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Patologia Clínica Veterinária – 
Fundamentos e a Criticidade da 
Fase Pré-Analítica 
A patologia clínica veterinária atua como uma ponte essencial entre os sinais clínicos 
observados no paciente e o diagnóstico definitivo. Sua função transcende a mera análise 
laboratorial, sendo fundamental para confirmar ou descartar suspeitas, detectar doenças em 
estágios iniciais, monitorar a evolução de tratamentos e garantir a segurança em 
procedimentos pré-cirúrgicos através da avaliação da função orgânica. 
O ponto central de vulnerabilidade em todo o processo diagnóstico reside na fase 
pré-analítica. Estima-se que entre 50% a 70% (podendo chegar a 80%) dos erros laboratoriais 
ocorram nesta etapa, que compreende desde a decisão do exame e a preparação do paciente 
até a coleta, armazenamento e transporte da amostra. A responsabilidade por esses erros recai 
primariamente sobre o clínico, e não sobre o laboratório. A interpretação adequada dos 
resultados exige uma correlação clínico-laboratorial rigorosa, evitando a "receita de bolo" e 
priorizando o entendimento dos mecanismos fisiopatológicos e dos pontos críticos de controle 
(PCC). 
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1. Definição e Objetivos da Patologia Clínica 
A disciplina é definida como uma ferramenta diagnóstica e de monitoramento que permite ao 
médico veterinário: 
● Confirmar ou descartar diagnósticos: Fornecer embasamento científico para suspeitas 
clínicas. 
● Detecção Precoce: Identificar patologias em estágios iniciais (estadiamento). 
● Avaliação de Órgãos: Mensurar a funcionalidade de sistemas vitais. 
● Monitoramento e Prognóstico: Avaliar a resposta terapêutica e a qualidade de vida, 
servindo de base para decisões críticas como a eutanásia. 
● Segurança do Paciente e do Profissional: Exames laboratoriais são evidências 
documentais essenciais em casos de disputas judiciais ou acusações de negligência. 
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2. A Fase Pré-Analítica e o Gerenciamento de 
Erros 
A maioria dos erros não ocorre durante a análise da amostra (fase analítica), mas antes dela. O 
controle desses erros depende de decisões estratégicas do clínico: 
● Pontos Críticos de Controle (PCC): Identificação de etapas onde a falha é provável, 
especialmente no armazenamento e na escolha dos tubos. 
● Interpretação vs. Valores de Referência: A interpretação deve ir além da simples 
comparação com valores de referência; deve considerar o estado de hidratação, 
estresse e histórico do animal. 
● Comunicação com o Laboratório: O fornecimento de uma requisição detalhada, com 
suspeitas clínicas e comorbidades, é vital para que o patologista auxilie no laudo. 
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3. Tubos de Coleta, Anticoagulantes e Aditivos 
A escolha do tubo ideal é específica para cada tipo de exame e espécie animal. O uso incorreto 
pode causar hemodiluição ou alterações na morfologia celular. 
Cor da 
Tampa 
Aditivo/Anticoagulante Aplicação Principal Observações 
Roxa EDTA (Sal K2 ou K3) Hematologia 
(Mamíferos) 
Preserva a morfologia celular 
por até 24h (refrigerado). 
Vermelha Ativador de Coágulo Bioquímica, 
Sorologia, 
Hormônios 
Resulta em Soro. Ideal para 
hormônios e minerais. 
Amarela Ativador de Coágulo + 
Gel 
Bioquímica, 
Sorologia 
Facilita a separação, mas o gel 
pode reter moléculas de 
hormônios. 
Cinza EDTA + Fluoreto de 
Sódio 
Glicose, Lactato, 
Bicarbonato 
O fluoreto inibe o consumo de 
glicose pelas células. 
Azul Citrato de Sódio Provas de 
Coagulação (TP, 
TTPA) 
Anticoagulante reversível. 
