relativos a uma pessoa, 
ficaria impedido de cumprir o seu dever de denunciá-los!” 
14 
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Supremo Tribunal Federal acabou encampando – ao menos em parte – o 
texto seminal do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior, para quem, 
“[o] sigilo, no inciso XII do art. 5º, está referido à comunicação, no interesse 
da defesa da privacidade”.
Conforme explica referido autor, 
“[i]sto é feito, no texto, em dois blocos: a Constituição fala 
em sigilo ‘da correspondência e das comunicações telegráficas, 
de dados e das comunicação telefônicas’. Note-se, para a 
caracterização dos blocos, que a conjunção e une 
correspondência com telegrafia, segue-se uma vírgula e depois, 
a conjunção de dados com comunicações telefônicas. Há uma 
simetria nos dois blocos. Obviamente o que se regula é 
comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de 
dados e telefonia. O que fere a liberdade de omitir pensamento 
é, pois, entrar na comunicação alheia, fazendo com que o que 
devia ficar entre sujeitos que se comunicam privadamente passe 
ilegitimamente ao domínio de um terceiro. Se alguém elabora 
para si um cadastro sobre certas pessoas, com informações 
marcadas por avaliações negativas, e o torna público, poderá 
estar cometendo difamação, mas não quebra sigilo de dados. Se 
estes dados, armazenados eletronicamente, são transmitidos, 
privadamente, a um parceiro, em relações mercadológicas, para 
a defesa do mercado, também não estará havendo quebra de 
sigilo. Mas se alguém entra nesta transmissão, como um terceiro 
que nada tem a ver com a relação comunicativa, ou por ato 
próprio ou porque uma das partes lhe cede o acesso 
indevidamente, estará violado o sigilo de dados.
A distinção é decisiva: o objeto protegido no direito à 
inviolabilidade do sigilo não são os dados em si, mas a sua 
comunicação restringida (liberdade de negação). A troca de 
informações (comunicação) privativa é questão que não pode ser 
violada por sujeito estranho à comunicação. Doutro modo, se 
alguém, não por razões profissionais, ficasse sabendo 
legitimamente de dados incriminadores relativos a uma pessoa, 
ficaria impedido de cumprir o seu dever de denunciá-los!” 
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(JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: o direito à 
privacidade e os limites à função fiscalizadora do Estado. 
Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, v. 
88, p. 439-459, 1993). 
Prossegue Ferraz Júnior detalhando o âmbito de proteção da 
inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas no texto 
constitucional:
“[T]oma seu correto sentido o disposto no inciso XII do 
art. 5º da CF, quando ali se admite, apenas para a comunicação 
telefônica e, assim mesmo, só para fins de investigação criminal 
ou instrução processual penal, por ordem judicial, a quebra do 
sigilo. Conquanto haja quem caminhe para uma interpretação 
literal deste texto, não nos parece razoável aceitá-la na sua 
inteira singeleza. Note-se, antes de mais nada, que dos quatro 
meios de comunicação ali mencionados – correspondência, 
telegrafia, dados, telefonia – só o último se caracteriza por sua 
instantaneidade. Isto é, a comunicação telefônica só é enquanto 
ocorre. Encerrada, não deixa vestígios no que se refere ao relato 
das mensagens e aos sujeitos comunicadores. É apenas possível, 
a posteriori, verificar qual unidade telefônica ligou para outra. A 
gravação de conversas telefônicas por meio chamado 
‘grampeamento’ é, pois, uma forma sub[-]reptícia de violação 
do direito ao sigilo da comunicação, mas, ao mesmo tempo, é a 
única forma tecnicamente conhecida de preservar a ação 
comunicativa. Por isso, no interesse público (investigação 
criminal ou instrução processual penal), é o único meio de 
comunicação que exigiu, do constituinte, uma ressalva 
expressa. Os outros três não sofreram semelhante ressalva 
porque, no interesse público, é possível realizar investigações e 
obter provas com base em vestígios que a comunicação deixa: a 
carta guardada, o testemunho de quem leu o nome do 
endereçado e do remetente, ou de quem viu a destruição do 
documento, o que vale também para o telegrama, para o telex, 
para o telefax, para a recepção da mensagem de um 
15 
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ARE 1042075 / RJ 
(JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: o direito à 
privacidade e os limites à função fiscalizadora do Estado. 
Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, v. 
88, p. 439-459, 1993). 
Prossegue Ferraz Júnior detalhando o âmbito de proteção da 
inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas no texto 
constitucional:
“[T]oma seu correto sentido o disposto no inciso XII do 
art. 5º da CF, quando ali se admite, apenas para a comunicação 
telefônica e, assim mesmo, só para fins de investigação criminal 
ou instrução processual penal, por ordem judicial, a quebra do 
sigilo. Conquanto haja quem caminhe para uma interpretação 
literal deste texto, não nos parece razoável aceitá-la na sua 
inteira singeleza. Note-se, antes de mais nada, que dos quatro 
meios de comunicação ali mencionados – correspondência, 
telegrafia, dados, telefonia – só o último se caracteriza por sua 
instantaneidade. Isto é, a comunicação telefônica só é enquanto 
ocorre. Encerrada, não deixa vestígios no que se refere ao relato 
das mensagens e aos sujeitos comunicadores. É apenas possível, 
a posteriori, verificar qual unidade telefônica ligou para outra. A 
gravação de conversas telefônicas por meio chamado 
‘grampeamento’ é, pois, uma forma sub[-]reptícia de violação 
do direito ao sigilo da comunicação, mas, ao mesmo tempo, é a 
única forma tecnicamente conhecida de preservar a ação 
comunicativa. Por isso, no interesse público (investigação 
criminal ou instrução processual penal), é o único meio de 
comunicação que exigiu, do constituinte, uma ressalva 
expressa. Os outros três não sofreram semelhante ressalva 
porque, no interesse público, é possível realizar investigações eobter provas com base em vestígios que a comunicação deixa: a 
carta guardada, o testemunho de quem leu o nome do 
endereçado e do remetente, ou de quem viu a destruição do 
documento, o que vale também para o telegrama, para o telex, 
para o telefax, para a recepção da mensagem de um 
15 
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computador para outro, etc.
Como isto é tecnicamente possível, o constituinte não 
permitiu absolutamente a entrada de terceiros, ainda que em 
nome do interesse público.
Esta proibição, porém, não significa que, no interesse 
público, não se possa ter acesso a posteriori à identificação dos 
sujeitos e ao relato das mensagens comunicadas. Por exemplo, o 
que se veda é uma autorização judicial para interceptar 
correspondência, mas não para requerer busca e apreensão de 
documentos” (JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: 
o direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado. Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São 
Paulo, v. 88, p. 439-459, 1993). 
Isso não significa que, para o Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior, o texto constitucional asseguraria proteção jurídica apenas e tão 
somente para a “comunicação de dados”, isto é, para o “fluxo 
comunicacional”, ou para os “dados em trânsito”. Os “dados estáticos”, 
ou seja, os “dados armazenados”, segundo ele, também são passíveis de 
proteção jurídica e, embora não se revistam sempre e 
incondicionalmente de caráter sigiloso, podem alcançar essa qualidade 
a depender das circunstâncias, encontrando guarida, por exemplo, no 
disposto no art. 5º, inciso X, do texto constitucional.
Nessa esteira, explica o autor que,
“[n]o que tange à intimidade, é a informação daqueles 
dados que a pessoa guarda para si e que dão consistência à sua 
pessoalidade — dados de foro íntimo, expressões de auto-
estima, avaliações personalíssimas com respeito a outros, 
pudores, enfim, dados que, quando constantes de processos 
comunicativos, exigem do receptor extrema lealdade e alta 
confiança, e que, se devassados, desnudariam a personalidade, 
quebrariam a consistência psíquica, destruindo a integridade 
moral do sujeito. Em termos do princípio da exclusividade, 
diríamos que esta é, nesses casos, de grau máximo. Em 
16 
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computador para outro, etc.
Como isto é tecnicamente possível, o constituinte não 
permitiu absolutamente a entrada de terceiros, ainda que em 
nome do interesse público.
Esta proibição, porém, não significa que, no interesse 
público, não se possa ter acesso a posteriori à identificação dos 
sujeitos e ao relato das mensagens comunicadas. Por exemplo, o 
que se veda é uma autorização judicial para interceptar 
correspondência, mas não para requerer busca e apreensão de 
documentos” (JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: 
o direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado. Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São 
Paulo, v. 88, p. 439-459, 1993). 
Isso não significa que, para o Professor Tércio Sampaio Ferraz 
Júnior, o texto constitucional asseguraria proteção jurídica apenas e tão 
somente para a “comunicação de dados”, isto é, para o “fluxo 
comunicacional”, ou para os “dados em trânsito”. Os “dados estáticos”, 
ou seja, os “dados armazenados”, segundo ele, também são passíveis de 
proteção jurídica e, embora não se revistam sempre e 
incondicionalmente de caráter sigiloso, podem alcançar essa qualidade 
a depender das circunstâncias, encontrando guarida, por exemplo, no 
disposto no art. 5º, inciso X, do texto constitucional.
Nessa esteira, explica o autor que,
“[n]o que tange à intimidade, é a informação daqueles 
dados que a pessoa guarda para si e que dão consistência à sua 
pessoalidade — dados de foro íntimo, expressões de auto-
estima, avaliações personalíssimas com respeito a outros, 
pudores, enfim, dados que, quando constantes de processos 
comunicativos, exigem do receptor extrema lealdade e alta 
confiança, e que, se devassados, desnudariam a personalidade, 
quebrariam a consistência psíquica, destruindo a integridade 
moral do sujeito. Em termos do princípio da exclusividade, 
diríamos que esta é, nesses casos, de grau máximo. Em 
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consequência, o emissor pode comunicar tais dados, se o 
desejar, mas a ninguém é dado exigir dele a informação 
transmitida, salvo em casos especialíssimos em que a 
intimidade de alguém venha a interferir na intimidade de 
outrem: o direito de não ser obrigado a revelar situações 
íntimas é limitado pelo direito de o receptor recusar 
informações íntimas que lhe firam a própria intimidade. Por 
isso, em processos que versem situações íntimas, a lei garante o 
sigilo. A inexigibilidade desses dados, salvo quando alguém se 
vê por eles ferido na sua própria intimidade, faz deles um 
limite ao direito de acesso à informação (art. 5º, XIV, da CF.).
No que diz respeito à vida privada, é a informação de 
dados referentes às opções da convivência, como a escolha de 
amigos, a frequência de lugares, os relacionamentos civis e 
comerciais, ou seja, de dados que, embora digam respeito aos 
outros, não afetam, em princípio, direitos de terceiros 
(exclusividade da convivência). Pelo sentido inexoravelmente 
comunicacional da convivência, a vida privada compõe, porém, 
um conjunto de situações que, usualmente, são informadas sem 
constrangimento. São dados que, embora privativos — como o 
nome, endereço, profissão, idade, estado civil, filiação, número 
de registro público oficial, etc. —, condicionam o próprio 
intercâmbio humano em sociedade, pois constituem elementos 
de identificação que tornam a comunicação possível, corrente e 
segura. Por isso, a proteção desses dados em si, pelo sigilo, não 
faz sentido. Assim, a inviolabilidade de dados referentes à vida 
privada só tem pertinência para aqueles associados aos 
elementos identificadores usados nas relações de convivência, 
as quais só dizem respeito aos que convivem. Dito de outro 
modo, os elementos de identificação só são protegidos quando 
compõem relações de convivência privativas: a proteção é para 
elas, não para eles. Em consequência, simples cadastros de 
elementos identificadores (nome, endereço, R.G., filiação, etc.) 
não são protegidos. Mas cadastros que envolvam relações de 
convivência privadas (por exemplo, nas relações de clientela, 
desde quando é cliente, se a relação foi interrompida, as razões 
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consequência, o emissor pode comunicar tais dados, se odesejar, mas a ninguém é dado exigir dele a informação 
transmitida, salvo em casos especialíssimos em que a 
intimidade de alguém venha a interferir na intimidade de 
outrem: o direito de não ser obrigado a revelar situações 
íntimas é limitado pelo direito de o receptor recusar 
informações íntimas que lhe firam a própria intimidade. Por 
isso, em processos que versem situações íntimas, a lei garante o 
sigilo. A inexigibilidade desses dados, salvo quando alguém se 
vê por eles ferido na sua própria intimidade, faz deles um 
limite ao direito de acesso à informação (art. 5º, XIV, da CF.).
No que diz respeito à vida privada, é a informação de 
dados referentes às opções da convivência, como a escolha de 
amigos, a frequência de lugares, os relacionamentos civis e 
comerciais, ou seja, de dados que, embora digam respeito aos 
outros, não afetam, em princípio, direitos de terceiros 
(exclusividade da convivência). Pelo sentido inexoravelmente 
comunicacional da convivência, a vida privada compõe, porém, 
um conjunto de situações que, usualmente, são informadas sem 
constrangimento. São dados que, embora privativos — como o 
nome, endereço, profissão, idade, estado civil, filiação, número 
de registro público oficial, etc. —, condicionam o próprio 
intercâmbio humano em sociedade, pois constituem elementos 
de identificação que tornam a comunicação possível, corrente e 
segura. Por isso, a proteção desses dados em si, pelo sigilo, não 
faz sentido. Assim, a inviolabilidade de dados referentes à vida 
privada só tem pertinência para aqueles associados aos 
elementos identificadores usados nas relações de convivência, 
as quais só dizem respeito aos que convivem. Dito de outro 
modo, os elementos de identificação só são protegidos quando 
compõem relações de convivência privativas: a proteção é para 
elas, não para eles. Em consequência, simples cadastros de 
elementos identificadores (nome, endereço, R.G., filiação, etc.) 
não são protegidos. Mas cadastros que envolvam relações de 
convivência privadas (por exemplo, nas relações de clientela, 
desde quando é cliente, se a relação foi interrompida, as razões 
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pelas quais isto ocorreu, quais os interesses peculiares do 
cliente, sua capacidade de satisfazer aqueles interesses, etc.) 
estão sob proteção. Afinal, o risco à integridade moral do 
sujeito, objeto do direito à privacidade, não está no nome, mas 
na exploração do nome, não está nos elementos de identificação 
que condicionam as relações privadas, mas na apropriação 
dessas relações por terceiros a quem elas não dizem respeito. 
