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ARTIGO DE REVISÃO
Received: Sep/03/2024. Approved: Feb/19/2025.
1 Universidade Federal de São Paulo, Santos, SP, Brasil.
Address for correspondence: Luís Otávio Santos Camargo. Rua Arnaldo de Luiz Oliveira, 93 – 18408-550 – Itapeva, SP, Brazil. 
E-mail: luisotaviosantoscamargo@gmail.com
A microbiota intestinal e o eixo intestino-
cérebro no transtorno do espectro autista 
(TEA): uma revisão integrativa
The intestinal microbiota and gut-brain axis in autism 
spectrum disorder (ASD): an integrative review
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 
https://doi.org/10.1590/0047-2085-2024-0044
RESUMO
Introdução: A prevalência de TEA cresceu exponencialmente após a primeira definição de autismo 
da DSM. Sua causalidade envolve uma relação complexa entre fatores genéticos e ambientais, sendo 
o microbioma um dos fatores ambientais que desempenham papel importante. O parto cesáreo 
e fatores maternos durante o pré-natal, como infecções e estresse, podem afetar a composição da 
microbiota do bebê. Ela desenvolve-se durante os primeiros anos de vida e também é influenciada 
pelo ambiente, alimentação e antibióticos. Bacteroidetes e Firmicutes são os filos predominantes na 
microbiota intestinal saudável de um adulto. Métodos: Com base no protocolo PRISMA 2020, foram 
selecionados 17 artigos publicados de 2012 a 2022 no Pubmed que abordavam o TEA, eixo intestino-
cérebro e microbiota intestinal. Resultados: Bacteroidetes e Firmicutes estão alterados em crianças 
com TEA quando comparado aos neurotípicos – microbiota intestinal menos diversificada. Sintomas 
gastrointestinais, como diarreia e constipação, são comuns em crianças com TEA, e a gravidade desses 
sintomas está relacionada ao grau das características do espectro e a permeabilidade intestinal. A 
Intervenção probiótica reduziu os sintomas gastrointestinais e comportamento característico do TEA 
a curto prazo, enquanto que o Transplante de Microbiota Fecal apresentou melhoras a curto e a longo 
prazo. Conclusão: As intervenções mostraram-se potenciais provavelmente pela correção da disbiose, 
permeabilidade intestinal e consequente diminuição da passagem de fatores neurotóxicos via barreia 
hematoencefálica afetando o eixo intestino-cérebro, no entanto, a seletividade alimentar pode ser um 
fator impeditivo na manutenção desse estado ao longo do tempo.
PALAVRAS-CHAVE
Microbiota intestinal, eixo intestino-cérebro, transtorno do espectro autista, autismo e transplante de microbiota fecal.
ABSTRACT
Introduction: The prevalence of ASD has grown exponentially since the first definition of autism in 
the DSM. Its causality involves a complex relationship between genetic and environmental factors, 
with the microbiome being one of the key environmental factors playing an important role. Cesarean 
delivery and maternal factors during the prenatal period, such as infections and stress, can affect the 
baby’s microbiota composition. It develops during the first years of life and is also influenced by the 
environment, diet, and antibiotics. Bacteroidetes and Firmicutes are the predominant phyla in the healthy 
gut microbiota of an adult. Methods: Based on the PRISMA 2020 protocol, 17 articles published from 
2012 to 2022 in PubMed were selected, addressing ASD, the gut-brain axis, and gut microbiota. Results: 
Bacteroidetes and Firmicutes are altered in children with ASD compared to neurotypical children – 
with a less diverse gut microbiota. Gastrointestinal symptoms, such as diarrhea and constipation, 
are common in children with ASD, and the severity of these symptoms is related to the degree of 
spectrum characteristics and intestinal permeability. Probiotic intervention reduced gastrointestinal 
symptoms and characteristic ASD behavior in the short term, while Fecal Microbiota Transplantation 
showed improvements in both the short and long term. Conclusion: The interventions proved 
to be potentially effective, likely due to the correction of dysbiosis, intestinal permeability, and the 
consequent reduction in the passage of neurotoxic factors through the blood-brain barrier, affecting 
the gut-brain axis. However, food selectivity may be a limiting factor in maintaining this state over time.
KEYWORDS
Intestinal microbiota, gut-brain axis, autism spectrum disorder, autism and fecal microbiota transplantation.
Luís Otávio Santos Camargo1
 https://orcid.org/0009-0005-3229-5362
Camargo LOS2
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
INTRODUÇÃO
As primeiras identificações de crianças com características 
do transtorno do neurodesenvolvimento foram notadas, em 
1943, pelo psiquitatra infantil Leo Kanner, e posteriormente 
em 1944, pelo pediatra Hans Asperger. A partir desses 
diagnósticos houve a intitulação de síndrome de Kanner e 
síndrome de Asperger1.
A primeira definição de autismo surgiu em 1980, 
publicada pela Associação de Psiquiatria Americana (APA) 
na terceira versão do Diagnostic and Statistical Manual 
of Mental Disorders (DSM-3), que é um documento com 
critérios padronizados para o diagnóstico de transtornos de 
saúde mental, tendo sido primeiramente desenvolvido em 
1952. A primeira definição abrangia um “desenvolvimento 
social e comunicativo prejudicado, além de insistência na 
mesmice com início antes dos 30 meses de idade”, e não 
se enquadrava em um quadro de espectro1. No entanto, o 
conhecimento sobre o autismo evoluiu rapidamente com 
crescimento em pesquisas desde meados dos anos 19901.
Atualmente, após o último lançamento do 
DSM 5-TR em 2022, o transtorno do espectro autista (TEA) 
é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento 
identificado nos primeiros anos de vida2. É caracterizado 
por comprometimentos na comunicação e interação 
social, associado a padrões repetitivos e restritivos de 
comportamento e interesses3. Enquadra-se, portanto, no 
quadro de espectro, pois se refere a um grupo heterogêneo 
de desordens do neurodesenvolvimento multicausais, no qual 
cada caso apresenta-se em diferentes níveis de suporte4. 
De acordo com o Autism and Developmental Disabilities 
Monitoring (ADDM), cerca de 1 em cada 6 (17%) crianças 
com idades entre os 3 e 17 anos foi diagnosticada com 
deficiência de desenvolvimento (a partir do relato dos pais), 
durante o período de estudo de 2009-2017. Os diagnósticos 
incluíam autismo, transtorno do déficit de atenção/
hiperatividade, cegueira e paralisia cerebral, entre outros. 
Ao analisar apenas os dados relacionados ao TEA, no ano 
de 2000, 1 em cada 150 crianças foi identificada com TEA; 
em 2010, os dados do estudo de prevalência de autismo 
mostram aumento de 1 em cada 68 crianças; e em 2020, 
os dados demonstraram aumento ainda maior com 1 em 
cada 36 crianças, demostrando expressivo aumento dos 
diagnósticos com o passar dos anos. O relatório também 
apresenta informações que o TEA ocorre em todos os grupos 
raciais, étnicos e socioeconômicos, e é quase 4 vezes mais 
comum entre meninos do que entre meninas5. 
Uma revisão que analisou 71 estudos ao redor de 34 
países nos anos de 2012 a 2021, observou uma prevalência 
do TEA de 119 casos a cada 10.000 pessoas (equivalente 
a 1,19%) nas populações estudadas. A maior parte da 
população era caracterizada como crianças, mas haviam 
alguns estudos com maiores de 18 anos e adultos, tendo 
em vista que a prevalência era maior no sexo masculino6. 
Não foi especificado a prevalência no Brasil, mas apenas nas 
américas como um todo, totalizando uma prevalência de 
82,3 a cada 10.000 pessoas (equivalente a 0,82%)1.
