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Curso: ENGENHARIA DE SOFTWARE
Semestre: 5º
Disciplina: REDES DE COMPUTADORES I
Professor: Glauco Aurélio Silva
Acadêmico(a): Valdir Thom Junior RGM: 123.861
ATIVIDADE AVALIATIVA PORTFÓLIO 1 - Valor: dez pontos
Prezado(a) acadêmico(a)!
Essa atividade compreende os conteúdos abordados nas aulas 1 e 2.
Primeiramente, você deve estudar os conteúdos do nosso Guia de Estudos e
assistir as videoaulas. Depois, leia atentamente e responda com dedicação a cada um
dos exercícios abaixo.
Questão 1 (valor: 1,5 ponto)
Explique o contexto histórico que levou ao surgimento da internet, destacando a
importância da ARPANET e da comutação de pacotes para o desenvolvimento das
redes de computadores modernas.
R: O surgimento da internet está intrinsecamente ligado ao contexto da Guerra Fria,
especificamente no final dos anos 1950 e durante a década de 1960. O objetivo principal
era criar uma rede de comunicação segura e descentralizada, capaz de suportar
ataques militares ou falhas tecnológicas sem perder informações críticas, protegendo
os polos de pesquisa tecnológica dos EUA em competição com a União Soviética.
Aqui está o detalhamento dos pontos solicitados:
A ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network): Criada pela agência
DARPA do Departamento de Defesa dos EUA, a ARPANET foi a "avó" da internet,
lançada em 1969. Ela foi projetada para interligar computadores de universidades e
centros de pesquisa, permitindo o compartilhamento de recursos e a troca de
informações em um modelo descentralizado (sem um nó central), onde a destruição de
um ponto da rede não paralisaria o todo.
Comutação de Pacotes: Foi a técnica fundamental que viabilizou a ARPANET. Diferente
da comutação de circuitos (usada nas redes telefônicas da época, onde uma linha era
dedicada exclusivamente a uma conversa), a comutação de pacotes quebra os dados
em pequenos blocos (pacotes). Cada pacote pode seguir rotas diferentes para chegar
ao mesmo destino, sendo remontados no final. Essa tecnologia permitiu:
Maior eficiência: Vários usuários compartilham a mesma linha, otimizando o tráfego de
dados.
Resiliência: Se uma rota de dados for destruída, os pacotes encontram outro caminho,
garantindo a robustez da rede.
Importância para as redes modernas:
A ARPANET provou que a comutação de pacotes e a arquitetura distribuída
funcionavam. Ela introduziu conceitos e protocolos (como os precursores do TCP/IP)
que se tornaram a base da internet moderna. A transição da ARPANET para protocolos
padronizados na década de 1980 permitiu que outras redes se conectassem, formando
a "rede de redes" que conhecemos hoje.
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Questão 2 (valor: 1,5 ponto)
Defina rede de computadores e explique o conceito de computadores autônomos.
Justifique por que sistemas baseados em arquitetura mestre/escravo não são
considerados redes de computadores.
R: 1. Definição de Rede de Computadores
Uma rede de computadores é definida como um conjunto de computadores e
dispositivos autônomos, interconectados por meio de tecnologias físicas (cabos, fibra
óptica) ou sem fio (Wi-Fi, satélite), com o propósito de compartilhar recursos, trocar
dados e facilitar a comunicação. Ela é composta por hardware (adaptadores, switches)
e software (protocolos de comunicação, sistemas operacionais).
2. Conceito de Computadores Autônomos
No contexto de redes, computadores autônomos são máquinas que possuem
capacidade própria de processamento, armazenamento e gerenciamento de recursos.
Isso significa que:
Funcionamento Independente: O computador tem seu próprio sistema operacional, CPU
e memória, podendo executar tarefas locais sem depender de um computador central.
Controle de Comunicação: O nó autônomo decide quando enviar ou receber dados, e
não é apenas um terminal "burro" (dumb terminal) que apenas exibe informações
enviadas por outro servidor.