Pensar de outro modo seria tornar impossível, no limite, o 
acesso ao registro de comércio, ao registro de empregados, ao 
registro de navio etc., em nome de uma absurda proteção da 
privacidade. 
Por último, a honra e a imagem. A privacidade, nesse caso, 
protege a informação de dados que envolvam avaliações 
(negativas) do comportamento que, publicadas, podem ferir o 
bom nome do sujeito, isto é, o modo como ele supõe e deseja ser 
visto pelos outros. Repita-se que o direito à privacidade protege 
a honra, o direito à inviolabilidade do sigilo de dados protege a 
comunicação referente a avaliações que um sujeito faz sobre 
outro e que, por interferir em sua honra, comunica 
restritivamente, por razões de interesse pessoal. É o caso, por 
exemplo, de cadastros pessoais que contêm avaliações 
negativas sobre a conduta (mau pagador, devedor impontual e 
relapso etc). No tocante à imagem, para além do que ela 
significa de boa imagem, assimilando-se, nesse sentido, à honra, 
a proteção refere-se a dados que alguém fornece a alguém e não 
deseja ver explorada (comercialmente, por exemplo) por 
terceiros” (JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: o 
direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado. Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São 
Paulo, v. 88, p. 439-459, 1993). 
Também é verdade que o artigo de Tércio Sampaio Ferraz Júnior se 
referia a um contexto muito diferente do delineado nos autos. 
Investigavam-se os limites da atuação fiscalizatória dos agentes estatais, 
tendo em vista a recorrente solicitação de dados pela Receita Federal a 
instituições financeiras públicas e privadas e a administradoras de cartão 
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pelas quais isto ocorreu, quais os interesses peculiares do 
cliente, sua capacidade de satisfazer aqueles interesses, etc.) 
estão sob proteção. Afinal, o risco à integridade moral do 
sujeito, objeto do direito à privacidade, não está no nome, mas 
na exploração do nome, não está nos elementos de identificação 
que condicionam as relações privadas, mas na apropriação 
dessas relações por terceiros a quem elas não dizem respeito. 
Pensar de outro modo seria tornar impossível, no limite, o 
acesso ao registro de comércio, ao registro de empregados, ao 
registro de navio etc., em nome de uma absurda proteção da 
privacidade. 
Por último, a honra e a imagem. A privacidade, nesse caso, 
protege a informação de dados que envolvam avaliações 
(negativas) do comportamento que, publicadas, podem ferir o 
bom nome do sujeito, isto é, o modo como ele supõe e deseja ser 
visto pelos outros. Repita-se que o direito à privacidade protege 
a honra, o direito à inviolabilidade do sigilo de dados protege a 
comunicação referente a avaliações que um sujeito faz sobre 
outro e que, por interferir em sua honra, comunica 
restritivamente, por razões de interesse pessoal. É o caso, por 
exemplo, de cadastros pessoais que contêm avaliações 
negativas sobre a conduta (mau pagador, devedor impontual e 
relapso etc). No tocante à imagem, para além do que ela 
significa de boa imagem, assimilando-se, nesse sentido, à honra, 
a proteção refere-se a dados que alguém fornece a alguém e não 
deseja ver explorada (comercialmente, por exemplo) por 
terceiros” (JÚNIOR, Tércio Sampaio Ferraz. Sigilo de dados: o 
direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado. Revista da Faculdade de Direito, Universidade de São 
Paulo, v. 88, p. 439-459, 1993). 
Também é verdade que o artigo de Tércio Sampaio Ferraz Júnior se 
referia a um contexto muito diferente do delineado nos autos. 
Investigavam-se os limites da atuação fiscalizatória dos agentes estatais, 
tendo em vista a recorrente solicitação de dados pela Receita Federal a 
instituições financeiras públicas e privadas e a administradoras de cartão 
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de crédito, mantenedoras de bancos de dados, para fins de verificação da 
regularidade tributária. 
Além do mais, o panorama geral era outro. Nas duas últimas 
décadas, a popularização dos smartphones e a ampliação do acesso à 
internet por meio de tais aparelhos eletrônicos, além do surgimento de 
novas tecnologias digitais e de novas aplicaçõespara as tecnologias já 
existentes, a partir do desenvolvimento e da aplicação de ferramentas de 
inteligência artificial, levaram à intensificação da transformação digital. 
2.3 Da superveniência da EC nº 115/22: o direito fundamental à 
proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais
Em 2022, o Congresso Nacional promulgou a Emenda 
Constitucional nº 115/22, a qual introduziu no art. 5º da Constituição o 
inciso LXXIX, segundo o qual “é assegurado, nos termos a lei, o direito à 
proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais”.
Na doutrina, já havia vozes nesse sentido mesmo antes da referida 
emenda constitucional. Rafael Mafei Rabelo Queiroz e Paula Pedigoni 
Ponce, por exemplo, há algum tempo defendem que “[j]á não faz sentido 
distinguir entre dados em trânsito e dados estáticos como critério para 
maior ou menor proteção à privacidade”. Para os autores, 
“o barateamento do armazenamento de dados e a 
migração das comunicações humanas para serviços providos 
pela Internet, com opções de armazenamento de segurança em 
servidores (‘backups na nuvem’), torna o indivíduo, por seu 
considerável volume e abrangência temporal, mais sensível em 
sua intimidade do que conversas telefônicas interceptadas. A 
hierarquia protetiva que coloca dados em trânsito acima de 
dados armazenados simplesmente é anacrônica diante das 
mudanças na tecnologia e nas práticas comunicativas deste 
1993 até os dias atuais (Sidi, 2016; Quito, 2018)” (QUEIROZ, 
Rafael Mafei Rabelo; PONCE, Paula Pedigoni. Tércio Sampaio 
Ferraz Júnior e sigilo de dados: o direito à privacidade e os 
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de crédito, mantenedoras de bancos de dados, para fins de verificação da 
regularidade tributária. 
Além do mais, o panorama geral era outro. Nas duas últimas 
décadas, a popularização dos smartphones e a ampliação do acesso à 
internet por meio de tais aparelhos eletrônicos, além do surgimento de 
novas tecnologias digitais e de novas aplicações para as tecnologias já 
existentes, a partir do desenvolvimento e da aplicação de ferramentas de 
inteligência artificial, levaram à intensificação da transformação digital. 
2.3 Da superveniência da EC nº 115/22: o direito fundamental à 
proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais
Em 2022, o Congresso Nacional promulgou a Emenda 
Constitucional nº 115/22, a qual introduziu no art. 5º da Constituição o 
inciso LXXIX, segundo o qual “é assegurado, nos termos a lei, o direito à 
proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais”.
Na doutrina, já havia vozes nesse sentido mesmo antes da referida 
emenda constitucional. Rafael Mafei Rabelo Queiroz e Paula Pedigoni 
Ponce, por exemplo, há algum tempo defendem que “[j]á não faz sentido 
distinguir entre dados em trânsito e dados estáticos como critério para 
maior ou menor proteção à privacidade”. Para os autores, 
“o barateamento do armazenamento de dados e a 
migração das comunicações humanas para serviços providos 
pela Internet, com opções de armazenamento de segurança em 
servidores (‘backups na nuvem’), torna o indivíduo, por seu 
considerável volume e abrangência temporal, mais sensível em 
sua intimidade do que conversas telefônicas interceptadas. A 
hierarquia protetiva que coloca dados em trânsito acima de 
dados armazenados simplesmente é anacrônica diante das 
mudanças na tecnologia e nas práticas comunicativas deste 
1993 até os dias atuais (Sidi, 2016; Quito, 2018)” (QUEIROZ, 
Rafael Mafei Rabelo; PONCE, Paula Pedigoni. Tércio Sampaio 
Ferraz Júnior e sigilo de dados: o direito à privacidade e os 
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limites à função fiscalizadora do Estado: o que permanece e o 
que deve ser reconsiderado. Revista Internet & Sociedade, n. 1, 
v. 1, fevereiro de 2020, p. 64-90 – grifo nosso).
Nesse sentido, concluem Rafael Mafei e Paula Pedigoni que,
“[s]e não é possível ignorar a distinção entre os incisos X 
e XII do art. 5º da Constituição, tampouco há razão para impor 
uma proteção menos efetiva à nossa intimidade apenas 
porque estejam em dados armazenados, e não em trânsito. 
Essa particular leitura de ‘Sigilo de dados’, que não é a única 
possível de ser feita do texto e nem é necessariamente a 
melhor, deve ser descartada em favor de outra que equalize a 
proteção de dados armazenados e dados em trânsito pelo 
critério que substantivamente importa: o grau de 
exclusividade que se deve reconhecer às informações contidas 
nos dados e seu impacto sobre a privacidade de seu titular. O 
inc. X, art. 5º, da Constituição dá conta desta fundamentação 
sem dificuldades” (QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo; PONCE, 
Paula Pedigoni. Tércio Sampaio Ferraz Júnior e sigilo de dados: 
o direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado: o que permanece e o que deve ser reconsiderado. 
Revista Internet & Sociedade, n. 1, v. 1, fevereiro de 2020, p. 64-
90).
A argumentação dos autores foi premonitória, sobretudo quando se 
considera o uso acentuado de aplicativos de mensagens instantâneas, 
com o envio e a recepção de mensagens de voz ou em vídeo, em 
substituição ao serviço telefônico convencional. Vivemos tempos de 
comunicação assíncrona, a qual, em regra, deixa vestígios em 
equipamentos eletrônicos. Como, então, assegurar menor proteção 
constitucional a esse tipo de comunicação?
Antes mesmo da citada Emenda Constitucional nº 115/22, o Poder 
Legislativo deu o primeiro passo em direção à proteção de dados pessoais 
ao editar a Lei nº 12.695, de 23 de abril de 2014, apelidada de “Marco 
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limites à função fiscalizadora do Estado: o que permanece e o 
que deve ser reconsiderado. Revista Internet & Sociedade, n. 1, 
v. 1, fevereiro de 2020, p. 64-90 – grifo nosso).
Nesse sentido, concluem Rafael Mafei e Paula Pedigoni que,
“[s]e não é possível ignorar a distinção entre os incisos X 
e XII do art. 5º da Constituição, tampouco há razão para impor 
uma proteção menos efetiva à nossa intimidade apenas 
porque estejam em dados armazenados, e não em trânsito. 
Essa particular leitura de ‘Sigilo de dados’, que não é a única 
possível de ser feita do texto e nem é necessariamente a 
melhor, deve ser descartada em favor de outra que equalize a 
proteção de dados armazenados e dados em trânsito pelo 
critério que substantivamente importa: o grau de 
exclusividade que se deve reconhecer às informações contidas 
nos dados e seu impacto sobre a privacidade de seu titular. O 
inc. X, art. 5º, da Constituição dá conta desta fundamentação 
sem dificuldades” (QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo; PONCE, 
Paula Pedigoni. Tércio Sampaio Ferraz Júnior e sigilo de dados: 
o direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do 
Estado: o que permanece e o que deve ser reconsiderado. 
Revista Internet & Sociedade, n. 1, v. 1, fevereiro de 2020, p. 64-
90).
A argumentação dos autores foi premonitória, sobretudo quando seconsidera o uso acentuado de aplicativos de mensagens instantâneas, 
com o envio e a recepção de mensagens de voz ou em vídeo, em 
substituição ao serviço telefônico convencional. Vivemos tempos de 
comunicação assíncrona, a qual, em regra, deixa vestígios em 
equipamentos eletrônicos. Como, então, assegurar menor proteção 
constitucional a esse tipo de comunicação?
Antes mesmo da citada Emenda Constitucional nº 115/22, o Poder 
Legislativo deu o primeiro passo em direção à proteção de dados pessoais 
ao editar a Lei nº 12.695, de 23 de abril de 2014, apelidada de “Marco 
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Civil da Internet”, para estabelecer princípios, garantias, direitos e 
deveres para o uso da internet no país e, ao fazê-lo, assumindo 
protagonismo no cenário jurídico internacional por algum tempo, elevou 
ao patamar de direito dos respectivos usuários a “inviolabilidade e [o] 
sigilo de suas comunicações privadas armazenadas, salvo por ordem 
judicial”, e o “não fornecimento a terceiros de seus dados pessoais, 
inclusive registros de conexão, e de acesso a aplicações de internet, 
salvo mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas 
hipóteses previstas em lei” (art. 7º, incisos III e VII). 
Por oportuno, transcrevo na íntegra o art. 7º da Lei nº 12.695/14:
“Art. 7º O acesso à internet é essencial ao exercício da 
cidadania, e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:
I - inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sua 
proteção e indenização pelo dano material ou moral decorrente 
de sua violação;
II - inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas comunicações 
pela internet, salvo por ordem judicial, na forma da lei;
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações 
privadas armazenadas, salvo por ordem judicial;
IV - não suspensão da conexão à internet, salvo por débito 
diretamente decorrente de sua utilização;
V - manutenção da qualidade contratada da conexão à 
internet;
VI - informações claras e completas constantes dos 
contratos de prestação de serviços, com detalhamento sobre o 
regime de proteção aos registros de conexão e aos registros de 
acesso a aplicações de internet, bem como sobre práticas de 
gerenciamento da rede que possam afetar sua qualidade;
VII - não fornecimento a terceiros de seus dados 
pessoais, inclusive registros de conexão, e de acesso a 
aplicações de internet, salvo mediante consentimento livre, 
expresso e informado ou nas hipóteses previstas em lei;
VIII - informações claras e completas sobre coleta, uso, 
armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais, 
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Civil da Internet”, para estabelecer princípios, garantias, direitos e 
deveres para o uso da internet no país e, ao fazê-lo, assumindo 
protagonismo no cenário jurídico internacional por algum tempo, elevou 
ao patamar de direito dos respectivos usuários a “inviolabilidade e [o] 
sigilo de suas comunicações privadas armazenadas, salvo por ordem 
judicial”, e o “não fornecimento a terceiros de seus dados pessoais, 
inclusive registros de conexão, e de acesso a aplicações de internet, 
salvo mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas 
hipóteses previstas em lei” (art. 7º, incisos III e VII). 