Com relação à genética, estudos com gêmeos sugerem 
uma herdabilidade maior do que 80%7, sendo aplicada em 
um contexto de riscos ambientais e relação gene-ambiente, 
pois a concordância monozigótica, “probabilidade” de 
gêmeos que dividem o mesmo material genético possuírem 
o mesmo transtorno e características nunca é de 100%1. Além 
de que, existe uma maior prevalência de autismo no sexo 
masculino – média de 4.2:1 para a razão Homem: Mulher -, 
isto é, a cada 4.2 autistas do sexo masculino diagnosticados, 
existeFederal do Ceará, Faculdade de 
Medicina, Programa de Pós-Graduação em Farmacologia; 2007. 
60. Sandler RH, Finegold SM, Bolte ER, et al. Short-term benefit from oral vancomycin 
treatment of regressive-onset autism. J Child Neurol 2000;15(7):429-435. 
61. White JF. Intestinal pathophysiology in autism. Exp Biol Med (Maywood) 
2003;228(6):639-649. 
62. De Angelis M, Francavilla R, Piccolo M, De Giacomo A, Gobbetti M. Autism spectrum 
disorders and intestinal microbiota. Gut Microbes 2015;6(3):207-213. 
63. Siniscalco D, Brigida AL, Antonucci N, Siniscalco D, Brigida AL, Antonucci N. Autism and 
neuro-immune-gut link. AIMSMOLES 2018;5(2):166-172. 
64. Marí-Bauset S, Zazpe I, Mari-Sanchis A, Llopis-González A, Morales-Suárez-Varela 
M. Food selectivity in autism spectrum disorders: a systematic review. J Child Neurol 
2014;29(11):1554-1561. 
65. Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. The PRISMA 
2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ 2021;372:n71. 
doi: 10.1136/bmj.n71.
66. Sterne JAC, Hernán MA, Reeves BC, Savović J, Berkman ND, Viswanathan M, et al. 
ROBINS-I: a tool for assessing risk of bias in non-randomised studies of interventions. BMJ. 
2016;355:i4919. doi:10.1136/bmj.i4919.
67. Yu Y, Ozonoff S, Miller M. Assessment of Autism Spectrum Disorder. Assessment. 2024 
Jan;31(1):24-41. doi: 10.1177/10731911231173089.um diagnóstico no sexo feminino8.
Com relação a causalidade do Transtorno do Espectro 
Autista, essa parece envolver uma relação complexa incluindo 
a genética e fatores ambientais, dentre os quais o microbioma 
é um dos fatores ambientais sendo herdado da mãe9, ainda 
não se sabendo ao certo quais os motivos pelos quais os 
sintomas característicos do TEA são mais implícitos no sexo 
feminino – podem estar relacionados com a habilidade de 
mascarar as características do espectro - conhecido por 
“masking” – a fim de reduzir o estereótipo social10.
Outro dado interessante é a associação do parto cesáreo 
com um maior risco de desenvolvimento de TEA na prole. Em 
uma revisão sistemática e meta-análise, avaliaram 61 estudos 
(coorte e caso-controle) de 19 países desde as primeiras 
publicações até 2019, sendo que 27 estudos objetificavam 
associar o diagnóstico de TEA (59.795 casos) ao parto cesáreo 
quando comparado ao vaginal. Com foco apenas no TEA, 
foram incluídos um número de mais de 5 milhões de partos, 
tanto cesáreos quanto vaginais, dos estudos analisados. Os 
resultados revelaram que o parto cesáreo foi significativamente 
associado ao aumento de chances de a prole ser diagnosticada 
com TEA (OR, 1.33; 95% CI, 1.25-1.41) em comparação ao parto 
vaginal, sendo equivalente a um risco de 33%. No entanto, 
a heterogeneidade foi média (I2 = 69,5%), o que sugere um 
potencial viés de publicação, tendo em vista que as associações 
entre parto cesáreo e TEA foram menores em estudos de coorte 
quando comparado aos estudos de caso-controle11.
A microbiota é caracterizada por conter o conjunto de 
diferentes linhagens de microrganismos em um determinado 
ambiente/ecossistema. Existem microbiotas em diferentes 
partes do corpo humano, como por exemplo, na pele, vias 
aéreas, trato urogenital, intestino e boca12. O microbioma pode 
ser definido por toda a vasta coleção de genes do genoma 
desses microorganismos residentes em um determinado 
ambiente, dessa forma ambos os termos microbiota e 
microbioma se relacionam13. A microbiota intestinal de um 
adulto é formada principalmente pelos filos bacterianos 
Bacteroidetes e Firmicutes14, com aproximadamente 100 
Microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 3
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
trilhões de microrganismos15. Isso equivale, aproximadamente, 
a uma biomassa superior a 1 kg16.
O feto nasce livre de germes, e, portanto, o intestino ao 
nascimento é estéril. Com o passar dos anos, percebeu-se 
que ela se desenvolve durante os primeiros 1000 dias de vida 
(contando com o pré-natal), e esse período é crucial para o 
estabelecimento de um microbioma saudável17. A microbiota 
atinge aproximadamente a riqueza em diversidade próxima 
ao perfil da microbiota de um adulto no primeiro ano de 
vida18. Estudos indicam que após o nascimento, o microbioma 
começa a se desenvolver rapidamente, sendo influenciado 
pelo ambiente, alimentação, antibióticos e método utilizado 
durante parto19. Alguns fatores maternais do pré-natal, tais 
como, infecções, estresse psicossocial, obesidade e síndrome 
metabólica, podem resultar em uma disbiose na mãe, 
desregulando sua ativação imune, e consequentemente, 
colocando em risco o neurodesenvolvimento de seu filho20.
Em estudo que avaliou o impacto do modelo de parto 
(cesáreo ou vaginal) na microbiota geral do recém-nascido, 
notou-se que os bebês nascidos através do parto vaginal 
possuíam microbiota mais semelhante a microbiota vaginal 
da mãe, enquanto que os nascidos através do parto cesáreo 
apresentaram microbiota mais semelhante à da pele da mãe 
– evidenciando o impacto do contato com a vagina ou pele9. 
Ademais, percebeu-se que a microbiota em todas as regiões 
analisadas era semelhante no recém-nascido, isto é, estava 
homogeneamente distribuída ao redor de todos as microbiotas 
ao longo do corpo em seu estágio inicial de desenvolvimento9. 
Por outro lado, outros pesquisadores perceberam, que aos 
4 dias de vida, a diversidade bacteriana no grupo de parto 
vaginal foi superior a do grupo de parto cesáreo (p=0.039) 
independentemente do tipo de alimentação - aleitamento 
exclusivo ou aleitamento e fórmula21. No entanto, no primeiro 
mês de vida, notou-se que as diferenças entre os tipos de parto 
se ajustaram independentemente do tipo de alimentação, 
indicando que o leite materno, mesmo que em pequena 
quantidade, pode ser crucial na população da microbiota 
intestinal, e consequentemente, no combate de uma possível 
disbiose durante o primeiro mês de vida oriunda do tipo de 
parto utilizado, uso de antibióticos ou outros fatores21.
