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PEÇA 3 - Estágio IV

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PEÇA 3 – DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
A organização não governamental Alfa, constituída há mais de uma década sob a forma de 
associação, liderou durante vários anos uma grande campanha no cenário nacional com o 
objetivo de que a Constituição da República fosse alterada, de modo a contemplar alguns 
direitos sociais, de natureza prestacional, direcionados a uma minoria étnica historicamente 
excluída na realidade brasileira. Os associados de Alfa eram justamente integrantes dessa 
minoria étnica. Alfa, por sua vez, tinha como objetivo zelar pelos direitos fundamentais de 
primeira e de segunda dimensão dos seus associados, que eram alcançados pela igualdade 
formal, mas exigiam atenção diferenciada dos poderes constituídos para que efetivamente 
alcançassem um nível de igualdade material. A omissão desses direitos estava 
comprometendo a própria subsistência dessas pessoas, colocando em risco a sua existência 
por não disporem do mínimo para sobreviver, além de viverem de modo aviltante. 
 
Em razão desse esforço e do engajamento das lideranças partidárias, foi promulgada a 
Emenda Constitucional nº XX. Apesar das tentativas de que os direitos sociais fossem 
veiculados em normas de eficácia plena e aplicabilidade imediata, prevaleceu o 
entendimento, no âmbito do Poder Legislativo federal, de que deveriam ser previstos em 
normas programáticas, o que gerou grande dissabor para a organização não 
governamental Alfa. Afinal, não obstante o transcurso de 8 (oito) anos desde a promulgação 
da reforma constitucional, ainda não tinha sido editada a lei ordinária que integraria o seu 
conteúdo, pormenorizando cada um dos direitos a serem fruídos. 
 
Em razão da omissão, os associados de Alfa não estavam fruindo os direitos sociais, o que 
gerava grande insatisfação entre eles. Por outro lado, alguns integrantes da mesma minoria 
étnica fruíam dos direitos, já que o Tribunal competente tinha reconhecido a omissão do 
Poder Legislativo federal em diversas ações constitucionais, de natureza individual, 
anteriormente ajuizadas com o objetivo de assegurar a sua fruição. Como o prazo fixado nos 
processos individuais, para a regulamentação dos direitos sociais, não foi cumprido, o próprio 
Tribunal delineou os contornos gerais dos direitos e impôs a sua observância. 
 
À luz desse quadro, a organização não governamental Alfa contratou os seus serviços, como 
advogado(a), para que ela pudesse ajuizar a ação constitucional cabível, em benefício dos 
seus associados, de modo que, apesar da omissão do Poder Legislativo federal em 
regulamentar a matéria, pudessem fruir os direitos sociais, de natureza prestacional, previstos 
em norma programática da Emenda Constitucional nº XX. 
 
Redija a peça processual adequada ao objetivo almejado pela organização não 
governamental Alfa, observando o que dispõe uma das alíneas do Art. 102 da CRFB/88. 
 
 
 
 
Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal 
Organização Não Governamental Alfa, pessoa jurídica de direito privado, regularmente 
constituída há mais de 1 (um) ano, com sede na ________, inscrita no CNPJ sob nº ________, 
neste ato representada por seu advogado infra-assinado (procuração anexa), com 
fundamento no Art. 5º, inciso LXXI, da Constituição da República e no Art. 12, inciso III e 
parágrafo único, da Lei nº 13.300/2016, vem, respeitosamente, impetrar o presente 
MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO 
em face de omissão legislativa atribuída ao Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e 
Senado Federal) e ao Presidente da República, autoridades vinculadas à União, pelos fatos e 
fundamentos a seguir expostos. 
 