Por oportuno, transcrevo na íntegra o art. 7º da Lei nº 12.695/14:
“Art. 7º O acesso à internet é essencial ao exercício da 
cidadania, e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:
I - inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sua 
proteção e indenização pelo dano material ou moral decorrente 
de sua violação;
II - inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas comunicações 
pela internet, salvo por ordem judicial, na forma da lei;
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações 
privadas armazenadas, salvo por ordem judicial;
IV - não suspensão da conexão à internet, salvo por débito 
diretamente decorrente de sua utilização;
V - manutenção da qualidade contratada da conexão à 
internet;
VI - informações claras e completas constantes dos 
contratos de prestação de serviços, com detalhamento sobre o 
regime de proteção aos registros de conexão e aos registros de 
acesso a aplicações de internet, bem como sobre práticas de 
gerenciamento da rede que possam afetar sua qualidade;
VII - não fornecimento a terceiros de seus dados 
pessoais, inclusive registros de conexão, e de acesso a 
aplicações de internet, salvo mediante consentimento livre, 
expresso e informado ou nas hipóteses previstas em lei;
VIII - informações claras e completas sobre coleta, uso, 
armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais, 
21 
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que somente poderão ser utilizados para finalidades que:
a) justifiquem sua coleta;
b) não sejam vedadas pela legislação; e
c) estejam especificadas nos contratos de prestação de 
serviços ou em termos de uso de aplicações de internet;
IX - consentimento expresso sobre coleta, uso, 
armazenamento e tratamento de dados pessoais, que deverá 
ocorrer de forma destacada das demais cláusulas contratuais;
X - exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver 
fornecido a determinada aplicação de internet, a seu 
requerimento, ao término da relação entre as partes, ressalvadas 
as hipóteses de guarda obrigatória de registros previstas nesta 
Lei e na que dispõe sobre a proteção de dados pessoais; 
(Redação dada pela Lei nº 13.709, de 2018)
XI - publicidade e clareza de eventuais políticas de uso dos 
provedores de conexão à internet e de aplicações de internet;
XII - acessibilidade, consideradas as características físico-
motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do 
usuário, nos termos da lei; e
XIII - aplicação das normas de proteção e defesa do 
consumidor nas relações de consumo realizadas na internet.”
Conquanto referidos direitos criem obrigações diretas para os 
provedores de internet, não se pode ignorar que carregam normatividade 
suficiente para se imporem a outros atores, incluindo-se nesse universo os 
agentes do próprio Estado, em especial os órgãos de fiscalização e de 
persecução penal. Assim, se nem mesmo para esses agentes e mediante 
requisição formal estariam os provedores de aplicações de internet 
legitimados a entregar dados protegidos independentemente de ordem 
judicial ou do consentimento livre e expresso do(s) usuário(s) 
envolvido(s), ou, ainda, fora das hipóteses legais, como admitir que 
agentes estatais possam contornar o óbice legal por seus próprios 
meios, acessando o conteúdo armazenado (e legalmente protegido) do 
aparelho telefônico encontrado fortuitamente na cena do crime e 
apreendido com fundamento no art. 6º, inciso II, do CPP?
22 
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possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e apreciação prioritárias 
aos pedidos dessa natureza, inclusive em regime de plantão. 2. A 
autoridade policial poderá adotar as providências necessárias para a 
preservação dos dados e metadados contidos no aparelho celular 
apreendido antes da autorização judicial, justificando posteriormente a 
adoção da medida. 3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente formulados pelas 
defesas até a data do encerramento do presente julgamento", nos termos 
do voto do Ministro Dias Toffoli (Relator). Não votou na tese o Ministro 
Gilmar Mendes, ausente ocasionalmente. Presidência do Ministro 
Roberto Barroso. 
6 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
Repercussão Geral, deu provimento ao recurso extraordinário com 
agravo para reconhecer a licitude da prova e, por conseguinte, 
restabelecer a sentença condenatória de primeiro grau. Foi fixada a 
seguinte tese: "1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva de 
jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve observar as 
seguintes condicionantes: 1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de 
aparelho celular, o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou quem seja o 
proprietário do aparelho, não depende de consentimento ou de prévia 
decisão judicial, desde que justificada posteriormente a adoção da 
medida. 1.2 No caso de aparelho celular apreendido na forma do art. 6º 
do CPP ou por ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos 
dados será condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da 
Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz de direitos 
fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos dados pessoais 
e à autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais (art. 5º, 
incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a celeridade se impõe, 
devendo a autoridade policial atuar com a maior rapidez e eficiência 
possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e apreciação prioritárias 
aos pedidos dessa natureza, inclusive em regime de plantão. 2. A 
autoridade policial poderá adotar as providências necessárias para a 
preservação dos dados e metadados contidos no aparelho celular 
apreendido antes da autorização judicial, justificando posteriormente a 
adoção da medida. 3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente formulados pelas 
defesas até a data do encerramento do presente julgamento", nos termos 
do voto do Ministro Dias Toffoli (Relator). Não votou na tese o Ministro 
Gilmar Mendes, ausente ocasionalmente. Presidência do Ministro 
Roberto Barroso. 
6 
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Ementa e Acórdão
ARE 1042075 / RJ 
Brasília, 25 de junho de 2025
Ministro Dias Toffoli 
Relator
7 
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ARE 1042075 / RJ 
Brasília, 25 de junho de 2025
Ministro Dias Toffoli 
Relator
7 
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Extrato de Ata - 11/11/2020
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO (00000/DF)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
 
Composição: Ministros Luiz Fux (Presidente), Marco Aurélio, 
Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, 
Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Supremo Tribunal Federal
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO (00000/DF)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "Ésob o código C59D-D0C5-FDC7-8CCB e senha 4208-88B0-E356-F6D4
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ARE 1042075 / RJ 
que somente poderão ser utilizados para finalidades que:
a) justifiquem sua coleta;
b) não sejam vedadas pela legislação; e
c) estejam especificadas nos contratos de prestação de 
serviços ou em termos de uso de aplicações de internet;
IX - consentimento expresso sobre coleta, uso, 
armazenamento e tratamento de dados pessoais, que deverá 
ocorrer de forma destacada das demais cláusulas contratuais;
X - exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver 
fornecido a determinada aplicação de internet, a seu 
requerimento, ao término da relação entre as partes, ressalvadas 
as hipóteses de guarda obrigatória de registros previstas nesta 
Lei e na que dispõe sobre a proteção de dados pessoais; 
(Redação dada pela Lei nº 13.709, de 2018)
XI - publicidade e clareza de eventuais políticas de uso dos 
provedores de conexão à internet e de aplicações de internet;
XII - acessibilidade, consideradas as características físico-
motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do 
usuário, nos termos da lei; e
XIII - aplicação das normas de proteção e defesa do 
consumidor nas relações de consumo realizadas na internet.”
Conquanto referidos direitos criem obrigações diretas para os 
provedores de internet, não se pode ignorar que carregam normatividade 
suficiente para se imporem a outros atores, incluindo-se nesse universo os 
agentes do próprio Estado, em especial os órgãos de fiscalização e de 
persecução penal. Assim, se nem mesmo para esses agentes e mediante 
requisição formal estariam os provedores de aplicações de internet 
legitimados a entregar dados protegidos independentemente de ordem 
judicial ou do consentimento livre e expresso do(s) usuário(s) 
envolvido(s), ou, ainda, fora das hipóteses legais, como admitir que 
agentes estatais possam contornar o óbice legal por seus próprios 
meios, acessando o conteúdo armazenado (e legalmente protegido) do 
aparelho telefônico encontrado fortuitamente na cena do crime e 
apreendido com fundamento no art. 6º, inciso II, do CPP?
22 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
Também antes da Emenda Constitucional nº 115/22, a Lei nº 13.709, 
de 14 de agosto de 2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados 
Pessoais (LGPD) e nitidamente inspirada na General Data Protection 
Regulation (GDPR) (Regulamento 2016/679 da União Europeia), alçou os 
“dados pessoais” a uma categoria dotada de autonomia com relação aos 
direitos à privacidade e à intimidade, previstos no art. 5º, inciso X, da 
Constituição Federal, a qual, por ser emanação da personalidade do 
indivíduo e estar intrinsecamente relacionada aos direitos da 
personalidade, seria merecedora de proteção jurídica diferenciada. 
Afinal, protegendo-se os dados pessoais, assegura-se a privacidade (ou a 
intimidade) do titular desses dados.
Destaco os arts. 1º, 2º e 6º do aludido diploma legal, cuja redação 
transcrevo:
“Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados 
pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou 
por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o 
objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e 
de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da 
pessoa natural.
Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta Lei são 
de interesse nacional e devem ser observadas pela União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios” (Incluído pela Lei nº 
13.853, de 2019).
“Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais tem 
como fundamentos:
I - o respeito à privacidade;
II - a autodeterminação informativa;
III - a liberdade de expressão, de informação, de 
comunicação e de opinião;
IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da 
imagem;
V - o desenvolvimento econômico e tecnológico e a 
inovação;
23 
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ARE 1042075 / RJ 
Também antes da Emenda Constitucional nº 115/22, a Lei nº 13.709, 
de 14 de agosto de 2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados 
Pessoais (LGPD) e nitidamente inspirada na General Data Protection 
Regulation (GDPR) (Regulamento 2016/679 da União Europeia), alçou os 
“dados pessoais” a uma categoria dotada de autonomia com relação aos 
direitos à privacidade e à intimidade, previstos no art. 5º, inciso X, da 
Constituição Federal, a qual, por ser emanação da personalidade do 
indivíduo e estar intrinsecamente relacionada aos direitos da 
personalidade, seria merecedora de proteção jurídica diferenciada. 
Afinal, protegendo-se os dados pessoais, assegura-se a privacidade (ou a 
intimidade) do titular desses dados.
Destaco os arts. 1º, 2º e 6º do aludido diploma legal, cuja redação 
transcrevo:
“Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados 
pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou 
por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o 
objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e 
de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da 
pessoa natural.
Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta Lei são 
de interesse nacional e devem ser observadas pela União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios” (Incluído pela Lei nº 
13.853, de 2019).
“Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais tem 
como fundamentos:
I - o respeito à privacidade;
II - a autodeterminação informativa;
III - a liberdade de expressão, de informação, de 
comunicação e de opinião;
IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da 
imagem;
V - o desenvolvimento econômico e tecnológico e a 
inovação;
23 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
VI - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do 
consumidor; e
VII - os direitos humanos, o livre desenvolvimento da 
personalidade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas 
pessoas naturais.”
“Art. 6º As atividades de tratamento de dados pessoais 
deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios:
I - finalidade: realização do tratamento para propósitos 
legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem 
possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível 
com essas finalidades;
II - adequação: compatibilidade do tratamento com as 
finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do 
tratamento;
III - necessidade: limitação do tratamento ao mínimo 
necessário para a realização de suas finalidades, com 
abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não 
excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados;
IV - livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta 
facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, 
bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais;
V - qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de 
exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados, de acordo 
com a necessidade e para o cumprimentoda finalidade de seu 
tratamento;
VI - transparência: garantia, aos titulares, de informações 
claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do 
tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados 
os segredos comercial e industrial;
VII - segurança: utilização de medidas técnicas e 
administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos 
não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de 
destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão;
VIII - prevenção: adoção de medidas para prevenir a 
ocorrência de danos em virtude do tratamento de dados 
24 
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VI - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do 
consumidor; e
VII - os direitos humanos, o livre desenvolvimento da 
personalidade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas 
pessoas naturais.”
“Art. 6º As atividades de tratamento de dados pessoais 
deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios:
I - finalidade: realização do tratamento para propósitos 
legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem 
possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível 
com essas finalidades;
II - adequação: compatibilidade do tratamento com as 
finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do 
tratamento;
III - necessidade: limitação do tratamento ao mínimo 
necessário para a realização de suas finalidades, com 
abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não 
excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados;
IV - livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta 
facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, 
bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais;
V - qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de 
exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados, de acordo 
com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu 
tratamento;
VI - transparência: garantia, aos titulares, de informações 
claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do 
tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados 
os segredos comercial e industrial;
VII - segurança: utilização de medidas técnicas e 
administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos 
não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de 
destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão;
VIII - prevenção: adoção de medidas para prevenir a 
ocorrência de danos em virtude do tratamento de dados 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 72 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
pessoais;
IX - não discriminação: impossibilidade de realização do 
tratamento para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos;
X - responsabilização e prestação de contas: demonstração, 
pelo agente, da adoção de medidas eficazes e capazes de 
comprovar a observância e o cumprimento das normas de 
proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas 
medidas.”
Feitas essas considerações, por fim, passo a tecer breves comentários 
a respeito do direito à privacidade.