3. Por que Mestre/Escravo não são Redes de Computadores?
Sistemas baseados em arquitetura mestre/escravo (master/slave) geralmente não são
considerados redes de computadores completas (no sentido da definição acima) pelos
seguintes motivos:
Falta de Autonomia: No modelo mestre/escravo, o dispositivo mestre controla
inteiramente os escravos.
Os escravos não possuem autonomia própria, sendo muitas vezes apenas periféricos
ou sensores que aguardam comandos do mestre para agir.
Comunicação Unidirecional/Centralizada: O mestre inicia todas as comunicações, e os
escravos não se comunicam entre si.
A autonomia é centralizada no mestre, violando o princípio de "computadores
autônomos" interconectados.
Hierarquia vs. Cooperação: Enquanto a rede de computadores pressupõe cooperação
e compartilhamento entre pares (ou pares-cliente/servidor), o mestre/escravo baseia-se
em subordinação.
Questão 3 (valor: 1,0 ponto)
Descreva as principais diferenças e semelhanças entre Intranet, Extranet e Internet,
apresentando exemplos práticos de uso para cada uma dessas redes.
R: As redes Internet, Intranet e Extranet diferem principalmente quanto ao público-alvo,
nível de acesso/segurança e abrangência, embora utilizem tecnologias de comunicação
semelhantes (protocolo TCP/IP). Aqui estão as definições, diferenças, semelhanças e
exemplos práticos:
1. Internet (Rede Pública)
Definição: Rede mundial de computadores, pública e acessível a qualquer pessoa.
Exemplo Prático: Acessar sites de notícias (G1, CNN), redes sociais (Instagram), fazer
pesquisas no Google ou realizar compras em e-commerce (Amazon, Mercado Livre).
2. Intranet (Rede Interna/Privada)
Definição: Rede de computadores restrita aos membros de uma organização. É usada
para compartilhar informações, dados e ferramentas internamente. Exemplo Prático: O
portal interno de uma empresa ("Portal do Colaborador") onde os funcionários acessam
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o holerite, consultam manuais da empresa ou usam sistemas de RH, acessível apenas
com login corporativo dentro da empresa ou via VPN.
3. Extranet (Rede Externa/Controlada)
Definição: Extensão da intranet da empresa que permite acesso controlado a parceiros
externos, fornecedores ou clientes autorizados.
Exemplo Prático: Um sistema de fornecedor onde uma fábrica permite que seus
parceiros externos verifiquem o estoque e emitam notas fiscais diretamente, ou um
portal de clientes para rastrear pedidos.
Questão 4 (valor: 1,5 ponto)
Explique o papel das principais organizações responsáveis pela governança da internet,
como IETF, ICANN e W3C, destacando a importância do modelo multissetorial.
R: A governança da internet não é centralizada em um único governo, mas sim uma
construção coletiva, descentralizada e colaborativa. Ela envolve a aplicação de
princípios, normas e regras por diferentes setores da sociedade para garantir o
funcionamento e a evolução da rede. Abaixo estão os papéis das principais
organizações e a importância do modelo multissetorial:
1. Principais Organizações de Governança
IETF (Internet Engineering Task Force): É responsável pela padronização técnica da
internet. A IETF desenvolve os protocolos fundamentais (como TCP/IP, HTTP, DNS)
através de documentos chamados RFCs (Requests for Comments), garantindo que
diferentes redes consigam se comunicar entre si.
ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers): Tem a função de
gerenciar e coordenar os recursos críticos da internet a nível mundial. Ela é responsável
pela alocação de endereços IP, coordenação do sistema de nomes de domínio (DNS)
e operação dos servidores raiz, garantindo a interoperabilidade global.
W3C (World Wide Web Consortium): Foca no desenvolvimentode padrões para a Web
(como HTML, CSS, XML). Liderado por Tim Berners-Lee, o W3C define as
especificações que garantem o crescimento, acessibilidade e interoperabilidade das
páginas web.