Mesmo ainda não existindo uma compreensão mais 
apurada da causalidade do Transtorno do Espectro Autista, 
o crescimento dos diagnósticos pode se explicar devido a 
evolução no conhecimento não só das características comuns 
da doença, mas também de sintomas e comportamentos 
característicos. Uma maior prevalência com o passar dos 
anos, não significa uma maior incidência de casos, mas 
talvez, um olhar mais atento a partir do momento em que 
uma determinada característica, antes despercebida, recebe 
mais atenção, assim a probabilidade de que mais pessoas 
identifiquem é maior. Além disso, após a alteração da definição 
de autismo para um espectro, passaram a ser englobados 
casos que antes não se enquadravam, o que também pode 
ter aumentado a prevalência. A maioria das alterações 
percebidas nesse público foram notadas em observações 
clínicas, relatos de familiares e após a realização de estudos 
em modelos animais, principalmente relacionadas ao eixo 
intestino-cérebro e microbiota intestinal4. Dessa forma, o 
presente estudo objetifica encontrar uma relação entre 
possíveis alterações na microbiota intestinal de crianças 
com TEA, seus sintomas gastrointestinais e comportamentos 
característicos do espectro com o eixo intestino-cérebro.
MÉTODOS
Para que fosse possível entender a terminologia utilizada no 
tema da pesquisa e encontrar publicações relevantes, foram 
lidos dois estudos22,23 que serviram de base para criação dos 
termos de busca.
Com relação a busca de artigos, foi seguido o protocolo 
PRISMA 2020 para revisões sistemáticas, sendo que apenas 
1 autor realizou todas as tarefas manualmente, mesmo 
que o trabalho seja considerado uma revisão integrativa. 
A busca de artigos científicos foi feita apenas através da 
base de dados PubMed a partir da busca avançada a fim de 
encontrar os termos em todos os campos dos artigos e não 
apenas no título ou resumo. A busca resultante está descrita 
a frente: ((Autism Spectrum Disorder) AND (Gastrointestinal 
Microbiome)) AND (Brain-Gut Axis). O intuito foi encontrar os 
termos no máximo de artigos possíveis e com organização 
das palavras de formas distintas, pois notou-se que os artigos 
poderiam fazer referência aos termos de formas variadas 
(“Brain-gut axis” ou “Gut-brain axis”), e portanto, poderiam 
ser perdidos estudos relevantes. Dessa forma, o uso de 
parênteses ao invés de aspas auxiliou nesse processo.
A busca iniciou-se no dia 03 de novembro de 2022 e 
utilizou-se o filtro de artigos no idioma inglês publicados nos 
últimos 10 anos, sendo eles estudos clínicos, meta-análises, 
revisões e revisões sistemáticas. Totalizou-se 123 artigos 
científicos publicados entre 2012-2022. 
Para avaliar a elegibilidade dos estudos, analisou-se 
primeiramente o título. Dos 123 artigos encontrados, apenas 70 
abordavam o Transtorno do Espectro Autista (TEA), e portanto, 
foram eliminados 53 artigos. Destes selecionados, a partir da 
leitura do resumo, apenas 23 contemplavam o assunto eixo 
intestino-cérebro e microbioma ou microbiota intestinal, 
resultando na eliminação de 47 artigos. Dos 23 selecionados, 
eliminou-se 6 artigos que focavam apenas no eixo intestino-
cérebro ou que o enfoque não era exclusivamente no público 
autista de acordo com seu resumo. Por fim, resultou-se um 
número total de 17 artigos de revisão. Além disso, foram 
acessados artigos promissoresincluídos nas referências dos 
artigos selecionados e publicações que pudessem enriquecer 
Camargo LOS4
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
a presente revisão através da contextualização dos assuntos, 
como por exemplo, estudos sobre a prevalência do TEA, 
seletividade alimentar e outros, totalizando 45 estudos 
adicionais. Por fim, com a adição dos 2 artigos utilizados 
previamente a busca final, totalizou-se um número de 64 
artigos incluídos. O fluxograma da próxima página resume 
todas as informações citadas.
Para avaliação do risco de viés foi utilizada a ferramenta 
ROBINS-I (Risk Of Bias In Non-randomized Studies - of 
Interventions) da Cochrane66, a qual é uma ferramenta 
adequada para avaliar o risco de viés de estudos não 
randomizados de intervenções. Vale ressaltar que optou-se 
por avaliar o risco de viés apenas dos estudos que envolviam 
a intervenção de Transplante de Microbiota Fecal (TMF), 
pois foi o maior foco de discussão nos resultados devido 
a apresentarem desfechos promissores. A ferramenta é 
dividida em 7 domínios de risco de viés: devido a confusão, 
na seleção dos participantes do estudo, na classificação das 
intervenções, devido a desvios das intervenções pretendidas, 
devido a dados perdidos, na medição dos desfechos e na 
seleção dos resultados reportados. Cada domínio é avaliado 
em nenhuma informação, baixo, moderado, sério ou crítico 
risco de viés, tendo em vista que ao final da avaliação de 
todos os domínios é feita uma classificação geral do risco de 
viés do estudo através das mesmas classificações. 
Foi feita a avaliação do risco de viés de dois desfechos 
presentes nos estudos – sintomas gastrointestinais/
consistência e/ou frequência das fezes e comportamento 
relacionado ao TEA -, os quais foram medidos através de 
escalas de avaliação e fazem parte da experiência do autor 
da revisão em questão, e portanto, podem ser avaliados de 
forma mais assertiva. Os dados encontram-se na coloração 
para auxiliar a visualização de daltônicos e separados após o 
término da apresentação dos resultados. 
Id
en
tifi
ca
çã
o
Identificação de novos estudos via base de dados e registrosEstudos anteriores
Estudos incluídos na versão 
anterior da revisão (n = 2)
Registros identificados de:
Base de dados PubMed (n = 123)
Registros triados (n = 123)
Publicações recuperadas (n = 70)
Publicações avaliadas para 
elegibilidade (n = 23)
Estudos incluídos (n = 17)
Novos estudos incluídos através das 
referências e outros estudos para 
complementar a revisão (n = 45)
Total de estudos (n = 62)
Total de estudos incluídos na revisão
(n = 64)
Registros removidos antes da triagem:
Registros duplicados removidos (n = 0)
Registros removidos por outros motivos 
(n = 0)
Registros excluídos
Não abordavam TEA no título (n = 53)
Registros excluídos:
Não abordavam microbiota intestinal 
ou microbioma no resumo (n = 47)
Publicações excluídas:
Foco apenas no eixo intestino-cérebro 
ou sem enfoque exclusivo no TEA 
(n = 6)
Sc
re
en
in
g
In
cl
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do
s
*Diagrama de fluxo PRISMA 2020.
**Fonte: Page MJ, et al. BMJ 2021;372:n71. doi: 10.1136/bmj.n71.
Microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 5
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
RESULTADOS 
Sintomas gastrointestinais no TEA
Em uma revisão foi possível notar que metade das crianças 
com TEA sofrem de pelo menos 1 problema do TGI, sendo 
diarreia e constipação os mais comuns24,25. 
Uma análise multicausal de 15.000 pacientes com TEA 
revelou que 12% apresentaram comorbidades relacionadas 
a desordens do intestino26. Os sintomas eram geralmente 
crônicos, tais como, alterações no hábito intestinal, dor 
abdominal, desconforto e intolerância alimentar27. Um 
estudo feito com 95 familiares que relataram os sintomas 
gastrointestinais de indivíduos com TEA, demonstrou que 
61% das crianças possuíam problemas gastrointestinais 
incluindo dor abdominal (41%), ausência de fome (40%) e 
inchaço (10%)28. Assim como em outro estudo foi relatado 
dor abdominal, constipação e diarreia acometendo 46-84% 
dos indivíduos com TEA29.
