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Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201083
Desregulamentação e 
migração da cana-de-
açúcar em Alagoas1
Kellyane Pereira dos Anjos2
André Maia Gomes Lages3
Resumo – A formação econômica de Alagoas é fortemente relacionada à implantação da cultura cana-
vieira no período colonial. Inicialmente, as lavouras e engenhos de açúcar foram instalados no litoral do 
estado, em regiões de topografia mais acidentadas, porém com solo e hidrografia propícios ao cultivo da 
cana-de-açúcar. Por meio de inovações pelas quais passaram o setor sucroalcooleiro, foi possível a ocu-
pação da cana-de-açúcar nos terrenos planos de tabuleiros, viáveis para a mecanização da colheita. Isso 
possibilitou a migração da cana para essas regiões, liberando áreas que passaram a ser ocupadas pela pe-
cuária bovina. Assim, o presente artigo busca realizar uma análise descritiva das interessantes alterações 
ocorridas no setor sucroalcooleiro que permitiram a expansão da produção de cana no leste alagoano, 
mas em um processo de transição que revela a importância de se analisar por dados desagregados por 
microrregião, dadas as especificidades edafoclimáticas e a relevância da difusão de tecnologias.
Palavras-chave: microrregião, realocação espacial, setor sucroalcooleiro.
Deregulation and migration of sugar cane in Alagoas
Abstract – The economic formation of Alagoas is strongly related to the sugar cane culture 
introduced in the colonial period. Initially, the sugar cane plantations and mills were installed on 
the state’s coast, in areas where the topography was more rugged, but the soil and hydrography were 
conducive to the cultivation of cane. Innovations by the sugar-alcohol sector enabled the planting 
of sugar cane in the tablelands, by making mechanization of the harvest feasible. This allowed the 
migration of cane plantations to these regions, releasing areas which are now occupied for raising 
cattle. This article makes a descriptive analysis of the interesting changes in the sugar-alcohol sector 
that allowed the expansion of sugar cane production in East Alagoas, but in a transition process 
that reveals the importance of analyzing disaggregated data of microregion, such as the specific 
edaphoclimatic characteristics and relevance of diffusion of technologies.
Keywords: microregion, spatial relocation, sugar-alcohol sector.
1 Original recebido em 3/5/2010 e aprovado em 5/5/2010.
2 Mestranda em Economia Aplicada da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Faec) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
E-mail: kellyane.anjos@hotmail.com
3 Doutor em Economia pelo Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Professor do curso de graduação e mestrado em 
economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). E-mail: amglages@uol.com.br
Introdução
A formação da economia alagoana é for-
temente relacionada à implantação da cultura 
canavieira no Brasil, logo no início do proces-
so de colonização. Nesse período, segundo 
Furtado (2007), o açúcar foi tido como o pro-
duto mais viável para ser produzido na colônia 
portuguesa, em virtude de alguns fatores, como 
84Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 2010
a sua rentabilidade à época, sendo capaz de 
compensar os elevados gastos com o transpor-
te até o mercado consumidor europeu. Assim, 
buscou-se ocupar todos os espaços propícios 
ao cultivo da cana-de-açúcar. E foi em torno 
dos engenhos açucareiros que surgiram grande 
parte dos municípios alagoanos. Como afirma-
do por Diégues Júnior (2006), a ocupação do 
seu território partiu de três núcleos principais: 
Porto Calvo, Alagoas – atualmente Município 
de Marechal Deodoro –, e Penedo. Os dois 
primeiros núcleos desenvolveram-se em torno 
dos engenhos; já o terceiro foco, Penedo, teve 
a pecuária como a principal atividade, que fora 
introduzida na colônia como um complemento 
à cana-de-açúcar, ocupando os espaços impró-
prios ao cultivo.
Por sua significância econômica, a 
agroindústria canavieira, desde o início, teve 
a forte presença do governo controlando a sua 
produção. Desde a década de 1930 até os anos 
1990, a intervenção foi efetivada pelo Instituto 
do Açúcar e do Álcool (IAA). Durante a década 
de 1970, ocorreu um processo de moderniza-
ção do setor que levou ao desaparecimento de 
várias usinas, o que favorecia a concentração 
no setor, e consequente aumento de escala de 
produção. A crise do petróleo de 1973 incen-
tiva a criação do Programa Nacional do Álcool 
(Proálcool) em 1975. Essa expansão do setor 
esteve atrelada à expansão do álcool – primei-
ro o anidro, depois o hidratado. E ainda foi in-
centivada pelo segundo choque do petróleo em 
1979. A queda relativa no preço do petróleo e 
a crise de abastecimento levaram o consumidor 
a perder a confiança no carro a álcool. Com o 
polêmico governo Collor, veio a extinção de al-
gumas instituições públicas históricas, tal como 
a do IAA em 1990. Com isso, veio a progressiva 
desregulamentação do setor, as usinas passa-
ram a enfrentar os mecanismos convencionais 
do mercado, concorrendo, dessa vez, sem os 
subsídios e facilidades aos quais estavam adap-
tadas. Nesse período viram-se obrigadas a se 
reestruturar, e as menos competitivas encerra-
ram suas atividades ou foram incorporadas por 
outras mais eficientes (CARVALHO, 2009). E foi 
no contexto da modernização do setor sucroal-
cooleiro, e mais intensamente com a desregula-
mentação, que houve a expansão da sua ocu-
pação nas áreas de tabuleiros do leste alagoano. 