2. A Importância do Modelo Multissetorial (Multistakeholder)
O modelo multissetorial é crucial porque a internet é descentralizada e sem fronteiras.
A sua governança se baseia na participação conjunta e equilibrada de diferentes atores
(stakeholders):
Comunidade Técnica: Provedores de internet, engenheiros (como IETF) e operadores
de rede que focam na estabilidade operacional.
Setor Privado: Empresas que fabricam equipamentos, prestam serviços e desenvolvem
a infraestrutura.
Governos: Estabelecem políticas públicas e legislações que respeitam a soberania e
promovem o desenvolvimento inclusivo.
Sociedade Civil: Organizações e usuários que garantem a defesa de direitos, como
privacidade, liberdade de expressão e acesso universal.
Por que é importante?
Esse modelo evita que um único grupo (especialmente governos) tenha controle total
sobre a rede, permitindo uma tomada de decisão mais democrática, transparente e ágil,
garantindo que a internet permaneça aberta, estável e técnica.
Questão 5 (valor: 1,0 ponto)
O que são RFCs (Request for Comments) e qual a sua importância para o
funcionamento e a evolução da internet? Descreva, de forma resumida, o processo de
criação de uma RFC.
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R: RFCs (Request for Comments), ou "Solicitações de Comentários", são documentos
técnicos publicados pela Internet Engineering Task Force (IETF) e outras organizações
de padronização, que definem as regras, protocolos, procedimentos e tecnologias
fundamentais da internet. Apesar do nome parecer apenas sugestivo, as RFCs
funcionam como "manuais de instruções" oficiais para construir, manter e evoluir a
infraestrutura de rede, cobrindo aspectos que vão desde padrões de roteamento (como
TCP/IP) até segurança cibernética.
Importância para a Internet:
Padronização: Garantem a interoperabilidade, permitindo que diferentes hardwares e
softwares desenvolvidos por diferentes fabricantes (ex: Cisco, Microsoft, Apple)
funcionem juntos.
Evolução e Inovação: Permitem o desenvolvimento técnico de forma colaborativa e
aberta, onde novas ideias (como IPv6 ou HTTPS) são propostas, discutidas e
formalizadas.
Documentação Oficial: Servem como o registro histórico e técnico confiável de como os
protocolos devem funcionar.
Resumo do Processo de Criação de uma RFC:
Proposta (Internet-Draft): Um autor ou grupo envia uma ideia técnica, chamada Internet-
Draft, para a IETF.
Discussão e Revisão: A comunidade revisa o rascunho, propondo alterações e
melhorias.
Padronização: Se o rascunho for aceito como uma boa prática ou padrão, ele passa por
revisão técnica e consagração.
Publicação: O IETF Editor publica o documento como um RFC com um número
sequencial, que é permanente (um RFC nunca é alterado; se necessário, um novo
número é emitido para atualizar o anterior).
Questão 6 (valor: 1,5 ponto)
Explique a arquitetura TCP/IP, destacando seu principal objetivo e descrevendo as
funções gerais de suas camadas.
R: A arquitetura TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) é o conjunto
de protocolos de comunicação fundamental que sustenta o funcionamento da internet e
da maioria das redes modernas. Diferente do modelo OSI teórico, o TCP/IP é
pragmático e focado na implementação prática, permitindo a interconexão de redes
heterogêneas (diferentes hardwares e sistemas operacionais).
Principal Objetivo
O objetivo principal do TCP/IP é padronizar a comunicação entre dispositivos em uma
rede, garantindo que pacotes de dados possam ser empacotados, endereçados,
transmitidos, roteados e recebidos com sucesso no destino, independentemente das
redes físicas subjacentes. Ele foi desenhado para ser robusto, suportando a
comunicação "fim a fim" confiável ou não confiável.