Exige processamento rápido. 
Verde Heparina Hematologia de 
Não-Mamíferos 
Usado para répteis e aves para 
evitar lise celular pelo EDTA. 
Branca Sem aditivo (Seco) Dosagem mineral, 
Bioquímica 
Tubo de alta pureza; processo 
natural de coagulação. 
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4. Metodologia de Coleta e Volume Sanguíneo 
Cálculo de Volume Seguro 
O volume coletado deve respeitar o porte do animal para evitar riscos de choque hipovolêmico, 
especialmente em neonatos e animais de pequeno porte: 
● Regra Geral: Aproximadamente 15 ml/kg ou 1% do peso vivo. 
● Exemplo: Um cão de 10 kg permite a coleta de até 100 ml, mas na rotina clínica, 1 a 5 ml 
são suficientes. Em animais muito pequenos, a prioridade deve ser a série vermelha 
(hematócrito). 
Métodos e Sistemas 
● Sistema Fechado (Vácuo): Considerado o padrão-ouro por evitar contaminação e 
manter a pureza da amostra. 
● Sistema Aberto (Seringa e Agulha): Mais comum na rotina. Exige cuidado com a pressão 
de sucção para evitar hemólise. 
● Scalp: Útil para animais agitados, porém o sangue pode começar a coagular no trajeto 
da mangueira se a coleta for lenta. 
● Transferência para o Tubo: Deve-se remover a agulha, abrir o tubo e deixar o sangue 
deslizar pela parede para evitar a destruição das hemácias. 
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Local de Coleta 
A escolha do local depende da espécie, da habilidade do coletador e da quantidade de sangue 
necessária. 
● Cães: Jugular, safena e cefálica. 
● Gatos: Jugular (veia de maior calibre), safena e cefálica. 
● Bovinos: Jugular e coccígea. 
● Equinos: Jugular. 
● Suínos: Veia marginal da orelha, jugular e mamária. 
● Logomorfos (coelhos): Marginal da orelha e intracardíaca. 
● Répteis: Caudal ventral, caudal dorsal e jugular. 
● Peixes: Caudal, braquial e intracardíaca. 
A limpeza do local com álcool é comum, mas a fonte menciona que seu uso é mais um 
"sinalizador" da veia ou para limpeza de sujidades (especialmente em grandes animais) do que 
uma necessidade técnica absoluta para a antissepsia em todos os casos. 
Posição de Coleta 
O objetivo é garantir a segurança do profissional e a eficácia do procedimento. As posições 
principais são: 
● Decúbito lateral ou esternal. 
● Animal sentado. 
A escolha da posição varia conforme o comportamento do animal: se for muito agitado, pode 
ser necessário coletá-lo sentado com contenção específica; se for manso, pode ser deitado. Se 
for necessário um grande volume de sangue da jugular, a posição sentada com o pescoço 
esticado costuma ser utilizada. 
Identificação e Requisição 
A identificação correta é crucial. 
1. Dados Básicos na Amostra: Data e horário da coleta, nome completo do animal (para 
evitar confusões entre nomes comuns como "Bob"), espécie, raça, sexo e idade. 
2. Dados do Proprietário: Nome completo do tutor. 
3. Requisição Clínica: Deve conter a finalidade do exame (diagnóstico, acompanhamento, 
checklist), o tipo de amostra, o método de coleta e as informações clínicas relevantes 
(comorbidades, se o animal está em tratamento, suspeita clínica). 
4. Assinatura: Identificação e contato do médico veterinário responsável. 
5. Armazenamento e Estabilidade das Amostras 
O tempo e a temperatura são determinantes para a integridade dos resultados. 
Amostra Temperatura Prazo Máximo Observação 
Sangue Total 
(EDTA) 
2ºC a 8ºC 24 horas Fazer o esfregaço imediatamente 
após a coleta. 