Meta-análise que analisou 15 artigos publicados de 
1980 até 2012 envolvendo a observação dos sintomas 
gastrointestinais de 2215 crianças com TEA comparados aos 
neurotípicos, percebeu-se que a diarreia era o sintoma mais 
comum relatado por cuidadores. Foram analisadas 4 variáveis 
(preocupações gastrointestinais gerais, diarreia, constipação 
e dor abdominal), sendo que todas indicaram maiores níveis 
de problemas gastrointestinais nos autistas, sugerindo uma 
probabilidade 4 vezes maior de prevalência desses sintomas 
em crianças com TEA do que as sem (pde 
espécies de Bifidobacteria e Blautia, pertencentes aos filos 
Actinobacteria e Firmicutes, respectivamente23,40. Isso se 
relaciona com comparação entre amostras fecais de crianças 
com TEA e neurotípicas, exibindo redução significativa 
do gênero Bifidobacterium, a qual pertence também a filo 
Actinobacteria41.
Clostridium spp. e Enterococci foram isolados de 
amostras fecais de crianças com TEA, além de grande 
diferença quantitativa entre Staphylococci, Candida spp. e 
Camargo LOS6
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
Clostridium perfringens. Os autores identificaram aumento 
do crescimento microbiano nos autistas de várias espécies 
bacterianas e do fungo Candida, o qual está relacionado 
com algumas infecções42. Outro estudo verificou níveis 
elevados de IgA no público autista quando comparado aos 
neurotípicos43.
Eixo intestino-cérebro
Eixo intestino-cérebro está relacionado com a comunicação 
entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso 
Entérico (SNE). Tendo em vista que a troca de informações 
ocorre de maneira bidirecional e a microbiota interfere 
nessa comunicação, hoje é reconhecido por eixo intestino-
cérebro-microbiota. O cérebro interage com o intestino 
através de componentes neurais, sistema endócrino (Eixo 
hipotálamo-pituitária-adrenal), componentes imunes 
(citocinas e metabólitos) e componentes gastrointestinais 
(microbiota, barreira intestinal e resposta imune intestinal)18.
Além de a barreira intestinal estar prejudicada, nota-
se que nos autistas a barreira cerebral (hematoencefálica) 
também estava alterada, com níveis elevados da proteína 
Claudina no cérebro, a qual é uma proteína das junções 
oclusivas intestinais que controla o fluxo intercelular32. 
O nervo vago eferente transmite informações dos órgãos 
viscerais para regiões do cérebro, tais como, hipotálamo, 
amígdala e córtex insular44, além dos núcleos do tronco 
cerebral, os quais são importantes na comunicação 
bidirecional entre cérebro e intestino45. 
O microbioma pode modular o comportamento 
social, processos sensoriais e inclusive a dor abdominal, 
diretamente através de moléculas inflamatórias e neuro 
ativas sinalizadoras ou indiretamente via nervo vago23.
Através da liberação de compostos neuroativos no 
lúmen do intestino agindo nos receptores de certos 
microrganismos intestinais, o cérebro pode modular 
diretamente a composição e função dos mesmos23; ou 
através da regulação da motilidade intestinal e atividades de 
secreção, afetando indiretamente a composição e função do 
microbioma intestinal.
Alguns subprodutos moleculares são capazes de 
atravessar a barreira intestinal e hematoencefálica, 
possibilitando uma transmissão de sinais no sistema 
Cérebro-Intestino-Microbiota46.
Intervenção probiótica na modulação da 
microbiota intestinal no TEA
Estudos utilizando roedores, sob uso de um modelo de 
ativação imune materna com comportamento característico 
do TEA, identificaram que além das anormalidades 
comportamentais, os roedores apresentaram aumento 
da permeabilidade intestinal, alterações no microbioma 
e no metaboloma (conjunto completo de metabólitos), 
como consequência da inflamação30. Nesse estudo, a 
administração oral de Bacteroides fragilis corrigiu a alta 
permeabilidade intestinal, melhorou a microbiota intestinal, 
os perfis metabólicos do sangue, além dos comportamentos 
associados ao TEA47.
Outros estudos encontraram redução de déficits sociais 
após introdução de Lactobacillus reuteri em roedores, 
enquanto que crianças tailandesas com TEA tratadas 
com uma variedade de Lactobacillus (L. plantarum PS128) 
apresentaram redução de déficits de comportamentos e 
melhora de disfunções da comunicação social48. Crianças 
que receberam probióticos (cepas de Lactocillus acidophilus, 
Lactobacillus casei, Lactobacillus delbruecki, Bifidobacteria 
longum, Bifidobacteria bifidum, 2 bilhões de UFC de cada) 
durante um período de 6 meses apresentaram melhora no 
comportamento relacionado ao TEA, consistência das fezes 
e diarreia49.
Transplante de microbiota fecal
O transplante de microbiota fecal (TMF) se caracteriza pela 
transferência de bactérias fecais contidas na microbiota 
intestinal de um doador saudável para um receptor com 
o objetivo de restaurar o estado saudável da microbiota 
(homeostase intestinal) através da repopulação do 
intestino50. Esse transplante é geralmente feito por meio 
de endoscopias, enemas ou alimentação oral de material 
liofilizado50,51.
Revisão sistemática50 reuniu estudos de intervenção 
TMF em autistas e 5 foram analisados: 2 prospectivos52,53, 2 
retrospectivos54,55 e um relato de caso de um adulto de 18 
anos com Síndrome de Asperger56. É importante ressaltar 
que a população dos estudos foi majoritariamente 
composta por crianças e visando a duração da 
intervenção aplicada nos estudos, houve tratamento de 
TMF com diferentes tempos de acompanhamento e ciclos 
no tratamento variando em meses. Todos os estudos 
demonstraram melhora significativa nas ferramentas de 
avaliação diagnóstica para o autismo após o TMF com 
melhora nos sintomas centrais do TEA (comportamento 
relacionado ao autismo, flutuações emocionais e 
comunicação social) indicando efeito benéfico a curto 
prazo50,52,53-56. Também houve diminuição significativa 
nos sintomas gastrointestinais (diarreia, constipação, 
dor abdominal) e melhora na consistência das fezes das 
crianças com TEA50. Além disso, KANG et al., 2019 em 
estudo com os mesmos participantes após 2 anos de sua 
Microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 7
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
intervenção, notaram melhoras promissoras não só nos 
sintomas centrais do TEA, como também nos sintomas 
gastrointestinais a longo prazo57.
Ao analisar a população de bactérias intestinais, 
aumentaram significativamente a diversidade de bactérias 
e abundância relativa de Bifidobacterium e Prevotella 
após o TMF52,54. Também houve aumento significativo da 
abundância relativa de Desulfovibrio52. Com relação ao 
gênero bacteriano após o TMF na Síndrome de Asperger56, 
aumentaram as abundâncias relativas de Roseburia, 
Bifidobacterium, Ruminococcus, Flavobacteriales, Prevotella 
e Faecalibacterium, e com diminuição de Coprococcus, 
Dorea, Veillonella, Clostridium, Haemophilus, Streptococcus 
e Romboutsia56. A Tabela 1 a seguir resume todos os dados 
dos estudos sobre TMF citados anteriormente para uma 
melhor visualização.
Tabela 1. Estudos de intervenção de Transplante de Microbiota Fecal em indivíduos com TEA* visando melhoria de comportamento característico e sintomas 
gastrointestinais
Estudo População
Situação 
socioeconômica**, 
raça*** e gênero 
(M/F)
Idade Intervenção Duração Localização Desfecho
Li et al. 
2021
56 (40 com TEA e 
16 neurotípicas 
controles)
16 (15/1)
e 
40 (37/3)
3-17 anos 
(média TEA = 
8.03+-3.73) 
Transplante de 
Microbiota Fecal
Tratamento de 4 
semanas aliado ao 
acompanhamento de 8 
semanas consecutivas
Sudoeste da 
China
Alteração na composição da microbiota 
intestinal, melhora de sintomas 
gastrointestinais, consistência das fezes e 
comportamento relacionado ao TEA 
Pan et al. 