Camadas da Arquitetura TCP/IP
O modelo TCP/IP é comumente estruturado em quatro camadas (sendo às vezes
representado como cinco, ao dividir a de Acesso à Rede em física e enlace):
Camada de Aplicação (Application Layer):
Função: É a camada superior, onde ocorrem as interações diretas com o usuário e os
aplicativos. Ela fornece serviços de rede para aplicações como navegação web (HTTP),
transferência de arquivos (FTP), e-mail (SMTP) e resolução de nomes (DNS).
Camada de Transporte (Transport Layer):
Função: Gerencia a comunicação fim a fim entre o host de origem e destino,
segmentando dados da aplicação. Seus principais protocolos são:
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TCP (Transmission Control Protocol): Orientado à conexão, confiável, garante que os
dados cheguem na ordem correta.
UDP (User Datagram Protocol): Não orientado à conexão, mais rápido, ideal para
streaming e tempo real.
Camada de Internet/Rede (Internet Layer):
Função: Responsável pelo endereçamento lógico (endereços IP) e roteamento de
pacotes, determinando a melhor rota para o destino através de múltiplas redes. O
protocolo principal é o IP (Internet Protocol).
Camada de Acesso à Rede/Interface de Rede (Network Access/Link Layer):
Função: Define como os dados são fisicamente transmitidos pelo meio, lidando com o
hardware, como cabos, Wi-Fi e placas de rede (MAC address). Gerencia o formato dos
quadros (frames) na rede local (ex: Ethernet).
Questão 7 (valor: 2,0 pontoS)
Compare a comutação de circuitos com a comutação de pacotes, destacando as
vantagens da comutação de pacotes para redes de grande escala, como a Internet.
R: A comutação de circuitos e a comutação de pacotes são duas abordagens
fundamentais para o gerenciamento de recursos de rede e o encaminhamento de
tráfego de dados. A principal diferença reside na forma como estabelecem a conexão e
utilizam a banda.
1. Comutação de Circuitos (Circuit Switching):
Funcionamento: Estabelece um caminho físico dedicado de ponta a ponta entre emissor
e receptor antes do início da transmissão (ex: redes telefônicas tradicionais).
Recursos: A banda é reservada e exclusiva durante toda a chamada, mesmo que
nenhum dado seja transmitido.
Desvantagens: É ineficiente para dados, pois desperdiça capacidade se a linha estiver
ociosa. Se todos os circuitos estiverem ocupados, novas chamadas são bloqueadas.
2. Comutação de Pacotes (Packet Switching):
Funcionamento: Divide os dados em pequenos pedaços (pacotes) que são transmitidos
independentemente, cada um com seu cabeçalho (endereço de destino), podendo
seguir rotas diferentes.
Recursos: Compartilha a banda entre múltiplos usuários simultaneamente
(multiplexação estatística). Não há reserva prévia de caminho.
Vantagens da Comutação de Pacotes em Redes de Grande Escala (Internet):
Alta Eficiência e Compartilhamento de Recursos: Como os pacotes de vários usuários
são transmitidos no mesmo enlace apenas quando necessário, a banda não fica ociosa,
permitindo maior tráfego com menos infraestrutura.
Melhor Tolerância a Falhas (Robustez): Se um roteador no caminho falhar, os pacotes
podem ser reencaminhados automaticamente por outro percurso, garantindo que a
comunicação continue.
Escalabilidade: É ideal para o tráfego da internet, que é "em rajadas" (bursty), pois não
necessita estabelecer conexão prévia e gerencia melhor a variação de volume de dados.
Custo-Benefício: A infraestrutura é mais simples e barata de escalar, pois os nós
intermédios (roteadores) apenas processam e encaminham pacotes, sem precisar
gerenciar circuitos dedicados complexos.
Em resumo, enquanto a comutação de circuitos é ideal para voz em tempo real, a
comutação de pacotes é superior para redes de grande escala e dados, proporcionando
flexibilidade, eficiência e resiliência à internet.