2.4 Do direito fundamental à privacidade e sua recente 
ressignificação
Há de se ter em mente, em primeiro lugar, que é muito tênue a linha 
divisória entre privacidade (ou vida privada) e intimidade. Nesse sentido, 
explica Mikhail Vieira de Lorenzi Cancelier o seguinte:
“No Brasil, tanto o constituinte quanto o legislador 
ordinário, ao elaborarem a Constituição 1988 e o Código Civil 
de 2002 (Lei nº 10.406) optaram por não fazer uso do termo 
privacidade, mas das expressões vida privada e intimidade, 
sem oferecer conceitos a nenhuma delas. Na Constituição de 
1988 fala-se, também, em sigilo (de correspondência, das 
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações 
telefônicas) e na inviolabilidade da casa. Fica claro que é 
possível fazer uso de qualquer um dos termos para referenciar 
a mesma situação. Por exemplo, fala-se em vida privada ou 
vida íntima para tratar do mesmo espaço da vida sobre a qual 
se fala. Algo secreto, sigiloso ou íntimo pode ser relacionado ao 
mesmo aspecto que se deseja manter em segredo. O privado 
pode ser íntimo, o íntimo pode ser secreto, o secreto pode ser 
privado. Ao mesmo tempo, cada um deles poderá assumir — 
de forma bastante subjetiva — a depender do sujeito da fala, 
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pessoais;
IX - não discriminação: impossibilidade de realização do 
tratamento para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos;
X - responsabilização e prestação de contas: demonstração, 
pelo agente, da adoção de medidas eficazes e capazes de 
comprovar a observância e o cumprimento das normas de 
proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas 
medidas.”
Feitas essas considerações, por fim, passo a tecer breves comentários 
a respeito do direito à privacidade.
2.4 Do direito fundamental à privacidade e sua recente 
ressignificação
Há de se ter em mente, em primeiro lugar, que é muito tênue a linha 
divisória entre privacidade (ou vida privada) e intimidade. Nesse sentido, 
explica Mikhail Vieira de Lorenzi Cancelier o seguinte:
“No Brasil, tanto o constituinte quanto o legislador 
ordinário, ao elaborarem a Constituição 1988 e o Código Civil 
de 2002 (Lei nº 10.406) optaram por não fazer uso do termo 
privacidade, mas das expressões vida privada e intimidade, 
sem oferecer conceitos a nenhuma delas. Na Constituição de 
1988 fala-se, também, em sigilo (de correspondência, das 
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações 
telefônicas) e na inviolabilidade da casa. Fica claro que é 
possível fazer uso de qualquer um dos termos para referenciar 
a mesma situação. Por exemplo, fala-se em vida privada ou 
vida íntima para tratar do mesmo espaço da vida sobre a qual 
se fala. Algo secreto, sigiloso ou íntimo pode ser relacionado ao 
mesmo aspecto que se deseja manter em segredo. O privado 
pode ser íntimo, o íntimo pode ser secreto, o secreto pode ser 
privado. Ao mesmo tempo, cada um deles poderá assumir — 
de forma bastante subjetiva — a depender do sujeito da fala, 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 73 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
um significado específico. Assim, nem sempre o íntimo será 
secreto ou o assunto sigiloso será privado. O que se quer dizer 
é que o significado do discurso irá variar conforme quem o 
profere, possibilitando cada um dos termos aqui apresentados 
usos variados. Juridicamente, a mesma possibilidade é 
aventada. Privacidade, então, deve ser vista antes de tudo 
como exercício de uma liberdade da pessoa, uma necessidade 
humana. Parte-se para uma visão da privacidade que é interna 
ao sujeito, faz parte dele, formando-o como ser humano. Seja 
trabalhando a privacidadecomo o estar só ou numa 
perspectiva mais contemporânea de controle informacional, 
não se pode perder o vínculo com a pessoa, como forma de 
manifestação da personalidade. Ter privacidade é 
fundamental ao indivíduo, não apenas em oposição ao 
público, mas numa relação interna, visto que não será 
possível a assunção de seus desejos sem a construção de seu 
espaço íntimo.
Lafer (1988, p. 239), fazendo uso da expressão ‘direito à 
intimidade’, caracteriza-o como ‘[...] direito do indivíduo de 
estar só e a possibilidade que deve ter toda pessoa de excluir do 
conhecimento de terceiros aquilo que a ela só se refere e que diz 
respeito ao seu modo de ser no âmbito da vida privada’. Malta 
(2007, p. 28) acompanha a corrente que vê no direito à 
intimidade a proteção dos pensamentos e emoções mais 
restritos da pessoa. Machado (2014, p. 73) aponta a intimidade 
como o ‘núcleo essencial da pessoa’. Zanon (3013, p. 48), sem a 
intenção de cravar uma definição absoluta, situa a intimidade 
num local exclusivo que o sujeito reserva a si mesmo. Ardenghi 
(2012, p. 238) coloca o direito à intimidade como o poder 
conferido à pessoa de se resguardar de intromissões ao espaço 
mais reservado de sua existência, assim como ‘a faculdade de 
fazer concessões nesse terreno’.
Para nós, apesar de considerar importante a 
diferenciação entre os termos privacidade e intimidade, não 
se enxerga impedimentos no uso da expressão direito à 
privacidade para tratar do direito à intimidade, afinal este está 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
um significado específico. Assim, nem sempre o íntimo será 
secreto ou o assunto sigiloso será privado. O que se quer dizer 
é que o significado do discurso irá variar conforme quem o 
profere, possibilitando cada um dos termos aqui apresentados 
usos variados. Juridicamente, a mesma possibilidade é 
aventada. Privacidade, então, deve ser vista antes de tudo 
como exercício de uma liberdade da pessoa, uma necessidade 
humana. Parte-se para uma visão da privacidade que é interna 
ao sujeito, faz parte dele, formando-o como ser humano. Seja 
trabalhando a privacidade como o estar só ou numa 
perspectiva mais contemporânea de controle informacional, 
não se pode perder o vínculo com a pessoa, como forma de 
manifestação da personalidade. Ter privacidade é 
fundamental ao indivíduo, não apenas em oposição ao 
público, mas numa relação interna, visto que não será 
possível a assunção de seus desejos sem a construção de seu 
espaço íntimo.
Lafer (1988, p. 239), fazendo uso da expressão ‘direito à 
intimidade’, caracteriza-o como ‘[...] direito do indivíduo de 
estar só e a possibilidade que deve ter toda pessoa de excluir do 
conhecimento de terceiros aquilo que a ela só se refere e que diz 
respeito ao seu modo de ser no âmbito da vida privada’. Malta 
(2007, p. 28) acompanha a corrente que vê no direito à 
intimidade a proteção dos pensamentos e emoções mais 
restritos da pessoa. Machado (2014, p. 73) aponta a intimidade 
como o ‘núcleo essencial da pessoa’. Zanon (3013, p. 48), sem a 
intenção de cravar uma definição absoluta, situa a intimidade 
num local exclusivo que o sujeito reserva a si mesmo. Ardenghi 
(2012, p. 238) coloca o direito à intimidade como o poder 
conferido à pessoa de se resguardar de intromissões ao espaço 
mais reservado de sua existência, assim como ‘a faculdade de 
fazer concessões nesse terreno’.
Para nós, apesar de considerar importante a 
diferenciação entre os termos privacidade e intimidade, não 
se enxerga impedimentos no uso da expressão direito à 
privacidade para tratar do direito à intimidade, afinal este está 
26 
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ARE 1042075 / RJ 
inserido naquele. Ademais, acompanha-se o entendimento de 
Cabral (2012, p. 116-117) no sentido de que o ‘grau de proteção 
da intimidade em uma dada situação poderá variar de acordo 
com elementos objetivos casuísticos’. Assim, o ‘[...] resguardo 
da reserva varia na medida em que os fatos situem-se no ciclo 
de sigilo, de resguardo ou de publicidade da vida do indivíduo. 
Tudo depende de tudo. Das pessoas, de cada pessoa, da sua 
sensibilidade e das suas circunstâncias; das necessidades e 
exigências da sociedade relativas ao conhecimento e à 
transparência da vida em comum (CABRAL, 2012, p. 116-117)’” 
(CANCELIER, Mikhail Vieira de Lorenzi. O direito à 
privacidade hoje: perspectiva histórica e o cenário brasileiro. 
Sequência, Florianópolis, n. 76, v. 38, set. 2017, p. 213-239).
Feito esse rápido esclarecimento, alerto também que, apesar de 
relativamente recente, o direito à privacidade passou – e ainda passa – 
por considerável ressignificação. A princípio, a doutrina o definia como o 
“direito de estar só” (the right to be let alone) e, mais recentemente, a ele 
se reporta como uma espécie de “direito à autodeterminação 
informacional”, deixando claro, com essa segunda acepção, que o 
indivíduo deve ter “o direito de manter o controle sobre suas próprias 
informações e determinar como a privacidade é alcançada e, em última 
instância, [...] de escolher livremente seu modo de vida” (RODOTÀ, 
Stefano. In: Diritto diavere. Roma: Laterza, 2012. p. 321). 
É dizer, no contexto da sociedade atual, a possibilidade de o 
indivíduo proceder ao controle dos dados que dizem respeito à própria 
pessoa – porque eles consistem em manifestação de sua personalidade – é 
conditio sine qua non para a preservação de sua personalidade e para o 
desenvolvimento pleno de sua autonomia. Isso porque é o direito à 
privacidade que assegura a cada indivíduo um espaço próprio de 
experimentação, no qual é possível a cada qual expressar “sentimentos, 
reflexões, visões de mundo e experiências pessoais sem medo de estar 
sendo observado por órgãos estatais” (GRECO, Luís; GLEIZER, 
Orlandino. A infiltração online no processo penal – Notícia sobre a 
experiência alemã. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, Porto 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
inserido naquele. Ademais, acompanha-se o entendimento de 
Cabral (2012, p. 116-117) no sentido de que o ‘grau de proteção 
da intimidade em uma dada situação poderá variar de acordo 
com elementos objetivos casuísticos’. Assim, o ‘[...] resguardo 
da reserva varia na medida em que os fatos situem-se no ciclo 
de sigilo, de resguardo ou de publicidade da vida do indivíduo. 
Tudo depende de tudo. Das pessoas, de cada pessoa, da sua 
sensibilidade e das suas circunstâncias; das necessidades e 
exigências da sociedade relativas ao conhecimento e à 
transparência da vida em comum (CABRAL, 2012, p. 116-117)’” 
(CANCELIER, Mikhail Vieira de Lorenzi. O direito à 
privacidade hoje: perspectiva histórica e o cenário brasileiro. 
Sequência, Florianópolis, n. 76, v. 38, set. 2017, p. 213-239).
Feito esse rápido esclarecimento, alerto também que, apesar de 
relativamente recente, o direito à privacidade passou – e ainda passa – 
por considerávelressignificação. A princípio, a doutrina o definia como o 
“direito de estar só” (the right to be let alone) e, mais recentemente, a ele 
se reporta como uma espécie de “direito à autodeterminação 
informacional”, deixando claro, com essa segunda acepção, que o 
indivíduo deve ter “o direito de manter o controle sobre suas próprias 
informações e determinar como a privacidade é alcançada e, em última 
instância, [...] de escolher livremente seu modo de vida” (RODOTÀ, 
Stefano. In: Diritto diavere. Roma: Laterza, 2012. p. 321). 
É dizer, no contexto da sociedade atual, a possibilidade de o 
indivíduo proceder ao controle dos dados que dizem respeito à própria 
pessoa – porque eles consistem em manifestação de sua personalidade – é 
conditio sine qua non para a preservação de sua personalidade e para o 
desenvolvimento pleno de sua autonomia. Isso porque é o direito à 
privacidade que assegura a cada indivíduo um espaço próprio de 
experimentação, no qual é possível a cada qual expressar “sentimentos, 
reflexões, visões de mundo e experiências pessoais sem medo de estar 
sendo observado por órgãos estatais” (GRECO, Luís; GLEIZER, 
Orlandino. A infiltração online no processo penal – Notícia sobre a 
experiência alemã. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, Porto 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 75 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
Alegre, v. 5, n. 3, set./dez. 2019, p. 1495).
Ademais, conforme decidido pela Segunda Turma do Supremo 
Tribunal Federal no julgamento do HC nº 222.141-AgR, Rel. Min. Ricardo 
Lewandowski, red. do ac. Min. Gilmar Mendes,
“[a] concepção do direito à privacidade como uma 
garantia individual de abstenção do Estado na esfera privada 
individual passou por profundas transformações no decorrer 
do século XX. Devido ao próprio avanço das tecnologias da 
informação, assistiu-se a uma verdadeira mutação jurídica do 
sentido e do alcance do direito à privacidade. A releitura do 
direito à privacidade coincide com o desenvolvimento 
jurisprudencial do conceito de autodeterminação informacional 
(die informationelle Selbsstbestimmung) pelo Tribunal 
Constitucional Alemão. Essa nova abordagem revelou-se 
paradigmática por ter permitido que o direito à privacidade 
não mais ficasse estaticamente restrito à frágil dicotomia entre 
as esferas pública e privada, mas, sim, se desenvolvesse como 
uma proteção dinâmica e permanentemente aberta às 
referências sociais e aos múltiplos contextos de uso. A maior 
abrangência da proteção atribuída ao direito de 
autodeterminação repercute no âmbito de proteção do direito 
à proteção de dados pessoais, que não recai sobre a dimensão 
privada ou não do dado, mas sim sobre os riscos atribuídos ao 
seu processamento por terceiros. A força normativa do direito 
fundamental à proteção de dados pessoais decorre da 
necessidade de proteção da dignidade da pessoa humana, vis-
à-vis a contínua exposição dos indivíduos ao risco de 
comprometimento da autodeterminação informacional” (HC 
nº 222.141-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, red. do ac. 
Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 6/2/24, DJe de 
2/4/24).
Na mesma linha vai o entendimento adotado no referendo em 
medida cautelar na ADI nº 6.387, Rel. Min. Rosa Weber, no qual o 
Plenário do Supremo Tribunal Federal expressamente reconheceu o 
28 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
Alegre, v. 5, n. 3, set./dez. 2019, p. 1495).