2022
42 crianças com 
TEA
42 (34/8) Mediana = 6 anos 
(intervalo interquartil 
3.75-8.25)
Transplante de 
Microbiota Fecal
5 ciclos de tratamento 
durante análise de 6 
meses
Guangdong, 
China
Melhora de sintomas gastrointestinais, 
consistência das fezes e comportamento 
relacionado ao TEA
Zhang et 
al 2022
49 (24 com TEA e 
constipação e 25 
com TEA sem 
constipação)
24 (19/5)
e
25 (22/3)
3-14 anos (média 
constipação = 
5.67+-3.08; média sem 
constipação = 6.72+-3.94) 
Transplante de 
Microbiota Fecal
2 ciclos de tratamento 
durante análise de 4 
semanas
Guangdong, 
China
Melhora nos sintomas gastrointestinais, 
consistência das fezes e comportamento 
relacionado ao TEA
Huang et 
al 2022
1 Adulto com 
Asperger*
1 (1/0) 18 anos Transplante de 
Microbiota Fecal
3 ciclos de tratamento 
com avaliaçãoapós 1 
semana, 1 mês e 3 
meses
Dongguan, 
China
Alteração na composição da microbiota 
intestinal, melhora dos sintomas 
gastrointestinais, consistência das fezes e 
sintomas relacionados a síndrome de 
Asperger
Kang et al. 
2017
38 (18 com TEA e 
20 neurotípicas 
controles similiares 
com relação a 
gênero e IMC)
18 (16/2)
e
20 (18/2)
7-16 idade (média = 11) Terapia de 
Transferência de 
Microbiota 
(de antibiótico 
anteriormente ao início 
do TMF)
18 semanas, sendo 10 
semanas de tratamento 
e 8 semanas de 
acompanhamento
Phoenix, 
Arizona, EUA
Alteração na composição da microbiota 
intestinal e maior diversidade, melhora 
nos sintomas gastrointestinais, 
consistência das fezes, além do 
comportamento relacionado ao TEA
Kang et al. 
2019
Apenas as 18 
crianças com TEA
18 (16/2) Não informado Após 2 anos do estudo 
Kang et al. 2017, os 
participantes foram 
novamente avaliados
Phoenix, 
Arizona, EUA
Alteração na composição da microbiota 
intestinal e maior diversidade, melhora 
dos sintomas gastrointestinais, 
consistência das fezes, além do 
comportamento relacionado ao TEA
* Síndrome de Asperger está englobada no Transtorno do Espectro Autista
** Informações não disponibilizados pelos artigos
*** Informações não disponibilizados pelos artigos
Risco de viés: desfecho sintomas 
gastrointestinais e consistência das fezes
A Tabela 2 evidencia os dados resumidos. Tendo em 
vista o primeiro domínio sobre fatores que podem gerar 
confusão nos desfechos (D1), notou-se que todos estudos 
apresentavam sério risco de viés52,53-56, pois apenas 1 deles 
mensurou a dieta dos participantes antes do início do 
estudo52, mas não após o final da intervenção, enquanto 
os outros não a mensuraram e o estudo após 2 anos da 
intervenção57 não notou alterações na dieta dos indivíduos. 
A dieta pode ser um fator de confusão devido a possibilidade 
de impacto na consistência das fezes e também nos 
sintomas gastrointestinais, como exemplo constipação, de 
acordo com as características da dieta em todos os estudos. 
Além disso, apenas 1 estudo54 avaliou presença de terapias 
comportamentais, de comunicação ou educacional, mas 
não separou os 29 indivíduos de 42 totais da análise do 
desfecho final, enquanto os outros estudos52,53,55-57 não 
avaliaram presença de terapias intensivas, o que pode 
impactar diretamente nos sintomas gastrointestinais e/ou 
consistência das fezes via eixo intestino-cérebro.
Camargo LOS8
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
O terceiro domínio relacionado a classificação de 
intervenções (D3) demonstrou que um estudo obteve sério 
risco de viés54, pois não especificou antes do início quantos 
cursos de FMT cada indivíduo iria receber e durante o 
estudo os participantes receberam diferentes doses: dos 42 
participantes, 30 completaram 2 ciclos, 23 completaram 3, 14 
completaram 4 e 6 completaram 5 ciclos. Isso pode gerar um 
sério risco de viés, pois podem ter efetuado mais ciclos de FMT 
em indivíduos menos responsivos para melhorar o desfecho 
final. Também existe a possibilidade de alguns pacientes não 
terem se adequado a intervenção, mas a grande questão é 
que em nenhum momento o artigo explicou os diferentes 
ciclos. Por outro lado, os outros estudos apresentaram baixo 
risco de viés52,53,55-57.
O domínio de risco de viés devido a desvios nas 
intervenções pretendidas (D4) apresentou sério risco de 
viés em 5 estudos52-54,56,57 e um estudo apresentou crítico 
risco de viés55 devido a co-intervenções que podem ter 
afetado o desfecho final. O único julgamento de crítico 
risco de viés55 ocorreu devido ao estudo não mensurar o 
uso de medicamentos e probióticos, além de que todos 
os participantes fizeram uso antes e durante o estudo, o 
que podem ter influenciado em melhora da microbiota, 
e consequente, sintomas gastrointestinais (constipação). 
Todos os outros estudos foram julgados com sério risco 
de viés, pois: excluíram apenas participantes que faziam 
uso de medicamentos para doenças gastrointestinais e 
que tenham feito uso de probióticos e/ou antibióticos 
7 dias antes do screening, mas não mensuraram 
medicamentos controlados e uso de probióticos/
antibióticos durante o estudo que podem afetar os 
sintomas gastrointestinais53; 29 dos 42 participantes 
podem ter feito uso de medicamentos durante a 
intervenção54; não foi especificado ou mensurado uso de 
medicamentos e probióticos56; excluíram indivíduos que 
fizeram uso de antibióticos nos últimos 6 meses e uso de 
probióticos nos últimos 3 meses, mas não checaram ao 
final e durante o estudo, além de no histórico médico de 
2 anos coletado não constar uso de medicamentos52; após 
2 anos do estudo de Kang et al., 2017, os pesquisadores 
citam que mudanças nas medicações foram baixas, 
mas não mensuraram uso de probióticos e antibióticos 
nesse período57. Dessa forma, todas co-intervenções não 
controladas podem ter afetado o desfecho final, e esse, 
não pode ser atribuído apenas ao TMF.
No domínio sobre viés na medição dos desfechos 
(D6), dois estudos apresentaram sério risco de viés, pois os 
pais das crianças preencheram as escalas de avaliação do 
comportamento, sintomas gastrointestinais e avaliaram 
consistência das fezes53, e a ocorrência de constipação foi 
autorrelatada, mas não especificou se os pesquisadores 
aplicaram a consistência das fezes54. Todos os outros estudos 
foram avaliados com risco moderado de viés: os pais fizeram 
autorrelato da consistência das fezes, as quais influenciaram 
na classificação de constipação mesmo recebendo fotos de 
referência de características morfológicas para avaliação e 
podem ter sido influenciadas pela expectativa de melhora55; 
o paciente com síndrome de Asperger pode ter avaliado 
positivamente suas fezes devido a consciência dos efeitos 
benéficos da intervenção, pois o estudo não especificou quem 
a fez56; consistência das fezes e sintomas gastrointestinais 
foram avaliados pelos pais através de formulário52; após 
dois anos do estudo anterior52, a expectativa de melhora 
da intervenção pode ter influenciado em uma classificação 
mais branda dos sintomas gastrointestinais e melhora da 
consistência das fezes, porque um sintoma antes visto como 
grave, pode ter sido classificado como moderado57. 