Com a mecanização da colheita e técnicas de 
melhoramento dos solos, foi possível liberar as 
terras mais ao norte da referida mesorregião, 
que, apesar da boa qualidade do solo, do tipo 
massapé, apresentavam dificuldades de meca-
nização em virtude de o seu terreno apresentar 
problemas com a topografia mais acidentada.
Com isso, o presente artigo realiza uma 
análise descritiva das alterações ocorridas na 
agroindústria canavieira, chamando atenção 
para a necessidade de se analisar metodologica-
mente o setor sucroalcooleiro por microrregião, 
conforme é destacado o caso de Alagoas, o qual 
é tema deste trabalho.
O artigo encontra-se dividido em quatro 
partes. Após esta introdução é apresentada a 
contextualização histórica, mostrando a intro-
dução da cana-de-açúcar no Nordeste e, mais 
especificamente, em Alagoas. Na terceira parte 
é abordada a dinâmica do setor sucroalcooleiro 
com seus períodos de forte intervenção, passan-
do pelos engenhos banguês, engenhos centrais 
até às modernas usinas, e também abordando 
o processo de desregulamentação iniciado nos 
anos 1990. Já a quarta parte aborda os principais 
resultados e discussão sobre a interessante transi-
ção do setor sucroalcooleiro em Alagoas – o qual 
transferiu sua produção parcialmente dentro de 
uma mesma mesorregião por conta de caracte-
rísticas edafoclimáticas, mas as quais podem ser 
dissecadas por uma análise por microrregião, 
como será demonstrado subsequentemente.
A cana-de-açúcar em Alagoas:
história e transição
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística IBGE, o território alagoano, com um 
total de 102 municípios, é dividido em três me-
sorregiões geográficas que apresentam caracte-
rísticas bem distintas. O leste abriga seis micror-
Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201085
regiões: Litoral Norte, Maceió, Mata Alagoana, 
Penedo, São Miguel dos Campos e Serrana dos 
Quilombos, totalizando 52 municípios. De 
acordo com Andrade (2005), é a mesorregião 
mais adequada ao plantio da cana-de-açúcar 
por ter o solo e as condições climáticas e hidro-
gráficas ideais. Nessa mesorregião se localiza o 
Bioma Mata Atlântica. O oposto desta é a me-
sorregião do Sertão (Bioma Caatinga), onde o 
clima é quente e seco, sendo escasso o número 
de rios, onde são predominantemente temporá-
rios. Para o processo de colonização, no entan-
to, os rios perenes, característicos da mesorre-
gião do leste, eram essenciais para o transporte 
da produçãoaçucareira da colônia para o mer-
cado consumidor europeu. E foi justamente este 
um dos motivos de o Sertão não ter sido imedia-
tamente ocupado pelos colonizadores. 
O Agreste, por sua vez, localiza-se em 
uma região de transição apresentando caracte-
rísticas de ambos. Por ter as terras mais férteis 
que o Sertão, apresenta maior diversificação 
da produção, especialmente agricultura fami-
liar, com plantações de folhosas e grãos (LIRA, 
2007). Na mesorregião leste, existem diferenças 
geográficas que influenciam na produção ca-
navieira. No norte, nas microrregiões do Litoral 
Norte e da Mata, apesar da fertilidade do solo, a 
topografia não favorece o plantio. Na parte cen-
tral, ambas as características são ideais, forma-
da pelas microrregiões de Maceió e São Miguel 
dos Campos. Já a parte sul tem a topografia ade-
quada, porém com solo de baixa fertilidade – o 
caso da microrregião de Penedo. 
Antes pertencente à capitania de Pernam-
buco, Alagoas faz parte do cenário onde se ini-
ciou a história brasileira, e assim como naquela, 
teve sua economia desenvolvida com base na 
produção açucareira. No processo de coloniza-
ção das suas terras, foram instalados vários ban-
guês onde a partir dos quais foram formados os 
municípios que hoje compõem o estado, muitos 
deles tendo seus nomes ligados aos primeiros 
engenhos e usinas. Assim, como ocorreu nos 
outros estados nordestinos, nas três mesorregi-
ões geográficas alagoanas desenvolveram-se as 
duas principais atividades econômicas: a cana-
de-açúcar e a pecuária. Essas foram responsá-
veis pela formação territorial, social e cultural 
desse estado. Segundo Diégues Júnior (2006), a 
ocupação de Alagoas partiu de três núcleos prin-
cipais, Porto Calvo e Alagoas – hoje Marechal 
Deodoro –, tendo sido a agricultura da cana-
de-açúcar com os seus engenhos a atividade 
econômica responsável pelo povoamento des-
ses núcleos e das regiões vizinhas. Já o terceiro 
núcleo de irradiação, Penedo, teve a pecuária 
como atividade principal, expandindo para o 
interior do estado. Esses três municípios tiveram 
a ocupação favorecida por suas características 
geográficas, especialmente em virtude da pre-
sença de rios e lagoas.