I – DA LEGITIMIDADE ATIVA 
A Impetrante é organização não governamental constituída há mais de um ano, com 
finalidade estatutária voltada à defesa dos interesses de seus associados, integrantes de 
minoria étnica alcançada pela Emenda Constitucional nº XX. 
Nos termos do Art. 12, inciso III, da Lei nº 13.300/2016, possuem legitimidade para impetrar 
mandado de injunção coletivo as associações legalmente constituídas e em funcionamento 
há pelo menos um ano, na defesa de direitos de seus membros. 
Assim, encontra-se plenamente configurada sua legitimidade ativa. 
 
II – DA LEGITIMIDADE PASSIVA 
O Congresso Nacional possui competência para legislar sobre matérias de competência da 
União, conforme dispõe o Art. 48, caput, da Constituição da República, sendo o órgão 
responsável pela edição da norma regulamentadora. 
O Presidente da República, por sua vez, participa do processo legislativo, podendo sancionar 
ou vetar proposições legislativas, nos termos do Art. 66 da Constituição. 
Ambas as autoridades estão vinculadas à União, conforme Art. 4º, caput, da Lei nº 
13.300/2016, razão pela qual devem figurar no polo passivo da presente ação. 
 
III – DOS FATOS E DA OMISSÃO LEGISLATIVA 
A Emenda Constitucional nº XX assegurou determinados direitos sociais a integrantes de 
minoria étnica, estabelecendo a necessidade de regulamentação por lei. 
Entretanto, até o presente momento, não foi editada a norma regulamentadora indispensável 
ao exercício desses direitos, configurando omissão legislativa total. 
Em razão dessa inércia, os associados da Impetrante encontram-se impossibilitados de 
exercer plenamente os direitos sociais constitucionalmente assegurados. 
 
IV – DO MÉRITO 
1. Da concretização do princípio da igualdade 
Os direitos sociais previstos na Emenda Constitucional nº XX visam concretizar o princípio da 
igualdade material, previsto no Art. 5º, caput, da Constituição. 
O tratamento diferenciado destinado à minoria étnica tem por finalidade compensar 
desigualdades históricas, permitindo a efetiva equiparação de oportunidades. 
A ausência de regulamentação impede a concretização desse mandamento constitucional. 
 
2. Da proteção à vida e à dignidade da pessoa humana 
A não implementação dos direitos sociais assegurados compromete a subsistência e pode 
colocar em risco a própria vida dos associados, direito fundamental garantido pelo Art. 5º, 
caput, da Constituição. 
Além disso, a omissão afronta o princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da 
República previsto no Art. 1º, inciso III, da Constituição. 
 
3. Do cabimento do mandado de injunção coletivo 
Diante da omissão total na regulamentação dos direitos previstos na Emenda Constitucional 
nº XX, mostra-se cabível o mandado de injunção, instrumento destinado a suprir a ausência 
de norma regulamentadora que torne inviável o exercício de direitos constitucionais. 
O cabimento encontra amparo no Art. 5º, inciso LXXI, da Constituição e no Art. 12, inciso III e 
parágrafo único, da Lei nº 13.300/2016. 
A mora legislativa é evidente, sobretudo porque já houve fixação de prazos pelo Supremo 
Tribunal Federal em processos individuais, os quais não foram observados. 
Todos os associados da Impetrante, integrantes da minoria étnica beneficiária da Emenda 
Constitucional nº XX, encontram-se indistintamente impedidos de fruir dos direitos 
assegurados. 
 
V – DOS PEDIDOS 
Diante do exposto, requer: 
a) o reconhecimento do estado de mora legislativa do Congresso Nacional e do Presidente 
da República, nos termos do Art. 8º, caput, da Lei nº 13.300/2016; 
b) a fixação, por este Supremo Tribunal Federal, das condições necessárias para o exercício 
dos direitos sociais assegurados aos associados da Impetrante, enquanto perdurar a omissão, 
nos termos do Art. 8º, inciso II, da Lei nº 13.300/2016; 
c) a ciência às autoridades impetradas para que prestem informações, na forma legal. 
Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para fins meramente fiscais. 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
Brasília, ___ de __________ de 2023. 
 
Advogado 
OAB/___ nº _______

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