Ademais, conforme decidido pela Segunda Turma do Supremo 
Tribunal Federal no julgamento do HC nº 222.141-AgR, Rel. Min. Ricardo 
Lewandowski, red. do ac. Min. Gilmar Mendes,
“[a] concepção do direito à privacidade como uma 
garantia individual de abstenção do Estado na esfera privada 
individual passou por profundas transformações no decorrer 
do século XX. Devido ao próprio avanço das tecnologias da 
informação, assistiu-se a uma verdadeira mutação jurídica do 
sentido e do alcance do direito à privacidade. A releitura do 
direito à privacidade coincide com o desenvolvimento 
jurisprudencial do conceito de autodeterminação informacional 
(die informationelle Selbsstbestimmung) pelo Tribunal 
Constitucional Alemão. Essa nova abordagem revelou-se 
paradigmática por ter permitido que o direito à privacidade 
não mais ficasse estaticamente restrito à frágil dicotomia entre 
as esferas pública e privada, mas, sim, se desenvolvesse como 
uma proteção dinâmica e permanentemente aberta às 
referências sociais e aos múltiplos contextos de uso. A maior 
abrangência da proteção atribuída ao direito de 
autodeterminação repercute no âmbito de proteção do direito 
à proteção de dados pessoais, que não recai sobre a dimensão 
privada ou não do dado, mas sim sobre os riscos atribuídos ao 
seu processamento por terceiros. A força normativa do direito 
fundamental à proteção de dados pessoais decorre da 
necessidade de proteção da dignidade da pessoa humana, vis-
à-vis a contínua exposição dos indivíduos ao risco de 
comprometimento da autodeterminação informacional” (HC 
nº 222.141-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, red. do ac. 
Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 6/2/24, DJe de 
2/4/24).
Na mesma linha vai o entendimento adotado no referendo em 
medida cautelar na ADI nº 6.387, Rel. Min. Rosa Weber, no qual o 
Plenário do Supremo Tribunal Federal expressamente reconheceu o 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
direito à autodeterminação informativa. Vide:
“MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. REFERENDO. MEDIDA 
PROVISÓRIA Nº 954/2020. EMERGÊNCIA DE SAÚDE 
PÚBLICA DE IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL 
DECORRENTE DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19). 
COMPARTILHAMENTO DE DADOS DOS USUÁRIOS DO 
SERVIÇO TELEFÔNICO FIXO COMUTADO E DO SERVIÇO 
MÓVEL PESSOAL, PELAS EMPRESAS PRESTADORAS, COM 
O INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
FUMUS BONI JURIS. PERICULUM IN MORA. 
DEFERIMENTO. 1. Decorrências dos direitos da 
personalidade, o respeito à privacidade e à autodeterminação 
informativa foram positivados, no art. 2º, I e II, da Lei nº 
13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), como 
fundamentos específicos da disciplina da proteção de dados 
pessoais. 2. Na medida em que relacionados à identificação – 
efetiva ou potencial – de pessoa natural, o tratamento e a 
manipulação de dados pessoais hão de observar os limites 
delineados pelo âmbito de proteção das cláusulas 
constitucionais assecuratórias da liberdade individual (art. 5º, 
caput), da privacidade e do livre desenvolvimento da 
personalidade (art. 5º, X e XII), sob pena de lesão a esses 
direitos. O compartilhamento, com ente público, de dados 
pessoais custodiados por concessionária de serviço público há 
de assegurar mecanismos de proteção e segurança desses 
dados. 3. O Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005) 
adotado no âmbito da Organização Mundial de Saúde exige, 
quandoessencial o tratamento de dados pessoais para a 
avaliação e o manejo de um risco para a saúde pública, a 
garantia de que os dados pessoais manipulados sejam 
‘adequados, relevantes e não excessivos em relação a esse 
propósito’ e ‘conservados apenas pelo tempo necessário.’ (artigo 
45, § 2º, alíneas ‘b’ e ‘d’). 4. Consideradas a necessidade, a 
adequação e a proporcionalidade da medida, não emerge da 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
direito à autodeterminação informativa. Vide:
“MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. REFERENDO. MEDIDA 
PROVISÓRIA Nº 954/2020. EMERGÊNCIA DE SAÚDE 
PÚBLICA DE IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL 
DECORRENTE DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19). 
COMPARTILHAMENTO DE DADOS DOS USUÁRIOS DO 
SERVIÇO TELEFÔNICO FIXO COMUTADO E DO SERVIÇO 
MÓVEL PESSOAL, PELAS EMPRESAS PRESTADORAS, COM 
O INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
FUMUS BONI JURIS. PERICULUM IN MORA. 
DEFERIMENTO. 1. Decorrências dos direitos da 
personalidade, o respeito à privacidade e à autodeterminação 
informativa foram positivados, no art. 2º, I e II, da Lei nº 
13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), como 
fundamentos específicos da disciplina da proteção de dados 
pessoais. 2. Na medida em que relacionados à identificação – 
efetiva ou potencial – de pessoa natural, o tratamento e a 
manipulação de dados pessoais hão de observar os limites 
delineados pelo âmbito de proteção das cláusulas 
constitucionais assecuratórias da liberdade individual (art. 5º, 
caput), da privacidade e do livre desenvolvimento da 
personalidade (art. 5º, X e XII), sob pena de lesão a esses 
direitos. O compartilhamento, com ente público, de dados 
pessoais custodiados por concessionária de serviço público há 
de assegurar mecanismos de proteção e segurança desses 
dados. 3. O Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005) 
adotado no âmbito da Organização Mundial de Saúde exige, 
quando essencial o tratamento de dados pessoais para a 
avaliação e o manejo de um risco para a saúde pública, a 
garantia de que os dados pessoais manipulados sejam 
‘adequados, relevantes e não excessivos em relação a esse 
propósito’ e ‘conservados apenas pelo tempo necessário.’ (artigo 
45, § 2º, alíneas ‘b’ e ‘d’). 4. Consideradas a necessidade, a 
adequação e a proporcionalidade da medida, não emerge da 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 77 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
Medida Provisória nº 954/2020, nos moldes em que editada, 
interesse público legítimo no compartilhamento dos dados 
pessoais dos usuários dos serviços de telefonia. 5. Ao não 
definir apropriadamente como e para que serão utilizados os 
dados coletados, a MP nº 954/2020 desatende a garantia do 
devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF), na dimensão 
substantiva, por não oferecer condições de avaliação quanto à 
sua adequação e necessidade, assim entendidas como a 
compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas e 
sua limitação ao mínimo necessário para alcançar suas 
finalidades. 6. Ao não apresentar mecanismo técnico ou 
administrativo apto a proteger, de acessos não autorizados, 
vazamentos acidentais ou utilização indevida, seja na 
transmissão, seja no tratamento, o sigilo, a higidez e, quando o 
caso, o anonimato dos dados pessoais compartilhados, a MP nº 
954/2020 descumpre as exigências que exsurgem do texto 
constitucional no tocante à efetiva proteção dos direitos 
fundamentais dos brasileiros. 7. Mostra-se excessiva a 
conservação de dados pessoais coletados, pelo ente público, por 
trinta dias após a decretação do fim da situação de emergência 
de saúde pública, tempo manifestamente excedente ao 
estritamente necessário para o atendimento da sua finalidade 
declarada. 8. Agrava a ausência de garantias de tratamento 
adequado e seguro dos dados compartilhados a circunstância 
de que, embora aprovada, ainda não vigora a Lei Geral de 
Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), definidora dos 
critérios para a responsabilização dos agentes por eventuais 
danos ocorridos em virtude do tratamento de dados pessoais. O 
fragilizado ambiente protetivo impõe cuidadoso escrutínio 
sobre medidas como a implementada na MP nº 954/2020. 9. O 
cenário de urgência decorrente da crise sanitária deflagrada 
pela pandemia global da COVID-19 e a necessidade de 
formulação de políticas públicas que demandam dados 
específicos para o desenho dos diversos quadros de 
enfrentamento não podem ser invocadas como pretextos para 
justificar investidas visando ao enfraquecimento de direitos e 
30 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
Medida Provisória nº 954/2020, nos moldes em que editada, 
interesse público legítimo no compartilhamento dos dados 
pessoais dos usuários dos serviços de telefonia. 5. Ao não 
definir apropriadamente como e para que serão utilizados os 
dados coletados, a MP nº 954/2020 desatende a garantia do 
devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF), na dimensão 
substantiva, por não oferecer condições de avaliação quanto à 
sua adequação e necessidade, assim entendidas como a 
compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas e 
sua limitação ao mínimo necessário para alcançar suas 
finalidades. 6. Ao não apresentar mecanismo técnico ou 
administrativo apto a proteger, de acessos não autorizados, 
vazamentos acidentais ou utilização indevida, seja na 
transmissão, seja no tratamento, o sigilo, a higidez e, quando o 
caso, o anonimato dos dados pessoais compartilhados, a MP nº 
954/2020 descumpre as exigências que exsurgem do texto 
constitucional no tocante à efetiva proteção dos direitos 
fundamentais dos brasileiros. 7. Mostra-se excessiva a 
conservação de dados pessoais coletados, pelo ente público, por 
trinta dias após a decretação do fim da situação de emergência 
de saúde pública, tempo manifestamente excedente ao 
estritamente necessário para o atendimento da sua finalidade 
declarada. 8. Agrava a ausência de garantias de tratamento 
adequado e seguro dos dados compartilhados a circunstância 
de que, embora aprovada, ainda não vigora a Lei Geral de 
Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), definidora dos 
critérios para a responsabilização dos agentes por eventuais 
danos ocorridos em virtude do tratamento de dados pessoais. O 
fragilizado ambiente protetivo impõe cuidadoso escrutínio 
sobre medidas como a implementada na MP nº 954/2020. 9. O 
cenário de urgência decorrente da crise sanitária deflagrada 
pela pandemia global da COVID-19 e a necessidade de 
formulação de políticas públicas que demandam dados 
específicos para o desenho dos diversos quadros de 
enfrentamento não podem ser invocadas como pretextos para 
justificar investidas visando ao enfraquecimento de direitos e 
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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
atropelo de garantias fundamentais consagradas na 
Constituição. 10. Fumus boni juris e periculum in mora 
demonstrados. Deferimento da medida cautelar para suspender 
a eficácia da Medida Provisória nº 954/2020, a fim de prevenir 
danos irreparáveis à intimidade e ao sigilo da vida privada de 
mais de uma centena de milhão de usuários dos serviços de 
telefonia fixa e móvel. 11. Medida cautelar referendada” (ADI 
nº 6.387-MC-Ref, Rel. Min. Rosa Weber, Tribunal Pleno, julgado 
em 7/5/20, DJe de 11/11/20).
Como se observa, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não 
está alheia aos novos tempos e seus desafios específicos. É com base 
nessas duas perspectivas do direito à privacidade, ambas protegidas pelo 
texto constitucional, em seu art. 5º, inciso X, e, sobretudo, nos direitos à 
proteção dos dados pessoais (CRFB/88, art. 5º, inciso XXLIX, acrescido 
pela EC nº 115/22), e à autodeterminação informacional que se examinará, 
no próximo item, a controvérsia constitucional posta.
2.5 Conclusões
Como explicado até aqui, a possibilidade de se acessar, por meio de 
aparelhos celulares, bem mais que metadados relativos à comunicação 
telefônica desloca a discussão travada nestes autos para a questão da 
inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem 
(CF/88, art. 5º, inciso X), do direito à proteção dos dados pessoais, 
inclusive nos meios digitais (CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, introduzido pela 
EC nº 115, de 2022), e do direito à autodeterminação informacional. São 
esses, aliás, em breve síntese, os fatos empíricos e normativos, 
supervenientes ao julgamento do HC nº 91.867, que conferem proteção 
jurídica especial e diferenciada aos dados armazenados e, por 
conseguinte, justificam a superação desse precedente para se construir 
uma solução jurídica mais condizente com a nova realidade.
Assim, se, de um lado, espera-se do Estado uma atuação eficiente na 
persecução penal; de outro, logicamente, não se pode prescindir das 
31 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
atropelo de garantias fundamentais consagradas na 
Constituição. 10. Fumus boni juris e periculum in mora 
demonstrados. Deferimento da medida cautelar para suspender 
a eficácia da Medida Provisória nº 954/2020, a fim de prevenir 
danos irreparáveis à intimidade e ao sigilo da vida privada de 
mais de uma centena de milhão de usuários dos serviços de 
telefonia fixa e móvel. 11. Medida cautelar referendada” (ADI 
nº 6.387-MC-Ref, Rel. Min. Rosa Weber, Tribunal Pleno, julgado 
em 7/5/20, DJe de 11/11/20).
Como se observa, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não 
está alheia aos novos tempos e seus desafios específicos. É com base 
nessas duas perspectivas do direito à privacidade, ambas protegidas pelo 
texto constitucional, em seu art. 5º, inciso X, e, sobretudo, nos direitos à 
proteção dos dados pessoais (CRFB/88, art. 5º, inciso XXLIX, acrescido 
pela EC nº 115/22), e à autodeterminação informacional que se examinará, 
no próximo item, a controvérsia constitucional posta.
2.5 Conclusões
Como explicado até aqui, a possibilidade de se acessar, por meio de 
aparelhos celulares, bem mais que metadados relativos à comunicação 
telefônica desloca a discussão travada nestes autos para a questão da 
inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem 
(CF/88, art. 5º, inciso X), do direito à proteção dos dados pessoais, 
inclusive nos meios digitais (CF/88, art. 5º, inciso LXXIX, introduzido pela 
EC nº 115, de 2022), e do direito à autodeterminação informacional. São 
esses, aliás, em breve síntese, os fatos empíricos e normativos, 
supervenientes ao julgamento do HC nº 91.867, que conferem proteção 
jurídica especial e diferenciada aos dados armazenados e, por 
conseguinte, justificam a superação desse precedente para se construir 
uma solução jurídica mais condizente com a nova realidade.
Assim, se, de um lado, espera-se do Estado uma atuação eficiente na 
persecução penal; de outro, logicamente, não se pode prescindir das 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 79 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
cautelas devidas para a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos, 
evitando que a autoridade policial proceda a um verdadeiro fishing 
expedition a partir de aparelhos celulares apreendidos. 
Há, outrossim, a necessidade de se ponderar o direito fundamental à 
segurança pública da(s) vítima(s) e de toda a sociedade brasileira – que 
possuem a justa expectativa de ver o direito correta e tempestivamente 
aplicado ao infrator da lei penal – com os direitos à vida privada e à 
intimidade, à proteção de dados pessoais e à autodeterminação 
informacional do(s) potencial(is) investigado(s).