É em derredor das águas dos rios, fixando-se nas 
suas ribeiras, aproveitando a riqueza dos seus va-
les, que vai se desenvolvendo a colonização das 
Alagoas, baseada na cultura da cana de açúcar, 
através da construção de engenhos. (DIÉGUES 
JÚNIOR, 2006, p. 45).
A importância da hidrografia é justificada 
não só por tornar o solo mais propício ao culti-
vo, mas também pela necessidade de transporte 
da produção açucareira. A plantação da cana-
de-açúcar foi também uma das primeiras res-
ponsáveis pela destruição das matas alagoanas, 
visto que a atividade promovia derrubadas para 
instalação dos engenhos e utilização da madei-
ra como lenha em áreas nem sempre tão ade-
quadas do ponto de vista edafoclimático.
Como exposto, a atividade açucareira já 
de início foi a principal atividade econômica, 
e ao redor dos engenhos foi surgindo o povo-
amento das terras, com pequenas atividades 
de subsistência, como o cultivo de alguns pro-
dutos – desde que estes não prejudicassem as 
áreas ocupadas com a cana-de-açúcar. Como 
herança do período colonial, Alagoas ainda 
tem no plantio da cana o principal componente 
da sua economia, e estudá-lo ajuda a entender 
suas principais características. Auxilia ainda 
na explicação do porquê de alguns municípios 
apresentarem um predomínio maior das outras 
culturas, além da cana, que não representam 
parcela significativa na economia alagoana.
86Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 2010
Santos et al. (2007) afirma ter iniciado no 
século 19 a reestruturação da atividade cana-
vieira, ocasionando o declínio dos engenhos, 
tendo sido estes incorporados por unidades 
mais eficientes, as usinas. No processo de mo-
dernização com a mecanização da colheita e, 
simultaneamente, com o melhoramento do solo 
com técnicas de fertilização, foi possível ocupar 
as áreas de tabuleiros localizados nas microrre-
giões de Maceió e São Miguel dos Campos. 
Como estes solos, pobres em húmus, não se prestas-
sem à cultura extensiva da cana-de-açúcar, as matas 
foram aí preservadas até os anos cinqüenta. Hoje, 
porém, com o emprego generalizado de adubos e a 
introdução de variedades de cana mais resistentes, as 
famosas matas alagoanas foram derrubadas e substi-
tuídas por canaviais. (ANDRADE, 2005, p. 41).
Ainda segundo Andrade (2005), os tabu-
leiros são mais apropriados para o cultivo da 
cana-de-açúcar por causa das facilidades com 
a mecanização e pela proximidade das usinas, 
reduzindo os custos com transportes. E as áre-
as onde a cana recuou, com declividade mais 
acentuada, passaram a ser reflorestadas ou a 
nova ocupação econômica passou a ser a pe-
cuária, dada a falta de tradição em outros tipos 
do agronegócio adequados e rentáveis em terras 
de ainda alto valor, ”[...] havendo até casos em 
que foram abandonadas as várzeas e as encostas 
à pecuária e ao reflorestamento, para concentrar 
seus canaviais nos tabuleiros” (ANDRADE, 2005, 
p. 41). As áreas de tabuleiros ficaram por mui-
to tempo em segundo plano por conta da baixa 
fertilidade do solo e da ausência das técnicas de 
melhoramentos que vieram a surgir principal-
mente a partir dos anos 1950, quando houve a 
necessidade de expandir as plantações da cana, 
em virtude do aumento na demanda pelo açúcar 
que vinha ocorrendo até então, e também graças 
à criação de programas de modernização pelo 
governo, sendo esses discutidos a seguir.
A dinâmica da agroindústria
canavieira
A intervenção governamental no setor su-
croalcooleiro está presente desde o período co-
lonial, tendo sido intensa até 1990; a partir daí, 
teve início a liberação do setor, fazendo com que 
este passasse a enfrentar os mecanismos de mer-
cado capitalista sem os incentivos até então expe-
rimentados. A desregulamentação obrigou o setor 
a adotar novas estratégias competitivas, fazendo 
com que as unidades menos eficientes fossem 
paulatinamente desativadas ou incorporadas por 
outras mais eficientes. Esse processo trouxe con-
sigo uma maior modernização do setor sucroal-
cooleiro, deixando-o mais competitivo; porém, 
também apresentou alguns males, como, por 
exemplo, o aumento do desemprego tanto na área 
agrícola como na industrial (CARVALHO, 2009).
Dividindo-se a intervenção governamen-
tal em três fases da história da agroindústria 
sucroalcooleira, a primeira tem início logo no 
período de colonização com a Corte portugue-
sa agindo diretamente no processo produtivo, 
impedindo que porções de terras próprias para 
o cultivo da cana fossem utilizadas para outros 
fins, já que, nesse período, século 16, o açúcar 
era o produto mais viável para se produzir na 
colônia, até por estar valorizado mundialmente. 
A produção de açúcar, no Nordeste, surgiu por uma 
decisão do Estado português, centro do poder políti-
co colonial, que estabelecia as regras básicas, doava 
terras, controlava as exportações, estimulava o tráfico 
negreiro e mantinha a escravidão. A Metrópole proibia 
todas as atividades que concorressem com a fabrica-
ção do açúcar, em sintonia e estreita colaboração com 
os senhores de engenho e os comerciantes instalados 
nas cidades do litoral. (CARVALHO, 2009, p. 13).