Nos domínios sobre seleção dos participantes (D2), 
dados perdidos (D5) e seleção dos resultados (D7), todos 
os estudos52-57 apresentaram baixo risco de viés, o que 
indica que a probabilidade de a seleção dos participantes 
ter sido proposital, que dados tenham sido perdidos ou 
que resultados tenham sido selecionados dentre inúmeros 
desfechos é baixo.
Por fim, o total do risco do viés dos estudos ficou 
classificado como sério ou crítico e o Gráfico 1 apresenta 
uma melhor visualização da distribuição dos riscos em cada 
domínio.
Risco de viés: desfecho comportamento 
relacionado ao TEA
A Tabela 3 evidencia os dados resumidos. Os domínios sobre 
seleção dos participantes (D2), dados perdidos (D5) e seleção 
dos resultados (D7), todos os estudos52-57 apresentaram baixo 
risco de viés, o que indica que a probabilidade de a seleção 
dos participantes ter sido proposital, que dados tenham 
sido perdidos ou que resultados tenham sido selecionados 
dentre inúmeros desfechos é baixo. 
Tendo em vista o primeiro domínio sobre fatores que 
podem gerar confusão nos desfechos (D1), notou-se que 
quase todos estudos apresentavam sério risco de viés52,53,55-57, 
pois nenhum deles mensurou terapias intensivas, enquanto 
que apenas 1 estudo54 foi avaliado como crítico risco 
de viés, pois 29 dos 42 participantes receberam terapias 
comportamentais, de comunicação, educacional ou uso 
de medicamentos, os quais impactam diretamente no 
comportamento e podem ter influenciado em melhores 
avaliações nas escalas utilizadas. 
Com relação ao terceiro domínio (D3), quase todos os 
estudos apresentaram baixo risco de viés52,53,55-57, mas apenas 
1 foi avaliado como sério54 devido a classificação de sua 
intervenção citada no último tópico.
Microbiota intestinale o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 9
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
No quarto domínio (D4), quase todos os estudos52,53,55-57 
apresentaram sério risco de viés, pois não excluíram 
participantes que fizeram uso de medicamentos para 
ajustes comportamentais53, não mensuraram uso de 
medicamentos52,55,56 ou apenas citaram que mudanças 
na medicação foram baixas57, e portanto, podem ter 
influenciado em mudanças comportamentais positivas dos 
indivíduos no desfecho final. Além disso, o único estudo que 
recebeu julgamento crítico54 declarou que boa parte dos 
participantes fazia uso de medicamentos.
O sexto domínio (D6) demonstrou que quase 
todos os estudos foram avaliados com baixo risco de 
viés52,54-57, enquanto que apenas 1 estudo foi classificado 
com sério risco53, porque o formulário de avaliação do 
comportamento das crianças foi preenchido pelos pais e 
a consciência da possibilidade de efeitos positivos pode 
ter impactado em melhores escores, enquanto que nos 
outros estudos isso foi preenchido ou validado por um 
profissional capacitado.
Por fim, o total do risco do viés dos estudos ficou 
classificado como sério ou crítico e o Gráfico 2 apresenta 
uma melhor visualização da distribuição dos riscos em 
cada domínio.
Tabela 2. Risco de viés do desfecho sintomas gastrointestinais e consistência das fezes
Domínios de risco de viés
D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Total
Es
tu
do
s
Li et al., 2021 x + + x + x + x
Pan et al., 2022 x + x x + x + x
Zhang et al., 2022 x + + ! + – + !
Huang et al., 2022 x + + x + – + x
Kang et al., 2017 x + + x + – + x
Kang et al., 2019 x + + x + – + x
Domínios:
D1: Viés devido a confusão
D2: Viés devido a seleção dos participantes
D3: Viés na classificação das intervenções
D4: Viés devido a desvios das intervenções pretendidas
D5: Viés devido a dados perdidos
D6: Viés na medição dos desfechos
D7: Viés na seleção dos resultados reportados
Jugamento
! Crítico
x Sério
– Moderado
+ Baixo
Gráfico 1. Resumo do risco de viés do desfecho sintomas gastrointestinais e consistência das fezes
0% 25% 50% 75% 100%
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Total risco de viés
 Baixo risco Moderado risco Sério risco Crítico risco
Camargo LOS10
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
DISCUSSÃO
Sintomas gastrointestinais no TEA
Com relação aos sintomas gastrointestinais mais comuns 
(diarreia e constipação)24,25, a gravidade dos sintomas estava 
correlacionada positivamente com o grau das características 
do espectro39, e também é correlacionada com uma 
microbiota intestinal menos diversa38. Dessa forma, quanto 
maiores os índices em escalas de avaliação do comportamento 
do Transtorno do espectro autista, maior era a gravidade dos 
sintomas e menos diversa era a microbiota intestinal.
Além disso, um trânsito intestinal prejudicado poderia ser 
correlacionado com a seletividade alimentar. A seletividade 
alimentar é uma ingestão restrita de alimentos, a qual 
resultaria em menor ingestão de fibras e consequente 
trânsito intestinal prejudicado, além de que problemas de 
comportamento resultantes muitas vezes de mudanças 
mínimas nas rotinas que podem influenciar negativamente 
o hábito intestinal saudável. Enquanto que, por outro lado, 
a diarreia poderia estar relacionada a alguma disbiose da 
microbiota intestinal2.
Vale ressaltar que a maioria dos estudos com TEA 
envolvendo implicações gastrointestinais são quantificados 
através do relato dos pais e/ou cuidadores (as), devido 
ao público (geralmente crianças) possuir déficits de 
comunicação. Também é válido destacar que, segundo 
a DSM-V, o desenvolvimento atípico da linguagem é 
classificado como uma co-ocorrência do TEA, e, portanto, 
existem casos em que isso pode não existir1.
Tabela 3. Risco de viés do desfecho comportamento relacionado ao TEA
Domínios de risco de viés
D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Total
Es
tu
do
s
Li et al., 2021 x + + x + x + x
Pan et al., 2022 ! + x ! + + + !
Zhang et al., 2022 x + + x + + + x
Huang et al., 2022 x + + x + + + x
Kang et al., 2017 x + + x + + + x
Kang et al., 2019 x + + x + + + x
Domínios:
D1: Viés devido a confusão
D2: Viés devido a seleção dos participantes
D3: Viés na classificação das intervenções
D4: Viés devido a desvios das intervenções pretendidas
D5: Viés devido a dados perdidos
D6: Viés na medição dos desfechos
D7: Viés na seleção dos resultados reportados
Jugamento
! Crítico
x Sério
+ Baixo
Gráfico 2. Resumo do risco de viés do desfecho comportamento relacionado ao TEA
0% 25% 50% 75% 100%
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Viés devido a confusão
Total risco de viés
 Baixo risco Sério risco Crítico risco
Microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 11
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
Alteração da permeabilidade intestinal no TEA
Os quadros de diarreia relacionados a uma maior 
permeabilidade intestinal30 ocorrem devido a defeitos 
nas junções de oclusão das células epiteliais que resultam 
também em menor absorção de nutrientes4, pois as junções 
permitem a passagem de substâncias que em situações de 
um intestino saudável não acontecem.
Com relação ao teste de duplos açúcares31, um alto valor 
da razão manitol/lactulose significa maior permeabilidade 
intestinal, pois a perda da integridade intestinal eleva a 
absorção de lactulose, enquanto que a perda de áreas 
absortivas diminui a absorção de manitol58,59.
Além disso, altos níveis de zonulina sérica, possivelmente, 
indicam uma maior abertura das zônulas de oclusão e 
consequente aumento da permeabilidade intestinal32.