Apesar de a apreensão do aparelho celular, nos termos do art. 6º do 
CPP ou em flagrante delito, não se sujeitar à reserva de jurisdição, penso 
que o acesso aos dados nele contidos deve observar algumas 
condicionantes, as quais são mais ou menos rigorosas a depender das 
circunstâncias. 
Nessa linha de raciocínio, se o aparelho celular for encontrado 
fortuitamente no local do fato, o acesso aos respectivos dados, pela 
autoridade policial, para o fim exclusivo de esclarecer a autoria do fato 
supostamente criminoso, ou de quem seja seu proprietário, não depende 
de consentimento ou de prévia decisão judicial. Basta que a autoridade 
policial justifique a adoção da medida, tornando possível o controle 
judicial posterior. 
Diversamente, se o aparelho celular é apreendido por ocasião de 
prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados, pela autoridade 
policial, pressupõe o consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou a autorização judicial prévia. Aliás, é isso o que se infere do 
disposto no art. 7º, inciso III, c/c o disposto no art. 10, § 2º, da Lei nº 
12.965/14. Vide:
“Art. 7. O acesso à internet é essencial ao exercício da 
cidadania, e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:
(...)
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações 
privadas armazenada, salvo ordem judicial;
(...)
32 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C59D-D0C5-FDC7-8CCB e senha 4208-88B0-E356-F6D4
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ARE 1042075 / RJ 
cautelas devidas para a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos, 
evitando que a autoridade policial proceda a um verdadeiro fishing 
expedition a partir de aparelhos celulares apreendidos. 
Há, outrossim, a necessidade de se ponderar o direito fundamental à 
segurança pública da(s) vítima(s) e de toda a sociedade brasileira – que 
possuem a justa expectativa de ver o direito correta e tempestivamente 
aplicado ao infrator da lei penal – com os direitos à vida privada e à 
intimidade, à proteção de dados pessoais e à autodeterminação 
informacional do(s) potencial(is) investigado(s).
Apesar de a apreensãodo aparelho celular, nos termos do art. 6º do 
CPP ou em flagrante delito, não se sujeitar à reserva de jurisdição, penso 
que o acesso aos dados nele contidos deve observar algumas 
condicionantes, as quais são mais ou menos rigorosas a depender das 
circunstâncias. 
Nessa linha de raciocínio, se o aparelho celular for encontrado 
fortuitamente no local do fato, o acesso aos respectivos dados, pela 
autoridade policial, para o fim exclusivo de esclarecer a autoria do fato 
supostamente criminoso, ou de quem seja seu proprietário, não depende 
de consentimento ou de prévia decisão judicial. Basta que a autoridade 
policial justifique a adoção da medida, tornando possível o controle 
judicial posterior. 
Diversamente, se o aparelho celular é apreendido por ocasião de 
prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados, pela autoridade 
policial, pressupõe o consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou a autorização judicial prévia. Aliás, é isso o que se infere do 
disposto no art. 7º, inciso III, c/c o disposto no art. 10, § 2º, da Lei nº 
12.965/14. Vide:
“Art. 7. O acesso à internet é essencial ao exercício da 
cidadania, e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:
(...)
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações 
privadas armazenada, salvo ordem judicial;
(...)
32 
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ARE 1042075 / RJ 
Art. 10. A guarda e a disponibilização dos registros de 
conexão e de acesso a aplicações de internet de que trata esta 
Lei, bem como de dados pessoais e do conteúdo de 
comunicações privadas, devem atender à preservação da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das partes 
direta ou indiretamente envolvidas.
(...)
§ 2º O conteúdo das comunicações privadas somente 
poderá ser disponibilizado mediante ordem judicial, nas 
hipóteses e na forma que a lei estabelecer, respeitado o disposto 
nos incisos II e III do art. 7º.”
O requerimento formal de acesso aos dados contidos no aparelho 
celular apreendido possibilitará ao juízo sopesar, diante das 
peculiaridades e das circunstâncias do caso concreto, a adequação, a 
necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito da medida, 
delimitando sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à 
intimidade, à privacidade, à proteção dos dados pessoais, inclusive nos 
meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, CRFB/88) e à autodeterminação 
informacional e, ainda, assegurará a lisura da cadeia de custódia das 
provas porventura obtidas a partir daí, como determinam o art. 158-A e 
seguintes do CPP, inseridos pela Lei nº 13.964, de 2019.
Registro, outrossim, que esse não é um posicionamento inédito. Há 
muito tempo, o Superior Tribunal de Justiça
“vem enfatizando, em sucessivos julgados, que é ilícita a 
tomada de dados, bem como das conversas de WhatsApp, 
obtidas diretamente pela autoridade policial em aparelho 
celular apreendido no flagrante, sem prévia autorização 
judicial” (STJ, HC nº 674.185/MG, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, Sexta Turma, julgado em 17/8/21, DJe de 20/8/21).
Para o referido Tribunal Superior, os dados constantes de aparelhos 
celulares somente são admitidos como prova lícita no processo penal 
quando (i) há prévio mandado de busca e apreensão expedido por juiz 
33 
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Art. 10. A guarda e a disponibilização dos registros de 
conexão e de acesso a aplicações de internet de que trata esta 
Lei, bem como de dados pessoais e do conteúdo de 
comunicações privadas, devem atender à preservação da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das partes 
direta ou indiretamente envolvidas.
(...)
§ 2º O conteúdo das comunicações privadas somente 
poderá ser disponibilizado mediante ordem judicial, nas 
hipóteses e na forma que a lei estabelecer, respeitado o disposto 
nos incisos II e III do art. 7º.”
O requerimento formal de acesso aos dados contidos no aparelho 
celular apreendido possibilitará ao juízo sopesar, diante das 
peculiaridades e das circunstâncias do caso concreto, a adequação, a 
necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito da medida, 
delimitando sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à 
intimidade, à privacidade, à proteção dos dados pessoais, inclusive nos 
meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, CRFB/88) e à autodeterminação 
informacional e, ainda, assegurará a lisura da cadeia de custódia das 
provas porventura obtidas a partir daí, como determinam o art. 158-A e 
seguintes do CPP, inseridos pela Lei nº 13.964, de 2019.
Registro, outrossim, que esse não é um posicionamento inédito. Há 
muito tempo, o Superior Tribunal de Justiça
“vem enfatizando, em sucessivos julgados, que é ilícita a 
tomada de dados, bem como das conversas de WhatsApp, 
obtidas diretamente pela autoridade policial em aparelho 
celular apreendido no flagrante, sem prévia autorização 
judicial” (STJ, HC nº 674.185/MG, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, Sexta Turma, julgado em 17/8/21, DJe de 20/8/21).
Para o referido Tribunal Superior, os dados constantes de aparelhos 
celulares somente são admitidos como prova lícita no processo penal 
quando (i) há prévio mandado de busca e apreensão expedido por juiz 
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competente; ou (ii) há autorização judicial para o acesso aos dados dos 
celulares apreendidos; ou, ainda, (iii) quando há autorização voluntária 
para esse acesso pelo titular dos dados (v.g., REsp nº 1.675.501/MG, Rel. 
Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/10/17; AgRg no HC 
nº 646.771/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, DJe de 
13/8/21; AgRg no HC nº 773.03/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, 
DJe de 19/10/23; AgRg no AREsp nº 2.347.064/SC, Rel. Min. Reinaldo 
Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/10/23; AgRg na Pet no HC nº 
768.319/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 
20/12/23).
No mesmo sentido, cito também o seguinte precedente da Segunda 
Turma do Supremo Tribunal Federal:
“Habeas corpus. 2. Acesso a aparelho celular por 
policiais sem autorização judicial. Verificação de conversas 
em aplicativo de WhatsApp. Sigilo das comunicações e da 
proteção de dados. Direito fundamental à intimidade e à 
privada privada. Superação da jurisprudência firmada no HC 
91.867/PA. Relevante modificação das circunstâncias fáticas e 
jurídicas. Mutação constitucional. Necessidade de autorização 
judicial. 3. Violação ao domicílio do réu após apreensão ilegal 
do celular. 4. Alegação de fornecimento voluntário do acesso ao 
aparelho telefônico. 5. Necessidade de se estabelecer garantias 
para a efetivação do direito à não autoincriminação. 6. Ordem 
concedida para declarar a ilicitude das provas ilícitas e de todas 
dela derivadas” (HC nº 168.052/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
Segunda Turma, julgado em 20/10/20, DJe de 2/12/20).
Ademais, o requerimento de autorizaçãojudicial para o acesso a 
dados não acarreta, por si só, qualquer prejuízo ao andamento das 
investigações. Primeiro, porque os agentes do sistema de justiça devem 
conferir à formulação e ao processamento de pedidos dessa natureza a 
celeridade necessária. Assim, a autoridade policial deve atuar o mais 
rápido e eficiente possível, ao passo em que o Poder Judiciário deve 
tramitar e apreciar o pedido com prioridade, inclusive em regime de 
34 
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competente; ou (ii) há autorização judicial para o acesso aos dados dos 
celulares apreendidos; ou, ainda, (iii) quando há autorização voluntária 
para esse acesso pelo titular dos dados (v.g., REsp nº 1.675.501/MG, Rel. 
Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/10/17; AgRg no HC 
nº 646.771/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, DJe de 
13/8/21; AgRg no HC nº 773.03/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, 
DJe de 19/10/23; AgRg no AREsp nº 2.347.064/SC, Rel. Min. Reinaldo 
Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/10/23; AgRg na Pet no HC nº 
768.319/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 
20/12/23).
No mesmo sentido, cito também o seguinte precedente da Segunda 
Turma do Supremo Tribunal Federal:
“Habeas corpus. 2. Acesso a aparelho celular por 
policiais sem autorização judicial. Verificação de conversas 
em aplicativo de WhatsApp. Sigilo das comunicações e da 
proteção de dados. Direito fundamental à intimidade e à 
privada privada. Superação da jurisprudência firmada no HC 
91.867/PA. Relevante modificação das circunstâncias fáticas e 
jurídicas. Mutação constitucional. Necessidade de autorização 
judicial. 3. Violação ao domicílio do réu após apreensão ilegal 
do celular. 4. Alegação de fornecimento voluntário do acesso ao 
aparelho telefônico. 5. Necessidade de se estabelecer garantias 
para a efetivação do direito à não autoincriminação. 6. Ordem 
concedida para declarar a ilicitude das provas ilícitas e de todas 
dela derivadas” (HC nº 168.052/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
Segunda Turma, julgado em 20/10/20, DJe de 2/12/20).
Ademais, o requerimento de autorização judicial para o acesso a 
dados não acarreta, por si só, qualquer prejuízo ao andamento das 
investigações. Primeiro, porque os agentes do sistema de justiça devem 
conferir à formulação e ao processamento de pedidos dessa natureza a 
celeridade necessária. Assim, a autoridade policial deve atuar o mais 
rápido e eficiente possível, ao passo em que o Poder Judiciário deve 
tramitar e apreciar o pedido com prioridade, inclusive em regime de 
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plantão.
Segundo, porque é possível à autoridade policial, cautelarmente, 
preservar dados e metadados contidos no aparelho celular apreendido, 
mesmo antes da autorização judicial , por meio do uso de backup – isto 
é, de uma cópia de segurança dos dados e metadados extraídos do celular 
apreendido –, conservando-os, na íntegra e intactos, para uma análise 
futura. 
A esse respeito, anoto que, hoje, a mera apreensão de equipamento 
eletrônico pode não ser suficiente para se salvaguardarem dados e 
metadados nele contidos, tendo em vista a possibilidade de acesso 
remoto, pelo titular dos dados ou por terceiro, para o fim de excluí-los 
ou alterá-los. Desse modo, o backup é medida apta a acautelar a futura 
prova, cuja pertinência e necessidade são presumidas no atual estágio 
tecnológico. Além disso, há longa data é possível extrair dados sem 
tratá-los, assim como assegurar, por meios técnicos, a fidedignidade dos 
dados extraídos. Irregularidades e abusos na preservação da futura prova 
podem ser constatados pericialmente, em momento oportuno, e, uma vez 
alegados, são passíveis de controle judicial posterior. 
Por todas essas razões, acolhendo as sugestões dos Ministros Gilmar 
Mendes, Cristiano Zanin e Roberto Barroso, as quais agregaram à 
proposta original hipóteses não contempladas inicialmente, mas de 
extrema relevância prática, sintetizo a tese de repercussão geral nos 
seguintes termos:
“1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva 
de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve 
observar as seguintes condicionantes:
1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de aparelho celular, 
o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou de 
quem seja seu proprietário, não depende do consentimento ou 
de prévia decisão judicial, desde que justificada posteriormente 
a adoção da medida.
35 
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plantão.
Segundo, porque é possível à autoridade policial, cautelarmente, 
preservar dados e metadados contidos no aparelho celular apreendido, 
mesmo antes da autorização judicial , por meio do uso de backup – isto 
é, de uma cópia de segurança dos dados e metadados extraídos do celular 
apreendido –, conservando-os, na íntegra e intactos, para uma análise 
futura. 
A esse respeito, anoto que, hoje, a mera apreensão de equipamento 
eletrônico pode não ser suficiente para se salvaguardarem dados e 
metadados nele contidos, tendo em vista a possibilidade de acesso 
remoto, pelo titular dos dados ou por terceiro, para o fim de excluí-los 
ou alterá-los. Desse modo, o backup é medida apta a acautelar a futura 
prova, cuja pertinência e necessidade são presumidas no atual estágio 
tecnológico. Além disso, há longa data é possível extrair dados sem 
tratá-los, assim como assegurar, por meios técnicos, a fidedignidade dos 
dados extraídos. Irregularidades e abusos na preservação da futura prova 
podem ser constatados pericialmente, em momento oportuno, e, uma vez 
alegados, são passíveis de controle judicial posterior. 