Já a segunda fase ocorre no Império, quan-
do, segundo o mesmo autor, dois fatores prin-
cipais atingem a agroindústria açucareira, de-
mandando a atuação do Estado. O primeiro é o 
aumento da concorrência internacional, quando 
o Brasil passa a enfrentar não só a concorrência 
do açúcar produzido nas Antilhas, que vinha se 
modernizando, mas também do açúcar produzi-
do a partir da beterraba na Europa. O outro fator 
foi o aumento dos custos de produção por causa 
do fim da mão de obra escrava, além dos proble-
mas com a falta de infraestrutura e a baixa tecno-
logia de produção em relação aos concorrentes.
Nesse período, o Estado atuou através 
da modernização dos antigos banguês, trans-Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201087
formando-os em engenhos centrais, visando à 
separação entre indústria e atividades agrícolas 
e, assim, buscando promover o melhoramento 
dos dois segmentos por meio dos ganhos gera-
dos com o processo de especialização. Ou seja, 
esperava-se que no campo houvesse um melhor 
desempenho da produção da cana-de-açúcar e 
na indústria houvesse a incorporação de tecno-
logias que levassem à produção de um açúcar 
de melhor qualidade capaz de competir no mer-
cado internacional, agora mais competitivo. 
Porém, não foi observado o aumento da 
eficiência produtiva com a criação dos engenhos 
centrais, pois a indústria não contou com a es-
tabilidade no fornecimento da cana. Foi a partir 
desse momento que começaram a serem introdu-
zidas as usinas4 em substituição aos antigos ban-
guês e esse período de transição, como era de se 
esperar, teve a intensa presença do governo. 
Já a terceira fase incorpora as inter-
venções a partir da criação do IAA, e a este 
segue-se a introdução de vários outros orga-
nismos e programas de apoio à produção de 
cana, açúcar e álcool no Brasil – entre estes o 
Programa de Melhoramento da Cana-de-açúcar 
(Planalsucar), o Programa de Racionalização 
da Indústria Açucareira5, mais tarde chamado 
Programa de Apoio à Indústria Sucroalcooleira, 
e o Programa Nacional do Álcool (Proálcool).
O Instituto do Açúcar e do Álcool 
O IAA foi criado em 1933, período em 
que a recessão internacional afetava diretamen-
te todos os setores da economia. É por meio 
desse órgão que mais pode ser visualizada a for-
te presença do Estado. O governo estabeleceu 
alguns mecanismos protecionistas como o con-
trole direto sobre as exportações e os níveis de 
preços do açúcar, e o estabelecimento de cotas 
de produção, visando a combater a superprodu-
ção e, assim, proteger o setor sucroalcooleiro. 
Além disso, o IAA atuava no sentido de reduzir 
as disparidades entre o Nordeste e o Centro-Sul, 
estabilizando os custos entre essas regiões por 
meio de concessão de subsídios aos produtores 
nordestinos, estes que exerciam forte influência 
no órgão (CARVALHO, 2009).
Do primeiro ano da criação do IAA até 
1960, houve um aumento no número de usinas 
e expansão das áreas de cultivo que se estende-
ram até os tabuleiros, havendo a introdução de 
máquinas. Nesse sentido, em 1954, o vinhoto 
passou a ser usado como adubo orgânico nos 
tabuleiros combinado ao tradicional adubo quí-
mico (LAGES; LOPES, 2003). 
Nesse período, a forte intervenção estatal 
foi fundamental para garantir a sobrevivência 
das usinas que operavam com baixa produtivi-
dade. A partir de 1960 até o período de reestru-
turação produtiva na agroindústria sucroalcoo-
leira, em 1990, houve a modernização do setor. 
E é nesse período que ocorrem eventos inter-
nacionais que estimulam o aumento da planta-
ção canavieira, como, por exemplo, a elevação 
da participação das exportações brasileiras de 
açúcar para o mercado norte-americano após 
a revolução cubana em 1959, e também com 
o aumento da demanda do álcool após os dois 
choques internacionais no preço do petróleo, 
ocorridos em 1973 e 1979, respectivamente. 
No início da década de 1970, havia ex-
pectativa quanto ao aumento da demanda inter-
na pelo açúcar e isso, juntamente com a valori-
zação internacional do seu preço, fez com que 
o IAA lançasse dois programas de modernização 
do setor sucroalcooleiro. Esses tiveram sua im-
plantação viabilizada pelo aumento das receitas 
com exportações do açúcar logo no início dos 
anos 1960 e também pela elevação observada 
internacionalmente nos preços desse produto. 
a) Programa Nacional de Melhoramento 
da Cana-de-açúcar 
O Planalsucar foi criado em 1971, e por 
meio dele foram financiadas pesquisas que 
4 Instalada no atual município de Atalaia, a primeira usina de açúcar de Alagoas, Usina Brasileiro, foi inaugurada em 1892 (CARVALHO, 2009).
5 Segundo Lages (1993), o Programa de Racionalização da Indústria Açucareira, criada em 1971, passou a se chamar Programa de Apoio à Agroindústria, 
pelo Decreto nº 1.226, de 1973.
88Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 2010
buscavam o desenvolvimento de novos tipos 
de cana-de-açúcar, com uma melhor adequa-
ção às características climáticas e ao solo bra-
sileiro. Porém, esse programa só apresentou os 
primeiros resultados após uma década da sua 
implantação, com a introdução das primeiras 
variedades de cana (ROSÁRIO, 2008). Segundo 
Santiago et al. (2006), o Planalsucar incorporou 
à sua gestão a Estação Experimental de Cana-
de-açúcar de Alagoas (Eeca) – esta, por sua vez, 
tendo surgido a partir de um convênio entre o 
Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do 
Estado de Alagoas e o IAA, em 1966, atuando 
na busca de novas tecnologias para a cana-de-
açúcar. Ainda segundo o autor, o Planalsucar 
foi desativado em meados de 1990, e desde en-
tão foi incorporado pelas universidades federais 
com as quais o programa atuava em diversos es-
tados, e essas universidades passaram a formar 
a Rede Interinstitucional de Desenvolvimento 
do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa)6.
b) Programa de Racionalização da Agroin-
dústria Açucareira
Também iniciado em 1971, o objetivo 
principal desse programa era o de modernizar 
o setor por meio do aumento da sua capacida-
de produtiva, principalmente por intermédio 
das unidades mais eficientes. Interessa observar 
que nesse período algumas importantes usinas 
de Alagoas foram extintas, basicamente nas mi-
crorregiões com topografia mais acidentada, 
permitindo com isso aumento de escala de pro-
dução, nas que sobreviveram a tal processo.
O Programa Nacional do Álcool
Até a década de 1970, o açúcar atuava 
como o principal produto da indústria sucroal-
cooleira. Com a queda do seu preço no mercado 
internacional, porém, e simultaneamente ocor-
rendo elevação no preço do petróleo, o álcool, 
produto até então secundário, passou a ter sua 
produção incentivada pelo Programa Nacional 
do Álcool (Proálcool). A balança comercial 
brasileira se encontrava em desequilíbrio, vis-
to que, nesse período, o petróleo representava 
parcela relevante do total das importações bra-
sileiras e significava aproximadamente 85% do 
total consumido no País. Para se ter uma ideia, 
o petróleo representava 44,5% do valor das im-
portações no final da década de 1970, quan-
do, no início, esse valor era de apenas 22,7% 
(SANTIAGO et al., 2006). Com isso, cresceu a 
importância das destilarias.
O Proálcool surgiu em 1975, com o ob-
jetivo principal de incentivar a produção de 
álcool como substituto ao petróleo após o pri-
meiro choque, em 1973, e teve sua atuação 
intensificada com o segundo choque em 1979. 
Esse programa é tido como aquele que mais 
contribui para a expansão do setor sucroalcoo-
leiro e um dos que mais provocaram desmata-
mentos visando à plantação da cana-de-açúcar 
para suprir as destilarias criadas nesse período 
(SANTOS et al., 2007). 
No primeiro período de vigência do pro-
grama, tem-se uma fase de ajuste onde os in-
centivos governamentais se destinaram, prin-
cipalmente, para a ampliação das destilarias e 
também à criação de novas unidades, fazendo 
com que aumentasse a capacidade de produ-
ção do álcool. A fase de auge se dá no período 
de 1980 até 1985, para depois ocasionar o seu 
declínio de 1986 a 1990. Naquele ano tem iní-
cio o processo de desregulamentação do setor 
sucroalcooleiro e a consequente reestruturação 
dessa agroindústria.
A queda do preço do açúcar no mercado 
internacional também colaborou para o aumen-
to da produção do álcool no ano de 1975. O pe-
ríodo de auge do Proálcool pode ser visualizado 
na Figura 1 onde é mostrado, para Alagoas, que 
a produção de cana teve sua trajetória de cres-
cimento intensificada no referido período e um 
pico na safra de 1986/1987.
Ainda com relação à Figura 1, ela pode 
ser dividida em três partes. A primeira, da safra 
1959/1960 até o pico acima citado, apresenta 
6 Ridesa: Alagoas (Ufal), Pernambuco (UFPE), Sergipe (UFS), São Paulo (UFSCar),Paraná (UFPR), Minas Gerais (UFV) e Rio de Janeiro (UFRJ).
Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201089
uma trajetória crescente na produção de cana 
moída, pois, como já mencionado, até a década 
de 1970 a produção da cana estava voltada para 
a produção açucareira em virtude das condições 
favoráveis do mercado externo, com preços e 
demanda por açúcar elevados. Um episódio 
que colaborou para a maior demanda externa 
pelo produto foi o conflito político entre Cuba 
e os Estados Unidos no começo dos anos 1960, 
aumentando a participação do açúcar brasileiro 
no mercado norte-americano (LAGES, 1993). E 
mantém-se o crescimento da produção de cana 
mesmo após a crise de superprodução açucarei-
ra em 1975, dessa vez destinando a cana para a 
produção do álcool, que passa a ganhar grada-
tiva importância nesse complexo agroindustrial, 
segundo o conceito de Batalha (1997), visto que 
nesse período teve início o aumento nos preços 
do petróleo, fazendo com que o apoio governa-
mental se voltasse para a busca de combustíveis 
substitutos aos derivados do petróleo para adap-
tar a matriz energética brasileira a tal realidade.