Dessa forma, uma alta permeabilidade significa uma 
passagem não só de moléculas maiores através do epitélio, 
mas também de substâncias tóxicas e até metabólitos de 
bactérias, os quais podem ter grandes consequências no 
hospedeiro22.
Microbiota intestinal no TEA
Como citado, notou-se redução significativa do gênero 
Prevotella, Coprococcus e Veillonellaceae, as quais são 
bactérias responsáveis pela degradação de carboidratos 
e fermentação38. Nesse sentido, menores níveis de AGCC 
podem, talvez, ser consequência de uma população 
reduzida de bactérias fermentativas e degradadoras de 
carboidratos. Isso se explica, devido ao fato de as bactérias 
da microbiota intestinal produzirem enzimas que degradam 
as fibras alimentares em açúcares. Em seguida, esses 
açúcares são utilizados pelas bactérias como substratos 
fermentativos para produção dos AGCC, como butirato, 
propionato e acetato12. Os Bacteroides ssp. são um gênero 
do filo Bacteroidetes e são conhecidos como os mais capazes 
de degradar polissacarídeos da dieta34. Assim sendo, se 
as pessoas com TEA possuem menor abundância do filo 
Bacteroidetes haverá menor produção de AGCC.
Tendo em vista que notou-se aumento do crescimento 
microbiano de várias espécies bacterianas e do fungo Candida 
nos autistas42, a infecção consequente está relacionada 
com níveis elevados de IgA no público autista quando 
comparado aos neurotípicos, o que influencia diretamente 
na proliferação de bactérias, dificultando o crescimento 
microbiano e consequentemente influenciando em uma 
possível disbiose43.
A composição exata da microbiota intestinal do TEA 
ainda não está bem definida, provavelmente por conta 
dos diferentes métodos utilizados em cada estudo, 
análise estatística e principalmente uma padronização 
da população (sexo, idade, dieta)23. No entanto, a partir os 
dados trazidos é plausível dizer que existe uma disbiose 
persistente no público TEA, e essa consequentemente, pode 
produzir metabólitos bacterianos e fatores neurotóxicos, 
os quais teriam um impacto em toda a fisiopatologia do 
TEA, principalmente no cérebro através da passagem pela 
barreira hematoencefálica33,que possui relação com o eixo 
intestino-cérebro52,60.
Eixo intestino-cérebro
O aumento da permeabilidade intestinal, permite que 
metabolitos de bactérias, potencialmente neuroativos (agem 
no sistema nervoso central), cruzem facilmente a barreira 
intestinal22, o que não ocorre em situações saudáveis de 
permeabilidade intestinal adequada. A ideia de uma mucosa 
intestinal mais permeável, é que essa permite que produtos da 
digestão de alimentos passem para o sangue e induzam uma 
resposta antigênica, a qual afeta o Sistema Nervoso Central 
(SNC)61. Além disso, a maior permeabilidade intestinal afeta o 
funcionamento cerebral através de fatores neuroimunológicos 
e neuroendócrinos contribuindo, potencialmente, para a 
patogênese do TEA62,63. Dessa forma, uma barreira intestinal 
mais permeável permite que os produtos da digestão dos 
alimentos ou metabólitos de bactérias sejam enviados 
diretamente ao SNC através da barreira hematoencefálica que 
está com níveis elevados da proteína claudina32. A proteína 
claudina está relacionada com a abertura das junções de 
oclusão32, e portanto, a barreira hematoencefálica torna-
se mais permeável, permitindo que esses produtos ou 
metabólitos tenham impacto diretamente no cérebro.
Intervenção probiótica na modulação da 
microbiota intestinal no TEA
Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada - RDC Nº 241, 
de 26 de julho de 2018 publicada pela Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (ANVISA), probiótico é definido como 
um “microrganismo vivo que, quando administrado em 
quantidades adequadas, confere um benefício à saúde do 
indivíduo”.
Como visto, o papel do probiótico no equilíbrio da 
microbiota intestinal controlando a disbiose traz efeitos 
positivos no intestino, ao aliviar sintomas como diarreia, 
constipação e outras30. Foi possível notar um efeito positivo 
a curto prazo nos sintomas característicos do TEA e 
gastrointestinais, no entanto, pelos dados terem sido relatados 
pelos cuidadores pode existir um grande viés, principalmente 
na falta de padronização da consistência das fezes49, pois a 
Camargo LOS12
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
inexistência de profissionais treinados e de um ambiente 
controlado podem gerar uma imprecisão dos dados.
Transplante de microbiota fecal
É importante ressaltar que a população dos estudos foi 
majoritariamente composta por crianças53-55, sendo apenas 
o relato de caso composto por 1 homem de 18 anos56 
diagnosticado com síndrome de Asperger (um subtipo do 
TEA). A quantificação da população presente nos estudos 
foram de 40 crianças com TEA (3-17 anos) e 16 neurotípicas 
controle do sudoeste da China53, 49 pacientes autistas (24 
com constipação e 25 sem constipação de 3-14 anos) de 
Guangdong na China55 e 42 crianças autistas (mediana de 
6 anos) do mesmo local54, 38 crianças entre 7 e 16 anos, 
com idade média de 11 anos sendo 18 crianças com TEA 
e 20 neurotípicas similares com relação a gênero e IMC da 
região de Phoenix, Arizona52, além do homem de 18 anos de 
Dongguan na China56. Tudo isso resulta em uma média de 
idade estimada de 9 anos e um total de 149 crianças mais 
um adulto que participaram da intervenção, tendo em vista 
que desse total, apenas 14% (n=21) são do sexo feminino, 
enquanto que 86% (n=129) são do sexo masculino. 
Visando a duração da intervenção aplicada nos estudos, 
houve tratamento de TMF durante 4 semanas aliado ao 
acompanhamento de 8 semanas consecutivas53, dois ciclos 
de tratamento durante analise de 4 semanas55, cinco ciclos 
de tratamento durante analise de 6 meses54 e 3 ciclos de 
tratamento com avaliação após 1 semana, 1 mês e 3 meses56.
Por fim, o último estudo teve duração de 18 semanas, sendo 10 
semanas de tratamento e 8 semanas de acompanhamento52 
e após 2 anos foi observado novamente os sintomas 
gastrointestinais e comportamento característico do TEA 
através das escalas de avaliação do comportamento57.
Além disso, é importante destacar que o uso de 
probióticos pode interferir nos resultados do TMF, mas nem 
todos os estudos utilizaram isso como critério de exclusão: 
não descreveu o uso ou utilizou como critério de exclusão52,56, 
participantes que fizeram uso em até 1 mês anterior a 
intervenção foram excluídos54, pacientes que faziam o uso 
ou fizeram uso em até 7 dias antes da intervenção foram 
excluídos53 e todos os pacientes participantes do estudo já 
faziam o uso antes ou durante a intervenção55.
Dessa forma, a manipulação da microbiota intestinal no 
autismo se mostrou eficiente a curto e a longo prazo em 
diminuir os sintomas gastrointestinais e comportamento 
característico do TEA. No entanto, ao interpretar esses 
dados, não se deve deixar de lado o pequeno número de 
pessoas envolvidas nos estudos que impossibilitam uma 
aplicabilidade dos resultados em uma população mais 
diversa, a localização geográfica dos estudos que englobou 
majoritariamente participantes chineses, ausência de dados 
sobre situação socioeconômica, raça, e portanto, não se aplica 
a população em geral. O público que foi majoritariamente 
composto por indivíduos do sexo masculino e menores 
do que 18 anos, e assim, os resultados não podem ser 
extrapolados para adultos e para ambos os gêneros. As 
características retrospectivas de alguns estudos é um ponto 
que também deve ser levado em consideração, ademais 
fatores não mensurados, tais como, a dieta dos participantes, 
a qual também irá impactar na microbiota intestinal54,55. E 
por fim, é importante destacar que nenhum dos estudos 
de intervenção TMF são estudos controle randomizados 
com grupo placebo, o que traz uma fidedignidade menor 
para os achados. 