Por todas essas razões, acolhendo as sugestões dos Ministros Gilmar 
Mendes, Cristiano Zanin e Roberto Barroso, as quais agregaram à 
proposta original hipóteses não contempladas inicialmente, mas de 
extrema relevância prática, sintetizo a tese de repercussão geral nos 
seguintes termos:
“1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva 
de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve 
observar as seguintes condicionantes:
1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de aparelho celular, 
o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou de 
quem seja seu proprietário, não depende do consentimento ou 
de prévia decisão judicial, desde que justificada posteriormente 
a adoção da medida.
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ARE 1042075 / RJ1.2 Em se tratando de aparelho celular apreendido por 
ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados 
está condicionado ao consentimento expresso e livre do titular 
dos dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e 
art. 10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite 
sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à 
privacidade, à proteção dos dados pessoais e à 
autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a 
celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de plantão.
2. A autoridade policial poderá adotar as providências 
necessárias para a preservação dos dados e metadados contidos 
no aparelho celular apreendido, desde que (i) justifique o 
fundado receio de que os dados sejam eliminados pelo seu 
titular ou por terceiros; (ii) demonstre, por meios técnicos, que 
não foi realizado nenhum outro tratamento desses dados”.
2.6 Do exame do caso concreto 
No caso dos autos, o aparelho celular foi encontrado fortuitamente, 
no local do crime, e apreendido pela autoridade policial com amparo no 
art. 6º, inciso II, do CPP, por interessar à investigação. Ademais, pelo que 
consta dos autos, o acesso aos dados, apesar de não ter sido precedido de 
autorização judicial, ficou restrito ao objetivo de esclarecer a autoria do 
fato supostamente criminoso. 
Desse modo, o caso dos autos se amolda perfeitamente ao item 1.1 
da tese acima, não havendo que se falar em ilicitude da prova em que se 
baseou o decreto condenatório proferido em primeiro grau de 
jurisdição.
Observo, por fim, que o recurso de apelação da defesa impugnou 
tão somente o capítulo de sentença referente à dosimetria da pena, de 
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1.2 Em se tratando de aparelho celular apreendido por 
ocasião de prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados 
está condicionado ao consentimento expresso e livre do titular 
dos dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e 
art. 10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite 
sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à 
privacidade, à proteção dos dados pessoais e à 
autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a 
celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de plantão.
2. A autoridade policial poderá adotar as providências 
necessárias para a preservação dos dados e metadados contidos 
no aparelho celular apreendido, desde que (i) justifique o 
fundado receio de que os dados sejam eliminados pelo seu 
titular ou por terceiros; (ii) demonstre, por meios técnicos, que 
não foi realizado nenhum outro tratamento desses dados”.
2.6 Do exame do caso concreto 
No caso dos autos, o aparelho celular foi encontrado fortuitamente, 
no local do crime, e apreendido pela autoridade policial com amparo no 
art. 6º, inciso II, do CPP, por interessar à investigação. Ademais, pelo que 
consta dos autos, o acesso aos dados, apesar de não ter sido precedido de 
autorização judicial, ficou restrito ao objetivo de esclarecer a autoria do 
fato supostamente criminoso. 
Desse modo, o caso dos autos se amolda perfeitamente ao item 1.1 
da tese acima, não havendo que se falar em ilicitude da prova em que se 
baseou o decreto condenatório proferido em primeiro grau de 
jurisdição.
Observo, por fim, que o recurso de apelação da defesa impugnou 
tão somente o capítulo de sentença referente à dosimetria da pena, de 
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ARE 1042075 / RJ 
modo que o julgamento do presente recurso extraordinário com agravo 
torna certa a questão de mérito – e, portanto, a condenação do recorrido, 
porque, nesse ponto, foi decidida pela última instância do Poder 
Judiciário Brasileiro – , possibilitando, inclusive, eventual expedição de 
mandado de prisão para o início do cumprimento da pena , sem 
prejuízo, logicamente, do retorno dos autos ao Tribunal de Origem para 
apreciação, COM A MÁXIMA URGÊNCIA, das teses defensivas 
pertinentes à dosimetria da pena. 
3. DISPOSITIVO
Ante o exposto, dou provimento ao agravo e, ato contínuo, ao 
recurso extraordinário para reconhecer a licitude da prova e, por 
conseguinte, restabelecer a sentença condenatória proferida em 
primeiro grau de jurisdição em desfavor de GUILHERME CARVALHO 
FARIAS.
Tendo em vista o julgamento do presente recurso, dou por 
prejudicados os requerimentos constantes das Petições/STF nº 38.990/18 
e nº 77.244/17, as quais continham pedido de suspensão de processos que 
tramitam em instâncias ordinárias. 
Por fim, acolhidas as valiosas contribuições trazidas pelos 
eminentes pares por ocasião da sessão de julgamento, reajusto a tese de 
repercussão geral, cujo teor passa a ser o seguinte: 
“1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva 
de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve 
observar as seguintes condicionantes:
1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de aparelho celular, 
o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou quem 
seja o proprietário do aparelho, não depende do consentimento 
ou de prévia decisão judicial, desde que justificada 
posteriormente a adoção da medida.
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modo que o julgamento do presente recurso extraordinário com agravo 
torna certa a questão de mérito – e, portanto, a condenação do recorrido, 
porque, nesse ponto, foi decidida pela última instância do Poder 
Judiciário Brasileiro – , possibilitando, inclusive, eventual expedição de 
mandado de prisão para o início do cumprimento da pena , sem 
prejuízo, logicamente, do retorno dos autos ao Tribunal de Origem para 
apreciação, COM A MÁXIMA URGÊNCIA, das teses defensivas 
pertinentes à dosimetria da pena. 
3. DISPOSITIVO
Ante o exposto, dou provimento ao agravo e, ato contínuo, ao 
recurso extraordinário para reconhecer a licitude da prova e, por 
conseguinte, restabelecer a sentença condenatória proferida em 
primeiro grau de jurisdição em desfavor de GUILHERME CARVALHO 
FARIAS.
Tendo em vista o julgamento do presente recurso, dou por 
prejudicados os requerimentos constantes das Petições/STF nº 38.990/18 
e nº 77.244/17, as quais continham pedido de suspensão de processos que 
tramitam em instâncias ordinárias. 
Por fim, acolhidas as valiosascontribuições trazidas pelos 
eminentes pares por ocasião da sessão de julgamento, reajusto a tese de 
repercussão geral, cujo teor passa a ser o seguinte: 
“1. A mera apreensão do aparelho celular, nos termos do 
art. 6º do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva 
de jurisdição. Contudo, o acesso aos dados nele contidos deve 
observar as seguintes condicionantes:
1.1 Nas hipóteses de encontro fortuito de aparelho celular, 
o acesso aos respectivos dados para o fim exclusivo de 
esclarecer a autoria do fato supostamente criminoso, ou quem 
seja o proprietário do aparelho, não depende do consentimento 
ou de prévia decisão judicial, desde que justificada 
posteriormente a adoção da medida.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 85 de 219
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
ARE 1042075 / RJ 
1.2 No caso de aparelho celular apreendido por ocasião de 
prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados está 
condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 
10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite 
sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à 
privacidade, à proteção dos dados pessoais e à 
autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a 
celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de plantão.
2. A autoridade policial poderá adotar as providências 
necessárias para a preservação dos dados e metadados contidos 
no aparelho celular apreendido, antes da autorização judicial, 
justificando posteriormente a adoção da medida. 
3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente 
formulados pelas defesas até a data do encerramento do 
presente julgamento".
É como voto.
38 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
1.2 No caso de aparelho celular apreendido por ocasião de 
prisão em flagrante, o acesso aos respectivos dados está 
condicionado ao consentimento expresso e livre do titular dos 
dados ou de prévia decisão judicial (cf. art. 7º, inciso III, e art. 
10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em 
elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite 
sua abrangência à luz dos direitos fundamentais à intimidade, à 
privacidade, à proteção dos dados pessoais e à 
autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos X e LXXIX, da CRFB/88). Nesses casos, a 
celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de plantão.
2. A autoridade policial poderá adotar as providências 
necessárias para a preservação dos dados e metadados contidos 
no aparelho celular apreendido, antes da autorização judicial, 
justificando posteriormente a adoção da medida. 
3. As teses acima enunciadas só produzirão efeitos 
prospectivos, ressalvados os pedidos eventualmente 
formulados pelas defesas até a data do encerramento do 
presente julgamento".
É como voto.
38 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 86 de 219
Proposta
21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
PROPOSTA
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Em relação à tese, dado o adiantado da hora, eu poderia fazer a 
leitura, como eu disse, porque minha tese é atual. Há duas teses: uma tese 
mais geral e uma tese mais na linha do que Vossa Excelência propôs.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - E aí amadurecemos.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
E aí suspenderíamos e retomaríamos em um outro momento. 
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Eu sugeriria, então, 
nessa linha, Ministro Toffoli, se me permite, considerar a proposta do 
recolhimento - acho que o Ministro Dino enfatizou - associada a eventual 
excepcionalidade, que justificaríamos pelo princípio da 
proporcionalidade.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Mas com controle 
jurisdicional posterior. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É, mas eu estou só fazendo sugestão, eu não estou fechando a tese, 
pelo contrário. Estou querendo fazer a leitura das propostas, para que 
todos nós possamos analisar duas proposições e, depois ‒ não será hoje, 
em razão do tempo ‒, decidirmos, seja por uma tese mais ampla, seja por 
uma tese mais restritiva, como propôs o Presidente.
Posso, Senhor Presidente, então, fazer a leitura?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Por favor. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Aquilo que seria uma tese mais genérica, que eu estava lendo:
1) O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos celulares depende 
do consentimento do titular dos dados ou de prévia decisão judicial (art. 
7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base 
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21/05/2025 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075 RIO DE JANEIRO
PROPOSTA
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Em relação à tese, dado o adiantado da hora, eu poderia fazer a 
leitura, como eu disse, porque minha tese é atual. Há duas teses: uma tese 
mais geral e uma tese mais na linha do que Vossa Excelência propôs.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - E aí amadurecemos.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
E aí suspenderíamos e retomaríamos em um outro momento. 
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Eu sugeriria, então, 
nessa linha, Ministro Toffoli, se me permite, considerar a proposta do 
recolhimento - acho que o Ministro Dino enfatizou - associada a eventual 
excepcionalidade, que justificaríamos pelo princípio da 
proporcionalidade.
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Mas com controle 
jurisdicional posterior. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
É, mas eu estou só fazendo sugestão, eu não estou fechando a tese, 
pelo contrário. Estou querendo fazer a leitura das propostas, para que 
todos nós possamos analisar duas proposições e, depois ‒ não será hoje, 
em razão do tempo ‒, decidirmos, seja por uma tese mais ampla, seja por 
uma tese mais restritiva, como propôs o Presidente.
Posso, Senhor Presidente, então, fazer a leitura?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Por favor. 
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR):
Aquilo que seria uma tese mais genérica, que eu estava lendo:
1) O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos celulares depende 
do consentimento do titular dos dados ou de prévia decisão judicial (art. 
7º, inciso III, e art. 10, § 2º, da Leilícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
 
Composição: Ministros Luiz Fux (Presidente), Marco Aurélio, 
Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, 
Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 219
Extrato de Ata - 22/04/2024
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
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Supremo Tribunal Federal
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 219
Extrato de Ata - 22/04/2024
nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local donº 12.965/14) que justifique, com base 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 87 de 219
Proposta
ARE 1042075 / RJ 
em elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite sua 
abrangência à luz de direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à 
proteção dos dados pessoais e à autodeterminação informacional, 
inclusive nos meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, da Constituição).
2) A apreensão do aparelho celular, nos termos do art. 6º, incisos II e 
III, do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva de jurisdição. 
A apreensão, para ficar claro, como disse o Ministro Alexandre de 
Moraes, nem precisaria estar aqui, mas para não ter confusão, colocamos 
assim, dessa maneira, nessa sugestão genérica.
3) Nas hipóteses de acesso não consentido a dados de telefone 
celular, a celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível, e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive 
em regime de plantão. Apenas excepcionalmente será possível a 
preservação dos dados e metadados do titular do dispositivo antes da 
autorização judicial, caso em que a autoridade policial deve: primeiro, 
justificar fundado receio de que os dados sejam eliminados por seu titular 
ou por terceiro. Segundo, demonstrar, por meios técnicos, que não foi 
realizado nenhum outro tratamento desses dados. Então, essa seria a tese 
geral.
A tese mais específica para o caso seria a seguinte. Depois eu 
imprimirei as teses e passarei aos gabinetes de Vossas Excelências para a 
futura discussão, não na data de hoje, até pelo adiantado da hora, 
evidentemente, se o Presidente quiser continuar a sessão, eu estou à 
disposição até o horário que for necessário, como Relator, mas só para 
evitar que talvez façamos um debate agora. Então, eu já me comprometo 
a mandar os dois textos aos gabinetes dos eminentes colegas. Então, 
quanto à tese mais restritiva.
Na verdade, Vossa Excelência, em relação ao tema de repercussão 
geral, Vossa Excelência tem razão, ele ficou exatamente, pela ementa da 
repercussão geral, da seguinte forma: Constitucional. Processo penal. 
Perícia realizada pela autoridade policial em aparelho celular encontrado 
fortuitamente no local do crime. Acesso à agenda telefônica etc. Então, ela 
2 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075 / RJ 
em elementos concretos, a proporcionalidade da medida e delimite sua 
abrangência à luz de direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à 
proteção dos dados pessoais e à autodeterminação informacional, 
inclusive nos meios digitais (art. 5º, incisos X e LXXIX, da Constituição).
2) A apreensão do aparelho celular, nos termos do art. 6º, incisos II e 
III, do CPP ou em flagrante delito, não está sujeita à reserva de jurisdição. 