Já a segunda parte da Figura 1 abriga o 
período de desativação do Proálcool, mostran-
do que houve uma forte redução na produção 
de cana moída, que passou de 30.262.601 t na 
safra de 1986/1987 para 21.798.752 t na safra 
seguinte, onde a estabilização internacional no 
preço do petróleo reduziu a demanda pelo ál-
cool. Na terceira parte, a partir da década de 
1990, houve fortes oscilações ano a ano, termi-
nando a safra de 2007/2008 em um nível ainda 
alto de produção, 29.837.440 t, valor próximo 
ao da safra de 1986/1987.
Em relação à ocupação territorial, ao lon-
go da sua história, a agroindústria canavieira 
sofreu diversas alterações nas suas instalações. 
Inicialmente os banguês necessitavam ser ins-
talados próximos aos canaviais, já que, após o 
corte, a cana deveria ser imediatamente proces-
sada. E logo no período de ocupação de Alagoas, 
com a ausência de técnicas capazes de melhorar 
a qualidade do solo – e também sem mecaniza-
ção, basicamente a tração animal –, buscou-se 
utilizar os férteis solos massapés (ANDRADE, 
2005). Esses espaços eram normalmente loca-
lizados próximos aos rios que escoavam a pro-
dução, na região norte do estado. Os tabuleiros, 
localizados mais ao sul, por possuírem um solo 
mais pobre, eram menos atrativos. 
Porém, os espaços destinados ao plantio 
da cana-de-açúcar sofreram alterações que fize-
ram com que a plantação se adaptasse aos solos 
de baixa fertilidade dos tabuleiros, e recuasse a 
ocupação mais ao norte do estado – que, em-
bora apresentem um solo mais fértil, possuem 
uma topografia acidentada que dificultam a me-
canização no processo de colheita. Como cons-
tatado por Andrade (2005), a fertilidade inferior 
do solo era compensada pelos menores custos 
de produção da cana nessa região, e com a já 
registrada introdução pioneira do vinhoto como 
adubo orgânico, acoplada à fertirrigação; daí a 
viabilidade dessa migração.
Os avanços tecnológicos refletidos no 
aumento da mecanização, em substituição à 
tração animal, e o melhoramento não só do 
solo, mas também na qualidade da cana, fize-
ram com que a produtividade do setor aumen-
tasse. Assim, a produtividade, antes medida em 
relação à quantidade de cana moída, passou 
a ser medida pelo teor de sacarose contida na 
cana. Ou seja, mesmo se fosse reduzida a área 
de ocupação canavieira, a produtividade pode-
ria se elevar por causa da melhor qualidade da 
cana com a paulatina introdução inclusive de 
novas variedades do tipo RB.
Figura 1. Evolução da produção de cana moída 
(em toneladas) no Estado de Alagoas – safras de 
1959/1960 a 2007/2008.
Fonte: Sindicato do Açúcar e do Álcool do Estado de Alagoas (2009).
90Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 2010
Ainda sobre a ocupação territorial, a re-
alocação do setor foi facilitada por incentivos 
governamentais à produção de açúcar motiva-
da pelo aumento tanto da demanda quanto dos 
preços, internacionalmente. Incentivos estes 
que viabilizaram o avanço técnico, com aquisi-
ção de maquinário, e fertilizantes, assim como 
o aproveitamento de subprodutos (vinhoto), que 
tornou viável a expansão em direção às regiões 
de tabuleiros. Um fato negativo do apoio go-
vernamental à expansão nas áreas de produção 
foi a devastação sofrida pela Mata Atlântica e 
também pelo desestímulo à cultura de outros 
gêneros alimentícios, fazendo com que o esta-
do tenha sua economia fortemente dependen-
te do bom desempenho desse setor dominante 
(SANTOS et al., 2007). E é nesse quadro que 
as regiões de topografia acidentada começam 
a perder sua importância, e, apesar dos seus 
férteis solos massapés, as dificuldades de meca-
nização desestimula a permanência da agroin-
dústria nessa região, agroindústria que começa 
a migrar para as áreas mais planas dentro da 
mesorregião leste alagoana. Nesse contexto, 
vale acrescentar que essa importante migração 
só pode ser captada se a análise for em nível de 
microrregião.
Reestruturação do setor
sucroalcooleiro alagoano
A agroindústria sucroalcooleira nordesti-
na cresceu com base no apoio estatal. O açú-
car e, posteriormente, o álcool produzidos no 
Nordeste competiam no mercado nacional e 
também internacional graças a vantagens como 
subsídios que possibilitavam a redução dos seus 
custos. Porém, a partir do ano de 1990, a agroin-
dústria sucroalcooleira passou a ser desregu-
lamentada e as usinas alagoanas, assim como 
as outras nordestinas, passaram a enfrentar os 
mecanismos de mercado, sem grande parte do 
apoio ao qual estavam adaptadas (CARVALHO, 
2009). 