CONCLUSÃO
A partir dos dados apresentados é possível notar que 
existe maior prevalência de distúrbios gastrointestinais, 
sobretudo a constipação e diarreia, em crianças portadoras 
do Transtorno do Espectro Autista, e isto pode ser associado 
à disbiose na microbiota intestinal. A modulação da 
microbiota intestinal por meio da intervenção nutricional 
com probióticos e o procedimento de Transplante de 
Microbiota Fecal mostraram-se promissoras no controle 
dos sintomas gastrointestinais e na redução a curto prazo 
dos sintomas característicos do espectro, enquanto apenas 
1 estudo envolvendo o transplante apresentou melhoras 
a longo prazo.
A modulação da microbiota intestinal pode auxiliar 
positivamente na redução dos comportamentos 
característicos do espectro e sintomas gastrointestinais, 
possivelmente pela correção da disbiose e permeabilidade 
intestinal, redução da produção de fatores neuro tóxicos, 
e consequente, diminuição da passagem desses fatores 
através da barreira hematoenceálica. Por outro lado, para 
que exista a manutenção desse estado de controle ao 
longo do tempo, é importante a adequação da nutrição, no 
entanto, existe uma grande barreira persistente no público 
autista que é a seletividade alimentar. Tendo em vista que a 
seletividade alimentar está presente, em média, em mais de 
70% das crianças portadoras do TEA64, é possível que essa 
seletividade seja um fator limitante para a manutenção de 
uma microbiota intestinal balanceada e saudável, e talvez, 
também possa ter uma relação de influência na causalidade 
da disbiose encontrada nesta população, pois nessas 
situações a alimentação do indivíduo está restrita a uma 
pequena variedade de alimentos. 
Tendo em vista que as alterações sensoriais no TEA são 
evidentes, outro ponto importante a ser pensado é que 
experiências que gerem ansiedade podem ter desfechos 
Microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro no TEA: uma revisão integrativa 13
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
negativos no trato gastrointestinal, o que pode também ser 
um fator que impacte diretamente nesses sintomas, a partir 
da relação entre o eixo intestino-cérebro. Adicionalmente, 
quando se pensa na rigidez comportamental do TEA, a 
qual impacta diretamente na permanência em ambientes 
seguros e conhecidos, um ambiente laboratorial e 
observacional pelo fato de sernovo, pode se tornar muito 
estressor e também influenciar em desfechos negativos no 
trato gastrointestinal. Além disso, os estudos com humanos 
foram baseados em relatos dos cuidadores e pais, ou melhor, 
relatos indiretos, devido à dificuldade de comunicação do 
público portador do espectro. A dificuldade de comunicação 
e a interocepção – consciência interna do corpo – poderiam 
ser fatores limitantes para um relato direto e mais preciso dos 
sintomas no TEA.
Algo importante a se destacar é que a maioria dos 
estudos apresentou risco de viés sério ou crítico no total 
dos domínios da ferramenta ROBINS-I, principalmente por 
conta de possíveis fatores que podem ter influenciado nos 
desfechos finais, e assim, devem ser interpretados com 
cautela.
Dessa forma, a modulação da microbiota intestinal se 
apresenta com uma nova estratégia de ampliar o cuidado 
no Transtorno do Espectro Autista. Porém, a variabilidade de 
resultados evidencia a característica diversa do Espectro ou 
falta de padronização devido aos estudos na área estarem em 
ascensão, e portanto, ainda são necessários uma padronização 
de trabalhos, controle de variáveis que possam influenciar 
no desfecho final e homogeneização das amostras para que 
a análise seja mais eficaz e o resultado, consequentemente, 
mais próximo da realidade, além de estudos que busquem 
trabalhos integrados interprofissionais para contribuir com a 
melhora na qualidade de vida dessa população.
LIMITAÇÕES
Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser 
consideradas na interpretação dos resultados. Em primeiro 
lugar, a alta prevalência de seletividade alimentar pode 
limitar a eficácia da modulação da microbiota intestinal via 
Transplante de Microbiota Fecal (TMF), pois é necessária 
uma alimentação balanceada para manutenção de uma 
microbiota saudável, e portanto, apenas o transplante não 
é suficiente. Dessa forma, a não avaliação da dieta dos 
participantes nos estudos de TMF é uma grande limitação 
que pode ter influenciado nos resultados. Além disso, as 
alterações sensoriais e a ansiedade características do TEA 
podem impactar negativamente o trato gastrointestinal, 
influenciando os resultados e tornando a replicação mais 
desafiadora em ambientes laboratoriais estressantes. 
Outro ponto importante é a dificuldade de comunicação e 
interocepção presente no TEA, o que pode comprometer 
a precisão dos relatos de sintomas gastrointestinais, pois as 
informações dependem em grande parte de observações 
indiretas de cuidadores e pais, como exemplo, desconfortos 
gastrointestinais podem ser dificilmente mensurados. Por fim, 
a variabilidade observada nos resultados reflete a diversidade 
intrínseca do transtorno do espectro autista e a falta de 
padronização nos estudos atuais, destacando a necessidade 
de novas pesquisas adotando critérios homogêneos e uma 
abordagem interprofissional para melhorar a qualidade de 
vida dessa população.
Com relação as características dos participantes dos 
estudos, além do número ser pequeno, os resultados 
carecem de informações sobre situação socioeconômica, 
raça e a maior parte deles é do sexo masculino, e portanto, 
não podem ser generalizados.
A avaliação do risco de viés demonstrou que todos os 
estudos envolvendo o Transplante de Microbiota Fecal 
apresentaram no total dos domínios um risco de viés de sério 
ou crítico, o que significa que os resultados obtidos podem ter 
sido influenciados por outros fatores e não diretamente pela 
intervenção, evidenciando a baixa qualidade dos estudos 
provavelmente devido aos estudos estarem em ascenção, e 
dessa forma, isso pode auxiliar próximos pesquisadores no 
desenho de seus estudos.
Adicionalmente, devido ao estudo em questão não ter 
sido feito em outras bases de dados além do PubMed, como 
por exemplo, Scielo, podem ter sido perdidos alguns estudos 
relevantes. Além de que, estudos que o enfoque não era 
apenas no TEA, mas sim em transtornos neuropsiquiátricos 
e que avaliaram a microbiota intestinal, também podem 
ter sido perdidos pela estratégia de seleção dos estudos. A 
eliminação dos estudo pelo título também pode ter sido 
uma limitação. Por fim, é importante citar que a avaliação 
do risco de viés foi feita apenas pelo autor do trabalho e 
avaliou-se apenas os desfechos de sintomas gastrointestinais 
e comportamento característico do TEA, pois são da área de 
experiência do autor, e portanto, optou-se em não avaliar o 
desfecho composição da microbiota intestinal.
CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS
Luís Otávio Santos Camargo foi o único autor envolvido 
no processo de elaboração do manuscrito.
CONFLITO DE INTERESSE
Não houve conflito de interesse.
Camargo LOS14
J Bras Psiquiatr. 2025;74:e20240044 – 1-15
AGRADECIMENTOS
Um agradecimento especial a UNIFESP que me proporcionou 
a oportunidade de preparar um trabalho de conclusão de 
curso que foi a matéria-prima para elaboração do manuscrito 
e também aos meus pais que não me permitiram desistir e 
acreditaram em meu potencial desde o começo da faculdade 
de nutrição. Sem vocês tudo isso não seria possível. 
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