A apreensão, para ficar claro, como disse o Ministro Alexandre de 
Moraes, nem precisaria estar aqui, mas para não ter confusão, colocamos 
assim, dessa maneira, nessa sugestão genérica.
3) Nas hipóteses de acesso não consentido a dados de telefone 
celular, a celeridade se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possível, e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive 
em regime de plantão. Apenas excepcionalmente será possível a 
preservação dos dados e metadados do titular do dispositivo antes da 
autorização judicial, caso em que a autoridade policial deve: primeiro, 
justificar fundado receio de que os dados sejam eliminados por seu titular 
ou por terceiro. Segundo, demonstrar, por meios técnicos, que não foi 
realizado nenhum outro tratamento desses dados. Então, essa seria a tese 
geral.
A tese mais específica para o caso seria a seguinte. Depois eu 
imprimirei as teses e passarei aos gabinetes de Vossas Excelências para a 
futura discussão, não na data de hoje, até pelo adiantado da hora, 
evidentemente, se o Presidente quiser continuar a sessão, eu estou à 
disposição até o horário que for necessário, como Relator, mas só para 
evitar que talvez façamos um debate agora. Então, eu já me comprometo 
a mandar os dois textos aos gabinetes dos eminentes colegas. Então, 
quanto à tese mais restritiva.
Na verdade, Vossa Excelência, em relação ao tema de repercussão 
geral, Vossa Excelência tem razão, ele ficou exatamente, pela ementa da 
repercussão geral, da seguinte forma: Constitucional. Processo penal. 
Perícia realizada pela autoridade policial em aparelho celular encontrado 
fortuitamente no local do crime. Acesso à agenda telefônica etc. Então, ela 
2 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 88 de 219
Proposta
ARE 1042075 / RJ 
está mais específica mesmo. Por isso que eu trago duas sugestões, embora 
eu ache pessoalmente que nós poderíamos avançar para uma questão 
mais ampla, mas isso é uma questão que nós faremos depois.
A tese mais restritiva:
1) Nas hipóteses de encontro fortuito de aparelho celular na cena do 
crime, o acesso aos respectivos dados não depende do consentimento do 
proprietário ou de prévia decisão judicial.
2) No caso de aparelho celular apreendido por ocasião de prisão em 
flagrante, o acesso aos respectivos dados está condicionado ao 
consentimento expresso e livre do flagranteado ou à obtenção pela 
autoridade policial de prévia decisão judicial (art. 7º, inciso III, e art. 10, § 
2º, da Lei nº 12.965/14) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos dados 
pessoais e à autodeterminação informacional, inclusive nos meios digitais 
(art. 5º, incisos V e LXXIX, da Constituição). 
Nesses casos, a celeridade se impõe, devendo a autoridade policial 
atuar com a maior rapidez e eficiência possível se o Poder Judiciário 
conferir tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de plantão.
Apenas excepcionalmente será possível a preservação dos dados e 
metadados contidos nos dispositivos apreendidos antes da autorização 
judicial, caso em que a autoridade policial deve, primeiro, justificar 
fundado receio de que os dados sejam eliminados por seu titular ou por 
terceiro; e, segundo, demonstrar, por meios técnicos, que não foi 
realizado nenhum outro tratamento desses dados. 
E aquela situação, dentro desse limite, de que a apreensão do celular, 
nos termos do art. 6º, incisos II e III, ou em flagrante delito, não está 
sujeita à reserva de jurisdição. 
O SENHOR MINISTRO FLÁVIO DINO - Qual a tese mais restrita? 
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO 
(PRESIDENTE) - Essa tese, Ministro Toffoli, parte do princípio de 
flagrante delito.
3 
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Supremo Tribunal Federal
ARE 1042075crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Supremo Tribunal Federal
nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Extrato de Ata - 23/09/2024
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimentoao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Decisão: Em continuidade de julgamento, pediu vista dos autos 
o Ministro Cristiano Zanin. Nesta assentada, o Ministro Flávio 
Dino reajustou seu voto para acompanhar, com ressalvas, o Ministro 
Dias Toffoli (Relator), negando provimento ao recurso 
extraordinário, mas mantendo a tese já proposta em assentada 
anterior. Plenário, Sessão Virtual de 13.9.2024 a 20.9.2024.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Decisão: Em continuidade de julgamento, pediu vista dos autos 
o Ministro Cristiano Zanin. Nesta assentada, o Ministro Flávio 
Dino reajustou seu voto para acompanhar, com ressalvas, o Ministro 
Dias Toffoli (Relator), negando provimento ao recurso 
extraordinário, mas mantendo a tese já proposta em assentada 
anterior. Plenário, Sessão Virtual de 13.9.2024 a 20.9.2024.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Extrato de Ata - 05/03/2025
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.042.075
PROCED. : RIO DE JANEIRO
RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI
RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO
RECDO.(A/S) : GUILHERME CARVALHO FARIAS
ADV.(A/S) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AM. CURIAE. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA 
CATARINA
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIENCIAS CRIMINAIS
ADV.(A/S) : DEBORAH MACEDO DUPRAT DE BRITTO PEREIRA (65698/DF) E 
OUTRO(A/S)
Decisão: Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que 
dava provimento ao agravo e, ato contínuo, ao recurso 
extraordinário, de modo que, cassando-se o acórdão recorrido, se 
determine ao Tribunal de origem que prossiga no julgamento da 
apelação criminal, conforme de direito, julgando prejudicados os 
requerimentos constantes das petições/STF nº 38990/2018 e nº 
77244/2017, e fixava a seguinte tese (tema 977 da repercussão 
geral): "É lícita a prova obtida pela autoridade policial, sem 
autorização judicial, mediante acesso a registro telefônico ou 
agenda de contatos de celular apreendido ato contínuo no local do 
crime atribuído ao acusado, não configurando esse acesso ofensa ao 
sigilo das comunicações, à intimidade ou à privacidade do 
indivíduo (CF, art. 5º, incisos X e XII)"; e dos votos dos 
Ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, que negavam provimento ao 
recurso interposto e propunham a fixação da seguinte tese: “O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade e ao sigilo das 
comunicações e dados dos indivíduos (CF, art. 5º, X e XX)”, pediu 
vista dos autos o Ministro Alexandre de Moraes. Falou, pelo 
recorrido, o Dr. Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público 
do Estado do Rio de Janeiro. Plenário, Sessão Virtual de 
30.10.2020 a 10.11.2020.
Decisão: Em continuidade de julgamento e após o voto do 
Ministro Dias Toffoli (Relator), que, alterando seu entendimento 
original, negava provimento ao recurso extraordinário com agravo; 
julgava prejudicados os requerimentos constantes das petições/STF 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 027A-9EE4-EB3E-941B e senha 63E5-DC2A-7901-C848
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nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Decisão: Em continuidade de julgamento, pediu vista dos autos 
o Ministro Cristiano Zanin. Nesta assentada, o Ministro Flávio 
Dino reajustou seu voto para acompanhar, com ressalvas, o Ministro 
Dias Toffoli (Relator), negando provimento ao recurso 
extraordinário, mas mantendo a tese já proposta em assentada 
anterior. Plenário, Sessão Virtual de 13.9.2024 a 20.9.2024.
Decisão: Após o voto-vista do Ministro Cristiano Zanin, que 
acompanhava, com ressalvas, o voto do Ministro Dias Toffoli 
(Relator), para negarprovimento ao agravo em recurso 
extraordinário e propor a seguinte tese de repercussão geral para 
o Tema 977: 1. O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos 
celulares depende do consentimento do titular dos dados ou de 
prévia decisão judicial (arts. 7º, III, e 10, § 2º, da Lei n. 
12.965/2014) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos 
dados pessoais e à autodeterminação informacional, inclusive nos 
meios digitais (art. 5º, X e LXXIX, CR). 2. A apreensão do 
aparelho celular, nos termos do art. 6º do CPP, ou em flagrante 
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Supremo Tribunal Federal
nº 38990/2018 e nº 77244/2017, as quais continham pedido de 
suspensão de processos que tramitam em instâncias ordinárias; e, 
aderindo, com acréscimo, à proposta do Ministro Gilmar Mendes, 
propunha a seguinte tese (tema 977 da repercussão geral): “1. O 
acesso a registro telefônico, agenda de contatos e demais dados 
contidos em aparelhos celulares apreendidos no local do crime 
atribuído ao acusado depende de prévia decisão judicial que 
justifique, com base em elementos concretos, a necessidade e a 
adequação da medida e delimite a sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, ao sigilo das 
comunicações e à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios 
digitais (CF, art. 5º, X, XII e LXXIX). 2. Em tais hipóteses, a 
celeridade se impõe, devendo a Autoridade Policial atuar com a 
maior rapidez e eficiência possíveis e o Poder Judiciário conferir 
tramitação e apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, 
inclusive em regime de Plantão”; e do voto do Ministro Flávio 
Dino, que acompanhava o Ministro Gilmar Mendes negando provimento 
ao agravo em recurso extraordinário, mas propunha a seguinte tese: 
“Visando proteger os direitos fundamentais à privacidade e 
intimidade, o acesso a qualquer conteúdo de aparelho celular 
apreendido depende de decisão judicial fundamentada. Contudo, a 
apreensão do aparelho celular, nos termos do artigo 6º do CPP, ou 
em flagrante delito, bem como a determinação de preservação dos 
dados e metadados de suspeitos ou investigados, não está sujeita à 
reserva de jurisdição”, pediu vista dos autos o Ministro André 
Mendonça. Nesta assentada, o Ministro Edson Fachin passou a 
acompanhar o voto do Ministro Dias Toffoli. Plenário, Sessão 
Virtual de 12.4.2024 a 19.4.2024.
Decisão: Em continuidade de julgamento, pediu vista dos autos 
o Ministro Cristiano Zanin. Nesta assentada, o Ministro Flávio 
Dino reajustou seu voto para acompanhar, com ressalvas, o Ministro 
Dias Toffoli (Relator), negando provimento ao recurso 
extraordinário, mas mantendo a tese já proposta em assentada 
anterior. Plenário, Sessão Virtual de 13.9.2024 a 20.9.2024.
Decisão: Após o voto-vista do Ministro Cristiano Zanin, que 
acompanhava, com ressalvas, o voto do Ministro Dias Toffoli 
(Relator), para negar provimento ao agravo em recurso 
extraordinário e propor a seguinte tese de repercussão geral para 
o Tema 977: 1. O acesso a dados obtidos a partir de aparelhos 
celulares depende do consentimento do titular dos dados ou de 
prévia decisão judicial (arts. 7º, III, e 10, § 2º, da Lei n. 
12.965/2014) que justifique, com base em elementos concretos, a 
proporcionalidade da medida e delimite sua abrangência à luz dos 
direitos fundamentais à intimidade, à privacidade, à proteção dos 
dados pessoais e à autodeterminação informacional, inclusive nos 
meios digitais (art. 5º, X e LXXIX, CR). 2. A apreensão do 
aparelho celular, nos termos do art. 6º do CPP, ou em flagrante 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 219
Extrato de Ata - 05/03/2025
delito, não está sujeita à reserva de jurisdição. 3. Nas hipóteses 
de acesso não consentido a dados de telefone celular, a celeridade 
se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a maior rapidez 
e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e 
apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive em 
regime de plantão. Apenas excepcionalmente será possível a 
preservação dos dados e metadados do titular do dispositivo, antes 
da autorização judicial, caso em que a autoridade policial deve 
(i) justificar o fundado receio de que os dados sejam eliminados 
pelo seu titular ou por terceiros e (ii) demonstrar, por meios 
técnicos, que não foi realizado nenhum outro tratamento desses 
dados; e do voto do Ministro Luís Roberto Barroso (Presidente), 
que conhecia do agravo e dava-lhe provimento para dar provimento 
ao recurso extraordinário do Ministério Público do Rio de Janeiro, 
determinando que o Tribunal de origem prossiga no julgamento da 
apelação da defesa (o TJ/RJ deve examinar as teses veiculadas pela 
defesa na apelação, consistentes, basicamente, nos questionamentos 
com relação à dosimetria da pena. Obs: na apelação, a defesa não 
cogitou de nulidade da prova), propondo a fixação da seguinte tese 
de julgamento: “A autoridade policial pode examinar, 
independentemente de autorização judicial, os registros das 
últimas chamadas e a agenda de contatos telefônicos armazenados em 
aparelho celular abandonado pelo acusado no local do crime”, o 
processo foi destacado pelo Ministro Flávio Dino. Plenário, Sessão 
Virtual de 21.2.2025 a 28.2.2025.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), 
Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, 
Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano 
Zanin e Flávio Dino.
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Supremo Tribunal Federal
delito, não está sujeita à reserva de jurisdição. 3. Nas hipóteses 
de acesso não consentido a dados de telefone celular, a celeridade 
se impõe, devendo a autoridade policial atuar com a maior rapidez 
e eficiência possível e o Poder Judiciário conferir tramitação e 
apreciação prioritárias aos pedidos dessa natureza, inclusive em 
regime de plantão. Apenas excepcionalmente será possível a 
preservação dos dados e metadados do titular do dispositivo, antes 
da autorização judicial, caso em que a autoridade policial deve 
(i) justificar o fundado receio de que os dados sejam eliminados 
pelo seu titular ou por terceiros e (ii) demonstrar, por meios 
técnicos, que não foi realizado nenhum outro tratamento desses 
dados; e do voto do Ministro Luís Roberto Barroso (Presidente), 
que conhecia do agravo e dava-lhe provimento para dar provimento 
ao recurso extraordinário do Ministério Público do Rio de Janeiro, 
determinando que o Tribunal de origem prossiga no julgamento da 
apelação da defesa (o TJ/RJ deve examinar as teses veiculadas pela 
defesa na apelação, consistentes, basicamente, nos questionamentos 
com relação à dosimetria da pena. Obs: na apelação, a defesa não 
cogitou de nulidade da prova), propondo a fixação da seguinte tese 
de julgamento: “A autoridade policial pode examinar, 
independentemente de autorização judicial, os registros das 
últimas chamadas e a agenda de contatos telefônicos armazenados

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