Foi a desregulamentação do setor que 
provocou a reestruturação produtiva ocorrida 
em Alagoas, ocasionando desativação das usi-
nas menos competitivas e concentração indus-
trial. Segundo estudos realizados por Vian, após 
a desregulamentação do setor, foi observada em 
Alagoas concentração da atividade canavieira 
nas unidades maiores e com maior capacida-
de produtiva (VIAN et al., 2008). Nesse quadro, 
vale destacar que praticamente todas as usinas 
desativadas se encontravam em microrregiões 
com problemas edafoclimáticos. E nesse pro-
cesso de reestruturação houve uma realocação 
da agroindústria canavieira no próprio leste ala-
goano. Como descrito anteriormente, a introdu-
ção da lavoura canavieira em Alagoas ocupou 
as áreas de declividade mais acentuada. Porém, 
inovações técnicas, como o melhoramento do 
solo, possibilitaram o deslocamento da lavoura 
para terrenos mais planos, facilitando a mecani-
zação agrícola. 
[...] a substituição, no transporte de cana, dos ani-
mais de tração por máquinas e a substituição dos 
cortadores assalariados por colheitadeiras mecâni-
cas vão marginalizando essas antigas áreas de culti-
vo. (CARVALHO, 2009, p. 51).
O processo de desregulamentação inicia-
do em 1990 provocou uma queda na área de 
plantação canavieira alagoana, que passou de 
561.217 ha para 322.505 ha em 1993, a partir 
daí se estabilizando em torno de 438 mil hec-
tares e chegando em 2008 com 434 mil hecta-
res. Essa redução se deve em grande parte ao 
processo de concentração produtiva provocada 
pela reestruturação do setor, onde a especiali-
zação na produção do açúcar e álcool ficou nas 
mãos de alguns grupos empresariais mais fortes, 
havendo desativação de várias unidades produ-
toras menos competitivas e fusões entre outras. 
Do período de 2000 a 2008, o setor se forta-
leceu, e, mesmo tendo reduzido a sua área de 
plantação, aumentaram a produção canavieira. 
Nesse período, ocorreu a crescente expansão 
de grupos empresariais alagoanos para outras 
regiões do País com maior disponibilidade de 
terras. Esse crescimento dos grupos não signifi-
cou, no entanto, o abandono das terras alago-
anas, como pode ser constatado por qualquer 
pesquisa, já que os grupos continuam com suas 
unidades matriz em plena atividade no estado, 
Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201091
por exemplo: Usina Sinimbu; Grupo Toledo, 
UsinaCoruripe (LAGES; LOPES, 2003).
Aproximadamente 90% das plantações 
canavieiras de Alagoas estão concentradas na 
mesorregião do leste. Assim é possível analisar 
a realocação das plantações a partir das suas 
seis microrregiões, conforme a Figura 2.
Como se percebe, as microrregiões com 
problemas edafoclimáticos vão gradativamen-
te perdendo importância na participação da 
produção.7
Como se percebe, os dados anteriores são 
censitários, apresentando maior confiabilidade. 
A Tabela 1, com dados da Produção 
Agrícola Municipal, apresenta resultados de 
produtividade que refletem o pior desempenho 
das microrregiões com topografia acidentada, 
assinaladas, anteriormente, em termos de pro-
dutividade, apesar dos avanços em todas as mi-
crorregiões entre 1990 e 2008.
Já nas Figuras 3 e 4 é possível observar 
as alterações ocorridas na área de ocupação da 
cana-de-açúcar a partir da década de 1990 até 
o ano de 2008. Em 1990, os dois municípios 
com maior área de ocupação eram Coruripe, 
com 53.334 ha, e São Miguel dos Campos, com 
61.824 ha. Nesse ano a concentração canaviei-
ra localizava-se mais ao norte da mesorregião 
leste. Eram 22 os municípios que tinham sua 
área de ocupação situada entre 10 mil e 65 mil 
hectares no ano de 1990; porém, em 2008 esse 
número reduziu para apenas 15 municípios. 
Como era de se esperar, os municípios com me-
nor área de ocupação situam-se na região de 
transição entre o leste e o Agreste em virtude 
das características climáticas e da qualidade do 
solo nessa última mesorregião.
Figura 2. Área colhida (em hectares) de cana-de-açú-
car por microrregiões do leste alagoano nos anos de 
1970, 1980, 1985, 1995 e 2006.
Fonte: IBGE (2009).
7 São elas Serrana dos Quilombos, Mata Alagoana e Litoral Norte.
Tabela 1. Microrregiões do leste alagoano, área plantada (hectares), quantidade (t) produzida e produtivi-
dade da cana-de-açúcar nos anos de 1990 e 2008. 
Leste 
alagoano 1990 2008
Microrregiões Área (ha) Quantidade 
produzida Produtividade Área (ha) Quantidade 
produzida Produtividade
Litoral Norte 25.844 798.970 30,92 16.720 1.109.310 66,35
Maceió 74.224 3.043.811 41,01 56.190 3.904.430 69,49
Mata Alagoana 179.704 7.906.013 43,99 120.972 7.854.025 64,92
Penedo 21.675 1.033.756 47,69 28.730 1.983.450 69,04
São Miguel 
dos Campos
203.021 10.927.294 53,82 170.788 11.720.910 68,63
Fonte: IBGE (2009).
92Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 2010
Verifica-se ainda que muitos desses mu-
nicípios tiveram grande redução, como, por 
exemplo, Porto Calvo, que passou de 17.517 ha 
em 1990 para 9.000 ha em 2008, e Matriz de 
Camaragibe, que passou de 12.651 ha para 
9.300 ha; além desses, Joaquim Gomes, que re-
duziu sua área de ocupação em 8.179 ha, am-
bos localizados no norte do estado.