Soro / Plasma 2ºC a 8ºC 48 horas Pode ser congelado -20ºC por até 
30 dias. 
Urina Ambiente / Frio 2h (Ambiente) Refrigeração por 6-12h pode 
precipitar cristais. 
Fezes 2ºC a 8ºC 24 horas Manter sempre sob refrigeração. 
 
Sangue Total (EDTA) 
● Estabilidade: Até 24h sob refrigeração (2°C a 8°C). 
● Nota Técnica: O ideal é realizar o esfregaço sanguíneo imediatamente após a coleta 
para preservar a morfologia celular, que sofre alterações degenerativas mesmo sob 
refrigeração. 
Soro e Plasma 
● Estabilidade: Podem ser mantidos sob refrigeração por até 48h ou congelados (-20°C) 
por até 30 dias. 
● Importância: A separação (centrifugação) deve ocorrer o mais rápido possível para 
evitar a hemólise e a alteração de analitos como o potássio e a glicose. 
Urina 
● Processamento: Deve seranalisada em até 2 horas se mantida em temperatura 
ambiente. 
● Transporte: Se o processamento demorar, manter sob refrigeração (2°C a 8°C) por no 
máximo 6 a 12 horas. 
● Conservação: Para exames de rotina (EAS), prefira a refrigeração. O uso de conservantes 
químicos (como ácido bórico) é indicado apenas para urinoculturas de longo trajeto. 
Fezes 
● Armazenamento: Devem ser mantidas sob refrigeração (2°C a 8°C) por até 24h. 
Fotossensibilidade 
● Amostras: Bilirrubinas, Vitamina C, Vitamina A e Ácido Fólico. 
● Proteção: Devem ser protegidas da luz imediatamente após a coleta com papel 
alumínio ou tubos âmbar, pois a luz degrada esses analitos rapidamente, gerando 
resultados falsamente baixos. 
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6. Fatores Intrínsecos do Paciente 
Jejum Alimentar 
● Obrigatório (8 a 12 horas): Essencial para exames bioquímicos e hormonais 
(especialmente triglicerídeos, colesterol e glicose). 
● Lipemia: A presença de gordura no sangue pós-alimentação torna o soro leitoso, o que 
interfere fisicamente na leitura dos equipamentos laboratoriais. 
Estresse e Adrenalina 
O estresse durante a coleta libera hormônios que alteram significativamente os índices 
hematimétricos e bioquímicos (como a glicose e o cortisol). Em casos de estresse extremo ou 
contenção excessiva, os resultados podem não refletir a realidade fisiológica do paciente. 
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7. Diferenciação de Subprodutos Sanguíneos 
É imperativo distinguir os líquidos biológicos obtidos para a solicitação correta ao laboratório: 
1. Plasma: Parte líquida do sangue coletada com anticoagulante (antes da coagulação). 
Contém os fatores de coagulação. 
2. Soro: Parte líquida do sangue obtida após a coagulação (coleta sem anticoagulante). O 
processo consome os fatores de coagulação no coágulo formado. 
 
 
	Patologia Clínica Veterinária – Fundamentos e a Criticidade da Fase Pré-Analítica 
	1. Definição e Objetivos da Patologia Clínica 
	2. A Fase Pré-Analítica e o Gerenciamento de Erros 
	3. Tubos de Coleta, Anticoagulantes e Aditivos 
	4. Metodologia de Coleta e Volume Sanguíneo 
	Cálculo de Volume Seguro 
	Métodos e Sistemas 
	Local de Coleta 
	Posição de Coleta 
	Identificação e Requisição 
	5. Armazenamento e Estabilidade das Amostras 
	Sangue Total (EDTA) 
	Soro e Plasma 
	Urina 
	Fezes 
	Fotossensibilidade 
	6. Fatores Intrínsecos do Paciente 
	Jejum Alimentar 
	Estresse e Adrenalina 
	7. Diferenciação de Subprodutos Sanguíneos