Na Figura 4 verifica-se, ainda, que em 
2008 a maioria dos municípios do norte situa-se
na faixa de ocupação canavieira entre 0 e 10 mil 
hectares, com exceção do Município de São 
Luís do Quitunde, com 19 mil hectares, após 
ter apresentado 30.615 ha em 1990. E Coruripe 
passou a ser o município a ocupar a maior área 
com a lavoura canavieira, com 52.238 ha, e São 
Miguel dos Campos o segundo maior, apesar da 
forte redução ocorrida na sua área de ocupa-
ção, que agora é de 29 mil hectares, uma redu-
ção de 53%.
Figura 3. Cana-de-açúcar (hectares) por municípios alagoanos em 1990.
Fonte: IBGE (2009).
Figura 4. Cana-de-açúcar (hectares) por municípios alagoanos em 2008.
Fonte: IBGE (2009).
Ano XIX – No 3 – Jul./Ago./Set. 201093
Todas as mudanças pelas quais passou o 
setor sucroalcooleiro no período de desregula-
mentação levaram, também, a alterações na for-
ma de ocupação do seu espaço. E para Alagoas 
podemos visualizar esse fato pela migração das 
plantações canavieiras das terras mais ao norte 
do estado para as áreas mais planas dos tabulei-
ros. Como colocado por Carvalho:
Em Alagoas, com o apoio federal, ampliou-se a área 
plantada, principalmente nos tabuleiros do sul do 
Estado e em direção ao Agreste; cresceu o número 
de usinas e, principalmente, de destilarias; introdu-
ziram-se novas máquinas, aumentando o rendimen-
to industrial e, na parte agrícola, foram utilizadas 
novas variedades de cana, novos métodos de pro-
dução, assim como a substituição da tração animal 
pela mecânica. (CARVALHO, 2009, p. 27).
Ainda segundo o autor, teve início na dé-
cada de 1950 a ocupação dos tabuleiros, ape-
sar de ter sido intensificada em 1970, onde essa 
região passou a ser a principal área de ocupa-
ção com a plantação canavieira em Alagoas. A 
maior mecanização e o melhoramento do solo 
fizeram com que houvesse reduções de custos 
de produção, compensando a nova localização. 
Considerações finais
Acompanhando o cenário nacional, a 
agroindústria sucroalcooleira alagoana passou 
por diversas transformações desde o período 
colonial, quando os engenhos banguês se es-
tabeleceram no estado, até mais recentemente, 
com as modernas usinas. Essas transformações 
significam uma lenta realocação espacial da 
atividade com a ocupação progressiva dos ter-
renos planos dos tabuleiros, fazendo com que 
as plantações canavieiras recuassem nas regiões 
localizadas no norte de Alagoas. 
Os motivos capazes de explicar essa maior 
expansão da plantação canavieira na região dos 
tabuleiros foram as inovações tecnológicas e a 
desregulamentação do setor, que induziram a do-
minância de um ambiente mais competitivo, tor-
nando inviável o uso do solo em certas áreas da 
chamada zona da mata canavieira de topografia 
acidentada, dificultando o processo de mecani-
zação. Alguns programas governamentais contri-
buíram para a expansão das áreas de ocupação 
das lavouras; entre eles estão o Proálcool e o 
Planalsucar. O primeiro visando a elevar a produ-
ção de álcool em substituição aos derivados do 
petróleo; já o Planalsucar atuando no desenvolvi-
mento de variedades de cana que mais se adaptas-
sem às características ambientais brasileiras. 
O período em questão (1990 a 2008) 
compreende o início da desregulamentação 
do setor sucroalcooleiro, quando a agroindús-
tria canavieira alagoana passou a competir no 
mercado nacional sem muitos dos incentivos 
que recebia do governo. Com isso, o setor pas-
sou por um processo de reestruturação, quan-
do ocorreu desativação de algumas unidades, 
particularmente nas microrregiões com claros 
problemas edafoclimáticos. Porém, a migração 
da cana-de-açúcar para as regiões de tabulei-
ros já vinha ocorrendo algumas décadas antes. 
Como constatado por diversos autores, ela teve 
início nos anos de 1950 e foi intensificada na 
década de 1970, possibilitando a redução nos 
custos de produção por causa da maior meca-
nização dessas áreas planas (ANDRADE, 2005; 
CARVALHO, 2009; LAGES, 1993).
Enfim, a evolução do setor sucroalcoo-
leiro resultou em uma realocação espacial no 
território alagoano, onde, apesar de a plantação 
de cana-de-açúcar ter recuado em algumas áre-
as do estado, isso não significou a diminuição 
da importância da agroindústria canavieira; até 
acontecendo um aumento da produção – mas 
claramente menos no sentido horizontal, por 
conta de difusão de tecnologias biológico-quí-
micas e mecânicas. 
Por fim, deve ser constatado que a rea-
locação espacial desse setor ocorreu dentro de 
uma mesma mesorregião, o leste alagoano, ca-
racterístico do Bioma Mata Atlântica, mas com 
efeitos bem diferentes para cada uma de suas 
microrregiões componentes.
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